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ANO CRISTÃO


Segundo a versão de Lucas nos Atos dos Apóstolos (18,1-17), Paulo permaneceu em Corinto cerca de um ano e meio, depois de ter fundado a Igreja de Tessalónica. Tem assim tempo suficiente para conhecer a realidade desta cidade marítima, famosa pelo estilo de vida livre de qualquer ética, sendo um lugar de grande fermento cultural por causa do seu comércio e da paixão pela procura da verdade, tal como sucedia em Atenas. Nesse tempo, o Apóstolo tem ocasião não só de conhecer o ambiente, mas também de compreender quais os avisos que deve sugerir, para que a comunidade cristã aí presente cresça no Senhor. A situação pastoral provoca nele a reflexão, confrontando-se estreitamente com o mistério de Cristo e a encontrar n’Ele riquezas até então insuspeitadas: basta recordar o discurso sobre a Cruz (capítulo 1) ou a identidade do ministro (capítulo 4); a realidade da Igreja como Corpo de Cristo (capítulo 12) ou o esplêndido texto que contém o hino à caridade (capítulo 13), não esquecendo o fundamento cristológico de todos esses avisos que é 1Coríntios 15, texto no qual Paulo expõe o mistério da ressurreição de Cristo, fazendo derivar dela notáveis consequências antropológicas e cosmológicas.
Esta variedade de temas e alguns acenos a cartas recebidas, às quais o Apóstolo já teria respondido, fizeram pensar, com um bom grau de probabilidade, que a Primeira Carta aos Coríntios reúna várias cartas coligidas pelo próprio Paulo ou por algum discípulo seu.
A leitura litúrgica semicontínua da Carta prolongar-se-á de quinta-feira da semana XXI até ao sábado da semana XXIV do Tempo Comum (primeira leitura, anos pares), permitindo ouvir alguns dos textos mais importantes da Carta, a qual é importantíssima para compreender o grau de elaboração da fé cristã por parte de Paulo.
Convidando à leitura atenta do texto inteiro, convém sublinhar a tensão espiritual que emerge do pensamento do Apóstolo: nada deve ser pensado fora e sem se referir à Pessoa de Jesus Cristo. Tudo, virtude e vício, adquire valor de conversão, se for visto com a força e na luz que vêm de Jesus Ressuscitado.

© Maurizio Girolami | Editora Paulus
© Adaptação de Laboratório da fé, 2014
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do editor



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Laboratório da fé celebrada, 2014



A Editora Paulus traduziu e publicou (em 2010) uma obra italiana com comentários aos textos bíblicos proclamados nas celebrações eucarísticas. No volume dedicado às primeiras semanas do Tempo Comum («Leccionário Comentado. Regenerados pela Palavra de Deus. Volume 1: Tempo Comum. Semanas I-XVII» — organização de Giuseppe Casarin) faz uma breve apresentação das primeiras semanas do «Tempo Comum» e dos textos bíblicos propostos na Liturgia. A coleção está estruturada à maneira da «lectio divina», acompanhando progressivamente todo o ano litúrgico nos seus tempos fortes, nas suas festas mas também nos dias feriais, todas as vezes que a comunidade cristã é convocada para celebrar a Cristo presente na Palavra e no Pão eucarístico.


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 28.8.14 | Sem comentários
Ao ritmo da liturgia


Vigésima terceira semana


Apostar por Jesus Cristo é apostar na vida em plenitude

A escolha do insignificante, do «pequeno», à partida não permite aspirar logo a ser importante. Ser discípulo de quem não tem onde reclinar a cabeça, nunca proporcionará almofadas confortáveis.
Essa é a cruz, a parte dura de uma eleição que não deixa de ter — mesmo nos piores momentos — a formosura do «pequeno». Ajudemo-nos a descobrir o valor do simples, do gratuito. Custa pouco e vale muito!
A nossa fé diz-nos que apostar por Jesus Cristo é apostar na vida em plenitude. Isto significa que todas as «cruzes» que surjam como consequência dessa eleição são menos importantes do que a vida que podemos desfrutar.
De qualquer forma, há coisas que já percebemos: ser e ter são incompatíveis; os importantes não se relacionam entre si da mesma maneira que a gente simples; a paz de espírito não casa com o poder; os poderosos sofrem do coração; etc.
Ora bem, ninguém nega que o seguimento de Jesus Cristo traz «cruzes»; mas nós, cristãos, afirmamos que nesse seguimento não há nenhuma «cruz» que não desemboque em ressurreição. Além disso, não é necessário ir a correr à procura de «cruzes», como muitas devoções parecem sugerir. As que vêm ter connosco já são suficientes! A cruz cristã é só um passo para a glória. Não somos «cruzados», mas cristãos, homens e mulheres da ressurreição. Porque não tomamos a cruz para seguir com Jesus Cristo até ao calvário, mas até ao grande banquete da vida.
Ser discípulo de Jesus Cristo, ser cristão, não pode ser um simples facto cultural ou uma tradição familiar (DOMINGO: «Não pode ser meu discípulo»). Ser cristão não é apenas ter sido batizado ou, quando muito, passar 50 minutos na igreja, uma vez por semana. Ser cristão também não equivale de modo algum a repetir verdades abstratas sobre Deus ou a respeitar as regras religiosas por muito santas que sejam (SEGUNDA: «Conhecendo os seus pensamentos»). Ser cristão implica ter uma relação pessoal com Jesus Cristo (TERÇA: «Passou a noite em oração a Deus»). A opção cristã implica que tudo na minha vida esteja relacionado com a perspetiva de Jesus Cristo (QUARTA: «Bem-aventurados»). Por isso, seguir Jesus Cristo supõe mudar a nossa escala de valores (QUINTA: «Fazei bem aos que vos odeiam»): o amor de doação, gratuito, converte-se no «norte» da minha existência; o amor preferencial pelos pobres; a luta pela justiça; o considerar que cada ser humano é meu irmão ou minha irmã (SEXTA: «Todo o discípulo perfeito deverá ser como o seu mestre»); a paixão pela Palavra de Deus; a relação íntima com Deus Pai... Assumir esta escala de valores, faz-nos participantes da vida em plenitude (SÁBADO: «Tenha a vida eterna»).

Se acreditamos que o seguimento de Jesus Cristo se trata de uma oferta de plenitude, então o que temos de fazer é escolher o que é melhor para nós. Optar pelo seguimento de Jesus Cristo requer maturidade e seriedade, perseverança e esforço, inteligência e planificação. Nesta semana, deixa-te interpelar por esta questão: Alguma vez refleti com seriedade sobre o que implica ser discípulo de Jesus Cristo?

A elaboração deste texto foi inspirada na obra de José Luis Cortés, El ciclo C, Herder Editorial e nos textos publicados neste «Laboratório da fé» a propósito do vigésimo terceiro domingo

© Laboratório da fé, 2013

Vigésima terceira semana, no Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 8.9.13 | Sem comentários
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