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— Sexta-feira da terceira semana da Quaresma —

— Evangelho segundo Marcos 12, 28b-34

Naquele tempo, aproximou-se de Jesus um escriba e perguntou-Lhe: «Qual é o primeiro de todos os mandamentos?» Jesus respondeu-lhe: «O primeiro é este: ‘Escuta, Israel: O Senhor, nosso Deus, é o único Senhor: Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todo o teu entendimento e com todas as tuas forças’. O segundo é este: ‘Amarás o teu próximo como a ti mesmo’. Não há nenhum mandamento maior que estes». Disse-Lhe o escriba: «Muito bem, Mestre! Tens razão quando dizes: Deus é único e não há outro além d’Ele. Amá-l’O com todo o coração, com toda a inteligência e com todas as forças, e amar o próximo como a si mesmo, vale mais do que todos os holocaustos e sacrifícios». Ao ver que o escriba dera uma resposta inteligente, Jesus disse-lhe: «Não estás longe do reino de Deus». E ninguém mais se atrevia a interrogá-l’O.

— Amar o próximo

Um dia, uma criança disse-me: «Jesus é gago». Admirada, perguntei-lhe porque é que pensava assim. E a pequena respondeu-me: «Ele diz sempre a mesma coisa: 'Amai a Deus e amai toda a gente». 
Bem sabei que Jesus também pronunciou outras palavras, mas sou obrigada a constatar que ele dá prioridade ao amor a Deus e ao amor ao próximo. O evangelho deste dia apresenta-o no enunciado como resposta a uma questão do mestre da Lei sobre o maior mandamento, aquele que remete para o amor a Deus com todo o coração, com toda a alma, com todo o entendimento e com todas as forças. Por acréscimo, o evangelho diz que Jesus apresenta também o segundo mandamento: amar o próximo como a si mesmo. Jesus não está contra o culto, mas não admite que o culto que se presta a Deus dispense da observância destes dois mandamentos do amor. 
Isto também se aplica a nós. Como é possível rezar pela paz no mundo quando não a construímos no lugar onde vivemos? Como é possível participar na eucaristia, quando, muitas vezes, não vivemos segundo o Evangelho e quando rompemos voluntariamente a comunhão com os outros?
É preciso ser coerente na nossa vida cristã: rezar, sim; celebrar, certamente; agir, com toda a certeza. Quando procuramos unir o que pensamos com o que acreditamos, o que dizemos com o que fazemos, estamos cada vez mais próximos do reino Deus.

Senhor Jesus, eu quero seguir-te.
Faz com que eu pense, acredite, fala e atue como tu:
amando sempre mais.

© Denise Lamarche, «Vie Liturgique», Novalis - Bayard Presse Canada inc
© Tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
— a utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização —

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 8.3.13 | Sem comentários
— Quinta-feira da terceira semana da Quaresma —

— Evangelho segundo Lucas 11, 14-23

Naquele tempo, Jesus estava a expulsar um demónio que era mudo. Logo que o demónio saiu, o mudo falou e a multidão ficou admirada. Mas alguns dos presentes disseram: «É por Belzebu, príncipe dos demónios, que Ele expulsa os demónios». Outros, para O experimentarem, pediam-Lhe um sinal do céu. Mas Jesus, que conhecia os seus pensamentos, disse: «Todo o reino dividido contra si mesmo, acaba em ruínas e cairá casa sobre casa. Se Satanás está dividido contra si mesmo, como subsistirá o seu reino? Vós dizeis que é por Belzebu que Eu expulso os demónios. Ora, se Eu expulso os demónios por Belzebu, por quem os expulsam os vossos discípulos? Por isso eles mesmos serão os vossos juízes. Mas se Eu expulso os demónios pelo dedo de Deus, então quer dizer que o reino de Deus chegou até vós. Quando um homem forte e bem armado guarda o seu palácio, os seus bens estão em segurança. Mas se aparece um mais forte do que ele e o vence, tira-lhe as armas em que confiava e distribui os seus despojos. Quem não está comigo está contra Mim e quem não junta comigo dispersa».

— «Todo o reino dividido contra si mesmo...»

Quando chega o tempo das eleições, preparamo-nos para votar numa candidata ou num candidato. No momento em que depositamos, na urna, o nosso boletim de voto fica clara para nós a opção que fizemos naquela pessoa e não gostaríamos de ver uma outra tomar esse lugar na câmara municipal, na assembleia municipal ou como deputado na Assembleia da República.
Hoje, somos chamados a fazer uma eleição muito especial. Somos convidados a votar em Jesus. Se estamos com ele, a nossa escolha é clara, o que quer dizer que acolheremos os seus ensinamentos e que agiremos e viveremos de forma semelhante à dele. Mas o próprio Jesus diz: «Quem não está comigo está contra Mim». Não há meias medidas: ou votamos em Jesus ou votamos contra ele. E Jesus acrescenta: «E quem não junta comigo dispersa». Sugere que quando votamos nele, escolhendo-o como nosso guia, nosso mestre, nosso Salvador, temos que, pela lógica da nossa fé, trabalhar com ele pea comunhão eclesial. 
A Igreja é a família de Jesus. Nesta Igreja, todos somos irmãs e irmãos iguais pelo batismo que recebemos. Todos devem permanecer no amor de Cristo; e este amor é tudo o que Cristo Jesus quer que seja dado a conhecer. Com todos os cristãos e cristãs temos de renovar, várias vezes ao longo da vida, a eleição que fizemos de Cristo. Viver segundo essa eleição é lutar contra todas as forças do mal e acolher toda a gente como nossa irmã, nosso irmão em Jesus Cristo.

Senhor Jesus, eu quero seguir-te.
Protege-me. 
Ensina-me a lutar contra o mal, 
a viver, como tu, no amor a Deus e so próximo.

© Denise Lamarche, «Vie Liturgique», Novalis - Bayard Presse Canada inc
© Tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
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Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 7.3.13 | Sem comentários
— Quarta-feira da terceira semana da Quaresma —

— Evangelho segundo Mateus 5, 17-19

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim revogar, mas completar. Em verdade vos digo: Antes que passem o céu e a terra, não passará da Lei a mais pequena letra ou o mais pequeno sinal, sem que tudo se cumpra. Portanto, se alguém transgredir um só destes mandamentos, por mais pequenos que sejam, e ensinar assim aos homens, será o menor no reino dos Céus. Mas aquele que os praticar e ensinar será grande no reino dos Céus».

— «Se alguém transgredir um só destes mandamentos»

Cada geração deve legar à seguinte os valores que tornam a vida mais bela. Mas para transmitir esses valores é preciso, em primeiro lugar, vivê-los; e por vezes explicar o porquê de os propor. Se as leis são válidas e portadoras de valores, é preciso acatá-las. Senão dá-se o desacordo, a falta de respeito, o medo, reina a anarquia.
Jesus não está contra a Lei. Ele próprio diz: «Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim revogar, mas completar». Obedecer à Lei é fazer a vontade de Deus. É observar o duplo mandamento do amor a Deus e ao próximo. Este significado da Lei é explicado por Jesus ao longo de toda a sua vida, e até no momento da sua morte: obedecer à Lei é, para Jesus, fazer com que se garanta a relação com Deus, que aumente a comunhão entre os discípulos, que as maneiras de ser e de agir promovam uma vida de qualidade.
Não tenhamos medo de propor valores, de apelar à fidelidade à Lei, desde que essa Lei seja dotada do amor a Deus e ao próximo. De outra maneira, serão apenas fardos que colocados aos ombros das pessoas, e não um bálsamo colocado sobre as feridas do sofrimento humano e um perfume que exala o bom odor de Cristo em todos os corações fiéis. 
A lei à qual é preciso ser fiel, que somos convidados a ensinar, não é aquela que está inscrita na consciência e gravada no nosso coração? (cf. Jeremias 31, 33).

Senhor Jesus, eu quero seguir-te.
A tua lei do amor seja a bússola 
que me orienta para o Pai.

© Denise Lamarche, «Vie Liturgique», Novalis - Bayard Presse Canada inc
© Tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
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Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 6.3.13 | Sem comentários
— Terça-feira da terceira semana da Quaresma —

— Evangelho segundo Mateus 18, 21-35

Naquele tempo, Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou-Lhe: «Se meu irmão me ofender, quantas vezes deverei perdoar-lhe? Até sete vezes?» Jesus respondeu: «Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete. Na verdade, o reino de Deus pode comparar-se a um rei que quis ajustar contas com os seus servos. Logo de começo, apresentaram-lhe um homem que devia dez mil talentos. Não tendo com que pagar, o senhor mandou que fosse vendido, com a mulher, os filhos e tudo quanto possuía, para assim pagar a dívida. Então o servo prostrou-se a seus pés, dizendo: ‘Senhor, concede-me um prazo e tudo te pagarei’. Cheio de compaixão, o senhor daquele servo deu-lhe a liberdade e perdoou-lhe a dívida. Ao sair, o servo encontrou um dos seus companheiros que lhe devia cem denários. Segurando-o, começou a apertar-lhe o pescoço, dizendo: ‘Paga o que me deves’. Então o companheiro caiu a seus pés e suplicou-lhe, dizendo: ‘Concede-me um prazo e pagar-te-ei’. Ele, porém, não consentiu e mandou-o prender, até que pagasse tudo quanto devia. Testemunhas desta cena, os seus companheiros ficaram muito tristes e foram contar ao senhor tudo o que havia sucedido. Então, o senhor mandou-o chamar e disse: ‘Servo mau, perdoei-te tudo o que me devias, porque me pediste. Não devias, também tu, compadecer-te do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti?’ E o senhor, indignado, entregou-o aos verdugos, até que pagasse tudo o que lhe devia. Assim procederá convosco meu Pai celeste, se cada um de vós não perdoar a seu irmão de todo o coração».

— «Se meu irmão me ofender, quantas vezes deverei perdoar-lhe?»

«Vai agora abraçar o teu irmãos mais novo e perdoai-vos mutuamente». Quantas vezes, na minha infância, eu ouvi isto! Não as posso contar. Mas, o que eu sei, é que não anoitecia sem estarmos reconciliados uns com os outros se tivessemos feito algo de errado. 
Jesus quer que os seus discípulos vivam um bom entendimento, em harmonia e em paz. Se algum ofendeu o outro, é preciso que se reconcilie. Pedro, que provavelmente pensava que era generoso em perdoar, pergunta a Jesus: «Se meu irmão me ofender, quantas vezes deverei perdoar-lhe? Até sete vezes?». Jesus apresenta-lhe um ideal um pouco mais elevado: «Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete». Se contarmos bem, isto quer dizer que devemos perdoar à mesma pessoa que não deixa de nos ofender 490 vezes. Não é preciso ser grande sábio para compreender que o que Jesus nos pede é que perdoemos sempre, sem contar o número de vezes. 
Nenhum limite ao perdão na vida cristã. É preciso estar sempre pronto a oferecer-lho a quem o pede e também a oferecer-lho a quem tem necessidade de o receber, mesmo que não o peça. Fazendo isto, mesmo quando é difícil, agiremos à maneira de Jesus e seremos semelhantes ao Pai que perdoa sempre.
Assim, sendo testemunhas do perdão que nos reconcilia, as pessoas podem dizer pensando em Deus: «Tal Pai, tal filho, tal filha»!

Senhor Jesus, eu quero seguir-te pelo caminho do perdão.
Recebo-o muitas vezes de ti; 
faz com que o dê aos outros com generosidade.

© Denise Lamarche, «Vie Liturgique», Novalis - Bayard Presse Canada inc
© Tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
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Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 5.3.13 | Sem comentários
— Segunda-feira da terceira semana da Quaresma —

— Evangelho segundo Lucas 4, 24-30

Naquele tempo, Jesus veio a Nazaré e falou ao povo na sinagoga, dizendo: «Em verdade vos digo: Nenhum profeta é bem recebido na sua terra. Digo-vos a verdade: Havia em Israel muitas viúvas no tempo do profeta Elias, quando o céu se fechou durante três anos e seis meses e houve uma grande fome em toda a terra; contudo, Elias não foi enviado a nenhuma delas, mas a uma viúva de Sarepta, na região da Sidónia. Havia em Israel muitos leprosos no tempo do profeta Eliseu; contudo, nenhum deles foi curado, mas apenas o sírio Naamã». Ao ouvirem estas palavras, todos ficaram furiosos na sinagoga. Levantaram-se, expulsaram Jesus da cidade e levaram-n’O até ao cimo da colina sobre a qual a cidade estava edificada, a fim de O precipitarem dali abaixo. Mas Jesus, passando pelo meio deles, seguiu o seu caminho.

— Nenhum profeta é bem recebido na sua terra

Antes de ser conhecido no Canadá, Félix Leclerc foi-o em França. Isto acontece também com muitos artistas pintores, cantores e atores! O mesmo acontece com sábios de diversas áreas. Há mais hipóteses de ter êxito quando se vem de fora. «Ninguém é profeta na sua terra».
Quando, em Nazaré, Jesus lê na sinagoga o texto do livro de Isaías e o explica, é olhado apenas como o filho de José, cuja palavra surpreende as pessoas. Estas interrogam-se: como é que o simples filho de um carpinteiro da cidade pode pronunciar tais palavras maravilhosas? E Jesus previne-as: «Vós ides-me dizer para realizar aqui os prodígios que fiz noutros lugares, mas não o farei». E explica-lhes porquê.
«Nenhum profeta é bem recebido na sua terra», diz Jesus. E prova-o com Elias que não socorreu as viúvas da sua cidade, mas uma de Sarepta; e Eliseu não curou os leprosos daquela parte do país, mas o sírio Naamã. Isto provoca a cólera dos ouvintes de Jesus que o censuram por se considerar um profeta.
E nós, reconhecemos a autoridade de Jesus que se fez servo e nos manda ser servos e servas daqueles que nos rodeiam? Reconhecemos a autoridade de Jesus que fala em nome de um Deus justo e manda viver a justiça, de um Deus misericordioso que manda ser misericordiosos, de um Deus fiel que manda viver a fidelidade, de um Deus Amor que mandar amar? Jesus, Filho de Deus, veio com um de nós. Temos fé nas suas palavras?

Senhor Jesus, eu quero seguir-te.
Na confiança, tu serviste a Deus e ao próximo.
Ensina-me a fazer o mesmo.

© Denise Lamarche, «Vie Liturgique», Novalis - Bayard Presse Canada inc
© Tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
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Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 4.3.13 | Sem comentários
— Domingo da terceira semana da Quaresma —

— Evangelho segundo Lucas 13, 1-9

Naquele tempo, vieram contar a Jesus que Pilatos mandara derramar o sangue de certos galileus, juntamente com o das vítimas que imolavam. Jesus respondeu-lhes: «Julgais que, por terem sofrido tal castigo, esses galileus eram mais pecadores do que todos os outros galileus? Eu digo-vos que não. E se não vos arrependerdes, morrereis todos do mesmo modo. E aqueles dezoito homens, que a torre de Siloé, ao cair, atingiu e matou? Julgais que eram mais culpados do que todos os outros habitantes de Jerusalém? Eu digo-vos que não. E se não vos arrependerdes, morrereis todos de modo semelhante. Jesus disse então a seguinte parábola: «Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha. Foi procurar os frutos que nela houvesse, mas não os encontrou. Disse então ao vinhateiro: ‘Há três anos que venho procurar frutos nesta figueira e não os encontro. Deves cortá-la. Porque há-de estar ela a ocupar inutilmente a terra?’. Mas o vinhateiro respondeu-lhe: ‘Senhor, deixa-a ficar ainda este ano, que eu, entretanto, vou cavar-lhe em volta e deitar-lhe adubo. Talvez venha a dar frutos. Se não der, mandá-la-ás cortar no próximo ano».

— Talvez venha a dar frutos

Perante um doente que não ficava curado, um médico constata: «Vamos terminar este tratamento, não tem qualquer efeito em si». Depois, após uma aprofundada investigação, sugere: «Talvez este novo medicamento possa ter êxito na erradicação do mal». 
É um pouco, num outro âmbito diferente da medicina, o que conta a parábola da figueira que não dá mais frutos. É preciso dar~lhe ainda uma hipótese. Talvez a última, uma vez que é estéril há três anos. O vinhateiro vai tentar tudo para que esta árvore produza os frutos que devia produzir.
É a nossa história. Lembra-nos a parte que nos é confiada na missão da Igreja. Lembra-nos de não estar a conciliar o sentido da nossa vida com a luz do Evangelho; de não viver uma vida fraterna segundo os apelos do Evangelho; de não nos envolvermos no nosso meio para praticar obras de justiça e de paz na fidelidade ao Evangelho; de não celebrar o nosso Deus como nos pede também o Evangelho. Então, não estamos a dar os frutos associados ao nosso batismo. Não realizamos as obras que todo o discípulo de Cristo é chamado a realizar.
Esta Quaresma é uma ocasião de lançar sobre a nossa vida a luz do Evangelho. O que é que nos propõe para darmos frutos e frutos que permanecem? Que precisamos de fazer para viver como verdadeiros discípulos daquele que nos convida a segui-lo? Como colocar os nossos passos nos dele, as nossas mãos nas dele, o nosso coração no seu coração?

Senhor Jesus, eu quero seguir-te.
Eu quero, em Igreja, continuar a tua missão.
Mostra-me como...

© Denise Lamarche, «Vie Liturgique», Novalis - Bayard Presse Canada inc
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Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 3.3.13 | Sem comentários
— Sábado da segunda semana da Quaresma —

— Evangelho segundo Lucas 15, 1-3.11-32

Naquele tempo, os publicanos e os pecadores aproximavam-se todos de Jesus, para O ouvirem. Mas os fariseus e os escribas murmuravam entre si, dizendo: «Este homem acolhe os pecadores e come com eles». Jesus disse-lhes então a seguinte parábola: «Certo homem tinha dois filhos. O mais novo disse ao pai: ‘Pai, dá-me a parte da herança que me toca’. O pai repartiu os bens pelos filhos. Alguns dias depois, o filho mais novo, juntando todos os seus haveres, partiu para um país distante e por lá esbanjou quanto possuía, numa vida dissoluta. Tendo gasto tudo, houve uma grande fome naquela região e ele começou a passar privações. Entrou então ao serviço de um dos habitantes daquela terra, que o mandou para os seus campos guardar porcos. Bem desejava ele matar a fome com as alfarrobas que os porcos comiam, mas ninguém lhas dava. Então, caindo em si, disse: ‘Quantos trabalhadores de meu pai têm pão em abundância, e eu aqui a morrer de fome! Vou-me embora, vou ter com meu pai e dizer-lhe: Pai, pequei contra o Céu e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho, mas trata-me como um dos teus trabalhadores’. Pôs-se a caminho e foi ter com o pai. Ainda ele estava longe, quando o pai o viu: encheu-se de compaixão e correu a lançar- se-lhe ao pescoço, cobrindo-o de beijos. Disse-lhe o filho: ‘Pai, pequei contra o Céu e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho’. Mas o pai disse aos servos: ‘Trazei depressa a túnica mais bela e vesti-lha. Ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés. Trazei o vitelo gordo e matai-o. Comamos e festejemos, porque este meu filho estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi reencontrado’. E começou a festa. Ora o filho mais velho estava no campo. Quando regressou, ao aproximar-se da casa, ouviu a música e as danças. Chamou um dos servos e perguntou-lhe o que era aquilo. O servo respondeu-lhe: ‘O teu irmão voltou e teu pai mandou matar o vitelo gordo, porque chegou são e salvo’. Ele ficou ressentido e não queria entrar. Então o pai veio cá fora instar com ele. Mas ele respondeu ao pai: ‘Há tantos anos que te sirvo, sem nunca transgredir uma ordem tua, e nunca me deste um cabrito para fazer uma festa com os meus amigos. E agora, quando chegou esse teu filho, que consumiu os teus bens com mulheres de má vida, mataste-lhe o vitelo gordo’. Disse-lhe o pai: ‘Filho, tu estás sempre comigo e tudo o que é meu é teu. Mas tínhamos de fazer uma festa e alegrar-nos, porque o teu irmão estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi reencontrado’».

— Certo homem tinha dois filhos

Num dia de Natal, uma vizinha convidou uma prostituta para jantar. Na vizinhança, comentava-se em voz baixa: «Estar com uma mulher daquelas, não é possível!». E o meu pai reagiu: «Todavia, o próprio Jesus comeu com os pecadores».
Sim, Jesus fazia bom acolhimento às pessoas de má reputação: os cobradores de impostos que fixavam num valor mais elevado o montante das taxas; a mulher adúltera; outra mulher de quem dirá que «muito lhe foi perdoado porque muito amou»... Agindo assim, ele podia falar do perdão de Deus sem limites.
Quanto Jesus conta a parábola do filho regresado a casa, mostra como um pai pode ser pródigo de perdão. E, neste pai da parábola, reconhece-se Deus. Nenhuma falta pode afastar o perdão do Pai. Podemos substituir-nos a este filho que delapidou a herança e levou uma vida desordenada. Paciente, generoso com o seu perdão, o pai espera que ele regresse. Aliás, corre ao encontro dele, abre-lhe os braços, aperta-o contra si e abraça-o. Mais: organiza uma grande festa para celebrar o regresso deste filho que ele pensava perdido. 
Também nos reconhecemos no filho mais velho da parábola. Também é pecador. Tem inveja do seu irmão que nem sequer o nomeia como tal. Fala dele ao pai dizendo «esse teu filho». Convidando ao mais velho para entrar na festa, o pai diz: «Tínhamos de fazer uma festa e alegrar-nos, porque o teu irmão [...] estava perdido e foi reencontrado».
Será que entendemos o convite que nos é feito para reconhecer que todos somos irmãs e irmãos, membros de um povo de pecadores perdoados?

Senhor Jesus, eu quero seguir-te.
Ensina-me a considerar todas as pessoas 
como minhas irmãs, meus irmãos.

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Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 2.3.13 | Sem comentários
— Sexta-feira da segunda semana da Quaresma —

— Evangelho segundo Mateus 21, 33-43.45-46

Naquele tempo, disse Jesus aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos do povo: «Ouvi outra parábola: Havia um proprietário que plantou uma vinha, cercou-a com uma sebe, cavou nela um lagar e levantou uma torre; depois arrendou-a a uns vinhateiros e partiu para longe. Quando chegou a época das colheitas, mandou os seus servos aos vinhateiros para receber os frutos. Os vinhateiros, porém, lançando mão dos servos, espancaram um, mataram outro e a outro apedrejaram-no. Tornou ele a mandar outros servos, em maior número que os primeiros, e eles trataram-nos do mesmo modo. Por fim mandou-lhes o seu próprio filho, pensando: ‘Irão respeitar o meu filho’. Mas os vinhateiros, ao verem o filho, disseram entre si: ‘Este é o herdeiro; vamos matá-lo e ficaremos com a sua herança’. Agarraram-no, levaram-no para fora da vinha e mataram-no. Quando vier o dono da vinha, que fará àqueles vinhateiros?» Os príncipes dos sacerdotes e os anciãos do povo responderam-Lhe: «Mandará matar sem piedade esses malvados e arrendará a vinha a outros vinhateiros que lhe entreguem os frutos a seu tempo». Disse-lhes Jesus: «Nunca lestes na Escritura: ‘A pedra rejeitada pelos construtores tornou-se a pedra angular; tudo isto veio do Senhor e é admirável aos nossos olhos’? Por isso vos digo: Ser-vos-á tirado o reino de Deus e dado a um povo que produza os seus frutos». Ao ouvirem as parábolas de Jesus, os príncipes dos sacerdotes e os fariseus compreenderam que falava deles e queriam prendê-l’O; mas tiveram medo do povo, que O considerava profeta.

— «Ser-vos-á tirado o reino de Deus 

      e dado a um povo que produza os seus frutos»

Um homem alugou a sua casa a um preço muito baixo a uma pessoa que vivia do fundo de desemprego. Este desempregado atraiu a compaixão do proprietário que confiou nele. Ao fim de alguns anos, querendo vender a casa, o proprietário vai ver como ela está. Apercebe-se de que o arrendatário a tinha danificado. Imediatamente, retirou-lhe a renda, para poder reparar a habitação, afim de poder vender a casa em bom estado.
A parábola evangélica de hoje apresenta-nos o proprietário de uma vinha que vive uma experiência ainda mais dolorosa. Os vinhateiros a quem tinha arrendado a vinha não só não lhe entregam a parte a que tem direito como também matam os servos, e até o próprio filho. Esta parábola evoca a história dos profetas a quem tiraram a vida, matando-os. Evoca também a história de Jesus, Filho de Deus, a quem roubaram não só a vida mas também a morte, visto que não foi assassinado atirando-lhe pedras como a um profeta, mas crucificando-o como um criminoso.
Ora bem, o proprietário da vinha retirou-a aos vinhateiros homicidas. E a advertência de Jesus é clara: se o povo não cuida da vinha do Pai, então haverá outro povo. E este novo povo, a Igreja de Jesus Cristo, é um povo a caminho. A caminho, como povo de batizados ao encontro do Pai e progredindo na aprendizagem das bem-aventuranças a proclamar e a viver durante o percurso. Caminhemos para o Reino onde as bem-aventuranças se cumprirão.

Senhor Jesus, eu quero seguir-te.
Faz de mim um membro ativo 
do povo caminhante que conduzes até ao Pai.

© Denise Lamarche, «Vie Liturgique», Novalis - Bayard Presse Canada inc
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Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 1.3.13 | Sem comentários
— Quinta-feira da segunda semana da Quaresma —

— Evangelho segundo Lucas 16, 19-31

Naquele tempo, disse Jesus aos fariseus: «Havia um homem rico, que se vestia de linho fino e se banqueteava esplendidamente todos os dias. Um pobre chamado Lázaro jazia junto do seu portão, coberto de chagas. Bem desejava ele saciar-se com os restos caídos da mesa do rico; mas até os cães vinham lamber-lhe as chagas. Ora sucedeu que o pobre morreu e foi colocado pelos Anjos ao lado de Abraão. Morreu também o rico e foi sepultado. Na mansão dos mortos, estando em tormentos, levantou os olhos e viu Abraão com Lázaro a seu lado. Então ergueu a voz e disse: ‘Pai Abraão, tem compaixão de mim. Envia Lázaro, para que molhe em água a ponta do dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nestas chamas’. Abraão respondeu-lhe: ‘Filho, lembra-te que recebeste os teus bens em vida e Lázaro apenas os males. Por isso, agora ele encontra-se aqui consolado, enquanto tu és atormentado. Além disso, há entre nós e vós um grande abismo, de modo que, se alguém quisesse passar daqui para junto de vós, não poderia fazê-lo’. O rico exclamou: ‘Então peço-te, ó pai, que mandes Lázaro à minha casa paterna – pois tenho cinco irmãos – para que os previna, a fim de que não venham também para este lugar de tormento’. Disse-lhe Abraão: ‘Eles têm Moisés e os Profetas: que os oiçam’. Mas ele insistiu: ‘Não, pai Abraão. Se algum dos mortos for ter com eles, arrepender-se-ão’. Abraão respondeu-lhe: ‘Se não dão ouvidos a Moisés e aos Profetas, também não se deixarão convencer, se alguém ressuscitar dos mortos’».

— Um pobre chamado Lázaro

Escutar é obedecer. A criança não é parva. Ela sabe que quando os seus pais ou a educadora lhe dizem: «Escuta», trata-se de obedecer. E os judeus que recitam o «Shema Israel» — que se traduz por «Escuta, Israel» — e continuam enunciando o conteúdo do primeiro mandamento da Lei percebem-no assim: escutar é obedecer. 
Habitualmente, é à autoridade que obedecemos. O rico tinha recusado socorrer Lázaro descobre tardiamente a qual autoridade se tinha de submeter. É Moisés e os Profetas que são investidos dessa autoridade. Moisés que deu ao povo, depois de ter recebido de Deus, o decálogo, os dez mandamentos. Os Profetas que anunciavam ao povo a vontade de Deus: «Praticai a justiça; cuidai da viúva e do órfão; ponde a vossa confiança no Senhor». Todos estes ensinamentos de Moisés e dos Profetas reclamam a obediência, a adesão do povo de Deus. Não há necessidade doutros intermediários para os substituir.
É ao coração da pessoa que Deus fala. É Deus que nos indica o caminho a seguir para cumprir toda a Lei e todas as profecias que se resumem nos grandes mandamentos do amor a Ele e ao próximo. Escutemo-lo. Será Ele próprio a indicar-nos como lhe exprimir o nosso amor. Mostrar-nos-á também aqueles e aquelas que mais necessidade da nossa ajuda, do nosso amparo, da nossa afeição. A voz da nossa consciência é a própria voz de Deus em nós. Escutemo-la. Obedeçamos-lhe. Ela orienta-nos e guia-nos.

Senhor Jesus, eu quero seguir-te.
Ensina-me a obedecer sempre à minha consciência 
que é a voz de Deus em mim.

© Denise Lamarche, «Vie Liturgique», Novalis - Bayard Presse Canada inc
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Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 28.2.13 | Sem comentários
— Quarta da segunda semana da Quaresma —

— Evangelho segundo Mateus 20, 17-28

Naquele tempo, enquanto Jesus subia para Jerusalém, chamou à parte os Doze e durante o caminho disse-lhes: «Vamos subir a Jerusalém e o Filho do homem vai ser entregue aos príncipes dos sacerdotes e aos escribas, que O condenarão à morte e O entregarão aos gentios, para ser por eles escarnecido, açoitado e crucificado. Mas ao terceiro dia Ele ressuscitará». Então a mãe dos filhos de Zebedeu aproximou-se de Jesus com os filhos e prostrou-se para Lhe fazer um pedido. Jesus perguntou-lhe: «Que queres?» Ela disse-Lhe: «Ordena que estes meus dois filhos se sentem no teu reino um à tua direita e outro à tua esquerda». Jesus respondeu: «Não sabeis o que estais a pedir. Podeis beber o cálice que Eu hei de beber?» Eles disseram: «Podemos». Então Jesus declarou-lhes: «Haveis de beber do meu cálice. Mas sentar-se à minha direita e à minha esquerda não pertence a Mim concedê-lo; é para aqueles a quem meu Pai o designou». Os outros dez, que tinham escutado, indignaram-se com os dois irmãos. Mas Jesus chamou-os e disse-lhes: «Sabeis que os chefes das nações exercem domínio sobre elas e os grandes fazem sentir sobre elas o seu poder. Não deve ser assim entre vós. Quem entre vós quiser tornar-se grande seja vosso servo e quem entre vós quiser ser o primeiro seja vosso escravo. Será como o Filho do homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida pela redenção dos homens».

— Quem entre vós quiser tornar-se grande seja vosso servo

É conveniente, quando quero seguir uma carreira, verificar tanto o que é possível fazer como as qualificações necessárias para chegar ao fim. 
Tiago e João são dois apóstolos de Jesus. Querem aceder à maior honra: estar sentados à direita e à esquerda, quando ele for rei. Ora, para alcançar esta dignidade, é preciso viver um processo semelhante ao que Jesus viverá. O mestre sabe bem que este desejo de grandeza é deles embora seja expresso através da mãe. Assim, dirigindo-se diretamente a eles, questiona-os: «Podeis beber o cálice que Eu hei de beber?». Isto é dizer: «Podeis passar pelos sofrimentos que eu vou suportar, pela morte que eu vou sofrer?». Pouco conscientes da densidade destes sofrimentos, Tiago e João acreditam que são capazes de os atravessar. Aprenderão, mais tarde, quando a hora do seu martírio se aproximar, que para o viver, não poderão apoiar-se apenas sobre as suas forças. E ainda, como os outros discípulos, deverão aprender que a grandeza vem do serviço e que para ser os primeiros, terão de ser servos. É este o paradoxo do Evangelho.
Por certo, também nós queremos o melhor lugar no céu. É inútil pedi-lo. Façamo-nos, antes, servos e servas de Deus dando o nosso melhor naquilo que nos compete realizar: tornar o mundo mais belo e as pessoas mais felizes. Estar ao serviço do Evangelho é anunciar através das nossas palavras, das nossas ações e de toda a nossa vida que o Crucificado glorificado toma nos seus braços a humanidade inteira.

Senhor Jesus, eu quero seguir-te, 
servindo Deus e os outros.
Mostra-me o caminho do serviço.

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Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 27.2.13 | Sem comentários
— Terça da segunda semana da Quaresma —

— Evangelho segundo Mateus 23, 1-12

Naquele tempo, Jesus falou à multidão e aos discípulos, dizendo: «Na cadeira de Moisés sentaram-se os escribas e os fariseus. Fazei e observai tudo quanto vos disserem, mas não imiteis as suas obras, porque eles dizem e não fazem. Atam fardos pesados e põem-nos aos ombros dos homens, mas eles nem com o dedo os querem mover. Tudo o que fazem é para serem vistos pelos homens: alargam as filactérias e ampliam as borlas; gostam do primeiro lugar nos banquetes e dos primeiros assentos nas sinagogas, das saudações nas praças públicas e que os tratem por ‘Mestres’. Vós, porém, não vos deixeis tratar por ‘Mestres’, porque um só é o vosso Mestre e vós sois todos irmãos. Na terra não chameis a ninguém vosso ‘Pai’, porque um só é o vosso pai, o Pai celeste. Nem vos deixeis tratar por ‘Doutores’, porque um só é o vosso doutor, o Messias. Aquele que for o maior entre vós será o vosso servo. Quem se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado».

— Vós sois todos irmãos

Uma mulher tinha sido serva numa casa onde havia cinco crianças. Um dia, uma delas, que tinha recebido uma recusa muito clara da sua parte, chamou-a com desprezo: «a criada». E o pai interveio: «Nesta casa, as pessoas são todas iguais; a senhora X merece o respeito de todos». Esta criança daquele tempo é agora um adulto amadurecido que trabalha numa repartição da justiça social. 
Recordando-me deste facto, compreendo melhor o compromisso de Jesus que parece querer igualdade de benefícios entre os seus discípulos; e mesmo entre as pessoas da multidão que vão ao seu encontro. Aqueles que fazem a lei e a impõem não são maiores do que aqueles que a cumprem. Aqueles que querem mostrar a sua fidelidade à lei e colocam fardos sobre os ombros dos outros não conseguem fazer com que a lei seja suprema. Para Jesus, é o amor que exerce a supremacia. Aqueles que procuram os primeiros lugares e querem ser chamados segundo os títulos de honra esquecem que são irmãos dos mais humildes; este é que será o seu título mais belo.
Os cristãos não têm outro Pai, senão o Deus do céu; não têm outro chefe, senão a cabeça, Cristo, de quem são o Corpo. Toda a Igreja tem de se lembrar: é Corpo unida a esta cabeça. Os membros deste corpo são todos importantes e informados, guiados por aquele que é o chefe, o mestre. É afirmar a igualdade entre os humanos, quaisquer que sejam as suas funções. É reconhecer que não se é cristão sozinho, mas em conjunto.

Senhor Jesus, eu quero seguir-te,
perdido nesta multidão dos teus discípulos 
que são meus irmãos, minhas irmãs.

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Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 26.2.13 | Sem comentários
— Segunda da segunda semana da Quaresma —

— Evangelho segundo Lucas 6, 36-38

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Sede misericordiosos, como o vosso Pai é misericordioso. Não julgueis e não sereis julgados. Não condeneis e não sereis condenados. Perdoai e sereis perdoados. Dai e dar-se-vos-á: deitar-vos-ão no regaço uma boa medida, calcada, sacudida, a transbordar. A medida que usardes com os outros será usada também convosco».

— Sede misericordiosos, como o vosso Pai é misericordioso

«Ela é tão boa, esta mulher que trabalha sem parar para que não falte nada aos seus filhos! Ele é tão bom, este homem que sacrificou as férias para dar um pouco de bem estar a uma família em provação! Eles são tão bons, estes pais que perdoam o castigo ao assassino do seu filho entrado na idade adulta!».
Quando poderemos ser tão bons? Falta-nos, para lá chegar, ser melhores do que Deus. O ideal que Jesus propõe é ser «misericordiosos, como o vosso Pai é misericordioso». Como alcançar este ideal? O evangelho dá-nos certos meios para alcançar este desafio. Desde logo, não julgar os outros. Não atirar a pedra aqueles que fazem o mal. Talvez, se tivéssemos vivido as situações que eles viveram, agiríamos da mesma maneira e talvez até de uma maneira ainda mais odiosa. Em seguida, não condenar. Não usar outra medida nem para aquele que nos fere nem para aquele perturba a nossa paz. E ainda, perdoar. Perdoar o número de vezes que o outro tenha necessidade de ser perdoado. Por fim, dar. Dar do que sobra e até, como a viúva do evangelho, partilhar o necessário. 
Aqui está a lista das maneiras de ser bom, nesta página do evangelho de Lucas: não julgar, não condenar, perdoar, dar. Se analisarmos cada um destes verbos, descobriremos que são cheios de conteúdo. Então, evocaremos os valores da justiça, da indulgência, da paciência, da generosidade, da humildade, da simplicidade e ainda muitos outros.
Não tenhamos medo de ser tão bons. Nunca conseguiremos ser tanto como Deus.

Senhor Jesus, eu quero seguir-te,
evitando julgar ou condenar os outros, 
perdoando e partilhando.
Enche o meu coração de misericórdia.

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Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 25.2.13 | Sem comentários
— Domingo, segundo da Quaresma —

— Evangelho segundo Lucas 9, 28b-36

Naquele tempo, Jesus tomou consigo Pedro, João e Tiago e subiu ao monte, para orar. Enquanto orava, alterou-se o aspecto do seu rosto e as suas vestes ficaram de uma brancura refulgente. Dois homens falavam com Ele: eram Moisés e Elias, que, tendo aparecido em glória, falavam da morte de Jesus, que ia consumar-se em Jerusalém. Pedro e os companheiros estavam a cair de sono; mas, despertando, viram a glória de Jesus e os dois homens que estavam com Ele. Quando estes se iam afastando, Pedro disse a Jesus: «Mestre, como é bom estarmos aqui! Façamos três tendas: uma para Ti, outra para Moisés e outra para Elias». Não sabia o que estava a dizer. Enquanto assim falava, veio uma nuvem que os cobriu com a sua sombra; e eles ficaram cheios de medo, ao entrarem na nuvem. Da nuvem saiu uma voz, que dizia: «Este é o meu Filho, o meu Eleito: escutai-O». Quando a voz se fez ouvir, Jesus ficou sozinho. Os discípulos guardaram silêncio e, naqueles dias, a ninguém contaram nada do que tinham visto.


— Este é o meu Filho, o meu Eleito: escutai-O

Todos gostamos que se prolongue uma experiência espiritual que nos enche de paz e de alegria. Os esposos sabem bem que a vida não é assim fácil como o dia do casamento deixa esperar. Os monges e as monjas reconhecem facilmente que é mais fácil receber o hábito monástico do que usá-lo durante toda a vida. O dia de um qualquer compromisso de vida é, a maior parte das vezes, mais fácil de viver do que a duração desse compromisso.
Pedro, Tiago e João vivem uma experiência única. Vêem Jesus diferente do habitual. Jesus transfigura-se enquanto está em oração. Aparecem ao seu lado dois profetas do primeiro Testamento, dois «altifalantes» de Deus: Moisés e Elias. Porque é que estes homens que falaram e agiram em nome de Deus estão ali? O evangelho ensina-nos que eles conversam com Jesus «da morte de Jesus, que ia consumar-se em Jerusalém». 
Talvez estejam ali porque Moisés e Elias tomaram o partido de Deus para salvar os mais pequenos. Na verdade, Jesus é o novo Moisés. Como este último que libertou o povo judeu da escravidão do Egito, Jesus liberta da escravidão do pecado. Mergulhados na sua morte, ressuscitaremos, como os Hebreus que atravessaram o mar e chegam a viver na terra prometida. Quanto a Elias, é aquele profeta que tinha conseguido de Deus que a viúva de Sarepta tenha sempre de comer e que o seu único filho seja levantado da morte. Novo Moisés e novo Elias, Jesus alivia a miséria.

Senhor Jesus, pela tua imensa glória,
eu quer seguir-te aliviando aqueles que sofrem. 
Conduz-me no amor pelos pobres.

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Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 24.2.13 | Sem comentários
— Sábado da primeira semana da Quaresma —

— Evangelho segundo Mateus 5, 43-48

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Ouvistes que foi dito aos antigos: ‘Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo’. Eu, porém, digo-vos: Amai os vossos inimigos e orai por aqueles que vos perseguem, para serdes filhos do vosso Pai que está nos Céus; pois Ele faz nascer o sol sobre bons e maus e chover sobre justos e injustos. Se amardes aqueles que vos amam, que recompensa tereis? Não fazem a mesma coisa os publicanos? E se saudardes apenas os vossos irmãos, que fazeis de extraordinário? Não o fazem também os pagãos? Portanto, sede perfeitos, como o vosso Pai celeste é perfeito».

— Sede perfeitos, como o vosso Pai celeste é perfeito

«Quanto mais envelhece, mais se parece com o seu pai», diz-se de um filho que não só tem os traços do seu pai, mas também imita os mesmos gestos. «Quanto mais cresce, mais se assemelha à sua mãe», diz-se de uma filha que tem não só os olhos da cor dos da mãe e o nariz com a mesma forma, mas também os mesmos gostos e as mesmas aptidões. 
O ser humano é criado, diz-se, à imagem de Deus. Compete-lhe ser cada vez mais parecido com Deus. É assim que se aproxima progressivamente da perfeição, tal como refere o evangelho. Tornar-se um ser humano o mais perfeito possível, o melhor possível, como Deus, que é perfeito, é ser divino o melhor que se pode e o melhor que se é. E como entender esta perfeição do nosso ser? Amando o próximo, não só as pessoas que nos agradam, mas também aquelas que não nos atraem espontaneamente, aquelas que nos irritam, que nos dão pena, que lesam os nossos direitos.
O Pai ama todos os seus filhos da terra. É para todos que faz brilhar o sol. Se nós somos à sua imagem, se nos queremos assumir a responsabilidade de refleti-lo, temos de amar todos aqueles e todas aquelas que, como nós, são filhos ou filhas de Deus ou, pelo menos, suas criaturas, seus filhos. O amor aos inimigos como a nós mesmos é um sinal da nossa semelhança com Deus. Jesus ensina-nos: ele perdoa até aos seus algozes.

Senhor Jesus, eu quero seguir-te.
Seguir-te amando as minhas irmãs, os meus irmãos 
que são também os teus 
e que são todos amados por Deus,
pois Deus envolve com o seu amor todos os humanos;
e, sobretudo, os pecadores.

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Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 23.2.13 | Sem comentários
— Cadeira de Pedro, 22 de fevereiro —

— Evangelho segundo Mateus 16, 13-19

Naquele tempo, Jesus foi para os lados de Cesareia de Filipe e perguntou aos seus discípulos: «Quem dizem os homens que é o Filho do homem?». Eles responderam: «Uns dizem que é João Baptista, outros que é Elias, outros que é Jeremias ou algum dos profetas». Jesus perguntou: «E vós, quem dizeis que Eu sou?». Então, Simão Pedro tomou a palavra e disse: «Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo». Jesus respondeu-lhe: «Feliz de ti, Simão, filho de Jonas, porque não foram a carne e o sangue que to revelaram, mas sim meu Pai que está nos Céus. Também Eu te digo: Tu és Pedro; sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Dar-te-ei as chaves do reino dos Céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos Céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos Céus».

— E vós, quem dizeis que Eu sou?

Se a pergunta fosse dirigida a nós, que responderíamos? Provavelmente, daríamos a Jesus um título que desse conta da necessidade que temos dele. Uma pessoa doente talvez respondesse: «Tu és o Médico». Aquela que procura o sentido da vida reconheceria-o como um guia que mostra o caminho. Um homem de negócios talvez dissesse: «Tu és o Mestre que ensina a não ficar perturbado, pois Deus cuida de nós como das aves do céu e das flores dos campos». Uns pais novos diriam que ele foi um bom filho para Maria e José...
Continuemos. Todas as respostas são boas, pois todas estão relacionadas com a nossa situação; e é nessa situação que Jesus nos interpela. 
Eis que o evangelho dá conta da resposta de Pedro a Jesus: «Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo». E Jesus felicita Pedro reconhecendo que tal resposta não pode vir apenas dele. É Deus, o Pai, que lhe revela quem é Jesus. Pela fé, Pedro compreende que Jesus é o Enviado do Pai, aquele a quem o Pai confiou uma missão. Que missão? Visto que o Pai é o Deus vivo e que o seu Filho é tão parecido com ele, com Pedro, não podemos compreender que Jesus também é o Vivo que dá vida, ele que transcende a morte?
Escutemos então a questão de Jesus. Respondamos-lhe no íntimo do nosso coração. Com o Pai, o Espírito Santo bem saberá revelar-nos quem é Jesus para nós, hoje. 

Senhor Jesus, eu quero seguir-te.
Tu és para mim aquele que eu chamo... porque...
Obrigado pela tua presença na minha vida.

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Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 22.2.13 | Sem comentários
— Quinta-feira da primeira semana da Quaresma —

— Evangelho segundo Mateus 7, 7-12

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Pedi e dar-se-vos-á, procurai e encontrareis, batei à porta e abrir-se-vos-á. Porque todo aquele que pede recebe, quem procura encontra e a quem bate à porta abrir-se-á. Qual de vós dará uma pedra a um filho que lhe pede pão, ou uma serpente se lhe pedir peixe? Ora, se vós que sois maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o vosso Pai que está nos Céus as dará àqueles que Lhas pedem! Portanto, o que quiserdes que os homens vos façam fazei-lho vós também: esta é a Lei e os Profetas».

— Pedi e dar-se-vos-á, procurai e encontrareis, batei à porta e abrir-se-vos-á

«Pede como deve ser», dirá a mãe ao filho que chora para obter uma guloseima. Pois, uma vez entendido o pedido, ela dá ao seu filho o que é bom para ele. É assim que o filho aprende a ter confiança na sua mãe que responde aos seus desejos com agrado.
Nós temos confiança em Deus que responde à nossa oração. Tudo depende, portanto, do que lhe pedimos. Deus não é um mágico que nos concede a saúde mesmo se nós fizermos tudo para ficar doentes. É no coração que ele atua. Se lhe pedimos a paz, corremos o risco que ele faça de nós artífices da paz. Se lhe pedimos a conversão dum filha que desperdiça a sua vida, arriscamo-nos a ter de assumir comportamentos que encorajem essa filha a mudar de vida. Ainda que, sabemo-lo bem, Deus respeita a liberdade humana e não força ninguém a converter-se. 
É uma história de paciência. «Procurai e encontrareis, batei à porta e abrir-se-vos-á». Trata-se de aguardar o tempo necessário para encontrar a solução do problema ou ser recebido por alguém que possamos consultar: um médico, um editor, um deputado... É assim também na nossa vida de fé. Não penetramos o mistério do amor incomensurável e infinito de Deus se não usarmos os meios para o aprofundar. O estudo, a leitura, a oração, permitem que nos deixemos envolver por este mistério. Entramos em relação com Deus quando dedicamos o nosso tempo à contemplação, a reconhecê-lo como Pai, Salvador, Luz... Procurar Deus, bater à sua porta, é tudo isto.

Senhor Jesus, eu quero seguir-te
procurando cumprir a vontade de Deus. 
Ajuda-me.

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Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 21.2.13 | Sem comentários
— Quarta-feira da primeira semana da Quaresma —

— Evangelho segundo Lucas 11, 29-32

Naquele tempo, aglomerava-se uma grande multidão à volta de Jesus e Ele começou a dizer: «Esta geração é uma geração perversa: pede um sinal, mas nenhum sinal lhe será dado, senão o sinal de Jonas. Assim como Jonas foi um sinal para os habitantes de Nínive, assim o será também o Filho do homem para esta geração. No juízo final, a rainha do sul levantar-se-á com os homens desta geração e há-de condená-los, porque veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão; e aqui está quem é maior do que Salomão. No juízo final, os homens de Nínive levantar-se-ão com esta geração e hão-de condená-la, porque fizeram penitência ao ouvir a pregação de Jonas; e aqui está quem é maior do que Jonas».

— Esta geração é uma geração perversa: pede um sinal

Quem é que não se lembra da história de Jonas? Jonas e a baleia...
Este profeta queria livrar-se da missão. Recusa ir a Nínive para ameaçar os ninivitas com a proximidade da destruição da cidade. Algo vai correr mal: embarcou num navio que o levaria a Társis porque não queria ser ele a anunciar o pior aos maus habitantes de Nínive; mas foi atirado ao mar pelos tripulantes. Milagrosamente, salvou-se. Depois disso, obedecendo ao Senhor, desloca-se a Nínive para cumprir a sua missão. Os habitantes convertem-se; Deus não os castiga.
Jesus, que conhece bem as Escrituras, revela à multidão que o rodeia que ele é maior do Jonas. Tenta fazer compreender que se o último apelo conduziu os «maus ninivitas» à conversão, ele próprio deve ser reconhecido pelas pessoas más do seu tempo no apelo à conversão que lhes dirige.
Hoje, entendemos este apelo que Deus nos dirige, a cada um de nós, mas também a toda a Igreja e ao mundo inteiro, para mudar de comportamento, para trabalhar na construção de um mundo mais belo e com pessoas mais felizes? Para o fazer, que obras de justiça e de paz podem ser feitas por nós? E será que há uma conversão a operar na nossa vida pessoal? na nossa vida familiar? nas nossas opções sociais e políticas? na nossa maneira de ser membros ativos do povo de Deus?

Senhor Jesus, eu quero seguir-te.
Ajuda-me a corrigir os comportamentos 
que são um obstáculo à minha vida cristã.

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Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 20.2.13 | Sem comentários
— Terça-feira da primeira semana da Quaresma —


— Evangelho segundo Mateus 6, 7-15

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Quando orardes, não digais muitas palavras, como os pagãos, porque pensam que serão atendidos por falarem muito. Não sejais como eles, porque o vosso Pai bem sabe do que precisais, antes de vós Lho pedirdes. Orai assim: ‘Pai nosso, que estais nos Céus, santificado seja o vosso nome; venha a nós o vosso reino; seja feita a vossa vontade assim na terra como no Céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje; perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido; e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal’. Porque se perdoardes aos homens as suas faltas, também o vosso Pai celeste vos perdoará. Mas se não perdoardes aos homens, também o vosso Pai não vos perdoará as vossas faltas».

— Se perdoardes aos homens as suas faltas, 

      também o vosso Pai celeste vos perdoará

Uma mãe de família cujo filho cumpria uma pena na prisão assumiu o compromisso de o ir visitar o maior número de vezes possível. Agora entendo o que ela dizia: «É o meu filho: não posso deixar de o amar».
Perdoar é, primeiro, tentar compreender o que está mal e porque é que esse mal foi feito; é, depois, não desejar vingar-se por causa do dano causado; é rezar por que aquele que o cometeu e querer-lhe bem; é iniciar uma reconciliação no diálogo com ele; é deixar claro que não lhe exijo nada e que existe uma amizade, até mesmo um amor para oferecer... Que nível de perdão dado aos outros!
O que Jesus ensina é que o Pai perdoará com a mesma medida que nós usamos para perdoar aos outros. E mostra-o quando ensina a rezar dizendo: «Pai nosso...». O que admira é que o Mestre não explica as outras partes do «Pai nosso». Ele detém-se apenas naquela que diz: «Perdoai-nos [...] como nós perdoamos...». Será isto uma indicação sobre a importância dada ao perdão na vida cristã?
O que é que nos faz perdoar? A quem devemos perdoar? Até que nível de perdão podemos ir? Qual é a medida do perdão que usamos? Aproxima-se o mais possível daquela que Deus vai usar para nos perdoar? O perdão de Deus é tão grande que nenhuma falta o pode deter! Até quando morria na cruz, implorou o perdão para aqueles que o tinham crucificado.

Senhor Jesus, eu quero seguir-te.
Ensina-me a perdoar.
Dá-me a força e a generosidade para perdoar até ao fim.

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Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 19.2.13 | Sem comentários
— Segunda-feira da primeira semana da Quaresma —

— Evangelho segundo Mateus 25, 31-46
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Quando o Filho do homem vier na sua glória com todos os seus Anjos, sentar-Se-á no seu trono glorioso. Todas as nações se reunirão na sua presença e Ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos; e colocará as ovelhas à sua direita e os cabritos à sua esquerda. Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: ‘Vinde, benditos de meu Pai; recebei como herança o reino que vos está preparado desde a criação do mundo. Porque tive fome e destes-Me de comer; tive sede e destes-Me de beber; era peregrino e Me recolhestes; não tinha roupa e Me vestistes; estive doente e viestes visitar-Me; estava na prisão e fostes ver-Me’. Então os justos Lhe dirão: ‘Senhor, quando é que Te vimos com fome e Te demos de comer, ou com sede e Te demos de beber? Quando é que Te vimos peregrino e Te recolhemos, ou sem roupa e Te vestimos? Quando é que Te vimos doente ou na prisão e Te fomos ver?’. E o Rei lhes responderá: ‘Em verdade vos digo: Quantas vezes o fizestes a um dos meus irmãos mais pequeninos, a Mim o fizestes’. Dirá então aos que estiverem à sua esquerda: ‘Afastai-vos de Mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e os seus anjos. Porque tive fome e não Me destes de comer; tive sede e não Me destes de beber; era peregrino e não Me recolhestes; estava sem roupa e não Me vestistes; estive doente e na prisão e não Me fostes visitar’. Então também eles Lhe hão-de perguntar: ‘Senhor, quando é que Te vimos com fome ou com sede, peregrino ou sem roupa, doente ou na prisão, e não Te prestámos assistência?’ E Ele lhes responderá: ‘Em verdade vos digo: Quantas vezes o deixastes de fazer a um dos meus irmãos mais pequeninos, também a Mim o deixastes de fazer’. Estes irão para o suplício eterno e os justos para a vida eterna».


Em verdade vos digo: 

     Quantas vezes o fizestes a um dos meus irmãos mais pequeninos, 

     a Mim o fizestes.

O programa é fácil de compreender, mas nem sempre fácil de viver! Quem conhece Cristo tem de saber reconhecê-lo tanto na criança que está irritada como naquela que está tranquila; tanto no adolescente que é delinquente como naquele que é ajuizado; tanto no homem violento como naquele que é generoso em misericórdia; tanto no idoso que é impertinente como naquele que é produz boa companhia; em todos os tipos de pobres, pois sabemos bem que as pessoas podem viver pobrezas materiais, intelectuais, afetivas, morais, espirituais... Cristo é irmão de tudo e de todos. 
Como será bom esse dia do julgamento quando escutarmos o Senhor dizer: «A senhora idosa com quem perdeste o tempo, era eu; o prisioneiro que foste visitar, era eu; o jovem sem abrigo que ajudaste, era eu; a vizinha abandonada que convidaste para usar a tua piscina, era eu; a pessoa que levaste ao hospital, era eu; o estudante que ajudaste, era eu; aqueles e aquelas que beneficiaram da tua presença, dos teus dons, da tua ajuda, era eu... O que tu lhes fizeste, foi a mim que o fizeste».
Mesmo aquelas e aqueles que não são cristãos, mesmo aquelas e aqueles que não conhecem Cristo receberão a recompensa. Formidável surpresa para eles! E alegria eterna para nós ao reconhecê-los como nossas irmãs e irmãos em Jesus Cristo se, juntos, vivemos a solidariedade tendo em vista a justiça para os mais pobres! 

Senhor Jesus, eu quero seguir-te. 
Faz-me reconhecer os pequeninos 
que são os teus irmãos, as tuas irmãs.

© Denise Lamarche, «Vie Liturgique», Novalis - Bayard Presse Canada inc
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Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 18.2.13 | Sem comentários
— Domingo, primeiro da Quaresma —

— Evangelho segundo Lucas 4, 1-13

Naquele tempo, Jesus, cheio do Espírito Santo, retirou-Se das margens do Jordão. Durante quarenta dias, esteve no deserto, conduzido pelo Espírito, e foi tentado pelo Diabo. Nesses dias não comeu nada e, passado esse tempo, sentiu fome. O Diabo disse-lhe: «Se és Filho de Deus, manda a esta pedra que se transforme em pão». Jesus respondeu-lhe: «Está escrito: ‘Nem só de pão vive o homem’». O Diabo levou-O a um lugar alto e mostrou-Lhe num instante todos os reinos da terra e disse-Lhe: «Eu Te darei todo este poder e a glória destes reinos, porque me foram confiados e os dou a quem eu quiser. Se Te prostrares diante de mim, tudo será teu». Jesus respondeu-lhe: «Está escrito: ‘Ao Senhor teu Deus adorarás, só a Ele prestarás culto’». Então o Diabo levou-O a Jerusalém, colocou-O sobre o pináculo do templo e disse-Lhe: «Se és Filho de Deus, atira-Te daqui abaixo, porque está escrito: ‘Ele dará ordens aos seus Anjos a teu respeito, para que Te guardem’; e ainda: ‘Na palma das mãos te levarão, para que não tropeces em alguma pedra’». Jesus respondeu-lhe: «Está mandado: ‘Não tentarás o Senhor teu Deus’». Então o Diabo, tendo terminado toda a espécie de tentação, retirou-se da presença de Jesus, até certo tempo.


— Jesus, cheio do Espírito Santo, retirou-Se das margens do Jordão.

     Durante quarenta dias, esteve no deserto, conduzido pelo Espírito

O deserto é o silêncio, a solidão, a ausência de luxos... É também o lugar das tentações e dos desejos. É um lugar que favorece a reflexão.
Jesus vai dar uma reviravolta na sua vida. Ele tem de decidir o rumo a seguir. Realizará a missão que o Pai lhe confia ou escolherá outro caminho? A sua opção será por Deus a ponto de, seja qual for o desfecho, levar até ao fim a sua missão. Tem urgência. Trata-se de decidir toda a sua vida. É assim que, animado pelo Espírito, ele se refugia no deserto. Lá, ele rezará. Pesará os prós e os contras. Decidirá.
Aparecem então as tentações. Primeiro, a tentação do ter. Tem fome. Ele podia fazer aparecer comida. Depois, a do poder. Ele podia exercer o seu domínio sobre os reinos. Por fim, a tentação de saber que podia sair sempre vencedor. Estas tentações surgem também diante de nós: a tentação de possuir, a de dominar, a de saber tirar sempre proveito das situações. E a maneira como Jesus reage indica-nos como nós nos podemos comportar se o queremos imitar.
A vontade de Deus é-nos dada a conhecer pelas Escrituras. Quando as acolhemos com fé, tornam-se para nós Palavra de Deus. Se seguimos Jesus pelo deserto, talvez possamos acolher com ele a vontade de Deus que nos chama a não fazer da riqueza material, da nossa popularidade e das nossas proezas, a meta da nossa vida. Então, podemos optar pela partilha dos nossos bens, das responsabilidades e das honras, e pela simplicidade de vida.

Senhor Jesus,
eu quer seguir-te
e ter tempo para refletir sobre a minha vida.

© Denise Lamarche, «Vie Liturgique», Novalis - Bayard Presse Canada inc
© Tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
— a utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização —

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 17.2.13 | Sem comentários
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