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Mistério da fé! [10]


O Batismo associa a si aspetos que devem ser tidos em conta, na preparação, na celebração e até depois da celebração. Quem, como, quando e onde — são questões que sintetizam alguns desses pontos. [Para ajudar a compreender melhor, ler: Atos dos Apóstolos 2, 14-41; Catecismo da Igreja Católica, números 1229 a 1233 e 1246 a 1261]

«Peça cada um o batismo»

— responde Pedro à pergunta feita pelos que ouviram o seu discurso após a ressurreição de Jesus Cristo, de acordo com o livro dos Atos dos Apóstolos. Ninguém fica indiferente diante da revelação de Cristo ressuscitado. E os que escutam fazem a pergunta que será usada pelos catecúmenos durante o rito de admissão ao batismo: «Que devemos fazer?». Pedro apresenta-lhes um programa de conversão que encaminha para a celebração do batismo e a inserção na comunidade dos cristãos.

Quem pode ser batizado?

«Todo o ser humano ainda não batizado — e só ele — é capaz de receber o Batismo» (Catecismo da Igreja Católica [CIC], 1246). Para concretizar esta afirmação, a Igreja prevê três possibilidades, de acordo com a idade: crianças (nos primeiros anos de vida); crianças e adolescentes em idade de catequese; jovens e adultos. «A única predisposição para o Batismo é a fé» (Catecismo Jovem da Igreja Católica [YOUCAT], 196). Aos jovens e adultos é proposto um itinerário («catecumenado» – cf. tema 7) com etapas celebrativas ao longo do percurso, conforme o Ritual da Iniciação Cristã dos Adultos (RICA). Este ritual também possui o capítulo próprio para as crianças em idade de catequese (Ritual da Iniciação Cristã das Crianças em idade de catequese): «Este rito destina-se às crianças que, não tendo sido batizadas na infância e tendo atingido a idade da discrição e da catequese, se apresentam para receber a iniciação cristã [...]. A iniciação deve prolongar-se, se for necessário, por vários anos» (RICA. Preliminares, 306-307). Para as crianças «que, por não terem chegado ainda à idade do uso da razão, não podem professar fé própria» existe um ritual próprio (Ritual do Batismo das Crianças. Preliminares, 1). A celebração do batismo das crianças «pressupõe que os pais cristãos introduzam o batizando na fé» (YOUCAT 197). Além disso, «o Batismo das crianças exige um catecumenado pós-batismal. [...] É o espaço próprio da catequese» (CIC 1231). Em todos os casos, é essa a missão dos padrinhos: «devem ser pessoas de fé sólida, capazes e preparados para ajudar o novo batizado, criança ou adulto, no seu caminho de vida cristã» (CIC 1255).

Quem pode batizar?

«Quem preside normalmente a uma celebração batismal é o bispo, um presbítero ou um diácono. Em caso de emergência, qualquer cristão, ou mesmo qualquer pessoa, pode batizar, derramando água sobre a cabeça do batizando e dizendo a fórmula batismal: ‘Eu te batizo em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo’. O Batismo é tão importante, que até uma pessoa que não é cristã pode ser o seu ministro. Ela apenas tem de ter a intenção de fazer o que a Igreja faz quando batiza» (YOUCAT 198).

Como é celebrado o batismo?

Há a fórmula breve, usada em caso de «emergência», perigo de morte. De facto, «o rito essencial do Batismo consiste em mergulhar na água o candidato ou em derramar água sobre a sua cabeça, invocando o nome da Santíssima Trindade» (CIC 1278). Mas há outros elementos simbólicos usados na celebração solene do Batismo. Vamos apresentá-los no próximo tema.

Quando se pode batizar?

Já sabemos que a Igreja prevê a possibilidade de celebrar o batismo em qualquer etapa da vida, atendendo à especificidade de cada pessoa. Agora, apresentamos dois pontos importantes retirados do Ritual da Celebração do Batismo das Crianças (Preliminares, 8-9): «deve fazer-se dentro das primeiras semanas após o nascimento da criança»; «recomenda-se que o sacramento seja celebrado na Vigília Pascal ou ao domingo».

Onde se pode batizar?

Sem excluir outras possibilidades, o lugar mais apropriado para a celebração do Sacramento do Batismo é a igreja paroquial (onde residem os pais): «para se ver mais claramente que o Batismo é o sacramento da fé da Igreja e da agregação ao povo de Deus, celebrar-se-á habitualmente na igreja paroquial» (Ritual da Celebração do Batismo das Crianças. Preliminares, 10).

«O Batismo insere na comunhão com Cristo e assim dá vida. [...] O Batismo é um dom; o dom da vida. Mas um dom deve ser acolhido, deve ser vivido. Um dom de amizade exige um ‘sim’. [...] É o nosso ‘sim’ a Cristo, o ‘sim’ à vida no tempo e na eternidade» (Bento XVI, Homilia a 8 de janeiro de 2006).






Reflexões semanais sobre a «fé celebrada» (liturgia e Sacramentos) — Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 12.12.13 | Sem comentários

Mistério da fé! [9]


«O Batismo constitui o nascimento para a vida nova em Cristo» (Catecismo da Igreja Católica, 1277). Esta referência a um novo nascimento — já presente no diálogo entre Jesus Cristo e Nicodemos (cf. João 3, 1-21) — constitui um dos aspetos fundamentais do Sacramento do Batismo. Não se trata de voltar ao ventre materno; trata-se de assumir uma nova identidade, uma vida nova em Cristo [Para ajudar a compreender melhor, ler: Romanos 6, 1-11; Catecismo da Igreja Católica, números 1217 a 1228]

«Pelo Batismo... caminhemos numa vida nova»

— escreve Paulo na Carta aos cristãos de Roma. Este texto é uma das catequese mais esclarecidas sobre o significado do batismo cristão. Antes de Jesus Cristo, a prática do batismo estava associada apenas aos rituais de purificação. Tal é, por exemplo, o significado do batismo praticado por João Batista, no rio Jordão. Na Carta aos Romanos, Paulo coloca em evidência a novidade do batismo cristão e a sua ligação com a Páscoa de Jesus Cristo (Ressurreição). Nos primeiros séculos, um dos momentos significativos do ritual do Batismo consistia em entrar e sair da água. Os batistérios expressavam bem esta dimensão: o catecúmeno tinha de descer umas escadas para entrar e sair da água. Paulo compara esta ação com a morte e ressurreição de Jesus Cristo. Era uma imitação da entrada de Jesus Cristo ao túmulo e da saída vitoriosa do Ressuscitado. Assim, o simbolismo do sacramento torna-se radicalmente eficaz. A existência do batizado é completamente renovada. Esta ligação entre o Batismo e a Ressurreição permite a conclusão de Paulo: o Batismo faz morrer para o pecado (para tudo o que nos afasta de Deus) e renascer para uma vida nova, representada pelo sair da água, pela veste branca e pela vela acesa a partir do Círio Pascal.

Batismo

«O Batismo é o bilhete de identidade do cristão, a sua certidão de nascimento e o ato de nascimento na Igreja. Todos vós conheceis o dia em que nascestes e festejais o vosso aniversário, não é verdade? Todos nós festejamos o aniversário. [...] Quem de vós se recorda da data do seu próprio Batismo? [...] Quando voltardes para casa, perguntai em que dia fostes batizados, procurai, porque este é o vosso segundo aniversário. O primeiro é do nascimento para a vida e o segundo é do nascimento na Igreja» (Francisco, Audiência Geral de 13 de novembro de 2013).

Vida nova em Cristo

«O Batismo faz-nos cristãos, quer dizer: de Cristo. Somos incorporados em Cristo e tornamo-nos ‘outros Cristos’. Aqui está a nossa vocação cristã: tornarmo-nos seguidores de Cristo. Assimilaremos os sentimentos de Cristo, os seus critérios de vida, espelharemos as suas atitudes. E isto tudo, não numa simples ‘imitação’ como numa representação teatral. Mas Cristo vai tornar-se a nossa vida, para podermos dizer como São Paulo: ‘Já não sou eu que vivo; é Cristo que vive em mim’ (Gálatas 2, 20)» (José Ribólla, «Os Sacramentos trocados em miúdo», Editora Santuário, Aparecida 1990, 41). Com esta afirmação, Paulo reconhece em si mesmo uma nova identidade. O mesmo acontece com todos os batizados, com cada um de nós. «No Batismo, o Senhor entra na vossa vida pela porta do vosso coração. Já não estamos um ao lado do outro ou um contra o outro. Ele atravessa todas estas portas. A realidade do Batismo consiste nisto: Ele, o Ressuscitado, vem; vem até vós e une a sua vida com a vossa conservando-vos dentro do fogo vivo do seu amor. Passais a ser uma unidade: sim, um só com Ele e, deste modo, um só entre vós. Num primeiro momento, isto pode parecer bastante teórico e pouco realista. Mas quanto mais viverdes a vida de batizados, tanto mais podereis experimentar a verdade desta palavra. [...] Esta natureza íntima do Batismo como dom de uma nova identidade é representada pela Igreja através de elementos sensíveis» (Bento XVI, Homilia de 22 de março de 2008). De facto, o Ritual do Batismo expressa, com gestos e palavras (símbolos simples e concretos), esta nova identidade do cristão. «Mergulhar na água é morrer, emergir é respirar e viver. O Batismo, ser mergulhado na água, é morrer para renascer para a vida nova do Espírito. [...] A veste branca é a imagem visível do nosso corpo tornado nova criatura porque revestido de Cristo» (Carlo Maria Martini, «O corpo», Paulinas, Prior Velho, 2003, 56-57).

«Sentes-te forte, com o vigor que Cristo te oferece com a sua morte e ressurreição? Ou sentes-te abatido, esgotado? O Batismo dá-te força e luz. Sentes-te iluminado, com aquela luz que vem de Cristo? És homem e mulher de luz?» (Francisco, Audiência Geral de 13 de novembro de 2013).






Reflexões semanais sobre a «fé celebrada» (liturgia e Sacramentos) — Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 5.12.13 | Sem comentários

Mistério da fé! [8]


O Batismo é o primeiro sacramento e o primeiro dos sacramentos. «O Batismo, porta da vida e do reino, é o primeiro sacramento da nova lei, que Cristo propôs a todos para terem a vida eterna, e, em seguida, confiou à sua Igreja, juntamente com o Evangelho» (Ritual da Iniciação Cristã dos Adultos. Preliminares Gerais, 3). Neste tema, apresentamos o fundamento do Sacramento do Batismo associado ao mandato de Jesus Cristo ressuscitado confiado aos discípulos [Para ajudar a compreender melhor, ler: Mateus 28, 16-20; Catecismo da Igreja Católica (CIC), números 1213 a 1216]

«Ide... fazei discípulos... 

batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo»

— é, segundo a narração de Mateus, o mandato que Jesus Cristo ressuscitado confia aos (onze) discípulos. A presença terrena de Jesus Cristo continua com a presença missionária dos discípulos (até ao fim dos tempos). A fórmula batismal explicitamente trinitária — «em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo» — é única em todos os escritos do Novo Testamento. É provável que tenha origem na prática litúrgica já existente na comunidade a que pertence o evangelista Mateus.

Batismo

O Batismo é o primeiro dos sacramentos, o ponto de partida da Iniciação Cristã (cf. tema 7), «o fundamento de toda a vida cristã, o pórtico da vida no Espírito (‘porta da vida espiritual’) e a porta que dá acesso aos outros sacramentos» (Catecismo da Igreja Católica», 1213). A palavra «batismo» deriva do «grego, ‘baptisma’, que, por sua vez, vem de ‘bapto’ (banhar) e de ‘baptizdo’ (submergir, mergulhar na água). O seu sentido original é, portanto, banho, ablução externa, embora entendendo-a no seu sentido de purificação e vida nova» (José Aldazábal, «Dicionário Elementar de Liturgia» [DEL], ed. Paulinas, Prior Velho, 2007, 47).

Mandato de Cristo

Nos relatos evangélicos segundo Mateus e Marcos há uma referência ao mandato confiado aos discípulos: «Ide, pois, fazei discípulos de todos os povos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a cumprir tudo quanto vos tenho mandado» (Mateus 28, 19-20); «Ide pelo mundo inteiro, proclamai o Evangelho a toda a criatura. Quem acreditar e for batizado será salvo» (Marcos 16, 15-16). Jesus Cristo apresenta-se como aquele que ressuscitou de entre os mortos e que tem plena autoridade para encarregar os discípulos de continuarem até ao fim dos tempos a atividade que tinha iniciado. Os discípulos são enviados («Ide») ao mundo inteiro para proclamar o Evangelho, «fazer» discípulos, batizar e ensinar «a cumprir tudo» o que aprenderam de Jesus Cristo. O (novo) discipulado concretiza-se na adesão aos ensinamentos de Jesus Cristo («acreditar») e na participação na vida da Trindade através da celebração do Sacramento do Batismo. Com esta referência bíblica confirma-se que desde o tempo dos Apóstolos o Batismo tornou-se essencial para a adesão à fé cristã, juntamente com o acolhimento do Evangelho, a Boa Nova de Jesus Cristo. Em primeiro lugar, fica claro que a experiência pascal dos discípulos não é para o próprio consolo interior, mas para assumir uma missão universal. Esta missão é confiada por Jesus Cristo para que anunciem o Evangelho a «todos os povos», ao «mundo inteiro». O anúncio do Evangelho não tem nenhum tipo de fronteiras: geográficas, económicas, políticas, sociais, culturais... É universal por natureza. Hoje, esta continua a ser a missão confiada a todos os discípulos, a todos os cristãos. O Batismo não é para um consolo próprio, mas para dar continuidade à missão. O papa Francisco tem insistido com frequência na importância do mandato de Cristo: «Não se fechem, por favor! Isto é um perigo: fecharmo-nos na paróquia, com os amigos, no movimento, com aqueles que pensam as mesmas coisas que eu... Sabeis o que sucede? Quando a Igreja se fecha, adoece, fica doente. Imaginai um quarto fechado durante um ano; quando lá entras, cheira a mofo e há muitas coisas que não estão bem. A uma Igreja fechada sucede o mesmo: é uma Igreja doente. A Igreja deve sair de si mesma. Para onde? Para as periferias existenciais, sejam quais forem…, mas sair. Jesus diz-nos: ‘Ide pelo mundo inteiro! Ide! Pregai! Dai testemunho do Evangelho!’» (Francisco, Vigília de Pentecostes, 18 de maio de 2013). Em segundo lugar, a missão não consiste em transmitir uma «ideologia» ou uma simples «doutrina». A missão está associada ao batismo: «Quem acreditar e for batizado será salvo».

O Sacramento do Batismo é muito mais do que um simples rito ou ritual. Celebrar o Batismo significa mergulhar a totalidade da vida em Jesus Cristo para assumir uma vida nova.






Reflexões semanais sobre a «fé celebrada» (liturgia e Sacramentos) — Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 28.11.13 | Sem comentários

Mistério da fé! [7]


A entrada numa comunidade — grupo, associação, instituição, coletividade — está (sempre) associada a uma «iniciação», a um processo que se desenvolve em várias etapas. Por isso, logo no princípio da Igreja se estabeleceu um percurso para a «iniciação» dos cristãos. Este processo deu origem aos Sacramentos da Iniciação Cristã. Sabes quais são? Vamos apresentá-los neste e nos próximos temas [Para ajudar a compreender melhor, ler: Atos 8, 26-40; Catecismo da Igreja Católica (CIC), números 1212 e 1275]

«Como poderei compreender, sem alguém que me oriente»

— questiona o etíope, no diálogo narrado no livro dos Atos dos Apóstolos. Esta inquietação manifesta a disponibilidade para «ser iniciado» no conhecimento, neste caso, de Jesus Cristo e do seu estilo de vida. Assemelha-se, por isso, à pergunta — «Mestre, onde moras?» — feita pelos primeiros discípulos (cf. tema 6).

Sacramentos

«Para transmitir um conteúdo meramente doutrinal, uma ideia, talvez bastasse um livro ou a repetição de uma mensagem oral; mas aquilo que se comunica na Igreja [...] é a luz nova que nasce do encontro com o Deus vivo, uma luz que toca a pessoa no seu íntimo, no coração, envolvendo a sua mente, vontade e afetividade, abrindo-a a relações vivas na comunhão com Deus e com os outros. Para se transmitir tal plenitude, existe um meio especial que põe em jogo a pessoa inteira: corpo e espírito, interioridade e relações. Este meio são os sacramentos celebrados na liturgia da Igreja: neles, comunica-se uma memória encarnada, ligada aos lugares e épocas da vida, associada com todos os sentidos; neles, a pessoa é envolvida, como membro de um sujeito vivo, num tecido de relações comunitárias» (Francisco, Carta Encíclica sobre a fé, «A Luz da Fé» — «Lumen Fidei», 40).

Iniciação

O vocábulo «iniciação», de origem latina («initiatio»), remete para o ponto de partida de uma caminhada, a entrada e participação de alguém numa nova realidade. No contexto religioso, «a iniciação é um processo presente em muitas religiões, [...] e compreende não só um doutrinamento, mas também uma série de ritos ‘iniciáticos’ que exprimem um novo nascimento, pelo qual alguém é ‘iniciado’ no mistério e admitido como membro de uma comunidade ou grupo» (José Aldazábal, «Dicionário Elementar de Liturgia» [DEL], ed. Paulinas, Prior Velho, 2007, 145-146).

Cristã

A entrada na comunidade dos cristãos foi sempre apoiada numa «iniciação». Começou de forma simples: evangelização, conversão, batismo, participação ativa na Igreja. Ao longo dos tempos foram introduzidos rituais em cada etapa. Nos séculos V-VI aparece já com clareza o itinerário sacramental da Iniciação Cristã: Batismo, Confirmação e Eucaristia. Mas «aquilo que, durante séculos, foi um processo unitário dos três sacramentos, [...], a pouco e pouco, foi-se fragmentando, no Ocidente, com o Batismo nos primeiros meses de vida; mais tarde, a Confirmação, cuja administração foi sendo reservada ao bispo; e a primeira Eucaristia, recomendada para a idade do uso da razão. Agora, por motivos pastorais, a Confirmação tende a diferir-se ainda para mais tarde, mantendo-se a idade da primeira Eucaristia. Na Igreja do Oriente, conserva-se a unidade dos três sacramentos» (DEL).

Catecumenado

As alterações produzidas no processo de Iniciação Cristã foram revistas no II Concílio do Vaticano, que determinou a criação de um ritual para as crianças e outro para os adultos. Neste sentido, foi recuperado o processo de «catecumenado» (o termo tem origem no grego «katêchéo», que significa «fazer eco», «instruir por palavra», «ensinar de viva voz»). O episódio do etíope, nos Atos dos Apóstolos (8, 26-40), mostra a génese deste processo. «O catecumenado tinha como característica fazer o caminho em grupo, com expressiva participação da comunidade, não só por meio dos padrinhos, mas pelo seu acompanhamento em relação ao grupo de catecúmenos. Consistia numa série de reuniões de catequese e de oração, com gestos simbólicos rituais. [...] A meio da Vigília Pascal, celebravam, na comunidade, os três sacramentos da iniciação: Batismo, Confirmação e primeira Eucaristia» (DEL, 62-64). Atualmente, a Iniciação Cristã dos adultos desenvolve-se em quatro etapas (pré-catecumenado, catecumenado, eleição, mistagogia) e em três ‘ritos’ de passagem de uma a outra (admissão ao catecumenado, rito de eleição para a preparação próxima, na Quaresma, e a celebração dos três sacramentos, na Vigília Pascal).

«Através dos sacramentos da iniciação cristã – Batismo, Confirmação e Eucaristia – são lançados os alicerces de toda a vida cristã (Catecismo da Igreja Católica, 1212).






Reflexões semanais sobre a «fé celebrada» (liturgia e Sacramentos) — Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 20.11.13 | Sem comentários

Mistério da fé! [6]


A ação litúrgica da Igreja está relacionada com os sacramentos. É certo que nem toda a celebração litúrgica se reduz aos sacramentos; mas estes são o centro e o coração da liturgia. Depois de termos aprofundado a liturgia, vamos abordar a temática sacramental. E começamos por esclarecer a questão: O que é um sacramento? [Para ajudar a compreender melhor, ler: João 1, 38-39; Catecismo da Igreja Católica (CIC), números 1179 a 1113-1134]

«Vinde e vereis»

— diz Jesus Cristo aos que lhe perguntam: «Mestre, onde moras?». O narrador acrescenta: «Foram, pois, e viram onde morava e ficaram com Ele». A adesão é antecedida pelo conhecimento da morada e pela experiência de comunhão. «Vinde e vereis» é também o convite da Igreja, mostrando que Jesus Cristo continua vivo e operante, na resposta às inquietações mais profundas do ser humano. Hoje, fá-lo, sobretudo, pelos sacramentos.

Sacramento

A palavra latina «sacramentum» designava, juridicamente, o depósito de um valor como garantia da boa-fé e da promessa do cumprimento. Era o «juramento de fidelidade» que se estabelecia entre duas pessoas ou entidades. «Quando se começou a traduzir a Bíblia para latim, esta palavra [sacramento] pareceu adequada a verter o termo grego ‘mistério’ que, no Novo Testamento — sobretudo em Paulo — designa o plano divino de salvação, que se realiza no tempo. O ‘mistério’ é uma espécie de pacto pela qual Deus Se dirige ao ser humano no amor, entra na sua história e chama-o a edificar consigo o Seu projeto de salvação» (Bruno Forte, «Introdução aos Sacramentos», Gráfica de Coimbra, Coimbra 1997, 16). No entanto, hoje, continua-se a usar os dois termos: mistério e sacramento. Este (sacramento) designa o sinal visível e eficaz da realidade divina; aquele (mistério) designa a realidade invisível.

Jesus Cristo

«O verdadeiro sacramento é Jesus Cristo. Como dizia Santo Agostinho, ‘não há outro sacramento de Deus senão Cristo’ (Carta 187). Ele é o sinal vivente que nos exprime a salvação de Deus, contém-na em si mesmo, e no-la comunica eficazmente, agora, por meio da sua Igreja. Cristo não só instituiu os sacramentos, como Ele próprio é o sacramento primordial e definitivo do encontro de Deus com a humanidade» (José Aldazábal, «Dicionário Elementar de Liturgia» [DEL], ed. Paulinas, Prior Velho, 2007, 266-267).

Igreja

«A Igreja, em Cristo, é como que o sacramento, ou sinal, e o instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo o género humano» — afirma o II Concílio do Vaticano, na Constituição Dogmática sobre a Igreja — «Lumen Gentium» (LG 1). Esta é a primeira finalidade da Igreja (cf. CIC 775). «Como sacramento, a Igreja é instrumento de Cristo. ‘É assumida por Ele como instrumento da redenção universal’ (LG 9), ‘o sacramento universal da salvação’ (LG 48), pelo qual o mesmo Cristo ‘manifesta e atualiza o mistério do amor de Deus pelos seres humanos’ (Constituição Pastoral sobre a Igreja no mundo atual — «Gaudium et Spes», 45). É o ‘projeto visível do amor de Deus para com a humanidade’» (CIC 776).

Sete sacramentos

Durante os primeiros doze séculos a palavra «sacramento» era usada para designar várias realidades: Cristo, Igreja, Escritura, Páscoa, Encarnação, Quaresma, entre outras. Só a partir do século XIII — e com mais evidência após o Concílio de Trento — se utiliza o termo «sacramento» para indicar as sete ações sacramentais da Igreja (Batismo, Confirmação ou Crisma, Eucaristia, Penitência, Unção dos Doentes, Ordem e Matrimónio). Curiosamente, o II Concílio do Vaticano retoma o seu uso original, aplicando-o a Jesus Cristo, à Igreja, e em sentido ainda mais amplo, referindo-se ao cristão, ao ser humano, às coisas criadas. Na verdade, se «sacramento» significa a manifestação visível do dom invisível da graça de Deus, não há nenhum inconveniente em aplicar o vocábulo a outras realidades além dos sete sacramentos. «Os sete sacramentos têm a ver com todas as fases e momentos importantes da vida do cristão: conferem nascimento e crescimento, cura e missão à vida de fé dos cristãos. Existe uma certa semelhança entre as fases da vida natural e as da vida espiritual» (CIC 1210). Atos eficazes «como ‘forças que saem’ do Corpo de Cristo, sempre vivo e vivificante; ações do Espírito Santo que opera no seu Corpo que é a Igreja, os sacramentos são ‘as obras-primas de Deus’, na nova e eterna Aliança» (CIC 1116).

«Há sacramentos da iniciação, que introduzem na fé: o Batismo, a Confirmação e a Eucaristia. Há sacramentos da cura: a Reconciliação e a Unção dos Enfermos. E há sacramentos da comunhão e do envio: o Matrimónio e a Ordem» (YOUCAT 193).






Reflexões semanais sobre a «fé celebrada» (liturgia e Sacramentos) — Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 13.11.13 | Sem comentários

Mistério da fé! [1]


As palavras «liturgia» e «sacramento» fazem parte do (habitual) vocabulário religioso católico, nomeadamente no contexto da celebração comunitária da fé. No entanto, uma grande parte dos cristãos tem dificuldade em explicitar com clareza o sentido de cada uma destas expressões. O que é a liturgia? O que é um sacramento? Este ano pastoral — sob o lema «fé celebrada» — , durante quarenta e duas semanas, tendo por base o Catecismo da Igreja Católica, vamos explicar os conteúdos essenciais relacionados com as temáticas litúrgica e sacramental [Para ajudar a compreender melhor, ler: Mateus 18, 19-20; Catecismo da Igreja Católica, números 1066 a 1134]

«Onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles»

— esta frase atribuída pelo evangelista Mateus a Jesus Cristo está interligada com o tema da oração do versículo anterior. Jesus Cristo garante a sua presença junto daqueles que, em oração, se reúnem em seu nome. Além disso, a expressão «no meio» também se pode aplicar à centralidade de Jesus Cristo na vida dos seus discípulos. Este texto bíblico «recorda-nos aquilo que somos: uma Igreja reunida em nome e à volta de Jesus. Vivemos a nossa adesão a Cristo em comunidade. E a nossa assembleia dominical torna visível um corpo, cuja cabeça é o próprio Cristo, pois é Ele que edifica a Igreja. Reunimo-nos, ‘dois ou três’, para fazer memória de Jesus, recordar as suas palavras e os seus gestos, acolhê-los com alegria e celebrá-los com fé» (Arquidiocese de Braga, «Programa Pastoral 2013+14: Fé Celebrada», Braga 2013, 11-12). 

No «Credo» (www.laboratoriodafe.net/estaeanossafe), a Igreja confessa a sua fé na Trindade de Deus (Pai, Filho, Espírito Santo). É a profissão de fé! Esta fé professada torna-se fé celebrada na Liturgia da Igreja. É a celebração da fé!

Liturgia: o que significa?

O termo «liturgia» tem origem no vocábulo grego «leitourgia», que é composto por duas palavras: «leitos» que significa «popular» (do povo) e «ergon» que significa «ação», «obra», trabalho». «Etimologicamente, a palavra ‘Liturgia’ significa ‘obra pública’, ‘serviço por parte de/e em favor do povo’» (Catecismo da Igreja Católica, 1069). Em sentido amplo e original, a liturgia designa qualquer tipo de serviço em favor do povo. Na Bíblia, nomeadamente com a tradução grega do Antigo Testamento — chamada a tradução dos «Setenta» — este termo surge aplicado ao serviço de culto, principalmente relacionado com o Templo de Jerusalém. O Novo Testamento mantém esta associação ao culto judaico no Templo, mas introduz uma nova aplicação: «chama-se ‘liturgo’ a Cristo, Sumo Sacerdote (sobretudo na Carta aos Hebreus, por ex., cf. Hebreus 8, 1-6), e também à ‘liturgia da vida’, como o ministério de um apóstolo (cf. Romanos 15,16), ou à caridade fraterna (cf. Romanos 15, 17; cf. Filipenses 1, 15)» (José Aldazábal, «Dicionário Elementar de Liturgia» [DEL], ed. Paulinas, Prior Velho, 2007, 167). [O «Dicionário Elementar de Liturgia» de José Aldazábal e a «Enciclopédia Católica Popular» de Manuel Franco Falcão são instrumentos úteis para compreender os termos e conceitos usados no vocabulário católico; estes dois livros, das edições Paulinas, também estão disponíveis na internet: http://bit.ly/1gmCMwf e http://bit.ly/1ffjHx1, respetivamente].

Liturgia cristã.

Curiosamente, o uso habitual da palavra «liturgia» no contexto católico é muito recente: remonta ao século XIX. Antes, eram mais comuns os termos «ofício», «sagrados ritos», «celebração», «ação». Nas Igrejas Orientais, está mais associada à Missa ou Eucaristia. Na Igreja latina (Ocidente), só aparece no século XVI; mas é no século XIX (nos documentos oficiais da Igreja só se vulgariza no século XX) que se usa o termo «liturgia» com o sentido atual. E qual é o sentido atual da palavra «liturgia» aplicada à Igreja Católica? «Com este nome se designam aquelas celebrações que a Igreja considera como suas e estão contidas nos seus livros oficiais, e se realizam pela comunidade e ministros assinalados para cada caso: assim, é ‘litúrgica’ a celebração da Eucaristia e dos demais sacramentos, a Liturgia das Horas, os sacramentais, etc. Enquanto que não o são, embora sejam muito dignas e louváveis, o Rosário, a Via-sacra e outras devoções pessoais e populares» (DEL). A Constituição do II Concílio do Vaticano sobre a Sagrada Liturgia («Sacrosanctum Concilium»), no número 10, apresenta-a como «a meta para a qual se encaminha a ação da Igreja e a fonte de onde promana toda a sua força».

O Catecismo da Igreja Católica, depois da «Profissão da Fé», dedica a segunda parte à «Celebração do Mistério Cristão» (1066-1690). Aqui apresenta-se a liturgia como obra da Trindade e obra da comunidade cristã.






Reflexões semanais sobre a «fé celebrada» (liturgia e Sacramentos) — Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 9.10.13 | Sem comentários

Reflexão semanal sobre Liturgia e Sacramentos


«Mistério da fé!» — é o título geral da iniciativa que se vai concretizar em quarenta e duas reflexões sobre a «fé celebrada» (Liturgia e Sacramentos). A partir de textos bíblicos e do Catecismo da Igreja Católica vão ser publicadas, no «Laboratório da fé», ao ritmo de uma por semana, até finais de julho de dois mil e catorze.

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 8.10.13 | Sem comentários

Carta encíclica sobre a fé [40]


Como sucede em cada família, a Igreja transmite aos seus filhos o conteúdo da sua memória. Como se deve fazer esta transmissão de modo que nada se perca, mas antes que tudo se aprofunde cada vez mais na herança da fé? É através da Tradição Apostólica, conservada na Igreja com a assistência do Espírito Santo, que temos contacto vivo com a memória fundadora. E aquilo que foi transmitido pelos Apóstolos, como afirma o II Concílio Ecuménico do Vaticano, «abrange tudo quanto contribui para a vida santa do Povo de Deus e para o aumento da sua fé; e assim a Igreja, na sua doutrina, vida e culto, perpetua e transmite a todas as gerações tudo aquilo que ela é e tudo quanto acredita» [35].
De facto, a fé tem necessidade de um âmbito onde se possa testemunhar e comunicar, e que o mesmo seja adequado e proporcionado ao que se comunica. Para transmitir um conteúdo meramente doutrinal, uma ideia, talvez bastasse um livro ou a repetição de uma mensagem oral; mas aquilo que se comunica na Igreja, o que se transmite na sua Tradição viva é a luz nova que nasce do encontro com o Deus vivo, uma luz que toca a pessoa no seu íntimo, no coração, envolvendo a sua mente, vontade e afetividade, abrindo-a a relações vivas na comunhão com Deus e com os outros. Para se transmitir tal plenitude, existe um meio especial que põe em jogo a pessoa inteira: corpo e espírito, interioridade e relações. Este meio são os sacramentos celebrados na liturgia da Igreja: neles, comunica-se uma memória encarnada, ligada aos lugares e épocas da vida, associada com todos os sentidos; neles, a pessoa é envolvida, como membro de um sujeito vivo, num tecido de relações comunitárias. Por isso, se é verdade que os sacramentos são os sacramentos da fé [36], há que afirmar também que a fé tem uma estrutura sacramental; o despertar da fé passa pelo despertar de um novo sentido sacramental na vida do ser humano e na existência cristã, mostrando como o visível e o material se abrem para o mistério do eterno.

[35] Const. dogm. sobre a divina Revelação Dei Verbum, 8
[36] Cf. Conc. Ecum. Vat. II, Const. sobre a sagrada Liturgia Sacrosanctum Concilium, 59

A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»]
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  • A Igreja transmite aos seus filhos o conteúdo da sua memória
  • A transmissão na Igreja é feita através da Tradição Apostólica
  • A Tradição Apostólica faz-nos entrar em contacto vivo com a memória fundadora
  • A Igreja transmite tudo o que é e tudo em que acredita
  • A fé tem necessidade de um âmbito onde se possa testemunhar
  • A fé tem necessidade de um âmbito onde se possa comunicar
  • A Igreja transmite a luz nova que nasce do encontro com o Deus vivo
  • A Igreja transmite uma luz que toca a pessoa no seu íntimo, no seu coração
  • A Igreja transmite uma luz que envolve a mente
  • A Igreja transmite uma luz que envolve a vontade
  • A Igreja transmite uma luz que envolve a afetividade
  • A Igreja transmite uma luz que abre a relações vivas na comunhão com Deus e com os outros
  • Os sacramentos são o meio especial de transmissão que põe em jogo a totalidade da pessoa
  • Os sacramentos comunicam uma memória encarnada
  • Os sacramentos estão associados a todos os sentidos
  • Os sacramentos envolvem o indivíduo num tecido de relações comunitárias
  • Os sacramentos são «sacramentos da fé»
  • A fé tem uma estrutura sacramental
  • Como é que a Igreja transmite o conteúdo da sua memória?
  • O que é que a Igreja transmite aos seus filhos?
  • A fé precisa de ser testemunhada e comunicada?
  • O que são os sacramentos?
  • Há relação entre sacramentos e fé?
© Laboratório da fé, 2013

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Papa Francisco, Carta Encíclica sobre a fé (Lumen Fidei — A luz da fé)
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 20.9.13 | Sem comentários
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