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PREPARAR O DOMINGO: décimo segundo domingo

23 DE JUNHO DE 2013

Evangelho segundo Lucas 9, 18-24

Um dia, Jesus orava sozinho, estando com Ele apenas os discípulos. Então perguntou-lhes: «Quem dizem as multidões que Eu sou?». Eles responderam: «Uns, dizem que és João Baptista; outros, que és Elias; e outros, que és um dos antigos profetas que ressuscitou». Disse-lhes Jesus: «E vós, quem dizeis que Eu sou?». Pedro tomou a palavra e respondeu: «És o Messias de Deus». Ele, porém, proibiu-lhes severamente de o dizerem fosse a quem fosse e acrescentou: «O Filho do homem tem de sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos príncipes dos sacerdotes e pelos escribas; tem de ser morto e ressuscitar ao terceiro dia». Depois, dirigindo-Se a todos, disse: «Se alguém quiser vir comigo, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz todos os dias e siga-Me. Pois quem quiser salvar a sua vida, há-de perdê-la; mas quem perder a sua vida por minha causa, salvá-la-á».



Os evangelhos (por certo que já ouvimos dizer isto muitas vezes) não são livros de história; são, sobretudo, o eco da primitiva comunidade cristã. No centro desta fé está Jesus, o Cristo, morto e ressuscitado para nossa salvação.
Cada evangelista tem uma prioridade, mas todos convidam a professar a fé em Jesus, que é da nossa família humana e da família de Deus.
Por isso, a pergunta de Jesus aos discípulos: «E vós, quem dizeis que Eu sou?» aparece nos três evangelhos sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas). E, em João, encontramos o «Eu sou» que se vai dando a conhecer ao longo de todo o evangelho.
Não nos parece estranho que Lucas comece por dizer que Jesus estava em oração. Este é um dos pontos característicos de Lucas. No contexto de oração, onde Deus é o centro, formula aos seus discípulos as perguntas sobre a sua identidade. Estas perguntas ressoam no coração do ser humano de hoje. Teremos a decisão de Pedro? Ou teremos, também como ele, os nossos altos e baixos?

© Miquel Raventós, Misa dominical
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013



Lucas 9, 18-24

És o Messias de Deus.

O Filho do homem tem de sofrer muito...


A leitura do evangelho segundo Lucas atinge aqui um ponto crucial, que recapitula a primeira parte (manifestação da personalidade de Jesus) e, ao mesmo tempo, prepara a segunda (o longo caminho para Jerusalém). Lucas 9, 18-24 procura responder às muitas interrogações que rodeavam a pessoa de Jesus e se podem resumir na pergunta: «Quem é Jesus?»; eis a questão decisiva para a fé cristã. Lucas recorda a ocasião em que o próprio Jesus apresenta esta questão decisiva aos seus discípulos.
Podemos dividir o texto em três partes: a definição verdadeira de Jesus (versículos 18 a 21); o primeiro anúncio da Paixão (versículo 22); as condições para o discipulado (versículos 23 e 24). A cena não é introduzida por uma indicação geográfica ou temporal, mas pela referência à oração de Jesus. Recordemos que, no evangelho segundo Lucas, a oração está presente em todos os momentos importantes da vida do Mestre. Acontece que Jesus quer fazer um balanço da opinião geral, quer saber o que o povo pensa dele. O resultado não manifesta um fracasso, mas uma insuficiência: pensam que é um profeta. Não estão totalmente errados, mas não é exato. Jesus é muito mais do que um profeta. A seguir, questiona os próprios discípulos e Pedro responde decidido: «És o Messias de Deus», isto é, o Ungido pelo Espírito Santo (cf. 4, 18), o Filho de Deus.
Jesus impõe silêncio, porque quer explicar esta definição com uma catequese apropriada. Não quer que os discípulos associem o título de «Messias» apenas ao conceito de glória e de vitória. Por isso, anuncia-lhes a Paixão, para que entendam que Jesus é um Salvador que salva mediante a entrega pessoal pelo bem da humanidade, um Messias que liberta mediante o sangue na cruz e a recusa dos poderosos: os anciãos, os príncipes dos sacerdotes e os escribas (versículo 22).
O evangelho une este primeiro anúncio da Paixão com umas indicações destinadas ao «seguidor» de Jesus (o discípulo, o cristão): negar-se a si mesmo, ou seja, renunciar ao egoísmo; tomar a sua cruz todos os dias; estar dispostos a perder/sacrificar a vida (temporal) para ganhar a Vida (eterna), ou seja, para se salvar. Seguir Jesus significa percorrer o mesmo caminho, aceitando os sofrimentos, sacrifícios e dificuldades de uma vida por amor.

© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor



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Décimo segundo domingo, Ano C
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 21.6.13 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO: décimo primeiro domingo

16 DE JUNHO DE 2013

Evangelho segundo Lucas 7, 36 — 8, 3

Naquele tempo, um fariseu convidou Jesus para comer com ele. Jesus entrou em casa do fariseu e tomou lugar à mesa. Então, uma mulher – uma pecadora que vivia na cidade – ao saber que Ele estava à mesa em casa do fariseu, trouxe um vaso de alabastro com perfume; pôs-se atrás de Jesus e, chorando muito, banhava-Lhe os pés com as lágrimas e enxugava-Lhos com os cabelos, beijava-os e ungia-os com o perfume. Ao ver isto, o fariseu que tinha convidado Jesus pensou consigo: «Se este homem fosse profeta, saberia que a mulher que O toca é uma pecadora». Jesus tomou a palavra e disse-lhe: «Simão, tenho uma coisa a dizer-te». Ele respondeu: «Fala, Mestre». Jesus continuou: «Certo credor tinha dois devedores: um devia-lhe quinhentos denários e o outro cinquenta. Como não tinham com que pagar, perdoou a ambos. Qual deles ficará mais seu amigo?». Respondeu Simão: «Aquele – suponho eu – a quem mais perdoou». Disse-lhe Jesus: «Julgaste bem». E voltando-Se para a mulher, disse a Simão: «Vês esta mulher? Entrei em tua casa e não Me deste água para os pés; mas ela banhou-Me os pés com as lágrimas e enxugou-os com os cabelos. Não Me deste o ósculo; mas ela, desde que entrei, não cessou de beijar-Me os pés. Não Me derramaste óleo na cabeça; mas ela ungiu-Me os pés com perfume. Por isso te digo: São-lhe perdoados os seus muitos pecados, porque muito amou; mas aquele a quem pouco se perdoa, pouco ama». Depois disse à mulher: «Os teus pecados estão perdoados». Então os convivas começaram a dizer entre si: «Quem é este homem, que até perdoa os pecados?». Mas Jesus disse à mulher: «A tua fé te salvou. Vai em paz». Depois disso, Jesus ia caminhando por cidades e aldeias, a pregar e a anunciar a Boa Nova do reino de Deus. Acompanhavam-n’O os Doze, bem como algumas mulheres que tinham sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades. Eram Maria, chamada Madalena, de quem tinham saído sete demónios, Joana, mulher de Cusa, administrador de Herodes, Susana e muitas outras, que serviam Jesus com os seus bens.



Depois da proclamação das bem-aventuranças e do amor aos inimigos, Lucas põe na boa de Jesus o que podemos chamar de paradigma da sua vida, da sua maneira de agir e de pensar: «Sede misericordiosos [compassivos] como o vosso Pai é misericordioso [compassivo]» (Lucas 6, 36). Se caminharmos ao lado de Jesus, daremos conta de como a misericórdia de Deus é o norte da vida de Jesus. E tem de o ser também da vida dos seus discípulos.
Esta misericórdia torna-se visível não só quando cura os doentes, mas sobretudo quando perdoa os pecados: «Disse à mulher: 'Os teus pecados estão perdoados'». Na linguagem de hoje (já que nem todos entendemos o mesmo quando falamos de pecado), dizemos que Jesus traz a paz ao coração. Jesus não só quer uma vida digna para os marginalizados, mas sobretudo uma vida reconciliada (com Deus, consigo e com os outros). Este é o objetivo do Reino de Deus.
No texto do evangelho, percebemos a diferença que é ver a realidade a partir de Jesus ou a partir do fariseu que «convidou Jesus para comer com ele». Jesus nunca perde de vista aquele «sede misericordiosos»; o fariseu, ao contrário, contempla tudo a partir da lei. Para Jesus, aquela mulher é alguém que deve ser acolhida e acompanhada, porque... E precisa, como o pão de cada dia, que alguém a olhe com bondade. E este não é o olhar do fariseu.

© Miquel Raventós, Misa dominical
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013



Lucas 7, 36 — 8, 3

São-lhe perdoados os seus muitos pecados, 

porque muito amou


O texto do evangelho é uma das páginas mais comoventes de Lucas (Lucas 7, 36-50), à qual se acrescentam três versículos sobre as pessoas que acompanham Jesus (homens e mulheres), na sua missão (8, 1-3). A nossa protagonista é a única mulher que recebe o perdão de Jesus; é a única mulher que, sem pedir, fica livre de uma enfermidade, não do corpo mas do espírito. A mulher do perfume tinha vivido uma vida de pecado. E Jesus aplica um remédio de eficácia instantânea. Perdoa todos os seus pecados de um só vez. Não os recorda, não os conta, não os classifica. O remédio de Jesus regenera no coração morto da mulher os sentimentos mais delicados do ser humano: amor e gratidão. E como ela não sabe falar, o seu coração impulsa-a para um gesto audaz. 
Os personagens da cena são Jesus, a mulher pecadora, Simão, o fariseu, e os outros comensais. Todos estão implicados na mesma trama, onde a lógica da lei se confronta com a lógica do amor. Simão, o fariseu, e o seu grupo representam a lei. Jesus encarna o amor. E, no meio, está a mulher pecadora: Simão acusa-a, Jesus perdoa-a. A ação insólita da mulher provoca o julgamento de Simão; o julgamento de Simão provoca a intervenção de Jesus; Jesus desencadeia a reação dos convidados
A partir da perspetiva de Jesus, os atos de amor da mulher contrastam vigorosamente com as negligências do anfitrião. Simão, em relação a Jesus, descuidou os gestos mais elementares de hospitalidade, como lavar os pés, dar-lhe o beijo da paz e ungir-lhe a cabeça com óleo. Por conseguinte, também Simão é um transgressor da lei, um anfitrião que não cumpriu o seu dever. A ação da mulher, ao contrário, superou em muito todas as normas de cortesia reservadas aos hóspedes. A mulher esforçou-se por tratar o seu convidado sem descuidar nenhum detalhe. Para Jesus, a verdadeira anfitriã foi aquela mulher. E o que ela fez por amor coloca em evidência o que Simão omitiu seguramente por temor.

© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor



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Quem é este homem, que até perdoa os pecados
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 14.6.13 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO: décimo domingo

9 DE JUNHO DE 2013

Evangelho segundo Lucas 7, 11-17

Naquele tempo, dirigia-Se Jesus para uma cidade chamada Naim; iam com Ele os seus discípulos e uma grande multidão. Quando chegou à porta da cidade, levavam um defunto a sepultar, filho único de sua mãe, que era viúva. Vinha com ela muita gente da cidade. Ao vê-la, o Senhor compadeceu-Se dela e disse-lhe: «Não chores». Jesus aproximou-Se e tocou no caixão; e os que o transportavam pararam. Disse Jesus: «Jovem, Eu te ordeno: levanta-te». O morto sentou-se e começou a falar; e Jesus entregou-o à sua mãe. Todos se encheram de temor e davam glória a Deus, dizendo: «Apareceu no meio de nós um grande profeta; Deus visitou o seu povo». E a fama deste acontecimento espalhou-se por toda a Judeia e pelas regiões vizinhas.



Neste ano litúrgico, acompanha-nos o evangelho segundo Lucas. Qualquer domingo em que é proclamado é um bom momento para sublinhar os seus rasgos mais característicos. Um biblista contemporâneo diz-nos que é o mais acessível para captar a mensagem de Jesus como Boa Nova de um Deus compassivo, defensor dos pobres, curador dos doentes e amigo dos pecadores.
Se, por um lado, a filosofia moderna sublinha que o ser humano é «homo patiens», «ser que sofre», por outro, a partir do evangelho segundo Lucas, falamos, sobretudo, de um Deus que é com-passivo, isto é, que sofre connosco. Lucas destaca com firmeza um Jesus que está próximo e que está ao lado dos que sofrem.

© Miquel Raventós, Misa dominical
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013



Lucas 7, 11-17

Jovem, Eu te ordeno: levanta-te


Retomamos a leitura semi-contínua do evangelho segundo Lucas, que foi interrompida no tempo da Quaresma. Este domingo, lemos uma das páginas mais emotivas: a ressurreição do filho de uma viúva, em Naim.
Depois de curar o servo de um centurião romano, em Cafarnaúm, Jesus foi para Naim, uma povoação não muito distante de Chuném, a localidade onde o profeta Eliseu ressuscitou o filho de uma chunamita (2Reis 4, 18-37). Ao ver uma viúva acompanhando o féretro do seu único filho, o Senhor (é a primeira vez no evangelho que Jesus é designado com o título «Kyrios»: «Senhor») compadeceu-se, isto é, comoveu-se no coração, nas suas entranhas. O verbo grego é sumamente expressivo: indica uma compaixão «entranhada», igual à sentida pelo pai do filho pródigo (15, 20) ou pelo bom samaritano (10, 33). Recordemos que a misericórdia é característica de Deus, «rico em misericórdia».
Jesus procura tranquilizar a mãe desconsolada: «Não chores» (versículo 13); e ao filho morto diz: «Jovem, Eu te ordeno: levanta-te!» (versículo 14). A chave de interpretação do episódio encontra-se na aclamação, em coro, da assembleia: «Apareceu no meio de nós um grande profeta; Deus visitou o seu povo» (versículo 16). Jesus não ocupa o centro desta história de dor apenas porque é o homem da compaixão e do amor, que vai ao encontro do sofrimento e da angústia das pessoas. Ainda que este seja um tema importante e característico de Lucas, nesta ocasião não constitui o elemento decisivo. Jesus não ocupa o centro da história por ser um «profeta», como exclama a multidão. Sim, ele é o depositário da Palavra da Deus, é o mensageiro da salvação, mas essa não é a razão principal do seu protagonismo. Jesus ocupa o centro da história porque é a «visita» salvífica de Deus no meio do povo. Este é o significado bíblico do verbo «visitar» («paqad», em hebraico; «episkiazein», em grego). A presença, as palavras e os gestos de Jesus são sinais da vontade salvífica de Deus.

© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor



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Preparar o décimo domingo, ano c, no Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 7.6.13 | Sem comentários
— ANO C — QUARESMA — QUARTO DOMINGO — 

— Evangelho segundo Lucas 15, 1-3.11-32

Naquele tempo, os publicanos e os pecadores aproximavam-se todos de Jesus, para O ouvirem. Mas os fariseus e os escribas murmuravam entre si, dizendo: «Este homem acolhe os pecadores e come com eles». Jesus disse-lhes então a seguinte parábola: «Um homem tinha dois filhos. O mais novo disse ao pai: ‘Pai, dá-me a parte da herança que me toca’. O pai repartiu os bens pelos filhos. Alguns dias depois, o filho mais novo, juntando todos os seus haveres, partiu para um país distante e por lá esbanjou quanto possuía, numa vida dissoluta. Tendo gasto tudo, houve uma grande fome naquela região e ele começou a passar privações. Entrou então ao serviço de um dos habitantes daquela terra, que o mandou para os seus campos guardar porcos. Bem desejava ele matar a fome com as alfarrobas que os porcos comiam, mas ninguém lhas dava. Então, caindo em si, disse: ‘Quantos trabalhadores de meu pai têm pão em abundância, e eu aqui a morrer de fome! Vou-me embora, vou ter com meu pai e dizer-lhe: Pai, pequei contra o Céu e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho, mas trata-me como um dos teus trabalhadores’. Pôs-se a caminho e foi ter com o pai. Ainda ele estava longe, quando o pai o viu: encheu-se de compaixão e correu a lançar-se-lhe ao pescoço, cobrindo-o de beijos. Disse-lhe o filho: ‘Pai, pequei contra o Céu e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho’. Mas o pai disse aos servos: ‘Trazei depressa a melhor túnica e vesti-lha. Ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés. Trazei o vitelo gordo e matai-o. Comamos e festejemos, porque este meu filho estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi reencontrado’. E começou a festa. Ora o filho mais velho estava no campo. Quando regressou, ao aproximar-se da casa, ouviu a música e as danças. Chamou um dos servos e perguntou-lhe o que era aquilo. O servo respondeu-lhe: ‘O teu irmão voltou e teu pai mandou matar o vitelo gordo, porque ele chegou são e salvo’. Ele ficou ressentido e não queria entrar. Então o pai veio cá fora instar com ele. Mas ele respondeu ao pai: ‘Há tantos anos que eu te sirvo, sem nunca transgredir uma ordem tua, e nunca me deste um cabrito para fazer uma festa com os meus amigos. E agora, quando chegou esse teu filho, que consumiu os teus bens com mulheres de má vida, mataste-lhe o vitelo gordo’. Disse-lhe o pai: ‘Filho, tu estás sempre comigo e tudo o que é meu é teu. Mas tínhamos de fazer uma festa e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi reencontrado’».

— Notas exegéticas

A parábola do filho pródigo é a última das três parábolas que fazem parte do capítulo 15 do evangelho de Lucas. Em todas há um perda de algo importante (uma ovelha entre cem, uma dracma entre dez, um filho entre dois) que se volta a encontrar, enchendo de alegria o coração da pessoa que tinha sofrido a perda. Na lógica do evangelho «estar perdido» equivale a «ser pecador» e «ser encontrado» a «converter-se». A parábola do filho pródigo ou, talvez melhor, a parábola do Pai pródigo de amor sintetiza todo o evangelho: a partir de uma história profundamente humana, Jesus revela-nos o coração do Pai.
Os três primeiros versículos (1-3( indicam a circunstância na qual Jesus pronunciou esta parábola. Atraídos pelas suas palavras, aproximavam-se dele muitos pecadores e isto escandalizava os fariseus e os mestres da lei (escribas). Estes eram os que cumpridores e puros por excelência e, por conseguinte, procuravam afastar-se dos pecadores para defender a sua pureza. Assim, Jesus encontra-se perante dois tipos de auditório: os que se reconhecem pecadores e os que se consideram perfeitamente justos. Estes censuram Jesus porque anda e come com os pecadores; Jesus responde com as parábolas da ovelha perdida (versículos 4 a 7), da dracma perdida (versículos 8 a 10) e a que lemos hoje.
Três personagens estão em jogo (o pai, o filho mais novo, o filho mais velho) em três cenários, nesta história universal e inolvidável na qual todos se reconhecem. A primeira cena (versículos 11 a 19) é simplesmente uma introdução ao drama que se desencadeará no coração do filho mais novo. Cansado de estar em casa e aborrecido com a vida quotidiana, sonha com outro mundo, com novas experiências e emoções. Por fim, decide-se. Reclama a herança do pai em vida e abandona o lar. Em terras estranhas esbanja a fortuna que outros amealharam com sacrifício; e, ele, que era filho de uma casa rica, converte-se em guardador de porcos. Movido mais fome do que pelo amor, decide-se a pedir perdão e a aceitar o castigo desde que tenha de comer. Isto é a conversão: voltar a deus depois de ter pecado.
A segunda cena (versículos 20 a 24) está dominada pela figura do pai que espera contra toda a esperança. Mal se vislumbra no horizonte a figura do filho, sai a correr para o abraçar. Surpreende a sua bondade. Nenhuma recriminação, só perdão total e gratuito. Alegria, festa e banquete. O seu filho que estava morto voltou à vida, estava perdido e foi reencontrado.
A terceira cena (versículos 25 a 32) descreve a figura do filho mais velho (do fariseu). Perfeito cumpridor, considera que a conversão é só para os outros. Satisfeito pela sua conduta irreprovável, exige por isso uma recompensa. Incapaz de amar, não sabe ser irmão porque ainda não aprendeu a ser filho. Lição magistral sobre a reconciliação.

© Nuria Calduch Benages (Misa dominical — www.cpl.es —)
© Tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
— a utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor —



Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 10.3.13 | Sem comentários
— ANO C — QUARESMA — TERCEIRO DOMINGO — 

— Evangelho segundo Lucas 13, 1-9

Naquele tempo, vieram contar a Jesus que Pilatos mandara derramar o sangue de certos galileus, juntamente com o das vítimas que imolavam. Jesus respondeu-lhes: «Julgais que, por terem sofrido tal castigo, esses galileus eram mais pecadores do que todos os outros galileus? Eu digo-vos que não. E se não vos arrependerdes, morrereis todos do mesmo modo. E aqueles dezoito homens, que a torre de Siloé, ao cair, atingiu e matou? Julgais que eram mais culpados do que todos os outros habitantes de Jerusalém? Eu digo-vos que não. E se não vos arrependerdes, morrereis todos de modo semelhante. Jesus disse então a seguinte parábola: «Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha. Foi procurar os frutos que nela houvesse, mas não os encontrou. Disse então ao vinhateiro: ‘Há três anos que venho procurar frutos nesta figueira e não os encontro. Deves cortá-la. Porque há-de estar ela a ocupar inutilmente a terra?’. Mas o vinhateiro respondeu-lhe: ‘Senhor, deixa-a ficar ainda este ano, que eu, entretanto, vou cavar-lhe em volta e deitar-lhe adubo. Talvez venha a dar frutos. Se não der, mandá-la-ás cortar no próximo ano».

— Notas exegéticas

Na secção central do seu evangelho (9, 51 — 19, 29), Lucas recolhe uma ampla e variada antologia de ensinamentos de Jesus, que os exegetas costumam chamar «o caminho para Jerusalém». Em todos estes capítulos destaca a figura de Jesus em viagem para Jerusalém, o seu destino final. Centrado na necessidade de conversão, o evangelho de hoje (13, 1-9) contém duas unidades literárias: uma reflexão a propósito de uns acontecimentos recentes (versículos 1 a 5) e a parábola da figueira que não dá fruto (versículos 6 a 9).
Chega a notícia de que Pilatos mandou matar uns galileus enquanto estavam a oferecer sacrifícios no templo, seguramente aquando da festa da Páscoa. Um dos muitos atos de repressão contra o povo subjugado, talvez porque as autoridades romanas tinham suspeitas de desacatos. Pouco antes tinha acontecido outro infortúnio: uma torre no bairro de Siloé tinha-se desmoronado causando dezoito mortos. A reflexão de Jesus vai em duas direções. Por um lado, desautoriza uma ideia muito comum no seu tempo: a de que as desgraças pessoais são um castigo de Deus por um pecado pessoal concreto (cf. João 9, 2.34). Por outro, aproveita o impacto que a notícia causou entre os presentes para inculcar a ideia de que todos estamos em situação de pecado e, por conseguinte, necessitados de conversão.
O núcleo da parábola da figueira estéril (a figueira, como a vinha, era símbolo de Israel) é o diálogo entre o dono da vinha e o vinhateiro paciente. Entre o Pai (o dono) e o vinhateiro (Jesus) estabelece-se uma relação de intercessão pelo povo indiferente e árido (a figueira). O mediador não quer que o seu trabalho de «três anos» seja inútil e, por isso, roga ao Pai que espere mais um ano, para que a árvore finalmente frutifique. Certamente que a última frase («se não der, mandá-la-ás cortar») nos deixa intranquilos. Conclusão final: converter-se significa dar fruto.

© Nuria Calduch Benages (Misa dominical — www.cpl.es —)
© Tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
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Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 3.3.13 | Sem comentários
— ANO C — QUARESMA — SEGUNDO DOMINGO — 

— Evangelho segundo Lucas 9, 28b-36

Naquele tempo, Jesus tomou consigo Pedro, João e Tiago e subiu ao monte, para orar. Enquanto orava, alterou-se o aspecto do seu rosto e as suas vestes ficaram de uma brancura refulgente. Dois homens falavam com Ele: eram Moisés e Elias, que, tendo aparecido em glória, falavam da morte de Jesus, que ia consumar-se em Jerusalém. Pedro e os companheiros estavam a cair de sono; mas, despertando, viram a glória de Jesus e os dois homens que estavam com Ele. Quando estes se iam afastando, Pedro disse a Jesus: «Mestre, como é bom estarmos aqui! Façamos três tendas: uma para Ti, outra para Moisés e outra para Elias». Não sabia o que estava a dizer. Enquanto assim falava, veio uma nuvem que os cobriu com a sua sombra; e eles ficaram cheios de medo, ao entrarem na nuvem. Da nuvem saiu uma voz, que dizia: «Este é o meu Filho, o meu Eleito: escutai-O». Quando a voz se fez ouvir, Jesus ficou sozinho. Os discípulos guardaram silêncio e, naqueles dias, a ninguém contaram nada do que tinham visto.


— Notas exegéticas

Depois do primeiro anúncio da Paixão (8, 22-27), Lucas narra a Transfiguração de Jesus, isto é, a «epifania» ou revelação da sua filiação divina (9, 28b-36). Acontece na montanha, lugar clássico da revelação. A Transfiguração confirma a teofania do Jordão e antecipa a mensagem da ressurreição. Todo o evangelho converge para este ato de fé: «Jesus é o Filho de Deus» (versículo 36).
A narração lucana tem muitos elementos em comum com a de Mateus e Marcos, mas, por outro lado, tem elementos característicos que orientam a leitura do episódio completo. Referimo-nos à menção da oração como começa o relato (versículo 28b). Lucas costuma apresentar Jesus em oração; nesta ocasião a sua oração transfigura: «enquanto orava, alterou-se o aspeto do seu rosto» (versículo 29). A segunda característica própria de Lucas encontra-se na conversação entre Moisés, o legislador, e o profeta Elias: «falavam da morte de Jesus, que ia consumar-se em Jerusalém» (versículo 31). O texto grego na realidade utiliza a palavra «êxodo» para se referir à «passagem» definitiva, ao mistério pascal na sua totalidade indivisível de paixão-ressurreição-ascensão.
Pedro e os companheiros vêem a glória de Jesus (versículo 32). Na linguagem bíblica «glória» designa o esplendor da transcendência ou santidade de Deus ou, dito por outras palavras, a irradiação percetível da divindade nas coisas criadas. Jesus é a glória de Deus. A menção das tendas (versículo 33) poderia aludir à festa hebraica das tendas ou tabernáculos. Pedro encontra-se tão bem ali que deseja ficar com Moisés e Elias. Mas as instituições que eles representam (a Lei e os Profetas) pertencem ao passado. Agora, Jesus fica sozinho (versículo 36).
Aparece uma nuvem (tema característico do Êxodo), sinal da presença de Deus; e ouve-se uma voz. É a voz do Pai que esclarece os discípulos sobre Jesus Cristo: é o seu Filho Eleito e também seu porta-voz: «Escutai-O» (versículo 36).

© Nuria Calduch Benages (Misa dominical — www.cpl.es —)
© Tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
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Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 24.2.13 | Sem comentários
ANO C — QUARESMA — PRIMEIRO DOMINGO — 

— Evangelho segundo Lucas 4, 1-13

Naquele tempo, Jesus, cheio do Espírito Santo, retirou-Se das margens do Jordão. Durante quarenta dias, esteve no deserto, conduzido pelo Espírito, e foi tentado pelo Diabo. Nesses dias não comeu nada e, passado esse tempo, sentiu fome. O Diabo disse-lhe: «Se és Filho de Deus, manda a esta pedra que se transforme em pão». Jesus respondeu-lhe: «Está escrito: ‘Nem só de pão vive o homem’». O Diabo levou-O a um lugar alto e mostrou-Lhe num instante todos os reinos da terra e disse-Lhe: «Eu Te darei todo este poder e a glória destes reinos, porque me foram confiados e os dou a quem eu quiser. Se Te prostrares diante de mim, tudo será teu». Jesus respondeu-lhe: «Está escrito: ‘Ao Senhor teu Deus adorarás, só a Ele prestarás culto’». Então o Diabo levou-O a Jerusalém, colocou-O sobre o pináculo do templo e disse-Lhe: «Se és Filho de Deus, atira-Te daqui abaixo, porque está escrito: ‘Ele dará ordens aos seus Anjos a teu respeito, para que Te guardem’; e ainda: ‘Na palma das mãos te levarão, para que não tropeces em alguma pedra’». Jesus respondeu-lhe: «Está mandado: ‘Não tentarás o Senhor teu Deus’». Então o Diabo, tendo terminado toda a espécie de tentação, retirou-se da presença de Jesus, até certo tempo.

— Notas exegéticas

Depois de revelar a filiação divina no Batismo (3, 21-22), Lucas indica a ascendência humana de Jesus através da sua genealogia (3, 23-38), para em seguida continuar com o episódio das tentações (4, 1-13). Aqui, o Filho de Deus é submetido à prova pelo diabo; a inconciliável oposição entre ambos manifesta-se toda a clareza. A cena desenvolve-se em três cenários: no deserto, nas alturas e em Jerusalém. Jesus é tentado como humano, como rei do mundo e como Messias de Israel. 
Numa visão de conjunto ou apresentação inicial (versículos 1 e 2) destaca-se o papel do Espírito Santo que se tinha manifestado no Jordão e que agora impulsiona Jesus a retirar-se para ao deserto («conduzido pelo Espírito»). Os quarenta dias e a referência à fome aludem ao Êxodo, aos quarenta anos da travessia pelo deserto do povo de Israel e à fome que passaram durante esse percurso. Em definitivo, uma situação de prova na qual Jesus quis experimentar a ascética do deserto (silêncio, oração, austeridade) e na qual manteve sempre a sua fidelidade. 
Seguem-se três situações ou exemplos concretos de prova nos quais se percebe a transformação do Êxodo e do Deuteronómio, e nos quais Jesus assume a atitude do autêntico Israel fiel às suas promessas. Na primeira tentação, Jesus afirma a supremacia do espírito acima do bem-estar, os gostos e os interesses temporais. Perante a tentação do império e das riquezas em troca da idolatria («Se Te prostrares diante de mim»), Jesus ensina a antepor o amor e o serviço do único Deus a qualquer valor intramundano. Na tentação do templo, a de ceder perante o êxito fácil e as manifestações espetaculares que enganam e ensombra as pessoas, Jesus propõe a humilde paciência do semeador que trabalha, confia e espera. 
A conclusão de Lucas («até certo tempo») é alusiva, pois supõe que o diabo continuará a tentar Jesus (na Paixão e no Getsémani).

© Nuria Calduch Benages (Misa dominical — www.cpl.es —)
© Tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
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Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 17.2.13 | Sem comentários
Lucas prepara o momento definitivo da eleição dos Doze (6, 1-6) com o relato da vocação dos primeiros discípulos e do milagre da pesca abundante (5, 1-11), com o objetivo de refletir sobre alguns aspetos essenciais da vocação ao apostolado de Simão Pedro e dos seus colaboradores. Enquanto em Marcos este chamamento se encontra antes das primeiras ações de Jesus, em Lucas está depois da sua manifestação na sinagoga de Nazaré (4, 14-30) e das primeira curas (4, 31-44). Desta maneira, explica-se melhor a pronta resposta dos discípulos.
A nossa página evangélica é composta por quatro cenas. Na primeira (5, 1-2) apresentam-se os protagonistas: por um lado, Jesus que anuncia a sua mensagem e, por outro, um grupo de pescadores, fatigados e desanimados por causa da dureza e dificuldade do trabalho. Na segunda (5, 3), encontram-se os dois grupos. Jesus procura a barca de Simão, um daqueles pobres pescadores. Estabelece com ele um primeiro contacto. Na terceira cena (5, 4-7), cresce a familiaridade entre os dois protagonistas. Simão Pedro, amargurado por um recente fracasso profissional, obedece docilmente ao Senhor. Apoiando-se na força da sua palavra, arrisca uma vez mais («já que o dizes, lançarei as redes») e o resultado é inesperado e maravilhoso. A quarta e última cena (versículos 8 a 10) é decisiva. Com a barca cheia de peixes e o coração encolhido, Simão Pedro sente-se indigno diante do Senhor. Tal como o jovem Isaías, que precisou de purificar os seus lábios no fogo do altar (primeira leitura), Simão Pedro também precisa de purificação. Jesus dirige-se ao pescador com a linguagem dos pescadores: «Daqui em diante serás pescador de homens» (v. 10). A partir desse momento, uma nova missão emerge no seu horizonte e no horizonte dos que o acompanhavam. Lucas anota: «eles deixaram tudo, e seguiram Jesus» (v. 11).

© Nuria Calduch Benages (Misa dominical)
© Tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013

— Evangelho segundo Lucas 5, 1-11  > > >

 

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 10.2.13 | Sem comentários
Lemos hoje a segunda parte do «manifesto de Nazaré», cuja leitura foi iniciada no passado domingo. Recordemos o essencial do relato: encontrando-se na sinagoga de Nazaré, Jesus leu o capítulo 61 de Isaías que anuncia o Messias dos pobres e em seguida afirma que essa profecia se cumpre «hoje» (implicitamente, nele).
São três as reações do auditório: admiração, desprezo e, por último, ódio mortal. Ao princípio, todos lhe prestam atenção e ficam maravilhados com as suas palavras. Contudo, depois, nasce a dúvida nos seus corações, pois as «palavras cheias de graça» pronunciadas por Jesus não encaixam com a sua origem humilde.
A pergunta feita pelos presentes — «Não é este o filho de José?» — provoca uma longa intervenção de Jesus articulada em dois momentos: 1) diz-lhes um ditado já conhecido no mundo antigo («Médico, cura-te a ti mesmo») com o qual reconhece a hostilidade do auditório e confirma-o com outro ditado («Nenhum profeta é bem recebido na sua terra»), auto-apresentando-se assim como profeta; 2) recorre a dois exemplos do Antigo Testamento para ilustrar a sua experiência. O que estava a viver já tinha acontecido a dois grandes profetas de Israel: Elias e Eliseu.
Os dois exemplos mencionados encontram-se nos livros dos Reis: o milagre da farinha e do azeite (Primeiro Livro dos Reis 17, 7-16) e a cura do sírio Naamã (Segundo Livro dos Reis 5, 1-14). Nestes dois textos, Elias e Eliseu atuam em favor dos pagãos que, além de ser estrangeiros, eram marginalizados pela sociedade: uma pobre viúva de Sarepta e Naamã, um leproso sírio. A viúva e o leproso pertencem ao grupo dos pobres e dos oprimidos, a quem é destinada a libertação de Jesus (cf. Lucas 4, 18). A salvação, por isso, não é exclusiva de Israel, mas também atinge os povos pagãos. Dois exemplos do passado que iluminam o hoje de Jesus: Jesus veio para libertar não só o seu povo, mas todos aqueles que precisam da salvação. Cheios de indignação, os habitantes de Nazaré levantam-se para o precipitar no desfiladeiro, mas Jesus, incompreendido na sua terra, «seguiu o seu caminho».

© Nuria Calduch Benages (Misa dominical)
© Tradução e adaptação de Laboratório da fé

— Evangelho segundo Lucas 4, 21-30  > > >

 


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 3.2.13 | Sem comentários
Hoje cumpre-se a Escritura. A leitura evangélica deste domingo é formada por uma união de dois fragmentos independentes: o prólogo do evangelho (Lucas 1, 1-4) e o discurso de Jesus na sinagoga de Nazaré (Lucas 4, 14-21). Ambos os textos são programáticos, porque funcionam como um guia de leitura para todo o evangelho.
Imitando o estilo dos historiadores do seu tempo, Lucas coloca um prólogo no início da sua obra, no qual declara o que se propõe escrever, de quem aprendeu, como escreve e que finalidade pretende. O tema do livro é «tudo o que Jesus fez e ensinou» (Atos 1, 1). A fonte onde se inspira são os apóstolos, isto é, as testemunhas oculares. O método utilizado caracteriza-se por três qualidades: investigação completa, exatidão e ordem pedagógica. A finalidade é que o amigo Teófilo e os demais cristãos reconheçam que a sua fé se apoia numa firme realidade histórica. Para Lucas, Jesus não é uma ideia, um mito ou um símbolo revestido de história, mas um personagem enraizado na nossa história, centro e razão da nossa existência.
Lucas inaugura o ministério de Jesus com um episódio localizado na sinagoga de Nazaré. É evidente que ele reelaborou e adaptou a perícope de Marcos (6, 1-6), onde o mesmo episódio conclui a missão de Jesus na Galileia. A Lucas interessa-lhe que a atividade pública de Jesus comece em Nazaré, onde também teve a sua origem (cf. Lucas 1, 26). Deste modo, Lucas 4, 16-21(30) converte-se num texto programático, o «manifesto de Nazaré», que apresenta o programa do que será o ministério de Jesus e também a prefiguração do seu destino.
Lucas descreve cuidadosamente todas as ações de Jesus: chega a Nazaré, entra na sinagoga, levanta-se para ler, abre o livro, enrola-o, entrega-o, senta-se e explica o que tinha lido. É de notar que na explicação Jesus não faz referência à sua pessoa. A passagem de Isaías alude diretamente a Jesus (ele é o Ungido do Senhor), mas o próprio mostra-se receoso em manifestá-lo abertamente. Jesus não comenta o texto de Isaías como nós o faríamos hoje, mas confirma a palavra do profeta tornando atual a sua mensagem: «Cumpriu-se hoje mesmo esta passagem da Escritura» (v. 21). A afirmação fixa-se no hoje, não na sua pessoa, pois a finalidade é que os ouvintes deem conta de que estão a viver um tempo de graça. O hoje inaugura o tempo da salvação.

© Nuria Calduch Benages
© Tradução e adaptação de Laboratório da fé



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    — Evangelho segundo Lucas 1, 1-4; 4, 14-21 > > >

     


    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 27.1.13 | Sem comentários
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