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PREPARAR O DOMINGO TRIGÉSIMO QUARTO


Evangelho segundo Lucas 23, 35-43

Naquele tempo, os chefes dos judeus zombavam de Jesus, dizendo: «Salvou os outros: salve-Se a Si mesmo, se é o Messias de Deus, o Eleito». Também os soldados troçavam d’Ele; aproximando-se para Lhe oferecerem vinagre, diziam: «Se és o Rei dos judeus, salva-Te a Ti mesmo». Por cima d’Ele havia um letreiro: «Este é o Rei dos judeus». Entretanto, um dos malfeitores que tinham sido crucificados insultava-O, dizendo: «Não és Tu o Messias? Salva-Te a Ti mesmo e a nós também». Mas o outro, tomando a palavra, repreendeu-o: «Não temes a Deus, tu que sofres o mesmo suplício? Quanto a nós, fez-se justiça, pois recebemos o castigo das nossas más acções. Mas Ele nada praticou de condenável». E acrescentou: «Jesus, lembra-Te de Mim, quando vieres com a tua realeza». Jesus respondeu-lhe: «Em verdade te digo: Hoje estarás comigo no Paraíso».



Jesus, lembra-Te de mim, quando vieres com a tua realeza

Na página do Calvário (23, 33-43), momento culminante da Paixão, Lucas propõe-nos a contemplação da realeza de Jesus Cristo a partir da perspetiva da cruz. Incompreendido por todos, menos pelo «bom ladrão».
Cristo Rei está cravado na cruz. Acompanham-no dois malfeitores, também eles crucificados, um à direita e outro à esquerda. O povo olha, silencioso e neutral, enquanto as autoridades judaicas zombam de Jesus e insultam-no como falso «messias». Em hebraico, a palavra «messias» significa «ungido» e a sua principal conotação era de «rei instituído por Deus». Ao insultá-lo com esta palavra, as autoridades celebram inconscientemente a sua realeza, justamente no momento da sua máxima humilhação. À sua maneira, os soldados romanos também troçam de Jesus repetindo o que ouviam. Preside à cena o título da cruz: «Este é o Rei dos judeus». Equívoco sangrento e sublime, ao mesmo tempo. Para os romanos era uma farsa. Para os responsáveis dos judeus era um insulto. Para o crente é o título que define Cristo.
Nestes momentos dramáticos, produz-se o milagre da fé (recordemos que Lucas é o único evangelista que narra este acontecimento comovedor). O «bom ladrão» repreende o companheiro porque no momento da morte não pensa em Deus, proclama que Jesus é inocente em contraste com a sua própria culpabilidade e, por último, suplica-lhe um pedido, confessando-o Rei no mais além da cruz: «Jesus, recorda-Te de mim, quando vieres com a tua realeza». É a única vez, no Novo Testamento, que um pedido se faz com o nome de Jesus. Jesus rompe o silêncio e promete-lhe a salvação: «Hoje estarás comigo (isto é, no meu reino) no Paraíso». Lucas resume nesta cena toda a espiritualidade de Paulo. A felicidade (o paraíso) é estar sempre com Jesus (Filipenses 1, 23).

© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
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Preparar o domingo trigésimo quarto, Ano C, no Laboratório da fé
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 22.11.13 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO TRIGÉSIMO TERCEIRO


Evangelho segundo Lucas 21, 5-19

Naquele tempo, comentavam alguns que o templo estava ornado com belas pedras e piedosas ofertas. Jesus disse-lhes: «Dias virão em que, de tudo o que estais a ver, não ficará pedra sobre pedra: tudo será destruído». Eles perguntaram-Lhe: «Mestre, quando sucederá isto? Que sinal haverá de que está para acontecer?». Jesus respondeu: «Tende cuidado; não vos deixeis enganar, pois muitos virão em meu nome e dirão: ‘Sou eu’; e ainda: ‘O tempo está próximo’. Não os sigais. Quando ouvirdes falar de guerras e revoltas, não vos alarmeis: é preciso que estas coisas aconteçam primeiro, mas não será logo o fim». Disse-lhes ainda: «Há-de erguer-se povo contra povo e reino contra reino. Haverá grandes terramotos e, em diversos lugares, fomes e epidemias. Haverá fenómenos espantosos e grandes sinais no céu. Mas antes de tudo isto, deitar-vos-ão as mãos e hão-de perseguir-vos, entregando-vos às sinagogas e às prisões, conduzindo-vos à presença de reis e governadores, por causa do meu nome. Assim tereis ocasião de dar testemunho. Tende presente em vossos corações que não deveis preparar a vossa defesa. Eu vos darei língua e sabedoria a que nenhum dos vossos adversários poderá resistir ou contradizer. Sereis entregues até pelos vossos pais, irmãos, parentes e amigos. Causarão a morte a alguns de vós e todos vos odiarão por causa do meu nome; mas nenhum cabelo da vossa cabeça se perderá. Pela vossa perseverança salvareis as vossas almas».



Pela vossa perseverança salvareis as vossas almas

Como os outros evangelhos sinóticos (Marcos 13 e Mateus 24–25), Lucas conclui a pregação de Jesus, em Jerusalém, com um «sermão ou discurso escatológico» (21, 5-38), onde recolhe uma antologia de avisos e reflexões do Mestre sobre as realidades últimas (escatologia). Toda a doutrina de Jesus está impregnada de pensamento escatológico. Viveu e ensinou a viver o tempo dando-lhe valor de eternidade, deixando uma certeza: após o último passo de cada vida e da história de todos terá lugar o encontro transcendental e definitivo com Deus.
Na ótica de Lucas, o discurso escatológico é uma meditação sobre a história tendo como ambiente o templo de Jerusalém. É um texto difícil, não só pelo seu conteúdo, mas também pelo uso de uma linguagem «apocalítica», obscura e simbólica. Começa com uma introdução que é a profecia da destruição do monumental templo de Jerusalém (versículos 5-7), sinal da caducidade das instituições e dos valores temporais. Continua com a indicação dos sinais premonitórios do fim do mundo: por um lado, a presença dos falsos messias e profetas; por outro, as guerras, revoltas, fomes, pestes, terramotos e fenómenos astronómicos ou meteorológicos (versículos 8-11); a estas calamidades há que juntar a perseguição aos discípulos: traições, prisões, interrogatórios e martírios (versículos 12-19). É a primeira parte do discurso que corresponde com o texto proposto para o trigésimo terceiro domingo (Ano C).
A segunda parte continua com a descrição/profecia dos acontecimentos: o primeiro é a destruição de Jerusalém, que aconteceu no ano 70 depois de Cristo (versículos 20-24); o segundo é a vinda gloriosa de Cristo, no final dos tempos (versículos 25-28) descrita com uma linguagem inspirada nos profetas. A reflexão final exorta a estar sempre pronto para receber o Senhor (versículos 29-38).
Em resumo, o discurso escatológico não é uma previsão sobre o fim do mundo, mas uma mensagem de esperança, que nos convida a viver o presente com responsabilidade.

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Preparar o domingo trigésimo terceiro, Ano C, no Laboratório da fé
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 14.11.13 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO TRIGÉSIMO SEGUNDO


Evangelho segundo Lucas 20, 27-38

Naquele tempo, aproximaram-se de Jesus alguns saduceus – que negam a ressurreição – e fizeram-lhe a seguinte pergunta: «Mestre, Moisés deixou-nos escrito: ‘Se morrer a alguém um irmão, que deixe mulher, mas sem filhos, esse homem deve casar com a viúva, para dar descendência a seu irmão’. Ora havia sete irmãos. O primeiro casou-se e morreu sem filhos. O segundo e depois o terceiro desposaram a viúva; e o mesmo sucedeu aos sete, que morreram e não deixaram filhos. Por fim, morreu também a mulher. De qual destes será ela esposa na ressurreição, uma vez que os sete a tiveram por mulher?». Disse-lhes Jesus: Os filhos deste mundo casam-se e dão-se em casamento. Mas aqueles que forem dignos de tomar parte na vida futura e na ressurreição dos mortos, nem se casam nem se dão em casamento. Na verdade, já não podem morrer, pois são como os Anjos, e, porque nasceram da ressurreição, são filhos de Deus. E que os mortos ressuscitam, até Moisés o deu a entender no episódio da sarça ardente, quando chama ao Senhor ‘o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacob’. Não é um Deus de mortos, mas de vivos, porque para Ele todos estão vivos».



Não é um Deus de mortos, mas de vivos,
porque para Ele todos estão vivos

O caminho para Jerusalém chegou ao fim. Jesus passa os últimos dias, antes da paixão, a ensinar no templo. Dirigentes religiosos de diversas tendências entram em controvérsia com ele. Agora, é a vez dos saduceus, que eram poucos em número, mas fortes em influência. Instalados na alta classe sacerdotal, monopolizavam o sistema e a gestão económica do templo. Condescendentes com o poder romano e abertos aos costumes pagãos, eram odiados pelos fariseus que se sentiam o baluarte do sentimento nacional. Enquanto estes defendiam a ressurreição dos mortos, os saduceus ridicularizavam quem acreditava nela.
O episódio relatado no texto lucano proposto para o trigésimo segundo domingo (Ano C) segue o esquema das «controvérsias em Jerusalém» tidas por Jesus. Estas contribuíram não só para iluminar a doutrina, mas também serviram de norma para a comunidade apostólica. O esquema consta de duas partes: a) apresentação dos adversários (neste caso os saduceus) e a sua mentalidade (20, 27-33); b) resposta de Jesus (20, 34-38).
A partir da antiga lei do levirato (Deuteronómio 25, 5-10), os saduceus inventam um caso que provocaria, no mais além, uma insólita situação de poligamia. Uma mulher viu-se obrigada a ter sete maridos. Quando todos ressuscitarem, qual será o seu marido? Em primeiro lugar, Jesus corrige a falta de horizonte dos saduceus, que imaginam a vida futura como uma reprodução exata da existência terrena, deixando entrever o mistério da vida eterna (versículos 34-36). Em segundo lugar, recorre ao diálogo de Deus com Moisés na sarça ardente (Êxodo 3, 1-22) para afirmar a razão profunda da fé na ressurreição. O Senhor, fonte de toda a vida, não deixa os seus amigos na morte (versículos 37-38).

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Preparar o domingo trigésimo segundo, Ano C, no Laboratório da fé
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 5.11.13 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO TRIGÉSIMO PRIMEIRO


Evangelho segundo Lucas 19, 1-10

Naquele tempo, Jesus entrou em Jericó e começou a atravessar a cidade. Vivia ali um homem rico chamado Zaqueu, que era chefe de publicanos. Procurava ver quem era Jesus, mas, devido à multidão, não podia vê-l’O, porque era de pequena estatura. Então correu mais à frente e subiu a um sicómoro, para ver Jesus, que havia de passar por ali. Quando Jesus chegou ao local, olhou para cima e disse-lhe: «Zaqueu, desce depressa, que Eu hoje devo ficar em tua casa». Ele desceu rapidamente e recebeu Jesus com alegria. Ao verem isto, todos murmuravam, dizendo: «Foi hospedar-Se em casa dum pecador». Entretanto, Zaqueu apresentou-se ao Senhor, dizendo: «Senhor, vou dar aos pobres metade dos meus bens e, se causei qualquer prejuízo a alguém, restituirei quatro vezes mais». Disse-lhe Jesus: «Hoje entrou a salvação nesta casa, porque Zaqueu também é filho de Abraão. Com efeito, o Filho do homem veio procurar e salvar o que estava perdido».



O Filho do homem veio procurar e salvar o que estava perdido

O caminho de Jesus para Jerusalém chega ao fim. Faltam poucos dias para a cruz e Lucas convida-nos a contemplar a imagem de Cristo Salvador de toda a humanidade, atuando na conversão de Zaqueu. Depois da cura do cego de Jericó, que pela sua fé em Jesus recupera a visão (18, 35-43), Lucas conta-nos a história de uma conversão admirável, tão admirável como a do malfeitor no Calvário ou a da pecadora em casa de Simão, o fariseu. No ambiente popular greco-romano em que escreve, muitos pediam a salvação aos deuses, outros esperavam-na do imperador. Lucas responde que a salvação vem do único Deus, através de Jesus Cristo.
O relato da conversão de Zaqueu desenrola-se em dois momentos: a) Zaqueu no caminho de Jesus (19, 1-6a); b) Jesus em casa de Zaqueu (19, 6b-10). 
Jesus passa por Jericó. Será a última vez. Jericó era, naquela época, uma cidade opulenta, enorme e monumental, mas também carregada de miséria. Comércio, luxo e prazer para os ricos. Esperança de esmola para os pobres. Zaqueu era rico, pois tinha uma profissão tão rentável quanto desprezada pelo povo: alto funcionário no corpo dos cobradores de impostos. Zaqueu queria «ver Jesus», uma expressão de profundo significado teológico (cf. João 12, 21). Sem medo do ridículo, corre e sobe a um sicómoro para vê-lo, pois era de baixa estatura. Jesus interpreta e transcende a boa vontade de Zaqueu. O seu desejo será cumprido. Será seu hóspede. 
Jesus vai a casa de Zaqueu e «todos murmuravam», porque não podiam entender que o Mestre comesse com um pecador. O contacto com Jesus desperta a consciência de Zaqueu e leva-o a um gesto de solidariedade efetiva com os pobres: dar-lhes metade dos seus bens. Além disso, reconhece que cometeu fraude e impõe a si mesmo a sanção de restituir o quádruplo às vítimas da injustiça. A última frase do versículo 10 recapitula a mensagem do relato: Cristo veio para procurar e salvar o que estava perdido.

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Preparar o domingo trigésimo primeiro, Ano C, no Laboratório da fé

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 29.10.13 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO TRIGÉSIMO


Evangelho segundo Lucas 18, 9-14

Naquele tempo, Jesus disse a seguinte parábola para alguns que se consideravam justos e desprezavam os outros: «Dois homens subiram ao templo para orar; um era fariseu e o outro publicano. O fariseu, de pé, orava assim: ‘Meu Deus, dou-Vos graças por não ser como os outros homens, que são ladrões, injustos e adúlteros, nem como este publicano. Jejuo duas vezes por semana e pago o dízimo de todos os meus rendimentos’. O publicano ficou a distância e nem sequer se atrevia a erguer os olhos ao Céu; mas batia no peito e dizia: ‘Meu Deus, tende compaixão de mim, que sou pecador’. Eu vos digo que este desceu justificado para sua casa e o outro não. Porque todo aquele que se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado».



Este [o publicano] desceu justificado para sua casa
e o outro [fariseu] não.

A célebre parábola do fariseu e do publicano, exclusiva de Lucas, serve de complemento à do juiz e da viúva narrada no domingo anterior (vigésimo nono). Ambas oferecem uma reflexão sobre o tema da oração, especialmente sobre a atitude que tem de fazer parte da oração. Se a parábola do domingo passado elogiava o orante que reza com insistência, a deste trigésimo domingo destaca a atitude humilde e sincera na oração.
Lucas (18, 9-14) expõe em forma de parábola uma ideia recorrente em Paulo: ninguém é justo por si mesmo (entenda-se, pela suas obras); todos precisamos de ser justificados pela misericórdia de Deus. Mais ainda, a parábola ensina como o ser humano deixa de ser justo por causa do orgulho e é justificado por Deus na humildade. O texto é composto por uma breve introdução (versículo 9), a oração do fariseu (versículos 10-12), a oração do publicano (versículo 13) e a lição conclusiva (versículo 14).
Na introdução, Lucas descreve os fariseus, sem os nomear explicitamente, com três características: consideram-se justos pelas suas próprias obras; sentem-se seguros de si mesmos diante de Deus; desprezam os outros. Na parábola, a oração do fariseu confirma-o. Diz o texto que, de pé, «orava assim». O texto em grego afirma «orava para si», isto é, extasiado perante a sua própria santidade, porque se considerava justo por mérito próprio. Gaba-se das suas virtudes como se fossem objeto da sua propriedade e desde cima menospreza os outros, que considera miseráveis pecadores, em particular, o publicano. Por seu lado, o publicano não esconde a sua condição. Reconhece-se pecador. Com audácia e pouca arte, balbucia uma oração, enquanto bate no peito, cabisbaixo. A parábola termina com uma frase repetida por Jesus com frequência: «Aquele que se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado»; esta referência remete para o «Magnificat».

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Preparar o domingo trigésimo, Ano C, no Laboratório da fé
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 22.10.13 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO VIGÉSIMO NONO


Evangelho segundo Lucas 18, 1-8

Naquele tempo, Jesus disse aos seus discípulos uma parábola sobre a necessidade de orar sempre sem desanimar: «Em certa cidade vivia um juiz que não temia a Deus nem respeitava os homens. Havia naquela cidade uma viúva que vinha ter com ele e lhe dizia: ‘Faz-me justiça contra o meu adversário’. Durante muito tempo ele não quis atendê-la. Mas depois disse consigo: ‘É certo que eu não temo a Deus nem respeito os homens; mas, porque esta viúva me importuna, vou fazer-lhe justiça, para que não venha incomodar-me indefinidamente’». E o Senhor acrescentou: «Escutai o que diz o juiz iníquo!... E Deus não havia de fazer justiça aos seus eleitos, que por Ele clamam dia e noite, e iria fazê-los esperar muito tempo? Eu vos digo que lhes fará justiça bem depressa. Mas quando voltar o Filho do homem, encontrará fé sobre a terra?».



Deus não havia de fazer justiça aos seus eleitos?

Antes de chegar a Jerusalém, Jesus conta aos seus discípulos a parábola do juiz e da viúva (Lucas 18, 1-8), uma pequena história tipicamente bíblica: a prova de força entre um juiz sem consciência e uma pobre viúva, arquétipo da pessoa indefesa e desamparada, que tem razão e, por isso, esgrime a sua única arma, a incansável inoportunidade. Com esta parábola, Lucas quer ilustrar um dos seus temas teológicos prediletos (a oração), ao mesmo tempo que faz o elogio da paciência ativa ou fidelidade perseverante, força invencível dos débeis que não se refugiam no desalento ou na resignação. O relato pode-se dividir em quatro partes: uma introdução; a parábola; a sua aplicação; e, por último, uma reflexão final. 
A introdução resume o tema fundamental deste ensinamento de Jesus, a perseverança na oração, com duas expressões: «orar sempre, sem desanimar» (versículo 1). A parábola põe em cena duas personagens: o juiz e a viúva que reclama justiça. Um é varão poderoso, iníquo e sem escrúpulos; ela é uma mulher pobre, indefesa e totalmente desprotegida. Graças unicamente à sua infatigável e inoportuna insistência, consegue que o juiz lhe faça justiça (versículos 2-5). Jesus utiliza esta história para fazer refletir sobre a eficácia da oração dirigida a Deus através de um argumento «a fortiori»: se um juiz iníquo e injusto está disposto a ceder perante a insistência de uma pobre viúva, quanto mais o fará o juiz justo e perfeito que é Deus (versículos 6-8a). Por outras palavras, o crente pode ter a certeza de que Deus escuta sempre a sua prece. A reflexão final convida a um exame de consciência (versículo 8b).

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Preparar o domingo vigésimo nono, Ano C, no Laboratório da fé
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 15.10.13 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO VIGÉSIMO OITAVO


Evangelho segundo Lucas 17, 11-19

Naquele tempo, indo Jesus a caminho de Jerusalém, passava entre a Samaria e a Galileia. Ao entrar numa povoação, vieram ao seu encontro dez leprosos. Conservando-se a distância, disseram em alta voz: «Jesus, Mestre, tem compaixão de nós». Ao vê-los, Jesus disse-lhes: «Ide mostrar-vos aos sacerdotes». E sucedeu que no caminho ficaram limpos da lepra. Um deles, ao ver-se curado, voltou atrás, glorificando a Deus em alta voz, e prostrou-se de rosto em terra aos pés de Jesus, para Lhe agradecer. Era um samaritano. Jesus, tomando a palavra, disse: «Não foram dez os que ficaram curados? Onde estão os outros nove? Não se encontrou quem voltasse para dar glória a Deus senão este estrangeiro?». E disse ao homem: «Levanta-te e segue o teu caminho; a tua fé te salvou».



Não se encontrou quem voltasse para dar glória a Deus
senão este estrangeiro?

Lucas começa a última etapa do «caminho para Jerusalém» com o episódio dos dez leprosos ou do leproso agradecido (Lucas 17, 11-19), que tem lugar no caminho entre a Samaria e a Galileia. Naquela época, os judeus e os samaritanos, irmãos separados por razões históricas, consideravam-se mutuamente estrangeiros. Se em outras ocasiões Jesus se mostrou compassivo com os samaritanos (9, 51-56; 10, 30-37), hoje, é um samaritano que mostra o seu agradecimento a Jesus. O episódio desenvolve-se em duas cenas: a) Jesus e os dez leprosos (versículos 11-14); b) Jesus e o samaritano (versículos 15-19).
A legislação era cruel para com os leprosos. Considerava-os «impuros» e amaldiçoados por causa de um pecado gravíssimo. Proibidos de qualquer contacto com o a sociedade dos «limpos», podiam agrupar-se nas periferias das aldeias e cidades para se ajudarem a sobreviver. Eram doentes e, além disso, marginalizados. Dez deles saem ao encontro de Jesus e suplicam: «Jesus, Mestre, tem compaixão de nós». Jesus pede aos seus dez amigos um ato de confiança heróica: apresentarem-se aos sacerdotes, tal como exigia a lei neste casos, como se já estivessem purificados. Eles obedecem e durante o caminho «ficaram curados» (no lecionário: «ficaram limpos») (versículo 14).
Só um deles regressou para dar graças: o samaritano, o estrangeiro, o pagão. Jesus felicita-o pela sua ação: «Levanta-te e segue o teu caminho; a tua fé te salvou» (versículo 19). Fixemo-nos num detalhe: todos são curados; mas um só (o samaritano agradecido) é salvo. A lição é clara: a salvação é oferecida a todos, em particular, aos menos privilegiados.

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Preparar o domingo vigésimo oitavo, Ano C, no Laboratório da fé
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 11.10.13 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGOvigésimo sétimo domingo

6 DE OUTUBRO DE 2013

Evangelho segundo Lucas 17, 5-10

Naquele tempo, os Apóstolos disseram ao Senhor: «Aumenta a nossa fé». O Senhor respondeu: «Se tivésseis fé como um grão de mostarda, diríeis a esta amoreira: ‘Arranca-te daí e vai plantar-te no mar’, e ela obedecer-vos-ia. Quem de vós, tendo um servo a lavrar ou a guardar gado, lhe dirá quando ele voltar do campo: ‘Vem depressa sentar-te à mesa’? Não lhe dirá antes: ‘Prepara-me o jantar e cinge-te para me servires, até que eu tenha comido e bebido. Depois comerás e beberás tu’?. Terá de agradecer ao servo por lhe ter feito o que mandou? Assim também vós, quando tiverdes feito tudo o que vos foi ordenado, dizei: ‘Somos inúteis servos: fizemos o que devíamos fazer’.



Se tivésseis fé...

Situada na parte central do evangelho, o «caminho para Jerusalém», a página lucana do vigésimo sétimo domingo (Ano C) pertence à secção (17, 1-10) que reúne quatro instruções de Jesus aos discípulos sobre diversos aspetos da vida comunitária. Omitindo as dias primeiras («evitar o escândalo» nos versículos 1-3a e «perdoar sem limites» nos versículos 3b-4), o lecionário concentra-se nas outras duas: «ter fé» e «atitude de serviço». São duas lições independentes expressas em forma de «logion» (versículos 5-6) e de parábola (versículos 7-10).
A frase de Jesus nasce de uma petição sincera e espontânea por parte dos apóstolos: «Aumenta a nossa fé». Perante o compromisso que acarreta seguir o Mestre, perante as dificuldades do caminho, esta invocação torna-se natural e compreensível. No entanto, a resposta de Jesus passa por cima da petição. Em lugar de conceder o que é pedido, partilha uma lição sobre a omnipotência da fé. E fá-lo com uma linguagem imagética que todos conheciam. Fala-lhes de um grão de mostarda (símbolo de algo insignificante ao olhar, mas cheio de vida e muito fecundo) e de arrancar uma amoreira ou sicómoro (frase feita para expressar uma façanha sobre-humana).
Jesus ilustra o comportamento do autêntico discípulo com uma parábola muito fastidiosa pela sua orientação «capitalista». Mas é preciso ir ao fundo para descobrir a mensagem. Jesus admoesta os que estão sempre prontos para apresentar a Deus a fatura pelos serviços realizados, pois tornar-se discípulo ou apóstolo exige uma dedicação plena à missão, uma entrega sem reservas e a tempo inteiro, sem regatear o horário, esforço e sacrifício. No contexto, a expressão «inúteis servos» não significa «servos inaptos», mas «apenas servos» (e não senhores); por conseguinte, a sua missão é servir. Talvez melhor dizer «autênticos servos» que se sentem bem a fazer o que lhes compete fazer.

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Preparar o vigésimo sétimo domingo, ano C, no Laboratório da fé
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 5.10.13 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGOvigésimo sexto domingo

29 DE SETEMBRO DE 2013

Evangelho segundo Lucas 16, 19-31

Naquele tempo, disse Jesus aos fariseus: «Havia um homem rico, que se vestia de púrpura e linho fino e se banqueteava esplendidamente todos os dias. Um pobre, chamado Lázaro, jazia junto do seu portão, coberto de chagas. Bem desejava saciar-se do que caía da mesa do rico, mas até os cães vinham lamber-lhe as chagas. Ora sucedeu que o pobre morreu e foi colocado pelos Anjos ao lado de Abraão. Morreu também o rico e foi sepultado. Na mansão dos mortos, estando em tormentos, levantou os olhos e viu Abraão com Lázaro a seu lado. Então ergueu a voz e disse: ‘Pai Abraão, tem compaixão de mim. Envia Lázaro, para que molhe em água a ponta do dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nestas chamas’. Abraão respondeu-lhe: ‘Filho, lembra-te que recebeste os teus bens em vida e Lázaro apenas os males. Por isso, agora ele encontra-se aqui consolado, enquanto tu és atormentado. Além disso, há entre nós e vós um grande abismo, de modo que se alguém quisesse passar daqui para junto de vós, ou daí para junto de nós, não poderia fazê-lo’. O rico insistiu: ‘Então peço-te, ó pai, que mandes Lázaro à minha casa paterna – pois tenho cinco irmãos – para que os previna, a fim de que não venham também para este lugar de tormento’. Disse-lhe Abraão: ‘Eles têm Moisés e os Profetas: que os oiçam’. Mas ele insistiu: ‘Não, pai Abraão. Se algum dos mortos for ter com eles, arrepender-se-ão’. Abraão respondeu-lhe: ‘Se não dão ouvidos a Moisés nem aos Profetas, também não se deixarão convencer, se alguém ressuscitar dos mortos’».



Recebeste os teus bens em vida e Lázaro apenas os males.
Por isso, agora ele encontra-se aqui consolado,
enquanto tu és atormentado.

Continuamos o tema do domingo anterior: o uso cristão das riquezas. As ideias de Jesus não agradaram a alguns «amigos do dinheiro»; por isso, troçavam dele (Lucas 16, 14). Em resposta, Jesus contou-lhes a parábola do rico epulão e do pobre Lázaro (16, 19-31). A parábola consta de duas partes: uma narração de factos sem palavras (versículos 19-32) e um diálogo que interpreta a narração (versículos 24-31). A narração articula-se em três cenas que destacam o contraste entre o rico e o pobre: a primeira situa-se nesta vida; a segunda, no momento da morte; a terceira, no mais além. O diálogo, por sua vez, articula-se em três súplicas do rico e três respostas/lições de Abraão.
Duas figuras contrastantes que personificam duas situações. A nível pessoal, a vida do rico não tem sentido, pois o ser humano não nasceu para se fartar. A nível social, é condenado pelo seu egoísmo, pois isolado no seu eterno festim, nem se apercebe de que à sua porta há um mendigo faminto, doente e despido. Morrem os dois e o Senhor faz justiça: Lázaro é acolhido no «seio de Abraão», isto é, o lugar de preferência (como o de João, o discípulo amado, na última ceia: João 13, 23), enquanto o rico é condenado às penas do inferno (cf. Tiago 5, 1-6). Desse lugar, desesperado, eleva as suas súplicas.
Seguem-se as três lições de Abraão. A primeira (versículo 25): o rico não se tinha condenado se, em vida, tivesse confiado em Deus e partilhado os seus bens com o necessitado. A segunda (versículo 26): a partir do momento da morte a situação do ser humano é irreversível, isto é, a separação entre eleitos e condenados é definitiva. Por isso, urge converter-se agora. A terceira (versículos 27-31) é a lição principal que resume a intenção da parábola: quem recusa a conversão através da Palavra de Deus (Moisés e os Profetas para os judeus), tampouco se converterá mesmo que um morto ressuscite (seja Lázaro ou o próprio Jesus).

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Preparar o vigésimo sexto domingo, ano C, no Laboratório da fé
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 27.9.13 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGOvigésimo quinto domingo

22 DE SETEMBRO DE 2013

Evangelho segundo Lucas 16, 1-13

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Um homem rico tinha um administrador, que foi denunciado por andar a desperdiçar os seus bens. Mandou chamá-lo e disse-lhe: ‘Que é isto que ouço dizer de ti? Presta contas da tua administração, porque já não podes continuar a administrar’. O administrador disse consigo: ‘Que hei-de fazer, agora que o meu senhor me vai tirar a administração? Para cavar não tenho força, de mendigar tenho vergonha. Já sei o que hei-de fazer, para que, ao ser despedido da administração, alguém me receba em sua casa’. Mandou chamar um por um os devedores do seu senhor e disse ao primeiro: ‘Quanto deves ao meu senhor?’. Ele respondeu: ‘Cem talhas de azeite’. O administrador disse-lhe: ‘Toma a tua conta: senta-te depressa e escreve cinquenta’. A seguir disse a outro: ‘E tu quanto deves?’. Ele respondeu: ‘Cem medidas de trigo’. Disse-lhe o administrador: ‘Toma a tua conta e escreve oitenta’. E o senhor elogiou o administrador desonesto, por ter procedido com esperteza. De facto, os filhos deste mundo são mais espertos do que os filhos da luz, no trato com os seus semelhantes. Ora Eu digo-vos: Arranjai amigos com o vil dinheiro, para que, quando este vier a faltar, eles vos recebam nas moradas eternas. Quem é fiel nas coisas pequenas também é fiel nas grandes; e quem é injusto nas coisas pequenas também é injusto nas grandes. Se não fostes fiéis no que se refere ao vil dinheiro, quem vos confiará o verdadeiro bem? E se não fostes fiéis no bem alheio, quem vos entregará o que é vosso? Nenhum servo pode servir a dois senhores, porque, ou não gosta de um deles e estima o outro, ou se dedica a um e despreza o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro».



Não podeis servir a Deus e ao dinheiro

Continua o caminho para Jerusalém. Jesus, próximo da paixão, continua a educar os seus discípulos. Lucas dedica o capítulo 16, cuja primeira parte corresponde ao evangelho do vigésimo quinto domingo (Ano C), a um dos seus temas prediletos: a atitude cristã perante a riqueza. Os bens de que dispomos neste mundo pertencem a Deus. Ele coloca-os nas nossas mãos para os administrarmos, não só em proveito próprio, mas também em favor dos pobres e necessitados.
O fragmento de Lucas (16, 1-13) é composto por três unidades: a parábola do administrador desonesto (versículo 1-9); uma exortação a administrar fielmente os bens recebidos (versículos 10-12); um aviso sobre a incompatibilidade entre servir ao único Deus e servir ao deus dinheiro (versículo 13).
Um administrador socialmente destruído tenta um último recurso: procurar devedores de gratidão tornando-os solidários na fraude. O seu gesto é típico dos «filhos deste mundo». Resultado: foi despedido como infiel, mas louvado pela sua «astúcia». Lição: assim também os crentes devem ser amigos dos bens deste mundo, pondo-os ao serviço dos outros (versículo 9).
Três sentenças paralelas (versículos 10-12) afirmam que a fidelidade ao grande mostra-se na fidelidade ao pequeno. Isto é, quem é fiel no simples, também o será no importante. Jesus aplica este princípio à fidelidade em administrar os bens temporais (o simples) em favor dos necessitados tal como o exige o Evangelho (o importante).
Ninguém pode servir a Deus e ao dinheiro (versículo 13), pois os dois serviços regem-se por uma lógica diferente e oposta. Por um lado, está a lógica do amor, da fraternidade e da generosidade; por outro, está a lógica do proveito, da competição e do possuir.

© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor



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Preparar o vigésimo quinto domingo, ano C, no Laboratório da fé
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 20.9.13 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGOvigésimo quarto domingo

15 DE SETEMBRO DE 2013

Evangelho segundo Lucas 15, 1-32

Naquele tempo, os publicanos e os pecadores aproximavam-se todos de Jesus, para O ouvirem. Mas os fariseus e os escribas murmuravam entre si, dizendo: «Este homem acolhe os pecadores e come com eles». Jesus disse-lhes então a seguinte parábola: «Quem de vós, que possua cem ovelhas e tenha perdido uma delas, não deixa as outras noventa e nove no deserto, para ir à procura da que anda perdida, até a encontrar? Quando a encontra, põe-na alegremente aos ombros e, ao chegar a casa, chama os amigos e vizinhos e diz-lhes: ‘Alegrai-vos comigo, porque encontrei a minha ovelha perdida’. Eu vos digo: Assim haverá mais alegria no Céu por um só pecador que se arrependa, do que por noventa e nove justos, que não precisam de arrependimento. Ou então, qual é a mulher que, possuindo dez dracmas e tendo perdido uma, não acende uma lâmpada, varre a casa e procura cuidadosamente a moeda até a encontrar? Quando a encontra, chama as amigas e vizinhas e diz-lhes: ‘Alegrai-vos comigo, porque encontrei a dracma perdida’. Eu vos digo: Assim haverá alegria entre os Anjos de Deus por um só pecador que se arrependa». Jesus disse-lhes ainda: «Um homem tinha dois filhos. O mais novo disse ao pai: ‘Pai, dá-me a parte da herança que me toca’. O pai repartiu os bens pelos filhos. Alguns dias depois, o filho mais novo, juntando todos os seus haveres, partiu para um país distante e por lá esbanjou quanto possuía, numa vida dissoluta. Tendo gasto tudo, houve uma grande fome naquela região e ele começou a passar privações. Entrou então ao serviço de um dos habitantes daquela terra, que o mandou para os seus campos guardar porcos. Bem desejava ele matar a fome com as alfarrobas que os porcos comiam, mas ninguém lhas dava. Então, caindo em si, disse: ‘Quantos trabalhadores de meu pai têm pão em abundância, e eu aqui a morrer de fome! Vou-me embora, vou ter com meu pai e dizer-lhe: Pai, pequei contra o Céu e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho, mas trata-me como um dos teus trabalhadores’. Pôs-se a caminho e foi ter com o pai. Ainda ele estava longe, quando o pai o viu: enchendo-se de compaixão, correu a lançar-se-lhe ao pescoço, cobrindo-o de beijos. Disse-lhe o filho: ‘Pai, pequei contra o Céu e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho’. Mas o pai disse aos servos: ‘Trazei depressa a melhor túnica e vesti-lha. Ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés. Trazei o vitelo gordo e matai-o. Comamos e festejemos, porque este meu filho estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi reencontrado’. E começou a festa. Ora o filho mais velho estava no campo. Quando regressou, ao aproximar-se da casa, ouviu a música e as danças. Chamou um dos servos e perguntou-lhe o que era aquilo. O servo respondeu-lhe: ‘O teu irmão voltou e teu pai mandou matar o vitelo gordo, porque ele chegou são e salvo’. Ele ficou ressentido e não queria entrar. Então o pai veio cá fora instar com ele. Mas ele respondeu ao pai: ‘Há tantos anos que eu te sirvo, sem nunca transgredir uma ordem tua, e nunca me deste um cabrito para fazer uma festa com os meus amigos. E agora, quando chegou esse teu filho, que consumiu os teus bens com mulheres de má vida, mataste-lhe o vitelo gordo’. Disse-lhe o pai: ‘Filho, tu estás sempre comigo e tudo o que é meu é teu. Mas tínhamos de fazer uma festa e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi reencontrado’».



Assim haverá mais alegria no Céu 
por um só pecador que se arrependa

O capítulo 15 do evangelho segundo Lucas pode-se considerar um «evangelho da misericórdia em miniatura» (G. Ravasi): Após uma cena ambiental, (versículos 1-2), Lucas narra três parábolas que coincidem numa nota dominante: a alegria com que Deus recebe o pecador convertido. Pois bem, para que os ouvintes entendam, Jesus ilumina este pensamento com imagens retiradas da vida quotidiana. As duas primeiras parábolas — a do pastor (15, 3-7) e da dona de casa (15, 8-10) — são concisas e simétricas. Ambos os personagens procuram com ardor o que tinham perdido e amam intensamente (a ovelha e a moeda); e ambos se alegram e partilham o júbilo quando recuperam o perdido.
A terceira parábola (15, 11-32), em contrapartida, é a mais real e com mais impacto, porque descreve o drama de um pai pela perda de um filho amado assim como a imensa alegria pelo seu reencontro. A parábola do «filho pródigo» ou do «pai pródigo» em misericórdia desenvolve-se em três cenas.
A primeira cena (versículos 11-19) é, na realidade, o prólogo da história deste jovem que, depois de ter abandonado por capricho a casa e desbaratado erradamente a sua herança, arrepende-se e decide regressar a casa para pedir perdão ao seu pai. A segunda cena (versículos 20-24) concentra-se na figura paterna. Desde que o seu filho se foi, tem estado à sua espera. Por isso, mal o vê chegar ao longe, corre ao seu encontro para o abraçar e celebrar efusivamente o regresso do seu filho a casa. A terceira cena (versículos 25-32) descreve a reação do irmão mais velho que, fariseu de coração, despreza os outros.

© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor



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Preparar o vigésimo quarto domingo, ano C, no Laboratório da fé
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 13.9.13 | Sem comentários
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