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Lumen Gentium — Constituição Dogmática sobre a Igreja


Ao convocar o Concílio Vaticano II, o Papa João XXIII tinha um objetivo bastante claro: «aggiornamento», atualização da Igreja diante das questões postas pela sociedade da época. Os trabalhos e documentos deveriam seguir esta linha, mas no final da primeira sessão, nenhum dos 72 documentos propostos tinha sido aprovado. João XXIII morreu meses depois, a 3 de junho de 1963. Paulo VI sucedeu-lhe e retomou os trabalhos conciliares sob uma nova perspetiva. Meses antes, Paulo VI, na época cardeal Montini, tinha-se pronunciado, afirmando que o Concílio se deveria ocupar de um único problema: «a Igreja», isto é, refletir sobre a essência da Igreja. Este seria o novo caminho a seguir. 
Do projeto inicial de 72 documentos passou-se para 16, deixando aspetos secundários para intervenções futuras do Papa e das congregações pontifícias. A constituição sobre a Igreja — «Lumen Gentium» (Luz dos Povos) (LG) — torna-se como que o tronco do Concílio e representa, no campo da eclesiologia, uma autêntica revolução. Surge um novo modo de ser e de compreender a Igreja. De um modelo de Igreja como sociedade perfeita passa-se agora a uma pluralidade de imagens, complementares entre si e orientadas pela perspetiva do mistério e da Trindade. 
Ao contrário da Constituição «Sacrosanctum Concilium», hou­ve longa discussão sobre o texto original, sendo feitas cerca de quatro mil emendas. O documento final, votado apenas após cada um dos capítulos ser aprovado individualmente, foi promulgado a 21 de novembro de 1964, após receber 2151 votos a favor e apenas 5 contra. É composto por oito capítulos, onde se descrevem diferentes aspetos da Igreja
No capítulo I somos introduzidos no «mistério da Igreja»: a Igreja é o reino já presente em mistério e cresce pelo poder de Deus; «é o povo congregado na unidade do Pai e do Filho e do Espírito Santo» (LG, número 4). Resgatam-se uma série de imagens que desde as origens do Cristianismo representaram a Igreja: rebanho, lavoura de Deus, edifício, Jerusalém do alto, templo do Espírito e corpo de Cristo com diferentes membros, guiados pela única cabeça: Cristo, que é a Luz dos Povos
Enquanto o capítulo I considera o corpo eclesial a partir do mistério trinitário, o II apresenta o seu desenvolvimento histórico. O novo povo de Deus, uno e universal, é formado por todos os que creem. Na nova aliança, todos são chamados a ir e batizar, segundo a ordem de Cristo em Mateus 28, 18-20, constituindo assim uma Igreja missionária
Os capítulos III e IV descrevem a estrutura orgânica da Igreja. Todos os batizados, fiéis ou pastores, têm a mesma vocação fundamental e são associados à mesma missão. Primeiramente fala-se da constituição hierárquica da Igreja, especificando a função dos bispos (pregar o Evangelho, governar e santificar o rebanho), presbíteros e diáconos, que estão ao serviço do povo de Deus. A seguir trata dos leigos, aos quais «compete por vocação procurar o Reino de Deus tratando das realidades temporais e ordenando-as segundo Deus» (LG 31). Os leigos, cada vez mais valorizados, são chamados à santidade a partir da sua vida de inserção no mundo. Para tal é sempre atual a necessidade de se investir na formação e participação dos leigos na vida eclesial. 
O Concílio pede que entre pastores e fiéis haja uma «comunidade de relações» e um mútuo apoio, pois todos são «chamados à santidade». Este é o tema dos capítulos V e VI. A mis­são essencial da Igreja é a santificação: a Igreja é santa e todos na Igreja são chamados à santidade. No coração desta vocação comum a todos situa-se a vida consagrada. O Concílio assinala os conselhos evangélicos como dom divino, consagração ao serviço de Deus. [...]
Nos dois últimos capítulos da «Lumen Gentium» há a des­crição do desenvolvimento escatológico da Igreja e do papel de Maria nesta caminhada, no mistério de Cristo e da Igreja. A Igreja peregrina está em união com a Igreja celeste e só será consumada na glória celeste (LG 48). 
Segundo destacou o professor M. Costa Santos, 
a ordem dos três primeiros capítulos mostra a «mudança copernicana» gerada pelo Concílio. O conceito de povo de Deus, após o mistério da Igreja, indica que o povo de Deus não surge por iniciativa dos homens, mas do plano de Deus Pai. O povo de Deus, antes constituição hierárquica da Igreja e dos leigos, mostra que a comunidade eclesial e a vocação comum são prioritárias face à di­versidade de ministérios e vocações; a realidade primeira é o «nós ecleisal» em que a unidade precede a diferença. A constituição hierárquica, após o povo de Deus, mostra que os ministérios estão ao serviço do corpo eclesial como mistério, a partir de Cristo.
Este é provavelmente o documento mais importante do Concílio Vaticano II, pois fez a Igreja refletir sobre a sua essência, sobre a sua origem e constituição interna. A sua redescoberta como mistério marca este retorno às origens ao mesmo tempo que se abre a todas as novidades trazidas pelos novos tempos. A consciencialização da Igreja como mistério ligado ao mistério de Cristo e não como sociedade deu um novo rumo e apontou caminhos interessantes que infelizmente não foram bem explorados ao longo destes cinquenta anos. Há muito a ser feito. Como recorda a professora Manuela Carvalho: 
A «Lumen Gentium» ainda não é vivida nem aplicada. [...] Alguns pontos desta constituição foram vistos, como a questão da colegialidade e do episcopado, mas o fundamento, a raiz da própria Igreja é mais difícil. Exige muito da vida cristã.
Isso significa que a Igreja ainda tem muito trabalho pela frente, pois, como afirma o professor Costa Santos:
a Igreja, num processo iniciado pelo Concílio e jamais conclusivo, deverá ser, sempre mais, sinal da «união com Deus e da unidade do género humano». Desta unidade, a Igreja é testemunha, que toma presente (visível) o Ausente (invisível).


Para refletir
  • A partir da minha condição de leigo, religioso ou pastor, como vejo a Igreja atualmente? Qual a sua essência? Em que deveria mudar?
  • Diante das questões colocadas à Igreja pela sociedade contemporânea, como pode o Vaticano II iluminar-nos?
  • Como vivo a minha vocação à santidade? Em que posso melhorar?
Partilha connosco a tua reflexão!



Para aprofundar
  • Documentos do Concílio Vaticano II.
  • Cardeal José Saraiva Martins, «Ide e anunciai», Paulus Editora, 2007.
  • Henrique Manuel Rodrigues dos Santos, «A recepção do Concílio Vaticano II na diocese da Guarda», Paulus Editora, 2010.
  • João Paulo II, Exortação Apostólica «Christifideies Laici», 1988.
  • Pio XII, Carta Encíclica «Mystici Corporis Christi», 1943.



Para agir
  • O Vaticano II destacou a importância do leigo na ação eclesial. A proposta de ação concreta é que cada leitor pense numa atividade da sua paróquia na qual se poderia envolver mais diretamente.



© Darlei Zanon, ssp 
— «Para ler o Concílio Vaticano II», páginas 15 a 19 —
© Paulus Editora, 2012
© Laboratório da fé, 2013
A publicação ou utilização deste texto precisa da autorização expressa do editor


Há atualidade na Lumen Gentium?



Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 20.6.13 | Sem comentários

Mês de maio, Mês de Maria


O papa João Paulo II, no dia 12 de novembro de 1997, dedicou uma Audiência Geral ao tema «A Mãe da unidade e da esperança» para comentar o número 69 do oitavo capítulo da Constituição Dogmática sobre a Igreja — «Lumen Gentium» (LG) do II Concílio do Vaticano. 
O referido número, o último do capítulo, destaca o culto mariano entre os cristãos «que não pertencem à comunidade católica», a quem os Padres conciliares chamam de «irmãos separados». Nesta exposição, João Paulo II enuncia os vários temas que continuam a causar discordância entre os católicos e as demais confissões religiosas cristãs, nomeadamente os protestantes e os ortodoxos. Entre estes últimos e os católicos, o Papa destaca a unidade da «fé na maternidade divina de Maria, na sua Virgindade perene, na sua perfeita santidade, na sua intercessão materna junto do Filho». A terminar, o papa João Paulo II recorda o pedido expresso no texto conciliar: «confiar a unidade dos cristãos a Maria».

Caríssimos Irmãos e Irmãs:
1. Depois de ter ilustrado as relações entre Maria e a Igreja, o Concílio Vaticano II alegra-se em constatar que a Virgem é honrada também pelos cristãos que não pertencem à comunidade católica. «Muito alegra e consola este Sagrado Concílio saber que não falta, mesmo entre os irmãos separados, quem preste a honra devida à Mãe do Senhor e Salvador...» (LG, 69; cf. Redemptoris Mater, 29-34). Justamente podemos dizer que a maternidade universal de Maria, mesmo que faça aparecer ainda mais dolorosas as divisões entre os cristãos, constitui um grande sinal de esperança para o caminho ecuménico.
Muitas Comunidades protestantes, por causa de uma particular concepção da graça e da eclesiologia, opuseram-se à doutrina e ao culto mariano, considerando a cooperação de Maria na obra da salvação prejudicial à única mediação de Cristo. Nesta perspectiva, o culto da Mãe faria concorrência, por assim dizer, à honra devida ao Filho.
2. Todavia, em tempos recentes, o aprofundamento do pensamento dos primeiros reformadores pôs em relevo posições mais abertas em relação à doutrina católica. Os escritos de Lutero manifestam, por exemplo, amor e veneração a Maria, exaltada como modelo de todas as virtudes: ele defende a excelsa santidade da Mãe de Deus e, às vezes, afirma o privilégio da Imaculada Conceição, compartilhando com outros Reformadores a fé na Virgindade perpétua de Maria.
O estudo do pensamento de Lutero e de Calvino, e também a análise de alguns textos de cristãos evangélicos, contribuíram para suscitar uma renovada atenção de alguns protestantes e anglicanos a diversos temas da doutrina mariológica. Alguns chegaram mesmo a posições muito próximas às dos católicos, no que se refere aos pontos fundamentais da doutrina sobre Maria, como por exemplo a maternidade divina, a virgindade, a santidade e a maternidade espiritual.
A preocupação de ressaltar o valor da presença da mulher na Igreja favorece o esforço por reconhecer o papel de Maria na história da salvação.
Todos estes dados constituem outros tantos motivos de esperança para o caminho ecuménico. O profundo desejo dos católicos seria de poder compartilhar, com todos os seus irmãos em Cristo, a alegria que deriva da presença de Maria na vida, segundo o Espírito.
3. O Concílio recorda, entre os irmãos que «prestam a honra devida à Mãe do Senhor e Salvador», especialmente os Orientais, «que acorrem com fervor e devoção para venerar a Mãe de Deus sempre Virgem» (LG, 69).
Como resulta das numerosas manifestações de culto, a veneração por Maria representa um significativo elemento de comunhão entre católicos e ortodoxos.
Contudo, restam algumas divergências acerca dos dogmas da Imaculada Conceição e da Assunção, ainda que inicialmente essas verdades tenham sido ilustradas por alguns teólogos orientais — basta pensar em grandes escritores como Gregório Palamas ( †1359), Nicolau Cabasilas († depois de 1396), Jorge Scholarios († depois de 1472).
Todavia essas divergências, talvez mais de formulação que de conteúdo, não devem fazer esquecer a comum fé na maternidade divina de Maria, na sua Virgindade perene, na sua perfeita santidade, na sua intercessão materna junto do Filho. Como recordou o Concílio Vaticano II, o «ardente fervor» e a «alma devota» irmanam ortodoxos e católicos no culto à Mãe de Deus.
4. No final da Lumen Gentium, o Concílio convida a confiar a unidade dos cristãos a Maria: «Todos os fiéis dirijam súplicas insistentes à Mãe de Deus e Mãe dos homens para que Ela, que assistiu com suas orações aos alvores da Igreja, também agora, exaltada no céu acima de todos os Anjos e Bem-aventurados, interceda junto de Seu Filho, na comunhão de todos os Santos» (Ibid.).
Assim como na comunidade primordial a presença de Maria promovia a unanimidade dos corações, que a oração consolidava e tornava visível (cf. Act 1, 14), assim também a mais intensa comunhão com Aquela a quem Agostinho chama «mãe da unidade» (Sermo 192, 2;PL 38, 1013), poderá impelir os cristãos a gozarem o dom tão almejado da unidade ecuménica.
À Virgem Santa dirigem-se as nossas incessantes orações para que, assim como no início sustentou o caminho da comunidade cristã unida na oração e no anúncio do Evangelho, assim hoje com a sua intercessão obtenha a reconciliação e a plena comunhão entre os crentes em Cristo.
Mãe dos homens, Maria conhece bem as necessidades e as aspirações da humanidade. O Concílio pede-Lhe de modo particular que interceda a fim de que «as famílias dos povos, quer se honrem do nome de cristão, quer desconheçam ainda o Salvador, se reúnam em paz e concórdia no único Povo de Deus, para glória da Santíssima e indivisa Trindade» (LG, 69).
A paz, a concórdia e a unidade, objecto da esperança da Igreja e da humanidade, ainda parecem distantes. Contudo, constituem uma dádiva do Espírito a ser pedida incessantemente, pondo-se na escola de Maria e confiando na sua intercessão.
5. Com esse pedido os cristãos compartilham a expectativa d’Aquela que, repleta das virtudes da esperança, sustém a Igreja em caminho rumo ao porvir de Deus.
Tendo alcançado pessoalmente a bem-aventurança por ter «acreditado que teriam cumprimento as coisas que foram ditas da parte do Senhor» (Lc 1, 45), a Virgem acompanha os fiéis — e a Igreja inteira — a fim de que, entre as alegrias e as tribulações da vida presente, sejam no mundo os verdadeiros profetas da esperança que não desilude.

© Copyright 1997 - Libreria Editrice Vaticana — www.vatican.va —

João Paulo II - Karol Józef Wojtyła
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 29.5.13 | Sem comentários

Medianeira para a unidade da Igreja


É uma grande alegria e consolação para este sagrado Concílio o facto de não faltar entre os irmãos separados quem preste à Mãe do Senhor e Salvador o devido culto; sobretudo entre os Orientais, que acorrem com fervor e devoção a render culto à sempre Virgem Mãe de Deus. Dirijam todos os fiéis instantes súplicas à Mãe de Deus e mãe dos homens, para que Ela, que assistiu com suas orações aos começos da Igreja, também agora, exaltada sobre todos os anjos e bem-aventurados, interceda, junto de seu Filho, na comunhão de todos os santos, até que todos os povos, tanto os que ostentam o nome cristão, como os que ainda ignoram o Salvador, se reunam felizmente, em paz e harmonia, no único Povo de Deus, para glória da santíssima e indivisa Trindade (Constituição Dogmática sobre a Igreja — «Lumen Gentium», 69).

Mistérios a partir do texto da «Lumen Gentium»


  • PRIMEIRO MISTÉRIO: OS IRMÃOS SEPARADOS
A maternidade universal de Maria, mesmo que faça aparecer ainda mais dolorosas as divisões entre os cristãos, constitui um grande sinal de esperança para o caminho ecuménico. Muitas Comunidades protestantes opuseram-se à doutrina e ao culto mariano, considerando prejudicial à única mediação de Cristo. Em tempos recentes, o aprofundamento do pensamento dos primeiros reformadores pôs em relevo posições mais abertas em relação à doutrina católica (João Paulo II, Audiência Geral de 12 de novembro de 1997).

  • SEGUNDO MISTÉRIO: FERVOR E DEVOÇÃO
O Concílio recorda, entre os irmãos que «prestam a honra devida à Mãe do Senhor e Salvador», especialmente os Orientais, «que acorrem com fervor e devoção para venerar a Mãe de Deus». Como resulta das numerosas manifestações de culto, a veneração por Maria representa um significativo elemento de comunhão entre católicos e ortodoxos. Contudo, restam algumas divergências acerca dos dogmas da Imaculada Conceição e da Assunção (João Paulo II, Audiência Geral de 12 de novembro de 1997).

  • TERCEIRO MISTÉRIO: SÚPLICAS À MÃE DE DEUS
O Concílio convida a dirigir súplicas à Mãe de Deus para lhe confiar a unidade dos cristãos. Assim como na comunidade primordial a presença de Maria promovia a unanimidade dos corações, que a oração consolidava e tornava visível (cf. Atos 1, 14), assim também a mais intensa comunhão com Aquela a quem Agostinho chama «mãe da unidade», poderá impelir os cristãos a gozarem o dom tão almejado da unidade ecuménica (cf. João Paulo II, Audiência Geral de 12 de novembro de 1997).

  • QUARTO MISTÉRIO: INTERCEDA NA COMUNHÃO DE TODOS OS SANTOS
À Virgem Santa dirigem-se as nossas incessantes orações para que, assim como no início sustentou o caminho da comunidade cristã unida na oração e no anúncio do Evangelho, assim hoje com a sua intercessão obtenha a reconciliação e a plena comunhão entre os crentes em Cristo. Com esse pedido os cristãos compartilham a expectativa d’Aquela que, repleta das virtudes da esperança, sustém a Igreja em caminho rumo ao porvir de Deus (João Paulo II, Audiência Geral de 12 de novembro de 1997).

  • QUINTO MISTÉRIO: ÚNICO POVO DE DEUS
Mãe dos homens, Maria conhece bem as necessidades e as aspirações da humanidade. O Concílio pede-Lhe de modo particular que interceda a fim de que todos os povos «se reunam em paz e concórdia no único Povo de Deus, para glória da Santíssima e indivisa Trindade». A paz, a concórdia e a unidade, objecto da esperança da Igreja e da humanidade, ainda parecem distantes. Contudo, constituem uma dádiva do Espírito a ser pedida incessantemente, pondo-se na escola de Maria e confiando na sua intercessão (João Paulo II, Audiência Geral de 12 de novembro de 1997).

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Maio, mês de Maria, 2013 — Laboratório da fé
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 29.5.13 | Sem comentários

Sinal de Esperança e de consolação


Entretanto, a Mãe de Jesus, assim como, glorificada já em corpo e alma, é imagem e início da Igreja que se há de consumar no século futuro, assim também, na terra, brilha como sinal de esperança segura e de consolação, para o Povo de Deus ainda peregrinante, até que chegue o dia do Senhor (cf. 2 Pedro 3, 10) (Constituição Dogmática sobre a Igreja — «Lumen Gentium», 68).

Mistérios a partir do texto da «Lumen Gentium»


  • PRIMEIRO MISTÉRIO: A MÃE DE JESUS FOI GLORIFICADA
No dia 1 de Novembro de 1950, ao definir o dogma da Assunção, Pio XII evitou usar o termo «ressurreição» e tomar posição a propósito da questão da morte da Virgem como verdade de fé. Limita-se a afirmar a elevação do corpo de Maria à glória celeste, declarando tal verdade como um «dogma divinamente revelado». O primeiro vestígio da fé na Assunção da Virgem está presente nas narrações que remontam ao século segundo ou terceiro (cf. João Paulo II, Audiência Geral de 2 de julho de 1997).

  • SEGUNDO MISTÉRIO: IMAGEM E INÍCIO DA IGREJA
Como ensina o II Concílio do Vaticano, Maria Santíssima deve ser inserida sempre no mistério de Cristo e da Igreja. Maria elevada ao Céu indica-nos a meta derradeira da nossa peregrinação terrena. Recorda-nos que todo o nosso ser está destinado à plenitude da vida; que quem vive e morre no amor a Deus e ao próximo será transfigurado à imagem do corpo glorioso de Cristo ressuscitado; que o Senhor derruba os soberbos e eleva os humildes (Bento XVI, Angelus de 15 de agosto de 2008).

  • TERCEIRO MISTÉRIO: BRILHA COMO SINAL DE ESPERANÇA SEGURA E CONSOLAÇÃO
Maria «brilha como sinal de esperança segura e de consolação aos olhos do Povo de Deus peregrino». Mas estamos de tal forma absorvidos pelas vicissitudes de todos os dias que nos esquecemos por vezes desta confortadora realidade espiritual, que constitui uma importante verdade de fé. Disto temos a certeza: do alto, Maria acompanha os nossos passos com doce trepidação, alenta-nos nos momentos incertos e de tempestade, tranquiliza-nos com a sua mão materna (Bento XVI, Audiência Geral de 16 de agosto de 2006).

  • QUARTO MISTÉRIO: POVO DE DEUS PEREGRINANTE
O Povo de Deus, peregrinante no tempo, dirige-se à sua Mãe celeste e pede a sua ajuda; pede isto para que ela acompanhe o caminho de fé, a fim de que encorage o compromisso de vida cristã e para que apoie a esperança. Dela temos necessidade, sobretudo neste momento tão difícil para a Europa, para várias partes do mundo. Maria nos ajude a ver que há uma luz além da barreira de nevoeiro que parece envolver a realidade (Bento XVI, Discurso a 8 de dezembro de 2008).

  • QUINTO MISTÉRIO: ATÉ QUE CHEGUE O DIA DO SENHOR
O crente permanece alerta e vigilante a fim de estar pronto para receber Jesus quando Ele vier na sua glória. Os primeiros cristãos expressavam a característica mais importante da Igreja, que é precisamente a propensão para o céu. Um convite a usar a nossa existência de modo sábio e previdente. A Virgem Maria, que do céu vigia sobre nós, nos ajude a não esquecer que aqui, na terra, estamos apenas de passagem, e nos ensine a preparar-nos para nos encontrarmos com Jesus (Bento XVI, Angelus de 12 de agosto de 2007).

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Maio, mês de Maria, 2013 — Laboratório da fé
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 28.5.13 | Sem comentários

Mês de maio, Mês de Maria


O papa João Paulo II, no dia 29 de outubro de 1997, dedicou uma Audiência Geral ao tema «Devoção mariana e culto das imagens» para comentar o número 67 do oitavo capítulo da Constituição Dogmática sobre a Igreja — «Lumen Gentium» (LG) do II Concílio do Vaticano. 
Os cristãos são convidados a serem «promotores» do culto mariano, tendo por base a oração do «Rosário» (terço) e do «Angelus». Além disso, também se reafirma as decisões sobre o culto das imagens definidas no II Concílio de Niceia, que se realizou no ano de 787. Nesta reflexão, João Paulo II destaca essas mesmas decisões, citando-as e valorizando não só a validade como também a utilidade do culto das imagens de Jesus Cristo, de Maria e dos Santos. Em particular, o Papa refere que as imagens de Maria ajudam os cristãos a «estabelecer relações mais vivas com ela».
Depois, dirigindo-se aos pregadores e aos teólogos, convida-os a terem uma dupla atitude: evitar tanto o exagero como a demasiada estreiteza, tendo sempre presente que o culto mariano tem como objetivo orientar os fiéis para Jesus Cristo. 
A terminar, os cristãos recebem «alguns critérios para viverem de maneira autêntica a sua relação filial com Maria».

Caríssimos Irmãos e Irmãs
1. Depois de ter justificado doutrinalmente o culto da Bem-aventurada Virgem, o Concílio Vaticano II exorta todos os fiéis a tornarem-se os seus promotores: «Muito de caso pensado ensina o sagrado Concílio esta doutrina católica, e ao mesmo tempo recomenda a todos os filhos da Igreja que fomentem generosamente o culto da Santíssima Virgem, sobretudo o culto litúrgico, que tenham em grande estima as práticas e exercícios de piedade para com Ela, aprovado no decorrer dos séculos pelo magistério» (LG, 67).
Com esta última afirmação os Padres conciliares, sem chegar a determinações particulares, queriam reafirmar a validade de algumas orações como o Rosário e o Angelus, caras à tradição do povo cristão e frequentemente encorajadas pelos Sumos Pontífices, como meios eficazes para alimentar a vida de fé e a devoção à Virgem.
2. O texto conciliar prossegue pedindo aos crentes que «mantenham fielmente tudo aquilo que no passado foi decretado acerca do culto das imagens de Cristo, da Virgem e dos Santos» (LG, 67).
Repropõe assim as decisões do II Concílio de Niceia, que se realizou no ano 787 e confirmou a legitimidade do culto das imagens sagradas, contra quantos queriam destruí-las, considerando-as inadequadas para representar a divindade (cf. Redemptoris Mater, 33).
«Nós definimos — declararam os Padres daquela assembleia conciliar — com todo o rigor e cuidado que, à semelhança da representação da cruz preciosa e vivificante, assim as venerandas e sagradas imagens pintadas quer em mosaico quer em qualquer outro material adaptado, devem ser expostas nas santas igrejas de Deus, nas alfaias sagradas, nos paramentos sagrados, nas paredes e mesas, nas casas e ruas; sejam elas a imagem do Senhor Deus e Salvador nosso Jesus Cristo, ou a da imaculada Senhora nossa, a Santa Mãe de Deus, dos santos anjos, de todos os santos e justos» (DS, 600).
Evocando essa definição, a Lumen Gentium quis reafirmar a legitimidade e a validade das imagens sagradas em relação a algumas tendências que têm em vista eliminá-las das igrejas e dos santuários, a fim de concentrar toda a atenção em Cristo.
3. O II Concílio de Niceia não se limita a afirmar a legitimidade das imagens, mas procura ilustrar a sua utilidade para a piedade cristã: «Com efeito, quanto mais frequentemente estas imagens forem contempladas, tanto mais os que as virem serão levados à recordação e ao desejo dos modelos originários e a tributar- lhes, beijando-as, respeito e veneração » (DS, 601).
Trata-se de indicações que valem de modo particular para o culto da Virgem. As imagens, os ícones e as estátuas de Nossa Senhora, presentes nas casas, nos lugares públicos e em inúmeras igrejas e capelas, ajudam os fiéis a invocar a sua presença constante e o seu misericordioso patrocínio nas diferentes circunstâncias da vida. Ao tornarem concreta e quase visível a ternura materna da Virgem, elas convidam a dirigir- se a Ela, a suplicar-lhe com confiança e a imitá-la, acolhendo com generosidade a vontade divina.
Nenhuma das imagens conhecidas reproduz o rosto autêntico de Maria, como já reconhecia Santo Agostinho (De Trinitate 8, 7); contudo, ajudam-nos a estabelecer relações mais vivas com Ela. Deve ser encorajado, portanto, o uso de expor as imagens de Maria nos lugares de culto e noutros edifícios, para sentir a sua ajuda nas dificuldades e o apelo a uma vida cada vez mais santa e fiel a Deus.
4. Para promover o correcto uso das sagradas efígies, o Concílio de Niceia recorda que «a honra tributada à imagem, na realidade, pertence àquele que nela é representado; e quem venera a imagem, venera a realidade daquele que nela é reproduzido» (DS, 601).
Assim, adorando na imagem de Cristo a Pessoa do Verbo Encarnado, os fiéis realizam um genuíno acto de culto, que nada tem em comum com a idolatria.
De maneira análoga, ao venerar as representações de Maria, o crente realiza um acto destinado em definitivo a honrar a pessoa da Mãe de Jesus.
5. O Vaticano II exorta, porém, os teólogos e os pregadores a evitarem tanto exageros como atitudes de demasiada estreiteza na consideração da dignidade singular da Mãe de Deus. E acrescenta: «Estudando, sob a orientação do magistério, a Sagrada Escritura, os santos Padres e Doutores, e as liturgias da Igreja, expliquem como convém as funções e os privilégios da Santíssima Virgem, os quais dizem todos respeito a Cristo, origem de toda a verdade, santidade e piedade» (LG, 67).
A autêntica doutrina mariana é assegurada pela fidelidade à Escritura e à Tradição, assim como aos textos litúrgicos e ao Magistério. A sua característica imprescindível é a referência a Cristo: tudo, de facto, em Maria deriva de Cristo e para Ele está orientado.
6. O Concílio oferece, por fim, aos crentes alguns critérios para viverem de maneira autêntica a sua relação filial com Maria: «E os fiéis lembrem-se de que a verdadeira devoção não consiste numa emoção estéril e passageira, mas nasce da fé, que nos faz reconhecer a grandeza da Mãe de Deus e nos incita a amar filialmente a nossa mãe e a imitar as suas virtudes» (LG, 67).
Com estas palavras os Padres conciliares advertem contra a «vã credulidade» e o predomínio do sentimento. Eles têm em vista sobretudo reafirmar que a devoção mariana autêntica, procedendo da fé e do amoroso reconhecimento da dignidade de Maria, impele ao afecto filial para com ela e suscita o firme propósito de imitar as suas virtudes.

© Copyright 1997 - Libreria Editrice Vaticana — www.vatican.va —

João Paulo II - Karol Józef Wojtyła
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 27.5.13 | Sem comentários

Espírito da pregação e do culto


Estudando, sob a orientação do magistério, a Sagrada Escritura, os santos Padres e Doutores, e as liturgias das Igrejas, expliquem como convém as funções e os privilégios da Santíssima Virgem, os quais dizem todos respeito a Cristo, origem de toda a verdade, santidade e piedade. Evitem com cuidado, nas palavras e atitudes, tudo o que possa induzir em erro acerca da autêntica doutrina da Igreja os irmãos separados ou quaisquer outros. E os fiéis lembrem-se de que a verdadeira devoção não consiste numa emoção estéril e passageira, mas nasce da fé, que nos faz reconhecer a grandeza da Mãe de Deus e nos incita a amar filialmente a nossa mãe e a imitar as suas virtudes (Constituição Dogmática sobre a Igreja — «Lumen Gentium», 67).

Mistérios a partir do texto da «Lumen Gentium»


  • PRIMEIRO MISTÉRIO: EXPLIQUEM AS FUNÇÕES E PRIVILÉGIOS DA DA SANTÍSSIMA VIRGEM
A catequese e a pregação devem mostrar que a grandeza de Maria provém da sua privilegiada relação com Cristo, o Filho de Deus feito homem; ao receber Cristo na sua fé virginal, Maria participa de um modo absolutamente singular na sua graça. Se for apresentada aos fiéis a figura autêntica de Maria, a sua fé em Cristo e o seu amor aos humanos (síntese da vida cristã), o sentimentalismo de uma devoção tradicional cederá o lugar a uma atitude verdadeiramente religiosa, radical e conscientemente cristã (Juan Alfaro).

  • SEGUNDO MISTÉRIO: CRISTO ORIGEM DE TODA A VERDADE, SANTIDADE E PIEDADE
Na Virgem Maria, tudo é relativo a Cristo e dependente dele: foi em vista dele que Deus Pai, desde toda a eternidade, a escolheu Mãe toda santa e a plenificou com dons do Espírito a ninguém mais concedidos. A genuína piedade cristã, certamente, nunca deixou de pôr em realce essa ligação indissolúvel e a essencial referência da Virgem Maria ao divino Salvador. Isto concorrerá, sem dúvida, para tornar mais sólida a piedade para com a Mãe de Jesus (Paulo VI, Exortação Apostólica para a reta ordenação e desenvolvimento do culto à Bem-aventurada Virgem Maria — «Marialis cultus», 25).

  • TERCEIRO MISTÉRIO: EVITEM TUDO O QUE POSSA INDUZIR EM ERRO
O II Concílio Vaticano denunciou tanto o exagero de conteúdos ou de formas, que vai até ao ponto de falsear a doutrina, como a mesquinhez de mente que chega a obscurecer a figura e a missão de Maria; de igual modo alguns desvios cultuais: a vã credulidade, que a uma aplicação séria substitui o dar-se facilmente a práticas apenas exteriores; o estéril e passageiro impulso do sentimento, tão alheio ao estilo evangélico, que exige esforço perseverante e efetivo (Paulo VI, Exortação Apostólica para a reta ordenação e desenvolvimento do culto à Bem-aventurada Virgem Maria — «Marialis cultus», 38).

  • QUARTO MISTÉRIO: A VERDADEIRA DEVOÇÃO NASCE DA FÉ
O Concílio oferece aos crentes alguns critérios para viverem de maneira autêntica a sua relação filial com Maria. Com estas palavras, os Padres conciliares advertem contra a «vã credulidade» e o predomínio do sentimento. Eles têm em vista sobretudo reafirmar que a devoção mariana autêntica, procedendo da fé e do amoroso reconhecimento da dignidade de Maria, impele ao afecto filial para com ela e suscita o firme propósito de imitar as suas virtudes (João Paulo II, Audiência Geral de 29 de outubro de 1997).

  • QUINTO MISTÉRIO: AMA FILIALMENTE E IMITAR AS VIRTUDES DE MARIA
Maria inspira-nos como deve ser vivido e apresentado aos homens e mulheres de hoje o seu mistério, de modo a influir na renovação da vida cristã. Necessitamos de conhecer melhor Maria. Necessitamos, sobretudo, de imitar a sua atitude espiritual e as suas virtudes, base da vida cristã. Desta maneira refletiremos em nós mesmos a imagem de Jesus. Ide com Maria a Jesus! Ela vos recordará continuamente o que disse nas Bodas de Caná: Fazei o que Ele vos disser! (João 2, 5) (João Paulo II, Mensagem ao Congresso Mariano de 1979).

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Maio, mês de Maria, 2013 — Laboratório da fé
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 27.5.13 | Sem comentários

Mês de maio, Mês de Maria


O papa João Paulo II, no dia 22 de outubro de 1997, dedicou uma Audiência Geral ao tema «Natureza do culto mariano» para comentar o número 66 do oitavo capítulo da Constituição Dogmática sobre a Igreja — «Lumen Gentium» (LG) do II Concílio do Vaticano. 
O culto a Maria não se pode equiparar à «adoração» divina, começa por explicar o Papa, para explicar a natureza do culto dedicado a Maria: «Há uma distância infinita entre o culto mariano e o que é dirigido à Trindade». Apesar disso, entre ambos existe uma continuidade: o culto a Maria conduz o cristão até à adoração da Trindade. Em vários parágrafos, João Paulo II explicita esta continuidade em relação à adoração do Pai, do Filho e do Espírito Santo. A terminar, faz uma breve referência à distinção que existe entre o culto mariano e a veneração dos santos.

Queridos Irmãos e Irmãs,
1. O Concílio Vaticano II afirma que o culto da Bem-aventurada Virgem, «tal como sempre existiu na Igreja, embora inteiramente singular, difere essencialmente do culto de adoração, que se presta por igual ao Verbo encarnado, ao Pai e ao Espírito Santo, e favorece-o poderosamente» (LG, 66).
Com estas palavras, a Constituição Lumen gentium reafirma as características do culto mariano. A veneração dos fiéis para com Maria, embora superior ao culto dirigido aos outros Santos, é entretanto inferior ao culto de adoração reservado a Deus, do qual difere essencialmente. Com o termo «adoração» é indicada a forma de culto que o homem presta a Deus, reconhecendo-O Criador e Senhor do universo. Iluminado pela revelação divina, o cristão adora o Pai «em espírito e verdade» (Jo 4, 23). Com o Pai, adora Cristo, Verbo encarnado, exclamando com o apóstolo Tomé: «Meu Senhor e meu Deus!» (Jo 20, 28). No mesmo acto de adoração inclui, por fim, o Espírito Santo, que «com o Pai e o Filho é adorado e glorificado» (DS, 150), como recorda o Símbolo Niceno-Constantinopolitano.
Os fiéis, quando invocam Maria como «Mãe de Deus» e contemplam nela a mais alta dignidade conferida a uma criatura, não lhe atribuem, porém, um culto igual ao das Pessoas divinas. Há uma distância infinita entre o culto mariano e o que é dirigido à Trindade e ao Verbo encarnado.
Daí resulta que a mesma linguagem com a qual a comunidade cristã se dirige à Virgem, embora por vezes evocando os termos do culto a Deus, assume significado e valor inteiramente diversos. Assim, o amor que os crentes nutrem por Maria difere daquele que se deve a Deus: enquanto o Senhor deve ser amado sobre todas as coisas com todo o coração, com toda a alma e com toda a mente (cf. Mt 22, 37), o sentimento que une os cristãos à Virgem repropõe no plano espiritual o afecto dos filhos para com a mãe.
2. Entre o culto mariano e o prestado a Deus há, porém, uma continuidade: com efeito, a honra devida a Maria está ordenada e conduz à adoração da Santíssima Trindade.
O Concílio recorda que a veneração dos cristãos à Virgem, «favorece poderosamente » o culto prestado ao Verbo encarnado, ao Pai e ao Espírito Santo. Acrescenta depois, em perspectiva cristológica, que «as várias formas de piedade para com a Mãe de Deus, aprovadas pela Igreja, dentro dos limites de sã e recta doutrina, segundo os diversos tempos e lugares e de acordo com a índole e o modo de ser dos fiéis, têm a virtude de fazer com que, honrando a mãe, melhor se conheça, ame e glorifique o Filho, por quem tudo existe (cf. Cl 1, 15-16) e no qual “aprouve a Deus que residisse toda a plenitude” (Cl 1, 19), e também melhor se cumpram os seus mandamentos» (LG, 66).
Desde os primórdios da Igreja o culto mariano é destinado a promover a adesão fiel a Cristo. Venerar a Mãe de Deus significa afirmar a divindade de Cristo. Com efeito, os Padres do Concílio de Éfeso, ao proclamarem Maria Theotokos, «Mãe de Deus», quiseram confirmar a fé em Cristo, verdadeiro Deus.
A mesma conclusão do relato do primeiro milagre de Jesus, obtido em Caná por intercessão de Maria, evidencia como a sua acção tem por fim a glorificação do Filho. De facto, o Evangelista diz: «Foi este o primeiro milagre de Jesus. Realizou-o em Caná da Galileia. Manifestou a Sua glória e os Seus discípulos acreditaram n’Ele» (Jo 2, 11).
3. O culto mariano favorece além disso, em quem o pratica segundo o espírito da Igreja, a adoração do Pai e do Espírito Santo. Com efeito, ao reconhecer o valor da maternidade de Maria, os crentes descobrem nela uma manifestação especial da ternura de Deus Pai.
O mistério da Virgem Mãe põe em evidência a acção do Espírito Santo, que operou no seu seio a concepção do Filho e continuamente guiou a sua vida.
Os títulos de Consoladora, Advogada, Auxiliadora, atribuídos a Maria pela piedade do povo cristão, não ofuscam, mas exaltam a acção do Espírito Consolador e dispõem os crentes a beneficiar dos seus dons.
4. O Concílio recorda, por fim, que o culto mariano é «inteiramente singular» e sublinha a sua diferença a respeito da adoração de Deus e da veneração dos Santos.
Ele possui uma peculiaridade irrepetível porque se refere a uma pessoa singular, devido à sua perfeição pessoal e à sua missão.
Inteiramente excepcionais, com efeito, são os dons conferidos a Maria pelo amor divino, como a santidade imaculada, a maternidade divina, a associação à obra redentora e sobretudo ao sacrifício da Cruz.
O culto mariano exprime o louvor e o reconhecimento da Igreja por esses dons extraordinários. A Ela, que se tornou Mãe da Igreja e Mãe da humanidade, recorre o povo cristão, animado de confidência filial, para solicitar a sua intercessão materna e obter os bens necessários à vida terrena, em vista da bem-aventurança eterna.

© Copyright 1997 - Libreria Editrice Vaticana — www.vatican.va —

João Paulo II - Karol Józef Wojtyła
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 26.5.13 | Sem comentários

Espírito da pregação e do culto


Muito de caso pensado ensina o sagrado Concílio esta doutrina católica, e ao mesmo tempo recomenda a todas os filhos da Igreja que fomentem generosamente o culto da Santíssima Virgem, sobretudo o culto litúrgico, que tenham em grande estima as práticas e exercícios de piedade para com Ela, aprovados no decorrer dos séculos pelo magistério, e que mantenham fielmente tudo aquilo que no passado foi decretado acerca do culto das imagens de Cristo, da Virgem e dos santos. Aos teólogos e pregadores da palavra de Deus, exorta-os instantemente a evitarem com cuidado, tanto um falso exagero como uma demasiada estreiteza na consideração da dignidade singular da Mãe de Deus (Constituição Dogmática sobre a Igreja — «Lumen Gentium», 67).

Mistérios a partir do texto da «Lumen Gentium»


  • PRIMEIRO MISTÉRIO: FOMENTAR O CULTO DA SANTÍSSIMA VIRGEM
Com esta afirmação os Padres conciliares queriam reafirmar a validade de algumas orações como o Rosário e o «Angelus», caras à tradição do povo cristão, como meios eficazes para alimentar a vida de fé e a devoção à Virgem Maria (João Paulo II, Audiência Geral de 29 de outubro de 1997). O Rosário da Virgem Maria, que ao sopro do Espírito de Deus se foi formando gradualmente no segundo Milénio, é oração amada por numerosos Santos e estimulada pelo Magistério (João Paulo II, Carta Apostólica sobre o Rosário, 1).

  • SEGUNDO MISTÉRIO: PRÁTICAS E EXERCÍCIOS DE PIEDADE PARA COM MARIA
Muitas devoções e preces marianas constituem um prolongamento da própria liturgia e, às vezes, contribuíram para enriquecer a estrutura, como no caso do Ofício em honra da Bem-aventurada Virgem e de outras pias composições que começaram a fazer parte do Breviário. A primeira invocação mariana conhecida remonta ao século III e inicia com as palavras: «Sob a tua protecção...». Contudo, desde o século XIV, a «Ave-Maria» é a oração à Virgem mais comum entre os cristãos (João Paulo II, Audiência Geral de 5 de novembro de 1997).

  • TERCEIRO MISTÉRIO: CULTO DAS IMAGENS
O II Concílio de Niceia, que se realizou no ano 787, confirmou a legitimidade do culto das imagens sagradas, contra quantos queriam destruí-las, considerando-as inadequadas para representar a divindade. Evocando essa definição, a Constituição Dogmática sobre a Igreja quis reafirmar a legitimidade e a validade das imagens sagradas em relação a algumas tendências que têm em vista eliminá-las das igrejas e dos santuários, a fim de concentrar toda a atenção em Cristo (João Paulo II, Audiência Geral de 29 de outubro de 1997).

  • QUARTO MISTÉRIO: AS IMAGENS DA VIRGEM MARIA
As imagens, os ícones e as estátuas de Nossa Senhora, presentes nas casas, nos lugares públicos e em inúmeras igrejas e capelas, ajudam os fiéis a invocar a sua presença constante e o seu misericordioso patrocínio nas diferentes circunstâncias da vida. Ao tornarem concreta e quase visível a ternura materna da Virgem, elas convidam a dirigir- se a Ela, a suplicar-lhe com confiança e a imitá-la, acolhendo com generosidade a vontade divina (João Paulo II, Audiência Geral de 29 de outubro de 1997).

  • QUINTO MISTÉRIO: TEÓLOGOS E PREGADORES DA PALAVRA DE DEUS
O II Concílio do Vaticano, neste capítulo da Constituição Dogmática sobre a Igreja dedicado à Bem-aventurada Virgem Maria, exorta os teólogos e os pregadores a evitarem tanto exageros como atitudes de demasiada estreiteza na consideração da dignidade singular da Mãe de Deus. A autêntica doutrina mariana é assegurada pela fidelidade à Escritura e à Tradição, assim como aos textos litúrgicos e ao Magistério da Igreja (João Paulo II, Audiência Geral de 29 de outubro de 1997).

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Maio, mês de Maria, 2013 — Laboratório da fé
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 26.5.13 | Sem comentários

Natureza e fundamento do culto


Este culto, tal como sempre existiu na Igreja, embora inteiramente singular, difere essencialmente do culto de adoração, que se presta por igual ao Verbo encarnado, ao Pai e ao Espírito Santo, e favorece-o poderosamente. Na verdade, as várias formas de piedade para com a Mãe de Deus, aprovadas pela Igreja, dentro dos limites de sã e reta doutrina, segundo os diversos tempos e lugares e de acordo com a índole e modo de ser dos fiéis, têm a virtude de fazer com que, honrando a mãe, melhor se conheça, ame e gloria fique o Filho, por quem tudo existe (cf. Colossenses 1, 15-16) e no qual «aprouve a Deus que residisse toda a plenitude» (Colossenses 1, 19), e também melhor se cumpram os seus mandamentos (Constituição Dogmática sobre a Igreja — «Lumen Gentium», 66).

Mistérios a partir do texto da «Lumen Gentium»


  • PRIMEIRO MISTÉRIO: O CULTO MARIANO DIFERE DO CULTO DE ADORAÇÃO
Com estas palavras da Constituição Dogmática sobre a Igreja, o Concílio reafirma as características do culto mariano. A veneração dos fiéis para com Maria, embora superior ao culto dirigido aos outros Santos, é entretanto inferior ao culto de adoração reservado a Deus, do qual difere essencialmente. Com o termo «adoração» é indicada a forma de culto que o ser humano presta a Deus, reconhecendo-O Criador e Senhor do universo (João Paulo II, Audiência Geral de 22 de outubro de 1997).

  • SEGUNDO MISTÉRIO: A ADORAÇÃO AO VERBO ENCARNADO, AO PAI E AO ESPÍRITO SANTO
Iluminado pela revelação divina, o cristão adora o Pai «em espírito e verdade» (João 4, 23). Com o Pai, adora Cristo, Verbo encarnado, exclamando com o apóstolo Tomé: «Meu Senhor e meu Deus!» (João 20, 28). No mesmo acto de adoração inclui o Espírito Santo, que «com o Pai e o Filho é adorado e glorificado», como recorda o Símbolo Niceno-Constantinopolitano. Por isso, há uma distância infinita entre o culto mariano e o que é dirigido à Trindade e ao Verbo encarnado (João Paulo II, Audiência Geral de 22 de outubro de 1997).

  • TERCEIRO MISTÉRIO: PIEDADE MARIANA DENTRO DA SÃ E RETA DOUTRINA
A mesma linguagem com a qual a comunidade cristã se dirige à Virgem, embora por vezes evocando os termos do culto a Deus, assume significado e valor inteiramente diversos. Assim, o amor que os crentes nutrem por Maria difere daquele que se deve a Deus: enquanto o Senhor deve ser amado sobre todas as coisas com todo o coração, com toda a alma e com toda a mente (cf. Mateus 22, 37), o sentimento que une os cristãos à Virgem repropõe no plano espiritual o afecto dos filhos para com a mãe (João Paulo II, Audiência Geral de 22 de outubro de 1997).

  • QUARTO MISTÉRIO: MELHOR SE CONHEÇA, AME E GLORIFIQUE O FILHO
O Concílio recorda que a veneração dos cristãos à Virgem, «favorece poderosamente» o culto prestado ao Verbo encarnado, ao Pai e ao Espírito Santo. Acrescenta depois que as várias formas de piedade mariana «têm a virtude de fazer com que, honrando a mãe, melhor se conheça, ame e glorifique o Filho». O culto mariano é destinado a promover a adesão fiel a Jesus Cristo. Venerar a Mãe de Deus significa afirmar a divindade de Cristo (cf. João Paulo II, Audiência Geral de 22 de outubro de 1997).

  • QUINTO MISTÉRIO: MELHOR SE CUMPRAM OS MANDAMENTOS
A finalidade última do culto à bem-aventurada Virgem Maria é glorificar a Deus e levar os cristãos a aplicarem-se numa vida absolutamente conforme a sua vontade. [...] Ressoa para nós também como uma advertência a vivermos os mandamentos de Deus, e é como que o eco de outras admoestações do divino Salvador: «Nem todo o que me diz: `Senhor! Senhor!' entrará no reino dos céus, mas o que faz a vontade de meu Pai que está nos céus» (Mateus 7, 21) (Paulo VI, Exortação Apostólica para a reta ordenação e desenvolvimento do culto à bem-aventurada Virgem Maria — «Marialis Cultus», 39).

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Maio, mês de Maria, 2013 — Laboratório da fé
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 25.5.13 | Sem comentários

Mês de maio, Mês de Maria


O papa João Paulo II, no dia 15 de outubro de 1997, dedicou uma Audiência Geral ao tema «O culto da Bem-aventurada Virgem» para comentar a quarta parte do oitavo capítulo da Constituição Dogmática sobre a Igreja — «Lumen Gentium» (LG) do II Concílio do Vaticano. 
O Papa inicia a sua reflexão dizendo que o culto a Maria está relacionado com o mistério da Encarnação: «a admirável decisão divina de ligar para sempre a identidade humana do Filho de Deus a uma mulher». Interligada com o culto da maternidade divina está o culto da maternidade universal de Maria. 
Em seguida, recorda o testemunho dos textos evangélicos sobre a «presença do culto mariano desde os primórdios da Igreja», nomeadamente nos dois primeiros capítulos do evangelho segundo Lucas. 
O testemunho dos evangelhos prolonga-se na iconografia e nos textos dos Padres da Igreja do segundo e terceiro séculos cristãos. Desde sempre, os cristãos manifestam uma «inseparabilidade entre o culto mariano e o culto atribuído a Jesus», que perdura até aos nossos dias. 
O Papa recorre ao número 66 da «Lumen Gentium» para mostrar que o culto mariano teve um forte incremento com a declaração do Concílio de Éfeso, em 431: Maria é Mãe de Deus («Theotokos»). 
Por tudo isto, «podemos bem dizer que o culto mariano se desenvolveu até aos nossos dias em admirável continuidade, alternando-se períodos florescentes e períodos críticos que, contudo, tiveram muitas vezes o mérito de promover ainda mais a sua renovação».

Caríssimos Irmãos e Irmãs:
1. «Ao chegar a plenitude dos tempos, Deus enviou o seu Filho, nascido de mulher...» (Gálatas 4, 4). O culto mariano funda-se sobre a admirável decisão divina de ligar para sempre, como recorda o apóstolo Paulo, a identidade humana do Filho de Deus a uma mulher, Maria de Nazaré.
O mistério da maternidade divina e da cooperação de Maria na obra redentora suscita nos crentes de todos os tempos uma atitude de louvor, quer para com o Salvador quer Àquela que O gerou no tempo, cooperando assim na redenção.
Um ulterior motivo de reconhecido amor pela Bem-aventurada Virgem é oferecido pela sua maternidade universal. Ao escolhê-la como Mãe da humanidade inteira, o Pai celeste quis revelar a dimensão, por assim dizer materna, da Sua ternura divina e da Sua solicitude pelos homens de todas as épocas.
No Calvário, Jesus com as palavras: «Eis aí o teu filho», «Eis aí a tua mãe» (João 19, 26-27), dava Maria já antecipadamente a todos aqueles que haveriam de receber a boa nova da salvação e estabelecia assim as premissas do Seu afecto filial por Ela. Seguindo João, os cristãos prolongariam, com o culto, o amor de Cristo pela Sua mãe, acolhendo-a na própria vida.
2. Os textos evangélicos dão testemunho da presença do culto mariano desde os primórdios da Igreja. Os dois primeiros capítulos do Evangelho de São Lucas parecem recolher a atenção particular dos judeus cristãos para com a Mãe de Jesus, os quais manifestavam o seu apreço por Ela e conservavam ciosamente as suas memórias.
Nas narrações da infância, além disso, podemos captar as expressões iniciais e as motivações do culto mariano, sintetizadas nas exclamações de Isabel: «Bendita és tu entre as mulheres... Feliz daquela que acreditou que teriam cumprimento as coisas que lhe foram ditas da parte do Senhor!» (Lucas 1, 42.45).
Traços de uma veneração já difundida na primeira comunidade cristã estão presentes no cântico do Magnificat: «Todas as gerações me hão-de chamar ditosa » (Lucas 1, 48). Ao colocar nos lábios de Maria essa expressão, os cristãos reconheciam- lhe uma grandeza singular, que haveria de ser proclamada até ao fim do mundo.
Além disso, os testemunhos evangélicos (cf. Lucas 1, 34-35; Mateus 1, 23 e João 1, 13), as primeiras fórmulas de fé e uma passagem de Santo Inácio de Antioquia (cf. Smirn. 1, 2: SC 10, 155), confirmam a particular admiração das primeiras comunidades pela virgindade de Maria, intimamente ligada ao mistério da Encarnação.
O Evangelho de João, indicando a presença de Maria no início e no fim da vida pública do Filho, deixa supor entre os primeiros cristãos uma consciência viva do papel exercido por Maria na obra da Redenção, em plena dependência de amor por Cristo.
3. O Concílio Vaticano II, ao ressaltar o carácter particular do culto mariano, afirma: «Exaltada por graça do Senhor e colocada, logo a seguir a seu Filho, acima de todos os anjos e homens, Maria que, como mãe santíssima de Deus, tomou parte nos mistérios de Cristo, é com razão venerada pela Igreja com culto especial» (LG, 66).
Ao aludir, depois, à oração mariana do terceiro século «Sub tuum praesidium » — «Sob a tua protecção» —, acrescenta que essa peculiaridade emerge desde o início: «Na verdade, a Santíssima Virgem é, desde os tempos mais antigos, honrada com o título de Mãe de Deus, e sob a sua protecção se acolhem os fiéis, em todos os perigos e necessidades » (ibid.).
4. Esta afirmação encontra confirmação na iconografia e na doutrina dos Padres da Igreja, desde o segundo século. Em Roma, nas catacumbas de Priscila, é possível admirar a primeira representação de Nossa Senhora com o Menino, enquanto no mesmo tempo São Justino e Santo Ireneu falam de Maria como da nova Eva que, com a fé e a obediência, repara a incredulidade e a desobediência da primeira mulher. Segundo o Bispo de Lião, não era suficiente que Adão fosse resgatado em Cristo, mas «era justo e necessário que Eva fosse restaurada em Maria» (Dem., 33). Ele sublinha desse modo a importância da mulher na obra de salvação e põe como fundamento aquela inseparabilidade entre o culto mariano e o culto atribuído a Jesus, que percorrerá os séculos cristãos.
5. O culto mariano expressou-se inicialmente na invocação de Maria como «Theotokos», título que teve confirmação autorizada, depois da crise nestoriana, pelo Concílio de Éfeso que se realizou no ano 431.
A mesma reacção popular à posição ambígua e oscilante de Nestório, que chegou a negar a maternidade divina de Maria, e o sucessivo acolhimento jubiloso das decisões do Sínodo Efésio confirmam a radicação do culto da Virgem entre os cristãos. Todavia, «foi sobretudo a partir do Concílio de Éfeso que o culto do Povo de Deus para com Maria cresceu admiravelmente, na veneração e no amor, na invocação e na imitação...» (LG, 66). Ele expressou-se de modo especial nas festas litúrgicas, entre as quais, desde o início do século V, assumiu particular relevo «o dia de Maria Theotokos», celebrado a 15 de Agosto em Jerusalém e que se tornou sucessivamente a festa da «Dormitio» ou da Assunção.
Sob a influência do «Protoevangelho de Tiago» foram, além disso, instituídas as festas da Natividade, da Conceição e da Apresentação, que contribuíram de maneira notável para evidenciar alguns importantes aspectos do mistério de Maria.
6. Podemos bem dizer que o culto mariano se desenvolveu até aos nossos dias em admirável continuidade, alternando-se períodos florescentes e períodos críticos que, contudo, tiveram muitas vezes o mérito de promover ainda mais a sua renovação. Após o Concílio Vaticano II, o culto mariano parece destinado a desenvolver-se em harmonia com o aprofundamento do mistério da Igreja e em diálogo com as culturas contemporâneas, para se arraigar sempre mais na fé e na vida do povo de Deus peregrino sobre a terra.
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João Paulo II - Karol Józef Wojtyła
Postado por Unknown | 24.5.13 | Sem comentários

Natureza e fundamento do culto


Exaltada por graça do Senhor e colocada, logo a seguir a seu Filho, acima de todos os anjos e humanos, Maria que, como mãe santíssima de Deus, tomou parte nos mistérios de Cristo, é com razão venerada pela Igreja com culto especial. E, na verdade, a Santíssima Virgem é, desde os tempos mais antigos, honrada com o título de «Mãe de Deus», e sob a sua proteção se acolhem os fiéis, em todos os perigos e necessidades. Foi sobretudo a partir do Concílio do Éfeso que o culto do Povo de Deus para com Maria cresceu admiravelmente, na veneração e no amor, na invocação e na imitação, segundo as suas proféticas palavras: «Todas as gerações me proclamarão bem-aventurada, porque realizou em mim grandes coisas Aquele que é poderoso» (Lucas 1, 48) (Constituição Dogmática sobre a Igreja — «Lumen Gentium», 66).

Mistérios a partir do texto da «Lumen Gentium»


  • PRIMEIRO MISTÉRIO: MÃE DE DEUS
O culto mariano expressou-se inicialmente na invocação de Maria como «Mãe de Deus», título que teve confirmação autorizada, depois da crise nestoriana, pelo Concílio de Éfeso que se realizou no ano 431. Expressou-se de modo especial nas festas litúrgicas, entre as quais, desde o início do século V, assumiu particular relevo «o dia de Maria», celebrado a 15 de Agosto em Jerusalém e que se tornou sucessivamente a festa da Assunção (João Paulo II, Audiência Geral de 15 de outubro de 1997).

  • SEGUNDO MISTÉRIO: CULTO PARA COM MARIA
O culto mariano desenvolveu-se até aos nossos dias em admirável continuidade, alternando-se períodos florescentes e períodos críticos que, contudo, tiveram muitas vezes o mérito de promover ainda mais a sua renovação. Após o II Concílio do Vaticano, o culto mariano parece destinado a desenvolver-se em harmonia com o aprofundamento do mistério da Igreja e em diálogo com as culturas contemporâneas, para se arraigar sempre mais na fé e na vida do povo de Deus peregrino sobre a terra (João Paulo II, Audiência Geral de 15 de outubro de 1997).

  • TERCEIRO MISTÉRIO: VENERAÇÃO E AMOR
A Igreja procura traduzir as multíplices relações que a unem a Maria, em outras tantas atitudes culturais, diversas e eficazes: em veneração profunda, quando reflete na dignidade singular da Virgem Santíssima, que, por obra do Espírito Santo, se tornou Mãe do Verbo Encarnado; em amor ardente, quando considera a maternidade espiritual de Maria para com todos os membros do Corpo Místico (Paulo VI, Exortação Apostólica para a reta ordenação e desenvolvimento do culto à Bem-aventurada Virgem Maria — «Marialis Cultus», 22).

  • QUARTO MISTÉRIO: INVOCAÇÃO E IMITAÇÃO
A Igreja também se relaciona com Maria em invocação confiante e em imitação operosa. Maria foi sempre proposta pela Igreja à imitação dos fiéis, porque, nas condições concretas da sua vida, ela aderiu total e responsavelmente à vontade de Deus; porque soube acolher a sua palavra e pô-la em prática; porque a sua ação foi animada pela caridade e pelo espírito de serviço; e porque, em suma, foi a primeira e a mais perfeita discípula de Cristo (Paulo VI, Exortação Apostólica para a reta ordenação e desenvolvimento do culto à Bem-aventurada Virgem Maria — «Marialis Cultus», 35).

  • QUINTO MISTÉRIO: BEM-AVENTURADA
Maria é o mais belo exemplo de fidelidade à Palavra divina. Esta fidelidade foi tão grande que se fez Encarnação: «faça-se em mim segundo a tua palavra» (Lucas 1, 38) — disse ela com confiança absoluta. A nossa oração recorda o Magnificat daquela que todas as gerações chamarão bem-aventurada, porque acreditou no cumprimento das palavras que lhe tinham sido ditas da parte do Senhor. Podemos dizer-lhe com serenidade: «Santa Maria, Mãe de Deus, Mãe nossa, ensinai-nos a crer, esperar e amar convosco» (Bento XVI, Homilia nas Vésperas de 12 de setembro de 2008).

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Maio, mês de Maria, 2013 — Laboratório da fé
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 24.5.13 | Sem comentários

Mês de maio, Mês de Maria


Oração a partir do texto da Lumen Gentium 64

Virgem Santíssima:
em Ti, a Igreja alcançou a perfeição,
que lhe permite apresentar-se sem mancha nem ruga.
Mas os fiéis ainda continuam a esforçar-se
por crescer na santidade, vencendo o pecado.
Por isso levantam os olhos para Ti,
que és modelo de virtudes para a comunidade dos eleitos:
À tua proteção nos acolhemos, 
Santa Mãe de Deus.

Refletindo piedosamente sobre Ti
e contemplando-te à luz do Verbo feito homem,
a Igreja penetra, cheia de respeito,
mais e mais no íntimo do mistério da Encarnação
e toma cada vez mais a semelhança do seu Esposo.
À tua proteção nos acolhemos,
Santa Mãe de Deus.

Quando a Igreja te exalta e honra,
porque reúnes e refletes as maiores exigências da fé
pela tua cooperação íntima na História da Salvação,
Tu atrais os crentes para teu Filho,
para o seu sacrifício e para o amor do Pai.
E a Igreja, empenhada na glória de Cristo, 
torna-se mais semelhante a ti, que a representas, 
progredindo continuamente 
na fé, na esperança e na caridade, 
buscando e cumprindo em tudo a vontade de Deus.

Na sua atividade apostólica,
a Igreja olha para ti, que geraste e deste à luz a Cristo,
concebido do Espírito Santo, para que, por meio de Ti,
Cristo nasça e cresça também no coração dos fiéis.
À tua proteção nos acolhemos,
Santa Mãe de Deus.

Virgem Santíssima:
Tu, que durante a tua vida,
foste modelo do amor materno, anima com esse amor
todos os que trabalham na missão apostólica da Igreja
para a Redenção dos homens.
Ámen.

© Lopes Morgado

Maio, mês de Maria, 2013 — Laboratório da fé
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 23.5.13 | Sem comentários

Virtudes de Maria


A Igreja, procurando a glória de Cristo, torna-se mais semelhante àquela que é seu tipo e sublime figura, progredindo continuamente na fé, na esperança e na caridade, e buscando e fazendo em tudo a vontade divina. Daqui vem igualmente que, na sua ação apostólica, a Igreja olha com razão para aquela que gerou a Cristo, o qual foi concebido por ação do Espírito Santo e nasceu da Virgem precisamente para nascer e crescer também no coração dos fiéis, por meio da Igreja. E, na sua vida, deu a Virgem exemplo daquele afeto maternal de que devem estar animados todos quantos cooperam na missão apostólica que a Igreja tem de regenerar os seres humanos (Constituição Dogmática sobre a Igreja — «Lumen Gentium», 65).

Mistérios a partir do texto da «Lumen Gentium»


  • PRIMEIRO MISTÉRIO: PROCURANDO A GLÓRIA DE CRISTO
Os Padres conciliares lembram que a vida da Igreja está associada à procura da glória de Cristo. Tudo deve ser realizado para glória de Cristo, para glória de Deus. Esta consciência tem de acompanhar cada palavra e cada gesto de todos os membros da Igreja, imitando aquela «que é seu tipo e sublime figura», Maria. A Igreja se não tiver como objetivo procurar a glória de Cristo, mas antes buscar outros interesses ou o seu próprio louvor, coloca-se fora da lógica evangélica, coloca-se fora da sua missão.

  • SEGUNDO MISTÉRIO: PROGREDINDO NA FÉ, NA ESPERANÇA E NA CARIDADE
Maria é para a Igreja modelo de fé, esperança e caridade. Ela precede os cristãos na adesão à palavra. Encoraja-os e guia-nos na esperança. Inspira-os a viver na caridade. Observando a situação da primeira comunidade cristã, descobrimos que a unanimidade dos corações, manifestada à espera do Pentecostes, está associada à presença da Virgem Santa. E graças precisamente à caridade irradiante de Maria é possível conservar em todos os tempos no interior da Igreja a concórdia e o amor fraterno (cf. João Paulo II, Audiência Geral de 3 de setembro de 1997).

  • TERCEIRO MISTÉRIO: NASCER E CRESCER NO CORAÇÃO DOS FIÉIS
Segundo a expressão do Beato mártir carmelita Tito Brandsma, pomo-nos em profunda sintonia com Maria, tornando-nos como Ela transmissores da vida divina: «Também a nós o Senhor envia o seu anjo... também nós devemos receber Deus nos nossos corações, levá-lo dentro dos nossos corações, nutri-lo e fazê-lo crescer em nós de tal forma que ele nasça de nós e viva connosco como Deus-connosco, o Emanuel» (João Paulo II, Mensagem à ordem do Carmelo, a 25 de março de 2001).

  • QUARTO MISTÉRIO: EXEMPLO DE AFETO MATERNAL
A Igreja, na sua missão apostólica, volta o seu olhar para Maria, animada pelo seu afeto maternal. Maria foi uma educadora admirável. Na pessoa de Maria, a Igreja adquire um rosto materno mais concreto. Para compreendermos até que ponto a Igreja nos ama como mãe, basta-nos fixar o olhar da Virgem, que se debruça amorosa e ternamente sobre nós. Graças à maternidade de Nossa Senhora, a maternidade da Igreja torna-se mais real e mais familiar (Jean Galot).

  • QUINTO MISTÉRIO: MISSÃO APOSTÓLICA
O II Concílio do Vaticano na Constituição Dogmática sobre a Igreja põe em evidência expressamente o papel de exemplaridade, desempenhado por Maria em relação à Igreja na sua missão apostólica. Depois de ter cooperado na obra de salvação com a maternidade, com a associação ao sacrifício de Cristo e com a ajuda materna à Igreja nascente, Maria continua a sustentar a comunidade cristã e todos os crentes no generoso empenho pelo anúncio do Evangelho (João Paulo II, Audiência Geral de 3 de setembro de 1997).

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Maio, mês de Maria, 2013 — Laboratório da fé
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 23.5.13 | Sem comentários

Mês de maio, Mês de Maria


O papa João Paulo II, no dia três de setembro de 1997, dedicou uma Audiência Geral ao tema «Maria, modelo da santidade da Igreja» para comentar o número 65, que pertence ao oitavo capítulo da Constituição Dogmática sobre a Igreja — «Lumen Gentium» (LG) do II Concílio do Vaticano. Nas audiências anteriores, o Papa abordou a virgindade e a maternidade de Maria como modelo da Igreja. Agora, reflete sobre a santidade, tendo como ponto de partida a relação esponsal entre Cristo e a Igreja e a diferença que existe entre os membros da Igreja e Maria. Esta é para todos um «modelo de virtudes». Neste sentido, Maria «representa para a comunidade dos crentes o paradigma da autêntica santidade que se realiza na união com Cristo». Em terceiro lugar, parte das virtudes teologais — fé, esperança, caridade — para insistir na relação de precedência e de modelo que Maria tem para com a Igreja, da qual também ela faz parte. A reflexão termina com uma referência ao exemplo de Maria na missão apostólica da Igreja: «Maria continua a sustentar a comunidade cristã e todos os crentes no generoso empenho pelo anúncio do Evangelho».

Caríssimos Irmãos e Irmãs:
1. Na Carta aos Efésios, São Paulo ilustra a relação esponsal entre Cristo e a Igreja, com as seguintes palavras: «Cristo amou a Igreja, e por ela Se entregou, para a santificar, purificando-a no baptismo da água pela palavra da vida, para a apresentar a Si mesmo como Igreja gloriosa sem mancha nem ruga, nem qualquer coisa semelhante, mas santa e imaculada» (Efésios 5, 25-27).
O II Concílio do Vaticano retoma as afirmações do Apóstolo e recorda que, «na Santíssima Virgem, a Igreja alcançou já a perfeição», enquanto «os fiéis ainda têm de trabalhar por vencer o pecado e crescer na santidade» (LG, 65).
É assim ressaltada a diferença que existe entre os fiéis e Maria, pertencendo embora ambos à santa Igreja, que se tornou por Cristo «sem mancha nem ruga». Com efeito, enquanto os fiéis recebem a santidade por meio do batismo, Maria foi preservada de toda a mancha de pecado original e antecipadamente remida por Cristo. Os fiéis, além disso, embora libertados «da lei do pecado» (cf. Romanos 8, 2), ainda podem ceder à tentação e a fragilidade humana continua a manifestar-se na vida deles. «Todos nós pecamos em muitas coisas», afirma a Carta de Tiago (3, 2). Por este motivo o Concílio de Trento ensina: «Ninguém pode evitar, na sua vida inteira, todo o pecado mesmo venial» (DS 1573). A esta regra, contudo, faz excepção por privilégio divino a Virgem Imaculada, como o mesmo Concílio de Trento recorda (ibid.).
2. Não obstante os pecados dos seus membros, a Igreja é antes de tudo a comunidade daqueles que são chamados à santidade e se empenham cada dia por alcançá-la.
Neste árduo caminho rumo à perfeição, eles sentem-se encorajados por Aquela que é «modelo de virtudes». O Concílio observa que «a Igreja, meditando piedosamente na Virgem, e contemplando- a à luz do Verbo feito homem, penetra mais profundamente, cheia de respeito, no insondável mistério da Encarnação, e mais e mais se conforma com o seu Esposo» (LG, 65).
A Igreja, portanto, olha para Maria. Não só contempla o dom maravilhoso da sua plenitude de graça, mas esforça-se por imitar a perfeição que n’Ela é fruto da plena adesão ao preceito de Cristo: «Sede, pois, perfeitos, como é perfeito vosso Pai celeste» (Mateus 5, 48). Maria é a inteiramente santa. Ela representa para a comunidade dos crentes o paradigma da autêntica santidade que se realiza na união com Cristo. A vida terrena da Mãe de Deus é, com efeito, caracterizada pela perfeita sintonia com a pessoa do Filho e pela dedicação total à obra redentora por Ele realizada.
Dirigindo o olhar para a intimidade materna que se desenvolveu no silêncio da vida de Nazaré e se aperfeiçoou na hora do sacrifício, a Igreja empenha-se em imitá-la no seu caminho quotidiano. Desse modo, conforma-se cada vez mais com o seu Esposo. Unida como Maria à cruz do Redentor, a Igreja, através das dificuldades, contradições e perseguições que renovam na sua vida o mistério da Paixão do seu Senhor, põe-se na constante busca da plena configuração com Ele.
3. A Igreja vive de fé, reconhecendo «naquela que acreditou que teriam cumprimento as coisas que lhe foram ditas da parte do Senhor» (Lucas 1, 45), a primeira e perfeita expressão da sua fé. Neste itinerário de abandono confiante rumo ao Senhor, a Virgem precede os discípulos, aderindo à Palavra divina num contínuo crescendo, que investe todas as etapas da sua vida e se propaga na própria missão da Igreja.
O seu exemplo encoraja o Povo de Deus a praticar a sua fé e a aprofundar e desenvolver o seu conteúdo, conservando e meditando no coração os acontecimentos da salvação.
Maria torna-se para a Igreja também modelo de esperança. Ao escutar a mensagem do anjo, a Virgem é a primeira a orientar a sua esperança para o Reino sem fim, que Jesus tinha sido enviado para estabelecer.
Ela permanece firme junto da cruz do Filho, à espera da realização da promessa divina. Depois do Pentecostes a Mãe de Jesus sustém a esperança da Igreja, ameaçada pelas perseguições. Ela é, pois, para a Comunidade dos crentes e para cada um dos cristãos a Mãe da esperança, que encoraja e guia os seus filhos na expectativa do Reino, sustentando-os nas provas quotidianas e no meio das vicissitudes, mesmo trágicas, da história.
Em Maria, por fim, a Igreja reconhece o modelo da sua caridade. Observando a situação da primeira comunidade cristã, descobrimos que a unanimidade dos corações, manifestada à espera do Pentecostes, está associada à presença da Virgem Santa (cf. Atos dos Apóstolos 1, 14). E graças precisamente à caridade irradiante de Maria é possível conservar em todos os tempos no interior da Igreja a concórdia e o amor fraterno.
4. O Concílio põe em evidência expressamente o papel de exemplaridade, desempenhado por Maria em relação à Igreja na sua missão apostólica, com as seguintes anotações: «Na sua acção apostólica, a Igreja olha com razão para aquela que gerou a Cristo, o qual foi concebido por acção do Espírito Santo e nasceu da Virgem precisamente para nascer e crescer também no coração dos fiéis, por meio da Igreja. E, na sua vida, deu a Virgem exemplo daquele afecto maternal de que devem estar animados todos quantos cooperam na missão apostólica que a Igreja tem de regenerar os homens» (LG, 65).
Depois de ter cooperado na obra de salvação com a maternidade, com a associação ao sacrifício de Cristo e com a ajuda materna à Igreja nascente, Maria continua a sustentar a comunidade cristã e todos os crentes no generoso empenho pelo anúncio do Evangelho.

© Copyright 1997 - Libreria Editrice Vaticana — www.vatican.va —

João Paulo II - Karol Józef Wojtyła
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 22.5.13 | Sem comentários

Virtudes de Maria


Ao passo que, na Santíssima Virgem, a Igreja alcançou já aquela perfeição sem mancha nem ruga que lhe é própria (cf. Efésios 5, 27), os fiéis ainda têm de trabalhar por vencer o pecado e crescer na santidade; e por isso levantam os olhos para Maria, que brilha como modelo de virtudes sobre toda a família dos eleitos. A Igreja, meditando piedosamente na Virgem, e contemplando-a à luz do Verbo feito homem, penetra mais profundamente, cheia de respeito, no insondável mistério da Encarnação, e mais e mais se conforma com o seu Esposo. Pois Maria, que entrou intimamente na história da salvação, e, por assim dizer, reúne em si e reflete os imperativos mais altos da nossa fé, ao ser exaltada e venerada, atrai os fiéis ao Filho, ao Seu sacrifício e ao amor do Pai (Constituição Dogmática sobre a Igreja — «Lumen Gentium», 65).

Mistérios a partir do texto da «Lumen Gentium»


  • PRIMEIRO MISTÉRIO: CRESCER NA SANTIDADE
É assim ressaltada a diferença que existe entre os fiéis e Maria, pertencendo embora ambos à santa Igreja, que se tornou por Cristo «sem mancha nem ruga ». Com efeito, enquanto os fiéis recebem a santidade por meio do batismo, Maria foi preservada de toda a mancha de pecado original. Não obstante os pecados dos seus membros, a Igreja é antes de tudo a comunidade daqueles que são chamados à santidade e se empenham cada dia por alcançá-la (João Paulo II, Audiência Geral de 3 de setembro de 1997).

  • SEGUNDO MISTÉRIO: MARIA BRILHA COMO MODELO
A Igreja olha para Maria. Não só contempla o dom maravilhoso da sua plenitude de graça, mas esforça-se por imitar a sua perfeição. Maria é a inteiramente santa. Ela representa para a comunidade dos crentes o paradigma da autêntica santidade que se realiza na união com Cristo. A vida terrena da Mãe de Deus é, com efeito, caracterizada pela perfeita sintonia com a pessoa do Filho e pela dedicação total à obra redentora por Ele realizada (João Paulo II, Audiência Geral de 3 de setembro de 1997).

  • TERCEIRO MISTÉRIO: MISTÉRIO DA ENCARNAÇÃO
O acontecimento da Encarnação, de Deus que se faz homem como nós, que nos mostra o realismo inaudito do amor divino. Com efeito, o agir de Deus não se limita às palavras, aliás, poderíamos dizer que Ele não se contenta com falar, mas insere-se na nossa história e assume sobre si a dificuldade e o peso da vida humana. O Filho de Deus fez-se verdadeiramente homem, nasceu da Virgem Maria, numa época e num lugar determinados (Bento XVI, Audiência Geral de 9 de janeiro de 2013).

  • QUARTO MISTÉRIO: MARIA REÚNE E REFLETE OS IMPERATIVOS DA FÉ
A Igreja vive de fé, reconhecendo «naquela que acreditou que teriam cumprimento as coisas que lhe foram ditas da parte do Senhor» (Lucas 1, 45), a primeira e perfeita expressão da sua fé. Neste itinerário, a Virgem precede os discípulos, aderindo à Palavra divina num contínuo crescendo, que investe todas as etapas da sua vida e se propaga na própria missão da Igreja. O seu exemplo encoraja o Povo de Deus a praticar a sua fé e a aprofundar e desenvolver o seu conteúdo (João Paulo II, Audiência Geral de 3 de setembro de 1997).

  • QUINTO MISTÉRIO: MARIA ATRAI OS FIÉIS AO FILHO
Cristo é o Mestre por excelência, o revelador e a revelação. Não se trata somente de aprender as coisas que Ele ensinou, mas de «aprender a Ele». Porém, nisto, qual mestra mais experimentada do que Maria? Se do lado de Deus é o Espírito, o Mestre interior, que nos conduz à verdade plena de Cristo , de entre os seres humanos, ninguém melhor do que Ela conhece Cristo, ninguém como a Mãe pode introduzir-nos no profundo conhecimento do seu mistério (João Paulo II, Carta Apostólica sobre o Rosário — «Rosarium Virginis Mariae», 14).

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Maio, mês de Maria, 2013 — Laboratório da fé
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 22.5.13 | Sem comentários
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