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Carta encíclica sobre a fé [5]


Antes da sua paixão, o Senhor assegurava a Pedro: «Eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça» (Lucas 22, 32). Depois pediu-lhe para «confirmar os irmãos» na mesma fé. Consciente da tarefa confiada ao Sucessor de Pedro, Bento XVI quis proclamar este Ano da Fé, um tempo de graça que nos tem ajudado a sentir a grande alegria de crer, a reavivar a percepção da amplitude de horizontes que a fé descerra, para a confessar na sua unidade e integridade, fiéis à memória do Senhor, sustentados pela sua presença e pela acção do Espírito Santo. A convicção duma fé que faz grande e plena a vida, centrada em Cristo e na força da sua graça, animava a missão dos primeiros cristãos. Nas Actas dos Mártires, lemos este diálogo entre o prefeito romano Rústico e o cristão Hierax: «Onde estão os teus pais?» — perguntava o juiz ao mártir; este respondeu: «O nosso verdadeiro pai é Cristo, e nossa mãe a fé n’Ele» [5]. Para aqueles cristãos, a fé, enquanto encontro com o Deus vivo que Se manifestou em Cristo, era uma «mãe», porque os fazia vir à luz, gerava neles a vida divina, uma nova experiência, uma visão luminosa da existência, pela qual estavam prontos a dar testemunho público até ao fim.

[5] Acta Sanctorum, Iunii, I, 21

A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»]
A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»] — pdf

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Refletir... saborear

  • O Ano da Fé (outubro de 2012 a novembro de 2013) é um tempo de graça para
    — sentir a grande alegria de acreditar
    — reavivar a grandeza do horizonte da fé
    — confessar a fé em unidade e integridade
  • Os primeiros cristãos estavam convictos de que a fé dava grandeza e plenitude à vida
  • Para eles, a fé era uma mãe, fazia-os vir à luz, gerava neles a vida divina
  • Por isso, estavam dispostos a dar testemunho da fé até à morte
  • Como estou a viver o Ano da Fé?
  • A fé, para mim, é geradora de vida?
  • Sou capaz de dar testemunho público da minha fé?
© Laboratório da fé, 2013

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Papa Francisco, Carta Encíclica sobre a fé (Lumen Fidei — A luz da fé)
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 16.8.13 | Sem comentários

Carta encíclica sobre a fé [4]


Por isso, urge recuperar o carácter de luz que é próprio da fé, pois, quando a sua chama se apaga, todas as outras luzes acabam também por perder o seu vigor. De facto, a luz da fé possui um carácter singular, sendo capaz de iluminar toda a existência do ser humano. Ora, para que uma luz seja tão poderosa, não pode dimanar de nós mesmos; tem de vir de uma fonte mais originária, deve porvir em última análise de Deus. A fé nasce no encontro com o Deus vivo, que nos chama e revela o seu amor: um amor que nos precede e sobre o qual podemos apoiar-nos para construir solidamente a vida. Transformados por este amor, recebemos olhos novos e experimentamos que há nele uma grande promessa de plenitude e se nos abre a visão do futuro. A fé, que recebemos de Deus como dom sobrenatural, aparece-nos como luz para a estrada orientando os nossos passos no tempo. Por um lado, provém do passado: é a luz duma memória basilar — a da vida de Jesus –, onde o seu amor se manifestou plenamente fiável, capaz de vencer a morte. Mas, por outro lado e ao mesmo tempo, dado que Cristo ressuscitou e nos atrai de além da morte, a fé é luz que vem do futuro, que descerra diante de nós horizontes grandes e nos leva a ultrapassar o nosso «eu» isolado abrindo-o à amplitude da comunhão. Deste modo, compreendemos que a fé não mora na escuridão, mas é uma luz para as nossas trevas. Dante, na Divina Comédia, depois de ter confessado diante de São Pedro a sua fé, descreve-a como uma «centelha / que se expande depois em viva chama / e, como estrela no céu, em mim cintila» [4]. É precisamente desta luz da fé que quero falar, desejando que cresça a fim de iluminar o presente até se tornar estrela que mostra os horizontes do nosso caminho, num tempo em que o ser humano vive particularmente carecido de luz.

[4] Divina Comédia, Paraíso, XXIV, 145-147

A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»]
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Refletir... saborear

  • A luz da fé tem de vir de uma fonte original: Deus
  • A luz da fé revela o amor de Deus
  • A luz da fé dá-nos olhos novos
  • A luz da fé é a luz de vem do passado: a vida de Jesus Cristo
  • A luz da fé é a luz que vem do futuro: a comunhão plena em Deus
  • A luz da fé é a luz para o presente: dissipa as nossas trevas
  • A luz da fé é capaz de iluminar toda a existência
  • Assumo a fé como uma luz que vem do passado, que vem do futuro, que ilumina o presente? Em concreto, o que significa?
  • Hoje, quais são as minhas «trevas»?
© Laboratório da fé, 2013

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Papa Francisco, Carta Encíclica sobre a fé (Lumen Fidei — A luz da fé)
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 15.8.13 | Sem comentários

Carta encíclica sobre a fé [3]


Por este caminho, a fé acabou por ser associada com a escuridão. E, a fim de conviver com a luz da razão, pensou-se na possibilidade de a conservar, de lhe encontrar um espaço: o espaço para a fé abria-se onde a razão não podia iluminar, onde o ser humano já não podia ter certezas. Deste modo, a fé foi entendida como um salto no vazio, que fazemos por falta de luz e impelidos por um sentimento cego, ou como uma luz subjectiva, talvez capaz de aquecer o coração e consolar pessoalmente, mas impossível de ser proposta aos outros como luz objectiva e comum para iluminar o caminho. Entretanto, pouco a pouco, foi-se vendo que a luz da razão autónoma não consegue iluminar suficientemente o futuro; este, no fim de contas, permanece na sua obscuridade e deixa o ser humano no temor do desconhecido. E, assim, o homem renunciou à busca de uma luz grande, de uma verdade grande, para se contentar com pequenas luzes que iluminam por breves instantes, mas são incapazes de desvendar a estrada. Quando falta a luz, tudo se torna confuso: é impossível distinguir o bem do mal, diferenciar a estrada que conduz à meta daquela que nos faz girar repetidamente em círculo, sem direção.

A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»]
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Refletir... saborear

  • A fé foi associada à escuridão (cf. número 2)
  • A fé foi remetida para o espaço «onde a razão não podia iluminar»
  • A fé apenas se torna possível no âmbito subjetivo, pessoal
  • Permanece a necessidade de uma luz que ilumine a totalidade da existência
  • A fé, para mim, é luz ou escuridão? Porquê?
  • A fé faz parte apenas do âmbito subjetivo e pessoal? Cada um tem a sua fé?
© Laboratório da fé, 2013

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Papa Francisco, Carta Encíclica sobre a fé (Lumen Fidei — A luz da fé)
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 14.8.13 | Sem comentários

Carta encíclica sobre a fé [2]


E contudo podemos ouvir a objeção que se levanta de muitos dos nossos contemporâneos, quando se lhes fala desta luz da fé. Nos tempos modernos, pensou-se que tal luz poderia ter sido suficiente para as sociedades antigas, mas não servia para os novos tempos, para o ser humano tornado adulto, orgulhoso da sua razão, desejoso de explorar de forma nova o futuro. Nesta perspectiva, a fé aparecia como uma luz ilusória, que impedia o humano de cultivar a ousadia do saber. O jovem Nietzsche convidava a irmã Elisabeth a arriscar, «percorrendo vias novas […], na incerteza de proceder de forma autónoma». E acrescentava: «Neste ponto, separam-se os caminhos da humanidade: se queres alcançar a paz da alma e a felicidade, contenta-te com a fé; mas, se queres ser uma discípula da verdade, então investiga» [3]. O crer opor-se-ia ao indagar. Partindo daqui, Nietzsche desenvolverá a sua crítica ao cristianismo por ter diminuído o alcance da existência humana, espoliando a vida de novidade e aventura. Neste caso, a fé seria uma espécie de ilusão de luz, que impede o nosso caminho de homens e mulheres livres rumo ao amanhã.

[3] «Brief an Elisabeth Nietzsche (11 de Junho de 1865)», in: Werke in drei Bänden (Munique 1954), 953-954

A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»]
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Refletir... saborear

  • O mundo moderno recusa a luz da fé
  • Vários filósofos, entre os quais Nietzsche, opõem a fé à razão, ao conhecimento, à ciência
  • Para eles, a procura da verdade é incompatível com a fé
  • De que lado estou: do lado da fé, do lado da razão, em ambos os lados?
  • Para mim, a fé é uma diminuição do humano, uma «ilusão» que impede a novidade e  a procura da verdade?
  • Estou preparado para dialogar com os «críticos» da fé?
© Laboratório da fé, 2013

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Papa Francisco, Carta Encíclica sobre a fé (Lumen Fidei — A luz da fé)
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 13.8.13 | Sem comentários

Carta encíclica sobre a fé [1]


1. A luz da fé é a expressão com que a tradição da Igreja designou o grande dom trazido por Jesus. Eis como Ele Se nos apresenta, no Evangelho de João: «Eu vim ao mundo como luz, para que todo o que crê em Mim não fique nas trevas» (João 12, 46). E São Paulo exprime-se nestes termos: «Porque o Deus que disse: "das trevas brilhe a luz", foi quem brilhou nos nossos corações» (2Coríntios 4, 6). No mundo pagão, com fome de luz, tinha-se desenvolvido o culto do deus Sol, «Sol invictus», invocado na sua aurora. Embora o sol renascesse cada dia, facilmente se percebia que era incapaz de irradiar a sua luz sobre toda a existência do ser humano. De facto, o sol não ilumina toda a realidade, sendo os seus raios incapazes de chegar até às sombras da morte, onde a vista humana se fecha para a sua luz. Aliás «nunca se viu ninguém — afirma o mártir São Justino — pronto a morrer pela sua fé no sol» [1]. Conscientes do amplo horizonte que a fé lhes abria, os cristãos chamaram a Cristo o verdadeiro Sol, «cujos raios dão a vida» [2]. A Marta, em lágrimas pela morte do irmão Lázaro, Jesus diz-lhe: «Eu não te disse que, se acreditares, verás a glória de Deus?» (João 11, 40). Quem acredita, vê; vê com uma luz que ilumina todo o percurso da estrada, porque nos vem de Cristo ressuscitado, estrela da manhã que não tem ocaso.

[1] Dialogus cum Tryphone Iudaeo, 121, 2: PG 6, 758
[2] Clemente de Alexandria, Protrepticus, IX: PG 8, 195

A Luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»]
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Refletir... saborear

  • O ser humano desde sempre sente necessidade de uma «luz» que ilumine a vida
  • Para colmatar essa necessidade, surgiu o culto do Sol, mas... o sol não é capaz de iluminar todos os aspetos da existência (a morte, por exemplo)
  • Os cristãos, conscientes dessa necessidade humana, apresentam Jesus Cristo como «o verdadeiro Sol», «a estrela da manhã que não tem ocaso»
  • A fé é, para mim, como uma luz que ilumina todos os aspetos da vida?
  • De onde vem a minha fé?
© Laboratório da fé, 2013


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Papa Francisco, Carta Encíclica sobre a fé (Lumen Fidei — A luz da fé)

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 12.8.13 | Sem comentários
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