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PREPARAR O DOMINGO QUINTO DE PÁSCOA

18 DE MAIO DE 2014


Atos dos Apóstolos 6, 1-7

Naqueles dias, aumentando o número dos discípulos, os helenistas começaram a murmurar contra os hebreus, porque no serviço diário não se fazia caso das suas viúvas. Então os Doze convocaram a assembleia dos discípulos e disseram: «Não convém que deixemos de pregar a palavra de Deus, para servirmos às mesas. Escolhei entre vós, irmãos, sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, para lhes confiarmos esse cargo. Quanto a nós, vamos dedicar-nos totalmente à oração e ao ministério da palavra». A proposta agradou a toda a assembleia; e escolheram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo, Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Parmenas e Nicolau, prosélito de Antioquia. Apresentaram-nos aos Apóstolos e estes oraram e impuseram as mãos sobre eles. A palavra de Deus ia-se divulgando cada vez mais; o número dos discípulos aumentava consideravelmente em Jerusalém e obedecia à fé também grande número de sacerdotes.



Escolhei entre vós, irmãos, sete homens de boa reputação


A palavra do Evangelho é uma força poderosa que se dissemina com uma vitalidade incrível, nos primeiros tempos da vida da Igreja, a comunidade reunida pelo Espírito de Deus à volta do Senhor Jesus Ressuscitado.
Contudo, surgem problemas que são inerentes à condição humana. Aqui, a causa é de tipo cultural: os imigrantes de língua grega sentem-se discriminados em relação aos nativos de língua aramaica. Os apóstolos entendem que a causa prioritária a que hão de dedicar os seus esforços é a Palavra — a proclamação do Evangelho de Jesus ressuscitado — e a oração — o diálogo confiado com Deus que proclama a sua glória e canta os seus louvores —. No entanto, o serviço aos necessitados também é importante e não pode ser descurado. Por isso, instituem um ministério dedicado especificamente ao serviço. Será confiado a «sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria». Os apóstolos confiaram-lhes o ministério pela oração e pela imposição das mãos. A Igreja vai descobrindo a sua forma, os ministérios que a constituem, a base para resolver os problemas que vão surgindo, no coração da sua história.

© Joan Ferrer, Misa dominical
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
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Preparar o domingo quinto de Páscoa (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Unknown | 14.5.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO QUARTO DE PÁSCOA

11 DE MAIO DE 2014


Atos dos Apóstolos 2, 14a.36-41

No dia de Pentecostes, Pedro, de pé, com os onze Apóstolos, ergueu a voz e falou ao povo: «Saiba com absoluta certeza toda a casa de Israel que Deus fez Senhor e Messias esse Jesus que vós crucificastes». Ouvindo isto, sentiram todos o coração trespassado e perguntaram a Pedro e aos outros Apóstolos: «Que havemos de fazer, irmãos?». Pedro respondeu-lhes: «Convertei-vos e peça cada um de vós o Baptismo em nome de Jesus Cristo, para vos serem perdoados os pecados. Recebereis então o dom do Espírito Santo, porque a promessa desse dom é para vós, para os vossos filhos e para quantos, de longe, ouvirem o apelo do Senhor nosso Deus». E com muitas outras palavras os persuadia e exortava, dizendo: «Salvai-vos desta geração perversa». Os que aceitaram as palavras de Pedro receberam o Baptismo e naquele dia juntaram-se aos discípulos cerca de três mil pessoas.



Deus fez Senhor e Messias esse Jesus que vós crucificastes


Este fragmento contém a introdução e a conclusão do sermão de Pedro, no dia de Pentecostes.
O primeiro anúncio não fala diretamente da ressurreição, embora tenha claramente em mente o acontecimento pascal. É devido à ressurreição que podemos afirmar que o mestre de Nazaré crucificado não é outra vítima duma justiça perversa. Ele é «Senhor e Messias»: é a expressão absolutamente única do amor e da presença de Deus. O acontecimento da Páscoa e as consequências que dele derivam são obra de Deus.
A referência a Jesus como Senhor (Kyrios, em grego) é a afirmação da sua divindade: é a forma como a Bíblia grega — que foi utilizada pelas primeiras comunidades cristãs — traduz o nome inefável do Deus de Israel. A confissão de que Jesus é Senhor é o resultado da ação do Espírito de Deus.
Cristo ou Messias é o ungido de Deus que há de ocupar o trono de David. Assim, dizer que Jesus é «Senhor e Messias» é afirmar que o crucificado, que ressuscitou, é Deus e portador do Reino de Deus.
A resposta à mensagem de Pedro sobre o núcleo do evangelho é formidável. A audiência é convidada a converter-se. Esta conversão é claramente cristológica: há de levar à confissão da divindade e do messianismo de Jesus.
A segunda instrução é que se hão de batizar em nome de Jesus. Aqui o batismo não é só um ato litúrgico, mas também é a ação de se abrir à presença do Espírito de Deus em cada um.

© Joan Ferrer, Misa dominical
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
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Preparar o domingo quarto de Páscoa (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Unknown | 9.5.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO TERCEIRO DE PÁSCOA

4 DE MAIO DE 2014


Atos dos Apóstolos 2, 14.22-33

No dia de Pentecostes, Pedro, de pé, com os onze Apóstolos, ergueu a voz e falou ao povo: «Homens da Judeia e vós todos que habitais em Jerusalém, compreendei o que está a acontecer e ouvi as minhas palavras: Jesus de Nazaré foi um homem acreditado por Deus junto de vós com milagres, prodígios e sinais, que Deus realizou no meio de vós, por seu intermédio, como sabeis. Depois de entregue, segundo o desígnio imutável e a previsão de Deus, vós destes-Lhe a morte, cravando-O na cruz pela mão de gente perversa. Mas Deus ressuscitou-O, livrando-O dos laços da morte, porque não era possível que Ele ficasse sob o seu domínio. Diz David a seu respeito: ‘O Senhor está sempre na minha presença, com Ele a meu lado não vacilarei. Por isso o meu coração se alegra e a minha alma exulta e até o meu corpo descansa tranquilo. Vós não abandonareis a minha alma na mansão dos mortos, nem deixareis o vosso Santo sofrer a corrupção. Destes-me a conhecer os caminhos da vida, a alegria plena em vossa presença’. Irmãos, seja-me permitido falar-vos com toda a liberdade: o patriarca David morreu e foi sepultado e o seu túmulo encontra-se ainda hoje entre nós. Mas, como era profeta e sabia que Deus lhe prometera sob juramento que um descendente do seu sangue havia de sentar-se no seu trono, viu e proclamou antecipadamente a ressurreição de Cristo, dizendo que Ele não O abandonou na mansão dos mortos, nem a sua carne conheceu a corrupção. Foi este Jesus que Deus ressuscitou e disso todos nós somos testemunhas. Tendo sido exaltado pelo poder de Deus, recebeu do Pai a promessa do Espírito Santo, que Ele derramou, como vedes e ouvis».



Não era possível que ele ficasse sob o domínio da morte


O texto do discurso de Pedro, no dia de Pentecostes, proclamado no terceiro domingo de Páscoa (Ano A), está centrado na ressurreição de Jesus, enfatizada a partir de diferentes ângulos.
Em primeiro lugar é proclamado o núcleo central da fé: Jesus, apesar de ter realizado as obras prodigiosas de Deus, foi assassinado por gente má, mas Deus ressuscitou-o da morte. O contraste é avassalador: Jesus realizou as boas obras de Deus; os que o crucificaram só realizaram más ações. Nada na morte de Jesus foi merecido. Ocorreu apenas como resultado do pecado humano.
Outro facto fundamental é que «Deus ressuscitou-O, livrando-O dos laços da morte, porque não era possível que Ele ficasse sob o seu domínio». A ressurreição é um facto inevitável: Deus atua soberanamente, como quando dá a ordem da Criação: já que Deus é como é, só podia agir assim.
O fragmento dos Atos dos Apóstolos acentua a contínua atividade de Deus: é Deus quem realiza, através de Jesus, «milagres, prodígios e sinais» e é Deus quem ressuscita Jesus da morte. Jesus não é um simples homem bom nem um super-homem que enganou a morte. Deus é o poder de tudo o que Jesus fez pelos outros e Deus é a força que está por trás da ressurreição.
A Páscoa é a celebração da vulnerabilidade de Deus — que está aberto às necessidades dos seres humanos pecadores — e do poder de Deus que se quis encontrar com os necessitados. A vulnerabilidade de Deus manifesta-se quando Jesus morre «pela mão de gente perversa», mas o poder de Deus torna-se evidente na ressurreição. A vulnerabilidade de Deus é uma consequência da imediata da nossa debilidade e mortalidade — se não fosse assim, Deus seria distante e inatingível —; o seu poder é a nossa salvação.

© Joan Ferrer, Misa dominical
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
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Preparar o domingo terceiro de Páscoa (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Unknown | 29.4.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO SEGUNDO DE PÁSCOA

27 DE ABRIL DE 2014


Atos dos Apóstolos 2, 42-47

Os irmãos eram assíduos ao ensino dos Apóstolos, à comunhão fraterna, à fração do pão e às orações. Perante os inumeráveis prodígios e milagres realizados pelos Apóstolos, toda a gente se enchia de temor. Todos os que haviam abraçado a fé viviam unidos e tinham tudo em comum. Vendiam propriedades e bens e distribuíam o dinheiro por todos, conforme as necessidades de cada um. Todos os dias frequentavam o templo, como se tivessem uma só alma, e partiam o pão em suas casas; tomavam o alimento com alegria e simplicidade de coração, louvando a Deus e gozando da simpatia de todo o povo. E o Senhor aumentava todos os dias o número dos que deviam salvar-se.



Viviam unidos e tinham tudo em comum


Este fragmento do livro dos Atos dos Apóstolos é um sumário da vida da jovem Igreja. O ênfase está colocado na Eucaristia: duas vezes repete a expressão «fração do pão», «partiam o pão». As atividades fundamentais da vida da nova Igreja, além do pão partido, são o ensino dos apóstolos e as orações que a comunidade oferecia a Deus.
Assinala que o culto dos primeiros momentos era oferecido no templo: com isto, reafirmavam o sentido de viver em continuidade com o marco da fé de Israel, que celebrava a história salvífica que se tinha desdobrado ao longo dos séculos; e, além disso, em casa, ofereciam louvores a Deus e celebravam a Eucaristia. É um culto de ação de graças e de alegria. A comunidade cristã das origens aceitou a história antiga, mas também abraçou a novidade absoluta que Deus tinha revelado em Jesus Messias. A vida transformada que aceitaram expressa-se na adoração e nas boas relações com os vizinhos.
O sentido de «respeito» — que é o temor ou a veneração do Senhor — chega à vida dos crentes. Trata-se da apreciação da capacidade que Deus tem para mudar a vida humana por caminhos decisivos. Os «prodígios e milagres» são para recordar o sentido imediato do poder transformador da vida realizado pelo Espírito de Deus, que era possuído pelos primeiros cristãos.
A vida e os bens em comum, por fim, não acabaram por prosperar (recordemos a história de Ananias e Sagira, no capítulo quinto dos Atos dos Apóstolos), mas o excesso do amor de Deus que experienciavam, levava-os a expressar, nos bens partilhados, o afeto que tinham como dom do Espírito.

© Joan Ferrer, Misa dominical
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
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Preparar o domingo segundo de Páscoa (Ano A), no Laboratório da fé, 2014


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 22.4.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO PRIMEIRO DE PÁSCOA

20 DE ABRIL DE 2014


Atos dos Apóstolos 10, 34a.37-43

Naqueles dias, Pedro tomou a palavra e disse: «Vós sabeis o que aconteceu em toda a Judeia, a começar pela Galileia, depois do batismo que João pregou: Deus ungiu com a força do Espírito Santo a Jesus de Nazaré, que passou fazendo o bem e curando a todos os que eram oprimidos pelo Demónio, porque Deus estava com Ele. Nós somos testemunhas de tudo o que Ele fez no país dos judeus e em Jerusalém; e eles mataram-n'O, suspendendo-O na cruz. Deus ressuscitou-O ao terceiro dia e permitiu-Lhe manifestar-Se, não a todo o povo, mas às testemunhas de antemão designadas por Deus, a nós que comemos e bebemos com Ele, depois de ter ressuscitado dos mortos. Jesus mandou-nos pregar ao povo e testemunhar que Ele foi constituído por Deus juiz dos vivos e dos mortos. É d'Ele que todos os profetas dão o seguinte testemunho: quem acredita n’Ele recebe pelo seu nome a remissão dos pecados».



Comemos e bebemos com Ele, depois de ter ressuscitado


A celebração da Páscoa é o centro do ano cristão. Os textos que vamos ler de agora até ao Pentecostes, como primeira leitura, pertencem ao livro dos Atos dos Apóstolos. São expressão da proclamação na Igreja das origens do núcleo do Evangelho e da obra do Espírito Santo, que atua na vida das mulheres e dos homens que respondem a esta proclamação.
A morte e a ressurreição de Jesus Cristo são apresentadas como ações da graças de Deus, através dos quais os homens e as mulheres são salvos e reconciliados com Deus e uns com os outros. Estes textos são como microevangelhos: contêm o núcleo da programação da boa nova de Deus centrada no anúncio do Reino, da paixão, da morte e da ressurreição de Jesus.
O fragmento proclamado na primeira leitura do primeiro domingo de Páscoa (Ano A) pertence ao sermão de Pedro dirigido ao centurião romano Cornélio. O facto do destinatário ser um romano não é marginal, considerando o interesse do livro dos Atos em acentuar a universalidade do Evangelho. A síntese da mensagem que apresenta é a seguinte: Jesus, que tinha recebido o poder de Deus, viveu fazendo muitas boas obras, para destruir o poder do Diabo. O final desta vida boa foi a execução de Jesus, mas Deus não permitiu que o mal triunfasse, por isso ressuscitou Jesus de entre os mortos e mostrou a ressurreição aos que ele tinha escolhido como testemunhas. Estes comeram e beberam com ele — notar as referências à Eucaristia — e receberam a responsabilidade de espalhar a mensagem sobre a ressurreição de Jesus.

© Joan Ferrer, Misa dominical
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
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Preparar o domingo primeiro de Páscoa (Ano A), no Laboratório da fé, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 20.4.14 | Sem comentários

PREPARAR A SEXTA-FEIRA SANTA

18 DE ABRIL DE 2014


Isaías 52, 13 – 53, 12

Vede como vai prosperar o meu servo: subirá, elevar-se-á, será exaltado. Assim como, à sua vista, muitos se encheram de espanto – tão desfigurado estava o seu rosto que tinha perdido toda a aparência de um ser humano – assim se hão de encher de assombro muitas nações e, diante dele, os reis ficarão calados, porque hão de ver o que nunca lhes tinham contado e observar o que nunca tinham ouvido. Quem acreditou no que ouvimos dizer? A quem se revelou o braço do Senhor? O meu servo cresceu diante do Senhor como um rebento, como raiz numa terra árida, sem distinção nem beleza para atrair o nosso olhar, nem aspeto agradável que possa cativar-nos. Desprezado e repelido pelos homens, homem de dores, acostumado ao sofrimento, era como aquele de quem se desvia o rosto, pessoa desprezível e sem valor para nós. Ele suportou as nossas enfermidades e tomou sobre si as nossas dores. Mas nós víamos nele um homem castigado, ferido por Deus e humilhado. Ele foi trespassado por causa das nossas culpas e esmagado por causa das nossas iniquidades. Caiu sobre ele o castigo que nos salva: pelas suas chagas fomos curados. Todos nós, como ovelhas, andávamos errantes, cada qual seguia o seu caminho. E o Senhor fez cair sobre ele as faltas de todos nós. Maltratado, humilhou-se voluntariamente e não abriu a boca. Como cordeiro levado ao matadouro, como ovelha muda ante aqueles que a tosquiam, ele não abriu a boca. Foi eliminado por sentença iníqua, mas quem se preocupa com a sua sorte? Foi arrancado da terra dos vivos e ferido de morte pelos pecados do seu povo. Foi-lhe dada sepultura entre os ímpios e um túmulo no meio de malfeitores, embora não tivesse cometido injustiça, nem se tivesse encontrado mentira na sua boca. Aprouve ao Senhor esmagar o seu servo pelo sofrimento. Mas se oferecer a sua vida como sacrifício de expiação, terá uma descendência duradoira, viverá longos dias e a obra do Senhor prosperará em suas mãos. Terminados os sofrimentos, verá a luz e ficará saciado na sua sabedoria. O justo, meu servo, justificará a muitos e tomará sobre si as suas iniquidades. Por isso, Eu lhe darei as multidões como prémio e terá parte nos despojos no meio dos poderosos; porque ele próprio entregou a sua vida à morte e foi contado entre os malfeitores, tomou sobre si as culpas das multidões e intercedeu pelos pecadores.



Ele foi trespassado por causa das nossas culpas


Este famoso poema de Isaías é muito obscuro. É todo composto por alusões e não conseguimos saber em que contexto original da história do povo de Israel o podemos situar. Por isso, a Igreja leu-o sempre como uma alusão aos sofrimentos e à morte de Jesus, como acontecimento salvador querido por Deus.
O texto começa com uma proclamação triunfante que, na continuação da leitura do poema, deixa-nos atónitos, já que parece a antítese do otimismo presente no versículo inicial. Este homem é abusivamente maltratado, mas a voz profética diz que o servo «vai prosperar»: «subirá, elevar-se-á, será exaltado».
É uma pessoa desfigurada, que causa repulsa aos outros. Ninguém espera nada dele, mas «suportou as nossas enfermidades e tomou sobre si as nossas dores..., pelas suas chagas fomos curados..., o Senhor fez cair sobre ele as faltas de todos nós». Este texto é um momento culminante de todas as Sagradas Escrituras. Estamos tão acostumados a ele que quase não nos damos conta do carácter revolucionário que possui: esta pessoa tão desgraçada carregava com os nossos sofrimentos, de maneira que nos seus sofrimentos nós fomos curados, perdoados e transformados.
Em Sexta-feira Santa, este poema ajuda a Igreja a discernir o que Jesus fez e faz: a sua entrada no mal e na culpa do mundo mudou totalmente o mundo. Este poema e a sua concretização evangélica na cruz pedem o silêncio total perante um mistério que é demasiado profundo para a especulação ou a explicação.

© Joan Ferrer, Misa dominical
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Preparar a Sexta-feira Santa, no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 18.4.14 | Sem comentários

PREPARAR A QUINTA-FEIRA SANTA

17 DE ABRIL DE 2014


Êxodo 12, 1-8.11-14

Naqueles dias, o Senhor disse a Moisés e a Aarão na terra do Egipto: «Este mês será para vós o princípio dos meses; fareis dele o primeiro mês do ano. Falai a toda a comunidade de Israel e dizei-lhe: No dia dez deste mês, procure cada qual um cordeiro por família, uma rês por cada casa. Se a família for pequena demais para comer um cordeiro, junte-se ao vizinho mais próximo, segundo o número de pessoas, tendo em conta o que cada um pode comer. Tomareis um animal sem defeito, macho e de um ano de idade. Podeis escolher um cordeiro ou um cabrito. Deveis conservá-lo até ao dia catorze desse mês. Então, toda a assembleia da comunidade de Israel o imolará ao cair da tarde. Recolherão depois o seu sangue, que será espalhado nos dois umbrais e na padieira da porta das casas em que o comerem. E comerão a carne nessa mesma noite; comê-la-ão assada ao fogo, com pães ázimos e ervas amargas. Quando o comerdes, tereis os rins cingidos, sandálias nos pés e cajado na mão. Comereis a toda a pressa: é a Páscoa do Senhor. Nessa mesma noite, passarei pela terra do Egipto e hei-de ferir de morte, na terra do Egipto, todos os primogénitos, desde os homens até aos animais. Assim exercerei a minha justiça contra os deuses do Egipto, Eu, o Senhor. O sangue será para vós um sinal, nas casas em que estiverdes: ao ver o sangue, passarei adiante e não sereis atingidos pelo flagelo exterminador, quando Eu ferir a terra do Egipto. Esse dia será para vós uma data memorável, que haveis de celebrar com uma festa em honra do Senhor. Festejá-lo-eis de geração em geração, como instituição perpétua».



Prescrições sobre a Ceia Pascal


A Última Ceia de Jesus com os seus discípulos antes da sua morte situa-se no contexto pascal. A leitura do Êxodo dá as instruções para a celebração dessa ceia. Trata-se das normas litúrgicas, de carácter sacerdotal, para a celebração dessa festa, com grande solenidade e precisão.
A festa marca um ponto de partida na vida de Israel. É como se a vida começasse de novo, neste momento de recordação e recriação. O centro é o cordeiro, que é uma comida cara. Se a família é demasiado pequena tem que se partilhado. Há de ser um animal sem defeito, digno da função santa em que vai ser incluído. O sangue do cordeiro será usado para pintar os umbrais e a padieira das portas.
Na memória comunitária, a refeição em comum recebe um novo significado: não é uma refeição ordinária e, portanto, não será feita de forma ordinária. A refeição é acompanhada pela prontidão para iniciar a viagem, com sentido de urgência, como se fosse o momento anterior à saída do Êxodo. Em cada geração, todos se hão de sentir participantes do momento dramático da saída do Egito. Há de ser uma refeição de provisão para o longo e difícil caminho até à novidade.
A Páscoa é memória da obra de Deus que dá a liberdade a um povo de escravos, para se converter no seu povo de Israel. Aqui Deus mostra-se como o Senhor da liberdade e da justiça.

© Joan Ferrer, Misa dominical
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Preparar a Quinta-feira Santa, no Laboratório da fé, 2014


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 17.4.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO DE RAMOS [SEXTO DA QUARESMA]

13 DE ABRIL DE 2014


Isaías 50, 4-7

O Senhor deu-me a graça de falar como um discípulo, para que eu saiba dizer uma palavra de alento aos que andam abatidos. Todas as manhãs Ele desperta os meus ouvidos, para eu escutar, como escutam os discípulos. O Senhor Deus abriu-me os ouvidos e eu não resisti nem recuei um passo. Apresentei as costas àqueles que me batiam e a face aos que me arrancavam a barba; não desviei o meu rosto dos que me insultavam e cuspiam. Mas o Senhor Deus veio em meu auxílio, e, por isso, não fiquei envergonhado; tornei o meu rosto duro como pedra, e sei que não ficarei desiludido.



Sei que não ficarei desiludido


Escutamos a voz do Servo que fala de uma grande comoção e expressa uma profunda confiança. Não se diz quem é nem a razão da sua angústia. Os servos de Deus só podem ter a vida em perigo porque a verdade de Deus não costuma ser conforme a forma como os humanos entendem a realidade. A Igreja viu sempre, neste Servo, a figura de Jesus: o seu conflito acabará por conduzi-lo ao sofrimento e à morte; mas, mesmo nestas circunstâncias, continua a ser o Servo confiante, fiel e obediente.
Tudo o que se diz no fragmento profético sobre o Servo está centrado em Deus: o seu ministério particular foi-lhe confiado por Deus e, por mais estranha que possa ser, há de ter o ouvido atento a qualquer mensagem de Deus. E a língua há de estar pronta para falar dessas mesmas coisas estranhas.
A missão é «dizer uma palavra de alento aos que andam abatidos». O abatido é o judeu exilado, cuja vida ficou devastada pelo império opressor. É preciso, com a força poderosa da palavra, criar uma realidade alternativa que produza espaço, liberdade e energia: novas possibilidades para além as realidades cansativas de cada dia. Por isso, o Servo sofrerá hostilidade, mas a sua resposta será sempre pacífica, porque confia no Senhor e nele encontra consolação.

© Joan Ferrer, Misa dominical
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
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Preparar o domingo de Ramos, sexto da Quaresma (Ano A), no Laboratório da fé, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 11.4.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO QUINTO DA QUARESMA

6 DE ABRIL DE 2014


Ezequiel 37, 12-14

Assim fala o Senhor Deus: «Vou abrir os vossos túmulos e deles vos farei ressuscitar, ó meu povo, para vos reconduzir à terra de Israel. Haveis de reconhecer que Eu sou o Senhor, quando abrir os vossos túmulos e deles vos fizer ressuscitar, ó meu povo. Infundirei em vós o meu espírito e revivereis. Hei-de fixar-vos na vossa terra e reconhecereis que Eu, o Senhor, digo e faço».



Infundirei em vós o meu espírito e revivereis


O profeta é conduzido a um vale pelo Espírito de Deus. Aí, experimenta a visão da nova vida criada pela soberania de Deus. O vale está cheio de ossos ressequidos. Os ossos não têm em si mesmos nenhum poder de vida. A pergunta é: Estes ossos poderão viver? Esta é sempre a grande questão de Israel! Os exilados podem ser resgatados? Os cegos podem ver? Os pobres podem alegrar-se? A vida pode vencer a realidade da morte? Há alguma possiblidade de futuro para os que estão no poder da morte?
Só Deus tem a resposta para estas questões, porque só Deus tem o poder de dar a vida.
Então, o profeta é convidado a convocar o vento para que sopre vida, novidade e possibilidades.
A profecia deixa bem claro que só Deus cria vida nova; pela palavra do profeta chega a novidade de Deus e esta palavraé uma palavra humana concreta; o mandato de Deus e a palavra do profeta evocam uma ressurreição para uma nova vida.
Em seguida, relaciona a profecia com a realidade da vida de Israel: os ossos são Israel; o vale é o exílio; o poder soberano de Deus pode fazer com que os deportados de Israel regressem a casa. A ressurreição é, aqui, a capacidade de Deus trazer uma novidade absoluta e inesperada ao coração da história.

© Joan Ferrer, Misa dominical
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Preparar o domingo quinto da Quaresma (Ano A), no Laboratório da fé, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 3.4.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO QUARTO DA QUARESMA

30 DE MARÇO DE 2014


Primeiro Livro de Samuel 16, 1b.6-7.10-13a

Naqueles dias, o Senhor disse a Samuel: «Enche a âmbula de óleo e parte. Vou enviar-te a Jessé de Belém, pois escolhi um rei entre os seus filhos». Quando chegou, Samuel viu Eliab e pensou consigo: «Certamente é este o ungido do Senhor». Mas o Senhor disse a Samuel: «Não te impressiones com o seu belo aspecto, nem com a sua elevada estatura, pois não foi esse que Eu escolhi. Deus não vê como o homem; o homem olha às aparências, o Senhor vê o coração». Jessé fez passar os sete filhos diante de Samuel, mas Samuel declarou-lhe: «O Senhor não escolheu nenhum destes». E perguntou a Jessé: «Estão aqui todos os teus filhos?». Jessé respondeu-lhe: «Falta ainda o mais novo, que anda a guardar o rebanho». Samuel ordenou: «Manda-o chamar, porque não nos sentaremos à mesa, enquanto ele não chegar». Então Jessé mandou-o chamar: era ruivo, de belos olhos e agradável presença. O Senhor disse a Samuel: «Levanta-te e unge-o, porque é este mesmo». Samuel pegou na âmbula do óleo e ungiu-o no meio dos irmãos. Daquele dia em diante, o Espírito do Senhor apoderou-Se de David.



David é ungido rei de Israel


A comunidade de Israel encontra-se numa crise profunda que pede uma nova organização à volta da pessoa do rei. Saul, o primeiro rei, ungido por Samuel, tinha fracassado, de maneira que a crise não tinha solução. O futuro depende de encontrar um chefe adequado para o povo.
Deus é livre para recusar o rei que previamente tinha escolhido. Assim, envia Samuel a uma família para ungir um dos filhos como rei. Samuel não sabe quem é. A situação é muito delicada, porque o rei anterior ainda ocupa o trono e este facto é uma clara provocação.
Belém é uma povoação insignificante. Não parece ser o lugar indicado para encontrar um rei. Jessé faz desfilar cada um dos seus filhos diante de Samuel e nós assistimos a uma espécie de cochicho entre o Senhor e Samuel. A qualidade que o Senhor procura não é a aparência, mas o fundo do coração.
Na primeira ronda, Samuel não descobre qualquer candidato. Depois, aparece o oitavo filho, que parecia estar descartado por ser demasiado pequeno.
Ao entrar o jovem, o narrado — embora nos tenha dito que o aspeto não era importante — não consegue evitar de referir que «era ruivo, de belo olhos e agradável presença». O Senhor intervém com uma ordem: «É este mesmo». O Senhor, que enaltece os humildes, fez com que o último fosse o primeiro.

© Joan Ferrer, Misa dominical
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Preparar o domingo quarto da Quaresma (Ano A), no Laboratório da fé, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 27.3.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO TERCEIRO DA QUARESMA

23 DE MARÇO DE 2014


Êxodo 17, 3-7

Naqueles dias, o povo israelita, atormentado pela sede, começou a altercar com Moisés, dizendo: «Porque nos tiraste do Egipto? Para nos deixares morrer à sede, a nós, aos nossos filhos e aos nossos rebanhos?». Então Moisés clamou ao Senhor, dizendo: «Que hei-de fazer a este povo? Pouco falta para me apedrejarem». O Senhor respondeu a Moisés: «Passa para a frente do povo e leva contigo alguns anciãos de Israel. Toma na mão a vara com que fustigaste o Rio e põe-te a caminho. Eu estarei diante de ti, sobre o rochedo, no monte Horeb. Baterás no rochedo e dele sairá água; então o povo poderá beber». Moisés assim fez à vista dos anciãos de Israel. E chamou àquele lugar Massa e Meriba, por causa da altercação dos filhos de Israel e por terem tentado o Senhor, ao dizerem: «O Senhor está ou não no meio de nós?».



Dar de beber


O Êxodo é o dom da liberdade que Deus concedeu aos escravos hebreus no Egito. A libertação levou o povo ao deserto, que não é um lugar de bem-estar. Não há água. As garantias mínimas de vida — comida e água a troco de servidão — que eram oferecidas pelo sistema imperial e escravista dos egípcios já não existem. Esta crise provoca protestos e insatisfação.
Parece que nos encontramos perante uma crise de liderança por parte de Moisés; mas Moisés é apenas um agente do Senhor, que é o verdadeiro líder.
Moisés sente-se em perigo e pede a Deus que faça qualquer coisa. Moisés e Israel começam a dar conta de que o Deus do Êxodo não é um recurso para satisfazer todos os desejos de Israel.
A resposta de Deus é abrupta e decisiva: uma ordem e uma promessa. Moisés há de agir de uma maneira bastante surpreendente: dar com a vara no rochedo. Há de encontrar água no lugar mais inesperado. Deus não dá qualquer explicação nem argumento.
A promessa faz referência à presença de Deus: «Eu estarei diante de ti».
A história é muito seca, embora a água, perante a ordem do Senhor e a ação de Moisés, jorre e mate a sede ao povo. O Senhor sustenta a vida, apesar do povo o ter posto à prova: o Senhor foi tratado como um meio e não como um fim; o centro de gravidade da existência foi alterado, de Deus para a própria vida; ora, isto é um ato de idolatria.

© Joan Ferrer, Misa dominical
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
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Preparar o domingo terceiro da Quaresma (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 21.3.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO SEGUNDO DA QUARESMA

16 DE MARÇO DE 2014


Génesis 12, 1-4a

Naqueles dias, o Senhor disse a Abraão: «Deixa a tua terra, a tua família e a casa de teu pai e vai para a terra que Eu te indicar. Farei de ti uma grande nação e te abençoarei; engrandecerei o teu nome e serás uma bênção. Abençoarei a quem te abençoar, amaldiçoarei a quem te amaldiçoar; por ti serão abençoadas todas as nações da terra». Abraão partiu, como o Senhor lhe tinha ordenado.



Vocação de Abraão, pai do povo de Deus


O texto que a liturgia oferece para primeira leitura do segundo domingo da Quaresma (Ano A) não nos diz absolutamente nada da vida da pessoa de Abraão. De Sara só sabemos que era estéril (Génesis 11, 30). O Génesis só tem interesse pela nova vida, para a qual a voz inesperada de Deus convocou Abraão. O chamamento pede só uma resposta.
O relato nada nos diz das circunstâncias nas quais a voz foi escutada por Abraão; mas trata-se de um facto novo e irresistível, que situa, no núcleo da sua existência, uma promessa, um propósito e uma presença diferente. A palavra de Deus cria uma realidade nova na vida do patriarca.
A palavra pede-lhe que aceite a novidade absoluta: que vá para onde nunca tinha estado. Aqui começa a promessa de Deus que o há de levar até uma nova terra de promessa. A fé é a capacidade de arriscar o que conheces e está próximo pelo que ainda tem que ser dado por este inesperado falante.
A palavra convida Abraão a viver na esperança, a confiar em quem promete. A partir deste relato, a fé bíblica entra na dinâmica de um dom que ainda não tinha sido dado, de uma palavra que ainda não se tinha cumprido, de uma promessa que haveria de ser mantida. É a promessa de Deus, mantida pelo poder de Deus. A comunidade de Abraão é a beneficiária desta boa palavra, mas não é a administrador.
A promessa faz entrar uma bênção sem medida num mundo de maldição mortal. O caminho de Abraão terá consequências para todos os povos.
Abraão responde e a sua resposta recebe o nome de fé. A partir daí, começa uma viagem que será de novidade e de risco.

© Joan Ferrer, Misa dominical
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
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Preparar o domingo segundo da Quaresma (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 13.3.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO PRIMEIRO DA QUARESMA

9 DE MARÇO DE 2014


Génesis 2, 7-9; 3, 1-7

O Senhor Deus formou o homem do pó da terra, insuflou em suas narinas um sopro de vida, e o homem tornou-se um ser vivo. Depois, o Senhor Deus plantou um jardim no Éden, a oriente, e nele colocou o homem que tinha formado. Fez nascer na terra toda a espécie de árvores, de frutos agradáveis à vista e bons para comer, entre as quais a árvore da vida, no meio do jardim, e a árvore da ciência do bem e do mal. Ora, a serpente era o mais astucioso de todos os animais dos campos que o Senhor Deus tinha feito. Ela disse à mulher: «É verdade que Deus vos disse: ‘Não podeis comer o fruto de nenhuma árvore do jardim’?». A mulher respondeu: «Podemos comer o fruto das árvores do jardim; mas, quanto ao fruto da árvore que está no meio do jardim, Deus avisou-nos: ‘Não podeis comer dele nem tocar-lhe, senão morrereis’». A serpente replicou à mulher: «De maneira nenhuma! Não morrereis. Mas Deus sabe que, no dia em que o comerdes, abrir-se-ão os vossos olhos e sereis como deuses, ficando a conhecer o bem e o mal». A mulher viu então que o fruto da árvore era bom para comer e agradável à vista, e precioso para esclarecer a inteligência. Colheu fruto da árvore e comeu; depois deu-o ao marido, que comeu juntamente com ela. Abriram-se então os seus olhos e compreenderam que estavam despidos. Por isso, entrelaçaram folhas de figueira e cingiram os rins com elas.



Criação e pecado dos primeiros pais


O belo texto proposto na primeira leitura do primeiro domingo da Quaresma (Ano A), que pertence às primeiras páginas da Sagrada Escritura, recorda-nos as origens de tudo: somos criação de Deus e a vida é um dom de Deus.
Deus não só cria as pessoas, mas também lhes dá um jardim, que o próprio plantou, com a missão de ser cultivado e guardado (Génesis 2, 15). No jardim, a pessoa criada é dotada da liberdade de eleição. Lá está a árvore da vida com livre acesso. Lá está também outra árvore, que pode dar a morte. Chama-se «a árvore da ciência do bem e do mal», uma árvore perigosa que pode levar ao abandono do plano de Deus. No diálogo com uma serpente estranha que falava, esta árvore seduz a humanidade. É a atração por aquilo que Deus não deu a conhecer.
Deus, no texto, age: modela, sopra, planta... a serpente, pelo contrário, não tem qualquer poder para agir, para transformar a realidade. Só pode falar e, com astúcia, manipular a verdade. Notamos que a serpente, na segunda intervenção, contradiz o que Deus tinha dito. O propósito é colocar a humanidade fora do diálogo fiel com Deus e da prática da confiança. A serpente faz com que as palavras de Deus sejam duvidosas e negociáveis. A serpente é hábil no engano e cria opções para a humanidade, fora das opções que Deus tinha oferecido e autorizado.
A mulher e o homem escutam uma voz que não e a de Deus; e o resultado é que «descobrem» a nudez. Isto significa que a inocência rompeu-se irremediavelmente e converteu-se em medo.
A serpente que fala desaparece para sempre de Israel, mas o texto do Génesis já nos ensinou que o destino da humanidade fica marcado para sempre por este conflito entre vozes que procuram definir o destino humano. O texto é um convite a voltar à única voz verdadeira, a única capaz de dar vida.

© Joan Ferrer, Misa dominical
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
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Preparar o domingo primeiro da Quaresma (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 7.3.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO OITAVO

2 DE MARÇO DE 2014


Isaías 49, 14-15

Sião dizia: «O Senhor abandonou-me, o Senhor esqueceu-Se de mim». Poderá a mulher esquecer a criança que amamenta e não ter compaixão do filho das suas entranhas? Mas ainda que ela se esquecesse, Eu não te esquecerei.



Eu não te esquecerei


Num contexto de celebração da mudança de situação em Israel e da riqueza do futuro que está prestes a conceder, Deus, dirigindo-se ao Servo — um personagem misterioso, que não se consegue saber quem é, que intervém para transformar a situação absolutamente desesperada do povo — diz-lhe o que decidiu fazer e faz. Trata-se da obra salvadora de Deus, que será como um novo Êxodo, uma nova entrada na luz daqueles que viviam nas trevas. É uma realidade completamente nova que fará com que o céu, a terra e as montanhas proclamem gritos de alegria «porque o Senhor consola o seu povo e compadece-se dos desamparados» (Isaías 49, 13).
Perante esta perspetiva deslumbrante para os oprimidos e os sem voz, surge uma voz de dúvida por parte de Sião, a cidade destruída de Jerusalém: «O Senhor abandonou-me». Este grito de dor dos desvalidos tem como resposta um oráculo poderoso: Deus é como uma mãe que não se esquece do filho que amamenta. De facto, Deus é muito mais do que uma mãe; porque mesmo que alguma vez uma mãe se esquecesse da sua criatura, Deus nunca a esqueceria. Os exilados sabem que são objeto de um amor que é muito mais forte do que aquele que alguma mãe poderia alguma vez chegar a dar.

© Joan Ferrer, Misa dominical
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Preparar o domingo oitavo (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 25.2.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO SÉTIMO

23 DE FEVEREIRO DE 2014


Levítico 19, 1-2.17-18

O Senhor dirigiu-Se a Moisés nestes termos: «Fala a toda a comunidade dos filhos de Israel e diz-lhes: ‘Sede santos, porque Eu, o Senhor, vosso Deus, sou santo’. Não odiarás do íntimo do coração os teus irmãos, mas corrigirás o teu próximo, para não incorreres em falta por causa dele. Não te vingarás, nem guardarás rancor contra os filhos do teu povo. Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o Senhor».



Amarás o teu próximo como a ti mesmo


As Sagradas Escrituras contêm a narração da fé do povo de Israel. Nelas, aprendemos a conhecer a vontade e o carácter de Deus. O Senhor é um fim, não um meio: é uma pessoa para ser honrada, não um poder para ser utilizado.
A Palavra de Deus também nos ensina coisas sobre o carácter de Israel. Israel manifesta santidade quando obedece aos mandamentos de Deus. O texto do Levítico, proposto na primeira leitura do sétimo domingo (Ano A), articula a relação crucial entre a santidade de Deus e a obediência de Israel, que é a forma da santidade humana. A fé obediente é uma resposta à santidade salvadora de Deus.
A segunda parte do texto formula um mandamento muito familiar para os cristãos: «amarás o teu próximo como a ti mesmo». Mas é preciso entender o sentido deste amor no contexto em que nos é transmitido: a malícia, incubada por uma razão qualquer, ou a indiferença, que leva à despreocupação em relação ao mal que pode causar aos outros, ou o desejo de vingança, são o antiamor.
Israel — e qualquer pessoa ou sociedade — vive rodeado de pessoas. É na vida em comum que se incarna a santidade. As leis do Antigo Testamento, que ordenam o amor ao outro, fundamentam-se na afirmação da santidade do Senhor, de maneira que o amor a Deus não é possível sem amor para com os vizinhos, porque a santidade do céu manifesta-se como justiça na terra. Não há caminho de santidade que não passe pelas relações sociais completamente transformadas.

© Joan Ferrer, Misa dominical
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Preparar o domingo sétimo (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 21.2.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO SEXTO

16 DE FEVEREIRO DE 2014


Ben-Sirá 15, 16-21 (15-20)

Se quiseres, guardarás os mandamentos: ser fiel depende da tua vontade. Deus pôs diante de ti o fogo e a água: estenderás a mão para o que desejares. Diante do homem estão a vida e a morte: o que ele escolher, isso lhe será dado. Porque é grande a sabedoria do Senhor, Ele é forte e poderoso e vê todas as coisas. Seus olhos estão sobre aqueles que O temem, Ele conhece todas as coisas do homem. Não mandou a ninguém fazer o mal, nem deu licença a ninguém de cometer o pecado.



Nem deu licença a ninguém de cometer o pecado


Jesus, filho de Sirá, era um sábio de Jerusalém que viveu num momento perturbado para a fé de Israel: o pensamento grego ia-se introduzindo com força em Israel e a fé tradicional tinha começado a entrar em crise, sobretudo entre as classes dirigentes do país, que se sentiam atraídos por um mundo novo que consideravam mais moderno e sedutor.
Neste fragmento proposto pela primeira leitura do sexto domingo (Ano A), o sábio e o mestre da sabedoria coloca os seus leitores perante uma alternativa: há dois caminhos, «fogo e água», «morte e vida»; cada um tem de decidir qual escolhe.
Há que assinalar um facto fundamental: na fé de Israel o mandamento não é uma regra que se impõe à liberdade humana, mas a possibilidade infinitamente rica de escutar a palavra que vem de Deus, que enche as pessoas de sentido.
Por trás de tudo está a sabedoria do Senhor, que é a que articula a criação como possibilidade de sentido e de liberdade oferecida aos crentes.

© Joan Ferrer, Misa dominical
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Preparar o domingo sexto (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 12.2.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO QUINTO

9 DE FEVEREIRO DE 2014


Isaías 58, 7-10

Eis o que diz o Senhor: «Reparte o teu pão com o faminto, dá pousada aos pobres sem abrigo, leva roupa ao que não tem que vestir e não voltes as costas ao teu semelhante. Então a tua luz despontará como a aurora e as tuas feridas não tardarão a sarar. Preceder-te-á a tua justiça e seguir-te-á a glória do Senhor. Então, se chamares, o Senhor responderá, se O invocares, dir-te-á: ‘Aqui estou’. Se tirares do meio de ti a opressão, os gestos de ameaça e as palavras ofensivas, se deres do teu pão ao faminto e matares a fome ao indigente, a tua luz brilhará na escuridão e a tua noite será como o meio-dia».



A tua luz despontará como a aurora


O profeta Isaías diz ao povo de Israel como se deve entender a verdadeira religião. Alguns do povo pensavam que se tinham comportado com zelo religioso e de maneira escrupulosa, mas todos esses esforços não tinham produzido os resultados esperados. Parece que Deus não fez caso dessas devoções, que conviviam perfeitamente com a opressão dos mais débeis.
Isaías só entende a experiência religiosa num vínculo estreito com as necessidades daqueles que estão próximos de nós: os que passam fome, os que não têm casa, os que não têm roupa. A proposta da nova espiritualidade feita pelo profeta é revolucionária: cuidar da alimentação, da casa, do corpo dos outros, dos que estão próximos de nós. Notemos a matiz fundamental: «o teu pão», «dá pousada», «as tuas feridas». Tem que haver um vínculo muito forte entre aquele que dá o que passa necessidade. O resultado desta nova espiritualidade será prodigioso: «A tua luz despontará como a aurora». A luz é sempre sinal da presença de Deus, da «glória do Senhor». Deus está muito perto dos que dão a vida por aqueles que têm necessidade de nós. A recompensa — «a tua noite será como o meio-dia» — é absolutamente inesperada, graça pura de Deus.

© Joan Ferrer, Misa dominical
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Preparar o domingo quinto (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Unknown | 5.2.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO DA APRESENTAÇÃO DE JESUS

2 DE FEVEREIRO DE 2014


Malaquias 3, 1-4

Assim fala o Senhor Deus: «Vou enviar o meu mensageiro, para preparar o caminho diante de Mim. Imediatamente entrará no seu templo o Senhor a quem buscais, o Anjo da Aliança por quem suspirais. Ele aí vem – diz o Senhor do Universo –. Mas quem poderá suportar o dia da sua vinda, quem resistirá quando Ele aparecer? Ele é como o fogo do fundidor e como a lixívia dos lavandeiros. Sentar-Se-á para fundir e purificar: purificará os filhos de Levi, como se purifica o ouro e a prata, e eles serão para o Senhor  os que apresentam a oblação segundo a justiça. Então a oblação de Judá e de Jerusalém será agradável ao Senhor, como nos dias antigos, como nos anos de outrora.



Entrará no seu templo o Senhor a quem buscais


Malaquias significa «o meu mensageiro». O seu livro é o último do conjunto dos doze profetas menores. A sua mensagem situa-se numa época difícil para o povo de Israel: depois do regresso do exílio na Babilónia e da reconstrução do templo de Jerusalém. O povo vive numa situação de desânimo muito grande. Neste contexto, Malaquias é uma voz poderosa: anuncia que, precedido por um mensageiro, o Senhor chegará e porá em causa todas as rotinas a que o povo e os responsáveis em oferecer o culto ao Senhor se tinham acostumado.
A chegada do Senhor será purificadora: como o fogo que funde o metal nobre para o separar da escória ou como a lixívia que elimina as impurezas agarradas à roupa. A partir de então, as oferendas que se oferecerão ao Senhor, no seu templo de Jerusalém, voltarão a ser agradáveis. É necessário oferecer ao Senhor o que tem origem num coração puro, purificado pelo próprio Senhor.
O profeta fala da vinda do Senhor. Está e uma característica fundamental da maneira de ser de Deus como como nos é revelada nas Sagradas Escrituras: «Disse Deus: Eu sou o Alfa e o Omega, o que é, o que era e o que há de vir, o Todo-poderoso» (Apocalipse 1, 8). Deus vem e, quando aparecer, nada ficará igual, porque a presença do Senhor transforma a realidade inteira.

© Joan Ferrer, Misa dominical
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Preparar o domingo da Apresentação de Jesus (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 29.1.14 | comentários

PREPARAR O DOMINGO TERCEIRO

26 DE JANEIRO DE 2014


Isaías 8, 23b – 9, 3 (9, 1-4)

Assim como no tempo passado foi humilhada a terra de Zabulão e de Neftali, também no futuro será coberto de glória o caminho do mar, o Além do Jordão, a Galileia dos gentios. O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; para aqueles que habitavam nas sombras da morte uma luz se levantou. Multiplicastes a sua alegria, aumentastes o seu contentamento. Rejubilam na vossa presença, como os que se alegram no tempo da colheita, como exultam os que repartem despojos. Vós quebrastes, como no dia de Madiã, o jugo que pesava sobre o povo, o madeiro que ele tinha sobre os ombros e o bastão do opressor.



O povo que andava nas trevas viu uma grande luz


A luz é um símbolo usado pelas Sagradas Escrituras para expressar a visibilidade da presença divina no mundo. Esta luz está sempre em contraste com a escuridão, com as trevas, que simbolicamente expressam o poder perigoso da morte. Os que andam às escuras estão especialmente expostos a esta.
A vinda de Deus — o poder da luz — dissipa as trevas e permite o bem estar. Um mundo sem Deus deixar-nos-ia permanentemente ameaçados. O texto do terceiro domingo (Ano A) retirado do poema de Isaías põe em contraste a escuridão e a luz; e celebra a passagem de uma para outra realizada por Deus.
«No tempo passado» — recorda o texto — o território de Israel foi humilhado pelos poderosos exércitos dos reis assírios. Na realidade, trata-e de uma memória de qualquer humilhação realizada contra os vulneráveis. Esse tempo contrasta com o «futuro», que é recebido como uma celebração extraordinária. O tempo novo caracteriza-se pela exaltação do país feita pelo Senhor.
O profeta acentua o momento em que aqueles que andavam nas trevas descobrem a luz. Esta luz cria possibilidades que antes não existiam. A transformação deu-se porque o poder do Senhor agiu e criou bem estar entre os ameaçados. O resultado da obra de Deus é «alegria», «contentamento», como a que possuem as pessoas no tempo da colheita. O contentamento surge quando já se tinha abandonado qualquer esperança. A opressão foi destruída.

© Joan Ferrer, Misa dominical
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Preparar o domingo terceiro (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 23.1.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO SEGUNDO

19 DE JANEIRO DE 2014


Isaías 49, 3.5-6

Disse-me o Senhor: «Tu és o meu servo, Israel, por quem manifestarei a minha glória». E agora o Senhor falou-me, Ele que me formou desde o seio materno, para fazer de mim o seu servo, a fim de Lhe reconduzir Jacob e reunir Israel junto d’Ele. Eu tenho merecimento aos olhos do Senhor e Deus é a minha força. Ele disse-me então: «Não basta que sejas meu servo, para restaurares as tribos de Jacob e reconduzires os sobreviventes de Israel. Vou fazer de ti a luz das nações, para que a minha salvação chegue até aos confins da terra».



Vou fazer de ti a luz das nações,

para que a minha salvação chegue até aos confins da terra

Em pleno exílio do povo de Israel na Babilónia, quando parecia que não era possível qualquer futuro, o poeta-profeta ousa falar de um servo que recebeu o encargo do próprio Deus. O texto é surpreendente. No início o servo parece ser Israel, embora mais adiante o servo tem uma missão em relação a Israel. O poema, de forma deliberada, evita apresentar uma identidade específica. A Igreja, ao longo do tempo, tem usado esta liberdade que o texto permite aos seus leitores para ver no poema a imagem do servo Jesus.
No primeiro verso da nossa leitura, o Servo explica como foi escolhido para a missão de Servo. A iniciativa não é sua, mas tem origem em Deus. O próprio Deus está orgulhoso por lhe ter confiado esta missão.
Em seguida, o Servo explica o conteúdo da sua missão. Em primeiro lugar, Deus quer que o Servo faça regressar à sua terra os exilados de Israel. A imagem é altamente atrevida: trata-se de conseguir que um império poderosíssimo liberte os exilados de um povo insignificante. O Deus que ordena esta missão é um Deus que reúne as pessoas «como a galinha reúne os pintainhos debaixo das suas asas» (Lucas 13, 34).
A segunda parte da missão é ainda mais surpreendente: o objetivo de Deus não é apenas «o povo de Jacob», mas quer que o Servo seja «luz» para todas as nações e faça chegar a salvação até aos confins da terra. O plano de Deus parece inacreditável: até os não crentes serão resgatados por este Servo.
Tudo isto foi confiado ao Servo simplesmente porque Deus o escolheu para esta tarefa. Estamos no coração do mistério da liberdade e da vontade salvífica de Deus.

© Joan Ferrer, Misa dominical
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Preparar o domingo segundo (Ano A), no Laboratório da fé, 2014


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 15.1.14 | Sem comentários
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