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PREPARAR O DOMINGO VIGÉSIMO SEXTO

28 DE SETEMBRO DE 2014


Ezequiel 18, 25-28

Eis o que diz o Senhor: «Vós dizeis: ‘A maneira de proceder do Senhor não é justa’. Escutai, casa de Israel: Será a minha maneira de proceder que não é justa? Não será antes o vosso modo de proceder que é injusto? Quando o justo se afastar da justiça, praticar o mal e vier a morrer, morrerá por causa do mal cometido. Quando o pecador se afastar do mal que tiver realizado, praticar o direito e a justiça, salvará a sua vida. Se abrir os seus olhos e renunciar às faltas que tiver cometido, há-de viver e não morrerá».



Quando o pecador se afastar do mal que tiver realizado,

praticar o direito e a justiça,
salvará a sua vida

Ezequiel, desde o exílio na Babilónia, é confrontado com a incompreensão dos judeus, incapazes de entender a «lógica» do Senhor. Isto comporta uma acusação contra o Senhor, que permitiu a destruição das grandes instituições sobre as quais se apoia Israel: o templo e a monarquia. Como é que isto foi possível? É correta a maneira de agir do Senhor?
A resposta profética é contundente. O facto de fazer parte do povo de Israel não dispensa de praticar a justiça. Quando aquele que tinha agido com justiça se deixa seduzir pelo mal será castigado, mas — e aqui se encontra a força da afirmação profética — quando o pecador se converte, isto é, volta a colocar o Senhor e o bem que dele emana como centro da sua existência, Deus lhe dará a vida e se salvará da morte. A oferta de salvação de Deus é sempre ativa e eficaz.

© Joan Ferrer, Misa dominical
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor

Preparar o domingo vigésimo sexto (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 24.9.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO VIGÉSIMO QUINTO

21 DE SETEMBRO DE 2014


Isaías 55, 6-9

Procurai o Senhor, enquanto se pode encontrar, invocai-O, enquanto está perto. Deixe o ímpio o seu caminho e o homem perverso os seus pensamentos. Converta-se ao Senhor, que terá compaixão dele, ao nosso Deus, que é generoso em perdoar. Porque os meus pensamentos não são os vossos, nem os vossos caminhos são os meus – oráculo do Senhor –. Tanto quanto o céu está acima da terra, assim os meus caminhos estão acima dos vossos e acima dos vossos estão os meus pensamentos.



Os meus pensamentos não são os vossos


O fragmento proposto para primeira leitura do vigésimo quinto domingo (Ano A) faz parte do último capítulo do Segundo Isaías, um profeta que viveu no final do tempo do exílio na Babilónia e teve a missão de animar o povo de Deus, num momento em que o profeta sentia que Deus estava prestes a realizar coisas novas e inauditas.
Isaías grita a Israel para procurar o Senhor, mas isso só é possível «enquanto se pode encontrar». O profeta sabe que é, agora, o momento privilegiado em que Deus «está perto».
Contudo, há pessoas que não estão dispostas a converter-se, isto é, a deixar que Deus seja o único centro verdadeiro da sua vida, talvez porque já se sentem suficientemente cómodas com a situação que gozam depois de quase cinquenta anos de deportação. Todavia, Deus, sempre surpreendente, anuncia pelo profeta os seus «caminhos» e os seus «pensamentos», que não coincidem com os dos seres humanos, porque a proposta é como a que nos tempos antigos Deus tinha feito a Abraão: a aceitação de uma promessa radical que leva a uma vida alternativa — é isto a fé —, desinstalada e aberta à novidade radical de Deus sempre novo e imprevisível.

© Joan Ferrer, Misa dominical
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
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Preparar o domingo vigésimo quinto (Ano A), no Laboratório da fé, 2014


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 17.9.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO DA EXALTAÇÃO DA SANTA CRUZ

14 DE SETEMBRO DE 2014


Números 21, 4b-9

Naqueles dias, o povo de Israel impacientou-se e falou contra Deus e contra Moisés: «Porque nos fizeste sair do Egito, para morrermos neste deserto? Aqui não há pão nem água e já nos causa fastio este alimento miserável». Então o Senhor mandou contra o povo serpentes venenosas que mordiam nas pessoas e morreu muita gente de Israel. O povo dirigiu-se a Moisés, dizendo: «Pecámos, ao falar contra o Senhor e contra ti. Intercede junto do Senhor, para que afaste de nós as serpentes». E Moisés intercedeu pelo povo. Então o Senhor disse a Moisés: «Faz uma serpente de bronze e coloca-a sobre um poste. Todo aquele que for mordido e olhar para ela ficará curado». Moisés fez uma serpente de bronze e fixou-a num poste. Quando alguém, era mordido por uma serpente, olhava para a serpente de bronze e ficava curado.



Olhava para a serpente de bronze e ficava curado


O livro dos Números, além de conter dados de um censo feito ao povo de Israel, na longa peregrinação através do deserto a caminho da terra prometida — daí o nome do livro —, contém várias histórias que marcam a caminhada: vitórias sobre reis cananeus e narrações de rebeliões contra Deus. O tema é bem conhecido: a liberdade tem um preço que parece demasiado alto. No Egito, país da escravidão, havia boa comida; ao contrário, no deserto, os alimentos causam «fastio». A consequência é uma praga de serpentes venenosas que mordiam os israelitas que murmuravam contra Moisés e contra Deus.
Feito o mal, o povo volta-se para Moisés, que age sempre como mediador diante de Deus, e pede-lhe que obtenha de Deus a libertação da praga.
Deus manda Moisés fazer um poste com uma serpente de bronze. Os que eram mordidos, se olhassem para a figura elevada, obtinham a cura. É bom lembrar que, no mundo antigo, as serpentes eram não só um símbolo de morte e de perigo, mas também de fertilidade, de vida e de cura.
O evangelho segundo João anota este episódio da serpente que dá vida ao povo como metáfora da cruz de Jesus Cristo, na qual foi elevado sobre a terra para dar a vida verdadeira.

© Joan Ferrer, Misa dominical
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Preparar o domingo da Exaltação da Santa Cruz (14 de setembro), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 10.9.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO VIGÉSIMO TERCEIRO

7 DE SETEMBRO DE 2014


Ezequiel 33, 7-9

Eis o que diz o Senhor: «Filho do homem, coloquei-te como sentinela na casa de Israel. Quando ouvires a palavra da minha boca, deves avisá-los da minha parte. Sempre que Eu disser ao ímpio: ‘Ímpio, hás de morrer’, e tu não falares ao ímpio para o afastar do seu caminho, o ímpio morrerá por causa da sua iniquidade, mas Eu pedir-te-ei contas da sua morte. Se tu, porém, avisares o ímpio, para que se converta do seu caminho, e ele não se converter, morrerá nos seus pecados, mas tu salvarás a tua vida».



Quando ouvires a palavra da minha boca


O livro de Ezequiel, como toda a literatura profética bíblica, encontra-se profundamente enraizado na história do povo de Deus. O profeta foi deportado para a Babilónia depois da primeira invasão de Jerusalém pelos exércitos do império neobabilónico. A tarefa do profeta é dramática: trata-se de anunciar o fim das grandes instituições que estruturavam o povo de Deus — o templo, a realeza — e a destruição da cidade santa de Jerusalém.
O fragmento proposto para primeira leitura do vigésimo terceiro domingo (Ano A) apresenta a missão profética em relação com o povo de Deus. O profeta foi posto como «sentinela», como vigilante que faz a guarda para evitar que sejam atacados de surpresa. A sua responsabilidade para com o povo é muito grande: se não está profundamente atento à palavra de Deus, que pede a conversão — o regresso ao único objetivo válido e digno da vida, que é o próprio Deus —, a responsabilidade dos males que podem acontecer cairá sobre o profeta. A tarefa é: «quando ouvires a palavra da minha boca, deves avisá-los»; se for escutada levará à conversão. A outra opção é a morte.

© Joan Ferrer, Misa dominical
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
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Preparar o domingo vigésimo terceiro (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 1.9.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO VIGÉSIMO SEGUNDO

31 DE AGOSTO DE 2014


Jeremias 20, 7-9

Vós me seduzistes, Senhor, e eu deixei-me seduzir; Vós me do­minastes e vencestes. Em todo o tempo sou objecto de escárnio, toda a gente se ri de mim; porque sempre que falo é para gritar e proclamar: «Violência e ruína!». E a palavra do Senhor tornou-se para mim ocasião permanente de insultos e zombarias. Então eu disse: «Não voltarei a falar n’Ele, não falarei mais em seu nome». Mas havia no meu coração um fogo ardente, comprimido dentro dos meus ossos. Procurava contê-lo, mas não podia.



A palavra do Senhor tornou-se para mim 

ocasião permanente de insultos e zombarias

Este texto — primeira leitura do vigésimo segundo domingo, ano A — é um fragmento das chamadas «confissões de Jeremias». É uma lamentação com uma força impressionante. Na secção imediatamente anterior, o profeta fala do juízo severo do Senhor, não só contra o mundo dos «outros», mas também contra o mundo em que ele habita.
A partir deste fragmento entramos numa nova secção, íntima, na qual assistimos à sua conversação com o Senhor sobre o preço da sua missão pública.
A prece atinge o tom de um salmo de lamentação, que começa com uma queixa comovedora contra Deus. O profeta é objeto da hostilidade dos seus contemporâneos, mas no centro está o próprio Senhor, que o seduziu e se apoderou do profeta. Jeremias sente-se desamparado diante do poder do Senhor que é avassalador e irresistível. O profeta tem de falar contra Jerusalém e isso provoca uma hostilidade profunda; mas quando não fala — para evitar a hostilidade dos seus concidadãos — ainda se sente mais perturbado, porque a palavra de Deus é como um fogo que queima. Se fala, sente que o Senhor não o apoia; se fica calado, o Senhor não o consola.
Estamos perante o drama, que encontramos tantas vezes dentro das Sagradas Escrituras, do silêncio de Deus. Quando a sua presença e a sua solidariedade permanecem ocultas.

© Joan Ferrer, Misa dominical
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Preparar o domingo vigésimo segundo (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 27.8.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO VIGÉSIMO PRIMEIRO

24 DE AGOSTO DE 2014


Isaías 22, 19-23

Eis o que diz o Senhor a Chebna, administrador do palácio: «Vou expulsar-te do teu cargo, remover-te do teu posto. E nesse mesmo dia chamarei o meu servo Eliacim, filho de Elcias. Hei de revesti-lo com a tua túnica, hei de pôr-lhe à cintura a tua faixa, entregar-lhe nas mãos os teus poderes. E ele será um pai para os habitantes de Jerusalém e para a casa de Judá. Porei aos seus ombros a chave da casa de David: há de abrir, sem que ninguém possa fechar; há de fechar, sem que ninguém possa abrir. Fixá-lo-ei como uma estaca em lugar firme e ele será um trono de glória para a casa de seu pai».



Porei aos seus ombros a chave da casa de David


Este texto — primeira leitura do vigésimo primeiro domingo, ano A — fala de um mau administrador e de um bom administrador. Faz-nos entrar nas tensões internas da casa real de Jerusalém. É uma prova de que a palavra de Deus incarna realmente na vida do povo de Deus. Contrasta dois oficiais que ocupam o cargo de chanceler, isto é, o homem que tem a máxima responsabilidade a seguir ao rei.
A narração compara Chebna, que é condenado e recusado por más ações, com Eliacim, que é elogiado e aprovado como pessoa fiel e eficaz. O texto oferece-nos uma reflexão sobre o uso sábio ou irresponsável do poder público.
Não obstante, parece que a leitura vai mais além da dimensão histórica imediata e que fala da vinda do «bom administrador» no futuro de Jerusalém. A referência a «esse dia» é um uso profético para antecipar um futuro que ainda não está ao alcance. Este administrador bom «será um pai para os habitantes de Jerusalém». O texto profético antecipa um tempo «em lugar firme» e «será um trono de glória para a casa de seu pai». O administrador terá a «chave» do palácio real; isto significa que terá o controlo completo e determinará o acesso aos órgãos oficiais de poder. O texto de Mateus 16, 19 recolhe esta ideia que confia a Pedro a completa supervisão da casa da Igreja.

© Joan Ferrer, Misa dominical
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Preparar o domingo vigésimo primeiro (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 18.8.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO VIGÉSIMO

17 DE AGOSTO DE 2014


Isaías 56, 1.6-7

Eis o que diz o Senhor: «Respeitai o direito, praticai a justiça, porque a minha salvação está perto e a minha justiça não tardará a manifestar-se. Quanto aos estrangeiros que desejam unir-se ao Senhor para O servirem, para amarem o seu nome e serem seus servos, se guardarem o sábado, sem o profanarem, se forem fiéis à minha aliança, hei de conduzi-los ao meu santo monte, hei-de enchê-los de alegria na minha casa de oração. Os seus holocaustos e os seus sacrifícios serão aceites no meu altar, porque a minha casa será chamada 'casa de oração para todos os povos'».



Quanto aos estrangeiros... hei de conduzi-los ao meu santo monte


Os textos imediatamente anteriores do livro de Isaías contêm a promessa de um regresso prodigioso a Jerusalém feita por Deus aos exilados na Babilónia. A partir do capítulo 56 encontramo-nos já com a possibilidade dos exilados regressarem. Devem ter passado uns vinte anos desde o decreto de Ciro que permitia o regresso dos judeus a Jerusalém. Os que regressaram encontraram uma cidade arruinada. É preciso, pois, reconstruir a cidade e repensar a fé.
A primeira parte do oráculo contém um apelo em imperativo à comunidade de fé. Trata-se de manter a justiça e fazer o que é justo e bom. Estes temas são fundamentais na experiência profética de Isaías: o poder da casa de David tinha de estar atento à justiça e ao direito para com os pobres e os necessitados. Há que assegurar — esta é a vontade de Deus — a cada membro da comunidade segurança, dignidade e bem-estar. Esta é a primeira obrigação ética. Seguidamente, o oráculo profético contém uma promessa da parte do Senhor: salvação e bondade. Isto é, o Senhor está prestes a estabelecer, numa decisão unilateral, o bem-estar que tinha ordenado na primeira parte do texto. A mensagem profética diz que o Senhor conduzirá esta comunidade ao bem-estar que o próprio tinha ordenado. Imperativo e promessa formam uma unidade.
A segunda parte do texto faz uma oferta singular: os estrangeiros de coração fiel serão atraídos ao Senhor, Deus de Israel, e serão bem-vindos à vida de oração e adoração que caracteriza o povo escolhido por Deus.

© Joan Ferrer, Misa dominical
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Preparar o domingo vigésimo (Ano A), no Laboratório da fé, 2014


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 14.8.14 | Sem comentários

PREPARAR A SOLENIDADE DA ASSUNÇÃO DE MARIA

15 DE AGOSTO DE 2014


Apocalipse 11, 19a; 12, 1-6a.10ab

O templo de Deus abriu-se no Céu e a arca da aliança foi vista no seu templo. Apareceu no Céu um sinal grandioso: uma mulher revestida de sol, com a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça. Estava para ser mãe e gritava com as dores e ânsias da maternidade. E apareceu no Céu outro sinal: um enorme dragão cor de fogo, com sete cabeças e dez chifres e nas cabeças sete diademas. A cauda arrastava um terço das estrelas do céu e lançou-as sobre a terra. O dragão colocou-se diante da mulher que estava para ser mãe, para lhe devorar o filho, logo que nascesse. Ela teve um filho varão, que há-de reger todas as nações com ceptro de ferro. O filho foi levado para junto de Deus e do seu trono e a mulher fugiu para o deserto, onde Deus lhe tinha preparado um lugar. E ouvi uma voz poderosa que clamava no Céu: «Agora chegou a salvação, o poder e a realeza do nosso Deus e o domínio do seu Ungido».



Uma mulher revestida de sol, com a luz debaixo dos pés


O Apocalipse (11, 19 — 12, 18) narra, em linguagem altamente simbólica, a inauguração do Reino de Cristo proclamado no capítulo 11, versículo 15. No céu acontecem três aparições: a arca da aliança, símbolo da presença de Deus; uma mulher; um enorme dragão. As duas últimas são um presságio. O nome genérico de mulher e as dores de parto remetem para a maldição das origens da humanidade (Génesis 3, 16). Ela encontrar-se-á também com a serpente, embora saia ilesa. No Antigo Testamento, a mulher grávida personifica Israel, ou Sião, na angústia. Os sofrimentos do parto simbolizam a provação que precede a era messiânica. A mulher representa, pois, no Apocalipse 12, a humanidade fiel, povo de Deus escatológico. Foi identificada com Maria somente com o desenvolvimento da piedade mariana, numa época tardia (séculos IV-V depois de Cristo).
O dragão é o adversário de todos os que estão unidos ao Deus vivo. Precipita as estrelas para a terra — anjos, na simbologia apocalíptica — e transforma o cosmos. O dragão tenta devorar o filho da mulher. As alusões do texto a Isaías 7, 14 e ao Salmo 2, 9 indicam que o menino é o Messias, que arrebatado para Deus: trata-se do acontecimento pascal. Cristo é separado com violência do povo de Deus e entronizado no céu. A inauguração do seu Reino celebrada em 11, 15 não está para vir, porque já aconteceu na Páscoa. Esta é a convicção mais profunda que fundamenta a esperança deste surpreendente livro. O menino representa também cada pessoa cristã fiel, que unida a Cristo escapa à inventiva do dragão e participará da realeza de Cristo. A fuga da mulher para o deserto, onde recebe um alimento providencial durante 1260 dias, define a condição do povo de Deus, depois da Páscoa, como um novo êxodo. A mulher vive à distância de Deus, mas Deus vela por ela. O hino celestial que João escuta (12, 10-12) dá sentido aos acontecimentos: a vitória dos cristãos foi obtida pela morte do Cordeiro-Cristo.

© Joan Ferrer, Misa dominical
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Solenidade, 15 de agosto
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 14.8.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO DÉCIMO NONO

10 DE AGOSTO DE 2014


Primeiro Livro dos Reis 19, 9a.11-13a

Naqueles dias, o profeta Elias chegou ao monte de Deus, o Horeb, e passou a noite numa gruta. O Senhor dirigiu-lhe a palavra, dizendo: «Sai e permanece no monte à espera do Senhor». Então, o Senhor passou. Diante d’Ele, uma forte rajada de vento fendia as montanhas e quebrava os rochedos; mas o Senhor não estava no vento. Depois do vento, sentiu-se um terramoto; mas o Senhor não estava no terramoto. Depois do terramoto, acendeu-se um fogo; mas o Senhor não estava no fogo. Depois do fogo, ouviu-se uma ligeira brisa. Quando a ouviu, Elias cobriu o rosto com o manto, saiu e ficou à entrada da gruta.



Sai e permanece no monte à espera do Senhor


O fragmento do Primeiro Livro dos Reis, proposto pela primeira leitura do décimo nono domingo (Ano A), pertence à história do profeta Elias, o campeão de Deus em Israel perante a perversidade da rainha fenícia Jezabel, que mandava matar os profetas do Deus de Israel e protegia os profetas do deus fenício Baal. Elias, face à perseguição da rainha, teve que fugir para salvar a vida. O profeta faz o caminho inverso que tinha sido feito pelo povo de Israel desde o Horeb ou Sinai, a montanha de Deus, até à Terra Prometida. Elias foge da Terra Prometida. Perseguido pela rainha, sente-se sem forças e sem esperança. Contudo, Deus tem outros planos. No monte, onde Moisés tinha subido para se encontrar com Deus, Elias experimenta diversas realidades poderosas: um vento tempestuoso que quebra os rochedos e um terramoto que revolve a terra, mas o Senhor não está nessas manifestações impressionantes de poder. Finalmente, «ouviu-se uma ligeira brisa» (que, em hebraico, traduzido à letra, seria «a voz de um silêncio subtil») e cobriu o rosto com um manto, porque «não podes ver o meu rosto, ninguém pode vê-lo e permanecer vivo» (Êxodo 33, 20).
Quando o profeta ouve a voz do silêncio, então encontra-se diante da presença salvadora de Deus, que enche de sentido e coragem a vida dos seres humanos que o procuram.

© Joan Ferrer, Misa dominical
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Preparar o domingo décimo nono (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 7.8.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO DÉCIMO OITAVO

3 DE AGOSTO DE 2014


Isaías 55, 1-3

Eis o que diz o Senhor: «Todos vós que tendes sede, vinde à nascente das águas. Vós que não tendes dinheiro, vinde, comprai e comei. Vinde e comprai, sem dinheiro e sem despesa, vinho e leite. Porque gastais o vosso dinheiro naquilo que não alimenta e o vosso trabalho naquilo que não sacia? Ouvi-Me com atenção e comereis o que é bom; saboreareis manjares suculentos. Prestai-Me ouvidos e vinde a Mim; escutai-Me e vivereis. Firmarei convosco uma aliança eterna, com as graças prometidas a David.



Vinde e comei


O texto proposto para a primeira leitura do décimo oitavo domingo (Ano A) pertence à secção final da segunda parte do livro de Isaías, que se situa na época do exílio na Babilónia, no século quarto antes de Cristo. É uma proclamação gozosa de um regresso a Jerusalém para os exilados.
O poeta-profeta começa por assinalar um contraste muito vivo entre as formas de vida na Babilónia e a nova oferta de vida dada por Deus. O versículo inicial, que quase parece um pregão de um vendedor, oferece água, vinho e leite de graça. O contraste com as formas de vida oferecidas pelo império opressor é absoluto. O império é sempre caro e insuficiente. Israel é convidado a escolher os novos alimentos oferecidos pelo Senhor «sem pagar». Trata-se da celebração do convite da nova aliança oferecida pelo Deus dos oprimidos. A pergunta é retórica: para quê trabalhar tanto para, ao fim e ao cabo, não obter nada bom?
A última parte da passagem profética deixa a metáfora da comida e passar a falar diretamente da promessa de fidelidade feita por Deus a David, que agora é ampliada, prolongada e reiterada a toda a comunidade de Israel. O pacto que Deus oferece é de fidelidade e contém em si a vida — «escutai-Me e vivereis» —, porque o Deus que fala — «prestai-Me ouvidos» — e que convida — «vinde a Mim» — é um Deus vivo e dador de vida a todos os que estão dispostos a escutar.

© Joan Ferrer, Misa dominical
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
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Preparar o domingo décimo oitavo (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 1.8.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO DÉCIMO SÉTIMO

27 DE JULHO DE 2014


Primeiro livro dos Reis 3, 5.7-12

Naqueles dias, o Senhor apareceu em sonhos a Salomão durante a noite e disse-lhe: «Pede o que quiseres». Salomão respondeu: «Senhor, meu Deus, Vós fizestes reinar o vosso servo em lugar do meu pai David e eu sou muito novo e não sei como proceder. Este vosso servo está no meio do povo escolhido, um povo imenso, inumerável, que não se pode contar nem calcular. Dai, portanto, ao vosso servo um coração inteligente, para governar o vosso povo, para saber distinguir o bem do mal; pois, quem poderia governar este vosso povo tão numeroso?». Agradou ao Senhor esta súplica de Salomão e disse-lhe: «Porque foi este o teu pedido, e já que não pediste longa vida, nem riqueza, nem a morte dos teus inimigos, mas sabedoria para praticar a justiça, vou satisfazer o teu desejo. Dou-te um coração sábio e esclarecido, como nunca houve antes de ti nem haverá depois de ti».



Dou-te um coração sábio e esclarecido


Salomão, depois de uma série de lutas e intrigas com os outros filhos de David, conseguiu sentar-se no trono de seu pai, em Jerusalém. Em Guibeon, um pouco a norte de Jerusalém, onde tinha ido para oferecer sacrifícios de animais, recebe uma visita do Senhor, em sonhos, que lhe diz: «Pede o que quiseres». O rei sabe que lhe falta experiência e que tem de governar um grande povo. A petição ao Senhor é fundamental na história da fé de Israel. «Dai ao vosso servo um coração inteligente, para governar o vosso povo, para saber distinguir o bem do mal». Pede um coração inteligente, dócil à Palavra de Deus, a qual possa ser assimilada para que faça parte da sua vida. A Palavra há de presidir à vida de fé. Depois, o rei poderá governar o povo e «distinguir o bem do mal», o que terá consequências decisivas de caráter político, porque sem isso «quem poderia governar este povo tão numeroso?».

© Joan Ferrer, Misa dominical
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Preparar o domingo décimo sétimo (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 26.7.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO DÉCIMO SEXTO

20 DE JULHO DE 2014


Sabedoria 12, 13.16-19

Não há Deus, além de Vós, que tenha cuidado de todas as coisas; a ninguém tendes de mostrar que não julgais injustamente. O vosso poder é o princípio da justiça e o vosso domínio soberano torna-Vos indulgente para com todos. Mostrais a vossa força aos que não acreditam na vossa omni­potência e confundis a audácia daqueles que a conhecem. Mas Vós, o Senhor da força, julgais com bondade e governais-nos com muita indulgência, porque sempre podeis usar da força quando quiserdes. Agindo deste modo, ensinastes ao vosso povo que o justo deve ser humano e aos vossos filhos destes a esperança feliz de que, após o pecado, dais lugar ao arrependimento.



Após o pecado, dais lugar ao arrependimento


O livro da Sabedoria, escrito muito provavelmente em Alexandria do Egito poucos anos antes do nascimento de Jesus, é um livro que pretende animar os judeus que vivem longe da terra de Israel a perseverar na fé e a permanecer fiéis às tradições dos antepassados num ambiente pagão hostil. Ao mesmo tempo, pretende estabelecer um diálogo entre a religião de Israel e a cultura grega, para atrair os pagãos à fé de Israel.
O fragmento proposto para primeira leitura do décimo sexto domingo (Ano A) pertence a um contexto em que se reflete sobre o castigo moderado que Deus infligiu aos cananeus, os antigos habitantes da Terra Prometida, pelos crimes que tinham cometido. Deus é o Senhor absoluto de todas as criaturas e não há outro Deus fora dele. Por isso, ninguém lhe pode pedir contas pelas suas ações, através das quais harmoniza a justiça com a misericórdia, embora dê sempre preferência a esta última. O seu senhorio é o princípio da justiça e não se pode equivocar porque todas as ações do ser humano são transparentes a seus olhos, mas Deus ama as criaturas porque são suas e o seu senhoria fá-lo ser compassivo. Só com duas classes de pessoas é que Deus faz valer o seu poder: com os que não acreditam nele — como o faraó — e com aqueles que, embora o reconheçam, atuam temerariamente. O povo da aliança sabe que, se alguma vez agir mal, Deus dar-lhe-á sempre oportunidade para o arrependimento.

© Joan Ferrer, Misa dominical
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Preparar o domingo décimo sexto (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 17.7.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO DÉCIMO QUINTO

13 DE JULHO DE 2014


Isaías 55, 10-11

Eis o que diz o Senhor: «Assim como a chuva e a neve que descem do céu não voltam para lá sem terem regado a terra, sem a terem fecundado e feito produzir, para que dê a semente ao semeador e o pão para comer, assim a palavra que sai da minha boca não volta sem ter produzido o seu efeito, sem ter cumprido a minha vontade, sem ter realizado a sua missão».



A chuva faz germinar a terra


O texto da primeira leitura do décimo quinto domingo (Ano A), um fragmento da terceira parte do livro de Isaías, contém um oráculo brevíssimo, mas precioso, sobre o poder da Palavra de Deus. O profeta fala aos exilados na Babilónia. Faz cinquenta anos que Jerusalém foi destruída e que os exilados se estabeleceram na cidade estrangeira, alguns até com uma certa comodidade. Então, a voz do profeta anuncia uma realidade nova, que encontramos em poucos versos antes deste fragmento. Diz assim: «Prestai-me atenção e vinde a mim. Escutai-me e vivereis. Farei convosco uma aliança eterna, e a promessa a David será mantida» (Isaías 55, 3).
Deus tem sempre previstas coisas novas para o povo com o qual estabeleceu uma aliança. A verificação da determinação do Senhor é a afirmação de que a palavra da promessa do Senhor produz resultados reais na vida pública. Todas as palavras que o profeta dirigiu aos exilados de Israel estão fundamentadas na determinação absolutamente fiável de que é dirigida à fé do povo.
O poder do Senhor aqui está vinculado à chuva e à neve. Nem um nem a outra são fantasmas, mas muito reais: poderes que produzem coisas tangíveis na terra. O resultado é regular e digno de confiança: a terra é alimentada e a criação sustentada. A Palavra de Deus é como estas realidades: causa um novo futuro para o povo de Israel exilado.

© Joan Ferrer, Misa dominical
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
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Preparar o domingo décimo quinto (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 8.7.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO DÉCIMO QUARTO

6 DE JULHO DE 2014


Zacarias 9, 9-10

Eis o que diz o Senhor: «Exulta de alegria, filha de Sião, solta brados de júbilo, filha de Jerusalém. Eis o teu Rei, justo e salvador, que vem ao teu encontro, humildemente montado num jumentinho, filho duma jumenta. Destruirá os carros de combate de Efraim e os cavalos de guerra de Jerusalém; e será quebrado o arco de guerra. Anunciará a paz às nações: o seu domínio irá de um mar ao outro mar e do Rio até aos confins da terra».



Eis o teu Rei, justo e salvador, que vem ao teu encontro


Zacarias é o penúltimo livro da coleção dos doze profetas menores. Agrupa mensagens proféticas pronunciados em épocas diversas. Os fragmentos propostos na primeira leitura do décimo quarto domingo (Ano A) são provavelmente do princípio do século III antes de Cristo, quando os gregos já tinham chegado à Palestina. O profeta fala a Jerusalém e anuncia a restauração do reino de Deus, que começa com o regresso do rei vitorioso. A alegria é imensa. É um rei justo, humilde e pacífico. Este aspeto é fundamental e manifesta-se na cavalgadura. É um jumentinho, um animal humilde, como o que usam os camponeses, em vivo contraste com o arrogante cavalo que é montado pelos militares. Dominará sobre Israel — o antigo reino do norte, no texto chamado Efraim — e Judá — designado pelo nome da capital, Jerusalém — e o seu território se estenderá do mar Morto ao Mediterrâneo, do Eufrates (o Rio) até à torrente do Egito («confins da terra»), dimensão ideal do reino de Israel no tempo de Salomão (1Reis 5, 1.4; Salmo 72, 8). A paz, dom messiânico por excelência — recordemos o poema de Isaías 9, 5, no qual o menino messiânico recebe o título de «príncipe da paz», e Isaías 11, 6, onde os animais que foram sempre inimigos hão de conviver pacificamente guiados por uma criança —, reinará em todo o seu território.

© Joan Ferrer, Misa dominical
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
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Preparar o domingo décimo quarto (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 2.7.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO DA SOLENIDADE DE SÃO PEDRO E SÃO PAULO

29 DE JUNHO DE 2014


Atos dos Apóstolos 12, 1-11

Naqueles dias, o rei Herodes começou a perseguir alguns membros da Igreja. Mandou matar à espada Tiago, irmão de João, e, vendo que tal procedimento agradava aos judeus, mandou prender também Pedro. Era nos dias dos Ázimos. Mandou-o prender e meter na cadeia, entregando-o à guarda de quatro piquetes de quatro soldados cada um, com a intenção de o fazer comparecer perante o povo, depois das festas da Páscoa. Enquanto Pedro era guardado na prisão, a Igreja orava instantemente a Deus por ele. Na noite anterior ao dia em que Herodes pensava fazê-lo comparecer, Pedro dormia entre dois soldados, preso a duas correntes, enquanto as sentinelas, à porta, guardavam a prisão. De repente, apareceu o Anjo do Senhor e uma luz iluminou a cela da cadeia. O Anjo acordou Pedro, tocando-lhe no ombro, e disse-lhe: «Levanta-te depressa». E as correntes caíram-lhe das mãos. Então o Anjo disse-lhe: «Põe o cinto e calça as sandálias». Ele assim fez. Depois acrescentou: «Envolve-te no teu manto e segue-me». Pedro saiu e foi-o seguindo, sem perceber a realidade do que estava a acontecer por meio do Anjo; julgava que era uma visão. Depois de atravessarem o primeiro e o segundo posto da guarda, chegaram à porta de ferro, que dá para a cidade, e a porta abriu-se por si mesma diante deles. Saíram, avançando por uma rua, e subitamente o Anjo desapareceu. Então Pedro, voltando a si, exclamou: «Agora sei realmente que o Senhor enviou o seu Anjo e me libertou das mãos de Herodes e de toda a expectativa do povo judeu».



Agora sei realmente que o Senhor enviou o seu Anjo

e me libertou das mãos de Herodes

A Igreja nasce forte, porque é fruto do poder do Espírito de Deus, apesar de ser perseguida por todo o tipo de inimigos: as autoridades religiosas de Jerusalém; Saulo, zeloso, perseguidor dos seguidores do Ressuscitado; e também as autoridades políticas. Aqui intervém Herodes Agripa I (que era neto de Herodes, o Grande, o da «perseguição aos inocentes»). No ano 41 — recordemos que a Páscoa de Jesus acontece por volta do ano 30 — o imperador Cláudio nomeou-o imperador da Judeia. Este monarca persegue e maltrata a Igreja: Tiago, filho de Zebedeu e irmão mais velho de João, morreu decapitado. Pedro também foi encarcerado.
A ideia era poder apresentá-lo perante o povo judeu quando fosse oportuno para lhe fazer mal. Pedro é libertado milagrosamente da prisão.
A história é transparente: o discípulo é chamado por um mensageiro do Senhor, que, em seguida, o guia para fora da prisão e assim possa continuar a anunciar Jesus Cristo oferecendo o testemunho da sua vida.
O discípulo, como o Mestre, atravessa o caminho sombrio da recusa e da perseguição. Tiago morreu passado pouco tempo; Pedro é amarrado e guardado por soldados e sentinelas.
Neste contexto, a comunidade é fundamental: «a Igreja orava instantemente a Deus por ele». É um testemunho da força que provém da relação confiante das comunidades crentes com Deus.

© Joan Ferrer, Misa dominical
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Preparar o domingo da solenidade de São Pedro e São Paulo (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 27.6.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO DO CORPO E SANGUE DE CRISTO

22 DE JUNHO DE 2014


Deuteronómio 8, 2-3.14b-16a

Moisés falou ao povo, dizendo: «Recorda-te de todo o caminho que o Senhor teu Deus te fez percorrer durante quarenta anos no deserto, para te atribular e pôr à prova, a fim de conhecer o íntimo do teu coração e verificar se guardarias ou não os seus mandamentos. Atribulou-te e fez-te passar fome, mas deu-te a comer o maná que não conhecias nem teus pais haviam conhecido, para te fazer compreender que o homem não vive só de pão, mas de toda a palavra que sai da boca do Senhor. Não te esqueças do Senhor teu Deus, que te fez sair da terra do Egipto, da casa de escravidão, e te conduziu através do imenso e temível deserto, entre serpentes venenosas e escorpiões, terreno árido e sem águas. Foi Ele quem, da rocha dura, fez nascer água para ti e, no deserto, te deu a comer o maná, que teus pais não tinham conhecido».



Deu-te a comer o maná, que teus pais não tinham conhecido


O Deuteronómio — o último livro do Pentateuco — é uma reflexão ou um discurso de Moisés ao povo mesmo antes de entrar na Terra Prometida, aonde ele já não chegará. Contém uma síntese da história da salvação e das leis que hão de reger a comunidade do povo de Israel.
No fragmento proposto para primeira leitura da solenidade do Corpo e Sangue de Cristo (Ano A) é fundamental o verbo «recordar». Não se trata de uma simples evocação de uns factos ocorridos num passado mais ou menos longínquo, mas de tornar presente esse passado como oportunidade de salvação, de encontro com Deus, que ao longo da história nunca deixou de realizar prodígios em favor do seu povo: a saída do Egito, terra de escravidão; a passagem pelo deserto; o dom da água da vida do alimento do maná.
Os mandamentos que o povo de Israel tinha de observar não são como o peso de uma pedra que cai sobre a pessoa crente, mas são a prova e o testemunho da palavra viva de Deus, sempre presente na vida de cada pessoa. Quem observa o mandamento vive em diálogo permanente com Deus, que fala à vida de cada homem e de cada mulher.
É fundamental a referência ao pão, que alimenta o corpo; mas é imprescindível não esquecer que a vida só é possível a partir do diálogo constante com «toda a palavra que sai da boca» de Deus.

© Joan Ferrer, Misa dominical
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Preparar o domingo do Corpo e Sangue de Cristo (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 20.6.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO DA SANTÍSSIMA TRINDADE

15 DE JUNHO DE 2014


Êxodo 34, 4b-6.8-9

Naqueles dias, Moisés levantou-se muito cedo e subiu ao monte Sinai, como o Senhor lhe ordenara, levando nas mãos as tábuas de pedra. O Senhor desceu na nuvem, ficou junto de Moisés, que invocou o nome do Senhor. O Senhor passou diante de Moisés e proclamou: «O Senhor, o Senhor é um Deus clemente e compassivo, sem pressa para Se indignar e cheio de misericórdia e fidelidade». Moisés caiu de joelhos e prostrou-se em adoração. Depois disse: «Se encontrei, Senhor, aceitação a vossos olhos, digne-Se o Senhor caminhar no meio de nós. É certo que se trata de um povo de dura cerviz, mas Vós perdoareis os nossos pecados e iniquidades e fareis de nós a vossa herança».



O Senhor, o Senhor é um Deus clemente e compassivo


A Bíblia e o mistério de Deus são fonte de alegria e de salvação quando entram na corrente viva da vida. A revelação do mistério de Deus — Trindade de amor das pessoas divinas — não pode ser uma realidade reservada a uns especialistas que a estudam e aprofundam, mas tem de fazer parte da vida das comunidades cristãs como uma realidade cheia de força vital.
No livro do Êxodo (que contém a grande epopeia da libertação, obra de Deus que comunica com o seu povo através do mediador Moisés), vemos que o povo libertado recusa o Senhor e ergue um bezerro de ouro. Parece que a liberdade tem um preço demasiado caro. Contudo, o Senhor perante este episódio crítico em que foi recusado por aqueles que tinha salvo, revela-se em dois aspetos da sua maneira de ser: o perdão e a justiça.
O primado é sempre do perdão. A lógica racional da Lei de Talião é superada por outro tipo de lógica divina: o nosso Deus é aquele que é «fiel no amor». Noutros versículos omitidos no texto proposto para a primeira leitura do domingo da Santíssima Trindade podemos ler que «o Senhor é clemente até à milésima geração» (cf. Êxodo 34, 7), ao passo que a sua ira dura apenas «até à terceira ou quarta geração». O perdão de Deus liberta e recria as pessoas como «herança» do Senhor.

© Joan Ferrer, Misa dominical
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Preparar o domingo da Santíssima Trindade (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Unknown | 13.6.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO OITAVO DE PÁSCOA — PENTECOSTES

8 DE JUNHO DE 2014


Atos dos Apóstolos 2, 1-11

Quando chegou o dia de Pentecostes, os Apóstolos estavam todos reunidos no mesmo lugar. Subitamente, fez-se ouvir, vindo do Céu, um rumor semelhante a forte rajada de vento, que encheu toda a casa onde se encontravam. Viram então aparecer uma espécie de línguas de fogo, que se iam dividindo, e poisou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que se exprimissem. Residiam em Jerusalém judeus piedosos, procedentes de todas as nações que há debaixo do céu. Ao ouvir aquele ruído, a multidão reuniu-se e ficou muito admirada, pois cada qual os ouvia falar na sua própria língua. Atónitos e maravilhados, diziam: «Não são todos galileus os que estão a falar? Então, como é que os ouve cada um de nós falar na sua própria língua? Partos, medos, elamitas, habitantes da Mesopotâmia, da Judeia e da Capadócia, do Ponto e da Ásia, da Frígia e da Panfília, do Egipto e das regiões da Líbia, vizinha de Cirene, colonos de Roma, tanto judeus como prosélitos, cretenses e árabes, ouvimo-los proclamar nas nossas línguas as maravilhas de Deus».



Ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar outras línguas


Estamos perante a narração de uma vida nova: imprevista, surpreendente e irresistível. A história explica-a destacando que se trata de uma realidade prodigiosa: um ruído do céu como um vento impetuoso, um fogo que desce do céu, uma linguagem transformada...
Não é acidental que o nascimento da Igreja, essa grande colheita de pessoas, aconteça nesta data. No Antigo Testamento, Pentecostes assinalava o final das colheitas da primavera. Os israelitas fiéis louvavam a Deus e pediam-lhe a sua graça e generosidade.
Na ascensão de Jesus promete-se por duas vezes a vinda do Espírito. Aqui esta promessa chega ao cumprimento de uma maneira que supera as expectativas dos discípulos mais fiéis. Pentecostes é vida nova para a Igreja e para as pessoas que a formam, através do Espírito de Deus.
Ninguém é excluído desta mostra da graça de Deus. Na Transfiguração, por exemplo, só um pequeno grupo tinha sido testemunha da manifestação de Deus, mas aqui ninguém fica à margem. E um momento mais tarde, a multidão «ficou muito admirada, pois cada qual os ouvia falar na sua própria língua»; eram pessoas provenientes de todo o mundo da diáspora greco-romana. O que acontece durante o Pentecostes não é uma experiência mística interior, mas uma manifestação do poder de Deus que toca cada pessoa que está presente.

© Joan Ferrer, Misa dominical
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Preparar o domingo oitavo de Páscoa - Pentecostes (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 7.6.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO SÉTIMO DE PÁSCOA — ASCENSÃO

1 DE JUNHO DE 2014


Atos dos Apóstolos 1, 1-11

No meu primeiro livro, ó Teófilo, narrei todas as coisas que Jesus começou a fazer e a ensinar, desde o princípio até ao dia em que foi elevado ao Céu, depois de ter dado, pelo Espírito Santo, as suas instruções aos Apóstolos que escolhera. Foi também a eles que, depois da sua paixão, Se apresentou vivo com muitas provas, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando-lhes do reino de Deus. Um dia em que estava com eles à mesa, mandou-lhes que não se afastassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, «da qual – disse Ele – Me ouvistes falar. Na verdade, João baptizou com água; vós, porém, sereis baptizados no Espírito Santo, dentro de poucos dias». Aqueles que se tinham reunido começaram a perguntar: «Senhor, é agora que vais restaurar o reino de Israel?». Ele respondeu-lhes: «Não vos compete saber os tempos ou os momentos que o Pai determinou com a sua autoridade; mas recebereis a força do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém e em toda a Judeia e na Samaria e até aos confins da terra». Dito isto, elevou-Se à vista deles e uma nuvem escondeu-O a seus olhos. E estando de olhar fito no Céu, enquanto Jesus Se afastava, apresentaram-se-lhes dois homens vestidos de branco, que disseram: «Homens da Galileia, porque estais a olhar para o Céu? Esse Jesus, que do meio de vós foi elevado para o Céu, virá do mesmo modo que O vistes ir para o Céu».



Elevou-Se à vista deles


Na narração de Lucas da atividade salvadora de Deus em Jesus (evangelho) e no Espírito Santo (Atos dos Apóstolos), a história da ascensão de Jesus marca o fim das aparições aos discípulos depois da ressurreição e o prelúdio do envio do Espírito. A ascensão, na tradição da Igreja, converteu-se na festa da exaltação de Cristo ressuscitado.
A primeira parte da passagem proposta para o dia da Ascensão (Ano A) é uma introdução ao livro dos Atos dos Apóstolos e, portanto, à obra do Espírito de Deus na vida da jovem Igreja e, ao mesmo tempo, ao acontecimento da ascensão, que é descrito de forma mais detalhada, na segunda parte do texto. Contudo, a ênfase fundamental está na vinda do Espírito Santo.
O livro começa com um sumário dos factos que aconteceram ao longo dos quarenta dias seguintes à Páscoa, nos quais o Senhor ressuscitado «apareceu» aos apóstolos.
Os seguidores fiéis hão de permanecer em Jerusalém, porque em breve o Espírito de Deus se tornará presente de uma forma nova. Esta vinda é explicada em termos batismais: «sereis batizados no Espírito Santo, dentro de poucos dias».
Os discípulos estão preocupados com as esperanças, de cariz político, que depositaram no Messias sobre a restauração da monarquia política da casa de David. Jesus desvia a questão e concentra-a na maravilhosa revelação do amor e do poder de Deus que em breve vão contemplar: falamos do despontar da era do Espírito.
Depois, Jesus é elevado acima dos limites dos seus sentidos físicos e «dois homens vestidos de branco», como os que tinham aparecido no sepulcro na manhã de Páscoa, despertaram-nos do assombro em que estavam e prometem-lhes uma segunda vinda de Jesus.

© Joan Ferrer, Misa dominical
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Preparar o domingo sétimo de Páscoa - Ascensão (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 28.5.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO SEXTO DE PÁSCOA

25 DE MAIO DE 2014


Atos dos Apóstolos 8, 5-8.14-17

Naqueles dias, Filipe desceu a uma cidade da Samaria e começou a pregar o Messias àquela gente. As multidões aderiam unanimemente às palavras de Filipe, ao ouvi-las e ao ver os milagres que fazia. De muitos possessos saíam espíritos impuros, soltando enormes gritos, e numerosos paralíticos e coxos foram curados. E houve muita alegria naquela cidade. Quando os Apóstolos que estavam em Jerusalém ouviram dizer que a Samaria recebera a palavra de Deus, enviaram-lhes Pedro e João. Quando chegaram lá, rezaram pelos samaritanos, para que recebessem o Espírito Santo, que ainda não tinha descido sobre eles: só estavam baptizados em nome do Senhor Jesus. Então impunham-lhes as mãos e eles recebiam o Espírito Santo.



Impunham-lhes as mãos e eles recebiam o Espírito Santo


O fragmento proclamado no sexto domingo de Páscoa (Ano A), retirado do livro dos Atos dos Apóstolos, mostra-nos a missão que Filipe realiza na região da Samaria. Recordemos que os samaritanos eram desprezados pelos judeus, embora apareçam de forma muito positiva nos relatos evangélicos (a parábola do bom samaritano ou o diálogo de Jesus com a mulher samaritana). O que os dois discípulos de Emaús usam para explicar quem é Jesus ao desconhecido que faz caminho com eles — «Jesus de Nazaré, profeta poderoso em obras e palavras diante de Deus e de todo o povo» (Lucas 24, 19) — é o que distingue a tarefa evangelizadora de Filipe: «As multidões aderiam unanimemente às palavras de Filipe, ao ouvi-las e ao ver os milagres que fazia». A proclamação do Evangelho de Jesus traz salvação — «foram curados» — e alegria às pessoas.
Os apóstolos residentes em Jerusalém enviam dois representantes — Pedro e João — para confirmar que o Espírito de Deus atua efetivamente na Samaria. Aí, impõem as mãos aos samaritanos para mostrar, com um sinal, que o Espírito é o selo que confirma o batismo em nome de Jesus. Na história da Igreja este rito converter-se-á em sacramento da confirmação, embora aqui seja visto como um Pentecostes em miniatura, que sela a fundação da Igreja da Samaria, já que o Espírito, promessa de Jesus, é a alma da comunidade messiânica que é a Igreja.

© Joan Ferrer, Misa dominical
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
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Preparar o domingo sexto de Páscoa (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 21.5.14 | Sem comentários
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