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— texto semanal publicada no «Diário do Minho» —

A afirmação da identidade divina de Jesus Cristo ocupa uma parte significativa do «Credo Niceno-constantinopolitano». Nos outros «Credos» (Batismal e Símbolo dos Apóstolos) essa referência está apenas associada à filiação («seu único Filho»). As discussões posteriores sobre a divindade de Jesus Cristo levaram a Igreja a explicitar com mais ênfase essa mesma realidade, tal como está expressa no «Credo» que surgiu dos Concílios de Niceia e Constantinopla. [Para ajudar a compreender melhor, ler: João 17, 1-26; Catecismo da Igreja Católica, números 249-256]

«Aquela glória que eu tinha junto de ti, antes de o mundo existir» — é uma das afirmações que encontramos no evangelho segundo João para referir a existência do Filho, a Segunda Pessoa da Trindade, antes do ato criador. Logo no início o evangelista afirma: «No princípio existia o Verbo; o Verbo estava em Deus; e o Verbo era Deus» (João 1, 1). E a terminar este prólogo acrescenta: «A Deus jamais alguém O viu. O Filho Unigénito, que é Deus e está no seio do Pai, foi Ele quem o deu a conhecer» (João 1, 18). «Eu e o Pai somos um» — afirma Jesus numa das controvérsias com os dirigentes judaicos. E, num dos diálogos com os discípulos, concluiu: «Eu saí de Deus. Saí do Pai e vim ao mundo» (João 16, 27-28). É desnecessário elencar aqui todas as referências bíblicas. O mais importante é reforçar a ideia de que há uma profunda relação entre o Pai e o Filho.

As afirmações do «Credo» que rementem para a divindade de Jesus Cristo tornam quase inevitável a repetição dos conceitos. Por outro lado, é também difícil evitar as terminologias e as categorias filosóficas que estão associadas à elaboração do «Credo niceno-constantinopolitano». O objetivo é sempre ajudar a entender melhor o que dizemos ao professar a fé na recitação do «Credo».

Nascido do Pai antes de todos os séculos. A referência a Jesus Cristo, pelo menos para nós cristãos, é facilmente associada aos mistérios da Encarnação e da Ressurreição, Natal e Páscoa. São acontecimentos centrais que têm ligação estreita com o ciclo anual das celebrações litúrgicas. Por isso, para nós, não há qualquer reserva em afirmar que Jesus nasceu da Virgem Maria (cf. tema 18). Mas, antes disso, no «Credo», referimos um outro nascimento. Jesus Cristo é Filho de Deus, «nascido do Pai antes de todos os séculos». Esta afirmação remete para a existência eterna do Filho e conjuntamente para a sua eterna presença no seio da Trindade. Então, há dois nascimentos de Jesus Cristo? O bispo Máximo de Turim, um santo do século quinto, afirma num sermão sobre o Natal (a partir da tradução de «Année en fêtes», Migne 2000): «Caríssimos irmãos, há dois nascimentos em Cristo, e tanto um como o outro são a expressão de um poder divino que nos ultrapassa absolutamente. Por um lado, Deus gera o Seu Filho a partir de Si mesmo; por outro, Ele é concebido por uma virgem por intervenção de Deus. [...] Uma e outra formas de nascimento são propriamente inexprimíveis e ao mesmo tempo inseparáveis. [...] Quando ensinamos que há dois nascimentos em Cristo, não queremos com isto dizer que o Filho de Deus nasça duas vezes; mas afirmamos a dualidade de natureza num só e mesmo Filho de Deus. [...] Deus não nasce duas vezes; mas, por estes dois géneros de nascimentos – a saber, o de Deus e o do homem –, o Filho único do Pai quis ser, a um tempo, Deus e homem na mesma pessoa». Na reflexão sobre a Trindade, Hilário de Poitiers afirma: «O Pai e o Filho guardam cada qual o segredo deste nascimento. Se alguém quiser zangar-se com a sua própria inteligência por não conseguir compreender o mistério dessa geração, que saiba, pelo menos, que eu também sofro ainda mais que ele por o ignorar. Não sei, mas não me inquieto... [...] Compreendes do Filho que é a imagem, a sabedoria, o poder, a glória de Deus. [...] Então penetra neste segredo, um só Deus não gerado, um Filho único, e mergulha no mistério desse nascimento inconcebível. Começa, avança, persiste: bem sei que não conseguirás, mas, apesar de tudo, felicitar-te-ei por teres começado» (citação retirada de Ph. Ferlay, J.-N. Bezançon, J.-M. Onfray, «Para compreender o Credo», ed. Perpétuo Socorro, Porto 1993,68).

As expressões do «Credo» são consequência das discussões teológicas que vão culminar nas formulações doutrinais dos Concílios de Niceia (325), Constantinopla (381) e Calcedónia (451). Com os recursos filosóficos ao seu alcance, procuraram um modo de expressar a fé na divindade de Jesus Cristo, sem quaisquer reservas: «Deus de Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro; gerado, não criado, consubstancial ao Pai».

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 29.1.13 | Sem comentários
 — comentário de Marie Noëlle Thabut —

— Evangelho segundo Lucas 1, 1-4; 4, 14-21

Já que muitos empreenderam narrar os factos que se realizaram entre nós, como no-los transmitiram os que, desde o início, foram testemunhas oculares e ministros da palavra, também eu resolvi, depois de ter investigado cuidadosamente tudo desde as origens, escrevê-las para ti, ilustre Teófilo, para que tenhas conhecimento seguro do que te foi ensinado. Naquele tempo, Jesus voltou à Galileia, com a força do Espírito, e a sua fama propagou-se por toda a região. Ensinava nas sinagogas e era elogiado por todos. Foi então a Nazaré, onde Se tinha criado. Segundo o seu costume, entrou na sinagoga a um sábado e levantou-Se para fazer a leitura. Entregaram-Lhe o livro do profeta Isaías e, ao abrir o livro, encontrou a passagem em que estava escrito: «O Espírito do Senhor está sobre mim, porque Ele me ungiu para anunciar a boa nova aos pobres. Ele me enviou a proclamar a redenção aos cativos e a vista aos cegos, a restituir a liberdade aos oprimidos e a proclamar o ano da graça do Senhor». Depois enrolou o livro, entregou-o ao ajudante e sentou-Se. Estavam fixos em Jesus os olhos de toda a sinagoga. Começou então a dizer-lhes: «Cumpriu-se hoje mesmo esta passagem da Escritura que acabais de ouvir».

— Do início da narrativa de Lucas ao início da missão de Jesus

Sabemos muito pouco sobre a maneira como os evangelhos foram escritos, e em particular a sua data. Mas podemos deduzir alguns dados precisos a partir do que acabámos de ler.
Houve certamente uma pregação oral antes de os evangelhos terem sido escritos, dado que Lucas diz a Teófilo que pretende proporcionar-lhe o «conhecimento seguro» do que lhe foi transmitido.
Lucas reconhece que não foi testemunha ocular dos acontecimentos; ele apenas pôde informar-se com testemunhas oculares, o que supõe que estariam vivas quando escreve. Podemos por isso supor que a pregação da ressurreição de Cristo começou desde o Pentecostes e que o evangelho lucano foi escrito mais tarde, mas antes da morte das últimas testemunhas presenciais, o que situa a data limite entre os anos 80 e 90 da nossa era.
O excerto que ouvimos este domingo situa-se após o batismo de Jesus e a narração das suas tentações no deserto. Aparentemente tudo corre bem para o novo pregador. Relembro a narrativa de Lucas: «Naquele tempo, Jesus voltou à Galileia, com a força do Espírito, e a sua fama propagou-se por toda a região. Ensinava nas sinagogas e era elogiado por todos».
Naquele dia tudo se anunciava pelo melhor: regressa de viagem e, como todo o bom judeu, chegada a manhã de sábado, vai à sinagoga.
Também não há nada de extraordinário no facto de lhe terem confiado uma leitura, dado que todo o fiel tem o direito de ler as Escrituras. A celebração prossegue, por isso, normalmente... até ao momento em que Jesus lê a leitura do dia que era o texto bem conhecido do profeta Isaías e, no grande silêncio ardente após a leitura, afirma tranquilamente uma enormidade: «Cumpriu-se hoje mesmo esta passagem da Escritura que acabais de ouvir».
Houve certamente um momento de silêncio, o tempo necessário para compreender o que ele queria dizer. Todos na sinagoga esperavam que Jesus fizesse um comentário, como era costume na liturgia judaica, mas não foi o que aconteceu.
É com dificuldade que imaginamos a audácia que representa esta afirmação realmente tranquila de Jesus; de facto, para todos os seus contemporâneos, este texto venerável do profeta Isaías dizia respeito ao Messias. Só o Rei-Messias, quando viesse, poderia permitir-se dizer «O Espírito do Senhor está sobre mim, porque Ele me ungiu...».
Desde o início da monarquia o ritual sagrado dos reis compreendia um rito de unção com óleo. Esta unção era o sinal de que o próprio Deus inspirava o rei permanentemente para que ele fosse capaz de cumprir a sua missão de salvar o povo. Dizia-se então que o rei era «mashiah», palavra hebraica que significa «ungido de óleo». É esta palavra que se traduz por "Messias" em português e "Christos" em grego. Ao tempo de Jesus já não havia rei sobre o trono de Jerusalém mas esperava-se que Deus enviasse finalmente o rei ideal que levaria ao seu povo a liberdade, a justiça e a paz. Em particular na Palestina, então ocupada pelos Romanos, esperava-se aquele que livrasse a população da ocupação romana.
Jesus de Nazaré, o filho do carpinteiro, não podia, claramente, pretender ser este Rei-Messias aguardado. Sejamos francos, Jesus nunca deixou de surpreender os seus contemporâneos: ele é verdadeiramente o Messias que esperavam, mas totalmente diferente daquele que era esperado!
Lucas, para ajudar os seus leitores, teve o cuidado desde o início do seu livro de lhes dizer que se tinha informado diligentemente de tudo desde as origens. E, por outro lado, sublinhou na introdução a esta passagem que Jesus estava acompanhado do poder do Espírito, o que era precisamente a característica do Messias. Mas é Lucas, o cristão, quem o afirma, os habitantes de Nazaré não sabem que, realmente, o Espírito de Deus repousa sobre Jesus.
Última nota sobre este evangelho: a citação de Isaías que Jesus assume soa como um autêntico discurso programático: «O Espírito do Senhor está sobre mim, porque Ele me ungiu para anunciar a boa nova aos pobres. Ele me enviou a proclamar a redenção aos cativos e a vista aos cegos, a restituir a liberdade aos oprimidos e a proclamar o ano da graça do Senhor».
Eis a obra do Espírito através daqueles que ele consagrou. Nós que por vezes procuramos critérios de discernimento, encontramo-los aqui: o que é dito de Cristo vale para todos os confirmados que somos, à nossa humilde medida, bem entendido.

Marie Noëlle Thabut, In Conferência Episcopal Francesa
© SNPC (trad.)



Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 27.1.13 | Sem comentários
— palavra para o terceiro domingo —



— Evangelho segundo Lucas 1, 1-4; 4, 14-21

Já que muitos empreenderam narrar os factos que se realizaram entre nós, como no-los transmitiram os que, desde o início, foram testemunhas oculares e ministros da palavra, também eu resolvi, depois de ter investigado cuidadosamente tudo desde as origens, escrevê-las para ti, ilustre Teófilo, para que tenhas conhecimento seguro do que te foi ensinado. Naquele tempo, Jesus voltou à Galileia, com a força do Espírito, e a sua fama propagou-se por toda a região. Ensinava nas sinagogas e era elogiado por todos. Foi então a Nazaré, onde Se tinha criado. Segundo o seu costume, entrou na sinagoga a um sábado e levantou-Se para fazer a leitura. Entregaram-Lhe o livro do profeta Isaías e, ao abrir o livro, encontrou a passagem em que estava escrito: «O Espírito do Senhor está sobre mim, porque Ele me ungiu para anunciar a boa nova aos pobres. Ele me enviou a proclamar a redenção aos cativos e a vista aos cegos, a restituir a liberdade aos oprimidos e a proclamar o ano da graça do Senhor». Depois enrolou o livro, entregou-o ao ajudante e sentou-Se. Estavam fixos em Jesus os olhos de toda a sinagoga. Começou então a dizer-lhes: «Cumpriu-se hoje mesmo esta passagem da Escritura que acabais de ouvir».

— Jesus voltou à Galileia, com a força do Espírito

O evangelho não é uma narração cronológica dos factos ou da vida de Jesus. Não é uma espécie de biografia autorizada. É fruto da experiência de vida e de fé daqueles que «foram testemunhas oculares e ministros da palavra», como nos diz Lucas. Os textos são escritos a partir da perspetiva daqueles que guardaram os acontecimentos na memória, viveram o impacto das palavras e dos atos de Jesus, acompanharam a sua passagem pelos caminhos da Palestina, foram marcados pelo amor incondicional de Jesus, deixaram-se tocar pela experiência pascal. E deram o seu testemunho para que nós também possamos acreditar, acolhendo a mesma palavra, com a mesma alegria, com a mesma fé. 
O evangelho tem a clara intencionalidade de nos ajudar a acreditar em Jesus, a conhecer o Deus em quem pomos a nossa confiança. É o Deus que faz cumprir em Jesus Cristo as palavras da Escritura; porque em Jesus há uma novidade de vida. Uma Boa Nova que nos ajuda a viver de outra maneira, purificados no coração e no olhar, humildes e simples. Uma Boa Nova que nos abre os olhos à verdade do amor que dignifica a vida humana. Uma Boa Nova que nos torna capazes de viver na liberdade dos filhos amados de Deus. Uma Boa Nova que nos impele a estender a mão a todos, especialmente aos mais necessitados. Uma Boa Nova que nos abre à salvação oferecida por este Deus presente em cada instante da nossa história. 
O evangelho segundo Lucas é uma catequese sobre a fé escrita para o Teófilo, isto é, para aquele que quer viver como amigo de Deus. Lucas mostra-nos a importância que tem conhecer os factos, os detalhes da história, para podermos descobrir como o «hoje» da nossa vida também está marcado pela presença do Espírito de Deus. 
O Deus de Jesus Cristo não é um Deus de alguns, dos bons, dos piedosos, dos sábios. É, sobretudo, o Deus dos marginalizados, dos excluídos, dos doentes, dos pecadores. Só estaremos do lado de Deus quando estivermos com esses que são abandonados pela sociedade. 
Mais do que nunca, hoje, o ser humano procura a libertação, a salvação; mas parece que há algo que continua a falhar nessa busca. É verdade que nos empenhamos na libertação das opressões externas; mas descuidamos a libertação interior, que é a primeira coisa que temos de conseguir. A vida de Jesus é o melhor e o maior exemplo de libertação interior. 
Como podemos alcançar este objetivo? O texto do evangelho dá-nos a resposta: «Jesus voltou à Galileia, com a força do Espirito Santo». Esta é a chave! Só o Espírito nos pode capacitar para cumprir a nossa missão. Em todos os momentos da sua vida, até à morte e glorificação, deu pleno cumprimento à nossa libertação. Este é o programa de vida de Jesus!

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 27.1.13 | Sem comentários
— texto semanal publicado no «Diário do Minho» —

A segunda parte do (segundo) artigo do «Credo» sobre Jesus Cristo termina com a afirmação: «e se fez homem». Em Jesus Cristo, Deus humaniza-se e vive a condição humana na sua totalidade, exceto no pecado. Jesus Cristo leva à plenitude a nossa humanidade. É modelo para todo o ser humano que deseja alcançar a plena realização pessoal. Nesta simples afirmação — «e se fez homem» — está condensada toda a vida (privada e pública) de Jesus Cristo. [Para ajudar a compreender melhor, ler: Lucas 2, 39-52; Catecismo da Igreja Católica, números 512 a 570]

«Jesus crescia em sabedoria, em estatura e em graça, diante de Deus e dos homens» — assim resume o evangelho segundo Lucas a vida de Jesus entre os doze e os trinta anos de idade. Para perceber o que é relatado pelo evangelista, é preciso ter em conta que, na mesma casa, viviam os avós, os pais, os filhos, os tios, os primos, todos os que constituíam o mesmo núcleo familiar. É este grande clã familiar que se desloca a Jerusalém. Assim, já não é tão estranho que Jesus tenha ficado no Templo, «sem que os pais o soubessem». Seria possível apenas Maria e José perderem Jesus?! Este relato é muito rico em ensinamentos teológicos. Trata-se de um episódio que nos ajuda a perceber que Jesus começa a assumir a sua própria perspetiva de vida. O início da vida adulta acontecia aos doze anos. A maioria dos rapazes e raparigas casavam por volta dessa idade, num tempo em que aos quarenta anos já se era «velho». Ao colocá-lo «no meio dos doutores», o evangelista prepara-nos para o que vai ser a vida de Jesus: a fidelidade à sua missão.


E se fez homem. Jesus esteve com os seus pais, Maria e José, em Nazaré, até ao início da sua pregação, chamada «vida pública». Durante esse tempo, viveu de forma humildade e discreta, de tal modo que não existe qualquer dado bíblico sobre essa etapa da sua vida (privada). Jesus permanece em Nazaré aproximadamente até aos trinta anos de idade. A partir daí, começa a sua intensa pregação e ação. Uma atividade que vai levar à condenação à morte. Após a Páscoa de Jesus Cristo, a Ressurreição, ficaremos a saber que não se trata de um fracasso, mas de uma vitória do amor, consequência da fidelidade à sua missão: dar a conhecer o amor de Deus. No entanto — ao contrário dos relatos dos evangelhos que são extensos e detalhados —, o «Credo» nada diz sobre a forma como Jesus viveu nem sobre o que disse e fez até à crucificação. No «Credo» apenas recordamos os mistérios da Páscoa e do Natal. «Relativamente à vida de Cristo, o Símbolo da Fé apenas fala dos mistérios da Encarnação (conceção e nascimento) e da Páscoa (paixão, crucifixão, morte, sepultura, descida à mansão dos mortos, ressurreição, ascensão). Nada diz explicitamente dos mistérios da vida oculta e pública de Jesus. Mas os artigos que dizem respeito à Encarnação e à Páscoa de Jesus esclarecem toda a vida terrena de Cristo. ‘Tudo o que Jesus fez e ensinou desde o princípio até ao dia em que foi elevado ao céu’ (Atos dos Apóstolos 1, 1-2) deve ser visto à luz dos mistérios do Natal e da Páscoa» (Catecismo da Igreja Católica [CIC], 512). O Catecismo da Igreja Católica resume em quatro aspetos a vida (pública) de Jesus: toda a vida de Cristo é revelação do Pai (CIC 516); toda a vida de Cristo é mistério de redenção (CIC 517); toda a vida de Cristo é mistério de recapitulação (CIC 518); toda a vida de Cristo é modelo de perfeição (CIC 519-521). Talvez uma (próxima) revisão do texto do «Credo» possa incluir uma referência à vida de Jesus!

«Toda a vida de Cristo foi um ensinar contínuo: os seus silêncios, os seus milagres, os seus gestos, a sua oração, o seu amor pelo humano, a sua predileção pelos pequeninos e pelos pobres, a aceitação do sacrifício total na cruz pela redenção do mundo e a sua ressurreição, são a atuação da sua palavra e o cumprimento da sua revelação» (João Paulo II, Exortação Apostólica sobre a catequese, 9).

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 22.1.13 | Sem comentários
— palavra para segunda-feira da segunda semana —



— Evangelho segundo Marcos 2, 18-22

Naquele tempo, os discípulos de João e os fariseus guardavam o jejum. Vieram perguntar a Jesus: «Por que motivo jejuam os discípulos de João e os fariseus e os teus discípulos não jejuam?». Respondeu-lhes Jesus: «Podem os companheiros do noivo jejuar, enquanto o noivo está com eles? Enquanto têm o noivo consigo, não podem jejuar. Dias virão em que o noivo lhes será tirado; nesses dias jejuarão. Ninguém põe remendo de pano novo em vestido velho, porque o remendo novo arranca parte do velho e o rasgão fica maior. E ninguém deita vinho novo em odres velhos, porque o vinho acaba por romper os odres e perdem-se o vinho e os odres. Para vinho novo, odres novos».

— Para vinho novo, odres novos

João (Batista) e Jesus não seguem exatamente o mesmo caminho. Os discípulos de João e os discípulos de Jesus não partilham totalmente a mesma metodologia de vida. Este confronto é uma das situações vividas pelos primeiros cristãos. Por isso, os evangelhos insistem, como neste caso, em destacar a ligação e a separação entre João e Jesus. Há uma novidade trazida por Jesus Cristo!
João Batista dava muito importância à privação, à austeridade, para atingir a conversão, a mudança de vida. Jesus prefere a comunhão, a partilha da vida, para atingir a alegria e a felicidade (que é também uma mudança de vida para aqueles que vivem tristes e desanimados). João prefere o jejum. Jesus prefere o banquete. A mortificação, o sacríficio, são propostas de João Batista. Viver assim é preferir o vinho (velho) colocado em odres velhos.
«Para vinho novo, odres novos». Esta é a proposta de Jesus Cristo. Ele oferece uma ótima bebida, um vinho novo, que precisa de «odres novos», isto é, vidas alegres e felizes, capazes de seguir os seus passos. A alegria apega-se! Quem se sente feliz contagia os outros com o seu estilo de vida. 
Então não é útil e necessário o sacrifício e a privação? É sim, claro que sim. Mas é mais fácil deixar de comer um pedaço de carne do que cozinhá-lo e convidar para se sentarem à mesa comigo aqueles com quem não simpatizo ou me causam repugnância! Não é?

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 21.1.13 | Sem comentários
— palavra para o segundo domingo —



— Evangelho segundo João 2, 1-11 

Naquele tempo, realizou-se um casamento em Caná da Galileia e estava lá a Mãe de Jesus. Jesus e os seus discípulos foram também convidados para o casamento. A certa altura faltou o vinho. Então a Mãe de Jesus disse-Lhe: «Não têm vinho». Jesus respondeu-Lhe: «Mulher, que temos nós com isso? Ainda não chegou a minha hora». Sua Mãe disse aos serventes: «Fazei tudo o que Ele vos disser». Havia ali seis talhas de pedra, destinadas à purificação dos judeus, levando cada uma de duas a três medidas. Disse-lhes Jesus: «Enchei essas talhas de água». Eles encheram-nas até acima. Depois disse-lhes: «Tirai agora e levai ao chefe de mesa». E eles levaram. Quando o chefe de mesa provou a água transformada em vinho, – ele não sabia de onde viera, pois só os serventes, que tinham tirado a água, sabiam – chamou o noivo e disse-lhe: «Toda a gente serve primeiro o vinho bom e, depois de os convidados terem bebido bem, serve o inferior. Mas tu guardaste o vinho bom até agora». Foi assim que, em Caná da Galileia, Jesus deu início aos seus milagres. Manifestou a sua glória e os discípulos acreditaram n’Ele.

— Manifestou a sua glória e os discípulos acreditaram n'Ele

O relato do evangelho não é uma crónica do que aconteceu numa boda de casamento. É fruto de uma minuciosa elaboração por parte do evangelista. Seguramente que Jesus participou em muitas festas de casamento; em qualquer delas se poderia ter passado algo parecido. Mas o que hoje nos apresenta o evangelista João é uma reflexão teológica. 
A chave para entender o texto é a «hora» da glorificação de Jesus na cruz. A boda era desde o profeta Oseias o sinal que designava a aliança de Deus com o povo. A ideia de Deus noivo e do povo como noiva repete-se várias vezes no Antigo Testamento. A boda está associada à imagem do banquete, que era símbolo dos tempos messiânicos. O vinho é inseparável de um banquete. No Antigo Testamento, era sinal do amor de Deus. A abundância de vinho era o melhor sinal do amor de Deus ao seu povo. 
É na última frase que está a interpretação de todo o relato: «Manifestou a sua glória e os discípulos acreditaram n’Ele». Ao longo de todo o evangelho, os sinais realizados por Jesus terão todos o mesmo objetivo: manifestar a glória de Jesus Cristo. Ora, a única glória que Jesus admite é o amor de Deus manifestado nele. A glória de Deus e de Jesus consiste na nova relação que Deus estabelece com o ser humano. Deus acolhe-nos como filhos, enche-nos do seu amor. 
O mais surpreendente neste relato é o uso da imagem de um banquete de casamento para falar das relações de Deus com o ser humano. Deus manifesta-se em todos os acontecimentos da nossa vida. Deus não quer que renunciemos a nada do que é verdadeiramente humano. Deus quer que vivamos o divino no quotidiano, na normalidade da vida. Por isso, a ideia de sofrimento como exigência divina não tem nada a ver com a proposta evangélica. Esta está sempre carregada de alegria e de vida feliz. 
Há ainda outra ideia importante; simples, mas demolidora para a nossa maneira de pensar e viver a religiosidade. Não são os ritos que nos purificam. Só quando saboreio o vinho do amor e da alegria, ficarei limpo e purificado pelo amor de Deus. Descobrir Deus dentro de nós, para sermos capazes de viver a imensa alegria que nasce da unidade da nossa vida com a vida de Deus. É esta a glória de Deus, hoje: que cada ser humano faça esta descoberta da sua presença e aprenda a saborear todo o seu amor. É dentro de cada um de nós que a água da religião se pode transformar em vinho de amor e alegria. 
Com que atitudes podes ajudar a recuperar a alegria cristã à tua volta? A resposta já está dada. Mas ainda podemos acrescentar uma outra retirada da última frase do evangelho. «Manifestou a sua glória e os discípulos acreditaram n’Ele». A fé dos discípulos nasce da transformação da água em vinho, isto é, da experiência de alegria e de vida que fazem com Jesus Cristo. É também este o itinerário que se coloca diante de nós, particularmente neste Ano da Fé. «A fé cresce quando é vivida como experiência de um amor recebido e é comunicada como experiência de graça e de alegria» — diz o Papa no documento programático deste Ano da Fé. De que estamos à espera?! 

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 20.1.13 | Sem comentários
— palavra para sexta-feira da primeira semana —



— Evangelho segundo Marcos 2, 1-12

Quando Jesus entrou de novo em Cafarnaum e se soube que Ele estava em casa, juntaram-se tantas pessoas que já não cabiam sequer em frente da porta; e Jesus começou a pregar lhes a palavra. Trouxeram-Lhe um paralítico, transportado por quatro homens; e, como não podiam levá-lo até junto d’Ele, devido à multidão, descobriram o teto, por cima do lugar onde Ele Se encontrava e, feita assim uma abertura, desceram a enxerga em que jazia o paralítico. Ao ver a fé daquela gente, Jesus disse ao paralítico: «Filho, os teus pecados estão perdoados». Estavam ali sentados alguns escribas, que assim discorriam em seus corações: «Porque fala Ele deste modo? Está a blasfemar. Não é só Deus que pode perdoar os pecados?». Jesus, percebendo o que eles estavam a pensar, perguntou-lhes: «Porque pensais assim nos vossos corações? Que é mais fácil? Dizer ao paralítico ‘Os teus pecados estão perdoados’ ou dizer ‘Levanta-te, toma a tua enxerga e anda’? Pois bem. Para saberdes que o Filho do homem tem na terra o poder de perdoar os pecados, ‘Eu te ordeno – disse Ele ao paralítico – levanta-te, toma a tua enxerga e vai para casa’». O homem levantou-se, tomou a enxerga e saiu diante de toda a gente, de modo que todos ficaram maravilhados e glorificavam a Deus, dizendo: «Nunca vimos coisa assim».

— Está a blasfemar

Jesus mostra a sua profunda convicção e missão: ajudar cada pessoa a viver alegre e a ser feliz. O tema principal do relato não é o milagre da cura do paralítico. O principal é o perdão dos pecados. O evangelista conduz a narrativa para o desenlace final: «Nunca vimos coisa assim». De facto, a maneira de agir de Jesus era nova, diferente de todos os outros, principalmente daqueles que se diziam representantes de Deus ou «donos» da religiosidade.
O assunto é sério! Se Jesus apenas fizesse o milagre da cura do paralítico não haveria tanta preocupação da parte dos «escribas». Jesus, «ao ver a fé daquela gente», não tem qualquer receio do que se possa passar a seguir. É a fé daqueles amigos que «produz» o perdão dos pecados ao paralítico. Hoje, a força da fé continua a ser capaz de «produzir» maravilhas na vida dos outros.
«Está a blasfemar». Para aqueles «donos» da Lei e da Escritura, só Deus pode perdoar os pecados; e o sacerdote (mediador de Deus) pode realizar um sacrifício de expiação pelos pecados do povo.
Jesus muda radicalmente esta maneira de viver o perdão. Quandos as pessoas se perdoam, Deus alegra-se e confirma o perdão. Jesus humaniza a religião! Deus está presente em cada ser humano. Quando perdoamos é Deus que perdoa. A paz entre as pessoas é a paz com Deus.

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 18.1.13 | Sem comentários
— reflexão semanal sobre o credo niceno-constantinopolitano —

A convocação do Concílio de Niceia, em 325, teve como principal objetivo definir a divindade de Jesus Cristo, sem qualquer reserva. Esta foi uma tentativa de fazer desaparecer as doutrinas que colocavam em causa a natureza divina de Jesus Cristo. Por isso, de forma reduplicativa, o «Credo» resultante desse Concílio sublinha que Jesus Cristo é Deus a partir do próprio Deus: «Deus de Deus, Luz da Luz». [Para ajudar a compreender melhor, ler: João 1, 1-14; Catecismo da Igreja Católica, números 249-256; 261-262]

«O Verbo estava em Deus; e o Verbo era Deus» — esta proclamação inicial do evangelho segundo João faz parte de um dos hinos mais belos existentes em todo o Novo Testamento. Não são expressões abstratas ou simples enunciados filosóficos; para o evangelista — e para as comunidades que já conheciam este hino — são afirmações de fé sobre a divindade de Cristo. O «Verbo» é a tradução latina do grego «Logos» que significa «Palavra». Com este termo, o hino refere-se à pessoa divina de Jesus Cristo. Neste hino estão elencados os principais temas que vão ser desenvolvidos ao longo de todo o evangelho segundo João (cf. Bíblia Sagrada, notas ao «Prólogo» do evangelho segundo João, Difusora Bíblica). Entre outros, o tema da Luz referido no «Credo» é um dos que está em destaque: «E a Vida era a Luz dos homens. A Luz brilhou nas trevas. O Verbo era a Luz verdadeira» (cf. João 1, 4-9).

«Deus de Deus, Luz da Luz» é uma das proclamações do «Credo niceno-constantinopolitano» que reforça a divindade de Jesus Cristo (cf. tema anterior [9] — «nascido do Pai antes de todos os séculos»). Curiosamente, a afirmação «Deus de Deus, Luz da Luz» não é original do Concílio; foi utilizada pela primeira vez pelo filósofo Plotino (205-270) considerado o fundador do neoplatonismo.

Deus de Deus. A afirmação da natureza divina e humana de Jesus Cristo tem uma história longa e difícil. Muitas das tentativas para explicar a relação entre Jesus e Deus procuraram salvaguardar a transcendência de Deus, pondo em causa a natureza divina do Filho. Entre estas tentativas, destaca-se a doutrina defendida por Ario, que se transformou numa heresia (arianismo).

Arianismo. Ario (256-336) era um presbítero cristão de Alexandria, que se mostrou insatisfeito com as afirmações do «Prólogo» do evangelho segundo João, bem como outras afirmações de fé semelhantes difundidas entre os cristãos. Na tentativa de explicar a relação entre Jesus e Deus, Ario tinha dificuldade em aceitar que Jesus Cristo é Deus, da mesma natureza de Deus, faz parte de Deus (Trindade na Unidade: Um só Deus; Três Pessoas: Pai, Filho, Espírito Santo). Então chegou às seguintes afirmações: «O Filho não tem o ser ao mesmo tempo que o Pai»; «Deus, querendo criar-nos, criou primeiramente um determinado ser, que chamou Verbo, Sabedoria e Filho, a fim de nos criar por Ele»; «Jesus não é Filho de Deus por natureza e a falar com rigor, mas somente por designação e adoção, como as criaturas»; «Deus, tendo previsto que Ele seria bom, deu-lhe antecipadamente a glória que mereceu mais tarde pela sua virtude». Para Ario era inútil chamar Deus a Jesus Cristo. Aliás, essa afirmação era lesiva para a divindade. Seria suficiente apresentar Jesus como uma criatura intermédia que foi capaz de atingir uma perfeição especial. A intenção de Ario era encontrar uma linguagem de fé capaz de integrar as doutrinas filosóficas daquele tempo. Nessa tentativa foi longe demais esquecendo o Deus bíblico (revelado na Escritura) para dar mais destaque às representações filosóficas existentes na sua época. Mas Ario não foi o único. Entre outras, destaca-se também negativamente as doutrinas «adocionistas»: Jesus era um ser humano adotado por Deus. Estas doutrinas provocaram uma profunda crise dentro da Igreja. Foram vários os bispos que se deixaram seduzir pelas afirmações contrárias à divindade de Jesus Cristo. O mundo cristão esteve em perigo de «acordar» ariano, porque (como era costume naquela época) o problema não era apenas religioso; era também um problema político, em que se envolviam os responsáveis das nações. Por isso, a Igreja teve necessidade de convocar o Concílio de Niceia, em 325, para definir a natureza divina de Jesus Cristo (sobre este tema cf. AA. VV., «A fé dos católicos», Gráfica de Coimbra, Coimbra 1991, 280-282). 

Luz da Luz. Esta terminologia corresponde à filosofia defendida por Platão, onde a luz aparece como um dos predicados da divindade. Por isso, reforça a primeira afirmação: Deus é a Luz; Jesus Cristo é Deus, é Luz da Luz.

A história da definição doutrinal da divindade de Jesus Cristo continua...


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 17.1.13 | Sem comentários
— catequese do Papa Bento XVI — 16 de janeiro de 2013 —

Queridos irmãos e irmãs, 
Deus dá-se a conhecer, revela-se, entra na história, agindo por meio de mediadores, como Moisés, os Juízes, os Profetas, que comunicam ao seu povo a Sua vontade. Esta revelação alcança a sua plenitude em Jesus Cristo. N’Ele, Deus vem visitar a humanidade, de um modo que excede tudo o que se podia esperar: fazendo-Se homem. Com Cristo, se concretiza um desejo que permeava todo o Antigo Testamento: ver a face de Deus. De fato, por um lado, o povo de Israel sabia que Deus tinha uma face, ou seja, é Alguém com quem podemos entrar em relação, mas por outro lado, estavam cientes de que era impossível, nesta vida, ver a face de Deus; esta permanecia misteriosa, inacessível e, portanto, não representável. Mas, com a Encarnação, Deus assume uma face humana. Jesus nos mostra a face de Deus e por isso é o Mediador e a plenitude de toda a revelação: n’Ele vemos e encontramos o Pai; n’Ele podemos invocar a Deus como Pai; n’Ele temos a salvação. > > >

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 16.1.13 | Sem comentários
— palavra para quarta-feira da primeira semana —



— Evangelho segundo Marcos 1, 29-39

Naquele tempo, Jesus saiu da sinagoga e foi, com Tiago e João, a casa de Simão e André. A sogra de Simão estava de cama com febre e logo Lhe falaram dela. Jesus aproximou-Se, tomou-a pela mão e levantou-a. A febre deixou-a e ela começou a servi-los. Ao cair da tarde, já depois do sol-posto, trouxeram-Lhe todos os doentes e possessos e a cidade inteira ficou reunida diante da porta. Jesus curou muitas pessoas, que eram atormentadas por várias doenças, e expulsou muitos demónios. Mas não deixava que os demónios falassem, porque sabiam quem Ele era. De manhã, muito cedo, levantou-Se e saiu. Retirou-Se para um sítio ermo e aí começou a orar. Simão e os companheiros foram à procura d’Ele e, quando O encontraram, disseram-Lhe: «Todos Te procuram». Ele respondeu-lhes: «Vamos a outros lugares, às povoações vizinhas, a fim de pregar aí também, porque foi para isso que Eu vim». E foi por toda a Galileia, pregando nas sinagogas e expulsando os demónios.

— Levantou-se... retirou-se... começou a orar

Jesus foi um homem profundamente religioso. Mas vivia uma religiosidade diferente. Os evangelhos quando colocam Jesus em oração situam-no em lugares isolados. Os espaços de culto (sinagogas e templo) não são lugares onde Jesus vai para rezar, mas para ensinar aqueles que lá se encontram. Aí,  dava-lhes a conhecer a sua mensagem e a sua maneira de viver.
Jesus primeiro fazia; e só depois explicava ou propunha aos outros. Por isso, em Jesus Cristo a prática precede o discurso. O texto do evangelho começa por referir a prática: Jesus vai ao encontro de uma mulher doente, cura-a, bem como a todos os doentes que lhe apresentam naquele dia. No início do dia seguinte, Jesus «de manhã muito cedo, levantou-Se e saiu. Retirou-Se para um sítio ermo e aí começou a orar». Era esta a maneira de viver de Jesus Cristo.
A religiosidade de Jesus transmite-se em primeiro lugar pelo exemplo, pela prática. Nisto consiste a autoridade de Jesus. Aliada a uma convicção muito profunda, que nasce da sua interioridade: a oração, a confiança no Pai. E agindo desta forma, Jesus dá a conhecer a sua religiosidade. 
Eis o caminho que tenho de seguir para ser cristão: atento às necessidades dos outros e profundamente unido a Deus. As teorias doutrinais (se forem necessárias) são apresentadas no final; e não antes da prática e do exemplo.

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 16.1.13 | Sem comentários
— palavra para seguda-feira da primeira semana —

— Evangelho segundo marcos 1, 14-20

Depois de João ter sido preso, Jesus partiu para a Galileia e começou a proclamar o Evangelho de Deus, dizendo: «Cumpriu-se o tempo e está próximo o reino de Deus. Arrependei-vos e acreditai no Evangelho». Caminhando junto ao mar da Galileia, viu Simão e seu irmão André, que lançavam as redes ao mar, porque eram pescadores. Disse-lhes Jesus: «Vinde comigo e farei de vós pescadores de homens». Eles deixaram logo as redes e seguiram-n’O. Um pouco mais adiante, viu Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João, que estavam no barco a consertar as redes; e chamou-os. Eles deixaram logo seu pai Zebedeu no barco com os assalariados e seguiram Jesus.

— Eles deixaram logo... e seguiram Jesus

Começa uma nova etapa na história da humanidade. Jesus anuncia a proximidade do Reino de Deus para inaugurar essa nova etapa para a vida humana. Dizer que «está próximo o Reino de Deus» é afirmar a presença de Deus no meio dos homens e mulheres. O Deus de Jesus Cristo não está no «alto do Céus». Ele está no meio de nós! Ele está connosco!
A novidade de Jesus está nesta afirmação de que Deus está presente na nossa vida, identificado com a nossa humanidade. É o que Jesus vai explicar e mostrar com palavras e com gestos, isto é, com toda a sua vida. Jesus diz mais do que isto: Deus está presente no nosso trabalho, no nosso decanso, nos nossos sofrimentos, nas nossas alegrias. Jesus diz que em tudo o que é verdadeiramente humano está Deus. Isto é o Evangelho, a Boa Notícia!
A primeira atitude para agir como Jesus é o desprendimento, deixar tudo. Os primeiros discípulos deixaram (as redes, o pai) as suas seguranças anteriores para estarem livres no seguimento de Jesus Cristo. É a primeira coisa a fazer, hoje! Enquanto não for capaz de a fazer, não poderei avançar com Jesus. Mas as seguranças (anteriores) são tão confortáveis. Preferes continuar agarrado às tuas seguranças? Está na hora de deixar tudo e seguir Jesus!

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 14.1.13 | Sem comentários
No Natal, contemplámos o mistério do Filho de Deus que nasce «abandonado», recusado. E assim se anuncia o seu futuro e a sua missão. Neste tempo após o Natal, celebramos o batismo de Jesus, onde se manifesta esta realidade: Jesus aparece como um entre o povo; mistura-se com a multidão que segue o Batista, aquele asceta do deserto que traz uma voz que ressoa com força e proclama uma esperança para uma religião elitista e caduca, que põe a letra da Lei acima do ser humano. É uma voz que entusiasma, porque é a voz de um verdadeiro profeta. Um profeta que convida à esperança: vem o Messias e começa um tempo novo. Mas também convida à conversão: é preciso mudar, abandonar o legalismo, desinstalar-se, deitar fora o supérfluo, para viver a Boa Nova do Reino que se aproxima.
Jesus escutava João entre o povo simples: pecadores, pobres e doentes, homens e mulheres cansados, com esperança, mas carregados com o peso da vida, que saíam renovados pelas palavras do Batista. Jesus como todos eles também se quis batizar; não precisava, mas faz o mesmo que todos para carregar os pecados, os problemas, os cansaços daquela gente; quer partilhar os seus medos e esperanças, dores, alegrias e sonhos. Quer libertar as pessoas de tantos jugos com que tinham sido carregadas pelos responsáveis políticos e religiosos do seu tempo. Jesus entra então no Jordão para ser batizado por João; mas em Jesus entra a humanidade inteira, uma humanidade ferida e pecadora; e também uma humanidade crente e cheia de esperança pelo Reino que é inaugurado por Jesus de Nazaré. Ao sair da água, a voz do Pai manifesta que Jesus é o Filho amado, o Filho sobre o qual desce o Espírito para levar por diante a missão de Servo humilde, a missão que já tinha assumido aquando da Encarnação.

© Equipo «Eucaristía», Verbo Divino
© Tradução e adaptação de Laboratório da fé

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 13.1.13 | Sem comentários
— palavra para domingo, batismo de jesus —


— Evangelho segundo Lucas 3, 15-16.21-22

Naquele tempo, o povo estava na expectativa e todos pensavam em seus corações se João não seria o Messias. João tomou a palavra e disse-lhes: «Eu batizo-vos com água, mas vai chegar quem é mais forte do que eu, do qual não sou digno de desatar as correias das sandálias. Ele batizar-vos-á com o Espírito Santo e com o fogo». Quando todo o povo recebeu o batismo, Jesus também foi batizado; e, enquanto orava, o céu abriu-se e o Espírito Santo desceu sobre Ele em forma corporal, como uma pomba. E do céu fez-se ouvir uma voz: «Tu és o meu Filho muito amado: em Ti pus toda a minha complacência».

— Ele batizar-vos-á com o Espírito Santo e com o fogo

A liturgia de hoje dá um salto no tempo — da infância para a idade adulta — e apresenta-nos o Batismo de Jesus. É um acontecimento que leva à plenitude a «epifania», a manifestação de Deus a todos os povos através de Jesus Cristo: «Do céu fez-se ouvir uma voz: ‘tu és o meu Filho muito amado: em Ti pus toda a minha complacência». 
A festa do Batismo de Jesus é de origem recente. Concretamente, foi instituída em mil novecentos e sessenta, com uma data fixa: treze de janeiro. O sentido era mostrar que a manifestação de Jesus ao mundo ficava mais completa com a anúncio vindo do céu no dia do batismo. Ao mesmo tempo, oferecia aos batizados uma boa ocasião para refletir sobre a sua condição, já que é no Sacramento do Batismo que se inicia a nossa biografia cristã, o caminho da nossa fé. A reforma mais recente do calendário litúrgico colocou a festa do Batismo de Jesus no domingo depois do dia seis de janeiro (em alguns anos, por causa das datas tardias dos primeiros domingos do ano, celebra-se na segunda-feira depois da Epifania). 
O relato de Lucas não dá nenhuma importância ao facto concreto do batismo; apenas o refere: «Quando todo o povo recebeu o batismo, Jesus também foi batizado». O centro deste relato não é o acontecimento. Podemos situar o centro do relato em duas perspetivas: uma em relação aos sinais que estão associados ao batismo de Jesus; outra em relação ao anúncio profético de João Batista. 
Os sinais são o céu aberto, a descida do Espírito, a voz do Pai. De acordo com a tradição bíblica, todos estes sinais estão relacionados com o Messias. Segundo essa mentalidade, Deus está no céu e tem de vir, tem de descer. Quando o céu se abre é sinal da vinda de Deus, é sinal da proximidade de Deus em relação ao ser humano. Ora, esta vinda de Deus tem de ser descrita de uma forma visível para poder ser entendida. Por isso, o evangelista faz uma descrição visual de um acontecimento que é muito mais íntimo do que externo (visível). O importante não é o que aconteceu fora, mas o que Jesus viveu interiormente com esse acontecimento. O que nos tem de interessar é a descoberta da relação de Deus com o ser humano; e a resposta que Jesus deu quando tomou consciência da relação com Deus. O batismo marca uma viragem decisiva na vida de Jesus. O importante para nós é procurar descobrir o que se passou no interior de Jesus; e ver até que ponto também nós nos podemos aproximar dessa mesma experiência vital. 
A outra perspetiva que nos é apresentada pelo evangelista concentra a nossa atenção nas palavras de João Batista: «Eu batizo-vos com água, mas vai chegar quem é mais forte do que eu [...]. Ele batizar-vos-á com o Espírito Santo e com o fogo». Agora, o mais importante já não é a água, mas o Espírito Santo e o fogo. O Espírito Santo remete para a dimensão interior, a transformação interior profunda; o fogo para a dimensão exterior, o compromisso de ação. Por isso, hoje é uma boa ocasião para refletir sobre a nossa condição de batizadas e batizados. Podemos agradecer a Deus o dom e a graça da fé (interior) e o renovarmos o compromisso batismal (exterior).
Estás consciente do compromisso do Batismo: viver como filho de Deus? O Sacramento do Batismo não é apenas um ato de piedade realizado pelos pais e padrinhos. É o início de uma vida nova. Por isso, a fé não é a posse tranquila de um dom. Ela precisa de crescer e de amadurecer. O Papa insiste na importância de «redescobrir o caminho da fé». Precisamos de voltar às raízes da nossa fé. Colocar-nos em contato com o Evangelho, a Boa Nova anunciada por Jesus Cristo. Como fazemos em cada Eucaristia, alimentarmo-nos da Palavra da Salvação e do Pão da Vida. 

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 13.1.13 | Sem comentários
— palavra para sábado depois da epifania —

— Evangelho segundo João 3, 22-30

Naquele tempo, foi Jesus com os seus discípulos para o território da Judeia, onde Se demorou com eles, e começou a batizar. João batizava em Enon, perto de Salim, porque ali a água era abundante e aparecia muita gente para se batizar. João ainda não tinha sido encarcerado. Surgiu uma discussão entre os discípulos de João e um judeu a respeito da purificação. Foram ter com João e disseram-lhe: «Mestre, Aquele que estava contigo na outra margem do Jordão e de quem deste testemunho anda a batizar e todos vão ter com Ele». João respondeu: «Ninguém pode receber coisa alguma, se não lhe for dada do Céu. Vós próprios sois testemunhas de que eu disse: ‘Não sou o Messias, mas aquele que foi enviado à sua frente’. Quem tem a esposa é o esposo; e o amigo do esposo, que o acompanha e escuta, sente muita alegria ao ouvir a sua voz. Essa é a minha alegria, que agora é completa: Ele deve crescer e eu diminuir». 

— Todos vão ter com Ele 

O evangelho segundo João refere os primeiros discípulos de Jesus como provenientes do grupo de João Batista. Até incluiu o próprio Jesus. A proposta essencial de João Batista consiste num arrependimento expresso através do batismo. Jesus e os seus discípulos começam por fazer exatamente o mesmo: batizar. 
A prática de rituais sempre foi motivo de rivalidades com consequências tão graves que podem levar à divisão. A história da Igreja comprava-o. Por causa das diferenças de rituais, as religiões provocaram invejas, ódios, guerras e até mortes. Por isso, o relato diz que os seguidores de João Batista ficam incomodados com a ação de Jesus: «todos vão ter com Ele».
João Batista não se deixa influenciar pela inveja. Esta é uma atitude própria de quem procura tirar proveito das ações, em vez de procurar o bem dos outros. João Batista permanece firme na sua missão: «Não sou o Messias, mas aquele que foi enviado à sua frente». O exemplo de João Batista ajuda-me a não criar invejas nem rivalidades com os outros, mas a promover sempre o bem.
Com a sua atitude, João permite também que Jesus desenvolva a sua missão: libertar e salvar todas as pessoas. A sua maneira de estar com as pessoas faz com que «todos vão ter com Ele». E eu: afasto ou atraio os outros?

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 12.1.13 | Sem comentários
— palavra para sexta-feira depois da epifania —

— Evangelho segundo Lucas 5, 12-16

Naquele tempo, estando Jesus em certa cidade, apareceu um homem cheio de lepra. Ao ver Jesus, caiu de rosto por terra e suplicou-Lhe: «Senhor, se quiseres, podes curar-me». Jesus estendeu a mão e tocou-lhe, dizendo: «Eu quero; fica curado». E imediatamente a lepra o deixou. Jesus ordenou-lhe que a ninguém o dissesse, mas acrescentou: «Vai mostrar-te ao sacerdote e oferece pela tua cura o que Moisés ordenou, para lhes servir de testemunho». Cada vez se divulgava mais a fama de Jesus e reuniam-se grandes multidões para O ouvirem e serem curados dos seus males. Mas Jesus costumava retirar-Se em lugares desertos para orar.

— Um homem cheio de lepra

O programa de vida apresento por Jesus na Sinagoga de Nazaré (cf. evangelho de ontem) tem continuidade e coerência neste episódio. A religião de Jesus alicerçada na luta pela libertação e salvação da pessoa confronta-se com uma situação concreta: «um homem cheio de lepra». Jesus vem para «proclamar a redenção aos cativos e a vista aos cegos, a restituir a liberdade aos oprimidos», para curar os leprosos. Esta atividade terapêutica é uma constante na sua vida, é uma marca da sua identidade e missão.
Não admira que Jesus tenha muita popularidade! Os pobres, os doentes, os marginalizados, os pecadores, os excluídos em geral, são acolhidos com tolerância e afeto. Numa cultura em que a doença era tida como um pecado e um «castigo» divino, a atitude de Jesus granjeia estima e admiração; e todos recorrem a ele, querem estar junto dele.
Neste contexto, um leproso era marginalizado por todos. Com a agravante de a lepra ser considera uma das piores doenças devido à facilidade do contágio; e também porque estava associada à religião. Um leproso era um «impuro»; ninguém queria tocar ou ser tocado por um leproso, porque se tornava também impuro. 
Grande atrevimento da parte de Jesus! Bastava dizer: «Eu quero; fica curado». Mas Jesus é ainda mais forte no cumprimento da sua missão: «estendeu a mão e tocou-lhe». Hoje, perante os «leprosos» do nosso tempo não é fácil ter a mesma atitude de Jesus Cristo. Mas essa tem de ser a marca da identidade cristã, a expressão de uma bondade sem limites. Hoje, é o dia para começar a viver à maneira de Jesus Cristo!

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 11.1.13 | Sem comentários
— reflexão semanal sobre o credo niceno-constantinopolitano —

A afirmação da identidade divina de Jesus Cristo ocupa uma parte significativa do «Credo Niceno-constantinopolitano». Nos outros «Credos» (Batismal e Símbolo dos Apóstolos) essa referência está apenas associada à filiação («seu único Filho»). As discussões posteriores sobre a divindade de Jesus Cristo levaram a Igreja a explicitar com mais ênfase essa mesma realidade, tal como está expressa no «Credo» que surgiu dos Concílios de Niceia e Constantinopla. [Para ajudar a compreender melhor, ler: João 17, 1-26; Catecismo da Igreja Católica, números 249-256]

«Aquela glória que eu tinha junto de ti, antes de o mundo existir» — é uma das afirmações que encontramos no evangelho segundo João para referir a existência do Filho, a Segunda Pessoa da Trindade, antes do ato criador. Logo no início o evangelista afirma: «No princípio existia o Verbo; o Verbo estava em Deus; e o Verbo era Deus» (João 1, 1). E a terminar este prólogo acrescenta: «A Deus jamais alguém O viu. O Filho Unigénito, que é Deus e está no seio do Pai, foi Ele quem o deu a conhecer» (João 1, 18). «Eu e o Pai somos um» — afirma Jesus numa das controvérsias com os dirigentes judaicos. E, num dos diálogos com os discípulos, concluiu: «Eu saí de Deus. Saí do Pai e vim ao mundo» (João 16, 27-28). É desnecessário elencar aqui todas as referências bíblicas. O mais importante é reforçar a ideia de que há uma profunda relação entre o Pai e o Filho.

As afirmações do «Credo» que rementem para a divindade de Jesus Cristo tornam quase inevitável a repetição dos conceitos. Por outro lado, é também difícil evitar as terminologias e as categorias filosóficas que estão associadas à elaboração do «Credo niceno-constantinopolitano». O objetivo é sempre ajudar a entender melhor o que dizemos ao professar a fé na recitação do «Credo».

Nascido do Pai antes de todos os séculos. A referência a Jesus Cristo, pelo menos para nós cristãos, é facilmente associada aos mistérios da Encarnação e da Ressurreição, Natal e Páscoa. São acontecimentos centrais que têm ligação estreita com o ciclo anual das celebrações litúrgicas. Por isso, para nós, não há qualquer reserva em afirmar que Jesus nasceu da Virgem Maria (cf. tema 18). Mas, antes disso, no «Credo», referimos um outro nascimento. Jesus Cristo é Filho de Deus, «nascido do Pai antes de todos os séculos». Esta afirmação remete para a existência eterna do Filho e conjuntamente para a sua eterna presença no seio da Trindade. Então, há dois nascimentos de Jesus Cristo? O bispo Máximo de Turim, um santo do século quinto, afirma num sermão sobre o Natal (a partir da tradução de «Année en fêtes», Migne 2000): «Caríssimos irmãos, há dois nascimentos em Cristo, e tanto um como o outro são a expressão de um poder divino que nos ultrapassa absolutamente. Por um lado, Deus gera o Seu Filho a partir de Si mesmo; por outro, Ele é concebido por uma virgem por intervenção de Deus. [...] Uma e outra formas de nascimento são propriamente inexprimíveis e ao mesmo tempo inseparáveis. [...] Quando ensinamos que há dois nascimentos em Cristo, não queremos com isto dizer que o Filho de Deus nasça duas vezes; mas afirmamos a dualidade de natureza num só e mesmo Filho de Deus. [...] Deus não nasce duas vezes; mas, por estes dois géneros de nascimentos – a saber, o de Deus e o do homem –, o Filho único do Pai quis ser, a um tempo, Deus e homem na mesma pessoa». Na reflexão sobre a Trindade, Hilário de Poitiers afirma: «O Pai e o Filho guardam cada qual o segredo deste nascimento. Se alguém quiser zangar-se com a sua própria inteligência por não conseguir compreender o mistério dessa geração, que saiba, pelo menos, que eu também sofro ainda mais que ele por o ignorar. Não sei, mas não me inquieto... [...] Compreendes do Filho que é a imagem, a sabedoria, o poder, a glória de Deus. [...] Então penetra neste segredo, um só Deus não gerado, um Filho único, e mergulha no mistério desse nascimento inconcebível. Começa, avança, persiste: bem sei que não conseguirás, mas, apesar de tudo, felicitar-te-ei por teres começado» (citação retirada de Ph. Ferlay, J.-N. Bezançon, J.-M. Onfray, «Para compreender o Credo», ed. Perpétuo Socorro, Porto 1993,68).

As expressões do «Credo» são consequência das discussões teológicas que vão culminar nas formulações doutrinais dos Concílios de Niceia (325), Constantinopla (381) e Calcedónia (451). Com os recursos filosóficos ao seu alcance, procuraram um modo de expressar a fé na divindade de Jesus Cristo, sem quaisquer reservas: «Deus de Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro; gerado, não criado, consubstancial ao Pai».

 


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 10.1.13 | Sem comentários
— palavra para quinta-feira depois da epifania —

— Evangelho segundo Lucas 4, 14-22a

Naquele tempo, Jesus voltou para a Galileia, com a força do Espírito, e a sua fama propagou-se por toda a região. Ensinava nas sinagogas e era elogiado por todos. Foi então a Nazaré, onde Se tinha criado. Segundo o seu costume, entrou na sinagoga a um sábado e levantou-Se para fazer a leitura. Entregaram-Lhe o livro do profeta Isaías e, ao abrir o livro, encontrou a passagem em que estava escrito: «O Espírito do Senhor está sobre mim, porque Ele me ungiu para anunciar a boa nova aos pobres; Ele Me enviou a proclamar a redenção aos cativos e a vista aos cegos, a restituir a liberdade aos oprimidos e a proclamar o ano da graça do Senhor». Depois enrolou o livro, entregou-o ao ajudante e sentou-Se. Estavam fixos em Jesus os olhos de toda a sinagoga. Começou então a dizer-lhes: «Cumpriu-se hoje mesmo esta passagem da Escritura que acabais de ouvir». Todos davam testemunho em seu favor e se admiravam da mensagem da graça que saía da sua boca.

— Ele Me enviou a proclamar a redenção aos cativos e a vista aos cegos, a restituir a liberdade aos oprimidos

Este relato é fundamental na narrativa de Lucas! É também fundamental para compreendermos a proposta (religiosa) de Jesus Cristo. Ele dirige-se à sua terra, Nazaré, o lugar «onde Se tinha criado», para apresentar o seu programa: «proclamar a redenção aos cativos e a vista aos cegos, a restituir a liberdade aos orpimidos». 
É uma citação do profeta Isaías. A novidade não está no conteúdo do texto. A novidade consiste na afirmação de Jesus: «cumpriu-se hoje mesmo esta passagem da Escritura». Ao tomar este texto como programático na vida de Jesus, o evangelista ensina-nos que a religiosidade proposta por Jesus Cristo vai muito para além do culto a Deus. 
Jesus anuncia que vai realizar uma religião fundada na luta pela liberdade e pela salvação de cada pessoa. É esta forma de viver a religiosidade que nos interessa e nos ocupa? Preferimos uma religiosidade apenas alicerçada no culto, na prática devocional, sem qualquer relação vital?
O «hoje» referido no texto aplica-se a Jesus. E aplica-se a este dia que estamos a viver. Hoje, é a hora de anunciar o Evangelho à maneira de Jesus Cristo. O Ano da Fé não me pode deixar indiferente à força desta Boa Nova. Jesus confia-me um programa de vida ativo, voltado para o bem do outro. Este é o caminho (mais rápido) para redescobrir a alegria da fé.

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 10.1.13 | Sem comentários
— catequese do Papa Bento XVI — 

Queridos irmãos e irmãs, 
O Filho Unigénito de Deus encarnou e fez-Se homem, para nos tornar participantes da sua natureza divina. Entre os usos e costumes do período natalício, conta-se a troca de presentes em sinal de amizade e estima. Pois bem! Na Noite de Natal, vimos Jesus assumir a nossa humanidade, para nos dar a sua divindade: ao fazer-Se carne, quis dar-Se a Si mesmo aos homens. Jesus é o presente maior. Quem não consegue dar algo de si mesmo, dá sempre demasiado pouco! Por vezes, procura-se compensar ou substituir com coisas materiais o compromisso de nos darmos a nós próprios. O mistério da encarnação mostra que Deus não procede assim; não Se limita a dar-nos coisas, mas quis dar-Se a Si mesmo no seu Filho Unigénito. Ele fez-Se verdadeiramente um de nós, para nos comunicar a sua própria vida; e fê-lo, não com a investida de um soberano que subjuga o mundo com o seu poder, mas com a humildade dum Menino. Em Jesus, manifesta-se plenamente o homem ao homem. > > >

— catequeses do Papa Bento XVI para o Ano da Fé — 



Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 9.1.13 | Sem comentários
— palavra para segunda-feira depois da epifania —


— Evangelho segundo Mateus 4, 12-17.23-25

Naquele tempo, quando Jesus ouviu dizer que João Baptista fora preso, retirou-Se para a Galileia. Deixou Nazaré e foi habitar em Cafarnaum, terra à beira-mar, no território de Zabulão e Neftali. Assim se cumpria o que o profeta Isaías anunciara, ao dizer: «Terra de Zabulão e terra de Neftali, estrada do mar, além do Jordão, Galileia dos gentios: o povo que vivia nas trevas viu uma grande luz; para aqueles que habitavam na sombria região da morte uma luz se levantou». Desde então, Jesus começou a pregar: «Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos Céus». Depois percorria toda a Galileia, ensinando nas sinagogas, proclamando o Evangelho do reino e curando todas as doenças e enfermidades entre o povo. A sua fama propagou-se por toda a Síria: traziam-Lhe todos os que estavam doentes, atingidos de diversos males e sofrimentos, possessos, epilépticos e paralíticos, e Jesus curava-os. Seguiram-n’O grandes multidões, que tinham vindo da Galileia e da Decápole, de Jerusalém, da Judeia e de Além-Jordão.

— O povo que vivia nas trevas viu uma grande luz

A Galieia é o lugar onde Jesus inicia a sua a ação missionária. Jesus conhecia bem aquela região. Ele viveu até aos trinta anos em Nazaré, uma cidade da Galileia. Por isso, Jesus tinha uma conhecimento profundo da realidade social, política, económica, religiosa e cultural daquela região.
A presença de Jesus em Cafarnaum (serã referida várias vezes nas narrações dos evangelhos) é, para o evangelista, uma oportunidade para recordar a professia de Isaías: «o povo que vivia nas trevas viu uma grande luz». Esta profecia liga o texto com o mistério do Natal e Epifania que está a terminar.
Jesus é a «luz» de que fala o profeta. O seu nascimento é a luz que vem iluminar a vida de todos os seres humanos. Assim se torna próximo o Reino de Deus. Através de Jesus Cristo, Deus torna-se presente para sempre na nossa humanidade. Agora, está tão perto, que vive dentro de cada um nós.

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 7.1.13 | Sem comentários
— Apostolado da Oração — intenção geral de janeiro — 

Para que, neste Ano da Fé, 

os cristãos aprofundem o conhecimento do mistério de Cristo 

e testemunhem a própria fé com alegria.


Afirma o Papa, na Carta Apostólica «A Porta da Fé»: «Decidi convocar um Ano da Fé. Começará [a Carta foi publicada a 11 de Outubro de 2011] no dia 11 de Outubro de 2012, no 50.º aniversário da abertura do Concílio Vaticano II, e terminará na solenidade de Jesus Cristo, Rei do Universo, no dia 24 de Novembro de 2013. A 11 de Outubro de 2012 celebrar-se-ão também os 20 anos da publicação do Catecismo da Igreja Católica, promulgado pelo meu predecessor, o beato João Paulo II, com a intenção de mostrar a todos os fiéis a força e a beleza da fé» (número 4).
As razões para a proclamação deste Ano da Fé são muitas, ainda que aqui apontaremos somente duas. A primeira e a mais importante é aquela que o Santo Padre sublinhou, a 22 de Dezembro de 2011: «O núcleo da crise da Igreja na Europa é a crise de fé. Se não encontrarmos uma resposta para ela, se a fé não ganha uma nova vitalidade, dentro de uma convicção profunda e uma força real, graças ao encontro com Jesus Cristo, todas as mais reformas serão inúteis». Estas palavras do Sumo Pontífice são muito sérias e devem representar para nós grande motivo de profunda meditação.
Outra razão é a de verificarmos que, sobretudo a nível da Europa, a fé desapareceu da vida de muitos, ou está tão debilitada que mal se nota.
As finalidades deste Ano da Fé são também várias. Como o Papa refere na já citada Carta Apostólica, é necessário «intensificar a reflexão sobre a fé, para ajudar todos os crentes em Cristo, a fim de que a sua adesão a Cristo seja mais consciente e vigorosa» (número 8).
Este Ano da Fé deve ser também um convite a um encontro com Jesus Cristo Vivo, que nos permita sermos transformados pela sua acção. Só por meio do aprofundamento no conhecimento do mistério de Cristo é que daremos um testemunho credível da nossa fé. A Intenção deste mês exorta-nos a que demos este testemunho «com alegria». É este testemunho de alegria e esperança que é necessário dar nesta velha Europa que está a ficar cada vez mais «Europa velha».

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Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 4.1.13 | Sem comentários
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