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PREPARAR O DOMINGO SEGUNDO

19 DE JANEIRO DE 2014


Isaías 49, 3.5-6

Disse-me o Senhor: «Tu és o meu servo, Israel, por quem manifestarei a minha glória». E agora o Senhor falou-me, Ele que me formou desde o seio materno, para fazer de mim o seu servo, a fim de Lhe reconduzir Jacob e reunir Israel junto d’Ele. Eu tenho merecimento aos olhos do Senhor e Deus é a minha força. Ele disse-me então: «Não basta que sejas meu servo, para restaurares as tribos de Jacob e reconduzires os sobreviventes de Israel. Vou fazer de ti a luz das nações, para que a minha salvação chegue até aos confins da terra».




A salvação de Deus é universal


O texto no seu contexto
. Neste domingo, lê-se uma parte do segundo poema do Servo de Yahveh. O «Servo» foi «formado» pelo próprio Deus «desde o seio materno» (versículo 5), tal como o profeta Jeremias e, mais tarde, Paulo de Tarso. Em seguida, Isaías explica a sua missão com as expressões «reconduzir Jacob» e «reunir Israel», num claro paralelismo sinonímico. Os verbos «reconduzir», «reunir», e o substantivo «sobreviventes» evocam o regresso do desterro da Babilónia (587-538 antes de Cristo); contudo, continuamos sem saber de quem se trata. A identificação deste personagem continua a ser um enigma: é uma figura individual ou coletiva? No final dos versos propostos na primeira leitura do segundo domingo (Ano A), o «etnocentrismo» e o particularismo de Israel desfaz-se em favor da universalidade: o servo tem como missão ser «luz das nações» para que a salvação «chegue até aos confins da terra».

O texto na história da salvação. Embora esteja por determinar o papel que têm os Cânticos do Servo dentro da teologia do Segundo Isaías, o contexto histórico em que nasce este livro faz referência ao perdão de Deus ao seu povo que já cumpriu o castigo (regresso do desterro), ao mesmo tempo que se adivinha um convite a voltar a Judá para começar uma nova relação de amor. O autor propõe o início da travessia de um novo êxodo que, ao contrário do primeiro, será através de caminhos amplos e por entre uma grande alegria que conduz até Jerusalém. Mais ainda: a missão salvífica do Servo rompe as barreiras da nação israelita para envolver a humanidade inteira.

Palavra de Deus para nós: sentido e celebração litúrgica. As religiões, em geral, pecam pelo «etnocentrismo» e pelo «particularismo». Alguns, poucos, são os chamados; alguns, poucos, são os que alcançam a salvação. A missão do Servo de Yahveh, ao contrário, tem uma dimensão universal. Deus é para todos, ou não é Deus.

© Pedro Fraile Yécora, Homiletica
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor

Preparar o domingo segundo (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 15.1.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO SEGUNDO

19 DE JANEIRO DE 2014


Isaías 49, 3.5-6

Disse-me o Senhor: «Tu és o meu servo, Israel, por quem manifestarei a minha glória». E agora o Senhor falou-me, Ele que me formou desde o seio materno, para fazer de mim o seu servo, a fim de Lhe reconduzir Jacob e reunir Israel junto d’Ele. Eu tenho merecimento aos olhos do Senhor e Deus é a minha força. Ele disse-me então: «Não basta que sejas meu servo, para restaurares as tribos de Jacob e reconduzires os sobreviventes de Israel. Vou fazer de ti a luz das nações, para que a minha salvação chegue até aos confins da terra».



Vou fazer de ti a luz das nações,

para que a minha salvação chegue até aos confins da terra

Em pleno exílio do povo de Israel na Babilónia, quando parecia que não era possível qualquer futuro, o poeta-profeta ousa falar de um servo que recebeu o encargo do próprio Deus. O texto é surpreendente. No início o servo parece ser Israel, embora mais adiante o servo tem uma missão em relação a Israel. O poema, de forma deliberada, evita apresentar uma identidade específica. A Igreja, ao longo do tempo, tem usado esta liberdade que o texto permite aos seus leitores para ver no poema a imagem do servo Jesus.
No primeiro verso da nossa leitura, o Servo explica como foi escolhido para a missão de Servo. A iniciativa não é sua, mas tem origem em Deus. O próprio Deus está orgulhoso por lhe ter confiado esta missão.
Em seguida, o Servo explica o conteúdo da sua missão. Em primeiro lugar, Deus quer que o Servo faça regressar à sua terra os exilados de Israel. A imagem é altamente atrevida: trata-se de conseguir que um império poderosíssimo liberte os exilados de um povo insignificante. O Deus que ordena esta missão é um Deus que reúne as pessoas «como a galinha reúne os pintainhos debaixo das suas asas» (Lucas 13, 34).
A segunda parte da missão é ainda mais surpreendente: o objetivo de Deus não é apenas «o povo de Jacob», mas quer que o Servo seja «luz» para todas as nações e faça chegar a salvação até aos confins da terra. O plano de Deus parece inacreditável: até os não crentes serão resgatados por este Servo.
Tudo isto foi confiado ao Servo simplesmente porque Deus o escolheu para esta tarefa. Estamos no coração do mistério da liberdade e da vontade salvífica de Deus.

© Joan Ferrer, Misa dominical
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor

Preparar o domingo segundo (Ano A), no Laboratório da fé, 2014


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 15.1.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO DO BATISMO DE JESUS

12 DE JANEIRO DE 2014


Isaías 42, 1-4.6-7

Diz o Senhor: «Eis o meu servo, a quem Eu protejo, o meu eleito, enlevo da minha alma. Sobre ele fiz repousar o meu espírito, para que leve a justiça às nações. Não gritará, nem levantará a voz, nem se fará ouvir nas praças; não quebrará a cana fendida, nem apagará a torcida que ainda fumega: proclamará fielmente a justiça. Não desfalecerá nem desistirá, enquanto não estabelecer a justiça na terra, a doutrina que as ilhas longínquas esperam. Fui Eu, o Senhor, que te chamei segundo a justiça; tomei-te pela mão, formei-te e fiz de ti a aliança do povo e a luz das nações, para abrires os olhos aos cegos, tirares do cárcere os prisioneiros e da prisão os que habitam nas trevas».



A salvação de Deus passa pelo inesperado e pelo supreendente


O texto no seu contexto
. No coração da segunda parte do livro do profeta Isaías (capítulos 40 a 55), também conhecida como «Dêutero-Isaías» ou «Livro da Consolação», o profeta apresenta um personagem, ao mesmo tempo, misterioso e sugestivo: os «Cânticos do Servo de Yahveh» — a leitura deste domingo é retirada do primeiro cântico. Aparentemente, não se relaciona com o resto da obra, uma vez que o conteúdo do Dêutero-Isaías fala do convite a sair da Babilónia e a pôr-se a caminho em direção a Jerusalém. Como integrar neste contexto os poemas de um personagem que carrega sobre os seus ombros as culpas alheias? Isaías trabalha o contraste entre duas formas de salvação: a temporal, concedida por Ciro, o rei da Pérsia; a perpétua, concedida pelo Servo de Yahveh. O texto forma uma unidade composta de duas partes bem definidas. Nos primeiros versículos, Deus apresenta o seu servo (versículos 1 a 4); na segunda parte, apresenta a missão do servo (versículos 6 a 7). Deus escolheu-o e ampara-o. À eleição segue-se a investidura do servo e a missão que lhe é confiada: implantar o direito segundo a vontade de Deus. A novidade reflete-se em não levar a cabo a sua tarefa usando a força ou as armas, mas usando de mansidão com o débil e o vacilante, ao mesmo tempo que será firme e determinado em cumprir o mandato. O âmbito em que se move é universal. A missão do servo está ligada à visão (devolver a vista), à libertação (de todo o tipo de cativeiro) e à esperança (recuperar a luz em cada momento da vida).

O texto na história da salvação. A figura do Servo tem sido em toda a história da exegese e da teologia um verdadeiro enigma. De quem fala o profeta? A Igreja, desde os primeiros tempos, viu no Servo uma prefiguração de Cristo. É o próprio Deus que fala para nos apresentar um personagem sobre o qual derramou o seu Espírito. A sua missão é universal, a todas as nações, ultrapassando de novo a estreiteza das identidades raquíticas; o seu encargo não é de esmagar como fazem os tanques, nem de submeter como os que usam as leis implacáveis; a sua tarefa é não apagar «a torcida que ainda fumega» e abrir «os olhos aos cegos».

Palavra de Deus para nós: sentido e celebração litúrgica. A figura do Servo compreende-se melhor como contraposição ao modo como o mundo pretende oferecer a salvação: estruturas de poder que se impõem, recurso à violência, injustiças claras que ninguém se atreve a denunciar; o uso da mentira e da confusão como armas legais. Isaías diz-nos: Deus salva; sim, mas através do Servo. O Servo entrega-se a si mesmo para que toda a humanidade sofredora alcance a graça e a paz. O Servo de Yahveh é o eleito de Deus: o próprio tomou-o pela mão. A salvação de Deus, uma vez mais, não segue os caminhos apontados pelos humanos, mas tem o seu próprio caminho, que passa pelo inesperado e pelo surpreendente.

© Pedro Fraile Yécora, Homiletica
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor

Preparar o domingo do Batismo de Jesus (Ano A), no Laboratório da fé, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 10.1.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO DO BATISMO DE JESUS

12 DE JANEIRO DE 2014


Isaías 42, 1-4.6-7

Diz o Senhor: «Eis o meu servo, a quem Eu protejo, o meu eleito, enlevo da minha alma. Sobre ele fiz repousar o meu espírito, para que leve a justiça às nações. Não gritará, nem levantará a voz, nem se fará ouvir nas praças; não quebrará a cana fendida, nem apagará a torcida que ainda fumega: proclamará fielmente a justiça. Não desfalecerá nem desistirá, enquanto não estabelecer a justiça na terra, a doutrina que as ilhas longínquas esperam. Fui Eu, o Senhor, que te chamei segundo a justiça; tomei-te pela mão, formei-te e fiz de ti a aliança do povo e a luz das nações, para abrires os olhos aos cegos, tirares do cárcere os prisioneiros e da prisão os que habitam nas trevas».



Eis o meu servo, a quem Eu protejo


Este texto é o anúncio de Deus aos exilados de Israel: Deus decidiu fazer coisas novas, inauditas. Através do Servo realizar-se-á esta novidade de Deus.
A profecia começa pelo anúncio do Servo, embora não seja identificado. A Igreja, no contexto da liturgia deste domingo, convida-nos a identificá-lo com Jesus, que cumpriu a missão de levar o evangelho do Reino ao mundo.
O Servo recebeu o sopro do Espírito de Deus, que lhe deu o poder de fazer o que mundo acha impossível: «estabelecer a justiça na terra». O que significa tornar possível um mundo de relações sociais que favoreçam a vida, a confiança, a equidade. Isto é altamente conflituoso porque os poderes do mundo não o querem. O Servo, contudo, não atua com violência: a justiça de Deus é levada com gentileza, mas sem desfalecer nem vacilar. O Servo manifesta respeito pelas pessoas débeis, frágeis ou que se encontram em perigo. A sua maneira de levar a justiça segue o caminho da justiça: os meios estão ao serviço do fim que se pretende alcançar.
Na segunda parte da profecia, escutamos a voz de Deus dirigida ao Servo: Aquele que enviou o Servo é o mesmo que enviou o Espírito sobre a Criação. É o poder de Deus sobre a Criação que agora atua na missão do Servo.
Este Servo tem como destino servir a vontade de Deus, que haveria de ter prevalecido desde toda a eternidade. Que a sociedade seja reorientada contra a escravidão, a opressão e a incapacidade. Deus, agora, confere o poder para realizar esta transformação. O Criador quer que a Criação seja reabilitada em plenitude.
O texto deixa bem claro que este trabalho concreto e histórico é obra de Deus: «Eu, o Senhor» é o ator desta obra soberana e transformadora do mundo. A esperança e o trabalho concreto de tornar ativa a justiça é movida pela soberania transcendente de Deus, que quer a vida no meio desta história de escuridão e morte.

© Joan Ferrer, Misa dominical
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor


Preparar o domingo do Batismo de Jesus (Ano A), no Laboratório da fé, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 8.1.14 | 2 comentários

PREPARAR O DOMINGO DA EPIFANIA

5 DE JANEIRO DE 2014


Isaías 60, 1-6

Levanta-te e resplandece, Jerusalém, porque chegou a tua luz e brilha sobre ti a glória do Senhor. Vê como a noite cobre a terra e a escuridão os povos. Mas, sobre ti levanta-Se o Senhor e a sua glória te ilumina. As nações caminharão à tua luz e os reis ao esplendor da tua aurora. Olha ao redor e vê: todos se reúnem e vêm ao teu encontro; os teus filhos vão chegar de longe e as tuas filhas são trazidas nos braços. Quando o vires ficarás radiante, palpitará e dilatar-se-á o teu coração, pois a ti afluirão os tesouros do mar, a ti virão ter as riquezas das nações. Invadir-te-á uma multidão de camelos, de dromedários de Madiã e Efá. Virão todos os de Sabá, trazendo ouro e incenso e proclamando as glórias do Senhor.



Brilha sobre ti a glória do Senhor


Israel, ao longo da história, passou por profundos períodos de escuridão (o exílio na Babilónia, por exemplo). Agora chega a época da luz. Esta luz não provém de si mesmo, mas é dom de Deus.
O profeta apresenta a vinda poderosa do Senhor como a vinda da luz. Esta luz é glória — a sua presença forte e densa — que brilha no meio do mundo. O próprio Israel torna-se sinal da presença de Deus. A profecia que se lê no domingo da Epifania converte-nos em testemunhas do movimento de Israel da escuridão para a luz; do desespero para a esperança; da consternação para o bem-estar.
Israel recebe um imperativo. «Levanta-te», que, de facto, é um convite. Não é um novo fardo, mas uma boa nova: convida-o a voltar à terra de onde tinha saído. A partir de agora, por causa do dom da presença do Senhor, Jerusalém exercerá uma espécie de magnetismo sobre as nações. Está a acontecer algo que Israel não podia esperar nem acreditar: uma procissão interminável de povos de todo o mundo que se dirigem para Jerusalém.
A luz do Senhor põe fim ao exílio. O poeta-profeta imagina um mundo em que os esquecidos — os filhos e as filhas de Jerusalém —, agora, voltam a casa, ao seu povo. Israel, ao longo da sua história, tinha sido sempre um povo de segunda categoria entre vizinhos poderosos e ricos. Agora, as coisas mudaram: as riquezas exóticas das nações, que antes nem sequer podiam sonhar, são agora oferecidas ao povo de Deus, porque é o lugar da luz que brilha sobre o mundo. Há que notar, contudo, que a riqueza das nações é levada a Jerusalém para adorar o Senhor, para proclamar «as glórias do Senhor».

© Joan Ferrer, Misa dominical
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor


Preparar o domingo da Epifania (Ano A), no Laboratório da fé, 2014


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 2.1.14 | Sem comentários

PREPARAR O NATAL

25 DE DEZEMBRO DE 2013


Isaías 9, 2-7 (1-6)

O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; para aqueles que habitavam nas sombras da morte uma luz começou a brilhar. Multiplicastes a sua alegria, aumentastes o seu contentamento. Rejubilam na vossa presença, como os que se alegram no tempo da colheita, como exultam os que repartem despojos. Vós quebrastes, como no dia de Madiã, o jugo que pesava sobre o povo, o madeiro que ele tinha sobre os ombros e o bastão do opressor. Todo o calçado ruidoso da guerra e toda a veste manchada de sangue serão lançados ao fogo e tornar-se-ão pasto das chamas. Porque um menino nasceu para nós, um filho nos foi dado. Tem o poder sobre os ombros e será chamado «Conselheiro admirável, Deus forte, Pai eterno, Príncipe da paz». O seu poder será engrandecido numa paz sem fim, sobre o trono de David e sobre o seu reino, para o estabelecer e consolidar por meio do direito e da justiça, agora e para sempre. Assim o fará o Senhor do Universo.



O povo... viu uma grande luz


Este hino de Isaías é provavelmente um hino litúrgico, próprio da entronização do rei. Sobe um novo rei ao trono de David e é proclamado como Rei Ideal, luz do povo, libertador, Príncipe perfeito. É a esperança do povo, presença da Justiça de Deus. O povo sabe que o seu destino depende do Rei, presença de Deus, capaz de levar o povo a cumprir a Aliança ou de estragar tudo e pôr em perigo a Promessa.
A Igreja viu desde sempre neste texto um anúncio perfeito de Jesus Cristo, plenitude desta esperança, presença da libertação de Deus. Nenhum rei histórico de Judá ou de Israel foi assim. Historicamente, este hino foi apenas um sonho, uma esperança. Em Jesus é um cumprimento, um sonho tornado realidade. Deus connosco é o Reino, a realização de todas as esperanças.

© José Enrique Galarreta, www.feadulta.com
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013

Preparar o Natal (Ano A), no Laboratório da fé, 2013

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 24.12.13 | Sem comentários

20 de dezembro, sexta-feira da terceira semana de advento


Isaías 7, 10-14

Naqueles dias, o Senhor mandou ao rei Acaz a seguinte mensagem: «Pede um sinal ao Senhor teu Deus, quer nas profundezas do abismo, quer lá em cima nas alturas». Acaz respondeu: «Não pedirei, não porei o Senhor à prova». Então Isaías disse: «Escutai, casa de David: Não vos basta que andeis a molestar os homens para quererdes também molestar o meu Deus? Por isso, o próprio Senhor vos dará um sinal: a virgem conceberá e dará à luz um filho e o seu nome será Emanuel».

O próprio Senhor vos dará um sinal

O rei de Jerusalém, Acaz, por volta do ano 735 antes de Cristo, é desafiado a pedir a Deus um sinal. Acaz não tem filhos; sente-se ameaçado pelos vizinhos de Judá (Síria e Israel). Nessa situação, procura uma aliança com o império assírio. Isaías intervém para demover o rei dessa intenção e para lhe propor uma confiança plena em Deus. Por isso, o profeta convida o rei a pedir um «sinal» que confirme a proteção divina. 
Apesar da recusa do rei, representada por uma falsa religiosidade, Isaías transmite o sinal dado por Deus: «O próprio Senhor vos dará um sinal». Este sinal consiste no nascimento de um descendente. As palavras do profeta referem-se a Ezequias, filho de Acaz, cujo nascimento será entendido como um sinal da presença salvadora de Deus em favor do seu povo. 
A liturgia dos últimos dias de Advento destaca uma relação entre os textos bíblicos do Antigo com os do Novo Testamento. Jesus Cristo faz a ligação entre o Antigo e o Novo Testamento, entre o antigo e o novo povo de Deus. Por isso, a profecia de Isaías é colocada em íntima relação com o sucedido na vida de Maria de Nazaré. Uma criança vai nascer de uma virgem. Será o artífice da salvação. É a confirmação do sinal dado por Deus ao seu povo. 
Não admira, por isso, que os «tradutores» para grego do texto hebraico tenham traduzido a palavra «jovem» por «virgem»; e, desta forma, tornou-se ainda mais forte a relação entre a profecia de Isaías e a conceção de Jesus Cristo no seio de Maria. 
É impossível situarmo-nos como cristãos, sem termos em conta o que se passou antes de Jesus Cristo. Isto significa conhecermos a história bíblica, o caminho percorrido ao longo de séculos. Na verdade, o projeto de Deus prepara-se de diversas formas ao longo dos tempos. Hoje, continuamos a ser testemunhas desse projeto, mas vemos apenas uma pequena parte do percurso: a nossa situação histórica concreta.
Em todo o caso, sabemos que o essencial está cumprido. Compete a cada um de nós «abrir uma porta, um caminho, um corredor para a passagem do espírito». Compete a cada um de nós deixar-se surpreender pelos sinais que hoje Deus continua a colocar na nossa vida, na nossa história. 

© Laboratório da fé, 2013



  • Reflexão proposta em 2012 a partir do evangelho (Lucas 1, 26-38) > > >



Advento: 20 de dezembro, Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 20.12.13 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO QUARTO DE ADVENTO

22 DE DEZEMBRO DE 2013


Isaías 7, 10-14

Naqueles dias, o Senhor mandou ao rei Acaz a seguinte mensagem: «Pede um sinal ao Senhor teu Deus, quer nas profundezas do abismo, quer lá em cima nas alturas». Acaz respondeu: «Não pedirei, não porei o Senhor à prova». Então Isaías disse: «Escutai, casa de David: Não vos basta que andeis a molestar os homens para quererdes também molestar o meu Deus? Por isso, o próprio Senhor vos dará um sinal: a virgem conceberá e dará à luz um filho e o seu nome será Emanuel».



A virgem conceberá


O rei de Judá, Acaz, teme os dois réis vizinhos do norte (Síria e Israel). O profeta advertiu-o que só a fé o poderá salvar da aparente ameaça. Isaías está convencido de que só a fé no Senhor pode salvar, até numa grave crise política. Aqui, o profeta desafia o rei e convida-o a pedir um sinal que sirva para provar que diz a verdade de Deus. O rei recusa fazer qualquer petição. Aparentemente, trata-se de um ato de piedade: «Não coloqueis o Senhor vosso Deus à prova» (Deuteronómio 6, 16). Contudo, a verdade é que o rei recusa entrar num diálogo no qual a fé é uma possibilidade profundamente séria, que o obrigaria a mudar a sua política na crise em que está mergulhado. O rei não quer submeter a sua política à exigência da fé que lhe é apresentada pelo profeta Isaías.
O profeta, apesar da recusa do rei, anuncia um sinal. Trata-se de uma coisa tão humana: uma virgem terá um filho e lhe porá o nome de Emanuel, que significa «Deus connosco». Deus não abandona a gente fiel do seu povo, embora os dia que se seguirão na cena política da história sejam muito maus. Os dois reizinhos que agora preocupam o rei da casa de David, em Jerusalém, desaparecerão, porque o poder passará para as mãos do império assírio, que não terá piedade com ninguém.
A lição é poderosíssima: Deus atua simultaneamente em diferentes âmbitos. Uma criança é o sinal que permite ver que, para além da aparatosa presença dos grandes poderes na cena pública, o plano de Deus e a sua presença na história continuam a manifestar-se, porque quando «Deus está connosco» tudo ganha um sentido novo e a realidade transfigura-se.

© Joan Ferrer, Misa dominical
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor



  • Rezar o domingo a partir da primeira leitura: Isaías 7, 10-14 > > >



Preparar o domingo quarto de Advento (Ano A), no Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 20.12.13 | Sem comentários

REZAR O DOMINGO QUARTO DE ADVENTO

22 DE DEZEMBRO DE 2013


Isaías 7, 10-14

Naqueles dias, o Senhor mandou ao rei Acaz a seguinte mensagem: «Pede um sinal ao Senhor teu Deus, quer nas profundezas do abismo, quer lá em cima nas alturas». Acaz respondeu: «Não pedirei, não porei o Senhor à prova». Então Isaías disse: «Escutai, casa de David: Não vos basta que andeis a molestar os homens para quererdes também molestar o meu Deus? Por isso, o próprio Senhor vos dará um sinal: a virgem conceberá e dará à luz um filho e o seu nome será Emanuel».



Ambientação

Dispomo-nos para escutar.
Queremos que a Palavra de Deus ecoe no nosso coração
e seja fonte de esperança no nosso caminhar.
Pedimos a luz e a força do Espírito Santo.



Leitura

Síria e Israel ameaçam o rei de Jerusalém, Acaz.
O profeta Isaías fala claro: não há nada a temer,
porque Deus prometeu dar continuidade à dinastia de David.

Proclamação de Isaías 7, 10-14
Naqueles dias, o Senhor mandou ao rei Acaz a seguinte mensagem: «Pede um sinal ao Senhor teu Deus, quer nas profundezas do abismo, quer lá em cima nas alturas». Acaz respondeu: «Não pedirei, não porei o Senhor à prova». Então Isaías disse: «Escutai, casa de David: Não vos basta que andeis a molestar os homens para quererdes também molestar o meu Deus? Por isso, o próprio Senhor vos dará um sinal: a virgem conceberá e dará à luz um filho e o seu nome será Emanuel».

Para compreender melhor este texto, volta a lê-lo pausadamente.
Podem ajudar-te estas considerações:
  • Estamos por volta do ano 735 antes de Cristo.
    O rei de Jerusalém, jovem e sem filhos, sente o seu trono em perigo
    e vai pedir ajuda ao rei da Assíria,
    sem se aperceber que, assim, está a abrir as portas ao domínio assírio.
  • O profeta Isaías anima-o a confiar em Deus.
    O próprio Deus está disposto a oferecer um sinal a Acaz.
    O rei recusa e desculpa-se com um motivo religioso («Não porei o Senhor à prova»).
    Mas, na realidade, recusa assumir depender de Deus, neste assunto.
  • Deus responde com um sinal: o nascimento de uma criança.
    De pouco serve um frágil menino perante os exércitos que avançam!
    Contudo, é um sinal forte: Deus cuida do seu povo e assegura-lhe um futuro.
  • Agora, procura responder a estas perguntas:
    Qual é o significado das palavras de Isaías (7, 14), no contexto do Antigo Testamento?
    Como se leram a partir do Novo Testamento?
  • Procura resumir em poucas palavras:
    Qual é a mensagem de fé que este texto transmite?



Meditação

Sabemos que Deus está presente na história e caminha ao nosso lado,
mas há ocasiões em que duvidamos, como aconteceu com o rei Acaz.
Então, precisamos de profetas como Isaías, que nos ajudem a ver os sinais de Deus na vida.
  • Até que ponto colocamos a nossa confiança no Senhor?
  • Hoje, quais são os sinais que Deus me dá?
    Como é que estes sinais nos desafiam ao compromisso social?



Oração

Reconhecemos que, às vezes, sentimo-nos cheios de medo, sem recursos.
Custa-nos descobrir os sinais de Deus na história.
Outras vezes, temos a força do profeta para ajudar os outros.
Falemos com Deus sobre tudo o que nos foi sugerido pela meditação desta passagem.

Proclamamos de novo o texto de Isaías 7, 10-14

Depois de um tempo de silêncio,
partilhamos a nossa oração com os outros membros do grupo.
Depois de cada intervenção, dizemos: «Vem, Senhor Jesus!».

Podemos terminar recitando juntos o salmo responsorial (Salmo 23 [24]):

O Senhor virá: Ele é o rei da glória.

Do Senhor é a terra e o que nela existe,
o mundo e quantos nele habitam.
Ele a fundou sobre os mares
e a consolidou sobre as águas.

Quem poderá subir à montanha do Senhor?
Quem habitará no seu santuário?
O que tem as mãos inocentes e o coração puro,
que não invocou o seu nome em vão nem jurou falso.

Este será abençoado pelo Senhor
e recompensado por Deus, seu Salvador.
Esta é a geração dos que O procuram,
que procuram a face do Deus de Jacob.



Neste Natal, Senhor Jesus, vens à minha humilde casa:
para que sinta a alegria da tua incomparável presença;
para que ocupes o centro da minha vida e animes todo o meu ser;
para que afugentes as sombras da tristeza que se abatem sobre a minha vida;
para que cresça em esperança e possa caminhar com força renovada;
para que o meu coração palpite de amor por ti;
para que também eu incarne na realidade;
para que, como Maria, entoe mil «magnificats» de ação de graças;
para que salte de puro contentamento e te entoe um cântico novo a ti, meu salvador.



© www.verbodivino.es
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013

Rezar o domingo quarto de Advento (Ano A), no Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 19.12.13 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO TERCEIRO DE ADVENTO

15 DE DEZEMBRO DE 2013


Isaías 35, 1-6a.10

Alegrem-se o deserto e o descampado, rejubile e floresça a terra árida, cubra-se de flores como o narciso, exulte com brados de alegria. Ser-lhe-á dada a glória do Líbano, o esplendor do Carmelo e do Saron. Verão a glória do Senhor, o esplendor do nosso Deus. Fortalecei as mãos fatigadas e robustecei os joelhos vacilantes. Dizei aos corações perturbados: «Tende coragem, não temais: Aí está o vosso Deus, vem para fazer justiça e dar a recompensa. Ele próprio vem salvar-vos». Então se abrirão os olhos dos cegos e se desimpedirão os ouvidos dos surdos. Então o coxo saltará como um veado e a língua do mudo cantará de alegria. Voltarão os que o Senhor libertar, hão-de chegar a Sião com brados de alegria, com eterna felicidade a iluminar-lhes o rosto. Reinarão o prazer e o contentamento e acabarão a dor e os gemidos.



Deus vem salvar-nos


Isaías expressa, com a força incomparável da sua poesia, a transformação da natureza e da história que se produz pela vinda de Deus à vida das pessoas
. O profeta fala-nos da transformação da Criação: «alegrem-se o deserto e o descampado»; e da transformação da Humanidade enfraquecida: «robustecei os joelhos vacilantes»; tudo acontece por causa da vinda de Deus, que vem trazer a salvação.
Sem a palavra poderosa de Deus e sem a sua presença, tudo está perdido e condenado à morte; mas o profeta sabe que a intenção de Deus é dar a vida. A promessa é o próprio Deus: «Ele próprio vem salvar-vos». A vinda de Deus transforma também os «corações perturbados»: todas as pessoas que sentem falta de coragem e de capacidade para viver uma vida plena e jubilosa.
Quando se sente a boa nova da vinda de Deus, o impacto nas pessoas incapacitadas é imediato: cegos, surdos, coxos e mudos experimentarão a transformação.
Tanto a Humanidade como a Criação estão necessitadas de resgate; são incapazes de se salvar a si mesmas.
O fragmento do profeta acaba com a descrição de uma grande e alegre procissão em Jerusalém.
Quando tão frequentemente na Igreja nos sentimos desanimados, o poema de Isaías, que a liturgia oferece no terceiro domingo de Advento (Ano A), tem um sentido muito vivo: uma novidade real é possível. O profeta convida a deixar a nossa racionalidade habitual e a acreditar que Deus faz o que o mundo pensa que não é possível. O Advento é isto: caminho de «prazer e contentamento», porque «acabarão a dor e os gemidos».

© Joan Ferrer, Misa dominical
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor



  • Rezar o domingo a partir da primeira leitura: Isaías 35, 1-6a.10 > > >



Preparar o domingo terceiro de Advento (Ano A), no Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 13.12.13 | Sem comentários

REZAR O DOMINGO TERCEIRO DE ADVENTO

15 DE DEZEMBRO DE 2013


Isaías 35, 1-6a.10

Alegrem-se o deserto e o descampado, rejubile e floresça a terra árida, cubra-se de flores como o narciso, exulte com brados de alegria. Ser-lhe-á dada a glória do Líbano, o esplendor do Carmelo e do Saron. Verão a glória do Senhor, o esplendor do nosso Deus. Fortalecei as mãos fatigadas e robustecei os joelhos vacilantes. Dizei aos corações perturbados: «Tende coragem, não temais: Aí está o vosso Deus, vem para fazer justiça e dar a recompensa. Ele próprio vem salvar-vos». Então se abrirão os olhos dos cegos e se desimpedirão os ouvidos dos surdos. Então o coxo saltará como um veado e a língua do mudo cantará de alegria. Voltarão os que o Senhor libertar, hão-de chegar a Sião com brados de alegria, com eterna felicidade a iluminar-lhes o rosto. Reinarão o prazer e o contentamento e acabarão a dor e os gemidos.



Ambientação

O terceiro domingo de Advento denomina-se «Gaudete»,
porque é a primeira palavra da antífona de entrada da eucaristia: «Alegra-te».
Peçamos ao Espírito Santo que o encontro com o Senhor, que se aproxima-se,
seja sempre a causa da nossa alegria.



Leitura

Há mais de 2500 anos,
o profeta Isaías dirigiu aos israelitas deportados na Babilónia um convite à esperança.
Perante destinatários desanimados,
o profeta apresenta um horizonte cheio de esperança
que tem as suas raízes na presença de Deus no meio do seu povo.

Proclamação de Isaías 35, 1-6a.10
Alegrem-se o deserto e o descampado, rejubile e floresça a terra árida, cubra-se de flores como o narciso, exulte com brados de alegria. Ser-lhe-á dada a glória do Líbano, o esplendor do Carmelo e do Saron. Verão a glória do Senhor, o esplendor do nosso Deus. Fortalecei as mãos fatigadas e robustecei os joelhos vacilantes. Dizei aos corações perturbados: «Tende coragem, não temais: Aí está o vosso Deus, vem para fazer justiça e dar a recompensa. Ele próprio vem salvar-vos». Então se abrirão os olhos dos cegos e se desimpedirão os ouvidos dos surdos. Então o coxo saltará como um veado e a língua do mudo cantará de alegria. Voltarão os que o Senhor libertar, hão-de chegar a Sião com brados de alegria, com eterna felicidade a iluminar-lhes o rosto. Reinarão o prazer e o contentamento e acabarão a dor e os gemidos.

Para compreender melhor este texto,
atende a cada um destes elementos que compõem a passagem bíblica:
  • A situação dolorosa do desterro vai ser transfigurada.
    A alegria brota, não do que agora se vive, mas na virtude do que está para vir.
  • Saboreia as imagens de natureza renovada e de humanidade transfigurada oferecidas pelo texto.
  • O núcleo de onde tudo nasce é a intervenção salvífica de Deus em favor do povo.
  • Procura resumir em poucas palavras:
    Qual é a mensagem de fé que este texto transmite?
    Como é que esta mensagem se realiza em Jesus Cristo?



Meditação

A palavra de Deus que escutamos é profundamente atual.
Reflitamos e partilhemos o que esta passagem suscitou em cada um de nós.
Podem ajudar estas perguntas:
  • Como está a ser a nossa espera neste Advento?
  • São elementos fundamentais a alegria e a proximidade aos grupos humanos referidos no texto?
  • Deus também vem a nós quando somos tocados pelo desencanto e pelas desilusões.
    Como descobres, nessas circunstâncias, a sua presença? A que te convida?
    Como posso transformar as minhas dificuldades em algo positivo (alegria)?



Oração

Às vezes, a tristeza pode minar os nossos sonhos e ameaçar a estabilidade do nosso caminhar.
Peçamos ao Senhor que, nesses momentos, sintamos a sua presença
e que nos ajude a viver o nosso compromisso cristão.

Proclamamos de novo o texto de Isaías 35, 1-6a.10

Depois de um tempo de silêncio,
partilhamos a nossa oração com os outros membros do grupo.
Depois de cada intervenção, dizemos: «Vem, Senhor Jesus!».

Podemos terminar recitando juntos o salmo responsorial (Salmo 145 [146]):

Vinde, Senhor, e salvai-nos.

O Senhor faz justiça aos oprimidos,
dá pão aos que têm fome
e a liberdade aos cativos.

O Senhor ilumina os olhos dos cegos,
o Senhor levanta os abatidos,
o Senhor ama os justos.

O Senhor protege os peregrinos,
ampara o órfão e a viúva
e entrava o caminho aos pecadores.

O Senhor reina eternamente.
o teu Deus, ó Sião,
é rei por todas as gerações.



«Algumas vezes estes cristãos melancólicos têm a cara de 'pimenta com vinagre' daqueles que não tem a vida bonita. [...] A alegria, se queremos vivê-la em todo momento, acaba por se transformar em superficialidade e faz-nos sentir um pouco ingénuos, tolos, sem a sabedoria cristã [...]. A alegria é outra coisa. A alegria é um dom do Senhor, é como uma unção do Espírito; é a certeza de que Jesus está connosco e com o Pai» (Papa Francisco, Homilia a 10 de maio de 2013).



© www.verbodivino.es
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013


Rezar o domingo terceiro de Advento (Ano A), no Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 13.12.13 | Sem comentários

Sexta-feira da segunda semana de advento


Isaías 48, 17-19

Eis o que diz o Senhor, o teu redentor, o Santo de Israel: «Eu sou o Senhor, teu Deus, que te ensino o que é para teu bem e te conduzo pelo caminho que deves seguir. Se tivesses atendido às minhas ordens, a tua paz seria como um rio e a tua justiça como as ondas do mar. A tua descendência seria como a areia e como os seus grãos a tua posteridade. Nunca o teu nome seria tirado nem riscado da minha presença».

Te conduzo pelo caminho que deves seguir

O povo quis seguir outro caminho. Disse «não» à proposta, ao projeto de Deus. Se essa resposta negativa não tivesse acontecido, Israel teria sido cumulada com o cumprimento das promessas: viver em paz e justiça; ter um descendência numerosa. Além disso, Deus acrescenta ainda outro motivo de júbilo: o nome dessa descendência nunca teria sido «tirado nem riscado».
Perante esta avaliação da história passada, pode parecer que não há alternativa ao fracasso motivado pela infidelidade do povo. No entanto, as primeiras expressões do texto podem contribuir para uma mudança de atitude. Isto é, a tomada de consciência da situação negativa e a conversão podem mudar o curso dos acontecimentos
Deus continua a apresentar-se como «redentor» («fiador»). Ainda é possível voltar a caminhar à luz do Senhor, a deixar-se conduzir pelo caminho proposto por Deus: «te conduzo pelo caminho que deves seguir». 
«O pior cego é aquele que não quer ver» — diz o ditado popular. Podemos acrescentar: o pior surdo é aquele que não quer ouvir. Perante a surdez voluntária, não se pode fazer mais nada senão esperar uma improvável abertura do coração
O tempo de Advento é uma oportunidade para nos deixarmos iluminar pela «luz do Senhor», «a luz da fé». É um tempo para acolher alegremente o Senhor que vem iluminar as nossas vidas. Deus mostra-nos o caminho que devemos seguir. Para acolher Deus na nossa vida, é preciso abertura do coração e disponibilidade para se deixar conduzir pelos seus ensinamentos.

© Laboratório da fé, 2013



  • Reflexão proposta em 2012 a partir do evangelho (Mateus 11, 16-19) > > >



Sexta-feira da segunda semana de Advento, Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 13.12.13 | Sem comentários

Quinta-feira da segunda semana de advento


Isaías 41, 13-20

«Sou Eu, o Senhor, teu Deus, que te seguro pela mão direita e te digo: ‘Não temas, Eu venho em teu auxílio’. Não temas, pobre verme de Jacob, bichinho de Israel. Eu venho socorrer-te – oráculo do Senhor –, o teu redentor é o Santo de Israel. Eu te converterei em trilho aguçado, novo e bem cortante; calcarás e triturarás os montes e transformarás em palha as colinas. Hás de joeirá-los e o vento os levará, o vendaval os dispersará. Mas tu exultarás no Senhor e te gloriarás no Santo de Israel. Os infelizes e os pobres buscam água e não a encontram e a sua língua está ressequida pela sede. Eu, o Senhor, os atenderei, Eu, o Deus de Israel, não os abandonarei. Farei brotar rios nos montes escalvados e fontes por entre os vales. Transformarei o deserto em lago e a terra seca em nascentes de água. No deserto farei crescer o cedro, a acácia, a murta e a oliveira; na estepe plantarei o cipreste, o olmo e o pinheiro, para que todos vejam e saibam, considerem e compreendam que a mão do Senhor fez estas coisas, que o Santo de Israel as realizou».

Não temas, Eu venho em teu auxílio

O texto repete várias vezes e de várias formas o que Deus é para o seu povo, para Israel. «Não temas, Eu venho em teu auxílio». Esta garantia dada por Deus é suficiente para transformar o «pobre verme» em «trilho aguçado, novo e bem cortante». Deus é protetor, segura pela mão, vem em socorro, é redentor...
O «redentor» é o familiar (ou alguém que está vinculado a outro por um acordo) que tem a responsabilidade de resgatar o outro, quando este é feito escravo ou fica hipotecado. Digamos que se tratava de uma espécie de «fiador» dos tempos atuais. Deus assume esse compromisso em relação ao seu povo.
Perante tudo isto, o resultado previsível será a alegria: «exultarás... e te gloriarás». Na verdade, quem confia em Deus, quem acredita que Deus não o abandona, antes vem em seu auxílio, só pode sentir-se alegre, feliz. A alegria nasce dessa confiança em Deus
A promessa de Deus é inequívoca: «Eu, o Senhor, os atenderei, Eu, o Deus de Israel, não os abandonarei». E tudo ganha novo vigor, nova vida
Deus é o nosso «redentor», «fiador». Para Deus, todos os seus filhos são dignos de crédito, merecedores de crédito. Quando nos sentimos «sedentos» de amor, de sentido para a vida, quando não encontramos soluções para os problemas da vida... o profeta recorda-nos que Deus não nos abandona: «Não temas, Eu venho em teu auxílio». 
A liturgia de Advento abre para nós este caminho de esperança e de confiança em Deus. Talvez precisemos de aprender a descobrir na liturgia, na celebração da fé, o vigor que fortalece as nossas esperanças enfraquecidas. Temos consciência de que a liturgia é uma ação onde damos glória a Deus e recebemos a sua salvação?

© Laboratório da fé, 2013



  • Reflexão proposta em 2012 a partir do evangelho (Mateus 11, 11-15) > > >



Quinta-feira da segunda semana de Advento, Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 12.12.13 | Sem comentários

Quarta-feira da segunda semana de advento


Isaías 40, 25-31

«A quem Me comparareis que seja semelhante a Mim? – diz o Deus Santo – Erguei os olhos para o alto e olhai. Quem criou estas estrelas? Aquele que as conta e as faz marchar como um exército e as chama a todas pelos seus nomes. Tal é a sua força e tão grande é o seu poder, que nenhuma falta à chamada. Jacob, porque dizes; Israel, porque afirmas: ‘O meu destino está oculto ao Senhor e a minha causa passa despercebida ao meu Deus’? Não o sabes, não o ouvistes dizer? O Senhor é um Deus eterno, criador da terra até aos seus confins. Ele não Se cansa nem Se fatiga e a sua inteligência é insondável. Dá força ao que anda exausto e vigor ao que anda enfraquecido. Os jovens cansam-se e fatigam-se e os adultos tropeçam e vacilam. Mas os que esperam no Senhor renovam as suas forças, formam asas como as águias. Correm sem se fatigarem, caminham sem se cansarem».


Dá força ao que anda exausto

Em todas as realidades da vida, reconhecemos os vencedores pela sua persistência e capacidade de ir até ao máximo dos seus limites. Até se costuma dizer: há neles uma força suplementar, fazem um duplo esforço. É assim que se identifica o estofo dos campeões ou dos génios. Parece que são movidos por uma força especial, que nasce da paixão, do empenho com que se dedicam, do desejo em atingir determinado objetivo. Há quem fique admirado por tais capacidades, mas os próprios sentem verdadeiramente essa experiência de se superarem positivamente. Diz-se: «quem corre por gosto não (se) cansa».
O profeta Isaías anuncia que Deus é a fonte dessa motivação suplementar: «dá força ao que anda exausto». Até os jovens e os mais valentes se cansam ou podem ser vencidos. Mas quem conta com o auxílio de Deus, quem põe em Deus a sua esperança, experimenta esse alento suplementar: forma asas como as águias, corre sem se fatigar, caminha sem se cansar.
Todos nós conhecemos pessoas que nos deixam boquiabertos, admirados com a sua disponibilidade e dedicação. De onde lhes vem essa capacidade?! Deus faz nascer em nós essa força para enfrentar (positivamente) os desafios da vidaA esperança em Deus é um trampolim, não só para uma vida nova, mas também para uma vida renovada, transformada pela dinâmica do amor e da alegria. 

© Laboratório da fé, 2013



  • Reflexão proposta em 2012 a partir do evangelho (Mateus 11, 28-30) > > >



Quarta-feira da segunda semana de Advento, Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 11.12.13 | Sem comentários

Terça-feira da segunda semana de advento


Isaías 40, 1-11


Consolai, consolai o meu povo, diz o vosso Deus. Falai ao coração de Jerusalém e dizei-lhe em alta voz que terminaram os seus trabalhos e está perdoada a sua culpa, porque recebeu da mão do Senhor duplo castigo por todos os seus pecados. Uma voz clama: «Preparai no deserto o caminho do Senhor, abri na estepe uma estrada para o nosso Deus. Sejam alteados todos os vales e abatidos os montes e as colinas; endireitem-se os caminhos tortuosos e aplanem-se as veredas escarpadas. Então se manifestará a glória do Senhor e todo o homem verá a sua magnificência, porque a boca do Senhor falou». Uma voz dizia: «Clama». E eu respondi: «Que hei-de clamar?» – «Todo o ser humano é como a erva, toda a sua glória é como a flor do campo. A erva seca e as flores murcham, quando o vento do Senhor sopra sobre elas. A erva seca e as flores murcham, mas a palavra do nosso Deus permanece eternamente» –. Sobe ao alto dum monte, arauto de Sião; grita com voz forte, arauto de Jerusalém; levanta sem temor a tua voz e diz às cidades de Judá: «Eis o vosso Deus. O Senhor Deus vem com poder, o seu braço dominará. Com Ele vem o seu prémio, precede-O a sua recompensa. Como um pastor apascentará o seu rebanho e reunirá os animais dispersos; tomará os cordeiros em seus braços, conduzirá as ovelhas ao seu descanso».


Endireitem-se os caminhos tortuosos

O texto propõe-nos uma sinfonia de vozes. Há sons por todo o lado. Promessas de vida nova, vozes de júbilo, gritos de contentamento, anúncios de libertação, garantias de vitória. 
O tempo novo prometido — e prestes a concretizar-se — precisa de uma alteração, que se pode resumir nesta expressão: «endireitem-se os caminhos tortuosos». Mais tarde, voltará a ouvir-se esta mesma proclamação.
Neste processo, o profeta recebe uma missão: proclamar a fragilidade do ser humano («todo o ser humano é como a erva»); afirmar a vitalidade da «palavra do nosso Deus»
O profeta tem de proclamar uma boa notícia: «Eis o vosso Deus. O Senhor Deus vem». O profeta torna-se um «evangelista» (portador de boas notícias), antes dos evangelistas (autores dos evangelhos). 
Todos experimentamos a dureza da vida. Às vezes, parece que não nos dá descanso. Quando vencemos uma dificuldade, quando uma provação fica para trás, aparece uma outra... 
Isaías escreve ao povo em provação. Anuncia que a libertação está próxima. Deus vem consolar os corações atribulados, os corpos fatigados
Umas vezes estas palavras são para nós, outras vezes são para os que estão à nossa volta. No primeiro caso, trata-se de acolher a Palavra de Deus como um bálsamo que nos cura e nos reconforta. No segundo caso, é preciso tornar-se profeta, «subir ao alto dum monte», anunciar a Boa Nova com voz forte. 
Deus quer ser o nosso pastor: reunir e conduzir o seu povo. Deus quer acolher no seu regaço as ovelhas mais frágeis. Proclamar um Deus de misericórdia e de compaixão não é uma espécie de «prémio de consolação» para os menos afortunados da vida. É um imperativo para todos.
Entretanto, há uma tarefa prioritária: «endireitem-se os caminhos tortuosos». Quais são os meus «caminhos tortuosos»? É «tortuoso» tudo o que não nos transmite alegria em viver. É preciso que, nos desertos mais áridos da nossa vida, sejamos capazes de desbravar os caminhos tortuosos e as veredas escarpadas. E acreditemos que Deus vem em nossa ajuda para aplanar as estradas e tornar direitos os caminhos. Ele prometeu-o. Confiemos nele. 

© Laboratório da fé, 2013



  • Reflexão proposta em 2012 a partir do evangelho (Mateus 18, 12-14) > > >



Terça-feira da segunda semana de Advento, Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 10.12.13 | Sem comentários

ANO CRISTÃO


Estou encantada com a tua presença! 
Não sei o que é que tu tens, mas pões-me o coração noutra onda. O que eu reconheço, pequeno sedutor, é essa tua capacidade para ir agarrando cada dia, completando o tempo que guia até ao Natal.
O que é que tu tens, formoso Advento?
Não sei se é Isaías, esse enamorado que grita esperança, esse louco que percorre vales e colinas, coxo e cego, rodeado de animais que convivem em paz, rodeado de cores e de sensações; poeta do futuro que vai dando beleza ao que vê, que enche de Presença, inclusive – ou sobretudo – o mais doloroso.
Isaías ensina-me a viver-te, jovem Advento. Ensina-me a gritar esperança no sofrimento, a confiar em tempos melhores, a provocá-los. Este homem tão sensível diz-me que hei de ser eu a dar cor à minha volta; e que Deus é um tronco fumegante que me abrasa a vida. Isaías ensina-me a viver enamorada, gerando paz.
Talvez seja João, o Batista, o do dedo que indica caminho novo e o Novo. Sim, João, o parente austero, metódico e que se entregue, que pergunta sem rodeios («És tu O que há de vir ou temos de esperar outro?»), o impaciente. João, o crente, enamorado pelo mistério sanador e salvador da Água, o que, grão a grão, constrói um deserto a partir de onde grita verdades.
João também é um bom mestre, porque me recorda que se pode viver com muito pouco, que a qualidade de vida é dada pela relação com Deus e não pelas peles que me cobrem (mesmo que sejam de camelo). João anima-me simplesmente a viver e a gritar sempre, sempre, sempre, que o Reino de Deus está próximo, tão próximo, que o temos agarradinho à alma.
Não sei, querido Advento, não sei o que é que tu tens que me pareces a coisa mais bela que foi criada, tão tranquilo, tão sussurrante, como um discreto manancial que, em silêncio, vai salpicando de verdura tudo à sua volta.
Será Maria? Sim, talvez seja ela. A mulher bendita e abençoada de Nazaré, a do anúncio insuspeito que se converterá em suspeito, a do «sim, quero». Maria é uma mulher MUITO interessante, Advento querido: com destino a Belém, preocupada com um Menino no Templo de Jerusalém e desolada depois por um Homem na mesma cidade; Maria e o seu «mindfulness» nas bodas de Caná, ou o seu sentido comunitário com os discípulos... recebendo, de novo, a «Ruah» Santa. Maria, filha de Sião.
Diante de Maria, mestra, inclino-me admirada, porque ela, que pronunciou poucas palavras (embora tenha cantado verdades sem tremor na voz), em contrapartida gerou a Palavra; e fê-lo conscientemente, interpelando o anjo, duvidando e suspeitando, até que o coração deu uns toquezinhos de inteligência à mente e ambos se puseram de acordo no sim. Maria ensina-me a ser generosa e a entregar-me totalmente até ao cansaço, atravessando incompreensões e murmurações. Maria diz-me que, agora já que estás aqui, Advento, o meu coração há de ser grande para poder guardar nele todas as coisas em silêncio.
Não faço ideia, Advento, não sei porque é que gosto tanto de ti, se é porque me convidas a sonhar ou porque me desafias a viver desperta.
Enfim, não perco mais tempo, gosto da tua humilde presença, da tua maior ou menor duração de acordo com o que é necessário até ao Natal, de seres anúncio de algo bom,  de ti... de tudo em ti.
E contigo... o melhor está para chegar, querido Advento.
Continuamos juntos. Obrigado por teres vindo.
Um grande abraço.

© Comunidad de Monjas Trinitarias | Eclesalia
© Tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013



  • Ano Litúrgico: ano cristão — textos publicados no Laboratório da fé > > >



Laboratório da fé celebrada, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 9.12.13 | Sem comentários

Segunda-feira da segunda semana de advento


Isaías 35, 1-10 


Alegrem-se o deserto e o descampado, rejubile e floresça a terra árida, cubra-se de flores como o narciso, exulte com brados de alegria. Ser-lhe-á dada a glória do Líbano, o esplendor do Carmelo e de Saron. Verão a glória do Senhor, o esplendor do nosso Deus. Fortalecei as mãos fatigadas e robustecei os joelhos vacilantes. Dizei aos corações perturbados: «Tende coragem, não temais: Aí está o vosso Deus, que vem para fazer justiça e dar a recompensa. Ele próprio vem salvar-vos». Abrir-se-ão os olhos dos cegos e os ouvidos dos surdos. Então o coxo saltará como um veado e a língua do mudo cantará de alegria. As águas brotarão no deserto e as torrentes na aridez da planície; a terra seca transformar-se-á em lago e a terra sequiosa em nascentes de água. No covil dos chacais crescerão canas e juncos. Aí haverá uma estrada, que se chamará «caminho sagrado»; nenhum homem impuro passará por ele e nele os insensatos não se perderão. Nesse caminho não haverá leões, nem andarão por ali animais ferozes. Por ele caminharão os resgatados e voltarão os que tiver libertado o Senhor. Hão-de chegar a Sião com brados de alegria, com eterna felicidade a iluminar-lhes o rosto. Reinarão o prazer e o contentamento e acabarão a dor e os gemidos.

Reinarão o prazer e o contentamento

Uma maravilha oferecida à nossa contemplação neste dia! Um autêntico hino de louvor proposto pelo profeta Isaías! O que está em causa é a transformação positiva de tudo, graças à ação de Deus. Numa frase: tudo o que está em situação de carência ou de desfavorecimento aparentemente irremediável terá uma reviravolta para uma situação positiva, no melhor dos mundos possíveis
A conclusão final é o resumo da profecia: «Reinarão o prazer e o contentamento». Estas duas palavras — prazer e contentamento — estão frequentemente afastadas do âmbito litúrgico e cristão. Falar de prazer era conotado com uma situação egoísta, desagradável a Deus. O contentamento era visto da mesma forma, numa espiritualidade que privilegiava o sofrimento e a tristeza. 
Nos últimos tempos, a Igreja tem sido sacudida pelas expressões de alegria protagonizadas pelo papa Francisco. Recuperar a alegria é fundamental para encontrar a esperança e o sentido cristão da vida. A alegria é sinal de plenitude de vida, um sinal de que existe esperança: nasce da serenidade e da confiança em Deus.
Há um prazer evidente na preparação dos momentos de festa. Apesar do cansaço, queremos proporcionar um bom ambiente à nossa volta, um ambiente festivo, alegre. Colocamos a melhor decoração em toda a casa. Procuramos o presente ideal e preparamos a sobremesa a que ninguém será capaz de resistir. Entretanto, vivemos uma espera jubilosa. 
É este o convite que nos dirige o profeta Isaías! Deus anuncia a sua vinda. Ele vem habitar no meio de nós. Ele vem à nossa vida. «Reinarão o prazer e o contentamento». 

© Laboratório da fé, 2013



  • Reflexão proposta em 2012 a partir do evangelho (Lucas 5, 17-26) > > >





Segunda-feira da segunda semana de Advento, Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 9.12.13 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO SEGUNDO DE ADVENTO

8 DE DEZEMBRO DE 2013


Isaías 11, 1-10

Naquele dia, sairá um ramo do tronco de Jessé e um rebento brotará das suas raízes. Sobre ele repousará o espírito do Senhor: espírito de sabedoria e de inteligência, espírito de conselho e de fortaleza, espírito de conhecimento e de temor de Deus. Animado assim do temor de Deus, não julgará segundo as aparências, nem decidirá pelo que ouvir dizer. Julgará os infelizes com justiça e com sentenças rectas os humildes do povo. Com o chicote da sua palavra atingirá o violento e com o sopro dos seus lábios exterminará o ímpio. A justiça será a faixa dos seus rins e a lealdade a cintura dos seus flancos. O lobo viverá com o cordeiro e a pantera dormirá com o cabrito; o bezerro e o leãozinho andarão juntos e um menino os poderá conduzir. A vitela e a ursa pastarão juntamente, suas crias dormirão lado a lado; e o leão comerá feno como o boi. A criança de leite brincará junto ao ninho da cobra e o menino meterá a mão na toca da víbora. Não mais praticarão o mal nem a destruição em todo o meu santo monte: o conhecimento do Senhor encherá o país, como as águas enchem o leito do mar. Nesse dia, a raiz de Jessé surgirá como bandeira dos povos; as nações virão procurá-la e a sua morada será gloriosa.



Jessé

Jessé tinha oito filhos. Pela história bíblica, sabemos que Deus enviou o profeta Samuel para escolher um rei de entre os oito filhos de Jessé. Ora, estranhamente, não foi escolhido o mais velho, nem o maior ou o mais forte... mas foi escolhido o mais jovem, o que andava no campo a cuidar do rebanho, o mais pequeno e, aparentemente, o mais frágil. Foi este «pequeno» David que se tornou um grande rei de Israel. Este é o motivo pelo qual Jessé se tornou célebre, recordado nos textos bíblicos: é o pai do rei David; é o antepassado de uma grande linhagem, representada como uma árvore: uma árvore aberta a um grande futuro, uma árvore que jamais devia morrer.

Temor de Deus

Não se trata de medo. Não é ter medo de Deus. É ter respeito. O respeito que temos em relação a Deus.



Deus promete um «rebento» de Jessé

As relações de Isaías com os reis do seu país não andam de vento em popa. As guerras com os povos vizinhos provocam reveses que humilham e fragilizam a população. Em nome da sua fé, o profeta reage. Para ele, o verdadeiro rei é Deus. Não foi Deus que prometeu dar prosperidade à dinastia de David? Numa altura em que os reis desrespeitam a justiça divina, Deus há de suscitar um novo descendente de David, que corresponderá às promessas de paz e de felicidade. O texto profético continuará a ter «validade», mesmo depois da dissolução da realeza em Israel. Deus suscitará um rei, um messias, segundo o seu coração que assegurará a paz ao povo e até a toda a Criação.



© Laboratório da fé, 2013



  • Rezar o domingo a partir da primeira leitura: Isaías 11, 1-10 > > >



Preparar o domingo segundo de Advento (Ano A), no Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 7.12.13 | Sem comentários

Sábado da primeira semana de advento


Isaías 30, 19-21.23-26 


Eis o que diz o Senhor Deus, o Santo de Israel: «Povo de Sião, que habitas em Jerusalém, tu não voltarás a chorar. À voz da tua súplica, o Senhor terá compaixão de ti; logo que ouvir os teus clamores, Ele te responderá. O Senhor poderá dar-te a comer o pão da angústia e a beber a água da tribulação; mas Aquele que te ensina não Se esconderá mais e os teus olhos verão Aquele que te ensina. Se te desvias para a direita ou para a esquerda, os teus ouvidos ouvirão dizer atrás de ti: ‘É este o caminho; segui por ele’. O Senhor te dará a chuva para a semente que tiveres lançado à terra e o pão que a terra produzir será farto e nutritivo. Nesse dia, os teus rebanhos pastarão em extensos prados; os bois e os jumentos que lavram a terra comerão forragem com sal, limpa com a pá e a joeira. Em todo o alto monte e em toda a colina elevada, haverá regatos e águas correntes, no dia da grande mortandade, quando as torres se desmoronarem. Então a claridade da lua será como a luz do sol e a luz do sol ficará sete vezes mais forte; nesse dia, o Senhor tratará as chagas do seu povo e curará as feridas dos seus golpes».

O Senhor terá compaixão de ti

O povo está a sofrer as consequências da guerra: fome, sede, terra devastada, vidas desoladas. Nada vai bem. Mas Isaías não abandona a esperança e a confiança
O profeta continua a anunciar a libertação, a salvação: «O Senhor terá compaixão de ti». Aproximam-se os dias em que o mal há de desaparecer, os sofrimentos serão abolidos, a terra tornar-se-á fecunda. A natureza e o ser humano viverão em perfeita harmonia, como nos dias da Criação. Deus será sempre visível, acessível aos nossos sentidos. 
A força da luz (da lua e do sol), evocada nos últimos versículos, aponta para a restauração da liberdade. O simbolismo do texto faz perceber a alegria e o bem-estar causados por esta nova situação. A luz é descrita como uma realidade positiva, que ilumina, aquece, alegra, dá vida
A nossa fé talvez tenha de ser muito forte para nos permitir reconhecer que, depois da vinda de Jesus Cristo, já chegaram esses dias, os dias da salvação. É certo que não podemos esquecer que não é (simplesmente) o menino do presépio que anuncia essa chegada, mas o Cristo ressuscitado que levará à plenitude a obra da CriaçãoAté lá, o progresso e perfeição foram-nos confiados, são da nossa responsabilidade. Deus não pactua com braços cruzados! Qual é o testemunho que damos? 

© Laboratório da fé, 2013

Sábado da primeira semana de Advento, Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 7.12.13 | Sem comentários
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