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CELEBRAR O DOMINGO DA EPIFANIA


É Natal, plenamente Natal! Com a Epifania — palavra que significa «manifestação» — o Natal recebe toda a sua plenitude: «os gentios recebem a mesma herança» (segunda leitura). Jesus Cristo não veio à terra apenas para os cristãos, mas para todos os seres humanos, homens e mulheres, para todas as nações, ricas e pobres, como recorda a profecia de Isaías (primeira leitura). Tal é a amplitude do mistério, «uma grande paz até ao fim dos tempos» (salmo): maravilha da salvação oferecida aos que, na noite, sabem levantar os olhos para ver a estrela e decidem pôr-se a caminho (evangelho). Para eles (e para nós), «uma grande alegria»!

«A sua glória te ilumina»
A primeira leitura proposta para o domingo da Epifania, retirada do profeta Isaías, expressa o mistério do dia com uma espécie de pregão: «Levanta-te e resplandece, Jerusalém, porque chegou a tua luz e brilha sobre ti a glória do Senhor. […] As nações caminharão à tua luz e os reis ao esplendor da tua aurora». A luz como sinal de salvação volta a ser o tema dominante. Em estreita sintonia com esta palavra usam-se termos como resplandece, brilha, ilumina, esplendor, aurora.
A terceira parte do livro de Isaías («Terceiro Isaías») serve-se da imagem de Jerusalém, símbolo da presença de Deus, para afirmar que todos os povos hão de ir ao encontro da cidade, o mesmo é dizer, de Deus. Apesar de humilhada ao longo da história (um dos principais exemplos dessa humilhação foi a destruição levada a cabo por Nabucodonosor e o consequente exílio para a Babilónia), agora, com a presença de Deus, Jerusalém atrairá a si todos os povos, todas as religiões, todas as culturas, todas as pessoas. E trazem consigo os seus melhores dons. A cidade de Deus voltará a ser o orgulho dos povos e nela reinará a justiça e a paz; nunca mais haverá noite, pois será iluminada pelo próprio Deus: «A sua glória te ilumina».
No contexto litúrgico, o trecho exprime o sentido da festa: a universalidade da salvação. O centro não é propriamente a cidade em si mesma, mas o facto de nela se manifestar a presença de Deus. A luz de Deus é para todos!
As palavras do profeta, carregadas de esperança, convidam os seus ouvintes a levantar o ânimo e a experimentar a misericórdia de Deus. Hoje, a profecia converte-nos em testemunhas do movimento de Israel da escuridão para a luz; do desespero para a esperança; da consternação para o bem-estar; da violência para a paz; do ódio para o amor.

Neste Ano Santo, Deus quer fazer brilhar a luz da sua misericórdia em cada pessoa. E quer precisar da nossa colaboração comprometida e alegre. Assim, o Natal desafia-nos a gerar amor. Jesus Cristo é Deus connosco, é o amor de Deus presente na nossa carne. O Natal é a revelação da gratuidade e da misericórdia, do amor e da alegria do Evangelho. «Quando dizemos ‘é Natal’ estamos a dizer: Deus disse ao mundo a sua última, mais profunda e formosa palavra numa Palavra feita carne [...]. E esta Palavra significa: eu amo-vos, a ti, mundo, e a vós, seres humanos» (Karl Rahner).

© Laboratório da fé, 2015


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 2.1.16 | Sem comentários

CELEBRAR O DIA DE NATAL


Na manhã deste dia, nada fica na mesma: ele corre, o mensageiro da boa nova (primeira leitura), Deus está no meio de nós! É inaudito, inacreditável, como se costuma dizer… Mas sim, hoje, «Deus falou-nos por seu Filho» (segunda leitura), nasceu na nossa humanidade, o «Verbo fez-se carne» (evangelho), luz nas nossas trevas, Filho Primogénito que nos vem dar a conhecer o rosto misericordioso do Pai… Não há palavras suficientes para explicar o mistério. Como dizer a nossa alegria? Como expressar o nosso agradecimento? «Adorem-no todos os Anjos de Deus». E nós? Cantai, aclamai, exultai de alegria, «cantai ai Senhor um cântico novo» (salmo). É Natal: a nossa alegria exprima a nossa fé!

«Traz a boa nova»
No texto proposto para primeira leitura da «Missa do dia» de Natal, o poeta/profeta anuncia o «evangelho» aos exilados. Há um mensageiro que atravessa o deserto com a primeira notícia do resultado da batalha entre Deus e os poderes do Império. O mensageiro traz o evangelho, «traz a boa nova». E qual é essa boa nova? «O teu Deus é Rei». Este facto traz uma vida nova à cidade de Sião, Jerusalém. E até são «belos» os pés do mensageiro, apesar de atravessar os montes.
As sentinelas, debruçadas sobre os muros de Jerusalém destruída, gritam com alegria o que estão a ver: o regresso de Deus. Pelos verbos usados, facilmente se percebe que se trata de uma boa notícia. Gritam de alegria, porque vai acabar o exílio a que tinham sido submitos pelo império babilónico (ao longo de mais de cinquenta anos). Por isso, as sentinelas cantam e dançam de alegria. Até as «ruínas de Jerusalém» são convidadas a exultar de alegria, «porque o Senhor consola o seu povo».Não se trata duma atitude resignada, mas uma intervenção ativa que muda as circunstâncias da comunidade.
Deus «resgata Jerusalém»: a cidade e o povo são objeto privilegiado do amor divino e, por isso, podem viver em liberdade. Ao ver a força do poder de Deus («o seu santo braço»), os impérios inimigos mudarão as suas políticas desumanizadoras. O «nosso Deus» é um Deus que liberta e salva. Compreender isto é, sem dúvida, uma boa nova.

As palavras do «Segundo Isaías» têm um eco especial no nosso coração. O profeta convida a não ceder face à situação de derrota supostamente evidente. Não é salutar promover qualquer tipo de rancor e/ou desilusão. É verdade que o povo se sente abandonado, afastado da sua terra. Mas há sempre uma réstia de esperança! Eis que as promessas messiânicas alcançam o seu cumprimento. Haverá maior alegria?! Não é caso para menos. O anúncio da intervenção salvadora de Deus, em Jerusalém, é antecipação e figura da intervenção definitiva de Deus, em Belém, no nascimento do seu Filho. É um nascimento salvador, que rompe todas as fronteiras, que «traz a boa nova» a todos os desconsolados e cansados deste mundo. Hoje, aos que levantam questões que lhes parecem não ter resposta, é necessário que os cristãos levem a boa nova, sejam discípulos missionários da alegria do Evangelho. Deus está no meio de nós!

© Laboratório da fé, 2015


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 24.12.15 | Sem comentários

CELEBRAR O DOMINGO VIGÉSIMO NONO


Exigência, radicalidade: o que nos parece difícil, Jesus Cristo fê-lo de forma absoluta, para nos salvar. Percebemo-lo neste vigésimo nono domingo (Ano B), no evangelho segundo Marcos, depois de ter feito aos apóstolos o terceiro anúncio da Paixão, Jesus Cristo revela-lhes o segredo do seu caminho. Ele é o Servo de Deus anunciado pelo profeta (primeira leitura). E mesmo que Tiago e João não o compreendam, Jesus Cristo repete a necessidade de passar pela Cruz, a importância de amar e servir (evangelho). Carregando sobre si as nossas fraquezas, Jesus Cristo introduz-nos na vida de Deus (segunda leitura), faz-nos mergulhar na misericórdia (salmo).

«O justo, meu servo, justificará a muitos»
A segunda parte do livro de Isaías (Segundo Isaías) recolheu um conjunto de poemas e cânticos referentes ao Servo de Yahveh (Deus) de uma forma que ainda hoje continua enigmática. Os poemas não têm relação com o conjunto do livro: centram-se numa pessoa, enquanto o resto do livro (Segundo Isaías) tem como protagonista o povo desterrado. Os poemas do Servo referem-se a um personagem débil, frágil, ao passo que os convites a regressar a Judá expressam fortaleza, segurança. Os cânticos do Servo parecem a narração poética de um fracasso, mas as exortações ao regresso anunciam um futuro esplendoroso.
Então, o que é que une estes poemas ao resto do livro? A salvação oferecida por Deus: no resto do livro, apresenta-se sob a imagem de um novo êxodo; nos poemas do Servo, é através do seu sofrimento pessoal que acontece a justificação de «muitos».
A primeira leitura coloca-nos perante um fragmento do quarto Cântico do Servo de Deus (52, 13 — 53, 12). Este Servo experimentou uma vida de sofrimento: «Aprouve ao Senhor esmagar o seu servo pelo sofrimento». Com isto, parece que já nada mais podia acontecer. Mas Isaías faz-nos saber que não se trata do último momento, esse não será o fim.
Deus tem outro desígnio: «Terá uma descendência duradoira, viverá longos dias, e a obra do Senhor prosperará em suas mãos. […] Verá a luz e ficará saciado na sua sabedoria». Deus quer que o Servo, que antes tinha dado tudo, agora receba tudo. Deus não o abandona. Nem ao Servo, nem aos outros. No Servo, Deus revela-se como Redentor: na debilidade do Servo esmagado pelo sofrimento torna-se presente a salvação. E não o fará de forma violenta, impetuosa, mas segundo os desígnios surpreendentes de Deus: toma sobre si as iniquidades dos outros.

«O justo, meu servo, justificará a muitos»: faz com que outros recebam os benefícios da sua fidelidade e do seu sofrimento, pois assumiu as «iniquidades» desses «muitos». Aqui há um mistério da justiça divina que justifica uma multidão através do sofrimento dum que é fiel até ao fim. O sofrimento não é um castigo divino, mas consequência da fidelidade ao amor que se recusa a entrar no jogo dos opressores. O caminho que se inicia no Servo há de culminar em Jesus Cristo: «o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida pela redenção de todos».

© Laboratório da fé, 2015

Celebrar o domingo vigésimo nono (Ano B), no Laboratório da fé, 2015


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 17.10.15 | Sem comentários

CELEBRAR O DOMINGO VIGÉSIMO QUARTO


O itinerário de Marcos sugere uma nova etapa inaugurada com a questão que Jesus Cristo coloca aos discípulos: «Quem dizem os homens que Eu sou? […] E vós, quem dizeis que Eu sou?» (evangelho). A confissão de fé de Pedro é notável: «Tu és o Messias». Contudo, no momento seguinte, rejeita a possibilidade da Paixão que Jesus Cristo anuncia. É difícil o compromisso de tomar a (própria) cruz, como nos é pedido. Aceitá-lo é confiar, é «andar» na presença de Deus (salmo). Mas se o recusamos, que valor tem a nossa fé (segunda leitura)? Vale a pena, por isso, meditar na fidelidade do servo descrita por Isaías (primeira leitura) para fazer o ponto da situação sobre a nossa fidelidade a Deus…

«Deus vem em meu auxílio»
O texto da primeira leitura proposta para o vigésimo quarto domingo (Ano B) apresenta o início do terceiro dos «cânticos do Servo de Yahveh». São poemas recolhidos na segunda parte do livro de Isaías (capítulos 40 a 55).
O servo de Deus fala de um profundo incómodo provocado por maus-tratos físicos e morais: «Apresentei as costas àqueles que me batiam e a face aos que me arrancavam a barba; não desviei o meu rosto dos que me insultavam e cuspiam». Ao mesmo tempo, expressa uma profunda confiança: «Deus veio em meu auxílio». Seguem-se três perguntas que denunciam a injustiça dos maus-tratos e o reforço da confiança em Deus: «Pretende alguém instaurar-me um processo? […] Quem é o meu adversário? […] Quem ousará condenar-me?».
Sobre o servo, não se diz quem é, nem quem são os seus algozes, nem os motivos pelos quais é maltratado. Infelizmente, é habitual que os «servos» de Deus tenham a vida em perigo, dado que a verdade de Deus nem sempre é concorde com a maneira como os seres humanos entendem a realidade.
Tudo o que é dito sobre o servo, neste fragmento profético, aponta para Deus: a missão é-lhe confiada por Deus — «O Senhor Deus abriu-me os ouvidos» — e o próprio sabe que Deus está com ele: «sei que não ficarei desiludido. O meu advogado está perto de mim. […] Deus vem em meu auxílio».
A Igreja desde sempre vê neste «servo» a figura de Jesus Cristo: a sua postura não será do agrado de muitos que lhe hão de infligir sofrimentos e até a morte. Mas, mesmo nessas circunstâncias, mantém-se servo confiante e fiel.

O «servo», apesar da oposição, não desiste porque, maior do que a hostilidade, é a sua confiança em Deus. Do mesmo modo, para o cristão, qual servo, a «fé vivida» exprime-se em ações que passam por «tomar a cruz» para seguir Jesus Cristo. Contra o que algumas (muitas?) vezes escutamos, isto não significa que Deus queira ou provoque o sofrimento. Se assim fosse, não seria Deus, mas um ídolo sanguinário e cruel. «Ainda hoje, Cristo confronta-nos, desafia-nos e diz-nos que temos de carregar a nossa cruz e levar os nossos fardos, mas isso é muito diferente de afirmar que o Pai, o Filho e o Espírito nos enviam as cruzes e nos colocam fardos às costas» (Richard Leonard, Onde diabo está Deus?, ed. Paulinas). Deus vem em nosso auxílio (no sofrimento)!

© Laboratório da fé, 2015

Celebrar o domingo vigésimo quarto (Ano B), no Laboratório da fé, 2015

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 10.9.15 | Sem comentários

CELEBRAR O DOMINGO VIGÉSIMO TERCEIRO


Eis-nos convidados a louvar a Deus (salmo) por tudo o que faz. E, em particular, porque se realiza tudo o que os profetas anunciaram (primeira leitura): em Jesus Cristo, a salvação chegou até nós, também para os pagãos (evangelho). Ele cura, na Decápole (dez cidades), um surdo. E todos apregoam: «Tudo o que faz é admirável: faz que os surdos oiçam e que os mudos falem». Hoje, compete-nos acreditar em Jesus Cristo como o Salvador sem fazer qualquer «aceção de pessoas» (segunda leitura). E, em consequência, viver o mesmo amor de predileção pelos mais pobres.

«A língua do mudo cantará de alegria»
O fragmento oferecido na primeira leitura do vigésimo terceiro domingo (Ano B) pertence a um dos últimos capítulos (35) do designado «Primeiro Isaías» (as Bíblias mais recentes apresentam o livro de Isaías dividido em três partes; a primeira termina no capítulo 39). Todavia, os capítulos 34 e 35, uma espécie de «pequeno apocalipse», estão mais em sintonia com o «Livro da Consolação» do «Segundo Isaías», no qual se sublinha a esperança e a vitória do povo Israel, apesar de oprimido e maltratado no presente.
O profeta fala a pessoas perturbadas e desanimadas. A mensagem está intensamente dominada pela esperança: «Tende coragem, não temais». É uma característica dos textos apocalípticos: no meio da escuridão provocada pelas dificuldades e perseguições acende-se a lâmpada da esperança oferecida por Deus. Ora, num tempo em que o povo de Israel tinha perdido o entusiasmo para viver segundo os ensinamentos de Deus, a voz profética anuncia uma boa nova: é a novidade de Deus, reconhecida, pelos cristãos, como «evangelho».
Deus faz saber que estará de novo visível, ativo, decisivo, próximo: «Ele próprio vem salvar-nos». Deus tornar-se-á presente na história para restaurar a esperança e a vida: «Então se abrirão os olhos dos cegos e se desimpedirão os ouvidos dos surdos. Então o coxo saltará como um veado e a língua do mudo cantará de alegria».
O profeta fala também de transformações na Criação, entre as quais a abundância de água no deserto. Hoje, porém, tendo presente o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, precisamos de fazer ecoar bem alto as palavras do Papa na Encíclica sobre o Cuidado da Casa Comum (número 30): «nota-se um desperdício de água não só nos países desenvolvidos, mas também naqueles em vias de desenvolvimento que possuem grandes reservas. Isto mostra que o problema da água é, em parte, uma questão educativa e cultural, porque não há consciência da gravidade destes comportamentos num contexto de grande desigualdade».

Na profecia de Isaías reconhecemos a boa nova (evangelho) realizada em e por Jesus Cristo. No ministério de Jesus Cristo, a salvação prometida pelo profeta é já uma realidade. E Deus continua a oferecer sinais da sua presença: onde há caridade, aí habita Deus; onde há pais que fazem tudo pela saúde dos filhos, aí habita Deus; onde há acolhimento de imigrantes e refugiados, aí habita Deus; onde há cuidado pela Criação, aí habita Deus..

© Laboratório da fé, 2015

Celebrar o domingo vigésimo terceiro (Ano B), no Laboratório da fé, 2015


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 4.9.15 | Sem comentários

CELEBRAR O DOMINGO DE RAMOS


Jerusalém: eis o quadro, decisivo e dramático, da liturgia de Domingo de Ramos. A aclamação dirigida a Jesus Cristo ecoa em todo o mistério pascal: para nos «dar a salvação» (sentido de «Hossana»), Jesus Cristo vai sofrer a Paixão e dar a vida, até à Cruz… Este domingo celebra já o dom total do seu amor: Jesus Cristo é o servo perfeito (segunda leitura), que se abandona confiante nas mãos do Pai (primeira leitura). Ele sabe que, do mais profundo da sua dor, o Pai lhe dará uma resposta (salmo). O caminho da cruz torna-se-á, para todos os que o seguem com fé, o caminho da vida, a fonte da alegria.

«Escutar, como escutam os discípulos»
Os poemas do «Servo de Yahveh» fazem parte do «Segundo Isaías» (capítulos 40 a 55). Surgem como uma janela aberta à novidade e à surpresa, num contexto de «consolação» prometida por Deus ao povo exilado na Babilónia. Ainda que tenha a vida em perigo, o Servo apresenta-se com grande comoção e profunda confiança.
Tudo o que se diz sobre o Servo está centrado em Deus: o seu ministério é-lhe confiado por Deus e há de ter o ouvido atento a qualquer mensagem divina: «escutar, como escutam os discípulos».
A missão do Servo é «dizer uma palavra de alento aos que andam abatidos». Trata-se do judeu exilado, cuja vida ficou destroçada pelo império opressor. É preciso, com a força poderosa da palavra, criar uma realidade alternativa que faça surgir um novo espaço de liberdade: novas possibilidades para além das realidades frustrantes de cada dia. Por isso, o Servo sofrerá a hostilidade, mas a sua resposta será sempre pacífica, pois confia em Deus e em Deus encontra consolação.
De quem fala o poema? Não se diz quem é, nem a razão da sua angústia. A figura do «Servo de Yahveh» é, ao mesmo tempo, particular e universal. Na Bíblia, encontramos várias vezes personagens abertas, o que indica que não existe um sentido único que possa explicar o seu significado mais profundo. Todavia, a Igreja leu sempre este texto aplicando-o a Jesus Cristo.

No início da Semana Santa, a liturgia apresenta o primeiro quadro do «Servo», sendo que os restantes vão surgir nos dias seguintes. Humilde e atento, partilha a sua sorte com as pessoas. A salvação oferecida por Deus traz consigo o caminho do «Servo de Yahveh», uma antecipação da experiência vital de Jesus Cristo. Hoje, se abrimos o ouvido do coração à Palavra de Deus, percebemos a profundidade das palavras do papa Francisco: «o Evangelho convida-nos sempre a abraçar o risco do encontro com o rosto do outro, com a sua presença física que interpela, com o seu sofrimentos e suas reivindicações, com a sua alegria contagiosa permanecendo lado a lado» (EG 88); «embora aparentemente não nos traga benefícios tangíveis e imediatos, é indispensável prestar atenção e debruçar-nos sobre as novas formas de pobreza e fragilidade, nas quais somos chamados a reconhecer Cristo sofredor: os sem abrigo, os toxicodependentes, os refugiados, os povos indígenas, os idosos cada vez mais sós e abandonados, etc.» (EG 210).

© Laboratório da fé, 2015

Celebrar o Domingo de Ramos (Ano B), no Laboratório da fé, 2015

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 28.3.15 | Sem comentários

CELEBRAR O DOMINGO DO BATISMO DE JESUS


No domingo da celebração do Batismo de Jesus (Ano B), a palavra de Deus — palavra fecunda, eficaz, que há de dar frutos na nossa vida — diz-nos como é o amor de Deus pela Humanidade: vai até ao ponto de estabelecer connosco uma «aliança eterna» (primeira leitura), plenamente realizada em Jesus Cristo, seu «Filho muito amado» (evangelho). E nós somos chamados a deixar-nos amar, a acreditar n’Aquele que nos salva (segunda leitura), a anunciar as maravilhas de Deus a todos os povos com alegria (salmo). O acontecimento do batismo de Jesus por João, no rio Jordão, com a descida do Espírito e a voz do Pai, revela a força trinitária do testemunho de amor que, desde então, se dá a conhecer ao mundo.

«Saboreareis manjares suculentos»
O fragmento da primeira leitura pertence à secção final da segunda parte do livro de Isaías («Segundo Isaías» ou «Deutero Isaías»: capítulos 40 a 55), que se situa na época do exílio na Babilónia, no século quarto antes de Cristo. É uma proclamação jubilosa do regresso dos exiliados a Jerusalém.
O poeta-profeta começa com um contraste muito vivo entre as formas de vida sob o domínio dos babilónios e a nova oferta de vida dada por Deus. O verso inicial, à maneira de um pregão dito por um vendedor, oferece água, vinho e leite, gratuitamente. O contraste com as formas de vida no tempo do opressor é absoluto. Israel é convidado a escolher os novos alimentos oferecidos por Deus. E o resultado é este: «saboreareis manjares suculentos». Trata-se do anúncio da nova aliança oferecida por Deus aos oprimidos.
A última parte da passagem profética abandona a metáfora da comida e passa a falar diretamente da promessa de fidelidade feita por Deus a David, que agora é ampliada a toda a comunidade de Israel. O pacto que Deus oferece é de fidelidade, uma fidelidade que comporta vida — «escutai-Me e vivereis» —, porque o Deus que fala e que convida — «vinde a Mim» — é um Deus vivo e dador de vida a todos os que estão dispostos a escutar e a acolher a sua proposta. Estes são os caminhos de Deus, são os seus pensamentos, sempre superiores aos nossos.
Por fim, o poder de Deus é vinculado à ação da chuva e da neve. Ambas produzem coisas tangíveis na terra. O resultado é regular e digno de confiança: a terra é alimentada e a criação é sustentada. A palavra de Deus também é assim: produz um futuro novo para o povo de Israel.
Não deixa de ser uma maravilha escutar que Deus nunca abandonará o seu desígnio de salvação: a sua palavra, o seu amor, não serão infecundos, antes pelo contrário, cumprirão a sua vontade, realizarão a sua missão. Deus promete-nos o que há de melhor: «saboreareis manjares suculentos».

Hoje, sabemos que, em Jesus Cristo, Deus estabelece connosco a «nova e eterna aliança». Uma aliança jamais irrevogável porque não depende da nossa fidelidade, mas da fidelidade de Deus. A nossa fidelidade consiste, sobretudo, em acolher o rosto bondoso de Deus como fonte de paz e de vitalidade.

© Laboratório da fé, 2015

Celebrar o domingo do Batismo de Jesus (Ano B), no Laboratório da fé, 2015


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 7.1.15 | Sem comentários

CELEBRAR O DOMINGO DA EPIFANIA


A Epifania dá a plenitude ao Natal. A Luz atinge a sua máxima intensidade! Esta luz, a luz do Natal, é para todos os povos (primeira leitura), pois a realização das promessas diz respeito a todos (segunda leitura), a estrela que brilha na noite pode pôr a caminho quem quer que levante os olhos e se deixe conduzir por ela (evangelho). Se, como os Magos, observamos o sinal da salvação, se estamos dispostos a deixar-nos inquietar pelos apelos de Deus, escutemos a sua Palavra: ela revela-nos o seu amor por todos os homens e mulheres; e recorda-nos a nossa missão de anunciar aos fracos e aos pobres (salmo) que Deus vem para nos salvar.

«Quando o vires ficarás radiante, palpitará e dilatar-se-á o teu coração» 
A Liturgia da Palavra abre com uma maravilhosa visão do profeta Isaías. Desde o primeiro momento, a proclamação do texto tem de levar o ouvinte a perceber o entusiasmo do profeta!
Israel, ao longo da história, passou por profundos períodos de escuridão (o exílio na Babilónia, por exemplo). Agora, chega a época da luz. Uma luz que é um dom de Deus.
Num primeiro momento, os verbos pertencem ao campo semântico da luz: a aurora e o amanhecer impõem-se à noite e à escuridão. Depois, aparecem as imagens dos peregrinos em direção à cidade, não para fazer aumentar a pobreza, mas para encher a cidade de tesouros. O texto é um hino à esperança na restauração de Jerusalém, ainda desolada, mas convidada a olhar para um futuro cheio de prosperidade: «Quando o vires ficarás radiante, palpitará e dilatar-se-á o teu coração».
O profeta Isaías apresenta a vinda de Deus como a vinda da Luz: uma luz que brilha no meio do mundo. Jerusalém e os seus habitantes transformam-se em sinal da presença de Deus. A profecia proposta para o domingo da Epifania (popularmente designado como «dia de Reis») faz de nós — ouvintes e destinatários — testemunhas do extraordinário movimento realizado em Jerusalém: da escuridão para a luz, do desespero para a esperança, da consternação para a tranquilidade, da tristeza para a alegria.
A Luz de Deus põe fim ao exílio. Israel, ao longo da história, tinha sido sempre um povo de segunda categoria, entre vizinhos ricos e poderosos. A partir de agora, as coisas vão mudar: as riquezas excêntricas das nações, com as quais antes nem sequer podia sonhar, são agora oferecidas ao povo de Deus. Jerusalém tornar-se o lugar da luz que brilha sobre o mundo. Contudo, convém recordar que o centro não é o «lugar» mas a própria luz: as riquezas levadas a Jerusalém são para adorar o Senhor, para proclamar «as glórias do Senhor».

No anúncio do acontecimento cristão, mantém-se a centralidade da Luz (estrela), mas dá-se uma deslocação do «lugar» e do «conteúdo»: os tesouros do oriente não se dirigem para Jerusalém, mas para Belém; a riqueza trazida não é tanto a material («tesouros do mar… riquezas das nações»), quanto a que «revela» o mistério do Menino diante do qual se hão de prostrar os Magos (a profecia refere ouro e incenso; falta a mirra do evangelho).

© Laboratório da fé, 2014

Celebrar o domingo da Epifania (Ano B), no Laboratório da fé, 2015

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 2.1.15 | Sem comentários

CELEBRAR O TERCEIRO DOMINGO DE ADVENTO


«Vivei sempre alegres» (segunda leitura) — é o imperativo que faz do terceiro domingo de Advento (Ano B) o «domingo da alegria». Não é a alegria (salmo) um sinal da presença de Deus, da sua vinda? A esperança que preside ao tempo de Advento une-se à alegria da missão (primeira leitura). E João Batista convida a deitar fora tudo o que nos impede de viver essa alegria, a deixarmo-nos santificar pelo Espírito Santo (evangelho). Assim, estaremos preparados para a vinda do Salvador. E os nossos corações exultarão de alegria.

«Exulto de alegria no Senhor, a minha alma rejubila no meu Deus»
A primeira leitura apresenta dois textos distintos do mesmo capítulo unidos pela primeira pessoa do singular: um personagem anónimo, uma voz sem nome anuncia a sua vocação, uma vocação que lhe foi dada por Deus e que se destina à renovação da comunidade.
Em primeiro lugar, este personagem reconhece-se ungido e enviado por Deus: «O Senhor me ungiu e me enviou». Na segunda parte, o próprio entoa um cântico de louvor e de ação de graças: «Exulto de alegria no Senhor, a minha alma rejubila no meu Deus».
O «ungido», na tradição de Israel, indica uma pessoa que recebeu de Deus uma missão profética ou salvífica: neste caso, consiste em «anunciar a boa nova» da salvação oferecida por Deus. A voz que fala assegura que lhe foi confiada uma missão designada como «o ano da graça do Senhor».
Na segunda parte do poema, o «ungido» expressa a sua alegria. A missão é descrita com traços de festa, de triunfo, de núpcias, de justiça. Este «evangelista» do Antigo Testamento exulta com a sua própria missão, porque foi revestido com o traje da salvação e da justiça. Quem recebe a força do Espírito sente-se alegre como o noivo e a noiva adornados para a festa. A notícia que enche de alegria é que a justiça e o louvor serão uma realidade realizada por Deus.
O «Terceiro Isaías» abre caminhos de futuro sustentado não em qualquer pessoa ou promessa, mas no «ungido» e na missão concreta que lhe foi confiada por Deus. Ele ativa a esperança porque anuncia uma transformação pública da realidade. E confirma que essa transformação querida por Deus depende de um ser humano concreto.
O Novo Testamento dirá que o «Ungido» (com letra maiúscula) sobre o qual pousa o Espírito do Senhor é Jesus Cristo, em quem se cumprem todas as promessas, em quem se concentram todas as esperanças.
A missão de Jesus Cristo não termina n’Ele nem com Ele. Cada um de nós é também «ungido»: pelo batismo, o Espírito Santo desce sobre nós para nos tornar participantes da missão de Jesus Cristo.

Estamos em tempo de Advento, tempo de esperança… A redenção, a liberdade, a justiça, a misericórdia, a paz, são possíveis. Só precisamos de olhar o rosto dos pobres e das vítimas de qualquer espécie de mal.
Estamos em tempo de Advento, tempo de alegria… Não há lugar para o cansaço ou a indiferença. Só precisamos de «olhar o mundo pela primeira vez», de abrir os olhos para que o medo dê lugar à alegria em anunciar e viver a fé.

© Laboratório da fé, 2014

Celebrar o domingo terceiro de Advento (Ano B), no Laboratório da fé, 2014


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 11.12.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO VIGÉSIMO QUINTO

21 DE SETEMBRO DE 2014


Isaías 55, 6-9

Procurai o Senhor, enquanto se pode encontrar, invocai-O, enquanto está perto. Deixe o ímpio o seu caminho e o homem perverso os seus pensamentos. Converta-se ao Senhor, que terá compaixão dele, ao nosso Deus, que é generoso em perdoar. Porque os meus pensamentos não são os vossos, nem os vossos caminhos são os meus – oráculo do Senhor –. Tanto quanto o céu está acima da terra, assim os meus caminhos estão acima dos vossos e acima dos vossos estão os meus pensamentos.



Os meus pensamentos não são os vossos


O fragmento proposto para primeira leitura do vigésimo quinto domingo (Ano A) faz parte do último capítulo do Segundo Isaías, um profeta que viveu no final do tempo do exílio na Babilónia e teve a missão de animar o povo de Deus, num momento em que o profeta sentia que Deus estava prestes a realizar coisas novas e inauditas.
Isaías grita a Israel para procurar o Senhor, mas isso só é possível «enquanto se pode encontrar». O profeta sabe que é, agora, o momento privilegiado em que Deus «está perto».
Contudo, há pessoas que não estão dispostas a converter-se, isto é, a deixar que Deus seja o único centro verdadeiro da sua vida, talvez porque já se sentem suficientemente cómodas com a situação que gozam depois de quase cinquenta anos de deportação. Todavia, Deus, sempre surpreendente, anuncia pelo profeta os seus «caminhos» e os seus «pensamentos», que não coincidem com os dos seres humanos, porque a proposta é como a que nos tempos antigos Deus tinha feito a Abraão: a aceitação de uma promessa radical que leva a uma vida alternativa — é isto a fé —, desinstalada e aberta à novidade radical de Deus sempre novo e imprevisível.

© Joan Ferrer, Misa dominical
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor

Preparar o domingo vigésimo quinto (Ano A), no Laboratório da fé, 2014


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 17.9.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO VIGÉSIMO PRIMEIRO

24 DE AGOSTO DE 2014


Isaías 22, 19-23

Eis o que diz o Senhor a Chebna, administrador do palácio: «Vou expulsar-te do teu cargo, remover-te do teu posto. E nesse mesmo dia chamarei o meu servo Eliacim, filho de Elcias. Hei de revesti-lo com a tua túnica, hei de pôr-lhe à cintura a tua faixa, entregar-lhe nas mãos os teus poderes. E ele será um pai para os habitantes de Jerusalém e para a casa de Judá. Porei aos seus ombros a chave da casa de David: há de abrir, sem que ninguém possa fechar; há de fechar, sem que ninguém possa abrir. Fixá-lo-ei como uma estaca em lugar firme e ele será um trono de glória para a casa de seu pai».



Porei aos seus ombros a chave da casa de David


Este texto — primeira leitura do vigésimo primeiro domingo, ano A — fala de um mau administrador e de um bom administrador. Faz-nos entrar nas tensões internas da casa real de Jerusalém. É uma prova de que a palavra de Deus incarna realmente na vida do povo de Deus. Contrasta dois oficiais que ocupam o cargo de chanceler, isto é, o homem que tem a máxima responsabilidade a seguir ao rei.
A narração compara Chebna, que é condenado e recusado por más ações, com Eliacim, que é elogiado e aprovado como pessoa fiel e eficaz. O texto oferece-nos uma reflexão sobre o uso sábio ou irresponsável do poder público.
Não obstante, parece que a leitura vai mais além da dimensão histórica imediata e que fala da vinda do «bom administrador» no futuro de Jerusalém. A referência a «esse dia» é um uso profético para antecipar um futuro que ainda não está ao alcance. Este administrador bom «será um pai para os habitantes de Jerusalém». O texto profético antecipa um tempo «em lugar firme» e «será um trono de glória para a casa de seu pai». O administrador terá a «chave» do palácio real; isto significa que terá o controlo completo e determinará o acesso aos órgãos oficiais de poder. O texto de Mateus 16, 19 recolhe esta ideia que confia a Pedro a completa supervisão da casa da Igreja.

© Joan Ferrer, Misa dominical
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
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Preparar o domingo vigésimo primeiro (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 18.8.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO VIGÉSIMO

17 DE AGOSTO DE 2014


Isaías 56, 1.6-7

Eis o que diz o Senhor: «Respeitai o direito, praticai a justiça, porque a minha salvação está perto e a minha justiça não tardará a manifestar-se. Quanto aos estrangeiros que desejam unir-se ao Senhor para O servirem, para amarem o seu nome e serem seus servos, se guardarem o sábado, sem o profanarem, se forem fiéis à minha aliança, hei de conduzi-los ao meu santo monte, hei-de enchê-los de alegria na minha casa de oração. Os seus holocaustos e os seus sacrifícios serão aceites no meu altar, porque a minha casa será chamada 'casa de oração para todos os povos'».



Quanto aos estrangeiros... hei de conduzi-los ao meu santo monte


Os textos imediatamente anteriores do livro de Isaías contêm a promessa de um regresso prodigioso a Jerusalém feita por Deus aos exilados na Babilónia. A partir do capítulo 56 encontramo-nos já com a possibilidade dos exilados regressarem. Devem ter passado uns vinte anos desde o decreto de Ciro que permitia o regresso dos judeus a Jerusalém. Os que regressaram encontraram uma cidade arruinada. É preciso, pois, reconstruir a cidade e repensar a fé.
A primeira parte do oráculo contém um apelo em imperativo à comunidade de fé. Trata-se de manter a justiça e fazer o que é justo e bom. Estes temas são fundamentais na experiência profética de Isaías: o poder da casa de David tinha de estar atento à justiça e ao direito para com os pobres e os necessitados. Há que assegurar — esta é a vontade de Deus — a cada membro da comunidade segurança, dignidade e bem-estar. Esta é a primeira obrigação ética. Seguidamente, o oráculo profético contém uma promessa da parte do Senhor: salvação e bondade. Isto é, o Senhor está prestes a estabelecer, numa decisão unilateral, o bem-estar que tinha ordenado na primeira parte do texto. A mensagem profética diz que o Senhor conduzirá esta comunidade ao bem-estar que o próprio tinha ordenado. Imperativo e promessa formam uma unidade.
A segunda parte do texto faz uma oferta singular: os estrangeiros de coração fiel serão atraídos ao Senhor, Deus de Israel, e serão bem-vindos à vida de oração e adoração que caracteriza o povo escolhido por Deus.

© Joan Ferrer, Misa dominical
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Preparar o domingo vigésimo (Ano A), no Laboratório da fé, 2014


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 14.8.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO DÉCIMO OITAVO

3 DE AGOSTO DE 2014


Isaías 55, 1-3

Eis o que diz o Senhor: «Todos vós que tendes sede, vinde à nascente das águas. Vós que não tendes dinheiro, vinde, comprai e comei. Vinde e comprai, sem dinheiro e sem despesa, vinho e leite. Porque gastais o vosso dinheiro naquilo que não alimenta e o vosso trabalho naquilo que não sacia? Ouvi-Me com atenção e comereis o que é bom; saboreareis manjares suculentos. Prestai-Me ouvidos e vinde a Mim; escutai-Me e vivereis. Firmarei convosco uma aliança eterna, com as graças prometidas a David.



Vinde e comei


O texto proposto para a primeira leitura do décimo oitavo domingo (Ano A) pertence à secção final da segunda parte do livro de Isaías, que se situa na época do exílio na Babilónia, no século quarto antes de Cristo. É uma proclamação gozosa de um regresso a Jerusalém para os exilados.
O poeta-profeta começa por assinalar um contraste muito vivo entre as formas de vida na Babilónia e a nova oferta de vida dada por Deus. O versículo inicial, que quase parece um pregão de um vendedor, oferece água, vinho e leite de graça. O contraste com as formas de vida oferecidas pelo império opressor é absoluto. O império é sempre caro e insuficiente. Israel é convidado a escolher os novos alimentos oferecidos pelo Senhor «sem pagar». Trata-se da celebração do convite da nova aliança oferecida pelo Deus dos oprimidos. A pergunta é retórica: para quê trabalhar tanto para, ao fim e ao cabo, não obter nada bom?
A última parte da passagem profética deixa a metáfora da comida e passar a falar diretamente da promessa de fidelidade feita por Deus a David, que agora é ampliada, prolongada e reiterada a toda a comunidade de Israel. O pacto que Deus oferece é de fidelidade e contém em si a vida — «escutai-Me e vivereis» —, porque o Deus que fala — «prestai-Me ouvidos» — e que convida — «vinde a Mim» — é um Deus vivo e dador de vida a todos os que estão dispostos a escutar.

© Joan Ferrer, Misa dominical
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Preparar o domingo décimo oitavo (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 1.8.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO DÉCIMO QUINTO

13 DE JULHO DE 2014


Isaías 55, 10-11

Eis o que diz o Senhor: «Assim como a chuva e a neve que descem do céu não voltam para lá sem terem regado a terra, sem a terem fecundado e feito produzir, para que dê a semente ao semeador e o pão para comer, assim a palavra que sai da minha boca não volta sem ter produzido o seu efeito, sem ter cumprido a minha vontade, sem ter realizado a sua missão».



A chuva faz germinar a terra


O texto da primeira leitura do décimo quinto domingo (Ano A), um fragmento da terceira parte do livro de Isaías, contém um oráculo brevíssimo, mas precioso, sobre o poder da Palavra de Deus. O profeta fala aos exilados na Babilónia. Faz cinquenta anos que Jerusalém foi destruída e que os exilados se estabeleceram na cidade estrangeira, alguns até com uma certa comodidade. Então, a voz do profeta anuncia uma realidade nova, que encontramos em poucos versos antes deste fragmento. Diz assim: «Prestai-me atenção e vinde a mim. Escutai-me e vivereis. Farei convosco uma aliança eterna, e a promessa a David será mantida» (Isaías 55, 3).
Deus tem sempre previstas coisas novas para o povo com o qual estabeleceu uma aliança. A verificação da determinação do Senhor é a afirmação de que a palavra da promessa do Senhor produz resultados reais na vida pública. Todas as palavras que o profeta dirigiu aos exilados de Israel estão fundamentadas na determinação absolutamente fiável de que é dirigida à fé do povo.
O poder do Senhor aqui está vinculado à chuva e à neve. Nem um nem a outra são fantasmas, mas muito reais: poderes que produzem coisas tangíveis na terra. O resultado é regular e digno de confiança: a terra é alimentada e a criação sustentada. A Palavra de Deus é como estas realidades: causa um novo futuro para o povo de Israel exilado.

© Joan Ferrer, Misa dominical
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Preparar o domingo décimo quinto (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 8.7.14 | Sem comentários

PREPARAR A SEXTA-FEIRA SANTA

18 DE ABRIL DE 2014


Isaías 52, 13 – 53, 12

Vede como vai prosperar o meu servo: subirá, elevar-se-á, será exaltado. Assim como, à sua vista, muitos se encheram de espanto – tão desfigurado estava o seu rosto que tinha perdido toda a aparência de um ser humano – assim se hão de encher de assombro muitas nações e, diante dele, os reis ficarão calados, porque hão de ver o que nunca lhes tinham contado e observar o que nunca tinham ouvido. Quem acreditou no que ouvimos dizer? A quem se revelou o braço do Senhor? O meu servo cresceu diante do Senhor como um rebento, como raiz numa terra árida, sem distinção nem beleza para atrair o nosso olhar, nem aspeto agradável que possa cativar-nos. Desprezado e repelido pelos homens, homem de dores, acostumado ao sofrimento, era como aquele de quem se desvia o rosto, pessoa desprezível e sem valor para nós. Ele suportou as nossas enfermidades e tomou sobre si as nossas dores. Mas nós víamos nele um homem castigado, ferido por Deus e humilhado. Ele foi trespassado por causa das nossas culpas e esmagado por causa das nossas iniquidades. Caiu sobre ele o castigo que nos salva: pelas suas chagas fomos curados. Todos nós, como ovelhas, andávamos errantes, cada qual seguia o seu caminho. E o Senhor fez cair sobre ele as faltas de todos nós. Maltratado, humilhou-se voluntariamente e não abriu a boca. Como cordeiro levado ao matadouro, como ovelha muda ante aqueles que a tosquiam, ele não abriu a boca. Foi eliminado por sentença iníqua, mas quem se preocupa com a sua sorte? Foi arrancado da terra dos vivos e ferido de morte pelos pecados do seu povo. Foi-lhe dada sepultura entre os ímpios e um túmulo no meio de malfeitores, embora não tivesse cometido injustiça, nem se tivesse encontrado mentira na sua boca. Aprouve ao Senhor esmagar o seu servo pelo sofrimento. Mas se oferecer a sua vida como sacrifício de expiação, terá uma descendência duradoira, viverá longos dias e a obra do Senhor prosperará em suas mãos. Terminados os sofrimentos, verá a luz e ficará saciado na sua sabedoria. O justo, meu servo, justificará a muitos e tomará sobre si as suas iniquidades. Por isso, Eu lhe darei as multidões como prémio e terá parte nos despojos no meio dos poderosos; porque ele próprio entregou a sua vida à morte e foi contado entre os malfeitores, tomou sobre si as culpas das multidões e intercedeu pelos pecadores.



Ele foi trespassado por causa das nossas culpas


Este famoso poema de Isaías é muito obscuro. É todo composto por alusões e não conseguimos saber em que contexto original da história do povo de Israel o podemos situar. Por isso, a Igreja leu-o sempre como uma alusão aos sofrimentos e à morte de Jesus, como acontecimento salvador querido por Deus.
O texto começa com uma proclamação triunfante que, na continuação da leitura do poema, deixa-nos atónitos, já que parece a antítese do otimismo presente no versículo inicial. Este homem é abusivamente maltratado, mas a voz profética diz que o servo «vai prosperar»: «subirá, elevar-se-á, será exaltado».
É uma pessoa desfigurada, que causa repulsa aos outros. Ninguém espera nada dele, mas «suportou as nossas enfermidades e tomou sobre si as nossas dores..., pelas suas chagas fomos curados..., o Senhor fez cair sobre ele as faltas de todos nós». Este texto é um momento culminante de todas as Sagradas Escrituras. Estamos tão acostumados a ele que quase não nos damos conta do carácter revolucionário que possui: esta pessoa tão desgraçada carregava com os nossos sofrimentos, de maneira que nos seus sofrimentos nós fomos curados, perdoados e transformados.
Em Sexta-feira Santa, este poema ajuda a Igreja a discernir o que Jesus fez e faz: a sua entrada no mal e na culpa do mundo mudou totalmente o mundo. Este poema e a sua concretização evangélica na cruz pedem o silêncio total perante um mistério que é demasiado profundo para a especulação ou a explicação.

© Joan Ferrer, Misa dominical
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
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Preparar a Sexta-feira Santa, no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 18.4.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO DE RAMOS [SEXTO DA QUARESMA]

13 DE ABRIL DE 2014


Isaías 50, 4-7

O Senhor deu-me a graça de falar como um discípulo, para que eu saiba dizer uma palavra de alento aos que andam abatidos. Todas as manhãs Ele desperta os meus ouvidos, para eu escutar, como escutam os discípulos. O Senhor Deus abriu-me os ouvidos e eu não resisti nem recuei um passo. Apresentei as costas àqueles que me batiam e a face aos que me arrancavam a barba; não desviei o meu rosto dos que me insultavam e cuspiam. Mas o Senhor Deus veio em meu auxílio, e, por isso, não fiquei envergonhado; tornei o meu rosto duro como pedra, e sei que não ficarei desiludido.



Sei que não ficarei desiludido


Escutamos a voz do Servo que fala de uma grande comoção e expressa uma profunda confiança. Não se diz quem é nem a razão da sua angústia. Os servos de Deus só podem ter a vida em perigo porque a verdade de Deus não costuma ser conforme a forma como os humanos entendem a realidade. A Igreja viu sempre, neste Servo, a figura de Jesus: o seu conflito acabará por conduzi-lo ao sofrimento e à morte; mas, mesmo nestas circunstâncias, continua a ser o Servo confiante, fiel e obediente.
Tudo o que se diz no fragmento profético sobre o Servo está centrado em Deus: o seu ministério particular foi-lhe confiado por Deus e, por mais estranha que possa ser, há de ter o ouvido atento a qualquer mensagem de Deus. E a língua há de estar pronta para falar dessas mesmas coisas estranhas.
A missão é «dizer uma palavra de alento aos que andam abatidos». O abatido é o judeu exilado, cuja vida ficou devastada pelo império opressor. É preciso, com a força poderosa da palavra, criar uma realidade alternativa que produza espaço, liberdade e energia: novas possibilidades para além as realidades cansativas de cada dia. Por isso, o Servo sofrerá hostilidade, mas a sua resposta será sempre pacífica, porque confia no Senhor e nele encontra consolação.

© Joan Ferrer, Misa dominical
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Preparar o domingo de Ramos, sexto da Quaresma (Ano A), no Laboratório da fé, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 11.4.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO OITAVO

2 DE MARÇO DE 2014


Isaías 49, 14-15

Sião dizia: «O Senhor abandonou-me, o Senhor esqueceu-Se de mim». Poderá a mulher esquecer a criança que amamenta e não ter compaixão do filho das suas entranhas? Mas ainda que ela se esquecesse, Eu não te esquecerei.



Eu não te esquecerei


Num contexto de celebração da mudança de situação em Israel e da riqueza do futuro que está prestes a conceder, Deus, dirigindo-se ao Servo — um personagem misterioso, que não se consegue saber quem é, que intervém para transformar a situação absolutamente desesperada do povo — diz-lhe o que decidiu fazer e faz. Trata-se da obra salvadora de Deus, que será como um novo Êxodo, uma nova entrada na luz daqueles que viviam nas trevas. É uma realidade completamente nova que fará com que o céu, a terra e as montanhas proclamem gritos de alegria «porque o Senhor consola o seu povo e compadece-se dos desamparados» (Isaías 49, 13).
Perante esta perspetiva deslumbrante para os oprimidos e os sem voz, surge uma voz de dúvida por parte de Sião, a cidade destruída de Jerusalém: «O Senhor abandonou-me». Este grito de dor dos desvalidos tem como resposta um oráculo poderoso: Deus é como uma mãe que não se esquece do filho que amamenta. De facto, Deus é muito mais do que uma mãe; porque mesmo que alguma vez uma mãe se esquecesse da sua criatura, Deus nunca a esqueceria. Os exilados sabem que são objeto de um amor que é muito mais forte do que aquele que alguma mãe poderia alguma vez chegar a dar.

© Joan Ferrer, Misa dominical
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Preparar o domingo oitavo (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 25.2.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO QUINTO

9 DE FEVEREIRO DE 2014


Isaías 58, 7-10

Eis o que diz o Senhor: «Reparte o teu pão com o faminto, dá pousada aos pobres sem abrigo, leva roupa ao que não tem que vestir e não voltes as costas ao teu semelhante. Então a tua luz despontará como a aurora e as tuas feridas não tardarão a sarar. Preceder-te-á a tua justiça e seguir-te-á a glória do Senhor. Então, se chamares, o Senhor responderá, se O invocares, dir-te-á: ‘Aqui estou’. Se tirares do meio de ti a opressão, os gestos de ameaça e as palavras ofensivas, se deres do teu pão ao faminto e matares a fome ao indigente, a tua luz brilhará na escuridão e a tua noite será como o meio-dia».



A tua luz despontará como a aurora


O profeta Isaías diz ao povo de Israel como se deve entender a verdadeira religião. Alguns do povo pensavam que se tinham comportado com zelo religioso e de maneira escrupulosa, mas todos esses esforços não tinham produzido os resultados esperados. Parece que Deus não fez caso dessas devoções, que conviviam perfeitamente com a opressão dos mais débeis.
Isaías só entende a experiência religiosa num vínculo estreito com as necessidades daqueles que estão próximos de nós: os que passam fome, os que não têm casa, os que não têm roupa. A proposta da nova espiritualidade feita pelo profeta é revolucionária: cuidar da alimentação, da casa, do corpo dos outros, dos que estão próximos de nós. Notemos a matiz fundamental: «o teu pão», «dá pousada», «as tuas feridas». Tem que haver um vínculo muito forte entre aquele que dá o que passa necessidade. O resultado desta nova espiritualidade será prodigioso: «A tua luz despontará como a aurora». A luz é sempre sinal da presença de Deus, da «glória do Senhor». Deus está muito perto dos que dão a vida por aqueles que têm necessidade de nós. A recompensa — «a tua noite será como o meio-dia» — é absolutamente inesperada, graça pura de Deus.

© Joan Ferrer, Misa dominical
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Preparar o domingo quinto (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Unknown | 5.2.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO TERCEIRO

26 DE JANEIRO DE 2014


Isaías 8, 23b – 9, 3 (9, 1-4)

Assim como no tempo passado foi humilhada a terra de Zabulão e de Neftali, também no futuro será coberto de glória o caminho do mar, o Além do Jordão, a Galileia dos gentios. O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; para aqueles que habitavam nas sombras da morte uma luz se levantou. Multiplicastes a sua alegria, aumentastes o seu contentamento. Rejubilam na vossa presença, como os que se alegram no tempo da colheita, como exultam os que repartem despojos. Vós quebrastes, como no dia de Madiã, o jugo que pesava sobre o povo, o madeiro que ele tinha sobre os ombros e o bastão do opressor.



O povo que andava nas trevas viu uma grande luz


O texto no seu contexto
. Isaías apresenta, neste texto, um oráculo de salvação com sabor messiânico. O autor dirige-se a uma terra que sofreu contínuas violências e humilhações; a última tinha sido a conquista do país pelo rei assírio Tiglatfalasar III, no ano 733. Esta terra, devastada e sempre posta em causa, recebe um anúncio de esperança. O povo de Israel era formado por dois grupos de tribos de «primeira categoria»: as do Norte, à volta de Siquém, que englobava as de Efraim, Manassés e Benjamim (o que se conhece como «Casa de José»); as tribos do Sul, à volta de Jerusalém e do Templo, que englobava as tribos de Judá, Simeão, Rúben e Levi (conhecida como «Casa de Judá»). As outras tribos também faziam parte de Israel, mas o seu protagonismo na história é escasso. Zabulão e Neftali são duas tribos que tinham ocupado a baixa Galileia, que na tradição bíblica é uma «terra de gentios». As próprias sabem que não são bem vistas pelas outras; são como «um povo que caminha nas trevas», pois não possuem grandes gestas, nem grandes profetas, nem grandes santuários. Contudo, Isaías pronuncia um oráculo que rompe com esta espécie de maldição: este povo recebe o anúncio de uma grande luz. Deixará de amaldiçoar a sua sorte, porque será protagonista da história da salvação de Deus.

O texto na história da salvação. A Igreja sempre leu de forma unitária a Sagrada Escritura, de tal maneira que não há contradição entre o Antigo e o Novo Testamento. A profecia que parece obscura em Isaías obtém a sua luz no evangelho. São Mateus escreve o evangelho a pensar nos judeus que olham com simpatia para Jesus, mas que fazem esta pergunta: a vida de Jesus foi anunciada nas Escrituras? O Deus dos seus pais não faz nada ao acaso: comunica-se na história; antecipa, através dos profetas, a sua vontade; anuncia as suas intervenções. O próprio Deus já tinha anunciado, através de Isaías, profeta de total garantia para um bom judeu, que a salvação viria da Galileia.

Palavra de Deus para nós: sentido e celebração litúrgica. O chamamento dos discípulos, que se lê no evangelho proposto para o terceiro domingo (Ano A), soa de outra maneira. Se no Antigo Testamento os chamamento era para o Reino do Norte e para o Reino do Sul, as casas de José e de Judá, agora Jesus irrompe na história para chamar uns galileus. Pode-se imaginar maior provocação? Jesus tem uma missão que supera os «clichés» para inaugurar uma nova forma de entender a relação com Deus. A salvação chega às terras que oficialmente não eram dignas de ser tidas em conta pelas pessoas religiosas. Os limites colocados pelos humanos não são os limites de Deus.

© Pedro Fraile Yécora, Homiletica
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Preparar o domingo terceiro (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 24.1.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO TERCEIRO

26 DE JANEIRO DE 2014


Isaías 8, 23b – 9, 3 (9, 1-4)

Assim como no tempo passado foi humilhada a terra de Zabulão e de Neftali, também no futuro será coberto de glória o caminho do mar, o Além do Jordão, a Galileia dos gentios. O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; para aqueles que habitavam nas sombras da morte uma luz se levantou. Multiplicastes a sua alegria, aumentastes o seu contentamento. Rejubilam na vossa presença, como os que se alegram no tempo da colheita, como exultam os que repartem despojos. Vós quebrastes, como no dia de Madiã, o jugo que pesava sobre o povo, o madeiro que ele tinha sobre os ombros e o bastão do opressor.



O povo que andava nas trevas viu uma grande luz


A luz é um símbolo usado pelas Sagradas Escrituras para expressar a visibilidade da presença divina no mundo. Esta luz está sempre em contraste com a escuridão, com as trevas, que simbolicamente expressam o poder perigoso da morte. Os que andam às escuras estão especialmente expostos a esta.
A vinda de Deus — o poder da luz — dissipa as trevas e permite o bem estar. Um mundo sem Deus deixar-nos-ia permanentemente ameaçados. O texto do terceiro domingo (Ano A) retirado do poema de Isaías põe em contraste a escuridão e a luz; e celebra a passagem de uma para outra realizada por Deus.
«No tempo passado» — recorda o texto — o território de Israel foi humilhado pelos poderosos exércitos dos reis assírios. Na realidade, trata-e de uma memória de qualquer humilhação realizada contra os vulneráveis. Esse tempo contrasta com o «futuro», que é recebido como uma celebração extraordinária. O tempo novo caracteriza-se pela exaltação do país feita pelo Senhor.
O profeta acentua o momento em que aqueles que andavam nas trevas descobrem a luz. Esta luz cria possibilidades que antes não existiam. A transformação deu-se porque o poder do Senhor agiu e criou bem estar entre os ameaçados. O resultado da obra de Deus é «alegria», «contentamento», como a que possuem as pessoas no tempo da colheita. O contentamento surge quando já se tinha abandonado qualquer esperança. A opressão foi destruída.

© Joan Ferrer, Misa dominical
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
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Preparar o domingo terceiro (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 23.1.14 | Sem comentários
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