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Viver a fé! [40]


O último capítulo (décimo segundo) do Compêndio da Doutrina Social da Igreja intitula-se «Doutrina Social e ação eclesial», subdividindo-se em dois pontos: «a ação social no âmbito social»; «doutrina social e compromisso dos cristãos leigos». Este tema apresenta o conteúdo do primeiro ponto: «doutrina social e inculturação da fé» (números 521 a 523); «doutrina social e pastoral social» (524 a 527); «doutrina social e formação» (528 a 533); «promover o diálogo» (534 a 537); «os sujeitos da pastoral social» (538 a 540).

Doutrina social e inculturação da fé

«Consciente da força renovadora do cristianismo mesmo em relação à cultura e à realidade social, a Igreja oferece o contributo do próprio ensinamento à construção da cidade dos homens, mostrando o significado social do Evangelho» (521). «Oferece sobretudo uma visão integral e uma plena compreensão do ser humano, nas suas dimensões pessoal e social» (522). «A antropologia cristã anima e sustém a obra pastoral de inculturação da fé, dedicada a renovar a partir de dentro, com a força do Evangelho, os critérios de juízo, os valores determinantes, as linhas de pensamento e os modelos de vida do homem contemporâneo» (523).

Doutrina social e pastoral social

«A pastoral social é a expressão viva e concreta de uma Igreja plenamente consciente da própria missão evangelizadora das realidades sociais, económicas, culturais e políticas do mundo» (524). «A ação pastoral da Igreja no âmbito social deve testemunhar, antes de tudo, a verdade acerca do ser humano. [...] Deve inspirar-se no princípio fundamental da centralidade do ser humano» (527). Nesta perspetiva, «a mensagem social do Evangelho deve orientar a Igreja para o desempenho de uma dupla tarefa pastoral: ajudar os homens e mulheres a descobrirem a verdade e a escolherem a via a seguir; encorajar o esforço dos cristãos para testemunhar, com solicitude de serviço, o Evangelho no campo social» (525). «Os critérios fundamentais da ação pastoral no campo social [são]: anunciar o Evangelho; confrontar a mensagem evangélica com a realidade social; projetar ações voltadas para a renovação de tais realidades, conformando-as com as exigências da moral cristã» (526).

Doutrina social e formação

«A doutrina social é um ponto de referência indispensável para uma formação cristã completa» (528). «O valor formativo da doutrina social reconhece-se melhor na atividade catequética» (529): «é importante que o ensino da doutrina social seja orientado para motivar a ação para a evangelização e a humanização das realidades temporais. [...] Adquire um extraordinário valor formativo o testemunho oferecido pelo cristianismo vivido» (530). «A doutrina social deve ser colocada na base de uma ativa e constante obra de formação, sobretudo da dirigida aos cristãos leigos. Tal formação deve ter em conta o seu empenho na vida civil» (531). Aqui, «as instituições educativas católicas podem e devem desempenhar um precioso serviço formativo, esforçando-se com especial solicitude pela inculturação da mensagem cristã, ou seja, o encontro fecundo entre o Evangelho e os vários saberes» (532). «Não menos relevante deve ser o esforço por utilizar a doutrina social na formação dos presbíteros» (533).

Promover o diálogo

«A doutrina social é um instrumento eficaz de diálogo entre as comunidades cristãs e a comunidade civil e política» (534) para uma correta e fecunda colaboração. E também «é um terreno fecundo para o cultivo do diálogo e da colaboração no campo ecuménico» (535). «Na comum tradição do Antigo Testamento, a Igreja Católica sabe poder dialogar com os irmãos hebreus, também mediante a sua doutrina social, para construírem juntos um futuro de justiça e de paz para todos os homens, filhos do único Deus» (536). «A doutrina social caracteriza-se também por um constante apelo ao diálogo entre todos os crentes das religiões do mundo, para que saibam compartilhar a busca de formas mais oportunas de colaboração» (537).

Os sujeitos da pastoral social

«A Igreja, ao cumprir a sua missão, empenha todo o povo de Deus. [...] A obra pastoral em âmbito social é destinada a todos os cristãos, chamados a transformarem-se em sujeitos ativos no testemunho da doutrina social» (538). «Na Igreja particular, o primeiro responsável pelo empenho pastoral de evangelização do social é o bispo [...]. A ação pastoral do bispo deve encontrar continuação no ministério dos presbíteros que participam da sua missão de ensino, santificação e guia da comunidade cristã» (539). «A ação pastoral no âmbito social vale-se também das obras das pessoas consagradas, de acordo com o seu carisma» (540).

© Laboratório da fé, 2015 
Os números entre parêntesis dizem respeito ao «Compêndio da Doutrina Social da Igreja» 
na versão portuguesa editada em 2005 pela editora «Princípia» 





Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 16.7.15 | Sem comentários

CELEBRAR O DOMINGO DA SAGRADA FAMÍLIA


Fé, fidelidade, confiança: são palavras com significados muitos próximos («acreditar», «dar crédito»). Estas atitudes estão bem expressas nos textos bíblicos propostos para a festa da Sagrada Família de Jesus, Maria e José (Ano B). São características de Deus (salmo) que também devem ser características do crente, do cristão: Abraão é, por isso, o pai dos crentes ou o seu modelo (primeira leitura); a Carta aos Hebreus evoca os frutos dessa fé (segunda leitura). Quanto a Maria e a José, são fiéis Àquele que é o autor das leis (evangelho) e totalmente disponíveis à sua graça…

«Levanta os olhos para o céu e conta as estrelas, se as puderes contar»
A primeira leitura coloca-nos perante a escuridão da noite de Abr(a)ão e de Sara: um casamento sem filhos para os amparar na velhice e dar continuidade à família.
Por isso, Abraão fala com Deus para expor a sua situação. Ao mesmo tempo, confia numa promessa divina que parece impossível. É o testemunho duma fé pura. Entretanto, Deus responde-lhe com um desafio: «Levanta os olhos para o céu e conta as estrelas, se as puderes contar». O Deus de Abraão é paradoxal: as pessoas não podem contar as estrelas; mas podem acreditar.
Deus promete, e cumpre. Abraão passa à história como modelo para todos os crentes. Sim, a humildade crente de Abraão faz parte da história religiosa da humanidade. Abraão acredita e espera; Deus promete e cumpre.
A fé expressa a nossa disponibilidade para acolher a fidelidade de Deus (estamos a celebrar o Natal, isto é, o cumprimento mais surpreendente da fidelidade divina). É muito mais do que ter uma ideia clara sobre Deus (o seu ser e o seu agir). A fé faz-nos entrar no campo da experiência, uma experiência não raras vezes salpicada de dúvidas. Abraão, por cima de todas as razões humanas que o podiam levar a colocar em dúvida as palavras de Deus, acreditou. A sua confiança deslocou-se do crédito às suas dúvidas razoáveis para as palavras de Deus. Esta é a experiência mais autêntica que se pode ter de Deus. Só num clima de fé é que a palavra de Deus se converte em «recompensa», se transforma em realidade, se aproxima da verdade, se experimenta como fidelidade. O capítulo onze da Carta aos Hebreus é um testemunho vibrante da importância da fé (vivida) na relação com Deus.
No livro do Génesis, primeiro está a fé e só depois a narração do nascimento do filho Isaac. A criança recém-nascida é a revelação do amor e da fidelidade de Deus. A família converte-se em sinal da fé humana e do amor divino.

«A fé nasce no encontro com o Deus vivo, que nos chama e revela o seu amor: um amor que nos precede e sobre o qual podemos apoiar-nos para construir solidamente a vida. Transformados por este amor, recebemos olhos novos e experimentamos que há nele uma grande promessa de plenitude e se nos abre a visão do futuro. A fé, que recebemos de Deus como dom sobrenatural, aparece-nos como luz para a estrada orientando os nossos passos no tempo» (Francisco, Carta Encíclica sobre a fé — «Lumen Fidei», 4).

© Laboratório da fé, 2014

Celebrar o domingo da Sagrada Família (Ano B), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 26.12.14 | Sem comentários

Reflexão mensal sobre as obras de misericórdia [1]


«Estamos na terceira etapa do nosso plano pastoral. A fé professada e celebrada continua em fé vivida, isto é, a fé transforma-se em vida e transforma a nossa vida. Orienta-nos o desejo de alcançarmos o fruto da unidade profunda entre a fé e a caridade. […] Está em causa a capacidade de ‘reaprender a gramática elementar da caridade’, cujo fio condutor se encontra na prática das obras de misericórdia: dar de comer a quem tem fome; dar de beber a quem tem sede; vestir os nus; dar pousada aos peregrinos; assistir os doentes; visitar os presos; sepultar os mortos; dar bons conselhos; ensinar os ignorantes; corrigir os que erram; consolar os tristes; perdoar as injúrias; suportar com paciência as fraquezas do nosso próximo; rezar a Deus por vivos e defuntos» (Programa Pastoral da Arquidiocese de Braga para 2014+15).

Ser misericordiosos

Jesus Cristo, no evangelho segundo Lucas, no contexto das bem-aventuranças, apresenta a «regra de ouro» que consiste em amar a todos, inclusive os inimigos; e acrescenta: «Sede misericordiosos, como o vosso Pai é misericordioso» (Lucas 6, 36). Mais do que uma ordem, estas palavras de Jesus são a revelação de uma possibilidade: elas atestam a possibilidade do ser humano participar da misericórdia de Deus, ou seja, de dar vida, de mostrar ternura e amor, de perdoar, de co-sofrer com quem sofre, de sentir a unicidade do outro e de lhe estar próximo, de suportar o outro e de ter paciência com a sua lentidão e as suas incapacidades.
Em várias passagens do Antigo Testamento, Deus é designado como «misericordioso e compassivo» — esse é o seu nome: «Deus misericordioso e clemente, vagaroso na ira, cheio de bondade e de fidelidade» (Êxodo 34, 6); «És um Deus misericordioso e compassivo, paciente e grande em bondade e fidelidade» (Salmo 86, 15); «O SENHOR é misericordioso e compassivo, é paciente e cheio de amor» (Salmo 103, 8); «O SENHOR é bondoso e compassivo» (Salmo 111, 4). Ora, no Novo Testamento, Jesus Cristo, através da sua maneira de ser e de viver, apresenta-se como o rosto humano de Deus, isto é, da sua misericórdia e compaixão: «Compadecido, Jesus estendeu a mão, tocou-o e disse: «Quero, fica purificado» (Marcos 1, 41); «Jesus viu uma grande multidão e teve compaixão deles, porque eram como ovelhas sem pastor» (Marcos 6, 34); «O Senhor compadeceu-se dela e disse-lhe: «Não chores» (Lucas 7, 13). O discípulo, cada um de nós, seguindo o Mestre, pela fé e pelo amor, também pode viver a misericórdia e a compaixão. Eis o caminho para alcançar o fruto de uma unidade profunda entre a fé e a caridade!

Viver a misericórdia

Na Bíblia, a misericórdia não é apenas uma emoção, um sentimento perante o sofrimento do outro: ela nasce como ressonância aguda do sofrimento do outro dentro de mim mas, depois, torna-se ética, práxis e virtude. É o que acontece com o samaritano da parábola, que faz tudo o que está ao seu alcance para aliviar concretamente os sofrimentos daquele homem deixado moribundo à beira do caminho: «‘E quem é o meu próximo?’. Tomando a palavra, Jesus respondeu: ‘Certo homem descia de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos dos salteadores que, depois de o despojarem e encherem de pancadas, o abandonaram, deixando-o meio morto. Por coincidência, descia por aquele caminho um sacerdote que, ao vê-lo, passou ao largo. Do mesmo modo, também um levita passou por aquele lugar e, ao vê-lo, passou adiante. Mas um samaritano, que ia de viagem, chegou ao pé dele e, vendo-o, encheu-se de compaixão. Aproximou-se, ligou-lhe as feridas, deitando nelas azeite e vinho, colocou-o sobre a sua própria montada, levou-o para uma estalagem e cuidou dele. No dia seguinte, tirando dois denários, deu-os ao estalajadeiro, dizendo: “Trata bem dele e, o que gastares a mais, pagar-to-ei quando voltar”. Qual destes três te parece ter sido o próximo daquele homem que caiu nas mãos dos salteadores?’. Respondeu: ‘O que usou de misericórdia para com ele’. Jesus retorquiu: ‘Vai e faz tu também o mesmo’» (Lucas 10, 29-37). A misericórdia deve ser feita: «Vai e faz tu também o mesmo» — diz Jesus Cristo ao doutor da Lei, a quem contou a parábola do samaritano. Assim, os discípulos ficam a conhecer a vontade de Deus; e também sabem como eles próprios devem querê-la e praticá-la: seguindo as pegadas de Jesus Cristo e aprendendo com Ele, que é «manso e humilde de coração» (Mateus 11, 29).

As obras da fé

Ser misericordiosos e viver a misericórdia concretiza-se no mandamento do amor apresentado por Jesus Cristo. Este amor só pode ser concreto e visível, efetivo e não simplesmente afetivo, operante e prático, e não só íntimo e inexpressivo. A Carta de Tiago é muito clara ao recordar que a fé sem obras está «completamente morta»: «De que aproveita, irmãos, que alguém diga que tem fé, se não tiver obras de fé? Acaso essa fé poderá salvá-lo? Se um irmão ou uma irmã estiverem nus e precisarem de alimento quotidiano, e um de vós lhes disser: ‘Ide em paz, tratai de vos aquecer e de matar a fome’, mas não lhes dais o que é necessário ao corpo, de que lhes aproveitará? Assim também a fé: se ela não tiver obras, está completamente morta. Mais ainda: poderá alguém alegar sensatamente: ‘Tu tens a fé, e eu tenho as obras; mostra-me então a tua fé sem obras, que eu, pelas minhas obras, te mostrarei a minha fé» (Tiago 2, 14-18).
O Antigo Testamento já tinha enumerado algumas das obras visíveis da caridade, que constituem atos de libertação do pobre e do necessitado: «repartir o teu pão com os esfomeados, dar abrigo aos infelizes sem casa, atender e vestir os nus» (Isaías 58, 7).
O Novo Testamento encontra, na página do Juízo Universal de Mateus (25, 31-46), uma exemplificação e uma lista de seis gestos de caridade que, se forem feitos a um pobre, a um pequeno, são feitos, de facto, ao próprio Jesus Cristo: «Tive fome e destes-me de comer, tive sede e destes-me de beber, era peregrino e recolhestes-me, estava nu e destes-me que vestir, adoeci e visitastes-me, estive na prisão e fostes ter comigo».

As obras de misericórdia

A elaboração doutrinal de uma «lista» das obras de misericórdia, que hoje conhecemos como expressões da unidade profunda entre a fé e a caridade, longe de querer esgotar as possibilidades da misericórdia, deve ser acolhida como um desafio à criatividade crente no concreto da história, para que a caridade não seja apenas um gesto «bom», mas também «profético». Só desta forma se poderá dizer que na raiz das obras de misericórdia está presente o rosto do Deus misericordioso e a necessidade do ser humano: elas nascem da experiência do amor de Deus e cumprem o mandamento do amor ao próximo.
Como vimos, são vários os fundamentos bíblicos para a elaboração de uma «lista» com as «obras de misericórdia materiais», tal como as designamos hoje.
As «obras de misericórdia espirituais» devem ter surgido a partir da interpretação alegórica do capítulo 25 de Mateus por parte de Orígenes: as obras aí indicadas têm um valor «material», mas também «espiritual».
Entre outros escritos, esta dupla dimensão material e espiritual das obras de misericórdia é expressa por Santo Agostinho através do binómio «dar e perdoar: dar dos bens que possuis e perdoar os males que sofres» .
Uma lista definitiva das obras de misericórdia não é confirmada até ao fim do primeiro milénio: provavelmente, só no século doze assistimos à fixação de uma lista estereotipada de sete obras de misericórdia, as chamadas corporais (seis do capítulo 25 de Mateus, mais a sepultura dos mortos referida no livro de Tobias: «Durante o reinado de Sal­manasar, eu dava muitas es­molas aos meus irmãos, forne­cen­do pão aos esfomeados e vestindo os nus, e se encontrava morto al­guém da mi­nha linhagem, atirado para junto dos muros de Nínive, dava-lhe sepul­tura. Enterrei também aque­­­les que Senaquerib mandara matar, quando regressou, fugindo da Ju­deia, du­rante o tempo do castigo que o rei do céu mandou sobre os que blas­fe­ma­vam. De facto, na sua ira, o rei man­dou matar a muitos. Eu, então, rou­bava os corpos para os sepultar. Depois, quando o rei procurava os corpos, não os conseguia encontrar» [Tobite 1, 16-18]), à qual se somará — com certeza pelo menos a partir de Tomás de Aquino — a lista das sete obras de misericórdia espirituais. Aliás, é bem conhecido o fascínio exercido pelo número sete e pelos septenários sobre o espírito do homem medieval, a ponto de a Idade Média ter celebrado «o triunfo do sete» : «O sete é símbolo de ordem e de totalidade, síntese quase mágica de unidade e de multiplicidade» . Com o septenário, a multiplicidade das obras de misericórdia fica de certo modo sintetizada e dotada de unidade. Ainda na Idade Média, a par do septenário, desenvolve-se um sistema binário pelo qual, por exemplo, aos sete pecados se associam sete virtudes, muitas vezes descritas de modo correspondente e paralelo aos pecados.

© Laboratório da fé, 2014 
Este texto foi elaborado a partir da obra de Luciano Manicardi intitulada «A caridade dá que fazer: Redescobrindo a atualidade das ‘obras de misericórdia’» (páginas 61 a 75) publicada em português pelas edições Paulinas





Laboratório da fé, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 23.10.14 | Sem comentários
Nihil Obstat — blogue de Martín Gelabert Ballester

Segui muito por alto as notícias sobre o Sínodo. E, do pouco que li nas notícias, não gostei. Se não soubesse que se tratava de um acontecimento eclesial, teria pensado que eram notícias sobre uma guerra entre dois partidos diferentes, distantes e opostos. E que se tratava de ganhar a batalha da informação, como se essa batalha fosse decisiva para ganhar a guerra.
Em todas as sociedades há tendências e diferenças. Isso, em princípio, é bom, porque o contraste de pareceres ajuda a encontrar a verdade. E, na Igreja, é disso que se trata: não tanto de saber a opinião de um ou de outro, mas qual é a verdade a propósito das coisas. Ora, a verdade, diga-se o que se disser, vem em última instância do Espírito Santo (algo parecido dizia Tomás de Aquino). Por outro lado, quando determinados temas continuam a aparecer, apesar das resistências de alguns em falar deles, é porque estamos diante de um problema sério que requer melhores soluções do que as encontradas até agora.
Duas chaves teológicas vieram-me à mente quando lia as notícias sobre o Sínodo. Uma, a distinção entre verdade de fé e doutrina da Igreja. A doutrina muda. Nalgumas ocasiões, mudou pouco. Por exemplo, a mudança que aconteceu a propósito de algo tão sério como a necessidade do batismo para a salvação. Que Cristo seja o Salvador de todas e de todos, é uma verdade de fé. Que só seja possível aceder a esta salvação por meio do batismo é uma doutrina que se ensinou, mas que mudou, e mudou para melhor. A outra chave refere-se ao Magistério «vivo» da Igreja. Alguns apelam ao Magistério do passado para desqualificar o atual. Esquecem que ambos se interpretam mutuamente, mas deixando claro que o Magistério ao qual se deve dar atenção é, principalmente, o Magistério «vivo», ou seja, o do presente.
As polémicas não oferecem luz. Pelo contrário, criam maior divisão, ao reforçar as respetivas posições adversas. Contudo, alegro-me ao constatar que, nalguns temas considerados até agora intocáveis, os Padres Sinodais tenham adotado uma atitude muito positiva. Inclusive naqueles poucos números do Boletim oficial nos quais não se alcançou a maioria de dois terços a favor, houve uma maioria clara de mais de metade. Isso significa que é legítimo falar dessas coisas na Igreja. E significa, além disso, que quem opina que, em determinadas condições, as pessoas divorciadas que voltaram a casar, poderiam aceder à comunhão eucarística, não são assim tão poucos nem heréticos. Um católico deveria sentir-se representado pelos participantes no Sínodo. Porque se eles não nos representam, quem é que nos vai representar? Os que mais berram, os mais intransigentes, os mais excludentes?
A terminar. Custa-me entender que 64 Padres tenham votado contra a proposição 55 sobre a atenção pastoral às pessoas com orientação homossexual. É verdade: 118 votaram a favor.

© Martín Gelabert Ballester, OP

© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor



Nihil obstat - www.laboratoriodafe.net
Martín Gelabert Ballester, frade dominicano, nasceu em Manacor (Ilhas Baleares) e reside em Valencia (Espanha). É autor do blogue «Nihil Obstat» (em espanhol), que trata de questões religiosas, teológicas e eclesiais. Pretende ser um espaço de reflexão e diálogo. O autor dedica o seu tempo à pregação e ao ensino da teologia, especialmente antropologia teológica e teologia fundamental. 
Outros artigos publicados no Laboratório da fé


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 22.10.14 | Sem comentários

Reflexão mensal sobre as obras de misericórdia


«Uma unidade profunda entre a fé e a caridade» — este «fruto esperado» para este ano pastoral servirá de mote para uma reflexão mensal sobre as obras de misericórdia. «Está em causa a capacidade de ‘reaprender a gramática elementar da caridade’, cujo fio condutor se encontra na prática das obras de misericórdia» (Programa Pastoral da Arquidiocese de Braga para 2014+15).

  • Em outubro, o tema será «a tradição das obras de misericórdia» tendo por base a obra de Luciano Manicardi, «A caridade dá que fazer: Redescobrindo a atualidade das ‘obras de misericórdia’», publicada em português pelas edições Paulinas. 
Nos meses seguintes, duas obras de misericórdia (uma material e uma espiritual), a saber: 
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 21.10.14 | Sem comentários
Nihil Obstat — blogue de Martín Gelabert Ballester

Uma coisa é o ato de fé e outra as fórmulas com as quais expressamos o conteúdo da fé. A este propósito, São Tomás dizia expressamente que o ato de fé não se dirige aos enunciados (dogmas, catequeses, credos), mas à realidade divina à qual esses enunciados remetem e que expressam de forma muito imperfeita, precisamente porque são fórmulas humanas. Dito de outra forma: nós não acreditamos em dogmas, em fórmulas ou em palavras, mas no Deus revelado em Jesus Cristo que se expressa nessas fórmulas, dogmas ou palavras. Deus é o objeto e meta da nossa fé, Aquele em quem acreditamos e confiamos, Aquele de quem tudo esperamos. Não há nenhuma fórmula, nenhuma pregação, nenhum dogma que possa englobá-lo. Ele é sempre mais do que dizemos e pensamos.
Contudo, não é menos certo que necessitamos dessas palavras, fórmulas e pregações, para dar um conteúdo à nossa fé. Pois a detioração da fé de muitos cristãos começa com a imprecisão dos enunciados sobre Deus e sobre Cristo. Quanto isto acontece, quando não se dispõe de um boa explicação teológica dos conteúdos da fé, esta substitui-se por práticas devocionais e por imagens ou ritos centrados em aspetos secundários que, em determinadas ocasiões, em vez de nos orientar para Deus, afastam-nos dele.
As duas dimensões da fé são importantes: o ato de fé que deve ser eminentemente teologal, isto é, centrado e orientado para o Deus de Jesus Cristo; e uma boa explicação dos conteúdos da fé, que toma como ponto de referência dessas explicações o Jesus que os evangelhos nos dão a conhecer. Se esquecemos o primeiro, a saber, que Deus é o objeto, a meta e o fim da fé e, portanto, que nós acreditamos em Deus e só em Deus, corremos o risco de dar às fórmulas ou aos ritos uma importância desmesurada. E o que é pior, corremos o risco de nos perdermos em discussões sobre as fórmulas e ritos que acabam por desqualificar quem se expressa com matizes ou elementos culturais distintos dos nossos. Corremos o risco de perder a Deus e ficarmos com a fórmula ou o rito.
Se esquecemos o segundo, a saber, que a fé tem um conteúdo e que, de alguma forma, temos que esclarecer, corremos o risco de converter a fé num ato voluntarioso, mas ficarmos com a inteligência vazia. A fé é vida, mas também é luz, verdade e caminho. Por isso, a adesão de fé necessita de se converter em luz e caminho para a vida, bem como na verdade que satisfaça a nossa inteligência. Só assim, quando um dia chegarem as dificuldades, poderemos manter-nos firmes porque temos umas «verdades» às quais nos agarramos, mesmo que na realidade essas verdades sejam um pálido reflexo da Verdade, essa Verdade com maiúscula, a qual todas as verdades com minúscula pretendem expressar, sem nunca o conseguir totalmente.

© Martín Gelabert Ballester, OP

© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor



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Martín Gelabert Ballester, frade dominicano, nasceu em Manacor (Ilhas Baleares) e reside em Valencia (Espanha). É autor do blogue «Nihil Obstat» (em espanhol), que trata de questões religiosas, teológicas e eclesiais. Pretende ser um espaço de reflexão e diálogo. O autor dedica o seu tempo à pregação e ao ensino da teologia, especialmente antropologia teológica e teologia fundamental. 
Outros artigos publicados no Laboratório da fé


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 13.10.14 | Sem comentários

Reflexão semanal sobre Doutrina Social da Igreja


«Viver a fé!» — é o título geral da iniciativa que se vai desenvolver em quarenta e duas reflexões sobre a «fé vivida», no sentido de «aprofundar os conteúdos da Doutrina Social da Igreja». As reflexões, elaboradas a partir do Compêndio da Doutrina Social da Igreja, vão ser publicadas, no «Laboratório da fé», ao ritmo de uma por semana, até finais de julho de dois mil e quinze.


Laboratório da fé, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 5.10.14 | Sem comentários

FELIZ DAQUELA QUE ACREDITOU


Da Carta Encíclica do papa Francisco sobre a fé («Lumen Fidei»), 59: «Podemos dizer que, na Bem-aventurada Virgem Maria, se cumpre aquilo em que insisti, isto é, que o crente se envolve todo na sua confissão de fé. Pelo seu vínculo com Jesus, Maria está intimamente associada com aquilo que acreditamos. Na conceção virginal de Maria, temos um sinal claro da filiação divina de Cristo: a origem eterna de Cristo está no Pai — Ele é o Filho em sentido total e único — e por isso nasce, no tempo, sem intervenção do homem. Sendo Filho, Jesus pode trazer ao mundo um novo início e uma nova luz, a plenitude do amor fiel de Deus que Se entrega aos homens».

Mistérios


  • PRIMEIRO MISTÉRIO
Semana das Vocações. «Eis que um dia, Deus bate à porta de Maria e apresenta-lhe um sonho novo, um projeto novo, diferente. E Maria perturba-se, pois quando Deus entra de verdade na nossa vida, perturba… Deus é sempre surpreendente… Como Maria é grande na sua resposta! Teve a audácia de dizer sim a Deus, e isto na obscuridade, sem ter as respostas ou as seguranças todas. Disse sim e nunca mais voltou atrás! Trocou o seu plano pelo de Deus… E ficámos todos a ganhar!» (Guião para a Semana das Vocações, 2014).

  • SEGUNDO MISTÉRIO
A minha alma glorifica o Senhor. «A visita de Maria à parente Isabel é um acontecimento caracterizado pela alegria expressa mediante as palavras com as quais a Virgem Santa glorifica o Todo-Poderoso pelas maravilhas que Ele realizou, considerando a humildade da sua serva. O ‘Magnificat’ é o cântico de louvor que se eleva da humanidade redimida pela misericórdia divina, eleva-se todo o povo de Deus» (Bento XVI, Conclusão do Mês de Maria, 31 de maio de 2012).

  • TERCEIRO MISTÉRIO
Maria pôs Deus no centro da sua vida. «Maria pôs Deus no centro da própria vida, abandonando-se à sua vontade com confiança, em atitude de docilidade humilde ao seu desígnio de amor. Por causa desta sua pobreza de espírito e humildade de coração, foi escolhida para ser o templo que traz em si o Verbo, o Deus feito homem. Portanto, dela é figura a ‘Filha de Sião’, que o profeta Sofonias convida a alegrar-se, a exultar de júbilo (cf. Sofonias 3, 14)» (Bento XVI, Conclusão do Mês de Maria, 31 de maio de 2012).

  • QUARTO MISTÉRIO
Aprender com a fé de Maria. «Todos devemos aprender sempre da nossa Mãe celeste: a sua fé exorta-nos a olhar para além das aparências e a acreditar firmemente que as dificuldades quotidianas preparam uma primavera que já teve início em Cristo ressuscitado. Do Coração Imaculado de Maria desejamos haurir com confiança renovada, para nos deixarmos contagiar pela sua alegria, que encontra a nascente mais profunda no Senhor» (Bento XVI, Conclusão do Mês de Maria, 31 de maio de 2012).

  • QUINTO MISTÉRIO
A alegria é o distintivo do cristão. «A alegria, fruto do Espírito Santo, é o distintivo fundamental do cristão: ela funda-se na esperança de Deus, tira força da oração incessante e permite enfrentar as tribulações com tranquilidade. São Paulo recorda-nos: ‘Sede alegres na esperança, pacientes na tribulação e perseverantes na oração’ (Romanos 12, 12). Estas palavras do apóstolo são como que um eco ao ‘Magnificat’ de Maria e exortam-nos a reproduzir em nós mesmos, na vida de todos os dias, os sentimentos de alegria na fé, próprios do cântico mariano» (Bento XVI, Conclusão do Mês de Maria, 31 de maio de 2012).

© Laboratório da fé, 2014

Maio 2014 — Mês de Maria: Feliz daquela que acreditou | 5 — pdf

  • ORAÇÃO PARA TODOS OS DIAS > > >
  • TEMA GERAL PARA O MÊS DE MARIA 2014 > > >

Feliz daquela que acreditou

Postado por Unknown | 5.5.14 | Sem comentários

FELIZ DAQUELA QUE ACREDITOU


Da Carta Encíclica do papa Francisco sobre a fé («Lumen Fidei»), 60:
A Maria, Mãe da Igreja e Mãe da nossa fé, nos dirigimos, rezando-lhe:

Ajuda, ó Mãe, a nossa fé.

Abre o nosso ouvido à Palavra,
para reconhecermos a voz de Deus
e o seu chamamento.

Desperta em nós
o desejo de seguir os seus passos,
saindo da nossa terra
e acolhendo a sua promessa.

Ajuda-nos a deixar-nos tocar
pelo seu amor,
para podermos tocá-Lo com a fé.

Ajuda-nos a confiar-nos plenamente a Ele,
a crer no seu amor,
sobretudo nos momentos
de tribulação e cruz,
quando a nossa fé
é chamada a amadurecer.

Semeia, na nossa fé,
a alegria do Ressuscitado.
Recorda-nos que quem crê
nunca está sozinho.

Ensina-nos a ver com os olhos de Jesus,
para que Ele seja luz no nosso caminho.

E que esta luz da fé
cresça sempre em nós
até chegar aquele dia sem ocaso
que é o próprio Cristo,
teu Filho, nosso Senhor.
Amen.

© Adaptação de Laboratório da fé, 2014

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Feliz daquela que acreditou
Postado por Unknown | 1.5.14 | Sem comentários

FELIZ DAQUELA QUE ACREDITOU


O mês de Maio, popularmente designado como «Mês de Maria», desafia-nos a entrar na «casa» de Maria para aprender dela o caminho da fé. É oportunidade para contemplar a luz que ilumina a vida de Maria, para que a nossa vida seja também envolvida por essa luz intensa. Neste caminho, um ponto inicial acontece aquando da visita do mensageiro de Deus. É a Anunciação do Anjo, o anúncio da Boa Nova que vem salvar o seu povo, ao qual se segue o «sim» humilde de Maria que acolhe a promessa. Nela, Deus vem habitar na casa da Humanidade. Nela, o Verbo faz-se carne. Nela, a Palavra de Deus é «luz para os homens». Humilde, simples, pobre, sem orgulho nem vaidade, Maria deixa-se penetrar pelo amor do seu Deus.

Maio, Mês de Maria: feliz daquela que acreditou!

A reflexão do papa Francisco sobre a fé termina com uma referência a Maria, «ícone perfeito da fé, como dirá Santa Isabel: ‘Feliz de ti que acreditaste’ (Lucas 1, 45)» (Francisco, Carta Encíclica sobre a fé — «A luz da fé» — LF], 58). Isabel proclama a felicidade de Maria associada à sua fé, ao seu acreditar. Este é outro ponto fundamental para compreender a figura de Maria. Ela foi «a primeira que acreditou e esperou em Cristo, a primeira que O seguiu desde sua vinda ao mundo até sua morte-ressurreição: uma prioridade que não é meramente temporal, mas qualitativamente supre­ma. A existência cristã ficou insuperavelmente configurada em Maria, em sua adesão pessoal a Cristo e na participação em sua missão salvadora: em síntese, em sua entrega a Cristo e com Ele aos homens. Assim aparece a conexão entre o sentido que Maria deu à sua vida e o sentido que cada cristão é chamado a dar à sua própria vida: a resposta permanente e sempre nova a Cristo na fé-esperança-amor, na entrega a Cristo e aos homens» (Juan Alfaro, «Maria, A bem-aventurada porque acreditou», Edições Loyola, S. Paulo 1986, 6). Por isso, o Papa afirma que em Maria se cumpre o que foi refletido sobre a fé: «que o crente se envolve todo na sua confissão de fé. Pelo seu vínculo com Jesus, Maria está intimamente associada com aquilo que acreditamos» (LF 59). Em tempo de Páscoa, «envolvido numa luz intensa», o cristão aprende com Maria a acompanhar Jesus Cristo, antes e depois da Ressurreição, como confirmam os Atos dos Apóstolos (capítulo 1, versículo 14): «E todos unidos pelo mesmo sentimento, entregavam-se assiduamente à oração, com algumas mulheres, entre as quais Maria, mãe de Jesus». A felicidade de Maria no seu acreditar é um testemunho para todos os cristãos, quer da Igreja nascente, quer da Igreja do terceiro milénio. Por isso, «se a fé é sinónimo de ‘estar com Jesus’, Maria ensina-nos esta arte, desde que cada um encontre um tempo próprio, para que, livre de preocupações, saboreie a graça deste encontro, aprofundando o sentido da vida e restituindo esperança a quem se sente perplexo» (Dom Jorge Ortiga, Arcebispo de Braga). Por fim, a Visitação de Maria à sua prima Isabel (festa litúrgica que se celebra no último dia do mês: 31 de maio) recorda que «Maria sai da sua casa natal, inicia a sua viagem, metáfora de todas as viagens da alma e da própria vida. Quando abres a tua vida a Deus, então nunca mais deves ter moradas. A dinâmica da existência processa-se do interior para o exterior, da própria casa para o espaço do mundo, do eu para o espaço dos afetos e das relações» (Ermes Ronchi, «As casas de Maria. Polifonia da existência e dos afetos», ed Paulinas, Prior Velho 2009, 25).

Laboratório da Fé celebrada

«Continuamos o encargo de ‘redescobrir a Identidade Cristã’ num compromisso de mergulhar numa compreensão mais consciente da fé. Ela é dom de Deus a acolher e compreender. Compreender através da reflexão e acolher mediante momentos de intimidade com Deus por Jesus Cristo e no Espírito Santo. Como peregrinos e membros dum Povo, necessitamos de olhar para referências e aproveitar os momentos favoráveis. […] Embora a devoção seja já antiga, o mês de Maio, particularmente, tornou-se um tempo carregado duma densidade mariana que não pode ser esquecida. […] Saibamos aproveitar este tempo e peçamos a Maria que nos coloque na dinâmica dos ‘eixos’ apontados pelo nosso Programa Pastoral: Domingo, Oração, sacramentos, Ministérios, Ano litúrgico e Religiosidade Popular. Tudo são itinerários para um encontro com Cristo presente na comunidade, pois ‘onde dois ou três estão reunidos no meu nome, Eu estarei no meio deles’ (Mateus 18, 20)» (Dom Jorge Ortiga).

© Laboratório da fé, 2014

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Feliz daquela que acreditou
Postado por Unknown | 1.5.14 | Sem comentários

MANUAL BÁSICO DE ASTRONOMIA


O Natal é um tempo estranho: olhamos uns para os outros com menos indiferença e, juntos, sentimo-nos impelidos a partilhar a alegria, mesmo sob as incertezas da crise. A luz vacilante de uma estrela perdida na imensidade do céu é capaz de guiar a sabedoria dos três magos. O Deus da pobreza incarna na simplicidade de uma manjedoura, enquanto o deus da riqueza, aquele que pretendemos adorar com a mesma devoção, materializa-se nas ruas comerciais, debaixo da fria luz dos escaparates. Tal como fazemos hoje com tantas famílias de deslocados e desfavorecidos, naqueles dias decidimos fechar a nossa porta à família de Belém. Agora, concedemos-lhe apenas um lugar simbólico entre os bonequinhos de plástico e as refeições exageradas, no conforto suave do aquecimento das nossas casas.
Viver o Natal não requer preparativos supérfluos. É, sobretudo, uma disposição interior: significa estar especialmente atentos aos sinais de esperança que existem nos acontecimentos e nas coisas que nos rodeiam, a qualquer raio de luz que possa iluminar as nossas trevas pessoais. A partir da escuridão da nossa vida, como os Magos do Oriente, também nós somos convidados a seguir a estrela. Não é fácil. Requerem-se qualidades de astrónomo, mas vale a pena tentá-lo. Aqui vão algumas pistas.
Em primeiro lugar: é preciso sentir a nossa própria escuridão e reconhecê-la. Só quem se sabe necessitado da luz de Deus pode colocar-se no caminho da procura. Quem pensa que já a tem dentro de si como num cofre fechado à chave não precisa de Deus; basta-se a si mesmo. Assim, para começar faz falta ter consigo um saudável desejo de ir à procura.
Segundo: procuremos ver mais além. Há tantos que pensam que a lamparina da sua casa é a estrela que procuram. Infelizmente, perdem a vastidão eterna que separa as galáxias. Se queremos encontrar a estrela, procuremos ver mais além de nós mesmos, mais além do nosso umbigo, mais além da nossa janela, mais além dos nossos preconceitos. 
Terceiro: sejamos mais otimistas. Há quem nunca procure, porque parte sempre da convicção desanimada de que não vai encontrar nada de novo. Não sejas incrédulo, toma o olho do telescópio e observa a noite dos astros. Procura especialmente próximo dos sem-sentido e das desolações, porque são lugares pródigos em estrelas. Só um bom astrónomo conhece o tamanho enorme de uma estrela, embora não pareça mais do que um ponto vacilante no meio da noite. «Grande» e «pequeno» são termos muito relativos. Não há nada grande para o universo, não há nada pequeno para Deus.
Quarto: sejamos perseverantes. Quando encontrares a tua estrela, segue-a sem hesitações. O caminho pode durar muitos anos ou até a maior parte da tua vida. Às vezes, poderá parecer uma travessia inútil, porque haverá noites de nevoeiro; ou porque, a cada passo que damos na procura, a estrela parecerá afastar-se outro tanto de nós e, embora desejemos a sua luz, parecer-nos-á cada vez mais longe. Mas se aprendemos a olhar o horizonte duma estrela, poderemos atravessar com esperança até o deserto mais inóspito. É para isso que servem as estrelas: para nos animar na caminhada.
E quinto: logo que a tua estrela te mostre o caminho, aprende, como os Magos, a deixar-te tocar pelo mistério, a adorar em silêncio e a reconhecer que há enigmas tão grandes que silenciam a alma. Quando isto acontecer, não digas nada. Apenas contempla em silêncio. E depois oferece, como os Magos, o melhor do que honestamente guardas no teu coração.

© Juan V. Fernández de la Gala — eclesalia
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014

Preparar o domingo da Sagrada Família (Ano A), no Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 7.1.14 | 3 comentários

A porta da fé [14]


Estamos a menos de duas semanas de concluir o Ano da Fé, que se iniciou em outubro de 2012 e terminará em novembro de 2013. Semanalmente, apresentamos um número da Carta Apostólica do papa Bento XVI com a qual proclamou o Ano da Fé — «A porta da fé» («Porta Fidei»). E juntamos uma proposta de reflexão elaborada por Pedro Jaramillo. O objetivo é dar um contributo para uma avaliação mais cuidada sobre a forma como estamos a viver o Ano da Fé. Bom proveito!

O Ano da Fé será uma ocasião propícia também para intensificar o testemunho da caridade. Recorda São Paulo: «Agora permanecem estas três coisas: a fé, a esperança e a caridade; mas a maior de todas é a caridade» (1Coríntios 13, 13). Com palavras ainda mais incisivas – que não cessam de empenhar os cristãos –, afirmava o apóstolo Tiago: «De que aproveita, irmãos, que alguém diga que tem fé, se não tiver obras de fé? Acaso essa fé poderá salvá-lo? Se um irmão ou uma irmã estiverem nus e precisarem de alimento quotidiano, e um de vós lhes disser: “Ide em paz, tratai de vos aquecer e de matar a fome”, mas não lhes dais o que é necessário ao corpo, de que lhes aproveitará? Assim também a fé: se ela não tiver obras, está completamente morta. Mais ainda! Poderá alguém alegar sensatamente: “Tu tens a fé, e eu tenho as obras; mostra-me então a tua fé sem obras, que eu, pelas minhas obras, te mostrarei a minha fé”» (Tiago 2, 14-18).
A fé sem a caridade não dá fruto, e a caridade sem a fé seria um sentimento constantemente à mercê da dúvida. Fé e caridade reclamam-se mutuamente, de tal modo que uma consente à outra realizar o seu caminho. De facto, não poucos cristãos dedicam amorosamente a sua vida a quem vive sozinho, marginalizado ou excluído, considerando-o como o primeiro a quem atender e o mais importante a socorrer, porque é precisamente nele que se espelha o próprio rosto de Cristo. Em virtude da fé, podemos reconhecer naqueles que pedem o nosso amor o rosto do Senhor ressuscitado. «Sempre que fizestes isto a um dos meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes» (Mateus 25, 40): estas palavras de Jesus são uma advertência que não se deve esquecer e um convite perene a devolvermos aquele amor com que Ele cuida de nós. É a fé que permite reconhecer Cristo, e é o seu próprio amor que impele a socorrê-Lo sempre que Se faz próximo nosso no caminho da vida. Sustentados pela fé, olhamos com esperança o nosso serviço no mundo, aguardando «novos céus e uma nova terra, onde habite a justiça» (2Pedro 3, 13; cf. Apocalipse 21, 1).

A porta da fé [Carta Apostólica para o Ano da Fé - «Porta Fidei»]

  • A porta da fé — números publicados no Laboratório da fé > > >



Aspetos que se podem sublinhar

  • O Ano da Fé é inseparável da intensificação do testemunho da caridade.
  • Ler os seguintes textos bíblicos: 1Coríntios 13 (hino da caridade); Tiago 2, 14-18.
  • A fé sem a caridade não dá fruto; a caridade sem a fé reduz-se a um simples humanismo (válido, em si mesmo, mas insuficiente para um cristão). A fé e o amor necessitam-se mutuamente. 
  • Há muitos cristãos que se dedicam com amor aos mais pobres e necessitados... Os pobres e os mais necessitados são, para nós, «rosto de Cristo». (Ler o texto bíblico de Mateus 25, 31-46). Disse João Paulo II: «Esta página não é um mero convite à caridade, mas uma página de cristologia que projeta um feixe de luz sobre o mistério de Cristo. Nesta página, não menos do que o faz com a vertente da ortodoxia, a Igreja mede a sua fidelidade de Esposa de Cristo» (Carta Apostólica no termo do Grande Jubileu — «Novo Millennio Ineunte», 49).
  • A partir da fé, olhamos com esperança para o nosso compromisso no mundo. Uma esperança «ativa». Não esperamos que «Deus transforme o mundo». Temos consciência de que «nos dá força para o transformarmos», fazendo dele «os novos céus e a nova terra, onde habite a justiça» (2Pedro 3, 13).

Interiorizando

  • Examino se tenho propensão para separar a fé da caridade. Estaria a deixar-me instalar na incoerência entre a fé e a vida. É uma tentação muito frequente e, muitas vezes, caímos nela. Essa incoerência converte-se, às vezes, em desprestígio da própria fé.

  • Tiro conclusões concretas para a minha vivência da fé a partir da leitura do Hino da Caridade (1Coríntios 13) e do texto de Tiago 2, 14-18. Posso encontrar outros textos na Primeira Carta de João.

  • Examino se a minha fé concreta é uma verdadeira fonte de entrega aos mais pobres e necessitados. Se acredito em Deus Pai, acredito que todos somos irmãos; reconheço que não vivemos como irmãos e proponho-me a caminhar no sentido de uma fraternidade próxima e comprometida com todos.

  • Examino a minha relação com Jesus, através da minha relação concreta com os necessitados, a partir da leitura serena de Mateus 25, 31-46.

  • A segurança nas promessas de Deus criam em mim passividade, à espera que seja Deus a fazer tudo? Entrego-me a uma esperança ativa? A esperança cristã é uma força para o compromisso; não é o pretexto para cruzar os braços, porque, como «tenho muita fé», Deus vai fazer tudo por mim.

© Pedro Jaramillo
© Tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013

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Bento XVI, Carta Apostólica «A porta da fé»
Postado por Unknown | 14.11.13 | Sem comentários

A porta da fé [13]


Estamos a três semanas de concluir o Ano da Fé, que se iniciou em outubro de 2012 e terminará em novembro de 2013. Semanalmente, apresentamos um número da Carta Apostólica do papa Bento XVI com a qual proclamou o Ano da Fé — «A porta da fé» («Porta Fidei»). E juntamos uma proposta de reflexão elaborada por Pedro Jaramillo. O objetivo é dar um contributo para uma avaliação mais cuidada sobre a forma como estamos a viver o Ano da Fé. Bom proveito!

Será decisivo repassar, durante este Ano, a história da nossa fé, que faz ver o mistério insondável da santidade entrelaçada com o pecado. Enquanto a primeira põe em evidência a grande contribuição que homens e mulheres prestaram para o crescimento e o progresso da comunidade com o testemunho da sua vida, o segundo deve provocar em todos uma sincera e contínua obra de conversão para experimentar a misericórdia do Pai, que vem ao encontro de todos.
Ao longo deste tempo, manteremos o olhar fixo sobre Jesus Cristo, «autor e consumador da fé» (Hebreus 12, 2): n’Ele encontra plena realização toda a ânsia e desejo do coração humano. A alegria do amor, a resposta ao drama da tribulação e do sofrimento, a força do perdão face à ofensa recebida e a vitória da vida sobre o vazio da morte, tudo isto encontra plena realização no mistério da sua Encarnação, do seu fazer-Se homem, do partilhar connosco a fragilidade humana para a transformar com a força da sua ressurreição. N’Ele, morto e ressuscitado para a nossa salvação, encontram plena luz os exemplos de fé que marcaram estes dois mil anos da nossa história de salvação.
Pela fé, Maria acolheu a palavra do Anjo e acreditou no anúncio de que seria Mãe de Deus na obediência da sua dedicação (cf. Lucas 1, 38). Ao visitar Isabel, elevou o seu cântico de louvor ao Altíssimo pelas maravilhas que realizava em quantos a Ele se confiavam (cf. Lucas 1, 46-55). Com alegria e trepidação, deu à luz o seu Filho unigénito, mantendo intacta a sua virgindade (cf. Lucas 2, 6-7). Confiando em José, seu Esposo, levou Jesus para o Egipto a fim de O salvar da perseguição de Herodes (cf. Mateus 2, 13-15). Com a mesma fé, seguiu o Senhor na sua pregação e permaneceu a seu lado mesmo no Gólgota (cf. João 19, 25-27). Com fé, Maria saboreou os frutos da ressurreição de Jesus e, conservando no coração a memória de tudo (cf. Lucas 2, 19.51), transmitiu-a aos Doze reunidos com Ela no Cenáculo para receberem o Espírito Santo (cf. Atos 1, 14; 2, 1-4).
Pela fé, os Apóstolos deixaram tudo para seguir o Mestre (cf. Marcos 10, 28). Acreditaram nas palavras com que Ele anunciava o Reino de Deus presente e realizado na sua Pessoa (cf. Lucas 11, 20). Viveram em comunhão de vida com Jesus, que os instruía com a sua doutrina, deixando-lhes uma nova regra de vida pela qual haveriam de ser reconhecidos como seus discípulos depois da morte d’Ele (cf. João 13, 34-35). Pela fé, foram pelo mundo inteiro, obedecendo ao mandato de levar o Evangelho a toda a criatura (cf. Marcos 16, 15) e, sem temor algum, anunciaram a todos a alegria da ressurreição, de que foram fiéis testemunhas.
Pela fé, os discípulos formaram a primeira comunidade reunida à volta do ensino dos Apóstolos, na oração, na celebração da Eucaristia, pondo em comum aquilo que possuíam para acudir às necessidades dos irmãos (cf. Atos 2, 42-47).
Pela fé, os mártires deram a sua vida para testemunhar a verdade do Evangelho que os transformara, tornando-os capazes de chegar até ao dom maior do amor com o perdão dos seus próprios perseguidores.
Pela fé, homens e mulheres consagraram a sua vida a Cristo, deixando tudo para viver em simplicidade evangélica a obediência, a pobreza e a castidade, sinais concretos de quem aguarda o Senhor, que não tarda a vir. Pela fé, muitos cristãos se fizeram promotores de uma ação em prol da justiça, para tornar palpável a palavra do Senhor, que veio anunciar a libertação da opressão e um ano de graça para todos (cf. Lucas 4, 18-19).
Pela fé, no decurso dos séculos, homens e mulheres de todas as idades, cujo nome está escrito no Livro da vida (cf. Apocalipse 7, 9; 13, 8), confessaram a beleza de seguir o Senhor Jesus nos lugares onde eram chamados a dar testemunho do seu ser cristão: na família, na profissão, na vida pública, no exercício dos carismas e ministérios a que foram chamados.
Pela fé, vivemos também nós, reconhecendo o Senhor Jesus vivo e presente na nossa vida e na história.

A porta da fé [Carta Apostólica para o Ano da Fé - «Porta Fidei»]

  • A porta da fé — números publicados no Laboratório da fé > > >



Aspetos que se podem sublinhar

  • Percorrer a história da nossa fé. Nela, entrecruzam-se a santidad e o pecado. A santidade estimula o compromisso de vida. Diante do pecado, temos de ter um sincero ato de conversão.
  • O olhar volta-se para Jesus Cristo, «autor e consumador da fé»: n'Ele encontra cumprimento todo o anseio do coração humano. Ele partilhou a nossa debilidade (Incarnação). E essa debilidade foi glorificada (Ressurreição).
  • A partir de Jesus Cristo são iluminados plenamente os exemplos de fé: — a fé de Maria, em todos os momentos do seu acompanhamento de Jesus e do nascimento da Igreja; — dos Apóstolos, chamados, seguidores, testemunhas, missionário; — dos Discípulos, construtores das primeiras comunidades cristãs, dando testemunho do amor e da comunhão de bens; — dos Mártires, testemunhas privilegiadas da verdade do Evangelho; — dos Consagrados(as), pela radicalidade da entrega; — de muitos cristãos comprometidos na promoção da justiça, levando a Palavra à vida, tornando-se, em Jesus, libertação para os oprimidos; — da multidão de homens e mulheres, com o testemunho da sua vida na família, na profissão, na vida pública e no desempenho dos carismas e ministérios que lhes foram confiados...
  • Nós: também vivemos pela fé, reconhecemos Jesus presente na nossa vida e na história. Somos, por graça, um elo dessa formosa cadeia de transmissão.

Interiorizando

  • Penso na minha diocese, na minha paróquia, no meu movimento, na minha comunidade, na minha associação... com o realismo de quem sabe descobrir a graça e o pecado. Agradecemos ao Senhor todo o bem e pedimos-lhe que nos ajude a «converter-nos» do mal, do pecado, que também penetra no coração das nossas instituições. Fazemos uma sã e cristã avaliação.

  • Repassamos a história da fé e sentimos um forte estímulo para continuar nas nossas vidas concretas a história das testemunhas. Temos e tivemos muitas; muitas delas chegaram ao martírio. Estimulam-nos a ser continuadores da fé que moveu as suas vidas.

  • Consideramos a importância que tem ser um elo dessa cadeia de testemunhas da fé. Importância e responsabilidade. Não podemos interromper, com a nossa preguiça ou falta de compromisso, a corrente da fé que é chamada sempre a crescer. Entristecemo-nos quando essa corrente, pela nossa falta de entusiasmo crente, se vai convertendo tantas vezes num fiozinho de água, que não rega nem fecunda a nossa história, ficando apenas no interior dos nossos templos.

© Pedro Jaramillo
© Tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013

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Bento XVI, Carta Apostólica «A porta da fé»
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 7.11.13 | Sem comentários

NÃO PODEMOS VIVER SEM O DOMINGO!


«Valorizar o domingo como centro de todo o ano litúrgico» — é o primeiro objetivo apresentado no programa pastoral (2013+14) da Arquidiocese de Braga. Com o intuito de «valorizar» o domingo, acompanhando os tempos litúrgicos, propomos um tema a partir da releitura da Carta Apostólica sobre a santificação do domingo — «O dia do Senhor» («Dies Domini»). Este itinerário tem como tema geral: «Não podemos viver sem o domingo!».

Domingo, DIA DA FÉ

Texto de reflexão para o trigésimo primeiro domingo

    4. [...] Infelizmente, quando o domingo perde o significado original e se reduz a puro «fim de semana», pode acontecer que o ser humano permaneça cerrado num horizonte tão restrito, que não mais lhe permite ver o «céu». Então, mesmo bem trajado, torna-se intimamente incapaz de «festejar». Aos discípulos de Cristo, contudo, é-lhes pedido que não confundam a celebração do domingo, que deve ser uma verdadeira santificação do dia Senhor, com o «fim de semana» entendido fundamentalmente como tempo de mero repouso ou de diversão. Urge uma autêntica maturidade espiritual, que ajude os cristãos a «serem eles próprios», plenamente coerentes com o dom da fé, sempre prontos a mostrar a esperança neles depositada. Isto implica também uma compreensão mais profunda do domingo, para poder vivê-lo, inclusivamente em situações difíceis, com plena docilidade ao Espírito Santo.
    5. [...] Talvez pela falta de fortes motivações de fé, regista-se uma percentagem significativamente baixa de participantes na liturgia dominical. Na consciência de muitos fiéis parece enfraquecer não só o sentido da centralidade da Eucaristia, mas até mesmo o sentido do dever de dar graças ao Senhor, rezando-Lhe unido com os demais no seio da comunidade eclesial.



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    Laboratório da fé celebrada, 2013
    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 1.11.13 | Sem comentários

    NÃO PODEMOS VIVER SEM O DOMINGO!


    «Valorizar o domingo como centro de todo o ano litúrgico» — é o primeiro objetivo apresentado no programa pastoral (2013+14) da Arquidiocese de Braga. Com o intuito de «valorizar» o domingo, acompanhando os tempos litúrgicos, propomos um tema a partir da releitura da Carta Apostólica sobre a santificação do domingo — «O dia do Senhor» («Dies Domini»). Este itinerário tem como tema geral: «Não podemos viver sem o domingo!».

    Domingo, DIA DA FÉ

    Texto de reflexão para o trigésimo domingo

      4. Ninguém desconhece que, num passado relativamente recente, a «santificação» do domingo era facilitada, nos países de tradição cristã, por uma ampla participação popular e, inclusive, pela organização da sociedade civil, que previa o descanso dominical como ponto indiscutível na legislação relativa às várias atividades laborativas. Hoje, porém, mesmo nos países onde as leis sancionam o caráter festivo deste dia, a evolução das condições sócio-económicas acabou por modificar profundamente os comportamentos coletivos e, consequentemente, a fisionomia do domingo. Impôs-se amplamente o costume do «fim de semana», entendido como momento semanal de distensão, transcorrido, talvez, longe da morada habitual e caracterizado, com frequência, pela participação em atividades culturais, políticas e desportivas, cuja realização coincide precisamente com os dias festivos. Trata-se de um fenómeno social e cultural que não deixa, por certo, de ter elementos positivos, na medida em que pode contribuir, no respeito de valores autênticos, para o desenvolvimento humano e o progresso no conjunto da vida social. Isto é devido, não só à necessidade do descanso, mas também à exigência de «festejar» que está dentro do ser humano.



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      Laboratório da fé celebrada, 2013
      Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 25.10.13 | Sem comentários

      NÃO PODEMOS VIVER SEM O DOMINGO!


      «Valorizar o domingo como centro de todo o ano litúrgico» — é o primeiro objetivo apresentado no programa pastoral (2013+14) da Arquidiocese de Braga. Com o intuito de «valorizar» o domingo, acompanhando os tempos litúrgicos, propomos um tema a partir da releitura da Carta Apostólica sobre a santificação do domingo — «O dia do Senhor» («Dies Domini»). Este itinerário tem como tema geral: «Não podemos viver sem o domingo!».

      Domingo, DIA DA FÉ

      Texto de reflexão para o vigésimo nono domingo

        30. [...] Um autor oriental, do início do século III, conta que em toda a região os crentes, já então, santificavam regularmente o domingo. A prática espontânea tornou-se norma sancionada juridicamente: o dia do Senhor ritmou a história da Igreja. Como se poderia pensar que deixe de marcar o seu futuro? Os problemas que, no nosso tempo, podem tornar mais difícil a prática do dever dominical, não deixam de sensibilizar a Igreja permanecendo maternalmente atenta às condições de cada um dos seus filhos. De modo particular, sente-se chamada a um novo esforço catequético e pastoral, para que nenhum deles, nas condições normais de vida, fique privado do abundante fluxo de graças que a celebração do dia do Senhor traz consigo. Dentro do mesmo espírito, tomando posição acerca de hipóteses de reforma do calendário eclesial em concomitância com variações dos sistemas do calendário civil, o II Concílio Ecuménico do Vaticano declarou que a Igreja «só não se opõe àqueles que conservem a semana de sete dias, e com o respetivo domingo». No limiar do terceiro Milénio, a celebração do domingo cristão, pelos significados que evoca e as dimensões que implica, relativamente aos fundamentos mesmos da fé, permanece um elemento qualificante da identidade cristã.



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        Laboratório da fé celebrada, 2013
        Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 18.10.13 | Sem comentários
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