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Mistério da fé! [42]


A segunda parte do Catecismo da Igreja Católica [CIC] — intitulada «A celebração do mistério cristão» — termina com um artigo dedicado às «exéquias cristãs»: «O dia da morte inaugura para o cristão, no termo da sua vida sacramental, a consumação do seu novo nascimento começado no Batismo, o definitivo ‘assemelhar-se à imagem do Filho’, conferido pela unção do Espírito Santo e pela participação no banquete do Reino, antecipada na Eucaristia, ainda que algumas derradeiras purificações lhe sejam ainda necessárias, para poder vestir o traje nupcial» (CIC 1682). [Para ajudar a compreender melhor, ler: 2Macabeus 12, 43-46; Catecismo da Igreja Católica, números 1680 a 1690]

«Se não esperasse que os mortos ressuscitariam,

teria sido vão e supérfluo rezar por eles»

— refere o Segundo Livro dos Macabeus ao narrar a decisão de Judas Macabeu em promover um momento de oração pelos defuntos. «Este texto é a única passagem do Antigo Testamento a valorizar a oração pelos fiéis defuntos» (Bíblia Sagrada, Nota aos versículos 42 a 44 do capítulo 12 do Segundo Livro dos Macabeus, Difusora Bíblica, 781). De acordo com o relato, a oração pelos mortos «é sustentada e tornada possível pela fé na ressurreição e torna-se um dever da comunidade crente, que também vive deste modo a sua solidariedade para com os irmãos defuntos» (Luciano Manicardi, «A caridade dá que fazer», ed. Paulinas, Prior Velho 2011, 213). Além disso, a Igreja desde sempre assinalou que a «união» entre os cristãos não é quebrada pela morte: «de modo nenhum se interrompe a união dos que ainda caminham sobre a terra com os irmãos que adormeceram na paz de Cristo, mas antes, segundo a constante fé da Igreja, é reforçada pela comunicação dos bens espirituais» (Constituição Dogmática sobre a Igreja — «Lumen Gentium», 49).

Exéquias

«Do latim, ‘ex-sequi’, ‘ex-sequiæ’ (seguir, acompanhar), as exéquias são a série de ritos e orações com que a comunidade cristã acompanha os seus defuntos e os encomenda à bondade de Deus» (José Aldazábal, «Dicionário Elementar de Liturgia» [DEL], ed. Paulinas, Prior Velho, 2007, 116). Não sendo em si mesmas um sacramento, «as exéquias cristãs são uma celebração litúrgica da Igreja» (CIC 1684). Apresentada pelos cristãos como uma obra de misericórdia — sepultar os mortos —, a verdade é que não se trata de uma prática exclusiva dos cristãos. «Em todos os povos e culturas se cuidou sempre, com ritos variados e expressivos, do acompanhamento dos que falecem, e, depois, da sua recordação e veneração. Os cristãos, ao princípio, imitaram os usos dos judeus e dos vários povos. A primeira notícia temo-la à volta do protomártir Estêvão: ‘homens piedosos sepultaram Estêvão e fizeram por ele grandes lamentações’ (Atos 8, 2). Mas a novidade era a esperança pascal, desde que Jesus Cristo iluminou o mistério da morte com a sua própria experiência: ‘não vos [contristeis] como os outros, que não têm esperança. Se acreditamos que Jesus morreu e ressuscitou, do mesmo modo, Deus levará com Jesus os que em Jesus tiverem morrido’ (1Tessalonicenses 4,13-14). Na Idade Média, sublinhou-se, no conjunto das exéquias, o aspeto mais lúgubre e trágico [...], pondo ênfase ao mesmo tempo na intercessão pelos defuntos. O II Concílio do Vaticano determinou, explicitamente: ‘O rito das exéquias exprima mais claramente o sentido pascal da morte cristã e corresponda melhor, também na cor litúrgica, às condições e às tradições de cada região’ (Constituição Conciliar sobre a Sagrada Liturgia — «Sacrosanctum Concilium», 81). No ano de 1969, promulgou-se o novo ‘Ordo Exsequiarum’ [Ritual da Celebração das Exéquias]. A forma primeira, a típica, contém três ‘estações’: em casa do defunto, na igreja e no cemitério, com as procissões ou trasladações intermédias (da casa para a igreja e da igreja para o cemitério). A segunda forma considera só duas ‘estações’: na casa mortuária e na igreja, realizando-se a despedida na própria igreja. E a terceira forma é quando se celebra tudo na igreja, pela dificuldade das trasladações processionais, da casa para a igreja ou desta para o cemitério. Então, faz-se um acolhimento breve no átrio da igreja e, aí mesmo, a despedida, no final da celebração» (DEL 116-117). A última versão do Ritual, datada do ano de 2005, introduziu a possibilidade de realizar a celebração das exéquias antes ou depois da cremação do cadáver.

«As exéquias cristãs são um serviço da comunidade aos seus mortos. Elas assimilam de um modo pascal a tristeza dos que ficaram para trás. No fundo, morremos em Cristo, para com Ele celebrarmos a festa da ressurreição» (Catecismo Jovem da Igreja Católica [YOUCAT], 278).






Reflexões semanais sobre a «fé celebrada» (liturgia e Sacramentos) — Laboratório da fé, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 31.7.14 | Sem comentários

Mistério da fé! [41]


«A santa mãe Igreja instituiu também os sacramentais. Estes são, à imitação dos sacramentos, sinais sagrados que significam realidades, sobretudo de ordem espiritual, e se obtêm pela oração da Igreja. Por meio deles dispõem-se os homens para a receção do principal efeito dos sacramentos e santificam-se as várias circunstâncias da vida» (Constituição Conciliar sobre a Sagrada Liturgia — «Sacrosanctum Concilium», 60). [Para ajudar a compreender melhor, ler: Números 6, 22-27; Catecismo da Igreja Católica, números 1667 a 1679]

«O Senhor te abençoe»

— começa por dizer a bênção que, segundo o livro dos Números, os sacerdotes de Israel — Aarão e os seus filhos —, por indicação do próprio Deus ao seu servo Moisés, hão de pronunciar sobre o povo de Israel. Esta bênção tem como finalidade produzir um bem-estar, que é obra divina e que terá efeito através da invocação do nome de Deus.

Sacramentais

«A Igreja comunica a graça e a salvação de Deus por meio de muitos sinais e celebrações, alguns dos quais se chamam, em sentido estrito, Sacramentos, e são sete, desde que, por volta do século XII – sobretudo a partir de Pedro Lombardo – se concretizou esta identificação e este número septenário. [...] Os sacramentais são sinais sagrados, à maneira dos sacramentos, mas que não provêm da instituição de Cristo. Criou-os a própria Igreja para que preparem, acompanhem e prolonguem a ação dos sacramentos. Recebem a sua identidade e a sua força da fé da Igreja celebrante, e também da fé dos cristãos que os pedem e participam neles. Também por meio destes sacramentais o Mistério Pascal de Cristo, fonte de toda a graça e salvação, ilumina e fecunda as diversas circunstâncias da vida do cristão. [...] ‘Assim, a liturgia dos Sacramentos e Sacramentais faz com que, para os fiéis que têm boas disposições, todos os acontecimentos da vida sejam santificados pela graça que provém do Mistério Pascal da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo, do qual todos os Sacramentos e Sacramentais recebem o seu poder [santificador]; e assim o uso honesto das coisas materiais pode ser proveitoso para a santificação do ser humano e louvor de Deus’. Algumas destas ações eclesiais, muito semelhantes aos Sacramentos, têm importância notória, como a Dedicação da Igreja e do Altar, as exéquias, a coroação das imagens sagradas, a exposição e bênção do Santíssimo, a Profissão religiosa e a consagração das virgens. Alguns destes sacramentais afetam toda a Igreja local e, portanto, estão reservados ao Bispo, tal como a bênção das igrejas e altares. Outros realizam-nos os presbíteros ou diáconos e, inclusive alguns, como certas bênçãos, podem fazê-las os leigos. [...] A memória dos sacramentos também se aviva com sacramentais, como a aspersão dominical, o sinal da cruz com água benta e a renovação das promessas batismais. Ao longo do ano cristão, realizam-se vários sacramentais muito significativos: a bênção e imposição das cinzas, a bênção dos ramos e a procissão de entrada de Domingo de Ramos, a adoração da Cruz, em Sexta-Feira Santa, a procissão e as orações das Rogações, a bênção e procissão das velas, em 2 de fevereiro, as procissões em honra da Virgem ou dos Santos ou da Semana Santa. Um sacramental muito próximo é o da oração com que invocamos a bênção de Deus sobre as pessoas, os edifícios, as imagens e as coisas, para que lhes comunique a graça salvadora da Páscoa de seu Filho: estas bênçãos fazem-se segundo os textos e orientações do novo livro das bênçãos, o Cerimonial das Bênçãos. Na celebração dos sacramentais, de modo semelhante ao dos sacramentos, proclama-se a Palavra de Deus, da qual deriva a sua força e que alimenta a fé dos fiéis. Depois, louva-se e invoca-se Deus, para que nos conceda a sua ajuda por meio de Cristo seu Filho e com a força do seu Espírito. Nestes sacramentais, os sinais mais frequentes são a imposição das mãos, o sinal da cruz, a unção, a aspersão com a água e a incensação» (José Aldazábal, «Dicionário Elementar de Liturgia», ed. Paulinas, Prior Velho, 2007, 264-265).

«‘O Senhor te abençoe’ [...]. Estas palavras de bênção acompanharão o nosso caminho neste tempo que se abre diante de nós. São palavras que dão força, coragem e esperança; não uma esperança ilusória, assente em frágeis promessas humanas, nem uma esperança ingénua que imagina melhor o futuro, simplesmente porque é futuro. Esta esperança tem a sua razão de ser precisamente na bênção de Deus; uma bênção que contém os votos maiores, os votos da Igreja para cada um de nós, repletos da proteção amorosa do Senhor, da sua ajuda providente» (Francisco, Homilia, 1 de janeiro de 2014).






Reflexões semanais sobre a «fé celebrada» (liturgia e Sacramentos) — Laboratório da fé, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 24.7.14 | Sem comentários

Mistério da fé! [40]


Os sinais e símbolos (cf. tema 3) ocupam um lugar importante no contexto da vida humana; o mesmo acontece no contexto litúrgico. Por isso, dedicamos este tema à explicação dos sinais e símbolos associados ao Sacramento do Matrimónio. [Para ajudar a compreender melhor, ler: Cântico dos Cânticos 2, 8-17; Catecismo da Igreja Católica (CIC), números 1638 a 1651]

«O meu amado é para mim e eu para ele»

— declara a «amada» no livro do Cântico dos Cânticos. Trata-se de um «canto de admiração e de um grande amor entre uma mulher e um homem, onde o desejo e o corpo fazem parte do jogo de sedução e fruição» (Bíblia Sagrada, Introdução ao Livro do Cântico dos Cânticos, Difusora Bíblica, 1051). De facto, ao longo de todo o livro se dá a conhecer a grandeza do amor entre os esposos, um amor que, ao concluir o livro, se apresenta como «forte como a morte» (capítulo 8, versículo 6).

Aliança (anel)

A aliança ou anel é uma «peça circular, de ouro, prata ou outro material nobre, que se coloca à maneira de argola num dedo, chamado por isso anular ou anelar. [...] São vários os simbolismos que se podem dar à imposição do anel: sujeição, pertença, firmeza, fidelidade. Por isso, se utilizou sobretudo para expressar a atitude dos que contraem matrimónio [...]. Ao longo dos séculos, não foi uniforme a interpretação deste sinal. Por exemplo, no Ritual anterior ao atual (desde 1614) só se impunha o anel à noiva, não ao noivo. Poderia entender-se como se, só a ela, se lhe pedisse fidelidade, ou ainda pior, que ela ‘pertencia’ ao marido. No atual Ritual do Matrimónio, como no rito hispânico antigo, tanto o noivo como a noiva impõem-se mutuamente o anel. [...] O anel entre os esposos cristãos tem uma referência acrescentada ao amor nupcial e à aliança entre Cristo e a sua Igreja: não é estranho, portanto, que o anel nupcial se chame também ‘aliança’» (José Aldazábal, «Dicionário Elementar de Liturgia», ed. Paulinas, Prior Velho, 2007, 30). Em qualquer das três orações propostas para a bênção das alianças está expresso o seu sentido: ser sinal de amor e de fidelidade (cf. Ritual do Matrimónio, 66). Por isso, a seguir, os esposos dizem um ao outro: «recebe esta aliança como sinal do meu amor e da minha fidelidade. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo» (Ritual do Matrimónio, 67). A entrega mútua da aliança é sinal e símbolo do Matrimónio pois no ato da entrega e no objeto entregue são evocados três aspetos essenciais: unidade; indissolubilidade; fidelidade.

Unidade e Indissolubilidade

«Pela sua própria natureza, o amor dos esposos exige a unidade e a indissolubilidade da sua comunidade de pessoas, a qual engloba toda a sua vida: ‘assim, já não são dois, mas uma só carne’ (Mateus 19, 6). ‘Eles são chamados a crescer sem cessar na sua comunhão, através da fidelidade quotidiana à promessa da mútua doação total que o Matrimónio implica’. Esta comunhão humana é confirmada, purificada e aperfeiçoada pela comunhão em Jesus Cristo, conferida pelo sacramento do Matrimónio; e aprofunda-se pela vida da fé comum e pela Eucaristia» (CIC 1644). Assim, a Igreja destaca a unidade e a indissolubilidade do Matrimónio através de três razões fundamentais: «Primeiro, porque corresponde à essência do amor entregar-se mutuamente sem reservas. Depois, porque ele é imagem da incondicional fidelidade de Deus à Sua Criação. Finalmente, porque ele representa a entrega de Cristo à Sua Igreja» (Catecismo Jovem da Igreja Católica [YOUCAT], 263).

Fidelidade

«Pela sua própria natureza, o amor conjugal exige dos esposos uma fidelidade inviolável. Esta é uma consequência da doação de si mesmos que os esposos fazem um ao outro. O amor quer ser definitivo. Não pode ser ‘até nova ordem’. ‘Esta união íntima, enquanto doação recíproca de duas pessoas, tal como o bem dos filhos, exigem a inteira fidelidade dos cônjuges e reclamam a sua união indissolúvel’» (CIC 1646).

«No sacramento do Matrimónio há um desígnio deveras maravilhoso! E realiza-se na simplicidade e até na fragilidade da condição humana. Bem sabemos quantas dificuldades e provas enfrenta a vida de dois esposos... [...] Quando o esposo reza pela esposa, e a esposa ora pelo esposo, aquela união revigora-se; um reza pelo outro. [...] Eu aconselho sempre aos cônjuges: não deixeis que termine o dia em que discutistes, sem fazer as pazes. Sempre! [...] É suficiente um pequeno gesto, uma carícia... E amanhã tudo recomeça! Esta é a vida. É preciso levá-la adiante assim, levá-la em frente com a coragem de querer vivê-la juntos. E isto é grandioso, é bonito!» (Francisco, Audiência Geral de 2 de abril de 2014).






Reflexões semanais sobre a «fé celebrada» (liturgia e Sacramentos) — Laboratório da fé, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 17.7.14 | Sem comentários

Mistério da fé! [39]


O Sacramento do Matrimónio associa a si aspetos que devem ser tidos em conta, na preparação, na celebração e até depois da celebração. Quem, como, quando e onde — são questões que sintetizam alguns desses pontos. [Para ajudar a compreender melhor, ler: Efésios 5, 21-33; Catecismo da Igreja Católica (CIC), números 1621 a 1637]

«Como Cristo amou a Igreja»

— escreve Paulo, na Carta aos Efésios, para apresentar o amor entre os esposos. «Isto significa que o Matrimónio corresponde a uma vocação específica e deve ser considerado uma consagração: o homem e a mulher são consagrados no seu amor. Os esposos são revestidos de uma autêntica missão, para que possam tornar visível, a partir das realidades simples e ordinárias, o amor com que Cristo ama a sua Igreja, continuando a dar a vida por ela na fidelidade e no serviço» (Francisco, Audiência Geral de 2 de abril de 2014).

Quem pode celebrar o matrimónio?

De acordo com as normas universais da Igreja Católica (cf. Código de Direito Canónico, 1083 § 1), o matrimónio pode ser celebrado entre um homem (com mais de 16 anos) e uma mulher (com mais de 14 anos). Em Portugal, o sacramento do matrimónio tem implicações civis, pelo que a idade mínima, para ambos os sexos, é de 16 anos, tendo em conta que os menores (entre os 16 e os 18 anos) têm obrigatoriamente de apresentar uma autorização dos pais ou  encarregados de educação (tutores). Em todos os casos, pelo menos um dos noivos precisa de ter sido batizado e, recomenda-se (cf. Ritual da Celebração do Matrimónio. Preliminares, 18), tenha completado a Iniciação Cristã (Batismo, Confirmação, Eucaristia). Isto significa que se pode celebrar o matrimónio entre um/a católico/a e uma pessoa que não seja católica. «A diferença de confissão religiosa entre os cônjuges não constitui um obstáculo insuperável para o Matrimónio» (CIC 1634): entre um/a católico/a e um/a batizado/a não católico/a designa-se como «matrimónio misto»; entre um/a católico/a e um/a não-baptizado/a designa-se como «matrimónio com disparidade de culto». Além do que foi referido, é necessário ter em conta outras situações de exceção que permitem ou impedem de celebrar o sacramento do matrimónio. Por isso, para conhecer e/ou aprofundar todas normas relativos ao sacramento do matrimónio recomenda-se a consulta do Código de Direito Canónico [versão em língua portuguesa disponível na internet: http://bit.ly/18Dxmwl] e do Código Civil Português.

Quem são os ministros do matrimónio?

Este é o único sacramento em que os ministros são, um para o outro, o homem e a mulher: «segundo a tradição latina, são os esposos quem, como ministros da graça de Cristo, mutuamente se conferem o sacramento do Matrimónio, ao exprimirem, perante a Igreja, o seu consentimento» (CIC 1623).

Como se celebra o matrimónio?

A celebração do matrimónio deve, em regra, acontecer com a participação da comunidade. No mínimo, além do representante da Igreja, requer-se a presença de duas testemunhas. Em primeiro lugar, os noivos são interrogados sobre a sua disposição pessoal em assumir as responsabilidades do sacramento do matrimónio: presentes de livre vontade e de todo o coração; decididos a viver e a respeitar o amor mútuo ao longo de toda a vida; receber e educar os filhos como dom de Deus. Depois, prometem fidelidade mútua ‘na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias’ da sua vida. O representante da Igreja confirma o consentimento e abençoa as alianças que, em seguida, os noivos entregam um ao outro como sinal de amor e de fidelidade. Por fim, é-lhes concedida a bênção nupcial.

Quando se pode celebrar o matrimónio?

Quando se reúnem as condições exigidas pelo direito canónico e pelo direito civil e depois de obtidas as respetivas licenças (eclesiástica e civil). Recomenda-se que haja um tempo de preparação dos noivos, com os quais se pode decidir sobre as propostas previstas no Ritual. Na escolha da data, «evite-se absolutamente a celebração do Matrimónio na Sexta-feira da Paixão do Senhor e no Sábado Santo» (Preliminares, 32).

Onde se pode celebrar o matrimónio?

É conveniente que a celebração aconteça na paróquia de um dos nubentes (cf. Preliminares, 22). Não se trata de uma indicação exclusiva: a celebração pode ocorrer noutro lugar de culto público (capela, igreja, santuário, basílica) desde que se obtenha a licença do respetivo bispo diocesano.

«A partir do momento em que se celebra, o sacramento do matrimónio é um dom a descobrir e a atualizar dia a dia» (Carlo Maria Martini, «O corpo», Paulinas, Prior Velho, 2003, 66).






Reflexões semanais sobre a «fé celebrada» (liturgia e Sacramentos) — Laboratório da fé, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 10.7.14 | Sem comentários

Mistério da fé! [38]


«Pela sua própria natureza, a instituição matrimonial e o amor conjugal estão ordenados à procriação e à educação dos filhos, que constituem o ponto alto da sua missão e a sua coroa» (Catecismo da Igreja Católica [CIC], 1652). O matrimónio é o sacramento da geração da vida. [Para ajudar a compreender melhor, ler: Génesis 1, 26-31; Catecismo da Igreja Católica, números 1652 a 1666]

«Crescei e multiplicai-vos»

— é o mandato confiado pelo Criador ao ser humano, segundo o relato do primeiro capítulo do livro do Génesis. Estamos no sexto dia da Criação. Deus decide criar um ser que seja sua «imagem e semelhança»: «Deus disse: ‘Façamos o ser humano à nossa imagem, à nossa semelhança’ [...]. Ele os criou homem e mulher» (versículos 26 e 27). Recordemos que «os primeiros capítulos do Génesis são uma meditação sapiencial sobre o ser humano nas suas três dimensões fundamentais: com Deus, com o mundo, com os seus semelhantes» (tema 37). Neste contexto, o homem e a mulher, iguais em dignidade, são chamados à fecundidade, à geração. «Com a criação do homem e da mulher à sua imagem e semelhança, Deus coroa e leva à perfeição a obra das suas mãos: Ele chama-os a uma participação especial do seu amor e do seu poder de Criador e de Pai, mediante uma cooperação livre e responsável deles na transmissão do dom da vida humana: ‘‘Deus abençoou-os e disse-lhes: ‘crescei e multiplicai-vos, enchei e dominai a terra’’’. Assim a tarefa fundamental da família é o serviço à vida. É realizar, através da história, a bênção originária do Criador, transmitindo a imagem divina pela geração de homem a homem (João Paulo II, Exortação Apostólica sobre a função da família cristã no mundo de hoje — «Familiares Consortio» [FC], 28).

Família

O Matrimónio é o sacramento da família. Esta tem o seu início na união entre o homem e a mulher e prolonga-se na geração e na educação dos filhos. «Os filhos são, sem dúvida, o maior dom do matrimónio e contribuem muito para o bem dos próprios pais» (Constituição Pastoral sobre a Igreja no mundo atual — «Gaudium et Spes» [GS], 50). Assim atestam os vários documentos da Igreja sobre o matrimónio e a família: «A fecundidade é o fruto e o sinal do amor conjugal, o testemunho vivo da plena doação recíproca dos esposos: ‘O autêntico culto do amor conjugal e toda a vida familiar que dele nasce, sem pôr de lado os outros fins do matrimónio, tendem a que os esposos, com fortaleza de ânimo, estejam dispostos a colaborar com o amor do Criador e Salvador, que por meio deles aumenta cada dia mais e enriquece a família’» (FC 28). Neste sentido, «a fecundidade é participação no mistério de Deus como fonte de vida em si mesmo e fora de si, no mistério do amor trinitário. Outrora, a fecundidade era uma bênção, mesmo económica. O sentido profundo é que o amor entre dois é princípio de vida nova, outra, de novo amor. O filho testemunha a fecundidade deste amor e exige, para viver e crescer bem, que continue aquele dom de si que está na sua origem. Um amor voluntariamente estéril não é verdadeiro amor; é, antes, um egoísmo a dois. E, contudo, a sociedade ocidental é cada vez mais estéril, tem cada vez mais medo de dar a vida. Neste contexto, é urgente descobrir o significado autêntico da procriação, e da paternidade e maternidade responsáveis» (Carlo Maria Martini, «O corpo», Paulinas, Prior Velho 2003, 68-69). Além disso, «a fecundidade do amor conjugal não se restringe somente à procriação dos filhos, mesmo que entendida na dimensão especificamente humana: alarga-se e enriquece-se com todos aqueles frutos da vida moral, espiritual e sobrenatural que o pai e a mãe são chamados a doar aos filhos e, através dos filhos, à Igreja e ao mundo» (João Paulo II, Exortação Apostólica sobre a função da família cristã no mundo de hoje — «Familiares Consortio», 28). Por outro lado, a Igreja não deixa de lembrar que o matrimónio não foi instituído apenas tendo em vista a geração dos filhos. «Os esposos a quem Deus não concedeu a graça de ter filhos podem, no entanto, ter uma vida conjugal cheia de sentido, humana e cristãmente falando. O seu Matrimónio pode ser foco duma fecundidade caritativa, de acolhimento e de sacrifício» (CIC 1654).

A família manifesta-se plenamente na união matrimonial do homem e da mulher: o «eu» e o «tu» abrem-se à comunhão do «nós» que, em si, já constitui um núcleo familiar. «E por isso, mesmo que faltem os filhos, tantas vezes ardentemente desejados, o matrimónio conserva o seu valor e indissolubilidade, como comunidade e comunhão de toda a vida» (GS 50).






Reflexões semanais sobre a «fé celebrada» (liturgia e Sacramentos) — Laboratório da fé, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 3.7.14 | Sem comentários

Mistério da fé! [37]


«O Matrimónio assenta no consentimento dos contraentes, quer dizer, na vontade de se darem mútua e definitivamente, com o fim de viverem uma aliança de amor fiel e fecundo» (Catecismo da Igreja Católica [CIC], 1662). O Matrimónio é, por excelência, o sacramento do amor. [Para ajudar a compreender melhor, ler: Génesis 2, 18-24; Catecismo da Igreja Católica (CIC), números 1601 a 1620]

«Os dois serão uma só carne»

— refere o autor do livro do Génesis sobre a união matrimonial entre o homem e a mulher. Os primeiros capítulos do Génesis são uma meditação sapiencial sobre o ser humano nas suas três dimensões fundamentais: com Deus, com o mundo, com os seus semelhantes. O segundo capítulo descreve o projeto de Deus sobre a Humanidade e sobre a realidade criada: um plano a transbordar de harmonia. Neste projeto, a criação do ser humano surge como corolário de toda a obra divina. No segundo capítulo, fica claro que o ser humano foi criado para a relação: «o homem deixará o pai e a mãe, para se unir à sua mulher; e os dois serão uma só carne». A expressão «costela do homem» (versículos 21 e 22) usada para designar a mulher expressa a profundidade da relação humana. Assim, o masculino (homem) e o feminino (mulher) descobrem-se mutuamente como seres criados por Deus com a mesma dignidade e grandeza. Neste segundo capítulo destaca-se a relação entre os dois, enquanto que, no primeiro capítulo, evidencia a dignidade de ambos: «Deus disse: ‘Façamos o ser humano à nossa imagem, à nossa semelhança’ [...]. Deus criou o ser humano à sua imagem, criou-o à imagem de Deus; Ele os criou homem e mulher» (capítulo 1, versículos 26 e 27). A possibilidade de comunhão é tão profunda que passam a ser «uma só carne».

Matrimónio

O Matrimónio é uma «íntima comunhão (comunidade) de vida e de amor» — assim o designam vários documentos da Igreja, atribuindo a sua origem a Deus (cf., por exemplo, a Constituição Pastoral sobre a Igreja no mundo atual — «Gaudium et Spes», 48). Aliás, «todas as religiões deram um sentido sagrado à união do homem e da mulher, origem da vida e colaboração explícita com a obra criadora de Deus» (José Aldazábal, «Dicionário Elementar de Liturgia», ed. Paulinas, Prior Velho, 2007, 177). Deus é o autor do matrimónio porque grava no coração do homem e da mulher a capacidade (e também a responsabilidade) do amor e da comunhão. «Desde a origem, a Bíblia mostra que o casamento não é um dado natural sem mais, algo que Deus teria criado como todas as outras coisas. [...] A Bíblia parece sugerir que é exatamente nesta dualidade de amor que se deve ver a ‘imagem e semelhança de Deus’. [...] Não é por sua própria iniciativa ou impelidos pela paixão que se dão um ao outro; não: é o próprio Deus quem os dá um ao outro» (Godfried Danneels, «A alegria de uma pertença», ed. Lucerna, Cascais 2014, 112).

Amor

«A imagem de Deus é o casal no matrimónio: o homem e a mulher; não só o homem, não somente a mulher, mas os dois juntos. Esta é a imagem de Deus: o amor, a aliança de Deus connosco está representada na aliança entre o homem e a mulher. [...] Somos criados para amar, como reflexo de Deus e do seu amor. Na união conjugal o homem e a mulher realizam esta vocação no sinal da reciprocidade e da comunhão de vida plena e definitiva. Quando um homem e uma mulher celebram o sacramento do Matrimónio, Deus, por assim dizer, ‘espelha-se’ neles, imprime neles os seus lineamentos e o caráter indelével do seu amor. O matrimónio é o ícone do amor de Deus por nós. Com efeito, também Deus é comunhão: as três Pessoas do Pai, Filho e Espírito Santo vivem desde sempre e para sempre em unidade perfeita. É precisamente nisto que consiste o mistério do Matrimónio: dos dois esposos Deus faz uma só existência. A Bíblia usa uma expressão forte e diz ‘uma só carne’, tão íntima é a união entre o homem e a mulher no matrimónio! Eis precisamente o mistério do matrimónio: o amor de Deus reflete-se no casal que decide viver junto. Por isso, o homem deixa a sua casa, a casa dos seus pais, e vai viver com a sua mulher, unindo-se tão fortemente a ela que os dois se tornam — reza a Bíblia — uma só carne» (Francisco, Audiência Geral de 2 de abril de 2014).

«Assim como o Batismo permite reconhecer a chamada a tornar-se, em Cristo, filhos de Deus, assim também o sacramento do Matrimónio permite reconhecer a palavra de amor que faz com que um homem e uma mulher sejam uma só carne» (Carlo Maria Martini, «O corpo», Paulinas, Prior Velho 2003, 64).






Reflexões semanais sobre a «fé celebrada» (liturgia e Sacramentos) — Laboratório da fé, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 26.6.14 | Sem comentários

Mistério da fé! [36]


Os sinais e símbolos (cf. tema 3) ocupam um lugar importante no contexto da vida humana; o mesmo acontece no contexto litúrgico. Por isso, dedicamos este tema à explicação dos sinais e símbolos associados ao Sacramento da Ordem. [Para ajudar a compreender melhor, ler: 2Timóteo 1, 6-11; Catecismo da Igreja Católica (CIC), números 1581 a 1600]

«Reacendas o dom de Deus que se encontra em ti, 

pela imposição das minhas mãos»

— escreve Paulo na Segunda Carta a Timóteo. «A recomendação principal é a de reacender a sua missão, designada como um dom (carisma), concedido pela imposição das mãos. Possivelmente, não estamos ainda perante um rito de ordenação ministerial, mas não se deixa de acentuar o papel de Paulo na missão de Timóteo» (Bíblia Sagrada, Nota ao texto da Segunda Carta a Timóteo [capítulo 1, versículo 6], Difusora Bíblica, 1960).

Imposição das mãos e oração consecratória

A imposição das mãos (cf. tema 15) é um dos gestos mais significativos, está presente em todos os sacramentos, «e, sobretudo, na ordenação de diáconos, presbíteros e bispos, em que o gesto é precisamente o sinal central, juntamente com as palavras do bispo» (José Aldazábal, «Dicionário Elementar de Liturgia», ed. Paulinas, Prior Velho, 2007, 141). Além dos sinais e símbolos próprios de cada um dos «graus», «o sacramento da Ordem é conferido pela imposição das mãos, seguida duma solene oração consecratória, que pede a Deus para o ordinando as graças do Espírito Santo, requeridas para o seu ministério. A ordenação imprime um caráter sacramental indelével» (CIC 1597). O mesmo referem os Preliminares Gerais do Ritual da Ordenação do Bispo, dos Presbíteros e dos Diáconos: «A imposição das mãos e a Oração de Ordenação são o elemento essencial de qualquer Ordenação. Nele, a própria oração de bênção e de invocação determina a significação da imposição das mãos. Dado que estes ritos constituem o centro da Ordenação, devem ser inculcados pela formação catequética e realçados pela própria celebração» (número 7).

Sinais e símbolos próprios da ordenação do Bispo

«Pela imposição do livro dos Evangelhos sobre a cabeça do ordinando, enquanto é proferida a Oração de Ordenação, e bem assim pela sua entrega nas mãos do Ordenado, manifesta-se que o principal ministério do Bispo é a pregação fiel da palavra de Deus; pela unção da cabeça é significada a participação peculiar do Bispo no sacerdócio de Cristo; pela entrega do anel, indica-se a fidelidade do Bispo para com a Igreja, esposa de Deus, pela imposição da mitra, a incessante procura da santidade e pela entrega do báculo pastoral, o múnus de governar a Igreja que lhe é confiada. Pelo ósculo da paz, que o Ordenado recebe de todos os Bispos, como que se põe a marca da sua aceitação no Colégio dos Bispos» (Preliminares..., 26).

Sinais e símbolos próprios da ordenação do Presbítero

«A seguir à Oração de Ordenação, os Ordenados são revestidos com a estola presbiteral e a casula, pelas quais é manifestado exteriormente o ministério que a partir de agora realizam na liturgia. Este ministério é ainda mais explicitado por outros sinais: pela unção das mãos, significa-se a participação peculiar dos presbíteros no sacerdócio de Cristo; pela entrega do pão e do vinho nas suas mãos, indica-se o múnus de presidirem à celebração da Eucaristia e de seguirem a Cristo crucificado. Pelo ósculo da paz, o Bispo como que põe a marca da aceitação dos seus novos cooperadores no respetivo ministério, e os presbíteros saúdam os Ordenados em sinal do ministério comum na sua Ordem» (Preliminares..., 113).

Sinais e símbolos próprios da ordenação do Diácono

«A seguir à oração de Ordenação, os Ordenados são revestidos com a estola diaconal e a dalmática, pelas quais é manifestado exteriormente o ministério que a partir de agora realizam na liturgia. Pela entrega do livro dos Evangelhos, indica-se a função de proclamarem o Evangelho nas celebrações litúrgicas e de pregarem a fé da Igreja por palavras e obras. Pelo ósculo da paz, o Bispo como que põe a marca da aceitação dos diáconos no seu ministério, e os diáconos saúdam os Ordenados em sinal do ministério comum na sua Ordem» (Preliminares..., 188).

«O Sacramento da Ordem é uma configuração com Cristo pela intervenção do Espírito. [...] Bispo, presbítero e diácono, todos três recebem o Espírito Santo de modo especial. É Ele quem lhes fornece os meios necessários ao seu ministério» (Godfried Danneels, «A alegria de uma pertença», ed. Lucerna, Cascais 2014, 110-111).






Reflexões semanais sobre a «fé celebrada» (liturgia e Sacramentos) — Laboratório da fé, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 19.6.14 | Sem comentários

Mistério da fé! [35]


O Sacramento da Ordem associa a si aspetos que devem ser tidos em conta, na preparação, na celebração e até depois da celebração. Quem, como, quando e onde — são questões que sintetizam alguns desses pontos. [Para ajudar a compreender melhor, ler: João 15, 9-17; Catecismo da Igreja Católica (CIC), números 1572 a 1580]

«Fui eu que vos escolhi e vos destinei a ir e a dar fruto»

— proclama Jesus Cristo de acordo com o relato do evangelho segundo João. Estas palavras são proferidas no contexto da Última Ceia, no chamado «discurso da despedida». A iniciativa do discipulado parte do próprio Jesus Cristo. Os discípulos foram escolhidos para dar fruto, para dar testemunho da sua fé, mediante as obras do amor fraterno. Esta é a sua missão. No contexto deste tema, esta é a missão daqueles que são chamados para o ministério episcopal, presbiteral ou diaconal.

Quem pode ser admitido ao Sacramento da Ordem?

«É admitido à Ordem do Diaconado, do Presbiterado e do Episcopado qualquer homem batizado e católico que a Igreja chamar a esse ministério» (Catecismo Jovem da Igreja Católica [YOUCAT], 256). Por isso, «ninguém tem direito a receber o sacramento da Ordem. Com efeito, ninguém pode arrogar-se tal encargo. É-se chamado a ele por Deus. Aquele que julga reconhecer em si sinais do chamamento divino ao ministério ordenado, deve submeter humildemente o seu desejo à autoridade da Igreja, à qual incumbe a responsabilidade e o direito de chamar alguém para receber as Ordens. Como toda e qualquer graça, este sacramento só pode ser recebido como um dom imerecido» (CIC 1578).

Quem pode presidir ao Sacramento da Ordem?

«Pertence aos bispos o direito de conferir o sacramento da Ordem nos seus três graus» (CIC 1600).

Como se celebra o Sacramento da Ordem?

«O rito essencial do sacramento da Ordem é constituído, para os três graus, pela imposição das mãos, por parte do bispo, sobre a cabeça do ordinando, bem como pela oração consecratória específica, que pede a Deus a efusão do Espírito Santo e dos seus dons apropriados ao ministério para que é ordenado o candidato» (CIC 1573). O rito da ordenação do bispo, do presbítero ou do diácono foi sendo estruturado ao longo dos tempos com a introdução de elementos e textos, como aconteceu com todos os rituais sacramentais. Atualmente, como já referimos noutros sacramentos, existem algumas diferenças rituais e normativas entre o rito oriental (grego) e o rito ocidental (latino). «No Ritual, depois da Liturgia da Palavra, há, antes de mais, toda uma série de gestos simbólicos preparatórios, como o chamamento e apresentação dos candidatos, a homilia, as promessas dos eleitos, a ladainha da comunidade orando por eles; vem então o gesto central e a oração consecratória; e, depois, uns ritos que explicitam algum dos aspetos do sacramento recebido, diversos segundo a diversidade de ordens, com unções, imposição do livro dos Evangelhos sobre a cabeça do Bispo, entrega de instrumentos, insígnias e vestes distintivas, gestos que ilustram o ministério que tem de exercer em favor da comunidade» (José Aldazábal, «Dicionário Elementar de Liturgia», ed. Paulinas, Prior Velho, 2007, 211).

Quando se pode celebrar o Sacramento da Ordem?

Sempre e apenas quando estiverem reunidas as condições determinadas pela Igreja Católica. Além do que já se explicitou nas respostas anteriores (cf. também os temas 33 e 34), para conhecer e/ou aprofundar as normas próprias de cada «grau» recomenda-se a consulta do Código de Direito Canónico [versão em língua portuguesa disponível na internet: http://bit.ly/18Dxmwl].

Onde se pode celebrar o Sacramento da Ordem?

«A celebração da ordenação dum bispo, de presbíteros ou de diáconos, dada a sua importância na vida duma Igreja particular, requer o concurso do maior número possível de fiéis. Terá lugar, de preferência, ao domingo e na Sé catedral, com solenidade adequada à circunstância. As três ordenações – do bispo, do presbítero e do diácono – seguem o mesmo esquema. O lugar próprio de sua celebração é dentro da liturgia eucarística» (CIC 1572). Compete ao Bispo decidir sobre o local mais oportuno para a celebração, conforme as circunstâncias.

«Uma iniciativa que o Senhor toma. É o Senhor que chama. [...] Talvez aqui haja alguns jovens que sentiram no seu coração este apelo [...]. Se algum de vós sentiu isto no seu coração, foi Jesus que o pôs ali. Esmerai-vos por este convite e rezai a fim de que ele prospere e dê frutos na Igreja inteira» (Francisco, Audiência Geral de 26 de março de 2014).






Reflexões semanais sobre a «fé celebrada» (liturgia e Sacramentos) — Laboratório da fé, 2014
Postado por Unknown | 12.6.14 | Sem comentários

Mistério da fé! [34]


«Desde as origens, o ministério ordenado fui conferido e exercido em três graus: o dos bispos, o dos presbíteros e o dos diáconos» (Catecismo da Igreja Católica [CIC], 1593). Neste tema, vamos explicitar cada um dos «graus» do Sacramento da Ordem: bispo (episcopado), presbítero (presbiterado) e diácono (diaconado). [Para ajudar a compreender melhor, ler: Tito 1, 5-9; Catecismo da Igreja Católica, números 1554 a 1571]

«Colocares presbíteros em cada cidade»

— escreve Paulo na Carta a Tito, ao referir a necessidade de organizar as comunidades. Nos primeiros anos, «parece não existir ainda uma distinção clara entre as ordens de ministério» (Bíblia Sagrada, Nota ao versículo 5 da Carta a Tito, Difusora Bíblica, 1966). Mas as referências que surgem em vários textos do Novo Testamento permitem delinear as bases do que serão os três «graus» do Sacramento da Ordem.

Bispos

«A palavra ‘bispo’ vem do grego, ‘epi’ (sobre), e ‘skopos’, ‘skopein’ (vigiar, inspecionar): significaria, portanto, etimologicamente, guardião, inspetor. Nas primeiras comunidades paulinas, são assim denominados, quer Timóteo quer Tito (cf. 1Timóteo 3, 1-7; Tito 1, 7-9). Os bispos, sucessores dos Apóstolos, foram constituídos como princípios de fé e unidade na comunidade diocesana, como sacramentos visíveis da presença de Jesus Cristo no meio do seu povo» (José Aldazábal, «Dicionário Elementar de Liturgia» [DEL], ed. Paulinas, Prior Velho, 2007, 54). A Constituição Dogmática sobre a Igreja («Lumen Gentium» [LG]), dedica o terceiro capítulo ao Sacramento da Ordem, tendo por base a figura do bispo. Este é apresentado como «sucessor dos Apóstolos» (LG 20) para ensinar (LG 25), santificar (LG 26) e governar (LG 27). A ordenação episcopal é a «plenitude do Sacramento da Ordem» (LG 21).

Presbíteros

«‘Presbítero’ vem do grego, ‘presbyter’, que significa ‘ancião’, e se relaciona com o nome dado, pelos primeiros cristãos, aos encarregados da comunidade. Os presbíteros são ordenados como colaboradores dos bispos» (DEL 237-238). As comunidades cristãs («Igrejas») eram constituídas por pequenos grupos, núcleos familiares, que se reuniam nas próprias casas para celebrar a «fração do pão» (eucaristia). «No século II, surgiu uma estrutura ministerial em que um ‘episkopos’ ou supervisor era ordenado para servir como líder de cada comunidade e para presidir à sua vida de oração. Era assistido por presbíteros ou anciãos, e por diáconos. Quando o Cristianismo passou a ser a religião oficial do Império Romano, tudo isto mudou, necessariamente. As comunidades cristãs passaram a ser maiores, sendo organizadas à escala dos territórios do império: em dioceses, regiões metropolitanas e províncias. Já não era possível ao ‘episkopos’, ou bispo, reunir todos os cristãos da Igreja local debaixo do mesmo teto para uma única celebração, nem sequer na basílica local, o maior edifício público disponível. Em breve tampouco lhe era possível visitar todas as comunidades da sua diocese. Em vez disso, delegava presbíteros para celebrar os sacramentos, como seus representantes, nas paróquias recém-organizadas» (Catherine E. Clifford e Richard R. Gaillardetz, «As ‘chaves’ do Concílio», Paulinas Editora, Prior Velho, 2012, 179-180).

Diáconos

«Em grego, significa ‘servidor’. [...] Nos textos do Novo Testamento e dos primeiros séculos já são mencionados os diáconos, entre os pastores da comunidade cristã, colaborando com os bispos e presbíteros. [...] O II Concílio do Vaticano restabeleceu o diaconado ‘como grau próprio ou permanente’, no ministério eclesial, distinto do que se recebe como primeiro degrau para o sacerdócio. O diaconado permanente, que se tinha perdido por volta do século IX, e que agora se restabeleceu, podem-no receber também os casados. [...] Os campos do serviço diaconal, na comunidade cristã: a) a liturgia, na qual assistem ao presbítero ou ao bispo na proclamação do Evangelho, na distribuição da Eucaristia e na direção da oração comunitária; podem presidir ao sacramento do Batismo e assistir e abençoar o Matrimónio; b) a Palavra, que proclamam e às vezes comentam na homilia, sendo também os coordenadores da catequese e da evangelização; c) a caridade, cuidando da beneficência e da administração comunitária» (DEL 97-98).

«O bispo, o presbítero e o diácono devem apascentar a grei do Senhor com amor. Se não o fizerem com amor é inútil. E neste sentido, os ministros que são escolhidos e consagrados para este serviço prolongam no tempo a presença de Jesus, se o fizerem com o poder do Espírito Santo, em nome de Deus e com amor» (Francisco, Audiência Geral de 26 de março de 2014).






Reflexões semanais sobre a «fé celebrada» (liturgia e Sacramentos) — Laboratório da fé, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 5.6.14 | Sem comentários

Mistério da fé! [33]


A Igreja é «uma comunidade sacerdotal. Os fiéis exercem o seu sacerdócio batismal através da participação, cada qual segundo a sua vocação própria, na missão de Cristo, sacerdote, profeta e rei» (Catecismo da Igreja Católica [CIC], 1546). Mas, ao serviço do «sacerdócio comum dos fiéis» (batizados), existe o «sacerdócio ministerial», conferido pelo Sacramento da Ordem. [Para ajudar a compreender melhor, ler: Hebreus 5, 1-10; Catecismo da Igreja Católica, números 1536 a 1553]

«Tomado de entre os homens é constituído em favor dos homens,

nas coisas respeitantes a Deus»

— afirma o autor da Carta aos Hebreus para referir a missão do «Sumo Sacerdote». Esta Carta serve-se da tradição judaica para dar a conhecer a plenitude da novidade do cristianismo: Jesus Cristo é constituído, de uma vez para sempre, como o único e verdadeiro «sacerdote». No texto, o sacerdote é descrito com três elementos: a definição geral do sacerdote, mediador entre os seres humanos e Deus; a relação do sacerdote com os pecadores; a relação do sacerdote com Deus. Para aprofundar o tema, aconselha-se a leitura dos capítulos 28 e 29 do livro do Êxodo e todo o livro do Levítico.

Ordem

«A palavra ‘Ordo’, ‘ordem’, aplicava-se no uso civil romano, com um sentido colegial, a um grupo social, distinto do resto do povo: a ordem dos senadores, dos cavaleiros. Muito cedo passou a usar-se em registo cristão para designar os ministros dentro da comunidade: a ordem dos bispos, dos presbíteros, dos diáconos. E chamou-se ‘ordenação’ à celebração sacramental, na qual, com orações e gestos simbólicos, se confere a graça e o poder dos diversos ministérios, introduzindo uma pessoa na ‘ordem’ correspondente» (José Aldazábal, «Dicionário Elementar de Liturgia» [DEL], ed. Paulinas, Prior Velho, 2007, 210).

Sacerdócio

A palavra «sacerdócio» está relacionada com dois termos latinos que exprimem a capacidade de «dar» o «sagrado» («sacer», em latim). Ora, «em todas as religiões há pessoas constituídas como mediadoras entre a divindade – o sagrado, o transcendente – e o povo. Pessoas que trazem ao povo, da parte da divindade, a palavra ou o oráculo, e que levam à divindade, da parte do povo, a oração ou o sacrifício. [...] Em Israel, considerava-se que o povo inteiro, face às outras nações, exercia um verdadeiro sacerdócio (cf. Êxodo 19, 6), mas dentro da própria comunidade, foi-se estruturando, para o culto e para a palavra, o sacerdócio de determinadas pessoas, sobretudo da tribo de Levi (os levitas) e os descendentes de Aarão, em particular, quando já no Templo de Jerusalém se organizou o culto a Javé. [...] A grande novidade e plenitude do Cristianismo foi a convicção de que Jesus Cristo tinha sido constituído de uma vez por todas como o único e verdadeiro Sacerdote da Nova Aliança, que ‘não penetrou num santuário feito por mãos de homem, mas no próprio Céu, para se apresentar agora diante da aceitação de Deus em nosso favor’, como ‘Sumo Sacerdote dos bens futuros’, oferecendo-se a si mesmo como sacrifício definitivo por toda a humanidade: cf. Hebreus 3, 1; 4, 14ss; 9; 10… Cristo é o profeta e mestre que nos vem da parte de Deus e o sacerdote que se oferece a si mesmo como sacrifício em nome de toda a humanidade» (DEL 263).

Ministerial

A Igreja apresenta dois modos de participar no sacerdócio de Jesus Cristo: o «sacerdócio comum dos fiéis» e o «sacerdócio ministerial». Aquele é pertença de todos os batizados. Este é missão dos que, pelo sacramento da Ordem, «participam do sacerdócio de Cristo de um modo distinto, recebendo o Espírito que os faz atuar ‘in persona Christi Capitis’ (‘na pessoa de Cristo-Cabeça’), para serem pastores da comunidade» (DEL 264). É preciso compreender bem estas afirmações para não cair no erro de colocar em contraposição os dois modos eclesiais de «sacerdócio». Não há uma Igreja dualista! «O ministério do sacerdote ordenado só pode ser entendido como uma chamada ministerial particular para estar ao serviço do sacerdócio de todos os batizados. [...] É o sacerdócio dos batizados que determina a forma do sacerdócio ministerial, e não o contrário» (Catherine E. Clifford e Richard R. Gaillardetz, «As ‘chaves’ do Concílio», Paulinas Editora, Prior Velho, 2012, 138-139).

«A identidade sacerdotal só pode ser descoberta fazendo a pergunta mais básica: Que significa viver o sacerdócio comum dos fiéis? Quais são as exigências do autêntico discipulado cristão? Só quando tivermos uma noção das respostas a estas perguntas poderemos analisar de que modo o sacerdócio ministerial deve ser entendido» (Catherine E. Clifford e Richard R. Gaillardetz... 134).






Reflexões semanais sobre a «fé celebrada» (liturgia e Sacramentos) — Laboratório da fé, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 29.5.14 | Sem comentários

Mistério da fé! [32]


Há dois sacramentos cuja finalidade principal está orientada para a salvação dos outros, para o serviço aos outros: são a Ordem e o Matrimónio. A estes podemos chamar de Sacramentos ao serviço da Comunidade ou Sacramentos ao serviço da Comunhão. [Para ajudar a compreender melhor, ler: 1João 4, 7-21; Catecismo da Igreja Católica (CIC), números 1533 a 1535]

«Amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus»

— insiste a Primeira Carta de João. O mandamento do amor ajuda-nos a entender o sentido profundo do serviço aos outros dado a conhecer através dos sacramentos da Ordem e do Matrimónio. O fundamento primordial da vocação cristã é «um amor sem reservas que nos precede, sustenta e chama ao longo do caminho da vida e que tem a sua raiz na gratuidade absoluta de Deus. [...] Na realidade, a medida alta da vida cristã consiste em amar ‘como’ Deus; trata-se de um amor que, no dom total de si, se manifesta fiel e fecundo. À prioresa do mosteiro de Segóvia, que fizera saber a São João da Cruz a pena que sentia pela dramática situação de suspensão em que ele então se encontrava, este santo responde convidando-a a agir como Deus: ‘A única coisa que deve pensar é que tudo é predisposto por Deus; e onde não há amor, semeie amor e recolherá amor’ (Epistolário, 26). Neste terreno de um coração em oblação, na abertura ao amor de Deus e como fruto deste amor, nascem e crescem todas as vocações. E é bebendo nesta fonte durante a oração, através duma familiaridade assídua com a Palavra e os Sacramentos, nomeadamente a Eucaristia, que é possível viver o amor ao próximo, em cujo rosto se aprende a vislumbrar o de Cristo Senhor (cf. Mateus 25, 31-46)» (Bento XVI, Mensagem para o 49.º Dia Mundial de Oração pelas Vocações).

Sacramentos

Os sacramentos não existem para nos sentirmos bem, para uma satisfação pessoal. Os sacramentos servem «para nos tornarmos, nós mesmos, um sacramento, um sinal. Recebendo os sacramentos queremos identificar-nos cada vez mais com Cristo. E isso para podermos ser um sinal de Cristo no mundo através do nosso testemunho de vida, pelas nossas atitudes e palavras. Para podermos, com Cristo, ser sinal do Reino» (José Ribólla, «Os Sacramentos trocados em miúdo», Editora Santuário, Aparecida 1990, 29). Além disso, os sacramentos respondem às situações fundamentais e concretas da vida humana: «ao começo de uma vida nova (Batismo), ao crescimento na maturidade e opção por um projeto ideal de vida (Confirmação), ao alimento contínuo da vida (Eucaristia), ao peso e à dor do pecado e da culpa (Penitência), ao momento do sofrimento (Unção dos Enfermos), à comunidade de amor e de vida (Matrimónio) e ao serviço consagrado aos outros irmãos (Ordem). Os sacramentos assumem, pois, as situações mais importantes da vida humana e santificam-nas para fazermos da nossa vida uma história de salvação em Cristo. Cada sacramento santifica a situação que assume» (Manuel Pelino - António Marto, «Caminho para a vida. Catequese para o Povo de Deus: 2, Secretariado Nacional da Educação Cristã, Lisboa 1993, 209).
[Para completar o significado do termo «sacramento» ler os temas 6, 7 e 23].

Serviço da Comunidade

«Os três Sacramentos do Batismo, da Confirmação e da Eucaristia, juntos, constituem o mistério da ‘iniciação cristã’, um único e grande acontecimento de graça que nos regenera em Cristo. Esta é a vocação fundamental que irmana todos na Igreja [...]. Além disso, há dois Sacramentos que correspondem a duas vocações específicas: eles são o da Ordem e do Matrimónio. Eles constituem dois caminhos grandiosos através dos quais o cristão pode fazer da própria vida um dom de amor, a exemplo e no nome de Cristo, cooperando assim para a edificação da Igreja» (Francisco, Audiência Geral de 26 de março de 2014). Ambos «são instituídos para os outros. Ninguém é simplesmente ordenado para si mesmo, como ninguém entra no estado matrimonial apenas para proveito próprio. Os sacramentos da Ordem e do Matrimónio visam a construção do Povo de Deus, isto é, eles são um canal através do qual Deus faz o amor fluir para o mundo» (Catecismo Jovem da Igreja Católica [YOUCAT], 248).

«A vocação é um fruto que amadurece no terreno bem cultivado do amor uns aos outros que se faz serviço recíproco [...]. Nenhuma vocação nasce por si, nem vive para si. A vocação brota do coração de Deus e germina na terra boa do povo fiel, na experiência do amor fraterno» (Francisco, Mensagem para o 51.º Dia Mundial de Oração pelas Vocações, 11 de maio de 2014).






Reflexões semanais sobre a «fé celebrada» (liturgia e Sacramentos) — Laboratório da fé, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 22.5.14 | Sem comentários

Mistério da fé! [31]


Os sinais e símbolos (cf. tema 3) ocupam um lugar importante no contexto da vida humana; o mesmo acontece no contexto litúrgico. Por isso, dedicamos este tema à explicação dos sinais e símbolos associados ao Sacramento da Unção dos Enfermos. [Para ajudar a compreender melhor, ler: Lucas 10, 30-35; Catecismo da Igreja Católica (CIC), números 1499 a 1532]

«Vai e faz tu também o mesmo»

— diz Jesus Cristo, no evangelho segundo Lucas, ao concluir o diálogo com aquele que lhe questionou sobre quem é o «meu próximo», depois de lhe contar a parábola do bom samaritano. O papa Francisco disse que esta parábola é «um ícone bíblico que expressa em toda a sua profundidade o mistério que transparece na Unção dos Enfermos [...]. Todas as vezes que celebramos este Sacramento, o Senhor Jesus, na pessoa do sacerdote, torna-se próximo de quem sofre e está gravemente doente, ou é idoso. Diz a parábola que o bom samaritano se ocupa do homem sofredor derramando sobre as suas feridas óleo e vinho. O óleo faz-nos pensar no que é abençoado pelos bispos todos os anos, na Missa crismal da Quinta-Feira Santa, precisamente em vista da Unção dos enfermos. O vinho, ao contrário, é sinal do amor e da graça de Cristo que brota do dom da sua vida por nós e expressam em toda a sua riqueza na vida sacramental da Igreja. Por fim, a pessoa sofredora é confiada a um hoteleiro, a fim de que continue a ocupar-se dela, sem se preocupar com a despesa. Mas, quem é este hoteleiro? É a Igreja, a comunidade cristã, somos nós, aos quais todos os dias o Senhor Jesus confia aqueles que estão aflitos, no corpo e no espírito, para que possamos continuar a derramar sobre eles, sem medida, toda a sua misericórdia e salvação» (Francisco, Audiência Geral de 26 de fevereiro de 2014).

Unção com o Óleo dos Enfermos

«Com a unção é significada e conferida a graça do Ressuscitado, para sublinhar que Cristo faz seu o meu corpo doente: alivia-o do peso dos sofrimentos, cura-o espiritual e fisicamente, fortalece-o, conforta-me, envolve os meus pecados em perdão cheio de amor, permite-me compreender o sentido da dor à luz da sua paixão a que me une. Portanto, neste sacramento, Jesus continua a fazer o que fazia com os doentes quando estava na terra e o que recomendou que os seus discípulos fizessem: “Curai os doentes e dizei-lhes: ‘O reino de Deus já está próximo de vós’” (Lucas 10, 9). Mas a unção dos doentes não é um gesto mágico; requer a fé como cada um dos outros sacramentos. Quando o doente se confia ao poder do Senhor poderá superar também os medos e as tentações próprias de quem sofre, terá serenidade e paz interior, sentir-se-á encorajado a esperar pela cura e, ao mesmo tempo, a acolher todos os possíveis desenvolvimentos do mal. O sacramento da unção também prepara para a morte próxima ou longínqua não como objeto específico, mas porque a morte é preanunciada pela doença, especialmente quando é grave» (Carlo Maria Martini, «O corpo», Paulinas, Prior Velho 2003, 73-74).

Os sinais e símbolos associados ao sacramento da Unção dos Enfermos são comuns a outros sacramentos: imposição das mãos (cf. tema 15); unção com o óleo (cf. tema 11).

Sentido cristão da doença

«O ato pelo qual um homem chega a dotar a doença de sentido cristão e a vivê-la na fé é uma ação do Espírito Santo que se insere num itinerário, numa caminhada humana de ‘relação’ com a doença, que é acidentado e contraditório, repleto de incógnitas e de surpresas, de gestos de assunção e de regressões, de passos atrás, de rejeições, de momentos de paz e de momentos de rebelião, de desconforto e de vontade de combater. [...] O ‘sentido cristão’ da experiência de doença acontece no encontro entre o Espírito Santo, a humanidade individual do doente, a sua fé e o ambiente que o rodeia. Por isso, quando se fala e se escreve sobre a doença e sobre a atitude espiritual diante dela, é importante sair da linguagem categórica, normativa, impositiva do ‘é preciso’, ‘deve-se’, etc. Não é só um problema de correção de linguagem, mas também de respeito por aquilo que só pode ser um evento da liberdade do doente, iluminado pelo Espírito Santo e apoiado pela fé» (Enzo Bianchi e Luciano Manicardi, «Ao lado do doente. O sentido da doença e o acompanhamento dos doentes», Coleção «Cuidar e Curar», ed. Paulinas, Prior Velho 2012, 12-13).

«Gostaria que o Espírito dado neste sacramento me ajudasse e a muitos outros a ler a morte na sua realidade, como o cumprimento definitivo do Batismo, a consecução e obtenção da vida filial e fraterna» (C. M. Martini, 74).






Reflexões semanais sobre a «fé celebrada» (liturgia e Sacramentos) — Laboratório da fé, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 15.5.14 | Sem comentários

Mistério da fé! [30]


O Sacramento da Unção dos Enfermos associa a si aspetos que devem ser tidos em conta, na preparação, na celebração e até depois da celebração. Quem, como, quando e onde — são questões que sintetizam alguns desses pontos. [Para ajudar a compreender melhor, ler: Tiago 5, 13-15; Catecismo da Igreja Católica (CIC), números 1514 a 1519]

«Algum de vós está doente? Chame os presbíteros da Igreja»

— exorta a carta pastoral atribuída a Tiago, demonstrando que se trata «de uma prática que já se usava na época dos Apóstolos. Com efeito, Jesus ensinou aos seus discípulos a ter a sua mesma predileção pelos doentes e pelos sofredores e transmitiu-lhes a capacidade e a tarefa de continuar a conceder no seu nome e segundo o seu coração alívio e paz, através da graça especial deste Sacramento» (Francisco, Audiência Geral de 26 de fevereiro de 2014).

Quem pode pedir/receber a Santa Unção?

Qualquer cristão pode pedir a celebração da Santa Unção, desde que esteja numa situação de doença ou de velhice. «Não é sacramento só dos que estão no fim da vida. É já certamente tempo oportuno para a receber quando o fiel começa, por doença ou por velhice, a estar em perigo de morte» (Constituição Conciliar sobre a Sagrada Liturgia — «Sacrosanctum Concilium», 73). Além disso, «se um doente que recebeu a Unção recupera a saúde, pode, em caso de nova enfermidade grave, receber outra vez este sacramento. No decurso da mesma doença, este sacramento pode ser repetido se o mal se agrava. É conveniente receber a Unção dos Enfermos antes duma operação cirúrgica importante. E o mesmo se diga a respeito das pessoas de idade, cuja fragilidade se acentua» (CIC 1515). [cf. Ritual Romano da Unção e Pastoral dos Doentes. Preliminares, 8-15]

Quem pode presidir à Santa Unção?

«A presidência da celebração da Unção dos Enfermos está reservada aos bispos e aos presbíteros. É Cristo que, por força da sua ordenação, age através deles» (Catecismo Jovem da Igreja Católica [YOUCAT], 246).

Como é celebrada a Santa Unção?

«O rito essencial na celebração da Unção dos Enfermos consiste numa unção da testa e das mãos com o Santo Óleo, acompanhada de orações» (YOUCAT 244). Depois dos ritos iniciais e da Liturgia da Palavra (como acontece em todos os sacramentos), o presbítero ou o bispo impõe, em silêncio, as mãos sobre a cabeça do enfermo («é a epiclese própria deste sacramento» [CIC 1519]); unge o doente na fronte e nas mãos ao mesmo tempo que pronuncia a oração: «Por esta santa Unção e pela sua infinita misericórdia, o Senhor venha em teu auxílio com a graça do Espírito Santo [Amen] para que, liberto dos teus pecados, Ele te salve e, na sua bondade, alivie os teus sofrimentos. [Amen]» (Ritual da Unção e Pastoral dos Doentes, 76); seguem-se outras orações e momentos de acordo com as várias possibilidades apresentadas no Ritual da Unção e Pastoral dos Doentes: Visita e comunhão dos doentes; Ritual da unção do doente (dentro ou fora da Missa); Viático (dentro ou fora da Missa); Ritual da administração dos sacramentos ao doente em perigo de vida; Confirmação em perigo de vida; Encomendação dos moribundos.

Quando se pode celebrar a Santa Unção?

Sempre que necessário, observadas as condições referidos no que foi dito sobre quem pode pedir/receber a Santa Unção (cf. também os temas 28 e 29). «Há duas atitudes erradas que, enquanto, depender da gente, devem ser evitadas: nunca chamar o padre; esperar para chamar tarde demais. [...] Já é tempo de acabar com certas ignorâncias a respeito da Unção dos Enfermos» (José Ribólla, «Os Sacramentos trocados em miúdo», Editora Santuário, Aparecida 1990, 238).

Onde se pode celebrar a Santa Unção?

O local (adequado) para a celebração é a igreja paroquial, o lugar onde a comunidade se reúne em nome de Jesus Cristo. No entanto, de acordo com as circunstâncias (cf. tema 5), há outros lugares onde pode acontecer a celebração da Santa Unção: no hospital; na casa do doente. Em qualquer caso, convém não esquecer que «como todos os sacramentos, a Unção dos Enfermos é uma celebração litúrgica e comunitária, quer tenha lugar no seio da família, quer no hospital ou na igreja, para um só doente ou para um grupo deles» (CIC 1517).

Em Jesus, «Deus está presente. Ele impõe as mãos, toca os doentes. [...] O amor de Cristo pelos doentes perdura na Igreja, que os rodeia da sua solicitude pastoral, dos seus serviços caritativos, da sua oração» (Godfried Danneels, «A alegria de uma pertença», ed. Lucerna, Cascais 2014, 105-107).






Reflexões semanais sobre a «fé celebrada» (liturgia e Sacramentos) — Laboratório da fé, 2014
Postado por Unknown | 8.5.14 | Sem comentários

Mistério da fé! [29]


A Unção dos Enfermos (ou dos Doentes) não é apenas um Sacramento para os doentes e idosos; é também um Sacramento para acompanhar o sofrimento em qualquer etapa da vida. Entre os «efeitos» da Unção dos Enfermos conta-se a união à Paixão de Jesus Cristo (cf. Catecismo da Igreja Católica [CIC], 1521 e 1532). [Para ajudar a compreender melhor, ler: Colossenses 1, 24-28; Catecismo da Igreja Católica, números 1520 a 1532]

«Completo na minha carne o que falta às tribulações de Cristo»

— escreve Paulo na Carta aos Colossenses. O termo «carne» traduz a totalidade do ser (cf. Bíblia Sagrada, Nota ao versículo 24 do primeiro capítulo da Carta aos Colossenses, Difusora Bíblica, 1932-1933). Neste texto, que dá início ao chamado «Evangelho de Paulo», o autor, a partir da sua experiência pessoal, traça um retrato do verdadeiro discípulo de Jesus Cristo. Em primeiro lugar, numa situação concreta de sofrimento, «em vez de se deixar entristecer ou abater pelos seus sofrimentos, põe a sua alegria em Cristo, que vive nele, e dedica-se totalmente à Igreja de Cristo. A união pessoal de Paulo com Cristo é personificada em cada um dos cristãos» (Bíblia Sagrada, Nota ao versículo 24 do primeiro capítulo da Carta aos Colossenses, Difusora Bíblica, 1932). Ao contrário do que possa parecer (através duma leitura rápida e apressada), a frase de Paulo não afirma que a Paixão de Jesus Cristo está incompleta, precisando, portanto, da nossa ação para se completar. Essa era precisamente a falsa doutrina que Paulo quis rebater nesta Carta. A sua intenção é afirmar que não há nada a acrescentar ao Evangelho. Mas, porque somos membros do Corpo de Cristo, podemos associar (unir) os nossos sofrimentos à Paixão de Jesus Cristo. Assim, o cristão torna-se uma reprodução mística de Jesus Cristo.

Unção dos Enfermos

Uma designação válida (e oportuna) para referir este Sacramento é «Santa Unção» (a fórmula sacramental começa assim: «Por esta santa Unção»). Esta terminologia aparece nos textos do Ritual da Unção e Pastoral dos Doentes. Desta forma, exprime-se a maior amplitude do Sacramento. Ao dizer «Unção dos Enfermos» pode-se levar a uma associação exclusiva às situações de doença. Ora, a graça sacramental não se confina às situações de enfermidade. A Santa Unção pode ser celebrada com os idosos ou antes de uma intervenção cirúrgica (cf. Ritual Romano da Unção e Pastoral dos Doentes. Preliminares, 8-15). Por isso, é importante que «na catequese, tanto individual como familiar, instruam-se os fiéis para que eles próprios peçam a Unção e se aproximem em tempo oportuno a recebê-la com plena fé» (Ritual..., 13). Infelizmente, ainda há muitos que «têm medo deste Sacramento e adiam-no para o fim, porque pensam tratar-se de uma espécie de ‘sentença de morte’. O contrário é que está certo: a Unção dos Enfermos é uma espécie de ‘seguro de vida’. Quem, como cristão, acompanha um doente deve libertá-lo deste falso temor. A maior parte das pessoas que estão em risco tem a intuição de que nada mais é importante nesse momento que se apertarem imediata e incondicionalmente Àquele que superou a morte e é a própria Vida: Jesus, o Salvador» (Catecismo Jovem da Igreja Católica [YOUCAT], 245).

União à Paixão de Cristo

A doença e o sofrimento «fazem parte da nossa condição humana [...]. Embora Deus permita a existência do sofrimento no mundo, certamente não se alegra com isto. De facto, nosso Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus feito homem, amava os doentes, dedicou grande parte do seu ministério na terra à cura dos doentes e ao consolo dos aflitos. O nosso Deus é um Deus de compaixão e de consolação. E espera de nós que usemos todos os meios ordinários para impedir, aliviar e eliminar o sofrimento e a doença. [...] Contudo, ainda depois de todos estes esforços, o sofrimento e a doença existem. O cristão vê um significado no sofrimento. Suporta este sofrimento com paciência, amor de Deus, e generosidade. [...] Quando o sofrimento está unido à Paixão de Cristo e à sua morte redentora, então adquire grande valor para a pessoa, para a Igreja e para a sociedade» (João Paulo II, Discurso durante a visita aos doentes, 13 de fevereiro de 1982).

«A fé não é luz que dissipa todas as nossas trevas, mas lâmpada que guia os nossos passos na noite, e isto basta para o caminho. Ao humano que sofre, Deus não dá um raciocínio que explique tudo, mas oferece a sua resposta sob a forma duma presença que o acompanha, duma história de bem que se une a cada história de sofrimento para nela abrir uma brecha de luz» (Francisco, Carta Encíclica sobre a fé — «Lumen Fidei», 57).






Reflexões semanais sobre a «fé celebrada» (liturgia e Sacramentos) — Laboratório da fé, 2014
Postado por Unknown | 1.5.14 | Sem comentários

Mistério da fé! [28]


«A doença e o sofrimento estiveram sempre entre os problemas mais graves que afligem a vida humana. [...] A doença pode levar à angústia, ao fechar-se em si mesmo e até, por vezes, ao desespero e à revolta contra Deus. Mas também pode tornar uma pessoa mais amadurecida, ajudá-la a discernir, na sua vida, o que não é essencial para se voltar para o que o é. Muitas vezes, a doença leva à busca de Deus, a um regresso a Ele» (Catecismo da Igreja Católica [CIC], 1500-1501). [Para ajudar a compreender melhor, ler: Mateus 4, 23-25; Catecismo da Igreja Católica, números 1499 a 1513]

«Curando entre o povo todas as doenças e enfermidades»

— refere o evangelista (Mateus) ao resumir a atividade de Jesus Cristo, na Galileia. Juntamente com a pregação, este é um dos traços característicos de Jesus Cristo: aproxima-se dos doentes, conversa com eles, conforta-os, cura-os, perdoa-lhes os pecados. Desta forma, Jesus Cristo mostra que a doença não era um castigo de Deus, como muitos afirmavam (infelizmente, ainda há quem o diga, mesmo alguns que se dizem cristãos!). «No Antigo Testamento, a doença foi frequentemente experienciada como uma dura prova, contra a qual se podia rebelar, mas em que se podia reconhecer a mão de Deus. Já com os profetas emergiu a ideia de que o sofrimento não é apenas uma maldição e nem sempre uma consequência de um pecado pessoal, e que uma pessoa também pode ser para os outros um sofrimento assumido com paciência. Jesus veio para revelar o amor de Deus. Frequentemente o fez onde nos sentimos especialmente ameaçados: na fragilidade da nossa vida, através da doença. Deus quer que nos tornemos saudáveis, reconhecendo nisso a vinda do Reino de Deus» (Catecismo Jovem da Igreja Católica [YOUCAT], 240-241).

Unção dos Enfermos

«A Igreja continuou a cuidar dos doentes em todas as dimensões, e também celebrando com eles este sacramento da Unção, dando-lhes a força e a graça na sua debilidade. Em séculos sucessivos, sobretudo a partir do século IX, deslocou-se o sentido deste sacramento: em vez de ser a graça curativa a aliviadora para os doentes, começou a considerar-se como sacramento dos moribundos, e passou a chamar-se ‘Extrema-Unção’» (José Aldazábal, «Dicionário Elementar de Liturgia» [DEL], ed. Paulinas, Prior Velho, 2007, 303). Felizmente, o II Concílio do Vaticano, através da Constituição Conciliar sobre a Sagrada Liturgia — «Sacrosanctum Concilium» — determinou uma reforma deste sacramento, assim como a alteração do nome para «Unção do enfermos» (cf. números 73 a 75). Seguindo estas orientações, surgiu o Ritual da Unção e Pastoral dos Doentes. Esta mudança de nome não é uma simples troca de palavras ou de conceitos. O objetivo é ajudar a entender, a celebrar e a viver melhor este sacramento. «Até há pouco tempo (e em alguns lugares ainda hoje), quando o sacerdote ia ungir um doente, era sinal de que já não havia esperança. Ele ia para despedir aquela pessoa para a eternidade. [...] E muita gente, ainda hoje, espera que o doente esteja ‘nas últimas’. [...] É bom insistir que este Sacramento é dos enfermos e não dos moribundos» (José Bortolini, «Os Sacramentos na tua vida», São Paulo, Lisboa 1995, 97).

Conforto e paz

«A graça especial do sacramento da Unção dos Enfermos tem como efeitos: [...] o conforto, a paz e a coragem para suportar cristãmente os sofrimentos da doença ou da velhice» (CIC 1532). Este é um dos significados da unção com o óleo: «exprime cura e conforto» (CIC 1294). Na verdade, um dos significados da simbologia da unção era ser «sinal de cura, pois amacia as contusões e as feridas e torna radiante de beleza, saúde e força» (CIC 1293). Neste sentido, os textos usados na celebração deste sacramento «apresentam-no como o encontro sacramental com Cristo médico e pastor, que está próximo e continua a curar, aliviando e libertando do mal» (DEL 303). No entanto, para que se alcance este objetivo da graça sacramental (conforto e paz), o doente (e também os que o rodeiam) precisa de «entrar na aceitação da sua impotência e limitação» (Enzo Bianchi e Luciano Manicardi, «Ao lado do doente. O sentido da doença e o acompanhamento dos doentes», Coleção «Cuidar e Curar», ed. Paulinas, Prior Velho, 2012, 21).

«O sacerdote vem para ajudar o doente ou o idoso. [...] É preciso chamar o sacerdote para junto do doente e dizer: ‘venha, dê-lhe a unção, abençoe-o’. É o próprio Jesus que chega para aliviar o doente, para lhe dar força, para lhe dar esperança, para o ajudar; também para lhe perdoar os pecados. E isto é muito bonito!» (Francisco, Audiência Geral de 26 de fevereiro de 2014).






Reflexões semanais sobre a «fé celebrada» (liturgia e Sacramentos) — Laboratório da fé, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 24.4.14 | Sem comentários

Mistério da fé! [27]


Os sinais e símbolos (cf. tema 3) ocupam um lugar importante no contexto da vida humana; o mesmo acontece no contexto litúrgico. Por isso, dedicamos este tema à explicação dos sinais e símbolos associados ao Sacramento da Penitência e da Reconciliação. [Para ajudar a compreender melhor, ler: Lucas 15, 11-32; Catecismo da Igreja Católica (CIC), números 1450 a 1460]

«Pai, pequei contra o Céu e contra ti»

— reconhece o filho mais novo da parábola do pai misericordioso (própria do evangelho segundo Lucas). «O jovem, arrependido, tenta acusar os seus pecados. O pai, porém, interrompe-o, pois percebe o arrependimento e a dor do filho que volta. E não só lhe dá o perdão, mas faz uma grande festa: Deus sempre faz festa quando o pecador se converte. [...] A história do pai misericordioso continua em nós» (José Bortolini, «Os Sacramentos na tua vida», São Paulo, Lisboa 1995, 94-95).

Reconciliação

Na designação deste sacramento surge o termo «penitência»: «é chamado sacramento da Penitência, porque consagra uma caminhada pessoal e eclesial de conversão, de arrependimento e de satisfação por parte do cristão pecador» (CIC 1423).

Arrependimento

A celebração é preparada com um «exame de consciência, feito à luz da Palavra de Deus» (CIC 1454): «Todos os cristãos se devem preparar para a celebração do Sacramento, antes de mais pela oração. Mas a preparação próxima é, sem dúvida, a comparação da própria vida com o exemplo e os ensinamentos de Jesus. É a isto que chamamos o Exame de Consciência» (Secretariado Nacional da Educação Cristã, «Estou com Jesus. Guia do Catequista», Lisboa 1992, 141). Este «exame» há de provocar o arrependimento ou contrição. Embora se possa dizer que «entre os atos do penitente, a contrição ocupa o primeiro lugar» (CIC 1451), não se pode ignorar que o «primado» está no amor de Deus e no reconhecimento desse amor na vida de cada pessoa. Face ao reconhecimento do amor de Deus, «surge o desejo de melhorar; a isto chamamos ‘arrependimento’. A ele chegamos quando reparamos na contradição entre o amor de Deus e o nosso pecado. Então, enchemo-nos de dor pelo nosso pecado, propomo-nos a mudar a nossa vida e depositamos toda a nossa esperança na ajuda de Deus» (Catecismo Jovem da Igreja Católica [YOUCAT], 229).

Confissão

«Chama-se confissão, sobretudo, à acusação dos pecados perante o ministro da Igreja, no sacramento da Reconciliação penitencial. É um dos ‘atos do penitente’ neste sacramento, junto com a dor interior, o propósito e as obras de conversão. Talvez o ato mais característico, na sensibilidade do povo cristão, de tal modo que, durante séculos, a este sacramento se lhe chamou ‘confissão, ir confessar-se’» (José Aldazábal, «Dicionário Elementar de Liturgia» [DEL], ed. Paulinas, Prior Velho, 2007, 81). Além de estar relacionada com a acusação dos pecados, a confissão também diz respeito ao «reconhecimento e louvor da santidade de Deus e da sua misericórdia para com o ser humano pecador» (CIC 1424).

Penitência

«A penitência é a reparação de uma injustiça cometida. Ela não deve acontecer apenas na cabeça, mas tem de se exteriorizar em atos de amor e em compromisso a favor dos outros» (YOUCAT 230). Neste sentido, a «penitência» (ou «satisfação») «não é só rezar umas orações apressadas, mas iniciar uma caminhada nova, caminhada de gente convertida e renovada pelo perdão» (José Bortolini, 92)..

Absolvição

«Do latim, ‘absolutio’ (absolver, desatar, perdoar, declarar livre de culpa ou obrigação). Em vida, Jesus Cristo perdoava, pessoal e diretamente, aos pecadores. Agora, é a Igreja que perdoa em nome de Cristo [...] A absolvição é a resposta à palavra de humilde acusação do penitente. Ao ‘eu me acuso’ responde o ‘eu te absolvo’, em nome de Deus. [...] A absolvição, com as suas palavras e os seus gestos, é o momento culminante do sacramento. Nela se torna visível e audível a aplicação a cada penitente da reconciliação que Cristo nos obteve na sua entrega pascal da Cruz» (DEL 14-15). Há dois gestos que, embora não sejam específicos deste sacramento, são, contudo, significativos: a imposição das mãos (ou, pelo menos, da mão direita) sobre a cabeça do penitente e o sinal da cruz.

«O momento após a absolvição é como um duche após o treino desportivo, como o ar fresco após uma tempestade de verão, como o despertar numa brilhante manhã de verão, como a leveza do mergulhador... Está tudo dito na palavra ‘reconciliação’ (re = novamente; concilium = concílio, união): a nossa relação com Deus fica novamente limpa» (YOUCAT 239).






Reflexões semanais sobre a «fé celebrada» (liturgia e Sacramentos) — Laboratório da fé, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 16.4.14 | Sem comentários
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