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Anunciar a alegria da fé! [5]


«O que é que é feito, em nossos dias, daquela energia escondida da Boa Nova, suscetível de impressionar profundamente a consciência dos homens e mulheres? Até que ponto e como é que essa força evangélica está em condições de transformar verdadeiramente o ser humano deste nosso século? Quais os métodos que hão de ser seguidos para proclamar o Evangelho de modo a que a sua potência possa ser eficaz? Tais perguntas, no fundo, exprimem o problema fundamental que a Igreja hoje põe a si mesma e que nós poderíamos equacionar assim: [...] encontrar-se-á a Igreja mais apta para anunciar o Evangelho e para o inserir no coração dos seres humanos, com convicção, liberdade de espírito e eficácia? Sim ou não?» (EN 4) — escritas em 1975 pelo papa Paulo VI, no décimo aniversário da conclusão do Concílio, são palavras (ainda) atuais passados 40 anos (50 do Concílio).

Quem evangelizamos?

A alegria do Evangelho tem um alcance universal (cf. tema 3). Por isso, todos são destinatários da evangelização, a começar pelos que aceitam a missão de ser evangelizadores! O papa Francisco sintetiza a dinâmica evangelizadora em três âmbitos: «pastoral ordinária»; «pessoas batizadas que não vivem as exigências do Batismo»; os que «não conhecem Jesus Cristo». Para explicitar estes três âmbitos o Papa serve-se de palavras proferidas pelos seus antecessores (João Paulo II e Bento XVI): «Em primeiro lugar, mencionamos o âmbito da pastoral ordinária, ‘animada pelo fogo do Espírito a fim de incendiar os corações dos fiéis que frequentam regularmente a comunidade, reunindo-se no dia do Senhor, para se alimentarem da sua Palavra e do Pão de vida eterna’. Devem ser incluídos também neste âmbito os fiéis que conservam uma fé católica intensa e sincera, exprimindo-a de diversos modos, embora não participem frequentemente no culto. Esta pastoral está orientada para o crescimento dos crentes, a fim de corresponderem cada vez melhor e com toda a sua vida ao amor de Deus. Em segundo lugar, lembramos o âmbito das ‘pessoas batizadas que, porém, não vivem as exigências do Batismo’, não sentem uma pertença cordial à Igreja e já não experimentam a consolação da fé. Mãe sempre solícita, a Igreja esforça-se para que elas vivam uma conversão que lhes restitua a alegria da fé e o desejo de se comprometerem com o Evangelho. Por fim, frisamos que a evangelização está essencialmente relacionada com a proclamação do Evangelho àqueles que não conhecem Jesus Cristo ou que sempre O recusaram. Muitos deles buscam secretamente a Deus, movidos pela nostalgia do seu rosto, mesmo em países de antiga tradição cristã. Todos têm o direito de receber o Evangelho» (EG 14). Aliás, «João Paulo II convidou-nos a reconhecer que ‘não se pode perder a tensão para o anúncio’ àqueles que estão longe de Cristo, ‘porque esta é a tarefa primária da Igreja’» (EG 15).

Proselitismo ou atração?

O anúncio da alegria do Evangelho é um dever de todos os cristãos, «sem excluir ninguém, e não como quem impõe uma nova obrigação, mas como quem partilha uma alegria, indica um horizonte estupendo, oferece um banquete apetecível. A Igreja não cresce por proselitismo, mas ‘por atração’» (EG 14).

Pastoral missionária

Inspirada na Encíclica sobre a validade permanente do mandato missionário («Redemptoris Missio»), dada à Igreja pelo papa João Paulo II no dia sete de dezembro do ano de 1990, no vigésimo quinto aniversário do decreto conciliar «Ad gentes», a EG recorda que «a atividade missionária ‘ainda hoje representa o máximo desafio para a Igreja’ e ‘a causa missionária deve ser [...] a primeira de todas as causas’. Que sucederia se tomássemos realmente a sério estas palavras? Simplesmente reconheceríamos que a ação missionária é o paradigma de toda a obra da Igreja. Nesta linha, os Bispos latino-americanos afirmaram que ‘não podemos ficar tranquilos, em espera passiva, em nossos templos’, sendo necessário passar ‘de uma pastoral de mera conservação para uma pastoral decididamente missionária’. Esta tarefa continua a ser a fonte das maiores alegrias para a Igreja: ‘Haverá mais alegria no Céu por um só pecador que se converte, do que por noventa e nove justos que não necessitam de conversão’ (Lucas 15, 7)» (EG 15).

Estou pronto para anunciar a alegria do Evangelho? Reconheço que, em primeiro lugar, preciso de ser evangelizado para ser um bom evangelizador? Quero ser um evangelizador que «partilha uma alegria» ou que «impõe uma nova obrigação»? A missão pode ser comparada a uma pesca: prefiro a linha (um a um) ou a rede (multidão)? Fico à espera ou vou ao encontro?

© Laboratório da fé, 2015 







Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 5.11.15 | Sem comentários

Anunciar a alegria da fé! [4]


A Exortação Apostólica sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual («Evangelii Gaudium — EG) convida a descobrir «a doce e reconfortante alegria de evangelizar» (EG 9-13). Quem acolhe a salvação tem de fazer esta descoberta; é chamado a perceber o sentido duma autêntica «antropologia da missão» que assenta no duplo movimento de acolhimento e partilha (cf. tema 3).

Porque é que evangelizamos?

Em primeiro lugar, porque o Senhor Jesus Cristo confiou essa missão aos seus discípulos; é a missão da Igreja (cf. tema 1). Neste sentido, «é absolutamente indispensável colocar-nos bem diante dos olhos [...] o dever também de o apresentar aos homens e mulheres do nosso tempo, tanto quanto isso é possível, de uma maneira compreensível e persuasiva» (Paulo VI, Exortação Apostólica sobre a evangelização no mundo contemporâneo — «Evangelii Nuntiandi» — EN 3). Por isso, não nos pode surpreender a afirmação de Paulo: «Ai de mim, se eu não evangelizar!» (1Coríntios 9, 16; cf. EG 9). Evangelizamos para anunciar ao mundo a salvação oferecida por Jesus Cristo. Na sequência dos números anteriores (cf. tema 3), o papa Francisco acrescenta: evangelizamos porque «o bem tende sempre a comunicar-se. Toda a experiência autêntica de verdade e de beleza procura, por si mesma, a sua expansão; e qualquer pessoa que viva uma libertação profunda adquire maior sensibilidade face às necessidades dos outros. E, uma vez comunicado, o bem radica-se e desenvolve-se. Por isso, quem deseja viver com dignidade e em plenitude, não tem outro caminho senão reconhecer o outro e buscar o seu bem» (EG 9). Na verdade, citando o Documento de Aparecida, a EG recorda: «quando a Igreja faz apelo ao compromisso evangelizador, não faz mais do que indicar aos cristãos o verdadeiro dinamismo da realização pessoal: “[...] ‘A vida se alcança e amadurece à medida que é entregue para dar vida aos outros’. Isto é, definitivamente, a missão”». Então, não é possível ser evangelizador e «ter constantemente uma cara de funeral». Pelo contrário, é preciso recuperar — usando as palavras do papa Paulo VI — «a suave e reconfortante alegria de evangelizar, mesmo quando for preciso semear com lágrimas! [...] E que o mundo do nosso tempo, que procura ora na angústia ora com esperança, possa receber a Boa Nova dos lábios, não de evangelizadores tristes e descoroçoados, impacientes ou ansiosos, mas sim de ministros do Evangelho cuja vida irradie fervor, pois foram quem recebeu primeiro em si a alegria de Cristo» (EG 10; EN 80). Importa ter presente o constante recurso que a EG faz aos textos do Documento de Aparecida (V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe, realizada em 2007) e da Exortação Apostólica do papa Paulo VI sobre a evangelização no mundo contemporâneo (publicada no dia 8 de dezembro de 1975).

Uma eterna novidade

«A verdadeira novidade é aquela que o próprio Deus misteriosamente quer produzir, aquela que Ele inspira, aquela que Ele provoca, aquela que Ele orienta e acompanha de mil e uma maneiras» (EG 12). Neste sentido, o Papa lembra que o verdadeiro motor da renovação pessoal e comunitária consiste em «voltar à fonte e recuperar o frescor original do Evangelho», de onde «despontam novas estradas, métodos criativos, outras formas de expressão, sinais mais eloquentes, palavras cheias de renovado significado para o mundo atual» (EG 11). Assim sendo, a renovação da Igreja depende, em grande parte, da capacidade em «recuperar o frescor original do Evangelho». Trata-se de um desafio decisivo. Compete-nos aceitá-lo com ousadia. Caso contrário, tudo pode ficar apenas em reformas e inovações que em nada contribuem para a conversão radical a Jesus Cristo. Até porque a evangelização não é uma «heroica tarefa pessoal»; é «obra de Deus»: Jesus Cristo é que «é ‘o primeiro e o maior evangelizador’. Em qualquer forma de evangelização, o primado é sempre de Deus, que quis chamar-nos para cooperar com Ele e impelir-nos com a força do seu Espírito» (EG 12). Esta abertura ao «Deus missionário» (que toma sempre a iniciativa) pede-nos para não esquecer que «a memória é uma dimensão da nossa fé», pelo que «a alegria evangelizadora refulge sempre sobre o horizonte da memória agradecida» de todas as «pessoas simples e próximas de nós, que nos iniciaram na vida da fé [...]. O crente é, fundamentalmente, ‘uma pessoa que faz memória’» (EG 13).

O Evangelho de Jesus Cristo é sempre «boa» e «nova» notícia? Ou é uma notícia já conhecida e aborrecida? Como posso recuperar o «frescor original do Evangelho»? Qual é a minha experiência da «novidade» de Deus?

© Laboratório da fé, 2015 






Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 29.10.15 | Sem comentários

Anunciar a alegria da fé! [3]


A exemplo do II Concílio do Vaticano, na Constituição Pastoral sobre a Igreja no mundo atual («Gaudium et Spes» — GS), e de Paulo VI, na Exortação Apostólica sobre a alegria cristã («Gaudete in Domino» — GD), a EG coloca de novo o tema da alegria no caminho da Igreja. «A Alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus» (EG 1). Esta alegria, que possui um alcance universal, começa por ser proposta em dois momentos: acolher a alegria do Evangelho, renovar a alegria do encontro com Jesus Cristo; levar aos outros, comunicar-lhes essa mesma alegria.

Alegria universal

A EG retoma as palavras do papa Paulo VI para recordar que «da alegria trazida pelo Senhor ninguém é excluído» (EG 2; GD 297). Este alcance universal é uma das consequências da transformação missionária que resulta do encontro com o Ressuscitado.

Alegria que se renova

A EG convida a uma alegria simples e desprendida, pois ela nasce do encontro com Alguém que muda tudo: «Com Jesus Cristo, renasce sem cessar a alegria» (EG 1). Por isso, o Papa convida «todo o cristão, em qualquer lugar e situação que se encontre, a renovar hoje mesmo o seu encontro pessoal com Jesus Cristo ou, pelo menos, a tomar a decisão de se deixar encontrar por Ele, de O procurar dia a dia sem cessar» (EG 3). Esta alegria não é uma alegria ingénua. O cristão sabe, por experiência própria, que há «etapas e circunstâncias da vida, por vezes muito duras», nas quais «a alegria não se vive da mesma maneira». Contudo, existe sempre a segurança de «um feixe de luz que nasce da certeza pessoal de, não obstante o contrário, sermos infinitamente amados» e de que «a misericórdia do Senhor não acaba, não se esgota a sua compaixão. Cada manhã ela se renova» (EG 6).

Alegria na Sagrada Escritura

«O Evangelho, onde resplandece gloriosa a Cruz de Cristo, convida insistentemente à alegria» (EG 5). O texto recorda alguns dos momentos evangélicos mais significativos onde se reflete esta dimensão jubilosa: saudação do anjo a Maria; visita de Maria a Isabel; início do ministério de Jesus Cristo. «A sua mensagem é fonte de alegria [...]. A nossa alegria cristã brota da fonte do seu coração transbordante». A mesma alegria repercute-se na vida dos primeiros discípulos, conforme destaca o livro dos Atos dos Apóstolos. «Porque não havemos de entrar, também nós, nesta torrente de alegria?» (EG 5). É a alegria do discipulado, é a alegria da salvação que tinha sido preanunciada no Antigo Testamento e «que havia de tornar-se superabundante nos tempos messiânicos». Entre outras, destacam-se as palavras dos profetas Isaías, Zacarias, Sofonias. Deste, para o papa Francisco, surge o «convite mais tocante [...] que nos mostra o próprio Deus como um centro irradiante de festa e de alegria, que quer comunicar ao seu povo este júbilo salvífico. Enche-me de vida reler este texto: ‘O Senhor, teu Deus, está no meio de ti como poderoso salvador! Ele exulta de alegria por tua causa, pelo seu amor te renovará. Ele dança e grita de alegria por tua causa’ (3, 17)». Hoje, esta «é a alegria que se vive no meio das pequenas coisas da vida quotidiana, como resposta ao amoroso convite de Deus nosso Pai» (EG 4).

Alegria que se comunica

A EG fala mais da alegria do que da cruz. A nossa meta é a Páscoa. Infelizmente, «há cristãos que parecem ter escolhido viver uma Quaresma sem Páscoa» (EG 6). São os que se deixam seduzir pela tentação de inventar «desculpas e queixas, como se tivesse de haver inúmeras condições para ser possível a alegria» (EG 7). São aqueles que se tornam permeáveis às propostas consumistas que produzem «uma tristeza individualista que brota do coração comodista e mesquinho, da busca desordenada de prazeres superficiais, da consciência isolada». E tornam-se «pessoas ressentidas, queixosas, sem vida» (EG 2). Mas há outro caminho! O Papa recorda que «as alegrias mais belas e espontâneas, que vi ao longo da minha vida, são as alegrias de pessoas muito pobres que têm pouco a que se agarrar. Recordo também a alegria genuína daqueles que, mesmo no meio de grandes compromissos profissionais, souberam conservar um coração crente, generoso e simples. De várias maneiras, estas alegrias bebem na fonte do amor maior, que é o de Deus, a nós manifestado em Jesus Cristo» (EG 7). Por isso, «se alguém acolheu este amor que lhe devolve o sentido da vida, como é que pode conter o desejo de o comunicar aos outros?» (EG 8).

O tom geral da minha vida é alegre e otimista? Renovo dia a dia o encontro com Jesus Cristo como fonte da minha alegria? Comunico-a aos outros?

© Laboratório da fé, 2015 





Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 22.10.15 | Sem comentários

Anunciar a alegria da fé! [1]


«A Igreja peregrina é, por sua natureza, missionária» (Decreto sobre a atividade missionária da Igreja — AG 2 — bit.ly/AdGentes), a Igreja «existe para evangelizar» (Paulo VI, Exortação Apostólica sobre a evangelização no mundo contemporâneo — EN 14 — bit.ly/PauloVI_EN). Este ano pastoral, focamos a nossa atenção na natureza, identidade, vocação e missão da Igreja: evangelizar. Por isso, «anunciar o Evangelho (fé anunciada) ‘não pode ser apenas o ponto conclusivo dos nossos programas pastorais’, tem de ser ‘a alma de toda a programação e de todos os itinerários de formação cristã’» (Programa Pastoral da Arquidiocese de Braga). A partir da Exortação Apostólica sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual [EG — bit.ly/EG_Alegria_Evangelho], vamos propor uma reflexão semanal (ao longo de 42 semanas) em três partes: evangelizar; discípulos missionários; paróquias missionárias.

Anunciar o Evangelho: a missão da Igreja

A Igreja nasceu da experiência fundadora de Jesus Cristo que foi enviado pelo Pai para salvar o mundo (cf. AG 3). Tendo vivido na história humana, Jesus Cristo confia uma missão clara aos seus discípulos: «Ide, pois, fazei discípulos de todos os povos» (Mateus 28, 19); «Ide pelo mundo inteiro, proclamai o Evangelho a toda a criatura» (Marcos, 16, 15). Com a consciência deste compromisso missionário, Paulo exprime-se assim numa das suas cartas: «Ai de mim, se eu não evangelizar!» (1Cor 9, 16). De então para cá, a Igreja continuou esta missão, ainda que o tenha feito de forma diversificada consoante as épocas. Chegados ao século XXI, surgem repetidas constatações semelhantes à que foi pronunciada pelos Bispos de Portugal: «O Evangelho de Jesus Cristo é cada vez menos conhecido. E para uma parte significativa daqueles que dizem conhecê-lo, é notório que já perdeu muito do seu encanto e significado. Este cenário é preocupante e pede, com urgência, à Igreja presente na cidade dos homens uma nova cultura de evangelização, que vá muito para além de uma simples pastoral de manutenção» (Carta Pastoral dos Bispos de Portugal, «Como Eu fiz, fazei vós também». Para um rosto missionário da Igreja em Portugal, 2010, 3 — bit.ly/BP_ComoEuFiz).

O que é evangelizar?

No décimo aniversário do encerramento do II Concílio do Vaticano, e na sequência do Sínodo dos Bispos (1974), Paulo VI apresentou, em 1975, a Exortação Apostólica sobre a evangelização (EN). Neste documento, o Papa define assim o significado do termo evangelizar: «Evangelizar, para a Igreja, é levar a Boa Nova a todas as parcelas da humanidade, em qualquer meio e latitude, e pelo seu influxo transformá-las a partir de dentro e tornar nova a própria humanidade: ‘Eis que faço de novo todas as coisas’. No entanto não haverá humanidade nova, se não houver em primeiro lugar homens novos, pela novidade do batismo e da vida segundo o Evangelho. A finalidade da evangelização, portanto, é precisamente esta mudança interior; e se fosse necessário traduzir isso em breves termos, o mais exato seria dizer que a Igreja evangeliza quando, unicamente firmada na potência divina da mensagem que proclama, ela procura converter ao mesmo tempo a consciência pessoal e coletiva dos homens, a atividade em que eles se aplicam, e a vida e o meio concreto que lhes são próprios» (EN 18). E concretiza: «Não haverá nunca evangelização verdadeira se o nome, a doutrina, a vida, as promessas, o reino, o mistério de Jesus de Nazaré, Filho de Deus, não forem anunciados» (EN 22). A evangelização acontece quando as palavras e os gestos, isto é, a vida de Jesus Cristo toca a mente e o coração das pessoas. Antes de mais, é «uma mudança interior», faz-se «a partir de dentro» provocando um novo estilo de vida, o estilo de vida cristão. Entretanto, João Paulo II propõe a necessidade «não de reevangelização mas de uma evangelização nova. Nova no seu entusiasmo, nos seus métodos, na sua expressão» (bit.ly/CELAM931983). Usadas pela primeira vez a 9 de março de 1983, no discurso na abertura da XIX Assembleia do Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM), as palavras «nova evangelização» tornaram-se comuns no contexto eclesial. Bento XVI continua na mesma linha ao convocar, em 2012, o Sínodo dos Bispos sobre «a nova evangelização para a transmissão da fé cristã». Entretanto, na sequência da resignação de Bento XVI, foi eleito o papa Francisco que, em vez da (habitual) Exortação Pós-Sinodal, num estilo de linguagem diferente, decidiu propor a todos os cristãos «uma nova etapa evangelizadora» marcada pela alegria, apresentando «caminhos para o percurso da Igreja nos próximos anos» (EG 1).

© Laboratório da fé, 2015 









Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 8.10.15 | Sem comentários

MARIA, A MÃE DA EVANGELIZAÇÃO!


Mergulhados na «mística do instante», vivemos a Páscoa na redescoberta do sentido do tato: convidados a experienciar o toque do Ressuscitado. Antes de mais, remete para a possibilidade de nos deixarmos tocar, como no caso de Tomé: «foi o Ressuscitado quem tocou em Tomé, tocou-o com o dom da fé». Ora, Maria, como mãe, foi a primeira a ser tocada, ainda no ventre. Depois, desde Belém até ao Calvário, quantas vezes não terá tocado e sido tocada pelo seu Menino! Maria foi a pessoa que melhor viveu o sentido do tato na relação humana e espiritual com Jesus Cristo. Por isso, em maio, «mês de Maria», ela une-se ao convite pascal para nos deixarmos tocar por Jesus Cristo e pelo Evangelho.

Maio, Mês de Maria: a mãe da evangelização!

«Juntamente com o Espírito Santo, sempre está Maria no meio do povo. Ela reunia os discípulos para O invocarem (Atos 1, 14), e assim tornou possível a explosão missionária que se deu no Pentecostes. Ela é a Mãe da Igreja evangelizadora e, sem Ela, não podemos compreender cabalmente o espírito da nova evangelização» — é com estas afirmações que o papa Francisco inicia a reflexão sobre Maria na Exortação Apostólica sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual. O Papa lembra que «ao pé da cruz, na hora suprema da nova criação, Cristo conduz-nos a Maria; conduz-nos a ela, porque não quer que caminhemos sem uma mãe [...]. Não é do agrado do Senhor que falte à sua Igreja o ícone feminino». Sãos os últimos quatro números (284 a 288) dedicados a «Maria, a mãe da evangelização»: «Ela é a mulher de fé, que vive e caminha na fé, e ‘a sua excecional peregrinação da fé representa um ponto de referência constante para a Igreja’. Ela deixou-Se conduzir pelo Espírito, através dum itinerário de fé, rumo a uma destinação feita de serviço e fecundidade. Hoje fixamos nela o olhar, para que nos ajude a anunciar a todos a mensagem de salvação e para que os novos discípulos se tornem operosos evangelizadores. [...] Há um estilo mariano na atividade evangelizadora da Igreja. Porque sempre que olhamos para Maria, voltamos a acreditar na força revolucionária da ternura e do afeto. Nela, vemos que a humildade e a ternura não são virtudes dos fracos, mas dos fortes, que não precisam de maltratar os outros para se sentir importantes. Fixando-a, descobrimos que aquela que louvava a Deus porque ‘derrubou os poderosos de seus tronos’ e ‘aos ricos despediu de mãos vazias’ (Lucas 1, 52.53) é mesma que assegura o aconchego dum lar à nossa busca de justiça. E é a mesma também que conserva cuidadosamente ‘todas estas coisas ponderando-as no seu coração’ (Lucas 2, 19). Maria sabe reconhecer os vestígios do Espírito de Deus tanto nos grandes acontecimentos como naqueles que parecem impercetíveis. É contemplativa do mistério de Deus no mundo, na história e na vida diária de cada um e de todos. É a mulher orante e trabalhadora em Nazaré, mas é também nossa Senhora da prontidão, a que sai ‘à pressa’ (Lucas 1, 39) da sua povoação para ir ajudar os outros. Esta dinâmica de justiça e ternura, de contemplação e de caminho para os outros faz d’Ela um modelo eclesial para a evangelização. Pedimos-Lhe que nos ajude, com a sua oração materna, para que a Igreja se torne uma casa para muitos, uma mãe para todos os povos, e torne possível o nascimento dum mundo novo. É o Ressuscitado que nos diz, com uma força que nos enche de imensa confiança e firmíssima esperança: ‘Eu renovo todas as coisas’ (Apocalipse 21, 5)».

Laboratório da Fé vivida

«Seguir os mistérios do Rosário deve, por esta razão, levar-nos a aprofundar as razões da nossa fé e a concretizar as obras que este dom exige. Obras que se apresentem como respostas credíveis a cenários de egoísmo e de indiferença. Se observarmos com atenção os contextos que nos rodeiam, não será difícil perceber que as Obras de Misericórdia se apresentam como indispensáveis. Não será oportuno pensarmos, neste mês de Maio, em modalidades objetivas e palpáveis para concretizar essas mesmas 14 Obras? Quantos momentos teremos para as viver!... Neste contexto, o mês de Maio será uma verdadeira escola, tendo Maria por Mestra da fé e da caridade. Aprenderemos a dar a vida e redescobriremos a nossa vocação de Filhos de Deus. Connosco teremos a responsabilidade pessoal de ir construindo um mundo diferente através de pequenos atos de amor que, diariamente, realizaremos para testemunhar uma vida verdadeiramente mariana. Com este testemunho também a Igreja terá um rosto mais materno, oferecendo vida a todos, sobretudo aos mais necessitados» (Dom Jorge Ortiga, Arcebispo de Braga).

© Laboratório da fé, 2015

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Maria, a mãe da evangelização!


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 1.5.15 | Sem comentários

Viver a fé! [5]


O segundo capítulo do Compêndio da Doutrina Social da Igreja intitula-se «Missão da Igreja e Doutrina Social». Neste capítulo, abordam-se assuntos como a relação entre a evangelização e a doutrina social (I), a natureza da doutrina social (II) e os acenos históricos da doutrina social no nosso tempo (III). Este tema resume o conteúdo da primeira parte do capítulo — «Evangelização e Doutrina Social» (números 60 a 71) — estruturada em quatro partes: A Igreja, morada de Deus com os homens (60 e 61); Fecundar e fermentar, com o Evangelho, a sociedade (62 a 65); Doutrina social, evangelização e promoção humana (66 a 68); Direito e dever da Igreja (69 a 71).

A Igreja, morada de Deus com os homens

A Igreja é apresentada com imagens sugestivas que fundamentam a sua missão (cf. tema 4) no meio da humanidade: «sacramento do amor de Deus», «a tenda da companhia de Deus», «ministra da salvação», «perita em humanidade». Estas expressões mostram que o ser humano «não se encontra só, perdido ou transtornado no seu empenho em humanizar o mundo, mas encontra amparo no amor redentor de Cristo» (60). Este amor torna-se visível através da Igreja. Essa é a sua missão: «A Igreja, partícipe das alegrias e esperanças, das angústias e das tristezas dos homens, é solidária com todo o homem e toda a mulher, de todo o lugar e de todo o tempo, e leva-lhes a Boa Nova do Reino de Deus, que, com Jesus Cristo, se vem colocar no meio deles» (60). Com a sua doutrina social, a Igreja mostra que está atenta ao ser humano, «está apta a compreendê-lo na sua vocação e nas suas aspirações, nos seus limites e nos seus apuros, nos seus direitos e nas suas tarefas, e a ter para com ele uma palavra de vida que ressoe nas vicissitudes históricas e sociais da existência humana» (61).

Fecundar e fermentar, com o Evangelho, a sociedade

O Compêndio da Doutrina Social da Igreja explicita detalhadamente em que consiste a missão da Igreja (cf. tema 4). Agora, além de recordar que a missão da Igreja é anunciar o Evangelho, acrescenta que também é sua missão «atualizar o Evangelho na complexa rede de relações sociais» (62). Na verdade, a Igreja entende que a sua missão a implica na criação de condições favoráveis para que o Evangelho de Jesus Cristo atinja a totalidade do ser humano e da sociedade. Neste contexto, recorre aos termos «fecundar» e «fermentar» (62) para explicar a sua missão na sociedade. Assim, através da sua doutrina social, «palavra que liberta», a Igreja anuncia, mas também «atualiza no curso da história o Evangelho do Reino, a mensagem de libertação e de redenção de Cristo» (63); ou seja, «promover uma sociedade à medida do homem porque à medida de Cristo: é construir uma cidade do homem mais humana porque mais conforme com o Reino de Deus» (63). Não se trata de se afastar da sua missão, mas de ser «rigorosamente fiel» (64) à missão. «Portadora da mensagem de Encarnação e de Redenção do Evangelho, a Igreja não pode percorrer outra via: com a sua doutrina social e com a ação eficaz que ela ativa, não somente não falseia o seu rosto e a sua missão, mas também é fiel a Cristo e revela-se aos homens como ‘universal sacramento da salvação’» (65).

Doutrina social, evangelização e promoção humana

«Nada é alheio à evangelização e esta não seria completa se não levasse em conta o recíproco apelo que continuamente se fazem o Evangelho e a vida concreta, pessoal e social do homem» (66). Por isso, a doutrina social é apresentada como «‘um instrumento de evangelização’ e desenvolve-se no encontro sempre renovado entre a mensagem evangélica e a história humana» (67). Trata-se da «função profética» própria da missão da Igreja, «um ministério que procede não só do anúncio, mas também do testemunho» (67). Contudo, a Igreja «não entra em questões técnicas e não institui nem propõe sistemas ou modelos de organização social» (68).

Direito e dever da Igreja

«Com a sua doutrina social, a Igreja propõe-se ‘assistir o homem no caminho da salvação’: trata-se do seu fim precípuo e único» (69). Quer dizer que «a Igreja tem o direito de ser para o homem mestra de verdades da fé: da verdade não só do dogma, mas também da moral que dimana da mesma natureza humana e do Evangelho» (70). Este direito também se configura como um dever: «a Igreja não pode renunciar a ele sem se desmentir a si mesma e desmentir a sua fidelidade a Cristo» (71).

«Ai de mim se não evangelizar!». A admonição de Paulo na Primeira Carta aos Coríntios (9, 16) «ressoa na consciência da Igreja como um apelo a percorrer todas as vias da evangelização» (71).

© Laboratório da fé, 2014 
Os números entre parêntesis dizem respeito ao «Compêndio da Doutrina Social da Igreja» 
na versão portuguesa editada em 2005 pela editora «Princípia» 





Laboratório da fé, 2014


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 6.11.14 | Sem comentários

Mistério da fé! [13]


«O candidato à Confirmação, que atingiu a idade da razão, deve professar a fé [...] e estar preparado para assumir o seu papel de discípulo e testemunha de Cristo» — diz o Catecismo da Igreja Católica (CIC), no número 1319. O sacramento da Confirmação tem entre os seus «efeitos» a proclamação pública da fé cristã, o compromisso de professar a fé em todos os âmbitos da vida. [Para ajudar a compreender melhor, ler: Isaías 61, 1-3; Catecismo da Igreja Católica, números 1302 a 1305]

«Enviou-me para levar a boa nova»

— relata o livro de Isaías, depois de afirmar a presença do Espírito. A missão do profeta é anunciar ao povo a alegria da restauração de Israel e o regresso do exílio. Os destinatários são os que sofrem, os desesperados, os exilados, os prisioneiros, os tristes, os aflitos. A mensagem é uma «Boa Nova», um «Evangelho»: o profeta anuncia um ano da graça, um tempo de alegria e de liberdade. Mais tarde, o próprio Jesus Cristo revê-se neste texto, de acordo com o relato do evangelho segundo Lucas (4, 14-21). Jesus Cristo confirma a palavra do profeta tornando atual a sua mensagem: «Cumpriu-se hoje mesmo esta passagem da Escritura». A afirmação fixa-se no hoje: a finalidade é que os ouvintes deem conta de que estão a viver um tempo de graça. O hoje inaugura o tempo da salvação. Neste sentido, também podemos aplicar este texto aos cristãos confirmados na fé. O confirmado recebe o dom do Espírito Santo, é ungido, é enviado para viver e testemunhar a fé em Jesus Cristo. «Como os profetas do Antigo Testamento recebiam a força do Espírito de Deus para cumprir a missão (cf. Isaías 40 e 61); como Cristo, no Jordão, ao sair da água batismal, ouviu a voz do Pai e recebeu a força do Espírito para começar a sua missão; como a comunidade apostólica, nascida da Páscoa de Cristo, ouviu a voz do Pai e recebeu a força do Espírito para começar a sua missão, assim o cristão, na Confirmação, vê completada e levada à plenitude a graça batismal com este novo dom do Espírito para a vivência da sua fé e para a sua missão dentro da Igreja e do mundo» (José Aldazábal, «Dicionário Elementar de Liturgia» [DEL], ed. Paulinas, Prior Velho, 2007, 80).

Confirmação

O nome de «Confirmação» atribuído a este sacramento aparece no século V. Fausto de Riez, bispo galês, que viveu entre 405 e 490, terá sido um dos primeiros a utilizar esta terminologia. Durante os primeiros séculos da Igreja, o Batismo e a Confirmação fazem parte do mesmo «ritual» sacramental da Iniciação Cristã que ocorria durante a Vigília Pascal. A partir do século IV, o cristianismo alarga geograficamente os seus horizontes (constituição de pároquias nos ambientes rurais) e estabelece-se o costume de batizar os recém-nascidos. «Duas evoluções que impedem o bispo de presidir a todos os batismos na Vigília Pascal e que levam à nomeação de padres para presidirem aos destinos das novas comunidades locais» (AA. VV., «Preparar, celebrar e viver a Confirmação», Difusora Bíblica, Fátima 1997, 22). No Oriente, manteve-se a prática dos Sacramentos da Iniciação Cristã numa única celebração. «No Ocidente, porque se desejava reservar ao bispo completar o Batismo, instaurou-se a separação no tempo, dos dois sacramentos» (CIC 1290).

Profissão de fé

Os cristãos, «pelo sacramento da Confirmação, [...] ficam obrigados a difundir e defender a fé por palavras e obras como verdadeiras testemunhas de Cristo» (Constituição Dogmática sobre a Igreja — «Lumen Gentium», 11). Esta afirmação do II Concílio do Vaticano resume o essencial do compromisso cristão que o Catecismo da Igreja Católica apresenta como «efeitos» da Confirmação. «Ser confirmado significa fazer um acordo com Deus. O confirmando diz: sim, eu creio em Ti, meu Deus; dá-me o Teu Espírito Santo, para que eu Te pertença totalmente, nunca me separe de Ti e Te testemunhe com o corpo e com a alma, durante toda a minha vida, em obras e palavras, em bons e maus dias! E Deus diz: sim, Eu também creio em ti, Meu filho, e te darei o Meu Espírito e até a Mim mesmo; pertencer-te-ei totalmente; nunca Me separarei de ti, nesta e na vida eterna; estarei no teu corpo e na tua alma, nas tuas obras e nas tuas palavras; mesmo que Me esqueças, estarei sempre aqui, em bons e maus dias» (Catecismo Jovem da Igreja Católica [YOUCAT], 205).

Na sequência do Ano da Fé proclamado pelo papa Bento XVI (outubro de 2012 a novembro de 2013), no contexto da chamada «nova evangelização», a reflexão sobre o sacramento da Confirmação deve questionar-nos, consciencializar-nos e comprometer-nos com o anúncio e o testemunho do Evangelho: enviados para levar a boa nova.






Reflexões semanais sobre a «fé celebrada» (liturgia e Sacramentos) — Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 2.1.14 | Sem comentários

Mistério da fé! [8]


O Batismo é o primeiro sacramento e o primeiro dos sacramentos. «O Batismo, porta da vida e do reino, é o primeiro sacramento da nova lei, que Cristo propôs a todos para terem a vida eterna, e, em seguida, confiou à sua Igreja, juntamente com o Evangelho» (Ritual da Iniciação Cristã dos Adultos. Preliminares Gerais, 3). Neste tema, apresentamos o fundamento do Sacramento do Batismo associado ao mandato de Jesus Cristo ressuscitado confiado aos discípulos [Para ajudar a compreender melhor, ler: Mateus 28, 16-20; Catecismo da Igreja Católica (CIC), números 1213 a 1216]

«Ide... fazei discípulos... 

batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo»

— é, segundo a narração de Mateus, o mandato que Jesus Cristo ressuscitado confia aos (onze) discípulos. A presença terrena de Jesus Cristo continua com a presença missionária dos discípulos (até ao fim dos tempos). A fórmula batismal explicitamente trinitária — «em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo» — é única em todos os escritos do Novo Testamento. É provável que tenha origem na prática litúrgica já existente na comunidade a que pertence o evangelista Mateus.

Batismo

O Batismo é o primeiro dos sacramentos, o ponto de partida da Iniciação Cristã (cf. tema 7), «o fundamento de toda a vida cristã, o pórtico da vida no Espírito (‘porta da vida espiritual’) e a porta que dá acesso aos outros sacramentos» (Catecismo da Igreja Católica», 1213). A palavra «batismo» deriva do «grego, ‘baptisma’, que, por sua vez, vem de ‘bapto’ (banhar) e de ‘baptizdo’ (submergir, mergulhar na água). O seu sentido original é, portanto, banho, ablução externa, embora entendendo-a no seu sentido de purificação e vida nova» (José Aldazábal, «Dicionário Elementar de Liturgia» [DEL], ed. Paulinas, Prior Velho, 2007, 47).

Mandato de Cristo

Nos relatos evangélicos segundo Mateus e Marcos há uma referência ao mandato confiado aos discípulos: «Ide, pois, fazei discípulos de todos os povos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a cumprir tudo quanto vos tenho mandado» (Mateus 28, 19-20); «Ide pelo mundo inteiro, proclamai o Evangelho a toda a criatura. Quem acreditar e for batizado será salvo» (Marcos 16, 15-16). Jesus Cristo apresenta-se como aquele que ressuscitou de entre os mortos e que tem plena autoridade para encarregar os discípulos de continuarem até ao fim dos tempos a atividade que tinha iniciado. Os discípulos são enviados («Ide») ao mundo inteiro para proclamar o Evangelho, «fazer» discípulos, batizar e ensinar «a cumprir tudo» o que aprenderam de Jesus Cristo. O (novo) discipulado concretiza-se na adesão aos ensinamentos de Jesus Cristo («acreditar») e na participação na vida da Trindade através da celebração do Sacramento do Batismo. Com esta referência bíblica confirma-se que desde o tempo dos Apóstolos o Batismo tornou-se essencial para a adesão à fé cristã, juntamente com o acolhimento do Evangelho, a Boa Nova de Jesus Cristo. Em primeiro lugar, fica claro que a experiência pascal dos discípulos não é para o próprio consolo interior, mas para assumir uma missão universal. Esta missão é confiada por Jesus Cristo para que anunciem o Evangelho a «todos os povos», ao «mundo inteiro». O anúncio do Evangelho não tem nenhum tipo de fronteiras: geográficas, económicas, políticas, sociais, culturais... É universal por natureza. Hoje, esta continua a ser a missão confiada a todos os discípulos, a todos os cristãos. O Batismo não é para um consolo próprio, mas para dar continuidade à missão. O papa Francisco tem insistido com frequência na importância do mandato de Cristo: «Não se fechem, por favor! Isto é um perigo: fecharmo-nos na paróquia, com os amigos, no movimento, com aqueles que pensam as mesmas coisas que eu... Sabeis o que sucede? Quando a Igreja se fecha, adoece, fica doente. Imaginai um quarto fechado durante um ano; quando lá entras, cheira a mofo e há muitas coisas que não estão bem. A uma Igreja fechada sucede o mesmo: é uma Igreja doente. A Igreja deve sair de si mesma. Para onde? Para as periferias existenciais, sejam quais forem…, mas sair. Jesus diz-nos: ‘Ide pelo mundo inteiro! Ide! Pregai! Dai testemunho do Evangelho!’» (Francisco, Vigília de Pentecostes, 18 de maio de 2013). Em segundo lugar, a missão não consiste em transmitir uma «ideologia» ou uma simples «doutrina». A missão está associada ao batismo: «Quem acreditar e for batizado será salvo».

O Sacramento do Batismo é muito mais do que um simples rito ou ritual. Celebrar o Batismo significa mergulhar a totalidade da vida em Jesus Cristo para assumir uma vida nova.






Reflexões semanais sobre a «fé celebrada» (liturgia e Sacramentos) — Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 28.11.13 | Sem comentários

Outubro Missionário 2013


As obras missionárias pontifícias da Comissão Episcopal das Missões publicaram, como já é habitual, um guião para ajudar os cristãos, individualmente e em grupo, a crescer no compromisso missionário. «Que este Guião ajude a viver melhor o mês de Outubro, dedicado ao Rosário e à Missão» — pode ler-se no texto de apresentação. 

Neste contexto, a propósito do Dia Mundial das Missões, a celebrar no dia 20 de outubro, o papa Francisco escreveu uma mensagem alicerçada na temática da fé
Na Mensagem, o Papa começa por propor a fé como «um dom precioso de Deus, que abre a nossa mente para O podermos conhecer e amar». Este dom não é só para alguns, mas «oferecido a todos com generosidade»; também não é para ficar com cada um, mas para ser partilhado: «se o quisermos conversar apenas para nós mesmos, tornamo-nos cristãos isolados, estéreis e combalidos». E concluiu este ponto, dizendo: «Toda a comunidade é 'adulta', quando professa a fé, celebra-a com alegria na liturgia, vive a caridade e anuncia sem cessar a Palavra de Deus, saindo do próprio recinto para levá-la até às 'periferias', sobretudo a quem ainda não teve a oportunidade de conhecer Cristo».
A partir do contexto do aniversário dos cinquenta anos do Concílio, o Papa recorda que o dever missionário é próprio de cada um e de todos os batizados: «todos somos enviados pelas estradas do mundo para caminhar com os irmãos, professando e testemunhando a nossa fé em Cristo e fazendo-nos arautos do seu Evangelho». E também não se trata de uma questão geográfica, porque o lugar da missionariedade é o «coração de cada homem e mulher».
Os obstáculos colocados à evangelização — diz o Papa — não estão apenas no exterior, mas também dentro da própria Igreja. Destes obstáculos destaca o (nosso) relaxe no fervor, na alegria, na coração, na esperança de anunciar e na ajuda ao ser humano contemporâneo para encontrar Jesus Cristo. «Devemos sempre ter a coragem e a alegria de propor, com respeito, o encontro com Cristo e de nos fazermos portadores do seu Evangelho; Jesus veio ao nosso meio para nos indicar o caminho da salvação e confiou, também a nós, a missão de a fazer conhecer a todos, até aos confins do mundo». Sem esquecer que «evangelizar nunca é um acto isolado, individual, privado, mas sempre eclesial».
O tempo presente — marcado pela deslocação constante de pessoas e famílias inteiras, marcado pelo aumento do número «daqueles que vivem alheios à fé, indiferentes à dimensão religiosa ou animados por outras crenças», marcado pela crise que «atinge vários setores da existência» — reclama uma «nova evangelização», precisa de «uma luz segura». Neste contexto, «torna-se ainda mais urgente levar corajosamente a todas as realidades o Evangelho de Cristo, que é anúncio de esperança, de reconciliação, de comunhão, anúncio da proximidade de Deus, da sua misericórdia, da sua salvação, anúncio de que a força de amor de Deus é capaz de vencer as trevas do mal e guiar pelo caminho do bem».



Oração missionária

Espírito Santo,
que desceste sobre os Apóstolos 
e os fizeste anunciadores do Evangelho:
derrama os teus dons sobre cada um de nós
e torna-nos sensíveis aos apelos e às necessidades dos nossos irmãos;
desperta em muitos corações (crianças, jovens e adultos...) o ideal missionário;
dá força e coragem a todos quantos se entregam totalmente ao serviço da missão.
Amen.



Intenção missionária do Apostolado da Oração

Para que a Jornada Missionária Mundial 
nos anime a ser destinatários 
e anunciadores da Palavra de Deus.

Como todos os anos, celebramos no penúltimo domingo de Outubro, que este ano ocorre no dia 20, o Dia Mundial Missionário. A finalidade desta celebração é a de nos recordar aquilo que nunca deveríamos esquecer: todos, pelo batismo, somos evangelizadores, missionários. Este dia não deve ser, portanto, um momento esporádico na nossa vida cristã, mas só mais uma ocasião para refletirmos na nossa vocação missionária.
E somos todos missionários porque a Igreja é missionária na sua mesma essência, como têm declarado os Papas, em variadas ocasiões, e esta dimensão missionária da Igreja tem que estar sempre presente na mente de todos os cristãos. A Igreja existe para evangelizar. Afirmou, por exemplo, o Papa Paulo VI, na Exortação apostólica «Evangelii nuntiandi»: «[A proclamação do Evangelho] é para a Igreja um dever que lhe incumbe, por mandato do Senhor Jesus, a fim de que os homens possam acreditar e ser salvos». Este mandato missionário que Cristo confiou aos seus discípulos tem que concretizar-se no empenho de todo o povo de Deus; deve envolver todas as atividades das Igrejas particulares, todos os seus setores, todo o seu ser e agir.
Todos aqueles que se encontraram com Cristo ressuscitado sentiram a necessidade de anunciá-Lo aos outros, como aconteceu com os discípulos de Emaús, com Maria Madalena e tantos outros. O mesmo deve acontecer connosco. Se vivemos a ressurreição, se a fé que ela desperta é uma verdadeira realidade na nossa vida, havemos de sentir a necessidade imperiosa de a partilhar. Com efeito, a fé não é um dom (o maior da nossa vida), para guardar para si, mas para comunicar aos outros, para que também eles a possam experimentar.
Como diz a Intenção Missionária deste mês, somos, ao mesmo tempo, destinatários e anunciadores da Palavra que desperta a fé. Mas só quando esta Palavra Se faz carne dentro de cada um é que pode ser anunciada com verdade. Doutro modo, o anúncio soará a oco.
Sobretudo ao longo deste mês, deixemo-nos possuir pela Palavra de Deus, porque só assim é que seremos levados a uma comunicação mais ativa, persuadidos de que a fé se fortalece quando é comunicada.




Mensagem do Papa 
para o Dia Mundial das Missões

Queridos irmãos e irmãs,
Este ano, a celebração do Dia Mundial das Missões tem lugar próximo da conclusão do Ano da Fé, ocasião importante para revigorarmos a nossa amizade com o Senhor e o nosso caminho como Igreja que anuncia, com coragem, o Evangelho. Nesta perspectiva, gostaria de propor algumas reflexões.
1. A fé é um dom precioso de Deus, que abre a nossa mente para O podermos conhecer e amar. Ele quer entrar em relação connosco, para nos fazer participantes da sua própria vida e encher plenamente a nossa vida de significado, tornando-a melhor e mais bela. Deus ama-nos! Mas a fé pede para ser acolhida, ou seja, pede a nossa resposta pessoal, a coragem de nos confiarmos a Deus e vivermos o seu amor, agradecidos pela sua infinita misericórdia. Trata-se de um dom que não está reservado a poucos, mas é oferecido a todos com generosidade: todos deveriam poder experimentar a alegria de se sentirem amados por Deus, a alegria da salvação. E é um dom que não se pode conservar exclusivamente para si mesmo, mas deve ser partilhado; se o quisermos conservar apenas para nós mesmos, tornamo-nos cristãos isolados, estéreis e combalidos. O anúncio do Evangelho é um dever que brota do próprio ser discípulo de Cristo e um compromisso constante que anima toda a vida da Igreja. «O ardor missionário é um sinal claro da maturidade de uma comunidade eclesial» (Bento XVI, Exort. ap. Verbum Domini, 95). Toda a comunidade é «adulta», quando professa a fé, celebra-a com alegria na liturgia, vive a caridade e anuncia sem cessar a Palavra de Deus, saindo do próprio recinto para levá-la até às «periferias», sobretudo a quem ainda não teve a oportunidade de conhecer Cristo. A solidez da nossa fé, a nível pessoal e comunitário, mede-se também pela capacidade de a comunicarmos a outros, de a espalharmos, de a vivermos na caridade, de a testemunharmos a quantos nos encontram e partilham connosco o caminho da vida.
2. Celebrado cinquenta anos depois do início do II Concílio do Vaticano, este Ano da Fé serve de estímulo para a Igreja inteira adquirir uma renovada consciência da sua presença no mundo contemporâneo, da sua missão entre os povos e as nações. A missionariedade não é questão apenas de territórios geográficos, mas de povos, culturas e indivíduos, precisamente porque os «confins» da fé não atravessam apenas lugares e tradições humanas, mas o coração de cada homem e mulher. O II Concílio do Vaticano pôs em evidência de modo especial como seja próprio de cada batizado e de todas as comunidades cristãs o dever missionário, o dever de alargar os confins da fé: «Como o Povo de Deus vive em comunidades, sobretudo diocesanas e paroquiais, e é nelas que, de certo modo, se torna visível, pertence a estas dar também testemunho de Cristo perante as nações» (Decr. Ad gentes, 37). Por isso, cada comunidade é interpelada e convidada a assumir o mandato, confiado por Jesus aos Apóstolos, de ser suas «testemunhas em Jerusalém, por toda a Judeia e Samaria e até aos confins do mundo» (Act 1, 8); e isso, não como um aspeto secundário da vida cristã, mas um aspeto essencial: todos somos enviados pelas estradas do mundo para caminhar com os irmãos, professando e testemunhando a nossa fé em Cristo e fazendo-nos arautos do seu Evangelho. Convido os bispos, os presbíteros, os conselhos presbiterais e pastorais, cada pessoa e grupo responsável na Igreja a porem em relevo a dimensão missionária nos programas pastorais e formativos, sentindo que o próprio compromisso apostólico não é completo, se não incluir o propósito de «dar também testemunho perante as nações», perante todos os povos. Mas a missionariedade não é apenas uma dimensão programática na vida cristã; é também uma dimensão paradigmática, que diz respeito a todos os aspetos da vida cristã.
3. Com frequência, os obstáculos à obra de evangelização encontram-se, não no exterior, mas dentro da própria comunidade eclesial. Às vezes, estão relaxados o fervor, a alegria, a coragem, a esperança de anunciar a todos a Mensagem de Cristo e ajudar os homens do nosso tempo a encontrá-Lo. Por vezes há ainda quem pense que levar a verdade do Evangelho seja uma violência à liberdade. A propósito, são iluminantes estas palavras de Paulo VI: «Seria certamente um erro impor qualquer coisa à consciência dos nossos irmãos. Mas propor a essa consciência a verdade evangélica e a salvação em Jesus Cristo, com absoluta clareza e com todo o respeito pelas opções livres que essa consciência fará (...), é uma homenagem a essa liberdade» (Exort. ap. Evangelii nuntiandi, 80). Devemos sempre ter a coragem e a alegria de propor, com respeito, o encontro com Cristo e de nos fazermos portadores do seu Evangelho; Jesus veio ao nosso meio para nos indicar o caminho da salvação e confiou, também a nós, a missão de a fazer conhecer a todos, até aos confins do mundo. Com frequência, vemos que a violência, a mentira, o erro é que são colocados em evidência e propostos. É urgente fazer resplandecer, no nosso tempo, a vida boa do Evangelho pelo anúncio e o testemunho, e isso dentro da Igreja. Porque, nesta perspetiva, é importante não esquecer jamais um princípio fundamental para todo o evangelizador: não se pode anunciar Cristo sem a Igreja. Evangelizar nunca é um acto isolado, individual, privado, mas sempre eclesial. Paulo VI escrevia que, «quando o mais obscuro dos pregadores, dos catequistas ou dos pastores, no rincão mais remoto, prega o Evangelho, reúne a sua pequena comunidade, ou administra um sacramento, mesmo sozinho, ele perfaz um acto de Igreja». Ele não age «por uma missão pessoal que se atribuísse a si próprio, ou por uma inspiração pessoal, mas em união com a missão da Igreja e em nome da mesma» (ibid., 60). E isto dá força à missão e faz sentir a cada missionário e evangelizador que nunca está sozinho, mas é parte de um único Corpo animado pelo Espírito Santo.
4. Na nossa época, a difusa mobilidade e a facilidade de comunicação através dos novos meios de comunicação social misturaram entre si os povos, os conhecimentos e as experiências. Por motivos de trabalho, há famílias inteiras que se deslocam de um continente para outro; os intercâmbios profissionais e culturais, assim como o turismo e fenómenos análogos impelem a um amplo movimento de pessoas. Às vezes, resulta difícil até mesmo para as comunidades paroquiais conhecer, de modo seguro e profundo, quem está de passagem ou quem vive estavelmente no território. Além disso, em áreas sempre mais amplas das regiões tradicionalmente cristãs, cresce o número daqueles que vivem alheios à fé, indiferentes à dimensão religiosa ou animados por outras crenças. Não raro, alguns batizados fazem opções de vida que os afastam da fé, tornando-os assim carecidos de uma «nova evangelização». A tudo isso se junta o facto de que larga parte da humanidade ainda não foi atingida pela Boa Nova de Jesus Cristo. Ademais vivemos num momento de crise que atinge vários setores da existência, e não apenas os da economia, das finanças, da segurança alimentar, do meio ambiente, mas também os do sentido profundo da vida e dos valores fundamentais que a animam. A própria convivência humana está marcada por tensões e conflitos, que provocam insegurança e dificultam o caminho para uma paz estável. Nesta complexa situação, onde o horizonte do presente e do futuro parecem atravessados por nuvens ameaçadoras, torna-se ainda mais urgente levar corajosamente a todas as realidades o Evangelho de Cristo, que é anúncio de esperança, de reconciliação, de comunhão, anúncio da proximidade de Deus, da sua misericórdia, da sua salvação, anúncio de que a força de amor de Deus é capaz de vencer as trevas do mal e guiar pelo caminho do bem. O homem do nosso tempo necessita de uma luz segura que ilumine a sua estrada e que só o encontro com Cristo lhe pode dar. Com o nosso testemunho de amor, levemos a este mundo a esperança que nos dá a fé! A missionariedade da Igreja não é proselitismo, mas testemunho de vida que ilumina o caminho, que traz esperança e amor. A Igreja – repito mais uma vez – não é uma organização assistencial, uma empresa, uma ONG, mas uma comunidade de pessoas, animadas pela ação do Espírito Santo, que viveram e vivem a maravilha do encontro com Jesus Cristo e desejam partilhar esta experiência de profunda alegria, partilhar a Mensagem de salvação que o Senhor nos trouxe. É justamente o Espírito Santo que guia a Igreja neste caminho.
5. Gostaria de encorajar a todos para que se façam portadores da Boa Nova de Cristo e agradeço, de modo especial, aos missionários e às missionárias, aos presbíteros «fidei donum», aos religiosos e às religiosas, aos fiéis leigos – cada vez mais numerosos – que, acolhendo a chamada do Senhor, deixaram a própria pátria para servir o Evangelho em terras e culturas diferentes. Mas queria também sublinhar como as próprias Igrejas jovens se estão empenhando generosamente no envio de missionários às Igrejas que se encontram em dificuldade – não raro Igrejas de antiga cristandade – levando assim o vigor e o entusiasmo com que elas mesmas vivem a fé que renova a vida e dá esperança. Viver com este fôlego universal, respondendo ao mandato de Jesus «ide, pois, fazei discípulos de todos os povos» (Mt 28, 19), é uma riqueza para cada Igreja particular, para cada comunidade; e dar missionários nunca é uma perda, mas um ganho. Faço apelo, a todos aqueles que sentem esta chamada, para que correspondam generosamente à voz do Espírito, segundo o próprio estado de vida, e não tenham medo de ser generosos com o Senhor. Convido também os bispos, as famílias religiosas, as comunidades e todas as agregações cristãs a apoiarem, com perspicácia e cuidadoso discernimento, a vocação missionária «ad gentes» e a ajudarem as Igrejas que precisam de sacerdotes, de religiosos e religiosas e de leigos para revigorar a comunidade cristã. E a mesma atenção deveria estar presente entre as Igrejas que fazem parte de uma Conferência Episcopal ou de uma Região: é importante que as Igrejas mais ricas de vocações ajudem, com generosidade, aquelas que padecem a sua escassez.
Ao mesmo tempo exorto os missionários e as missionárias, especialmente os presbíteros «fidei donum» e os leigos, a viverem com alegria o seu precioso serviço nas Igrejas aonde foram enviados e a levarem a sua alegria e esperança às Igrejas donde provêm, recordando como Paulo e Barnabé, no final da sua primeira viagem missionária, «contaram tudo o que Deus fizera com eles e como abrira aos pagãos a porta da fé» (Act 14, 27). Eles podem assim tornar-se caminho para uma espécie de «restituição» da fé, levando o vigor das Igrejas jovens às Igrejas de antiga cristandade a fim de que estas reencontrem o entusiasmo e a alegria de partilhar a fé, numa permuta que é enriquecimento recíproco no caminho de seguimento do Senhor.
A solicitude por todas as Igrejas, que o Bispo de Roma partilha com os irmãos Bispos, encontra uma importante aplicação no empenho das Obras Missionárias Pontifícias, cuja finalidade é animar e aprofundar a consciência missionária de cada batizado e de cada comunidade, seja apelando à necessidade de uma formação missionária mais profunda de todo o Povo de Deus, seja alimentando a sensibilidade das comunidades cristãs para darem a sua ajuda a favor da difusão do Evangelho no mundo.
Por fim, o meu pensamento vai para os cristãos que, em várias partes do mundo, encontram dificuldade em professar abertamente a própria fé e ver reconhecido o direito a vivê-la dignamente. São nossos irmãos e irmãs, testemunhas corajosas – ainda mais numerosas do que os mártires nos primeiros séculos – que suportam com perseverança apostólica as várias formas actuais de perseguição. Não poucos arriscam a própria vida para permanecer fiéis ao Evangelho de Cristo. Desejo assegurar que estou unido, pela oração, às pessoas, às famílias e às comunidades que sofrem violência e intolerância, e repito-lhes as palavras consoladoras de Jesus: «Tende confiança, Eu já venci o mundo» (Jo 16, 33).
Bento XVI exortava: «Que “a Palavra do Senhor avance e seja glorificada” (2 Ts 3, 1)! Possa este Ano da Fé tornar cada vez mais firme a relação com Cristo Senhor, dado que só n’Ele temos a certeza para olhar o futuro e a garantia dum amor autêntico e duradouro» (Carta ap. Porta fidei, 15). Tais são os meus votos para o Dia Mundial das Missões deste ano. Abençoo de todo o coração os missionários e as missionárias e todos aqueles que acompanham e apoiam este compromisso fundamental da Igreja para que o anúncio do Evangelho possa ressoar em todos os cantos da terra e nós, ministros do Evangelho e missionários, possamos experimentar «a suave e reconfortante alegria de evangelizar» (Paulo VI, Exort. ap. Evangelii nuntiandi, 80).

Vaticano, 19 de maio de 2013 — Solenidade de Pentecostes

Outubro Missionário 2013 — Dia Mundial das Missões
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 1.10.13 | Sem comentários

A porta da fé [7]


Estamos a nove semanas de concluir o Ano da Fé, que se iniciou em outubro de 2012 e terminará em novembro de 2013. Semanalmente, apresentamos um número da Carta Apostólica do papa Bento XVI com a qual proclamou o Ano da Fé — «A porta da fé» («Porta Fidei»). E juntamos uma proposta de reflexão elaborada por Pedro Jaramillo. O objetivo é dar um contributo para uma avaliação mais cuidada sobre a forma como estamos a viver o Ano da Fé. Bom proveito!

«Caritas Christi urget nos – o amor de Cristo nos impele» (2Coríntios 5, 14): é o amor de Cristo que enche os nossos corações e nos impele a evangelizar. Hoje, como outrora, Ele envia-nos pelas estradas do mundo para proclamar o seu Evangelho a todos os povos da terra (cf. Mateus 28, 19). Com o seu amor, Jesus Cristo atrai a Si os homens e mulheres de cada geração: em todo o tempo, Ele convoca a Igreja confiando-lhe o anúncio do Evangelho, com um mandato que é sempre novo. Por isso, também hoje é necessário um empenho eclesial mais convicto a favor duma nova evangelização, para descobrir de novo a alegria de crer e reencontrar o entusiasmo de comunicar a fé. Na descoberta diária do seu amor, ganha força e vigor o compromisso missionário dos crentes, que jamais pode faltar. Com efeito, a fé cresce quando é vivida como experiência de um amor recebido e é comunicada como experiência de graça e de alegria. A fé torna-nos fecundos, porque alarga o coração com a esperança e permite oferecer um testemunho que é capaz de gerar: de facto, abre o coração e a mente dos ouvintes para acolherem o convite do Senhor a aderir à sua Palavra a fim de se tornarem seus discípulos. Os crentes – atesta Santo Agostinho – «fortificam-se acreditando» [12]. O Santo Bispo de Hipona tinha boas razões para falar assim. Como sabemos, a sua vida foi uma busca contínua da beleza da fé enquanto o seu coração não encontrou descanso em Deus [13]. Os seus numerosos escritos, onde se explica a importância de crer e a verdade da fé, permaneceram até aos nossos dias como um património de riqueza incomparável e consentem ainda que tantas pessoas à procura de Deus encontrem o justo percurso para chegar à «porta da fé».
Por conseguinte, só acreditando é que a fé cresce e se revigora; não há outra possibilidade de adquirir certeza sobre a própria vida, senão abandonar-se progressivamente nas mãos de um amor que se experimenta cada vez maior porque tem a sua origem em Deus.

[12] De utilitate credendi, 1, 2
[13] Cf. Confissões, 1, 1

A porta da fé [Carta Apostólica para o Ano da Fé - «Porta Fidei»]

  • A porta da fé — números publicados no Laboratório da fé > > >



Aspetos que se podem sublinhar

  • O Ano da Fé tem que ver também com a evangelização: o amor de Cristo incita-nos a evangelizar os homens e mulheres da nossa geração.
  • Hoje, há necessidade de um compromisso eclesial mais convicto a favor da nova evangelização e do compromisso missionário. A dimensão missionário é um eixo transversal a toda a pastoral da Igreja. 
  • A fé cresce na medida em que somos capazes de a partilhar. A fé abre o coração e a mente dos que escutam a Palavra e acolhem o convite do Senhor para ser seus discípulos. Conhecer Jesus Cristo pela fé é a nossa alegria; transmitir este tesouro é o encargo que recebemos do Senhor Jesus Cristo.
  • A fé só cresce e se fortalece acreditando, abandonados a um amor que se experimenta sempre maior, porque procede de Deus.

Interiorizando

  • Examino se guardo a minha fé só para mim ou estou disposto a partilhá-la através de um verdadeiro ato de testemunho e missão. Como Igreja somos chamados a uma missão: sair da comodidade e da tibieza, para ir ao encontro....

  • Examino se «oculto» a minha fé, porque me falta vida e tenho medo que me apontem como um mau cristão: daqueles que dizem, mas não fazem. Há muita gente que não quer aparecer diante dos outros como crente em Cristo. Será para que os outros não apontem as minhas incoerências?

  • Examino se estou empenhado na tarefa missionária, com o desejo de partilhar o que eu mesmo recebi: a melhor prenda, a minha própria fé. Não nos fica bem estar instalados numa «pastoral de manutenção» e esquecermos a necessidade de uma «pastoral decididamente missionária».

  • Examino se a minha fé está a ficar pequena e me estou a afastar, porque não sou capaz nem tenho coragem para a partilhar...

© Pedro Jaramillo
© Tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013

Partilha connosco a tua reflexão!


Bento XVI, Carta Apostólica «A porta da fé»
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 26.9.13 | Sem comentários

Jornada Mundial da Juventude


No dia 27 de julho de 2013, o papa Francisco presidiu à celebração da Eucaristia, na catedral de São Sebastião, em Copacabana (Rio de Janeiro, Brasil), com os bispos, presbíteros, diáconos, religiosos e seminaristas. Na homilia, o Papa refletiu sobre três aspectos da vocação: chamados por Deus; chamados para anunciar o Evangelho; chamados a promover a cultura do encontro. E desafiou os presentes a ter a mesma coragem de Paulo e Barnabé, para anunciar o Evangelho aos jovens.
Em primeiro lugar, recordou que no início da vocação está um convite de Deus, uma eleição divina. Por isso, é o «viver em Cristo» que configura a vocação. Não é a criatividade pastoral, não são as reuniões ou planeamentos que garantem os frutos, mas ser fiel a Jesus. 
Depois, recordou que o chamamento divino tem uma missão: anunciar o Evangelho. Ajudemos os jovens a perceberem que ser discípulo missionário é uma consequência de ser batizado, é parte essencial do ser cristão, e que o primeiro lugar onde evangelizar é a própria casa, o ambiente de estudo ou de trabalho, a família e os amigos. Neste ponto, reforçou a importância da escuta e a coragem de sair para ir ao encontro das periferias. Não podemos ficar encerrados na paróquia, nas nossas comunidades, quando há tanta gente à espera do Evangelho! Não se trata simplesmente de abrir a porta para acolher, mas de sair pela porta fora para procurar e encontrar. 
Em terceiro lugar, desafiou os presentes a promover a cultura do encontro. Isto para lutar contra a corrente da cultura da eficácia, da exclusão e do descartável. Às vezes parece que, para alguns, as relações humanas são regidas por dois «dogmas» modernos: eficiência e pragmatismo. Temos de ser servidores da comunhão e da cultura do encontro. 

Amados Irmãos em Cristo,
Vendo esta catedral lotada com Bispos, sacerdotes, seminaristas, religiosos e religiosas vindos do mundo inteiro, penso nas palavras do Salmo da Missa de hoje: «Que as nações vos glorifiquem, ó Senhor» (Salmo 66). Sim, estamos aqui reunidos para glorificar o Senhor; e o fazemos reafirmando a nossa vontade de sermos seus instrumentos, para que não somente algumas nações mas todas glorifiquem o Senhor. Com a mesma parresia – coragem, ousadia – de Paulo e Barnabé, anunciemos o Evangelho aos nossos jovens para que encontrem Cristo, luz para o caminho, e se tornem construtores de um mundo mais fraterno. Neste sentido, queria refletir convosco sobre três aspectos da nossa vocação: chamados por Deus; chamados para anunciar o Evangelho; chamados a promover a cultura do encontro.

Chamados por Deus
É importante reavivar em nós esta realidade que, frequentemente, damos por descontada em meio a tantas atividades do dia-a-dia: «Não fostes vós que me escolhestes, mas eu que vos escolhi», diz-nos Jesus (João 15, 16). Significa retornar à fonte do nosso chamamento. No início de nosso caminho vocacional, há uma eleição divina. Fomos chamados por Deus, e chamados para permanecer com Jesus (cf. Marcos 3, 14), unidos a Ele de um modo tão profundo que nos permite dizer com São Paulo: «Eu vivo, mas não eu, é Cristo que vive em mim» (Gálatas 2, 20). Este viver em Cristo configura realmente tudo aquilo que somos e fazemos. E esta «vida em Cristo» é justamente o que garante a nossa eficácia apostólica, a fecundidade do nosso serviço: «Eu vos designei para irdes e para que produzais fruto e o vosso fruto permaneça» (João 15, 16). Não é a criatividade pastoral, não são as reuniões ou planeamentos que garantem os frutos, mas ser fiel a Jesus, que nos diz com insistência: «Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós» (João 15, 4). E nós sabemos bem o que isso significa: Contemplá-lo, adorá-lo e abraçá-lo, particularmente através da nossa fidelidade à vida de oração, do nosso encontro diário com Ele presente na Eucaristia e nas pessoas mais necessitadas. O «permanecer» com Cristo não é se isolar, mas é um permanecer para ir ao encontro dos outros. Vem-me à cabeça umas palavras da Bem-aventurada Madre Teresa de Calcutá: «Devemos estar muito orgulhosas da nossa vocação, que nos dá a oportunidade de servir Cristo nos pobres. É nas favelas, nos 'cantegriles' nas Villas miseria, que nós devemos ir procurar e servir a Cristo. Devemos ir até eles como o sacerdote se aproxima do altar, cheio de alegria» (Mother Instructions, I, 80). Jesus, Bom Pastor, é o nosso verdadeiro tesouro; procuremos fixar sempre mais n’Ele o nosso coração (cf. Lc 12, 34).

Chamados para anunciar o Evangelho
Queridos bispos e sacerdotes, muitos de vós, senão todos, vieram acompanhar os seus jovens à Jornada Mundial da Juventude. Eles também ouviram as palavras do mandato de Jesus: «Ide e fazei discípulos entre todas as nações» (cf. Mateus 28, 19). É nosso compromisso ajudá-los a fazer arder, no seu coração, o desejo de serem discípulos missionários de Jesus. Certamente muitos, diante desse convite, poderiam sentir-se um pouco atemorizados, imaginando que ser missionário significa deixar necessariamente o País, a família e os amigos. Deus quer que sejamos missionários. Onde estamos? Onde Ele nos coloca: na nossa Pátria ou onde Ele nos colocar. Ajudemos os jovens a perceberem que ser discípulo missionário é uma consequência de ser batizado, é parte essencial do ser cristão, e que o primeiro lugar onde evangelizar é a própria casa, o ambiente de estudo ou de trabalho, a família e os amigos. Ajudemos os jovens. Escutemos os seus sonhos. Eles precisam de ser escutados. Para escutar as suas deceções, as suas dificuldades, é preciso estar sentados, para escutar talvez o mesmo libreto, mas com múscia diferente, com identidades diferentes. A paciência de escutar! Peço-vos de todo o coração. No confessionário, na direção espiritual, no acompanhamento. Saibamos perder tempo com eles. Semear custa e cansa, cansa muitíssimo! Mas é muito mais gratificante gozar a colheita... Todos gozamos mais com a colheita! Mas Jesus pede-nos para semearmos a sério. Não poupemos esforços na formação dos jovens. São Paulo usa uma bela expressão, que se tornou realidade na sua vida, dirigindo-se aos seus cristãos: «Meus filhos, por vós sinto de novo as dores do parto até Cristo ser formado em vós» (Gálatas 4, 19). Também nós façamos que isso se torne realidade no nosso ministério! Ajudemos os nossos jovens a descobrir a coragem e a alegria da fé, a alegria de ser pessoalmente amados por Deus. Isto é muito difícil, mas quando um jovem o entende, quando um jovem sente-o com a unção que lhe dá o Espírito Santo, este ser amado pessoalmente por Deus acompanha-o durante toda a vida. A alegria que teve o seu Filho Jesus pela nossa salvação. Eduquemo-los para a missão, para sair, para partir, portadores da fé pelas ruas. Jesus fez assim com os seus discípulos: não os manteve colados a si, como uma galinha com os seus pintainhos; enviou-os! Não podemos ficar encerrados na paróquia, nas nossas comunidades, quando há tanta gente à espera do Evangelho! Não se trata simplesmente de abrir a porta para acolher, mas de sair pela porta fora para procurar e encontrar. Empurremos os jovens para saírem. Porventura, vão fazer asneiras. Não tenhamos medo! Os apóstolos fizeram-nas antes de nós. Empurremo-los para sair! Decididamente pensemos a pastoral a partir da periferia, daqueles que estão mais afastados, daqueles que habitualmente não frequentam a paróquia. Eles são os convidados VIP. Ide buscá-los às encruzilhadas dos caminhos.

Chamados a promover a cultura do encontro
Ser chamados por Jesus, chamados para evangelizar e, terceiro, chamados a promover a cultura do encontro. Em muitos ambientes, em geral neste humanismo economicista que se instalou no mundo, abriu-se espaço para a cultura da exclusão, a «cultura do descartável». Não há lugar para o idoso, nem para o filho não desejado; não há tempo para se deter com o pobre caído à margem da estrada. Às vezes parece que, para alguns, as relações humanas são regidas por dois «dogmas» modernos: eficiência e pragmatismo. Queridos Bispos, sacerdotes, religiosos e também vós, seminaristas, que vos preparais para o ministério, tende a coragem de ir contra a corrente. Tende coragem! Lembrem-se, a mim faz-me muito bem, medito-o com frequência. Tomem o Primeiro Livro dos Macabeus. Lembrem-se quando quiserem assumir a cultura da época. «Não! Não deixemos! Comamos de tudo como toda a gente... Bom, a Lei sim, mas que não seja tanto...». E foram deixando a fé para estar inseridos na corrente dessa cultura. Tende coragem para ir contra a corrente desta cultura do eficientismo, desta cultura do descartável. O encontro e o acolhimento de todos, a solidariedade, uma palavra que está a ser escondida por esta cultura, quase uma palavra feia, a solidariedade e a fraternidade são os elementos que tornam a nossa civilização verdadeiramente humana.
Temos de ser servidores da comunhão e da cultura do encontro. Deveríamos ser quase obsessivos neste aspecto! Não queremos ser presunçosos, impondo a «nossa verdade», mas guiados pela certeza humilde e feliz de quem foi encontrado, alcançado e transformado pela Verdade que é Cristo, e não pode deixar de anunciá-la (cf. Lucas 24, 13-35).
Queridos irmãos e irmãs, fomos chamados por Deus, com nome e apelido, cada um de nós, chamados para anunciar o Evangelho e a promover com alegria a cultura do encontro. A Virgem Maria seja o nosso modelo. Na sua vida, Ela deu «exemplo daquele amor de mãe que deve animar todos os que colaboram na missão apostólica da Igreja para gerar os seres humanos para uma vida nova» («Lumen Gentium», 65).
Pedimos-lhe que nos ensine a nos encontrarmos diariamente com Jesus. E, quando estivermos distraídos, porque temos muitas coisas, e o sacrário fica abandonado, que nos conduza pela mão. Peçamos-lhe. Olha, Mãe, quando andar meio assim, por outro lado, conduz-me pela mão. Que nos empurre a sair ao encontro de tantos irmãos e irmãs que estão na periferia, que têm sede de Deus e não há quem o anuncie. Que não nos tire a casa, mas que nos empurre a sair de casa. Assim, sejamos discípulos do Senhor. Que Ela nos conceda a todos esta graça.

Rio de Janeiro, 27 de julho de 2013
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Chamados por Deus para anunciar o Evangelho e a promover a cultura do encontro
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 9.8.13 | Sem comentários

Jornada Mundial da Juventude


Entre os dias 23 e 28 de julho de 2013, realiza-se, no Rio de Janeiro, Brasil, a XXVIII Jornada Mundial da Juventude, sob o tema: «Ide e fazei discípulos entre todas as nações». O papa Bento XVI escreveu uma mensagem de preparação para este encontro mundial de jovens, onde destaca a importância da evangelização feita pelos jovens aos outros jovens. Para concretizar este apelo urgente à evangelização, refere a necessidade primeira do encontro pessoal com Jesus Cristo.

Queridos jovens,
[...] A conhecida estátua do Cristo Redentor, que se eleva sobre aquela bela cidade brasileira, será o símbolo eloquente deste convite: os seus braços abertos são o sinal do acolhimento que o Senhor reservará a todos quantos vierem até Ele, e o seu coração retrata o imenso amor que Ele tem por cada um e cada uma de vós. Deixai-vos atrair por Ele! Deixai-vos amar por Ele e sereis as testemunhas de que o mundo precisa.
«Ide e fazei discípulos entre todas as nações» (cf. Mateus 28, 19). Trata-se da grande exortação missionária que Cristo deixou para toda a Igreja e que permanece atual ainda hoje, dois mil anos depois. Agora este mandato deve ressoar fortemente no vosso coração. [...]

1. Um apelo urgente

A história mostra-nos muitos jovens que, através do dom generoso de si mesmos, contribuíram grandemente para o Reino de Deus e para o desenvolvimento deste mundo, anunciando o Evangelho. Com grande entusiasmo, levaram a Boa Nova do Amor de Deus manifestado em Cristo, com meios e possibilidades muito inferiores àqueles de que dispomos hoje em dia. Penso, por exemplo, no Beato José de Anchieta, jovem jesuíta espanhol do século XVI, que partiu em missão para o Brasil quando tinha menos de vinte anos e se tornou um grande apóstolo do Novo Mundo. [...]
Hoje, não poucos jovens duvidam profundamente que a vida seja um bem, e não veem com clareza o próprio caminho. De um modo geral, diante das dificuldades do mundo contemporâneo, muitos se perguntam: E eu, que posso fazer? A luz da fé ilumina esta escuridão, fazendo-nos compreender que toda existência tem um valor inestimável, porque é fruto do amor de Deus. Ele ama mesmo quem se distanciou ou esqueceu d’Ele: tem paciência e espera; mais que isso, deu o seu Filho, morto e ressuscitado, para nos libertar radicalmente do mal. E Cristo enviou os seus discípulos para levar a todos os povos este alegre anúncio de salvação e de vida nova.
A Igreja, para continuar esta missão de evangelização, conta também convosco. Queridos jovens, vós sois os primeiros missionários no meio dos jovens da vossa idade! No final do II Concílio Ecuménico do Vaticano, cujo cinquentenário celebramos neste ano, o Servo de Deus Paulo VI entregou aos jovens e às jovens do mundo inteiro uma Mensagem que começava com estas palavras: «É a vós, rapazes e raparigas de todo o mundo, que o Concílio quer dirigir a sua última mensagem, pois sereis vós a recolher o facho das mãos dos vossos antepassados e a viver no mundo no momento das mais gigantescas transformações da sua história, sois vós quem, recolhendo o melhor do exemplo e do ensinamento dos vossos pais e mestres, ides constituir a sociedade de amanhã: salvar-vos-eis ou perecereis com ela». E concluía com um apelo: «Construí com entusiasmo um mundo melhor que o dos vossos antepassados!» (Mensagem aos jovens, 8 de dezembro de 1965).
Queridos amigos, este convite é extremamente atual. Estamos a passar por um período histórico muito particular: o progresso técnico deu-nos oportunidades inéditas de interação entre os seres humanos e entre os povos, mas a globalização destas relações só será positiva e fará crescer o mundo em humanidade se estiver fundada não sobre o materialismo mas sobre o amor, a única realidade capaz de encher o coração de cada um e unir as pessoas. Deus é amor. O ser humano que esquece Deus fica sem esperança e torna-se incapaz de amar o seu semelhante. Por isso, é urgente testemunhar a presença de Deus para que todos possam experimentá-la: está em jogo a salvação da humanidade, a salvação de cada um de nós. Qualquer pessoa que entenda essa necessidade, não poderá deixar de exclamar com São Paulo: «Ai de mim se eu não anunciar o Evangelho» (1Coríntios 9, 16).

2. Tornai-vos discípulos de Cristo

Este apelo missionário é dirigido a vós também por outro motivo: é necessário para o nosso caminho de fé pessoal. O Beato João Paulo II escrevia: «É dando a fé que ela se fortalece» (Encíclica Redemptoris missio, 2). Ao anunciar o Evangelho, vós mesmos cresceis num enraizamento cada vez mais profundo em Cristo, tornais-vos cristãos maduros. O compromisso missionário é uma dimensão essencial da fé: não se crê verdadeiramente, se não se evangeliza. E o anúncio do Evangelho não pode ser senão consequência da alegria de ter encontrado Cristo e ter descoberto n’Ele a rocha sobre a qual construir a própria existência. Comprometendo-vos no serviço aos outros e no anúncio do Evangelho, a vossa vida, muitas vezes fragmentada entre tantas atividades diversas, encontrará no Senhor a sua unidade; construir-vos-eis também a vós mesmos; crescereis e amadurecereis em humanidade.
Mas, que significa ser missionário? Significa acima de tudo ser discípulo de Cristo e ouvir sem cessar o convite a segui-Lo, o convite a fixar o olhar n’Ele: «Aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração» (Mateus 11, 29). O discípulo, de facto, é uma pessoa que se põe à escuta da Palavra de Jesus (cf. Lucas 10, 39), a quem reconhece como o Mestre que nos amou até ao dom da sua vida. Trata-se, portanto, de cada um de vós deixar-se plasmar diariamente pela Palavra de Deus: ela vos transformará em amigos do Senhor Jesus, capazes de fazer outros jovens entrar nesta mesma amizade com Ele.
Aconselho-vos a guardar na memória os dons recebidos de Deus, para poder transmiti-los ao vosso redor. Aprendei a reler a vossa história pessoal, tomai consciência também do maravilhoso legado recebido das gerações que vos precederam: tantos cristãos que nos transmitiram a fé com coragem, enfrentando obstáculos e incompreensões. Nunca o esqueçamos! Fazemos parte de uma longa cadeia de homens e mulheres que nos transmitiram a verdade da fé e contam connosco para que outros a recebam. Ser missionário pressupõe o conhecimento deste património recebido que é a fé da Igreja: é necessário conhecer aquilo em que se crê, para podê-lo anunciar. Como escrevi na introdução doYouCat, o Catecismo para jovens que vos entreguei no Encontro Mundial de Madrid, «tendes de conhecer a vossa fé como um especialista em informática domina o sistema operacional de um computador. Tendes de compreendê-la como um bom músico entende uma partitura. Sim, tendes de estar enraizados na fé ainda mais profundamente que a geração dos vossos pais, para enfrentar os desafios e as tentações deste tempo com força e determinação» (Prefácio).

3. Ide!

Jesus enviou os seus discípulos em missão com este mandato: «Ide pelo mundo inteiro e anunciai o Evangelho a toda criatura! Quem crer e for batizado será salvo» (Marcos 16, 15-16). Evangelizar significa levar aos outros a Boa Nova da salvação, e esta Boa Nova é uma pessoa: Jesus Cristo. Quando O encontro, quando descubro até que ponto sou amado por Deus e salvo por Ele, nasce em mim não apenas o desejo, mas a necessidade de fazê-lo conhecido pelos demais. No início do Evangelho de João, vemos como André, depois de ter encontrado Jesus, se apressa em conduzir a Ele o seu irmão Simão (cf. 1, 40-42). A evangelização parte sempre do encontro com o Senhor Jesus: quem se aproximou d’Ele e experimentou o seu amor, quer logo partilhar a beleza desse encontro e a alegria que nasce dessa amizade. Quanto mais conhecemos a Cristo, tanto mais queremos anunciá-lo. Quanto mais falamos com Ele, tanto mais queremos falar d’Ele. Quanto mais somos conquistados por Ele, tanto mais desejamos levar outras pessoas para Ele.
Pelo Batismo, que nos gera para a vida nova, o Espírito Santo vem habitar em nós e inflama a nossa mente e o nosso coração: é Ele que nos guia para conhecer a Deus e entrar em uma amizade sempre mais profunda com Cristo. É o Espírito que nos impulsiona a fazer o bem, servindo os outros com o dom de nós mesmos. Depois, através do sacramento da Confirmação, somos fortalecidos pelos seus dons, para testemunhar de modo sempre mais maduro o Evangelho. Assim, o Espírito de amor é a alma da missão: Ele nos impele a sair de nós mesmos para «ir» e evangelizar. Queridos jovens, deixai-vos conduzir pela força do amor de Deus, deixai que este amor vença a tendência de fechar-se no próprio mundo, nos próprios problemas, nos próprios hábitos; tende a coragem de «sair» de vós mesmos para «ir» ao encontro dos outros e guiá-los ao encontro de Deus.

4. Alcançai todos os povos

Cristo ressuscitado enviou os seus discípulos para dar testemunho de sua presença salvífica a todos os povos, porque Deus, no seu amor superabundante, quer que todos sejam salvos e ninguém se perca. Com o sacrifício de amor na Cruz, Jesus abriu o caminho para que todo o homem e toda a mulher possa conhecer a Deus e entrar em comunhão de amor com Ele. E constituiu uma comunidade de discípulos para levar o anúncio salvífico do Evangelho até os confins da terra, a fim de alcançar os homens e as mulheres de todos os lugares e de todos os tempos. Façamos nosso esse desejo de Deus!
Queridos amigos, estendei o olhar e vede ao vosso redor: tantos jovens perderam o sentido da sua existência. Ide! Cristo também precisa de vós. Deixai-vos envolver pelo seu amor, sede instrumentos desse amor imenso, para que alcance a todos, especialmente aos «afastados». Alguns encontram-se geograficamente distantes, enquanto outros estão longe porque a sua cultura não dá espaço para Deus; alguns ainda não acolheram o Evangelho pessoalmente, enquanto outros, apesar de o terem recebido, vivem como se Deus não existisse. A todos abramos a porta do nosso coração; procuremos entrar em diálogo com simplicidade e respeito: este diálogo, se vivido com uma amizade verdadeira, dará seus frutos. Os «povos», aos quais somos enviados, não são apenas os outros Países do mundo, mas também os diversos âmbitos de vida: as famílias, os bairros, os ambientes de estudo ou de trabalho, os grupos de amigos e os locais de lazer. O jubiloso anúncio do Evangelho destina-se a todos os âmbitos da nossa vida, sem exceção.
Gostaria de destacar dois campos, nos quais deve fazer-se ainda mais solícito o vosso empenho missionário. O primeiro é o das comunicações sociais, em particular o mundo da internet. Como tive já oportunidade de dizer-vos, queridos jovens, «senti-vos comprometidos a introduzir na cultura deste novo ambiente comunicador e informativo os valores sobre os quais assenta a vossa vida! [...] A vós, jovens, que vos encontrais quase espontaneamente em sintonia com estes novos meios de comunicação, compete de modo particular a tarefa da evangelização deste “continente digital”» (Mensagem para o XLIII Dia Mundial das Comunicações Sociais, 24 de maio de 2009). Aprendei, portanto, a usar com sabedoria este meio, levando em conta também os perigos que ele traz consigo, particularmente o risco da dependência, de confundir o mundo real com o virtual, de substituir o encontro e o diálogo direto com as pessoas por contatos na rede.
O segundo campo é o da mobilidade. Hoje são sempre mais numerosos os jovens que viajam, seja por motivos de estudo ou de trabalho, seja por diversão. Mas penso também em todos os movimentos migratórios, que levam milhões de pessoas, frequentemente jovens, a se transferir e mudar de Região ou País, por razões económicas ou sociais. Também estes fenómenos se podem tornar ocasiões providenciais para a difusão do Evangelho. Queridos jovens, não tenhais medo de testemunhar a vossa fé também nesses contextos: para aqueles com quem vos deparareis, é um dom precioso a comunicação da alegria do encontro com Cristo.

5. Fazei discípulos!

Penso que já várias vezes experimentastes a dificuldade de envolver os jovens da vossa idade na experiência da fé. Frequentemente tereis constatado que em muitos deles, especialmente em certas fases do caminho da vida, existe o desejo de conhecer a Cristo e viver os valores do Evangelho, mas tal desejo é acompanhado pela sensação de ser inadequados e incapazes. Que fazer? Em primeiro lugar, a vossa solicitude e a simplicidade do vosso testemunho serão um canal através do qual Deus poderá tocar o seu coração. O anúncio de Cristo não passa somente através das palavras, mas deve envolver toda a vida e traduzir-se em gestos de amor. A ação de evangelizar nasce do amor que Cristo infundiu em nós; por isso, o nosso amor deve conformar-se sempre mais ao d’Ele. Como o bom Samaritano, devemos manter-nos solidários com quem encontramos, sabendo escutar, compreender e ajudar, para conduzir, quem procura a verdade e o sentido da vida, à casa de Deus que é a Igreja, onde há esperança e salvação (cf. Lucas 10, 29-37). Queridos amigos, nunca esqueçais que o primeiro ato de amor que podeis fazer ao próximo é partilhar a fonte da nossa esperança: quem não dá Deus, dá muito pouco. Aos seus apóstolos, Jesus ordena: «Fazei discípulos meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-os a observar tudo o que vos ordenei» (Mateus 28, 19-20). Os meios que temos para «fazer discípulos» são principalmente o Batismo e a catequese. Isto significa que devemos conduzir as pessoas que estamos evangelizando ao encontro com Cristo vivo, particularmente na sua Palavra e nos Sacramentos: assim poderão crer n’Ele, conhecerão a Deus e viverão da sua graça. Gostaria que cada um de vós se perguntasse: Alguma vez tive a coragem de propor o Batismo a jovens que ainda não o receberam? Convidei alguém a seguir um caminho de descoberta da fé cristã? Queridos amigos, não tenhais medo de propor aos jovens da vossa idade o encontro com Cristo. Invocai o Espírito Santo: Ele vos guiará para entrardes sempre mais no conhecimento e no amor de Cristo, e vos tornará criativos na transmissão do Evangelho.

6. Firmes na fé

Diante das dificuldades na missão de evangelizar, às vezes sereis tentados a dizer como o profeta Jeremias: «Ah! Senhor Deus, eu não sei falar, sou muito novo». Mas, também a vós, Deus responde: «Não digas que és muito novo; a todos a quem eu te enviar, irás» (Jeremias 1, 6-7). Quando vos sentirdes inadequados, incapazes e frágeis para anunciar e testemunhar a fé, não tenhais medo. A evangelização não é uma iniciativa nossa nem depende primariamente dos nossos talentos, mas é uma resposta confiante e obediente à chamada de Deus, e portanto não se baseia sobre a nossa força, mas na d’Ele. Isso mesmo experimentou o apóstolo Paulo: «Trazemos esse tesouro em vasos de barro, para que todos reconheçam que este poder extraordinário vem de Deus e não de nós» (2Coríntios 4, 7).
Por isso convido-vos a enraizar-vos na oração e nos sacramentos. A evangelização autêntica nasce sempre da oração e é sustentada por esta: para poder falar de Deus, devemos primeiro falar com Deus. E, na oração, confiamos ao Senhor as pessoas às quais somos enviados, suplicando-Lhe que toque o seu coração; pedimos ao Espírito Santo que nos torne seus instrumentos para a salvação dessas pessoas; pedimos a Cristo que coloque as palavras nos nossos lábios e faça de nós sinais do seu amor. E, de modo mais geral, rezamos pela missão de toda a Igreja, de acordo com a ordem explícita de Jesus: «Pedi, pois, ao dono da messe que envie trabalhadores para a sua colheita!» (Mateus 9, 38). Sabei encontrar na Eucaristia a fonte da vossa vida de fé e do vosso testemunho cristão, participando com fidelidade na Missa ao domingo e sempre que possível também durante a semana. Recorrei frequentemente ao sacramento da Reconciliação: é um encontro precioso com a misericórdia de Deus que nos acolhe, perdoa e renova os nossos corações na caridade. E, se ainda não o recebestes, não hesiteis em receber o sacramento da Confirmação ou Crisma preparando-vos com cuidado e solicitude. Juntamente com a Eucaristia, é o sacramento da missão, porque nos dá a força e o amor do Espírito Santo para professar sem medo a fé. Encorajo-vos ainda à prática da adoração eucarística: permanecer à escuta e em diálogo com Jesus presente no Santíssimo Sacramento, torna-se ponto de partida para um renovado impulso missionário.
Se seguirdes este caminho, o próprio Cristo vos dará a capacidade de ser plenamente fiéis à sua Palavra e de testemunhá-Lo com lealdade e coragem. Algumas vezes sereis chamados a dar provas de perseverança, particularmente quando a Palavra de Deus suscitar reservas ou oposições. Em certas regiões do mundo, alguns de vós sofrem por não poder testemunhar publicamente a fé em Cristo, por falta de liberdade religiosa. E há quem já tenha pagado com a vida o preço da própria pertença à Igreja. Encorajo-vos a permanecer firmes na fé, certos de que Cristo está ao vosso lado em todas as provas. Ele vos repete: «Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo tipo de mal contra vós, por causa de mim. Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus» (Mateus 5, 11-12).

7. Com toda a Igreja

Queridos jovens, para permanecer firmes na confissão da fé cristã nos vários lugares onde sois enviados, precisais da Igreja. Ninguém pode ser testemunha do Evangelho sozinho. Jesus enviou em missão os seus discípulos juntos: o mandato «fazei discípulos» é formulado no plural. Assim, é sempre como membros da comunidade cristã que prestamos o nosso testemunho, e a nossa missão torna-se fecunda pela comunhão que vivemos na Igreja: seremos reconhecidos como discípulos de Cristo pela unidade e o amor que tivermos uns com os outros (cf. João 13, 35). Agradeço ao Senhor pela preciosa obra de evangelização que realizam as nossas comunidades cristãs, as nossas paróquias, os nossos movimentos eclesiais. Os frutos desta evangelização pertencem a toda a Igreja: «um é o que semeia e outro o que colhe», dizia Jesus (João 4, 37).
A propósito, não posso deixar de dar graças pelo grande dom dos missionários, que dedicam toda a sua vida ao anúncio do Evangelho até os confins da terra. Do mesmo modo bendigo o Senhor pelos sacerdotes e os consagrados, que ofertam inteiramente as suas vidas para que Jesus Cristo seja anunciado e amado. Desejo aqui encorajar os jovens chamados por Deus a alguma dessas vocações, para que se comprometam com entusiasmo: «Há mais alegria em dar do que em receber!» (Atos 20, 35). Àqueles que deixam tudo para segui-Lo, Jesus prometeu o cêntuplo e a vida eterna (cf. Mateus 19, 29).
Dou graças também por todos os fiéis leigos que se empenham por viver o seu dia-a-dia como missão, nos diversos lugares onde se encontram, tanto em família como no trabalho, para que Cristo seja amado e cresça o Reino de Deus. Penso particularmente em quantos atuam no campo da educação, da saúde, do mundo empresarial, da política e da economia, e em tantos outros âmbitos do apostolado dos leigos. Cristo precisa do vosso empenho e do vosso testemunho. Que nada – nem as dificuldades, nem as incompreensões – vos faça renunciar a levar o Evangelho de Cristo aos lugares onde vos encontrais: cada um de vós é precioso no grande mosaico da evangelização!

8. «Aqui estou, Senhor!»

Em suma, queridos jovens, queria-vos convidar a escutar no íntimo de vós mesmos o chamamento de Jesus para anunciar o seu Evangelho. Como mostra a grande estátua do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, o seu coração está aberto para amar a todos sem distinção, e seus braços estendidos para alcançar a cada um. Sede vós o coração e os braços de Jesus. Ide testemunhar o seu amor, sede os novos missionários animados pelo seu amor e acolhimento. Segui o exemplo dos grandes missionários da Igreja, como São Francisco Xavier e muitos outros.
No final da Jornada Mundial da Juventude em Madrid, dei a bênção a alguns jovens de diferentes continentes que partiam em missão. Representavam a multidão de jovens que, fazendo eco às palavras do profeta Isaías, diziam ao Senhor: «Aqui estou! Envia-me» (Isaías 6, 8). A Igreja tem confiança em vós e vos está profundamente grata pela alegria e o dinamismo que trazeis: usai os vossos talentos generosamente ao serviço do anúncio do Evangelho. Sabemos que o Espírito Santo se dá a quantos, com humildade de coração, se tornam disponíveis para tal anúncio. E não tenhais medo! Jesus, Salvador do mundo, está connosco todos os dias, até o fim dos tempos (cf. Mateus 28, 20). [...]
A Virgem Maria, Estrela da Nova Evangelização, também invocada sob os títulos de Nossa Senhora Aparecida e Nossa Senhora de Guadalupe, acompanhe cada um de vós na vossa missão de testemunhas do amor de Deus. A todos, com especial carinho, concedo a minha Bênção Apostólica.

Vaticano, 18 de outubro de 2012.
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Jornada Mundial da Juventude, Rio de Janeiro, Brasil, 23 a 28 de julho de 2013


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 22.7.13 | Sem comentários
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