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Anunciar a alegria da fé! [9]


O terceiro «aspeto fundamental» na formação do discípulo missionário é o discipulado. Como lembramos (cf. tema 6), também neste tópico a Exortação Apostólica sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual (EG) alimenta-se das ideias expressas no Documento de Aparecida (DAp).

Discipulado

Eis as palavras usadas pelos bispos da América Latina e do Caribe para explicitar este aspeto essencial na formação do discípulo missionário: «A pessoa amadurece constantemente no conhecimento, amor e seguimento de Jesus Mestre, se aprofunda no mistério de sua pessoa, de seu exemplo e de sua doutrina. Para esse passo são de fundamental importância a catequese permanente e a vida sacramental, que fortalecem a conversão inicial e permitem que os discípulos missionários possam perseverar na vida cristã e na missão no meio do mundo que os desafia» (DAp 278).

Amadurecimento

A base do discipulado assenta num processo de amadurecimento que acompanha toda a vida. Não é uma etapa da vida tendo em vista a passagem a uma outra etapa. Trata-se de um estado permanente marcado pelo «conhecimento, amor e seguimento de Jesus Mestre», que «se aprofunda» na sua pessoa, no seu exemplo e doutrina. Por isso, aqueles e aquelas que aceitam ser discípulos de Jesus Cristo entram numa escola permanente: são sempre aprendizes. «O próprio Senhor, na sua vida mortal, deu a entender várias vezes aos seus discípulos que havia coisas que ainda não podiam compreender e era necessário esperar o Espírito Santo (cf. João 16, 12-13)» (EG 225). Uma aprendizagem que conta sempre com a presença e a cooperação do Mestre. O discípulo «sabe que Jesus caminha com ele, fala com ele, respira com ele, trabalha com ele. Sente Jesus vivo com ele» (EG 266).

Catequese

Na formação do discípulo missionário, em que o amadurecimento é um processo ao longo da vida, a «catequese permanente» ocupa um lugar fundamental. Como nos temas anteriores, «também na catequese tem um papel fundamental o primeiro anúncio ou ‘querigma’, que deve ocupar o centro da atividade evangelizadora e de toda a tentativa de renovação eclesial» (EG 164). «Nada há de mais sólido, mais profundo, mais seguro, mais consistente e mais sábio que esse anúncio» (EG 165). Que anúncio é esse? «‘Jesus Cristo ama-te, deu a sua vida para te salvar, e agora vive contigo todos os dias para te iluminar, fortalecer, libertar’. Ao designar-se como ‘primeiro’ este anúncio, não significa que o mesmo se situa no início e que, em seguida, se esquece ou substitui por outros conteúdos que o superam; é o primeiro em sentido qualitativo, porque é o anúncio principal, aquele que sempre se tem de voltar a ouvir de diferentes maneiras e aquele que sempre se tem de voltar a anunciar, duma forma ou doutra, durante a catequese, em todas as suas etapas e momentos» (EG 164). Outro aspeto importante na «catequese permanente» tendo em vista a formação do discípulo missionário consiste na «iniciação mistagógica». Esta «significa essencialmente duas coisas: a necessária progressividade da experiência formativa na qual intervém toda a comunidade e uma renovada valorização dos sinais litúrgicos da iniciação cristã» (EG 166).

Vida Sacramental

O Documento de Aparecida faz ainda referência à «vida sacramental» em articulação com a «catequese permanente». A Eucaristia constitui «a plenitude da vida sacramental» (EG 47). Infelizmente, «são muitos os cristãos que não participam na Eucaristia dominical nem recebem com regularidade os sacramentos, nem se inserem ativamente na comunidade eclesial. [...] Este fenómeno nos desafia profundamente a imaginar e organizar novas formas de nos aproximar deles para ajudá-los a valorizar o sentido da vida sacramental, da participação comunitária e do compromisso cidadão» (DAp 286). Neste sentido, urge promover a dinâmica catecumenal subjacente à iniciação cristã. «A iniciação cristã, que inclui o ‘querigma’, é a maneira prática de colocar alguém em contato com Jesus Cristo e iniciá-lo no discipulado. Dá-nos, também, a oportunidade de fortalecer a unidade dos três sacramentos da iniciação, e aprofundar o rico sentido deles. A iniciação cristã, propriamente falando, refere-se à primeira iniciação nos mistérios da fé, seja na forma do catecumenato batismal para os não batizados, seja na forma do catecumenato pós-batismal para os batizados não suficientemente catequizados» (DAp 288).

Reconheço que ser discípulo é um processo de amadurecimento ao longo de toda a vida? Para mim, que importância tem a catequese permanente e a vida sacramental?

© Laboratório da fé, 2015 














Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 3.12.15 | Sem comentários

Anunciar a alegria da fé! [8]


O segundo «aspeto fundamental» que, de acordo com o Documento de Aparecida (DAp), marca o caminho na formação do discípulo missionário é a conversão. Este é uma consequência direta do primeiro: o encontro pessoal com Jesus Cristo (cf. tema 7). «Em nossa Igreja devemos oferecer a todos os nossos fiéis um ‘encontro pessoal com Jesus Cristo’, uma experiência religiosa profunda e intensa, um anúncio ‘querigmático’ e o testemunho pessoal dos evangelizadores, que leve a uma conversão pessoal e a uma mudança de vida integral» (DAp 226).

Conversão

A conversão é entrar num caminho «que não pode deixar as coisas como estão» (EG 25). Esta mudança não se propõe como uma vergonha, algo a esconder, mas como um desafio a reconhecer o desajuste entre a graça divina e as nossas opções humanas. Tal como o encontro com Jesus Cristo, que o Papa convida a renovar diariamente (cf. EG 3), a conversão é um processo contínuo que há de ser proposto a todos. Neste «todos» estão, por exemplo, aqueles e aquelas que «‘não vivem as exigências do Batismo’, não sentem uma pertença cordial à Igreja e já não experimentam a consolação da fé. Mãe sempre solícita, a Igreja esforça-se para que elas vivam uma conversão que lhes restitua a alegria da fé e o desejo de se comprometerem com o Evangelho. (EG 14). Os bispos da América Latina e do Caribe explicitam assim este aspeto essencial na formação do discípulo missionário: «É a resposta inicial de quem escutou o Senhor com admiração, crê nEle pela ação do Espírito, decide ser seu amigo e ir após Ele, mudando sua forma de pensar e de viver, aceitando a cruz de Cristo, consciente de que morrer para o pecado é alcançar a vida. No Batismo e no sacramento da Reconciliação se atualiza para nós a redenção de Cristo» (DAp 278).

Escuta

Em primeiro lugar, diz-se que a conversão «é a resposta inicial de quem escutou o Senhor». Por isso, torna-se «necessário propor aos fiéis a Palavra de Deus como dom do Pai para o encontro com Jesus Cristo vivo, caminho de ‘autêntica conversão e de renovada comunhão e solidariedade’» (DAp 248). É a escuta do Senhor Jesus Cristo, a Palavra de Deus Pai descida ao coração do crente, que conduz à fé, que proporciona o acreditar. «Uma vez escutada, a palavra de Cristo, pelo seu próprio dinamismo, transforma-se em resposta no cristão, tornando-se ela mesma palavra pronunciada, confissão de fé. [...] São Paulo usará uma fórmula que se tornou clássica: ‘fides ex auditu’ — ‘a fé vem da escuta’ ( Romanos 10, 17)» (Francisco, Carta Encíclica sobre a fé — «Lumen Fidei» [LF], 22.29). Mas o encontro não acontece apenas pela escuta da Palavra; também há (ou tem de haver) outros «encontros». Então, «levanta-se a mesma pergunta cheia de expectativa: “Mestre, onde vives?” (João 1,38), onde te encontramos de maneira adequada para ‘abrir um autêntico processo de conversão, comunhão e solidariedade?’. Quais são os lugares, as pessoas, os dons que nos falam de ti, que nos colocam em comunhão contigo e nos permitem ser discípulos e missionários teus?» (DAp 245).

Iniciação Cristã

«Sentimos a urgência de desenvolver em nossas comunidades um processo de iniciação na vida cristã que comece pelo ‘querigma’ e que, guiado pela Palavra de Deus, conduza a um encontro pessoal, cada vez maior, com Jesus Cristo, perfeito Deus e perfeito homem, experimentado como plenitude da humanidade e que leve à conversão, ao seguimento em uma comunidade eclesial e a um amadurecimento de fé na prática dos sacramentos, do serviço e da missão» (DAp 289).

Reconciliação

No processo de conversão refere-se também a importância do Sacramento da Reconciliação. Este potencia «a conversão que todos necessitamos para combater o pecado que nos faz incoerentes com os compromissos batismais» (DAp 175).

Sociedade

«A conversão pessoal desperta a capacidade de submeter tudo ao serviço da instauração do Reino da vida» (DAp 366). De facto, «já não se pode afirmar que a religião deve limitar-se ao âmbito privado e serve apenas para preparar as almas para o céu. Sabemos que Deus deseja a felicidade dos seus filhos também nesta terra, embora estejam chamados à plenitude eterna, porque Ele criou todas as coisas ‘para nosso usufruto’ (1Timóteo 6, 17), para que ‘todos’ possam usufruir delas. Por isso, a conversão cristã exige rever ‘especialmente tudo o que diz respeito à ordem social e consecução do bem comum’» (EG 182).

Quero ser discípulo missionário da alegria do Evangelho? Que estilo de vida quero assumir? Estou disposto a viver em estado de conversão?

© Laboratório da fé, 2015 












Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 26.11.15 | Sem comentários

Anunciar a alegria da fé! [7]


O papa Francisco na Exortação Apostólica sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual («A Alegria do Evangelho» — «Evangelii Gaudium» [EG]), em sintonia com o Documento de Aparecida (DAp), confronta todos os cristãos com uma identidade essencial: ser discípulos missionários (cf. tema 6). Neste e nos próximos temas, vamos apresentar, segundo o Documento de Aparecida, cinco aspetos fundamentais que constituem a base na formação de discípulos missionários: «cinco aspetos fundamentais que aparecem de maneira diversa em cada etapa do caminho, mas que se complementam intimamente e se alimentam entre si» (DAp 278). São eles: o encontro pessoal com Jesus Cristo; a conversão; o discipulado; a comunhão; a missão. Antes de mais, «o discípulo é alguém apaixonado por Cristo, a quem reconhece como o mestre que o conduz e acompanha» (DAp 277).

Encontro com Jesus Cristo

No início da vida cristã está o «encontro pessoal com Jesus Cristo». Por isso, o Papa convida cada cristão «em qualquer lugar e situação que se encontre, a renovar hoje mesmo o seu encontro pessoal com Jesus Cristo ou, pelo menos, a tomar a decisão de se deixar encontrar por Ele, de O procurar dia a dia sem cessar. Não há motivo para alguém poder pensar que este convite não lhe diz respeito, já que ‘da alegria trazida pelo Senhor ninguém é excluído’. Quem arrisca, o Senhor não o desilude; e, quando alguém dá um pequeno passo em direção a Jesus, descobre que Ele já aguardava de braços abertos a sua chegada» (EG 3). E os bispos da América Latina e do Caribe declaram: «Conhecer a Jesus é o melhor presente que qualquer pessoa pode receber; tê-lo encontrado foi o melhor que ocorreu em nossas vidas, e fazê-lo conhecido com nossa palavra e obras é nossa alegria» (DAp 29). Trata-se de uma alegria (cf. tema 3) que bebe «na fonte do amor maior, que é o de Deus, a nós manifestado em Jesus Cristo. Não me cansarei de repetir estas palavras de Bento XVI que nos levam ao centro do Evangelho: ‘Ao início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo’» (EG 7). Graças a este encontro «com o amor de Deus, que se converte em amizade feliz, é que somos resgatados da nossa consciência isolada e de autorreferencialidade» (EG 8). O Documento de Aparecida explicita assim este aspeto essencial na formação do discípulo missionário: «Aqueles que serão seus discípulos já o buscam (cf. João 1, 38), mas é o Senhor quem os chama: “Segue-me” (Marcos 1, 14; Mateus 9, 9). É necessário descobrir o sentido mais profundo da busca, assim como é necessário propiciar o encontro com Cristo que dá origem à iniciação cristã. Esse encontro deve renovar-se constantemente pelo testemunho pessoal, pelo anúncio do ‘querigma’ e pela ação missionária da comunidade. O ‘querigma’ não é somente uma etapa, mas o fio condutor de um processo que culmina na maturidade do discípulo de Jesus Cristo. Sem o ‘querigma’, os demais aspetos desse processo estão condenados à esterilidade, sem corações verdadeiramente convertidos ao Senhor. Só a partir do ‘querigma’ acontece a possibilidade de uma iniciação cristã verdadeira. Por isso, a Igreja precisa tê-lo presente em todas as suas ações» (DAp 278). Ora, o encontro «com o amor de Deus em Cristo Jesus» (EG 120) acontece na cruz e é um encontro capaz de transformar o cristão em discípulo missionário. Assim, «a primeira motivação para evangelizar é o amor que recebemos de Jesus, aquela experiência de sermos salvos por Ele que nos impele a amá-Lo cada vez mais» (EG 264).

Encontro com o outro

Com Jesus Cristo aprendemos um método (simples) para o encontro com o outro: «Se falava com alguém, fitava os seus olhos com uma profunda solicitude cheia de amor: ‘Jesus, fitando nele o olhar, sentiu afeição por ele’ (Marcos 10, 21). Vemo-Lo disponível ao encontro, quando manda aproximar-se o cego do caminho (cf. Marcos 10, 46-52) e quando come e bebe com os pecadores (cf. Marcos 2, 16), sem Se importar que O chamem de glutão e beberrão (cf. Mateus 11, 19). Vemo-Lo disponível, quando deixa uma prostituta ungir-Lhe os pés (cf. Lucas 7, 36-50) ou quando recebe, de noite, Nicodemos (cf. João 3, 1-15). A entrega de Jesus na cruz é apenas o culminar deste estilo que marcou toda a sua vida» (EG 269).

Aceito o convite do Papa para renovar o encontro com Jesus Cristo ou, pelo menos, a deixar-me encontrar por Jesus Cristo? Onde está a minha fonte de amor e de alegria?

© Laboratório da fé, 2015 










Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 19.11.15 | Sem comentários

Anunciar a alegria da fé! [6]


«A evangelização obedece ao mandato missionário de Jesus: ‘Ide, pois, fazei discípulos de todos os povos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a cumprir tudo quanto vos tenho mandado’ (Mateus 28, 19-20)» (EG 19). Esta é a missão da Igreja (cf. tema 1). Por isso, «este mesmo mandato continua a ser confiado aos discípulos de hoje (e de sempre), a quem compete, em primeiro lugar, ‘viver a alegria do Evangelho’» (Programa Pastoral da Arquidiocese de Braga). Com este tema iniciamos a segunda parte desta proposta (cf. tema 1). Nesta parte dedicada à reflexão sobre os «discípulos missionários», sem deixar de ter como ponto de referência a Exortação Apostólica do papa Francisco sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual (EG), não podemos ignorar o contributo essencial dado pelo Documento de Aparecida (DAp) para iluminar esta temática.

Discípulos

A EG afirma que a Igreja é constituída por comunidades de discípulos e discípulas, que têm de ser «sal da terra e luz do mundo»: «Precisamente nesta época, inclusive onde são um ‘pequenino rebanho’ (Lucas 12, 32), os discípulos do Senhor são chamados a viver como comunidade que seja sal da terra e luz do mundo (cf. Mateus 5, 13-16). São chamados a testemunhar, de forma sempre nova, uma pertença evangelizadora» (EG 92). O conteúdo da EG sobre o discipulado sintetiza o que se encontra no Documento de Aparecida sobre os «discípulos missionários de Jesus Cristo». Eles são enviados como comunidade e pela comunidade eclesial para «dar testemunho do amor» (DAp 386), anunciar a chegada do Reino, a dinâmica «transformadora do Reino de Deus que se faz presente em Jesus» (DAp 382) e assumir «as tarefas prioritárias» para o bem comum e a dignificação do ser humano (DAp 384).

Discípulos missionários

Em virtude do Batismo recebido, cada membro do povo de Deus tornou-se discípulo missionário» (EG 120). E por conseguinte todos os cristãos são sujeitos de evangelização, porque «em todos os batizados, desde o primeiro ao último, atua a força santificadora do Espírito que impele a evangelizar» (EG 119). Evangelizar não é uma tarefa de alguns; «seria inapropriado pensar num esquema de evangelização realizado por agentes qualificados enquanto o resto do povo fiel seria apenas recetor das suas ações» (EG 120). Não se trata de uma opção, mas de uma característica essencial que brota do batismo. «O batismo não é um título que recebemos, mas um chamamento para o serviço ativo na vida da Igreja, dentro e fora de portas. O (cristão) batizado não pode não ser ‘discípulo missionário’. Na reflexão do Papa percebe-se claramente que não se trata duma opção, duma escolha entre ser ou não ser» (Programa Pastoral da Arquidiocese de Braga). Por isso, a missão dos «discípulos missionários» é universal: todos são enviados e todos são convidados. A missão é também universal quanto aos destinatários: é para todos, a começar pelos mais frágeis. «Todos somos convidados a aceitar esta chamada: sair da própria comodidade e ter a coragem de alcançar todas as periferias que precisam da luz do Evangelho» (EG 20). Uma Igreja «em saída» é uma comunidade que caminha ao encontro dos mais necessitados para estar ao serviço: «Faz falta ajudar a reconhecer que o único caminho é aprender a encontrar os demais com a atitude adequada, que é valorizá-los e aceitá-los como companheiros de estrada, sem resistências interiores. Melhor ainda, trata-se de aprender a descobrir Jesus no rosto dos outros, na sua voz, nas suas reivindicações; e aprender também a sofrer, num abraço com Jesus crucificado» (EG 91). A comunidade dos discípulos é «uma fraternidade mística, contemplativa, que sabe ver a grandeza sagrada do próximo, que sabe descobrir Deus em cada ser humano» (EG 92). Ser discípulo missionário significa existir para estar ao serviço dos outros. «Com obras e gestos, a comunidade missionária entra na vida diária dos outros, encurta as distâncias, abaixa-se – se for necessário – até à humilhação e assume a vida humana, tocando a carne sofredora de Cristo no povo» (EG 24). Não há outro caminho. «Trata-se de ‘cumprir’ aquilo que o Senhor nos indicou como resposta ao seu amor, sobressaindo, junto com todas as virtudes, aquele mandamento novo que é o primeiro, o maior, o que melhor nos identifica como discípulos: ‘É este o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei’ (João 15, 12)» (EG 161).

Vive-se o mandato de Jesus Cristo, quando os «paroquianos» se conformam em ficar sentados nos bancos da igreja e não se dispõem a ir, a servir a comunidade?

© Laboratório da fé, 2015 









Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 12.11.15 | Sem comentários

Anunciar a alegria da fé! [5]


«O que é que é feito, em nossos dias, daquela energia escondida da Boa Nova, suscetível de impressionar profundamente a consciência dos homens e mulheres? Até que ponto e como é que essa força evangélica está em condições de transformar verdadeiramente o ser humano deste nosso século? Quais os métodos que hão de ser seguidos para proclamar o Evangelho de modo a que a sua potência possa ser eficaz? Tais perguntas, no fundo, exprimem o problema fundamental que a Igreja hoje põe a si mesma e que nós poderíamos equacionar assim: [...] encontrar-se-á a Igreja mais apta para anunciar o Evangelho e para o inserir no coração dos seres humanos, com convicção, liberdade de espírito e eficácia? Sim ou não?» (EN 4) — escritas em 1975 pelo papa Paulo VI, no décimo aniversário da conclusão do Concílio, são palavras (ainda) atuais passados 40 anos (50 do Concílio).

Quem evangelizamos?

A alegria do Evangelho tem um alcance universal (cf. tema 3). Por isso, todos são destinatários da evangelização, a começar pelos que aceitam a missão de ser evangelizadores! O papa Francisco sintetiza a dinâmica evangelizadora em três âmbitos: «pastoral ordinária»; «pessoas batizadas que não vivem as exigências do Batismo»; os que «não conhecem Jesus Cristo». Para explicitar estes três âmbitos o Papa serve-se de palavras proferidas pelos seus antecessores (João Paulo II e Bento XVI): «Em primeiro lugar, mencionamos o âmbito da pastoral ordinária, ‘animada pelo fogo do Espírito a fim de incendiar os corações dos fiéis que frequentam regularmente a comunidade, reunindo-se no dia do Senhor, para se alimentarem da sua Palavra e do Pão de vida eterna’. Devem ser incluídos também neste âmbito os fiéis que conservam uma fé católica intensa e sincera, exprimindo-a de diversos modos, embora não participem frequentemente no culto. Esta pastoral está orientada para o crescimento dos crentes, a fim de corresponderem cada vez melhor e com toda a sua vida ao amor de Deus. Em segundo lugar, lembramos o âmbito das ‘pessoas batizadas que, porém, não vivem as exigências do Batismo’, não sentem uma pertença cordial à Igreja e já não experimentam a consolação da fé. Mãe sempre solícita, a Igreja esforça-se para que elas vivam uma conversão que lhes restitua a alegria da fé e o desejo de se comprometerem com o Evangelho. Por fim, frisamos que a evangelização está essencialmente relacionada com a proclamação do Evangelho àqueles que não conhecem Jesus Cristo ou que sempre O recusaram. Muitos deles buscam secretamente a Deus, movidos pela nostalgia do seu rosto, mesmo em países de antiga tradição cristã. Todos têm o direito de receber o Evangelho» (EG 14). Aliás, «João Paulo II convidou-nos a reconhecer que ‘não se pode perder a tensão para o anúncio’ àqueles que estão longe de Cristo, ‘porque esta é a tarefa primária da Igreja’» (EG 15).

Proselitismo ou atração?

O anúncio da alegria do Evangelho é um dever de todos os cristãos, «sem excluir ninguém, e não como quem impõe uma nova obrigação, mas como quem partilha uma alegria, indica um horizonte estupendo, oferece um banquete apetecível. A Igreja não cresce por proselitismo, mas ‘por atração’» (EG 14).

Pastoral missionária

Inspirada na Encíclica sobre a validade permanente do mandato missionário («Redemptoris Missio»), dada à Igreja pelo papa João Paulo II no dia sete de dezembro do ano de 1990, no vigésimo quinto aniversário do decreto conciliar «Ad gentes», a EG recorda que «a atividade missionária ‘ainda hoje representa o máximo desafio para a Igreja’ e ‘a causa missionária deve ser [...] a primeira de todas as causas’. Que sucederia se tomássemos realmente a sério estas palavras? Simplesmente reconheceríamos que a ação missionária é o paradigma de toda a obra da Igreja. Nesta linha, os Bispos latino-americanos afirmaram que ‘não podemos ficar tranquilos, em espera passiva, em nossos templos’, sendo necessário passar ‘de uma pastoral de mera conservação para uma pastoral decididamente missionária’. Esta tarefa continua a ser a fonte das maiores alegrias para a Igreja: ‘Haverá mais alegria no Céu por um só pecador que se converte, do que por noventa e nove justos que não necessitam de conversão’ (Lucas 15, 7)» (EG 15).

Estou pronto para anunciar a alegria do Evangelho? Reconheço que, em primeiro lugar, preciso de ser evangelizado para ser um bom evangelizador? Quero ser um evangelizador que «partilha uma alegria» ou que «impõe uma nova obrigação»? A missão pode ser comparada a uma pesca: prefiro a linha (um a um) ou a rede (multidão)? Fico à espera ou vou ao encontro?

© Laboratório da fé, 2015 







Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 5.11.15 | Sem comentários

Anunciar a alegria da fé! [4]


A Exortação Apostólica sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual («Evangelii Gaudium — EG) convida a descobrir «a doce e reconfortante alegria de evangelizar» (EG 9-13). Quem acolhe a salvação tem de fazer esta descoberta; é chamado a perceber o sentido duma autêntica «antropologia da missão» que assenta no duplo movimento de acolhimento e partilha (cf. tema 3).

Porque é que evangelizamos?

Em primeiro lugar, porque o Senhor Jesus Cristo confiou essa missão aos seus discípulos; é a missão da Igreja (cf. tema 1). Neste sentido, «é absolutamente indispensável colocar-nos bem diante dos olhos [...] o dever também de o apresentar aos homens e mulheres do nosso tempo, tanto quanto isso é possível, de uma maneira compreensível e persuasiva» (Paulo VI, Exortação Apostólica sobre a evangelização no mundo contemporâneo — «Evangelii Nuntiandi» — EN 3). Por isso, não nos pode surpreender a afirmação de Paulo: «Ai de mim, se eu não evangelizar!» (1Coríntios 9, 16; cf. EG 9). Evangelizamos para anunciar ao mundo a salvação oferecida por Jesus Cristo. Na sequência dos números anteriores (cf. tema 3), o papa Francisco acrescenta: evangelizamos porque «o bem tende sempre a comunicar-se. Toda a experiência autêntica de verdade e de beleza procura, por si mesma, a sua expansão; e qualquer pessoa que viva uma libertação profunda adquire maior sensibilidade face às necessidades dos outros. E, uma vez comunicado, o bem radica-se e desenvolve-se. Por isso, quem deseja viver com dignidade e em plenitude, não tem outro caminho senão reconhecer o outro e buscar o seu bem» (EG 9). Na verdade, citando o Documento de Aparecida, a EG recorda: «quando a Igreja faz apelo ao compromisso evangelizador, não faz mais do que indicar aos cristãos o verdadeiro dinamismo da realização pessoal: “[...] ‘A vida se alcança e amadurece à medida que é entregue para dar vida aos outros’. Isto é, definitivamente, a missão”». Então, não é possível ser evangelizador e «ter constantemente uma cara de funeral». Pelo contrário, é preciso recuperar — usando as palavras do papa Paulo VI — «a suave e reconfortante alegria de evangelizar, mesmo quando for preciso semear com lágrimas! [...] E que o mundo do nosso tempo, que procura ora na angústia ora com esperança, possa receber a Boa Nova dos lábios, não de evangelizadores tristes e descoroçoados, impacientes ou ansiosos, mas sim de ministros do Evangelho cuja vida irradie fervor, pois foram quem recebeu primeiro em si a alegria de Cristo» (EG 10; EN 80). Importa ter presente o constante recurso que a EG faz aos textos do Documento de Aparecida (V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe, realizada em 2007) e da Exortação Apostólica do papa Paulo VI sobre a evangelização no mundo contemporâneo (publicada no dia 8 de dezembro de 1975).

Uma eterna novidade

«A verdadeira novidade é aquela que o próprio Deus misteriosamente quer produzir, aquela que Ele inspira, aquela que Ele provoca, aquela que Ele orienta e acompanha de mil e uma maneiras» (EG 12). Neste sentido, o Papa lembra que o verdadeiro motor da renovação pessoal e comunitária consiste em «voltar à fonte e recuperar o frescor original do Evangelho», de onde «despontam novas estradas, métodos criativos, outras formas de expressão, sinais mais eloquentes, palavras cheias de renovado significado para o mundo atual» (EG 11). Assim sendo, a renovação da Igreja depende, em grande parte, da capacidade em «recuperar o frescor original do Evangelho». Trata-se de um desafio decisivo. Compete-nos aceitá-lo com ousadia. Caso contrário, tudo pode ficar apenas em reformas e inovações que em nada contribuem para a conversão radical a Jesus Cristo. Até porque a evangelização não é uma «heroica tarefa pessoal»; é «obra de Deus»: Jesus Cristo é que «é ‘o primeiro e o maior evangelizador’. Em qualquer forma de evangelização, o primado é sempre de Deus, que quis chamar-nos para cooperar com Ele e impelir-nos com a força do seu Espírito» (EG 12). Esta abertura ao «Deus missionário» (que toma sempre a iniciativa) pede-nos para não esquecer que «a memória é uma dimensão da nossa fé», pelo que «a alegria evangelizadora refulge sempre sobre o horizonte da memória agradecida» de todas as «pessoas simples e próximas de nós, que nos iniciaram na vida da fé [...]. O crente é, fundamentalmente, ‘uma pessoa que faz memória’» (EG 13).

O Evangelho de Jesus Cristo é sempre «boa» e «nova» notícia? Ou é uma notícia já conhecida e aborrecida? Como posso recuperar o «frescor original do Evangelho»? Qual é a minha experiência da «novidade» de Deus?

© Laboratório da fé, 2015 






Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 29.10.15 | Sem comentários

Anunciar a alegria da fé! [3]


A exemplo do II Concílio do Vaticano, na Constituição Pastoral sobre a Igreja no mundo atual («Gaudium et Spes» — GS), e de Paulo VI, na Exortação Apostólica sobre a alegria cristã («Gaudete in Domino» — GD), a EG coloca de novo o tema da alegria no caminho da Igreja. «A Alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus» (EG 1). Esta alegria, que possui um alcance universal, começa por ser proposta em dois momentos: acolher a alegria do Evangelho, renovar a alegria do encontro com Jesus Cristo; levar aos outros, comunicar-lhes essa mesma alegria.

Alegria universal

A EG retoma as palavras do papa Paulo VI para recordar que «da alegria trazida pelo Senhor ninguém é excluído» (EG 2; GD 297). Este alcance universal é uma das consequências da transformação missionária que resulta do encontro com o Ressuscitado.

Alegria que se renova

A EG convida a uma alegria simples e desprendida, pois ela nasce do encontro com Alguém que muda tudo: «Com Jesus Cristo, renasce sem cessar a alegria» (EG 1). Por isso, o Papa convida «todo o cristão, em qualquer lugar e situação que se encontre, a renovar hoje mesmo o seu encontro pessoal com Jesus Cristo ou, pelo menos, a tomar a decisão de se deixar encontrar por Ele, de O procurar dia a dia sem cessar» (EG 3). Esta alegria não é uma alegria ingénua. O cristão sabe, por experiência própria, que há «etapas e circunstâncias da vida, por vezes muito duras», nas quais «a alegria não se vive da mesma maneira». Contudo, existe sempre a segurança de «um feixe de luz que nasce da certeza pessoal de, não obstante o contrário, sermos infinitamente amados» e de que «a misericórdia do Senhor não acaba, não se esgota a sua compaixão. Cada manhã ela se renova» (EG 6).

Alegria na Sagrada Escritura

«O Evangelho, onde resplandece gloriosa a Cruz de Cristo, convida insistentemente à alegria» (EG 5). O texto recorda alguns dos momentos evangélicos mais significativos onde se reflete esta dimensão jubilosa: saudação do anjo a Maria; visita de Maria a Isabel; início do ministério de Jesus Cristo. «A sua mensagem é fonte de alegria [...]. A nossa alegria cristã brota da fonte do seu coração transbordante». A mesma alegria repercute-se na vida dos primeiros discípulos, conforme destaca o livro dos Atos dos Apóstolos. «Porque não havemos de entrar, também nós, nesta torrente de alegria?» (EG 5). É a alegria do discipulado, é a alegria da salvação que tinha sido preanunciada no Antigo Testamento e «que havia de tornar-se superabundante nos tempos messiânicos». Entre outras, destacam-se as palavras dos profetas Isaías, Zacarias, Sofonias. Deste, para o papa Francisco, surge o «convite mais tocante [...] que nos mostra o próprio Deus como um centro irradiante de festa e de alegria, que quer comunicar ao seu povo este júbilo salvífico. Enche-me de vida reler este texto: ‘O Senhor, teu Deus, está no meio de ti como poderoso salvador! Ele exulta de alegria por tua causa, pelo seu amor te renovará. Ele dança e grita de alegria por tua causa’ (3, 17)». Hoje, esta «é a alegria que se vive no meio das pequenas coisas da vida quotidiana, como resposta ao amoroso convite de Deus nosso Pai» (EG 4).

Alegria que se comunica

A EG fala mais da alegria do que da cruz. A nossa meta é a Páscoa. Infelizmente, «há cristãos que parecem ter escolhido viver uma Quaresma sem Páscoa» (EG 6). São os que se deixam seduzir pela tentação de inventar «desculpas e queixas, como se tivesse de haver inúmeras condições para ser possível a alegria» (EG 7). São aqueles que se tornam permeáveis às propostas consumistas que produzem «uma tristeza individualista que brota do coração comodista e mesquinho, da busca desordenada de prazeres superficiais, da consciência isolada». E tornam-se «pessoas ressentidas, queixosas, sem vida» (EG 2). Mas há outro caminho! O Papa recorda que «as alegrias mais belas e espontâneas, que vi ao longo da minha vida, são as alegrias de pessoas muito pobres que têm pouco a que se agarrar. Recordo também a alegria genuína daqueles que, mesmo no meio de grandes compromissos profissionais, souberam conservar um coração crente, generoso e simples. De várias maneiras, estas alegrias bebem na fonte do amor maior, que é o de Deus, a nós manifestado em Jesus Cristo» (EG 7). Por isso, «se alguém acolheu este amor que lhe devolve o sentido da vida, como é que pode conter o desejo de o comunicar aos outros?» (EG 8).

O tom geral da minha vida é alegre e otimista? Renovo dia a dia o encontro com Jesus Cristo como fonte da minha alegria? Comunico-a aos outros?

© Laboratório da fé, 2015 





Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 22.10.15 | Sem comentários

Anunciar a alegria da fé! [2]


«Quero, com esta Exortação, dirigir-me aos fiéis cristãos a fim de os convidar para uma nova etapa evangelizadora marcada por esta alegria e indicar caminhos para o percurso da Igreja nos próximos anos» (EG 1) — afirma o papa Francisco, no primeiro número da Exortação Apostólica sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual [EG — bit.ly/EG_Alegria_Evangelho]. A EG apresenta-se como um texto prioritário nesta que é uma etapa decisiva na tomada de consciência por parte da Igreja da sua missão e dos desafios que lhe são colocados nos tempos atuais.

Uma novidade do papa Francisco

A novidade do documento está profundamente interligada com a novidade que o papa Francisco trouxe ao exercício do seu ministério. O texto está carregado de gestos e palavras nos quais se reconhece (com facilidade) a personalidade do papa Francisco. A EG não é apenas o resultado das «conclusões» da XIII Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos realizado entre os dias 7 e 28 de outubro de 2012, sobre «a nova evangelização para a transmissão da fé cristã». Até aqui era um costume do Papa apresentar, em forma de «Exortação Apostólica Pós-Sinodal», a sua reflexão baseada nas propostas sinodais. Ora, a EG vai muito para além dos conteúdos resultantes do Sínodo dos Bispos. É certo que, em vários pontos, o Papa menciona o tema e as «proposições» sinodais (cf. EG 14, 16, 73, 112, 245). Contudo, quis ir mais longe: «Com prazer, aceitei o convite dos Padres sinodais para redigir esta Exortação. Para o efeito, recolho a riqueza dos trabalhos do Sínodo; consultei também várias pessoas e pretendo, além disso, exprimir as preocupações que me movem neste momento concreto da obra evangelizadora da Igreja. Os temas relacionados com a evangelização no mundo atual, que se poderiam desenvolver aqui, são inumeráveis. Mas renunciei a tratar detalhadamente esta multiplicidade de questões que devem ser objeto de estudo e aprofundamento cuidadoso. [...] Aqui escolhi propor algumas diretrizes que possam encorajar e orientar, em toda a Igreja, uma nova etapa evangelizadora, cheia de ardor e dinamismo». [...] Ajudam a delinear um preciso estilo evangelizador, que convido a assumir em qualquer atividade que se realize» (EG 16-18).

Um documento programático

A EG é oferecida como um texto programático: traça as linhas de rumo para a «nova primavera» que o papa Francisco quer fazer acontecer na Igreja e no mundo. A EG é um texto programático, isto é, tem como intenção renovar todos os aspetos da vida e levar os cristãos e as comunidades a assumir um renovado compromisso missionário. «Não ignoro que hoje os documentos não suscitam o mesmo interesse que noutras épocas, acabando rapidamente esquecidos. Apesar disso sublinho que, aquilo que pretendo deixar expresso aqui, possui um significado programático e tem consequências importantes. Espero que todas as comunidades se esforcem por atuar os meios necessários para avançar no caminho duma conversão pastoral e missionária, que não pode deixar as coisas como estão. Neste momento, não nos serve uma ‘simples administração’. Constituamo-nos em ‘estado permanente de missão’, em todas as regiões da terra» (EG 25).

Uma verdadeira exortação

A EG é uma verdadeira exortação. Sem excluir a reflexão e a argumentação, usa uma linguagem clara que demonstra o estilo simples e próximo do Papa. Não tem como finalidade transmitir «um tratado» (EG 18) ou uma doutrina. Pretende, isso sim, comunicar uma profunda convicção pessoal que brota da sua própria experiência vivencial (e não de conceitos teóricos). E, por isso, pretende também suscitar nos leitores tal experiência que os leve à mesma convicção e a viver em conformidade. A convicção que o papa Francisco transmite é que «a Alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus. Quantos se deixam salvar por Ele são libertados do pecado, da tristeza, do vazio interior, do isolamento. Com Jesus Cristo, renasce sem cessar a alegria» (EG 1). A EG faz lembrar a alegria com que o papa João XXIII, no dia 11 de outubro de 1962, procedeu ao início do II Concílio do Vaticano: «Alegra-se a Santa Mãe Igreja, porque, por singular dom da Providência divina, amanheceu o dia tão ansiosamente esperado em que solenemente se inaugura o II Concílio Ecuménico do Vaticano» (http://bit.ly/Abertura_IIConcilioVaticano).

A EG é um texto programático, uma exortação a uma «nova etapa evangelizadora». Interrogo-me sobre o meu estado de disponibilidade para tornar possível esta nova etapa: recetivo, desconfiado, indiferente, indisponível?

© Laboratório da fé, 2015 








Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 15.10.15 | Sem comentários

Anunciar a alegria da fé! [1]


«A Igreja peregrina é, por sua natureza, missionária» (Decreto sobre a atividade missionária da Igreja — AG 2 — bit.ly/AdGentes), a Igreja «existe para evangelizar» (Paulo VI, Exortação Apostólica sobre a evangelização no mundo contemporâneo — EN 14 — bit.ly/PauloVI_EN). Este ano pastoral, focamos a nossa atenção na natureza, identidade, vocação e missão da Igreja: evangelizar. Por isso, «anunciar o Evangelho (fé anunciada) ‘não pode ser apenas o ponto conclusivo dos nossos programas pastorais’, tem de ser ‘a alma de toda a programação e de todos os itinerários de formação cristã’» (Programa Pastoral da Arquidiocese de Braga). A partir da Exortação Apostólica sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual [EG — bit.ly/EG_Alegria_Evangelho], vamos propor uma reflexão semanal (ao longo de 42 semanas) em três partes: evangelizar; discípulos missionários; paróquias missionárias.

Anunciar o Evangelho: a missão da Igreja

A Igreja nasceu da experiência fundadora de Jesus Cristo que foi enviado pelo Pai para salvar o mundo (cf. AG 3). Tendo vivido na história humana, Jesus Cristo confia uma missão clara aos seus discípulos: «Ide, pois, fazei discípulos de todos os povos» (Mateus 28, 19); «Ide pelo mundo inteiro, proclamai o Evangelho a toda a criatura» (Marcos, 16, 15). Com a consciência deste compromisso missionário, Paulo exprime-se assim numa das suas cartas: «Ai de mim, se eu não evangelizar!» (1Cor 9, 16). De então para cá, a Igreja continuou esta missão, ainda que o tenha feito de forma diversificada consoante as épocas. Chegados ao século XXI, surgem repetidas constatações semelhantes à que foi pronunciada pelos Bispos de Portugal: «O Evangelho de Jesus Cristo é cada vez menos conhecido. E para uma parte significativa daqueles que dizem conhecê-lo, é notório que já perdeu muito do seu encanto e significado. Este cenário é preocupante e pede, com urgência, à Igreja presente na cidade dos homens uma nova cultura de evangelização, que vá muito para além de uma simples pastoral de manutenção» (Carta Pastoral dos Bispos de Portugal, «Como Eu fiz, fazei vós também». Para um rosto missionário da Igreja em Portugal, 2010, 3 — bit.ly/BP_ComoEuFiz).

O que é evangelizar?

No décimo aniversário do encerramento do II Concílio do Vaticano, e na sequência do Sínodo dos Bispos (1974), Paulo VI apresentou, em 1975, a Exortação Apostólica sobre a evangelização (EN). Neste documento, o Papa define assim o significado do termo evangelizar: «Evangelizar, para a Igreja, é levar a Boa Nova a todas as parcelas da humanidade, em qualquer meio e latitude, e pelo seu influxo transformá-las a partir de dentro e tornar nova a própria humanidade: ‘Eis que faço de novo todas as coisas’. No entanto não haverá humanidade nova, se não houver em primeiro lugar homens novos, pela novidade do batismo e da vida segundo o Evangelho. A finalidade da evangelização, portanto, é precisamente esta mudança interior; e se fosse necessário traduzir isso em breves termos, o mais exato seria dizer que a Igreja evangeliza quando, unicamente firmada na potência divina da mensagem que proclama, ela procura converter ao mesmo tempo a consciência pessoal e coletiva dos homens, a atividade em que eles se aplicam, e a vida e o meio concreto que lhes são próprios» (EN 18). E concretiza: «Não haverá nunca evangelização verdadeira se o nome, a doutrina, a vida, as promessas, o reino, o mistério de Jesus de Nazaré, Filho de Deus, não forem anunciados» (EN 22). A evangelização acontece quando as palavras e os gestos, isto é, a vida de Jesus Cristo toca a mente e o coração das pessoas. Antes de mais, é «uma mudança interior», faz-se «a partir de dentro» provocando um novo estilo de vida, o estilo de vida cristão. Entretanto, João Paulo II propõe a necessidade «não de reevangelização mas de uma evangelização nova. Nova no seu entusiasmo, nos seus métodos, na sua expressão» (bit.ly/CELAM931983). Usadas pela primeira vez a 9 de março de 1983, no discurso na abertura da XIX Assembleia do Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM), as palavras «nova evangelização» tornaram-se comuns no contexto eclesial. Bento XVI continua na mesma linha ao convocar, em 2012, o Sínodo dos Bispos sobre «a nova evangelização para a transmissão da fé cristã». Entretanto, na sequência da resignação de Bento XVI, foi eleito o papa Francisco que, em vez da (habitual) Exortação Pós-Sinodal, num estilo de linguagem diferente, decidiu propor a todos os cristãos «uma nova etapa evangelizadora» marcada pela alegria, apresentando «caminhos para o percurso da Igreja nos próximos anos» (EG 1).

© Laboratório da fé, 2015 









Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 8.10.15 | Sem comentários

MARIA, A MÃE DA EVANGELIZAÇÃO!


Mistérios da glória

— «Não fujamos da ressurreição de Jesus; nunca nos demos por mortos!» (EG 3) —

  • PRIMEIRO MISTÉRIO
A ressurreição de Jesus [Marcos 16, 5-7]
«Entrando no sepulcro, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, e Salomé viram um jovem sentado do lado direito, vestido com uma túnica branca, e ficaram assustadas. Mas ele disse-lhes: ‘Não vos assusteis. Procurais a Jesus de Nazaré, o Crucificado? Ressuscitou: não está aqui. Vede o lugar onde O tinham depositado. Agora ide dizer aos seus discípulos e a Pedro que Ele vai adiante de vós para a Galileia. Lá O vereis, como vos disse’».

[Meditação]
«Jesus Cristo pode romper também os esquemas enfadonhos em que pretendemos aprisioná-Lo, e surpreende-nos com a sua constante criatividade divina. Sempre que procuramos voltar à fonte e recuperar o frescor original do Evangelho, despontam novas estradas, métodos criativos, outras formas de expressão, sinais mais eloquentes, palavras cheias de renovado significado para o mundo atual» (EG 11).

  • SEGUNDO MISTÉRIO
A ascensão de Jesus [Marcos 16, 15-16.19-20]
«Naquele tempo, Jesus apareceu aos Onze e disse-lhes: ‘Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda a criatura’. […] E assim o Senhor Jesus, depois de ter falado com eles, foi elevado ao Céu e sentou-Se à direita de Deus. Eles partiram a pregar por toda a parte, e o Senhor cooperava com eles».

[Meditação]
«A pastoral em chave missionária exige o abandono deste cómodo critério pastoral: ‘fez-se sempre assim’. Convido todos a serem ousados e criativos nesta tarefa de repensar os objetivos, as estruturas, o estilo e os métodos evangelizadores das respetivas comunidades» (EG 33).

  • TERCEIRO MISTÉRIO
O dom do Espírito Santo no Pentecostes [Atos 2, 1-4]
«Quando chegou o dia de Pentecostes, os Apóstolos estavam reunidos no mesmo lugar. […] Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que se exprimissem».

[Meditação]
«Em qualquer forma de evangelização, o primado é sempre de Deus, que quis chamar-nos para cooperar com Ele e impelir-nos com a força do seu Espírito. A verdadeira novidade é aquela que o próprio Deus misteriosamente quer produzir, aquela que Ele inspira, aquela que Ele provoca, aquela que Ele orienta e acompanha» (EG 12).

  • QUARTO MISTÉRIO
A assunção de Maria [Apocalipse 12, 1-2]
«Apareceu no Céu um sinal grandioso: uma mulher revestida de sol, com a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça. Estava para ser mãe e gritava com as dores e ânsias da maternidade».

[Meditação]
«Juntamente com o Espírito Santo, sempre está Maria no meio do povo. Ela reunia os discípulos para O invocarem (Atos 1, 14), e assim tornou possível a explosão missionária que se deu no Pentecostes. Ela é a Mãe da Igreja evangelizadora e, sem Ela, não podemos compreender cabalmente o espírito da nova evangelização» (EG 284).

  • QUINTO MISTÉRIO
Coroação de Maria, como rainha do Céu e da Terra [Lucas 1, 46-48]
«Maria disse então: ‘A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador. Porque pôs os olhos na humildade da sua serva: de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações’».

[Meditação]
Em Maria «descobrimos que aquela que louvava a Deus [...]. Maria sabe reconhecer os vestígios do Espírito de Deus tanto nos grandes acontecimentos como naqueles que parecem imperceptíveis. É contemplativa do mistério de Deus no mundo, na história e na vida diária de cada um e de todos» (EG 288).

© Laboratório da fé, 2015

Maio 2015 — Mês de Maria: a mãe da evangelização! | 31 — pdf

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Maria, a mãe da evangelização!
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 31.5.15 | Sem comentários

MARIA, A MÃE DA EVANGELIZAÇÃO!


Mistérios da alegria

— Com Jesus Cristo renasce sem cessar a alegria!» (EG 1) —

  • PRIMEIRO MISTÉRIO
A Anunciação a Maria [Lucas 1, 38]
«Maria disse então: ‘Eis a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a tua Palavra’».

[Meditação]
«A Palavra possui, em si mesma, uma tal potencialidade, que não a podemos prever. [...] A Igreja deve aceitar esta liberdade incontrolável da Palavra, que é eficaz a seu modo e sob formas tão variadas que muitas vezes nos escapam, superando as nossas previsões e quebrando os nossos esquemas» (EG 22).

  • SEGUNDO MISTÉRIO
A visita de Maria a sua prima Isabel [Lucas 1, 39-40]
«Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se apressadamente para a montanha, em direção a uma cidade de Judá. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino exultou-lhe no seio».

[Meditação]
«A Igreja ‘em saída’ é a comunidade de discípulos missionários que ‘primeireiam’ [...] – desculpai o neologismo –, tomam a iniciativa! A comunidade missionária experimenta que o Senhor tomou a iniciativa, precedeu-a no amor, e, por isso, ela sabe ir à frente, sabe tomar a iniciativa sem medo, ir ao encontro [...]. Ousemos um pouco mais no tomar a iniciativa!» (EG 24).

  • TERCEIRO MISTÉRIO
O nascimento de Jesus [Lucas 2, 10-11]
«Disse-lhes o anjo: ‘Não temais, porque vos anuncio uma grande alegria para todo o povo: nasceu-vos hoje, na cidade de David, um Salvador, que é Cristo Senhor’».

[Meditação]
«No coração de Deus, ocupam lugar preferencial os pobres, tanto que até Ele mesmo ‘Se fez pobre’. Todo o caminho da nossa redenção está assinalado pelos pobres. Esta salvação veio a nós, através do ‘sim’ duma jovem humilde, duma pequena povoação perdida na periferia dum grande império. O Salvador nasceu num presépio, entre animais, como sucedia com os filhos dos mais pobres» (EG 197).

  • QUARTO MISTÉRIO
A apresentação do Menino Jesus no Templo [Lucas 2, 27-32]
«Quando os pais de Jesus trouxeram o Menino, para cumprirem as prescrições da Lei no que lhes dizia respeito, Simeão recebeu-O em seus braços e bendisse a Deus, exclamando: ‘Agora, Senhor, segundo a vossa palavra, deixareis ir em paz o vosso servo, porque os meus olhos viram a vossa salvação, que pusestes ao alcance de todos os povos: luz para se revelar às nações e glória de Israel, vosso povo’».

[Meditação]
«Vivamos o desejo profundo de progredir no caminho do Evangelho, e não deixemos cair os braços. [...] O Senhor quer servir-Se de nós como seres vivos, livres e criativos, que se deixam penetrar pela sua Palavra [...]. O Espírito Santo, que inspirou a Palavra, é quem ‘hoje ainda [...] age em cada um dos evangelizadores’» (EG 151).

  • QUINTO MISTÉRIO
Jesus entre os doutores da Lei [Lucas 2, 46-47]
«Passados três dias, encontraram Jesus no templo, sentado no meio dos doutores, a ouvi-los e a fazer-lhes perguntas. Todos aqueles que O ouviam estavam surpreendidos com a sua inteligência e as suas respostas».

[Meditação]
«O estudo da Sagrada Escritura deve ser uma porta aberta para todos os crentes. [...] A evangelização requer a familiaridade com a Palavra de Deus, e isto exige que as dioceses, paróquias e todos os grupos católicos proponham um estudo sério e perseverante da Bíblia e promovam igualmente a sua leitura orante pessoal e comunitária. [...] Acolhamos o tesouro sublime da Palavra revelada!» (EG 175).

© Laboratório da fé, 2015

Maio 2015 — Mês de Maria: a mãe da evangelização! | 30 — pdf

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Maria, a mãe da evangelização!
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 30.5.15 | Sem comentários

MARIA, A MÃE DA EVANGELIZAÇÃO!


Mistérios da dor

— «Jesus quer que toquemos a miséria humana, 
que toquemos a carne sofredora dos outros!» (EG 270) —

  • PRIMEIRO MISTÉRIO
A agonia de Jesus no Jardim das Oliveiras [Marcos 14, 32-37]
«Jesus disse aos seus discípulos: ‘Ficai aqui, enquanto Eu vou orar’. [...] Adiantando-se um pouco, caiu por terra e orou para que, se fosse possível, se afastasse d’Ele aquela hora. Jesus dizia: ‘Abbá, Pai, tudo Te é possível: afasta de Mim este cálice. Contudo, não se faça o que Eu quero, mas o que Tu queres’».

[Meditação]
«A maior parte dos homens e mulheres do nosso tempo vive o seu dia a dia precariamente [...]. O medo e o desespero apoderam-se do coração de inúmeras pessoas [...]. A alegria de viver frequentemente se desvanece; crescem a falta de respeito e a violência, a desigualdade social torna-se cada vez mais patente» (EG 52).

  • SEGUNDO MISTÉRIO
A flagelação de Jesus [Marcos 15, 15]
«Pilatos [...] depois de mandar flagelar Jesus, entregou-O para ser crucificado».

[Meditação]
«A nossa tristeza e vergonha pelos pecados de alguns membros da Igreja, e pelos próprios, não devem fazer esquecer os inúmeros cristãos que dão a vida por amor: ajudam tantas pessoas seja a curar-se seja a morrer em paz em hospitais precários, cuidam de idosos abandonados por todos, [...] e dedicam-se de muitas outras maneiras que mostram o imenso amor à humanidade inspirado por Deus feito homem» (EG 76).

  • TERCEIRO MISTÉRIO
A coroação de espinhos [Marcos 15, 16-18]
«Os soldados revestiram Jesus com um manto de púrpura e puseram-lhe na cabeça uma coroa de espinhos, que haviam tecido. Depois começaram a saudá-l’O: ‘Salve, rei dos judeus’».

[Meditação]
«Desenvolveu-se uma globalização da indiferença. Quase sem nos dar conta, tornamo-nos incapazes de nos compadecer ao ouvir os clamores alheios, já não choramos à vista do drama dos outros, nem nos interessamos por cuidar deles, como se tudo fosse uma responsabilidade de outrem, que não nos incumbe» (EG 54).

  • QUARTO MISTÉRIO
Jesus a caminho do Calvário [Lucas 23, 27.28]
«Seguiam Jesus uma grande multidão de povo e umas mulheres que batiam no peito e se lamentavam por Ele. Jesus voltou-se para elas e disse-lhes: ‘Filhas de Jerusalém, não choreis por mim, chorai antes por vós mesmas e pelos vossos filhos’».

[Meditação]
«Há uma forma de oração que nos incentiva particularmente a gastarmo-nos na evangelização e nos motiva a procurar o bem dos outros: é a intercessão. [...] ‘Em todas as minhas orações, sempre peço com alegria por todos vós (...), pois tenho-vos no coração’ (Filipenses 1, 4.7). Descobrimos, assim, que interceder não nos afasta da verdadeira contemplação, porque a contemplação que deixa de fora os outros é uma farsa» (EG 281).

  • QUINTO MISTÉRIO
Crucifixão e morte de Jesus [Marcos 15, 27-37]
«Crucificaram com Jesus dois salteadores [...]. Às três horas da tarde, Jesus clamou com voz forte: ‘Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?’. [...] Então Jesus, soltando um grande brado, expirou».

[Meditação]
«Assim como o mandamento ‘não matar’ põe um limite claro para assegurar o valor da vida humana, assim também hoje devemos dizer ‘não a uma economia da exclusão e da desigualdade social’. Esta economia mata. [...] O ser humano é considerado, em si mesmo, como um bem de consumo que se pode usar e depois lançar fora. [...] Os excluídos não são ‘explorados’, mas resíduos, ‘sobras’» (EG 53).

© Laboratório da fé, 2015

Maio 2015 — Mês de Maria: a mãe da evangelização! | 29 — pdf

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Maria, a mãe da evangelização!
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MARIA, A MÃE DA EVANGELIZAÇÃO!


Mistérios da luz

— «Sair da própria comodidade
e ter a coragem de alcançar todas as periferias que precisam da luz do Evangelho» (EG 20) —


  • PRIMEIRO MISTÉRIO
O batismo de Jesus [Marcos 1, 9-11]
«Sucedeu que, naqueles dias, Jesus veio de Nazaré da Galileia e foi batizado por João no rio Jordão. [...] E dos céus ouviu-se uma voz: ‘Tu és o meu Filho muito amado, em Ti pus toda a minha complacência’».

[Meditação]
«O teu coração sabe que a vida não é a mesma coisa sem Jesus Cristo; pois bem, aquilo que descobriste, o que te ajuda a viver e te dá esperança, isso é o que deves comunicar aos outros. A nossa imperfeição não deve ser desculpa; pelo contrário, a missão é um estímulo constante para [...] continuarmos a crescer» (EG 121).

  • SEGUNDO MISTÉRIO
As bodas de Caná [João 2, 1-5]
«Naquele tempo, realizou-se um casamento em Caná da Galileia e estava lá a Mãe de Jesus. […] A certa altura faltou o vinho. Então a Mãe de Jesus disse-lhe: ‘Não têm vinho’. Jesus respondeu-lhe: ‘Mulher, que temos nós com isso? Ainda não chegou a minha hora’. Sua Mãe disse aos serventes: ‘Fazei tudo o que Ele vos disser’».

[Meditação]
Não «devemos renunciar à missão evangelizadora, mas encontrar o modo de comunicar Jesus que corresponda à situação em que vivemos. Seja como for, todos somos chamados a dar aos outros o testemunho explícito do amor salvífico do Senhor, que, sem olhar às nossas imperfeições, nos oferece a sua proximidade, a sua Palavra, a sua força, e dá sentido à nossa vida» (EG 121).

  • TERCEIRO MISTÉRIO
O anúncio do Reino e o apelo à conversão [João 2, 27.30]
«João Batista declarou: ‘Esta é a minha alegria! E tornou-se completa! Jesus é que deve crescer, e eu diminuir’».

[Meditação]
«O Reino, que se antecipa e cresce entre nós, abrange tudo [...]. Sabemos que ‘a evangelização não seria completa, se ela não tomasse em consideração a interpelação recíproca que se fazem constantemente o Evangelho e a vida concreta, pessoal e social, dos homens’. É o critério da universalidade, próprio da dinâmica do Evangelho» (EG 181).

  • QUARTO MISTÉRIO
A transfiguração de Jesus [Marcos 9, 2]
«Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João e subiu só com eles para um lugar retirado num alto monte e transfigurou-Se diante deles».

[Meditação]
«Se uma pessoa não O descobre presente no coração mesmo da entrega missionária, depressa perde o entusiasmo e deixa de estar segura do que transmite, faltam-lhe força e paixão. E uma pessoa que não está convencida, entusiasmada, segura, enamorada, não convence ninguém» (EG 266).

  • QUINTO MISTÉRIO
A instituição da Eucaristia [Marcos 14, 13-16]
«Jesus enviou dois discípulos e disse-lhes: […] ‘Dizei ao dono da casa: [...] “onde está a sala, em que hei de comer a Páscoa com os meus discípulos?”. Ele vos mostrará uma grande sala no andar superior [...]. Preparai-nos lá o que é preciso’. Os discípulos partiram e [...] encontraram tudo como Jesus lhes tinha dito e prepararam a Páscoa».

[Meditação]
«Quando a pregação se realiza no contexto da Liturgia, incorpora-se como parte da oferenda que se entrega ao Pai e como mediação da graça que Cristo derrama na celebração. Este mesmo contexto exige que a pregação oriente [...] para uma comunhão com Cristo na Eucaristia, que transforme a vida» (EG 138).

© Laboratório da fé, 2015

Maio 2015 — Mês de Maria: a mãe da evangelização! | 28 — pdf

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Maria, a mãe da evangelização!
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 28.5.15 | Sem comentários

MARIA, A MÃE DA EVANGELIZAÇÃO!


Mistérios da glória

— «Não fujamos da ressurreição de Jesus; nunca nos demos por mortos!» (EG 3) —

  • PRIMEIRO MISTÉRIO
A ressurreição de Jesus [Marcos 16, 5-7]
«Entrando no sepulcro, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, e Salomé viram um jovem sentado do lado direito, vestido com uma túnica branca, e ficaram assustadas. Mas ele disse-lhes: ‘Não vos assusteis. Procurais a Jesus de Nazaré, o Crucificado? Ressuscitou: não está aqui. Vede o lugar onde O tinham depositado. Agora ide dizer aos seus discípulos e a Pedro que Ele vai adiante de vós para a Galileia. Lá O vereis, como vos disse’».

[Meditação]
«Cristo é a ‘Boa Nova de valor eterno’ (Apocalipse 14, 6), [...] a sua riqueza e a sua beleza são inesgotáveis. Ele é sempre jovem, e fonte de constante novidade. [...] Com a sua novidade, Ele pode sempre renovar a nossa vida e a nossa comunidade, e a proposta cristã, ainda que atravesse períodos obscuros e fraquezas eclesiais, nunca envelhece» (EG 11).

  • SEGUNDO MISTÉRIO
A ascensão de Jesus [Marcos 16, 15-16.19-20]
«Naquele tempo, Jesus apareceu aos Onze e disse-lhes: ‘Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda a criatura’. […] E assim o Senhor Jesus, depois de ter falado com eles, foi elevado ao Céu e sentou-Se à direita de Deus. Eles partiram a pregar por toda a parte, e o Senhor cooperava com eles».

[Meditação]
«Neste tempo em que as redes e demais instrumentos da comunicação humana alcançaram progressos inauditos, sentimos o desafio de descobrir e transmitir a ‘mística’ de viver juntos, misturar-nos, encontrar-nos, dar o braço, apoiar-nos, participar nesta maré um pouco caótica que pode transformar-se numa verdadeira experiência de fraternidade, numa caravana solidária, numa peregrinação sagrada» (EG 87).

  • TERCEIRO MISTÉRIO
O dom do Espírito Santo no Pentecostes [Atos 2, 1-4]
«Quando chegou o dia de Pentecostes, os Apóstolos estavam reunidos no mesmo lugar. […] Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que se exprimissem».

[Meditação]
«Para manter vivo o ardor missionário, é necessária uma decidida confiança no Espírito Santo, porque Ele ‘vem em auxílio da nossa fraqueza’ (Romanos 8, 26). Mas esta confiança generosa tem de ser alimentada e, para isso, precisamos de O invocar constantemente» (EG 280).

  • QUARTO MISTÉRIO
A assunção de Maria [Apocalipse 12, 1-2]
«Apareceu no Céu um sinal grandioso: uma mulher revestida de sol, com a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça. Estava para ser mãe e gritava com as dores e ânsias da maternidade».

[Meditação]
«Vejo, com prazer, como muitas mulheres partilham responsabilidades pastorais juntamente com os sacerdotes, contribuem para o acompanhamento de pessoas, famílias ou grupos e prestam novas contribuições para a reflexão teológica. [...] ‘ O génio feminino é necessário em todas as expressões da vida social» (EG 103).

  • QUINTO MISTÉRIO
Coroação de Maria, como rainha do Céu e da Terra [Lucas 1, 46-48]
«Maria disse então: ‘A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador. Porque pôs os olhos na humildade da sua serva: de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações’».

[Meditação]
«Os desafios existem para ser superados. Sejamos realistas, mas sem perder a alegria, a audácia e a dedicação cheia de esperança. Não deixemos que nos roubem a força missionária!» (EG 109).

© Laboratório da fé, 2015

Maio 2015 — Mês de Maria: a mãe da evangelização! | 27 — pdf

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Maria, a mãe da evangelização!
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 27.5.15 | Sem comentários

MARIA, A MÃE DA EVANGELIZAÇÃO!


Mistérios da dor

— «Jesus quer que toquemos a miséria humana, 
que toquemos a carne sofredora dos outros!» (EG 270) —

  • PRIMEIRO MISTÉRIO
A agonia de Jesus no Jardim das Oliveiras [Marcos 14, 32-37]
«Jesus disse aos seus discípulos: ‘Ficai aqui, enquanto Eu vou orar’. [...] Adiantando-se um pouco, caiu por terra e orou para que, se fosse possível, se afastasse d’Ele aquela hora. Jesus dizia: ‘Abbá, Pai, tudo Te é possível: afasta de Mim este cálice. Contudo, não se faça o que Eu quero, mas o que Tu queres’».

[Meditação]
«É salutar recordar-se dos primeiros cristãos e de tantos irmãos ao longo da história que se mantiveram transbordantes de alegria, cheios de coragem, incansáveis no anúncio e capazes de uma grande resistência ativa. Há quem se console, dizendo que hoje é mais difícil; temos, porém, de reconhecer que o contexto do Império Romano não era favorável ao anúncio do Evangelho, [...] nem à defesa da dignidade humana» (EG 263).

  • SEGUNDO MISTÉRIO
A flagelação de Jesus [Marcos 15, 15]
«Pilatos [...] depois de mandar flagelar Jesus, entregou-O para ser crucificado».

[Meditação]
«Em cada momento da história, estão presentes a fraqueza humana, a busca doentia de si mesmo, a comodidade egoísta [...] que nos ameaça a todos. Isto está sempre presente, sob uma roupagem ou outra; deriva mais da limitação humana que das circunstâncias. Por isso, não digamos que hoje é mais difícil; é diferente» (EG 263).

  • TERCEIRO MISTÉRIO
A coroação de espinhos [Marcos 15, 16-18]
«Os soldados revestiram Jesus com um manto de púrpura e puseram-lhe na cabeça uma coroa de espinhos, que haviam tecido. Depois começaram a saudá-l’O: ‘Salve, rei dos judeus’».

[Meditação]
«Por isso me dói muito comprovar como nalgumas comunidades cristãs, e mesmo entre pessoas consagradas, se dá espaço a várias formas de ódio, divisão, calúnia, difamação, vingança, ciúme, a desejos de impor as próprias ideias a todo o custo, e até perseguições que parecem uma implacável caça às bruxas. Quem queremos evangelizar com estes comportamentos?» (EG 100).

  • QUARTO MISTÉRIO
Jesus a caminho do Calvário [Lucas 23, 27.28]
«Seguiam Jesus uma grande multidão de povo e umas mulheres que batiam no peito e se lamentavam por Ele. Jesus voltou-se para elas e disse-lhes: ‘Filhas de Jerusalém, não choreis por mim, chorai antes por vós mesmas e pelos vossos filhos’».

[Meditação]
«Para quantos estão feridos por antigas divisões, resulta difícil aceitar que os exortemos ao perdão e à reconciliação, porque pensam que ignoramos a sua dor ou pretendemos fazer-lhes perder a memória e os ideais. Mas [...] o testemunho de comunidades fraternas e reconciliadas é sempre uma luz que atrai» (EG 100).

  • QUINTO MISTÉRIO
Crucifixão e morte de Jesus [Marcos 15, 27-37]
«Crucificaram com Jesus dois salteadores [...]. Às três horas da tarde, Jesus clamou com voz forte: ‘Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?’. [...] Então Jesus, soltando um grande brado, expirou».

[Meditação]
«Todos nós provamos simpatias e antipatias, e talvez neste momento estejamos chateados com alguém. Pelo menos digamos ao Senhor: ‘Senhor, estou chateado com este, com aquela. Peço-Vos por ele e por ela’. Rezar pela pessoa com quem estamos irritados é um belo passo rumo ao amor, e é um ato de evangelização. Façamo-lo hoje mesmo. Não deixemos que nos roubem o ideal do amor fraterno!» (EG 101).

© Laboratório da fé, 2015

Maio 2015 — Mês de Maria: a mãe da evangelização! | 26 — pdf

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Maria, a mãe da evangelização!
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 26.5.15 | Sem comentários

MARIA, A MÃE DA EVANGELIZAÇÃO!


Mistérios da alegria

— Com Jesus Cristo renasce sem cessar a alegria!» (EG 1) —

  • PRIMEIRO MISTÉRIO
A Anunciação a Maria [Lucas 1, 38]
«Maria disse então: ‘Eis a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a tua Palavra’».

[Meditação]
A Palavra de Deus «é uma Palavra viva e eficaz, que, como uma espada, ‘penetra até à divisão da alma e do corpo, das articulações e das medulas, e discerne os sentimentos e intenções do coração’ (Hebreus 4, 12). Isto tem um valor pastoral. Mesmo nesta época, a gente prefere escutar as testemunhas: ‘[...] reclama evangelizadores que lhe falem de um Deus que eles conheçam e lhes seja familiar como se eles vissem o invisível’» (EG 150).

  • SEGUNDO MISTÉRIO
A visita de Maria a sua prima Isabel [Lucas 1, 39-40]
«Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se apressadamente para a montanha, em direção a uma cidade de Judá. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino exultou-lhe no seio».

[Meditação]
«A Igreja ‘em saída’ é uma Igreja com as portas abertas. Sair em direção aos outros para chegar às periferias humanas não significa correr pelo mundo sem direção nem sentido. Muitas vezes é melhor diminuir o ritmo, pôr de parte a ansiedade para olhar nos olhos e escutar» (EG 46).

  • TERCEIRO MISTÉRIO
O nascimento de Jesus [Lucas 2, 10-11]
«Disse-lhes o anjo: ‘Não temais, porque vos anuncio uma grande alegria para todo o povo: nasceu-vos hoje, na cidade de David, um Salvador, que é Cristo Senhor’».

[Meditação]
«Para ridiculizar jocosamente a defesa que a Igreja faz da vida dos nascituros, procura-se apresentar a sua posição como ideológica, obscurantista e conservadora; e no entanto esta defesa da vida nascente está intimamente ligada à defesa de qualquer direito humano. [...] ’Por si só a razão é suficiente para se reconhecer o valor inviolável de qualquer vida humana» (EG 213).

  • QUARTO MISTÉRIO
A apresentação do Menino Jesus no Templo [Lucas 2, 27-32]
«Quando os pais de Jesus trouxeram o Menino, para cumprirem as prescrições da Lei no que lhes dizia respeito, Simeão recebeu-O em seus braços e bendisse a Deus, exclamando: ‘Agora, Senhor, segundo a vossa palavra, deixareis ir em paz o vosso servo, porque os meus olhos viram a vossa salvação, que pusestes ao alcance de todos os povos: luz para se revelar às nações e glória de Israel, vosso povo’».

[Meditação]
«‘A Igreja fala a partir da luz que a fé lhe dá’, oferece a sua experiência de dois mil anos e conserva sempre na memória as vidas e sofrimentos dos seres humanos. Isto ultrapassa a razão humana, mas também tem um significado que pode enriquecer a quantos não creem e convida a razão a alargar as suas perspetivas» (EG 238).

  • QUINTO MISTÉRIO
Jesus entre os doutores da Lei [Lucas 2, 46-47]
«Passados três dias, encontraram Jesus no templo, sentado no meio dos doutores, a ouvi-los e a fazer-lhes perguntas. Todos aqueles que O ouviam estavam surpreendidos com a sua inteligência e as suas respostas».

[Meditação]
«Numa civilização paradoxalmente ferida pelo anonimato e, simultaneamente, obcecada com os detalhes da vida alheia, [...] a Igreja tem necessidade de um olhar solidário para contemplar, comover-se e parar diante do outro, tantas vezes quantas forem necessárias. Neste mundo, os ministros ordenados e os outros agentes de pastoral podem tornar presente a fragrância da presença solidária de Jesus e o seu olhar pessoal» (EG 169).

© Laboratório da fé, 2015

Maio 2015 — Mês de Maria: a mãe da evangelização! | 25 — pdf

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Maria, a mãe da evangelização!
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 25.5.15 | Sem comentários
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