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NÃO PODEMOS VIVER SEM O DOMINGO!


«Valorizar o domingo como centro de todo o ano litúrgico» — é o primeiro objetivo apresentado no programa pastoral (2013+14) da Arquidiocese de Braga. Com o intuito de «valorizar» o domingo, acompanhando os tempos litúrgicos, propomos um tema a partir da releitura da Carta Apostólica sobre a santificação do domingo — «O dia do Senhor» («Dies Domini»). Este itinerário tem como tema geral: «Não podemos viver sem o domingo!».

Domingo, DIA DA IGREJA

Texto de reflexão para o domingo décimo quarto

    34. [...] Cada comunidade, reunindo todos os seus membros para a «fração do pão», sente-se como um lugar privilegiado onde se realiza o mistério da Igreja.
    35. O «dies Domini» («dia do Senhor») é também o «dies Ecclesiae» («dia da Igreja»). Assim se compreende porque a dimensão comunitária da celebração dominical há de ser especialmente sublinhada, no plano pastoral. De entre as numerosas atividades que uma paróquia realiza, «nenhuma é tão vital ou formativa para a comunidade, como a celebração dominical do dia do Senhor e da sua Eucaristia». Neste sentido, o II Concílio do Vaticano chamou a atenção para a necessidade de trabalhar a fim de que «floresça o sentido da comunidade paroquial, especialmente na celebração comunitária da missa dominical». Na mesma linha, se colocam as orientações litúrgicas sucessivas, pedindo que, ao domingo e dias festivos, as celebrações eucarísticas, realizadas normalmente noutras igrejas e oratórios, sejam coordenadas com a celebração da igreja paroquial, precisamente para «fomentar o sentido da comunidade eclesial, que se alimenta e exprime especialmente na celebração comunitária do domingo, quer à volta do Bispo, sobretudo na Catedral, quer na assembleia paroquial, cujo pastor representa o Bispo».



    • Não podemos viver sem o domingo! — textos publicados no Laboratório da fé > > >



    Laboratório da fé celebrada, 2014
    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 4.7.14 | Sem comentários

    Mistério da fé! [22]


    «A presença eucarística de Cristo começa no momento da consagração e dura enquanto as espécies eucarísticas subsistirem» (Catecismo da Igreja Católica, 1377). A Igreja Católica proclama que Jesus Cristo continua sempre presente nos dons consagrados. Por isso, é, não só válida como salutar, a prática da adoração, dentro e fora da celebração eucarística. [Para ajudar a compreender melhor, ler: Hebreus 9, 11-15; Catecismo da Igreja Católica (CIC), números 1373 a 1381]

    «Prestemos culto ao Deus vivo»

    — exorta o autor da Carta aos Hebreus. Esta carta é uma solene homilia à volta da figura de Jesus Cristo, apresentado como perfeito (e único) sacerdote. A entrega total e definitiva de Jesus Cristo habilita-nos a oferecer o «culto ao Deus vivo». Este culto, à semelhança da entrega de Jesus Cristo, não é meramente exterior, mas reclama uma entrega total da vida.

    Eucaristia

    «Fala-se igualmente do ‘Santíssimo Sacramento’, porque é o sacramento dos sacramentos. E, com este nome, se designam as espécies eucarísticas guardadas no sacrário» (CIC 1330). A expressão, embora possa ser usada para designar a Eucaristia, está mais associada ao culto de adoração fora da celebração eucarística. «Pode-se dizer que, nos primeiros séculos, o culto da Eucaristia estava como que implícito na própria celebração do sacramento, que era tratado com suma veneração. [...] Este culto desenvolveu-se mais a partir dos séculos XII-XIII, como reação às controvérsias do século anterior, em que Berengário chegou a negar a presença real. [...] Nas formas de culto, o povo cristão pôde manifestar a sua fé e a consciência que continuava a ter da importância da Eucaristia na vida eclesial e pessoal» (José Aldazábal, «Dicionário Elementar de Liturgia» [DEL], ed. Paulinas, Prior Velho 2007, 90).

    Adoração

    «Quando a reforma dava os primeiros passos, aconteceu às vezes não se perceber com suficiente clareza a relação intrínseca entre a Santa Missa e a adoração do Santíssimo Sacramento; uma objeção então em voga, por exemplo, partia da ideia que o pão eucarístico nos fora dado não para ser contemplado, mas comido. Ora, tal contraposição, vista à luz da experiência de oração da Igreja, aparece realmente destituída de qualquer fundamento [...]. De facto, na Eucaristia, o Filho de Deus vem ao nosso encontro e deseja unir-Se connosco; a adoração eucarística é apenas o prolongamento visível da celebração eucarística, a qual, em si mesma, é o maior ato de adoração da Igreja: receber a Eucaristia significa colocar-se em atitude de adoração d’Aquele que comungamos. Precisamente assim, e apenas assim, é que nos tornamos um só com Ele e, de algum modo, saboreamos antecipadamente a beleza da liturgia celeste. O ato de adoração fora da Santa Missa prolonga e intensifica aquilo que se fez na própria celebração litúrgica» (Bento XVI, Exortação Apostólica Pós-Sinodal sobre a Eucaristia fonte e ápice da vida e da missão da Igreja — «Sacramentum Caritatis», 66). Apesar de não ser uma prioridade do II Concílio do Vaticano, são vários os documentos da Igreja Católica (assinados por Paulo VI, João Paulo II e por Bento XVI) que recuperam a importância do culto de adoração ao Santíssimo Sacramento da Eucaristia.

    Sacrário

    «É o pequeno recinto, à semelhança de caixa ou armário, onde se guarda a Eucaristia depois da celebração, para que possa ser levada aos doentes ou dela possam comungar, fora da Missa, os que não puderam participar nela. A palavra ‘sacrário’ indica que é o lugar onde se ‘guarda o sagrado’. [...] Nos primeiros séculos, guardava-se a Eucaristia em casas particulares, com todo o respeito, e, a seguir, ao construírem-se as igrejas, num anexo da sacristia, ou ainda, num cofrezinho dentro do presbitério. A partir do século XI, colocava-se este sacrário em cima do altar, ou melhor ainda, dentro de uma ‘pomba’ dependurada sobre o altar. Presentemente, o sacrário não se coloca sobre o altar [...]. A Eucaristia reserva-se num só sacrário, em cada igreja ou oratório, colocado num lugar nobre e destacado, convenientemente adornado, inamovível, de matéria sólida e não transparente, fechado com chave, num ambiente que torne fácil a oração pessoal fora do momento da celebração e, portanto, o melhor local é numa capela separada» (DEL 267).

    «Se atualmente o cristianismo se deve caracterizar sobretudo pela ‘arte da oração’, como não sentir de novo a necessidade de permanecer longamente, em diálogo espiritual, adoração silenciosa, atitude de amor, diante de Cristo presente no Santíssimo Sacramento?» (João Paulo II, Carta Encíclica sobre a Eucaristia na sua relação com a Igreja — «Ecclesia de Eucharistia», 25).






    Reflexões semanais sobre a «fé celebrada» (liturgia e Sacramentos) — Laboratório da fé, 2014
    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 6.3.14 | Sem comentários

    Mistério da fé! [21]


    A presença sacramental de Jesus Cristo no pão e no vinho consagrados na eucaristia tem uma (única) finalidade: ser refeição, ser alimento, partilhado em comunidade. [Para ajudar a compreender melhor, ler: Lucas 24, 13-35; Catecismo da Igreja Católica, números 1384 a 1405]

    «Como Jesus se lhes dera a conhecer, ao partir o pão»

    — concluiu a narração do encontro de Jesus Cristo com os discípulos de Emaús. «É à mesa que, em Emaús, ocorre uma surpresa. [...] Aquele que era o forasteiro, agora é o anfitrião. Aquele que estava morto convida a partilhar a sua vida. A sequência dos gestos de Jesus à mesa atesta que Ele não só toma o pão como se dá naquele pão, num gesto que reenvia para a dádiva total, na hora máxima da cruz» (José Tolentino Mendonça, «O tesouro escondido. Para uma arte da procura interior, ed. Paulinas, Prior Velho 2011, 105).

    Eucaristia

    A expressão «fração do pão» foi um dos primeiros nomes para designar a Eucaristia. E durante o primeiro milénio a comunhão foi sempre com pão partido. «A partir dos séculos XI-XII, pensou-se nas ‘formas’ individuais que conhecemos. O Missal determina que se volte ao ‘pão partido’ e que se potencie o gesto simbólico da fração. Explica-o e motiva-o várias vezes, sempre simbolizando a fraternidade [...]. As hóstias pequenas admitem-se só ‘quando assim o exija o número dos comungantes’. É uma pedagogia simbólica simples e profunda: parte-se, reparte-se e partilha-se o Corpo Glorioso de Cristo. Exprime-se visualmente, compartilhando o mesmo Pão, o mistério invisível de um Cristo que se nos dá a todos em alimento, com o que se quer ajudar a que a Eucaristia vá construindo a comunidade» (José Aldazábal, «Dicionário Elementar de Liturgia» [DEL], ed. Paulinas, Prior Velho 2007, 124-125).

    Comunhão

    «A Eucaristia constitui o apogeu da obra de salvação de Deus: com efeito, fazendo-se pão partido para nós, o Senhor Jesus derrama sobre nós toda a sua misericórdia e todo o seu amor, a ponto de renovar o nosso coração, a nossa existência e o nosso próprio modo de nos relacionarmos com Ele e com os irmãos. É por isso que geralmente, quando nos aproximamos deste Sacramento, dizemos que ‘recebemos a Comunhão’, que ‘fazemos a Comunhão’: isto significa que no poder do Espírito Santo, a participação na mesa eucarística nos conforma com Cristo de modo singular e profundo, levando-nos a prelibar [provar] desde já a plena comunhão com o Pai, que caracterizará o banquete celestial, onde juntamente com todos os Santos teremos a felicidade de contemplar Deus face a face» (Francisco, Audiência Geral de 5 de fevereiro de 2014). Por isso, a participação na eucaristia «exige» a comunhão. Mas não é suficiente fazê-lo apenas uma vez por ano? «Para um cristão consciente, de fé adulta, hoje, comungar só uma vez por ano, talvez somente para cumprir uma lei, é um absurdo, uma enormidade! Compreendemos que, sendo a Eucaristia uma refeição, faz parte da refeição, o comer. Imagine você convidado para um jantar: entra na sala da refeição, reza as orações da mesa, participa da conversa e... fecha a boca e não come... Pois todas as vezes que participamos numa Eucaristia, numa missa, deveríamos comungar, como a coisa mais ‘natural’» (José Ribólla, «Os Sacramentos trocados em miúdo», Editora Santuário, Aparecida 1990, 116). Uma das dificuldades que se coloca para não comungar está relacionada com o «jejum eucarístico». As normas quanto ao jejum foram variando ao longo da história. Em tempos próximos (meados do século XX) era preciso estar em jejum desde a meia noite anterior. Hoje, recomenda-se uma hora de jejum (beber água e tomar remédios não quebra o jejum). Dito isto, é ainda mais importante perceber o que é verdadeiramente essencial. «Alguns ficam na dúvida sobre os ‘60 minutos’. Perguntam: e 50 minutos?... Ora, o cristão ainda conserva o bom senso para lhe dizer que não é a matemática do relógio que funciona aqui, mas, bom senso mesmo...» (José Ribólla..., 117). Outra questão secundária, mas às vezes sobrevalorizada é a forma de comungar: na mão ou na boca? A decisão compete ao comungante: ambas são válidas e aprovadas pela Igreja. [Para aprofundar as rubricas e outros aspetos relacionados com a celebração da Eucaristia, recomenda-se a leitura da Instrução Geral do Missal Romano: http://bit.ly/1pp0o7X]

    «A celebração pode até ser impecável sob o ponto de vista exterior, maravilhosa, mas se não nos levar ao encontro com Jesus corre o risco de não oferecer alimento algum ao nosso coração e à nossa vida» (Francisco, Audiência Geral de 12 de fevereiro de 2014).






    Reflexões semanais sobre a «fé celebrada» (liturgia e Sacramentos) — Laboratório da fé, 2013
    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 27.2.14 | Sem comentários

    Mistério da fé! [20]


    «O que vemos quando nos congregamos para celebrar a Eucaristia, a Missa, já nos faz intuir o que estamos prestes a viver. No centro do espaço destinado à celebração encontra-se o altar, que é uma mesa coberta com uma toalha, e isto faz-nos pensar num banquete» (Francisco, Audiência Geral de 5 de fevereiro de 2014), é a «mesa do Pão» (Liturgia Eucarística). [Para ajudar a compreender melhor, ler: 1Coríntios 10, 16-17; Catecismo da Igreja Católica, números (CIC) 1350 a 1372 e 1383]

    «Todos participamos desse único pão»

    — escreve Paulo na Primeira Carta aos Coríntios. «A Igreja é o corpo de Cristo: caminha-se ‘com Cristo’ na medida em que se está em relação ‘com o seu corpo’. [...] É precisamente o único Pão eucarístico que nos torna um só corpo» (João Paulo II, Carta Apostólica para o Ano da Eucaristia — «Mane Nobiscum Domine», 20).

    Eucaristia

    O Sacramento da Eucaristia também está intimamente unido à oferta de Jesus Cristo na cruz. Por isso, é designado como «Santo Sacrifício, porque atualiza o único sacrifício de Cristo Salvador e incluiu a oferenda da Igreja» (CIC 1330). A palavra «sacrifício» é de origem latina: «‘sacrum-facere’ (tornar algo sagrado, ou fazer que uma coisa se converta em sagrada, separada, oferecida). Entende-se o sacrifício como expressão da entrega à divindade, ou por humilde reconhecimento da sua dependência, para lhe dar graças, para expiar os pecados, ou para suplicar a sua ajuda. [...] No Novo Testamento, não tem grande importância o conceito clássico de sacrifício: só o de Jesus Cristo. Assim como Ele é o verdadeiro sacerdote e Mestre, é também de uma vez por todas o Sacrifício definitivo, aquele que, com o seu Sangue, estabelece e rubrica a Nova Aliança.[...] Aos cristãos encarrega-se-lhes que, em toda a sua vida, se unam a esta entrega sacrificial de Cristo, antes de mais com a atitude interior e com o oferecimento do seu corpo, da sua vida« (José Aldazábal, «Dicionário Elementar de Liturgia» [DEL], ed. Paulinas, Prior Velho 2007, 268-269).

    Mesão do Pão

    A segunda mesa presente na Eucaristia é o «lugar» onde decorre o segundo momento central da celebração: a Liturgia Eucarística [sobre as divisões desta parte ver o tema 18]. Após o alimento da Palavra, os cristãos são convidados a receber o alimento do Pão. Ambos (Palavra e Pão) constituem o mesmo e único Corpo de Cristo (cf. tema 19). «O ato de comer tem a ver com a atividade cultural do homem: implica o trabalho, a preparação do alimento, a sociabilidade (tanto na aquisição e preparação do alimento, como no seu consumo), o convívio. Com efeito, o homem come com outros homens, e o ato de comer está ligado a uma mesa, lugar primordial de criação e de amizade, de fraternidade, de aliança e de sociedade. À mesa não se partilha apenas o alimento, mas também se trocam palavras e discursos, alimentando assim as relações, ou seja, aquilo que dá sentido à vida sustentada pelo alimento» (Luciano Manicardi, «A caridade dá que fazer», ed. Paulinas, Prior Velho 2011, 79). Tudo isto está presente na Eucaristia. Acresce ainda a dimensão sacramental da presença de Jesus Cristo, que confirma e plenifica o significado do pão partido e repartido.

    Altar

    A mesa do Pão, no espaço litúrgico, designa-se com o termo «altar», «centro do espaço celebrativo, seu princípio de unidade e ponto de referência mais imediato. O seu primeiro sentido foi o sacrifício: a ara onde se sacrificavam as vítimas à divindade. Por isso, a etimologia do nome latino ‘altare’ parece que vem de ‘adolere’, ‘arere’ (arder: o lugar onde pelo fogo se queima a vítima do sacrifício). Também poderia provir de ‘altus’ (alto), porque os altos (sobretudo as colinas e montes) sempre se consideraram lugar de encontro dos humanos com a divindade. [...] Para os cristãos, o altar tem, antes de mais, uma conotação sacrificial [...]. Mas predomina o sentido de refeição eucarística [...]. Junto ao carácter de ‘ara’, acentua-se o de ‘mesa’ [...]. Ao princípio, esta mesa era de madeira: um trípode para os dons eucarísticos. Mas mais tarde, preferiu-se que fosse de pedra. [...] Nos primeiros séculos, o altar era independente. Na Idade Média, encostou-se à parede ou ábside do fundo, e agora de novo se pede que esteja separado da parede, para poder celebrar de frente para a comunidade e rodear processionalmente o altar.[...] Prefere-se que o altar principal seja fixo» (DEL, 24-26).

    «Ir à Missa não só para rezar, mas para receber a Comunhão, o pão que é o corpo de Jesus Cristo que nos salva, nos perdoa e nos une ao Pai. É bom fazer isto!» (Francisco, Audiência Geral de 5 de fevereiro de 2014).






    Reflexões semanais sobre a «fé celebrada» (liturgia e Sacramentos) — Laboratório da fé, 2013
    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 20.2.14 | Sem comentários

    Mistério da fé! [19]


    «Prepare-se para os fiéis, com maior abundância, a mesa da Palavra de Deus» — recomenda o II Concílio do Vaticano (Constituição Conciliar sobre a Liturgia — «Sacrosanctum Concilium», 51). Haverá ainda quem pense que basta chegar ao «Credo» para participar na Missa?! Não pode haver eucaristia sem a mesa da Palavra (Liturgia da Palavra). [Para ajudar a compreender melhor, ler: Lucas 11, 27-28); Catecismo da Igreja Católica, números (CIC) 1349]

    «Felizes, antes, os que escutam a Palavra de Deus

    e a põem em prática»

    — afirma Jesus Cristo, no evangelho segundo Lucas. Pela resposta, percebe-se que todos podem acolher e viver esta proposta de «felicidade», cujo fundamento é o próprio Jesus Cristo. Neste sentido, convém recordar que Bíblia é Palavra de Deus, mas não é «a» Palavra de Deus! A Palavra de Deus é Jesus Cristo! «Jesus é a Palavra de Deus Pai descida ao coração de todo o crente».

    Eucaristia

    «Todos se congregam. Os cristãos reúnem-se num mesmo lugar para a assembleia eucarística» (CIC 1348). Eis outra expressão usada para designar a Eucaristia: «Assembleia eucarística (‘synaxis’), porque a Eucaristia é celebrada em assembleia de fiéis, expressão visível da Igreja» (CIC 1329). Ao mesmo tempo, é também a (primeira) expressão visível da liturgia cristã (cf. temas 1 e 2). «Em grego, esta congregação de fiéis chama-se ‘synaxis’. A palavra assembleia vem do latim, ‘assimulare’, que significa juntar de ‘simul’, ao mesmo tempo. [...] Desde a primeira geração, a assembleia litúrgica é uma realidade importante, no conjunto da vida cristã» (José Aldazábal, «Dicionário Elementar de Liturgia» [DEL], ed. Paulinas, Prior Velho, 2007, 41), porque a assembleia cristã nunca deixou de se reunir para celebrar o domingo, o primeiro dia da semana, dia da Ressurreição (Páscoa), dia da Eucaristia.

    Mesa da Palavra

    Na Eucaristia, temos duas mesas: «a mesa da Palavra e a mesa eucarística. A primeira prepara-nos para vivermos melhor e com mais fecundidade a segunda. Hoje temos uma riqueza imensa de textos proclamados na mesa da Palavra. É Deus que está presente e nos fala. A Palavra fortalece, alimenta, dá fé, cura. Nas Eucaristias feriais, da semana, temos uma leitura, a proclamação do Salmo e o Evangelho, tudo isto preparado por um ato penitencial e, às vezes, pelo canto do glória. Ao domingo e nas Solenidades temos duas leituras, quase sempre uma do Antigo Testamento e outra do Novo, além da proclamação do Salmo e da leitura do Evangelho. É bonito e consolador cair na conta de que, nos dias de semana, temos dois ciclos de primeira leitura, ou seja, uma para os anos pares, outra para os anos ímpares, conservando-se o Evangelho nos dois ciclos. Mas mais enriquecedora é a maravilha dos três ciclos, chamados ano A, ano B, ano C, em que, nos domingos, somos convidados a escutar e meditar nas três leituras, além do Salmo dito responsorial. Uma variedade imensa de leituras, que colocam diante de nós um precioso alimento. Precisamos de nos habituar a preparar a mesa da Palavra em casa, lendo, em família, as leituras que vão ser proclamadas na Eucaristia, procurando assimilá-las, rezar com elas, fazer partilha em ambiente familiar ou em grupo» (Dário Pedroso, «Mistério da Fé», Editorial AO, Braga 2005, 21-22).

    [Para aprofundar o tema, ler a Exortação Apostólica Pós-Sinodal (Bento XVI) sobre a Palavra de deus na vida e na missão da Igreja — «Verbum Domini»]

    Ambão

    A mesa da Palavra, no espaço litúrgico, designa-se com o termo «ambão». «A palavra latina ‘ambo’ vem do grego, ‘anabaino’ (subir), e designava um lugar elevado, a tribuna, com varanda e atril, próxima da nave, donde se proclamava a Palavra ao povo. [...] ‘A dignidade da Palavra de Deus requer que haja na igreja um lugar adequado para a sua proclamação e para o qual, durante a liturgia da Palavra, convirja espontaneamente a atenção dos fiéis’. [...] ‘Um lugar elevado, fixo, dotado de conveniente disposição e nobreza, que corresponda à dignidade da Palavra de Deus e, ao mesmo tempo, recorde com clareza aos fiéis que, na Missa, se prepara tanto a mesa da Palavra de Deus como a mesa do Corpo de Cristo’. O Missal especifica que o ambão está ‘reservado’ à proclamação da Palavra, e desaconselha que, a partir dele, se profiram outras palavras. Para as admonições, ensaios e direção dos cânticos, para os avisos e, se possível, também, para as orações dos fiéis e até para a homilia, seria melhor que se encontrasse outro lugar» (DEL, 26-27).

    «Quando estamos a escutar a Palavra de Deus e nos é derramada nos ouvidos a Palavra de Deus que é carne de Cristo e seu sangue, se nos distrairmos com outra coisa, não incorremos em grande perigo?» (S. Jerónimo).






    Reflexões semanais sobre a «fé celebrada» (liturgia e Sacramentos) — Laboratório da fé, 2013
    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 13.2.14 | Sem comentários

    Ambiente Virtual de Formação


    Sacrosanctum Concilium — Constituição Conciliar sobre a Liturgia


    Este texto aborda os capítulos II e III da Constituição Conciliar sobre a Liturgia (SC), sendo o II totalmente dedicado à Eucaristia. A visão teológica apresentada confirma a doutrina definida no Concílio de Trento (século XVI), mas ao mesmo tempo, procura atualizá-la no que diz respeito à pastoral. Esta preocupação, comum a todos os documentos do II Concílio do Vaticano, pode ser percebida nas determinações e sugestões para que os rituais das Celebrações Litúrgicas dos Sacramentos e Sacramentais fossem revistos, a fim de contribuir para a santificação dos cristãos e para a edificação Igreja (59).
    Os Sacramentos são sinais sensíveis e visíveis da fé, alimentam-na e fortificam-na, e existem para a Igreja. Não existe cristão nem sacramento fora da comunidade, porque, por mais ténue que seja o vínculo estabelecido entre o cristão e a comunidade eclesial, todo aquele que o recebe, recebe também a graça, que é a vida de Deus nos seres humanos; dispõe-se a honrar a Deus e a praticar a caridade associando-se a Cristo e à sua Igreja.
    Sendo sinais da fé, a Igreja precisa de criar condições para que os fiéis celebrem os sacramentos e possam compreender o alcance da graça recebida e as exigências que dela decorrem na sua vida pessoal e comunitária. Desde os primórdios, a Igreja entendeu que uma das formas de fazer isso era através da catequese. O Concílio de Trento ordenou a sistematização daquilo que ficou conhecido como Catecismo Romano que era destinado a orientar os padres para a realização da catequese nas suas paróquias. No início do século XX, São Pio X ordena a publicação de um catecismo abreviado com perguntas e respostas destinado ao povo, e esta atitude deve ser considerada como uma grande preocupação pastoral da época, mas trouxe consigo um vício formativo. As pessoas passaram a decorar o catecismo sem refletir sobre a fé que professavam, de tal forma que os bispos, presentes no II Concílio do Vaticano, perceberam a necessidade de se procurar uma catequese que fosse menos intelectualizada e mais ligada à vida comunitária. A SC sugere que a pastoral sacramental cuide que a preparação dos fiéis para os sacramentos seja apresentada como um itinerário mistagógico para toda a vida cristã e não apenas, como um momento preparatório dos sacramentos. Não obstante esta orientação mais profunda, a saída encontrada foram os «cursos» de preparação para os vários sacramentos, que sem dúvida contribuíram para superar a prática de decorar a doutrina, mas ainda não conseguiram despertar a reflexão sobre o porquê e para quê de celebrar um sacramento. Esta ainda é a principal preocupação da pastoral sacramental.
    Em 1992, depois de seis anos de árduo trabalho, surge o Catecismo da Igreja Católica que se torna o livro doutrinal por excelência. E, em 2005, foi publicado o Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, uma versão concisa, em forma de perguntas e respostas, ao modo do Catecismo de São Pio X.

    Eucarista

    No que diz respeito à Eucaristia, a SC lembra que a Igreja celebra a Eucaristia e esta constrói a Igreja. Profundamente associadas, uma realidade não existe sem a outra. A celebração da Eucaristia é sinal da Igreja reunida como corpo do Senhor, que ritualmente presta culto a Deus e oferece pão e vinho, pedindo-Lhe que os transforme no Seu próprio Corpo e Sangue, alimento da caminhada.
    Para que os fiéis pudessem descobrir esta riqueza, a SC lembra que a Igreja deve cuidar para que não sejam meros expectadores da celebração eucarística, mas ativos participantes da oferta de Cristo, pois todas as vezes que dela participam, juntamente com Ele oferecem as suas vidas na Eucaristia (48). Para que isso aconteça, afirma que é fundamental que o ritual da missa seja revisto, simplificado e reformado (50).
    Na dimensão catequética, a SC destaca a importância da Liturgia da Palavra, que é também alimento para as pessoas, o que indica que as Leituras Bíblicas não estavam a receber o seu devido valor na celebração da Eucaristia (51). Ela recomenda com veemência a pregação e/ou homilia como parte da Liturgia, que ajuda na exposição dos mistérios da fé e das normas da vida cristã, na intenção de oferecer aos fiéis o contacto com a Palavra de Deus como o percurso de um itinerário espiritual cristocêntrico dentro do Ano Litúrgico (52). Insiste, também, para que os fiéis participem nas orações e especialmente dos cantos, o que antes era limitado devido à língua latina desconhecida pela maioria das pessoas que, ao invés de participarem na celebração, apenas ‘assistiam’, sem nada compreender dos Ritos Litúrgicos (53-54).
    Quanto aos demais sacramentos, a contribuição mais importante da SC é a determinação de que todos os rituais sejam atualizados (67-78) e traduzidos na língua materna. Os sacramentos do Batismo, da Confirmação e da Eucaristia passaram a ser chamados de Sacramentos da Iniciação Cristã e, ainda que as preparações sejam separadas, devem ser vistas dentro de um único processo formativo. Desta visão se retoma a preocupação com a Iniciação Cristã dos Adultos, devido ao grande número de adultos não batizados existentes nos territórios de missão e também nas grandes cidades atingidas pela modernidade. A SC determinou a elaboração de um novo ritual (63-55) e, após nove anos, em 1972, surgiu o Ritual da Iniciação Cristã dos Adultos (RICA), reformado por Decreto do II Concílio do Vaticano e promulgado pelo Papa Paulo VI.

    Sacramentais

    Os sacramentais ou bênçãos, embora não sejam sacramentos, são sinais sagrados que colaboram para a santificação dos fiéis (60), como por exemplo, uma bênção pessoal ou de uma casa, um carro etc. A SC não só incentiva o uso dos sacramentais, como também determina que alguns sejam realizados por leigos, o que permite compreender o quanto a Igreja deseja que assumam a sua vocação missionária e evangelizadora. Dentro deste contexto foi de suma importância a publicação do Ritual das Bênçãos. Trata-se de um livro de grande valor, onde as bênçãos estão divididas em cinco partes: bênção de pessoas, objetos, de coisas destinadas ao uso litúrgico, de objetos de piedade e, finalmente, bênçãos para diversos fins. A estrutura de cada bênção comporta uma proclamação da Palavra e um louvor da bondade de Deus com um pedido de auxílio, além de um breve rito de abertura e conclusão.

    © Ambiente Virtual de Formação — www.ambientevirtual.org.br —
    © Arquidiocese de Campinas, Brasil
    © Adaptado por Laboratório da fé, 2014



    Questões para reflexão

    • O que significa a expressão ‘a Igreja celebra a Eucaristia e esta constrói a Igreja’?
    • Como é que a equipa de liturgia da tua paróquia e/ou comunidade pode contribuir para que a comunidade e o povo celebrem e vivam melhor os sacramentos?
    • Como vês o processo de Iniciação Cristã? 
    • Estas informações sobre Sacramentos e Sacramentais acrescentaram alguma coisa aos teus conhecimentos e à tua vida? O quê?

    Partilha connosco a tua reflexão!


    II Concílio do Vaticano, no Laboratório da fé, 2014


    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 13.2.14 | Sem comentários

    Mistério da fé! [18]


    A Eucaristia associa a si aspetos que devem ser tidos em conta, na preparação, na celebração e até depois da celebração. Quem, como, quando e onde — são questões que sintetizam alguns desses pontos. Nesta reflexão não é possível apresentar todos os elementos importantes para responder às questões referidas; procuraremos fazê-lo também nos próximos temas (cf. temas 19 a 22) dedicados ao Sacramento da Eucaristia [Para ajudar a compreender melhor, ler: Marcos 14, 22-26); Catecismo da Igreja Católica, números (CIC) 1345 a 1355]

    «Tomou um pão e, depois de pronunciar a bênção, partiu-o 

    e entregou-o aos discípulos»

    — relata o evangelho segundo Marcos, a propósito da «Instituição da Eucaristia».

    Eucaristia

    Entre as expressões (cf. temas 16 e 17) usadas para designar a Eucaristia encontra-se a de «Missa» ou «Santa Missa»: «Do latim, ‘mittere’ (enviar, despedir) [...]. O termo, provavelmente, teve a sua origem na despedida que se fazia dos catecúmenos (‘missa catecumenorum’), depois da liturgia da Palavra e, no final, na despedida dos fiéis (‘Ite, missa est’). [...] A partir do século VI, definitivamente, deu-se o nome de ‘missa’ a toda a celebração (José Aldazábal, «Dicionário Elementar de Liturgia» [DEL], ed. Paulinas, Prior Velho, 2007, 181).

    Quem pode participar na eucaristia?

    Em termos gerais, qualquer pessoa pode participar na celebração da eucaristia. No entanto, nem todos podem ter o mesmo tipo de participação.

    Quem preside à eucaristia?

    Todas as ações litúrgicas são presididas por Jesus Cristo; são exercício da presença de Jesus Cristo que acontece em, primeiro lugar, na assembleia (cf. tema 2). Todavia, nem todos têm a mesma função. E só os bispos ou os presbíteros podem presidir à eucaristia (cf. CIC 1348).

    Como é celebrada a eucaristia?

    As linhas fundamentais seguem o relato elaborado pelo mártir São Justino, por volta do ano 155 (século II), reproduzido no número 1345 do Catecismo da Igreja Católica. O ritual compõe-se de duas partes principais (Liturgia da Palavra e Liturgia Eucarística) precedidas por uma introdução (Ritos Iniciais) e seguidas de uma conclusão (Ritos Finais). O Catecismo Jovem da Igreja Católica (YOUCAT) resume numa pergunta: «Como está organizada a Santa Missa? A Santa Missa começa com a reunião dos crentes e com a entrada do sacerdote e dos ministros do altar (acólitos, leitores, etc.). Após a saudação, faz-se a confissão geral (ato penitencial), que culmina no Kyrie. Nos domingos (exceto no Advento e na Quaresma) e nas festas canta-se ou diz-se o Glória. A oração coleta introduz uma ou duas leituras do Antigo e/ou do Novo Testamento. Antes do Evangelho, tem lugar a sua aclamação (Aleluia). Depois de anunciar o Evangelho, o sacerdote ou o diácono faz uma reflexão (Homilia), especialmente nos domingos e nos dias solenes. Igualmente nestes dias, a comunidade faz a sua profissão de fé comum mediante o Credo, a que se seguem as orações de intercessão (oração universal). A segunda parte da Santa Missa começa com a preparação dos dons (oblatas), que é rematada com a oração sobre as oblatas. O zénite da celebração é a Oração Eucarística, introduzida pelo prefácio e pelo Santo. Então, os dons do pão e do vinho são convertidos no corpo e no sangue de Cristo. A Oração Eucarística desemboca na doxologia, que faz a ponte para a Oração do Senhor (Pai Nosso). Segue-se a oração pela paz, o Agnus Dei, a fração do pão e a oferta dos dons sagrados aos crentes, o que em regra acontece apenas com o corpo de Cristo. A Santa Missa termina com um tempo de silêncio orante, uma ação de graças, uma oração pós-comunhão e a bênção pelo sacerdote» (número 214).

    Quando se celebra a eucaristia?

    A Igreja Católica propõe a celebração diária da eucaristia. No entanto, «a Igreja impõe aos fiéis a obrigação de ‘participar na divina liturgia nos domingos e dias de festa’ e de receber a Eucaristia ao menos uma vez em cada ano, se possível no tempo pascal preparados pelo sacramento da Reconciliação. Mas recomenda-lhes vivamente que recebam a santa Eucaristia aos domingos e dias de festa, ou ainda mais vezes, mesmo todos os dias» (CIC 1389).

    Onde se pode celebrar a eucaristia?

    O lugar próprio é o templo sagrado, embora se possa admitir outro lugar devidamente preparado (cf. tema 5).

    «Em cada etapa da história da Igreja, a celebração eucarística, enquanto fonte e ápice da sua vida e missão, resplandece no rito litúrgico em toda a sua multiforme riqueza» (Bento XVI, Exortação Apostólica sobre a Eucaristia fonte e ápice da vida e da missão da Igreja — «Sacramentum Caritatis», 3).






    Reflexões semanais sobre a «fé celebrada» (liturgia e Sacramentos) — Laboratório da fé, 2013
    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 6.2.14 | Sem comentários

    Mistério da fé! [17]


    «A Eucaristia é o memorial da Páscoa de Cristo, isto é, da obra do salvação realizada pela vida, morte e ressurreição de Cristo, obra tornada presente pela ação litúrgica» (Catecismo da Igreja Católica [CIC], 1409). [Para ajudar a compreender melhor, ler: 1Coríntios 11, 23-27; Catecismo da Igreja Católica, números 1337 a 1344 e 1362 a 1372]

    «Fazei isto em memória de Mim»

    — disse Jesus Cristo, no contexto da ceia pascal, de acordo com o relato paulino da Primeira Carta aos Coríntios. Trata-se do testemunho literário mais antigo sobre Eucaristia (por volta do ano 52), anterior aos textos dos evangelhos. «‘Em memória de mim’ é o coração da revelação, a realização da história da salvação para cada um de nós, o mistério escondido há séculos e agora revelado» (Francesco Peyron - Paolo Angheben, «Eucaristia, coração da vida», Edições Salesianas, Porto 2004, 77).

    Eucaristia

    São vários os termos usados para designar a Eucaristia (cf. tema 16). Um deles é «Ceia do Senhor»: «porque se trata da ceia que o Senhor comeu com os discípulos na véspera da sua paixão e da antecipação do banquete nupcial do Cordeiro na Jerusalém celeste» (CIC 1329). Outro deles, «o primeiro adotado pelas comunidades cristãs para definir a Eucaristia» (José Aldazábal, «Dicionário Elementar de Liturgia» [DEL], ed. Paulinas, Prior Velho, 2007, 179), é o de «memorial» (em hebraico, ‘zikkaron’; em grego, ‘anamnesis’).

    Memorial

    «O mandato de Jesus foi: ‘Fazei isto em memória de mim’. O memorial não é entendido pela Igreja como uma mera recordação subjetiva ou um aniversário. Ele é uma recordação eficaz, uma celebração que atualiza o que recorda: ou seja, é um ‘sacramento’ do acontecimento passado» (DEL 179). «Um exemplo pode ajudar-nos: suponhamos que um pai de família, para salvar o filho dum incêndio, se lança às chamas e sofre queimaduras para poder tirá-lo de lá. Passados anos, permanecem nos braços e no peito do pai todos os sinais das queimaduras. O filho, olhando para ele, recorda aquele gesto de amor» (Francesco Peyron - Paolo Angheben..., 79). «Para os Judeus, o memorial da sua Páscoa não é só o aniversário da sua saída do Egito, mas a renovação atualizada da aliança que Deus lhes ofereceu então e lhes continua a oferecer agora. Para os cristãos, o memorial da Morte de Cristo, agora Ressuscitado, atualiza e comunica, em cada celebração, a força salvadora do acontecimento da cruz. Além disso, o memorial visa também o futuro: em certo sentido, adianta-o e garante-o. Em cada Missa, ao comer o Pão e o Vinho, que são o Corpo de Cristo (presente), proclama-se a morte do Senhor (passado) ‘até que Ele venha’ (futuro). É assim que S. Paulo descreve a Eucaristia (cf. 1Coríntios 11, 26). É desta forma também que o Concílio define a Eucaristia: como memorial da Morte e Ressurreição de Cristo (cf. Constituição Conciliar sobre a Sagrada Liturgia — «Sacrosanctum Concilium», 47). [...] O Catecismo explica a Eucaristia a partir desta chave (cf. CIC 1362-1372). Os próprios textos do Missal são os que exprimem, sobretudo, a identidade da Eucaristia como memorial da Páscoa de Cristo: ‘ao celebrar agora o memorial da morte e ressurreição do vosso Filho…’ (Oração Eucarística II)» (DEL 179).

    Páscoa

    «A palavra ‘Páscoa’ vem do hebraico ‘pesah’, que parece significar ‘coxear, saltar, passar por cima’, talvez aludindo a algum ‘salto’ ritual e festivo. Mas bem rápido passou a referir-se ao facto de que Javé ‘passou ao largo’ pelas portas dos israelitas, no último castigo infligido aos egípcios, e, mais tarde, à passagem do Mar Vermelho, no trânsito da escravidão para a liberdade. [...] A Páscoa, no Novo Testamento, é uma categoria fundamental para entender a obra salvadora de Cristo e da Eucaristia. [...] Agora é o êxodo, o salto, a passagem de Cristo para o Pai na sua hora crucial de morte e ressurreição, o que dá sentido novo e pleno à Páscoa judaica. Na morte e ressurreição, em que Cristo é o verdadeiro Cordeiro pascal, Ele ofereceu o sacrifício definitivo e conseguiu a Nova Aliança, a reconciliação de Deus com a humanidade, e deu origem ao novo povo da Igreja. [...] E assim como os Judeus, em cada ano, fazem o memorial da sua Páscoa-Êxodo, sobretudo na ceia pascal, também os cristãos recebem o encargo de celebrar – com um ritmo mais frequente – o memorial da Páscoa de Cristo, a Eucaristia» (DEL 226).

    «Portanto, ‘recordar’ é ‘trazer de novo ao coração’ com a memória e o afeto, mas também celebrar uma presença. A Eucaristia, verdadeiro memorial do mistério pascal de Cristo, é capaz de manter viva em nós a memória do seu amor» (João Paulo II, Audiência Geral de 4 de outubro de 2000).






    Reflexões semanais sobre a «fé celebrada» (liturgia e Sacramentos) — Laboratório da fé, 2013
    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 30.1.14 | Sem comentários

    Mistério da fé! [16]


    «A Eucaristia é o coração e o cume da vida da Igreja, porque nela Cristo associa a sua Igreja e todos os seus membros ao seu sacrifício de louvor e de ação de graças, oferecido ao Pai uma vez por todas na cruz; por este sacrifício, Ele derrama as graças da salvação sobre o seu corpo, que é a Igreja» (Catecismo da Igreja Católica [CIC], 1407). [Para ajudar a compreender melhor, ler: João 6, 48-58; Catecismo da Igreja Católica, números 1322 a 1332]

    «Eu sou o pão vivo, o que desceu do Céu:

    se alguém comer deste pão, viverá eternamente»

    — diz Jesus Cristo, no «discurso» sobre o «Pão da Vida» apresentado no sexto capítulo do evangelho segundo João. As declarações de Jesus Cristo confirmam a necessidade de comer a «carne» e beber o «sangue» para ter a plenitude da vida. A Igreja interpreta esta imagem à luz do sacramento da Eucaristia. E, por isso, apresenta-o como «coração da vida».

    Eucaristia

    A Eucaristia é um dos termos usados para designar o Sacramento que, juntamente com o Batismo e a Confirmação, completa a Iniciação Cristã (cf. tema 7). «Aqueles que foram elevados à dignidade do sacerdócio real pelo Batismo e configurados mais profundamente com Cristo pela Confirmação, esses, por meio da Eucaristia, participam, com toda a comunidade, no próprio sacrifício do Senhor» (CIC 1322). A palavra «eucaristia» tem origem no «grego, ‘eu’ (bom) e ‘charis’ (graça) = «boa graça» (em sentido descendente); ou ‘ação de graças’ (em sentido ascendente). Quando os Evangelhos descrevem os gestos da Última Ceia, recordam que Jesus ‘tomou o pão e deu graças’ (‘eucharistesas’). Não é de estranhar, portanto, que por volta do ano 100, o nome Eucaristia se acrescentasse às outras denominações usadas pelas primeiras comunidades para designar este sacramento: ‘Fração do Pão’ e ‘Ceia do Senhor’. A seguir, chamar-se-ia ‘Synaxis’ (reunião, ação conjunta), ‘Missa’, etc.» (José Aldazábal, «Dicionário Elementar de Liturgia» [DEL], ed. Paulinas, Prior Velho, 2007, 112).

    Coração da vida

    O primeiro documento do II Concílio do Vaticano apresenta a Liturgia (cf. tema 1) como «a meta para a qual se encaminha a ação da Igreja e a fonte de onde promana toda a sua força. Na verdade, o trabalho apostólico ordena-se a conseguir que todos os que se tornaram filhos de Deus pela fé e pelo Batismo se reúnam em assembleia para louvar a Deus no meio da Igreja, participem no Sacrifício e comam a Ceia do Senhor» (Constituição Conciliar sobre a Sagrada Liturgia — «Sacrosanctum Concilium», 10). A partir desta afirmação, os vários documentos da Igreja continuam a proclamar este duplo sentido: meta e fonte. A Constituição Dogmática sobre a Igreja («Lumen Gentium»), no número 11, diz: «Pela participação no sacrifício eucarístico de Cristo, fonte e centro de toda a vida cristã, oferecem a Deus a vítima divina e a si mesmos juntamente com ela». O Catecismo da Igreja Católica (número 1327) afirma que «a Eucaristia é o resumo e a súmula da nossa fé». Estas afirmações conduzem-nos para perceber a Eucaristia como o «coração da vida» da Igreja, dos cristãos. Neste sentido, a Eucaristia há de ser também o «coração do domingo» (João Paulo II, Carta Apostólica no termo do Grande Jubileu do Ano 2000 — «Novo Millennium Ineunte», 26): «A participação na Eucaristia seja verdadeiramente, para cada batizado, o coração do domingo: um compromisso irrenunciável, abraçado não só para obedecer a um preceito mas como necessidade para uma vida cristã verdadeiramente consciente e coerente». Entre outras afirmações, o papa João Paulo II disse que «a Igreja vive da Eucaristia» (Carta Encíclica sobre a Eucaristia na sua relação com a Igreja — «Ecclesia de Eucharistia» [EE], 1). E definiu a Eucaristia como «o que de mais precioso pode ter a Igreja no seu caminho ao longo da história» (EE 9). Também o papa Bento XVI se referiu à Eucaristia como «o tesouro mais precioso da Igreja. A Eucaristia é como o coração pulsante que dá vida a todo o corpo místico da Igreja» (Bento XVI, «Angelus» de 26 de junho de 2011). Por fim, o papa Francisco apresentou-a como «alimento precioso da fé, encontro com Cristo presente de maneira real no seu ato supremo de amor: o dom de Si mesmo que gera vida» (Francisco, Carta Encíclica sobre a fé — «Lumen Fidei», 44).

    «A Eucaristia cria a vida da Igreja e a Igreja somos nós; portanto, dá a vida a cada um de nós. Aquilo que cada um vive na escola, no trabalho, com a esposa, com a namorada, pensando nas próprias opções, no íntimo da mente e do coração, ganha sentido, é iluminado pela Eucaristia, Vida em que entra na vida» (Franceso Peyron - Paolo Angheben, «Eucaristia, coração da vida», Edições Salesianas, Porto 2004, 14).






    Reflexões semanais sobre a «fé celebrada» (liturgia e Sacramentos) — Laboratório da fé, 2013
    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 23.1.14 | Sem comentários

    NÃO PODEMOS VIVER SEM O DOMINGO!


    «Valorizar o domingo como centro de todo o ano litúrgico» — é o primeiro objetivo apresentado no programa pastoral (2013+14) da Arquidiocese de Braga. Com o intuito de «valorizar» o domingo, acompanhando os tempos litúrgicos, propomos um tema a partir da releitura da Carta Apostólica sobre a santificação do domingo — «O dia do Senhor» («Dies Domini»). Este itinerário tem como tema geral: «Não podemos viver sem o domingo!».

    Domingo, DIA DO BATISMO

    Texto de reflexão para o segundo domingo 

      31. [...] Não é suficiente que os discípulos de Cristo rezem individualmente e recordem interiormente, no segredo do coração, a morte e a ressurreição de Cristo. Com efeito, todos os que receberam a graça do batismo, não foram salvos somente a título individual, mas enquanto membros do Corpo místico, que entraram a fazer parte do Povo de Deus. Por isso, é importante que se reúnam, para exprimir em plenitude a própria identidade da Igreja, a «ekklesía», assembleia convocada pelo Senhor ressuscitado, que ofereceu a sua vida «para trazer à unidade os filhos de Deus que andavam dispersos» (João 11, 52). Estes tornaram-se «um só» em Cristo (cf. Gálatas 3, 28), pelo dom do Espírito. Esta unidade manifesta-se exteriormente, quando os cristãos se reúnem: é então que adquirem consciência viva e dão ao mundo testemunho de serem o povo dos redimidos, formado por «homens de toda a tribo, língua, povo e nação» (Apocalipse 5, 9). Através da assembleia dos discípulos de Jesus Cristo, perpetua-se no tempo a imagem da primeira comunidade cristã, descrita como modelo por São Lucas nos Atos dos Apóstolos, quando diz que os primeiros batizados «eram assíduos ao ensino dos Apóstolos, à união fraterna, à fração do pão, e às orações» (2, 42).



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      Laboratório da fé celebrada, 2013
      Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 17.1.14 | Sem comentários

      ANO CRISTÃO


      O Secretariado de Liturgia da diocese do Porto, num artigo do jornal «Voz Portucalense» (11 de janeiro de 2012) explica o sentido e a importância do chamado «Tempo Comum», que se inicia após a festividade do Batismo de Jesus. «Sem o precioso 'Tempo Comum' as solenidades e tempos 'extraordinários' acabariam por se tornar 'ordinários' e perder relevância». Este tempo — que se divide em duas parte (antes da Quaresma e após o Pentecostes) — é «o tempo por excelência da pastoral eucarística».

      Terminado o ciclo festivo do Natal/Epifania, com o seu tempo preparatório (Advento), entramos em dia de semana, sem fazer ruído, no «Tempo Comum». É sempre assim: o ciclo festivo da Incarnação termina com a Festa do Batismo do Senhor – celebração que desde as origens pertence de pleno direito à «Epifania» ou manifestação do Senhor. Como regra, essa festividade deve ocupar o domingo após 6 de Janeiro. Entretanto, dado que entre nós a Epifania foi transferida para o domingo ocorrente entre 2 e 8 de Janeiro, quando esse domingo acontece depois de 6 de Janeiro a Festa do Batismo do Senhor desloca-se para a segunda-feira sucessiva, começando o Tempo Comum na terça-feira seguinte. [...]
      O Tempo Comum tem dois períodos, de duração desigual: antes da Quaresma e após o Pentecostes. [...]
      O «Tempo Comum» é muitíssimo importante! Perdê-lo, deixá-lo correr em vão, é desperdiçar a parte maior do «ano da graça» que nos é dado para viver ao ritmo do mistério de Cristo. Sim: chamamos «tempos fortes» (porventura indevidamente) aos ciclos da Incarnação (Advento-Natal-Epifania) e da Redenção (Quaresma-Tríduo Pascal-Tempo Pascal). Talvez porque a «força» das dimensões e momentos do mistério de Cristo em que se participa nessas estações se impõe de tal modo à nossa psicologia que se torna quase impossível passar-lhes ao lado, como que distraídos. E então multiplicam-se iniciativas de formação e celebração para colher de forma mais intensa a sua eficácia salvífica. Só que nós não podemos viver sempre ao ritmo da solenidade. Ficaríamos saturados ou extenuados. Não é só o «colesterol» que não aguenta! Precisamos – é também essa uma exigência da psicologia humana – de alternar a intensidade e, até, «excesso» da festa com a normalidade serena e pausada do quotidiano. Sem o precioso «Tempo Comum» as solenidades e tempos «extraordinários» acabariam por se tornar «ordinários» e perder relevância.
      Lemos no número 43 das Normas Gerais sobre o Ano Litúrgico: «trinta e três ou trinta e quatro semanas no ciclo do ano são destinadas não a celebrar um aspeto particular do mistério de Cristo, mas o mesmo mistério de Cristo na sua globalidade, especialmente nos domingos. Este período é deno­minado Tempo Comum». Sendo o domingo a grande articulação deste Tempo e sendo a Eucaristia a celebração fulcral do Domingo, então o «Tempo Comum» é o tempo por excelência da pastoral eucarística.
      [...]
      Se, para muitos dos nossos contemporâneos, a missa dominical deixou de ter importância vital, se as nossas assembleia dão de si uma imagem de envelhecimento e decadência, se o «preceito dominical» já pouco ou nada diz a muitos católicos confortavelmente não praticantes, então torna-se imperioso – e é até capítulo não negligenciável de qualquer proposta de «nova evangelização» – dedicar o melhor das nossas energias a este apostolado da Eucaristia. «Numa época em que para muitos o próprio sentido de Deus é como o sol que de noite declina e desaparece no horizonte, repor a Eucaristia no lugar central da vida das pessoas quer dizer redescobrir o verdadeiro rosto do Deus encarnado, do Deus que é amor, do Deus que veio até nós». (Documento preparatório do 50.º Congresso Eucarístico Internacional, número 21).
      Para que tal aconteça, temos de cultivar a «ars celebrandi», ou seja, a arte de celebrar a liturgia, tão recomendada por Bento XVI. Definitivamente temos de deixar para trás toda a incúria e negligência que se repercutem em celebrações descuidadas e pouco atraentes. Temos de trabalhar incansavelmente na preparação de todos os que de algum modo estão envolvidos nas nossas celebrações. E não nos podemos conformar com uma prática cultual que, por falta de sacerdotes – e, agora, até com fartura de diáconos – se resigna a não ter celebração eucarística (e até se habitua a passar bem sem ela).

      © SDL | Voz Portucalense
      © Adaptação de Laboratório da fé, 2014



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      Laboratório da fé celebrada, 2014
      Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 13.1.14 | Sem comentários

      Mistério da fé! [7]


      A entrada numa comunidade — grupo, associação, instituição, coletividade — está (sempre) associada a uma «iniciação», a um processo que se desenvolve em várias etapas. Por isso, logo no princípio da Igreja se estabeleceu um percurso para a «iniciação» dos cristãos. Este processo deu origem aos Sacramentos da Iniciação Cristã. Sabes quais são? Vamos apresentá-los neste e nos próximos temas [Para ajudar a compreender melhor, ler: Atos 8, 26-40; Catecismo da Igreja Católica (CIC), números 1212 e 1275]

      «Como poderei compreender, sem alguém que me oriente»

      — questiona o etíope, no diálogo narrado no livro dos Atos dos Apóstolos. Esta inquietação manifesta a disponibilidade para «ser iniciado» no conhecimento, neste caso, de Jesus Cristo e do seu estilo de vida. Assemelha-se, por isso, à pergunta — «Mestre, onde moras?» — feita pelos primeiros discípulos (cf. tema 6).

      Sacramentos

      «Para transmitir um conteúdo meramente doutrinal, uma ideia, talvez bastasse um livro ou a repetição de uma mensagem oral; mas aquilo que se comunica na Igreja [...] é a luz nova que nasce do encontro com o Deus vivo, uma luz que toca a pessoa no seu íntimo, no coração, envolvendo a sua mente, vontade e afetividade, abrindo-a a relações vivas na comunhão com Deus e com os outros. Para se transmitir tal plenitude, existe um meio especial que põe em jogo a pessoa inteira: corpo e espírito, interioridade e relações. Este meio são os sacramentos celebrados na liturgia da Igreja: neles, comunica-se uma memória encarnada, ligada aos lugares e épocas da vida, associada com todos os sentidos; neles, a pessoa é envolvida, como membro de um sujeito vivo, num tecido de relações comunitárias» (Francisco, Carta Encíclica sobre a fé, «A Luz da Fé» — «Lumen Fidei», 40).

      Iniciação

      O vocábulo «iniciação», de origem latina («initiatio»), remete para o ponto de partida de uma caminhada, a entrada e participação de alguém numa nova realidade. No contexto religioso, «a iniciação é um processo presente em muitas religiões, [...] e compreende não só um doutrinamento, mas também uma série de ritos ‘iniciáticos’ que exprimem um novo nascimento, pelo qual alguém é ‘iniciado’ no mistério e admitido como membro de uma comunidade ou grupo» (José Aldazábal, «Dicionário Elementar de Liturgia» [DEL], ed. Paulinas, Prior Velho, 2007, 145-146).

      Cristã

      A entrada na comunidade dos cristãos foi sempre apoiada numa «iniciação». Começou de forma simples: evangelização, conversão, batismo, participação ativa na Igreja. Ao longo dos tempos foram introduzidos rituais em cada etapa. Nos séculos V-VI aparece já com clareza o itinerário sacramental da Iniciação Cristã: Batismo, Confirmação e Eucaristia. Mas «aquilo que, durante séculos, foi um processo unitário dos três sacramentos, [...], a pouco e pouco, foi-se fragmentando, no Ocidente, com o Batismo nos primeiros meses de vida; mais tarde, a Confirmação, cuja administração foi sendo reservada ao bispo; e a primeira Eucaristia, recomendada para a idade do uso da razão. Agora, por motivos pastorais, a Confirmação tende a diferir-se ainda para mais tarde, mantendo-se a idade da primeira Eucaristia. Na Igreja do Oriente, conserva-se a unidade dos três sacramentos» (DEL).

      Catecumenado

      As alterações produzidas no processo de Iniciação Cristã foram revistas no II Concílio do Vaticano, que determinou a criação de um ritual para as crianças e outro para os adultos. Neste sentido, foi recuperado o processo de «catecumenado» (o termo tem origem no grego «katêchéo», que significa «fazer eco», «instruir por palavra», «ensinar de viva voz»). O episódio do etíope, nos Atos dos Apóstolos (8, 26-40), mostra a génese deste processo. «O catecumenado tinha como característica fazer o caminho em grupo, com expressiva participação da comunidade, não só por meio dos padrinhos, mas pelo seu acompanhamento em relação ao grupo de catecúmenos. Consistia numa série de reuniões de catequese e de oração, com gestos simbólicos rituais. [...] A meio da Vigília Pascal, celebravam, na comunidade, os três sacramentos da iniciação: Batismo, Confirmação e primeira Eucaristia» (DEL, 62-64). Atualmente, a Iniciação Cristã dos adultos desenvolve-se em quatro etapas (pré-catecumenado, catecumenado, eleição, mistagogia) e em três ‘ritos’ de passagem de uma a outra (admissão ao catecumenado, rito de eleição para a preparação próxima, na Quaresma, e a celebração dos três sacramentos, na Vigília Pascal).

      «Através dos sacramentos da iniciação cristã – Batismo, Confirmação e Eucaristia – são lançados os alicerces de toda a vida cristã (Catecismo da Igreja Católica, 1212).






      Reflexões semanais sobre a «fé celebrada» (liturgia e Sacramentos) — Laboratório da fé, 2013
      Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 20.11.13 | Sem comentários

      Carta encíclica sobre a fé [44]


      A natureza sacramental da fé encontra a sua máxima expressão na Eucaristia. Esta é alimento precioso da fé, encontro com Cristo presente de maneira real no seu ato supremo de amor: o dom de Si mesmo que gera vida. Na Eucaristia, temos o cruzamento dos dois eixos sobre os quais a fé percorre o seu caminho. Por um lado, o eixo da história: a Eucaristia é ato de memória, atualização do mistério, em que o passado, como um evento de morte e ressurreição, mostra a sua capacidade de se abrir ao futuro, de antecipar a plenitude final; no-lo recorda a liturgia com o seu «hodie», o «hoje» dos mistérios da salvação. Por outro lado, encontra-se aqui também o eixo que conduz do mundo visível ao invisível: na Eucaristia, aprendemos a ver a profundidade do real. O pão e o vinho transformam-se no Corpo e Sangue de Cristo, que Se faz presente no seu caminho pascal para o Pai: este movimento introduz-nos, corpo e alma, no movimento de toda a criação para a sua plenitude em Deus.

      A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»]
      A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»] — pdf

      • A luz da fé — números publicados no Laboratório da fé > > >



      Refletir... saborear

      • A fé tem a máxima expressão na Eucaristia
      • Na Eucaristia, dá-se o dom de Jesus Cristo que gera vida
      • Na Eucaristia, há o cruzamento dos dois eixos da fé:
        — eixo da história: atualização do mistério
        — eixo do visível ao invisível: profundidade do real
      • A Eucaristia introduz-nos no movimento da Criação para a plenitude em Deus
      • Porque é que a Eucaristia é a máxima expressão da natureza sacramental da fé?
      • Quais são os dois eixos da fé presentes na Eucaristia?
      © Laboratório da fé, 2013

      Partilha connosco a tua reflexão!


      Papa Francisco, Carta Encíclica sobre a fé (Lumen Fidei — A luz da fé)
      Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 24.9.13 | Sem comentários

      A porta da fé [3]


      Estamos a treze semanas de concluir o Ano da Fé, que se iniciou em outubro de 2012 e terminará em novembro de 2013. Semanalmente, apresentamos um número da Carta Apostólica do papa Bento XVI com a qual proclamou o Ano da Fé — «A porta da fé» («Porta Fidei»). E juntamos uma proposta de reflexão elaborada por Pedro Jaramillo. O objetivo é dar um contributo para uma avaliação mais cuidada sobre a forma como estamos a viver o Ano da Fé. Bom proveito!

      Não podemos aceitar que o sal se torne insípido e a luz fique escondida (cf. Mateus 5, 13-16). Também o ser humano contemporâneo pode sentir de novo a necessidade de ir como a samaritana ao poço, para ouvir Jesus que convida a crer n’Ele e a beber na sua fonte, donde jorra água viva (cf. João 4, 14). Devemos readquirir o gosto de nos alimentarmos da Palavra de Deus, transmitida fielmente pela Igreja, e do Pão da vida, oferecidos como sustento de quantos são seus discípulos (cf. João 6, 51). De facto, nos nossos dias ressoa ainda, com a mesma força, este ensinamento de Jesus: «Trabalhai, não pelo alimento que desaparece, mas pelo alimento que perdura e dá a vida eterna» (João 6, 27). E a questão, então posta por aqueles que O escutavam, é a mesma que colocamos nós também hoje: «Que havemos nós de fazer para realizar as obras de Deus?» (João 6, 28). Conhecemos a resposta de Jesus: «A obra de Deus é esta: acreditar n’Aquele que Ele enviou» (João 6, 29). Por isso, acreditar em Jesus Cristo é o caminho para se poder chegar definitivamente à salvação.

      A porta da fé [Carta Apostólica para o Ano da Fé - «Porta Fidei»]

      • A porta da fé — números publicados no Laboratório da fé > > >



      Aspetos que se podem sublinhar

      • A força testemunhal das imagens de Jesus: o sal e a luz. São duas imagens missionárias e muito estimulantes. Se o sal perde o sabor, já o sabemos: a comida fica insossa; se a luz se apaga, vivemos nas trevas. A nossa fé tem que «dar ao mundo o sabor de Cristo» e tem que ser uma verdadeira iluminação de toda a da nossa vida. As curas dos cegos por parte de Jesus ensinam-nos que é necessária a «iluminação» de toda a nossa vida. Não podem existir «espaços escuros», de costas voltadas para o Evangelho.
      • A necessidade de responder com a evangelização aos desejos mais íntimos e mais profundos das pessoas. A evangelização, quando é verdadeira, não é um «acrescento» externo, como quem tem um guarda-sol que usa ou não conforme convém. A evangelização tem de tocar os problemas e aspirações mais íntimos da pessoa. Diz Paulo VI, na Exortação Apostólica sobre a evangelização no mundo contemporâneo — «Evangelii Nuntiandi»: a evangelização tem de «chegar a atingir e como que a modificar pela força do Evangelho os critérios de julgar, os valores que contam, os centros de interesse, as linhas de pensamento, as fontes inspiradoras e os modelos de vida da humanidade» (19). E acrescenta: «importa evangelizar, não de maneira decorativa, como que aplicando um verniz superficial, mas de maneira vital, em profundidade e isto até às suas raízes, a civilização e as culturas humanas» (20).
      • Os dois grandes alimentos da vida do crente: a Palavra e a Eucaristia. A «mesa da Palavra» e a «mesa da Eucaristia» estão sempre presentes na celebração da Missa. Contudo, muitas vezes, acontece que somos ouvintes «esquecidos». Expressa-o muito bem a Carta de São Tiago: «Quem se contenta com ouvir a palavra, sem a pôr em prática, assemelha-se a alguém que contempla a sua fisionomia num espelho; mal acaba de se contemplar, sai dali e esquece-se de como era» (1, 23-24). E a Eucaristia tem de ser celebrada com autenticidade, não como uma simples obrigação. Escutamos São Paulo: «todo aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será réu do corpo e do sangue do Senhor. [...] Aquele que come e bebe, sem distinguir o corpo do Senhor, come e bebe a própria condenação» (1Coríntos 11, 27-29).
      • A Eucaristia como «impulso para a missão» («trabalhai pelo alimento que perdura»). O impulso missionário da Eucaristia está muito bem expresso no evangelho segundo João como dádiva para a vida do mundo: «O pão que eu hei de dar pela vida do mundo é a minha carne» (João 6, 51).

      Interiorizando

      • Examino se, com o meu testemunho, estou a ser sal e luz. Ou tenho a fé tão apagada que nem salga nem alumia...  quase como se não a tivesse. Afinal, em nada se nota o facto de ser crente. Sou como as outras pessoas, até mesmo como as não crentes, na minha maneira de pensar, nos meus juízos, nos interesses que movem a minha vida...

      • Examino se a minha fé chega a tudo o que sou e faço, de tal maneira que desperta nos outros o desejo de, pelo mesmo caminho, encontrar resposta para as interrogações humanas que são comuns a todos. Para isso, tenho que estar muito próximo das pessoas. Não partilho a minha fé com os anjos, mas com as pessoas que são companheiras no caminho da vida

      • Examino a minha relação com a Palavra e a Eucaristia: rotina, convicção, fazer por fazer, escutar por escutar, encontro real, «cumplicidade com o Senhor»... Não podemos ficar com a afirmação: «temos a Palavra e a Eucaristia». Temos de perguntar: o que significa, nas nossas vidas, escutar a Palavra e celebrar a Eucaristia? São realidades transformadoras ou ficamos sempre na mesma como estávamos?

      © Pedro Jaramillo
      © Tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013

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      Bento XVI, Carta Apostólica «A porta da fé»
      Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 29.8.13 | Sem comentários

      As «chaves» do Concílio


      Lumen Gentium — Constituição Dogmática sobre a Igreja


      Pois, comunicando o seu Espírito, constituiu como seu Corpo todos os seus irmãos, chamados de entre todos os povos.
      É nesse Corpo que a vida de Cristo se difunde nos que crêem, unidos de modo misterioso e real, por meio dos sacra­mentos, a Cristo padecente e glorioso. Ao participar realmente do Corpo do Senhor, na fração do pão eucarístico, somos eleva­dos à comunhão com Ele e entre nós. «Porque há um só pão, nós, que somos muitos, formamos um só corpo, visto partici­parmos todos do único pão» (1Coríntios 10, 17). E deste modo nos tornamos todos membros desse corpo (cf. 1Coríntios 12, 27), sendo «individualmente membros uns dos outros» (LG 7).

      Antecedentes
      Os bispos reunidos no Concílio Vaticano II acharam que já não era adequado falar da Igreja apenas em termos das suas estruturas institucionais e jurídicas, aplicando a noção de «Igreja militante» ou o modelo de uma «sociedade perfeita» de Roberto Belarmino. Para melhor expressar a vocação da Igreja tanto nas suas dimensões divina/espiritual como humana/institucional, optaram por uma abordagem mais sacramental. Isso reflete-se no conceito da «Lumen Gentium» da Igreja como sacra­mento de unidade ou de comunhão desejado por Deus para toda a humanidade (LG 1). A Igreja como «koinonia-comunhão» é apre­sentada ainda como povo peregrino reunido e conduzido por Deus no seu caminho através da história para a plena realização da sua chamada. O conceito da Igreja como sacramento é moldado por uma teologia encarnacional centrada numa compreensão de como o amor de Deus nos é revelado na humanidade de Jesus de Nazaré e através dele. Ao dizer que a Igreja é como um sacramento, a «Lumen Gentium» afirma que Cristo continua a operar no mundo, nessa mesma comunidade humana e por meio dela. Vimos que o Espírito Santo suscita a nossa comunhão ou «koinonia» com Cristo e uns com os outros, permitindo que a Igreja seja esse sinal e agente de comunhão no mundo. A comunhão, tal como o Vaticano II entende a Igreja, é mais aprofundada nas reflexões conciliares sobre a ligação entre a Eucaristia e a vida da Igreja. Um regresso ao ensinamento do Novo Testamento e dos Padres da Igreja foi decisivo para a redescoberta de uma eclesiologia eucarística por parte da teologia católica.


      Participando («koinonia») no Corpo de Cristo

      Os escritos neotestamentários de São Paulo mantêm conti­nuamente em equilíbrio a nossa relação pessoal de comunhão com Cristo e a nossa comunhão com todos os fiéis batizados, simultaneamente significada na Eucaristia. Para São Paulo, o vín­culo de unidade que celebramos na Ceia do Senhor não pode ser reduzido a uma ligação entre o crente individual e Cristo. A comunhão em que somos incorporados mediante o dom do Espírito tem uma dimensão tanto vertical como horizontal. A nossa relação com Cristo é inseparável de uma longa e nova série de relações — na qual nos introduz — com todos aqueles que pertencem ao seu Corpo e que constituem as primícias de uma nova humanidade transformada na sua imagem. Quando surgem divisões, na comunidade de Corinto, à mesa do Senhor, Paulo não hesita em criticar a sua incapacidade de discernir a presença do seu Corpo — não só no pão e no vinho, mas também nas suas relações mútuas. Quando os irmãos não mostram reverência pelos outros ou os tratam injustamente, Paulo considera a sua participação na Eucaristia uma forma de «idolatria» ou de falso culto. Nesse contexto, recorda-lhes a «koi­nonia» de que todos participam (1Coríntios 10, 16-17). O ensinamento de Paulo é uma exortação a seguir uma ética consistente em termos de atos comunitários; os seus atos devem ser conformes com a realidade que celebram na Eucaristia.
      Essa eclesiologia eucarística será mais desenvolvida nos escri­tos de Santo Agostinho, o qual explica que de cada vez que recebemos a Eucaristia, a realidade que recebemos através dos sinais sacramentais do pão e do vinho é, ao mesmo tempo, o Corpo e o Sangue de Cristo e a unidade da Igreja. Comentando a carta de Paulo aos Colossenses, afirma ele: «Tornais-vos o pão, ou seja, o corpo de Cristo». Agostinho leva por diante a linha de pensamento paulina que une o Corpo eucarístico e o Corpo eclesial. São dois aspetos indivisíveis de uma única realidade. Tornamo-nos mais profundamente incorporados em Cristo através do me­morial eucarístico. Com efeito, o significado central da Eucaristia é o amor, o amor de Cristo derramado por nós no mistério pascal, o mesmo amor do qual participamos de cada vez que pomos de parte os nossos interesses pessoais e nos voltamos para os outros. Por isso, Agostinho argumentava que a Eucaristia era uma pedagogia da vida cristã, onde aprendemos que o amor a Deus e o amor ao próximo não são realidades separadas. A experiência do amor de Deus amplia a nossa capacidade de amar os outros.

      © Richard R. Gaillardetz - Catherine E. Clifford
      © Paulinas Editora, 2012
      A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização da editora

      Catherine E. Clifford e Richard R. Gaillardetz, As «chaves» do Concílio, Paulinas Editora, Prior Velho, 2012 (material protegido por leis de direitos autorais)


      • Eclesiologia eucarística [1]  [2]  [3]  [4]  [5]  [6]


      Reflexões sobre a Igreja no Laboratório da fé
      Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 8.7.13 | Sem comentários

      Domingo do Corpo e Sangue de Jesus Cristo


      Evangelho segundo Lucas 9, 11b-17

      Naquele tempo, estava Jesus a falar à multidão sobre o reino de Deus e a curar aqueles que necessitavam. O dia começava a declinar. Então os Doze aproximaram-se e disseram-Lhe: «Manda embora a multidão para ir procurar pousada e alimento às aldeias e casais mais próximos, pois aqui estamos num local deserto». Disse-lhes Jesus: «Dai-lhes vós de comer». Mas eles responderam: «Não temos senão cinco pães e dois peixes... Só se formos nós mesmos comprar comida para todo este povo». Eram de facto uns cinco mil homens. Disse Jesus aos discípulos: «Mandai-os sentar por grupos de cinquenta». Assim fizeram e todos se sentaram. Então Jesus tomou os cinco pães e os dois peixes, ergueu os olhos ao Céu e pronunciou sobre eles a bênção. Depois partiu-os e deu-os aos discípulos, para eles os distribuírem pela multidão. Todos comeram e ficaram saciados; e ainda recolheram doze cestos dos pedaços que sobraram.

      Dai-lhes vós de comer

      A festa que celebramos neste domingo foi transferida da passada quinta-feira; trata-se da primeira vez que o fazemos em Portugal, em virtude da última alteração dos feriados. 
      A celebração do Corpo e Sangue de Jesus Cristo remete-nos para a Eucaristia, um dos sacramentos que constitui o centro da nossa vida cristã. 
      É significativa a escolha deste episódio da multiplicação dos pães e dos peixes. O acontecimento situa-se no final do dia, num espaço aberto, onde cabem mais de cinco mil pessoas! Todos estão tão encantados pelos ensinamentos de Jesus Cristo que se «recusam» a abandonar o local. Mas de repente há um alerta: como dar de comer a toda aquela gente? «Não temos senão cinco pães e dois peixes». Tudo está preparado para uma implicação que afeta a todos: a Jesus Cristo, a Deus, aos discípulos, aos que têm alguma coisa ainda que seja pouco, e a todos aqueles que têm fome. Os cinco pães e dois peixes vão tornar-se no sinal de uma vida partilhada de mão e mão!

      A vida de Jesus Cristo

      O pão partido e preparado para ser comido é sinal do que Jesus Cristo foi ao longo de toda a sua vida. Agora, o importante não está no pão enquanto tal, mas no facto de ser partido e repartido, isto é, está pronto para ser entregue (a todos) e ser comido. Jesus Cristo esteve sempre preparado para se entregar aos outros. Jesus Cristo vem para dar a sua vida como alimento do mundo inteiro. O seu corpo e sangue são um verdadeiro alimento para aqueles que escutam a sua palavra e nele colocam toda a confiança. Todos os nossos sentidos são saciados pela presença de Cristo ressuscitado, que continua a convidar todo o universo para a sua mesa. É esta realidade que celebramos na eucaristia! 

      A nossa vida: praticantes da eucaristia

      Mas esta realidade diz respeito a todos, não apenas a Jesus Cristo. Embora pudesse saciar sozinho a multidão, Jesus Cristo implica os discípulos no acontecimento. Como se pudessem, sozinhos, fazer milagres! «Dai-lhes vós de comer». É a tarefa que faz de nós «praticantes». Ao contrário do que se diz, não é «praticante» aquele que (apenas) «vai à missa todos os domingos», mas quem celebra a eucaristia e se compromete a entregar-se aos irmãos, tal como Jesus Cristo ensina e faz na sua própria vida. «Dai-lhes vós de comer» — envia-nos a proclamar o Evangelho envolvendo-nos numa lógica de partilha quotidiana com os outros.
      Hoje, este episódio do evangelho recorda-nos que Jesus Cristo se dá a nós em alimento através do seu Corpo e do seu Sangue, para que possamos dar, em contrapartida, o «tão pouco» de nós mesmos ao mundo. Quando celebramos a eucaristia somos convidados a tomar consciência de que somos uma família unida à volta de Jesus Cristo. Ele oferece-nos a sua Palavra para ser acolhida; e coloca-nos à volta da mesa, dando-nos o seu Corpo e Sangue para fazer nascer em nós aquele amor que é entrega sem limites. Daqui nasce uma comunidade que saboreia o amor de Deus e se compromete a entregar-se aos outros sem limites. Celebrar a eucaristia é tomar consciência de que somos uma família, que se alimenta do mesmo pão e do mesmo vinho, e se caracteriza pela prática do amor na entrega aos outros. O que significa para ti participar na eucaristia e comungar Jesus Cristo?

      © Laboratório da fé, 2013

      Corpo e Sangue de Jesus Cristo e nona semana, no Laboratório da fé, 2013
      Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 2.6.13 | Sem comentários
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