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Sexta-feira da sétima semana de Páscoa


Evangelho segundo João 21, 15-19

Quando Jesus Se manifestou aos seus discípulos junto ao mar de Tiberíades, depois de comerem, perguntou a Simão Pedro: «Simão, filho de João, amas-Me tu mais do que estes?». Ele respondeu-Lhe: «Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo». Disse-lhe Jesus: «Apascenta os meus cordeiros». Voltou a perguntar-lhe segunda vez: «Simão, filho de João, tu amas-Me?». Ele respondeu-Lhe: «Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo». Disse-lhe Jesus: «Apascenta as minhas ovelhas». Perguntou-lhe pela terceira vez: «Simão, filho de João, tu amas-Me?». Pedro entristeceu-se por Jesus lhe ter perguntado pela terceira vez se O amava e respondeu-Lhe: «Senhor, Tu sabes tudo, bem sabes que Te amo». Disse-lhe Jesus: «Apascenta as minhas ovelhas. Em verdade, em verdade te digo: Quando eras mais novo, tu mesmo te cingias e andavas por onde querias; mas quando fores mais velho, estenderás a mão e outro te cingirá e te levará para onde não queres». Jesus disse isto para indicar o género de morte com que Pedro havia de dar glória a Deus. Dito isto, acrescentou: «Segue-Me».

Amas-Me tu mais do que estes?

Aquando da prisão e condenação de Jesus, os evangelistas relatam três negações de Pedro. Agora, em contexto pascal, o autor do evangelho segundo João relata três afirmações de Pedro. Estas afirmações não são apenas um restauro da amizade e da confiança (perdidas). São muito mais do que isso! 
«Amas-Me tu mais do que estes?». Jesus Cristo ressuscitado repete três vezes uma pergunta que antes nunca tinha feito a alguém: «amas-Me?». É importante notar que este relato surge nos últimos dias do tempo de Páscoa. Parece dizer-nos que esta questão, fundamental para o discípulo, não pode ser colocada logo no início, mas precisa de tempo, o tempo necessário para uma resposta assertiva e coerente. 
Pedro, que negou conhecer Jesus Cristo, é o mesmo que antes, seguro se si mesmo, tinha afirmado a dedicação total a Jesus Cristo. O Pedro, que agora afirma o seu amor por Jesus Cristo, é o mesmo que antes, consciência da sua fraqueza, sentiu a tristeza por ter negado o seu discipulado. Mas também foi este mesmo Pedro que seguiu definitivamente Jesus Cristo até dar a vida em seu nome. 
Após a resposta (afirmativa) de Pedro, Jesus Cristo confia-lhe uma missão: «Apascenta as minhas ovelhas». Pedro é constituído «pastor». Um pastor que tem a missão de continuar a ação do «Bom Pastor», Jesus Cristo. As «ovelhas» não são de Pedro. São de Jesus Cristo. Por isso, o «pastor» Pedro tem de continuar a ação do «Bom Pastor». Não pode ser um «pastor mercenário»! «O bispo e o padre devem ser pastores e não lobos» (Francisco).
A missão de Pedro, tal como é apresentado neste episódio, não pode ser entendida como autoridade e poder, mas como amor e serviçoO amor será sempre a marca da identidade cristã. E assim se constitui uma equipa unida, onde quem manda é quem mais ama. Só quem ama, quem aprende a amar e o pratica diariamente, está capacitado para «apascentar as ovelhas». A primeira coisa que temos de saber fazer é aprender a amar, treinar e praticar o amor, trabalhar com amor. Tal como o «Bom Pastor», Pedro (ou qualquer outro que prolongue esta  missão) tem de amar e proteger as «ovelhas». E nunca expulsá-las do redil!

© Laboratório da fé, 2013

O problema não é sermos pecadores mas não nos deixarmos transformar pelo amor de Cristo. O papa Francisco, na homilia da eucaristia deste dia, pôs em destaque a pergunta de Jesus a Pedro: «amas-Me?». Este diálogo entre Jesus e Pedro, diz o Papa, faz eco de todos os encontros entre os dois, desde o primeiro «vem e segue-me». Pedro deixou-se modelar por Jesus nos muitos encontros ao longo dos tempos, feitos de dor e alegria, de risos e de lágrimas e até de vergonha pelos erros cometidos. «Pedro era pecador, mas não era corrupto, ah? Pecadores sim, todos. Corruptos, não. Uma vez soube de um padre, um bom pároco que trabalhava bem; foi nomeado bispo, e ele tinha vergonha porque não se sentia digno, tinha um tormento espiritual. E foi ter com o confessor. O confessor ouviu-o e disse: Não te assustes. Se com todos aqueles pecados a Pedro fizeram-no Papa tu continua e vai em frente. É que o Senhor é assim. O Senhor é assim. O Senhor faz-nos amadurecer com os nossos encontros com Ele, mesmo com as nossas debilidades, quando as reconhecemos, com os nossos pecados» — explicitou o papa Francisco. [fonte: news.va]

João 20, 20 - www.laboratoriodafe.net
Postado por Unknown | 17.5.13 | Sem comentários

Mês de maio, Mês de Maria


O papa João Paulo II, nos dias 26 de fevereiro e 5 de março de 1997, dedicou uma Audiência Geral ao tema da presença de «Maria nas bodas de Caná». Na sequência do comentário ao capítulo mariano da Constituição Dogmática sobre a Igreja — «Lumen Gentium» (LG) do II Concílio do Vaticano, o Papa destaca a disponibilidade de Maria para cooperar com Deus na missão do seu Filho, Jesus Cristo. 
Na primeira Audiência, apresenta o pedido de Maria como cheio de atualidade para todos os tempos: «O pedido de Maria: 'Fazei o que Ele vos disser', conserva um seu valor sempre actual para os cristãos de todas as épocas, e é destinado a renovar o seu efeito maravilhoso na vida de cada um. Ela exorta a uma confiança sem hesitação, sobretudo quando não se compreendem o sentido e a utilidade de quanto Cristo pede». A terminar, João Paulo II refere que este episódio das bodas de Caná nos anima a ser «corajosos na fé».
Na segunda Audiência, João Paulo II, segue ainda mais de perto o texto do número 58 da «Lumen Gentium» — Constituição Dogmática sobre a Igreja do II Concílio do Vaticano. Além de refletir sobre a importância da presença de Maria para a ação de Jesus Cristo, também dedica uma parte ao tema do matrimónio, motivado pela circunstância que estava a acontecer em Caná. Antes de terminar dizendo que «em Caná, Maria inicia o caminho da fé da Igreja, precedendo os discípulos e orientando para Cristo a atenção dos servos», refere ainda a ligação de Caná com o Sacramento da Eucaristia.

Caríssimos Irmãos e Irmãs:
1. No episódio das bodas de Caná, São João apresenta a primeira intervenção de Maria na vida pública de Jesus e põe em relevo a sua cooperação na missão do Filho.
Desde o início da narração, o evangelista avisa que «a mãe de Jesus estava presente» (2, 1) e, como que a querer sugerir que essa presença está na origem do convite dirigido pelos esposos ao próprio Jesus e aos Seus discípulos (cf. Redemptoris Mater, 21), acrescenta: «Jesus e os Seus discípulos foram convidados para as bodas» (2, 2). Com tais observações, João parece indicar que em Caná, como no evento fundamental da Encarnação, Maria é aquela que introduz o Salvador.
O significado e o papel que assume a presença da Virgem, manifestam-se quando vem a faltar o vinho. Ela, experiente e prudente dona de casa, percebe isso imediatamente e intervém para que não termine a alegria de todos e, principalmente, para socorrer os esposos em dificuldade.
Dirigindo-se a Jesus com as palavras: «Não têm vinho» (Jo. 2, 3), Maria exprime- Lhe a sua preocupação por essa situação, aguardando uma Sua intervenção resolutiva. Mais precisamente, segundo alguns exegetas, a Mãe espera um sinal extraordinário, dado que Jesus não tinha vinho à disposição.
2. A escolha de Maria, que teria podido, talvez, providenciar noutro lugar o vinho necessário, manifesta a coragem da sua fé porque, até àquele momento, Jesus não tinha realizado algum milagre, nem em Nazaré, nem na vida pública.
Em Caná a Virgem mostra mais uma vez a sua total disponibilidade a Deus. Ela que, na Anunciação, crendo em Jesus antes de O ver, contribuíra para o prodígio da concepção virginal, aqui, confiando no poder não ainda revelado de Jesus, suscita o Seu «primeiro sinal», a prodigiosa transformação da água em vinho. Desse modo, ela precede na fé os discípulos que, como refere João, hão-de crer depois do milagre: Jesus «manifestou a Sua glória e os Seus discípulos acreditaram n’Ele» (Jo. 2, 11). Antes, obtendo o sinal prodigioso, Maria oferece- lhes um apoio à fé.
3. A resposta de Jesus às palavras de Maria: «Que temos nós com isso, mulher A minha hora ainda não chegou » (Jo. 2, 4) exprime uma aparente rejeição, quase pondo à prova a fé de Maria.
Segundo uma interpretação, Jesus a partir do momento que inicia a Sua missão, parece colocar em discussão a natural relação de filho, chamado em causa pela mãe. A frase, na língua falada do ambiente, quer, de facto, evidenciar uma distância entre as pessoas, com a exclusão da comunhão de vida. Esta distância não elimina respeito e estima; o termo «mulher», com o qual Ele Se dirige à mãe, é usado numa aceção que retornará nos diálogos com a Cananeia (cf. Mateus 15, 28), com a Samaritana (cf. João 4, 21), com a adúltera (cf. João 8, 10) e com Maria Madalena (cf. João 20, 13), em contextos que manifestam uma relação positiva de Jesus com as Suas interlocutoras.
Com a expressão: «Que temos nós com isso, mulher?», Jesus pretende colocar a cooperação de Maria no plano da salvação que, empenhando a sua fé e a sua esperança, pede a superação do seu papel natural de mãe.
4. De maior relevo aparece a motivação formulada por Jesus: «A Minha hora ainda não chegou» (João 2, 4).
Alguns estudiosos do texto sagrado, seguindo a interpretação de Santo Agostinho, identificam essa «hora» com o evento da Paixão. Para outros, porém, ela refere-se ao primeiro milagre em que haveria de ser revelado o poder messiânico do profeta de Nazaré. Outros, ainda, pensam que a frase é interrogativa e prolonga a pergunta anterior: «Que temos nós com isso, mulher? A Minha hora ainda não chegou». Jesus faz com que Maria entenda que afinal Ele já não depende dela, mas deve tomar a iniciativa para realizar a obra do Pai. Maria, então, abstém-se docilmente de insistir junto d’Ele e dirige-se, ao contrário, aos servidores para os convidar a ser-Lhe obedientes.
Em todo o caso a sua confiança no Filho é recompensada. Jesus, a Quem ela deixou totalmente a iniciativa, realiza o milagre, reconhecendo a coragem e a docilidade da Mãe: «Disse-lhes Jesus: “Enchei de água essas talhas”; e encheram- nas até à borda» (João 2, 7). Também a obediência deles, portanto, contribui para a obtenção do vinho em abundância.
O pedido de Maria: «Fazei o que Ele vos disser», conserva um seu valor sempre actual para os cristãos de todas as épocas, e é destinado a renovar o seu efeito maravilhoso na vida de cada um. Ela exorta a uma confiança sem hesitação, sobretudo quando não se compreendem o sentido e a utilidade de quanto Cristo pede.
Assim como na narração da Cananeia (Mateus 15, 24-26), a aparente rejeição de Jesus exalta a fé da mulher, assim as palavras do Filho: «A Minha hora ainda não chegou», juntamente com o cumprimento do primeiro milagre, manifestam a grandeza da fé que a Mãe tem e a força da sua oração.
O episódio das bodas de Caná anima-nos a ser corajosos na fé e a experimentar na nossa existência a verdade da palavra evangélica: «Pedi e vos será dado» (Mateus 7, 7; Lucas 11, 9).



Em Caná, Maria levou Jesus a realizar o primeiro milagre


Queridos Irmãos e Irmãs
1. Ao narrar a presença de Maria na vida pública de Jesus, o II Concílio do Vaticano recorda a sua participação em Caná por ocasião do primeiro milagre: «Nas bodas de Caná, movida de compaixão, levou Jesus Messias a dar início aos Seus milagres (cf. João 2, 1-11)» (LG 58).
Seguindo a esteira do evangelista João, o Concílio faz notar o papel discreto e, ao mesmo tempo, eficaz da Mãe que, com a sua palavra, leva o Filho ao «primeiro sinal». Ela, embora exerça uma influência discreta e materna, com a sua presença resulta, no final, determinante. A iniciativa da Virgem aparece ainda mais surpreendente, se se considera a condição de inferioridade da mulher na sociedade judaica. Em Caná, com efeito, Jesus não só reconhece a dignidade e o papel do génio feminino, mas, acolhendo a intervenção de Sua Mãe, oferece-lhe a possibilidade de ser participante na obra messiânica. Não contrasta com esta intenção de Jesus o apelativo «Mulher», com o qual Ele se dirige a Maria (cf. João 2, 4). Ele, de facto, não contém em si nenhuma conotação negativa e será de novo usado por Jesus em relação à Mãe, aos pés da Cruz (cf. João 19, 26). Segundo alguns intérpretes, este título «Mulher» apresenta Maria como a nova Eva, mãe de todos os crentes na fé.
O Concílio, no texto citado, usa a expressão «movida de compaixão», deixando entender que Maria era inspirada pelo seu coração misericordioso. Tendo divisado a eventualidade do desapontamento dos esposos e dos convidados pela falta de vinho, a Virgem compadecida sugere a Jesus que intervenha com o seu poder messiânico.
A alguns o pedido de Maria parece desproporcionado, porque subordina a um acto de piedade o início dos milagres do Messias. À dificuldade respondeu Jesus mesmo que, com o seu assentimento à solicitação materna, demonstra a superabundância com que o Senhor responde às expectativas humanas, manifestando também quanto pode o amor de uma mãe.
2. A expressão «dar início aos milagres», que o Concílio retomou do texto de João, chama a nossa atenção. O termo grego «archè», traduzido por início, princípio, foi usado por João no Prólogo do seu Evangelho: «No princípio já existia o Verbo» (1, 1). Esta significativa coincidência induz a estabelecer um paralelo entre a primeira origem da glória de Cristo na eternidade e a primeira manifestação da mesma glória na sua missão terrena.
Ressaltando a iniciativa de Maria no primeiro milagre e recordando depois a sua presença no Calvário, aos pés da Cruz, o evangelista ajuda a compreender como a cooperação de Maria se estende à inteira obra de Cristo. O pedido da Virgem coloca-se no interior do desígnio divino de salvação.
No primeiro sinal operado por Jesus os Padres da Igreja divisaram uma forte dimensão simbólica, acolhendo, na transformação da água em vinho, o anúncio da passagem da antiga à nova Aliança. Em Caná, precisamente a água das jarras, destinada à purificação dos Judeus e ao cumprimento das prescrições legais (cf. Marcos 7, 1-15), torna-se o vinho novo do banquete nupcial, símbolo da união definitiva entre Deus e a humanidade.
3. O contexto de um banquete de núpcias, escolhido por Jesus para o Seu primeiro milagre, remete ao simbolismo matrimonial, frequente no Antigo Testamento para indicar a Aliança entre Deus e o Seu povo (cf. Oseias 2, 21; Jeremias 2, 1-8; Salmo 44; etc.) e no Novo Testamento para significar a união de Cristo com a Igreja (cf. João 3, 28-30; Efésios 5, 25-32; Apocalipse 21, 1-2; etc.).
A presença de Jesus em Caná manifesta, além disso, o projecto salvífico de Deus a respeito do matrimónio. Nessa perspectiva, a falta de vinho pode ser interpretada como alusiva à falta de amor, que infelizmente, não raro, ameaça a união esponsal. Maria pede a Jesus que intervenha em favor de todos os esposos, que só um amor fundado em Deus pode libertar dos perigos da infidelidade, da incompreensão e das divisões. A graça do Sacramento oferece aos esposos esta força superior de amor, que pode corroborar o empenho da fidelidade também nas circunstâncias difíceis.
Segundo a interpretação dos autores cristãos, o milagre de Caná contém, além disso, um profundo significado eucarístico. Realizando-o na proximidade da solenidade da Páscoa judaica (cf. João 2, 13), Jesus manifesta, como na multiplicação dos pães (cf. João 6, 4), a intenção de preparar o verdadeiro banquete pascal, a Eucaristia. Esse desejo, nas bodas de Caná, parece sublinhado ainda mais pela presença do vinho, que alude ao sangue da Nova Aliança, e pelo contexto de um banquete.
Desse modo Maria, depois de ter estado na origem da presença de Jesus na festa, obtém o milagre do vinho novo, que prefigura a Eucaristia, sinal supremo da presença do seu Filho ressuscitado entre os discípulos.
4. No final da narração do primeiro milagre de Jesus, que se tornou possível pela fé sólida da Mãe do Senhor no seu divino Filho, o evangelista João conclui: «Os Seus discípulos acreditaram n’Ele» (2, 11). Em Caná, Maria inicia o caminho da fé da Igreja, precedendo os discípulos e orientando para Cristo a atenção dos servos.
A sua perseverante intercessão encoraja, além disso, aqueles que às vezes se encontram diante da experiência do «silêncio de Deus». Eles são convidados a esperar para além de toda a esperança, confiando sempre na bondade do Senhor.

© Copyright 1997 - Libreria Editrice Vaticana — www.vatican.va —

João Paulo II - Karol Józef Wojtyła
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 14.5.13 | Sem comentários

Domingo da quinta semana de Páscoa


Evangelho segundo João 13, 31-33a.34-35

Quando Judas saiu do Cenáculo, disse Jesus aos seus discípulos: «Agora foi glorificado o Filho do homem e Deus foi glorificado n’Ele. Se Deus foi glorificado n’Ele, Deus também O glorificará em Si mesmo e glorificá-l’O-á sem demora. Meus filhos, é por pouco tempo que ainda estou convosco. Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros. Como Eu vos amei, amai-vos também uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros».

A porta da fé abre-se com o coração

Paulo e Barnabé «convocaram a Igreja, contaram tudo o que Deus fizera com eles e como abrira aos gentios a porta da fé». Que bela expressão sobre a ação apostólica! Ao proclamar este Ano da Fé que estamos a viver o Papa Bento XVI escreveu: «A Porta da Fé [...] está sempre aberta para nós. É possível cruzar este limiar, quando a Palavra de Deus é anunciada e o coração se deixa plasmar pela graça que transforma» («A Porta da Fé», 1). No evangelho, Jesus Cristo diz que a abertura da porta da fé passa pela abertura dos corações: «Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros. Como Eu vos amei, amai-vos também uns aos outros». 

O essencial do cristão: amar

O mandamento do amor continua tão novo! Se calhar ainda está por estrear! Não se trata apenas de uma coisa muito importante; é o essencial. Sem amor, não há cristão, não há vida cristã. 
A pergunta que temos de fazer hoje é esta: O mandamento do amor apresentado por Jesus Cristo inspira a tua [minha] maneira de viver? Não pode ser um amor teórico. O amor é uma atitude concreta vivida na relação com os outros. A última frase de Jesus Cristo reforça a importância essencial do amor: «Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros». Quando não amamos, não somos discípulos de Jesus Cristo! Não somos cristãos.
Talvez tenhamos insistido demasiado no acessório: normas para cumprir; doutrinas para acreditar; rituais para celebrar. E esquecemos o que é para viver como essencial: o amor. 
Há ainda outro perigo: apresentar o amor como um preceito, uma norma. E volta a não resultar. 
O importante é aprender a descobrir a importância do amor. Enquanto não fizer esta descoberta, nunca percebei a grandeza e a beleza deste mandamento novo dado por Jesus Cristo. Se não dou este passo, será sempre uma norma sem consequências na minha vida. Até posso apreciar as palavras de Jesus Cristo; mas não influenciarão a minha maneira de viver. 

A novidade de Jesus Cristo

Jesus Cristo não propõe uma norma, uma lei; propõe uma resposta pessoal ao Amor que é o próprio Deus. Trata-se de descobrir em nós o dom incondicional de Deus, que através de nós tem de chegar a todos. Jesus Cristo não propõe um princípio teórico; e depois pede para que todos o cumpram. Jesus Cristo começa por viver o amor de depois diz: Imitai-me, fazei como eu! 
«Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros. Como Eu vos amei, amai-vos também uns aos outros». «Como eu vos amei» não é só uma comparação. É a origem do amor. Isto quer dizer que amamos porque Jesus Cristo nos ama; e amamos da mesma forma. Esta é também a novidade. De facto, o amor já existia nas normas judaicas, na Lei. Também a filosofia fala do amor e da filantropia. A novidade de Jesus está na forma de amar. 
A nova comunidade formada por Jesus Cristo não se pode ser conhecida pelas doutrinas ou pelos rituais. O único distintivo cristão tem de ser o amor, o amor manifestado em todas e em cada uma das nossas ações. A base e o fundamento da comunidade cristã é a vivência do amor. 
«A fé cresce quando é vivida como experiência de um amor recebido e é comunicada como experiência de graça e de alegria» («A Porta da Fé», 7). 
Vivamos a fé com amor e alegria!

© Laboratório da fé, 2013

João 20, 20 - www.laboratoriodafe.net
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 28.4.13 | Sem comentários

Cada um de nós é um anel nesta cadeia de amor — disse o Papa Francisco


O Papa Francisco voltou a falar sobre a essência profunda da Igreja e do seu ministério espiritual durante a eucaristia que celebrou na Casa Santa Marta, nesta quarta-feira [24 de abril].
«Uma comunidade cristã que cresce e multiplica os seus discípulos é uma coisa boa, mas pode levar a fazer pactos para ter mais sócios». Mas «a Igreja — explicou o Papa Francisco na sua homilia — cresce a partir de baixo, lentamente». De facto, recordou, «o caminho que Jesus quis para a sua Igreja é outro: o caminho das dificuldades, o caminho da Cruz, o caminho das perseguições».
Segundo o Papa, «isto faz-nos pensar: O que é a Igreja? Esta nossa Igreja parece que não é uma iniciativa humana». De facto, a Igreja é outra coisa: não são os discípulos que fazem a Igreja; eles são enviados, enviados de Jesus. E Cristo é enviado do Pai».
«Assim se percebe que a Igreja começa ali, no coração do Pai, que teve este ideia». E mais, acrescentou Francisco, «não sei se teve uma ideia: o Pai teve amor. E começou esta história de amor, esta história de amor tão longa no tempo que ainda não terminou».
«Nós, homens e mulheres da Igreja, estamos no meio de uma história de amor: cada um de nós é um anel desta cadeia de amor. Quando não entendemos isto, não entendemos nada sobre o que é a Igreja». Então, perguntou o Pontífice, «como é que a Igreja cresce? Jesus disse-o com simplicidade: como o grão de mostarda, como o fermento na farinha, sem ruído».
«Quando a Igreja se quer vangloriar da sua quantidade e cria organizações, cria instituições, torna-se um pouco burocrática, a Igreja perde a sua substância principal e corre o perigo de se transformar numa ONG. Ora, a Igreja não é uma ONG. É uma história de amor... Mas existem os do IOR... desculpem... mas, tudo é necessário, as instituições são necessárias. Mas são necessárias até certo ponto: como apoio para esta história de amor. Então, quando a organização toma o primeiro lugar, o amor desaparece e a Igreja, coitada, converte-se numa ONG. Este não é o caminho».

© Religión Digital
© Tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013


Postado por Unknown | 25.4.13 | Sem comentários
— adaptação da homilia do padre Jacques Fournier —

 

— Evangelho segundo Lucas 4, 21-30

Naquele tempo, Jesus começou a falar na sinagoga de Nazaré, dizendo: «Cumpriu-se hoje mesmo esta passagem da Escritura que acabais de ouvir». Todos davam testemunho em seu favor e se admiravam das palavras cheias de graça que saíam da sua boca. E perguntavam: «Não é este o filho de José?». Jesus disse-lhes: «Por certo Me citareis o ditado: ‘Médico, cura-te a ti mesmo’. Faz também aqui na tua terra o que ouvimos dizer que fizeste em Cafarnaum». E acrescentou: «Em verdade vos digo: Nenhum profeta é bem recebido na sua terra. Em verdade vos digo que havia em Israel muitas viúvas no tempo do profeta Elias, quando o céu se fechou durante três anos e seis meses e houve uma grande fome em toda a terra; contudo, Elias não foi enviado a nenhuma delas, mas a uma viúva de Sarepta, na região da Sidónia. Havia em Israel muitos leprosos no tempo do profeta Eliseu; contudo, nenhum deles foi curado, mas apenas o sírio Naamã». Ao ouvirem estas palavras, todos ficaram furiosos na sinagoga. Levantaram-se, expulsaram Jesus da cidade e levaram-n’O até ao cimo da colina sobre a qual a cidade estava edificada, a fim de O precipitarem dali abaixo. Mas Jesus, passando pelo meio deles, seguiu o seu caminho.

— Aceitar a humildade, confiar na contradição, amar o serviço

A entrada de Jesus na sinagoga de Nazaré está separada das suas tentações no deserto por apenas dois versículos lacónicos: «Impelido pelo Espírito, Jesus voltou para a Galileia e a sua fama propagou-se por toda a região. Ensinava nas sinagogas e todos o elogiavam» (Lucas 4, 14-15).
No último domingo lemos a primeira parte desta narrativa. No dia de Sábado Jesus entra na sinagoga, recebe o livro de Isaías para ler e encontra a passagem onde está escrito: «O Espírito do Senhor está sobre mim».
Jesus proclama — e é aí que começa a leitura deste quarto domingo do Tempo Comum — «Cumpriu-se hoje mesmo esta passagem da Escritura que acabais de ouvir». Esta afirmação suscita reações que vão modificar-se progressivamente. «Todos davam testemunho em seu favor».
O primeiro movimento da assistência é favorável ao reconhecer que ele pronuncia palavras de graça. São Lucas notou-o. Não é o filho de Maria, «cheia de graça»? E Jesus chegou aqui depois de crescer «em sabedoria, em estatura e em graça, diante de Deus e dos homens» (Lucas 2, 52).
Começam depois a aparecer algumas dúvidas: «Todos se admiravam das palavras cheias de graça que saíam da sua boca».
Em poucas frases passamos da aprovação unânime à rejeição, que chega à intenção de o matar. Lendo a maneira como Lucas relatou o acontecimento, é natural considerar a conduta de Jesus como provocadora. Efetivamente ele quer clarificar os pensamentos e as dúvidas dos seus ouvintes.
Após um impulso inicial os habitantes de Nazaré perdem o entusiasmo admirativo em favor de um certo realismo. Como é que o filho de José se pode dizer marcado pela unção do Espírito Santo? E as resistências aumentam. Por quem se toma ele? É um pretensioso, um louco ou um impostor. Mesmo os familiares de Jesus querem dominar as suas palavras, visto que diziam: «Está fora de si» (Marcos 3, 21).
Esta questão vai atravessar todo o Evangelho e chega até hoje. Para muitos dos nossos contemporâneos as verdades essenciais da fé e da boa nova são desconcertantes, e até provocantes.
«Por quem se toma a Igreja?» Ela devia adaptar melhor a sua doutrina e o seu pensamento para estar a par da religiosidade do futuro...
Neste sentido é útil ler S. Lucas à luz das passagens paralelas dos dois outros evangelhos sinópticos. O ceticismo e a ausência de fé dos habitantes de Nazaré exprimem-se mais claramente em S. Mateus (13, 53-58) e S. Marcos (6, 1-6).
S. Lucas dá-lhes outra perspetiva, totalmente derivada de S. Paulo. O Evangelho anunciado por Jesus falhou na sua pátria; por isso deve ser proclamado fora dela. Esta constatação dirige o plano de toda a obra de S. Lucas, incluindo os Atos dos Apóstolos.
Começa com o anúncio de Zacarias no templo de Jerusalém. É assim igualmente nas narrativas da infância de Jesus. Os pobres (pastores) e os pagãos (magos), reconhecem; os poderosos recusam (Herodes e a sua corte). E esta tendência termina com a chegada de Paulo a Roma, ao centro do império pagão (Atos 28, 14). Também lá Isaías é citado, também lá há contradição: «Alguns deixaram-se persuadir com as suas palavras; outros, porém, mantiveram-se incrédulos».
Também nós precisamos de assumir que o pensamento de Deus nunca reunirá a unanimidade. Mas este facto não é razão para nos encerrarmos numa “fortaleza de certezas”. [...]

A universal liberdade de Deus — Aquele que pensa possuir direitos sobre Deus nunca o encontrará. Jesus vai dar aos habitantes de Nazaré dois exemplos de ação divina em favor de pagãos enquanto que o povo de Israel dela parecia excluída, como sucede em Nazaré.
Estes exemplos ligam-se a dois profetas muito unidos entre si: Elias e Eliseu. Eles falaram e agiram não longe da Galileia, no Reino do Norte. Os ouvintes de Jesus não podiam ser mais diretamente atingidos pela evocação dos seus milagres, tanto mais que não podiam duvidar dos seus títulos de profeta, dado que Elias estava assinalado como devendo estar presente nos dias do Messias.
Não seria admissível conceber que Elias e Eliseu eram traidores ou indiferentes ao destino de Israel. Elias promete à mulher de Sarepta um alimento inesgotável «em nome do Senhor Deus de Israel» (1.º livro dos Reis 17, 14). Quando Naaman foi curado da lepra, depois de obedecer à ordem de Eliseu, professa a sua fé: «Reconheço agora que não há outro Deus em toda a Terra, senão o de Israel» (2.º livro dos Reis 5, 15). Ele chega mesmo a guardar um pouco da terra de Isarel para que os sacrifícios que a partir de então oferecerá a Deus sejam legítimos.
Se os dois outros Sinópticos, S. Mateus e S. Lucas, mencionam apenas a falta de fé dos habitantes de Nazaré, S. Lucas faz seguir imediatamente a rejeição de Jesus pela violência, uma tentativa de homicídio. A lógica espiritual do Evangelho é bem iluminada. A recusa da fé encerra nas trevas e só pode provocar o desejo de eliminação daquele que escandaliza. S. Lucas experimentou-o muitas vezes com S. Paulo, durante as viagens missionárias que realizaram.
É Jesus que dá a sua vida ao Pai. Não é suicída. Levam-no «até ao cimo da colina sobre a qual a cidade estava edificada, a fim de O precipitarem dali abaixo», como um Gólgota prematuro fora de Jerusalém. «Mas Jesus, passando pelo meio deles, seguiu o seu caminho.» Ele é livre no meio deles. No evangelho lucano saberemos depressa que este caminho é o que o conduz a Jerusalém, à Paixão e à Ressurreição. A sua morte é um mistério cuja última palavra está em Deus. Jesus «andou de lugar em lugar, fazendo o bem» (Atos 10, 38).

O hoje de Deus — «Hoje» é uma palavra de que S. Lucas gosta muito e que emprega nos grandes momentos da existência de Jesus. «Hoje nasceu-vos um Salvador», canta o anjo aos pastores de Belém. «Hoje serás comigo no paraíso», afirma Jesus crucificado ao ladrão arrependido no último minuto da vida. «Hoje cumpriu-se esta palavra», proclama em Nazaré.
Cristo é o hoje de Deus. E nós, para estarmos com Ele, só temos o hoje entre as nossas mãos. O passado deixou de estar nas nossas mãos e o futuro está nas mãos de Deus. A nostalgia do ontem ou a preocupação do amanhã, a distração da memória ou a agitação dos projetos são “ausência” que nos impede de viver o momento que Deus nos oferece.
Para nós, como para Jesus em Nazaré, cada dia, cada instante, condensa o devir daquilo que somos. «O pão nosso de cada dia nos dai hoje», pediu-nos Jesus para repetir na oração que dirigimos ao “Pai nosso”.

© P. Jacques Fournier, In Conferência Episcopal Francesa
© SNPC (trad.)


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 3.2.13 | Sem comentários
— palavra para quinta-feira, 27 de dezembro — S. João, Evangelista —

— Envagelho segundo João 20, 2-8

No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ter com Simão Pedro e com o discípulo predilecto de Jesus e disse-lhes: «Levaram o Senhor do sepulcro e não sabemos onde O puseram». Pedro partiu com o outro discípulo e foram ambos ao sepulcro. Corriam os dois juntos, mas o outro discípulo antecipou-se, correndo mais depressa do que Pedro, e chegou primeiro ao sepulcro. Debruçando-se, viu as ligaduras no chão, mas não entrou. Entretanto, chegou também Simão Pedro, que o seguira. Entrou no sepulcro e viu as ligaduras no chão e o sudário que tinha estado sobre a cabeça de Jesus, não com as ligaduras, mas enrolado à parte. Entrou também o outro discípulo que chegara primeiro ao sepulcro: viu e acreditou.

— Viu e acreditou

A alegria do Natal estende-se à festa do apóstolo e evangelista João. Ontem, celebrámos a memória do primeiro mártir cristão. Hoje, celebramos a memória do último dos Apóstolos. Se quisermos estabelecer uma lógica nesta sequência em contexto natalício, podemos dizer que a seguir a Jesus Cristo está aquele que dá a vida por Jesus (Estêvão) e aquele que dá testemunho de Jesus (João).
Celebrar a alegria do nascimento de Jesus é assumir o compromisso de dar a vida por Jesus Cristo e testemunhar a fé! Para ser verdadeiramente cristão, é preciso estar disposto a dar a vida em nome de Jesus Cristo e comprometer-se no testemunho da fé. O Papa Bento XVI confirma-o ao proclamar este Ano da Fé: «A renovação da Igreja realiza-se também através do testemunho prestado pela vida dos crentes: de facto, os cristãos são chamados a fazer brilhar, com a sua própria vida no mundo, a Palavra de verdade que o Senhor Jesus nos deixou. [...] O Ano da Fé é convite para uma autêntica e renovada conversão ao Senhor, único Salvador do mundo» («A Porta da Fé», 6).
Apesar de termos como (quase) unânime a não correspondência entre o apóstolo e o evangelista, o importante para este dia é assinalar a importância do evangelho segundo João para conhecer Jesus como Revelador de Deus: conhecer Jesus é conhecer Deus, ver Jesus é ver Deus, estar com Jesus é estar com Deus, amar Jesus é amar a Deus. Na perspetiva global do evangelista, a principal característica de Jesus (e de Deus) é a bondade, o amor. A Igreja e os cristãos não dão a conhecer Deus aos outros através de dogmas. Dás a conhecer Deus através da tua bondade, do teu amor para com os outros!

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 27.12.12 | Sem comentários
— palavra para terça-feira da segunda semana de advento —


— Evangelho segundo Mateus 18, 12-14

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Que vos parece? Se um homem tiver cem ovelhas e uma delas se tresmalhar, não deixará as noventa e nove nos montes para ir procurar a que anda tresmalhada? E se chegar a encontrá-la, em verdade vos digo que se alegra mais por causa dela do que pelas noventa e nove que não se tresmalharam. Assim também, não é da vontade de meu Pai que está nos Céus que se perca um só destes pequeninos».

— Se um homem tiver cem ovelhas e uma delas se tresmalhar

Eu quero um Deus assim! Não é um desejo. É uma constatação. Existe um Deus assim. É o Deus de Jesus Cristo. É como um pastor que, com carinho, cuida de todas as ovelhas, a começar pelas que andam «perdidas». Jesus não fala de ofensa, nem de culpa. Fala de perda. Para Jesus, o pecado não é uma questão de maldade ou de castigo; é uma questão de perda, de abandono.
Deus ama tanto os seus filhos. Deus ama-me tanto. Ele não pode, não quer, passar sem mim. Ele sabe o perigo que corro quando estou perdido. Por isso, quando me «perco», não descansa enquanto não me encontra. E quando me encontra faz uma festa, partilha com todos a sua alegria. E, porque Deus não falha (não pode falhar), que mais eu preciso para viver em paz, descanso, tranquilidade, alegria?
Há por aí tantas falsas «imagens» de Deus! Inventadas por nós. Talvez porque nos tenhamos esquecido de procurar Deus em Jesus Cristo e na mensagem. Talvez porque seja mais «útil» um Deus severo e castigador, para «obrigar» a ter um determinado comportamento. 
Então, se Deus não castiga, posso fazer o que me apetece?! Podes... mas o ser humano foi criado à imagem e semelhança de(ste) Deus para ser bom. Não para receber um prémio ou um castigo. Mas para que toda a Criação (e todas as pessoas) seja respeitada e cumpra a sua missão: viver em paz, ser feliz!


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 11.12.12 | Sem comentários
— palavra para segunda-feira da segunda semana de advento —


— Evangelho segundo Lucas 5, 17-26

Certo dia, enquanto Jesus ensinava, estavam entre a assistência fariseus e doutores da Lei, que tinham vindo de todas as povoações da Galileia, da Judeia e de Jerusalém; e Ele tinha o poder do Senhor para operar curas. Apareceram então uns homens, trazendo num catre um paralítico; tentavam levá-lo para dentro e colocá-lo diante de Jesus. Como não encontraram modo de o introduzir, por causa da multidão, subiram ao terraço e, através das telhas, desceram-no com o catre, deixando-o no meio da assistência, diante de Jesus. Ao ver a fé daquela gente, Jesus disse: «Homem, os teus pecados estão perdoados». Os escribas e fariseus começaram a pensar: «Quem é este que profere blasfémias? Não é só Deus que pode perdoar os pecados?» Mas Jesus, que lia nos seus pensamentos, tomou a palavra e disse-lhes: «Que estais a pensar nos vossos corações? Que é mais fácil dizer: ‘Os teus pecados estão perdoados’ ou ‘Levanta-te e anda’? Pois bem, para saberdes que o Filho do homem tem na terra o poder de perdoar os pecados... Eu te ordeno — disse Ele ao paralítico — levanta-te, toma a tua enxerga e vai para casa». Logo ele se levantou à vista de todos, tomou a enxerga em que estivera deitado e foi para casa, dando glória a Deus. Ficaram todos muito admirados e davam glória a Deus; e, cheios de temor, diziam: «Hoje vimos maravilhas». 

— Levanta-te, toma a tua enxerga e vai para casa

Os relatos de curas são frequentes nos evangelhos sinóticos (Marcos, Mateus e Lucas). Aliás, no tempo de Jesus as curas estavam mais ligadas à religião do que à medicina. A capacidade de curar era uma dos aspetos importantes para dar crédito a uma personagem. Por isso, Jesus tinha de ser um grande curador!
Nesses relatos, está presente a dimensão da fé. O curado é apresentado como crente, confiante no poder curador de Jesus Cristo. Neste caso, não se trata da crença do paralítico, mas dos seus amigos. A fé destes seá a causa da cura: «ao ver a fé daquela gente»... A fé é força que dá vida, que cura. 
O perdão dos pecados é, para Jesus, a garantia do alívio do sofrimento físico. Neste sentido, a mensagem de Jesus Cristo é especial. Por exemplo, para João Batista, o perdão dos pecados era uma forma de «escapar» da ira divina, da condenação. Jesus apresenta o perdão dos pecados como expressão amorosa de Deus que dá saúde e bem-estar ao ser humano.
«Levanta-te... vai para casa». Este é o primeiro projeto de Deus para toda a humanidade. Que todos possam ser curados das suas «enfermidades». A atitude que dignifica o ser humano é estar de pé, «levantado». É a posição de quem se dispõe a caminhar, a fazer o caminho da «redescoberta» da fé, como nos desafia este «Ano da Fé». O objetivo deste caminho é levar-me (de novo) a «casa», isto é, ao coração de Deus, à vida de comunhão com Deus.
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 10.12.12 | Sem comentários
— Laboratório da fé no cinema — 

«A Igreja tem de compreender que não pode estar ausente e deve formar cuidadosamente os agentes que envia para o hospital, para que sejam parte integrante deste processo de recriação de uma arte de morrer. Isto é nova evangelização».

Tenho de confessar que estas palavras do Padre José Nuno Silva, por ocasião da publicação do seu livro «A Morte e o Morrer entre o Deslugar e o Lugar. Precedência da Antropologia para uma Ética da Hospitalidade e Cuidados Paliativos», que agora chegou às livrarias de Portugal, me tem perseguido nos últimos dias a propósito do último filme do mais cruel e severo dos realizadores de cinema. Falo, obviamente, de Michael Haneke e do seu «AMOUR» que venceu, indiscutivelmente, o Festival de cinema de Cannes de 2012. 


O filme é uma obra prima. Os actores, um de oitenta e dois anos e outro de oitenta e cinco, são sublimes. O filme é a história de Georges (Jean-Louis Trintignant) e Anne (Emmanuelle Riva), um casal de professores de música na reforma. A sua serenidade quotidiana declina-se com leituras de livros, saídas para assistir a concertos, raras visitas da filha (Isabelle Huppert). Mas a um determinado momento Anne, tão amada, começa a mostrar sinais de problemas físicos e neurológicos. 
Anne é vítima de um enfarte que a deixa paralisada de uma parte do corpo e o amor do casal é colocado a dura prova até ao limite e às consequências mais extremas… Anne recusa-se a voltar ao Hospital e exige de George a promessa de que a não mandará para lá. Ela e ele sabem, quase cinicamente, para onde se arrasta (literalmente) a sua vida, mas Georges não a abandona, cuidando dela com amor e controlada exasperação. Ajuda-a no banho, lava-lhe os cabelos, mete-lhe a comida na boca, muda-lhe as fraldas, canta-lhe canções infantis («sur le pont d’Avignon on y danse on y danse») e conta-lhe histórias para que o tempo não os sufoque.
Há uma violência quase inenarrável no modo delicado e feroz com que Haneke expõe a quotidianidade ou narra detalhadamente (e quase de forma mórbida) a demência senil. O seu mérito (ou aquilo que não se lhe pode perdoar) é fazer-nos entrar nas profundidades de um território indesejado e sempre relegado para longe da mente que tocará cada um de nós, mais cedo ou mais tarde, na primeira pessoa ou na pessoa dos que amamos. Haneke ousa o limite do insuportável percorrendo os territórios mais desconhecidos da alma humana, escavando mais fundo, mais em baixo, dentro. Foi assim com a A Pianista; foi assim com A Fita Branca. É assim com Amor. E é assim Michael Haneke, o Realizador austríaco, filosofo, psicólogo e crítico de cinema, que pede aos seus actores octogenários de «não fazer transparecer por nada deste mundo a emoção».
Não há nada de outro mundo ali, tudo é tremendamente violento porque Michael Haneke visa sempre esmurrar o espectador e não deixá-lo em paz. O cinema não é para entreter, mas forçar a aprendizagem do olhar. Neste sentido o cinema é um exercício ético e, como dizia Theodor W. Adorno acerca da moral, o cinema pode ser também uma espécie de uma ciência, «uma ciência triste». 
Haneke nunca procura complacências, mas aposto que ninguém sairá da sala sem que, antes, as lágrimas tenham banhado a nossa vergonha humana e a nossa impotência diante da crueldade inevitável da natureza humana. Durante o filme um grande nó na garganta se vai formando, imperceptível, começando a sufocar-nos, até que no fim um véu de chumbo e de silêncio desce aos nossos corações. Sentimo-nos desolados, inconsolados, taciturnos e perdidos, incapazes de pronunciar qualquer coisa decente ou digna.
Não há no filme nenhuma referência à transcendência, nenhuma conversa sobre a vida para além da morte, sobre o sentido ou sobre a arte do morrer, nenhuma questão sobre a salvação. Apenas se tem saudades da música (mas mesmo essa é, por vezes, insuportável) e da vida imobilizada num álbum de fotografias a preto e branco.
Haverá mesmo uma arte do morrer? Libertar a pessoa que sofre indecentemente pode ser considerado uma arte do morrer? Rilke escreveu versos inspirados a este propósito que são ainda os que me guiam: 
«Ó Senhor, dá a cada um a sua própria morte,
uma morte nascida da sua própria vida,
que lhe deu amor, sentido e aflição». 
Michael Haneke não faz perguntas e não dá respostas. Mas o espectador exige-as no seu íntimo, assim ferido e vulnerável, porque no fundo também o espectador é uma vítima. E é por isso que é tão urgente encontrar respostas para aquelas perguntas-não-feitas. E por isso é que a esperança tem de avançar porque essa é o melhor que o cristianismo tem para dar ao mundo. E é por isso que a esperança é a linguagem da Nova Evangelização, porque a esperança é acreditar que a Terra não é um sonho, mas um corpo vivo, como diz Czesław Miłosz: 
«Esperança»

Esperança surge, quando se acredita
Que a Terra não é um sonho, mas um corpo vivo,
Que não mentem o ouvido, o tacto, a visão
E que todas as coisas que aqui conhecias
São como um jardim visto do portão.
Entrar lá não se pode. Mas ele existe com rigor.
Se melhor olhássemos e com mais sabedoria,
No jardim do mundo uma nova flor
E mais do que uma estrela se avistaria.
Há quem diga que os olhos nos iludem
E que nada existe, apenas apresenta,
Mas justamente esses não têm esperança.
Pensam que ao virar as costas
O mundo desaparecerá de repente
Como que roubado por um delinquente.
Filme: «Amour», de Michael Haneke, com Jean-Louis Trintignat; Emmanuelle Riva; Isabelle Huppert, França 2012. 

Livro: «A Morte e o Morrer entre o Deslugar e o Lugar. Precedência da Antropologia para uma Ética da Hospitalidade e Cuidados Paliativos», de José Nuno da Silva, ed. Afrontamento, Porto 2012.

Poema: «Esperança» de Czesław Miłosz, in Alguns gostam de poesia. Antologia; trad. Elżbieta Milewska e Sérgio das Neves; ed. Cavalo de Ferro, 2004.

Padre Mário Rui de Oliveira 


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 11.11.12 | Sem comentários
— leitura partilhada —

A fé tem de ser encarnada
diz o padre José Tolentino Mendonça, 
(ed. Assírio e Alvim, pág. 64):
A fé para ser vital tem de aceitar o risco de ser uma Fé encarnada. O Evangelho para ser vital tem de ser recebido como palavra transformante, como fermento colocado na massa».



Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 4.11.12 | Sem comentários
— A Porta da Fé, 14 — 

O Ano da Fé será uma ocasião propícia também para intensificar o testemunho da caridade. Recorda São Paulo: «Agora permanecem estas três coisas: a fé, a esperança e a caridade; mas a maior de todas é a caridade» (Primeira Carta aos Coríntios 13, 13). Com palavras ainda mais incisivas – que não cessam de empenhar os cristãos –, afirmava o apóstolo Tiago: «De que aproveita, irmãos, que alguém diga que tem fé, se não tiver obras de fé? Acaso essa fé poderá salvá-lo? Se um irmão ou uma irmã estiverem nus e precisarem de alimento quotidiano, e um de vós lhes disser: “Ide em paz, tratai de vos aquecer e de matar a fome”, mas não lhes dais o que é necessário ao corpo, de que lhes aproveitará? Assim também a fé: se ela não tiver obras, está completamente morta. Mais ainda! Poderá alguém alegar sensatamente: “Tu tens a fé, e eu tenho as obras; mostra-me então a tua fé sem obras, que eu, pelas minhas obras, te mostrarei a minha fé”» (Carta de Tiago 2, 14-18). 
A fé sem a caridade não dá fruto, e a caridade sem a fé seria um sentimento constantemente à mercê da dúvida. Fé e caridade reclamam-se mutuamente, de tal modo que uma consente à outra realizar o seu caminho. De facto, não poucos cristãos dedicam amorosamente a sua vida a quem vive sozinho, marginalizado ou excluído, considerando-o como o primeiro a quem atender e o mais importante a socorrer, porque é precisamente nele que se espelha o próprio rosto de Cristo. Em virtude da fé, podemos reconhecer naqueles que pedem o nosso amor o rosto do Senhor ressuscitado. «Sempre que fizestes isto a um dos meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes» (Mateus 25, 40): estas palavras de Jesus são uma advertência que não se deve esquecer e um convite perene a devolvermos aquele amor com que Ele cuida de nós. É a fé que permite reconhecer Cristo, e é o seu próprio amor que impele a socorrê-Lo sempre que Se faz próximo nosso no caminho da vida. Sustentados pela fé, olhamos com esperança o nosso serviço no mundo, aguardando «novos céus e uma nova terra, onde habite a justiça» (Segunda Carta de Pedro 3, 13; cf. Apocalipse 21, 1).


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 3.11.12 | Sem comentários
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