Mostrar mensagens com a etiqueta Alegria. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Alegria. Mostrar todas as mensagens
— palavra para segunda-feira da segunda semana —



— Evangelho segundo Marcos 2, 18-22

Naquele tempo, os discípulos de João e os fariseus guardavam o jejum. Vieram perguntar a Jesus: «Por que motivo jejuam os discípulos de João e os fariseus e os teus discípulos não jejuam?». Respondeu-lhes Jesus: «Podem os companheiros do noivo jejuar, enquanto o noivo está com eles? Enquanto têm o noivo consigo, não podem jejuar. Dias virão em que o noivo lhes será tirado; nesses dias jejuarão. Ninguém põe remendo de pano novo em vestido velho, porque o remendo novo arranca parte do velho e o rasgão fica maior. E ninguém deita vinho novo em odres velhos, porque o vinho acaba por romper os odres e perdem-se o vinho e os odres. Para vinho novo, odres novos».

— Para vinho novo, odres novos

João (Batista) e Jesus não seguem exatamente o mesmo caminho. Os discípulos de João e os discípulos de Jesus não partilham totalmente a mesma metodologia de vida. Este confronto é uma das situações vividas pelos primeiros cristãos. Por isso, os evangelhos insistem, como neste caso, em destacar a ligação e a separação entre João e Jesus. Há uma novidade trazida por Jesus Cristo!
João Batista dava muito importância à privação, à austeridade, para atingir a conversão, a mudança de vida. Jesus prefere a comunhão, a partilha da vida, para atingir a alegria e a felicidade (que é também uma mudança de vida para aqueles que vivem tristes e desanimados). João prefere o jejum. Jesus prefere o banquete. A mortificação, o sacríficio, são propostas de João Batista. Viver assim é preferir o vinho (velho) colocado em odres velhos.
«Para vinho novo, odres novos». Esta é a proposta de Jesus Cristo. Ele oferece uma ótima bebida, um vinho novo, que precisa de «odres novos», isto é, vidas alegres e felizes, capazes de seguir os seus passos. A alegria apega-se! Quem se sente feliz contagia os outros com o seu estilo de vida. 
Então não é útil e necessário o sacrifício e a privação? É sim, claro que sim. Mas é mais fácil deixar de comer um pedaço de carne do que cozinhá-lo e convidar para se sentarem à mesa comigo aqueles com quem não simpatizo ou me causam repugnância! Não é?

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 21.1.13 | Sem comentários
Há 50 anos, quando se iniciou o Concílio Vaticano II, o Papa João XXIII, exprimiu a alegria nestes termos: «alegra-se a Santa Mãe Igreja, porque, por singular dom da Providência divina, amanheceu o dia tão ansiosamente esperado» e, dirigindo-se aos Bispos disse: «o Concílio, que agora começa, surge na Igreja como dia que promete a luz mais brilhante. Estamos apenas na aurora: mas já o primeiro anúncio do dia que nasce de quanta suavidade não enche o nosso coração! Aqui tudo respira santidade, tudo leva a exultar! Contemplemos as estrelas, que aumentam com o seu brilho a majestade deste templo; aquelas estrelas, segundo o testemunho do Apóstolo são João (Ap 1, 20) sois vós mesmos; e convosco vemos brilhar aqueles candelabros dourados à volta do sepulcro do Príncipe dos Apóstolos, isto é, as igrejas a vós confiadas (Ap 1, 20)».
Estamos em pleno Ano da Fé, sob a convocação feliz do Papa Bento XVI, a celebrar e a viver a fé no jubileu da abertura do enorme acontecimento de graça para a Igreja e para o mundo e, assim, repartir de Cristo nos novos caminhos da missão. O Catecismo da Igreja Católica sintetiza de modo claro: «“crer” é um ato eclesial. A fé da Igreja precede, gera, suporta e nutre a nossa fé. A Igreja é a Mãe de todos os crentes». S. Cipriano, Bispo de Cartago, gostava de sublinhar: «ninguém pode ter a Deus por Pai, se não tiver a Igreja por Mãe».
A Igreja é a casa da fé, de todos os que aderem de coração inteiro ao encontro transformador com Jesus Cristo.
Ele não é só o fundador da Igreja, mas é o seu fundamento, o mesmo ontem, hoje e sempre. A própria origem etimológica Ecclesia, designa já o sentido profundo, como a assembleia convocada. A Igreja é convocada pela fé e convoca à fé.
Na Liturgia há duas expressões marcantes desta íntima relação da fé com a Igreja: uma na celebração do Batismo e Confirmação: «Esta é a nossa fé. Esta é a fé da Igreja», outra na Eucaristia: «não olheis aos nossos pecados, mas à fé da vossa Igreja».
A fé da Igreja acredita «que a chave, o centro e o fim de toda a história humana se encontram no seu Senhor e mestre» (GS 10). Cristo, «companheiro do homem peregrino através dos perigos desta vida, conduz os nossos passos, sempre firmes, a caminho da terra prometida» (Hino da Liturgia).
A inteligência da fé é simples, mas não é fácil. Ela só se desenvolve na alegria. Acreditar em Deus uno e trino – Pai, Filho e Espírito Santo; na una, santa, católica e apostólica Igreja; na comunhão dos Santos; na remissão dos pecados; na ressurreição da carne e na vida eterna; no homem como caminho da Igreja; no primado da dignidade humana: liberdade, bem comum, justiça – grande e bela é a alegria da fé da Igreja!

© D. José Manuel Cordeiro, Bispo de Bragança-Miranda
© Agência Ecclesia


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 18.1.13 | Sem comentários
Depois do barulho, da festa e dos encontros natalícios, voltamos à vida normal, com os seus horários, obrigações e afazeres. Para o homem e a mulher que vivem submersos no niilismo da cultura atual, a volta à rotina provoca horror, stress e muitas hipocondrias. Esse fenómeno revela a enfermidade do nosso tempo: a solidão da pessoa e a cegueira existencial que impede a apreciação da beleza da vida diária.
O descanso é-nos pedido pelo Criador (cf. Génesis 2, 1-3). A festa é expressão privilegiada da necessidade que o ser humano tem da alegria para uma existência bem vivida. Ao mesmo tempo, ela tem que ser um estímulo para encararmos com energia renovada cada nova semana e cada período pós-férias.
O insuportável do viver de cada dia vem da carência de alegria nas coisas que fazemos, experimentamos ou vivemos. Isto acontece, entre outros motivos, por causa da falta de realismo na nossa visão da vida pessoal, social e profissional, ou, simplesmente, porque nos sobra irritação, coisa que deteriora o clima familiar e geral.
Vamos começar este inquietante 2013 com o firme propósito de redescobrir a beleza e a alegria da nossa rotina? Eu proponho o remédio do bom humor, da gentileza e da compreensão. Quantos problemas se solucionariam se evitássemos os maus modos e exercitássemos o apostolado do sorriso!
O humor tem sido objeto de estudo desde a filosofia antiga, passando pela teologia, até a psicologia moderna. Não faltam exemplos de santos, como Felipe Neri e João Bosco, que fizeram do regozijo e do júbilo os veículos da sua pastoral e do seu contato com os outros.
Podemos falar do humor de muitos pontos de vista. Para alguns, é um dispositivo de libertação de tensões. Para outros, a reação espontânea diante de uma situação cómica. Há quem o experimente como consequência da incongruência entre diversas ideias ou situações desiguais. Mas todas essas teorias fazem do humor algo que vem de fora, como um componente psicológico que define certo comportamento. As brincadeiras e as piadas fazem parte de jogadas entre o cómico e o irónico. É evidente que nem tudo o que é humorístico termina em risadas; há risos que não nascem do humor, mas de um mecanismo de defesa.
Eu quero referir-me ao humor não como atitude jocosa, mas como «coisa séria», como pretensão de sentido, de delicadeza e de humanidade. O bom humor é a capacidade de carregar serena e valentemente as cargas da vida. É saber achar em cada instante o lado amável do quotidiano. Isso é muito importante para a maturidade pessoal e para a vida de fé. A este respeito, Xavier Zubiri dizia que a pessoa tem que «esculpir a sua própria estátua». Isto pode-se realizar de diversas formas: sendo muito intransigente em tudo e vivendo de mau humor, de angústia, de sofrimento; outra maneira é empenhar-se no voluntarismo que endurece o coração e o caráter; mas há uma terceira via, que é a integração e a superação das dificuldades da vida, e é nisto que se baseia o segredo do bom temperamento. Sem ele, a pessoa fica propensa às enfermidades da alma, que, com tanta frequência, atacam a nossa sociedade.
O bom humor faz-nos ver a realidade do dia a dia com um sereno distanciamento. É a atitude de colocar as coisas no seu lugar, de relativizar o que achávamos absoluto, de nos livrarmos dos falsos ídolos, de rir das nossas próprias conquistas e de nós mesmos. Para isso, é preciso ter muita simplicidade e humildade de espírito. Só é alegre — e não simplesmente contente — quem reconhece a sua finitude, abre-se aos outros e não fica encerrado na autossuficiência.
O humor é também a capacidade de compreender o ponto de vista do outro e, ao mesmo tempo, de ter criatividade diante dos choques inevitáveis: é saber sair de situações difíceis. Isto impede o ressentimento e o isolamento, através de atitudes como medir as palavras, controlar os silêncios, possuir elementos positivos no próprio interior e comandar as rédeas de si mesmo.
Destaco, para terminar, que o bom caráter implica a afirmação da liberdade pessoal, a negação de determinismos cegos e a admissão de um sentido profundo da vida. No caso cristão, tudo isto surge da fé em um Deus que é Amor, que nos deu a salvação eterna em seu Filho e que nos sustenta com a ajuda do Espírito Santo. Deus não é uma alternativa que exclui o bom humor! Como diz Bento XVI, «Deus não estorva a nossa vida quotidiana».

© Dom Juan del Río Martín, arcebispo castrense da Espanha 
© www.zenit.org
© Adaptação da tradução de Laboratório da fé


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 15.1.13 | Sem comentários
— Apostolado da Oração — intenção geral de janeiro — 

Para que, neste Ano da Fé, 

os cristãos aprofundem o conhecimento do mistério de Cristo 

e testemunhem a própria fé com alegria.


1. Já muito foi dito sobre o Ano da Fé e mais será nos próximos meses. É bom que assim seja, sobretudo se tal significar uma maior consciencialização dos crentes relativamente à urgência de professar com alegria a fé no Verbo de Deus encarnado, morto e ressuscitado, e a adesão, em obras e palavras, ao seu Evangelho. Afinal, como lembra Bento XVI na carta apostólica Porta fidei («A Porta da Fé»), a fé deixou de existir como «pressuposto óbvio da vida diária» e, com frequência, tal pressuposto é mesmo «negado» (cf. n. 2). Esta alteração do contexto social em que somos chamados a testemunhar o mistério de Cristo é, no entanto, essencialmente positiva, pois permite que a originalidade do Cristianismo seja mais visível e a novidade de Cristo inquiete mais poderosamente os corações com o sabor das coisas ainda não ditas e capazes de converter a vida.

2. Para que isso aconteça, porém, é necessário que os cristãos deixem modelos religiosos do passado e apostem de modo decidido em Cristo, no conhecimento do seu mistério. Não se trata apenas de um conhecimento intelectual, nem primariamente de um conhecimento desse tipo. Se nos lembrarmos do modo como São Paulo se refere a Cristo e ao seu mistério, «escondido» desde sempre em Deus, mas revelado «nestes últimos tempos» aos seus discípulos, percebemos que se trata, sobretudo, de uma ação de Deus, o qual Se dá a conhecer em seu Filho, Jesus Cristo. E, sendo assim, aprofundar o conhecimento do mistério de Cristo implica, antes de mais, dispor o coração para acolher o Evangelho e viver de acordo com ele.

3. Não sendo em primeiro lugar um conhecimento intelectual, a adesão ao mistério de Cristo passa também por aí. O Cristianismo não é um irracionalismo. Desde muito cedo, os cristãos perceberam a necessidade de saber apresentar Aquele em quem acreditam e as razões para acreditar. É justamente famosa a expressão da Primeira Carta de Pedro sobre a disponibilidade dos cristãos para darem, a quem lhas pedir, «as razões» da sua esperança (3, 15). Ao longo dos séculos, esta exigência da fé gerou no seio da Igreja uma incansável actividade intelectual, testemunhada nas obras dos Padres da Igreja, em bibliotecas, nas universidades e em escolas de todo o género. Hoje este compromisso com a cultura não pode esmorecer – mas, tal como no passado, deve sempre partir do desejo de aprofundar o conhecimento de Cristo, para poder falar d’Ele a quem, porventura, deseje escutar.

4. Verdadeiramente, ninguém nasce cristão – cada um faz-se cristão, ou melhor, é feito cristão através do baptismo. E se hoje é comum as famílias cristãs pedirem o batismo para os seus filhos na mais tenra idade, isso significa que o ser feito cristão acaba por se dilatar no tempo após o batismo, implicando um processo longo de aprendizagem, não apenas de conceitos mas sobretudo de um modo de vida. Este processo tem nas famílias e nas comunidades cristãs os seus agentes mais diretos e, hoje, praticamente únicos – pois, como referi no início desta reflexão, citando Bento XVI, o contexto social no qual a fé era um dado adquirido deixou de existir; não raro, tornou-se mesmo adverso à transmissão da fé. Testemunhar a fé com alegria, na família e na comunidade cristã, é, por isso, essencial se pretendemos que o Ano da Fé dê frutos, renovando a vida dos crentes e despertando em quem não acredita o desejo de conhecer o mistério de Cristo para O acolher e fazer d’Ele o centro da sua vida.

© «Diário do Minho» [10 de janeiro de 2013] — Suplemento «Igreja Viva»
© Elias Couto [Apostolado da Oração]


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 10.1.13 | Sem comentários

A fé não é nem pode ser um meio para alcançarmos qualquer coisa mas tem de ser um meio para sermos melhores e mais felizes. A fé é indispensável na vida do cristão pois permite-nos aprofundar a amizade com Jesus Cristo: uma amizade que vale mais do que tudo o que existe; mais fiel e segura do que aquela que se pode manter com alguém na terra; e a que mais nos aproxima de Deus, fonte da vida, do conhecimento e da felicidade. A fé vivida em alegria proporciona saborear uma serenidade profunda que nasce do encontro com o Senhor, que nos ama. A fé ajuda-nos, também, a resistir às adversidades da vida. Deus não nos livra dos perigos e dos males, mas dá-nos a força e a coragem para enfrentá-los. Além disso, a fé é um estímulo para não pensarmos só em nós e nos empenharmos na construção de um mundo melhor para todos. Com a fé, a vida não se torna mais fácil, mas fica seguramente mais alegre. > > >

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 8.1.13 | Sem comentários
— palavra para domingo, dia da Epifania — 6 de janeiro —

— Evangelho segundo Mateus 2, 1-12

Tinha Jesus nascido em Belém da Judeia, nos dias do rei Herodes, quando chegaram a Jerusalém uns Magos vindos do Oriente. «Onde está – perguntaram eles – o rei dos judeus que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-l’O». Ao ouvir tal notícia, o rei Herodes ficou perturbado e, com ele, toda a cidade de Jerusalém. Reuniu todos os príncipes dos sacerdotes e escribas do povo e perguntou-lhes onde devia nascer o Messias. Eles responderam: «Em Belém da Judeia, porque assim está escrito pelo Profeta: ‘Tu, Belém, terra de Judá, não és de modo nenhum a menor entre as principais cidades de Judá, pois de ti sairá um chefe, que será o Pastor de Israel, meu povo’». Então Herodes mandou chamar secretamente os Magos e pediu-lhes informações precisas sobre o tempo em que lhes tinha aparecido a estrela. Depois enviou-os a Belém e disse-lhes: «Ide informar-vos cuidadosamente acerca do Menino; e, quando O encontrardes, avisai-me, para que também eu vá adorá-l’O». Ouvido o rei, puseram-se a caminho. E eis que a estrela que tinham visto no Oriente seguia à sua frente e parou sobre o lugar onde estava o Menino. Ao ver a estrela, sentiram grande alegria. Entraram na casa, viram o Menino com Maria, sua Mãe, e, prostrando-se diante d’Ele, adoraram-n’O. Depois, abrindo os seus tesouros, ofereceram-Lhe presentes: ouro, incenso e mirra. E, avisados em sonhos para não voltarem à presença de Herodes, regressaram à sua terra por outro caminho.

— Ao ver a estrela, sentiram grande alegria

A festa de hoje, conhecida como Dia de Reis, tem o nome litúrgico de «Epifania». É uma palavra grega que significa manifestação; ou melhor, manifestações de Deus a todos (os povos). Na liturgia, é praticamente uma repetição da festa do Natal, mas com uma conotação especial própria das igrejas orientais. Nós, na igreja Ocidental sublinhamos no Natal o nascimento humano do Filho de Deus, isto é, o mistério da Encarnação. Na igreja Oriental, acentua-se mais a manifestação universal de Deus a todos os povos, através de Jesus Cristo. Unindo estas duas tradições, podemos dizer que o Natal e a Epifania são dois momentos de um único acontecimento: Deus humaniza-se para dar a conhecer a salvação a todos os povos. 
Estes dois momentos — Natal e Epifania — também estão separados nos relatos evangélicos. Lucas refere que os primeiros adoradores do Menino foram uns pobres pastores. Mateus realça a presença de «uns Magos vindos do Oriente» como primeiros adoradores do Menino. Para além de qualquer tipo de discussão sobre a historicidade, voltamos a recordar que o mais importante são os ensinamentos que os evangelistas nos querem transmitir através destas narrações. 
Uma das finalidades do «Ano da Fé» convocado pelo Papa é conseguir — além de que os cristãos aprofundem a sua relação com Cristo — que também aqueles que a procuram possam chegar à fé, professando e proclamando a sua adesão a Jesus Cristo. Para uns e outros, o evangelho pode tornar-se numa interessante catequese sobre a procura de Deus, sobre a procura da fé. 
Nesta procura assinalamos os seguintes passos: 
[1] Começar por ler os sinais. É o que nos diz o II Concílio do Vaticano: «ler os sinais dos tempos». Aqueles Magos começaram a procura a partir de um sinal: «vimos a sua estrela». 
[2] Colocar-se em atitude de procura, em atitude de caminho: fizeram a viagem do Oriente até Jerusalém. Queriam conhecer. Queriam saber. Por isso, não tiveram receio de perguntar: «Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer?». A curiosidade pelo saber é o princípio do conhecimento! 
[3] Superar as dúvidas e as incertezas. O Cardeal Newman escreveu que «a fé é a capacidade de superar as dúvidas». A estrela tinha desaparecido... e nem Herodes era digno de confiança. 
[4] Atingir o objetivo, encontrar o que se procura. «Sentiram grande alegria. Entraram na casa, viram o Menino». E agradecidos por encontrar o sentido daquela aventura, «prostrando-se diante d’Ele, adoraram-n’O». 
[5] E, finalmente, o último passo, mas também muito importante: «regressaram à sua terra por outro caminho». A fé é sempre um desafio a mudar de vida, a encontrar novos caminhos. Aqui está uma síntese do que precisamos fazer repetidas vezes ao longo deste «Ano da Fé» e de toda a nossa vida: estar atentos aos sinais dos tempos, mantermo-nos em atitude de procura, superar as dúvidas, experimentar o encontro com o Deus da nossa fé, assumir o compromisso de mudar. Um bom programa para o «Ano da Fé».
Neste Ano da Fé, como os Magos, estás disposto a seguir a «estrela»? A mensagem da Epifania coloca-nos exigências concretas. Temos de ser consequentes com elas. Deus manifesta-se sempre a todos e em todos os seres humanos. Porque é que não o descubro? É simples: ou procuro um deus que não existe; ou ando à procura onde ele não está. Não é preciso procurar Deus. É preciso procurar a luz que nos permita vê-lo em todas as coisas. Ao entrar numa casa, não procuro a lâmpada, mas o interrutor. Ao carregar nele, faz-se a luz. A luz está dentro de ti. Podes levar tempo a encontrar o interrutor. Continua a procurar, pois hás de encontrá-lo!

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 6.1.13 | Sem comentários
— Apostolado da Oração — intenção geral de janeiro — 

Para que, neste Ano da Fé, 

os cristãos aprofundem o conhecimento do mistério de Cristo 

e testemunhem a própria fé com alegria.


Afirma o Papa, na Carta Apostólica «A Porta da Fé»: «Decidi convocar um Ano da Fé. Começará [a Carta foi publicada a 11 de Outubro de 2011] no dia 11 de Outubro de 2012, no 50.º aniversário da abertura do Concílio Vaticano II, e terminará na solenidade de Jesus Cristo, Rei do Universo, no dia 24 de Novembro de 2013. A 11 de Outubro de 2012 celebrar-se-ão também os 20 anos da publicação do Catecismo da Igreja Católica, promulgado pelo meu predecessor, o beato João Paulo II, com a intenção de mostrar a todos os fiéis a força e a beleza da fé» (número 4).
As razões para a proclamação deste Ano da Fé são muitas, ainda que aqui apontaremos somente duas. A primeira e a mais importante é aquela que o Santo Padre sublinhou, a 22 de Dezembro de 2011: «O núcleo da crise da Igreja na Europa é a crise de fé. Se não encontrarmos uma resposta para ela, se a fé não ganha uma nova vitalidade, dentro de uma convicção profunda e uma força real, graças ao encontro com Jesus Cristo, todas as mais reformas serão inúteis». Estas palavras do Sumo Pontífice são muito sérias e devem representar para nós grande motivo de profunda meditação.
Outra razão é a de verificarmos que, sobretudo a nível da Europa, a fé desapareceu da vida de muitos, ou está tão debilitada que mal se nota.
As finalidades deste Ano da Fé são também várias. Como o Papa refere na já citada Carta Apostólica, é necessário «intensificar a reflexão sobre a fé, para ajudar todos os crentes em Cristo, a fim de que a sua adesão a Cristo seja mais consciente e vigorosa» (número 8).
Este Ano da Fé deve ser também um convite a um encontro com Jesus Cristo Vivo, que nos permita sermos transformados pela sua acção. Só por meio do aprofundamento no conhecimento do mistério de Cristo é que daremos um testemunho credível da nossa fé. A Intenção deste mês exorta-nos a que demos este testemunho «com alegria». É este testemunho de alegria e esperança que é necessário dar nesta velha Europa que está a ficar cada vez mais «Europa velha».

© Apostolado da Oração — www.apostoladodaoracao.pt


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 4.1.13 | Sem comentários
— Pregação do Padre Raniero Cantalamessa, OFM Cap — 21 de dezembro de 2012 —

«Anuncio-vos uma grande alegria»



Evangelizar com alegria


[...] O Papa convidou a Igreja a fazer deste ano uma oportunidade de redescobrir a «alegria do encontro com Cristo», a alegria de ser cristãos. Ecoando essa exortação, eu gostaria de falar sobre como evangelizar através da alegria, procurando permanecer o mais fiel possível ao tempo litúrgico atual, em preparação para o Natal.

1. A alegria escatológica

Nos evangelhos da infância, inspirado pelo Espírito Santo, Lucas conseguiu não só apresentar factos e personagens, mas também recriar a atmosfera e o clima daqueles eventos. Um dos mais evidentes elementos desse mundo espiritual é a alegria. A piedade cristã não se enganou quando deu à infância de Jesus o nome de «mistérios gozosos», mistérios de alegria.
A Zacarias, o anjo promete «alegria e exultação» pelo nascimento do filho, e que muitos «se alegrarão» com a sua vinda (cf. Lucas 1, 14). Há uma palavra grega que, a partir deste momento, reaparecerá na boca de vários personagens de modo contínuo: é o termo (agallìasis) que indica «a alegria escatológica pela irrupção do tempo messiânico». Ao ouvir a saudação de Maria, o bebé «regozijou-se» («saltou de alegria») no ventre de Isabel (Lucas 1, 44), sinalizando, assim, a alegria do «amigo do esposo» pela presença do esposo (João 3, 29). O ápice acontece no cântico de Maria: «O meu espírito se alegra (egallìasen) em Deus» (Lucas 1, 47); espalha-se na alegria tranquila de amigos e parentes ao redor do berço do precursor (cf. Lucas 1, 58) e explode, finalmente, com pleno vigor, no nascimento de Cristo, na declaração dos anjos para os pastores: «Anuncio-vos uma grande alegria (Lucas 2, 10).
Não são apenas amostras dispersas de alegria, mas uma onda de alegria calma e profunda, que percorre os «evangelhos da infância» do início ao fim e se expressa de muitas maneiras diferentes: no entusiasmo com que Maria se levanta para ir até à casa de Isabel e os pastores para irem ver o Menino; nos gestos humildes, e típicos da alegria, que são as visitas, os bons desejos, as saudações, os parabéns, os presentes. Mas, acima de tudo, a alegria expressa-se na maravilha e na sincera gratidão desses protagonistas: «Deus visitou o seu povo! [...] Lembrou-se da sua santa aliança». O que todos tinham pedido em oração, que Deus se lembrasse das suas promessas, era agora realidade! Os personagens dos «evangelhos da infância» parecem mover-se e falar na atmosfera de sonho cantada pelo Salmo 126, o Salmo do retorno do exílio:
«Quando o Senhor libertou os prisioneiros de Sião,
parecia-nos viver um sonho.
A nossa boca encheu-se de riso
e a nossa língua soltou-se em cantos de alegria.
Disseram assim entre as nações:
O Senhor fez grandes coisas por eles.
Grandes coisas fez por nós o Senhor,
inundou-nos de alegria».
Maria incorpora a máxima expressão deste salmo quando exclama: «O Todo-poderoso fez em mim maravilhas». Estamos diante do exemplo mais puro da «sóbria ebriedade» espiritual. É uma verdadeira «ebriedade» espiritual, mas é «sóbria». Eles não se exaltam, não se preocupam em ter um lugar mais importante ou menos importante no incipiente Reino de Deus. Não se preocupam nem mesmo com o final de tudo: Simeão diz que agora o Senhor pode deixá-lo partir em paz. O que importa é que a obra de Deus vá em frente, não importa se com eles ou sem eles.

2. Da liturgia à vida

Passemos agora da Bíblia e da liturgia para a vida. Este é sempre o objetivo da palavra de Deus. A intenção do evangelista Lucas não é apenas narrar, mas envolver o público e arrastá-lo, como os pastores, em procissão alegre até Belém. «Aqueles que lêem estas linhas — diz um exegeta moderno — são chamados a partilhar a alegria. Apenas a comunidade concelebrante dos crentes em Cristo pode estar à altura desses textos» (H. Schürmann, O Evangelho de Lucas, I, Paideia, Brescia 1983).
Isto explica porque os evangelhos da infância têm pouca coisa a dizer a quem busca neles apenas a história; e ao contrário muito a dizer a quem busca também o significado da história, como faz o Santo Padre em seu último volume sobre Jesus. São muitos os factos acontecidos, mas não são «históricos» no sentido alto do termo, porque não deixaram nenhum vestígio na história, não criaram nada. Os factos relativos ao nascimento de Jesus são factos históricos no sentido mais forte, não só porque aconteceram, mas incidiram, e de forma decisiva, na história do mundo.
De onde nasce a alegria? A fonte da alegria é Deus, a Trindade. Mas nós estamos no tempo e Deus está na eternidade: como é que a alegria pode passar entre esses dois planos tão distantes? Se questionarmos a Bíblia, descobriremos que a fonte imediata da alegria está no tempo: é o agir de Deus na história. Deus que age! No ponto em que «cai» uma ação divina, é produzida uma vibração e uma onda de alegria que se espalha pelas gerações; mais ainda, no caso de ações da Revelação, elas espalham-se para sempre.
A ação de Deus é, em cada vez, um milagre que maravilha o céu e a terra: «Exultai, ó céus, porque o Senhor agiu!», diz o profeta. «Rejubilai, profundezas da terra!» (Isaías 44, 23; 49, 13). A alegria que vem do coração de Maria e das outras testemunhas do início da salvação baseia-se toda nesta razão: Deus ajudou Israel! Deus agiu! Deus fez grandes coisas!
Como pode, esta alegria pela ação de Deus, chegar até a Igreja de hoje e contagiá-la? Primeiro, pela memória, no sentido de que a Igreja «relembra» as obras maravilhosas de Deus em seu favor. A Igreja é convidada a fazer suas as palavras da Virgem: «O Todo-poderoso fez em mim maravilhas». O Magnificat é a canção que Maria cantou primeiro e legou à Igreja para prolongá-la pelos séculos. Grandes coisas (maravilhas), de facto, fez o Senhor pela Igreja nestes vinte séculos!
Temos, em certo sentido, mais razões objetivas para nos alegrarmos do que Zacarias, Simeão, os pastores e toda a Igreja primitiva. Ela começou «carregando a semente para a sementeira», como diz o Salmo 126, mencionado acima; ela recebeu promessas, como «Eu estou convosco!», e mandatos, como «Ide pelo mundo inteiro». Já nós vimos o cumprimento. A semente cresceu, a árvore do Reino tornou-se imensa. A Igreja de hoje é como o semeador que «volta com alegria».
Quantas graças, quantos santos, quanta sabedoria de doutrina e riqueza de instituições, quanta salvação operada nela e através dela! Que palavra de Cristo não encontrou cumprimento perfeito? Cumpriram-se as palavras «No mundo tereis aflições» (João 16, 33), mas também as palavras «As portas do inferno não prevalecerão» (Mateus 16, 18).
Com que direito a Igreja pode tornar sua, perante o sem número dos seus filhos, a maravilha da antiga Sião e dizer: «Quem os gerou para mim? Eu não tinha filhos e era estéril; estes, quem os criou?» (Isaías 49, 21). Quem, olhando para trás com os olhos da fé, não vê cumpridas perfeitamente na Igreja as palavras proféticas sobre a nova Jerusalém, reconstruída depois do exílio? «Levanta os olhos e olha ao teu redor: todos eles se reúnem e vêm a ti. Teus filhos vêm de longe [...] Tuas portas estarão abertas por sempre [...] para deixar virem a ti as riquezas das nações» (Isaías 60, 4.11).
Quantas vezes a Igreja teve de alargar, nestes vinte séculos, ainda que nem sempre rápido e com resistências, o «espaço da sua tenda», a sua capacidade de acolher, de deixar entrar a riqueza humana e cultural dos diferentes povos! Para nós, os filhos da Igreja, que nos nutrimos «da abundância do seu seio», é que vem o chamamento do profeta a nos alegrarmos pela Igreja, «a brilhar de alegria com ela», depois de participar do seu luto (cf. Isaías 66, 10).
A alegria pelo agir de Deus chega até nós, os crentes de hoje, pela via da memória, porque vemos as grandes coisas que Deus fez por nós no passado. Mas há outro modo, não menos importante: a via da presença, porque vemos que, mesmo agora, no presente, Deus está a agir entre nós, na Igreja.
Se a Igreja de hoje, no meio de todos os problemas e atribulações que a golpeiam, quer reencontrar o caminho da coragem e da alegria, ela deve abrir os olhos para o que Deus está hoje a fazer nela. O dedo de Deus, que é o Espírito Santo, ainda continua a escrever na Igreja e nas pessoas histórias maravilhosas de santidade, que um dia, quando desaparecer todo o pecado, farão com que se olhe para o nosso tempo com espanto e santa inveja. Fechamos os olhos, ao fazer isso, aos muitos males que afligem a Igreja e às traições de muitos dos seus ministros? Não. Mas se o mundo e os meios de comunicação não destacam na Igreja nada além dessas coisas, é bom levantarmos o olhar e vermos também o seu lado bom, a sua santidade.
Em cada época, mesmo na nossa, o Espírito diz à Igreja, como no tempo do deutero-Isaías: «Agora narro-te coisas novas e secretas, que nem sequer suspeitavas. São coisas criadas agora, em vez de há muito tempo» (Isaías 48, 6-7). Não será que é «coisa nova e secreta» esse fôlego poderoso do Espírito que ressuscita o povo de Deus e desperta no seu meio carismas de todo o tipo, ordinários e extraordinários? Este amor pela palavra de Deus? Esta participação ativa dos leigos na vida da Igreja e na evangelização? O compromisso constante do magistério e de muitas organizações em favor dos pobres e dos que sofrem e o desejo de consertar a unidade rompida do Corpo de Cristo? Em que época passada a Igreja teve tal série de Papas doutos e santos como de um século e meio para cá, e tantos mártires da fé?

3. Uma relação diferente entre a alegria e a dor

Do eclesial, passamos para o existencial e pessoal. Alguns anos atrás, houve uma campanha do ateísmo militante cujo slogan publicitário, afixado nos transportes públicos de Londres, dizia: «Deus provavelmente não existe. Então pare de se atormentar e desfrute da vida!».
O mais insidioso desse slogan não é a premissa «Deus não existe» (que precisa de ser provada), mas a conclusão: «Desfrute da vida!». A mensagem subjacente é que a fé em Deus impede as pessoas de aproveitarem a vida, que a fé é inimiga da alegria. Sem ela haveria mais felicidade no mundo! Precisamos de dar uma resposta a essa insinuação que mantém distantes da fé especialmente os jovens.
Jesus provocou, a propósito da alegria, uma revolução tamanha que é difícil exagerar sobre o seu alcance e que pode ser de grande ajuda na evangelização. É um pensamento que eu acho que já manifestei neste mesmo lugar, mas o assunto exige-o novamente. Existe uma experiência humana universal: nesta vida, prazer e dor sucedem-se com a mesma regularidade com que, após uma onda no mar, sucede-se um mergulho e um vácuo que aspira o náufrago de volta. «Um não-sei-quê de amargo — escreveu o poeta pagão Lucrécio — surge do íntimo de cada prazer e nos angustia no meio das delícias» (Lucrécio, De rerum natura, IV, 1129 s). O uso das drogas, o abuso do sexo, a violência homicida, no seu momento proporcionam a ebriedade momentânea do prazer, mas conduzem à dissolução moral e, muitas vezes, até física da pessoa.
Cristo inverteu a relação entre prazer e dor. «Em vez da alegria, Ele suportou a cruz» (Hebreus 12, 2). Não era mais um prazer que terminava em sofrimento, mas um sofrimento que conduz à vida e à alegria. Não é apenas uma ordem diferente das coisas; é a alegria, desta forma, que tem a última palavra, e não o sofrimento; e é uma alegria que vai durar para sempre. «Cristo ressuscitado dos mortos não morre mais; a morte não tem mais domínio sobre ele» (Romanos 6, 9). A cruz termina na Sexta-Feira Santa, mas a felicidade e a glória do domingo da Ressurreição estendem-se para sempre.
Esta nova relação entre sofrimento e prazer reflete-se até na forma de medir o tempo na Bíblia. No lógica humana, o dia começa com a manhã e termina com a noite; na Bíblia, começa com a noite e termina com o dia: «E foi a noite e a manhã: o primeiro dia», diz o relato da Criação (Génesis 1, 5). Na liturgia também a festa começa com as vésperas da vigília. O que isto significa? Que, sem Deus, a vida é um dia que termina na noite; com Deus, é uma noite, e às vezes uma «noite escura», que termina no dia, e num dia sem ocaso.
Mas devemos evitar uma objeção fácil: a alegria, então, é apenas para depois da morte? Esta vida, para os cristãos, não é nada mais do que um «vale de lágrimas»? Pelo contrário: ninguém experimenta nesta vida a verdadeira alegria como os verdadeiros crentes. Conta-se que um dia um santo clamou a Deus: «Chega de alegria! Meu coração não pode conter mais tanta alegria!». Os crentes, exorta o apóstolo, são «spe gaudentes», alegres na esperança (Rm 12, 12), o que não significa apenas que eles «esperam ser felizes» (na vida após a morte), mas também que eles «são felizes por esperar», felizes já, agora, graças à esperança.
A alegria cristã é interior, não vem de fora, mas de dentro, como alguns lagos alpinos que se alimentam não de um rio, mas de uma nascente que jorra em seu próprio fundo. Nasce do agir misterioso e presente de Deus no coração do homem em graça. Pode causar abundância de alegria até nos sofrimentos (cf. 2Coríntios 7, 4). É «fruto do Espírito» (Gálatas 5, 22; Romanos 14, 17) e expressa-se na paz do coração, na plenitude do significado, na capacidade de amar e ser amado e, acima de tudo, na esperança, sem a qual não pode haver alegria.
Em 1972, por sugestão de Herbert von Karajan, o Conselho da Europa adotou como hino oficial da Europa unida o «Hino da Alegria» que encerra a Nona Sinfonia de Beethoven. Trata-se, certamente, de um dos ápices da música mundial, mas a alegria que ele canta é vaga, não realizada; é um grito que sobe do coração humano, mais do que uma resposta que desce até ele.
Na Ode de Schiller, que inspirou a letra do hino, lemos palavras inquietantes: «Aqueles que sentiram a alegria de ter um amigo ou uma boa esposa, aqueles que conheceram, ainda que apenas por uma hora, o que é o amor, aproximem-se! Mas quem não souber de nada disso, que se afaste, chorando, do nosso círculo». A alegria que os homens «bebem do seio da natureza» não é para todos, mas apenas para alguns poucos privilegiados pela vida.
Isto é muito distante da linguagem de Jesus, que diz: «Vinde a mim, todos vós que estais cansados ​​e oprimidos, e eu vos aliviarei» (Mateus 11, 28). O verdadeiro hino cristão à alegria é o Magnificat de Maria. Ele fala de uma exultação (agallìasis) do espírito pelo que Deus fez por ela e faz por todos os humildes e famintos da terra.

4. Testemunhar a alegria

Esta é a alegria que temos de testemunhar. O mundo busca a alegria. «Só ao escutar o seu nome — escreve Santo Agostinho — todos se levantam e olham para as tuas mãos, para ver se és capaz de dar algo às suas necessidades». Todos queremos ser felizes. É algo comum a todos, bons e maus.
Quem é bom, é bom porque é feliz; quem é mau, só é mau porque espera, com isso, ser feliz. Se todos nós amamos a alegria é porque, de alguma maneira misteriosa, a conhecemos; porque se não a conhecêssemos — se não tivéssemos sido feitos para ela —, não a amaríamos. Este desejo da alegria é a parte do coração humano naturalmente aberta para receber a «alegre mensagem».
Quando o mundo bate à porta da Igreja — mesmo quando faz isso com violência e raiva — é porque busca a alegria. Os jovens, especialmente, procuram a alegria. O mundo ao seu redor é triste. A tristeza, por assim dizer, nos encurrala, mais no Natal que no resto do ano. Não é uma tristeza que depende da falta de bens materiais porque é muito mais evidente nos países ricos do que nos países pobres.
Em Isaías lemos estas palavras, dirigidas ao povo de Deus: «eis o que dizem os vossos irmãos que vos odeiam, que vos renegam por causa de meu nome: Que o Senhor manifeste a sua glória para que vejamos a vossa alegria!». O mesmo desafio é dirigido, silenciosamente, ao povo de Deus, também hoje. Uma Igreja melancólica e medrosa não estaria, por isso, à altura da sua tarefa; não poderia responder às expectativas da humanidade e sobretudo dos jovens.
A alegria é o único sinal que até mesmo os não crentes são capazes de receber e que pode colocá-los seriamente em crise. Não argumentos e censuras. O testemunho mais bonito que uma esposa pode dar ao seu esposo é um rosto alegre. Porque isso fala por si mesmo; fala que ele foi capaz de preencher plenamente a sua vida, de fazê-la feliz. Este é também o testemunho mais bonito que a Igreja pode dar ao seu Esposo divino.
São Paulo, dirigindo aos cristãos de Filipos aquele convite à alegria, que marca toda a terceira semana do Advento: «Alegrai-vos sempre no Senhor. Repito: alegrai-vos!», explica também como é possível testemunhar, na prática, esta alegria: «Seja conhecida de todos os homens a vossa bondade» (Filipenses 5, 4-5). A palavra «afabilidade» traduz aqui um termo grego (epieikès) que indica todo um conjunto de atitudes feito de clemência, indulgência, capacidade de saber ceder, de não ser exigentes. (É o mesmo vocábulo do qual deriva a palavra epicheia, usada no direito!).
Os cristãos testemunham, por isso, a alegria quando colocam em prática estas disposições; quando, evitando toda a amargura e ressentimento inútil no diálogo com o mundo e entre si, sabem irradiar confiança, imitando, desta maneira, Deus, que faz chover sobre os injustos. Quem é feliz, no geral, não é amargo, não sente a necessidade de apontar tudo e sempre; sabe relativizar as coisas, porque conhece algo que é maior. Paulo VI, na sua «Exortação apostólica sobre a Alegria», escrita nos últimos anos do seu pontificado, fala de um «olhar positivo sobre as pessoas e sobre as coisas, fruto de um espírito humano iluminado pelo Espírito Santo». Até mesmo dentro da Igreja, não apenas para aqueles que estão fora, há uma necessidade vital do testemunho da alegria. São Paulo falava de si e dos outros apóstolos: «Não porque pretendamos dominar sobre a vossa fé. Queremos apenas contribuir para a vossa alegria» (2 Coríntios 1, 24). Que definição maravilhosa da tarefa dos pastores na Igreja! Colaboradores da alegria: aqueles que infundem segurança às ovelhas do rebanho de Cristo, os capitães valorosos que, com o seu olhar tranquilo, animam os soldados envolvidos na luta.
No meio das provas e calamidades que afligem a Igreja, especialmente em algumas partes do mundo, os pastores podem repetir, também hoje, aquelas palavras que Neemias, um dia, depois do exílio, dirigiu ao povo de Israel abatido e em lágrimas: «não haja nem aflição, nem lágrimas [...], porque a alegria do Senhor é a vossa força» (Neemias 8, 9-10).
Que a alegria do Senhor, Santo Padre, veneráveis padres, irmãos e irmãs, seja realmente, a nossa força, a força da Igreja. Feliz Natal!

Tradução: ZENIT — www.zenit.org

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 25.12.12 | Sem comentários
— palavra para terça-feira, 25 de dezembro — solenidade do natal —

— Evangelho segundo Lucas 2, 1-14

Naqueles dias, saiu um decreto de César Augusto, para ser recenseada toda a terra. Este primeiro recenseamento efectuou-se quando Quirino era governador da Síria. Todos se foram recensear, cada um à sua cidade. José subiu também da Galileia, da cidade de Nazaré, à Judeia, à cidade de David, chamada Belém, por ser da casa e da descendência de David, a fim de se recensear com Maria, sua esposa, que estava para ser mãe. Enquanto ali se encontravam, chegou o dia de ela dar à luz e teve o seu Filho primogénito. Envolveu-O em panos e deitou-O numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria. Havia naquela região uns pastores que viviam nos campos e guardavam de noite os rebanhos. O Anjo do Senhor aproximou-se deles e a glória do Senhor cercou-os de luz; e eles tiveram grande medo. Disse-lhes o Anjo: «Não temais, porque vos anuncio uma grande alegria para todo o povo: nasceu-vos hoje, na cidade de David, um Salvador, que é Cristo Senhor. Isto vos servirá de sinal: encontrareis um Menino recém-nascido, envolto em panos e deitado numa manjedoura». Imediatamente juntou-se ao Anjo uma multidão do exército celeste, que louvava a Deus, dizendo: «Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por Ele amados».

— Anuncio-vos uma grande alegria

A melhor palavra diante deste acontecimento é o silêncio! Hoje, é um dos dias em que podemos aplicar com mais propriedade o provérbio oriental que diz: «Se a tua palavra não é melhor do que o silêncio, cala-te». Só na dinâmica do silêncio, um silêncio contemplativo, poderemos entender alguma coisa deste mistério que é a Encarnação concretizada no Nascimento de Jesus. 
«Anuncio-vos uma grande alegria» — proclama o anjo aos pastores. O caminho que percorremos ao longo do Advento ganha (ainda) mais sentido neste dia. Mas cuidado, porque é muito fácil cairmos no sentimentalismo: um espasmo passageiro de alegria e ternura ao olharmos para o presépio ou para as imagens do nascimento de Jesus. Isso não ajuda a perceber nem a viver este mistério. Sem uma profunda contemplação, o Natal torna-se vazio, sem qualquer sentido religioso.
O que se passou em Jesus está a passar-se agora em cada um de nós, está a acontecer em mim. Este é o sentido religioso do Natal. A encarnação não é um facto pontual, mas uma atitude eterna de Deus que encarna sempre em todas as criaturas. Ele é Emanuel, é Deus connosco, sempre. Se em Jesus se tornou visível a presença de Deus, temos de aproveitar essa realidade para o descobrirmos dentro de nós. 
É preciso que brilhe no nosso coração e em toda a nossa vida esta «grande alegria» que nos é anunciada. Deus ilumina sempre de forma nova cada momento da nossa vida. Este é o sentido da festa de Natal, por isso os primeiros cristãos a fizeram coincidir com o solstício de inverno. Deixa-te iluminar pela presença de Deus dentro de ti. E aparecerá a luz e a alegria. E iluminará o teu ser e tudo o que te rodeia ficará também iluminado!

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 25.12.12 | Sem comentários

Naqueles dias, saiu um decreto de César Augusto, para ser recenseada toda a terra. Este primeiro recenseamento efectuou-se quando Quirino era governador da Síria. Todos se foram recensear, cada um à sua cidade. José subiu também da Galileia, da cidade de Nazaré, à Judeia, à cidade de David, chamada Belém, por ser da casa e da descendência de David, a fim de se recensear com Maria, sua esposa, que estava para ser mãe. Enquanto ali se encontravam, chegou o dia de ela dar à luz e teve o seu Filho primogénito. Envolveu-O em panos e deitou-O numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria. Havia naquela região uns pastores que viviam nos campos e guardavam de noite os rebanhos. O Anjo do Senhor aproximou-se deles e a glória do Senhor cercou-os de luz; e eles tiveram grande medo. Disse-lhes o Anjo: «Não temais, porque vos anuncio uma grande alegria para todo o povo: nasceu-vos hoje, na cidade de David, um Salvador, que é Cristo Senhor. Isto vos servirá de sinal: encontrareis um Menino recém-nascido, envolto em panos e deitado numa manjedoura». Imediatamente juntou-se ao Anjo uma multidão do exército celeste, que louvava a Deus, dizendo: «Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por Ele amados». — Lucas 2, 1-14 —

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 25.12.12 | Sem comentários
Entre o rumor da minha vida que vai por aí,
entre as horas de tom cinzento do meu dia,
oiço o alento e a esperança na tua voz.
Procuro a riqueza desse olhar fixo em mim
na aventura do caminho que vou trilhando,
na batalha que travo entre o meu e o teu querer.
E descubro que vives muito para além de mim
e, no entanto, sem eu querer tudo esperas
para que não seja só eu, mas agora tu comigo
na felicidade que me conforta por muito crer.

Por isso Te peço:
contemplar-Te só a Ti,
viver a vida como reflexo de Ti em mim.
E em tudo ser capaz de tocar tua alegria
que preenche todas as minhas sedes
e em tudo ser capaz da tua paz sem fim,
para que vivas, para que vivas tu em mim.


E alegrar-me sempre em Ti
para poder dizer a alegria de Ti em mim.
E alegrar-me sempre em Ti.
Viver a vida como dom por fim
para viver pra Ti sempre viver...

E alegrar-me sempre em Ti.
Viver a vida como dom por fim
para viver para Ti sempre viver...

Letra e Música de Tarcízio Morais
© Um Só Senhor
© Edições Salesianas

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 19.12.12 | Sem comentários
— palavra para quarta-feira da terceira semana de advento — 19 de dezembro —

— Evangelho segundo Lucas 1, 5-25

Nos dias de Herodes, rei da Judeia, vivia um sacerdote chamado Zacarias, da classe de Abias, cuja esposa era descendente de Aarão e se chamava Isabel. Eram ambos justos aos olhos de Deus e cumpriam irrepreensivelmente todos os mandamentos e leis do Senhor. Não tinham filhos, porque Isabel era estéril e os dois eram de idade avançada. Quando Zacarias exercia as funções sacerdotais diante de Deus, no turno da sua classe, coube-lhe em sorte, segundo o costume sacerdotal, entrar no Santuário do Senhor para oferecer o incenso. Toda a assembleia do povo, durante a oblação do incenso, estava cá fora em oração. Apareceu-lhe então o Anjo do Senhor, de pé, à direita do altar do incenso. Ao vê-lo, Zacarias ficou perturbado e encheu-se de temor. Mas o Anjo disse lhe: «Não temas, Zacarias, porque a tua súplica foi atendida. Isabel, tua esposa, dar-te-á um filho, ao qual porás o nome de João. Será para ti motivo de grande alegria e muitos hão-de alegrar-se com o seu nascimento, porque será grande aos olhos do Senhor. Não beberá vinho nem bebida alcoólica; será cheio do Espírito Santo desde o seio materno e reconduzirá muitos dos filhos de Israel ao Senhor, seu Deus. Irá à frente do Senhor, com o espírito e o poder de Elias, para fazer voltar os corações dos pais a seus filhos e os rebeldes à sabedoria dos justos, a fim de preparar um povo para o Senhor». Zacarias disse ao Anjo: «Como hei-de saber que é assim, se eu estou velho e a minha esposa de idade avançada?». O Anjo respondeu-lhe: «Eu sou Gabriel, que assisto na presença de Deus e fui enviado para te anunciar esta boa nova. Mas tu vais guardar silêncio, sem poder falar, até ao dia em que tudo isto aconteça, por não teres acreditado nas minhas palavras, que se cumprirão a seu tempo. Entretanto, o povo esperava por Zacarias e admirava-se por ele se demorar no Santuário. Quando ele saiu, não lhes podia falar e então compreenderam que tinha tido uma visão no Santuário. Ele fazia-lhes sinais e continuava mudo. Ao terminarem os seus dias de serviço, Zacarias voltou para casa. Algum tempo depois, Isabel, sua esposa, concebeu e permaneceu oculta durante cinco meses, dizendo: «Assim procedeu o Senhor para comigo nos dias em que Se dignou livrar-me desta desonra diante dos homens».

 — Muitos se hão de alegrar com o seu nascimento

O início do evangelho segundo Lucas (depois do prólogo) faz referência ao anúncio do nascimento de duas crianças: João Batista e Jesus. Os dois anúncios são comunicados por um «anjo», um mensageiro de Deus. Através destes relatos, o evangelista pretende transmitir que Deus oferece a salvação a todos os povos; e ficamos a saber quem é o portador dessa salvação universal. 
Uma surpresa! Dentro do Templo, um sacerdote cumpre a sua tarefa quando recebe uma mensagem extraordinária: será pai de um menino que «reconduzirá muitos dos filhos de Israel ao Senhor». A existência deste personagem, João Batista, será motivo de alegria para muitos dos que vão contactar com ele e com os seus ensinamentos. «Muitos se hão de alegrar com o seu nascimento». 
O evangelista repete o tema da alegria. Aliás, é uma das características destes primeiros capítulos do evangelho segundo Lucas. Em cada episódio relatado, o tema da alegria está sempre presente. Aqui, concentra-se na figura de João Batista. A conversão e a alegria não estão associadas ao «sacerdote», mas ao nascimento do «profeta». Na verdade, o projeto de Deus que atinge a plenitude em Jesus Cristo não é cultual nem sagrado, mas profético e humano. Só assim perceberemos o motivo de tão grande alegria, ontem como hoje!


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 19.12.12 | Sem comentários
Neste Advento, somos convidados a viver «entre o riso e um sorriso», sob o signo da alegria, da esperança e da fé. A fonte desta alegria é a presença, em nós, de Jesus Cristo, que é Emanuel, Deus connosco, que «encarnou pelo Espírito Santo». No Antigo Testamento, a alegria está baseada na promessa de uma salvação que vai chegar. Hoje, estamos em condições para dar mais um passo e descobrir que a salvação já chegou porque Deus já chegou. Não estamos alegres porque Deus está próximo, mas porque Deus já está em nós. Esta alegria é como a água de uma fonte: só a vemos quando aparece à superfície; mas antes percorreu um longo caminho através das entranhas da terra. Deixemos que a presença de Deus que nos habita venha «à superfície», se dê a conhecer num estilo de vida alegre e cheio de esperança.
Jesus convida-nos a descobrir o amor que é Deus presente dentro de nós e a agirmos em conformidade. Continuar a esperar a salvação de Deus é a melhor prova de que não a descobrimos dentro de nós e continuamos ansiosos pensando que nos vai chegar a partir de fora! Grande parte dos cristãos situa-se numa dinâmica religiosa absurda, sem sentido. Estão dispostos a fazer todos os sacrifícios e renúncias, contando que depois Deus lhes dê como prémio o cumprimento de todos os desejos pessoais. Fazem tudo para que Deus não tenha outro remédio senão dar a salvação que lhe pedem. Em nome da religião, até deram um preço a essa salvação: se fazes isto e deixas de fazer aquilo, tens assegurada a salvação. Ora, isto não tem nada a ver com o evangelho. A Incarnação de Jesus Cristo revela-nos um Deus que se humaniza, que se faz um de nós, que habita em nós, que vive em cada um de nós. Esta tem de ser a causa da nossa alegria. De facto, a alegria de que fala a liturgia de hoje não tem nada a ver com a ausência de problemas ou com a satisfação dos nossos desejos. A alegria não é o contrário da dor ou do sofrimento. Se penso que o fundamento da minha alegria está em obter tudo o que desejo, estou a entrar num beco sem saída. Porque provavelmente não vai ser assim como eu imagino ou quero. E depois fico desanimado ou até revoltado.

O que tens de fazer para viver sempre alegre? Não perguntes a ninguém o que tens de fazer. A tua meta tem de ser alcançar a tua plenitude. E não pode haver alegria quando nos sentimos constrangidos ou fazemos as coisas por obrigação, por medo ou até porque não temos alternativa... Isso é um ato de violência sobre nós próprios. A resposta que temos de dar à pergunta — o que tens de fazer para viver sempre alegre? — é muito simples: Partilhar. O quê? Como? Quando? Onde? Tenho que ser eu a descobrir. Não se trata de fazer isto ou deixar de fazer aquilo num determinado momento, mas de assumir um estilo de vida de atenção permanente à necessidade concreta do outro que precisa de mim. A partir de dentro jorra, em todas as direções, uma profunda humanidade. Assim viveu Jesus. É aí que encontraremos a alegria.

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 16.12.12 | Sem comentários
— palavra para terça-feira da segunda semana de advento —


— Evangelho segundo Mateus 18, 12-14

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Que vos parece? Se um homem tiver cem ovelhas e uma delas se tresmalhar, não deixará as noventa e nove nos montes para ir procurar a que anda tresmalhada? E se chegar a encontrá-la, em verdade vos digo que se alegra mais por causa dela do que pelas noventa e nove que não se tresmalharam. Assim também, não é da vontade de meu Pai que está nos Céus que se perca um só destes pequeninos».

— Se um homem tiver cem ovelhas e uma delas se tresmalhar

Eu quero um Deus assim! Não é um desejo. É uma constatação. Existe um Deus assim. É o Deus de Jesus Cristo. É como um pastor que, com carinho, cuida de todas as ovelhas, a começar pelas que andam «perdidas». Jesus não fala de ofensa, nem de culpa. Fala de perda. Para Jesus, o pecado não é uma questão de maldade ou de castigo; é uma questão de perda, de abandono.
Deus ama tanto os seus filhos. Deus ama-me tanto. Ele não pode, não quer, passar sem mim. Ele sabe o perigo que corro quando estou perdido. Por isso, quando me «perco», não descansa enquanto não me encontra. E quando me encontra faz uma festa, partilha com todos a sua alegria. E, porque Deus não falha (não pode falhar), que mais eu preciso para viver em paz, descanso, tranquilidade, alegria?
Há por aí tantas falsas «imagens» de Deus! Inventadas por nós. Talvez porque nos tenhamos esquecido de procurar Deus em Jesus Cristo e na mensagem. Talvez porque seja mais «útil» um Deus severo e castigador, para «obrigar» a ter um determinado comportamento. 
Então, se Deus não castiga, posso fazer o que me apetece?! Podes... mas o ser humano foi criado à imagem e semelhança de(ste) Deus para ser bom. Não para receber um prémio ou um castigo. Mas para que toda a Criação (e todas as pessoas) seja respeitada e cumpra a sua missão: viver em paz, ser feliz!


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 11.12.12 | Sem comentários

«Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo» — são as primeiras palavras que o mensageiro de Deus dirige a Maria. Esta expressão bíblica também se pode traduzir por: «Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo». «Alegra-te». É uma saudação de alegria, em ambiente de salvação. Maria é convidada a encher-se de alegria, porque Deus faz nela a sua morada.
O tempo de Advento é também para nós um convite à alegria. Mas parece que nos falta a alegria! Deixamo-nos contagiar pela tristeza de uma Igreja envelhecida! Jesus Cristo não continua a ser uma Boa Notícia? Não sentimos a alegria de ser seus discípulos? Quando falta a alegria, a fé perde frescura, a cordialidade desaparece, a amizade esfria-se, a vida perde sentido. Tudo se torna mais difícil. É urgente despertar em nós e nas nossas famílias a alegria de acreditar em Jesus Cristo!
«O Senhor está contigo». A alegria nasce da plena confiança em Deus. Não somos órfãos. Não estamos abandonados à nossa sorte. Deus não é nosso Pai? Não o invocamos todos os dias como Pai que nos acompanha e nos defende de todo o mal? São muitos os medos que nos paralisam. Temos medo do futuro, que parece cada vez mais incerto. Temos medo da nossa própria fraqueza e incapacidade para superar as dificuldades. Temos até medo de nos convertermos ao Evangelho. Esta falta de confiança em Deus faz-nos muito mal! Impede-nos de descobrir a esperança e a alegria da nossa fé.
Em Maria, encontramos uma mulher, um ser humano que foi capaz de manter sempre a confiança e a alegria em Deus. «Pela fé, Maria acolheu a palavra do Anjo e acreditou no anúncio de que seria Mãe de Deus na obediência da sua dedicação» — afirma o Papa no texto programático para este Ano da Fé. É isto que temos de imitar: confiar sempre em Deus, alegrarmo-nos pela sua presença na nossa vida. Hoje, também o mensageiro de Deus nos diz: Alegra-te, és cheio (ou cheia) de graça, Deus está contigo!

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 8.12.12 | Sem comentários
— palavra para quarta-feira da primeira semana de advento — 


— Evangelho segundo Mateus 15, 29-37

Naquele tempo, foi Jesus para junto do mar da Galileia e, subindo ao monte, sentou-Se. Veio ter com Ele uma grande multidão, trazendo coxos, aleijados, cegos, mudos e muitos outros, que lançavam a seus pés. Ele curou-os, de modo que a multidão ficou admirada, ao ver os mudos a falar, os aleijados a ficar sãos, os coxos a andar e os cegos a ver; e todos davam glória ao Deus de Israel. Então Jesus, chamando a Si os discípulos, disse-lhes: «Tenho pena desta multidão, porque há três dias que estão comigo e não têm que comer. Mas não quero despedi-los em jejum, pois receio que desfaleçam no caminho». Disseram-Lhe os discípulos: «Onde iremos buscar, num deserto, pães suficientes para saciar tão grande multidão?» Jesus perguntou-lhes: «Quantos pães tendes?» Eles responderam-Lhe: «Sete, e alguns peixes pequenos». Jesus ordenou então às pessoas que se sentassem no chão. Depois tomou os sete pães e os peixes e, dando graças, partiu-os e foi-os entregando aos discípulos e os discípulos distribuíram-nos pela multidão. Todos comeram até ficarem saciados. E com os pedaços que sobraram encheram sete cestos.

— Veio ter com Jesus uma grande multidão...

Curar os doentes. Saciar a fome da multidão. Uma única preocupação: contribuir para a alegria do ser humano. Eis um resumo da atividade de Jesus Cristo! Este relato é composto de duas partes: a multidão traz os doentes (coxos, aleijados, cegos, mudos e muitos outros) até Jesus, que os cura; Jesus toma a iniciativa de saciar a fome da multidão. 
A doença e a fome são duas (grandes) causas de sofrimento. E são os temas mais presentes nos evangelhos, porque também são as atividades onde Jesus investiu mais tempo. Certamente que não foi por acaso que os evangelistas registaram grande número de vezes em que Jesus se encontra a agir para curar ou para saciar a fome das pessoas.
A saúde a a comida são básicas para o bem-estar, para a alegria do ser humano. A falta de uma delas ou das duas provoca sempre sofrimento, provoca sempre um grau de infelicidade. Aqui todos os humanos coincidem, independentemente da cultura, raça, povo ou religião. E Jesus assume-as como duas das suas grandes preocupações. A «religião» de Jesus consiste em estar atento ao essencial, àquilo que nos humaniza. Jesus quer que todos vivam alegres. 
Talvez seja preciso reformular a nossa maneira de entender a religião! Ao contemplar a atividade de Jesus Cristo descrita no evangelho, questiono-me sobre o que tenho feito, nos últimos dias, para ajudar os outros a viverem alegres? Emprego parte do meu tempo para «curar» e «saciar a fome» dos outros, meus irmãos? 


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 5.12.12 | Sem comentários
— alimento semanal — Palavra do domingo — primeiro de Advento —

— Evangelho segundo Lucas 21, 25-28.34-36
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas e, na terra, angústia entre as nações, aterradas com o rugido e a agitação do mar. Os homens morrerão de pavor, na expectativa do que vai suceder ao universo, pois as forças celestes serão abaladas. Então, hão de ver o Filho do homem vir numa nuvem, com grande poder e glória. Quando estas coisas começarem a acontecer, erguei-vos e levantai a cabeça, porque a vossa libertação está próxima. Tende cuidado convosco, não suceda que os vossos corações se tornem pesados pela intemperança, a embriaguez e as preocupações da vida, e esse dia não vos surpreenda subitamente como uma armadilha, pois ele atingirá todos os que habitam a face da terra. Portanto, vigiai e orai em todo o tempo, para que possais livrar-vos de tudo o que vai acontecer e comparecer diante do Filho do homem».



— Erguei-vos e levantai a cabeça, porque a vossa libertação está próxima
O Ano Litúrgico começa com o tempo de Advento, quatro domingos (semanas) que nos preparam para celebrar o momento em que o Deus assume a nossa humanidade, faz-se um de nós para viver connosco. 
Não podemos esquecer que os nossos antepassados bíblicos — o povo hebreu — viveram toda a sua história como «advento», ou seja, como uma espera contínua pela vinda do Messias, do Salvador. 
Hoje, também nós vivemos a expectativa pela vinda definitiva do Reino de Deus. 
Na verdade, tanto o Antigo como o Novo Testamento estão cheios de belos textos sobre esta questão fundamental em toda a Escritura. Infelizmente, temos muita dificuldade em entender estes textos, porque foram escritos a partir de expectativas completamente diferentes e numa linguagem estranha para a nossa cultura. Mas a mensagem é simples de entender e de reter: aconteça o que acontecer, podemos ter total confiança em Deus porque ele salva-nos sempre. 
Talvez nos faça uma certa confusão o facto de a liturgia apontar numa dupla direção. Por um lado, convida-nos a estar em vigia para a vinda futura e definitiva de Cristo. Por outro lado, convida-nos a estar preparados para celebrar dignamente a primeira vinda, isto é, o nascimento de Jesus Cristo como ser humano. Ambas as perspectivas são hoje problemáticas. Celebrar o nascimento de Jesus como acontecimento histórico não servirá de nada se não nos sentirmos implicados com o que significou a sua vinda. Imaginar de forma literal a segunda vinda será lançar balões para o ar, exatamente para o extremo oposto. Estes dois extremos só serão referências importantes se nos levam a enfrentar adequadamente o presente. Não tem sentido hoje falar do fim do mundo ou de catástrofes futuras. Nem sequer da «futura vinda de Cristo». Agora, o importante não é que veio, nem que virá, mas que vem neste instante. Hoje, falar do futuro seja qual for a perspetiva é colocar-se fora de jogo e não aceitar a verdadeira mensagem dos textos bíblicos. Ficar apenas pela celebração de um facto histórico, não mudará nada na minha vida! Deus está a vir sempre. Se o encontro não acontece é porque estamos adormecidos; ou, o que é pior, estamos com a atenção posta noutra coisa. 
O evangelista convida a viver com esperança e otimismo. Deus não fica nem está indiferente ao ser humano. Jesus Cristo, o Filho Unigénito de Deus, vem habitar a nossa história. «Por nós, homens» — como dizemos no «Credo» e vamos aprofundar no tema desta semana. «Por nós homens». Por mim. Por ti. Por todos. Deus salva-nos através de Jesus Cristo: «erguei-vos e levantai a cabeça, porque a vossa libertação está próxima». Nós, comunidade cristã, não nos podemos deixar vencer pelo pessimismo que nos envolve: as dificuldades, a crise, o desalento, o desânimo, o catástrofe social... Não! Não nos podem fazer desfalecer! O convite do evangelho é de esperança e de alegria. É um desafio a fazer o que está ao nosso alcance para construir um mundo novo. 

Que sinais de esperança encontras no nosso mundo? 
Tal como nos propõe o (nosso) Arcebispo D. Jorge Ortiga, vivamos este tempo «entre o riso e um sorriso». «O Advento apresenta-se como um tempo no qual somos desafiados a sorrir: a passar do riso da descrença ao sorriso da confiança. [...] Peço às comunidades que sejam ‘profetas’ do anúncio da chegada do Messias [...]. E que não descurem o sorriso da confiança, que é o melhor testemunho que podemos dar de Deus». 
Vivamos este Advento com alegria, esperança e fé!

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 2.12.12 | Sem comentários

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 2.12.12 | Sem comentários
— Mensagem de Dom Jorge Ortiga, Arcebispo de Braga — 

Entre o riso e um sorriso 


Creio em Deus Pai todo-poderoso 


O Advento bate-nos à porta! 
Porque vivemos o Ano da Fé, gostaria de centrar esta mensagem a partir de uma história de fé, retirada da família de Abraão, o nosso «pai na fé». Abraão e Sara, sua esposa estéril, encontravam-se já em idade avançada quando são surpreendidos por uma promessa de Deus: «daqui a um ano, Sara será mãe!» (Génesis 18, 10) Perante aquela profecia, Sara perdeu-se de riso por incredulidade (Génesis 18, 12), pois considerava o facto impossível. Todavia, o facto tornou-se realidade e o riso da descrença na promessa transforma-se agora num sorriso de confiança, pois «Deus faz-me sorrir e todos, os que souberem, podem sorrir comigo!» (Génesis 21, 6). Como consequência, o nome deste filho só poderia ser Isaac, que significa «Deus sorri». 
Neste sentido, o Advento apresenta-se como um tempo no qual somos desafiados a sorrir: a passar do riso da descrença ao sorriso da confiança na promessa da vinda do Messias, que habitará no meio de nós. Trata-se sobretudo de um exercício de fé em «Deus Pai todo-poderoso»! E para este exercício semanal, ao ritmo do evangelho, proponho a caminhada que o nosso Departamento de Animação Bíblica da Pastoral preparou para este tempo.
Mas quem é este Deus, que é Pai e todo-poderoso? Deus é Pai porque o seu Filho, que se fez homem, nos disse. Dessa paternidade comum emerge a fraternidade na diferença: todos somos irmãos e irmãs com a mesma dignidade. E Deus é todo-poderoso porque é o Amor Supremo. Ele ama tudo, até a nossa fragilidade, como no caso de Sara! O poder de Deus reside no Seu amor, que transforma a realidade através da mediação de uma resposta livre à sua proposta: a fé. Esta é o antídoto da idolatria, que tantos profetas outrora denunciaram, como nos recordará a liturgia da Palavra, e que tantos ícones sociais contemporâneos nos tentam impor diariamente. 
«A fé, precisamente porque é um ato da liberdade humana, exige também assumir a responsabilidade social daquilo que se acredita» (Bento XVI, «A Porta da Fé», 10). Humanamente pode não haver muitas razões para sorrir, mas a nossa vigilância profética exige uma atenção especial aos irmãos desfigurados pela fatura social hodierna. A corresponsabilidade fraternal, como um dos rostos da fé, é assim um caminho que resgatará muitos da visão pessimista da vida.
Por último, um dos cantores que esteve presente no concerto de encerramento do Átrio dos Gentios tem uma música na qual se afirma: «Há sempre alguém que nos faz pensar um pouco»! Por isso, peço às comunidades que sejam «profetas» do anúncio da chegada do Messias, que nos revelará a identidade do Deus que nos criou e nos ama. Que empreguem Deus nos mais variados parâmetros da sociabilidade humana, fazendo os outros «pensar um pouco». E que, como Sara, não descurem o sorriso da confiança, que é simplesmente o melhor testemunho que podemos dar de Deus. 
Uma boa caminhada de Advento para todos nós! 

Jorge Ortiga, Arcebispo de Braga
23 de novembro de 2012



Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 1.12.12 | Sem comentários
  • Recentes
  • Arquivo