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Terça-feira da primeira semana de advento


Isaías 11, 1-10

Naquele dia, sairá um ramo do tronco de Jessé e um rebento brotará das suas raízes. Sobre ele repousará o espírito do Senhor: espírito de sabedoria e de inteligência, espírito de conselho e de fortaleza, espírito de conhecimento e de temor de Deus. Animado assim do temor de Deus, não julgará segundo as aparências, nem decidirá pelo que ouvir dizer. Julgará os infelizes com justiça e com sentenças retas os humildes do povo. Com o chicote da sua palavra atingirá o violento e com o sopro dos seus lábios exterminará o ímpio. A justiça será a faixa dos seus rins e a lealdade a cintura dos seus flancos. O lobo viverá com o cordeiro e a pantera dormirá com o cabrito; o bezerro e o leãozinho andarão juntos e um menino os poderá conduzir. A vitela e a ursa pastarão juntamente, suas crias dormirão lado a lado; e o leão comerá feno como o boi. A criança de leite brincará junto ao ninho da cobra e o menino meterá a mão na toca da víbora. Não mais praticarão o mal nem a destruição em todo o meu santo monte: o conhecimento do Senhor encherá o país, como as águas enchem o leito do mar. Nesse dia, a raiz de Jessé surgirá como bandeira dos povos; as nações virão procurá-la e a sua morada será gloriosa.

Como bandeira dos povos

A bandeira é sinal de identidade: a bandeira nacional, a bandeira de um clube ou associação... A sua exibição é sinal de convicção forte ou de vitória. Assim será também com a realidade instaurada pelo novo «rebento» de Jessé. Um grito de esperança! O anúncio de uma paz universal!
A sua maneira de proceder será de tal ordem justa e leal que proporcionará um «regresso ao paraíso» (expressão relacionada com o relato das origens presente no livro do Génesis), um tempo de paz universal. As realidades que expressam o contrário da convivência (lobo e cordeiro; pantera e cabrito; bezerro e leãozinho; vitela e ursa; leão e boi; criança e cobra; menino e víbora) tornar-se-ão no sinal evidente da paz universal. Definitivamente, o mal e a destruição serão banidos. 
O texto expressa a profunda convicção de que a violência não condiz com a vontade do Criador. Por certo, também não condiz com a aspiração mais profunda do ser humano. Há, por isso, uma nova esperança que brota da correspondência entre a vontade do Criador e o desejo profundo da criatura: a paz universal. Mais tarde, hão de ser anunciados «um novo céu e uma nova terra».
Em que mundo é que tudo isto será possível? Talvez não seja a pergunta mais correta, mas antes: como é que será possível instaurar esta paz universal? «Não mais praticarão o mal nem a destruição». A mudança fundamental tem de acontecer no coração do ser humano. 
Eis um dos grande oráculos messiânicos (anúncio do Messias) do livro de Isaías! A beleza (e em certo sentido a utopia) desta profecia começa a realizar-se em Jesus Cristo. O «homem novo» que vem reconciliar todas as coisas. Com Isaías, podemos acreditar que Jesus Cristo vem trazer a paz.

© Laboratório da fé, 2013




  • Reflexão proposta em 2012 a partir do evangelho (Lucas 10, 21-24) > > >



Terça-feira da primeira semana de Advento, Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 3.12.13 | Sem comentários

Segunda-feira da primeira semana de advento


Isaías 4, 2-6

Naquele dia, o gérmen do Senhor será o ornamento e a glória dos sobreviventes de Israel, o fruto da terra será o seu esplendor e alegria. Os que restarem em Sião e os sobreviventes de Jerusalém serão chamados santos, serão todos inscritos para a vida em Jerusalém. Quando o Senhor tiver lavado as impurezas das filhas de Sião e limpado o sangue do meio de Jerusalém, com o sopro da sua justiça, um sopro abrasador, Ele criará sobre todo o espaço do monte Sião e sobre as suas assembleias uma nuvem de fumo durante o dia e um esplendor de fogo ardente durante a noite. Por cima de tudo, a glória do Senhor será uma cobertura e uma tenda, para fazer sombra contra o calor do dia e servir de refúgio e abrigo contra a chuva e a tempestade.

Serão todos inscritos para a vida

O profeta anuncia uma promessa: a restauração (futura) do povo de Deus. Este acontecimento está associado a um «gérmen do Senhor». O «gérmen» é a semente que proporciona o (novo) crescimento. Algo novo vai acontecer a partir de um «resto» do povo («os que restarem... e os sobreviventes»). 
Costuma-se designar Isaías como o primeiro a desenvolver a teologia do «resto de Israel». Esta assumirá um papel fundamental na história do povo bíblico. 
Afirmar a existência de um «resto» é abrir a possibilidade de recuperação, de ressurgimento. Por isso, apesar de todas as contrariedades, o povo não será reduzido a nada, ao desaparecimento. «Os que restarem... os sobreviventes» estarão no início de uma restauração gloriosa. «Serão todos inscritos para a vida», sempre sob a proteção de DeusEste «resto» é uma prova de que Deus não abandona o seu povo.
No entanto, para que a restauração se realize haverá necessidade de uma ação purificadora levada a cabo por Deus: lavar «as impurezas das filhas» e toda a espécie de injustiças («sangue»). A purificação far-se-á através de um «sopro abrasador», ar e fogo. A renovação do ar produz um efeito saudável, renova a vida; assim como o fogo, cujo efeito purificador está muito presente em toda a Escritura. Ar e fogo serão dois símbolos usados para designar o Espírito Santo. A ação de Deus através de um «sopro abrasador» é a presença do Espírito Santo, o «sopro abrasador» de Deus que continua a renovar todas as coisas.
Os últimos versículos fazem referência ao simbolismo da «nuvem», sinal da presença de Deus, que surge no contexto da libertação do Egito e da travessia do deserto (Êxodo).
Neste Advento, dispostos a caminhar à luz do Senhor, deixemos que Deus tome a nossa vida, ainda que seja apenas um «resto»; mas Deus pode purificá-la através do Espírito Santo. À imagem de Isaías coloquemos um olhar de esperança em relação ao futuro; também nós temos a garantia de que Deus não nos abandona, mas está sempre connosco, iluminando-nos com a sua luz.

© Laboratório da fé, 2013



  • Reflexão proposta em 2012 a partir do evangelho (Mateus 8, 5-11) > > >



Segunda-feira da primeira semana de Advento, Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 2.12.13 | Sem comentários

Das Cartas Pastorais de São Carlos Borromeu


Eis chegado, irmãos caríssimos, o tempo tão celebrado e solene, o tempo favorável, como diz o Espírito Santo, os dias da salvação, da paz e da reconciliação. É o tempo que outrora os Patriarcas e Profetas tão ardentemente desejaram com seus votos e suspiros; o tempo que o justo Simeão finalmente pôde ver cheio de alegria, que a Igreja sempre tem celebrado solenemente, e que também nós devemos santificar em todo o momento com fervor, dando graças e louvores ao Pai eterno pela infinita misericórdia que nos revelou neste mistério: Ele enviou-nos seu Filho Unigénito, pelo imenso amor que tem aos homens, pecadores, para nos livrar da tirania e do império do demónio, convidar-nos para o Céu, revelar-nos os mistérios do seu reino celeste, mostrar-nos a luz da verdade, ensinar-nos o caminho da perfeição, comunicar-nos o gérmen das virtudes, enriquecer-nos com os tesouros da sua graça e, enfim, adoptar-nos como filhos seus e herdeiros da vida eterna.
Ao celebrar todos os anos este mistério, a Igreja convida-nos a renovar perpetuamente a memória do amor infinito que Deus mostrou para connosco; e ao mesmo tempo nos ensina que o advento de Cristo não foi apenas para os seus contemporâneos, mas que a sua eficácia nos é comunicada a todos nós, se quisermos receber, mediante a fé e os sacramentos, a graça que nos mereceu, e orientar de acordo com ela os costumes da nossa vida segundo os seus mandamentos.
Além disso, a Igreja espera fazer-nos compreender que assim como Ele veio uma vez, revestido da nossa carne, a este mundo, também está disposto, se não oferecermos resistência, a vir de novo, em qualquer hora e momento, para habitar espiritualmente em nossas almas com abundantes graças.
Por isso, a Igreja, como Mãe piedosa e solícita pela nossa salvação, ensina-nos durante este tempo, com diversas celebrações, com hinos, cânticos e outras vozes do Espírito Santo, a receber convenientemente e de coração agradecido este benefício tão grande e a enriquecer-nos com seu fruto, de modo que o nosso espírito se disponha para a vinda de Cristo nosso Senhor, com tanta solicitude como se Ele estivesse para vir novamente ao mundo e com a mesma diligência e esperança com que os Patriarcas do Antigo Testamento nos ensinaram, tanto em palavras como em exemplos, a preparar a sua vinda.

© Conferência Episcopal Portuguesa – Liturgia das Horas
Acta Ecclesiae Mediolanensis, t. 2, Lugduni, 1683, 916-917 (Sec. XVI)

Rezar o domingo primeiro de Advento (Ano A), no Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 2.12.13 | Sem comentários

VIVER O DOMINGO: ao ritmo da liturgia


Primeira semana de Advento


Uma luz que ilumina a vida

Eis o tempo de Advento: para salvar o seu povo, Deus há de vir, a sua chegada está próxima. Em Jesus Cristo realiza-se a promessa da salvação. E a palavra de Deus faz-nos viver todas as etapas, desde o profeta Isaías, que revela a esperança do seu povo e anuncia a paz, até à vinda do próprio Senhor Jesus Cristo, no final dos tempos, quando tudo atingirá a plenitude.
Já compreendemos o significado profundo deste tempo do Ano Litúrgico? 
O Advento é uma oportunidade para nos deixarmos iluminar (DOMINGO: «Caminhemos à luz do Senhor») pela «luz da fé». É um apelo a voltarmo-nos resolutamente para a realização do Reino (SEGUNDA: «Serão todos inscritos para a vida»), acolhendo a Luz que se levanta (TERÇA: «Como bandeira dos povos») e cantando a alegria (QUARTA: «Alegremo-nos e rejubilemos») da nossa fé.
O Advento é um tempo para nos confrontarmos com a «qualidade» da nossa confiança em Deus (QUINTA: «Confiai sempre no Senhor»). A confiança (fé) tem de ser sempre acompanhada pela alegria (SEXTA: «Os humildes alegrar-se-ão cada vez mais no Senhor») da vida, alicerçada na certeza de que Deus não nos abandona (SÁBADO: «O Senhor terá compaixão de ti»). Deus permanece ativo para nos fazer passar das trevas à luz.

A primeira semana de Advento é dedicada à análise das nossas rotinas: na fé, nos costumes, na moral, nas devoções… Iniciamos o Advento apoiados na luz do Senhor. Uma luz que ilumina a vida familiar, a educação dos filhos, a relação com os companheiros de trabalho, as tarefas domésticas, as responsabilidades sociais, o serviço aos outros… Neste Advento, o que vou fazer para caminhar «à luz do Senhor»?

© Laboratório da fé, 2013

Primeira semana de Advento, no Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 1.12.13 | Sem comentários

REZAR O DOMINGO PRIMEIRO DE ADVENTO

1 DE DEZEMBRO DE 2013


Isaías 2, 1-5

Visão de Isaías, filho de Amós, acerca de Judá e de Jerusalém: Sucederá, nos dias que hão-de vir, que o monte do templo do Senhor se há-de erguer no cimo das montanhas e se elevará no alto das colinas. Ali afluirão todas as nações e muitos povos acorrerão, dizendo: «Vinde, subamos ao monte do Senhor, ao templo do Deus de Jacob. Ele nos ensinará os seus caminhos e nós andaremos pelas suas veredas. De Sião há-de vir a lei e de Jerusalém a palavra do Senhor». Ele será juiz no meio das nações e árbitro de povos sem número. Converterão as espadas em relhas de arado e as lanças em foices. Não levantará a espada nação contra nação, nem mais se hão-de preparar para a guerra. Vinde, ó casa de Jacob, caminhemos à luz do Senhor.



Ambientação

Começamos o tempo de Advento, tempo de espera.
De entre as muitas formas que há para esperar, assinalo duas:
a de quem espera com medo a chegada do inimigo
e a de quem aguarda a chegada imprevista do amado.

Invoquemos a luz e a força do Espírito Santo.



Leitura

Proclamação de Isaías 2,1-5
Visão de Isaías, filho de Amós, acerca de Judá e de Jerusalém: Sucederá, nos dias que hão-de vir, que o monte do templo do Senhor se há-de erguer no cimo das montanhas e se elevará no alto das colinas. Ali afluirão todas as nações e muitos povos acorrerão, dizendo: «Vinde, subamos ao monte do Senhor, ao templo do Deus de Jacob. Ele nos ensinará os seus caminhos e nós andaremos pelas suas veredas. De Sião há-de vir a lei e de Jerusalém a palavra do Senhor». Ele será juiz no meio das nações e árbitro de povos sem número. Converterão as espadas em relhas de arado e as lanças em foices. Não levantará a espada nação contra nação, nem mais se hão-de preparar para a guerra. Vinde, ó casa de Jacob, caminhemos à luz do Senhor.

Para compreender melhor este texto,
procura cada um dos elementos que se apresentam a seguir
e tenta perceber a sua presença na passagem bíblica:
  • Isaías contempla as caravanas que sobem para Jerusalém para uma festa e sonha com um tempo em que todo o mundo responderá ao convite de Deus;
  • O caminho é de subida, não é fácil, mas a Palavra fascina e seduz;
  • Todos se animam mutuamente;
  • A humanidade transformada renunciará ao uso da violência e se dedicará a utilizar tudo em favor do desenvolvimento humano;
  • Procuremos resumir em poucas palavras: Qual é a mensagem de fé transmitida por este texto?



Meditação

Coloquemo-nos a caminho.
Deixemo-nos atrair pelo convite que a Igreja nos faz para esperar a chegada de Jesus Cristo.
Reflitamos e partilhemos o que esta passagem suscitou em cada um de nós.
Podem ajudar estas perguntas:
  • Que lugar ocupa na minha vida a Palavra de Deus?
  • É força e orientação para o caminho?
  • Como é que o sonho de Isaías nos pode ajudar a viver este Advento?



Oração

A liturgia abre com estas palavras:
«Despertai, Senhor, nos vossos fiéis
a vontade firme de se prepararem,
pela prática das boas obras,
para ir ao encontro de Cristo».
Cristo vem!
Dirijamo-nos a ele,
ansiando a sua vinda
a nós e ao nosso mundo.

Proclamamos de novo o texto de Isaías 2,1-5

Depois de um tempo de silêncio,
partilhamos a nossa oração com os outros membros do grupo.
Depois de cada intervenção, dizemos: «Vem, Senhor Jesus!».

Podemos terminar recitando juntos o salmo responsorial (Salmo 121 [122]):


Vamos com alegria para a casa do Senhor.

Alegrei-me quando me disseram:
«Vamos para a casa do Senhor».
Detiveram-se os nossos passos
às tuas portas, Jerusalém.

Para lá sobem as tribos, as tribos do Senhor,
segundo o costume de Israel,
para celebrar o nome do Senhor;
ali estão os tribunais da justiça,
os tribunais da casa de David.

Pedi a paz para Jerusalém:
«Vivam seguros quantos te amam.
Haja paz dentro dos teus muros,
tranquilidade em teus palácios».

Por amor de meus irmãos e amigos,
pedirei a paz para ti.
Por amor da casa do Senhor,
pedirei para ti todos os bens. 



As ruas adornam-se de luzes, as lojas comerciais preparam-se para as vendas, as casas enchem-se de doces e presentes. Nós, cristãos, o que esperamos? Aguardamos a vinda de quem? Como?
Aguardamos, com alegria e esperança, que tudo seja «tocado por Deus». Começamos por escutar a Palavra e por acolhê-la, preparando-lhe um lugar na nossa vida. Depois, contaremos a todos, como os pastores e os Magos, que fomos tocados. Dir-lhes-emos que nos empenhamos em percorrer o caminho que nos apartava de Deus quando ele já tinha percorrido o caminho em direção a nós.
O mundo ficará «tocado por Deus» porque «ele nos amou primeiro».



© www.verbodivino.es
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013

Rezar o domingo primeiro de Advento (Ano A), no Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 29.11.13 | Sem comentários

ANO CRISTÃO


«A Igreja 'distribui todo o mistério de Cristo pelo correr do ano, da Incarnação e Nascimento à Ascensão, ao Pentecostes, à expectativa da feliz esperança e da vinda do Senhor. Com esta recordação dos mistérios da Redenção, a Igreja oferece aos fiéis as riquezas das obras e merecimentos do seu Senhor, a ponto de os tornar como que presentes a todo o tempo, para que os fiéis, em contacto com eles, se encham de graça da salvação' (SC 102). O Ano Litúrgico constitui o alimento principal e a melhor pedagogia para crescer na incorporação em Cristo. O Ano Litúrgico deve ser o nervo da vida da comunidade» (Programa Pastoral [2013+14] da Arquidiocese de Braga, Portugal).

«O Ano Litúrgico é a sobreposição do percurso do ano normal com os mistérios da vida de Cristo, desde a encarnação até ao regresso glorioso» (YOUCAT 186). Nele recordamos e celebramos os principais acontecimentos da História da Salvação.
É importante recordar que o Ano Litúrgico celebra só e sempre o mistério de Cristo como centro da história salvífica e portanto «o domingo é o centro do tempo cristão, pois ao domingo celebramos a Ressurreição de Cristo, e cada domingo é uma pequena Páscoa» (YOUCAT 187).

Ciclo do Natal

Advento: inicia o Ano Litúrgico; começa quatro domingos antes do Natal e termina no dia 24 de dezembro. É um tempo de verdadeira espera, de alegria e de preparação para receber Jesus. A cor litúrgica é o roxo.
Natal: celebrado no dia 25 de dezembro com muita alegria, pois é a festa do Nascimento do Salvador, a Encarnação do Filho de Deus. Estende-se até a festa do Batismo de Jesus e a sua cor litúrgica é o branco.

Ciclo da Páscoa

Quaresma: começa na Quarta-Feira de Cinzas e termina no Domingo de Ramos, quando começa a Semana Santa. Compreende cinco semanas que nos preparam para a Páscoa, em sintonia com os quarenta anos que o povo de Israel passou no deserto e os quarenta dias em que Jesus foi tentado também no deserto. É um tempo de intenso sacrifício, jejum, esmola, oração, penitência e conversão. A cor litúrgica é o roxo.
O Tríduo Pascal – Quinta-Feira Santa, Sexta-feira Santa e Sábado Santo – conduz ao ponto máximo do Ano Litúrgico: o Domingo da Ressurreição. 
Tempo Pascal: a celebração da Páscoa não se restringe ao Domingo da Ressurreição. Estende-se ao longo de cinquenta dias até à solenidade de Pentecostes, a descida do Espírito Santo. A cor litúrgica é o branco.

Tempo Comum

Entre estes dois grandes ciclos temos o Tempo Comum. É o tempo que nos mostra o amor de Deus pelo ser humano e a Sua presença no mundo, um tempo de esperança e acolhimento da Palavra de Deus. Composto por 34 semanas, é dividido em duas partes: 
1.ª parte: começa após o Batismo de Jesus e acaba na terça-feira antes da Quarta-Feira de Cinzas.
2.ª parte: começa na segunda-feira após o Pentecostes e vai até o sábado anterior ao 1.º domingo do Advento. No último domingo do Tempo Comum, e portanto do Ano Litúrgico, celebramos a solenidade de Jesus Cristo Rei do Universo. A cor litúrgica é o verde.

Todo o Ano Litúrgico é cadenciado por festas do Senhor, de Maria e dos santos, nas quais a Igreja exalta a graça de Deus, que conduziu a humanidade à salvação.

© YOUCAT | Paulus
© Adaptação de Laboratório da fé, 2013
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor



  • Ano Litúrgico: ano cristão — textos publicados no Laboratório da fé > > >



Laboratório da fé celebrada, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 29.11.13 | Sem comentários

CAMINHEMOS À LUZ DO SENHOR


No inverno, mesmo os dias de sol parecem frios, a luminosidade é mais rara. Até dizemos que «os dias são mais pequenos». Ao início de cada manhã, ainda envolvidos pelo manto da noite, é preciso uma dose de coragem para sair de casa em direção à escola ou ao local de trabalho. Acontece que, nas nossas vidas, fazemos a experiência de momentos e de dias escurecidos pela ausência de esperança, carregados de um intenso nevoeiro. «O desânimo é como que um nevoeiro cerrado. E uma vez debaixo do nevoeiro, todo o cuidado é pouco: é preciso andar devagar, estar atento a todos os sinais e ter a convicção de que estamos na direção certa. E não adianta protestar: pois só com a paciência de saber esperar o raio de luz no caminho, se pode ultrapassar esse nevoeiro» (Mensagem do Arcebispo de Braga, Dom Jorge Ortiga).
Na verdade, carregados pelos afazeres pessoais, domésticos, profissionais, existenciais, vemo-nos envolvidos por um denso «nevoeiro», que até parece que Deus abandonou a nossa vida, o nosso mundo. O Deus que nos fala nos relatos bíblicos, o Deus a quem rezamos e invocamos no fervor das nossas assembleias, onde é que está nos momentos obscuros do nosso quotidiano?

Advento: caminhemos à luz do Senhor

Eis o tempo de Advento: para salvar o seu povo, Deus há de vir, a sua chegada está próxima. Em Jesus Cristo realiza-se a promessa da salvação. E a palavra de Deus faz-nos viver todas as etapas, desde o profeta Isaías, que revela a esperança do seu povo e anuncia a paz, até à vinda do próprio Senhor Jesus Cristo, no final dos tempos, quando tudo atingirá a plenitude. O Advento é um apelo a voltarmo-nos resolutamente para esta realização do Reino, acolhendo a Luz que se levanta e cantando a alegria da nossa fé. Abandonando as nossas sonolências, Jesus Cristo faz de nós as sentinelas da sua presença.
«Caminhemos à luz do Senhor»! A máxima do profeta Isaías é intemporal. O tempo de Advento é uma oportunidade para nos deixarmos iluminar pela «luz do Senhor», «a luz da fé». É um tempo para acolher alegremente o Senhor que vem iluminar as nossas vidas. Isaías é um desses génios que aparecem de vez em quando na história da humanidade. Viveu em Jerusalém por volta do ano 750 antes de Cristo. No meio de um tempo de angústia marcado pela ameaça do império assírio, Isaías tem uma missão fundamental: denunciar o mau comportamento do povo e dos seus chefes; anunciar o triunfo final de Deus.
A fidelidade do povo transformará o tempo de opressão em tempo de liberdade. Jerusalém será restaurada, voltar-se-á a louvar a Deus no templo. Por fim, Deus reinará sobre todas as coisas. Mas não é um reino exterior, uma manifestação de força e de poder. Trata-se de um reinado nos corações humanos, instruídos pela palavra de Deus. Os seres humanos caminharão segundo a vontade de Deus. É um resumo da (nossa) história!
Insistimos muitas vezes no final como catástrofe, mas a Bíblia está cheia de imagens que ilustram o triunfo final de Deus, a plenitude da humanidade que encontrará finalmente a luz de Deus (Jesus Cristo). Esta é a experiência que somos já convidados a viver neste Advento: «Caminhemos à luz do Senhor».

Laboratório da Fé celebrada

As celebrações litúrgicas – e de maneira especial a celebração da eucaristia de domingo – são os momentos em que o nosso ser cristão encontra toda a sua intensidade, toda a sua luminosidade, porque é a luz de Deus que nos visita e inunda a nossa vida. «Quatro perguntas, a refletir durante este tempo de nevoeiro e de procura (Advento): temos consciência de que a liturgia é uma ação onde damos glória a Deus e recebemos a sua salvação? A liturgia nutre a vida da comunidade, que é chamada a crescer na comunhão e na caridade? Há de facto uma estreita relação entre a celebração e a ação evangelizadora? Já compreendemos o significado profundo deste tempo do Ano Litúrgico? [...] Precisamos talvez de deixar que a fé nos transforme, de cultivar um estilo de vida paciente e de participar na liturgia com um outro sabor. Só assim é que a fé celebrada será uma autêntica luz que fará do Advento um tempo de esperança que conduz à alegria» (Mensagem do Arcebispo) de uma grande luz.

© Laboratório da fé, 2013



  • Caminhemos à luz do Senhor – primeiro domingo de Advento > > >
  • A justiça será a faixa dos seus rins – segundo domingo de Advento > > >
  • Eterna felicidade a iluminar-lhes o rosto – terceiro domingo de Advento > > >
  • A virgem conceberá e dará à luz um filho – quarto domingo de Advento > > >



Caminhemos à luz do Senhor
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 29.11.13 | Sem comentários
— palavra para segunda-feira da quarta semana de advento — 24 de dezembro —

— Evangelho segundo Lucas 1, 67-79

Naquele tempo, Zacarias, pai de João Baptista, ficou cheio do Espírito Santo e profetizou dizendo: «Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, que visitou e redimiu o seu povo e nos deu um salvador poderoso na casa de David, seu servo. Assim prometera desde os tempos antigos, pela boca dos seus santos Profetas, que nos libertaria dos nossos inimigos e das mãos de todos os que nos odeiam; que teria compaixão dos nossos pais, recordando a sua sagrada aliança e o juramento que fizera a Abraão, nosso pai: que nos concederia a graça de O servirmos um dia sem temor, livres das mãos dos nossos inimigos, em santidade e justiça, na sua presença, todos os dias da nossa vida. E tu, menino, serás chamado profeta do Altíssimo, porque irás à sua frente a preparar os seus caminhos, para dar a conhecer ao seu povo a salvação, pela remissão dos pecados; graças ao coração misericordioso do nosso Deus, que das alturas nos visita como sol nascente, para iluminar os que vivem nas trevas e na sombra da morte e dirigir os nossos passos no caminho da paz». 

— Para iluminar os que vivem nas trevas... 

Zacarias, pai de João (Batista), vê cumprida a promessa do nascimento do seu filho. Solta-se-lhe a língua. Proclama um hino de louvor a Deus. Este hino, proposto para o último dia de Advento, é rezado todos os dias pela manhã durante a Oração de Laudes na Liturgia das Horas (Oração diária proposta pela Igreja).
Zacarias profetiza a salvação que nos visita como o sol em cada manhã, «para iluminar os que vivem nas trevas [...] e dirigir os nossos passos no caminho da paz». É o anúncio da vinda de Jesus! A presença de Jesus conduz-nos sempre pelos caminhos da paz (bem diferente da primeira parte do texto em que se realça o lado negativo: salva dos inimigos e dos que nos odeiam). O Deus de Jesus Cristo é verdadeiramente um Deus de paz, um Deus que ilumina a vida de todos os seres humanos.

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 24.12.12 | Sem comentários
ANO C — ADVENTO — QUARTO DOMINGO — 23 DE DEZEMBRO DE 2012 —

Miq 5, 1-4a — Salmo 79 — Hebr 10, 5-10 — Lucas 1, 39-45 —

— A mãe do meu Senhor

O Advento faz-nos viver um dos aspetos mais dinâmicos da fé: a certeza de encontrar o Senhor no fim da espera. Ele assumiu a carne, «para fazer a vontade» de Deus. Este é o fundamento da nossa esperança, que hoje brilha no rosto de duas filhas de Abraão, o crente. No mesmo instante em que Maria se aproxima, Isabel percebe o mistério: Maria traz consigo aquele que é o «seu Senhor». Mistério da fé! Cada crente pode chamar Cristo de «meu Senhor!». Como Isabel, como Tomé: «Meu Senhor e meu Deus!». Nosso Senhor e nosso Deus é ele, o Verbo feito carne. Ele tem um corpo de homem e viveu ao ritmo do coração humano. A profunda humanidade da Igreja para com o ser humano é o melhor testemunho que ela pode oferecer.

— O que me pede o evangelho de hoje como preparação próxima do Natal?



Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 23.12.12 | Sem comentários
— palavra para o quarto domingo de advento —

— Evangelho segundo Lucas 1, 39-45

Naqueles dias, Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se apressadamente para a montanha, em direcção a uma cidade de Judá. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino exultou-lhe no seio. Isabel ficou cheia do Espírito Santo e exclamou em alta voz: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor? Na verdade, logo que chegou aos meus ouvidos a voz da tua saudação, o menino exultou de alegria no meu seio. Bem-aventurada aquela que acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor».

— Bem-aventurada aquela que acreditou

O relato é exclusivo do evangelho segundo Lucas. Esta visita de Maria à sua prima Isabel simboliza a visita de Deus ao povo hebreu. Em certo sentido, nesta visita resume-se toda a História da Salvação. Deus, que continuamente visita o seu povo vem agora visitar-nos definitivamente através do seu Filho, Jesus Cristo. Na verdade, Jesus, desde o ventre de sua mãe, começa a sua missão: levar aos outros a salvação e a alegria. 
Este relato diz-nos que a verdadeira salvação é sempre em benefício dos outros. Por isso, Maria vai «apressadamente» ao encontro da sua prima. Quem encontra a salvação, comunica-a imediatamente. A salvação não pode ficar fechada em si mesma. Se é verdadeira, será levada por nós a todo o lado. Deste contágio salvador brota a alegria que invade todos os personagens: a alegria de Maria, a alegria de Isabel, a alegria de João (Batista). Não esquecendo que a fonte desta alegria é Jesus, dentro do ventre de sua mãe. 
Este acontecimento de fé é recordado sempre que rezamos o «Credo»: dizemos que Jesus, pelo poder do Espírito Santo, encarnou «no seio da Virgem Maria». Se lermos com atenção, descobrimos que todo o relato do evangelho se converte num belo elogio a Maria! E é o Espírito Santo que provoca este louvor na boca de Isabel: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre». Quantas vezes se terão repetido estas palavras de louvor através dos séculos?! «Bem-aventurada aquela que acreditou». 
Maria é proclamada bem-aventurada porque manifesta uma confiança sem limites em Deus, no Deus que sempre quer o melhor para o ser humano. Que belo exemplo para contemplarmos neste «Ano da Fé»! Maria confia plenamente na palavra de Deus, na vontade de Deus. Este é o maior testemunho de fé. O que me pede o evangelho de hoje como preparação próxima do Natal? 

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 23.12.12 | Sem comentários
— palavra para sábado da terceira semana de advento — 22 de dezembro —

— Evangelho segundo Lucas 1, 46-56

Naquele tempo, Maria disse: «A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador. Porque pôs os olhos na humildade da sua serva: de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-poderoso fez em mim maravilhas, Santo é o seu nome. A sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que O temem. Manifestou o poder do seu braço e dispersou os soberbos. Derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes. Aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia, como tinha prometido a nossos pais, a Abraão e à sua descendência para sempre». Maria ficou junto de Isabel cerca de três meses e depois regressou a sua casa. 

— Maria disse: «A minha alma glorifica o Senhor»

Entre o povo hebreu era habitual compor hinos, cânticos, salmos, preces, como o comprova a própria Escritura. Este hino colocado pelo evangelista na boca de Maria insere-se neste contexto cultural judaico. 
Maria eleva para Deus um hino de louvor pela graça que lhe é concedida, ela que se considera uma humilde serva. O mérito não está nela, mas na misericórdia de Deus. E também porque não se manifesta apenas nela, mas estende-se por todas as gerações. Todo o hino está centrado na história humana, na qual Deus se torna presente: dispersa os soberbos, derruba os poderosos, exalta os humildes, entre os famintos de bens, despede os ricos de mãos vazias... E, em tudo, a misericórdia divina. 
O Deus revelado pelas palavras de Maria não se conforme com a sociedade vigente. Hoje, como ontem, é um Deus que deseja um mundo mais justo, mais humano. Esta é a verdadeira espiritualidade mariana. Quantas vezes procuramos em Maria práticas e devoções que se desviam dos evangelhos?! Queres imitar Maria? Toma este belo hino (Magnificat), reza-o e vive-o no teu dia a dia! E eis que o Natal acontecerá na tua vida e na vida dos teus irmãos!

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 22.12.12 | Sem comentários
— palavra para sexta-feira da terceira semana de advento — 21 de dezembro —

— Evangelho segundo Lucas 1, 39-45

 Naqueles dias, Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se apressadamente para a montanha, em direcção a uma cidade de Judá. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino exultou-lhe no seio. Isabel ficou cheia do Espírito Santo e exclamou em alta voz: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor? Na verdade, logo que chegou aos meus ouvidos a voz da tua saudação, o menino exultou de alegria no meu seio. Bem-aventurada aquela que acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor». 

— Bendita és tu entre as mulheres

Duas mulheres. Ambas grávidas. Uma anciã. Outra jovem. Isabel e Maria. Ambas são agraciadas com uma gravidez especial. O encontro entre elas é motivo de alegria e de festa. E até os filhos, João e Jesus, trazidos no ventre de cada uma delas vibram de alegria com este encontro.
A maternidade é fonte de vida. Por isso, na tradição judaica, ser mãe era a maior bênção que Deus concedia a uma mulher. Ao contrário, a esterilidade era sinal de maldição/castigo. Bem podemos dizer que o Deus de Jesus Cristo ama a vida; é a fonte do amor e da vida. 
Isabel saúda Maria com estas palavras: «bendita és tu entre todas as mulheres». Isabel alegra-se pela visita de Maria. Causa admiração e até alguma estranheza a consciência humilde de Isabel, pois era da família de Aarão, a mais importante das famílias sacerdotais. Também a proximidade de Jesus provoca a alegria de João. A alegria é sinal da presença de Jesus. 
Maria, bendita entre todas as mulheres, transporta no seu seio aquele que é a fonte da alegria. O tempo de Advento é para ser vivido com alegria, com esperança e com fé. Mas o tema dominante na sociedade de hoje não é a alegria, mas o anúncio do fim do mundo, devido à suposta «profecia» dos maias. Seria muito mais útil e saudável se nós cristãos formos capazes de transportar a alegria, sinal da presença de Jesus, que pode tornar o mundo diferente: mais justo e mais humano.

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 21.12.12 | Sem comentários
Entre o rumor da minha vida que vai por aí,
entre as horas de tom cinzento do meu dia,
oiço o alento e a esperança na tua voz.
Procuro a riqueza desse olhar fixo em mim
na aventura do caminho que vou trilhando,
na batalha que travo entre o meu e o teu querer.
E descubro que vives muito para além de mim
e, no entanto, sem eu querer tudo esperas
para que não seja só eu, mas agora tu comigo
na felicidade que me conforta por muito crer.

Por isso Te peço:
contemplar-Te só a Ti,
viver a vida como reflexo de Ti em mim.
E em tudo ser capaz de tocar tua alegria
que preenche todas as minhas sedes
e em tudo ser capaz da tua paz sem fim,
para que vivas, para que vivas tu em mim.


E alegrar-me sempre em Ti
para poder dizer a alegria de Ti em mim.
E alegrar-me sempre em Ti.
Viver a vida como dom por fim
para viver pra Ti sempre viver...

E alegrar-me sempre em Ti.
Viver a vida como dom por fim
para viver para Ti sempre viver...

Letra e Música de Tarcízio Morais
© Um Só Senhor
© Edições Salesianas

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 19.12.12 | Sem comentários
— palavra para terça-feira da terceira semana de advento — 18 de dezembro —

— Evangelho segundo Mateus 1, 18-25

O nascimento de Jesus deu-se do seguinte modo: Maria, sua Mãe, noiva de José, antes de terem vivido em comum, encontrara-se grávida por virtude do Espírito Santo. Mas José, seu esposo, que era justo e não queria difamá-la, resolveu repudiá-la em segredo. Tinha ele assim pensado, quando lhe apareceu num sonho o Anjo do Senhor, que lhe disse: «José, filho de David, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que nela se gerou é fruto do Espírito Santo. Ela dará à luz um Filho e tu pôr-Lhe-ás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados». Tudo isto aconteceu para se cumprir o que o Senhor anunciara por meio do Profeta, que diz: «A Virgem conceberá e dará à luz um Filho, que será chamado ‘Emanuel’, que quer dizer ‘Deus connosco’». Quando despertou do sono, José fez como o Anjo do Senhor lhe ordenara e recebeu sua esposa. 

— Pôr-lhe-ás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados

Os «evangelhos da infância» (nome dado aos primeiros capítulos de Mateus e de Lucas) são construções narrativas interessadas em destacar mais os aspetos divinos de Jesus do que a sua humanidade. Há entre os exegetas a discussão sobre o carácter «histórico» destes textos. Recentemente, o Papa Bento XVI publicou o terceiro volume sobre Jesus onde defende a consistência histórica destes acontecimentos...
O tempo de Advento (e Natal) coloca-nos perante uma realidade fundamental da fé cristã: em Jesus Cristo, Deus humanizou-se, Deus assume a nossa condição humana. O mistério da Encarnação revela-nos que o Filho de Deus é verdadeiramente homem (sem anular a sua condição divina). No entanto, continua a ser difícil para muitos cristãos assumir esta realidade. Parece mais fácil aceitar a divindade de Jesus Cristo, remetendo-o para a esfera do transcendente, do que afirmar a sua natureza humana, mostrando que é no humano que podemos encontrar Deus.
Deus revela-se em Jesus Cristo, que é a plenitude do ser humano. O ensinamento religioso que o texto transmite é que Jesus não foi um homem qualquer; foi um ser humano singular, único, que veio ao mundo por ação direta de Deus: «Maria [...] encontrara-se grávida por virtude do Espírito Santo».
O texto também dá a conhecer a identidade e missão de Jesus: ser sinal da salvação oferecida por Deus a toda a Criação. Como é costume na tradição bíblica, o nome remete para a identidade e missão do personagem: «Pôr-lhe-ás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados». Falar de «pecado» é falar de tudo o que é causado pela «maldadeo. A missão de Jesus é libertar-nos da mal, da dor, da ofensa, da desgraça, que diariamente causamos uns aos outros. Mas, para que isso aconteça, é preciso que eu o acolha como «Emanuel», como «Deus connosco». Esta é a verdadeira fonte da nossa alegria!

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 18.12.12 | Sem comentários
— palavra para segunda-feira da terceira semana de advento — 17 de dezembro —

— Evangelho segundo Mateus 1, 1-17

Genealogia de Jesus Cristo, Filho de David, Filho de Abraão: Abraão gerou Isaac; Isaac gerou Jacob; Jacob gerou Judá e seus irmãos. Judá gerou, de Tamar, Farés e Zara; Farés gerou Esrom; Esrom gerou Arão; Arão gerou Aminadab; Aminadab gerou Naasson; Naasson gerou Salmon; Salmon gerou, de Raab, Booz; Booz gerou, de Rute, Obed; Obed gerou Jessé; Jessé gerou o rei David. David, da mulher de Urias, gerou Salomão; Salomão gerou Roboão; Roboão gerou Abias; Abias gerou Asa; Asa gerou Josafat; Josafat gerou Jorão; Jorão gerou Ozias; Ozias gerou Joatão; Joatão gerou Acaz; Acaz gerou Ezequias; Ezequias gerou Manassés; Manassés gerou Amon; Amon gerou Josias; Josias gerou Jeconias e seus irmãos, ao tempo do desterro de Babilónia. Depois do desterro de Babilónia, Jeconias gerou Salatiel; Salatiel gerou Zorobabel; Zorobabel gerou Abiud; Abiud gerou Eliacim; Eliacim gerou Azor; Azor gerou Sadoc; Sadoc gerou Aquim; Aquim gerou Eliud; Eliud gerou Eleazar; Eleazar gerou Matã; Matã gerou Jacob; Jacob gerou José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, chamado Cristo. Assim, todas estas gerações são: de Abraão a David, catorze gerações; de David ao desterro de Babilónia, catorze gerações; do desterro de Babilónia até Cristo, catorze gerações. 

— Genealogia de Jesus Cristo

A partir do dia de hoje, 17 de dezembro, a liturgia assume uma dinâmica própria. É a oitava (oito dias) que antecede o Natal. Suspendem-se os dias feriais do Advento e cada dia apresenta referências bíblicas próprias, para destacar a importância da preparação próxima para o Natal. Este itinerário inicia-se com o texto do evangelho segundo Mateus em que se descreve a «Genealogia de Jesus Cristo». 
A lista dos antepassados de Jesus Cristo, de acordo com a perspectiva do evangelista, não é muito edificante. Ao contrário dos grandes «heróis» em que se procura esconder os aspetos menos positivos da sua vida e dos seus antepassados, neste caso parece exatamente o contrário. Esta genealogia assume muito claramente a identidade humana de Jesus Cristo ao destacar antepassados que demonstram a fragilidade do ser humano.
Outra característica própria desta genealogia é a referência a quatro mulheres: Tamar, Raab, Rute e a mulher de Urias (Betsabé). Estas quatro mulheres não pertencem ao povo judeu: Tamar é arameia, Raab é cananeia, Rute é moabita, e a Betsabé é hitita. Desta forma, o evangelista mostra-nos que a «família» de Jesus ultrapassa barreiras culturais e religiosas. 
Em Jesus Cristo, Deus humaniza-se, assume a nossa humanidade. Os evangelhos interessam-se mais pela humanidade concreta («histórica») de Jesus Cristo do que pela humanidade ontológica. Só levando a sério o humano seremos capazes de chegar ao divino!


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 17.12.12 | Sem comentários
ANO C — ADVENTO — TERCEIRO DOMINGO — 16 DE DEZEMBRO DE 2012 —

Sof 3, 14-18a — Salmo (Is 12) — Filip 4, 4-7 — Lucas 3, 10-18 —

— Ele dá-nos a sua alegria

O profeta exagera! «Clama jubilosamente, [...] solta brados de alegria». Paulo exagera: «Alegrai-vos sempre no Senhor»! E a tristeza, sempre presente? A Palavra revela-nos uma realidade que nos ultrapassa: «O Senhor teu Deus está no meio de ti [...]. Por causa de ti, Ele enche-Se de júbilo [...] exulta de alegria por tua causa». Deus é, em nós, mais íntimo do que nós mesmos. Neste domingo, no evangelho, escutamos a voz de João Batista, o seu testemunho; aquele que é feliz ao preparar a vinda do Senhor e a sublinhar a ligação entre Jesus Cristo e o Espírito Santo. A eucaristia testemunha esta ligação: Jesus Cristo está no meio de nós e dá-nos a alegria de filhos de Deus pelo Espírito Santo que nos habita desde o Batismo.

— O que tens de fazer para viver sempre alegre?



 

 


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 16.12.12 | Sem comentários
Neste Advento, somos convidados a viver «entre o riso e um sorriso», sob o signo da alegria, da esperança e da fé. A fonte desta alegria é a presença, em nós, de Jesus Cristo, que é Emanuel, Deus connosco, que «encarnou pelo Espírito Santo». No Antigo Testamento, a alegria está baseada na promessa de uma salvação que vai chegar. Hoje, estamos em condições para dar mais um passo e descobrir que a salvação já chegou porque Deus já chegou. Não estamos alegres porque Deus está próximo, mas porque Deus já está em nós. Esta alegria é como a água de uma fonte: só a vemos quando aparece à superfície; mas antes percorreu um longo caminho através das entranhas da terra. Deixemos que a presença de Deus que nos habita venha «à superfície», se dê a conhecer num estilo de vida alegre e cheio de esperança.
Jesus convida-nos a descobrir o amor que é Deus presente dentro de nós e a agirmos em conformidade. Continuar a esperar a salvação de Deus é a melhor prova de que não a descobrimos dentro de nós e continuamos ansiosos pensando que nos vai chegar a partir de fora! Grande parte dos cristãos situa-se numa dinâmica religiosa absurda, sem sentido. Estão dispostos a fazer todos os sacrifícios e renúncias, contando que depois Deus lhes dê como prémio o cumprimento de todos os desejos pessoais. Fazem tudo para que Deus não tenha outro remédio senão dar a salvação que lhe pedem. Em nome da religião, até deram um preço a essa salvação: se fazes isto e deixas de fazer aquilo, tens assegurada a salvação. Ora, isto não tem nada a ver com o evangelho. A Incarnação de Jesus Cristo revela-nos um Deus que se humaniza, que se faz um de nós, que habita em nós, que vive em cada um de nós. Esta tem de ser a causa da nossa alegria. De facto, a alegria de que fala a liturgia de hoje não tem nada a ver com a ausência de problemas ou com a satisfação dos nossos desejos. A alegria não é o contrário da dor ou do sofrimento. Se penso que o fundamento da minha alegria está em obter tudo o que desejo, estou a entrar num beco sem saída. Porque provavelmente não vai ser assim como eu imagino ou quero. E depois fico desanimado ou até revoltado.

O que tens de fazer para viver sempre alegre? Não perguntes a ninguém o que tens de fazer. A tua meta tem de ser alcançar a tua plenitude. E não pode haver alegria quando nos sentimos constrangidos ou fazemos as coisas por obrigação, por medo ou até porque não temos alternativa... Isso é um ato de violência sobre nós próprios. A resposta que temos de dar à pergunta — o que tens de fazer para viver sempre alegre? — é muito simples: Partilhar. O quê? Como? Quando? Onde? Tenho que ser eu a descobrir. Não se trata de fazer isto ou deixar de fazer aquilo num determinado momento, mas de assumir um estilo de vida de atenção permanente à necessidade concreta do outro que precisa de mim. A partir de dentro jorra, em todas as direções, uma profunda humanidade. Assim viveu Jesus. É aí que encontraremos a alegria.

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 16.12.12 | Sem comentários
— palavra para domingo da terceira semana de advento —

— Evangelho segundo Lucas 3, 10-18

Naquele tempo, as multidões perguntavam a João Batista: «Que devemos fazer?». Ele respondia-lhes: «Quem tiver duas túnicas reparta com quem não tem nenhuma; e quem tiver mantimentos faça o mesmo». Vieram também alguns publicanos para serem baptizados e disseram: «Mestre, que devemos fazer?». João respondeu-lhes: «Não exijais nada além do que vos foi prescrito». Perguntavam-lhe também os soldados: «E nós, que devemos fazer?». Ele respondeu-lhes: «Não pratiqueis violência com ninguém nem denuncieis injustamente; e contentai-vos com o vosso soldo». Como o povo estava na expectativa e todos pensavam em seus corações se João não seria o Messias, ele tomou a palavra e disse a todos: «Eu batizo-vos com água, mas está a chegar quem é mais forte do que eu, e eu não sou digno de desatar as correias das suas sandálias. Ele batizar-vos-á com o Espírito Santo e com o fogo. Tem na mão a pá para limpar a sua eira e recolherá o trigo no seu celeiro; a palha, porém, queimá-la-á num fogo que não se apaga». Assim, com estas e muitas outras exortações, João anunciava ao povo a Boa Nova».

— Que devemos fazer?

João Batista prega a generosidade e o desprendimento. Em certo sentido, as suas propostas não passam de um moralismo ocasional. Uma prática muito repetida ao longo da história da Igreja: dar o que sobra, não exigir mais do que o devido, não se aproveitar dos mais frágeis... 
«Que devemos fazer?» — perguntam a João Batista. Ele responde com a necessidade de mudar a maneira de pensar e de agir. Pede aos que o escutam uma determinada conduta moral para escapar ao castigo iminente. Jesus propõe-nos uma motivação mais profunda. O objetivo não é escapar à ira de Deus, mas imitá-lo na atitude de entrega aos outros.
Jesus vai mais longe! A «Boa Nova» de Jesus Cristo é muito mais do que evitar o pecado e praticar as virtudes em determinados momentos. O Evangelho de Jesus Cristo propõe uma atitude de vida, uma maneira de viver que marca toda a existência. Não se trata de fazer o bem agora ou depois. Trata-se de viver mergulhado no bem, proporcionar um ambiente onde se respira sempre o estilo de vida proposto por Jesus Cristo.

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 16.12.12 | Sem comentários
— palavra para sábado da segunda semana de advento —

— Evangelho segundo Mateus 17, 10-13

Ao descerem do monte, os discípulos perguntaram a Jesus: «Porque dizem os escribas que Elias tem de vir primeiro?» Jesus respondeu-lhes: «Certamente Elias há de vir para restaurar todas as coisas. Eu vos digo, porém, que Elias já veio; mas, em vez de o reconhecerem, fizeram-lhe tudo o que quiseram. Assim também o Filho do homem será maltratado por eles». Então os discípulos compreenderam que Jesus lhes falava de João Baptista.

— Mas Eu digo-vos que Elias já veio e não o reconheceram

Existia, entre os judeus, uma crença popular que sugeria a segunda vinda do profeta Elias (cf. Malaquias 3, 23). Seria uma espécie de precursor. Como Elias ainda não veio, Jesus não pode ser o Messias! Ora, foi essa a missão de João Batista. Por isso, Jesus afirma que «Elias já veio». Como sabemos, este «Elias» (João Batista) foi preso e degolado, teve um fim trágico.
O desenlace final de João Batista aponta para o desenlace final de Jesus Cristo. Ambos vão percorrer o mesmo caminho (prisão e morte), tal como diz o texto: «Assim também o Filho do homem será maltratado». João e Jesus enfrentam os mesmos adversários (poder).
O poder convive mal com a liberdade, com os homens livres que promovem a uma vida autêntica, sem opressão nem qualquer tipo de domínio. A bondade e a misericórdia são o único caminho proposto por Jesus Cristo, mesmo quando se vislumbra a perseguição e a morte!


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 15.12.12 | Sem comentários
— palavra para sexta-feira da segunda semana de advento —

— Evangelho segundo Mateus 11, 16-19

Naquele tempo, disse Jesus à multidão: «A quem poderei comparar esta geração? É como os meninos sentados nas praças, que se interpelam uns aos outros, dizendo: ‘Tocámos flauta e não dançastes; entoámos lamentações e não chorastes’. Veio João Baptista, que não comia nem bebia, e dizem que tinha o demónio com ele. Veio o Filho do homem, que come e bebe, e dizem: ‘É um glutão e um ébrio, amigo de publicanos e pecadores’. Mas a sabedoria foi justificada pelas suas obras». 

— É um glutão e um ébrio, amigo de publicanos e pecadores

Dois estilos de vida. Duas pessoas. João Batista e Jesus Cristo. João viveu, no deserto, como um asceta, privado de quase tudo. Jesus viveu, no meio do povo, igual a todos os outros, a ponto de ser chamado de «glutão» e «ébrio». Mas, pelos vistos, nem um nem outro agradou à maioria do povo. 
Jesus Cristo é a «sabedoria» de Deus, «justificada pelas suas obras». A proposta de vida cristã não se fundamenta numa simples teoria, mas na prática, na vivência diária. As obras de Jesus, «amigo de publicanos e pecadores», dão a conhecer um estilo de vida. Eis a importância de assumir um estilo de vida igual ao de Jesus Cristo.
A relação com os outros marca a atitude de vida cristã. Jesus Cristo preocupa-se em aliviar o sofrimento, em curar, em contagiar os outros com alegria, em dar razões para a esperança, em ser amigo de todos (incluindo publicanos e pecadores, que eram os mais «marginalizados» pela sociedade judaica do seu tempo). E é assim, assumindo este estilo de vida, que se pode manifestar também hoje, em nós, a «sabedoria» de Deus.

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 14.12.12 | Sem comentários
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