Mostrar mensagens com a etiqueta A luz da fé. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta A luz da fé. Mostrar todas as mensagens

Carta encíclica sobre a fé [28]


Esta descoberta do amor como fonte de conhecimento, que pertence à experiência primordial de cada ser humano, encontra uma expressão categorizada na concepção bíblica da fé. Israel, saboreando o amor com que Deus o escolheu e gerou como povo, chega a compreender a unidade do desígnio divino, desde a origem à sua realização. O conhecimento da fé, pelo facto de nascer do amor de Deus que estabelece a Aliança, é conhecimento que ilumina um caminho na história. É por isso também que, na Bíblia, verdade e fidelidade caminham juntas: o Deus verdadeiro é o Deus fiel, Aquele que mantém as suas promessas e permite, com o decorrer do tempo, compreender o seu desígnio. Através da experiência dos profetas, no sofrimento do exílio e na esperança de um regresso definitivo à Cidade Santa, Israel intuiu que esta verdade de Deus se estendia mais além da própria história, abraçando a história inteira do mundo a começar da criação. O conhecimento da fé ilumina não só o caminho particular de um povo, mas também o percurso inteiro do mundo criado, desde a origem até à sua consumação.

A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»]
A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»] — pdf

  • A luz da fé — números publicados no Laboratório da fé > > >



Refletir... saborear

  • O amor é fonte de conhecimento
  • O povo de Israel, pela experiência do amor, chega à fé
  • O conhecimento da fé nasce do amor de Deus
  • O conhecimento da fé ilumina o caminho
  • Na Bíblia, verdade e fidelidade caminham juntas
  • O povo de Israel, pela sua experiência, intuiu que a presença de Deus em toda a história
  • O conhecimento da fé ilumina a Criação inteira
  • Em que medida o amor é fonte de conhecimento?
  • Como é que o povo de Israel chega à fé?
  • Porque é que, na Bíblia, verdade e fidelidade caminham juntas?
  • Como é que o conhecimento da fé é capaz de ilumina a Criação inteira?
© Laboratório da fé, 2013

Partilha connosco a tua reflexão!


Papa Francisco, Carta Encíclica sobre a fé (Lumen Fidei — A luz da fé)
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 8.9.13 | Sem comentários

Carta encíclica sobre a fé [27]


É conhecido o modo como o filósofo Ludwig Wittgenstein explicou a ligação entre a fé e a certeza. Segundo ele, acreditar seria comparável à experiência do enamoramento, concebida como algo de subjetivo, impossível de propor como verdade válida para todos [19]. De facto, aos olhos do ser humano moderno, parece que a questão do amor não teria nada a ver com a verdade; o amor surge, hoje, como uma experiência ligada, não à verdade, mas ao mundo inconstante dos sentimentos.
Mas, será esta verdadeiramente uma descrição adequada do amor? Na realidade, o amor não se pode reduzir a um sentimento que vai e vem. É verdade que o amor tem a ver com a nossa afetividade, mas para a abrir à pessoa amada, e assim iniciar um caminho que faz sair da reclusão no próprio eu e dirigir-se para a outra pessoa, a fim de construir uma relação duradoura; o amor visa a união com a pessoa amada. E aqui se manifesta em que sentido o amor tem necessidade da verdade: apenas na medida em que o amor estiver fundado na verdade é que pode perdurar no tempo, superar o instante efémero e permanecer firme para sustentar um caminho comum. Se o amor não tivesse relação com a verdade, estaria sujeito à alteração dos sentimentos e não superaria a prova do tempo. Diversamente, o amor verdadeiro unifica todos os elementos da nossa personalidade e torna-se uma luz nova que aponta para uma vida grande e plena. Sem a verdade, o amor não pode oferecer um vínculo sólido, não consegue arrancar o «eu» para fora do seu isolamento, nem libertá-lo do instante fugidio para edificar a vida e produzir fruto.
Se o amor tem necessidade da verdade, também a verdade precisa do amor; amor e verdade não se podem separar. Sem o amor, a verdade torna-se fria, impessoal, gravosa para a vida concreta da pessoa. A verdade que buscamos, a verdade que dá significado aos nossos passos, ilumina-nos quando somos tocados pelo amor. Quem ama, compreende que o amor é experiência da verdade, compreende que é precisamente ele que abre os nossos olhos para verem a realidade inteira, de maneira nova, em união com a pessoa amada. Neste sentido, escreveu São Gregório Magno que o próprio amor é um conhecimento [20], traz consigo uma lógica nova. Trata-se de um modo relacional de olhar o mundo, que se torna conhecimento partilhado, visão na visão do outro e visão comum sobre todas as coisas. Na Idade Média, Guilherme de Saint Thierry adopta esta tradição, ao comentar um versículo do Cântico dos Cânticos no qual o amado diz à amada: «Como são lindos os teus olhos de pomba!» (Cântico dos Cânticos 1, 15) [21]. Estes dois olhos — explica Saint Thierry — são a razão crente e o amor, que se tornam um único olhar para chegar à contemplação de Deus, quando a inteligência se faz «entendimento de um amor iluminado» [22].

[19] Cf. G. H. von Wright (coord.), Vermischte Bemerkungen / Culture and Value (Oxford 1991), 32-33 e 61-64
[20] Cf. Homiliae in Evangelia, II, 27, 4: PL 76, 1207 (« amor ipse notitia est »)
[21] Cf. Expositio super Cantica Canticorum, XVIII, 88: CCL, Continuatio Mediaevalis, 87, 67
[22] Ibid., XIX, 90: o. c., 87, 69


A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»]
A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»] — pdf

  • A luz da fé — números publicados no Laboratório da fé > > >



Refletir... saborear

  • A modernidade pretende separar o amor da verdade
  • A modernidade quer reduzir o amor ao campo dos sentimentos
  • O amor não se pode reduzir a um sentimento passageiro
  • O amor tem como finalidade a união com a pessoa amada
  • O amor tem necessidade da verdade
  • O amor fundado na verdade permanece no tempo
  • O amor fundado na verdade supera o instante efémero
  • O amor fundado na verdade permanece firme para sustentar o caminho comum
  • Sem a verdade, o amor não permanece no tempo
  • Sem a verdade, o amor não pode oferecer um vínculo sólido
  • A verdade precisa do amor, como o amor precisa da verdade
  • Amor e verdade não se podem separar
  • Sem o amor, a verdade torna-se fria
  • Sem o amor, a verdade torna-se impessoal
  • Quem ama, compreende que o amor é experiência da verdade
  • Quem ama, compreende que o amor abre os nossos olhos para ver de maneira nova
  • O amor é um modo relacional de olhar o mundo
  • O amor proporciona uma visão comum sobre as coisas
  • A razão crente e o amor formam um único olhar para chegar à contemplação de Deus
  • O que é o amor?
  • Porque é que alguns querem separar o amor da verdade?
  • Pode-se reduzir o (verdadeiro) amor a um mero sentimento?
  • Que relação existe entre amor e verdade?
  • Amor e verdade não se podem separar? Porquê?
© Laboratório da fé, 2013

Partilha connosco a tua reflexão!


Papa Francisco, Carta Encíclica sobre a fé (Lumen Fidei — A luz da fé)
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 7.9.13 | Sem comentários

Carta encíclica sobre a fé [26]


Nesta situação, poderá a fé cristã prestar um serviço ao bem comum relativamente à maneira correta de entender a verdade? Para termos uma resposta, é necessário refletir sobre o tipo de conhecimento próprio da fé. Pode ajudar-nos esta frase de Paulo: «Acredita-se com o coração» (Romanos 10, 10). Este, na Bíblia, é o centro do ser humano, onde se entrecruzam todas as suas dimensões: o corpo e o espírito, a interioridade da pessoa e a sua abertura ao mundo e aos outros, a inteligência, a vontade, a afetividade. O coração pode manter unidas estas dimensões, porque é o lugar onde nos abrimos à verdade e ao amor, deixando que nos toquem e transformem profundamente. A fé transforma a pessoa inteira, precisamente na medida em que ela se abre ao amor; é neste entrelaçamento da fé com o amor que se compreende a forma de conhecimento própria da fé, a sua força de convicção, a sua capacidade de iluminar os nossos passos. A fé conhece na medida em que está ligada ao amor, já que o próprio amor traz uma luz. A compreensão da fé é aquela que nasce quando recebemos o grande amor de Deus, que nos transforma interiormente e nos dá olhos novos para ver a realidade.

A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»]
A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»] — pdf

  • A luz da fé — números publicados no Laboratório da fé > > >



Refletir... saborear

  • Na Bíblia, o coração é o centro do ser humano
  • No coração, entrecruzam-se a interioridade e a abertura aos outros
  • No coração, entrecruzam-se a inteligência, a vontade, a afetividade
  • O coração é o lugar onde nos abrimos à verdade e ao amor
  • A fé transforma quando se abre ao amor
  • A fé conhece na medida em que está ligada ao amor
  • A compreensão da fé nasce do grande dom do amor de Deus
  • Porque é que, na Bíblia, o coração é o centro do ser humano?
  • Que relação existe entre a fé e o amor?
© Laboratório da fé, 2013

Partilha connosco a tua reflexão!


Papa Francisco, Carta Encíclica sobre a fé (Lumen Fidei — A luz da fé)
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 6.9.13 | Sem comentários

Carta encíclica sobre a fé [25]


Lembrar esta ligação da fé com a verdade é hoje mais necessário do que nunca, precisamente por causa da crise de verdade em que vivemos. Na cultura contemporânea, tende-se frequentemente a aceitar como verdade apenas a da tecnologia: é verdadeiro aquilo que o ser humano consegue construir e medir com a sua ciência; é verdadeiro porque funciona, e assim torna a vida mais cómoda e aprazível. Esta verdade parece ser, hoje, a única certa, a única partilhável com os outros, a única sobre a qual se pode conjuntamente discutir e comprometer-se; depois haveria as verdades do indivíduo, como ser autêntico face àquilo que cada um sente no seu íntimo, válidas apenas para o sujeito mas que não podem ser propostas aos outros com a pretensão de servir o bem comum. A verdade grande, aquela que explica o conjunto da vida pessoal e social, é vista com suspeita. Porventura não foi esta — perguntam-se — a verdade pretendida pelos grandes totalitarismos do século passado, uma verdade que impunha a própria conceção global para esmagar a história concreta do indivíduo? No fim, resta apenas um relativismo, no qual a questão sobre a verdade de tudo — que, no fundo, é também a questão de Deus — já não interessa. Nesta perspetiva, é lógico que se pretenda eliminar a ligação da religião com a verdade, porque esta associação estaria na raiz do fanatismo, que quer emudecer quem não partilha da crença própria. A este respeito, pode-se falar de uma grande obnubilação da memória no nosso mundo contemporâneo; de facto, a busca da verdade é uma questão de memória, de memória profunda, porque visa algo que nos precede e, desta forma, pode conseguir unir-nos para além do nosso «eu» pequeno e limitado; é uma questão relativa à origem de tudo, a cuja luz se pode ver a meta e também o sentido da estrada comum.

A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»]
A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»] — pdf

  • A luz da fé — números publicados no Laboratório da fé > > >



Refletir... saborear

  • É fundamental recordar a relação da fé com a verdade
  • Há uma crise de verdade, na cultura contemporânea
  • Hoje, parece que só é aceite a verdade tecnológica:
    — é verdade aquilo que o ser humano constrói com a sua ciência
    — é verdade aquilo que funciona
  • A verdade tecnológica parece ser a única que se pode partilhar
  • A verdade do indivíduo é válida apenas para si mesmo
  • A «verdade grande» é vista com suspeita
  • Predomina o relativismo
  • A busca da verdade é uma questão de memória 
  • A busca da verdade é uma questão relativa à origem de tudo
  • Qual é a razão da crise da verdade, na cultura contemporânea?
  • Qual é o efeito da crise da verdade, na vida pessoal?
  • Porque é que só se aceita a verdade tecnológica?
  • O relativismo resolve a questão da verdade profunda?
  • O que entendo por «busca da verdade»?
© Laboratório da fé, 2013

Partilha connosco a tua reflexão!


Papa Francisco, Carta Encíclica sobre a fé (Lumen Fidei — A luz da fé)
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 5.9.13 | Sem comentários

Carta encíclica sobre a fé [24]


Lido a esta luz, o texto de Isaías faz-nos concluir: o ser humano precisa de conhecimento, precisa de verdade, porque sem ela não se mantém de pé, não caminha. Sem verdade, a fé não salva, não torna seguros os nossos passos. Seria uma linda fábula, a projeção dos nossos desejos de felicidade, algo que nos satisfaz só na medida em que nos quisermos iludir; ou então reduzir-se-ia a um sentimento bom que consola e afaga, mas permanece sujeito às nossas mudanças de ânimo, à variação dos tempos, incapaz de sustentar um caminho constante na vida. Se a fé fosse isso, então o rei Acaz teria razão para não jogar a sua vida e a segurança do seu reino sobre uma emoção. Mas não é! Precisamente pela sua ligação intrínseca com a verdade, a fé é capaz de oferecer uma luz nova, superior aos cálculos do rei, porque vê mais longe, compreende o agir de Deus, que é fiel à sua aliança e às suas promessas.

A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»]
A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»] — pdf

  • A luz da fé — números publicados no Laboratório da fé > > >



Refletir... saborear

  • O conhecimento é fonte de segurança
  • A verdade é fonte de segurança
  • Sem verdade, a fé não salva
  • Sem verdade, a fé não dá segurança
  • Sem verdade, a fé torna-se uma fábula
  • Sem verdade, a fé reduz-se a um bom sentimento
  • Sem verdade, a fé é incapaz de sustentar o caminho da vida
  • Aliada à verdade, a fé oferece uma luz nova
  • Aliada à verdade, a fé vê mais longe
  • Aliada à verdade, a fé compreende o agir de Deus
  • A verdade é fonte de segurança?
  • Que relação existe entre verdade e fé?
  • O que é a fé sem a verdade?
  • Que luz nova a fé (me) pode oferecer?
© Laboratório da fé, 2013

Partilha connosco a tua reflexão!


Papa Francisco, Carta Encíclica sobre a fé (Lumen Fidei — A luz da fé)
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 4.9.13 | Sem comentários

Carta encíclica sobre a fé [23]


Se não acreditardes, não compreendereis (cf. Isaías 7, 9): foi assim que a versão grega da Bíblia hebraica — a tradução dos Setenta, feita em Alexandria do Egipto — traduziu as palavras do profeta Isaías ao rei Acaz, fazendo aparecer como central, na fé, a questão do conhecimento da verdade. Entretanto, no texto hebraico, há uma leitura diferente; aqui o profeta diz ao rei: «Se não o acreditardes, não subsistireis». Existe aqui um jogo de palavras com duas formas do verbo ‘amàn: «acreditardes» (ta’aminu) e «subsistireis» (te’amenu). Apavorado com a força dos seus inimigos, o rei busca a segurança que lhe pode vir de uma aliança com o grande império da Assíria; mas o profeta convida-o a confiar apenas na verdadeira rocha que não vacila: o Deus de Israel. Uma vez que Deus é fiável, é razoável ter fé n’Ele, construir a própria segurança sobre a sua Palavra. Este é o Deus que Isaías chamará mais adiante, por duas vezes, o Deus-Amen, o «Deus fiel» (cf. Isaías 65, 16), fundamento inabalável de fidelidade à aliança. Poder-se-ia pensar que a versão grega da Bíblia, traduzindo «subsistir» por «compreender», tivesse realizado uma mudança profunda do texto, passando da noção bíblica de entrega a Deus à noção grega de compreensão. E no entanto esta tradução, que aceitava certamente o diálogo com a cultura helenista, não é alheia à dinâmica profunda do texto hebraico; a firmeza que Isaías promete ao rei passa, realmente, pela compreensão do agir de Deus e da unidade que Ele dá à vida do ser humano e à história do povo. O profeta exorta a compreender os caminhos do Senhor, encontrando na fidelidade de Deus o plano de sabedoria que governa os séculos. Esta síntese entre o «compreender» e o «subsistir» é expressa por Santo Agostinho, nas suas Confissões, quando fala da verdade em que se pode confiar para conseguirmos ficar de pé: «Estarei firme e consolidar-me-ei em Ti, (…) na tua verdade» [17]. Vendo o contexto, sabemos que este Padre da Igreja quer mostrar que esta verdade fidedigna de Deus é, como resulta da Bíblia, a sua presença fiel ao longo da história, a sua capacidade de manter unidos os tempos, recolhendo a dispersão dos dias do ser humano [18].

[17] Confessiones, XI, 30, 40: PL 32, 825
[18] Cf. ibid.: o. c., 825-826
A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»]
A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»] — pdf

  • A luz da fé — números publicados no Laboratório da fé > > >



Refletir... saborear

  • A fé relaciona-se com o conhecimento da verdade
  • Há uma relação entre acreditar e compreender
  • Há uma relação entre acreditar e subsistir
  • A fidelidade de Deus fundamenta a fidelidade (fé) do ser humano
  • A fidelidade de Deus dá consistência à fidelidade (fé) do ser humano
  • A verdade de Deus é a sua presença na história humana
  • Que relação existe entre a fé e a verdade?
  • Qual é o fundamento da fidelidade à Aliança?
  • O que significa dizer que Deus é fiel?
© Laboratório da fé, 2013

Partilha connosco a tua reflexão!


Papa Francisco, Carta Encíclica sobre a fé (Lumen Fidei — A luz da fé)
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 3.9.13 | Sem comentários

Carta encíclica sobre a fé [22]


Deste modo, a vida do fiel torna-se existência eclesial. Quando São Paulo fala aos cristãos de Roma do único corpo que todos os crentes formam em Cristo, exorta-os a não se vangloriarem, mas a avaliarem-se «de acordo com a medida de fé que Deus distribuiu a cada um» (Romanos 12, 3). O crente aprende a ver-se a si mesmo a partir da fé que professa. A figura de Cristo é o espelho em que descobre realizada a sua própria imagem. E dado que Cristo abraça em Si mesmo todos os crentes que formam o seu corpo, o cristão compreende-se a si mesmo neste corpo, em relação primordial com Cristo e os irmãos na fé. A imagem do corpo não pretende reduzir o crente a simples parte de um todo anónimo, a mero elemento de uma grande engrenagem; antes, sublinha a união vital de Cristo com os crentes e de todos os crentes entre si (cf. Romanos 12, 4-5). Os cristãos sejam «todos um só» (cf. Gálatas 3, 28), sem perder a sua individualidade, e, no serviço aos outros, cada um ganha profundamente o próprio ser. Compreende-se assim por que motivo, fora deste corpo, desta unidade da Igreja em Cristo — desta Igreja que, segundo as palavras de Romano Guardini, «é a portadora histórica do olhar global de Cristo sobre o mundo»,[16] —, a fé perca a sua «medida», já não encontre o seu equilíbrio, nem o espaço necessário para se manter de pé. A fé tem uma forma necessariamente eclesial, é professada partindo do corpo de Cristo, como comunhão concreta dos crentes. A partir deste lugar eclesial, ela abre o indivíduo cristão a todos os humanos. Uma vez escutada, a palavra de Cristo, pelo seu próprio dinamismo, transforma-se em resposta no cristão, tornando-se ela mesma palavra pronunciada, confissão de fé. São Paulo afirma: «Realmente com o coração se crê (…) e com a boca se faz a profissão de fé» (Romanos 10, 10). A fé não é um facto privado, uma conceção individualista, uma opinião subjetiva, mas nasce de uma escuta e destina-se a ser pronunciada e a tornar-se anúncio. Com efeito, «como hão-de acreditar n’Aquele de quem não ouviram falar? E como hão-de ouvir falar, sem alguém que O anuncie?» (Romanos 10, 14). Concluindo, a fé torna-se operativa no cristão a partir do dom recebido, a partir do Amor que o atrai para Cristo (cf. Gálatas 5, 6) e torna participante do caminho da Igreja, peregrina na história rumo à perfeição. Para quem foi assim transformado, abre-se um novo modo de ver, a fé torna-se luz para os seus olhos.

[16] «Vom Wesen katholischer Weltanschauung (1923)», in: Unterscheidung des Christlichen. Gesammelte Studien 1923-1963 (Mainz 1963), 24

A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»]
A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»] — pdf

  • A luz da fé — números publicados no Laboratório da fé > > >



Refletir... saborear

  • A fé possui uma dimensão eclesial
  • O crente vê-se a partir da fé que professa
  • O cristão compreende-se como membro do Corpo de Cristo
  • A Igreja é o Corpo de Cristo
  • A imagem do corpo estabelece ligação com Jesus Cristo e com os outros
  • Há uma união vital de Jesus Cristo com os cristãos e destes entre si
  • Fora do Corpo de Cristo (Igreja), a fé perde o seu equilíbrio
  • A fé não é um facto privado
  • A fé não é uma conceção individualista
  • A fé não é uma opinião subjetiva
  • A fé nasce da escuta da Palavra de Deus
  • A fé destina-se a ser pronunciada
  • A fé destina-se a tornar-se anúncio
  • Acolhida como dom, a fé torna-se luz para os olhos do cristão
  • Porque é que a fé possui uma dimensão eclesial?
  • Sinto-me membro do Corpo de Cristo?
  • Que relação existe entre mim e Jesus Cristo?
  • Que relação existe entre mim e os outros cristãos?
  • Não é possível uma fé «privada», «individualista», «subjetiva»?
  • A fé, em mim, torna-se anúncio? Como?
© Laboratório da fé, 2013

Partilha connosco a tua reflexão!


Papa Francisco, Carta Encíclica sobre a fé (Lumen Fidei — A luz da fé)
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 2.9.13 | Sem comentários

Carta encíclica sobre a fé [21]


Podemos assim compreender a novidade, a que a fé nos conduz. O crente é transformado pelo Amor, ao qual se abriu na fé; e, na sua abertura a este Amor que lhe é oferecido, a sua existência dilata-se para além dele próprio. São Paulo pode afirmar: «Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim» (Gálatas 2, 20), e exortar: «Que Cristo, pela fé, habite nos vossos corações» (Efésios 3, 17). Na fé, o «eu» do crente dilata-se para ser habitado por um Outro, para viver num Outro, e assim a sua vida amplia-se no Amor. É aqui que se situa a acção própria do Espírito Santo: o cristão pode ter os olhos de Jesus, os seus sentimentos, a sua predisposição filial, porque é feito participante do seu Amor, que é o Espírito; é neste Amor que se recebe, de algum modo, a visão própria de Jesus. Fora desta conformação no Amor, fora da presença do Espírito que o infunde nos nossos corações (cf. Romanos 5, 5), é impossível confessar Jesus como Senhor (cf. 1Coríntios 12, 3).

A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»]
A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»] — pdf

  • A luz da fé — números publicados no Laboratório da fé > > >



Refletir... saborear

  • A fé conduz-nos a uma novidade
  • Na fé, o crente é habitado por Jesus Cristo
  • Na fé, o crente vive em Jesus Cristo
  • Na fé, a vida do crente amplia-se no Amor: o Espírito Santo
  • O Espírito Santo atua em cada pessoa para que:
    — tenha os olhos de Jesus Cristo
    — tenha os sentimentos de Jesus Cristo
    — tenha a predisposição filial de Jesus Cristo
  • Sem Espírito Santo, sem o Amor, não é possível confessar a fé em Jesus Cristo
  • A fé conduz-se a que novidade?
  • Sou habitado por Jesus Cristo?
  • Posso dizer como Paulo: «é Cristo que vive em mim»?
  • Tenho consciência da presença do Espírito Santo?
© Laboratório da fé, 2013

Partilha connosco a tua reflexão!


Papa Francisco, Carta Encíclica sobre a fé (Lumen Fidei — A luz da fé)
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 1.9.13 | Sem comentários

Carta encíclica sobre a fé [20]


A nova lógica da fé centra-se em Cristo. A fé em Cristo salva-nos, porque é n’Ele que a vida se abre radicalmente a um Amor que nos precede e transforma a partir de dentro, que age em nós e connosco. Vê-se isto claramente na exegese que o Apóstolo dos gentios faz de um texto do Deuteronómio; uma exegese que se insere na dinâmica mais profunda do Antigo Testamento. Moisés diz ao povo que o mandamento de Deus não está demasiado alto nem demasiado longe do ser humano; não se deve dizer: «Quem subirá por nós até ao céu e no-la irá buscar?» ou «Quem atravessará o mar e no-la irá buscar?» (cf. Deuteronómio 30, 11-14). Esta proximidade da palavra de Deus é concretizada por São Paulo na presença de Jesus no cristão. «Não digas no teu coração: Quem subirá ao céu? Seria para fazer com que Cristo descesse. Nem digas: Quem descerá ao abismo? Seria para fazer com que Cristo subisse de entre os mortos» (Romanos 10, 6-7). Cristo desceu à terra e ressuscitou dos mortos: com a sua encarnação e ressurreição, o Filho de Deus abraçou o percurso inteiro do ser humano e habita nos nossos corações por meio do Espírito Santo. A fé sabe que Deus Se tornou muito próximo de nós, que Cristo nos foi oferecido como grande dom que nos transforma interiormente, que habita em nós, e assim nos dá a luz que ilumina a origem e o fim da vida, o arco inteiro do percurso humano.

A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»]
A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»] — pdf

  • A luz da fé — números publicados no Laboratório da fé > > >



Refletir... saborear

  • A fé em Jesus Cristo salva-nos
  • Em Jesus Cristo, a vida abre-se a um Amor que nos precede e transforma
  • Em Jesus Cristo, a vida abre-se a um Amor que age em nós e connosco
  • A palavra de Deus está perto de nós, dentro de nós
  • A proximidade da palavra de Deus concretiza-se na presença de Jesus Cristo no cristão
  • Pela incarnação e ressurreição, Jesus Cristo abraçou toda a existência humana
  • Jesus Cristo habita nos nossos corações, por meio do Espírito Santo
  • A fé sabe que Deus se tornou próximo de nós
  • A fé sabe que Jesus Cristo foi-nos oferecido como um grande dom
  • A fé sabe que Jesus Cristo habita em nós e nos transforma
  • A fé sabe que Jesus Cristo dá-nos a luz que ilumina toda a nossa vida
  • Qual é o fonte da (minha) salvação?
  • Quem é o «Amor» que nos precede e transforma?
  • Sinto que a palavra de Deus está dentro de mim?
  • Tem sentido dizer: «a fé sabe que...»? Porquê?
  • Acredito na proximidade de Deus? 
  • Como é que a presença de Jesus Cristo se manifesta na minha vida?
© Laboratório da fé, 2013

Partilha connosco a tua reflexão!


Papa Francisco, Carta Encíclica sobre a fé (Lumen Fidei — A luz da fé)
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 31.8.13 | Sem comentários

Carta encíclica sobre a fé [19]


A partir desta participação no modo de ver de Jesus, o apóstolo Paulo deixou-nos, nos seus escritos, uma descrição da existência crente. Aquele que acredita, ao aceitar o dom da fé, é transformado numa nova criatura, recebe um novo ser, um ser filial, torna-se filho no Filho: «Abbá, Pai» é a palavra mais característica da experiência de Jesus, que se torna centro da experiência cristã (cf. Romanos 8, 15). A vida na fé, enquanto existência filial, é reconhecer o dom originário e radical que está na base da existência do ser humano, podendo resumir-se nesta frase de São Paulo aos Coríntios: «Que tens tu que não tenhas recebido?» (1Coríntios 4, 7). É precisamente aqui que se situa o cerne da polémica do Apóstolo com os fariseus: a discussão sobre a salvação pela fé ou pelas obras da lei. Aquilo que São Paulo rejeita é a atitude de quem se quer justificar a si mesmo diante de Deus através das próprias obras; esta pessoa, mesmo quando obedece aos mandamentos, mesmo quando realiza obras boas, coloca-se a si própria no centro e não reconhece que a origem do bem é Deus. Quem atua assim, quem quer ser fonte da sua própria justiça, depressa a vê exaurir-se e descobre que não pode sequer aguentar-se na fidelidade à lei; fecha-se, isolando-se do Senhor e dos outros, e, por isso, a sua vida torna-se vã, as suas obras estéreis, como árvore longe da água. Assim se exprime Santo Agostinho com a sua linguagem concisa e eficaz: «Não te afastes d’Aquele que te fez, nem mesmo para te encontrares a ti» [15]. Quando o ser humano pensa que, afastando-se de Deus, encontrar-se-á a si mesmo, a sua existência fracassa (cf. Lucas 15, 11-24). O início da salvação é a abertura a algo que nos antecede, a um dom originário que sustenta a vida e a guarda na existência. Só abrindo-nos a esta origem e reconhecendo-a é que podemos ser transformados, deixando que a salvação atue em nós e torne a vida fecunda, cheia de frutos bons. A salvação pela fé consiste em reconhecer o primado do dom de Deus, como resume São Paulo: «Porque é pela graça que estais salvos, por meio da fé. E isto não vem de vós, é dom de Deus» (Efésios 2, 8).

[15] De continentia, 4, 11: PL 40, 356 («ab eo qui fecit te noli deficere nec ad te»)

A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»]
A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»] — pdf

  • A luz da fé — números publicados no Laboratório da fé > > >



Refletir... saborear

  • A fé transforma o crente numa nova criatura
  • A fé faz o crente participar na filiação divina: filho no Filho
  • Chamar «Pai» a Deus é a palavra mais característica da experiência de Jesus Cristo
  • Chamar «Pai» a Deus é centro da experiência cristã
  • A fé reconhece o dom originário e radical da existência: Deus (Pai)
  • Quem pensa salvar-se pelas suas obras, esquece-se do dom originário 
  • Quem pensa salvar-se pelas suas obras, fecha-se a Deus e aos outros
  • A salvação começa com a abertura ao dom originário, que nos antecede e sustenta a vida
  • A salvação pela fé consiste em reconhecer o primado do dom de Deus
  • A salvação pela fé consiste em deixar-se transformar pelo dom de Deus
  • Que sentido tem dizer que a fé dá ao crente um novo ser?
  • Considero importante invocar Deus como «Pai»?
  • Para mim, qual é a fonte originária da existência?
  • Porque é que Paulo defende que a salvação vem pela fé e não pelas obras?
© Laboratório da fé, 2013

Partilha connosco a tua reflexão!


Papa Francisco, Carta Encíclica sobre a fé (Lumen Fidei — A luz da fé)
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 30.8.13 | 2 comentários

Carta encíclica sobre a fé [18]


A plenitude a que Jesus leva a fé possui outro aspeto decisivo: na fé, Cristo não é apenas Aquele em quem acreditamos, a maior manifestação do amor de Deus, mas é também Aquele a quem nos unimos para poder acreditar. A fé não só olha para Jesus, mas olha também a partir da perspetiva de Jesus e com os seus olhos: é uma participação no seu modo de ver. Em muitos âmbitos da vida, fiamo-nos de outras pessoas que conhecem as coisas melhor do que nós: temos confiança no arquiteto que constrói a nossa casa, no farmacêutico que nos fornece o remédio para a cura, no advogado que nos defende no tribunal. Precisamos também de alguém que seja fiável e perito nas coisas de Deus: Jesus, seu Filho, apresenta-Se como Aquele que nos explica Deus (cf. João 1, 18). A vida de Cristo, a sua maneira de conhecer o Pai, de viver totalmente em relação com Ele abre um espaço novo à experiência humana, e nós podemos entrar nele. São João exprimiu a importância que a relação pessoal com Jesus tem para a nossa fé, através de vários usos do verbo crer. Juntamente com o «crer que» é verdade o que Jesus nos diz (cf. João 14, 10; 20, 31), João usa mais duas expressões: «crer a (sinónimo de dar crédito a)» Jesus e «crer em» Jesus. «Cremos a» Jesus, quando aceitamos a sua palavra, o seu testemunho, porque Ele é verdadeiro (cf. João 6, 30). «Cremos em» Jesus, quando O acolhemos pessoalmente na nossa vida e nos confiamos a Ele, aderindo a Ele no amor e seguindo-O ao longo do caminho (cf. João 2, 11; 6, 47; 12, 44).
Para nos permitir conhecê-Lo, acolhê-Lo e segui-Lo, o Filho de Deus assumiu a nossa carne; e, assim, a sua visão do Pai deu-se também de forma humana, através de um caminho e um percurso no tempo. A fé cristã é fé na encarnação do Verbo e na sua ressurreição na carne; é fé num Deus que Se fez tão próximo que entrou na nossa história. A fé no Filho de Deus feito homem em Jesus de Nazaré não nos separa da realidade; antes permite-nos individualizar o seu significado mais profundo, descobrir quanto Deus ama este mundo e o orienta sem cessar para Si; e isto leva o cristão a comprometer-se, a viver de modo ainda mais intenso o seu caminho sobre a terra.

A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»]
A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»] — pdf

  • A luz da fé — números publicados no Laboratório da fé > > >



Refletir... saborear

  • Jesus Cristo é Aquele em quem acreditamos
  • Jesus Cristo é Aquele a quem nos unimos para acreditar
  • A fé olha a partir da perspetiva de Jesus Cristo
  • Jesus Cristo é fiável, perito nas coisas de Deus
  • A fé é «crer que» é verdade o que Jesus Cristo nos diz
  • A fé é «crer a» (sinónimo de «dar crédito a») Jesus Cristo: aceitar os seus ensinamentos
  • A fé é «crer em» Jesus Cristo: acolhê-lo na nossa vida
  • A fé cristã é fé na encarnação do Verbo
  • A fé cristã é fé na ressurreição da carne
  • A fé cristã é fé num Deus que se fez tão próximo que entrou na história
  • A fé cristã é fé num Deus que ama este mundo e orienta-o para si
  • Estou unido a Jesus Cristo na maneira de viver?
  • O que significa diz que a fé é «crer que», crer a», «crer em» Jesus Cristo?
  • Qual a importância da fé na encarnação e na ressurreição?
  • De que modo Deus ama este mundo e o orienta para si?
© Laboratório da fé, 2013

Partilha connosco a tua reflexão!


Papa Francisco, Carta Encíclica sobre a fé (Lumen Fidei — A luz da fé)
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 29.8.13 | Sem comentários

Carta encíclica sobre a fé [17]


Ora, a morte de Cristo desvenda a total fiabilidade do amor de Deus à luz da sua ressurreição. Enquanto ressuscitado, Cristo é testemunha fiável, digna de fé (cf. Apocalipse 1, 5; Hebreus 2, 17), apoio firme para a nossa fé. «Se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé», afirma São Paulo (1 Coríntios 15, 17). Se o amor do Pai não tivesse feito Jesus ressurgir dos mortos, se não tivesse podido restituir a vida ao seu corpo, não seria um amor plenamente fiável, capaz de iluminar também as trevas da morte. Quando São Paulo fala da sua nova vida em Cristo, refere que a vive «na fé do Filho de Deus que me amou e a Si mesmo Se entregou por mim» (Gálatas 2, 20). Esta «fé do Filho de Deus» é certamente a fé do Apóstolo dos gentios em Jesus, mas supõe também a fiabilidade de Jesus, que se funda, sem dúvida, no seu amor até à morte, mas também no facto de Ele ser Filho de Deus. Precisamente porque é o Filho, porque está radicado de modo absoluto no Pai, Jesus pôde vencer a morte e fazer resplandecer em plenitude a vida. A nossa cultura perdeu a noção desta presença concreta de Deus, da sua ação no mundo; pensamos que Deus Se encontra só no além, noutro nível de realidade, separado das nossas relações concretas. Mas, se fosse assim, isto é, se Deus fosse incapaz de agir no mundo, o seu amor não seria verdadeiramente poderoso, verdadeiramente real e, por conseguinte, não seria sequer verdadeiro amor, capaz de cumprir a felicidade que promete. E, então, seria completamente indiferente crer ou não crer n’Ele. Ao contrário, os cristãos confessam o amor concreto e poderoso de Deus, que atua verdadeiramente na história e determina o seu destino final; um amor que se fez passível de encontro, que se revelou em plenitude na paixão, morte e ressurreição de Cristo.

A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»]
A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»] — pdf

  • A luz da fé — números publicados no Laboratório da fé > > >



Refletir... saborear

  • A morte de Jesus Cristo revela a fiabilidade do amor de Deus
  • Jesus Cristo ressuscitado é testemunha fiel, digna de fé
  • Jesus Cristo ressuscitado é apoio firme para a nossa fé
  • Jesus Cristo ressuscitado ilumina as trevas da morte
  • A cultura perdeu a noção da presença de Deus
  • A cultura perdeu a noção da ação de Deus na história
  • Os cristãos confessam o amor concreto e real de Deus presente na história
  • Jesus Cristo ressuscitado é apoio firme para a (minha) fé?
  • Concordo com a afirmação de que a cultura perdeu a noção da presença de Deus?
  • Qual a importância da ação de Deus na história?
  • Para mim, Deus manifesta um amor concreto e real?
© Laboratório da fé, 2013

Partilha connosco a tua reflexão!


Papa Francisco, Carta Encíclica sobre a fé (Lumen Fidei — A luz da fé)
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 28.8.13 | 2 comentários

Carta encíclica sobre a fé [16]


A maior prova da fiabilidade do amor de Cristo encontra-se na sua morte pelo ser humano. Se dar a vida pelos amigos é a maior prova de amor (cf. João 15, 13), Jesus ofereceu a sua vida por todos, mesmo por aqueles que eram inimigos, para transformar o coração. É por isso que os evangelistas situam, na hora da Cruz, o momento culminante do olhar de fé: naquela hora resplandece o amor divino em toda a sua sublimidade e amplitude. São João colocará aqui o seu testemunho solene, quando, juntamente com a Mãe de Jesus, contemplou Aquele que trespassaram (cf. João 19, 37): «Aquele que viu estas coisas é que dá testemunho delas e o seu testemunho é verdadeiro. E ele bem sabe que diz a verdade, para vós crerdes também» (João 19, 35). Na sua obra «O Idiota», Fiódor Mikhailovich Dostoiévski faz o protagonista — o príncipe Myskin — dizer, à vista do quadro de Cristo morto no sepulcro, pintado por Hans Holbein o Jovem: «Aquele quadro poderia mesmo fazer perder a fé a alguém» [14]; de facto, o quadro representa, de forma muito crua, os efeitos destruidores da morte no corpo de Cristo. E todavia é precisamente na contemplação da morte de Jesus que a fé se reforça e recebe uma luz fulgurante, é quando ela se revela como fé no seu amor inabalável por nós, que é capaz de penetrar na morte para nos salvar. Neste amor que não se subtraiu à morte para manifestar quanto me ama, é possível crer; a sua totalidade vence toda e qualquer suspeita e permite confiar-nos plenamente a Cristo.

[14] Parte II, IV

A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»]
A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»] — pdf

  • A luz da fé — números publicados no Laboratório da fé > > >



Refletir... saborear

  • A morte de Jesus Cristo é uma prova de amor
  • Jesus Cristo ofereceu a vida por todos, para transformar o coração
  • Na Cruz, resplandece toda a força do amor, toda a sua amplitude
  • Na Cruz, situa-se o momento culminante do olhar de fé
  • Na morte de Jesus Cristo, a fé é reforçada 
  • Na morte de Jesus Cristo, a fé recebe uma luz fulgurante
  • É possível acreditar no amor que dá a vida
  • Qual é o significado da morte de Jesus Cristo?
  • O que vejo quando olho para a Cruz?
  • A morte de Jesus Cristo, reforça e ilumina a (minha) fé?
  • Acredito na força do amor que dá a vida?
© Laboratório da fé, 2013

Partilha connosco a tua reflexão!


Papa Francisco, Carta Encíclica sobre a fé (Lumen Fidei — A luz da fé)
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 27.8.13 | Sem comentários

Carta encíclica sobre a fé [15]


«Abraão [...] exultou pensando em ver o meu dia; viu-o e ficou feliz» (João 8, 56). De acordo com estas palavras de Jesus, a fé de Abraão estava orientada para Ele, de certo modo era visão antecipada do seu mistério. Assim o entende Santo Agostinho, quando afirma que os Patriarcas se salvaram pela fé; não fé em Cristo já chegado, mas fé em Cristo que havia de vir, fé proclive para o evento futuro de Jesus [13]. A fé cristã está centrada em Cristo; é confissão de que Jesus é o Senhor e que Deus O ressuscitou de entre os mortos (cf. Romanos 10, 9). Todas as linhas do Antigo Testamento se concentram em Cristo: Ele torna-Se o «sim» definitivo a todas as promessas, fundamento último do nosso «Amen» a Deus (cf. 2Coríntios 1, 20). A história de Jesus é a manifestação plena da fiabilidade de Deus. Se Israel recordava os grandes actos de amor de Deus, que formavam o centro da sua confissão e abriam o horizonte da sua fé, agora a vida de Jesus aparece como o lugar da intervenção definitiva de Deus, a suprema manifestação do seu amor por nós. A palavra que Deus nos dirige em Jesus já não é uma entre muitas outras, mas a sua Palavra eterna (cf. Hebreus 1, 1-2). Não há nenhuma garantia maior que Deus possa dar para nos certificar do seu amor, como nos lembra São Paulo (cf. Romanos 8, 31-39). Portanto, a fé cristã é fé no Amor pleno, no seu poder eficaz, na sua capacidade de transformar o mundo e iluminar o tempo. «Nós conhecemos o amor que Deus nos tem, pois cremos nele» (1João 4, 16). A fé identifica, no amor de Deus manifestado em Jesus, o fundamento sobre o qual assenta a realidade e o seu destino último.

[13] Cf. In evangelium Johannis tractatus, 45, 9: PL 35, 1722- 1723

A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»]
A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»] — pdf

  • A luz da fé — números publicados no Laboratório da fé > > >



Refletir... saborear

  • A fé cristã tem o seu centro em Jesus Cristo
  • Jesus Cristo é a plenitude da Revelação e da fé
  • O Antigo Testamento orienta-se para Jesus Cristo
  • A salvação antes de Jesus Cristo acontece pela «fé em Cristo que havia de vir»
  • Jesus Cristo é a garantia de que Deus é fiel às suas promessas
  • Jesus Cristo é «o lugar da intervenção definitiva de Deus» 
  • Jesus Cristo é a «Palavra eterna» de Deus
  • Jesus Cristo é a presença do Amor pleno, capaz de transformar e iluminar o mundo
  • A (minha) fé tem como centro Jesus Cristo?
  • Qual é a importância do Antigo Testamento para os cristãos?
  • O que significa a entrada de Jesus Cristo na nossa história?
  • Porque é que Jesus Cristo é a «Palavra eterna» de Deus?
© Laboratório da fé, 2013

Partilha connosco a tua reflexão!


Papa Francisco, Carta Encíclica sobre a fé (Lumen Fidei — A luz da fé)
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 26.8.13 | Sem comentários

Carta encíclica sobre a fé [14]


Na fé de Israel, sobressai também a figura de Moisés, o mediador. O povo não pode ver o rosto de Deus; é Moisés que fala com Jahvé na montanha e comunica a todos a vontade do Senhor. Com esta presença do mediador, Israel aprendeu a caminhar unido. O ato de fé do indivíduo insere-se numa comunidade, no «nós» comum do povo, que, na fé, é como um só homem: «o meu filho primogénito», assim Deus designará todo o Israel (cf. Êxodo 4, 22). Aqui a mediação não se torna um obstáculo, mas uma abertura: no encontro com os outros, o olhar abre-se para uma verdade maior que nós mesmos. Jean Jacques Rousseau lamentava-se por não poder ver Deus pessoalmente: «Quantos homens entre mim e Deus!» [11]. «Será assim tão simples e natural que Deus tenha ido ter com Moisés para falar a Jean Jacques Rousseau?» [12]. A partir de uma conceção individualista e limitada do conhecimento é impossível compreender o sentido da mediação: esta capacidade de participar na visão do outro, saber compartilhado que é o conhecimento próprio do amor. A fé é um dom gratuito de Deus, que exige a humildade e a coragem de fiar-se e entregar-se para ver o caminho luminoso do encontro entre Deus e os homens, a história da salvação.

[11] Émile (Paris 1966), 387
[12] Lettrè à Christophe de Beaumont (Lausanne 1993), 110


A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»]
A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»] — pdf

  • A luz da fé — números publicados no Laboratório da fé > > >



Refletir... saborear

  • Moisés é o mediador entre Deus e o povo de Israel
  • O ato de fé individual insere-se na comunidade, o eu dá lugar ao nós
  • A mediação não é obstáculo, mas abertura para a fé
  • A fé é um dom gratuito de Deus inserido na história da salvação
  • Hoje, o que significa ser «mediador» da fé?
  • O ato de fé individual precisa da comunidade?
  • O que permite uma maior abertura para a fé?
  • A (minha) fé é um dom gratuito de Deus inserido na história da salvação?
© Laboratório da fé, 2013

Partilha connosco a tua reflexão!


Papa Francisco, Carta Encíclica sobre a fé (Lumen Fidei — A luz da fé)
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 25.8.13 | Sem comentários

Carta encíclica sobre a fé [13]


A história de Israel mostra-nos ainda a tentação da incredulidade, em que o povo caiu várias vezes. Aparece aqui o contrário da fé: a idolatria. Enquanto Moisés fala com Deus no Sinai, o povo não suporta o mistério do rosto divino escondido, não suporta o tempo de espera. Por sua natureza, a fé pede para se renunciar à posse imediata que a visão parece oferecer; é um convite para se abrir à fonte da luz, respeitando o mistério próprio de um Rosto que pretende revelar-se de forma pessoal e no momento oportuno. Martin Buber citava esta definição da idolatria, dada pelo rabino de Kock: há idolatria, «quando um rosto se dirige reverente a um rosto que não é rosto» [10]Em vez da fé em Deus, prefere-se adorar o ídolo, cujo rosto se pode fixar e cuja origem é conhecida, porque foi feito por nós. Diante do ídolo, não se corre o risco de uma possível chamada que nos faça sair das próprias seguranças, porque os ídolos «têm boca, mas não falam» (Salmo 115, 5). Compreende-se assim que o ídolo é um pretexto para se colocar a si mesmo no centro da realidade, na adoração da obra das próprias mãos. Perdida a orientação fundamental que dá unidade à sua existência, o ser humano dispersa-se na multiplicidade dos seus desejos; negando-se a esperar o tempo da promessa, desintegra-se nos mil instantes da sua história. Por isso, a idolatria é sempre politeísmo, movimento sem meta de um senhor para outro. A idolatria não oferece um caminho, mas uma multiplicidade de veredas que não conduzem a uma meta certa, antes se configuram como um labirinto. Quem não quer confiar-se a Deus, deve ouvir as vozes dos muitos ídolos que lhe gritam: «Confia-te a mim!». A fé, enquanto ligada à conversão, é o contrário da idolatria: é separação dos ídolos para voltar ao Deus vivo, através de um encontro pessoal. Acreditar significa confiar-se a um amor misericordioso que sempre acolhe e perdoa, que sustenta e guia a existência, que se mostra poderoso na sua capacidade de endireitar os desvios da nossa história. A fé consiste na disponibilidade a deixar-se incessantemente transformar pelo chamamento de Deus. Paradoxalmente, neste voltar-se continuamente para o Senhor, o ser humano encontra uma estrada segura que o liberta do movimento dispersivo a que o sujeitam os ídolos.

[10] Martin Buber, Die Erzählungen der Chassidim (Zurique 1949), 793

A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»]
A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»] — pdf

  • A luz da fé — números publicados no Laboratório da fé > > >



Refletir... saborear

  • A tentação da incredulidade atravessa a história do povo de Israel
  • A idolatria é o contrário da fé
  • A adoração do ídolo parece ser mais atrativa do que a fé
  • O ídolo é um pretexto para se colocar a si mesmo no centro da vida
  • A idolatria conduz a um labirinto
  • A fé convida ao encontro pessoal com o Deus vivo
  • A fé consiste em deixar-se transformar pelo chamamento divino
  • Quais são as minhas tentações de incredulidade?
  • Porque é que a adoração do ídolo é mais atrativa do que a fé?
  • Quando é que me sinto mais vulnerável às tentações da idolatria?
  • A (minha) fé é um encontro com o Deus vivo?
  • Deixo-me transformar pelo amor misericordioso de Deus?
© Laboratório da fé, 2013

Partilha connosco a tua reflexão!


Papa Francisco, Carta Encíclica sobre a fé (Lumen Fidei — A luz da fé)
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 24.8.13 | Sem comentários

Carta encíclica sobre a fé [12]


A história do povo de Israel, no livro do Êxodo, continua na esteira da fé de Abraão. De novo, a fé nasce de um dom originador: Israel abre-se à ação de Deus, que quer libertá-lo da sua miséria. A fé é chamada a um longo caminho, para poder adorar o Senhor no Sinai e herdar uma terra prometida. O amor divino possui os traços de um pai que conduz o seu filho pelo caminho (cf. Deuteronómio 1, 31). A confissão de fé de Israel desenrola-se como uma narração dos benefícios de Deus, da sua ação para libertar e conduzir o povo (cf. Deuteronómio 26, 5-11); narração esta, que o povo transmite de geração em geração. A luz de Deus brilha para Israel, através da comemoração dos factos realizados pelo Senhor, recordados e confessados no culto, transmitidos pelos pais aos filhos. Deste modo aprendemos que a luz trazida pela fé está ligada com a narração concreta da vida, com a grata lembrança dos benefícios de Deus e com o progressivo cumprimento das suas promessas. A arquitetura gótica exprimiu-o muito bem: nas grandes catedrais, a luz chega do céu através dos vitrais onde está representada a história sagrada. A luz de Deus vem-nos através da narração da sua revelação e, assim, é capaz de iluminar o nosso caminho no tempo, recordando os benefícios divinos e mostrando como se cumprem as suas promessas.

A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»]
A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»] — pdf

  • A luz da fé — números publicados no Laboratório da fé > > >



Refletir... saborear

  • A fé do povo de Israel segue o exemplo de Abraão
  • A fé nasce de um dom originador: Deus
  • A fé é chamada a fazer caminho
  • A luz da fé dá-se na narração da vida
  • A confissão de fé de Israel faz-se na narração da ação de Deus em seu favor
  • A luz da de Israel transmite-se de geração em geração na:
    — comemoração dos factos realizados por Deus
    — recordação dessa ação de Deus
    — celebração cultual desses acontecimentos
    — transmissão familiar
  • Os vitrais das catedrais góticas ilustram bem esta realidade
  • A fé, para mim, é um caminho a percorrer?
  • A confissão da (minha) fé faz-se em «doutrinas» ou na narração da vida?
  • O que tenho para dizer sobre a ação de Deus na minha vida?
  • Comemoro os factos realizados por Deus?
  • Recordo a ação de Deus?
  • Celebro cultualmente a presença de Deus?
  • Transmito aos meus familiares a ação de Deus na minha vida?
© Laboratório da fé, 2013

Partilha connosco a tua reflexão!


Papa Francisco, Carta Encíclica sobre a fé (Lumen Fidei — A luz da fé)
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 23.8.13 | Sem comentários

Carta encíclica sobre a fé [11]


Há ainda um aspecto da história de Abraão que é importante para se compreender a sua fé. A Palavra de Deus, embora traga consigo novidade e surpresa, não é de forma alguma alheia à experiência do Patriarca. Na voz que se lhe dirige, Abraão reconhece um apelo profundo, desde sempre inscrito no mais íntimo do seu ser. Deus associa a sua promessa com aquele «ponto» onde desde sempre a existência do ser humano se mostra promissora, ou seja, a paternidade, a geração duma nova vida: «Sara, tua mulher, dar-te-á um filho, a quem hás-de chamar Isaac» (Génesis 17, 19). O mesmo Deus que pede a Abraão para se confiar totalmente a Ele, revela-Se como a fonte donde provém toda a vida. Desta forma, a fé une-se com a Paternidade de Deus, da qual brota a criação: o Deus que chama Abraão é o Deus criador, aquele que «chama à existência o que não existe» (Romanos 4, 17), aquele que, «antes da fundação do mundo, (...) nos predestinou para sermos adoptados como seus filhos» (Efésios 1, 4-5). No caso de Abraão, a fé em Deus ilumina as raízes mais profundas do seu ser: permite-lhe reconhecer a fonte de bondade que está na origem de todas as coisas, e confirmar que a sua vida não deriva do nada nem do acaso, mas de um chamamento e um amor pessoais. O Deus misterioso que o chamou não é um Deus estranho, mas a origem de tudo e que tudo sustenta. A grande prova da fé de Abraão, o sacrifício do filho Isaac, manifestará até que ponto este amor originador é capaz de garantir a vida mesmo para além da morte. A Palavra que foi capaz de suscitar um filho no seu corpo «já sem vida (…), como sem vida estava o seio» de Sara estéril (Romanos 4, 19), também será capaz de garantir a promessa de um futuro para além de qualquer ameaça ou perigo (cf. Hebreus 11, 19; Romanos 4, 21).

A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»]
A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»] — pdf

  • A luz da fé — números publicados no Laboratório da fé > > >



Refletir... saborear

  • Deus fala à experiência de Abraão
  • Abraão reconhece um apelo profundo
  • Deus associa a sua promessa à paternidade, geração da vida
  • Deus revela-se como a origem da vida (Paternidade)
  • A fé ilumina a profundidade do ser
  • A prova da fé, em Abraão, manifesta a garantia da vida
  • A fé de Abraão garante a promessa de um futuro
  • Reconheço, na Palavra de Deus, um apelo profundo inscrito no meu ser?
  • A fé ilumina todo o meu ser?
  • Que «provas» de fé já experimentei? Como me senti? Como as vivi?
  • A (minha) fé está associada a um chamamento e amor pessoais?
  • A fé em Deus, para mim, é uma garantia de vida?
© Laboratório da fé, 2013

Partilha connosco a tua reflexão!


Papa Francisco, Carta Encíclica sobre a fé (Lumen Fidei — A luz da fé)
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 22.8.13 | Sem comentários

Carta encíclica sobre a fé [10]


A Abraão pede-se para se confiar a esta Palavra. A fé compreende que a palavra — uma realidade aparentemente efémera e passageira —, quando é pronunciada pelo Deus fiel, torna-se no que de mais seguro e inabalável possa haver, possibilitando a continuidade do nosso caminho no tempo. A fé acolhe esta Palavra como rocha segura, sobre a qual se pode construir com alicerces firmes. Por isso, na Bíblia hebraica, a fé é indicada pela palavra «‘emûnah», que deriva do verbo «‘amàn», cuja raiz significa «sustentar». O termo «‘emûnah» tanto pode significar a fidelidade de Deus como a fé do ser humano. O ser humano fiel recebe a sua força do confiar-se nas mãos do Deus fiel. Jogando com dois significados da palavra — presentes tanto no termo grego «pistós» como no correspondente latino «fidelis» –, São Cirilo de Jerusalém exaltará a dignidade do cristão, que recebe o mesmo nome de Deus: ambos são chamados «fiéis» [8]. E Santo Agostinho explica-o assim: «O homem fiel é aquele que crê no Deus que promete; o Deus fiel é aquele que concede o que prometeu ao homem» [9].

[8] Cf. Catechesis, V, 1: PG 33, 505A
[9] Enarratio in Psalmum, 32, II, s. I, 9: PL 36, 284


A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»]
A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»] — pdf

  • A luz da fé — números publicados no Laboratório da fé > > >



Refletir... saborear

  • Abraão acolhe a Palavra (de Deus) com confiança
  • Abraão acolhe a Palavra (de Deus) como uma rocha segura
  • Em hebraico, a «fé» está relacionada com o termo «sustentar»
  • A fé pode exprimir uma dupla fidelidade: de Deus e do ser humano
  • A fé, para mim, está relacionada com a confiança? Porquê?
  • A Palavra de Deus, na minha vida, é uma rocha segura?
  • Porque é que os hebreus associam a fé com o termo «sustentar»?
  • Deus também tem fé?
© Laboratório da fé, 2013

Partilha connosco a tua reflexão!


Papa Francisco, Carta Encíclica sobre a fé (Lumen Fidei — A luz da fé)
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 21.8.13 | Sem comentários

Carta encíclica sobre a fé [9]


Esta Palavra comunica a Abraão um chamamento e uma promessa. Contém, antes de tudo, um chamamento a sair da própria terra, convite a abrir-se a uma vida nova, início de um êxodo que o encaminha para um futuro inesperado. A perspetiva, que a fé vai proporcionar a Abraão, estará sempre ligada com este passo em frente que ele deve realizar: a fé «vê» na medida em que caminha, em que entra no espaço aberto pela Palavra de Deus. Mas tal Palavra contém ainda uma promessa: a tua descendência será numerosa, serás pai de um grande povo (cf. Génesis 13, 16; 15, 5; 22, 17). É verdade que a fé de Abraão, enquanto resposta a uma Palavra que a precede, será sempre um ato de memória; contudo esta memória não o fixa no passado, porque, sendo memória de uma promessa, se torna capaz de abrir ao futuro, de iluminar os passos ao longo do caminho. Assim se vê como a fé, enquanto memória do futuro, está intimamente ligada com a esperança.

A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»]
A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»] — pdf

  • A luz da fé — números publicados no Laboratório da fé > > >



Refletir... saborear

  • A palavra que Deus dirige a Abraão contém um chamamento e uma promessa
  • Um chamamento:
    — sair da sua terra
    — dar um passo em frente
    — uma vida nova
    — iniciar um êxodo para um futuro inesperado
  • Uma promessa:
    — descendência numerosa
    — pai de um grande povo
  • A fé de Abraão manifesta-se no caminhar, «na medida em que caminha»
  • A fé de Abraão é um ato de memória que abre ao futuro, ilumina os passos
  • A fé é uma esperança (continua...)
  • Porque é que Deus pede a Abraão para sair da sua terra?
  • Porque é que Deus promete a Abraão uma grande descendência?
  • A fé, para ti, contém memória (passado) e futuro?
  • Que relação existe entre a fé e a esperança?
© Laboratório da fé, 2013

Partilha connosco a tua reflexão!


Papa Francisco, Carta Encíclica sobre a fé (Lumen Fidei — A luz da fé)
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 20.8.13 | Sem comentários
  • Recentes
  • Arquivo