CORAÇÃO DE MISERICÓRDIA


«O mês de Junho é tradicionalmente dedicado ao Sagrado Coração de Jesus, máxima expressão humana do amor divino. [...] A piedade popular valoriza muito os símbolos, e o Coração de Jesus é o símbolo por excelência da misericórdia de Deus; mas não é um símbolo imaginário, é um símbolo real, que representa o centro, a fonte da qual brotou a salvação para a humanidade inteira» (Francisco, 9 de junho de 2013). A Bíblia mostra-nos que o «coração» não evoca apenas sentimentos, a dimensão afetiva da pessoa, mas remete também para outras dimensões e até para a totalidade do ser, a sua personalidade. E também na linguagem comum o coração está associado à fonte da vida e ao que caracteriza a essência da pessoa. É nesta perspetiva que queremos recentrar a tradicional proposta de associar o mês de junho ao Coração de Jesus: o «coração» é a síntese da pessoa de Jesus Cristo; por isso, a Igreja, através do Magistério dos Papas, apresenta esta espiritualidade como a «síntese da vida cristã».

Junho, Mês do Coração de Jesus

A história mostra-nos a importância que o culto popular ao Sagrado Coração de Jesus teve, durante séculos, na revelação da misericórdia divina. Depois de um tempo em que se desvaneceu e/ou se desvalorizou esta prática, a celebração do Ano Santo da Misericórdia é uma oportunidade para recuperar a sua frescura original.

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Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 1.6.16 | Sem comentários

GERAR COMUNHÃO


A última parte do Ano Litúrgico (entre a segunda-feira a seguir ao Pentecostes e o sábado da trigésima quarta semana, o dia anterior ao primeiro domingo de Advento do novo ano litúrgico) retoma o «Tempo Comum» interrompido para dar lugar à Quaresma e Páscoa. É um (longo) período que nos sugere «valores que não se podem esquecer: ajuda-nos a ir vivendo o mistério de Cristo na sua totalidade; acompanha-nos na tarefa de crescimento e maturação de tudo o que celebrámos no Natal e na Páscoa; põe em evidência a primazia do domingo cristão; oferece-nos a escola permanente da Palavra bíblica; e faz-nos descobrir a graça do comum: a vida quotidiana vivida também como tempo da salvação» (José Aldazábal, «Dicionário Elementar de Liturgia», ed. Paulinas). Assim, em continuidade, valorizamos o convite a frequentar duas «escolas»: a «escola permanente da Palavra bíblica» através dos textos propostos para a primeira leitura de cada domingo; a escola «da vida quotidiana» que nos «faz descobrir a graça do comum».
Gerar comunhão: é a temática que propomos para a segunda parte do «Tempo Comum».

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Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 16.5.16 | Sem comentários

MARIA, MÃE DE MISERICÓRDIA


A missão e a comunhão são dois dos cinco «aspetos fundamentais» que marcam a identidade do discípulo missionário (Documento de Aparecida, 278). A dinâmica de gestação que orienta o presente ano pastoral remete a missão para a Páscoa e a comunhão para a segunda parte do Tempo Comum. Ora, o mês de maio está na transição entre esses dois momentos: no dia 15, o Pentecostes encerra o tempo de Páscoa; no dia 16, recomeça o Tempo Comum. No itinerário pascal valorizamos a missão como ponto de partida, no qual o encontro com o Ressuscitado não pode ficar no silêncio, mas precisa de ser comunicado aos outros. Os (primeiros) discípulos experienciam a missão de anunciar a alegria do Evangelho. O versículo 14 do primeiro capítulo do livro dos Atos dos Apóstolos refere que os discípulos «perseveravam unidos em oração, em companhia de algumas mulheres, entre as quais, Maria, mãe de Jesus». Com este testemunho pascal, o que nos impede de olhar para Maria como discípula missionária?

Maio, Mês de Maria: Mãe de Misericórdia

Maio, Mês de Maria: Mãe de Misericórdia Maio é o mês por excelência em que o nosso pensamento se volta para Maria. Com ela, podemos viver mais intensamente a nossa identidade de discípulos missionários da misericórdia.

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Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 1.5.16 | Sem comentários

PRIMEIRO DOMINGO DA QUARESMA — ANO C


A Quaresma é o tempo da liberdade e da escolha, o tempo da conversão e do amor. A Liturgia da Palavra apresenta as escolhas necessárias para seguir no caminho para Deus, mas também fala da fidelidade e da bondade divinas. A prova está na profissão de fé de Moisés diante do povo (primeira leitura) e na confiança do salmista (salmo). Paulo insiste no fator decisivo da fé para a salvação (segunda leitura), deixando a cada um/a a liberdade da escolha. Mas é Jesus Cristo que, no deserto, nos mostra verdadeiramente como resistir às tentações, graças à palavra de Deus, e como escolher o caminho da vida (evangelho).

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Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 12.2.16 | Sem comentários

GERAR CONVERSÃO


Gerar conversão consiste em assumir a dinâmica de conversão em contexto de pastoral de gestação. Tal como a conversão, «a pastoral de gestação tem a ver com a identidade das pessoas. É um dos seus principais traços. […] A pastoral de gestação reconhece que cada um/a é único/a e visa promovê-lo/a naquilo que ele/a tem de mais pessoal. […] Só Deus pode ‘gerar’ alguém, levando-o a partilhar a sua vida. As questões que se levantam não são, portanto: Como é que a Igreja pode suscitar novos cristãos? Que estratégias pastorais convém desenvolver para ser mais eficaz? De maneira nenhuma. As interrogações são antes do tipo: Que se passa entre Deus e estes homens e estas mulheres que vivem na aurora do século XXI? Que caminhos toma Deus para chegar a eles e fazê-los nascer para a sua vida? De que modo é que Ele convida a Igreja a transformar a sua forma tradicional de crer e de viver para permitir o encontro?» (Uma nova oportunidade para o Evangelho. Para uma pastoral da gestação, ed. Paulinas).

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Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 9.2.16 | Sem comentários

GERAR FÉ


«Gerar. Este verbo evoca espontaneamente a ação do homem e da mulher que dão a vida: gerar, trazer ao mundo, educar, fazer crescer... Mas a criança, por sua vez, gera os seus pais, fazendo-os tornar-se pai e mãe. Reciprocidade de uma relação em que a vida circula» (Uma nova oportunidade para o Evangelho. Para uma pastoral da gestação, ed. Paulinas). Desta naturalidade biológica damos o salto imagético para a relação entre Deus e o ser humano. Esta também é (ou pode ser) uma verdadeira «experiência criadora». Neste sentido, «escutar a Palavra lendo a Escritura é uma obra de gestação». Aquele que lê/escuta a Palavra empenha-se com toda a sua vida, entra em diálogo com o texto bíblico, «interpela-o, gera-o para que se torne Palavra» na sua própria vida. E a própria Palavra «tornada viva, toca o ser humano contemporâneo na sua identidade e gera-o para um acréscimo de humanidade». Desta reciprocidade evidencia a «alegria do encontro entre Deus que se dá e o crente que se abre à sua presença».

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Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 10.1.16 | Sem comentários

CELEBRAR O DOMINGO DA EPIFANIA


É Natal, plenamente Natal! Com a Epifania — palavra que significa «manifestação» — o Natal recebe toda a sua plenitude: «os gentios recebem a mesma herança» (segunda leitura). Jesus Cristo não veio à terra apenas para os cristãos, mas para todos os seres humanos, homens e mulheres, para todas as nações, ricas e pobres, como recorda a profecia de Isaías (primeira leitura). Tal é a amplitude do mistério, «uma grande paz até ao fim dos tempos» (salmo): maravilha da salvação oferecida aos que, na noite, sabem levantar os olhos para ver a estrela e decidem pôr-se a caminho (evangelho). Para eles (e para nós), «uma grande alegria»!

«A sua glória te ilumina»
A primeira leitura proposta para o domingo da Epifania, retirada do profeta Isaías, expressa o mistério do dia com uma espécie de pregão: «Levanta-te e resplandece, Jerusalém, porque chegou a tua luz e brilha sobre ti a glória do Senhor. […] As nações caminharão à tua luz e os reis ao esplendor da tua aurora». A luz como sinal de salvação volta a ser o tema dominante. Em estreita sintonia com esta palavra usam-se termos como resplandece, brilha, ilumina, esplendor, aurora.
A terceira parte do livro de Isaías («Terceiro Isaías») serve-se da imagem de Jerusalém, símbolo da presença de Deus, para afirmar que todos os povos hão de ir ao encontro da cidade, o mesmo é dizer, de Deus. Apesar de humilhada ao longo da história (um dos principais exemplos dessa humilhação foi a destruição levada a cabo por Nabucodonosor e o consequente exílio para a Babilónia), agora, com a presença de Deus, Jerusalém atrairá a si todos os povos, todas as religiões, todas as culturas, todas as pessoas. E trazem consigo os seus melhores dons. A cidade de Deus voltará a ser o orgulho dos povos e nela reinará a justiça e a paz; nunca mais haverá noite, pois será iluminada pelo próprio Deus: «A sua glória te ilumina».
No contexto litúrgico, o trecho exprime o sentido da festa: a universalidade da salvação. O centro não é propriamente a cidade em si mesma, mas o facto de nela se manifestar a presença de Deus. A luz de Deus é para todos!
As palavras do profeta, carregadas de esperança, convidam os seus ouvintes a levantar o ânimo e a experimentar a misericórdia de Deus. Hoje, a profecia converte-nos em testemunhas do movimento de Israel da escuridão para a luz; do desespero para a esperança; da consternação para o bem-estar; da violência para a paz; do ódio para o amor.

Neste Ano Santo, Deus quer fazer brilhar a luz da sua misericórdia em cada pessoa. E quer precisar da nossa colaboração comprometida e alegre. Assim, o Natal desafia-nos a gerar amor. Jesus Cristo é Deus connosco, é o amor de Deus presente na nossa carne. O Natal é a revelação da gratuidade e da misericórdia, do amor e da alegria do Evangelho. «Quando dizemos ‘é Natal’ estamos a dizer: Deus disse ao mundo a sua última, mais profunda e formosa palavra numa Palavra feita carne [...]. E esta Palavra significa: eu amo-vos, a ti, mundo, e a vós, seres humanos» (Karl Rahner).

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Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 2.1.16 | Sem comentários

ORAÇÃO DIÁRIA A PARTIR DO EVANGELHO

3 DE JANEIRO DE 2015


Evangelho segundo Mateus 2, 1-12

Tinha Jesus nascido em Belém da Judeia, nos dias do rei Herodes, quando chegaram a Jerusalém uns Magos vindos do Oriente. «Onde está – perguntaram eles – o rei dos judeus que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-l’O». Ao ouvir tal notícia, o rei Herodes ficou perturbado e, com ele, toda a cidade de Jerusalém. Reuniu todos os príncipes dos sacerdotes e escribas do povo e perguntou-lhes onde devia nascer o Messias. Eles responderam: «Em Belém da Judeia, porque assim está escrito pelo Profeta: ‘Tu, Belém, terra de Judá, não és de modo nenhum a menor entre as principais cidades de Judá, pois de ti sairá um chefe, que será o Pastor de Israel, meu povo’». Então Herodes mandou chamar secretamente os Magos e pediu-lhes informações precisas sobre o tempo em que lhes tinha aparecido a estrela. Depois enviou-os a Belém e disse-lhes: «Ide informar-vos cuidadosamente acerca do Menino; e, quando O encontrardes, avisai-me, para que também eu vá adorá-l’O». Ouvido o rei, puseram-se a caminho. E eis que a estrela que tinham visto no Oriente seguia à sua frente e parou sobre o lugar onde estava o Menino. Ao ver a estrela, sentiram grande alegria. Entraram na casa, viram o Menino com Maria, sua Mãe, e, prostrando-se diante d’Ele, adoraram-n’O. Depois, abrindo os seus tesouros, ofereceram-Lhe presentes: ouro, incenso e mirra. E, avisados em sonhos para não voltarem à presença de Herodes, regressaram à sua terra por outro caminho.



Segunda, 28: QUEM SÃO OS MAGOS?

Curiosos personagens são estes «magos» (não necessariamente «reis»!), de quem sabemos apenas que vêm «do Oriente». Com eles, vou caminhar esta semana, e entrar num novo ano! A caminhada deles interpela-me: pagãos, são guiados até Cristo, de quem estamos a celebrar o nascimento. Hoje, quem são esses «outros crentes», vindos de outras tradições diferentes das cristãs, e que, pela sua procura, nos mostram que Jesus Cristo continua a atrair de todos os lados?



Terça, 29: NASCER, UM ACONTECIMENTO

Não é apenas o rei Herodes que fica «perturbado» ao ter conhecimento do nascimento do «rei dos judeus», mas «com ele, toda a cidade de Jerusalém». Dois reis, é demais! Como o simples nascimento dum ser humano pode mudar a face da terra... Senhor, faz com que também eu fique também perturbado pelo inacreditável acontecimento que, diariamente, se vive centenas de milhares de vezes no nosso mundo: o nascimento de novos seres humanos.



Quarta, 30: SABER, MAS PARA QUÊ?

Os príncipes dos sacerdotes e os escribas reunidos por Herodes esclarecem-no em pormenor. Contemplo essa pequena assembleia de gente sábia e diplomada: o seu conhecimento das Escrituras é perfeito. Mas continuam parados. O nascimento do rei dos judeus deixa-os indiferentes, a acreditar que preferem o conforto da sua procura científica que lhes oferece novidades da salvação. Senhor, de que me serve aprender?



Quinta, 31: TENHO A ESCOLHA...

Herodes «mandou chamar secretamente os Magos e pediu-lhes informações precisas». Já se prepara o ambiente de uma meticulosa conspiração. Também eu, sabendo que nasceu o pastor do meu povo, posso escolher alegrar-me com esta novidade ou deixar endurecer o meu coração. É uma escolha diária.



Sexta, 1: QUE ALEGRIA HÁ DE VIR?

Um novo ano se inicia: confiemo-lo à Virgem Maria, mãe do nosso Senhor. Como os Magos ao verem a estrela que os guia, não receemos sentir «uma grande alegria». O que é que, neste novo ano, me poderá fazer viver um sentimento com tal energia?



Sábado, 2: ADORAR?!

Por três vezes é mencionado o verbo adorar, sinal do respeito por... um bebé nascido numa manjedoura! Contemplo a cena e deixo-a pôr em questão as «adorações contemporâneas» das quais sou testemunha ou ator principal: as que são feitas às pessoas que admiramos porque ganham muito dinheiro ou feitas diante de objetos por elas apresentados para terem mais vendas. Também há as que se realizam pelos membros duma comunidade de serviço aos marginalizados da sociedade... Quais são as «adorações» que prefiro?



Domingo, 3: A SALVAÇÃO NÃO É UM MONOPÓLIO

Como diz Paulo aos Efésios (segunda leitura), «os gentios recebem a mesma herança». A Igreja, formada pelo povo dos batizados, da qual somos uma porção ao celebrar a eucaristia de domingo, não se pode compreender a si mesma se esquecer os que não fazem parte. Quaisquer que sejam as crenças dos Magos, são eles que nos indicam a atitude correta quanto à «herança»: prostram-se para adorar, gesto que Herodes é incapaz de fazer, apesar das suas palavras. Quer nos consideremos cristãos habituais, quer recentemente convertidos, não esqueçamos de nos deixar iluminar pelos que não estavam a priori «abrangidos» (porque ignorantes da história de Israel), pois são eles que nos revelam a eterna novidade de Jesus Cristo.



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Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 27.12.15 | Sem comentários

CELEBRAR O DOMINGO DA SAGRADA FAMÍLIA


Em tempo de Natal, eis-nos convidados a contemplar a Sagrada Família que, diz a oração coleta, Deus nos dá como «modelo de vida». Somos desafiados a imitar a confiança de Maria e de José, a docilidade deles à Palavra, ao Espírito, aos «acontecimentos»: Maria«guardava todos estes acontecimentos em seu coração» (evangelho), como no dia do nascimento do Menino. Maria confia em Deus. Como Ana (primeira leitura), conta com o amor de Deus, um amor que gera vida. Elas ensinam-nos a acolher a graça e a cantar as maravilhas de Deus (salmo). Vivamos, portanto, como «filhos de Deus» (segunda leitura), testemunhas do seu amor.

«Seja consagrado ao Senhor»
Ana sentia-se desolada porque não tinha filhos. Pediu a Deus e o filho foi-lhe concedido, numa época em que o povo de Israel se encontrava absolutamente necessitado de um salvador e de um rei. Samuel, o filho que Deus concedeu a Ana, fará a ponte entre o passado (na época dos juízes, anterior à monarquia) e o futuro (centrado na pessoa e na descendência de David com as esperanças messiânicas que dele hão de derivar).
A primeira leitura proposta para a festa da Sagrada Família (Ano C), um texto retirado do Primeiro Livro de Samuel, centra-se na fidelidade de Ana, mãe de Samuel, e o cuidado amoroso que tem para com o seu filho, acolhido como dom de Deus. O importante do texto é o profundo sentido religioso dos protagonistas: a consciência de pertencerem a Deus e a confiança radical.
Assinale-se que, no fragmento do evangelho, a devoção a Deus por parte de Maria e de José manifesta-se numa peregrinação que fazem por altura da Páscoa. Contudo, o objetivo principal é proporcionar o contexto adequado para mostrar a verdadeira fidelidade de Jesus.
No caso de Ana, a fidelidade da mãe alimenta a fidelidade do filho. Samuel foi um dom dado por Deus a Ana; ela, em agradecimento, entrega de novo a Deus esse dom tão desejado: «eu o ofereço para que seja consagrado ao Senhor todos os dias da sua vida».
Num momento de necessidade na história do povo, Deus intervém. Neste caso, Samuel será a pessoa que terá de identificar e investir o salvador real escolhido por Deus: David.
A mãe, Ana, e o menino, Samuel, diante do mistério de Deus, que manifestou a sua generosidade no dom do filho, não podem fazer mais do que prostrar-se e adorar. Confiança e gratidão para com Deus são duas qualidades do crente de todos os tempos.

Instituída pelo papa Leão XIII (em 1893), inicialmente no terceiro domingo depois da Epifania, a festa da Sagrada Família acontece no domingo a seguir ao dia de Natal (ou no dia 30 de dezembro, quando o dia de Natal coincide com o domingo). A escolha da data ajuda a entender a festa no contexto do mistério da Incarnação. Também se pode associar a uma dupla perspetiva: a família formada por José, Maria e Jesus como «modelo de vida»; a família formada pela comunidade cristã como «modelo de fé». Numa e noutra, Jesus Cristo é nosso «irmão», acompanha-nos no amor ao Pai, ou melhor e primeiro, no deixarmo-nos amar pelo Pai.

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Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 25.12.15 | Sem comentários

GERAR AMOR


O Natal inverte o conceito de Deus e de Humanidade. O Deus omnipotente, imutável, eterno, imortal, invisível, converte-se num menino envolvido em panos e deitado numa manjedoura. Também se inverte a imagem da Humanidade, pois com o nascimento de Jesus Cristo fica confirmado que os valores supremos já não são a riqueza e o poder, mas a simplicidade, a pequenez, a beleza, a bondade e a ternura das crianças. A criança torna-se, assim, a referência mais importante, o modelo do Reino de Deus. Jesus Cristo identifica-se com as crianças e é a elas, aos pequeninos, a quem o Pai revela os mistérios do Reino. No Natal de Jesus Cristo antecipa-se a mensagem das bem-aventuranças, a mensagem da misericórdia. O Menino não só nos revela o rosto misericordioso do Pai, como também nos revela o rosto misericordioso do ser humano, humaniza-nos: mostra-nos como ser realmente irmãos e irmãs, como ser pessoas humanas, como ser filhos e filhas de Deus, como, na nossa vida, gerar amor.

Natal: gerar amor

Natal é irrupção do amor, da novidade, do diferente, do alternativo: Deus faz-se criança e as crianças tornam-se o centro da história! E esta novidade é tão forte que irradia a sua luz em toda a parte, até na celebração pagã do solstício de inverno. A Igreja primitiva cristianizou a data pagã do dia 25 de dezembro que era a festa do solstício de inverno: transformou a celebração do sol, estrela, luz do mundo, na celebração do Sol, Jesus Cristo, Luz do mundo. A luz da promessa transforma-se em luz da presença: «um menino nasceu para nós, um filho nos foi dado».
Jesus Cristo é Deus connosco, é o amor de Deus presente na nossa carne. O Natal é a revelação da gratuidade e da misericórdia, do amor e da alegria do Evangelho. «Quando dizemos ‘é Natal’ estamos a dizer: Deus disse ao mundo a sua última, mais profunda e formosa palavra numa Palavra feita carne [...]. E esta Palavra significa: eu amo-vos, a ti, mundo, e a vós, seres humanos» (Karl Rahner). A espiritualidade de gestação, neste contexto, favorece a descoberta do «admirável amor» de Deus manifestado e oferecido em Jesus Cristo. De facto, a dinâmica da gestação desafia a suscitar amor, a proporcionar as condições necessárias para gerar amor em cada vida humana, em cada um de nós. Não há dúvida da importância fulcral do amor na vida humana. «Existimos porque temos um instinto amoroso, que é inexplicável. É este gesto amoroso que funda o humano» (Gonçalo M. Tavares). Gerar vida é também gerar amor. 
Nos passos de Jesus Cristo, o cristão, discípulo missionário, «está seguro do amor e da ternura de seu Pai e, para Ele, essa ternura é a única capaz de libertar os seres humanos, de fazê-los nascer para o amor. Ler o Evangelho com esses olhos permite descobrir como Jesus não autoriza a fuga do coração, da afetividade, das relações, da condição humana» (Uma nova oportunidade para o Evangelho. Para uma pastoral da gestação, ed. Paulinas). Feliz tempo de Natal que nos é dado como oportunidade para gerar amor. Nas famílias que acolhem um novo nascimento, contemplemos o amor gerado pela possibilidade de abraçar e acariciar o recém-nascido. Nas famílias que celebram momentos festivos, contemplemos o amor gerado pela alegria do encontro. Há tantas (outras) circunstâncias simples da vida que podem gerar amor!

Laboratório da Fé anunciada

Debrucemo-nos sobre o presépio que desde o tempo de Francisco de Assis surge nos templos e nas casas: um menino nasce no lugar onde se guardavam os animais; os seus pais envolvem-no em panos e deitam-no numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria. O nascimento deste menino é anunciado aos pastores que pertenciam às «periferias» da sociedade. Mas este menino é proclamado Salvador e Senhor, é Deus connosco. Ele está no meio de nós, habita em nós. Ele vem ao nosso encontro: «quando alguém dá um pequeno passo em direção a Jesus, descobre que Ele já aguardava de braços abertos a sua chegada» (Francisco, Exortação Apostólica sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual — «Evangelii Gaudium» [EG], 3). Em consequência, este encontro com os «braços abertos» do menino no presépio gera o amor que nos impele ao anúncio. Na verdade, «se uma pessoa experimentou verdadeiramente o amor de Deus que o salva, não precisa de muito tempo de preparação para sair a anunciá-lo» (EG 120). O encontro com Jesus Cristo faz gerar amor e fé anunciada!

© Laboratório da fé, 2015



Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 24.12.15 | Sem comentários

CELEBRAR O DIA DE NATAL


Na manhã deste dia, nada fica na mesma: ele corre, o mensageiro da boa nova (primeira leitura), Deus está no meio de nós! É inaudito, inacreditável, como se costuma dizer… Mas sim, hoje, «Deus falou-nos por seu Filho» (segunda leitura), nasceu na nossa humanidade, o «Verbo fez-se carne» (evangelho), luz nas nossas trevas, Filho Primogénito que nos vem dar a conhecer o rosto misericordioso do Pai… Não há palavras suficientes para explicar o mistério. Como dizer a nossa alegria? Como expressar o nosso agradecimento? «Adorem-no todos os Anjos de Deus». E nós? Cantai, aclamai, exultai de alegria, «cantai ai Senhor um cântico novo» (salmo). É Natal: a nossa alegria exprima a nossa fé!

«Traz a boa nova»
No texto proposto para primeira leitura da «Missa do dia» de Natal, o poeta/profeta anuncia o «evangelho» aos exilados. Há um mensageiro que atravessa o deserto com a primeira notícia do resultado da batalha entre Deus e os poderes do Império. O mensageiro traz o evangelho, «traz a boa nova». E qual é essa boa nova? «O teu Deus é Rei». Este facto traz uma vida nova à cidade de Sião, Jerusalém. E até são «belos» os pés do mensageiro, apesar de atravessar os montes.
As sentinelas, debruçadas sobre os muros de Jerusalém destruída, gritam com alegria o que estão a ver: o regresso de Deus. Pelos verbos usados, facilmente se percebe que se trata de uma boa notícia. Gritam de alegria, porque vai acabar o exílio a que tinham sido submitos pelo império babilónico (ao longo de mais de cinquenta anos). Por isso, as sentinelas cantam e dançam de alegria. Até as «ruínas de Jerusalém» são convidadas a exultar de alegria, «porque o Senhor consola o seu povo».Não se trata duma atitude resignada, mas uma intervenção ativa que muda as circunstâncias da comunidade.
Deus «resgata Jerusalém»: a cidade e o povo são objeto privilegiado do amor divino e, por isso, podem viver em liberdade. Ao ver a força do poder de Deus («o seu santo braço»), os impérios inimigos mudarão as suas políticas desumanizadoras. O «nosso Deus» é um Deus que liberta e salva. Compreender isto é, sem dúvida, uma boa nova.

As palavras do «Segundo Isaías» têm um eco especial no nosso coração. O profeta convida a não ceder face à situação de derrota supostamente evidente. Não é salutar promover qualquer tipo de rancor e/ou desilusão. É verdade que o povo se sente abandonado, afastado da sua terra. Mas há sempre uma réstia de esperança! Eis que as promessas messiânicas alcançam o seu cumprimento. Haverá maior alegria?! Não é caso para menos. O anúncio da intervenção salvadora de Deus, em Jerusalém, é antecipação e figura da intervenção definitiva de Deus, em Belém, no nascimento do seu Filho. É um nascimento salvador, que rompe todas as fronteiras, que «traz a boa nova» a todos os desconsolados e cansados deste mundo. Hoje, aos que levantam questões que lhes parecem não ter resposta, é necessário que os cristãos levem a boa nova, sejam discípulos missionários da alegria do Evangelho. Deus está no meio de nós!

© Laboratório da fé, 2015


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 24.12.15 | Sem comentários

ORAÇÃO DIÁRIA A PARTIR DO EVANGELHO

27 DE DEZEMBRO DE 2015


Evangelho segundo Lucas 2, 41-52

Os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém, pela festa da Páscoa. Quando Ele fez doze anos, subiram até lá, como era costume nessa festa. Quando eles regressavam, passados os dias festivos, o Menino Jesus ficou em Jerusalém, sem que seus pais o soubessem. Julgando que Ele vinha na caravana, fizeram um dia de viagem e começaram a procurá-l’O entre os parentes e conhecidos. Não O encontrando, voltaram a Jerusalém, à sua procura. Passados três dias, encontraram-n’O no templo, sentado no meio dos doutores, a ouvi-los e a fazer-lhes perguntas. Todos aqueles que O ouviam estavam surpreendidos com a sua inteligência e as suas respostas. Quando viram Jesus, seus pais ficaram admirados; e sua Mãe disse-Lhe: «Filho, porque procedeste assim connosco? Teu pai e eu andávamos aflitos à tua procura». Jesus respondeu-lhes: «Porque Me procuráveis? Não sabíeis que Eu devia estar na casa de meu Pai?». Mas eles não entenderam as palavras que Jesus lhes disse. Jesus desceu então com eles para Nazaré e era-lhes submisso. Sua Mãe guardava todos estes acontecimentos em seu coração. E Jesus ia crescendo em sabedoria, em estatura e em graça, diante de Deus e dos homens.



Segunda, 21: UMA FAMÍLIA NORMAL

«Como era costume», José levou a sua família a Jerusalém, para festejar os 12 anos de Jesus. No início do relato do evangelho, a «sagrada família», cuja festa celebramos no próximo domingo, parece totalmente normal, ela que segue as leis e os costumes do seu povo. É esta mesma família normal que toma o caminho de Belém para se recensear, na altura em que Maria está grávida de nove meses. Hoje, posso contemplar Jesus a subir a Jerusalém com a sua família, misturado anonimamente entre a multidão de peregrinos.



Terça, 22: NEGLIGÊNCIA PARENTAL

Subitamente, estala o quadro perfeito da família modelo: Maria e José fazem prova de uma terrível negligência: esqueceram-se de Jesus em Jerusalém! Não será esta negligência um sinal da confiança dos filhos de Deus? É essa mesma confiança na provação que anima Maria e José, quando tomam o caminho de Belém. Conforme a minha disposição, posso meditar sobre a negligência destes pais que tanto veneramos... ou sobre a confiança que os habita!



Quarta, 23: PÁNICO A BORDO

Quando se apercebem que Jesus não ia na caravana, os seus pais dirigem-se para Jerusalém à procura dele. Imaginamos a tensão que vivem aquando da censura de Maria ao seu filho. Essa tensão, Maria e José já a tinham sentido na estrada de Belém, entregues às circunstâncias do caminho. Posso fazer memória de acontecimentos similares que já vivi como pai/mãe... ou como crente.



Quinta, 24: ADMIRÁVEL CONVERSAÇÃO!

Jesus está sentado no meio dos doutores da lei, nem mais! Eles «estavam surpreendidos com a sua inteligência e as suas respostas». Eis Jesus, já autónomo, preparado para levantar voo! Que caminho percorrido, após o seu nascimento em Belém, que celebramos esta noite! Hoje, posso preparar-me para acolher Jesus que dá a Vida, ou fazer memória do meu próprio percurso.



Sexta, 25: ILUSTRE DESCONHECIDO

«Seus pais ficaram admirados». Felizes pais, que não deixam de ficar admirados com os seus filhos! Jesus permanece um desconhecido para cada um de nós. Mas está tão próximo! O nascimento de Jesus foi também o de um desconhecido, salvo pelos Céus que cantaram a sua glória e pelos pastores que sabem escutar! Hoje, posso-me deixar levar pela alegria celeste ou contemplar a minha família e os que estão próximos, que conheço tão pouco.



Sábado, 26: TESTEMUNHO

Há muitas maneiras de testemunhar: elucidando os doutores da Lei, guardando «todos estes acontecimentos em seu coração», como Maria, continuando simplesmente a crescer, como Jesus, em Nazaré... ou dando a vida, como Estêvão, o primeiro mártir, que hoje celebramos. Hoje, posso interrogar-me sobre a minha própria maneira de testemunhar a minha pertença à sagrada família dos filhos de Deus!



Domingo, 27: A GLÓRIA DO MEU PAI

Então, o que é que faz sagrada (santa) esta família que hoje proclamamos e celebramos? É sagrada porque segue os costumes do seu povo, porque educou Jesus a ponto de ser capaz de falar com os doutores da Lei, ou porque respeitou o caminho próprio de Jesus, permitindo-lhe encontrar a sua maneira específica de testemunhar quem é o que vive? É talvez por todas estas razões, ao mesmo tempo. E também porque, na provação, os seus membros souberam encontrar a confiança e as palavras que lhes permitiram percorrer, juntos, o caminho da vida. A esta santidade todos somos chamados, qualquer que seja o nosso estado de vida! É isto, na verdade, que celebra a glória do nosso Pai.



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© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2015


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 21.12.15 | Sem comentários
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