PRIMEIRO DOMINGO DA QUARESMA — ANO C


A Quaresma é o tempo da liberdade e da escolha, o tempo da conversão e do amor. A Liturgia da Palavra apresenta as escolhas necessárias para seguir no caminho para Deus, mas também fala da fidelidade e da bondade divinas. A prova está na profissão de fé de Moisés diante do povo (primeira leitura) e na confiança do salmista (salmo). Paulo insiste no fator decisivo da fé para a salvação (segunda leitura), deixando a cada um/a a liberdade da escolha. Mas é Jesus Cristo que, no deserto, nos mostra verdadeiramente como resistir às tentações, graças à palavra de Deus, e como escolher o caminho da vida (evangelho).

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Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 12.2.16 | Sem comentários

GERAR CONVERSÃO


Gerar conversão consiste em assumir a dinâmica de conversão em contexto de pastoral de gestação. Tal como a conversão, «a pastoral de gestação tem a ver com a identidade das pessoas. É um dos seus principais traços. […] A pastoral de gestação reconhece que cada um/a é único/a e visa promovê-lo/a naquilo que ele/a tem de mais pessoal. […] Só Deus pode ‘gerar’ alguém, levando-o a partilhar a sua vida. As questões que se levantam não são, portanto: Como é que a Igreja pode suscitar novos cristãos? Que estratégias pastorais convém desenvolver para ser mais eficaz? De maneira nenhuma. As interrogações são antes do tipo: Que se passa entre Deus e estes homens e estas mulheres que vivem na aurora do século XXI? Que caminhos toma Deus para chegar a eles e fazê-los nascer para a sua vida? De que modo é que Ele convida a Igreja a transformar a sua forma tradicional de crer e de viver para permitir o encontro?» (Uma nova oportunidade para o Evangelho. Para uma pastoral da gestação, ed. Paulinas).

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Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 9.2.16 | Sem comentários

GERAR FÉ


«Gerar. Este verbo evoca espontaneamente a ação do homem e da mulher que dão a vida: gerar, trazer ao mundo, educar, fazer crescer... Mas a criança, por sua vez, gera os seus pais, fazendo-os tornar-se pai e mãe. Reciprocidade de uma relação em que a vida circula» (Uma nova oportunidade para o Evangelho. Para uma pastoral da gestação, ed. Paulinas). Desta naturalidade biológica damos o salto imagético para a relação entre Deus e o ser humano. Esta também é (ou pode ser) uma verdadeira «experiência criadora». Neste sentido, «escutar a Palavra lendo a Escritura é uma obra de gestação». Aquele que lê/escuta a Palavra empenha-se com toda a sua vida, entra em diálogo com o texto bíblico, «interpela-o, gera-o para que se torne Palavra» na sua própria vida. E a própria Palavra «tornada viva, toca o ser humano contemporâneo na sua identidade e gera-o para um acréscimo de humanidade». Desta reciprocidade evidencia a «alegria do encontro entre Deus que se dá e o crente que se abre à sua presença».

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Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 10.1.16 | Sem comentários

CELEBRAR O DOMINGO DA EPIFANIA


É Natal, plenamente Natal! Com a Epifania — palavra que significa «manifestação» — o Natal recebe toda a sua plenitude: «os gentios recebem a mesma herança» (segunda leitura). Jesus Cristo não veio à terra apenas para os cristãos, mas para todos os seres humanos, homens e mulheres, para todas as nações, ricas e pobres, como recorda a profecia de Isaías (primeira leitura). Tal é a amplitude do mistério, «uma grande paz até ao fim dos tempos» (salmo): maravilha da salvação oferecida aos que, na noite, sabem levantar os olhos para ver a estrela e decidem pôr-se a caminho (evangelho). Para eles (e para nós), «uma grande alegria»!

«A sua glória te ilumina»
A primeira leitura proposta para o domingo da Epifania, retirada do profeta Isaías, expressa o mistério do dia com uma espécie de pregão: «Levanta-te e resplandece, Jerusalém, porque chegou a tua luz e brilha sobre ti a glória do Senhor. […] As nações caminharão à tua luz e os reis ao esplendor da tua aurora». A luz como sinal de salvação volta a ser o tema dominante. Em estreita sintonia com esta palavra usam-se termos como resplandece, brilha, ilumina, esplendor, aurora.
A terceira parte do livro de Isaías («Terceiro Isaías») serve-se da imagem de Jerusalém, símbolo da presença de Deus, para afirmar que todos os povos hão de ir ao encontro da cidade, o mesmo é dizer, de Deus. Apesar de humilhada ao longo da história (um dos principais exemplos dessa humilhação foi a destruição levada a cabo por Nabucodonosor e o consequente exílio para a Babilónia), agora, com a presença de Deus, Jerusalém atrairá a si todos os povos, todas as religiões, todas as culturas, todas as pessoas. E trazem consigo os seus melhores dons. A cidade de Deus voltará a ser o orgulho dos povos e nela reinará a justiça e a paz; nunca mais haverá noite, pois será iluminada pelo próprio Deus: «A sua glória te ilumina».
No contexto litúrgico, o trecho exprime o sentido da festa: a universalidade da salvação. O centro não é propriamente a cidade em si mesma, mas o facto de nela se manifestar a presença de Deus. A luz de Deus é para todos!
As palavras do profeta, carregadas de esperança, convidam os seus ouvintes a levantar o ânimo e a experimentar a misericórdia de Deus. Hoje, a profecia converte-nos em testemunhas do movimento de Israel da escuridão para a luz; do desespero para a esperança; da consternação para o bem-estar; da violência para a paz; do ódio para o amor.

Neste Ano Santo, Deus quer fazer brilhar a luz da sua misericórdia em cada pessoa. E quer precisar da nossa colaboração comprometida e alegre. Assim, o Natal desafia-nos a gerar amor. Jesus Cristo é Deus connosco, é o amor de Deus presente na nossa carne. O Natal é a revelação da gratuidade e da misericórdia, do amor e da alegria do Evangelho. «Quando dizemos ‘é Natal’ estamos a dizer: Deus disse ao mundo a sua última, mais profunda e formosa palavra numa Palavra feita carne [...]. E esta Palavra significa: eu amo-vos, a ti, mundo, e a vós, seres humanos» (Karl Rahner).

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Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 2.1.16 | Sem comentários

ORAÇÃO DIÁRIA A PARTIR DO EVANGELHO

3 DE JANEIRO DE 2015


Evangelho segundo Mateus 2, 1-12

Tinha Jesus nascido em Belém da Judeia, nos dias do rei Herodes, quando chegaram a Jerusalém uns Magos vindos do Oriente. «Onde está – perguntaram eles – o rei dos judeus que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-l’O». Ao ouvir tal notícia, o rei Herodes ficou perturbado e, com ele, toda a cidade de Jerusalém. Reuniu todos os príncipes dos sacerdotes e escribas do povo e perguntou-lhes onde devia nascer o Messias. Eles responderam: «Em Belém da Judeia, porque assim está escrito pelo Profeta: ‘Tu, Belém, terra de Judá, não és de modo nenhum a menor entre as principais cidades de Judá, pois de ti sairá um chefe, que será o Pastor de Israel, meu povo’». Então Herodes mandou chamar secretamente os Magos e pediu-lhes informações precisas sobre o tempo em que lhes tinha aparecido a estrela. Depois enviou-os a Belém e disse-lhes: «Ide informar-vos cuidadosamente acerca do Menino; e, quando O encontrardes, avisai-me, para que também eu vá adorá-l’O». Ouvido o rei, puseram-se a caminho. E eis que a estrela que tinham visto no Oriente seguia à sua frente e parou sobre o lugar onde estava o Menino. Ao ver a estrela, sentiram grande alegria. Entraram na casa, viram o Menino com Maria, sua Mãe, e, prostrando-se diante d’Ele, adoraram-n’O. Depois, abrindo os seus tesouros, ofereceram-Lhe presentes: ouro, incenso e mirra. E, avisados em sonhos para não voltarem à presença de Herodes, regressaram à sua terra por outro caminho.



Segunda, 28: QUEM SÃO OS MAGOS?

Curiosos personagens são estes «magos» (não necessariamente «reis»!), de quem sabemos apenas que vêm «do Oriente». Com eles, vou caminhar esta semana, e entrar num novo ano! A caminhada deles interpela-me: pagãos, são guiados até Cristo, de quem estamos a celebrar o nascimento. Hoje, quem são esses «outros crentes», vindos de outras tradições diferentes das cristãs, e que, pela sua procura, nos mostram que Jesus Cristo continua a atrair de todos os lados?



Terça, 29: NASCER, UM ACONTECIMENTO

Não é apenas o rei Herodes que fica «perturbado» ao ter conhecimento do nascimento do «rei dos judeus», mas «com ele, toda a cidade de Jerusalém». Dois reis, é demais! Como o simples nascimento dum ser humano pode mudar a face da terra... Senhor, faz com que também eu fique também perturbado pelo inacreditável acontecimento que, diariamente, se vive centenas de milhares de vezes no nosso mundo: o nascimento de novos seres humanos.



Quarta, 30: SABER, MAS PARA QUÊ?

Os príncipes dos sacerdotes e os escribas reunidos por Herodes esclarecem-no em pormenor. Contemplo essa pequena assembleia de gente sábia e diplomada: o seu conhecimento das Escrituras é perfeito. Mas continuam parados. O nascimento do rei dos judeus deixa-os indiferentes, a acreditar que preferem o conforto da sua procura científica que lhes oferece novidades da salvação. Senhor, de que me serve aprender?



Quinta, 31: TENHO A ESCOLHA...

Herodes «mandou chamar secretamente os Magos e pediu-lhes informações precisas». Já se prepara o ambiente de uma meticulosa conspiração. Também eu, sabendo que nasceu o pastor do meu povo, posso escolher alegrar-me com esta novidade ou deixar endurecer o meu coração. É uma escolha diária.



Sexta, 1: QUE ALEGRIA HÁ DE VIR?

Um novo ano se inicia: confiemo-lo à Virgem Maria, mãe do nosso Senhor. Como os Magos ao verem a estrela que os guia, não receemos sentir «uma grande alegria». O que é que, neste novo ano, me poderá fazer viver um sentimento com tal energia?



Sábado, 2: ADORAR?!

Por três vezes é mencionado o verbo adorar, sinal do respeito por... um bebé nascido numa manjedoura! Contemplo a cena e deixo-a pôr em questão as «adorações contemporâneas» das quais sou testemunha ou ator principal: as que são feitas às pessoas que admiramos porque ganham muito dinheiro ou feitas diante de objetos por elas apresentados para terem mais vendas. Também há as que se realizam pelos membros duma comunidade de serviço aos marginalizados da sociedade... Quais são as «adorações» que prefiro?



Domingo, 3: A SALVAÇÃO NÃO É UM MONOPÓLIO

Como diz Paulo aos Efésios (segunda leitura), «os gentios recebem a mesma herança». A Igreja, formada pelo povo dos batizados, da qual somos uma porção ao celebrar a eucaristia de domingo, não se pode compreender a si mesma se esquecer os que não fazem parte. Quaisquer que sejam as crenças dos Magos, são eles que nos indicam a atitude correta quanto à «herança»: prostram-se para adorar, gesto que Herodes é incapaz de fazer, apesar das suas palavras. Quer nos consideremos cristãos habituais, quer recentemente convertidos, não esqueçamos de nos deixar iluminar pelos que não estavam a priori «abrangidos» (porque ignorantes da história de Israel), pois são eles que nos revelam a eterna novidade de Jesus Cristo.



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Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 27.12.15 | Sem comentários

CELEBRAR O DOMINGO DA SAGRADA FAMÍLIA


Em tempo de Natal, eis-nos convidados a contemplar a Sagrada Família que, diz a oração coleta, Deus nos dá como «modelo de vida». Somos desafiados a imitar a confiança de Maria e de José, a docilidade deles à Palavra, ao Espírito, aos «acontecimentos»: Maria«guardava todos estes acontecimentos em seu coração» (evangelho), como no dia do nascimento do Menino. Maria confia em Deus. Como Ana (primeira leitura), conta com o amor de Deus, um amor que gera vida. Elas ensinam-nos a acolher a graça e a cantar as maravilhas de Deus (salmo). Vivamos, portanto, como «filhos de Deus» (segunda leitura), testemunhas do seu amor.

«Seja consagrado ao Senhor»
Ana sentia-se desolada porque não tinha filhos. Pediu a Deus e o filho foi-lhe concedido, numa época em que o povo de Israel se encontrava absolutamente necessitado de um salvador e de um rei. Samuel, o filho que Deus concedeu a Ana, fará a ponte entre o passado (na época dos juízes, anterior à monarquia) e o futuro (centrado na pessoa e na descendência de David com as esperanças messiânicas que dele hão de derivar).
A primeira leitura proposta para a festa da Sagrada Família (Ano C), um texto retirado do Primeiro Livro de Samuel, centra-se na fidelidade de Ana, mãe de Samuel, e o cuidado amoroso que tem para com o seu filho, acolhido como dom de Deus. O importante do texto é o profundo sentido religioso dos protagonistas: a consciência de pertencerem a Deus e a confiança radical.
Assinale-se que, no fragmento do evangelho, a devoção a Deus por parte de Maria e de José manifesta-se numa peregrinação que fazem por altura da Páscoa. Contudo, o objetivo principal é proporcionar o contexto adequado para mostrar a verdadeira fidelidade de Jesus.
No caso de Ana, a fidelidade da mãe alimenta a fidelidade do filho. Samuel foi um dom dado por Deus a Ana; ela, em agradecimento, entrega de novo a Deus esse dom tão desejado: «eu o ofereço para que seja consagrado ao Senhor todos os dias da sua vida».
Num momento de necessidade na história do povo, Deus intervém. Neste caso, Samuel será a pessoa que terá de identificar e investir o salvador real escolhido por Deus: David.
A mãe, Ana, e o menino, Samuel, diante do mistério de Deus, que manifestou a sua generosidade no dom do filho, não podem fazer mais do que prostrar-se e adorar. Confiança e gratidão para com Deus são duas qualidades do crente de todos os tempos.

Instituída pelo papa Leão XIII (em 1893), inicialmente no terceiro domingo depois da Epifania, a festa da Sagrada Família acontece no domingo a seguir ao dia de Natal (ou no dia 30 de dezembro, quando o dia de Natal coincide com o domingo). A escolha da data ajuda a entender a festa no contexto do mistério da Incarnação. Também se pode associar a uma dupla perspetiva: a família formada por José, Maria e Jesus como «modelo de vida»; a família formada pela comunidade cristã como «modelo de fé». Numa e noutra, Jesus Cristo é nosso «irmão», acompanha-nos no amor ao Pai, ou melhor e primeiro, no deixarmo-nos amar pelo Pai.

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Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 25.12.15 | Sem comentários

GERAR AMOR


O Natal inverte o conceito de Deus e de Humanidade. O Deus omnipotente, imutável, eterno, imortal, invisível, converte-se num menino envolvido em panos e deitado numa manjedoura. Também se inverte a imagem da Humanidade, pois com o nascimento de Jesus Cristo fica confirmado que os valores supremos já não são a riqueza e o poder, mas a simplicidade, a pequenez, a beleza, a bondade e a ternura das crianças. A criança torna-se, assim, a referência mais importante, o modelo do Reino de Deus. Jesus Cristo identifica-se com as crianças e é a elas, aos pequeninos, a quem o Pai revela os mistérios do Reino. No Natal de Jesus Cristo antecipa-se a mensagem das bem-aventuranças, a mensagem da misericórdia. O Menino não só nos revela o rosto misericordioso do Pai, como também nos revela o rosto misericordioso do ser humano, humaniza-nos: mostra-nos como ser realmente irmãos e irmãs, como ser pessoas humanas, como ser filhos e filhas de Deus, como, na nossa vida, gerar amor.

Natal: gerar amor

Natal é irrupção do amor, da novidade, do diferente, do alternativo: Deus faz-se criança e as crianças tornam-se o centro da história! E esta novidade é tão forte que irradia a sua luz em toda a parte, até na celebração pagã do solstício de inverno. A Igreja primitiva cristianizou a data pagã do dia 25 de dezembro que era a festa do solstício de inverno: transformou a celebração do sol, estrela, luz do mundo, na celebração do Sol, Jesus Cristo, Luz do mundo. A luz da promessa transforma-se em luz da presença: «um menino nasceu para nós, um filho nos foi dado».
Jesus Cristo é Deus connosco, é o amor de Deus presente na nossa carne. O Natal é a revelação da gratuidade e da misericórdia, do amor e da alegria do Evangelho. «Quando dizemos ‘é Natal’ estamos a dizer: Deus disse ao mundo a sua última, mais profunda e formosa palavra numa Palavra feita carne [...]. E esta Palavra significa: eu amo-vos, a ti, mundo, e a vós, seres humanos» (Karl Rahner). A espiritualidade de gestação, neste contexto, favorece a descoberta do «admirável amor» de Deus manifestado e oferecido em Jesus Cristo. De facto, a dinâmica da gestação desafia a suscitar amor, a proporcionar as condições necessárias para gerar amor em cada vida humana, em cada um de nós. Não há dúvida da importância fulcral do amor na vida humana. «Existimos porque temos um instinto amoroso, que é inexplicável. É este gesto amoroso que funda o humano» (Gonçalo M. Tavares). Gerar vida é também gerar amor. 
Nos passos de Jesus Cristo, o cristão, discípulo missionário, «está seguro do amor e da ternura de seu Pai e, para Ele, essa ternura é a única capaz de libertar os seres humanos, de fazê-los nascer para o amor. Ler o Evangelho com esses olhos permite descobrir como Jesus não autoriza a fuga do coração, da afetividade, das relações, da condição humana» (Uma nova oportunidade para o Evangelho. Para uma pastoral da gestação, ed. Paulinas). Feliz tempo de Natal que nos é dado como oportunidade para gerar amor. Nas famílias que acolhem um novo nascimento, contemplemos o amor gerado pela possibilidade de abraçar e acariciar o recém-nascido. Nas famílias que celebram momentos festivos, contemplemos o amor gerado pela alegria do encontro. Há tantas (outras) circunstâncias simples da vida que podem gerar amor!

Laboratório da Fé anunciada

Debrucemo-nos sobre o presépio que desde o tempo de Francisco de Assis surge nos templos e nas casas: um menino nasce no lugar onde se guardavam os animais; os seus pais envolvem-no em panos e deitam-no numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria. O nascimento deste menino é anunciado aos pastores que pertenciam às «periferias» da sociedade. Mas este menino é proclamado Salvador e Senhor, é Deus connosco. Ele está no meio de nós, habita em nós. Ele vem ao nosso encontro: «quando alguém dá um pequeno passo em direção a Jesus, descobre que Ele já aguardava de braços abertos a sua chegada» (Francisco, Exortação Apostólica sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual — «Evangelii Gaudium» [EG], 3). Em consequência, este encontro com os «braços abertos» do menino no presépio gera o amor que nos impele ao anúncio. Na verdade, «se uma pessoa experimentou verdadeiramente o amor de Deus que o salva, não precisa de muito tempo de preparação para sair a anunciá-lo» (EG 120). O encontro com Jesus Cristo faz gerar amor e fé anunciada!

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Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 24.12.15 | Sem comentários

CELEBRAR O DIA DE NATAL


Na manhã deste dia, nada fica na mesma: ele corre, o mensageiro da boa nova (primeira leitura), Deus está no meio de nós! É inaudito, inacreditável, como se costuma dizer… Mas sim, hoje, «Deus falou-nos por seu Filho» (segunda leitura), nasceu na nossa humanidade, o «Verbo fez-se carne» (evangelho), luz nas nossas trevas, Filho Primogénito que nos vem dar a conhecer o rosto misericordioso do Pai… Não há palavras suficientes para explicar o mistério. Como dizer a nossa alegria? Como expressar o nosso agradecimento? «Adorem-no todos os Anjos de Deus». E nós? Cantai, aclamai, exultai de alegria, «cantai ai Senhor um cântico novo» (salmo). É Natal: a nossa alegria exprima a nossa fé!

«Traz a boa nova»
No texto proposto para primeira leitura da «Missa do dia» de Natal, o poeta/profeta anuncia o «evangelho» aos exilados. Há um mensageiro que atravessa o deserto com a primeira notícia do resultado da batalha entre Deus e os poderes do Império. O mensageiro traz o evangelho, «traz a boa nova». E qual é essa boa nova? «O teu Deus é Rei». Este facto traz uma vida nova à cidade de Sião, Jerusalém. E até são «belos» os pés do mensageiro, apesar de atravessar os montes.
As sentinelas, debruçadas sobre os muros de Jerusalém destruída, gritam com alegria o que estão a ver: o regresso de Deus. Pelos verbos usados, facilmente se percebe que se trata de uma boa notícia. Gritam de alegria, porque vai acabar o exílio a que tinham sido submitos pelo império babilónico (ao longo de mais de cinquenta anos). Por isso, as sentinelas cantam e dançam de alegria. Até as «ruínas de Jerusalém» são convidadas a exultar de alegria, «porque o Senhor consola o seu povo».Não se trata duma atitude resignada, mas uma intervenção ativa que muda as circunstâncias da comunidade.
Deus «resgata Jerusalém»: a cidade e o povo são objeto privilegiado do amor divino e, por isso, podem viver em liberdade. Ao ver a força do poder de Deus («o seu santo braço»), os impérios inimigos mudarão as suas políticas desumanizadoras. O «nosso Deus» é um Deus que liberta e salva. Compreender isto é, sem dúvida, uma boa nova.

As palavras do «Segundo Isaías» têm um eco especial no nosso coração. O profeta convida a não ceder face à situação de derrota supostamente evidente. Não é salutar promover qualquer tipo de rancor e/ou desilusão. É verdade que o povo se sente abandonado, afastado da sua terra. Mas há sempre uma réstia de esperança! Eis que as promessas messiânicas alcançam o seu cumprimento. Haverá maior alegria?! Não é caso para menos. O anúncio da intervenção salvadora de Deus, em Jerusalém, é antecipação e figura da intervenção definitiva de Deus, em Belém, no nascimento do seu Filho. É um nascimento salvador, que rompe todas as fronteiras, que «traz a boa nova» a todos os desconsolados e cansados deste mundo. Hoje, aos que levantam questões que lhes parecem não ter resposta, é necessário que os cristãos levem a boa nova, sejam discípulos missionários da alegria do Evangelho. Deus está no meio de nós!

© Laboratório da fé, 2015


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 24.12.15 | Sem comentários

ORAÇÃO DIÁRIA A PARTIR DO EVANGELHO

27 DE DEZEMBRO DE 2015


Evangelho segundo Lucas 2, 41-52

Os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém, pela festa da Páscoa. Quando Ele fez doze anos, subiram até lá, como era costume nessa festa. Quando eles regressavam, passados os dias festivos, o Menino Jesus ficou em Jerusalém, sem que seus pais o soubessem. Julgando que Ele vinha na caravana, fizeram um dia de viagem e começaram a procurá-l’O entre os parentes e conhecidos. Não O encontrando, voltaram a Jerusalém, à sua procura. Passados três dias, encontraram-n’O no templo, sentado no meio dos doutores, a ouvi-los e a fazer-lhes perguntas. Todos aqueles que O ouviam estavam surpreendidos com a sua inteligência e as suas respostas. Quando viram Jesus, seus pais ficaram admirados; e sua Mãe disse-Lhe: «Filho, porque procedeste assim connosco? Teu pai e eu andávamos aflitos à tua procura». Jesus respondeu-lhes: «Porque Me procuráveis? Não sabíeis que Eu devia estar na casa de meu Pai?». Mas eles não entenderam as palavras que Jesus lhes disse. Jesus desceu então com eles para Nazaré e era-lhes submisso. Sua Mãe guardava todos estes acontecimentos em seu coração. E Jesus ia crescendo em sabedoria, em estatura e em graça, diante de Deus e dos homens.



Segunda, 21: UMA FAMÍLIA NORMAL

«Como era costume», José levou a sua família a Jerusalém, para festejar os 12 anos de Jesus. No início do relato do evangelho, a «sagrada família», cuja festa celebramos no próximo domingo, parece totalmente normal, ela que segue as leis e os costumes do seu povo. É esta mesma família normal que toma o caminho de Belém para se recensear, na altura em que Maria está grávida de nove meses. Hoje, posso contemplar Jesus a subir a Jerusalém com a sua família, misturado anonimamente entre a multidão de peregrinos.



Terça, 22: NEGLIGÊNCIA PARENTAL

Subitamente, estala o quadro perfeito da família modelo: Maria e José fazem prova de uma terrível negligência: esqueceram-se de Jesus em Jerusalém! Não será esta negligência um sinal da confiança dos filhos de Deus? É essa mesma confiança na provação que anima Maria e José, quando tomam o caminho de Belém. Conforme a minha disposição, posso meditar sobre a negligência destes pais que tanto veneramos... ou sobre a confiança que os habita!



Quarta, 23: PÁNICO A BORDO

Quando se apercebem que Jesus não ia na caravana, os seus pais dirigem-se para Jerusalém à procura dele. Imaginamos a tensão que vivem aquando da censura de Maria ao seu filho. Essa tensão, Maria e José já a tinham sentido na estrada de Belém, entregues às circunstâncias do caminho. Posso fazer memória de acontecimentos similares que já vivi como pai/mãe... ou como crente.



Quinta, 24: ADMIRÁVEL CONVERSAÇÃO!

Jesus está sentado no meio dos doutores da lei, nem mais! Eles «estavam surpreendidos com a sua inteligência e as suas respostas». Eis Jesus, já autónomo, preparado para levantar voo! Que caminho percorrido, após o seu nascimento em Belém, que celebramos esta noite! Hoje, posso preparar-me para acolher Jesus que dá a Vida, ou fazer memória do meu próprio percurso.



Sexta, 25: ILUSTRE DESCONHECIDO

«Seus pais ficaram admirados». Felizes pais, que não deixam de ficar admirados com os seus filhos! Jesus permanece um desconhecido para cada um de nós. Mas está tão próximo! O nascimento de Jesus foi também o de um desconhecido, salvo pelos Céus que cantaram a sua glória e pelos pastores que sabem escutar! Hoje, posso-me deixar levar pela alegria celeste ou contemplar a minha família e os que estão próximos, que conheço tão pouco.



Sábado, 26: TESTEMUNHO

Há muitas maneiras de testemunhar: elucidando os doutores da Lei, guardando «todos estes acontecimentos em seu coração», como Maria, continuando simplesmente a crescer, como Jesus, em Nazaré... ou dando a vida, como Estêvão, o primeiro mártir, que hoje celebramos. Hoje, posso interrogar-me sobre a minha própria maneira de testemunhar a minha pertença à sagrada família dos filhos de Deus!



Domingo, 27: A GLÓRIA DO MEU PAI

Então, o que é que faz sagrada (santa) esta família que hoje proclamamos e celebramos? É sagrada porque segue os costumes do seu povo, porque educou Jesus a ponto de ser capaz de falar com os doutores da Lei, ou porque respeitou o caminho próprio de Jesus, permitindo-lhe encontrar a sua maneira específica de testemunhar quem é o que vive? É talvez por todas estas razões, ao mesmo tempo. E também porque, na provação, os seus membros souberam encontrar a confiança e as palavras que lhes permitiram percorrer, juntos, o caminho da vida. A esta santidade todos somos chamados, qualquer que seja o nosso estado de vida! É isto, na verdade, que celebra a glória do nosso Pai.



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© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2015


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 21.12.15 | Sem comentários

CELEBRAR O DOMINGO QUARTO DE ADVENTO


A poucos dias do Natal, a Sagrada Escritura faz-nos saborear a visita de Deus. As coisas começam a ficar mais claras. O profeta do quarto domingo de Advento (Ano C), Miqueias, anuncia uma nova «reconstrução» após a ruína de Jerusalém. Agora, essa «reconstrução» surgirá a partir de Belém, graças ao aparecimento de um rei justo e pacificador (primeira leitura). O salmista convida a suplicar por esse rei, esse pastor, o próprio Deus: «Vinde em nosso auxílio»! Jesus Cristo incarna esse Deus Salvador: oferece-se ao Pai para cumprir a sua vontade (segunda leitura). Ele convida-nos a assumir a mesma disponibilidade. Maria é disso um exemplo: acolhe a Palavra e acredita no seu cumprimento (evangelho). Hoje, pela boca de Isabel, somos agraciados com a alegria da salvação.

«Altura em que der à luz aquela que há de ser mãe»
O Deus de Israel surpreende sempre: quanto tudo parece perdido, ou é simplesmente insignificante e marginal, Deus intervém e altera a realidade. Deus está sempre disposto a afugentar o pessimismo e a oferecer uma vida nova.
Os capítulos quinto e sexto do livro de Miqueias são, seguramente, posteriores à destruição de Jerusalém, no ano 587 antes de Cristo. Depois da devastação provocado pelos exércitos inimigos, pouca coisa se podia esperar do futuro do povo de Deus. Não parecia sequer possível que pudesse haver realmente uma nova manhã.
Contudo, a voz do profeta anuncia que a pequena cidade de Belém, casa ancestral da família de David, dará ainda outro personagem para a salvação do povo. Repete-se aqui a teologia do pequeno, do último, que, com frequência, aparece nos textos bíblicos.
A visita de Deus será inesperada e cheia de paradoxos: «As suas origens remontam aos tempos de outrora, aos dias mais antigos»; o presente está carregado de medo e de incerteza, mas há uma promessa de paz: «Ele será a paz». A paz é dom escatológico de Deus ao seu povo.
A profecia anunciada por Miqueias é a de um novo rei que libertará o povo de Deus da opressão: o nascimento de uma criança será o sinal do fim da escravidão do povo. Quando chegar a «altura em que der à luz aquela que há de ser mãe», os que estavam perdidos e dispersos serão reunidos na comunidade de fé e viverão em segurança.
Assinala-se que o novo rei da casa de David será um «pastor» cuja missão lhe é confiada «pelo poder do Senhor, pelo nome glorioso do Senhor, seu Deus».

As primeiras leituras dos domingos de Advento apresentam textos proféticos sobre a promessa da «visita» de Deus: «Farei germinar um rebento» (primeiro domingo); «Deus conduzirá Israel, na alegria… com a misericórdia» (segundo); «Deus está no meio de ti» (terceiro). Na proximidade do Natal, o Lecionário oferece um anúncio de Miqueias dirigido à cidade de «Belém-Efratá» (terra natal de David), uma pequena cidade que se tornará central no processo de «reconstrução» do povo. Aproxima-se o tempo do germinar do «rebento», essa «altura em que der à luz aquela que há de ser mãe». No Natal e Epifania será (melhor) esclarecida a profecia.

© Laboratório da fé, 2015



Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 15.12.15 | Sem comentários

ORAÇÃO DIÁRIA A PARTIR DO EVANGELHO

20 DE DEZEMBRO DE 2015


Evangelho segundo Lucas 1, 39-45

Naqueles dias, Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se apressadamente para a montanha, em direção a uma cidade de Judá. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino exultou-lhe no seio. Isabel ficou cheia do Espírito Santo e exclamou em alta voz: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor? Na verdade, logo que chegou aos meus ouvidos a voz da tua saudação, o menino exultou de alegria no meu seio. Bem-aventurada aquela que acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor».



Segunda, 14: MILAGRES NA VIDA

Após o encontro com o anjo, Maria pôs-se a caminho. Ela vai ao encontro de Isabel que, segundo o anjo, está grávida, embora fosse chamada estéril. «Nada é impossível a Deus», para estas mulheres. E para mim? Este relato pode ser ocasião para me lembrar dos momentos em que senti a ação benevolente de Deus. É certo que as dificuldades, com frequência, ensombram o meu olhar sobre a existência e os nossos ritmos frenéticos não ajudam a ver os pequenos milagres do quotidiano. Por isso, hoje, decido fazer uma pausa com o Senhor para contemplar os sinais da sua presença.



Terça, 15: UMA MULHER A CAMINHO

Tento imaginar o caminho percorrido por Maria, bem como os pensamentos que a habitam. A sua vida foi sacudida e vai passar por muitas emoções: alegria, tristeza, inquietude... Neste caminho, ela está só ou acompanhada? Quando tempo demora?... Sabemos, apenas, que se encontra num percurso pela montanha e que vai apressada. Apressada para partilhar a sua inacreditável situação e seguramente impaciente para descobrir o que aconteceu à sua prima. Dou graças ao Senhor por Maria, «a primeira a caminho» e inspiração para a nossa fé.



Quarta, 16: MOMENTO MÁGICO

Maria entra na casa de Zacarias e saúda Isabel. Ela parece entrar num espaço familiar e conhecido. Mas eis que sucede o inaudito: «Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino exultou-lhe no seio». Dedico algum tempo a contemplar estas duas mulheres grávidas que pintores como Arcabas tiveram o prazer de representar. Um momento de tal modo mágico e único que Isabel entra num estado de absoluto louvor: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre». Faço minha esta ação de graças.



Quinta, 17: EXPERIÊNCIA ESPIRITUAL

O efeito do encontro é imediato: «Isabel ficou cheia do Espírito Santo». O Espírito Santo não a faz apenas mergulhar num ato louvor, mas também lhe dá a capacidade de compreender o que está prestes a acontecer. Que graça! Isto faz pensar nas palavras de Santa Teresa de Ávila: «Quando Deus nos dá uma graça, na realidade dá três: a graça propriamente dita, a graça de perceber que se recebeu e a graça de a comunicar». Isabel está cheia de inteligência espiritual. Peço ao Senhor que me ilumine sobre as graças deste dia e me dê a capacidade de as testemunhar.



Sexta, 18: ESPÍRITO DE ALEGRIA

Isabel é a primeira a reconhecer em Maria a mãe do seu Senhor. A sua profissão de fé tal como a sua extrema alegria são claramente frutos do Espírito. Esta ligação entre o Espírito e a profunda alegria encontra-se em vários lugares do evangelho de Lucas, dos quais um deles é bastante sintomático: quando Jesus bendiz o Pai por se revelar aos pequeninos. Agradeço ao Senhor por ser um Deus sempre do lado dos pequenos. E confio-lhe todos os «pequenos» que conheço e que têm necessidade do meu apoio.



Sábado, 19: LOUVOR CONTAGIOSO

O nosso relato não inclui o cântico do Magnificat, que é a resposta de Maria ao grito de ação de graças de Isabel. Contudo, posso deixar ecoar uma ou outra palavra: «Santo é o seu nome; a sua misericórdia estende-se de geração em geração; exalta os humildes»... O rosto de Deus aqui apresentado é um apoio nos momentos de desânimo, quando consinto a sua vinda à minha vida. Peço a graça de lhe não oferecer resistência.



Domingo, 20: ENTRAR NA CASA DE DEUS

Maria entre em casa de Zacarias e deixa-se tocar pelo acolhimento de Isabel. É de hospitalidade e de casa que trata o nosso relato. Uma ajuda: em hebraico, Isabel significa «casa de Deus». E se Maria é a casa de Deus por excelência, Isabel acolhe dentro de si aquele que vai preparar os caminhos; e é um convite a cada um a acolher Deus em nós e nos outros. Termino este itinerário dando graças a Deus pelo caminho da Incarnação, que Deus escolhe fazer contando connosco, optando por passar pelo ventre de uma mulher. Peço a graça de crescer em familiaridade com Jesus e com a sua mãe, certo da sua intercessão e da sua força para iniciar o meu caminho.



© www.versdimanche.com
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2015


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 14.12.15 | Sem comentários

CELEBRAR O DOMINGO TERCEIRO DE ADVENTO


Domingo da Alegria («Gaudete»), este terceiro de Advento (Ano C), assim designado a partir da antífona de entrada («Alegrai-vos sempre no Senhor. Exultai de alegria: o Senhor está perto») e do convite de Paulo (segunda leitura). Não temos de testemunhar a alegria causada pelo amor de Deus por nós? Hesitaremos em cantar e em proclamar a nossa confiança em Deus que nos salva (salmo)? Desde o início do Advento que ouvimos os profetas esforçados em fazer renascer a confiança do povo nos momentos de provação. Hoje é Sofonias que interpela e desperta a fé de Israel (primeira leitura). Vivamos com alegria e em paz, pois pelo batismo somos mergulhados no amor de Deus (evangelho).

«Deus está no meio de ti»
A alegria é talvez emoção mais agradável na vida humana. A alegria é um sinal que expressa a concretização das esperanças mais profundas e o desaparecimento dos medos. A alegria é ainda mais exultante quando resulta de algo completamente inesperado, quando irrompe de surpresa nas rotinas da vida. O texto da primeira leitura refere-se a este tipo de júbilo.
O livro de Sofonias, em termos gerais, apresenta um panorama demasiado sombrio: «Um dia de ira, aquele dia, dia de angústia e tribulação, dia de destruição e devastação, dia de trevas e de escuridão, dia de nuvens e de névoas espessas» (capítulo 1, versículo 15). No meio deste panorama tenebroso, enche de júbilo ler o fragmento proposto na primeira leitura deste domingo em que aparece repetidamente o convite à alegria: «clama jubilosamente… solta brados de alegria… exulta, rejubila». Até Deus «exulta de alegria».
É (quase) certo que se trata de um trecho que, no tempo pós-exílio, foi incorporado no pequeno livro de Sofonias, profeta que viveu na época de Josias (nos finais do século sétimo antes de Cristo).
Importa ter em conta que as raízes desta alegria não provêm de uma hipotética ação do povo, mas da graça e da benevolência divinas: o mesmo Deus que tinha julgado Israel, agora «Ele enche-Se de júbilo, renova-te com o seu amor, exulta de alegria por tua causa». Na verdade, Deus revogou a sentença, afastou os inimigos, vive no meio do povo. Este é o maior motivo de júbilo e de festa: «Deus está no meio de ti».

O Advento convida a gerar a vida de Deus em nós, a criar as condições para que possa nascer em nós Jesus Cristo. Ele é o Deus connosco, «Deus está no meio de ti». O cristão, discípulo missionário, «sabe que Jesus caminha com ele, fala com ele, respira com ele, trabalha com ele. Sente Jesus vivo com ele» (EG 266). Que a sua presença nos dê confiança e alegria!
Neste domingo, o Papa e os bispos abrem a Porta Santa nas Catedrais. É um dos momentos iniciais do Ano Santo da Misericórdia. Eis mais um motivo de alegria: Deus é misercordioso. «Que os anos futuros sejam permeados de misericórdia para ir ao encontro de todas as pessoas levando-lhes a bondade e a ternura de Deus! A todos, crentes e afastados, possa chegar o bálsamo da misericórdia como sinal do Reino de Deus já presente no meio de nós» (MV 5).

© Laboratório da fé, 2015



Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 9.12.15 | Sem comentários
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