CELEBRAR O DOMINGO DÉCIMO TERCEIRO


A eucaristia (dominical) celebra sempre o Mistério Pascal de Jesus Cristo que nos salva. Mas a Liturgia da Palavra do décimo terceiro domingo (Ano B) confirma com insistência o coração da nossa fé: Deus não fez a morte, criou-nos para a vida! Afirmação forte do livro da Sabedoria (primeira leitura), que é preciso repetir hoje, precisamente com sabedoria, para expressar a nossa fé e anunciar «a alegria do Evangelho!». Sim, Deus é festa, Deus é vida, Deus é salvação, Deus é alegria (salmo). Aliás, Jesus Cristo «fez-Se pobre» para nos «enriquecer pela sua pobreza» (segunda leitura), livrou-nos da morte para nos dar a vida! Ele várias vezes ofereceu sinais de vida a quem lhe suplicava com fé (evangelho).

«O que nasce no mundo destina-se ao bem»
O livro da Sabedoria, o último livro do Antigo Testamento a ser escrito, apresenta, no texto proposto na primeira leitura, afirmações muito interessantes, bem diferentes das anteriores doutrinas judaicas que apenas acreditavam num Deus misericordioso para a vida terrena e não acreditavam na intervenção divina depois da morte.
O autor do texto declara: «não foi Deus quem fez a morte»; «o que nasce no mundo destina-se ao bem». Este é o projeto de Deus, que permanece válido mesmo depois do pecado que causou a morte. De que morte se fala? «Foi pela inveja do Diabo que a morte entrou no mundo, e experimentam-na aqueles que lhe pertencem»? É evidente que não se pode referir à morte física, porque se trata de uma realidade que afeta a todos, bons e maus, justos e injustos.
Neste contexto, é conveniente deixar claro três coisas: a condição mortal do ser humano é natural; a morte física (que faz parte da realidade criada) é ambígua; a morte eterna é entendida como um castigo.
A morte física é uma realidade ambígua: não é um mal em si mesma; só o é na medida em que se torna sinal da morte radical, da morte eterna. A morte física é ambígua porque, para os justos, é a passagem para a vida eterna e prelúdio da ruína eterna para os malvados. Essa morte eterna é a tal morte que não foi criada por Deus.
Queremos viver e ser felizes! Contudo, a experiência parece ensinar que tudo tem um fim e que o nosso fim é a morte. Mas a palavra de Deus diz-nos que não é bem assim, pois a morte não se afigura como um ponto final ou a meta da nossa existência, pelo menos para quem vive mergulhado no amor. Confirma-o Paulo Varela Gomes (possui um cancro de grau quatro), no texto que escreveu para a revista Granta intitulado «Morrer é mais difícil do que parece»: «Ao contrário da morte, o amor, que é o outro nome da vida, não me deixa morrer às primeiras: obriga-me a pensar nas pessoas, nos animais e nas plantas de quem gosto e que vou abandonar. Quando a vida manda mais em mim do que a morte, amo os que me amam, e cresce de repente no meu coração a maré da vida. […] Quando isto sucede, o meu tempo já não é o Tempo Comum mas antes um longo domingo de Páscoa: sinto a presença amorosa de todos os que precisam de mim e d’Aquele de quem eu preciso».

© Laboratório da fé, 2015

Celebrar o domingo décimo terceiro (Ano B), no Laboratório da fé, 2015

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 27.6.15 | Sem comentários

Viver a fé! [37]


Neste segundo tema dedicado ao capítulo décimo do Compêndio da Doutrina Social da Igreja («proteger o ambiente») resumimos o quarto e último ponto («uma responsabilidade comum») que se divide nas seguintes alíneas: «o ambiente, um bem coletivo» (números 466 a 471); «o uso das biotecnologias» (472 a 480); «ambiente e partilha dos bens» (481 a 485); «novos estilos de vida» (486 e 487).

O ambiente, um bem coletivo

«A tutela do ambiente constitui um desafio para toda a humanidade: trata-se do dever, comum e universal, de respeitar um bem coletivo» (466) que se estende «não apenas às exigências do presente, mas também às do futuro» (467). Por isso, «a responsabilidade em relação ao ambiente deve encontrar uma tradução adequada no campo jurídico. [...]. As normas jurídicas, todavia, por si sós não bastam: a par delas, devem amadurecer um forte sentido de responsabilidade, bem como uma efetiva mudança nas mentalidades e nos estilos de vida» (468). Nesta responsabilidade pelo «bem coletivo» que é o ambiente, quando se verifica a ausência de dados científicos e é preciso «tomar decisões para enfrentar riscos sanitários e ambientais», a Igreja sugere «uma avaliação inspirada pelo ‘princípio da precaução’, que não comporta a aplicação de uma regra, mas uma orientação ordenada a administrar situações de incerteza» (469). No mesmo sentido, «a programação do desenvolvimento económico deve considerar atentamente a ‘necessidade de respeitar a integridade e os ritmos da natureza’, já que os recursos naturais são limitados e alguns não são renováveis» (470). «Uma atenção especial merece a relação que os povos indígenas mantêm com a sua terra e os seus recursos: trata-se de uma expressão fundamental da sua identidade» (471).

O uso das biotecnologias

«As novas possibilidades oferecidas pelas atuais técnicas biológicas e biogenéticas suscitam, por um lado, esperanças e entusiasmos e, por outro lado, alarme e hostilidade» (472). «A visão cristã da criação comporta um juízo positivo sobre a liceidade [...] e, ao mesmo tempo, um forte chamamento para o sentido de responsabilidade» (473). «Hão de ser avaliadas de acordo com os critérios éticos» (474). «Num espírito de solidariedade internacional, [...] deve ser facilitado [...] o intercâmbio comercial equitativo, livre de vínculos injustos. [...] É indispensável favorecer também a maturação de uma necessária autonomia científica e tecnológica» (475). «A solidariedade comporta também um chamamento à responsabilidade [...] de promover uma política comercial favorável aos seus povos e o intercâmbio de tecnologias capazes de melhorar as condições alimentares e sanitárias» (476). «Os cientistas e técnicos [...] são chamados a trabalhar com inteligência e perseverança na busca de melhores soluções para os graves e urgentes problemas da alimentação e da saúde» (477). «Os empresários e responsáveis pelas entidades públicas que se ocupam da pesquisa, da produção e do comércio dos produtos derivados das novas biotecnologias devem ter em conta não só o lucro legítimo, mas também o bem comum» (478). «Os políticos, os legisladores e os administradores públicos têm a responsabilidade de avaliar as potencialidades, as vantagens e os eventuais riscos» (479). «Também os responsáveis pela informação têm uma tarefa importante, a desempenhar com prudência e objetividade» (480).

Ambiente e partilha dos bens

«Os bens da Terra foram criados por Deus para serem sabiamente usados por todos: tais bens devem ser divididos com equidade, segundo a justiça e a caridade» (481). «O princípio do destino universal dos bens oferece uma fundamental orientação, moral e cultural, para desatar o complexo e dramático nó que liga crises ambientais e pobreza» (482). «A estreita ligação que existe entre o desenvolvimento dos países mais pobres, o crescimento demográfico e uma utilização sustentável do ambiente é utilizado frequentemente como pretexto para escolas políticas e económicas advogarem medidas pouco conformes à dignidade da pessoa humana» (483). «O princípio do destino universal dos bens aplica-se naturalmente também à água» (484): «pela sua própria natureza, não pode ser tratada como uma mera mercadoria entre outras e o seu uso deve ser racional e solidário» (485).

Novos estilos de vida

«Os graves problemas ecológicos exigem uma efetiva mudança de mentalidade que induza a adotar novos estilos de vida» (486). «A atitude [...] perante a criação é a da gratidão e do reconhecimento: o mundo reconduz-nos ao mistério de Deus que o criou e sustém» (487).

© Laboratório da fé, 2015 
Os números entre parêntesis dizem respeito ao «Compêndio da Doutrina Social da Igreja» 
na versão portuguesa editada em 2005 pela editora «Princípia» 





Laboratório da fé, 2014


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 25.6.15 | Sem comentários

CELEBRAR O DOMINGO DÉCIMO SEGUNDO


Vento, mar, tempestade, fenómenos meteorológicos que destroem tudo… Os Apóstolos ficam indignados perante a tranquilidade de Jesus Cristo, mas Ele interpela-os sobre a falta de fé (evangelho). Já no Antigo Testamento, a tempestade marítima simbolizava o perigo (primeira leitura) e, nesse sentido, uma ameaça à relação com Deus. Por isso, em todos os tempos, o ser humano dominado pela angústia grita para Deus e espera a salvação (salmo). Ora, em Jesus Cristo, morto e ressuscitado, a salvação é oferecida a todos e para sempre (segunda leitura). Acredito na dinâmica salvadora de Jesus Cristo?

«O Senhor respondeu a Job do meio da tempestade»
O décimo segundo domingo (Ano B) oferece, na primeira leitura, um texto do livro de Job. Trata-se de uma obra sapiencial composta por uma parte em prosa — o prólogo e o epílogo — em que se descreve os sofrimentos e as desgraças de um homem que, no final, é recompensado por Deus. É como uma história com um final feliz!
A parte central do livro é poética. Contém os diálogos de Job com os seus amigos. Estes insistem em classificar a desgraça como um castigo divino: Deus é justo; Job é pecador, culpado. Job recusa-se a aceitar: protesta e reivindica a sua inocência.
No final do livro, Deus — o grande desafiado — fala com Job. O fragmento da primeira leitura faz parte desse diálogo. «O Senhor respondeu a Job do meio da tempestade». Mas as respostas de Deus são novas perguntas sobre a ordem e o sentido do Universo (neste caso, sobre a força do mar), perguntas para as quais o ser humano também não tem resposta. Em rigor, Deus não responde às interrogações colocadas por Job ao longo do livro. Mas aceita entrar em diálogo. A solidariedade de Deus com Job torna-se suficiente para lhe dar sentido à vida. Além disso, nas «respostas» de Deus percebe-se um convite a contemplar a vida com olhos de fé.
«A experiência de Job só encontra a sua resposta autêntica na Cruz de Jesus, ato supremo de solidariedade de Deus para connosco, totalmente gratuito, totalmente misericordioso. E esta resposta de amor ao drama do sofrimento humano, especialmente do sofrimento inocente, permanece para sempre gravada no corpo de Cristo ressuscitado, naquelas suas chagas gloriosas que são escândalo para a fé, mas também verificação da fé» (Francisco, Mensagem para o Dia Mundial do Doente, 2015).

Quantas vezes experimentamos o desânimo, o fracasso, a frustração, as surpresas negativas da vida! E, face a esta crua realidade, parece que Deus «está a dormir» ou nos abandona. É certo que, nos momentos difíceis, ficamos «cegos» e não somos capazes de ver mais nada além do que estamos a sentir e a viver. E falta-nos a capacidade para aceitar que o silêncio de Deus não é ausência, mas profunda solidariedade. «A força da fé não consiste na ‘imperturbabilidade da convicção’, mas na capacidade de suportar também as dúvidas, as obscuridades, de suster o peso do mistério — mantendo a lealdade e a esperança» (T. Halík, O meu Deus é um Deus ferido). «Ainda não tendes fé?».

© Laboratório da fé, 2015

Celebrar o domingo segundo primeiro (Ano B), no Laboratório da fé, 2015

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 18.6.15 | Sem comentários

Viver a fé! [36]


«Proteger o ambiente» é a temática que ocupa o capítulo décimo do Compêndio da Doutrina Social da Igreja. Neste tema, abordamos os primeiros pontos: «aspetos bíblicos» (números 451 a 455); «o homem e universo das coisas» (456 a 460); «a crise na relação homem-ambiente» (461 a 465).

Aspetos bíblicos

«A experiência viva da presença divina na história é o fundamento da fé do povo de Deus [...]. A fé de Israel vive no tempo e no espaço deste mundo, que é visto não como um ambiente hostil ou um mal do qual deva libertar-se, mas frequentemente como o próprio dom de Deus, o lugar e o projeto que Ele confia à responsável direção e operosidade do ser humano» (451). De facto, «a relação do ser humano com o mundo é um elemento constitutivo da identidade humana. Trata-se de uma relação que nasce como fruto da relação, ainda mais profunda, do ser humano com Deus. O Senhor quis o ser humano como seu interlocutor: somente no diálogo com Deus a criatura humana encontra a própria verdade, da qual extrai inspiração e normas para projetar a história no mundo, um ‘jardim’ que Deus lhe deu para que seja cultivado e guardado. Nem o pecado elimina tal tarefa» (452). Entretanto, «a salvação definitiva, que Deus oferece a toda a humanidade mediante o seu próprio Filho, não atua fora deste mundo. Mesmo ferido pelo pecado, este é destinado a conhecer uma purificação radical da qual sairá renovado, transformado» (453). «O ingresso de Jesus Cristo na história do mundo culmina na Páscoa, onde a própria natureza participa do drama do Filho de Deus rejeitado e da vitória da Ressurreição» (454). «Não apenas a interioridade do humano é sanada, mas toda a sua corporeidade é tocada pela força redentora de Cristo; a criação inteira toma parte na renovação que brota da Páscoa» (455).

O homem e o universo das coisas

«A visão bíblica inspira as atitudes dos cristãos em relação ao uso da terra, assim como ao desenvolvimento da ciência e da técnica» (456). Na verdade, «os resultados da ciência e da técnica são, em si mesmos, positivos: [...] ‘as vitórias do género humano são um sinal da grandeza divina e uma consequência dos Seus desígnios inefáveis’. [...] Nesta perspetiva, o magistério tem repetidas vezes sublinhado que a Igreja Católica não se opõe de modo algum ao progresso» (457). «As considerações do magistério sobre a ciência e sobre a técnica em geral valem também para a sua aplicação ao ambiente natural e à agricultura» (458). Ora, «ponto de referência central para toda a aplicação científica e técnica é o respeito pelo ser humano, que deve acompanhar uma indispensável atitude de respeito para com os outros seres vivos. [...] ‘Toda e qualquer intervenção numa área determinada do ecossistema não pode prescindir da consideração das suas consequências noutras áreas e, em geral, das consequências no bem-estar das futuras gerações’» (459). E o ser humano não pode «esquecer que ‘a sua capacidade de transformar o mundo e, de certo modo, o “criar” com o próprio trabalho […] se desenrola sempre sobre a base da doação originária dos bens por parte de Deus’ [...]. É o próprio Deus que oferece ao ser humano a honra de cooperar com todas as forças da inteligência na obra da criação» (460).

A crise na relação homem-ambiente

«A mensagem bíblica e o magistério eclesial constituem os pontos de referência-parâmetro para avaliar os problemas que se põem nas relações entre o ser humano e o ambiente. [...] A tendência para a ‘exploração inconsiderada’ dos recursos da criação é o resultado de um longo processo histórico e cultural» (461). «A natureza aparece assim como um instrumento nas mãos do ser humano, uma realidade que ele deve constantemente manipular, sobretudo através da tecnologia [...]. O primado atribuído ao fazer e ao ter, mais do que ao ser, gera graves formas de alienação humana» (462). «Uma correta conceção do ambiente, se por um lado não pode reduzir de forma utilitarista a natureza a mero objeto de manipulação e desfrute, por outro lado não pode absolutizar a natureza e sobrepô-la em dignidade à própria pessoa humana. [...] O magistério tem manifestado a sua oposição a uma conceção do ambiente inspirada no ecocentrismo e no biocentrismo» (463). E «uma visão do ser humano e das coisas desligadas de qualquer referência à transcendência conduziu à negação do conceito de criação [...]. ‘A relação que o ser humano tem com Deus é que determina a relação do humano com os seus semelhantes e com o seu ambiente’» (464). Por isso, «o magistério enfatiza a responsabilidade humana de preservar um ambiente íntegro e saudável para todos» (465).

© Laboratório da fé, 2015 
Os números entre parêntesis dizem respeito ao «Compêndio da Doutrina Social da Igreja» 
na versão portuguesa editada em 2005 pela editora «Princípia» 





Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 18.6.15 | Sem comentários

CELEBRAR O DOMINGO DÉCIMO PRIMEIRO


O décimo primeiro domingo (Ano B), na proximidade do verão, oferece-nos belas imagens da natureza: para anunciar o Reino de Deus, Jesus Cristo socorre-se de várias parábolas (evangelho). Neste domingo, propõe as parábolas da semente que «germina e cresce» por si mesma e a do grão de mostarda que se torna «a maior de todas as plantas da horta». Entretanto, já o profeta Ezequiel (primeira leitura) tinha feito um anúncio idêntico como sinal de salvação. E o salmista compara o justo a tais árvores: «florescerá como a palmeira, crescerá como o cedro do Líbano». Então, como escreve Paulo (segunda leitura), em todas as circunstâncias, vivamos sempre cheios de confiança em Deus.

«Tornar-se-á um cedro majestoso»
Ezequiel é um profeta do tempo da primeira deportação para a Babilónia: Nabucodonosor conquistou Jerusalém e condenou ao exílio a casa real e a aristocracia judaica. Depois, quando já parecia improvável o regresso à Terra Prometida, Deus envia o profeta para reanimar a esperança.
A alegoria do cedro, proposta na primeira leitura, está relacionada com a «promessa messiânica» feita por Natã ao rei David (cf. Segundo Livro de Samuel, capítulo 7) sobre a sua descendência. Depois da deportação de Jeconias para a Babilónia e da colocação de Sedecias no trono por Nabucodonosor, o que se poderá esperar da dinastia de David?
A resposta do profeta remete para Deus: arrancará um «ramo novo» do «cedro frondoso», plantá-lo-á «num monte muito alto», «tornar-se-á um cedro majestoso». Por outras palavras, um resto do povo humilde e desprezado permanecerá fiel; desse «resto», Deus renovará a promessa feita a David.
Não são os reis poderosos que determinam o sentido da história. A segunda parte da profecia, mantendo a imagem da «árvore», recorda que a ação determinante é conduzida pelo próprio Deus: «humilho a árvore elevada e elevo a árvore modesta, faço secar a árvore verde e reverdeço a árvore seca». Por isso, a dinastia de David reinará, para sempre, em Jesus Cristo, com a «árvore» da cruz que se tornará em «árvore» da vida.
Eis o ser e agir de Deus: serve-se dum ramo, algo sempre incerto e delicado, para anunciar um futuro novo, cheio de esperança e de vida. Deus é surpreendente: não usa os modos habituais, nem se rege pelos critérios esperados. O paradoxo que coloca em atitude de abertura à novidade, faz parte de Deus. 

O cristão tem de aprender a ter um olhar sempre novo, renovado. Trata-se de olhar para além do visível, pois «o essencial é invisível aos olhos» (Saint-Exupéry). Não se pode desapreciar o pequeno ou o aparentemente mutilado. Há que ter esperança, saber esperar o tempo necessário para ver os frutos que nascem da ação de Deus. «O prazer de esperar. […] Precisaríamos talvez dizer a nós próprios, e uns aos outros, que esperar não é necessariamente uma perda de tempo. Muitas vezes é o contrário. É reconhecer o seu tempo, o tempo necessário para ser; é tomar o tempo para si, como lugar de maturação, como oportunidade reencontrada» (J. Tolentino Mendonça).

© Laboratório da fé, 2015


Celebrar o domingo décimo primeiro (Ano B), no Laboratório da fé, 2015


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 12.6.15 | Sem comentários

Viver a fé! [35]


Este (segundo) tema dedicado ao nono capítulo do Compêndio da Doutrina Social da Igreja (sobre «A Comunidade Internacional») resume o terceiro e quarto pontos desse capítulo: «a organização da Comunidade Internacional» (números 440 a 445); «a cooperação internacional para o desenvolvimento» (números 446 a 450).

O valor das organizações internacionais

«O caminho rumo a uma autêntica ‘comunidade’ internacional, que assumiu uma precisa direção com a instituição da Organização das Nações Unidas em 1945, é acompanhado pela Igreja» (440). A doutrina social da Igreja ressalta a necessidade «de instituir ‘uma autoridade pública universal, reconhecida por todos, com poder eficaz para garantir a segurança, a observância da justiça e o respeito dos direitos’» (441). Aliás, a «globalização dos problemas» exige «uma política internacional voltada para o objetivo da paz e do desenvolvimento mediante a adoção de medidas coordenadas [...]. Em particular, as estruturas intergovernamentais devem exercitar eficazmente as suas funções de controlo e de guia no campo da economia» (442). Por isso, «o magistério avalia positivamente o papel dos agrupamentos que se formaram na sociedade civil para exercer uma importante função de sensibilização da opinião pública em relação aos diversos aspetos da vida internacional, com uma atenção especial para o respeito dos direitos do ser humano» (443).

A personalidade jurídica da Santa Sé

«A Santa Sé – ou Sé Apostólica – goza de plena subjetividade internacional enquanto autoridade soberana que realiza atos juridicamente próprios. Ela exerce uma soberania externa, reconhecida no quadro da comunidade internacional, que reflete a soberania exercida no seio da Igreja e que se caracteriza pela unidade organizativa e pela independência» (444). «O serviço diplomático da Santa Sé, fruto de uma antiga e consolidada praxe, é um instrumento que atua não só pela ‘libertas Ecclesiae’, mas também pela defesa e a promoção da dignidade humana, bem como por uma ordem social baseada nos valores da justiça, da liberdade e do amor» (445).

Colaboração para garantir o direito ao desenvolvimento

«A solução do problema do desenvolvimento requer a cooperação entre as comunidades políticas [...]. O desenvolvimento não é apenas uma aspiração, mas também um direito [...]. O direito ao desenvolvimento funda-se nos seguintes princípios: unidade de origem e comunhão de destino da família humana; igualdade entre todas as pessoas e todas as comunidades baseada na dignidade humana; destino universal dos bens da terra; integralidade da noção de desenvolvimento; centralidade da pessoa humana; solidariedade» (446). Neste sentido, «a doutrina social encoraja formas de cooperação capazes de incentivar o acesso ao mercado internacional dos países marcados pela pobreza e pelo subdesenvolvimento [...]. Entre as causas que predominantemente concorrem para determinar o desenvolvimento e a pobreza, além da impossibilidade de ascender ao mercado internacional, devem ser enumerados o analfabetismo, a insegurança alimentar, a ausência de estruturas e serviços, a carência de medidas para garantir o saneamento básico, a falta de água potável, a corrupção, a precariedade das instituições e da própria vida política. Existe uma conexão entre a pobreza e a falta, em muitos países, de liberdade, de possibilidade de iniciativa económica, de administração estatal capaz de oferecer um sistema adequado de educação e de informação» (447). Por isso, «o espírito da cooperação internacional exige que acima da estrita lógica do mercado esteja a consciência de um dever de solidariedade, de justiça social e de caridade universal» (448).

Luta contra a pobreza

A pobreza «‘é a questão que, em absoluto, mais interpela a nossa consciência humana e cristã’. [...] A luta contra a pobreza encontra uma forte motivação na opção ou no amor preferencial da Igreja pelos pobres. [...] A Igreja não se cansa de reafirmar também outros princípios fundamentais seus, entre os quais se destaca o do destino universal dos bens. [...] Aos pobres se deve olhar ‘não como um problema, mas como possíveis sujeitos e protagonistas dum futuro novo e mais humano para todo o mundo’» (449).

A dívida externa

«Deve-se ter presente o direito fundamental dos povos ao desenvolvimento nas questões ligadas à crise das dívidas de muitos países pobres. [...] Mesmo reafirmando o princípio de que o débito contraído deve ser honrado, é preciso encontrar caminhos para não comprometer o ‘fundamental direito dos povos à subsistência e ao progresso’» (450).

© Laboratório da fé, 2015 
Os números entre parêntesis dizem respeito ao «Compêndio da Doutrina Social da Igreja» 
na versão portuguesa editada em 2005 pela editora «Princípia» 





Laboratório da fé, 2014


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 11.6.15 | Sem comentários

CELEBRAR O DOMINGO DO CORPO E SANGUE DE JESUS CRISTO


A Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo («Corpo de Deus») celebra a «Nova e Eterna Aliança» em Jesus Cristo. Os textos da Escritura propostos na Liturgia da Palavra (Ano B) relatam, progressivamente, o amor de Deus pela Humanidade revelado em termos de «Aliança». No tempo de Moisés, Deus estabelece uma Aliança com o povo (primeira leitura). Mais tarde, anuncia-se uma nova Aliança selada com o sangue de Jesus Cristo (segunda leitura), da qual, a Igreja, novo povo de Deus, faz memória em cada eucaristia (evangelho). Esta é o «sacrifício de louvor» (salmo) que cada um de nós oferece ao Pai em reconhecimento de tão grande amor.

«Faremos tudo o que o Senhor ordenou»
Há dois meses tivemos uma celebração centrada na Eucaristia: a Quinta-feira Santa. A Eucaristia tem suficiente importância e riqueza para lhe serem dedicadas duas celebrações especiais ao longo do ano!
O livro do Êxodo, depois da grande intervenção libertadora de Deus em favor dum povo escravo no Egito, situa a ação junto do monte Sinai. Este monte, o centro literário e teológico da caminhada do povo pelo deserto, tornar-se-à uma referência central para o judaísmo posterior.
Deus pronunciara as «dez palavras» ou «dez mandamentos». O povo compromete-se a obedecer: «Faremos tudo o que o Senhor ordenou». Moisés coloca-o por escrito. A Escritura será capital na experiência religiosa do povo de Israel. É a perpetuação da memória!
O texto da primeira leitura descreve com detalhes o rito da Aliança entre Deus e Israel: Moisés construiu um altar, mandou oferecer novilhos em holocausto (recordemos que a religião de Israel se expressava cultualmente com sacrifícios de animais), derramou metade do sangue dos novilhos sobre o altar e aspergiu o povo com a outra metade. Este sangue tem um papel fundamental: é sinal (selo) da fidelidade à Aliança.
O sangue, na mentalidade do povo bíblico, era portador da vida. Partilhar o sangue é partilhar a vida. Aspergir o sangue sobre as pessoas era implicar a vida do povo no cumprimento da Aliança. Por isso, o autor da Epístola aos Hebreus (segunda leitura) recorreu à imagem do sangue derramado por Jesus Cristo na cruz para expressar a «Nova e Eterna Aliança» entre Deus e a Humanidade.
A Eucaristia é o sacramento central da vida cristã. Escutamos muitas vezes esta afirmação com palavras semelhantes e de muitas e variadas formas. E também escutamos, outras tantas vezes, que a Eucaristia é aborrecida… Como conjugar estas duas experiências que são tão reais e contraditórias? Habitualmente, propõe-se dois caminhos: procura-se aprofundar o sabor teológico da Eucaristia (a sua transcendência e espiritualidade); procura-se que a celebração se torne mais participativa e expressiva. Ambos os caminhos são necessários e devem continuar a ser explorados. Mas é também importante propor a conjugação dos dois: a Eucaristia como uma Aliança vital, uma Aliança onde se dá a conhecer o seu aroma transcendente e onde se exprime a sua fragrância presente na vida quotidiana de cada pessoa.

© Laboratório da fé, 2015

Celebrar o domingo do Corpo e Sangue de Jesus Cristo (Ano B), no Laboratório da fé, 2015

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 6.6.15 | Sem comentários

Viver a fé! [34]


O capítulo nono do Compêndio da Doutrina Social da Igreja é dedicado à «Comunidade Internacional». Neste tema apresentamos os dois primeiros pontos: «aspetos bíblicos» (números 429 a 432); «as regras fundamentais da Comunidade Internacional» (números 433 a 439).

A unidade da família humana

«Os relatos bíblicos sobre as origens mostram a unidade do género humano e ensinam que o Deus de Israel é o Senhor da história e do cosmos: a sua ação abraça todo o mundo e a família humana inteira, à qual é destinada a obra da criação» (428). Assim, «a aliança de Deus com Noé (cf. Génesis 9, 1-17) e, nele, com toda a humanidade, após a destruição causada pelo dilúvio, manifesta que Deus quer manter para a comunidade humana a bênção de fecundidade» (429). Entretanto, após a divisão causada pelo episódio de Babel, «a aliança estabelecida por Deus com Abraão, eleito ‘pai de uma multidão de povos’ (Génesis 17, 4), abre o caminho para a reunião da família humana no seu Criador. [...] Os Profetas anunciarão, para um tempo escatológico, a peregrinação de todos os povos ao templo do Senhor e uma era de paz entre as nações» (430).

Jesus Cristo protótipo e fundamento da nova humanidade

«O Senhor Jesus é o protótipo e o fundamento da nova humanidade. N’Ele, verdadeira ‘imagem de Deus’ (2Coríntios 4, 4), o ser humano, criado por Deus à sua imagem e à sua semelhança, encontra a sua realização» (431).

A viação universal do Cristianismo

«A mensagem cristã oferece uma visão universal da vida dos seres humanos e dos povos sobre a Terra que leva a compreender a unidade da família humana [...]. A mensagem cristã foi decisiva para fazer a humanidade compreender que os povos tendem a unirem-se não apenas em razão das formas de organização, de vicissitudes políticas, de projetos económicos ou em nome de um internacionalismo abstrato e ideológico, mas porque livremente se orientam em direção à cooperação, ‘conscientes de pertencer como membros vivos a uma comunidade mundial’, que se deve propor sempre mais e sempre melhor como figura concreta da unidade querida pelo Criador» (432).

Comunidade Internacional e valores

«A centralidade da pessoa humana e da aptidão natural das pessoas e dos povos para estreitar relações entre si são elementos fundamentais para construir uma verdadeira comunidade internacional, cuja organização deve tender ao efetivo bem comum universal. [...] A convivência entre as nações funda-se nos mesmos valores que devem orientar a convivência entre os seres humanos: a verdade, a justiça, a solidariedade e a liberdade» (433). «A comunidade internacional é uma comunidade jurídica fundada sobre a soberania de cada Estado-membro, sem vínculos de subordinação que neguem ou limitem a cada qual a sua independência» (434). «O magistério reconhece a importância da soberania nacional [...]. Não é, porém, um absoluto. As nações podem renunciar livremente ao exercício de alguns dos seus direitos, em vista de um objetivo comum, com a consciência de formarem uma única ‘família’, na qual devem reinar a confiança recíproca, o apoio e o respeito mútuo» (435).

Relações fundadas na harmonia entre ordem jurídica e ordem moral

«A mesma lei moral que rege a vida dos seres humanos deve regular também as relações entre os Estados [...], uma ‘gramática’ capaz de orientar o diálogo sobre o futuro do mundo» (436). «O respeito universal dos princípios que inspiram uma ‘ordenação jurídica em harmonia com a ordem moral’ é uma condição necessária para a estabilidade da vida internacional» (437). «Para resolver os conflitos que surgem entre as diversas comunidades políticas e que comprometem a estabilidade das nações e a segurança internacional, é indispensável referir-se a regras comuns confiadas à negociação, renunciando definitivamente à ideia de buscar a justiça mediante o recurso à guerra [...]. A Carta das Nações Unidas interditou não somente o recurso à força, mas também a simples ameaça de usá-la: tal disposição nasceu da trágica experiência da Segunda Guerra Mundial» (438). «Para consolidar o primado do direito, vale acima de tudo o princípio da confiança recíproca. Nesta perspetiva, os instrumentos normativos para a solução pacífica das controvérsias devem ser repensados de tal modo que lhes sejam reforçados o alcance e a obrigatoriedade. [...] Consentirá à Comunidade Internacional propor-se já não como simples momento de agregação da vida dos Estados, mas como uma estrutura em que os conflitos possam ser resolvidos pacificamente» (439).

© Laboratório da fé, 2015 
Os números entre parêntesis dizem respeito ao «Compêndio da Doutrina Social da Igreja» 
na versão portuguesa editada em 2005 pela editora «Princípia» 





Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 4.6.15 | Sem comentários

MARIA, A MÃE DA EVANGELIZAÇÃO!


Mistérios da glória

— «Não fujamos da ressurreição de Jesus; nunca nos demos por mortos!» (EG 3) —

  • PRIMEIRO MISTÉRIO
A ressurreição de Jesus [Marcos 16, 5-7]
«Entrando no sepulcro, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, e Salomé viram um jovem sentado do lado direito, vestido com uma túnica branca, e ficaram assustadas. Mas ele disse-lhes: ‘Não vos assusteis. Procurais a Jesus de Nazaré, o Crucificado? Ressuscitou: não está aqui. Vede o lugar onde O tinham depositado. Agora ide dizer aos seus discípulos e a Pedro que Ele vai adiante de vós para a Galileia. Lá O vereis, como vos disse’».

[Meditação]
«Jesus Cristo pode romper também os esquemas enfadonhos em que pretendemos aprisioná-Lo, e surpreende-nos com a sua constante criatividade divina. Sempre que procuramos voltar à fonte e recuperar o frescor original do Evangelho, despontam novas estradas, métodos criativos, outras formas de expressão, sinais mais eloquentes, palavras cheias de renovado significado para o mundo atual» (EG 11).

  • SEGUNDO MISTÉRIO
A ascensão de Jesus [Marcos 16, 15-16.19-20]
«Naquele tempo, Jesus apareceu aos Onze e disse-lhes: ‘Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda a criatura’. […] E assim o Senhor Jesus, depois de ter falado com eles, foi elevado ao Céu e sentou-Se à direita de Deus. Eles partiram a pregar por toda a parte, e o Senhor cooperava com eles».

[Meditação]
«A pastoral em chave missionária exige o abandono deste cómodo critério pastoral: ‘fez-se sempre assim’. Convido todos a serem ousados e criativos nesta tarefa de repensar os objetivos, as estruturas, o estilo e os métodos evangelizadores das respetivas comunidades» (EG 33).

  • TERCEIRO MISTÉRIO
O dom do Espírito Santo no Pentecostes [Atos 2, 1-4]
«Quando chegou o dia de Pentecostes, os Apóstolos estavam reunidos no mesmo lugar. […] Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que se exprimissem».

[Meditação]
«Em qualquer forma de evangelização, o primado é sempre de Deus, que quis chamar-nos para cooperar com Ele e impelir-nos com a força do seu Espírito. A verdadeira novidade é aquela que o próprio Deus misteriosamente quer produzir, aquela que Ele inspira, aquela que Ele provoca, aquela que Ele orienta e acompanha» (EG 12).

  • QUARTO MISTÉRIO
A assunção de Maria [Apocalipse 12, 1-2]
«Apareceu no Céu um sinal grandioso: uma mulher revestida de sol, com a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça. Estava para ser mãe e gritava com as dores e ânsias da maternidade».

[Meditação]
«Juntamente com o Espírito Santo, sempre está Maria no meio do povo. Ela reunia os discípulos para O invocarem (Atos 1, 14), e assim tornou possível a explosão missionária que se deu no Pentecostes. Ela é a Mãe da Igreja evangelizadora e, sem Ela, não podemos compreender cabalmente o espírito da nova evangelização» (EG 284).

  • QUINTO MISTÉRIO
Coroação de Maria, como rainha do Céu e da Terra [Lucas 1, 46-48]
«Maria disse então: ‘A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador. Porque pôs os olhos na humildade da sua serva: de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações’».

[Meditação]
Em Maria «descobrimos que aquela que louvava a Deus [...]. Maria sabe reconhecer os vestígios do Espírito de Deus tanto nos grandes acontecimentos como naqueles que parecem imperceptíveis. É contemplativa do mistério de Deus no mundo, na história e na vida diária de cada um e de todos» (EG 288).

© Laboratório da fé, 2015

Maio 2015 — Mês de Maria: a mãe da evangelização! | 31 — pdf

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Maria, a mãe da evangelização!
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 31.5.15 | Sem comentários

MARIA, A MÃE DA EVANGELIZAÇÃO!


Mistérios da alegria

— Com Jesus Cristo renasce sem cessar a alegria!» (EG 1) —

  • PRIMEIRO MISTÉRIO
A Anunciação a Maria [Lucas 1, 38]
«Maria disse então: ‘Eis a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a tua Palavra’».

[Meditação]
«A Palavra possui, em si mesma, uma tal potencialidade, que não a podemos prever. [...] A Igreja deve aceitar esta liberdade incontrolável da Palavra, que é eficaz a seu modo e sob formas tão variadas que muitas vezes nos escapam, superando as nossas previsões e quebrando os nossos esquemas» (EG 22).

  • SEGUNDO MISTÉRIO
A visita de Maria a sua prima Isabel [Lucas 1, 39-40]
«Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se apressadamente para a montanha, em direção a uma cidade de Judá. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino exultou-lhe no seio».

[Meditação]
«A Igreja ‘em saída’ é a comunidade de discípulos missionários que ‘primeireiam’ [...] – desculpai o neologismo –, tomam a iniciativa! A comunidade missionária experimenta que o Senhor tomou a iniciativa, precedeu-a no amor, e, por isso, ela sabe ir à frente, sabe tomar a iniciativa sem medo, ir ao encontro [...]. Ousemos um pouco mais no tomar a iniciativa!» (EG 24).

  • TERCEIRO MISTÉRIO
O nascimento de Jesus [Lucas 2, 10-11]
«Disse-lhes o anjo: ‘Não temais, porque vos anuncio uma grande alegria para todo o povo: nasceu-vos hoje, na cidade de David, um Salvador, que é Cristo Senhor’».

[Meditação]
«No coração de Deus, ocupam lugar preferencial os pobres, tanto que até Ele mesmo ‘Se fez pobre’. Todo o caminho da nossa redenção está assinalado pelos pobres. Esta salvação veio a nós, através do ‘sim’ duma jovem humilde, duma pequena povoação perdida na periferia dum grande império. O Salvador nasceu num presépio, entre animais, como sucedia com os filhos dos mais pobres» (EG 197).

  • QUARTO MISTÉRIO
A apresentação do Menino Jesus no Templo [Lucas 2, 27-32]
«Quando os pais de Jesus trouxeram o Menino, para cumprirem as prescrições da Lei no que lhes dizia respeito, Simeão recebeu-O em seus braços e bendisse a Deus, exclamando: ‘Agora, Senhor, segundo a vossa palavra, deixareis ir em paz o vosso servo, porque os meus olhos viram a vossa salvação, que pusestes ao alcance de todos os povos: luz para se revelar às nações e glória de Israel, vosso povo’».

[Meditação]
«Vivamos o desejo profundo de progredir no caminho do Evangelho, e não deixemos cair os braços. [...] O Senhor quer servir-Se de nós como seres vivos, livres e criativos, que se deixam penetrar pela sua Palavra [...]. O Espírito Santo, que inspirou a Palavra, é quem ‘hoje ainda [...] age em cada um dos evangelizadores’» (EG 151).

  • QUINTO MISTÉRIO
Jesus entre os doutores da Lei [Lucas 2, 46-47]
«Passados três dias, encontraram Jesus no templo, sentado no meio dos doutores, a ouvi-los e a fazer-lhes perguntas. Todos aqueles que O ouviam estavam surpreendidos com a sua inteligência e as suas respostas».

[Meditação]
«O estudo da Sagrada Escritura deve ser uma porta aberta para todos os crentes. [...] A evangelização requer a familiaridade com a Palavra de Deus, e isto exige que as dioceses, paróquias e todos os grupos católicos proponham um estudo sério e perseverante da Bíblia e promovam igualmente a sua leitura orante pessoal e comunitária. [...] Acolhamos o tesouro sublime da Palavra revelada!» (EG 175).

© Laboratório da fé, 2015

Maio 2015 — Mês de Maria: a mãe da evangelização! | 30 — pdf

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Maria, a mãe da evangelização!
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 30.5.15 | Sem comentários

MARIA, A MÃE DA EVANGELIZAÇÃO!


Mistérios da dor

— «Jesus quer que toquemos a miséria humana, 
que toquemos a carne sofredora dos outros!» (EG 270) —

  • PRIMEIRO MISTÉRIO
A agonia de Jesus no Jardim das Oliveiras [Marcos 14, 32-37]
«Jesus disse aos seus discípulos: ‘Ficai aqui, enquanto Eu vou orar’. [...] Adiantando-se um pouco, caiu por terra e orou para que, se fosse possível, se afastasse d’Ele aquela hora. Jesus dizia: ‘Abbá, Pai, tudo Te é possível: afasta de Mim este cálice. Contudo, não se faça o que Eu quero, mas o que Tu queres’».

[Meditação]
«A maior parte dos homens e mulheres do nosso tempo vive o seu dia a dia precariamente [...]. O medo e o desespero apoderam-se do coração de inúmeras pessoas [...]. A alegria de viver frequentemente se desvanece; crescem a falta de respeito e a violência, a desigualdade social torna-se cada vez mais patente» (EG 52).

  • SEGUNDO MISTÉRIO
A flagelação de Jesus [Marcos 15, 15]
«Pilatos [...] depois de mandar flagelar Jesus, entregou-O para ser crucificado».

[Meditação]
«A nossa tristeza e vergonha pelos pecados de alguns membros da Igreja, e pelos próprios, não devem fazer esquecer os inúmeros cristãos que dão a vida por amor: ajudam tantas pessoas seja a curar-se seja a morrer em paz em hospitais precários, cuidam de idosos abandonados por todos, [...] e dedicam-se de muitas outras maneiras que mostram o imenso amor à humanidade inspirado por Deus feito homem» (EG 76).

  • TERCEIRO MISTÉRIO
A coroação de espinhos [Marcos 15, 16-18]
«Os soldados revestiram Jesus com um manto de púrpura e puseram-lhe na cabeça uma coroa de espinhos, que haviam tecido. Depois começaram a saudá-l’O: ‘Salve, rei dos judeus’».

[Meditação]
«Desenvolveu-se uma globalização da indiferença. Quase sem nos dar conta, tornamo-nos incapazes de nos compadecer ao ouvir os clamores alheios, já não choramos à vista do drama dos outros, nem nos interessamos por cuidar deles, como se tudo fosse uma responsabilidade de outrem, que não nos incumbe» (EG 54).

  • QUARTO MISTÉRIO
Jesus a caminho do Calvário [Lucas 23, 27.28]
«Seguiam Jesus uma grande multidão de povo e umas mulheres que batiam no peito e se lamentavam por Ele. Jesus voltou-se para elas e disse-lhes: ‘Filhas de Jerusalém, não choreis por mim, chorai antes por vós mesmas e pelos vossos filhos’».

[Meditação]
«Há uma forma de oração que nos incentiva particularmente a gastarmo-nos na evangelização e nos motiva a procurar o bem dos outros: é a intercessão. [...] ‘Em todas as minhas orações, sempre peço com alegria por todos vós (...), pois tenho-vos no coração’ (Filipenses 1, 4.7). Descobrimos, assim, que interceder não nos afasta da verdadeira contemplação, porque a contemplação que deixa de fora os outros é uma farsa» (EG 281).

  • QUINTO MISTÉRIO
Crucifixão e morte de Jesus [Marcos 15, 27-37]
«Crucificaram com Jesus dois salteadores [...]. Às três horas da tarde, Jesus clamou com voz forte: ‘Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?’. [...] Então Jesus, soltando um grande brado, expirou».

[Meditação]
«Assim como o mandamento ‘não matar’ põe um limite claro para assegurar o valor da vida humana, assim também hoje devemos dizer ‘não a uma economia da exclusão e da desigualdade social’. Esta economia mata. [...] O ser humano é considerado, em si mesmo, como um bem de consumo que se pode usar e depois lançar fora. [...] Os excluídos não são ‘explorados’, mas resíduos, ‘sobras’» (EG 53).

© Laboratório da fé, 2015

Maio 2015 — Mês de Maria: a mãe da evangelização! | 29 — pdf

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Maria, a mãe da evangelização!
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 29.5.15 | Sem comentários

Viver a fé! [33]


«A comunidade política ao serviço da sociedade civil» (números 417 a 420) e «o Estado e as comunidades religiosas» (números 421 a 427) preenchem os dois últimos (quinto e sexto) pontos do oitavo capítulo do Compêndio da Doutrina Social da Igreja dedicado à reflexão sobre a comunidade política.

O valor da sociedade civil

«A comunidade política é constituída para estar ao serviço da sociedade civil, da qual deriva. [...] A sociedade civil é um conjunto de realizações e recursos culturais e associativos [...]: ‘O fim da sociedade civil é universal, porque é aquele que diz respeito ao bem comum’» (417).

O primado da sociedade civil

«A comunidade política e a sociedade civil, embora reciprocamente coligadas e interdependentes, não são iguais na hierarquia dos fins. A comunidade política está essencialmente ao serviço da sociedade civil [...]. A sociedade civil, portanto, não pode ser considerada um apêndice ou uma variável da comunidade política: antes tem a preeminência, porque justifica radicalmente a existência da comunidade política. O Estado deve fornecer um quadro jurídico adequado ao livre exercício das atividades dos sujeitos sociais e estar pronto a intervir, sempre que for necessário, e respeitando o princípio de subsidiariedade, para orientar para o bem comum a dialética entre as livres associações ativas na vida democrática» (418).

A aplicação do princípio da subsidiariedade

«A comunidade política está obrigada a regular as próprias relações com a comunidade civil de acordo com o princípio da subsidiariedade» (419). «A cooperação, mesmo nas suas formas menos estruturadas, delineia-se como uma das respostas mais fortes à lógica do conflito e da concorrência sem limites, que hoje se revela prevalente. [...] Muitas experiências de voluntariado constituem um ulterior exemplo de grande valor que leva a considerar a sociedade civil como lugar onde é sempre possível a recomposição de uma ética pública centrada na solidariedade, na colaboração concreta, no diálogo fraterno. Em face das potencialidades que assim se manifestam, os católicos são chamados a olhar com confiança e a oferecer um contributo pessoal para o bem da comunidade em geral e, em particular, para o bem dos mais fracos e dos mais necessitados» (420).

A liberdade religiosa, um direito humano fundamental

«O Concílio Vaticano II empenhou a Igreja Católica na promoção da liberdade religiosa. A declaração ‘Dignitatis Humanae’ precisa, no subtítulo, que pretende proclamar ‘o direito da pessoa e das comunidades à liberdade social e civil em matéria religiosa’» (421). Mas «o direito à liberdade religiosa [...] não é em si um direito ilimitado» (422). A Igreja reconhece que «uma comunidade religiosa pode receber um especial reconhecimento por parte do Estado: mas um tal reconhecimento jurídico não deve, de modo algum, gerar uma discriminação de ordem civil ou social para outros grupos religiosos. [...] O direito à liberdade religiosa, infelizmente, ‘é violado por numerosos Estados’» (423).

Igreja Católica e comunidade política: autonomia e independência

«A Igreja e a comunidade política, embora exprimindo-se ambas com estruturas organizativas visíveis, são de natureza diversa quer pela sua configuração, quer pela finalidade que perseguem. [...] A Igreja organiza-se com formas aptas a satisfazer as exigências espirituais dos seus fiéis, ao passo que as diversas comunidades políticas geram relações e instituições ao serviço de tudo o que o bem comum temporal compreende» (424).

Igreja Católica e comunidade política: colaboração

«A autonomia recíproca da Igreja e da comunidade política não comporta uma separação tal que exclua a colaboração entre elas: ambas, embora a títulos diferentes, estão ao serviço da vocação pessoal e social dos mesmos seres humanos» (425). «A Igreja tem direito ao reconhecimento jurídico da própria identidade. [...] A Igreja, portanto, pede: liberdade de expressão, de ensino, de evangelização; liberdade de manifestar o culto em público; liberdade de organizar-se e ter regulamentos internos próprios; liberdade de escolha, de educação, de nomeação e transferência dos próprios ministros; liberdade de construir edifícios religiosos; liberdade de adquirir e de possuir bens adequados à própria atividade; liberdade de associar-se para fins não só religiosos, mas também educativos, culturais, sanitários e caritativos» (426). «Para prevenir ou apaziguar os possíveis conflitos entre a Igreja e a comunidade política, a experiência jurídica da Igreja e do Estado tem delineado formas estáveis de acordos e instrumentos aptos a garantir relações harmoniosas» (427).

© Laboratório da fé, 2015 
Os números entre parêntesis dizem respeito ao «Compêndio da Doutrina Social da Igreja» 
na versão portuguesa editada em 2005 pela editora «Princípia» 





Laboratório da fé, 2014


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 28.5.15 | Sem comentários
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