Reflexão mensal sobre as obras de misericórdia [8]


«A expressão ‘dar pousada aos peregrinos’ refere-se à prática de acolher quem está a fazer uma peregrinação. Não é por acaso que as obras de misericórdia, tais como dar de comer a quem tem fome, dar de beber a quem tem sede [...], foram muitas vezes representadas nas igrejas situadas ao longo dos itinerários das grandes peregrinações, para estimular a caridade ativa para com os peregrinos» (Luciano Manicardi).

A prática da hospitalidade

Na obra de misericórdia «dar pousada aos peregrinos» está subjacente a palavra evangélica sobre o acolhimento do forasteiro e, portanto, sobre a prática da hospitalidade. Hoje é necessário que se difunda uma cultura da hospitalidade. Ora, «a civilização deu um passo decisivo, talvez o [único] passo decisivo, no dia em que o estrangeiro, de inimigo se transformou em hóspede». Porquê dar hospitalidade? Porque somos humanos, para nos tornarmos mais humanos, para respeitar e honrar a humanidade do outro. Cada ser humano, mal vem ao mundo, torna-se ele próprio hóspede do humano que há nele: nós damos hospitalidade porque, por nossa vez, sabemos que também somos hóspedes. O pobre, o sem-abrigo, o vagabundo, o estrangeiro, o mendigo, aquele cuja humanidade é humilhada pelo peso das faltas e das privações, das rejeições e do abandono, do desinteresse e da estranheza, começa a ser acolhido quando eu começo a sentir como minha a sua humilhação, a sua vergonha, quando começo a sentir que a mortificação da sua humanidade é a minha própria mortificação. E nós, cristãos, temos o maior exemplo dado pelo próprio Jesus Cristo. A sua vida, segundo os evangelhos, caracteriza-se por um estilo de encontro com o outro que pode ser definido como «santidade hospitaleira». A santidade, a alteridade de Jesus Cristo, o homem que revelou Deus, é vivida por ele não como separação, mas como hospitalidade, capacidade de encontro e de acolhimento que se torna revelação do acolhimento e da comunhão radical de Deus com os seres humanos. E cada encontro mostra um homem capaz de se adaptar às capacidades de relação e de escuta do outro, de acolhê-lo tal como ele é, sem preconceitos; antes, desenvolvendo sempre uma prática de abandono dos preconceitos e dos estereótipos.

Hospitalidade como escuta

Acolher o viandante significa, no mínimo, abrir a própria casa ao outro, mas, mais profundamente, fazer de si próprio a casa, a morada em que o outro é acolhido: acolher é dar tempo e escutar o outro, e, escutando-o, escavamos em nós um espaço interior para ele. A hospitalidade, declinada como escuta do outro, da sua história, incide sobre o nosso ser profundo, faz de nós pessoas capazes de acolhimento, e faz com que a própria hospitalidade seja um acontecimento que molda a nossa interioridade. Escutar o estrangeiro significa acolher o seu apelo e assumir a responsabilidade de uma resposta; significa também aceitar retirar as lentes deformadoras dos preconceitos, das verdades pré-fabricadas, dos slogans, dos lugares comuns, para nos aproximarmos dele, escutando-o, falando-lhe e vendo modificar-se o próprio preconceito. Pôr de parte os preconceitos significa empenhar-se no conhecimento do outro. Com efeito, há que evitar dois riscos contrapostos: a apropriação do outro, faltando-lhe ao respeito, e a desapropriação de si e da própria cultura para se vergar frente a outro mistificado e enfatizado. Então, poder-se-á aceder ao encontro com o outro como aparição. Além disso, para acolher o outro é preciso ter humildade e curiosidade. A humildade de quem considera que o outro pode trazer sempre alguma coisa à minha humanidade e à minha prática de vida, e a curiosidade de quem se abre com simpatia aos costumes culturais do outro. Assim, talvez, também se possa chegar à empatia, a sentir o outro, integrando o plano emocional, somático e mental numa única atitude de acolhimento. Por fim, hospedar o outro implica o diálogo com ele. A conversa dá lugar à conversão: o outro deixa de ser ofuscado pelas nuvens dos preconceitos, e eu posso vê-lo em verdade e acolhê-lo com sinceridade.

Perdoar

Jesus Cristo ressuscitado, que se manifesta aos discípulos mostrando as feridas da crucifixão e dando aos discípulos o Espírito Santo que lhes permitirá perdoar os pecados (cf. João 20, 19-23), revela que perdoar significa fazer do mal recebido uma ocasião de dom. No perdão não se trata de atenuar a responsabilidade de quem cometeu o mal: o perdão perdoa, precisamente, aquilo que não é desculpável, aquilo que é injustificável — o mal cometido e que permanece como tal, assim como permanecem as cicatrizes do mal infligido. O perdão não elimina a irreversibilidade do mal sofrido, mas assume-o como passado e, fazendo prevalecer uma relação de graça sobre uma relação de represália, cria as premissas de uma renovação da relação entre ofensor e ofendido. O perdão, portanto, opõe-se ao esquecimento (só se pode perdoar aquilo que não foi esquecido) e supõe um trabalho da memória. A recordação do mal sofrido abre caminho ao perdão, na medida em que elabora o sentido do mal sofrido: com efeito, nós, humanos, não somos responsáveis pela existência do mal ou pelo facto de o termos sofrido injustamente (e até na infância ou em situações de total incapacidade de nos defendermos, talvez de pessoas das quais deveríamos esperar apenas bem e amor), mas somos responsáveis por aquilo que fazemos do mal por nós sofrido. O trabalho de recordação que desemboca no perdão pode, assim, libertar o ofendido da coação a repetir, que o levaria a efetuar o mesmo em seu redor e a infligir a outros o mal que ele próprio, a seu tempo, sofreu. Por detrás do ato através do qual a pessoa perdoa já está uma cura da memória: não permanecemos vítimas da recordação endurecida e obstinada, transformada em fixação; não ficamos dominados pelo ressentimento. Ao mesmo tempo, o perdão implica um «deixar andar», um romper não com a recordação, mas com o contrato de dívida de quem cometeu o mal. O ato do perdão mostra-se assim capaz de curar não só o ofensor, mas também o ofendido.


O perdão é a única reação 
que não se limita a reagir, 
mas que atua de novo 
e de forma inesperada, 
não condicionado 
por um ato que o provocou 
e que, portanto, 
liberta das suas consequências 
tanto aquele que perdoa 
como aquele que é perdoado. 

Hannah Arendt

Perdoar é um ato omnipotente e débil

A história da revelação bíblica também é a história da revelação do Deus «capaz de perdão» que, na prática de humanidade de Jesus Cristo, no seu viver e no seu morrer, revelou a extensão e a profundidade do seu amor pelos seres humanos, um amor que até da ofensa recebida faz uma ocasião não de juízo ou de condenação, mas de amor. Em Cristo, morto por nós quando éramos pecadores, o perdão já foi dado a cada ser humano e, portanto, também a possibilidade de vivê-lo. Ser perdoados significa descobrir que se é amado no próprio ódio. O filho pródigo dará o nome de perdão ao amor fiel e inquebrantável do pai, que sempre o esperou e que sempre esteve próximo dele, mesmo quando se afastara de casa e o condenara simbolicamente à morte, pedindo-lhe antecipadamente a herança (cf. Lucas 15, 11-32). Isso significa que o perdão precede e fundamenta o arrependimento e que este último só poderá surgir da tomada de consciência de tal amor unilateral, gratuito e incondicional, anterior a todo o nosso «mérito». A partir do perdão, a comunidade cristã é chamada a ser o lugar do perdão: «Perdoai-vos mutuamente, como também Deus vos perdoou em Cristo» (Efésios 4, 32). E a oração quotidiana do cristão, fazendo eco das palavras de Ben Sira (28, 2: «Perdoa ao teu próximo o mal que te fez, e os teus pecados, se o pedires na tua oração, serão perdoados»), estabelece uma relação entre o pedido do perdão divino e a prática do perdão ao irmão (cf. Mateus 6, 12; Lucas 11, 4). No perdão, o mal não tem a última palavra: a morte não vence a vida, e a reconciliação pode substituir o fim da relação. O perdão faz-nos entrar na dinâmica pascal. É fundamental para o cristão descobrir que foi perdoado por Deus em Jesus Cristo, e isso fará com que o ato do perdão dado não seja tanto (ou apenas) um ato de vontade, mas a abertura ao dom da graça do Senhor. O perdão, portanto, depois de concedido, pode reabrir a relação, dando lugar à reconciliação. Pode... não quer dizer que isso aconteça: o perdão pode ser sempre recusado. Mas, depois de concedido (com aquela força ativa que tem a expressão «perdoo-te»), não sabemos como atuará no coração e na mente do ofensor, que agora já está perdoado. Aqui apreendemos um aspeto do perdão que o assemelha à paradoxal potência da cruz. O perdão é omnipotente, no sentido de que tudo pode ser perdoado (digo «pode» e não «deve»: a grandeza do perdão consiste na liberdade com que é concedido), ao mesmo tempo é infinitamente débil, porquanto nada garante que o ofensor deixará de fazer o mal. Neste sentido, o perdão cristão só pode ser verdadeiramente entendido à luz do escândalo e do paradoxo da cruz, onde o poder de Deus se manifesta na debilidade do Filho. Jesus Cristo crucificado é Aquele que da cruz oferece o perdão a quem não o pede, vivendo a unilateralidade de um amor assimétrico, que é o único modo de abrir a todos o caminho da salvação.

© Laboratório da fé, 2015
Este texto foi elaborado a partir da obra de Luciano Manicardi intitulada «A caridade dá que fazer: Redescobrindo a atualidade das ‘obras de misericórdia’» (páginas 111 a 120 e 187 a 194) publicada em português pelas edições Paulinas





Laboratório da fé, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 9.5.15 | Sem comentários

MARIA, A MÃE DA EVANGELIZAÇÃO!


Mistérios da alegria

— Com Jesus Cristo renasce sem cessar a alegria!» (EG 1) —

  • PRIMEIRO MISTÉRIO
A Anunciação a Maria [Lucas 1, 38]
«Maria disse então: ‘Eis a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a tua Palavra’».

[Meditação]
«É preciso formar-se continuamente na escuta da Palavra. A Igreja não evangeliza, se não se deixa continuamente evangelizar. É indispensável que a Palavra de Deus ‘se torne cada vez mais o coração de toda a atividade eclesial’. A Palavra de Deus ouvida e celebrada, sobretudo na Eucaristia, alimenta e reforça interiormente os cristãos e torna-os capazes de um autêntico testemunho evangélico na vida diária» (EG 174).

  • SEGUNDO MISTÉRIO
A visita de Maria a sua prima Isabel [Lucas 1, 39-40]
«Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se apressadamente para a montanha, em direção a uma cidade de Judá. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino exultou-lhe no seio».

[Meditação]
«O Evangelho [...] convida insistentemente à alegria. Apenas alguns exemplos: ‘Alegra-te’ é a saudação do anjo a Maria. A visita de Maria a Isabel faz com que João salte de alegria no ventre de sua mãe. No seu cântico, Maria proclama: ‘O meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador’. [...] Porque não havemos de entrar, também nós, nesta torrente de alegria?» (EG 5).

  • TERCEIRO MISTÉRIO
O nascimento de Jesus [Lucas 2, 10-11]
«Disse-lhes o anjo: ‘Não temais, porque vos anuncio uma grande alegria para todo o povo: nasceu-vos hoje, na cidade de David, um Salvador, que é Cristo Senhor’».

[Meditação]
«Hoje e sempre, ‘os pobres são os destinatários privilegiados do Evangelho’, e a evangelização dirigida gratuitamente a eles é sinal do Reino que Jesus veio trazer. Há que afirmar sem rodeios que existe um vínculo indissolúvel entre a nossa fé e os pobres. Não os deixemos jamais sozinhos» (EG 48).

  • QUARTO MISTÉRIO
A apresentação do Menino Jesus no Templo [Lucas 2, 27-32]
«Quando os pais de Jesus trouxeram o Menino, para cumprirem as prescrições da Lei no que lhes dizia respeito, Simeão recebeu-O em seus braços e bendisse a Deus, exclamando: ‘Agora, Senhor, segundo a vossa palavra, deixareis ir em paz o vosso servo, porque os meus olhos viram a vossa salvação, que pusestes ao alcance de todos os povos: luz para se revelar às nações e glória de Israel, vosso povo’».

[Meditação]
Alguns cristãos «desiludidos com a realidade, com a Igreja ou consigo mesmos, vivem constantemente tentados a apegar-se a uma tristeza melosa, sem esperança [...]. Chamados para iluminar e comunicar vida, acabam por se deixar cativar por coisas que só geram escuridão e cansaço interior e corroem o dinamismo apostólico. Por tudo isto, permiti que insista: Não deixemos que nos roubem a alegria da evangelização!» (EG 83).

  • QUINTO MISTÉRIO
Jesus entre os doutores da Lei [Lucas 2, 46-47]
«Passados três dias, encontraram Jesus no templo, sentado no meio dos doutores, a ouvi-los e a fazer-lhes perguntas. Todos aqueles que O ouviam estavam surpreendidos com a sua inteligência e as suas respostas».

[Meditação]
«Há uma forma de pregação que nos compete a todos como tarefa diária: é cada um levar o Evangelho às pessoas com quem se encontra, tanto aos mais íntimos como aos desconhecidos. É a pregação informal que se pode realizar durante uma conversa, e é também a que realiza um missionário quando visita um lar» (EG 127).

© Laboratório da fé, 2015 (elaborado a partir da proposta da diocese do Porto)

Maio 2015 — Mês de Maria: a mãe da evangelização! | 9 — pdf

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Maria, a mãe da evangelização!
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 9.5.15 | Sem comentários

MARIA, A MÃE DA EVANGELIZAÇÃO!


Mistérios da dor

— «Jesus quer que toquemos a miséria humana, 
que toquemos a carne sofredora dos outros!» (EG 270) —

  • PRIMEIRO MISTÉRIO
A agonia de Jesus no Jardim das Oliveiras [Marcos 14, 32-37]
«Jesus disse aos seus discípulos: ‘Ficai aqui, enquanto Eu vou orar’. [...] Adiantando-se um pouco, caiu por terra e orou para que, se fosse possível, se afastasse d’Ele aquela hora. Jesus dizia: ‘Abbá, Pai, tudo Te é possível: afasta de Mim este cálice. Contudo, não se faça o que Eu quero, mas o que Tu queres’».

[Meditação]
«Quem começa sem confiança, perdeu de antemão metade da batalha e enterra os seus talentos. [...] O triunfo cristão é sempre uma cruz, mas cruz que é, simultaneamente, estandarte de vitória, que se empunha com ternura batalhadora contra as investidas do mal» (EG 85).

  • SEGUNDO MISTÉRIO
A flagelação de Jesus [Marcos 15, 15]
«Pilatos [...] depois de mandar flagelar Jesus, entregou-O para ser crucificado».

[Meditação]
«Às vezes sentimos a tentação de ser cristãos, mantendo uma prudente distância das chagas do Senhor. Mas Jesus quer que toquemos a miséria humana, que toquemos a carne sofredora dos outros. Espera que renunciemos a procurar aqueles abrigos pessoais ou comunitários que permitem manter-nos à distância do nó do drama humano, a fim de aceitarmos verdadeiramente entrar em contacto com a vida concreta dos outros e conhecermos a força da ternura» (EG 270).

  • TERCEIRO MISTÉRIO
A coroação de espinhos [Marcos 15, 16-18]
«Os soldados revestiram Jesus com um manto de púrpura e puseram-lhe na cabeça uma coroa de espinhos, que haviam tecido. Depois começaram a saudá-l’O: ‘Salve, rei dos judeus’».

[Meditação]
«Assim como alguns quiseram um Cristo puramente espiritual, sem carne nem cruz, também se pretendem relações interpessoais mediadas apenas por sofisticados aparatos, por ecrãs e sistemas que se podem acender e apagar à vontade. [...] A verdadeira fé no Filho de Deus feito carne é inseparável do dom de si mesmo, da pertença à comunidade, do serviço, da reconciliação com a carne dos outros» (EG 88).

  • QUARTO MISTÉRIO
Jesus a caminho do Calvário [Lucas 23, 27.28]
«Seguiam Jesus uma grande multidão de povo e umas mulheres que batiam no peito e se lamentavam por Ele. Jesus voltou-se para elas e disse-lhes: ‘Filhas de Jerusalém, não choreis por mim, chorai antes por vós mesmas e pelos vossos filhos’».

[Meditação]
«A comunidade evangelizadora dispõe-se a ‘acompanhar’. Acompanha a humanidade em todos os seus processos, por mais duros e demorados que sejam. Conhece as longas esperas e a suportação apostólica. A evangelização patenteia muita paciência, e evita deter-se a considerar as limitações» (EG 24).

  • QUINTO MISTÉRIO
Crucifixão e morte de Jesus [Marcos 15, 27-37]
«Crucificaram com Jesus dois salteadores [...]. Às três horas da tarde, Jesus clamou com voz forte: ‘Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?’. [...] Então Jesus, soltando um grande brado, expirou».

[Meditação]
«Não é possível que a morte por enregelamento dum idoso sem abrigo não seja notícia, enquanto o é a descida de dois pontos na Bolsa. Isto é exclusão. [...] Hoje, tudo entra no jogo da competitividade e da lei do mais forte, onde o poderoso engole o mais fraco» (EG 53).

© Laboratório da fé, 2015 (elaborado a partir da proposta da diocese do Porto)

Maio 2015 — Mês de Maria: a mãe da evangelização! | 8 — pdf

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Maria, a mãe da evangelização!
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 8.5.15 | Sem comentários

Viver a fé! [30]


A reflexão sobre «a comunidade política» ocupa o oitavo capítulo do Compêndio da Doutrina Social da Igreja. No primeiro ponto, como nos capítulos anteriores, faz-se referência aos «aspetos bíblicos» (números 377 a 383) relacionados com esta temática: o senhorio de Deus (377-378); Jesus e a autoridade política (379); as primeiras comunidades cristãs (380-383).

O senhorio de Deus

«O povo de Israel, na fase inicial da sua história, não tem reis, como os demais povos, porque reconhece tão-somente o senhorio de Iahweh. É Deus Quem intervém na história através de homens carismáticos, conforme testemunha o Livro dos Juízes. Ao último destes homens, Samuel, o povo pedirá um rei semelhante» (377). Face à insistência do povo, Deus envia Samuel para derramar a unção real sobre Saúl. «O protótipo de rei escolhido por Iahweh é David [...]. É o depositário da promessa, que o coloca na origem de uma tradição real, precisamente a tradição ‘messiânica’, a qual, não obstante todos os pecados e infidelidades do mesmo David e dos seus sucessores, culmina em Jesus Cristo, o ‘ungido de Iahweh’ [...]. O fracasso, no plano histórico, da realeza não ocasionará o desaparecimento do ideal de um rei que, em fidelidade a Iahweh, governe com sabedoria e exerça a justiça» (378).

Jesus e a autoridade política

«Jesus rejeita o poder opressivo e despótico dos grandes sobre as nações (cf. Marcos 10, 42) e as suas pretensões a que lhes chamem protetores (cf. Lucas 21, 25), mas nunca contesta diretamente as autoridades do seu tempo. [...] Jesus, o Messias prometido, combateu e desbaratou a tentação de um messianismo político caracterizado pelo domínio sobre as nações. Ele é o Filho do Homem que veio ‘para servir e entregar a própria vida’» (379).

As primeiras comunidades cristãs

«A submissão, não passiva, mas por razões de consciência ao poder constituído corresponde à ordem estabelecida por Deus. São Paulo define as relações e os deveres dos cristãos para com as autoridades (cf. Romanos 13, 1-7). [...] O Apóstolo certamente não pretende legitimar todo o poder, antes procurando ajudar os cristãos a ‘fazer bem diante dos olhos de todos os homens’ (Romanos 12, 17), também nas relações com a autoridade, na medida em que esta está ao serviço de Deus para o bem da pessoa [...]. São Pedro exorta os cristãos a submeterem-se ‘a toda a instituição humana, por amor do Senhor’ (1Pedro 2, 13). O rei e os seus governadores têm a função de ‘punir os malfeitores’ e ‘louvar os bons’ (cf. 1Pedro 2, 14). A sua autoridade deve ser ‘honrada’, isto é, reconhecida, porque Deus exige um comportamento reto [...]. Trata-se portanto de uma obediência livre e responsável a uma autoridade que faz respeitar a justiça, assegurando o bem comum» (380). Assim, «a oração pelos governantes, recomendada por São Paulo durante as perseguições, indica explicitamente o que a autoridade política deve garantir: uma vida calma e tranquila a transcorrer com toda a piedade e dignidade (cf. 1Timóteo 2, 1-2)» (381). «Quando o poder humano sai dos limites da vontade de Deus, se autodiviniza e exige submissão absoluta, torna-se a Besta do Apocalipse, imagem do poder imperial perseguidor [...]. Esta visão indica profeticamente todas as insídias usadas por Satanás para governar os seres humanos, insinuando-se no seu espírito com a mentira. Mas Cristo é o Cordeiro Vencedor de todo o poder que se absolutiza no curso da história humana» (382). «A Igreja proclama que Cristo, vencedor da morte, reina sobre o universo que Ele mesmo resgatou. O seu reino estende-se a todo o tempo presente e terá fim somente quando tudo for entregue ao Pai e a história humana se consumar com o juízo final (cf. 1Coríntios 15, 20-28). Cristo revela à autoridade humana, sempre tentada ao domínio, o seu significado autêntico e completo de serviço. Deus é o único Pai e Cristo o único mestre para todos os homens, que são irmãos. A soberania pertence a Deus. [...] A mensagem bíblica inspira incessantemente o pensamento cristão sobre o poder político, recordando que este tem a sua origem em Deus e, como tal, é parte integrante da ordem por Ele criada. Tal ordem é percebida pelas consciências e realiza-se na vida social mediante a verdade, a justiça e a solidariedade, que conduzem à paz» (383).

«Não esqueçamos, em nenhum momento, que a participação política é sempre busca da verdade, expressão do amor fraterno, escolha da honestidade e da generosidade como padrões de comportamento» (Conferência Episcopal Portuguesa, «Comunicado do Conselho Permanente sobre a situação política presente», 14.12.2004).

© Laboratório da fé, 2015 
Os números entre parêntesis dizem respeito ao «Compêndio da Doutrina Social da Igreja» 
na versão portuguesa editada em 2005 pela editora «Princípia» 





Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 7.5.15 | Sem comentários

CELEBRAR O DOMINGO SEXTO DE PÁSCOA


Maravilhosa atualidade da palavra de Deus! A Liturgia da Palavra do sexto domingo de Páscoa (Ano B) está marcada por uma prodigiosa simplicidade e por uma perturbadora atualidade. Simplicidade, uma vez que se trata de amar. Basta amar! Assim, somos fiéis à nossa vocação de filhos de Deus (segunda leitura), cumulados com uma alegria «completa» (evangelho). Atualidade, na medida em que recorda a importância do respeito por todos os seres humanos, pois «Deus não faz aceção de pessoas» (primeira leitura). Ele oferece a todos a salvação (salmo). Eis, para nós, cristãos, o fundamento da fraternidade universal e da caridade sem limites, uma caridade que anuncia, pelas nossas obras, a misericórdia do Pai.

«Deus não faz aceção de pessoas»
A primeira leitura contém fragmentos da boa nova sobre Jesus Cristo anunciada por Pedro na casa de Cornélio, centurião romano. A catequese que Pedro dirige a Cornélio, aos seus parentes e amigos, é resultado da ação do Espírito Santo (nomeado três vezes). É o Espírito quem prepara Pedro e os gentios para tudo o que se vai seguir. É também o Espírito quem determina as consequências daquilo que é anunciado por Pedro.
As consequências são essenciais: os gentios poderão incorporar-se, de pleno direito, na comunidade dos seguidores do Ressuscitado, a Igreja. «O Espírito desceu sobre todos os que estavam a ouvir a palavra». Todos hão de conhecer o amor universal de Deus! A narração é muito parecida com o sucedido no dia de Pentecostes (cf. Atos dos Apóstolos 2): «ouviam-nos falar em diversas línguas e glorificar a Deus».
Até então os israelitas eram os destinatários (privilegiados) da misericórdia de Deus; agora, também os gentios recebem o dom do Espírito Santo. Depois disto, Pedro, que tinha sido um defensor zeloso da pureza ritual, não vê qualquer impedimento para o batismo do centurião e da sua família.
«Deus não faz aceção de pessoas». Este foi o passo mais delicado que a primeira comunidade cristã teve de dar: a abertura aos gentios incircuncisos. Até os primeiros anunciadores do Evangelho ficam perplexos (mas também maravilhados) perante as iniciativas do Espírito Santo!

«A Igreja é chamada a ser sempre a casa aberta do Pai. Um dos sinais concretos desta abertura é ter, por todo o lado, igrejas com as portas abertas. Assim, se alguém quiser seguir uma moção do Espírito e se aproximar à procura de Deus, não esbarrará com a frieza duma porta fechada. Mas há outras portas que também não se devem fechar: todos podem participar de alguma forma na vida eclesial, todos podem fazer parte da comunidade, e nem sequer as portas dos sacramentos se deveriam fechar por uma razão qualquer. Isto vale sobretudo quando se trata daquele sacramento que é a ‘porta’: o Baptismo. […] Muitas vezes agimos como controladores da graça e não como facilitadores. Mas a Igreja não é uma alfândega; é a casa paterna, onde há lugar para todos com a sua vida fadigosa» (Francisco, Exortação Apostólica sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual [EG], 47).

© Laboratório da fé, 2015

Celebrar o domingo sexto de Páscoa (Ano B), no Laboratório da fé, 2015

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 7.5.15 | Sem comentários

MARIA, A MÃE DA EVANGELIZAÇÃO!


Mistérios da luz

— «Sair da própria comodidade
e ter a coragem de alcançar todas as periferias que precisam da luz do Evangelho» (EG 20) —


  • PRIMEIRO MISTÉRIO
O batismo de Jesus [Marcos 1, 9-11]
«Sucedeu que, naqueles dias, Jesus veio de Nazaré da Galileia e foi batizado por João no rio Jordão. [...] E dos céus ouviu-se uma voz: ‘Tu és o meu Filho muito amado, em Ti pus toda a minha complacência’».

[Meditação]
«Em virtude do Batismo recebido, cada membro do povo de Deus tornou-se discípulo missionário. […] A nova evangelização deve implicar um novo protagonismo de cada um dos batizados. Esta convicção transforma-se num apelo dirigido a cada cristão para que ninguém renuncie ao seu compromisso de evangelização» (EG 120).

  • SEGUNDO MISTÉRIO
As bodas de Caná [João 2, 1-5]
«Naquele tempo, realizou-se um casamento em Caná da Galileia e estava lá a Mãe de Jesus. […] A certa altura faltou o vinho. Então a Mãe de Jesus disse-lhe: ‘Não têm vinho’. Jesus respondeu-lhe: ‘Mulher, que temos nós com isso? Ainda não chegou a minha hora’. Sua Mãe disse aos serventes: ‘Fazei tudo o que Ele vos disser’».

[Meditação]
«Quando a vida interior se fecha nos próprios interesses, deixa de haver espaço para os outros, já não entram os pobres, já não se ouve a voz de Deus, já não se goza da doce alegria do seu amor, nem fervilha o entusiasmo de fazer o bem. […] Muitos caem nele, transformando-se em pessoas ressentidas, queixosas, sem vida. Esta não é a escolha duma vida digna e plena, [...] não é a vida no Espírito que jorra do coração de Cristo ressuscitado» (EG 2).

  • TERCEIRO MISTÉRIO
O anúncio do Reino e o apelo à conversão [João 2, 27.30]
«João Batista declarou: ‘Esta é a minha alegria! E tornou-se completa! Jesus é que deve crescer, e eu diminuir’».

[Meditação]
«Convido todo o cristão, em qualquer lugar e situação que se encontre, a renovar hoje mesmo o seu encontro pessoal com Jesus Cristo ou, pelo menos, a tomar a decisão de se deixar encontrar por Ele, de O procurar dia a dia sem cessar. Não há motivo para alguém poder pensar que este convite não lhe diz respeito, já que ‘da alegria trazida pelo Senhor ninguém é excluído’. Quem arrisca, o Senhor não o desilude; e, quando alguém dá um pequeno passo em direção a Jesus, descobre que Ele já aguardava de braços abertos a sua chegada» (EG 3).

  • QUARTO MISTÉRIO
A transfiguração de Jesus [Marcos 9, 2]
«Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João e subiu só com eles para um lugar retirado num alto monte e transfigurou-Se diante deles».

[Meditação]
«Jesus quer evangelizadores que anunciem a Boa Nova, não só com palavras mas sobretudo com uma vida transfigurada pela presença de Deus» (EG 259).

  • QUINTO MISTÉRIO
A instituição da Eucaristia [Marcos 14, 13-16]
«Jesus enviou dois discípulos e disse-lhes: […] ‘Dizei ao dono da casa: [...] “onde está a sala, em que hei de comer a Páscoa com os meus discípulos?”. Ele vos mostrará uma grande sala no andar superior [...]. Preparai-nos lá o que é preciso’. Os discípulos partiram e [...] encontraram tudo como Jesus lhes tinha dito e prepararam a Páscoa».

[Meditação]
«A comunidade evangelizadora jubilosa sabe sempre ‘festejar’: celebra e festeja cada pequena vitória, cada passo em frente na evangelização. No meio desta exigência diária de fazer avançar o bem, a evangelização jubilosa torna-se beleza na liturgia. A Igreja evangeliza e se evangeliza com a beleza da liturgia, que é também celebração da atividade evangelizadora e fonte dum renovado impulso para se dar» (EG 24).

© Laboratório da fé, 2015 (elaborado a partir da proposta da diocese do Porto)

Maio 2015 — Mês de Maria: a mãe da evangelização! | 7 — pdf

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Maria, a mãe da evangelização!
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 7.5.15 | Sem comentários

MARIA, A MÃE DA EVANGELIZAÇÃO!


Mistérios da glória

— «Não fujamos da ressurreição de Jesus; nunca nos demos por mortos!» (EG 3) —

  • PRIMEIRO MISTÉRIO
A ressurreição de Jesus [Marcos 16, 5-7]
«Entrando no sepulcro, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, e Salomé viram um jovem sentado do lado direito, vestido com uma túnica branca, e ficaram assustadas. Mas ele disse-lhes: ‘Não vos assusteis. Procurais a Jesus de Nazaré, o Crucificado? Ressuscitou: não está aqui. Vede o lugar onde O tinham depositado. Agora ide dizer aos seus discípulos e a Pedro que Ele vai adiante de vós para a Galileia. Lá O vereis, como vos disse’».

[Meditação]
«A sua ressurreição não é algo do passado; contém uma força de vida que penetrou o mundo. Onde parecia que tudo morreu, voltam a aparecer por todo o lado os rebentos da ressurreição. É uma força sem igual. [...] Haverá muitas coisas más, mas o bem sempre tende a reaparecer e espalhar-se. Cada dia, no mundo, renasce a beleza, que ressuscita transformada através dos dramas da história» (EG 276).

  • SEGUNDO MISTÉRIO
A ascensão de Jesus [Marcos 16, 15-16.19-20]
«Naquele tempo, Jesus apareceu aos Onze e disse-lhes: ‘Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda a criatura’. […] E assim o Senhor Jesus, depois de ter falado com eles, foi elevado ao Céu e sentou-Se à direita de Deus. Eles partiram a pregar por toda a parte, e o Senhor cooperava com eles».

[Meditação]
«Na Palavra de Deus, aparece constantemente este dinamismo de ‘saída’, que Deus quer provocar nos crentes. […] Naquele ‘ide’ de Jesus, estão presentes os cenários e os desafios sempre novos da missão evangelizadora da Igreja, e hoje todos somos chamados a esta nova ‘saída’ missionária» (EG 20).

  • TERCEIRO MISTÉRIO
O dom do Espírito Santo no Pentecostes [Atos 2, 1-4]
«Quando chegou o dia de Pentecostes, os Apóstolos estavam reunidos no mesmo lugar. […] Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que se exprimissem».

[Meditação]
«Saiamos, saiamos para oferecer a todos a vida de Jesus Cristo! Prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de se agarrar às próprias seguranças. Não quero uma Igreja preocupada com ser o centro » (EG 49).

  • QUARTO MISTÉRIO
A assunção de Maria [Apocalipse 12, 1-2]
«Apareceu no Céu um sinal grandioso: uma mulher revestida de sol, com a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça. Estava para ser mãe e gritava com as dores e ânsias da maternidade».

[Meditação]
Maria, «como Mãe de todos, é sinal de esperança para os povos que sofrem as dores do parto até que germine a justiça. Ela é a missionária que se aproxima de nós, para nos acompanhar ao longo da vida, abrindo os corações à fé com o seu afeto materno. Como uma verdadeira mãe, caminha connosco, luta connosco e aproxima-nos incessantemente do amor de Deus» (EG 286).

  • QUINTO MISTÉRIO
Coroação de Maria, como rainha do Céu e da Terra [Lucas 1, 46-48]
«Maria disse então: ‘A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador. Porque pôs os olhos na humildade da sua serva: de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações’».

[Meditação]
«Há um estilo mariano na atividade evangelizadora da Igreja. Porque sempre que olhamos para Maria, voltamos a acreditar na força revolucionária da ternura e do afeto. Nela, vemos que a humildade e a ternura não são virtudes dos fracos, mas dos fortes, que não precisam de maltratar os outros para se sentir importantes» (EG 288).

© Laboratório da fé, 2015 (elaborado a partir da proposta da diocese do Porto)

Maio 2015 — Mês de Maria: a mãe da evangelização! | 6 — pdf

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Maria, a mãe da evangelização!
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 6.5.15 | Sem comentários

MARIA, A MÃE DA EVANGELIZAÇÃO!


Mistérios da dor

— «Jesus quer que toquemos a miséria humana, 
que toquemos a carne sofredora dos outros!» (EG 270) —

  • PRIMEIRO MISTÉRIO
A agonia de Jesus no Jardim das Oliveiras [Marcos 14, 32-37]
«Jesus disse aos seus discípulos: ‘Ficai aqui, enquanto Eu vou orar’. [...] Adiantando-se um pouco, caiu por terra e orou para que, se fosse possível, se afastasse d’Ele aquela hora. Jesus dizia: ‘Abbá, Pai, tudo Te é possível: afasta de Mim este cálice. Contudo, não se faça o que Eu quero, mas o que Tu queres’».

[Meditação]
«Uma das tentações mais sérias que sufoca o fervor e a ousadia é a sensação de derrota que nos transforma em pessimistas lamurientos e desencantados com cara de vinagre. Ninguém pode empreender uma luta, se de antemão não está plenamente confiado no triunfo. [...] Embora com a dolorosa consciência das próprias fraquezas, há que seguir em frente, sem se dar por vencido, e recordar o que disse o Senhor a São Paulo: ‘Basta-te a minha graça, porque a força manifesta-se na fraqueza’ (2Coríntios 12, 9)» (EG 85).

  • SEGUNDO MISTÉRIO
A flagelação de Jesus [Marcos 15, 15]
«Pilatos [...] depois de mandar flagelar Jesus, entregou-O para ser crucificado».

[Meditação]
«Com obras e gestos, a comunidade missionária entra na vida diária dos outros, encurta as distâncias, abaixa-se – se for necessário – até à humilhação e assume a vida humana, tocando a carne sofredora de Cristo no povo. Os evangelizadores contraem assim o ‘cheiro de ovelha’, e estas escutam a sua voz» (EG 24).

  • TERCEIRO MISTÉRIO
A coroação de espinhos [Marcos 15, 16-18]
«Os soldados revestiram Jesus com um manto de púrpura e puseram-lhe na cabeça uma coroa de espinhos, que haviam tecido. Depois começaram a saudá-l’O: ‘Salve, rei dos judeus’».

[Meditação]
«O ideal cristão convidará sempre a superar a suspeita, a desconfiança permanente, o medo de sermos invadidos, as atitudes defensivas que nos impõe o mundo atual. [...] O Evangelho convida-nos sempre a abraçar o risco do encontro com o rosto do outro, com a sua presença física que interpela, com os seus sofrimentos e as suas reivindicações, com a sua alegria contagiosa permanecendo lado a lado» (EG 88).

  • QUARTO MISTÉRIO
Jesus a caminho do Calvário [Lucas 23, 27.28]
«Seguiam Jesus uma grande multidão de povo e umas mulheres que batiam no peito e se lamentavam por Ele. Jesus voltou-se para elas e disse-lhes: ‘Filhas de Jerusalém, não choreis por mim, chorai antes por vós mesmas e pelos vossos filhos’».

[Meditação]
«Maria é a mulher de fé, que vive e caminha na fé, e ‘a sua excecional peregrinação da fé representa um ponto de referência constante para a Igreja’» (EG 287).

  • QUINTO MISTÉRIO
Crucifixão e morte de Jesus [Marcos 15, 27-37]
«Crucificaram com Jesus dois salteadores [...]. Às três horas da tarde, Jesus clamou com voz forte: ‘Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?’. [...] Então Jesus, soltando um grande brado, expirou».

[Meditação]
«Há cristãos que parecem ter escolhido viver uma Quaresma sem Páscoa. Reconheço, porém, que a alegria não se vive da mesma maneira em todas as etapas e circunstâncias da vida, por vezes muito duras. [...] Mas aos poucos é preciso permitir que a alegria da fé comece a despertar, como uma secreta mas firme confiança, mesmo no meio das piores angústias» (EG 6).

© Laboratório da fé, 2015 (elaborado a partir da proposta da diocese do Porto)

Maio 2015 — Mês de Maria: a mãe da evangelização! | 5 — pdf

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Maria, a mãe da evangelização!
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 5.5.15 | Sem comentários

MARIA, A MÃE DA EVANGELIZAÇÃO!


Mistérios da alegria

— Com Jesus Cristo renasce sem cessar a alegria!» (EG 1) —

  • PRIMEIRO MISTÉRIO
A Anunciação a Maria [Lucas 1, 38]
«Maria disse então: ‘Eis a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a tua Palavra’».

[Meditação]
«Precisamos de nos exercitar na arte de escutar, que é mais do que ouvir. Escutar, na comunicação com o outro, é a capacidade do coração que torna possível a proximidade, sem a qual não existe um verdadeiro encontro espiritual. Escutar ajuda-nos a individuar o gesto e a palavra oportunos que nos desinstalam da cómoda condição de espetadores» (EG 171).

  • SEGUNDO MISTÉRIO
A visita de Maria a sua prima Isabel [Lucas 1, 39-40]
«Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se apressadamente para a montanha, em direção a uma cidade de Judá. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino exultou-lhe no seio».

[Meditação]
«Maria é a mulher orante e trabalhadora em Nazaré, mas é também Nossa Senhora da prontidão, a que sai ‘à pressa’ (Lucas 1, 39) da sua povoação para ir ajudar os outros. Esta dinâmica de justiça e ternura, de contemplação e de caminho para os outros faz d’Ela um modelo eclesial para a evangelização» (EG 288).

  • TERCEIRO MISTÉRIO
O nascimento de Jesus [Lucas 2, 10-11]
«Disse-lhes o anjo: ‘Não temais, porque vos anuncio uma grande alegria para todo o povo: nasceu-vos hoje, na cidade de David, um Salvador, que é Cristo Senhor’».

[Meditação]
«É vital que hoje a Igreja saia para anunciar o Evangelho a todos, em todos os lugares, em todas as ocasiões, sem demora, sem repugnâncias e sem medo. A alegria do Evangelho é para todo o povo, não se pode excluir ninguém; assim foi anunciada pelo anjo aos pastores de Belém: 'Não temais, pois anuncio-vos uma grande alegria, que o será para todo o povo’ (Lucas 2, 10)» (EG 23).

  • QUARTO MISTÉRIO
A apresentação do Menino Jesus no Templo [Lucas 2, 27-32]
«Quando os pais de Jesus trouxeram o Menino, para cumprirem as prescrições da Lei no que lhes dizia respeito, Simeão recebeu-O em seus braços e bendisse a Deus, exclamando: ‘Agora, Senhor, segundo a vossa palavra, deixareis ir em paz o vosso servo, porque os meus olhos viram a vossa salvação, que pusestes ao alcance de todos os povos: luz para se revelar às nações e glória de Israel, vosso povo’».

[Meditação]
«A alegria do evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus. Quantos se deixam salvar por Ele são libertados do pecado, da tristeza, do vazio interior, do isolamento. Com Jesus Cristo, renasce sem cessar a alegria» (EG 1).

  • QUINTO MISTÉRIO
Jesus entre os doutores da Lei [Lucas 2, 46-47]
«Passados três dias, encontraram Jesus no templo, sentado no meio dos doutores, a ouvi-los e a fazer-lhes perguntas. Todos aqueles que O ouviam estavam surpreendidos com a sua inteligência e as suas respostas».

[Meditação]
«Se uma pessoa experimentou verdadeiramente o amor de Deus que o salva, não precisa de muito tempo de preparação para sair a anunciá-lo, não pode esperar que lhe deem muitas lições ou longas instruções. Cada cristão é missionário na medida em que se encontrou com o amor de Deus em Cristo Jesus; não digamos mais que somos ‘discípulos’ e ‘missionários’, mas sempre que somos ‘discípulos missionários’» (EG 120).

© Laboratório da fé, 2015 (elaborado a partir da proposta da diocese do Porto)

Maio 2015 — Mês de Maria: a mãe da evangelização! | 4 — pdf

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Maria, a mãe da evangelização!
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 4.5.15 | Sem comentários

CELEBRAR O DOMINGO QUINTO DE PÁSCOA


São várias as «imagens» que sobressaem na Liturgia da Palavra do quinto domingo de Páscoa (Ano B)! Além da vide e dos ramos e da necessidade de «dar fruto» (evangelho), além da pregação firme de Saulo/Paulo (primeira leitura) e da importância do louvor (salmo), o apóstolo João destaca o verbo «permanecer», um verbo que lhe é muito querido: duas vezes na carta (segunda leitura); oito vezes no evangelho. Este verbo recorda o mistério da Incarnação, através do qual o Filho de Deus veio «permanecer» no meio de nós. Agora, na hora da glorificação do Ressuscitado, somos chamados a «permanecer» em Jesus Cristo, para participar da sua vida e anunciar ao mundo a sua alegria.

«Falava com firmeza no nome do Senhor»
O fragmento do livro dos Atos dos Apóstolos proposto na primeira leitura descreve a chegada de Saulo (o nome Paulo só aparecerá alguns capítulos mais à frente) a Jerusalém e faz-nos refletir sobre a rejeição inicial que teve da parte dos cristãos. É compreensível: Paulo tinha sido um forte perseguidor da comunidade. O caminho a percorrer será longo. Primeiro é Barnabé que testemunha em seu favor diante dos Apóstolos. Mas as credenciais não são dadas por Paulo nem por Barnabé, mas por Jesus Cristo, pois foi o próprio que «apareceu» a Paulo e lhe confiou uma missão. A partir da «conversão», Paulo torna-se um homem novo, assume com firmeza a pregação da boa nova de Jesus Cristo.
A coragem de Paulo manifesta-se também em Jerusalém: «falava com firmeza no nome do Senhor». Ora, isto vai provocar a ira dos judeus, a ponto de o quererem matar. Nessa época, Paulo já terá a ajuda da comunidade, a mesma que, antes, o tinha recusado. Os «irmãos» prepararam a fuga para Tarso, a sua cidade de origem, de onde há de iniciar, com Barnabé, as viagens missionárias.
Este texto pode ser lido como um resumo antecipado do que será a vida de Saulo/Paulo: anúncio público de Jesus Cristo, perseguição por parte dos adversarios, deslocado com urgência para outro lugar, onde começa de novo a pregar.
O sumário final refere os passos percorridos na edificação da nova comunidade do Senhor Jesus Cristo ressuscitado que «ia crescendo com a assistência do Espírito Santo»: a Igreja. O narrador destaca a presença do Espírito Santo, o verdadeiro protagonista do livro dos Atos dos Apóstolos e da ação missionária da Igreja.

Hoje, somos desafiados a tomar consciência do compromisso fundamental do Batismo: a união com Jesus Cristo. Seguir e estar unidos a Jesus Cristo («permanecei em Mim») são a mesma coisa. Doutra maneira, poderíamos pensar o seguimento como pura obediência a uma doutrina ou a uma moral. Ora, o que Jesus Cristo nos propõe não é uma mera adesão doutrinal, mas uma adesão à sua pessoa, à sua vida. Aliás, a «conversão» de Paulo não se baseia numa doutrina, mas num encontro pessoal com Jesus Cristo: «tinha visto o Senhor, que lhe tinha falado». Só assim seremos capazes de, à imagem de Paulo (e de tantos outros ao longo dos tempos), falar com firmeza no nome do Senhor Jesus Cristo.

© Laboratório da fé, 2015


Celebrar o domingo quinto de Páscoa (Ano B), no Laboratório da fé, 2015


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 2.5.15 | Sem comentários

MARIA, A MÃE DA EVANGELIZAÇÃO!


Da Exortação Apostólica do papa Francisco 
sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual («Evangelii Gaudium»), 288:

Virgem e Mãe Maria,

Vós que, movida pelo Espírito,

acolhestes o Verbo da vida

na profundidade da vossa fé humilde,

totalmente entregue ao Eterno,

ajudai-nos a dizer o nosso «sim»

perante a urgência,
mais imperiosa do que nunca,

de fazer ressoar a Boa Nova de Jesus.

Vós, cheia da presença de Cristo,

levastes a alegria a João o Baptista,

fazendo-o exultar no seio de sua mãe.


Vós, estremecendo de alegria,

cantastes as maravilhas do Senhor.


Vós, que permanecestes firme 
diante da Cruz

com uma fé inabalável,

e recebestes a jubilosa consolação
da ressurreição,

reunistes os discípulos
à espera do Espírito

para que nascesse
a Igreja evangelizadora.

Alcançai-nos agora
um novo ardor de ressuscitados

para levar a todos o Evangelho da vida

que vence a morte.
 

Dai-nos a santa ousadia
de buscar novos caminhos

para que chegue a todos

o dom da beleza que não se apaga.

Vós, Virgem da escuta e da contemplação,

Mãe do amor,
esposa das núpcias eternas

intercedei pela Igreja,
da qual sois o ícone puríssimo,

para que ela nunca se feche
nem se detenha

na sua paixão por instaurar o Reino. 

Estrela da nova evangelização,

ajudai-nos a refulgir
com o testemunho da comunhão,

do serviço, da fé ardente e generosa,

da justiça e do amor aos pobres,

para que a alegria do Evangelho

chegue até aos confins da terra

e nenhuma periferia
fique privada da sua luz.

Mãe do Evangelho vivente,

manancial de alegria
para os pequeninos,

rogai por nós.
Amen. Aleluia!

© Adaptação de Laboratório da fé, 2015

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Maria, a mãe da evangelização!
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 1.5.15 | Sem comentários

MARIA, A MÃE DA EVANGELIZAÇÃO!


Mergulhados na «mística do instante», vivemos a Páscoa na redescoberta do sentido do tato: convidados a experienciar o toque do Ressuscitado. Antes de mais, remete para a possibilidade de nos deixarmos tocar, como no caso de Tomé: «foi o Ressuscitado quem tocou em Tomé, tocou-o com o dom da fé». Ora, Maria, como mãe, foi a primeira a ser tocada, ainda no ventre. Depois, desde Belém até ao Calvário, quantas vezes não terá tocado e sido tocada pelo seu Menino! Maria foi a pessoa que melhor viveu o sentido do tato na relação humana e espiritual com Jesus Cristo. Por isso, em maio, «mês de Maria», ela une-se ao convite pascal para nos deixarmos tocar por Jesus Cristo e pelo Evangelho.

Maio, Mês de Maria: a mãe da evangelização!

«Juntamente com o Espírito Santo, sempre está Maria no meio do povo. Ela reunia os discípulos para O invocarem (Atos 1, 14), e assim tornou possível a explosão missionária que se deu no Pentecostes. Ela é a Mãe da Igreja evangelizadora e, sem Ela, não podemos compreender cabalmente o espírito da nova evangelização» — é com estas afirmações que o papa Francisco inicia a reflexão sobre Maria na Exortação Apostólica sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual. O Papa lembra que «ao pé da cruz, na hora suprema da nova criação, Cristo conduz-nos a Maria; conduz-nos a ela, porque não quer que caminhemos sem uma mãe [...]. Não é do agrado do Senhor que falte à sua Igreja o ícone feminino». Sãos os últimos quatro números (284 a 288) dedicados a «Maria, a mãe da evangelização»: «Ela é a mulher de fé, que vive e caminha na fé, e ‘a sua excecional peregrinação da fé representa um ponto de referência constante para a Igreja’. Ela deixou-Se conduzir pelo Espírito, através dum itinerário de fé, rumo a uma destinação feita de serviço e fecundidade. Hoje fixamos nela o olhar, para que nos ajude a anunciar a todos a mensagem de salvação e para que os novos discípulos se tornem operosos evangelizadores. [...] Há um estilo mariano na atividade evangelizadora da Igreja. Porque sempre que olhamos para Maria, voltamos a acreditar na força revolucionária da ternura e do afeto. Nela, vemos que a humildade e a ternura não são virtudes dos fracos, mas dos fortes, que não precisam de maltratar os outros para se sentir importantes. Fixando-a, descobrimos que aquela que louvava a Deus porque ‘derrubou os poderosos de seus tronos’ e ‘aos ricos despediu de mãos vazias’ (Lucas 1, 52.53) é mesma que assegura o aconchego dum lar à nossa busca de justiça. E é a mesma também que conserva cuidadosamente ‘todas estas coisas ponderando-as no seu coração’ (Lucas 2, 19). Maria sabe reconhecer os vestígios do Espírito de Deus tanto nos grandes acontecimentos como naqueles que parecem impercetíveis. É contemplativa do mistério de Deus no mundo, na história e na vida diária de cada um e de todos. É a mulher orante e trabalhadora em Nazaré, mas é também nossa Senhora da prontidão, a que sai ‘à pressa’ (Lucas 1, 39) da sua povoação para ir ajudar os outros. Esta dinâmica de justiça e ternura, de contemplação e de caminho para os outros faz d’Ela um modelo eclesial para a evangelização. Pedimos-Lhe que nos ajude, com a sua oração materna, para que a Igreja se torne uma casa para muitos, uma mãe para todos os povos, e torne possível o nascimento dum mundo novo. É o Ressuscitado que nos diz, com uma força que nos enche de imensa confiança e firmíssima esperança: ‘Eu renovo todas as coisas’ (Apocalipse 21, 5)».

Laboratório da Fé vivida

«Seguir os mistérios do Rosário deve, por esta razão, levar-nos a aprofundar as razões da nossa fé e a concretizar as obras que este dom exige. Obras que se apresentem como respostas credíveis a cenários de egoísmo e de indiferença. Se observarmos com atenção os contextos que nos rodeiam, não será difícil perceber que as Obras de Misericórdia se apresentam como indispensáveis. Não será oportuno pensarmos, neste mês de Maio, em modalidades objetivas e palpáveis para concretizar essas mesmas 14 Obras? Quantos momentos teremos para as viver!... Neste contexto, o mês de Maio será uma verdadeira escola, tendo Maria por Mestra da fé e da caridade. Aprenderemos a dar a vida e redescobriremos a nossa vocação de Filhos de Deus. Connosco teremos a responsabilidade pessoal de ir construindo um mundo diferente através de pequenos atos de amor que, diariamente, realizaremos para testemunhar uma vida verdadeiramente mariana. Com este testemunho também a Igreja terá um rosto mais materno, oferecendo vida a todos, sobretudo aos mais necessitados» (Dom Jorge Ortiga, Arcebispo de Braga).

© Laboratório da fé, 2015

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Maria, a mãe da evangelização!


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 1.5.15 | Sem comentários
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