Palavra para hoje: domingo vigésimo sexto


Deus deve ou não avaliar as nossas ações? Ele comporta-se como um juiz que adia a decisão. Na realidade, Deus dá-nos sempre a possibilidade duma livre opção: não há «pecadores» irrecuperáveis, nem justos que não precisem de estar vigilantes. Viver como cristão implica sempre uma escolha livre. O respeito pela nossa liberdade é um sinal de amor. Quando a conduta de Deus parecer estranha, gritemos-lhe simplesmente: «Lembrai-Vos de mim segundo a vossa clemência, por causa da vossa bondade, Senhor». E recordemos também o caminho humilde do nosso Salvador, pelo qual «Deus O exaltou». Assim, em Igreja, a nossa maior alegria será proclamar «que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai»

Pergunta da semana: 

Justo ou pecador, o que é que Deus me pede, hoje?

Palavra de Deus - Lectio divina - imagem de fano
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 28.9.14 | Sem comentários

CELEBRAR O DOMINGO VIGÉSIMO SEXTO

UMA LITURGIA SIMPLES E BELA

Apresentamos algumas sugestões para concretizar o fruto esperado deste ano pastoral: «uma liturgia simples e bela, sinal da comunhão entre Deus e os seres humanos».



Deus ama-nos e quer dar-nos a vida

O chamamento de Deus, o convite à conversão, às vezes, pode-nos parecer demasiado exigente. Se bem que chegamos a dizer «sim» da boca para fora, mas não correspondemos com o nosso coração (evangelho). E a resposta transforma-se efetivamente em «não». Contudo, o profeta Ezequiel recorda-nos a palavra sempre fiel de Deus: sim, o Senhor ama-nos e quer dar-nos a vida (primeira leitura). Ele envolve-nos com a sua misericórdia e guia-nos pelo caminho certo (salmo). Pois, se Deus deseja a nossa conversão é porque nos quer oferecer o seu Reino de justiça e de paz. Paulo desafia-nos a entrar nesta «lógica» do amor (segunda leitura), para, com alegria e humildade, nos deixarmos amar por Deus.



Fé celebrada com a comunidade


  • A Liturgia da Palavra do vigésimo sexto domingo (Ano A) insiste: hoje, em cada momento, seja qual for o meu passado — mesmo que me tenha acostumado a dizer «não» —, Deus convida-me a dizer «sim», a «abrir os olhos» para percorrer o caminho da vida. 
  • A Liturgia Eucarística recorrendo ao «Prefácio dos Domingos do Tempo Comum VII: A salvação pela obediência de Cristo» estará em sintonia com a Carta aos Filipenses (segunda leitura). E a «Oração Eucarística II» («Missal Romano», página 524 e seguintes), que dá graças porque fomos escolhidos para servir, recorda, segundo o evangelho, aqueles e aquelas que aceitaram o convite para ir trabalhar na vinha.



© Laboratório da fé, 2014

Celebrar o domingo vigésimo sexto (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 27.9.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO VIGÉSIMO SEXTO


Continuamos com o tema da vinha, já presente no domingo anterior, símbolo do povo de Deus. Hoje, é um pai que envia os seus dois filhos, primeiro um e depois o outro, para trabalhar na sua vinha.
A narração fixa a atenção nos dois filhos como duas formas opostas de responder à chamada de Deus. Curiosamente, o primeiro descendente (o primogénito) representa os judeus «fiéis», incluindo os representantes religiosos da época (príncipes dos sacerdotes e anciãos) que com a boca dizem que «sim», mas na hora da verdade traduz-se em «não».
O segundo filho — segundo as palavras de Jesus — está relacionado com os «publicanos e as mulheres de má vida», aqueles e aquelas que, com o seu estilo de vida, parece que dizem «não», mas acaba num «sim», porque sabem acolher o perdão e o amor gratuitos de Deus, que lhes é oferecido por Jesus.
Os excluídos pela sociedade e pela religião estarão à frente dos aparentemente justos e religiosos no reino de Deus — afirma Jesus. A mensagem de Jesus não é excludente, não troca uns excluídos por outros. Ao contrário, é inclusiva. Jesus ensina que Deus ama a todas e a todos como um Pai amoroso e convida a todos os que o escutam a unir-se a este amor que não conhece aceção de pessoas e que, em muitas ocasiões, proporciona surpresas: o «sim» de quem menos pensávamos.

© Javier Velasco-Arias

© La Biblia compartida — blogue de Javier Velasco-Arias y Quique Fernández
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor


Preparar o domingo vigésimo sexto (Ano A), no Laboratório da fé, 2014



La biblia compartida — www.laboratoriodafe.net


Javier Velasco-Arias, nasceu no ano de 1956, em Medina del Campo (Espanha); atualmente, vive em Barcelona (desde os onze anos de idade). É biblista, professor de Sagrada Escritura no «Instituto Superior de Ciências Religiosas de Barcelona» e no «Centro de Estudos Pastorais» das dioceses da Catalunha. É responsável e membro de várias associações bíblicas, em Espanha. Na área bíblica, é autor de diversas publicações, além de artigos de temas bíblicos em revistas especializadas e na internet.
Outros artigos publicados no Laboratório da fé


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 27.9.14 | Sem comentários

NÃO PODEMOS VIVER SEM O DOMINGO!


«Valorizar o domingo como centro de todo o ano litúrgico» — é o primeiro objetivo apresentado no programa pastoral (2013+14) da Arquidiocese de Braga. Com o intuito de «valorizar» o domingo, acompanhando os tempos litúrgicos, propomos um tema a partir da releitura da Carta Apostólica sobre a santificação do domingo — «O dia do Senhor» («Dies Domini»). Este itinerário tem como tema geral: «Não podemos viver sem o domingo!».

Domingo, DIA DE SOLIDARIEDADE

Texto de reflexão para o domingo vigésimo sexto

    72. A Eucaristia é acontecimento e projeto de fraternidade. Da Missa dominical parte uma onda de caridade destinada a estender-se a toda a vida dos fiéis, começando por animar o próprio modo de viver o resto do domingo. Se este é dia de alegria, é preciso que o cristão mostre, com as suas atitudes concretas, que não se pode ser feliz «sozinho». Ele olha ao seu redor, para individuar as pessoas que possam ter necessidade da sua solidariedade. Pode suceder que, entre os vizinhos ou no âmbito das suas relações, hajam doentes, idosos, crianças, imigrantes, que, precisamente ao domingo, sentem ainda mais dura a sua solidão, a sua necessidade, a sua condição dolorosa. É certo que a atenção por eles não pode limitar-se a uma esporádica iniciativa dominical. Mas, suposta esta atitude de compromisso mais global, porque não dar ao dia do Senhor uma tonalidade maior de partilha, pondo em ação toda a capacidade inventiva da caridade cristã? Sentar à própria mesa alguma pessoa que viva sozinha, visitar os doentes, levar de comer a qualquer família necessitada, dedicar algumas horas a iniciativas específicas de voluntariado e de solidariedade, seria, sem dúvida, um modo de transferir para a vida a caridade de Cristo recebida na Mesa Eucarística.



    • Não podemos viver sem o domingo! — textos publicados no Laboratório da fé > > >



    Laboratório da fé celebrada, 2014
    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 26.9.14 | Sem comentários

    ANO CRISTÃO


    Este pequeno Livro foi interpretado de várias maneiras ao longo da História. A sua linguagem tem algo de moderno. Nele se encontram descritas, com honestidade, muitas experiências humanas: a fragilidade da fortuna; o regresso cíclico do tempo; a certeza da morte; o mistério do tempo; os riscos do trabalho e a sucessão das gerações; as provações do envelhecimento e da mor­te. Coélet obriga a rever as teorias com os dados da experiência. Repete várias vezes: «Também isto é vaidade [...] também isto é correr atrás do vento».
    Vive a sua fé colocando continuamente interrogações. Esconde-se por detrás dum pseudónimo. «Eclesiastes» é a for­ma greco-latina do hebraico «Qohelet». Ambos os nomes têm a ver com assembleia («qahal» e «ecclesia»), mas o sentido exato da palavra escapa-nos. Informações mais concretas são-nos fornecidas provavelmente por um dos seus discípulos, no epílogo: «Além de sábio, Coélet também ensinou a ciência ao povo. Ele ponderou, examinou e corrigiu muitos provérbios. Coélet procurou encontrar palavras agradáveis e escrever com propriedade palavras verdadeiras». Pode-se por isso deduzir que terá fundado uma espécie de escola («bet midrash»), à maneira de Ben Sirá (Eclesiástico 51, 23), e que este Livro tenha sido redigido por um ou vários discípulos seus.
    Perguntando-se qual a vantagem que o homem obtém das suas fadigas, Coélet fala com segurança aos homens do seu tem­po, os quais andavam obcecados com a eficiência e com a ân­sia do lucro. Com a conquista de Alexandre Magno, os gregos tinham levado para o Oriente toda a sua eficiência e inteligên­cia. Bem depressa, também entre os judeus, se começou a sentir a influência da cultura helenista, que tinha trazido também um novo desenvolvimento económico. Coélet observou que entre o seu povo estava a desenvolver-se uma atividade cada vez mais febril, acompanhada de uma agitação sem limites. Ele contesta a mentalidade burguesa do seu tempo, baseada na acumulação insensata das riquezas. «Examinei todas as obras que havia feito e o trabalho que me tinham custado. E concluí que tudo é fugaz e uma corrida atrás do vento e que não há nada de permanente debaixo do sol» (2, 11). Para ele nenhuma das realidades à disposição do homem (cultura, sexo, beleza, poder, estima, dinheiro) pode tornar-se um absoluto. Mas é possível também gozar serenamente daqueles bens que Deus coloca à nossa disposição. Não obstante a vida seja marcada pelos limites da morte, o sábio pode apreciar as pequenas alegrias da vida quotidiana. A felicidade, porém, não é uma conquista do homem, como para os epicureus, porque tudo nos vem das mãos de Deus.
    Coélet não é entusiasta das novidades trazidas pela cultura iluminista grega. Para conservarem a identidade própria de judeus na nova sociedade «globalizada» do tempo, é fundamental a liberdade do coração perante as novas idolatrias, temendo o Senhor e continuando, a cada momento, a procurar a Sua vontade.

    © Tiziano Lorenzin | Editora Paulus
    © Adaptação de Laboratório da fé, 2014
    A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do editor



    • Ano Litúrgico: ano cristão — textos publicados no Laboratório da fé > > >



    Laboratório da fé celebrada, 2014



    A Editora Paulus traduziu e publicou (em 2010) uma obra italiana com comentários aos textos bíblicos proclamados nas celebrações eucarísticas. No volume dedicado às primeiras semanas do Tempo Comum («Leccionário Comentado. Regenerados pela Palavra de Deus. Volume 1: Tempo Comum. Semanas I-XVII» — organização de Giuseppe Casarin) faz uma breve apresentação das primeiras semanas do «Tempo Comum» e dos textos bíblicos propostos na Liturgia. A coleção está estruturada à maneira da «lectio divina», acompanhando progressivamente todo o ano litúrgico nos seus tempos fortes, nas suas festas mas também nos dias feriais, todas as vezes que a comunidade cristã é convocada para celebrar a Cristo presente na Palavra e no Pão eucarístico.


    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 25.9.14 | Sem comentários

    PREPARAR O DOMINGO VIGÉSIMO SEXTO

    28 DE SETEMBRO DE 2014


    Ezequiel 18, 25-28

    Eis o que diz o Senhor: «Vós dizeis: ‘A maneira de proceder do Senhor não é justa’. Escutai, casa de Israel: Será a minha maneira de proceder que não é justa? Não será antes o vosso modo de proceder que é injusto? Quando o justo se afastar da justiça, praticar o mal e vier a morrer, morrerá por causa do mal cometido. Quando o pecador se afastar do mal que tiver realizado, praticar o direito e a justiça, salvará a sua vida. Se abrir os seus olhos e renunciar às faltas que tiver cometido, há-de viver e não morrerá».



    Quando o pecador se afastar do mal que tiver realizado,

    praticar o direito e a justiça,
    salvará a sua vida

    Ezequiel, desde o exílio na Babilónia, é confrontado com a incompreensão dos judeus, incapazes de entender a «lógica» do Senhor. Isto comporta uma acusação contra o Senhor, que permitiu a destruição das grandes instituições sobre as quais se apoia Israel: o templo e a monarquia. Como é que isto foi possível? É correta a maneira de agir do Senhor?
    A resposta profética é contundente. O facto de fazer parte do povo de Israel não dispensa de praticar a justiça. Quando aquele que tinha agido com justiça se deixa seduzir pelo mal será castigado, mas — e aqui se encontra a força da afirmação profética — quando o pecador se converte, isto é, volta a colocar o Senhor e o bem que dele emana como centro da sua existência, Deus lhe dará a vida e se salvará da morte. A oferta de salvação de Deus é sempre ativa e eficaz.

    © Joan Ferrer, Misa dominical
    © tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
    A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor

    Preparar o domingo vigésimo sexto (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 24.9.14 | Sem comentários

    REZAR O DOMINGO VIGÉSIMO SEXTO

    28 DE SETEMBRO DE 2014


    Evangelho segundo Mateus 21, 28-32

    Naquele tempo, disse Jesus aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos do povo: «Que vos parece? Um homem tinha dois filhos. Foi ter com o primeiro e disse-lhe: ‘Filho, vai hoje trabalhar na vinha’. Mas ele respondeu-lhe: ‘Não quero’. Depois, porém, arrependeu-se e foi. O homem dirigiu-se ao segundo filho e falou-lhe do mesmo modo. Ele respondeu: ‘Eu vou, Senhor’. Mas de facto não foi. Qual dos dois fez a vontade ao pai?». Eles responderam-Lhe: «O primeiro». Jesus disse-lhes: «Em verdade vos digo: Os publicanos e as mulheres de má vida irão diante de vós para o reino de Deus. João Baptista veio até vós, ensinando-vos o caminho da justiça, e não acreditastes nele; mas os publicanos e as mulheres de má vida acreditaram. E vós, que bem o vistes, não vos arrependestes, acreditando nele».



    Segunda, 22: OS PRÍNCIPES DOS SACERDOTES

    Os príncipes dos sacerdotes são os responsáveis religiosos daquele tempo. Agora, pensemos num lugar de responsabilidade, como provavelmente já aconteceu alguma vez na vida: escola, equipa, família, serviço... No evangelho, descobrimos que os publicanos e as prostitutas precederão no Reino todos os responsáveis do mundo! No início deste dia, coloco-me diante do meu Criador e Senhor, durante alguns minutos de oração, para assim estar preparado para levar um olhar amoroso a cada pessoa, qualquer que seja a sua função, qualquer que seja a sua riqueza... Cada pessoa tem valor aos olhos de Deus.



    Terça, 23: OS ANCIÃOS

    Quando uma geração questiona a nossa situação, descobrimos que a experiência da vida é uma sabedoria e um saber a partilhar. Percebemos, também, que não é fácil, durante o crescimento, ser sempre o «mais pequeno» de todos. Mas Jesus diz-nos sem rodeios que «o que escondeu aos sábios e aos inteligentes foi revelado aos mais pequenos». No início deste dia, coloco-me diante do meu Criador e Senhor, durante alguns minutos de reflexão sobre a minha idade, para permanecer pequeno segundo o coração de Deus, ainda que aumente a idade.



    Quarta, 24: O SERVIÇO

    Quer se esteja do lado dos grandes, dos pequenos, dos sábios, dos sensatos ou mais do lado daqueles que ainda não tiveram experiência de vida para assumir quaisquer responsabilidades, somos todos interpelados por esta Palavra de Deus. O convite é o mesmo para todos, uma vez que se trata de mudar o nosso coração, caso tenha a tentação de dominar, condenar, julgar. No início deste dia, coloco-me diante do meu Criador e Senhor, durante alguns minutos de encontro íntimo, para me preparar a viver hoje o mais pequeno poder que se me apresente como um serviço.



    Quinta, 25: O PRIMEIRO FILHO

    Reparemos, agora, no primeiro filho: com um pouco de arrogância juvenil, enfrenta o Pai ao recusar participar na tarefa que lhe é pedida. Mas, depois, aparece arrependido e muda de decisão para, por fim, fazer tranquilamente o que lhe tinha sido pedido e, em certo sentido, recuperar o seu lugar de filho. Bem sabemos que nunca é tarde para fazer o bem! No início deste dia, coloca-me diante do meu Criador e Senhor, durante alguns minutos de diálogo, para perceber o que me pede, hoje...



    Sexta, 26: O SEGUNDO FILHO

    Reparemos no segundo filho da parábola, cheio de confiança, que se compromete de qualquer maneira numa palavra que não confirma. Vemo-lo deixar rapidamente o caminho da sua promessa, para responder a outras solicitações, provavelmente mais gratificantes. Será que isto nos lembra experiências já vividas? No início deste dia, coloco-me diante do meu Criador e Senhor, para lhe pedir perdão pelas minhas faltas de constância no seu serviço, quando prefiro trabalhar por minha conta e nos meus assuntos.



    Sábado, 27: O SIM DO OUVINTE

    Vai hoje trabalhar na vinha! Este convite aplica-se bem à nossa vida quotidiana. Há muito a fazer numa vinha, muito a fazer durante o dia, no trabalho, na família, na Igreja, no mundo. Deus convida-nos a trabalhar na sua vinha, através da realidade e da atualidade da nossa existência tal como ela é. No início deste dia, coloco-me na presença do meu Criador e Senhor a escutar a sua Palavra, para lhe dizer o meu sim ao seu serviço. Que todas as minhas ações, as minhas palavras, as minhas decisões sejam verdadeiramente para a sua maior glória.



    Domingo, 28: O SIM DO CRENTE

    Esta história dos dois filhos que escutamos ao longo da semana coloca-nos perante uma escolha fundamental: por ou contra Cristo. Essa escolha, que é uma escolha da fé, dá forma a toda a nossa vida. Se somos crentes, se pomos os nossos passos em sintonia com Cristo, tudo o que fazemos, tudo o que dizemos, tudo o que vivemos tem necessariamente a ver com a vinha do Senhor. Os nossos muitos «sim» ou «não» são partes que esclarecem o «sim» do crente que nós somos: confirmam-no ou negam-no... É a vida! No início deste dia, coloco-me na presença do meu Criador e Senhor, peço-lhe a graça do «sim» dado pela fé!



    © www.versdimanche.com
    © tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014

    Rezar o domingo vigésimo sexto (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 23.9.14 | Sem comentários

    ANO CRISTÃO


    O Livro dos Provérbios reúne a atividade dos sábios de Israel, que durou muitos séculos (entre o décimo e o terceiro século antes de Cristo). Embora seja empresa impossível determinar o processo de compilação do Livro, podemos indicar pelo menos três etapas: primeiro, houve as coleções de provérbios conservados nas famílias e nos clãs; depois, no tempo de Salomão e de outros reis (25, 1), encorajou-se a coleção e a edição da sabedoria tradicional; por fim, deu-se a redação da parte do editor, que aconteceu no período do pós-exílio, pelo menos antes da formação do Livro de Ben Sirá (escrito entre 190 e 185 antes de Cristo), que já conhece o Livro dos Provérbios. O reda­tor final completou o Livro juntando os primeiros nove capítulos como introdução e os versículos 10 a 31 do trigésimo primeiro capítulo (o poema alfabético dedicado à mulher forte) no fim, como conclusão.
    Este livro é o mais representativo dos Livros sapienciais da Bí­blia. Pode ser considerado uma antologia da sabedoria popular de Israel (sentenças, máximas, aforismos) e de escola (poemas, instruções, ensinamentos). A finalidade de ambos é a mesma: formar a pessoa, mostrar o que é realmente a vida e indicar como melhor a enfrentar. Mais que impor uma ética ou inculcar uma doutrina, o sábio quer persuadir, estimular o discípulo/leitor a uma conduta de vida.
    Não temos já o sacerdote que ensina a Lei à assembleia ou o profeta que proclama a palavra a todo o povo. Temos antes o sábio que, como um pai ou uma mãe, fala de modo coloquial ao seu próprio filho, o qual deve saber escolher o caminho da vida e manter-se longe do caminho da morte. O jovem precisa de apren­der o discernimento, para saber distinguir quem lhe está falando para o seu bem no caminho da vida: a mulher-Sabedoria ou a mulher-Loucura. A parte mais vasta do livro está organizada em conselhos práticos acerca da vida quotidiana. Trata-se de distin­guir os pequenos sinais que revelam, na vida concreta e de cada dia, o mistério da presença e a grandeza de Deus.

    © Tiziano Lorenzin | Editora Paulus
    © Adaptação de Laboratório da fé, 2014
    A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do editor



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    Laboratório da fé celebrada, 2014



    A Editora Paulus traduziu e publicou (em 2010) uma obra italiana com comentários aos textos bíblicos proclamados nas celebrações eucarísticas. No volume dedicado às primeiras semanas do Tempo Comum («Leccionário Comentado. Regenerados pela Palavra de Deus. Volume 1: Tempo Comum. Semanas I-XVII» — organização de Giuseppe Casarin) faz uma breve apresentação das primeiras semanas do «Tempo Comum» e dos textos bíblicos propostos na Liturgia. A coleção está estruturada à maneira da «lectio divina», acompanhando progressivamente todo o ano litúrgico nos seus tempos fortes, nas suas festas mas também nos dias feriais, todas as vezes que a comunidade cristã é convocada para celebrar a Cristo presente na Palavra e no Pão eucarístico.


    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 22.9.14 | Sem comentários

    Palavra para hoje: domingo vigésimo quinto


    A Liturgia da Palavra apresenta-nos um Deus que quer ser procurado «enquanto se pode encontrar», quer ser invocado «enquanto está perto». E faz-se próximo antes de nos aproximarmos dele. Celebrar a eucaristia é aproximar-se dele e responder-lhe quando nos convida a trabalhar na sua vinha. Jesus Cristo, o Servidor da primeira hora, quando chega a última hora, tem um único desejo: «Pai, quero que onde Eu estiver estejam também comigo aqueles que Tu me confiaste» (João 17, 24). Recordemos a promessa ao bom ladrão: «Hoje estarás comigo no Paraíso» (Lucas 23, 43). É o testemunho duma justiça de Deus, que não é a nossa... Mas trabalhar na vinha do Pai com Jesus Cristo não é esperar ter como salário a alegria de todos?

    Pergunta da semana: 

    Porque é que os pensamentos e os caminhos de Deus não são os meus?

    Palavra de Deus - Lectio divina - imagem de fano
    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 21.9.14 | Sem comentários

    PREPARAR O DOMINGO VIGÉSIMO QUINTO

    21 DE SETEMBRO DE 2014


    Isaías 55, 6-9

    Procurai o Senhor, enquanto se pode encontrar, invocai-O, enquanto está perto. Deixe o ímpio o seu caminho e o homem perverso os seus pensamentos. Converta-se ao Senhor, que terá compaixão dele, ao nosso Deus, que é generoso em perdoar. Porque os meus pensamentos não são os vossos, nem os vossos caminhos são os meus – oráculo do Senhor –. Tanto quanto o céu está acima da terra, assim os meus caminhos estão acima dos vossos e acima dos vossos estão os meus pensamentos.



    Acima dos vossos estão os meus pensamentos


    O texto no seu contexto
    . No final da segunda parte do profeta Isaías (capítulos 40 a 55, o Dêutero-Isaías), o autor faz um convite e uma súplica à conversão. Não é claro a quem se dirige: A todos os que o ouvem? Apenas aos judeus que resistem a voltar para Judá? Fala de «ímpios» e de «perversos», mas não dá pistas. O centro teológico do texto é marcado não tanto pelos pecadores, mas pela exortação de Deus e a proclamação do seu perdão surpreendente. Os caminhos e os pensamentos de Deus não coincidem necessariamente com os nossos: não são «previsíveis», mas abrem sempre novas rotas inesperadas e inexploradas. Ele revela-se como misericordioso, «generoso em perdoar»; por isso mesmo pede que o ser humano o procure, abandone os caminhos errados e regresse a ele. No final do «livro da consolação» abre-se um caminho para a conversão e a procura sincera de Deus.

    O texto na história da salvação. O Antigo Testamento revela a unicidade de Deus («Deus é um só»); consequência disto é a recusa dos ídolos, que não são nada. Mais ainda: o Antigo Testamento revela que Deus é o horizonte do ser humano; por isso, o ser humano «procura-O» e «invoca-O». O pecado entende-se como uma «fuga», como um «abandono» de Deus, seguindo outros caminhos e outros pensamentos. Deus espera o regresso e o profeta faz eco e dá testemunho desta súplica.

    Palavra de Deus para nós: sentido e celebração litúrgica. Deus não é «inimigo a combater» ou «padrasto» do que foge. O ser humano crente «abre-se» em escuta atenta aos pensamentos de Deus e dispõe-se docilmente a seguir os seus caminhos. Este é o caminho bíblico da felicidade, não contra Deus, mas atentos aos «pensamentos» de Deus.

    © Pedro Fraile Yécora, Homiletica
    © tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
    A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor

    Preparar o domingo vigésimo quinto (Ano A), no Laboratório da fé, 2014


    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 19.9.14 | Sem comentários

    NÃO PODEMOS VIVER SEM O DOMINGO!


    «Valorizar o domingo como centro de todo o ano litúrgico» — é o primeiro objetivo apresentado no programa pastoral (2013+14) da Arquidiocese de Braga. Com o intuito de «valorizar» o domingo, acompanhando os tempos litúrgicos, propomos um tema a partir da releitura da Carta Apostólica sobre a santificação do domingo — «O dia do Senhor» («Dies Domini»). Este itinerário tem como tema geral: «Não podemos viver sem o domingo!».

    Domingo, DIA DE SOLIDARIEDADE

    Texto de reflexão para o domingo vigésimo quinto

      71. [...] Aos ricos que presumiam ter satisfeito suas obrigações religiosas frequentando a igreja mas sem partilharem os seus bens com os pobres ou mesmo oprimindo-os, S. Ambrósio dirige estas palavras ardentes: «Ouves, ó rico, o que diz o Senhor Deus!? E tu vens à igreja, não para dar qualquer coisa a quem é pobre, mas para te aproveitares». Igualmente exigente é S. João Crisóstomo: «Queres honrar o Corpo de Cristo? Não permitas que seja desprezado nos seus membros, isto é, nos pobres que não têm que vestir, nem O honres aqui no templo com vestes de seda, enquanto lá fora o abandonas ao frio e à nudez. Aquele que disse: ‘Isto é o meu Corpo’, confirmando o facto com a sua palavra, também afirmou: ‘Vistes-Me com fome e não me destes de comer’, e ainda: ‘Na medida em que o recusastes a um destes meus irmãos mais pequeninos, a Mim o recusastes’. (...) De que serviria, afinal, adornar a mesa de Cristo com vasos de ouro, se Ele morre de fome na pessoa dos pobres? Primeiro dá de comer a quem tem fome, e depois ornamenta a sua mesa com o que sobra». São palavras que lembram o dever de fazer da Eucaristia o lugar onde a fraternidade se torne solidariedade concreta, onde os últimos sejam os primeiros na consideração e na estima dos irmãos.



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      Laboratório da fé celebrada, 2014
      Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 19.9.14 | Sem comentários

      CELEBRAR O DOMINGO VIGÉSIMO QUINTO

      UMA LITURGIA SIMPLES E BELA

      Apresentamos algumas sugestões para concretizar o fruto esperado deste ano pastoral: «uma liturgia simples e bela, sinal da comunhão entre Deus e os seres humanos».



      Os meus pensamentos não são os vossos

      O vigésimo quinto domingo (Ano A) convida-nos a converter o nosso olhar e o nosso coração para acolher os pensamentos de Deus (primeira leitura) e viver da sua vida (segunda leitura): tenhamos confiança, Deus é cheio de amor e justo em tudo o que faz (salmo). Por isso, embora surpreendentes, não são descabidas as perguntas do dono da vinha: «Não me será permitido fazer o que quero do que é meu? Ou serão maus os teus olhos porque eu sou bom?» (evangelho). Estas correspondem à misericórdia do Pai que é «bom para com todos» (salmo), com particular atenção pelos mais débeis do nosso mundo, convidando-os a participar da sua bondade. «Felizes os convidados para a Ceia do Senhor» — é o convite que recebemos de Deus, antes de nos aproximarmos para receber o pão eucarístico, com uma atitude de conversão sincera e com uma vida «digna do Evangelho de Cristo» (segunda leitura). Deus retribui com profusão os seus dons a qualquer hora, idade ou situação. Esta é a esperança, quando muitos se lamentam pelo abandono da fé por parte dos seus filhos ou netos. Nunca é demasiado tarde para invocar o Senhor, pois Ele «está perto» (primeira leitura), sempre!



      Fé celebrada com a comunidade

      Em tempo de vindimas, o evangelho vai evocar, durante três domingos, a imagem bíblica da vinha. Símbolo fecundo do amor de Deus, a vinha está no centro da mensagem de Jesus Cristo para evocar certos aspetos do Reino dos Céus ou as exigências de quem quer entrar nele. Uma bela ocasião para, sem cair no ridículo, ornamentar o espaço litúrgico com alguns elementos que remetam para as videiras e as vinhas. Caso se trata de uma comunidade onde as vindimas são uma realidade muito presente pode-se, ainda, adaptar a Liturgia Eucarística para sublinhar a gratidão pelas uvas recolhidas e pelo vinho produzido, «fruto da videira e do trabalho do homem». Nesta situação, sugere-se o uso do «Prefácio dos Domingos do Tempo Comum V: A Criação» («Missal Romano», página 480).



      © Laboratório da fé, 2014

      Celebrar o domingo vigésimo quinto (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

      Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 19.9.14 | Sem comentários
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