Palavra para hoje: domingo da exaltação da santa cruz


Ao longo do Êxodo, Moisés ficou chocado com o desencorajamento do povo de Israel. Longa era a jornada, longínqua era a Terra Prometida... Mas Moisés nunca perdeu a coragem. Na dificuldade, apresenta um sinal protetor: uma serpente de bronze colocada sobre um poste. Olhar para ela é viver; mas se falha o olhar da fé, a mordedura torna-se mortífera. Os Padres da Igreja viram nesta serpente colocada sobre um poste a imagem de Jesus Cristo elevado sobre a cruz. Paulo proclama a glória paradoxal daquele que, sobre a cruz, manifesta a humildade de Deus e reconcilia o Universo com o Criador. Por isso, João lembra: «Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele».

Pergunta da semana: 

Que significado tem a cruz de Jesus Cristo na minha vida?

Palavra de Deus - Lectio divina - imagem de fano
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 14.9.14 | Sem comentários

CELEBRAR O DOMINGO DA EXALTAÇÃO DA SANTA CRUZ

UMA LITURGIA SIMPLES E BELA

Apresentamos algumas sugestões para concretizar o fruto esperado deste ano pastoral: «uma liturgia simples e bela, sinal da comunhão entre Deus e os seres humanos».



Exaltação da Santa Cruz

A coincidência do dia 14 de setembro com o domingo interrompe a sequência litúrgica habitual para dar lugar à celebração da festa da Exaltação da Santa Cruz. Por isso, em vez dos textos propostos para o vigésimo quarto domingo (Ano A), utilizam-se as leituras («Leccionário Santoral», páginas 280 e seguintes) e as orações («Missal Romano», páginas 930 e 931) próprias desta festividade.
A origem da festa remonta ao ano 335, aquando da dedicação, em Jerusalém, das basílicas construídas no Monte Calvário e no Santo Sepulcro, os lugares onde Jesus Cristo foi crucificado e sepultado. A cruz, que foi instrumento de tortura, revela-se fonte da luz e converte-se em lugar glorioso onde Jesus Cristo se entrega gratuitamente, fazendo-se dom do seu amor incondicional. «Toda a nossa glória está na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo. N’Ele está a nossa salvação, vida e ressurreição. Por Ele fomos salvos e livres» (Antífona de Entrada). A Liturgia da Palavra faz-nos saborear este mistério da nossa salvação.



A cruz é fonte de vida eterna

Celebrar a Exaltação da Santa Cruz é afirmar o coração da nossa fé, isto é, professar que a «cruz» não tem a última palavra, porque o Pai ressuscitou Jesus Cristo, «O exaltou e Lhe deu nome o nome que está acima de todos» (segunda leitura), na sua «glória». A elevação da serpente de bronze (primeira leitura) anuncia, antecipadamente, a elevação de Jesus Cristo na cruz para a salvação de todos os seres humanos. São João (evangelho) faz-lhe referência ao apresentar a profundidade do mistério da salvação realizada em Jesus Cristo: «para que o mundo seja salvo por Ele». Sim, a cruz é fonte de vida eterna, caminho de vida e de salvação.



Arte de celebrar

A CRUZ. A festa da Exaltação da Santa Cruz coloca a cruz no centro da celebração. Não seria melhor usar uma cruz vazia (sem a imagem de Jesus Cristo) para melhor expressar a ressurreição? Esta vida mais forte do que a morte será expressa através de um arranjo floral belo e visível e pelos círios junto da cruz. Aquando da procissão de entrada, o presidente aproxima-se e inclina-se diante da cruz. Onde for possível um cântico de meditação sobre a cruz, após a homilia ou a comunhão, os ministros (presbíteros, diáconos, leitores, acólitos...) podem voltar-se para cruz. Contudo, na celebração litúrgica, não é oportuna qualquer iniciativa de veneração individual semelhante à de Sexta-feira Santa.



Fé celebrada com a comunidade

Somos convidados a contemplar a Cruz, lugar de onde brota a vida, fonte de cura para cada ser humano. Prepara-se um arranjo floral para colocar junto da cruz, nas casas e nas igrejas. A cor litúrgica é o vermelho. Pode-se usar a Oração Eucarística I das Missas da Reconciliação («Missal Romano», páginas 1314 e seguintes).



© Laboratório da fé, 2014

Celebrar o domingo da Exaltação da Santa Cruz (14 de setembro), no Laboratório da fé, 2014


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 12.9.14 | Sem comentários

NÃO PODEMOS VIVER SEM O DOMINGO!


«Valorizar o domingo como centro de todo o ano litúrgico» — é o primeiro objetivo apresentado no programa pastoral (2013+14) da Arquidiocese de Braga. Com o intuito de «valorizar» o domingo, acompanhando os tempos litúrgicos, propomos um tema a partir da releitura da Carta Apostólica sobre a santificação do domingo — «O dia do Senhor» («Dies Domini»). Este itinerário tem como tema geral: «Não podemos viver sem o domingo!».

Domingo, DIA DE SOLIDARIEDADE

Texto de reflexão para o domingo da exaltação da santa cruz

    70. «No primeiro dia da semana, cada um de vós ponha de parte, em sua casa, o que tiver podido poupar» (1Coríntios 16, 2). Trata-se aqui da coleta organizada por Paulo em favor das Igrejas pobres da Judeia: na Eucaristia dominical, o coração crente cresce até assumir as dimensões da Igreja. Mas, é preciso compreender profundamente o convite do Apóstolo, que, longe de promover uma mentalidade mesquinha que se contente do «óbolo», faz apelo a uma exigente cultura da solidariedade, concretizada tanto entre os próprios membros da comunidade como em favor da sociedade inteira. Há necessidade de escutar de novo as advertências na Primeira Carta aos Coríntios: «Quando vos reunis, não o fazeis para comer a ceia do Senhor, pois cada um de vós se apressa a tomar a sua própria ceia; e, enquanto uns passam fome, outros se fartam. Porventura não tendes casas para comer e beber? Ou desprezais a Igreja de Deus e quereis envergonhar aqueles que nada têm?» (11, 20-22). E não é menos vigorosa a palavra de Tiago: «Se entrar na vossa assembleia um homem com anel de ouro e com vestidos preciosos e entrar também um pobre, e atenderdes ao que está magnificamente vestido [...] não é verdade que fazeis distinção entre vós mesmos?» (2, 2-4).



    • Não podemos viver sem o domingo! — textos publicados no Laboratório da fé > > >



    Laboratório da fé celebrada, 2014
    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 12.9.14 | Sem comentários

    PREPARAR O DOMINGO DA EXALTAÇÃO DA SANTA CRUZ

    14 DE SETEMBRO DE 2014


    Números 21, 4b-9

    Naqueles dias, o povo de Israel impacientou-se e falou contra Deus e contra Moisés: «Porque nos fizeste sair do Egito, para morrermos neste deserto? Aqui não há pão nem água e já nos causa fastio este alimento miserável». Então o Senhor mandou contra o povo serpentes venenosas que mordiam nas pessoas e morreu muita gente de Israel. O povo dirigiu-se a Moisés, dizendo: «Pecámos, ao falar contra o Senhor e contra ti. Intercede junto do Senhor, para que afaste de nós as serpentes». E Moisés intercedeu pelo povo. Então o Senhor disse a Moisés: «Faz uma serpente de bronze e coloca-a sobre um poste. Todo aquele que for mordido e olhar para ela ficará curado». Moisés fez uma serpente de bronze e fixou-a num poste. Quando alguém, era mordido por uma serpente, olhava para a serpente de bronze e ficava curado.



    O povo de Israel impacientou-se e falou contra Deus


    O texto no seu contexto
    . A travessia do deserto não é a narração de uma epopeia, mas de um drama que, com frequência, se transforma em tragédia. Israel não é, em absoluto, um modelo de povo submisso. Revolta-se e chega a dizer que estava melhor no Egito, mesmo sendo escravos. E mais: acusa Deus de tirá-lo do Egito para o matar à fome. Blasfémia ou acusação justa? O castigo inicial transforma-se em perdão, graças à mediação de Moisés. O antigo símbolo da serpente de bronze, que dá vida temporariamente, fica como testemunho de um sinal aberto ao futuro: de uma árvore sairá a verdadeira vida.

    O texto na história da salvação. A nossa mentalidade ocidental fica chocada ao ler que Deus, por causa de um protesto humano, possa mandar serpentes cujas mordeduras sejam mortíferas. O povo de Israel é arquétipo da humanidade que enfrenta as dificuldades da vida (deserto) e prefere a escravidão com pão à escassez em liberdade. O «bem-estar» a qualquer preço não é prometido por Deus; Deus promete a «terra», lugar de encontros e desencontros, de fidelidades e de pecados. A história desenvolve-se na terra prometida: o deserto é uma antecipação, com frequência, premonitória.

    Palavra de Deus para nós: sentido e celebração litúrgica. A experiência do povo de Israel, na travessia pelo deserto, pode ser transposta para a nossa própria experiência. O deserto é lugar de prova em liberdade, de encontro com a vida em estado puro e exigente. A travessia da vida é dura: doenças, dificuldades económicas, crises familiares, desenraizamentos. Parece que desfalecemos; mas há «testemunhos de vida e de esperança». A Igreja leu sempre neste texto o anúncio do que será a árvore levantada da única e verdadeira salvação: a de Cristo na cruz.

    © Pedro Fraile Yécora, Homiletica
    © tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
    A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor

    Preparar o domingo da Exaltação da Santa Cruz (14 de setembro), no Laboratório da fé, 2014

    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 12.9.14 | Sem comentários

    PREPARAR O DOMINGO DA EXALTAÇÃO DA SANTA CRUZ


    A cruz, sinal e ignomínia, com Jesus converte-se em símbolo de salvação, em realidade libertadora. A forma de agir de Deus não é a da condenação, mas a de dar vida. O Deus de Jesus é o Deus da vida. E a cruz de Jesus é sinónimo de vida sem fim, de vida eterna.
    No dia 14 de setembro celebramos a «Exaltação da Santa Cruz», ou seja, a cruz de Jesus Cristo foi exaltada, enobrecida, santificada; algo que originalmente era julgado como sinal de maldição de Deus. Mas a cruz, em Jesus, converteu-se na maior prova do amor de Deus para com o ser humano. Deus quer que vivamos, que sejamos felizes, que a nossa vida tenha sentido, que saboreemos a eternidade já aqui, na nossa existência quotidiana.
    A «boa notícia» de Jesus para os pobres, os excluídos, os doentes..., para todos e todas tem a sua fase central na cruz. Porque o fracasso converte-se em esperança, o desespero em confiança, a morte em ressurreição, em vida. Deus Pai está do lado de Jesus, seu Filho. A sua causa não fracassou. A exaltação da cruz significa a elevação de tudo o que é pequeno, inútil ou desprezível, de acordo com o mundo. Deus é um Deus de vida.

    © Javier Velasco-Arias

    © La Biblia compartida — blogue de Javier Velasco-Arias y Quique Fernández
    © tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
    A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor


    Preparar o domingo da Exaltação da Santa Cruz (14 de setembro), no Laboratório da fé, 2014



    La biblia compartida — www.laboratoriodafe.net


    Javier Velasco-Arias, nasceu no ano de 1956, em Medina del Campo (Espanha); atualmente, vive em Barcelona (desde os onze anos de idade). É biblista, professor de Sagrada Escritura no «Instituto Superior de Ciências Religiosas de Barcelona» e no «Centro de Estudos Pastorais» das dioceses da Catalunha. É responsável e membro de várias associações bíblicas, em Espanha. Na área bíblica, é autor de diversas publicações, além de artigos de temas bíblicos em revistas especializadas e na internet.
    Outros artigos publicados no Laboratório da fé


    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 11.9.14 | Sem comentários

    PREPARAR O DOMINGO DA EXALTAÇÃO DA SANTA CRUZ

    14 DE SETEMBRO DE 2014


    Números 21, 4b-9

    Naqueles dias, o povo de Israel impacientou-se e falou contra Deus e contra Moisés: «Porque nos fizeste sair do Egito, para morrermos neste deserto? Aqui não há pão nem água e já nos causa fastio este alimento miserável». Então o Senhor mandou contra o povo serpentes venenosas que mordiam nas pessoas e morreu muita gente de Israel. O povo dirigiu-se a Moisés, dizendo: «Pecámos, ao falar contra o Senhor e contra ti. Intercede junto do Senhor, para que afaste de nós as serpentes». E Moisés intercedeu pelo povo. Então o Senhor disse a Moisés: «Faz uma serpente de bronze e coloca-a sobre um poste. Todo aquele que for mordido e olhar para ela ficará curado». Moisés fez uma serpente de bronze e fixou-a num poste. Quando alguém, era mordido por uma serpente, olhava para a serpente de bronze e ficava curado.



    Olhava para a serpente de bronze e ficava curado


    O livro dos Números, além de conter dados de um censo feito ao povo de Israel, na longa peregrinação através do deserto a caminho da terra prometida — daí o nome do livro —, contém várias histórias que marcam a caminhada: vitórias sobre reis cananeus e narrações de rebeliões contra Deus. O tema é bem conhecido: a liberdade tem um preço que parece demasiado alto. No Egito, país da escravidão, havia boa comida; ao contrário, no deserto, os alimentos causam «fastio». A consequência é uma praga de serpentes venenosas que mordiam os israelitas que murmuravam contra Moisés e contra Deus.
    Feito o mal, o povo volta-se para Moisés, que age sempre como mediador diante de Deus, e pede-lhe que obtenha de Deus a libertação da praga.
    Deus manda Moisés fazer um poste com uma serpente de bronze. Os que eram mordidos, se olhassem para a figura elevada, obtinham a cura. É bom lembrar que, no mundo antigo, as serpentes eram não só um símbolo de morte e de perigo, mas também de fertilidade, de vida e de cura.
    O evangelho segundo João anota este episódio da serpente que dá vida ao povo como metáfora da cruz de Jesus Cristo, na qual foi elevado sobre a terra para dar a vida verdadeira.

    © Joan Ferrer, Misa dominical
    © tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
    A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor

    Preparar o domingo da Exaltação da Santa Cruz (14 de setembro), no Laboratório da fé, 2014

    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 10.9.14 | Sem comentários

    REZAR O DOMINGO DA EXALTAÇÃO DA SANTA CRUZ

    14 DE SETEMBRO DE 2014


    Evangelho segundo João 3, 13-17

    Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos: «Ninguém subiu ao Céu senão Aquele que desceu do Céu: o Filho do homem. Assim como Moisés elevou a serpente no deserto, também o Filho do homem será elevado, para que todo aquele que acredita tenha n’Ele a vida eterna. Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigénito, para que todo o homem que acredita n’Ele não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele».



    Segunda, 8: SUBIU

    Esta semana, a festa da Exaltação da Santa Cruz convida-nos a viver cada dia da semana acolhendo o imenso espaço aberto pela cruz. O evangelho escolhido para esta festa começa com as palavras de Jesus: Ninguém subiu ao Céu senão...». Senão o quê? Senão ele, pois claro! Hoje, vou rezar com a ajuda de tudo o que me pode fazer subir ao céu: um balão enchido com hélio nas mãos de uma criança, um grito de alegria ou de desespero com o rosto elevado, as mãos abertas em direção ao céu em sinal de louvor... E, como Maria, de quem hoje celebramos o nascimento, elevarei os olhos ao céu para fazer subir a minha oração.



    Terça, 9: DESCEU

    Jesus prossegue a sua frase dizendo que «ninguém subiu ao Céu senão Aquele que desceu do Céu». Depois do alto, o baixo. Depois do cume, o solo e o subsolo. Se a cruz se pode elevar para o céu, é porque está colocada sobre a terra. Para Deus, tudo aquilo que sobe, antes já tinha descido. Tudo o que está revestido de divindade já antes tinha desposado a terra, a humanidade. Hoje, rezarei olhando para baixo, terra a terra. É o caminho paradoxal que conduz ao Céu.



    Quarta, 10: ELEVOU

    Jesus não se fecha em abstrações. Toma o exemplo da serpente de bronze feita por Moisés e elevada num poste para que quem olhasse para ela fosse curado. A serpente elevada eleva o ser humano à sua dignidade de ser vivo. A cruz de Jesus também nos eleva à dignidade de filhos de Deus: não é o sinal traçado na fronte das crianças no dia do batismo? Hoje, rezarei com o que, na minha vida, me faz crescer e me eleva.



    Quinta, 11: ELEVOU (BIS)

    Jesus aplica a si mesmo o exemplo da serpente: «também o Filho do homem será elevado, para que todo aquele que acredita tenha n’Ele a vida eterna». A cruz já não é mais um sinal de morte. Ela torna-se num sinal de vida, duma vida sem fim, duma vida que cada um pode «ter» se acreditar. Hoje, rezarei ao Senhor pedindo-lhe que faça crescer a minha fé, a minha confiança nele, a minha esperança na sua presença vivificante... enquanto o mundo não deixa de me enviar sinais de morte, de sofrimento e de fracasso. Senhor, eleva a minha fé.



    Sexta, 12: AMOU E ENTREGOU

    Deus é amor — sabemo-lo. Mas procuremos compreender até que ponto o amor que Deus tem pelo mundo — sim, Deus não detesta o mundo! — que O leva a agir de forma louca. Como? Dando o que tem de mais querido e de mais precioso: o seu Filho Unigénito. Deus é capaz de fazer o que poucos de nós seríamos capazes de fazer... Inacreditável? Não, é, justamente, o que Igreja nos pede para acreditar. Pai nosso, ensina-me a reconhecer o quanto sou amado por ti, embora eu não seja verdadeiramente digno.



    Sábado, 13: ENVIOU PARA SALVAR

    Para nos convencer de que Deus ama o mundo — e ama-o tanto! — Jesus serve-se de um outro vocabulário: a condenação e a salvação. Jesus é muito claro: Deus não enviou o seu Filho «para condenar o mundo» — quantas vezes é preciso dizê-lo para nos desembaraçarmos de qualquer espécie de medo? —, mas para que o o mundo seja salva pelo seu Filho. A cruz é o caminho percorrido pelo Filho para nos fazer passar com ele da morte para a vida. Hoje, rezarei não como um condenado, mas como um salvo. Vamos, experimenta!



    Domingo, 14: EM CIMA, EM BAIXO, À ESQUERDA, À DIREITA

    A cruz é um sinal que toca todo o espaço, da terra ao céu, dum horizonte ao outro. Ela é verdadeiramente o sinal dum amor louco, inaudito, completo e inimaginável de Deus pelo nosso mundo e por cada um de nós. A cruz é um sinal que abraça todo o nosso corpo, da cabeça aos pés, do ombro esquerdo ao ombro direito. Ela é verdadeiramente o sinal da vida eterna prometida a todos os corpos, graças àquele que, precisamente, nos dá o seu corpo a comer em cada Eucaristia. A cruz é um sinal que podemos traçar sobre o pão, sobre a fronte das crianças, sobre o corpo dos que sofrem e dos doentes... Ela é verdadeiramente o sinal de que todo o ser vivo e todas as coisas são chamados a ser consagrados, ou seja, a viver da vida de Deus.



    © www.versdimanche.com
    © tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014

    Rezar o domingo da Exaltação da Santa Cruz (14 de setembro), no Laboratório da fé, 2014

    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 8.9.14 | Sem comentários

    Palavra para hoje: domingo vigésimo terceiro


    Deus faz do profeta Ezequiel uma sentinela. Entre a sua palavra e nós, coloca intermediários, homens e mulheres atentos à sua Palavra e à palavra dos seus irmãos. Deus age assim, em respeito ao que somos e à Aliança que estabeleceu com a humanidade. São Paulo percebeu bem o sentido deste agir de Deus. E expressa-o: «Não devais a ninguém coisa alguma, a não ser o amor de uns para com os outros». Uma comunidade é cristã, na medida em que cada um se torna responsável pelos irmãos. Na assembleia eucarística, os crentes são chamados a exortarem-se mutuamente e a abrir o coração para acolher Jesus Cristo que lhes promete: «Onde estão dois ou três reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles».

    Pergunta da semana: 

    Aceito a missão de ser responsável pela vida dos outros?

    Palavra de Deus - Lectio divina - imagem de fano
    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 7.9.14 | Sem comentários

    NÃO PODEMOS VIVER SEM O DOMINGO!


    «Valorizar o domingo como centro de todo o ano litúrgico» — é o primeiro objetivo apresentado no programa pastoral (2013+14) da Arquidiocese de Braga. Com o intuito de «valorizar» o domingo, acompanhando os tempos litúrgicos, propomos um tema a partir da releitura da Carta Apostólica sobre a santificação do domingo — «O dia do Senhor» («Dies Domini»). Este itinerário tem como tema geral: «Não podemos viver sem o domingo!».

    Domingo, DIA DE SOLIDARIEDADE

    Texto de reflexão para o domingo vigésimo terceiro

      69. O domingo deve dar oportunidade aos fiéis para se dedicarem também às atividades de misericórdia, caridade e apostolado. A participação interior na alegria de Cristo ressuscitado implica a partilha total do amor que pulsa no seu coração: não há alegria sem amor! O próprio Jesus no-lo explica, ao pôr em relação o «mandamento novo» com o dom da alegria: «Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, do mesmo modo que Eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai, e permaneço no seu amor. Digo-vos isto para que a minha alegria esteja em vós, e a vossa alegria seja completa. O meu mandamento é este: Que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei» (João 15, 10-12). Assim, a Eucaristia dominical não só não desvia dos deveres de caridade, mas, pelo contrário, estimula os fiéis «a tudo o que seja obra de caridade, de piedade e apostolado, onde os cristãos possam mostrar que são a luz do mundo, embora não sejam deste mundo, e que glorificam o Pai diante dos homens» (Constituição Conciliar sobre a Sagrada Liturgia — «Sacrosanctum Concilium», 9).
      70. De facto, a reunião dominical constituiu para os cristãos, desde os tempos apostólicos, um momento de partilha fraterna com os mais pobres.



      • Não podemos viver sem o domingo! — textos publicados no Laboratório da fé > > >



      Laboratório da fé celebrada, 2014
      Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 5.9.14 | Sem comentários

      PREPARAR O DOMINGO VIGÉSIMO TERCEIRO

      7 DE SETEMBRO DE 2014


      Ezequiel 33, 7-9

      Eis o que diz o Senhor: «Filho do homem, coloquei-te como sentinela na casa de Israel. Quando ouvires a palavra da minha boca, deves avisá-los da minha parte. Sempre que Eu disser ao ímpio: ‘Ímpio, hás de morrer’, e tu não falares ao ímpio para o afastar do seu caminho, o ímpio morrerá por causa da sua iniquidade, mas Eu pedir-te-ei contas da sua morte. Se tu, porém, avisares o ímpio, para que se converta do seu caminho, e ele não se converter, morrerá nos seus pecados, mas tu salvarás a tua vida».



      Coloquei-te como sentinela


      O texto no seu contexto
      . Ezequiel viveu em dois momentos cruciais da história de Israel, que desembocam de forma natural em duas etapas da sua pregação. A primeira etapa, marcada pela iminente destruição de Jerusalém, é um convite à conversão do povo, esperando que a mudança radical de atitude vá acompanhada por uma alteração na história. A segunda etapa, partilhando a vida dos desterrados, é um convite a ter esperança; já não serve «queixar-se» de que todos sofrem pelos pecados dos outros. Cada um é responsável pela sua história e suas consequências. O profeta sente-se chamado por Deus a ser «sentinela», «vigia» desta nova situação. Da mesma forma que uma sentinela, na muralha, tem o encargo de avisar se há um perigo iminente, assim o profeta é a sentinela que adverte o povo sobre um comportamento transviado ou perigoso que o leva à destruição.

      O texto na história da salvação. Estamos num momento crucial no desenvolvimento moral da teologia bíblica. Este texto é testemunha duma mudança que supõe a atribuição das desgraças do povo a uma «culpa coletiva», como se de um destino fatal se tratasse, acima da responsabilidade individual. Cada um é responsável pelos seus atos. Isto não invalida o olhar atento do profeta, tornando inútil a sua missão, mas dá-lhe um novo carácter: é o responsável por projetar um olhar lúcido e de ter uma voz potente e clara que avise, sobretudo os incautos e menos perspicazes, sobre o perigo que se avizinha.

      Palavra de Deus para nós: sentido e celebração litúrgica. Em cada grupo humano há pessoas perspicazes, cum uma «inteligência natural», que os faz ver com clareza as situações presentes e futuras. Os profetas são estes homens «clarividentes» que têm que abrir os olhos das pessoas cegas e obstinadas no seu erro. Missão de outrora e de sempre.

      © Pedro Fraile Yécora, Homiletica
      © tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
      A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor

      Preparar o domingo vigésimo terceiro (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

      Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 5.9.14 | Sem comentários

      PREPARAR O DOMINGO VIGÉSIMO TERCEIRO


      Tanto a primeira leitura, do profeta Ezequiel, como o evangelho do vigésimo terceiro domingo (Ano A) assinalam a responsabilidade do crente perante o pecado do irmão ou irmã, face à sua debilidade. A fidelidade à Palavra de Deus, ao Evangelho de Jesus, exige uma preocupação especial pelo próximo. Paulo, na Carta aos Romanos (segunda leitura), afirma que o amor é a única dívida que temos para com os outros, já que é amando que se cumprem todos os mandamentos.
      O texto do evangelho pertence ao chamado «discurso eclesial», no qual se sublinha as exigências do perdão e do amor na comunidade cristã. O importante é que o irmão ou a irmã não se perca, embora tenha sido infiel, mesmo que com gravidade. O processo é de uma delicadeza requintada, primeiro exortando-o/a em privado, em segredo; não criticando nem pública nem sequer interiormente. O resto do processo procura ajudá-lo/a,  não condená-lo/a. Contudo, nem sempre é possível: o outro, a outra, são seres livres e temos de respeitar a sua liberdade, mesmo quando está equivocado/a.
      Todavia, não posso ficar tranquilo/a se o irmão ou a irmã se perde. Respeitarei sempre a sua liberdade, mas unir-me-ei em oração comunitária pelo irmão ou pela irmã, para que Deus «toque» o seu coração e ele ou ela tenha consciência do seu erro. O amor é a medida das relações comunitárias.

      © Javier Velasco-Arias

      © La Biblia compartida — blogue de Javier Velasco-Arias y Quique Fernández
      © tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
      A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor


      Rezar o domingo vigésimo terceiro (Ano A), no Laboratório da fé, 2014



      La biblia compartida — www.laboratoriodafe.net


      Javier Velasco-Arias, nasceu no ano de 1956, em Medina del Campo (Espanha); atualmente, vive em Barcelona (desde os onze anos de idade). É biblista, professor de Sagrada Escritura no «Instituto Superior de Ciências Religiosas de Barcelona» e no «Centro de Estudos Pastorais» das dioceses da Catalunha. É responsável e membro de várias associações bíblicas, em Espanha. Na área bíblica, é autor de diversas publicações, além de artigos de temas bíblicos em revistas especializadas e na internet.
      Outros artigos publicados no Laboratório da fé


      Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 4.9.14 | Sem comentários

      PREPARAR O DOMINGO VIGÉSIMO TERCEIRO

      7 DE SETEMBRO DE 2014


      Ezequiel 33, 7-9

      Eis o que diz o Senhor: «Filho do homem, coloquei-te como sentinela na casa de Israel. Quando ouvires a palavra da minha boca, deves avisá-los da minha parte. Sempre que Eu disser ao ímpio: ‘Ímpio, hás de morrer’, e tu não falares ao ímpio para o afastar do seu caminho, o ímpio morrerá por causa da sua iniquidade, mas Eu pedir-te-ei contas da sua morte. Se tu, porém, avisares o ímpio, para que se converta do seu caminho, e ele não se converter, morrerá nos seus pecados, mas tu salvarás a tua vida».



      Quando ouvires a palavra da minha boca


      O livro de Ezequiel, como toda a literatura profética bíblica, encontra-se profundamente enraizado na história do povo de Deus. O profeta foi deportado para a Babilónia depois da primeira invasão de Jerusalém pelos exércitos do império neobabilónico. A tarefa do profeta é dramática: trata-se de anunciar o fim das grandes instituições que estruturavam o povo de Deus — o templo, a realeza — e a destruição da cidade santa de Jerusalém.
      O fragmento proposto para primeira leitura do vigésimo terceiro domingo (Ano A) apresenta a missão profética em relação com o povo de Deus. O profeta foi posto como «sentinela», como vigilante que faz a guarda para evitar que sejam atacados de surpresa. A sua responsabilidade para com o povo é muito grande: se não está profundamente atento à palavra de Deus, que pede a conversão — o regresso ao único objetivo válido e digno da vida, que é o próprio Deus —, a responsabilidade dos males que podem acontecer cairá sobre o profeta. A tarefa é: «quando ouvires a palavra da minha boca, deves avisá-los»; se for escutada levará à conversão. A outra opção é a morte.

      © Joan Ferrer, Misa dominical
      © tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
      A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor

      Preparar o domingo vigésimo terceiro (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

      Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 1.9.14 | Sem comentários
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