REZAR O DOMINGO DA EXALTAÇÃO DA SANTA CRUZ

14 DE SETEMBRO DE 2014


Evangelho segundo João 3, 13-17

Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos: «Ninguém subiu ao Céu senão Aquele que desceu do Céu: o Filho do homem. Assim como Moisés elevou a serpente no deserto, também o Filho do homem será elevado, para que todo aquele que acredita tenha n’Ele a vida eterna. Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigénito, para que todo o homem que acredita n’Ele não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele».



Segunda, 8: SUBIU

Esta semana, a festa da Exaltação da Santa Cruz convida-nos a viver cada dia da semana acolhendo o imenso espaço aberto pela cruz. O evangelho escolhido para esta festa começa com as palavras de Jesus: Ninguém subiu ao Céu senão...». Senão o quê? Senão ele, pois claro! Hoje, vou rezar com a ajuda de tudo o que me pode fazer subir ao céu: um balão enchido com hélio nas mãos de uma criança, um grito de alegria ou de desespero com o rosto elevado, as mãos abertas em direção ao céu em sinal de louvor... E, como Maria, de quem hoje celebramos o nascimento, elevarei os olhos ao céu para fazer subir a minha oração.



Terça, 9: DESCEU

Jesus prossegue a sua frase dizendo que «ninguém subiu ao Céu senão Aquele que desceu do Céu». Depois do alto, o baixo. Depois do cume, o solo e o subsolo. Se a cruz se pode elevar para o céu, é porque está colocada sobre a terra. Para Deus, tudo aquilo que sobe, antes já tinha descido. Tudo o que está revestido de divindade já antes tinha desposado a terra, a humanidade. Hoje, rezarei olhando para baixo, terra a terra. É o caminho paradoxal que conduz ao Céu.



Quarta, 10: ELEVOU

Jesus não se fecha em abstrações. Toma o exemplo da serpente de bronze feita por Moisés e elevada num poste para que quem olhasse para ela fosse curado. A serpente elevada eleva o ser humano à sua dignidade de ser vivo. A cruz de Jesus também nos eleva à dignidade de filhos de Deus: não é o sinal traçado na fronte das crianças no dia do batismo? Hoje, rezarei com o que, na minha vida, me faz crescer e me eleva.



Quinta, 11: ELEVOU (BIS)

Jesus aplica a si mesmo o exemplo da serpente: «também o Filho do homem será elevado, para que todo aquele que acredita tenha n’Ele a vida eterna». A cruz já não é mais um sinal de morte. Ela torna-se num sinal de vida, duma vida sem fim, duma vida que cada um pode «ter» se acreditar. Hoje, rezarei ao Senhor pedindo-lhe que faça crescer a minha fé, a minha confiança nele, a minha esperança na sua presença vivificante... enquanto o mundo não deixa de me enviar sinais de morte, de sofrimento e de fracasso. Senhor, eleva a minha fé.



Sexta, 12: AMOU E ENTREGOU

Deus é amor — sabemo-lo. Mas procuremos compreender até que ponto o amor que Deus tem pelo mundo — sim, Deus não detesta o mundo! — que O leva a agir de forma louca. Como? Dando o que tem de mais querido e de mais precioso: o seu Filho Unigénito. Deus é capaz de fazer o que poucos de nós seríamos capazes de fazer... Inacreditável? Não, é, justamente, o que Igreja nos pede para acreditar. Pai nosso, ensina-me a reconhecer o quanto sou amado por ti, embora eu não seja verdadeiramente digno.



Sábado, 13: ENVIOU PARA SALVAR

Para nos convencer de que Deus ama o mundo — e ama-o tanto! — Jesus serve-se de um outro vocabulário: a condenação e a salvação. Jesus é muito claro: Deus não enviou o seu Filho «para condenar o mundo» — quantas vezes é preciso dizê-lo para nos desembaraçarmos de qualquer espécie de medo? —, mas para que o o mundo seja salva pelo seu Filho. A cruz é o caminho percorrido pelo Filho para nos fazer passar com ele da morte para a vida. Hoje, rezarei não como um condenado, mas como um salvo. Vamos, experimenta!



Domingo, 14: EM CIMA, EM BAIXO, À ESQUERDA, À DIREITA

A cruz é um sinal que toca todo o espaço, da terra ao céu, dum horizonte ao outro. Ela é verdadeiramente o sinal dum amor louco, inaudito, completo e inimaginável de Deus pelo nosso mundo e por cada um de nós. A cruz é um sinal que abraça todo o nosso corpo, da cabeça aos pés, do ombro esquerdo ao ombro direito. Ela é verdadeiramente o sinal da vida eterna prometida a todos os corpos, graças àquele que, precisamente, nos dá o seu corpo a comer em cada Eucaristia. A cruz é um sinal que podemos traçar sobre o pão, sobre a fronte das crianças, sobre o corpo dos que sofrem e dos doentes... Ela é verdadeiramente o sinal de que todo o ser vivo e todas as coisas são chamados a ser consagrados, ou seja, a viver da vida de Deus.



© www.versdimanche.com
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014

Rezar o domingo da Exaltação da Santa Cruz (14 de setembro), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 8.9.14 | Sem comentários

Palavra para hoje: domingo vigésimo terceiro


Deus faz do profeta Ezequiel uma sentinela. Entre a sua palavra e nós, coloca intermediários, homens e mulheres atentos à sua Palavra e à palavra dos seus irmãos. Deus age assim, em respeito ao que somos e à Aliança que estabeleceu com a humanidade. São Paulo percebeu bem o sentido deste agir de Deus. E expressa-o: «Não devais a ninguém coisa alguma, a não ser o amor de uns para com os outros». Uma comunidade é cristã, na medida em que cada um se torna responsável pelos irmãos. Na assembleia eucarística, os crentes são chamados a exortarem-se mutuamente e a abrir o coração para acolher Jesus Cristo que lhes promete: «Onde estão dois ou três reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles».

Pergunta da semana: 

Aceito a missão de ser responsável pela vida dos outros?

Palavra de Deus - Lectio divina - imagem de fano
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 7.9.14 | Sem comentários

NÃO PODEMOS VIVER SEM O DOMINGO!


«Valorizar o domingo como centro de todo o ano litúrgico» — é o primeiro objetivo apresentado no programa pastoral (2013+14) da Arquidiocese de Braga. Com o intuito de «valorizar» o domingo, acompanhando os tempos litúrgicos, propomos um tema a partir da releitura da Carta Apostólica sobre a santificação do domingo — «O dia do Senhor» («Dies Domini»). Este itinerário tem como tema geral: «Não podemos viver sem o domingo!».

Domingo, DIA DE SOLIDARIEDADE

Texto de reflexão para o domingo vigésimo terceiro

    69. O domingo deve dar oportunidade aos fiéis para se dedicarem também às atividades de misericórdia, caridade e apostolado. A participação interior na alegria de Cristo ressuscitado implica a partilha total do amor que pulsa no seu coração: não há alegria sem amor! O próprio Jesus no-lo explica, ao pôr em relação o «mandamento novo» com o dom da alegria: «Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, do mesmo modo que Eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai, e permaneço no seu amor. Digo-vos isto para que a minha alegria esteja em vós, e a vossa alegria seja completa. O meu mandamento é este: Que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei» (João 15, 10-12). Assim, a Eucaristia dominical não só não desvia dos deveres de caridade, mas, pelo contrário, estimula os fiéis «a tudo o que seja obra de caridade, de piedade e apostolado, onde os cristãos possam mostrar que são a luz do mundo, embora não sejam deste mundo, e que glorificam o Pai diante dos homens» (Constituição Conciliar sobre a Sagrada Liturgia — «Sacrosanctum Concilium», 9).
    70. De facto, a reunião dominical constituiu para os cristãos, desde os tempos apostólicos, um momento de partilha fraterna com os mais pobres.



    • Não podemos viver sem o domingo! — textos publicados no Laboratório da fé > > >



    Laboratório da fé celebrada, 2014
    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 5.9.14 | Sem comentários

    PREPARAR O DOMINGO VIGÉSIMO TERCEIRO

    7 DE SETEMBRO DE 2014


    Ezequiel 33, 7-9

    Eis o que diz o Senhor: «Filho do homem, coloquei-te como sentinela na casa de Israel. Quando ouvires a palavra da minha boca, deves avisá-los da minha parte. Sempre que Eu disser ao ímpio: ‘Ímpio, hás de morrer’, e tu não falares ao ímpio para o afastar do seu caminho, o ímpio morrerá por causa da sua iniquidade, mas Eu pedir-te-ei contas da sua morte. Se tu, porém, avisares o ímpio, para que se converta do seu caminho, e ele não se converter, morrerá nos seus pecados, mas tu salvarás a tua vida».



    Coloquei-te como sentinela


    O texto no seu contexto
    . Ezequiel viveu em dois momentos cruciais da história de Israel, que desembocam de forma natural em duas etapas da sua pregação. A primeira etapa, marcada pela iminente destruição de Jerusalém, é um convite à conversão do povo, esperando que a mudança radical de atitude vá acompanhada por uma alteração na história. A segunda etapa, partilhando a vida dos desterrados, é um convite a ter esperança; já não serve «queixar-se» de que todos sofrem pelos pecados dos outros. Cada um é responsável pela sua história e suas consequências. O profeta sente-se chamado por Deus a ser «sentinela», «vigia» desta nova situação. Da mesma forma que uma sentinela, na muralha, tem o encargo de avisar se há um perigo iminente, assim o profeta é a sentinela que adverte o povo sobre um comportamento transviado ou perigoso que o leva à destruição.

    O texto na história da salvação. Estamos num momento crucial no desenvolvimento moral da teologia bíblica. Este texto é testemunha duma mudança que supõe a atribuição das desgraças do povo a uma «culpa coletiva», como se de um destino fatal se tratasse, acima da responsabilidade individual. Cada um é responsável pelos seus atos. Isto não invalida o olhar atento do profeta, tornando inútil a sua missão, mas dá-lhe um novo carácter: é o responsável por projetar um olhar lúcido e de ter uma voz potente e clara que avise, sobretudo os incautos e menos perspicazes, sobre o perigo que se avizinha.

    Palavra de Deus para nós: sentido e celebração litúrgica. Em cada grupo humano há pessoas perspicazes, cum uma «inteligência natural», que os faz ver com clareza as situações presentes e futuras. Os profetas são estes homens «clarividentes» que têm que abrir os olhos das pessoas cegas e obstinadas no seu erro. Missão de outrora e de sempre.

    © Pedro Fraile Yécora, Homiletica
    © tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
    A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor

    Preparar o domingo vigésimo terceiro (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 5.9.14 | Sem comentários

    PREPARAR O DOMINGO VIGÉSIMO TERCEIRO


    Tanto a primeira leitura, do profeta Ezequiel, como o evangelho do vigésimo terceiro domingo (Ano A) assinalam a responsabilidade do crente perante o pecado do irmão ou irmã, face à sua debilidade. A fidelidade à Palavra de Deus, ao Evangelho de Jesus, exige uma preocupação especial pelo próximo. Paulo, na Carta aos Romanos (segunda leitura), afirma que o amor é a única dívida que temos para com os outros, já que é amando que se cumprem todos os mandamentos.
    O texto do evangelho pertence ao chamado «discurso eclesial», no qual se sublinha as exigências do perdão e do amor na comunidade cristã. O importante é que o irmão ou a irmã não se perca, embora tenha sido infiel, mesmo que com gravidade. O processo é de uma delicadeza requintada, primeiro exortando-o/a em privado, em segredo; não criticando nem pública nem sequer interiormente. O resto do processo procura ajudá-lo/a,  não condená-lo/a. Contudo, nem sempre é possível: o outro, a outra, são seres livres e temos de respeitar a sua liberdade, mesmo quando está equivocado/a.
    Todavia, não posso ficar tranquilo/a se o irmão ou a irmã se perde. Respeitarei sempre a sua liberdade, mas unir-me-ei em oração comunitária pelo irmão ou pela irmã, para que Deus «toque» o seu coração e ele ou ela tenha consciência do seu erro. O amor é a medida das relações comunitárias.

    © Javier Velasco-Arias

    © La Biblia compartida — blogue de Javier Velasco-Arias y Quique Fernández
    © tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
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    Rezar o domingo vigésimo terceiro (Ano A), no Laboratório da fé, 2014



    La biblia compartida — www.laboratoriodafe.net


    Javier Velasco-Arias, nasceu no ano de 1956, em Medina del Campo (Espanha); atualmente, vive em Barcelona (desde os onze anos de idade). É biblista, professor de Sagrada Escritura no «Instituto Superior de Ciências Religiosas de Barcelona» e no «Centro de Estudos Pastorais» das dioceses da Catalunha. É responsável e membro de várias associações bíblicas, em Espanha. Na área bíblica, é autor de diversas publicações, além de artigos de temas bíblicos em revistas especializadas e na internet.
    Outros artigos publicados no Laboratório da fé


    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 4.9.14 | Sem comentários

    PREPARAR O DOMINGO VIGÉSIMO TERCEIRO

    7 DE SETEMBRO DE 2014


    Ezequiel 33, 7-9

    Eis o que diz o Senhor: «Filho do homem, coloquei-te como sentinela na casa de Israel. Quando ouvires a palavra da minha boca, deves avisá-los da minha parte. Sempre que Eu disser ao ímpio: ‘Ímpio, hás de morrer’, e tu não falares ao ímpio para o afastar do seu caminho, o ímpio morrerá por causa da sua iniquidade, mas Eu pedir-te-ei contas da sua morte. Se tu, porém, avisares o ímpio, para que se converta do seu caminho, e ele não se converter, morrerá nos seus pecados, mas tu salvarás a tua vida».



    Quando ouvires a palavra da minha boca


    O livro de Ezequiel, como toda a literatura profética bíblica, encontra-se profundamente enraizado na história do povo de Deus. O profeta foi deportado para a Babilónia depois da primeira invasão de Jerusalém pelos exércitos do império neobabilónico. A tarefa do profeta é dramática: trata-se de anunciar o fim das grandes instituições que estruturavam o povo de Deus — o templo, a realeza — e a destruição da cidade santa de Jerusalém.
    O fragmento proposto para primeira leitura do vigésimo terceiro domingo (Ano A) apresenta a missão profética em relação com o povo de Deus. O profeta foi posto como «sentinela», como vigilante que faz a guarda para evitar que sejam atacados de surpresa. A sua responsabilidade para com o povo é muito grande: se não está profundamente atento à palavra de Deus, que pede a conversão — o regresso ao único objetivo válido e digno da vida, que é o próprio Deus —, a responsabilidade dos males que podem acontecer cairá sobre o profeta. A tarefa é: «quando ouvires a palavra da minha boca, deves avisá-los»; se for escutada levará à conversão. A outra opção é a morte.

    © Joan Ferrer, Misa dominical
    © tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
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    Preparar o domingo vigésimo terceiro (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 1.9.14 | Sem comentários

    REZAR O DOMINGO VIGÉSIMO TERCEIRO

    7 DE SETEMBRO DE 2014


    Evangelho segundo Mateus 18, 15-20

    Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Se o teu irmão te ofender, vai ter com ele e repreende-o a sós. Se te escutar, terás ganho o teu irmão. Se não te escutar, toma contigo mais uma ou duas pessoas, para que toda a questão fique resolvida pela palavra de duas ou três testemunhas. Mas se ele não lhes der ouvidos, comunica o caso à Igreja; e se também não der ouvidos à Igreja, considera-o como um pagão ou um publicano. Em verdade vos digo: Tudo o que ligardes na terra será ligado no Céu; e tudo o que desligardes na terra será desligado no Céu. Digo-vos ainda: Se dois de vós se unirem na terra para pedirem qualquer coisa, ser-lhes-á concedida por meu Pai que está nos Céus. Na verdade, onde estão dois ou três reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles».



    Segunda, 1: UMA QUESTÃO DE OUVIDOS

    Jesus continua a ensinar os seus discípulos. Mais do que lhes dar um curso teórico, conta-lhes situações humanas concretas, por exemplo quando surgem conflitos, tensões ou desacordos entre os discípulos. Como em todos os ensinamentos, a primeira condição para o escutar é abrir os meus ouvidos para que a palavra de Jesus possa abrir caminho em mim, tocar o meu coração e converter-me. Jesus, abre os meus ouvidos à escuta da tua palavra.



    Terça, 2: DIÁLOGO

    A situação é simples, para não dizer banal. Um irmão cometeu um pecado. Um irmão, isto é, uma pessoa que, como eu, é discípulo de Jesus, membro da sua Igreja. Cometer um pecado, ou seja, ter agido em oposição ao Reino de Deus como, por exemplo, mentir, fazer sentir o poder através da violência, roubar dinheiro, insultar... A situação «simples», remédio «simples»: o diálogo, tu a tu. Ousar ir ter com o meu irmão para lhe falar com confiança, mostrar-lhe o que não está bem e, se ele escutar, esperar «ganhá-lo», isto é, retirá-lo do caminho em que estava, fazê-lo tomar a via da reconciliação. Rezo, tomando um exemplo concreto, uma situação semelhante em que me encontro ou com a qual fui confrontado. Em seguida, medito sobre o meu comportamento, sobre a forma que utilizei para ganhar o meu irmão. Jesus, abre os meus ouvidos ao diálogo com o meu irmão que cometeu um pecado.



    Quarta, 3: DEBATE

    A situação pode complicar-se: que fazer se o meu irmão não me escutar (e isto por diversas razões, que Jesus não chega a explicitar)? Jesus convida a recorrer a duas ou três testemunhas. É a lógica do pequeno grupo, para que o assunto seja tratado confidencialmente, mas com os meios necessários para a liberdade de expressão recorrendo a outros além de mim. Continuo a minha meditação a partir dum exemplo concreto que vivi ou em que fui testemunha. Jesus, abre os meus ouvidos para entrar em debate.



    Quinta, 4: SÍNODO

    A situação pode complicar-se ainda mais, sobretudo se o meu irmão se recusa escutar. Então, como fazer? Jesus não baixa os braços. Preconiza uma nova solução se as duas primeiras não produzirem os frutos esperados. Qual? Alertar a comunidade da Igreja, dito de outra maneira, uma coletividade, um grupo, o que melhor permita o reconhecimento dos outros como irmãos. Numa palavra, convocar um sínodo, uma assembleia. Aí, trata-se duma escuta que é novamente oferecida e tornada possível. Mas aí, se a recusa persistir, Jesus convida a considerar o meu irmão como «um pagão ou um publicano», isto é, uma pessoa que é convidada a converter-se de novo, como no início da sua vida com Jesus. São casos raros, felizmente, mas existem, como por exemplo os irmãos que recusam reconhecer a liberdade religiosa afirmada pelo II Concílio do Vaticano. Medito sobre uma situação análoga. Jesus, abre os meus ouvidos para viver em Igreja.



    Sexta, 5: A LIGAÇÃO DA PALAVRA

    Depois dos exemplos, Jesus retira um ensinamento sobre o que a nossa palavra em Igreja é capaz de ligar ou desligar. Medito escutando esta frase de Jesus: «Tudo o que ligardes...». Jesus, abre os meus ouvidos para me ligar a ti.



    Sábado, 6: COLOCAR-SE DE ACORDO

    «Digo-vos ainda...». Jesus insiste, como se este ensinamento fosse ainda mais importante. Jesus, abre os meus ouvidos para promover a união entre nós.



    Domingo, 7: DOIS OU TRÊS À ESCUTA? JESUS PRESENTE!

    A última frase do ensinamento de Jesus é crucial. Quando dois ou três se reúnem em nome de Jesus, isto é, em nome de «Deus salva», por outras palavras, quando dois ou três fazem tudo, absolutamente tudo, para salvar o irmão, para o tirar do mal em que se meteu, para encontrar a palavra, o diálogo, o debate, para unir a escuta e a capacidade de conversão, então sim, esses dois ou três agem com Jesus presente no meio deles. Jesus empregou todas as suas energias para salvar o que estava perdido, para curar o que estava doente. Quando dois ou três nos reunimos para fazer o mesmo, dispostos a escutar a sua palavra, então sim, Jesus está aí, no meio de nós. De que é que estamos à espera para agir assim?



    © www.versdimanche.com
    © tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014

    Rezar o domingo vigésimo terceiro (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 31.8.14 | Sem comentários

    VIVER O DOMINGO VIGÉSIMO SEGUNDO

    31 DE AGOSTO DE 2014


    Evangelho segundo Mateus 16, 21-27

    Naquele tempo, Jesus começou a explicar aos seus discípulos que tinha de ir a Jerusalém e sofrer muito da parte dos anciãos, dos príncipes dos sacerdotes e dos escribas; que tinha de ser morto e ressuscitar ao terceiro dia. Pedro, tomando-O à parte, começou a contestá-l’O, dizendo: «Deus Te livre de tal, Senhor! Isso não há-de acontecer!». Jesus voltou-Se para Pedro e disse-lhe: «Vai-te daqui, Satanás. Tu és para mim uma ocasião de escândalo, pois não tens em vista as coisas de Deus, mas dos homens». Jesus disse então aos seus discípulos: «Se alguém quiser seguir-Me, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me. Pois quem quiser salvar a sua vida há de perdê-la; mas quem perder a sua vida por minha causa, há de encontrá-la. Na verdade, que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua vida? Que poderá dar o homem em troca da sua vida? O Filho do homem há-de vir na glória de seu Pai, com os seus Anjos, e então dará a cada um segundo as suas obras».



    Ideias preconcebidas


    No caminho do seguimento de Jesus precisamos de deixar as nossas ideias preconcebidas de felicidade («renuncie a si mesmo») e abraçar as que são oferecidas pelos Mestre («há de encontrá-la»).
    Normalmente, os nossos valores e seguranças são postos em determinados símbolos culturais (honra, reconhecimento, poder...) que em lugar de nos assegurarem a vida plena tiram-no-la. O Evangelho convida-nos a libertarmo-nos destes condicionantes e viver a fé pura em Deus que é Amor. Só a confiança nesse Amor nos permite deixar o que nos impede de abrir o nosso coração a um amor universal e sem condições.
    O convite do Senhor é a amar e a confiar sem limites. A dinâmica de Jesus ajuda-nos a abraçar a cruz de cada dia e a segui-lo pelo caminho das bem-aventuranças, fonte da autêntica felicidade que se expande com a força da autenticidade e da entrega.

    Senhor, 
    guia-nos pelo caminho que leva à vida
    e que nos assegura a felicidade de não perder a vida, 
    mas de a ganhar no encontro contigo.

    © Kamiano
    © desenho de Patxi Velasco Fano — texto de Fernando Cordero
    © tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
    A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor

    Viver o domingo vigésimo segundo (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 31.8.14 | Sem comentários

    Palavra para hoje: domingo vigésimo segundo


    Deus, que sabe os nossos limites e dificuldades, não deixa de nos confiar a sua Palavra. Jesus Cristo apresenta-nos o caminho: «Se alguém quiser seguir-Me, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me». Paulo, na Carta aos Romanos, faz eco da proposta de Jesus Cristo: «Peço-vos, irmãos, pela misericórdia de Deus, que vos ofereçais a vós mesmos como sacrifício vivo, santo, agradável a Deus, como culto espiritual». Duras palavras, em ambos os casos. Não se podem subscrever de ânimo leve! «Seguir Jesus Cristo» e «tomar a cruz» fazem parte do mesmo processo. A Igreja recorda-o em cada eucaristia. Cada um de nós é chamado a viver esta experiência, certos da fidelidade do Senhor, certos da força da sua graça.

    Pergunta da semana: 

    Sinto-me seduzido a viver a Palavra de Deus?

    Palavra de Deus - Lectio divina - imagem de fano
    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 31.8.14 | Sem comentários

    NÃO PODEMOS VIVER SEM O DOMINGO!


    «Valorizar o domingo como centro de todo o ano litúrgico» — é o primeiro objetivo apresentado no programa pastoral (2013+14) da Arquidiocese de Braga. Com o intuito de «valorizar» o domingo, acompanhando os tempos litúrgicos, propomos um tema a partir da releitura da Carta Apostólica sobre a santificação do domingo — «O dia do Senhor» («Dies Domini»). Este itinerário tem como tema geral: «Não podemos viver sem o domingo!».

    Domingo, DIA DE DESCANSO

    Texto de reflexão para o domingo vigésimo segundo

      67. [...] Se depois de seis dias de trabalho — para muitos, na verdade, reduzidos já a cinco — o ser humano procura um tempo para relaxe e para cuidar melhor dos outros aspetos da própria vida, isso corresponde a uma real necessidade, em plena harmonia com a perspetiva da mensagem evangélica. Consequentemente, o crente é chamado a satisfazer esta exigência, harmonizando-a com as expressões da sua fé pessoal e comunitária, manifestada na celebração e santificação do dia do Senhor. Por isso, é natural que os cristãos se esforcem para que a legislação civil tenha em conta o seu dever de santificar o domingo. Em todo o caso, têm a obrigação de consciência de organizar o descanso dominical de forma que lhes seja possível participar na Eucaristia, abstendo-se dos trabalhos e negócios incompatíveis com a santificação do dia do Senhor, com a sua alegria própria e com o necessário repouso.
      68. Uma vez que o descanso, para não se tornar vazio nem fonte de tédio, deve gerar enriquecimento espiritual, maior liberdade, possibilidade de contemplação e comunhão fraterna, os fiéis hão de escolher, de entre os meios da cultura e as diversões que a sociedade proporciona, aqueles que estão mais de acordo com os preceitos do Evangelho.



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      Laboratório da fé celebrada, 2014
      Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 29.8.14 | Sem comentários

      ANO CRISTÃO


      Segundo a versão de Lucas nos Atos dos Apóstolos (18,1-17), Paulo permaneceu em Corinto cerca de um ano e meio, depois de ter fundado a Igreja de Tessalónica. Tem assim tempo suficiente para conhecer a realidade desta cidade marítima, famosa pelo estilo de vida livre de qualquer ética, sendo um lugar de grande fermento cultural por causa do seu comércio e da paixão pela procura da verdade, tal como sucedia em Atenas. Nesse tempo, o Apóstolo tem ocasião não só de conhecer o ambiente, mas também de compreender quais os avisos que deve sugerir, para que a comunidade cristã aí presente cresça no Senhor. A situação pastoral provoca nele a reflexão, confrontando-se estreitamente com o mistério de Cristo e a encontrar n’Ele riquezas até então insuspeitadas: basta recordar o discurso sobre a Cruz (capítulo 1) ou a identidade do ministro (capítulo 4); a realidade da Igreja como Corpo de Cristo (capítulo 12) ou o esplêndido texto que contém o hino à caridade (capítulo 13), não esquecendo o fundamento cristológico de todos esses avisos que é 1Coríntios 15, texto no qual Paulo expõe o mistério da ressurreição de Cristo, fazendo derivar dela notáveis consequências antropológicas e cosmológicas.
      Esta variedade de temas e alguns acenos a cartas recebidas, às quais o Apóstolo já teria respondido, fizeram pensar, com um bom grau de probabilidade, que a Primeira Carta aos Coríntios reúna várias cartas coligidas pelo próprio Paulo ou por algum discípulo seu.
      A leitura litúrgica semicontínua da Carta prolongar-se-á de quinta-feira da semana XXI até ao sábado da semana XXIV do Tempo Comum (primeira leitura, anos pares), permitindo ouvir alguns dos textos mais importantes da Carta, a qual é importantíssima para compreender o grau de elaboração da fé cristã por parte de Paulo.
      Convidando à leitura atenta do texto inteiro, convém sublinhar a tensão espiritual que emerge do pensamento do Apóstolo: nada deve ser pensado fora e sem se referir à Pessoa de Jesus Cristo. Tudo, virtude e vício, adquire valor de conversão, se for visto com a força e na luz que vêm de Jesus Ressuscitado.

      © Maurizio Girolami | Editora Paulus
      © Adaptação de Laboratório da fé, 2014
      A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do editor



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      Laboratório da fé celebrada, 2014



      A Editora Paulus traduziu e publicou (em 2010) uma obra italiana com comentários aos textos bíblicos proclamados nas celebrações eucarísticas. No volume dedicado às primeiras semanas do Tempo Comum («Leccionário Comentado. Regenerados pela Palavra de Deus. Volume 1: Tempo Comum. Semanas I-XVII» — organização de Giuseppe Casarin) faz uma breve apresentação das primeiras semanas do «Tempo Comum» e dos textos bíblicos propostos na Liturgia. A coleção está estruturada à maneira da «lectio divina», acompanhando progressivamente todo o ano litúrgico nos seus tempos fortes, nas suas festas mas também nos dias feriais, todas as vezes que a comunidade cristã é convocada para celebrar a Cristo presente na Palavra e no Pão eucarístico.


      Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 28.8.14 | Sem comentários

      PREPARAR O DOMINGO VIGÉSIMO SEGUNDO

      31 DE AGOSTO DE 2014


      Jeremias 20, 7-9

      Vós me seduzistes, Senhor, e eu deixei-me seduzir; Vós me do­minastes e vencestes. Em todo o tempo sou objecto de escárnio, toda a gente se ri de mim; porque sempre que falo é para gritar e proclamar: «Violência e ruína!». E a palavra do Senhor tornou-se para mim ocasião permanente de insultos e zombarias. Então eu disse: «Não voltarei a falar n’Ele, não falarei mais em seu nome». Mas havia no meu coração um fogo ardente, comprimido dentro dos meus ossos. Procurava contê-lo, mas não podia.



      Havia no meu coração um fogo ardente


      O texto no seu contexto
      . O profeta Jeremias acrescenta aos oráculos contra as nações ou contra os grupos humanos que manipulam a palavra de Deus ao seu belo prazer, uma exposição da sua intimidade. Uma das grandes atrações deste profeta é o facto de pôr por escrito, na primeira pessoa, as suas lutas com Deus. São bem conhecidas as chamadas «confissões» de Jeremias. O texto proposto para primeira leitura do vigésimo segundo domingo (Ano A) pertence à quinta (Jeremias 20 7-18), sem dúvida a mais dura se a lermos na totalidade (especialmente os versículos 14 a 18). O texto litúrgico apenas propõe o início da confissão. É a experiência de um homem que vive a vocação com tensão («Vós me seduzistes»), com luta interna («Vós me dominastes»), perante a qual cede finalmente («vencestes»). É curioso ver como não se vangloria da sua condição de anunciador da palavra divina; pelo contrário, ela é motivo de escárnio, insultos e zombarias.

      O texto na história da salvação. Jeremias não é um «profissional» da Palavra de Deus, no seu sentido pejorativo, não faz dela o seu ofício nem a sua fonte de rendimentos. A própria fragilidade do profeta faz com que tenha a tentação de abandonar a sua missão, de ceder. Mas — e esta frase ultrapassa os limites da temporalidade — a palavra de Deus é «fogo ardente, comprimido dentro dos meus ossos», que não se pode conter. Desta forma, a voz profética atravessa toda a história da salvação.

      Palavra de Deus para nós: sentido e celebração litúrgica. A palavra de Deus não vem pela carne (herança, entendimento), mas pelo dom de Deus (fogo abrasador e incontrolável). A experiência profética não se vende nem se compra, é um presente de Deus ao seu eleito.

      © Pedro Fraile Yécora, Homiletica
      © tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
      A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor

      Preparar o domingo vigésimo segundo (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

      Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 28.8.14 | Sem comentários
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