PREPARAR A SOLENIDADE DA ASSUNÇÃO DE MARIA

15 DE AGOSTO DE 2014


Apocalipse 11, 19a; 12, 1-6a.10ab

O templo de Deus abriu-se no Céu e a arca da aliança foi vista no seu templo. Apareceu no Céu um sinal grandioso: uma mulher revestida de sol, com a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça. Estava para ser mãe e gritava com as dores e ânsias da maternidade. E apareceu no Céu outro sinal: um enorme dragão cor de fogo, com sete cabeças e dez chifres e nas cabeças sete diademas. A cauda arrastava um terço das estrelas do céu e lançou-as sobre a terra. O dragão colocou-se diante da mulher que estava para ser mãe, para lhe devorar o filho, logo que nascesse. Ela teve um filho varão, que há-de reger todas as nações com ceptro de ferro. O filho foi levado para junto de Deus e do seu trono e a mulher fugiu para o deserto, onde Deus lhe tinha preparado um lugar. E ouvi uma voz poderosa que clamava no Céu: «Agora chegou a salvação, o poder e a realeza do nosso Deus e o domínio do seu Ungido».



Uma mulher revestida de sol


O texto no seu contexto
. A Apocalíptica não e um «género literário» entre muitos outros bíblicos, mas equipara-se à literatura histórica, sapiencial ou profética. A «literatura apocalíptica», herdeira da profecia, leva ao limite as imagens simbólicas. Não se trata duma linguagem descritiva, nem duma linguagem esotérica (que esconde mensagens estranhas). A apocalíptica, lida dentro da Escritura, é uma forma literária ao serviço da comunicação da «Palavra de Deus»; portanto, é uma palavra de salvação, não ociosa ou fantástica. O livro do Apocalipse apresenta os textos em coerência com a revelação cristã: o verdadeiro revelador é o próprio Cristo. A cena abre com uma visão do «céu - espaço de Deus», com dois elementos salvíficos: o santuário e a arca da aliança. Aparecem «sinais»: a «mulher» coroada de estrelas faz referência ao amor de aliança entre Deus e o seu povo; também à sua fecundidade, pois está para ser mãe: o menino que vai nascer vai levar a história à sua plenitude. O dragão é a realidade da violência e da injustiça presentes na história.

O texto na história da salvação. A partir destas chaves de leitura, a Igreja viu na mulher a referência a Maria como «nova Eva». Graças à sua palavra obediente — frente à desobediência de Eva — foram vencidas para sempre as potestades maléficas que ameaçam o género humano (dragão). A «saúde/salvação» e a «autoridade/poderio» pertencem a Deus e a seu Filho. O futuro do mundo e da história não está submetido ao mal, às potências violentas e à injustiça que ditam a última palavra, mas pertence a Deus.

Palavra de Deus para nós: sentido e celebração litúrgica. Maria é a mulher que gera em Cristo a nova humanidade; é também imagem da Igreja que acolhe em seu seio os redimidos por Cristo. O futuro não é de pecado, de morte, de destruição, mas de perdão, vida e cumprimento da salvação.

© Pedro Fraile Yécora, Homiletica
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor

Solenidade, 15 de agosto

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 14.8.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO VIGÉSIMO

17 DE AGOSTO DE 2014


Isaías 56, 1.6-7

Eis o que diz o Senhor: «Respeitai o direito, praticai a justiça, porque a minha salvação está perto e a minha justiça não tardará a manifestar-se. Quanto aos estrangeiros que desejam unir-se ao Senhor para O servirem, para amarem o seu nome e serem seus servos, se guardarem o sábado, sem o profanarem, se forem fiéis à minha aliança, hei de conduzi-los ao meu santo monte, hei-de enchê-los de alegria na minha casa de oração. Os seus holocaustos e os seus sacrifícios serão aceites no meu altar, porque a minha casa será chamada 'casa de oração para todos os povos'».



Quanto aos estrangeiros... hei de conduzi-los ao meu santo monte


Os textos imediatamente anteriores do livro de Isaías contêm a promessa de um regresso prodigioso a Jerusalém feita por Deus aos exilados na Babilónia. A partir do capítulo 56 encontramo-nos já com a possibilidade dos exilados regressarem. Devem ter passado uns vinte anos desde o decreto de Ciro que permitia o regresso dos judeus a Jerusalém. Os que regressaram encontraram uma cidade arruinada. É preciso, pois, reconstruir a cidade e repensar a fé.
A primeira parte do oráculo contém um apelo em imperativo à comunidade de fé. Trata-se de manter a justiça e fazer o que é justo e bom. Estes temas são fundamentais na experiência profética de Isaías: o poder da casa de David tinha de estar atento à justiça e ao direito para com os pobres e os necessitados. Há que assegurar — esta é a vontade de Deus — a cada membro da comunidade segurança, dignidade e bem-estar. Esta é a primeira obrigação ética. Seguidamente, o oráculo profético contém uma promessa da parte do Senhor: salvação e bondade. Isto é, o Senhor está prestes a estabelecer, numa decisão unilateral, o bem-estar que tinha ordenado na primeira parte do texto. A mensagem profética diz que o Senhor conduzirá esta comunidade ao bem-estar que o próprio tinha ordenado. Imperativo e promessa formam uma unidade.
A segunda parte do texto faz uma oferta singular: os estrangeiros de coração fiel serão atraídos ao Senhor, Deus de Israel, e serão bem-vindos à vida de oração e adoração que caracteriza o povo escolhido por Deus.

© Joan Ferrer, Misa dominical
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
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Preparar o domingo vigésimo (Ano A), no Laboratório da fé, 2014


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 14.8.14 | Sem comentários

PREPARAR A SOLENIDADE DA ASSUNÇÃO DE MARIA

15 DE AGOSTO DE 2014


Apocalipse 11, 19a; 12, 1-6a.10ab

O templo de Deus abriu-se no Céu e a arca da aliança foi vista no seu templo. Apareceu no Céu um sinal grandioso: uma mulher revestida de sol, com a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça. Estava para ser mãe e gritava com as dores e ânsias da maternidade. E apareceu no Céu outro sinal: um enorme dragão cor de fogo, com sete cabeças e dez chifres e nas cabeças sete diademas. A cauda arrastava um terço das estrelas do céu e lançou-as sobre a terra. O dragão colocou-se diante da mulher que estava para ser mãe, para lhe devorar o filho, logo que nascesse. Ela teve um filho varão, que há-de reger todas as nações com ceptro de ferro. O filho foi levado para junto de Deus e do seu trono e a mulher fugiu para o deserto, onde Deus lhe tinha preparado um lugar. E ouvi uma voz poderosa que clamava no Céu: «Agora chegou a salvação, o poder e a realeza do nosso Deus e o domínio do seu Ungido».



Uma mulher revestida de sol, com a luz debaixo dos pés


O Apocalipse (11, 19 — 12, 18) narra, em linguagem altamente simbólica, a inauguração do Reino de Cristo proclamado no capítulo 11, versículo 15. No céu acontecem três aparições: a arca da aliança, símbolo da presença de Deus; uma mulher; um enorme dragão. As duas últimas são um presságio. O nome genérico de mulher e as dores de parto remetem para a maldição das origens da humanidade (Génesis 3, 16). Ela encontrar-se-á também com a serpente, embora saia ilesa. No Antigo Testamento, a mulher grávida personifica Israel, ou Sião, na angústia. Os sofrimentos do parto simbolizam a provação que precede a era messiânica. A mulher representa, pois, no Apocalipse 12, a humanidade fiel, povo de Deus escatológico. Foi identificada com Maria somente com o desenvolvimento da piedade mariana, numa época tardia (séculos IV-V depois de Cristo).
O dragão é o adversário de todos os que estão unidos ao Deus vivo. Precipita as estrelas para a terra — anjos, na simbologia apocalíptica — e transforma o cosmos. O dragão tenta devorar o filho da mulher. As alusões do texto a Isaías 7, 14 e ao Salmo 2, 9 indicam que o menino é o Messias, que arrebatado para Deus: trata-se do acontecimento pascal. Cristo é separado com violência do povo de Deus e entronizado no céu. A inauguração do seu Reino celebrada em 11, 15 não está para vir, porque já aconteceu na Páscoa. Esta é a convicção mais profunda que fundamenta a esperança deste surpreendente livro. O menino representa também cada pessoa cristã fiel, que unida a Cristo escapa à inventiva do dragão e participará da realeza de Cristo. A fuga da mulher para o deserto, onde recebe um alimento providencial durante 1260 dias, define a condição do povo de Deus, depois da Páscoa, como um novo êxodo. A mulher vive à distância de Deus, mas Deus vela por ela. O hino celestial que João escuta (12, 10-12) dá sentido aos acontecimentos: a vitória dos cristãos foi obtida pela morte do Cordeiro-Cristo.

© Joan Ferrer, Misa dominical
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
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Solenidade, 15 de agosto
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 14.8.14 | Sem comentários

REZAR O DOMINGO VIGÉSIMO

17 DE AGOSTO DE 2014


Evangelho segundo Mateus 15, 21-28

Naquele tempo, Jesus retirou-Se para os lados de Tiro e Sidónia. Então, uma mulher cananeia, vinda daqueles arredores, começou a gritar: «Senhor, Filho de David, tem compaixão de mim. Minha filha está cruelmente atormentada por um demónio». Mas Jesus não lhe respondeu uma palavra. Os discípulos aproximaram-se e pediram-Lhe: «Atende-a, porque ela vem a gritar atrás de nós». Jesus respondeu: «Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel». Mas a mulher veio prostrar-se diante d’Ele, dizendo: «Socorre-me, Senhor». Ele respondeu: «Não é justo que se tome o pão dos filhos para o lançar aos cachorrinhos». Mas ela insistiu: «É verdade, Senhor; mas também os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa de seus donos». Então Jesus respondeu-lhe: «Mulher, é grande a tua fé. Faça-se como desejas». E, a partir daquele momento, a sua filha ficou curada.



Segunda, 11: DO OUTRO LADO DA FRONTEIRA

Jesus procura, muitas vezes, lugares afastados, como se quisesse ver as coisas com um outro ponto de vista. Hoje, sai da Galileia para ir à região de Tiro e Sidónia, no atual Líbano. Ele ultrapassa as fronteiras geográficas para abrir todo o tipo de barreiras que erguemos entre nós, entre os povos, entre os crentes... Senhor Jesus, dá-me e dá-nos a ousadia de sair das nossas fronteiras para testemunhar que o amor de Deus é para todos e não está reservado a alguns. Hoje, ajuda-me a derrubar o muro que eu próprio ergui e que me bloqueia.



Terça, 12: O GRITO DE UMA ESTRANGEIRA

Jesus procurava um retiro, mas não é possível passar despercebido. Uma mulher ousa confiar-lhe a sua aflição: «Tem compaixão de mim!». Ela lança um grito por causa da sua filha que sofre de um mal desconhecido. Esta estrangeira pagã pressente que Jesus, Filho de David, pode superar a tortura causada pelo «demónio». Esse é o combate! Mas Jesus guarda silêncio. O que se passa com ele? Senhor Jesus, ensina-me a respeitar a aflição daqueles e daquelas que encontro, sem reagir precipitadamente, para saber comungar contigo «a carne sofredora do mundo».



Quarta, 13: OS DISCÍPULOS INCOMODADOS

Em boa verdade, o grito dirige-se a Jesus e não a eles! Mas são eles que se sentem incomodados, porque querem usufruir da presença do seu mestre. Como é que uma mulher ousa falar com Jesus! Hesitante, Jesus responde-lhe que foi enviado «às ovelhas perdidas da casa de Israel»! É assim que entende a sua missão. Mas Israel não é o povo através do qual serão abençoados todos os povos da terra? Senhor Jesus, dá-me e dá-nos o gosto da missão. Faz de mim, faz de nós discípulos-missionários.



Quinta, 14: UMA TEIMOSA INSISTÊNCIA

«Socorre-me, Senhor»! A mulher não desiste, o seu corpo prostra-se diante de Jesus. O gesto indica respeito e humildade. Jesus deixa-se tocar pela insistência da mulher. No entanto, repreende-a, diz-lhe que os pagãos não têm o mesmo estatuto dos judeus, filhos de Deus: «Não é justo que se tome o pão dos filhos para o lançar aos cachorrinhos». Ela não reclama senão as migalhas! Senhor Jesus, ajuda-me e ajuda-nos a ser insistentes nos nossos pedidos, nos nossos desejos e de tos apresentar com confiança.



Sexta, 15: UMA FILHA DE ISRAEL

Hoje, a Igreja, na liturgia, celebra a entrada de Maria na glória de Deus. Graças à morte e ressurreição do seu Filho, ela vai à nossa frente e deixa-nos entrever o que todos, judeus ou pagãos, seremos chamados a ser. Maria, filha de Israel, é reconhecida como mãe da Humanidade e mãe da Igreja, porque se tornou a mãe de Deus. O seu destino enche-nos de esperança. Senhor Jesus, hoje, ensina-me e ensina-nos a erguer os olhos para o céu sem esquecer a terra.



Sábado, 16: UM GRITO DE ADMIRAÇÃO

Jesus sonda os corações. Ele reconhece a fé que se exprime através desta mulher pagã e que abre para ela o acesso ao Reino de Deus. Um sinal é dado: a cura da sua filha. É porque ela acredita que Jesus pode realizar o sinal: uma vida nova que nasce da fé em Jesus salvador. E é um grito de admiração que habita o coração de Cristo: «Mulher, é grande a tua fé. Faça-se como desejas»! Senhor Jesus, ensina-me e ensina-nos a admirar a fé que nasce lá onde não esperamos: no coração daqueles que, embora, aos nossos olhos, pareçam longe, não estão longe de ti.



Domingo, 17: PÃO PARA TODOS

Ao longo de toda a semana, vimos o coração de Jesus abrir-se ao universal, por causa do grito da mulher. Os pagãos também são chamados à fé, talvez já a vivam. Na eucaristia deste domingo, cantaremos o Salmo 66 com as palavras: «Louvado sejais, Senhor, pelos povos de toda a terra»; «Os povos Vos louvem, ó Deus,todos os povos Vos louvem». O nosso olhar estender-se-á a todas as nações do mundo, convidando-nos a deixar as nossas fronteiras e a abrir o nosso coração ao amor que Deus oferece a todos os povos da terra. Não, Deus não faz distinção entre os humanos. Ele não dá o seu pão a uns e as migalhas a outros. Ele dá-se a si mesmo àqueles que O acolhem e que desejam viver da sua vida. Ele espera-nos pacientemente.



© www.versdimanche.com
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014

Rezar o domingo vigésimo (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 12.8.14 | Sem comentários

ANO CRISTÃO


Ezequiel (nome que se pode interpretar como: «Deus fortaleça») é sacerdote e, ao mesmo tempo, profeta. [A leitura do livro de Ezequiel decorre durante duas semanas: décima nona e vigésima, nos anos pares]. Escreve durante o período difícil e dramático do exílio de Babilónia, que teve início em 597 antes de Cristo, dez anos antes da segunda deportação, que verá também a destruição de Jerusalém e do seu Templo. A sua pregação coloca-se entre 593 (cf. 1, 2) e 571 (cf. 29, 17) e não pode ser entendida se não for considerada em estreita relação com os factos históricos vividos pelo povo nesse momento. Deportado com o primeiro grupo de exilados, Ezequiel escreve para aqueles que se encontram no exílio, mas também para aos que ficaram na Pátria (há oráculos que parecem ser dirigidos precisamente a estes). Antes da destruição de Jerusalém, as suas palavras são de dura condenação, na tentativa de levar os seus compatriotas, que permaneceram no País, a compreender que as consequências das suas ações podem ser desastrosas. Depois de o pior ter acontecido e após ter feito luto e silêncio, a situação mudou radicalmente: o exílio parece nunca mais acabar e o desespero parece crescer. É então que Ezequiel se torna arauto de esperança e anuncia um novo começo, que será obra do próprio Deus. Ele purificará o seu Povo, reuni-lo-á e fá-lo-á regressar à Pátria. Castigará os pastores que não cuidaram do rebanho e Ele mesmo se preocupará com as ovelhas dispersas.
Esquematicamente podemos dividir o Livro de Ezequiel em três partes:
  • capítulos 1–24: com a narração da vocação e da missão (capítulos 1-3, que na verdade constituem um prelúdio a todo o Livro) e as palavras de censura e de condenação contra Judá antes da queda de Jerusalém;
  • capítulos 25–32: contêm – elemento presente em todos os profetas – oráculos de juízo e de condenação contra as nações estrangeiras;
  • capítulos 33–48: o anúncio de salvação para Judá, depois da queda de Jerusalém. Para maior precisão, esta última parte pode, por sua vez, subdividir-se em três partes: capítulos 33–37: contêm o anúncio da salvação que virá; capítulos 38-39: textos apocalípticos respeitantes à destruição dos inimigos de Israel; capítulos 40–48: a reconstrução do Templo de Jerusalém.
Das palavras de Ezequiel sobressaem a veemência e a paixão do profeta, a sua dor de sacerdote pela má sorte da Cidade Santa e do seu Templo, mas sobretudo a angústia e as esperanças de um homem, filho de um povo cujo caminho de dor e de esperança partilha.

© Tiziano Lorenzin | Editora Paulus
© Adaptação de Laboratório da fé, 2014
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do editor



  • Ano Litúrgico: ano cristão — textos publicados no Laboratório da fé > > >



Laboratório da fé celebrada, 2014



A Editora Paulus traduziu e publicou (em 2010) uma obra italiana com comentários aos textos bíblicos proclamados nas celebrações eucarísticas. No volume dedicado às primeiras semanas do Tempo Comum («Leccionário Comentado. Regenerados pela Palavra de Deus. Volume 1: Tempo Comum. Semanas I-XVII» — organização de Giuseppe Casarin) faz uma breve apresentação das primeiras semanas do «Tempo Comum» e dos textos bíblicos propostos na Liturgia. A coleção está estruturada à maneira da «lectio divina», acompanhando progressivamente todo o ano litúrgico nos seus tempos fortes, nas suas festas mas também nos dias feriais, todas as vezes que a comunidade cristã é convocada para celebrar a Cristo presente na Palavra e no Pão eucarístico.



Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 11.8.14 | Sem comentários

VIVER O DOMINGO DÉCIMO NONO

10 DE AGOSTO DE 2014


Evangelho segundo Mateus 14, 22-33

Depois de ter saciado a fome à multidão, Jesus obrigou os discípulos a subir para o barco e a esperá-l’O na outra margem, enquanto Ele despedia a multidão. Logo que a despediu, subiu a um monte, para orar a sós. Ao cair da tarde, estava ali sozinho. O barco ia já no meio do mar, açoitado pelas ondas, pois o vento era contrário. Na quarta vigília da noite, Jesus foi ter com eles, caminhando sobre o mar. Os discípulos, vendo-O a caminhar sobre o mar, assustaram-se, pensando que fosse um fantasma. E gritaram cheios de medo. Mas logo Jesus lhes dirigiu a palavra, dizendo: «Tende confiança. Sou Eu. Não temais». Respondeu-Lhe Pedro: «Se és Tu, Senhor, manda-me ir ter contigo sobre as águas». «Vem!» – disse Jesus. Então, Pedro desceu do barco e caminhou sobre as águas, para ir ter com Jesus. Mas, sentindo a violência do vento e começando a afundar-se, gritou: «Salva-me, Senhor!». Jesus estendeu-lhe logo a mão e segurou-o. Depois disse-lhe: «Homem de pouca fé, porque duvidaste?». Logo que subiram para o barco, o vento amainou. Então, os que estavam no barco prostraram-se diante de Jesus, e disseram-Lhe: «Tu és verdadeiramente o Filho de Deus».



Com a fé não te afundas


A fé possibilita-nos seguir Jesus, nas mais variadas circunstâncias. Pode acontecer que a nossa fé descaia, desfaleça, ou que sejamos tentados pelo medo. Nesses momentos, tenhamos a humildade e a lucidez de dizer como Pedro: «Salva-me, Senhor!». Jesus estenderá a mão e nos agarrará. Quantas vezes temos reparado nessa mão de Jesus na nossa vida?
Há algo que nunca falha: com a fé não te afundas, flutuas. Até podem surgir desafios familiares, laborais, económicos, de saúde, que Jesus não deixará nunca que nos afundemos e afoguemos nos vai-e-vens que a vida traz consigo. Olhemos sempre para Cristo. Ele é o único que pode dar-nos o alento necessário no meio das inseguranças da nossa vida. Ele é o nosso único salva-vidas. Olhemos para Ele e não nos fixemos só nos problemas que acabarão por ameaçar a nossa estabilidade.

Jesus, entra no nosso barco,
para encontrarmos descanso;
e desapareça o medo 
da tempestade e das ondas da vida.

© Kamiano
© desenho de Patxi Velasco Fano — texto de Fernando Cordero
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
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Viver o domingo décimo nono (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 10.8.14 | Sem comentários

Palavra para hoje: domingo décimo nono


Deus «passa» na nossa vida e revela-se através de uma «ligeira brisa». Elias e Pedro, referidos na Liturgia da Palavra, podem ser apresentados como representantes da Igreja, comunidade daqueles e daquelas que são chamados a «acreditar» no seu Salvador. Entretanto, Paulo abre-nos o coração: «Sinto uma grande tristeza e uma dor contínua no meu coração». Ele fala sobre os seus irmãos pertencentes ao judaísmo. Hoje, que a Igreja se inflame também de amor pelos filhos de Abraão e por todos aqueles e aquelas que, perto ou longe, ainda não conhecem o Salvador. A mesma «dor» toque o nosso coração, tal como abrasou o coração do próprio Jesus Cristo. Ele quer que os seus discípulos cresçam na fé e na intimidade com o Pai.

Pergunta da semana: 

Reconheço a presença de Deus na minha vida e no mundo?

Palavra de Deus - Lectio divina - imagem de fano
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 10.8.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO DÉCIMO NONO JÚNIOR

10 DE AGOSTO DE 2014


Primeiro Livro dos Reis 19, 9a.11-13a

Naqueles dias, o profeta Elias chegou ao monte de Deus, o Horeb, e passou a noite numa gruta. O Senhor dirigiu-lhe a palavra, dizendo: «Sai e permanece no monte à espera do Senhor». Então, o Senhor passou. Diante d’Ele, uma forte rajada de vento fendia as montanhas e quebrava os rochedos; mas o Senhor não estava no vento. Depois do vento, sentiu-se um terramoto; mas o Senhor não estava no terramoto. Depois do terramoto, acendeu-se um fogo; mas o Senhor não estava no fogo. Depois do fogo, ouviu-se uma ligeira brisa. Quando a ouviu, Elias cobriu o rosto com o manto, saiu e ficou à entrada da gruta.



Horeb


O Horeb, ou monte Sinai, é uma montanha
que existe no sul da pequena península do Sinai
(entre o Egito e a Arábia Saudita).
Foi lá que aconteceram coisas muito importantes para o Povo de Deus.
Por exemplo, foi lá que Moisés recebeu as tábuas da lei (Êxodo 19-20).


Cobriu o rosto


No tempo do profeta Elias,
as pessoas acreditavam que quem visse Deus ficaria cego,
devido à Sua grande beleza.
Tapar o rosto era um sinal de respeito por Deus.
Hoje já não se pensa assim,
porque o próprio Deus se mostrou,
na pessoa de Jesus.

© Liturgia diária júnior
© Laboratório da fé, 2014
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor



Editora Paulus 2014



Além das explicações relativas às outras leituras do dia, 
neste domingo, a Liturgia diária júnior apresenta um desenho para «descobrir».
Para assinar a revista podes entrar em contacto connosco ou visitar a página da Liturgia diária júnior.



O «Laboratório da fé»® e a editora Paulus estabeleceram uma parceria que permite a divulgação na nossa página — www.laboratoriodafe.net — de alguns conteúdos da revista «Liturgia diária júnior», propriedade da editora. A revista apresenta novidades de acordo com cada mês e tempo litúrgico, tendo como base a seguinte estrutura: Pequeno Missal (o ritual da missa); Liturgia dominical (todas as leituras e evangelho com comentários e explicações); Pequena escola da fé (uma breve catequese sobre temas relevantes da liturgia, da fé e da vida cristã); Suplemento para educadores (breves indicações destinadas aos pais, catequistas e educadores com sugestões de aprofundamento e de como utilizar melhor o conteúdo da revista).



Liturgia diária júnior

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 8.8.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO DÉCIMO NONO


Depois do episódio da multiplicação dos pães e dos peixes, o evangelista situa Jesus — depois de despedir a multidão — a passar a noite, sozinho, em oração. Para Jesus, a oração é uma necessidade vital; todo o seu agir nasce da sua íntima relação com o Pai. Não é que esteja sempre a rezar, mas precisa frequentemente da oração para agir, para atuar, para colocar-se ao serviço dos outros.
A cena seguinte fala-nos do medo como atitude contrária à fé. Quem tem fé confia. O contrário é o medo, a falta de confiança, a desesperança. Quantos medos externos e/ou internos nos paralisam, nos criam dificuldades, nos impossibilitam de viver e de partilhar a alegria da «boa notícia» de Jesus. Medo das mudanças, medo do que os outros pensam, medo das dificuldades, medo da sociedade, do mundo, medo de um ambiente hostil, medo do futuro, medo da liberdade (a própria e a dos outros). Jesus oferece-nos a sua mão, anima-nos: «Não temais».
A mulher e o homem de fé confiam em Jesus, sabem que a Igreja, a sociedade, o mundo, a humanidade estão nas mãos de Deus e não podem estar em melhores mãos. Confiam que é o Espírito Santo quem dirige a história e que esta só pode seguir em frente, para o seu destino definitivo. E fazem-no com uma atitude profunda de oração, uma oração que compromete todo o seu ser.

© Javier Velasco-Arias

© La Biblia compartida — blogue de Javier Velasco-Arias y Quique Fernández
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor


Preparar o domingo décimo nono (Ano A), no Laboratório da fé, 2014



La biblia compartida — www.laboratoriodafe.net


Javier Velasco-Arias, nasceu no ano de 1956, em Medina del Campo (Espanha); atualmente, vive em Barcelona (desde os onze anos de idade). É biblista, professor de Sagrada Escritura no «Instituto Superior de Ciências Religiosas de Barcelona» e no «Centro de Estudos Pastorais» das dioceses da Catalunha. É responsável e membro de várias associações bíblicas, em Espanha. Na área bíblica, é autor de diversas publicações, além de artigos de temas bíblicos em revistas especializadas e na internet.
Outros artigos publicados no Laboratório da fé


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 8.8.14 | Sem comentários

NÃO PODEMOS VIVER SEM O DOMINGO!


«Valorizar o domingo como centro de todo o ano litúrgico» — é o primeiro objetivo apresentado no programa pastoral (2013+14) da Arquidiocese de Braga. Com o intuito de «valorizar» o domingo, acompanhando os tempos litúrgicos, propomos um tema a partir da releitura da Carta Apostólica sobre a santificação do domingo — «O dia do Senhor» («Dies Domini»). Este itinerário tem como tema geral: «Não podemos viver sem o domingo!».

Domingo, DIA DE DESCANSO

Texto de reflexão para o domingo décimo nono

    65. A ligação entre o dia do Senhor e o dia do descanso na sociedade civil tem uma importância e um significado que ultrapassam o horizonte propriamente cristão. De facto, a alternância de trabalho e descanso, inscrita na natureza humana, foi querida pelo próprio Deus, como se deduz da perícope da criação no livro do Génesis (cf. 2, 2-3; Êxodo 20, 8-11): o repouso é coisa «sagrada», constituindo a condição necessária para o ser humano se subtrair ao ciclo, por vezes excessivamente absorvente, dos afazeres terrenos e retomar consciência de que tudo é obra de Deus. O poder sobre a criação, que Deus concede ao homem, é tão prodigioso que este corre o risco de esquecer-se que Deus é o Criador, de quem tudo depende. Este reconhecimento é ainda mais urgente na nossa época, porque a ciência e a técnica aumentaram incrivelmente o poder que o ser humano exerce através do seu trabalho.
    66. Importa não perder de vista que o trabalho é, ainda no nosso tempo, uma dura escravidão para muitos, seja por causa das condições miseráveis em que é efetuado e dos horários impostos, especialmente nas regiões mais pobres do mundo, seja por subsistirem, demasiados casos de injustiça e exploração do homem pelo homem.



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    Laboratório da fé celebrada, 2014
    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 8.8.14 | Sem comentários

    PREPARAR O DOMINGO DÉCIMO NONO

    10 DE AGOSTO DE 2014


    Primeiro Livro dos Reis 19, 9a.11-13a

    Naqueles dias, o profeta Elias chegou ao monte de Deus, o Horeb, e passou a noite numa gruta. O Senhor dirigiu-lhe a palavra, dizendo: «Sai e permanece no monte à espera do Senhor». Então, o Senhor passou. Diante d’Ele, uma forte rajada de vento fendia as montanhas e quebrava os rochedos; mas o Senhor não estava no vento. Depois do vento, sentiu-se um terramoto; mas o Senhor não estava no terramoto. Depois do terramoto, acendeu-se um fogo; mas o Senhor não estava no fogo. Depois do fogo, ouviu-se uma ligeira brisa. Quando a ouviu, Elias cobriu o rosto com o manto, saiu e ficou à entrada da gruta.



    O Senhor passou


    O texto no seu contexto
    . Elias fugiu da rainha Jezabel. Tinha sido capaz de enfrentar o poder opressor do rei de Israel e pôs a sua vida em risco para defender a verdadeira religião. Até chegou a usar armas. Perseguido pela rainha, refugia-se no monte Horeb, lugar da revelação para Moisés. Longe dos gritos da batalha, esconde-se numa gruta. Deus vai «passar», vai-se «revelar»: estará na violência do furacão? Porventura no terramoto que não deixa nada no sítio? Ou talvez no fogo que não deixa rasto? O valente profeta, defensor dos direitos de Deus, obedece e espera. Contudo, fica desconcertado quando descobre que Deus não está no Deus «barulhento», «poderoso», «destruidor», mas no sussurro da brisa, no silêncio eloquente.

    O texto na história da salvação. As grandes personagens da história da salvação são pessoas com uma trajetória semelhante. Ouviram o chamamento de Deus; às vezes também se voltaram contra Deus; chegaram até em alguns casos, como Moisés ou Elias, a fugir. O encontro com Deus, na Bíblia, não é coisa de pessoas psicologicamente infantis ou de temerosos que fogem dos problemas. Elias não é um profeta cobarde, mas tem uma imagem de Deus que é necessário corrigir. Deus procura e, se o ser humano se deixa encontrar, dá-se um encontro que, mesmo que não seja agradável, é frutífero.

    Palavra de Deus para nós: sentido e celebração litúrgica. Uma vez mais, o Deus da Bíblia desconcerta-nos. Primeiro, temos que parar para escutar. Depois, temos que aceitar que pode mudar a nossa imagem de Deus. Não será que procuramos Deus onde Ele não está: no tremendo e descomunal, no espetacular e fantástico, no terrível e avassalador? O sussurro da brisa obriga a estar atentos ao pequeno, ao insignificante, ao que passa despercebido. É a presença de Deus no quotidiano que se despreza por pensar que não tem valor nem consistência.

    © Pedro Fraile Yécora, Homiletica
    © tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
    A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor

    Preparar o domingo décimo nono (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 7.8.14 | Sem comentários

    INICIAR À ORAÇÃO 


    Bento XVI, ao pronunciar a catequese no dia um de junho de dois mil e onze, descreve Moisés como «homem de oração». Para o confirmar, socorre-se de vários momentos e circunstâncias em que, no livro do Êxodo e dos Números, podemos encontrar Moisés em oração.
    O episódio comentado (Êxodo 32, 7-14) está em relação com aquilo que aconteceu junto do monte Sinai: enquanto Moisés sobe ao monte para receber as tábuas da Lei, o povo pede a Aarão que construa um bezerro de metal fundido. «Trata-se de uma tentação constante no caminho de fé: eludir o mistério divino, construindo um deus compreensível, correspondente aos próprios esquemas, aos próprios programas».
    Então, estabelece-se um diálogo entre Deus e Moisés, com destaque para a intercessão deste em favor do povo. «A súplica de Moisés está inteiramente centrada na fidelidade e na graça do Senhor. […] Moisés apela-se a Deus, à vida interior de Deus, contra a sentença exterior».
    Moisés «não apresenta desculpas para o pecado do seu povo, não enumera méritos presumíveis, nem do povo nem seus, mas apela para a gratuidade de Deus: um Deus livre, totalmente amor, que não cessa de procurar quem se afastou, que permanece sempre fiel a Si mesmo e oferece ao pecador a possibilidade de voltar para Ele e de se tornar, mediante o perdão, justo e capaz de fidelidade. Moisés pede a Deus que se mostre até mais forte do que o pecado e a morte e, com a sua oração, suscita este revelar-se divino».



    • Iniciar à oração — textos publicados no Laboratório da fé > > >



    Laboratório da fé celebrada: iniciar à oração, 2014
    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 7.8.14 | Sem comentários
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