PREPARAR O DOMINGO DÉCIMO NONO

10 DE AGOSTO DE 2014


Primeiro Livro dos Reis 19, 9a.11-13a

Naqueles dias, o profeta Elias chegou ao monte de Deus, o Horeb, e passou a noite numa gruta. O Senhor dirigiu-lhe a palavra, dizendo: «Sai e permanece no monte à espera do Senhor». Então, o Senhor passou. Diante d’Ele, uma forte rajada de vento fendia as montanhas e quebrava os rochedos; mas o Senhor não estava no vento. Depois do vento, sentiu-se um terramoto; mas o Senhor não estava no terramoto. Depois do terramoto, acendeu-se um fogo; mas o Senhor não estava no fogo. Depois do fogo, ouviu-se uma ligeira brisa. Quando a ouviu, Elias cobriu o rosto com o manto, saiu e ficou à entrada da gruta.



Sai e permanece no monte à espera do Senhor


O fragmento do Primeiro Livro dos Reis, proposto pela primeira leitura do décimo nono domingo (Ano A), pertence à história do profeta Elias, o campeão de Deus em Israel perante a perversidade da rainha fenícia Jezabel, que mandava matar os profetas do Deus de Israel e protegia os profetas do deus fenício Baal. Elias, face à perseguição da rainha, teve que fugir para salvar a vida. O profeta faz o caminho inverso que tinha sido feito pelo povo de Israel desde o Horeb ou Sinai, a montanha de Deus, até à Terra Prometida. Elias foge da Terra Prometida. Perseguido pela rainha, sente-se sem forças e sem esperança. Contudo, Deus tem outros planos. No monte, onde Moisés tinha subido para se encontrar com Deus, Elias experimenta diversas realidades poderosas: um vento tempestuoso que quebra os rochedos e um terramoto que revolve a terra, mas o Senhor não está nessas manifestações impressionantes de poder. Finalmente, «ouviu-se uma ligeira brisa» (que, em hebraico, traduzido à letra, seria «a voz de um silêncio subtil») e cobriu o rosto com um manto, porque «não podes ver o meu rosto, ninguém pode vê-lo e permanecer vivo» (Êxodo 33, 20).
Quando o profeta ouve a voz do silêncio, então encontra-se diante da presença salvadora de Deus, que enche de sentido e coragem a vida dos seres humanos que o procuram.

© Joan Ferrer, Misa dominical
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor

Preparar o domingo décimo nono (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 7.8.14 | Sem comentários

INICIAR À ORAÇÃO 


O relato do livro do Génesis (32, 23-33) sobre a luta de Jacob com Deus é um texto «importante para a nossa vida de fé e de oração» — diz Bento XVI, na catequese sobre a oração proferida a vinte e cinco de maio de dois mil e onze.
Apesar de difícil interpretação, «o texto bíblico fala-nos da longa noite da busca de Deus, da luta para conhecer o seu nome e para ver o seu rosto; trata-se da noite da oração que, com tenacidade e perseverança, pede a Deus a bênção e um nome novo, uma renovada realidade, fruto de conversão e perdão».
A luta de Jacob e o encontro com Deus, como refere o Papa, serve de «ponto de referência para compreender a relação com Deus que, na oração, encontra a sua máxima expressão. A oração exige confiança, proximidade, quase num corpo a corpo simbólico não com um Deus adversário, inimigo, mas com o Senhor que abençoa, que permanece sempre misterioso, que parece inalcançável. Por isso, o autor sagrado utiliza o símbolo da luta, que implica força de espírito, perseverança e tenacidade para alcançar aquilo que se deseja. E se o objeto do desejo é a relação com Deus, a sua bênção e o seu amor, então a luta não poderá deixar de culminar no dom pessoal a Deus, no reconhecimento da própria debilidade, que vence precisamente quando consegue entregar-se nas mãos misericordiosas de Deus».
Em resumo, «toda a nossa vida é como esta longa noite de luta e de oração, que deve ser consumida no desejo e na busca de uma bênção de Deus».



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Laboratório da fé celebrada: iniciar à oração, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 6.8.14 | Sem comentários

REZAR O DOMINGO DÉCIMO NONO

10 DE AGOSTO DE 2014


Evangelho segundo Mateus 14, 22-33

Depois de ter saciado a fome à multidão, Jesus obrigou os discípulos a subir para o barco e a esperá-l’O na outra margem, enquanto Ele despedia a multidão. Logo que a despediu, subiu a um monte, para orar a sós. Ao cair da tarde, estava ali sozinho. O barco ia já no meio do mar, açoitado pelas ondas, pois o vento era contrário. Na quarta vigília da noite, Jesus foi ter com eles, caminhando sobre o mar. Os discípulos, vendo-O a caminhar sobre o mar, assustaram-se, pensando que fosse um fantasma. E gritaram cheios de medo. Mas logo Jesus lhes dirigiu a palavra, dizendo: «Tende confiança. Sou Eu. Não temais». Respondeu-Lhe Pedro: «Se és Tu, Senhor, manda-me ir ter contigo sobre as águas». «Vem!» – disse Jesus. Então, Pedro desceu do barco e caminhou sobre as águas, para ir ter com Jesus. Mas, sentindo a violência do vento e começando a afundar-se, gritou: «Salva-me, Senhor!». Jesus estendeu-lhe logo a mão e segurou-o. Depois disse-lhe: «Homem de pouca fé, porque duvidaste?». Logo que subiram para o barco, o vento amainou. Então, os que estavam no barco prostraram-se diante de Jesus, e disseram-Lhe: «Tu és verdadeiramente o Filho de Deus».



Segunda, 4: NA MARGEM DO LAGO

Esta semana estamos na margem do lago de Tiberíades. Dedico algum tempo a observar esta cena do evangelho: as margens do lado, o barco, a montanha. Procuro igualmente acolher as diferentes pessoas: Jesus e os discípulos com Pedro. Escuto também os sons. Na minha oração, situo-me num canto desta cena do evangelho e observo, saboreio, escuto o que se passa. Ó Pai, eis-me aqui.



Terça, 5: JESUS OBRIGA

Jesus convida os discípulos a subir para o barco e a deslocar-se para terra firme. Eles obedecem e atravessam o lago. Também a mim, certamente que já tive de deixar algo, uma situação bem conhecida, para me orientar noutra direção. Certamente que duvidei em aceitar ser levado por um barco nessa nova situação. Agora, dou graças pelas situações que fui capaz de ultrapassar. Ó Pai, tu me conduzes sempre.



Quarta, 6: JESUS REZA

Jesus sobe à montanha e reza sozinho com o Pai, coração a coração. Hoje, celebramos a festa da Transfiguração. Naquele dia, Jesus também subiu a uma alta montanha e permitiu que três discípulos vissem a sua glória. Jesus deu-lhes também a força e a luz que iriam precisar mais tarde. Uno-me à oração de Jesus sobre a montanha e digo com ele: «Pai, ó meu Pai».



Quinta, 7: JESUS CAMINHA

Jesus caminha sobre as águas para ir ao encontro dos discípulos que, no barco, são açoitados por ventos contrários. O evangelho precisa que era de noite. Por isso, os discípulos tiveram tempo para «remar», para viver, na escuridão, as más condições meteorológicas, apesar de conhecerem bem o lago. Na minha oração, posso dizer a Jesus que acredito na sua presença contínua junto de mim, que vem ao meu encontro, que caminha até junto de mim quando os ventos contrários me sacodem, quando o medo se apodera de mim e me faz duvidar. Ó Pai, estou certo da tua presença, eu sei que jamais me abandonas.



Sexta, 8: JESUS FALA

«Tende confiança. Não temais». Hoje, Jesus dirige-me as mesmas palavras que, outrora, disse aos discípulos. Jesus, como um pai, tranquiliza, restabelece a paz. Ao som da sua voz, os discípulos encontram o caminho da relação, da afinidade com Cristo. Ele não é um fantasma. Ao longo do meu dia, também posso ser essa voz que fala aos outros através das minhas atitudes ou ações: «Tende confiança. Não temais». Ó Pai, em ti coloco toda a minha confiança.



Sábado, 9: JESUS CONVIDA

Pedro duvida e pede uma última verificação da identidade de Jesus: «Se és Tu, Senhor..». Então, face ao pedido, Jesus convida — «Vem!» — a ir ter com ele caminhando sobre as águas. Pedro realiza uma coisa que desafia as leis físicas da gravidade: o seu corpo não se afunda; ele caminha sobre as águas. Hoje, posso observar Pedro, a sua prontidão, a sua audácia, a sua vivacidade. Ele é um daqueles que tinham visto a glória de Jesus na Transfiguração. Nada é impossível para Jesus, talvez tenha sido o seu pensamento. Hoje, na minha oração, repito calmamente o pedido do discípulo: Ó Pai, deixa-me ir ter contigo.



Domingo, 10: JESUS ESTENDE A MÃO: ELE É O FILHO DE DEUS

O vento agita o mar. Pedro, vendo bem, fica com medo. A afinidade com Jesus é rompida. Já não tem os olhos fixos em Jesus: afunda-se e perde o pé. Nesta situação dramática e perigosa para a sua vida, Pedro ganha forças para gritar: «Salva-me, Senhor!». Jesus (Deus salva), sem dizer qualquer palavra, toma-o pela mão e salva-o. Apenas depois de ter salvo Pedro, Jesus, através das suas palavras, permite que os discípulos, no barco, entrem no caminho da conversão. Passam da dúvida à confiança. O vento amaina. Nenhum dúvida possível: este homem é verdadeiramente o Filho de Deus. Esperar tudo de Jesus, mesmo nas situações mais difíceis, pode ser a minha oração neste dia. Ó Pai, eu acredito em ti e amo-te.



© www.versdimanche.com
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014

Rezar o domingo décimo nono (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 5.8.14 | Sem comentários

INICIAR À ORAÇÃO 


Na terceira catequese sobre a oração, Bento XVI inicia um «percurso bíblico» cujo primeiro exemplo é retirado da intercessão de Abraão pelas cidades de Sodoma e Gomorra (Génesis 18, 16-33).
Abraão «põe em jogo uma nova ideia de justiça: não aquela que se limita a punir os culpados, como fazem os homens, mas uma justiça diferente, divina, que busca o bem e o cria através do perdão que transforma o pecador, o converte e o salva. Portanto, com a sua oração, Abraão não invoca uma justiça meramente retributiva, mas uma intervenção de salvação que, tendo em consideração os inocentes, liberte da culpa inclusive os ímpios, perdoando-os». Abraão exprime o desejo de Deus: «misericórdia, amor e vontade de salvação».
Infelizmente, «as cidades estavam fechadas num mal totalizador e paralisador, sem sequer poucos inocentes, a partir dos quais começar para transformar o mal em bem. Pois é precisamente este o caminho da salvação, que também Abraão pedia: ser salvos não quer dizer simplesmente evitar a punição, mas ser libertados do mal que habita em nós. Não é o castigo que deve ser eliminado, mas o pecado, aquela rejeição de Deus e do amor que já traz em si o castigo».
Então, é fundamental «uma transformação a partir de dentro, uma grande ocasião de bem, um início a partir do qual começar para mudar o mal em bem, o ódio em amor e a vingança em perdão. […] É uma palavra dirigida também a nós: que nas nossas cidades se encontre o germe do bem».



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Laboratório da fé celebrada: iniciar à oração, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 5.8.14 | Sem comentários

INICIAR À ORAÇÃO 


Apesar deste tempo ser dominado pelo secularismo, Bento XVI, na segunda catequese sobre a oração, realça o aparecimento de «muitos sinais que nos indicam um despertar do sentido religioso, uma redescoberta da importância de Deus».
Não é de estranhar, porque, como afirma o Catecismo da Igreja Católica, «o desejo de Deus está inscrito no coração do homem» (número 27). É uma «sede de infinito, uma saudade de eternidade, uma busca de beleza, um desejo de amor, uma necessidade de luz e de verdade, que o impelem rumo ao Absoluto». S. Tomás de Aquino define a oração como «expressão do desejo que o homem tem de Deus».
O Papa fala da oração como uma «atitude interior» que, mais do que uma «série de práticas e fórmulas» é «um modo de ser diante de Deus, e não só o cumprir gestos de culto ou o pronunciar palavras. A oração tem o seu centro e afunda as suas raízes no mais profundo da pessoa; por isso não é facilmente decifrável. Também neste sentido podemos entender a expressão: rezar é difícil. […] Por isso, a experiência da oração é para todos um desafio, uma ‘graça’ a invocar, um dom d’Aquele ao qual nos dirigimos. [... ] Todavia, só no Deus que se revela encontra pleno cumprimento a busca do homem. A oração, que é a abertura e elevação do coração a Deus, torna-se assim relação pessoal com Ele. E mesmo que o homem se esqueça do seu Criador, o Deus vivo e verdadeiro não cessa de chamar primeiro o homem ao misterioso encontro da oração».



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Laboratório da fé celebrada: iniciar à oração, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 4.8.14 | Sem comentários

INICIAR À ORAÇÃO 


Bento XVI iniciou a quatro de maio de dois mil e onze uma série de catequese sobre a oração cristã: «aproximando-nos da Sagrada Escritura, da grande tradição dos Padres da Igreja, dos Mestres de espiritualidade e de Liturgia, queremos aprender a viver ainda mais intensamente a nossa relação com o Senhor, quase uma ‘Escola de oração’. Com efeito, sabemos que a oração não se deve dar por certa: é preciso aprender a rezar, quase adquirindo esta arte sempre de novo; mesmo aqueles que estão muito avançados na vida espiritual sentem sempre a necessidade de se pôr na escola de Jesus para aprender a rezar autenticamente. Recebemos a primeira lição do Senhor através do seu exemplo. Os Evangelhos descrevem-nos Jesus em diálogo íntimo e constante com o Pai: é uma profunda comunhão daquele que veio ao mundo não para fazer a sua vontade, mas a do Pai que O enviou para a salvação do homem».
Na primeira catequese, apresenta exemplos de oração «para relevar como, praticamente sempre e em toda a parte, o homem se dirigiu a Deus»: no antigo Egito; nas religiões da Mesopotâmia; na religiosidade grega e romana. Os textos mostram que o ser humano «reza porque não consegue deixar de se interrogar sobre o sentido da sua existência, que permanece obscuro e desolador, se não se puser em relação com o mistério de Deus e do seu desígnio acerca do mundo».
O ponto de partida desta «Escola de oração» é o pedido dos discípulos: «Senhor, ensina-nos a rezar».



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Laboratório da fé celebrada: iniciar à oração, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 3.8.14 | Sem comentários

Palavra para hoje: domingo décimo oitavo


Jesus Cristo retira-se para «um local deserto», mas, «cheio de compaixão», não deixa de falar para a multidão. Ao cair da tarde, percebe o cansaço e a fome da multidão. Então, associa os discípulos aos gestos que vai realizar. Toma os pães e os peixes. Ergue os olhos ao Céu e recita a bênção. Jesus Cristo é o ponto de encontro entre Deus e os seres humanos. Compete à Igreja, a cada assembleia, voltar a fazer o que o seu Mestre fez; e também a proclamar: nada «poderá separar-nos do amor de Deus, que se manifestou em Cristo Jesus, Nosso Senhor». O fogo e o poder das palavras de Paulo transmitem-nos a força para viver: no combate e nas fraquezas desta vida, «somos vencedores, graças Àquele que nos amou», Jesus Cristo.

Pergunta da semana: 

Encontro na Eucaristia o alimento da Palavra e do Pão que preciso para viver como cristão?

Palavra de Deus - Lectio divina - imagem de fano
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 3.8.14 | Sem comentários

INICIAR À ORAÇÃO 


Aquelas e aqueles que se dispõem a «tomar consciência da presença de Deus que nos habita» confirmam que o ser humano, cada um de nós, é habitado por Deus, pelo Espírito Santo. O Catecismo Jovem da Igreja Católica (YOUCAT 120) diz que o nosso corpo é a «sala de estar de Deus».
Os bispos portugueses, na Carta Pastoral «O Espírito Santo, Senhor que dá a Vida» (26), constatam que «vai crescendo o número de pessoas que dão à oração o primeiro lugar e nela procuram a renovação da vida espiritual». Homens e mulheres que reconhecem no Espírito Santo «o mestre interior da oração cristã» (Catecismo da Igreja Católica, 2672).
Ora, «o Espírito Santo, exprime-se e faz-se ouvir, da forma mais simples e comum, na oração. É belo e salutar pensar que, onde quer que no mundo se reze, aí está presente o Espírito Santo sopro vital da oração. É belo e salutar reconhecer que, se a oração se encontra difundida por todo o universo, igualmente difundida é a presença e a ação do Espírito Santo» (João Paulo II, Carta Encíclica sobre o Espírito Santo na vida da Igreja e no mundo — «Dominum et Vivificantem», 65).
Então, «iniciar à oração» é aprender a invocar o Espírito Santo (por exemplo, no início do dia ou ao começar qualquer tipo de atividade; e claro, sempre ao iniciar a oração). Não há dúvida de que «o Espírito Santo ajuda o nosso espírito a orar. Por isso, devemos dizer continuamente: ‘Vem, Espírito Santo! Vem e ajuda-me a orar!’» (YOUCAT 496).



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Laboratório da fé celebrada: iniciar à oração, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 2.8.14 | Sem comentários

INICIAR À ORAÇÃO 


«Iniciar à oração» — é um dos objetivos propostos no programa pastoral programa pastoral (2013+14) da Arquidiocese de Braga. O mesmo programa sugere: «A oração é a expressão mais simples, mas também a mais fundamental. Tomar consciência da presença de Deus que nos habita, descobrir a Sua ação em nós e também para nos tornar colaboradores da ação divina. Nas nossas paróquias há espaço para a oração, para o encontro com Deus, no silêncio, na adoração? Onde se alimenta a vida cristã do povo? Temos aqui uma tarefa que é necessário realizar pouco a pouco: oferecer encontros de oração, rever e adaptar formas de oração, ajudar os fiéis a rezar em silêncio, oferecer possibilidades de escutar a Palavra de Deus com tranquilidade». Conscientes de que esta tarefa não se esgota no presente ano pastoral, vamos propor, a partir de hoje, alguns contributos para alcançar o objetivo de «iniciar à oração».



«Iniciar à oração» é contribuir para que alguém possa iniciar a oração, colocar diante do outro «ferramentas» que ajudam a iniciar a oração. O padre José Tolentino Mendonça, em declarações à rádio Renascença (Natal de 2013), disse que «um dos grandes desafios da Igreja é ensinar a rezar». Sustentando que «rezar também se aprende», o padre Tolentino alertou para o perigo de se dar «por garantido que toda a gente sabe rezar».
É certo que, para «iniciar à oração», já existem várias propostas, formas diferenciadas, maneiras distintas, métodos diversificados. Há sempre a tentação de ir à procura de «receitas» bem elaboradas, «remédios» eficazes para quem, embora sinta a importância, tem dificuldade em rezar. Não vale a pena!
A oração é «tomar consciência da presença de Deus que nos habita, descobrir a Sua ação em nós». Por isso, é sempre uma experiência pessoal. Não se pode copiar! Existem momentos de oração comunitários, em que todos vivenciam o mesmo ritmo, as mesmas fórmulas, os mesmos textos, os mesmos gestos, o mesmo ambiente. Mas, em boa verdade, esses momentos só se tornam oração quando são expressão de uma vivência íntima e pessoal.
A primeira sugestão é apropriarmo-nos do pedido feito pelos apóstolos a Jesus Cristo: «Senhor, ensina-me a rezar». À boa maneira hebraica, repete-o ao acordar, a caminho do trabalho ou da praia, no banco do jardim, na fila de espera, no regresso a casa, ao deitar: «Senhor, ensina-me a rezar».



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Laboratório da fé celebrada: iniciar à oração, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 1.8.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO DÉCIMO OITAVO

3 DE AGOSTO DE 2014


Isaías 55, 1-3

Eis o que diz o Senhor: «Todos vós que tendes sede, vinde à nascente das águas. Vós que não tendes dinheiro, vinde, comprai e comei. Vinde e comprai, sem dinheiro e sem despesa, vinho e leite. Porque gastais o vosso dinheiro naquilo que não alimenta e o vosso trabalho naquilo que não sacia? Ouvi-Me com atenção e comereis o que é bom; saboreareis manjares suculentos. Prestai-Me ouvidos e vinde a Mim; escutai-Me e vivereis. Firmarei convosco uma aliança eterna, com as graças prometidas a David.



Prestrai-Me ouvidos e vinde a Mim


O texto no seu contexto
. O poema proposto para primeira leitura do décimo oitavo domingo (Ano A) pertence ao final do Segundo Isaías, que como bem sabemos, repete dois tópicos teológicos: um, o regresso a Judá a partir do desterro na Babilónia, como se tratasse de um «segundo êxodo» vivido pelo povo. O segundo tópico é o da reconstrução de Jerusalém, referida com o nome teológico de Sião, cidade eleita por Deus. A boa notícia que se anuncia é que Jerusalém, que tinha sido devastada, vai ser construída. A cidade, que antes não tinha nada para oferecer, agora convida a comer manjares suculentos e a beber em abundância. Surpreende o final, a «aliança eterna» e «as graças prometidas a David», pois não são temas específicos da teologia do Segundo Isaías, embora não destoem do resto do livro, que é um texto de consolação e de esperança, assegurando que há um futuro e que esse futuro é trazido pelo próprio Deus.

O texto na história da salvação. Deus tinha prometido e Deus cumpre; mas entre «promessa e cumprimento» há um tempo de prova, de espera, de maturação. Já tinha acontecido ao sair do Egito, ao passar pelo «tempo» real e «salvífico» da travessia do deserto. Agora, o povo, ainda sob o jugo da Babilónia, tem de fazer a sua travessia até chegar a Jerusalém, a cidade santa. Tempo necessário e tensão dramática entre a promessa e o cumprimento. Por outro lado, tem de aprender a discernir o que «alimenta e sacia» do que é vão, falso, incapaz de saciar a fome profunda do ser humano.

Palavra de Deus para nós: sentido e celebração litúrgica. É um texto que exorta à vida, a confiar nas promessas de Deus. O que é que os espera? Saciar a sua fome e sede: alcançar a meta. Mas não basta acreditar; é preciso por-se a caminho: há que ser protagonista, mesmo que incipiente, modesto, com certas dificuldades, desse caminho que leva a Jerusalém. Todos são impelidos a por-se a caminho, todos ficarão saciados, mas todos devem levantar-se da sua prostração e começar a caminhar. Tampouco basta qualquer alimento; é necessário saber onde está a água e o pão necessitados pelo coração humano.

© Pedro Fraile Yécora, Homiletica
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
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Preparar o domingo décimo oitavo (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 1.8.14 | Sem comentários

NÃO PODEMOS VIVER SEM O DOMINGO!


«Valorizar o domingo como centro de todo o ano litúrgico» — é o primeiro objetivo apresentado no programa pastoral (2013+14) da Arquidiocese de Braga. Com o intuito de «valorizar» o domingo, acompanhando os tempos litúrgicos, propomos um tema a partir da releitura da Carta Apostólica sobre a santificação do domingo — «O dia do Senhor» («Dies Domini»). Este itinerário tem como tema geral: «Não podemos viver sem o domingo!».

Domingo, DIA DE DESCANSO

Texto de reflexão para o domingo décimo oitavo

    64. Durante alguns séculos, os cristãos viveram o domingo apenas como dia do culto, sem poderem juntar-lhe o significado de descanso. Só no século IV é que a lei civil do Império Romano reconheceu o ritmo semanal, fazendo com que, no «dia do sol», os juízes, os habitantes das cidades e os diversos ofícios parassem de trabalhar. Grande contentamento sentiram os cristãos ao verem assim afastados os obstáculos que, até então, tinham tornado por vezes heroica a observância do dia do Senhor. Podiam agora dedicar-se à oração comum, sem qualquer impedimento. Por isso, seria um erro ver a legislação que defende o ritmo semanal como uma mera circunstância histórica, sem valor para a Igreja ou que esta poderia abandonar. Os Concílios não cessaram de manter, mesmo depois do fim do Império, as disposições relativas ao descanso festivo. Mesmo nos países, onde os cristãos são um pequeno número e os dias festivos não coincidem com o domingo, este permanece sempre o dia do Senhor, o dia em que os fiéis se reúnem para a eucaristia. Mas isto verifica-se à custa de sacrifícios. Para os cristãos, é anormal que o domingo, dia de festa e de alegria, não seja também dia de descanso, tornando-se difícil «santificar» o domingo, já que não dispõem de tempo livre suficiente.



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    Laboratório da fé celebrada, 2014
    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 1.8.14 | Sem comentários

    PREPARAR O DOMINGO DÉCIMO OITAVO

    3 DE AGOSTO DE 2014


    Isaías 55, 1-3

    Eis o que diz o Senhor: «Todos vós que tendes sede, vinde à nascente das águas. Vós que não tendes dinheiro, vinde, comprai e comei. Vinde e comprai, sem dinheiro e sem despesa, vinho e leite. Porque gastais o vosso dinheiro naquilo que não alimenta e o vosso trabalho naquilo que não sacia? Ouvi-Me com atenção e comereis o que é bom; saboreareis manjares suculentos. Prestai-Me ouvidos e vinde a Mim; escutai-Me e vivereis. Firmarei convosco uma aliança eterna, com as graças prometidas a David.



    Vinde e comei


    O texto proposto para a primeira leitura do décimo oitavo domingo (Ano A) pertence à secção final da segunda parte do livro de Isaías, que se situa na época do exílio na Babilónia, no século quarto antes de Cristo. É uma proclamação gozosa de um regresso a Jerusalém para os exilados.
    O poeta-profeta começa por assinalar um contraste muito vivo entre as formas de vida na Babilónia e a nova oferta de vida dada por Deus. O versículo inicial, que quase parece um pregão de um vendedor, oferece água, vinho e leite de graça. O contraste com as formas de vida oferecidas pelo império opressor é absoluto. O império é sempre caro e insuficiente. Israel é convidado a escolher os novos alimentos oferecidos pelo Senhor «sem pagar». Trata-se da celebração do convite da nova aliança oferecida pelo Deus dos oprimidos. A pergunta é retórica: para quê trabalhar tanto para, ao fim e ao cabo, não obter nada bom?
    A última parte da passagem profética deixa a metáfora da comida e passar a falar diretamente da promessa de fidelidade feita por Deus a David, que agora é ampliada, prolongada e reiterada a toda a comunidade de Israel. O pacto que Deus oferece é de fidelidade e contém em si a vida — «escutai-Me e vivereis» —, porque o Deus que fala — «prestai-Me ouvidos» — e que convida — «vinde a Mim» — é um Deus vivo e dador de vida a todos os que estão dispostos a escutar.

    © Joan Ferrer, Misa dominical
    © tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
    A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor

    Preparar o domingo décimo oitavo (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 1.8.14 | Sem comentários
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