PREPARAR O DOMINGO DÉCIMO QUINTO

13 DE JULHO DE 2014


Isaías 55, 10-11

Eis o que diz o Senhor: «Assim como a chuva e a neve que descem do céu não voltam para lá sem terem regado a terra, sem a terem fecundado e feito produzir, para que dê a semente ao semeador e o pão para comer, assim a palavra que sai da minha boca não volta sem ter produzido o seu efeito, sem ter cumprido a minha vontade, sem ter realizado a sua missão».



A chuva faz germinar a terra


O texto da primeira leitura do décimo quinto domingo (Ano A), um fragmento da terceira parte do livro de Isaías, contém um oráculo brevíssimo, mas precioso, sobre o poder da Palavra de Deus. O profeta fala aos exilados na Babilónia. Faz cinquenta anos que Jerusalém foi destruída e que os exilados se estabeleceram na cidade estrangeira, alguns até com uma certa comodidade. Então, a voz do profeta anuncia uma realidade nova, que encontramos em poucos versos antes deste fragmento. Diz assim: «Prestai-me atenção e vinde a mim. Escutai-me e vivereis. Farei convosco uma aliança eterna, e a promessa a David será mantida» (Isaías 55, 3).
Deus tem sempre previstas coisas novas para o povo com o qual estabeleceu uma aliança. A verificação da determinação do Senhor é a afirmação de que a palavra da promessa do Senhor produz resultados reais na vida pública. Todas as palavras que o profeta dirigiu aos exilados de Israel estão fundamentadas na determinação absolutamente fiável de que é dirigida à fé do povo.
O poder do Senhor aqui está vinculado à chuva e à neve. Nem um nem a outra são fantasmas, mas muito reais: poderes que produzem coisas tangíveis na terra. O resultado é regular e digno de confiança: a terra é alimentada e a criação sustentada. A Palavra de Deus é como estas realidades: causa um novo futuro para o povo de Israel exilado.

© Joan Ferrer, Misa dominical
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor

Preparar o domingo décimo quinto (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 8.7.14 | Sem comentários

ANO CRISTÃO


A Editora Paulus traduziu e publicou (em 2010) uma obra italiana com comentários aos textos bíblicos proclamados nas celebrações eucarísticas. No volume dedicado às primeiras semanas do Tempo Comum («Leccionário Comentado. Regenerados pela Palavra de Deus. Volume 1: Tempo Comum. Semanas I-XVII» — organização de Giuseppe Casarin) faz uma breve apresentação das primeiras semanas do «Tempo Comum» e dos textos bíblicos propostos na Liturgia. A coleção está estruturada à maneira da «lectio divina», acompanhando progressivamente todo o ano litúrgico nos seus tempos fortes, nas suas festas mas também nos dias feriais, todas as vezes que a comunidade cristã é convocada para celebrar a Cristo presente na Palavra e no Pão eucarístico.

Aquele que na ordem cronológica é o segundo profeta «escritor» da Bíblia, Oseias, está presente no ciclo litúrgico do Tempo Comum (primeira leitura, anos pares) com cinco textos antológicos, distribuídos entre a segunda e a sexta-feira da XIV semana, que constituem uma espécie de amostra da sua pregação.
Tendo vivido, como Amós, no oitavo século antes de Cristo, no reino do Norte, próspero e iníquo, Oseias desempenhou o seu ministério cerca do ano de 750 antes de Cristo. Sabemos bem pouco da sua atividade, como também das suas origens e das suas condições; o que conhecemos bem, pela sua própria declaração apaixonada e apaixonante, é o seu drama familiar. Oseias está casado com Gomer, uma mulher que exerce a prostituição sagrada nos ritos pagãos, da qual teve três filhos que têm nomes de maldição: «Yzreel» («Deus semeou»), o nome da amena localidade que, embora de bom augúrio, se torna símbolo de crueldade devido ao assassínio de Nabot, idealizado por Jezabel e pelo extermínio da casa de Acab, perpetrado por Jeú; «Lo’-ruchamah» («Não-amada») e «Lo’-ammi» («Não-meu-povo»), que exprimem a renegação do amor e da Aliança da parte de Deus.
Oseias lê na sua vida o drama do amor ferido, ou seja, do amor de Deus pelo seu Povo infiel, que é o amor tenaz e incapaz de ceder perante a traição. Assim, o profeta traz à linguagem bíbli­ca uma novidade extraordinária: a utilização da linguagem do amor esponsal para representar a Aliança de Deus com o povo.

© Anna Maria Giorgi | Editora Paulus
© Adaptação de Laboratório da fé, 2014
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Laboratório da fé celebrada, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 7.7.14 | Sem comentários

Ambiente Virtual de Formação


Sacrosanctum Concilium — Constituição Conciliar sobre a Liturgia


Esta ficha é dedicada ao Ofício Divino (Liturgia das Horas) e ao Ano Litúrgico, respetivamente os capítulos IV e V da Constituição sobre a Sagrada Liturgia — «Sacrosanctum Concilium» (SC) — que lançou novas luzes sobre estes dois importantes temas litúrgicos. O primeiro reflete sobre a oração da Igreja e o segundo sobre a sua ação litúrgica no tempo. O objetivo de ambos foi renovar os aspetos pastorais e espirituais com a finalidade de contribuir para a santificação do povo de Deus.

Liturgia das Horas

O capítulo IV aborda o Ofício Divino, a Celebração da Oração Litúrgica (Liturgia das Horas) que a comunidade eclesial realiza em nome de Cristo. A oração sempre foi um dos elementos constitutivos da Igreja que cumpre o mandamento do Seu Senhor de orar incessantemente! (cf. Marcos 14, 38; Mateus 26, 41).
A Liturgia das Horas é formado por uma série de orações de louvor a Deus e de intercessão pela salvação do mundo que, segundo a tradição antiga cristã, se destina a consagrar o curso diurno e noturno do tempo (SC 84) no louvor individual ou coletivo. A SC propôs reformá-lo com a finalidade de adequá-lo à realidade moderna, porém, mantendo a sua importância teológica, enfatizando o louvor divino como oração do Cristo total, ou seja, como ação comunitária da Igreja inteira.
O Ofício Divino tem a sua origem no louvor que as primeiras comunidades cristãs realizavam através da recitação dos Salmos segundo a tradição judaica (Atos 2, 42 e Colossenses 3, 16). Na medida em que a Igreja se foi institucionalizando, também a Liturgia foi recebendo normas elaboradas pelos bispos para as suas dioceses, e pelos mosteiros nascentes, entre eles a Ordem de São Bento que definiu que os monges deveriam rezar os salmos em favor da Igreja, em determinadas horas do dia e da noite. Apesar de algumas mudanças terem ocorrido, esta estrutura é mantida até os nossos dias.
Como Ofício propriamente dito, surge na Idade Média quando, no século XI, foi sistematizado e organizado num livro denominado «Breviário», com os salmos, hinos, textos bíblicos e orações, que era usado para a oração dos clérigos (letrados). Como o povo não tinha acesso ao «Breviário», seja por questões culturais ou económicas, difundiu-se a prática da piedade popular da oração do Rosário, rezava-se as 150 Ave-Marias como uma forma de substituir os 150 Salmos.
Desde os tempos antigos, a Igreja confiou o Ofício Divino às comunidades religiosas e aos clérigos e, a partir do II Concílio do Vaticano, os leigos foram também convidados a celebrá-lo segundo as suas possibilidades, especialmente aos domingos e dias santos (SC 100). Para isso, foi fundamental a autorização da tradução na língua materna, possibilitando uma maior participação das pessoas nas celebrações.
A SC insistiu que o Ofício Divino fosse celebrado, sempre que possível, em comunidade, e destacou que, dentre as várias horas, as «Laudes» e as «Vésperas» (Oração da Manhã e da Tarde) eram as mais importantes. Solicitou que houvesse uma consonância entre as orações litúrgicas e os textos bíblicos (SC 90) e, para isso, foi proposta uma revisão dos textos e a sua distribuição de acordo com cada tempo litúrgico.
Em 1970, o novo livro de orações passa a ser chamado «Liturgia das Horas» abolindo o termo «Breviário»; e, em 1985, foi feita uma nova revisão e lançada uma segunda edição que passou a ter quatro livros, incorporando o «Ofício de Leituras». O primeiro é dedicado ao Advento e Natal, o segundo à Quaresma, Tríduo e Tempo Pascal, o terceiro contém as primeiras dezassete semanas do Tempo Comum, e o quarto vai desde a 18.ª até à 34.ª semana do Tempo Comum. Em Portugal, como noutros países, foi elaborada uma edição (um único livro) apenas com as Horas principais («Laudes» e «Vésperas») e a oração do fim do dia: «Completas».

Ano Litúrgico

O capítulo V da SC estabelece a reforma do Ano Litúrgico com o intuito de destacar a centralização do mistério da morte e ressurreição de Jesus Cristo nas celebrações litúrgicas, tanto durante o ano quanto na semana, isto é, o Concílio desejou afirmar que a Páscoa é o tempo por excelência no Ano Litúrgico, e que o domingo é o dia por excelência na semana. Diante disto, este capítulo emana orientações catequéticas para a revalorização do domingo como o «Dia da Páscoa do Senhor»; do «Tempo da Quaresma» como tempo de preparação penitencial para a grande festa da Páscoa; e considerações sobre o culto dos Santos, enfatizando que as suas festas não devem prevalecer sobre os mistérios da salvação (SC 111).
Segundo a SC 106, o domingo, o dia do Senhor, é mantido como o principal dia de festa, pois, segundo a tradição apostólica, tem a sua origem no mesmo dia da ressurreição de Cristo. Nele, a Igreja celebra o mistério central de nossa fé, a Páscoa semanal, o Mistério Pascal. Segundo as «Normas Universais para o Ano Litúrgico e o Calendário» (número 4), «por causa de sua especial importância, o domingo só cede sua celebração às Solenidades e Festas do Senhor. Os domingos do Advento, da Quaresma e da Páscoa gozam de precedência sobre todas as Festas do Senhor e todas as Solenidades. As Solenidades que ocorrerem nestes domingos sejam antecipadas para o sábado».
O Ano Litúrgico possui como fundamento bíblico-teológico a «História da Salvação» no qual a Igreja celebra o mistério da Encarnação, Nascimento, Ministério Público, Morte, Ressurreição, Ascensão, Pentecostes, e a espera da vinda do Senhor (SC 102) e é nele que o cristão vive inserido em Cristo. Não segue a mesma datação do calendário civil e o seu inicio dá-se no primeiro domingo do Advento, quatro domingos antes do 25 de dezembro, e termina na 34.ª semana do Tempo Comum. O Ano Litúrgico propõe um caminho espiritual, oferecendo um programa para se viver a graça do mistério de Cristo nos sucessivos momentos de sua vida. Para alcançar este objetivo, o Ano Litúrgico foi dividido em partes denominadas Tempos Litúrgicos, cada um dos quais relacionados com uma grande festividade integrada e atualizada no Tempo Cósmico, Biológico e Histórico. Por isso, toda a Liturgia é celebrada num tempo, e todo dia é dia celebrativo.
Os Tempos Litúrgicos são:
Tempo do Advento (cor roxa; no terceiro domingo pode-se usar a cor rosa) : inicia-se no domingo seguinte à festa de Cristo Rei (34.º domingo do Tempo Comum), e tem a duração de quatro semanas. Celebra-se nesse período a Solenidade da Imaculada Conceição (8 de dezembro).
Tempo de Natal (cor branca): no dia 25 de dezembro, comemora-se o «Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo»; no primeiro domingo após o Natal, a «Sagrada Família, Jesus Maria e José» (quando não há domingo entre o Natal e o primeiro dia do ano civil, celebra-se a 30 de dezembro); no primeiro dia do ano, «Santa Maria, Mãe de Deus»; no domingo seguinte, a «Epifania do Senhor» que é a manifestação de Deus ao mundo através do reconhecimento e adoração dos Magos; e, em seguida, o «Batismo do Senhor».
O primeiro ciclo do Tempo Comum (cor verde) inicia-se na segunda-feira depois do Batismo do Senhor e termina na terça-feira (Carnaval), véspera da quarta-feira de Cinzas.
Tempo da Quaresma (cor roxa; no quarto domingo pode-se usar a cor rosa): período de «quarenta dias» que se inicia na quarta-feira de Cinzas, dia em que são impostas as cinzas orientando para a conversão. Representa, simbolicamente, os 40 anos de travessia no deserto do Sinai, e relembra os 40 dias que Jesus esteve no deserto em preparação para iniciar a sua vida pública. Esse tempo tem por finalidade preparar a Páscoa com penitências, orações pessoais e comunitárias, para obter a conversão dos pecadores, jejuns e caridade (SC 109). A semana que precede a Páscoa é chamada «Semana Santa» (cor roxa), que se inicia com o Domingo de Ramos da Paixão do Senhor (cor vermelha).
Tríduo Pascal: inicia-se na tarde de quinta-feira da Semana Santa (cor branca) com a missa vespertina da «Ceia do Senhor», passando pela sexta-feira da «Paixão do Senhor» (cor vermelha), e culminando com a grande «Vigília Pascal» (cor branca), cuja celebração se realiza na noite de sábado, véspera da celebração da «Páscoa do Senhor».
Tempo da Páscoa (cor branca): tem duração de 50 dias e inicia-se no Domingo da Ressurreição do Senhor e termina no Domingo de Pentecostes (cor vermelha). No sétimo domingo, celebra-se a Solenidade da Ascensão do Senhor.
O segundo ciclo do Tempo Comum (cor verde) inicia-se na segunda-feira após a Solenidade de Pentecostes e encerra no sábado seguinte à solenidade de «Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo» (cor branca), onde se vive o tempo do crescimento da Igreja e celebra-se antecipadamente a volta de Cristo como Juiz, encerrando a história e inaugurando o Reino Eterno. Neste Tempo celebram-se também, as Solenidades (cor branca) da Santíssima Trindade, do Corpo de Deus (Corpo e Sangue de Cristo), do Sagrado Coração de Jesus, de São Pedro e São Paulo (cor vermelha) e Todos os Santos, entre outras.
A proposta da revisão do Ano Litúrgico e das Normas têm o objetivo de levar os fiéis a participarem mais ardentemente pela fé, pela esperança e pela caridade, em «todo o mistério de Cristo nas celebrações dominicais, desenvolvido no decurso de um ano»; aproximá-los da Igreja e levá-los a uma maior participação nas missas através das orações, dos cantos e dos ritos simplificados que, a partir de então, facilitaram a compreensão. A nova postura do presidente da celebração voltado para a comunidade e rezando na língua materna – e não de costas, rezando em latim, como era celebrado antes do Concílio – foi essencial para a mudança do conceito de «participação» dos fiéis, que antes apenas «assistiam» à celebração da Ceia do Senhor. Outros aspetos importantes do documento foram: a abertura dada para a utilização de novos instrumentos musicais que ajudassem na animação da Liturgia, e a possibilidade de maior participação ativa dos fiéis no exercício de diversas funções como comentadores, leitores, animadores e grupos de canto.

O culto à Virgem Maria e aos Santos

A partir do Concílio de Éfeso (431 depois de Cristo), o culto prestado pelo povo de Deus a Maria cresceu admiravelmente em amor, em oração e imitação, de forma que todos a veneram como a Mãe de Deus, a «Theotókos» (Constituição Dogmática sobre a Igreja — «Lumen Gentium», 66). No ciclo do Ano Litúrgico, Maria é venerada porque está indissoluvelmente unida à obra de salvação do seu Filho (SC 103). Quatro solenidades (cor branca) são dedicadas à Virgem Maria: no primeiro dia de janeiro, «Santa Maria, Mãe de Deus»; a 25 de março, «Anunciação do Senhor»; a 15 de agosto, «Assunção de Nossa Senhora»; a 8 de dezembro, «Imaculada Conceição de Nossa Senhora».
A Igreja venera os Santos e as suas relíquias autênticas, bem como as suas imagens e, está também inserida no Ano Litúrgico, a celebração da memória dos Mártires (cor vermelha) e outros Santos (cor branca) no «dies natalis» (dia da morte), que proclama o mistério pascal realizado na paixão e glorificação deles com Cristo. Estas celebrações têm o intuito de proclamar as grandes obras de Cristo realizadas nos seus servos (SC 111), e propõem aos fiéis os bons exemplos a serem imitados, conduzindo os seres humanos ao Pai, por meio do seu Filho Jesus, e implorando, pelos seus méritos, as bênçãos de Deus (SC 104).

Exercícios de piedade

Segundo a SC 105, em várias épocas do ano e seguindo a tradição, a Igreja completa a formação dos fiéis orientando-os pela opção da oração, do jejum e da caridade como práticas corporais e espirituais. E, isso ocorre, especialmente no tempo da Quaresma e nas festas dos Santos.
A penitência deve ser praticada não só de modo pessoal, mas servindo de dedicação ao próximo conforme as suas necessidades e disponibilidades.
O jejum pascal deve ser observado na Sexta-feira da Paixão e Morte do Senhor, estendendo-se também ao Sábado Santo, para que os fiéis possam chegar à alegria da Ressurreição do Senhor com elevação e largueza de espírito (SC 110).

© Ambiente Virtual de Formação — www.ambientevirtual.org.br —
© Arquidiocese de Campinas, Brasil
© Adaptado por Laboratório da fé, 2014



Questões para reflexão

  • O que conheces sobre as orações da Liturgia das Horas? São praticadas na tua comunidade?
  • Como é que podemos celebrar bem todo o Ano Litúrgico?
  • Que iniciativas são apresentadas na tua comunidade para que as celebrações sejam mais acolhedoras, orantes, e expressão de encontro com Deus?
  • O que ficaste a saber com a leitura desta ficha?

Partilha connosco a tua reflexão!


II Concílio do Vaticano, no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 7.7.14 | Sem comentários

REZAR O DOMINGO DÉCIMO QUINTO

13 DE JULHO DE 2014


Evangelho segundo Mateus 13, 1-23

Naquele dia, Jesus saiu de casa e foi sentar-Se à beira-mar. Reuniu-se à sua volta tão grande multidão que teve de subir para um barco e sentar-Se, enquanto a multidão ficava na margem. Disse muitas coisas em parábolas, nestes termos: «Saiu o semeador a semear. Quando semeava, caíram algumas sementes ao longo do caminho: vieram as aves e comeram-nas. Outras caíram em sítios pedregosos, onde não havia muita terra, e logo nasceram, porque a terra era pouco profunda; mas depois de nascer o sol, queimaram-se e secaram, por não terem raiz. Outras caíram entre espinhos e os espinhos cresceram e afogaram-nas. Outras caíram em boa terra e deram fruto: umas, cem; outras, sessenta; outras, trinta por um. Quem tem ouvidos, oiça». Os discípulos aproximaram-se de Jesus e disseram-Lhe: «Porque lhes falas em parábolas?». Jesus respondeu: «Porque a vós é dado conhecer os mistérios do reino dos Céus, mas a eles não. Pois àquele que tem dar-se-á e terá em abundância; mas àquele que não tem, até o pouco que tem lhe será tirado. É por isso que lhes falo em parábolas, porque vêem sem ver e ouvem sem ouvir nem entender. Neles se cumpre a profecia de Isaías que diz: ‘Ouvindo ouvireis, mas sem compreender; olhando olhareis, mas sem ver. Porque o coração deste povo tornou-se duro: endureceram os seus ouvidos e fecharam os seus olhos, para não acontecer que, vendo com os olhos e ouvindo com os ouvidos e compreendendo com o coração, se convertam e Eu os cure’. Quanto a vós, felizes os vossos olhos porque vêem e os vossos ouvidos porque ouvem! Em verdade vos digo: muitos profetas e justos desejaram ver o que vós vedes e não viram e ouvir o que vós ouvis e não ouviram. Escutai, então, o que significa a parábola do semeador: Quando um homem ouve a palavra do reino e não a compreende, vem o Maligno e arrebata o que foi semeado no seu coração. Este é o que recebeu a semente ao longo do caminho. Aquele que recebeu a semente em sítios pedregosos é o que ouve a palavra e a acolhe de momento com alegria, mas não tem raiz em si mesmo, porque é inconstante, e, ao chegar a tribulação ou a perseguição por causa da palavra, sucumbe logo. Aquele que recebeu a semente entre espinhos é o que ouve a palavra, mas os cuidados deste mundo e a sedução da riqueza sufocam a palavra, que assim não dá fruto. E aquele que recebeu a palavra em boa terra é o que ouve a palavra e a compreende. Esse dá fruto e produz ora cem, ora sessenta, ora trinta por um».



Segunda, 7: JESUS E A MULTIDÃO

Entro na meditação desta parábola com a minha imaginação. Vejo Jesus que sai de casa e vai sentar-se, tranquilamente, à beira-mar... para descansar, para rezar? Eis que a multidão se reúne à sua volta. Entro nos sentimentos de Jesus: parece que espera todas essas pessoas e não se esconde, mas, para que cada um o posso escutar, afasta-se um pouco e sobe para um barco. Imagino a cena (os lugares, as pessoas) e coloco-me no lugar que me parece mais adequado. Fala, Senhor, que o teu servo escuta.



Terça, 8: FALAR EM PARÁBOLAS

Jesus questiona-se... Quer pronunciar a mensagem que lhe queima os lábios e o coração. Quer interpelar cada um para o convidar à conversão. Deseja fazer-se compreender e levantar um pouco do véu para que cada um descubra quem ele é e de onde vem. Mas como começar e que imagem utilizar? Olha ao longe, nas margens do lago, os campos onde cresce o trigo... Esta parábola é para mim, hoje. Escuto Jesus a dirigir a mim pessoalmente, naquele lugar onde me instalei nesta cena. Fala, Senhor, que o teu servo escuta.



Quarta, 9: SAIU O SEMEADOR

O verbo «sair» ressoa duas vezes no início do relato, como se o evangelista quisesse atrair a nossa atenção para o facto de Jesus sair de casa e o semeador sair a semear serem a mesma e única pessoa. Sim, Jesus é aquele que «saiu» do seio do Pai para nos dar a conhecer o amor deste último. Deixo ecoar este verbo nos meus ouvidos. Deixo que atue em mim. O que é que Jesus me quer ensinar? Fala, Senhor, que o teu servo escuta.



Quinta, 10: AS SEMENTES

Quantas vezes ouvimos falar, no evangelho, da semente, do grão de trigo! A semente que é lançada de forma aleatória sem ter em conta o terreno onde cai, como o grão de trigo que tem de morrer para dar fruto (João 12, 24). Grão semente... Grão Palavra... O próprio Jesus saiu do Pai para ser dado, entregue, pisado! Hoje, somos convidados a acolher a Palavra, como um grão que cai no nosso coração, para que possa dar fruto em abundância na nossa vida. Fala, Senhor, que o teu servo escuta.



Sexta, 11: OS SÓIS ESTÉREIS

Atrás do seu aspeto interessante e imagético, as parábolas também têm um lado mais rugoso, para nos fazer «sair» do sono que nos envolve, da nossa cegueira ou da nossa ligeireza. Podemos recolher que há em nós algumas partes de terreno duro e estéril, onde a semente é comida pelas aves, queimada pelo sol do nosso orgulho ou sufocada pelos espinhos das nossas distrações. Peço a Jesus que me abra olhos para reconhecer essas situações; e rezo-lhe com São Bento, padroeiro da Europa, que hoje celebramos. Bento retirou-se para uma gruta, onde viveu sob o olhar de Deus e à escuta da sua palavra. Fala, Senhor, que o teu servo escuta.




Sábado, 12: SER BOA TERRA

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Domingo, 13: TER OUVIDOS PARA ESCUTAR

....



© www.versdimanche.com
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014

Rezar o domingo décimo quinto (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 7.7.14 | Sem comentários

Palavra para hoje: domingo décimo quarto


Nas primeiras expressões da Liturgia da Palavra, o profeta Zacarias interpela os «pobres de Javé», que estão prestes a receber um rei «justo e salvador, humildemente montado num jumentinho». Deixemo-nos convencer de que Deus nos convida à alegria de sermos salvos por um tal Salvador. Em duas frases, é o próprio que nos revela o seu mistério. Uma dirige-se ao Pai: «Eu Te bendigo, ó Pai, Senhor do céu e da terra». A outra é dirigida a cada um de nós: «Vinde a Mim, todos os que andais cansados». Todo o seu mistério está na conjugação destas duas frases. A Igreja tem a missão de o testemunhar, sem ceder à tentação do dinheiro, do poder, da preocupação em dominar ou de tudo o que a pode colocar «sob o domínio da carne».

Pergunta da semana: 

Alegro-me com a humildade e a simplicidade de vida?

Palavra de Deus - Lectio divina - imagem de fano
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 6.7.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO DÉCIMO QUARTO JÚNIOR

6 DE JULHO DE 2014


Zacarias 9, 9-10

Eis o que diz o Senhor: «Exulta de alegria, filha de Sião, solta brados de júbilo, filha de Jerusalém. Eis o teu Rei, justo e salvador, que vem ao teu encontro, humildemente montado num jumentinho, filho duma jumenta. Destruirá os carros de combate de Efraim e os cavalos de guerra de Jerusalém; e será quebrado o arco de guerra. Anunciará a paz às nações: o seu domínio irá de um mar ao outro mar e do Rio até aos confins da terra».



Filha de Sião


Sião não é um senhor velhinho com uma filha.
Não! Sião é o nome de uma colina:
a parte mais antiga de Jerusalém,
que é a cidade do Povo de Deus!
«Filha de Sião» significa povo de Jerusalém, isto é, Povo de Deus.


Jumentinho


Um jumento é um burro!
Os burrinhos são animais dóceis e muito resistentes,
que há milénios são usados pelos homens como companheiros de trabalho.
São conhecidos por serem muito teimosos.
Mas também são muito resistentes, fiéis
e têm uma ótima memória.

© Liturgia diária júnior
© Laboratório da fé, 2014
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor



Editora Paulus 2014



Além das explicações relativas às outras leituras do dia, 
neste domingo, a Liturgia diária júnior apresenta um desafio e um jogo.
Para assinar a revista podes entrar em contacto connosco ou visitar a página da Liturgia diária júnior.



O «Laboratório da fé»® e a editora Paulus estabeleceram uma parceria que permite a divulgação na nossa página — www.laboratoriodafe.net — de alguns conteúdos da revista «Liturgia diária júnior», propriedade da editora. A revista apresenta novidades de acordo com cada mês e tempo litúrgico, tendo como base a seguinte estrutura: Pequeno Missal (o ritual da missa); Liturgia dominical (todas as leituras e evangelho com comentários e explicações); Pequena escola da fé (uma breve catequese sobre temas relevantes da liturgia, da fé e da vida cristã); Suplemento para educadores (breves indicações destinadas aos pais, catequistas e educadores com sugestões de aprofundamento e de como utilizar melhor o conteúdo da revista).



Liturgia diária júnior

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 4.7.14 | Sem comentários

NÃO PODEMOS VIVER SEM O DOMINGO!


«Valorizar o domingo como centro de todo o ano litúrgico» — é o primeiro objetivo apresentado no programa pastoral (2013+14) da Arquidiocese de Braga. Com o intuito de «valorizar» o domingo, acompanhando os tempos litúrgicos, propomos um tema a partir da releitura da Carta Apostólica sobre a santificação do domingo — «O dia do Senhor» («Dies Domini»). Este itinerário tem como tema geral: «Não podemos viver sem o domingo!».

Domingo, DIA DA IGREJA

Texto de reflexão para o domingo décimo quarto

    34. [...] Cada comunidade, reunindo todos os seus membros para a «fração do pão», sente-se como um lugar privilegiado onde se realiza o mistério da Igreja.
    35. O «dies Domini» («dia do Senhor») é também o «dies Ecclesiae» («dia da Igreja»). Assim se compreende porque a dimensão comunitária da celebração dominical há de ser especialmente sublinhada, no plano pastoral. De entre as numerosas atividades que uma paróquia realiza, «nenhuma é tão vital ou formativa para a comunidade, como a celebração dominical do dia do Senhor e da sua Eucaristia». Neste sentido, o II Concílio do Vaticano chamou a atenção para a necessidade de trabalhar a fim de que «floresça o sentido da comunidade paroquial, especialmente na celebração comunitária da missa dominical». Na mesma linha, se colocam as orientações litúrgicas sucessivas, pedindo que, ao domingo e dias festivos, as celebrações eucarísticas, realizadas normalmente noutras igrejas e oratórios, sejam coordenadas com a celebração da igreja paroquial, precisamente para «fomentar o sentido da comunidade eclesial, que se alimenta e exprime especialmente na celebração comunitária do domingo, quer à volta do Bispo, sobretudo na Catedral, quer na assembleia paroquial, cujo pastor representa o Bispo».



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    Laboratório da fé celebrada, 2014
    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 4.7.14 | Sem comentários

    PREPARAR O DOMINGO DÉCIMO QUARTO

    6 DE JULHO DE 2014


    Zacarias 9, 9-10

    Eis o que diz o Senhor: «Exulta de alegria, filha de Sião, solta brados de júbilo, filha de Jerusalém. Eis o teu Rei, justo e salvador, que vem ao teu encontro, humildemente montado num jumentinho, filho duma jumenta. Destruirá os carros de combate de Efraim e os cavalos de guerra de Jerusalém; e será quebrado o arco de guerra. Anunciará a paz às nações: o seu domínio irá de um mar ao outro mar e do Rio até aos confins da terra».



    Eis o teu Rei, justo e salvador, que vem ao teu encontro


    O texto no seu contexto
    . Hoje, aceita-se que o texto profético que conhecemos como «Zacarias» é formados por dois livros: capítulos 1-8 e 9-14. Embora tenham elementos em comum, pois ambos são claramente do tempo pós-exílio, têm diferenças ao nível de conteúdo, estilo e vocabulário. O texto proposto para primeira leitura do décimo quarto domingo (Ano A) pertence ao segundo livro ou «Segundo Zacarias», mantendo o nome do profeta por falta de melhor alternativa. Para muitos comentadores situa-se no domínio grego da Palestina (finais do século IV e inícios do III antes de Cristo). Época onde as tradições antigas de Judá se desenvolve, crescem e adquirem novas perspetivas de futuro.

    O texto na história da salvação. Zacarias desenvolve duas tradições próprias de Judá: a centralidade de Sião/Jerusalém na salvação e a figura de um Messias que vem da parte de Deus. Contudo, introduz uma novidade: a chegada de um «rei». De que «rei» se trata? A experiência monárquica de Judá é ambígua. Todos têm a recordação do grande rei David; mas o último descendente carnal da «casa de David» tinha desaparecido com o exílio na Babilónia; além disso, a imagem dos reis assírios, babilónios e, ultimamente, dos reis gregos, os herdeiros dos generais de Alexandre Magno, era temida e detestada pela população. Zacarias surpreende com o seu anúncio: primeiro acrescenta um possessivo «eis o teu Rei»; depois, descreve-o não como um rei forte, violento e poderoso, rodeado de exércitos, com máquinas de guerra... O rei que chega é modesto, montado num jumentinho, quebra os arcos e traz a paz. O «Segundo Zacarias» recolhe e adapta a esperança que anuncia um Messias de paz.

    Palavra de Deus para nós: sentido e celebração litúrgica. Os textos bíblicos messiânicos trazem uma luz progressiva sobre o mistério de Cristo. Do primitivo messianismo real, à volta de uma linhagem biológica e de uma descendência submetida às misérias humanas (a casa de David), passar-se-á a um messianismo escatológico, anunciado por Deus como a sua intervenção definitiva para inaugurar o Reino da paz. No anúncio do Segundo Zacarias prefigura-se Jesus, Messias de paz.

    © Pedro Fraile Yécora, Homiletica
    © tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
    A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor

    Preparar o domingo décimo quarto (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 4.7.14 | Sem comentários

    Mistério da fé! [38]


    «Pela sua própria natureza, a instituição matrimonial e o amor conjugal estão ordenados à procriação e à educação dos filhos, que constituem o ponto alto da sua missão e a sua coroa» (Catecismo da Igreja Católica [CIC], 1652). O matrimónio é o sacramento da geração da vida. [Para ajudar a compreender melhor, ler: Génesis 1, 26-31; Catecismo da Igreja Católica, números 1652 a 1666]

    «Crescei e multiplicai-vos»

    — é o mandato confiado pelo Criador ao ser humano, segundo o relato do primeiro capítulo do livro do Génesis. Estamos no sexto dia da Criação. Deus decide criar um ser que seja sua «imagem e semelhança»: «Deus disse: ‘Façamos o ser humano à nossa imagem, à nossa semelhança’ [...]. Ele os criou homem e mulher» (versículos 26 e 27). Recordemos que «os primeiros capítulos do Génesis são uma meditação sapiencial sobre o ser humano nas suas três dimensões fundamentais: com Deus, com o mundo, com os seus semelhantes» (tema 37). Neste contexto, o homem e a mulher, iguais em dignidade, são chamados à fecundidade, à geração. «Com a criação do homem e da mulher à sua imagem e semelhança, Deus coroa e leva à perfeição a obra das suas mãos: Ele chama-os a uma participação especial do seu amor e do seu poder de Criador e de Pai, mediante uma cooperação livre e responsável deles na transmissão do dom da vida humana: ‘‘Deus abençoou-os e disse-lhes: ‘crescei e multiplicai-vos, enchei e dominai a terra’’’. Assim a tarefa fundamental da família é o serviço à vida. É realizar, através da história, a bênção originária do Criador, transmitindo a imagem divina pela geração de homem a homem (João Paulo II, Exortação Apostólica sobre a função da família cristã no mundo de hoje — «Familiares Consortio» [FC], 28).

    Família

    O Matrimónio é o sacramento da família. Esta tem o seu início na união entre o homem e a mulher e prolonga-se na geração e na educação dos filhos. «Os filhos são, sem dúvida, o maior dom do matrimónio e contribuem muito para o bem dos próprios pais» (Constituição Pastoral sobre a Igreja no mundo atual — «Gaudium et Spes» [GS], 50). Assim atestam os vários documentos da Igreja sobre o matrimónio e a família: «A fecundidade é o fruto e o sinal do amor conjugal, o testemunho vivo da plena doação recíproca dos esposos: ‘O autêntico culto do amor conjugal e toda a vida familiar que dele nasce, sem pôr de lado os outros fins do matrimónio, tendem a que os esposos, com fortaleza de ânimo, estejam dispostos a colaborar com o amor do Criador e Salvador, que por meio deles aumenta cada dia mais e enriquece a família’» (FC 28). Neste sentido, «a fecundidade é participação no mistério de Deus como fonte de vida em si mesmo e fora de si, no mistério do amor trinitário. Outrora, a fecundidade era uma bênção, mesmo económica. O sentido profundo é que o amor entre dois é princípio de vida nova, outra, de novo amor. O filho testemunha a fecundidade deste amor e exige, para viver e crescer bem, que continue aquele dom de si que está na sua origem. Um amor voluntariamente estéril não é verdadeiro amor; é, antes, um egoísmo a dois. E, contudo, a sociedade ocidental é cada vez mais estéril, tem cada vez mais medo de dar a vida. Neste contexto, é urgente descobrir o significado autêntico da procriação, e da paternidade e maternidade responsáveis» (Carlo Maria Martini, «O corpo», Paulinas, Prior Velho 2003, 68-69). Além disso, «a fecundidade do amor conjugal não se restringe somente à procriação dos filhos, mesmo que entendida na dimensão especificamente humana: alarga-se e enriquece-se com todos aqueles frutos da vida moral, espiritual e sobrenatural que o pai e a mãe são chamados a doar aos filhos e, através dos filhos, à Igreja e ao mundo» (João Paulo II, Exortação Apostólica sobre a função da família cristã no mundo de hoje — «Familiares Consortio», 28). Por outro lado, a Igreja não deixa de lembrar que o matrimónio não foi instituído apenas tendo em vista a geração dos filhos. «Os esposos a quem Deus não concedeu a graça de ter filhos podem, no entanto, ter uma vida conjugal cheia de sentido, humana e cristãmente falando. O seu Matrimónio pode ser foco duma fecundidade caritativa, de acolhimento e de sacrifício» (CIC 1654).

    A família manifesta-se plenamente na união matrimonial do homem e da mulher: o «eu» e o «tu» abrem-se à comunhão do «nós» que, em si, já constitui um núcleo familiar. «E por isso, mesmo que faltem os filhos, tantas vezes ardentemente desejados, o matrimónio conserva o seu valor e indissolubilidade, como comunidade e comunhão de toda a vida» (GS 50).






    Reflexões semanais sobre a «fé celebrada» (liturgia e Sacramentos) — Laboratório da fé, 2014
    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 3.7.14 | Sem comentários

    PREPARAR O DOMINGO DÉCIMO QUARTO


    O Deus de Jesus é o Deus dos simples e não dos «sábios e inteligentes». Não quer dizer que Deus Pai não ame todos os seus filhos e filhas, mas tem uma predileção especial pelos pequenos, os necessitados, os pobres... E não suporta os prepotentes, os poderosos, os que pensam que sabem tudo e têm respostas para tudo. Ora, isto é um motivo para dar graças, tal como o faz Jesus. Só os primeiros estão na disposição de reconhecer a revelação do Pai trazida por Jesus, só a eles o quer revelar.
    O seguimento de Jesus, ser seu discípulo/a supõe uma atitude de humildade, de simplicidade, também de indigência de meios. O que aparentemente possam parecer carências, na realidade, bem entendido, significa colocar-se nas mãos de Deus, confiar n'Ele. Não é uma negação do progresso necessário, mas confiar mais na providência divina e não desesperar quando não se consegue. Mais ainda, perceber como um dom de Deus a simplicidade e a pobreza de recursos.
    Na mesma linha de simplicidade está a seguinte afirmação de Jesus, no evangelho do décimo quarto domingo: «Vinde a Mim, todos os que andais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei». Nele encontramos o bálsamo que alivia, o descanso para os nossos cansaços, angústias, dificuldades...

    © Javier Velasco-Arias

    © La Biblia compartida — blogue de Javier Velasco-Arias y Quique Fernández
    © tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
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    Preparar o domingo décimo quarto (Ano A), no Laboratório da fé, 2014



    La biblia compartida — www.laboratoriodafe.net


    Javier Velasco-Arias, nasceu no ano de 1956, em Medina del Campo (Espanha); atualmente, vive em Barcelona (desde os onze anos de idade). É biblista, professor de Sagrada Escritura no «Instituto Superior de Ciências Religiosas de Barcelona» e no «Centro de Estudos Pastorais» das dioceses da Catalunha. É responsável e membro de várias associações bíblicas, em Espanha. Na área bíblica, é autor de diversas publicações, além de artigos de temas bíblicos em revistas especializadas e na internet.
    Outros artigos publicados no Laboratório da fé


    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 2.7.14 | Sem comentários

    PREPARAR O DOMINGO DÉCIMO QUARTO

    6 DE JULHO DE 2014


    Zacarias 9, 9-10

    Eis o que diz o Senhor: «Exulta de alegria, filha de Sião, solta brados de júbilo, filha de Jerusalém. Eis o teu Rei, justo e salvador, que vem ao teu encontro, humildemente montado num jumentinho, filho duma jumenta. Destruirá os carros de combate de Efraim e os cavalos de guerra de Jerusalém; e será quebrado o arco de guerra. Anunciará a paz às nações: o seu domínio irá de um mar ao outro mar e do Rio até aos confins da terra».



    Eis o teu Rei, justo e salvador, que vem ao teu encontro


    Zacarias é o penúltimo livro da coleção dos doze profetas menores. Agrupa mensagens proféticas pronunciados em épocas diversas. Os fragmentos propostos na primeira leitura do décimo quarto domingo (Ano A) são provavelmente do princípio do século III antes de Cristo, quando os gregos já tinham chegado à Palestina. O profeta fala a Jerusalém e anuncia a restauração do reino de Deus, que começa com o regresso do rei vitorioso. A alegria é imensa. É um rei justo, humilde e pacífico. Este aspeto é fundamental e manifesta-se na cavalgadura. É um jumentinho, um animal humilde, como o que usam os camponeses, em vivo contraste com o arrogante cavalo que é montado pelos militares. Dominará sobre Israel — o antigo reino do norte, no texto chamado Efraim — e Judá — designado pelo nome da capital, Jerusalém — e o seu território se estenderá do mar Morto ao Mediterrâneo, do Eufrates (o Rio) até à torrente do Egito («confins da terra»), dimensão ideal do reino de Israel no tempo de Salomão (1Reis 5, 1.4; Salmo 72, 8). A paz, dom messiânico por excelência — recordemos o poema de Isaías 9, 5, no qual o menino messiânico recebe o título de «príncipe da paz», e Isaías 11, 6, onde os animais que foram sempre inimigos hão de conviver pacificamente guiados por uma criança —, reinará em todo o seu território.

    © Joan Ferrer, Misa dominical
    © tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
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    Preparar o domingo décimo quarto (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 2.7.14 | Sem comentários

    PREPARAR O DOMINGO DÉCIMO QUARTO

    6 DE JULHO DE 2014


    Evangelho segundo Mateus 11, 25-30

    Naquele tempo, Jesus exclamou: «Eu Te bendigo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas verdades aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, Eu Te bendigo, porque assim foi do teu agrado. Tudo Me foi dado por meu Pai. Ninguém conhece o Filho senão o Pai e ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar. Vinde a Mim, todos os que andais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e a minha carga é leve».



    O cansaço do desamor


    O Coração de Jesus é o lugar do nosso repouso, sossego para as nossas angústias e consolo nos momentos mais duros. Este descanso não nos paralisa, antes dinamiza a nossa entrega. Não é descanso do que foge às responsabilidades e trabalhos. É descanso para centrar a vida e sentir as mãos que nos acolhem. A situação mais grave que podemos atravessar é a de renunciar a amar por cansaço. Cansados de sermos feridos, de críticas amargas, de diferenças irreconciliáveis, talvez pensemos que o jugo é uma carga demasiado pesada para nós. 
    O combate da fé leva-nos a amar sem descanso, procurando descobrir os mistérios do Reino revelados aos simples. Tratemos de carregar o jugo com humildade, para acolher os companheiro do caminho como amigos, sem pensar que somos sábios e inteligentes, confiando que o Espírito está presente antes de nós chegarmos.

    © Kamiano
    © desenho de Patxi Velasco Fano — texto de Fernando Cordero
    © tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
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    Preparar o domingo décimo quarto (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 2.7.14 | Sem comentários
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