NÃO PODEMOS VIVER SEM O DOMINGO!


«Valorizar o domingo como centro de todo o ano litúrgico» — é o primeiro objetivo apresentado no programa pastoral (2013+14) da Arquidiocese de Braga. Com o intuito de «valorizar» o domingo, acompanhando os tempos litúrgicos, propomos um tema a partir da releitura da Carta Apostólica sobre a santificação do domingo — «O dia do Senhor» («Dies Domini»). Este itinerário tem como tema geral: «Não podemos viver sem o domingo!».

Domingo, DIA DA IGREJA

Texto de reflexão para o domingo da santíssima trindade

    36. A assembleia dominical é lugar privilegiado de unidade: ali, com efeito, se celebra o «sacramento da unidade», que caracteriza profundamente a Igreja, povo reunido «pela» e «na» unidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Nela, as famílias cristãs dão vida a uma das expressões mais qualificadas da sua identidade e «ministério» de «igreja doméstica», quando os pais tomam parte com os seus filhos na única mesa da Palavra e do Pão de vida. Convém lembrar, a este respeito, que compete primariamente aos pais educar os seus filhos para a participação na Missa dominical, ajudados pelos catequistas, que devem preocupar-se de inserir no caminho de formação das crianças que lhes estão confiadas a iniciação à Missa, ilustrando o motivo profundo da obrigatoriedade do preceito. Para isso contribuirá também, sempre que as circunstâncias o aconselharem, a celebração de Missas para crianças, conforme as várias modalidades previstas pelas normas litúrgicas. Sendo a paróquia uma «comunidade eucarística», é normal que se juntem, nas Missas dominicais, os grupos, os movimentos, as associações e as comunidades religiosas menores que a integram. [...] É por isso que ao domingo, dia da assembleia, não se deve encorajar as Missas dos pequenos grupos.



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    Laboratório da fé celebrada, 2014
    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 13.6.14 | Sem comentários

    Mistério da fé! [35]


    O Sacramento da Ordem associa a si aspetos que devem ser tidos em conta, na preparação, na celebração e até depois da celebração. Quem, como, quando e onde — são questões que sintetizam alguns desses pontos. [Para ajudar a compreender melhor, ler: João 15, 9-17; Catecismo da Igreja Católica (CIC), números 1572 a 1580]

    «Fui eu que vos escolhi e vos destinei a ir e a dar fruto»

    — proclama Jesus Cristo de acordo com o relato do evangelho segundo João. Estas palavras são proferidas no contexto da Última Ceia, no chamado «discurso da despedida». A iniciativa do discipulado parte do próprio Jesus Cristo. Os discípulos foram escolhidos para dar fruto, para dar testemunho da sua fé, mediante as obras do amor fraterno. Esta é a sua missão. No contexto deste tema, esta é a missão daqueles que são chamados para o ministério episcopal, presbiteral ou diaconal.

    Quem pode ser admitido ao Sacramento da Ordem?

    «É admitido à Ordem do Diaconado, do Presbiterado e do Episcopado qualquer homem batizado e católico que a Igreja chamar a esse ministério» (Catecismo Jovem da Igreja Católica [YOUCAT], 256). Por isso, «ninguém tem direito a receber o sacramento da Ordem. Com efeito, ninguém pode arrogar-se tal encargo. É-se chamado a ele por Deus. Aquele que julga reconhecer em si sinais do chamamento divino ao ministério ordenado, deve submeter humildemente o seu desejo à autoridade da Igreja, à qual incumbe a responsabilidade e o direito de chamar alguém para receber as Ordens. Como toda e qualquer graça, este sacramento só pode ser recebido como um dom imerecido» (CIC 1578).

    Quem pode presidir ao Sacramento da Ordem?

    «Pertence aos bispos o direito de conferir o sacramento da Ordem nos seus três graus» (CIC 1600).

    Como se celebra o Sacramento da Ordem?

    «O rito essencial do sacramento da Ordem é constituído, para os três graus, pela imposição das mãos, por parte do bispo, sobre a cabeça do ordinando, bem como pela oração consecratória específica, que pede a Deus a efusão do Espírito Santo e dos seus dons apropriados ao ministério para que é ordenado o candidato» (CIC 1573). O rito da ordenação do bispo, do presbítero ou do diácono foi sendo estruturado ao longo dos tempos com a introdução de elementos e textos, como aconteceu com todos os rituais sacramentais. Atualmente, como já referimos noutros sacramentos, existem algumas diferenças rituais e normativas entre o rito oriental (grego) e o rito ocidental (latino). «No Ritual, depois da Liturgia da Palavra, há, antes de mais, toda uma série de gestos simbólicos preparatórios, como o chamamento e apresentação dos candidatos, a homilia, as promessas dos eleitos, a ladainha da comunidade orando por eles; vem então o gesto central e a oração consecratória; e, depois, uns ritos que explicitam algum dos aspetos do sacramento recebido, diversos segundo a diversidade de ordens, com unções, imposição do livro dos Evangelhos sobre a cabeça do Bispo, entrega de instrumentos, insígnias e vestes distintivas, gestos que ilustram o ministério que tem de exercer em favor da comunidade» (José Aldazábal, «Dicionário Elementar de Liturgia», ed. Paulinas, Prior Velho, 2007, 211).

    Quando se pode celebrar o Sacramento da Ordem?

    Sempre e apenas quando estiverem reunidas as condições determinadas pela Igreja Católica. Além do que já se explicitou nas respostas anteriores (cf. também os temas 33 e 34), para conhecer e/ou aprofundar as normas próprias de cada «grau» recomenda-se a consulta do Código de Direito Canónico [versão em língua portuguesa disponível na internet: http://bit.ly/18Dxmwl].

    Onde se pode celebrar o Sacramento da Ordem?

    «A celebração da ordenação dum bispo, de presbíteros ou de diáconos, dada a sua importância na vida duma Igreja particular, requer o concurso do maior número possível de fiéis. Terá lugar, de preferência, ao domingo e na Sé catedral, com solenidade adequada à circunstância. As três ordenações – do bispo, do presbítero e do diácono – seguem o mesmo esquema. O lugar próprio de sua celebração é dentro da liturgia eucarística» (CIC 1572). Compete ao Bispo decidir sobre o local mais oportuno para a celebração, conforme as circunstâncias.

    «Uma iniciativa que o Senhor toma. É o Senhor que chama. [...] Talvez aqui haja alguns jovens que sentiram no seu coração este apelo [...]. Se algum de vós sentiu isto no seu coração, foi Jesus que o pôs ali. Esmerai-vos por este convite e rezai a fim de que ele prospere e dê frutos na Igreja inteira» (Francisco, Audiência Geral de 26 de março de 2014).






    Reflexões semanais sobre a «fé celebrada» (liturgia e Sacramentos) — Laboratório da fé, 2014
    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 12.6.14 | Sem comentários

    ANO CRISTÃO


    A Editora Paulus traduziu e publicou (em 2010) uma obra italiana com comentários aos textos bíblicos proclamados nas celebrações eucarísticas. No volume dedicado às primeiras semanas do Tempo Comum («Leccionário Comentado. Regenerados pela Palavra de Deus. Volume 1: Tempo Comum. Semanas I-XVII» — organização de Giuseppe Casarin) faz uma breve apresentação das primeiras semanas do «Tempo Comum» e dos textos bíblicos propostos na LiturgiaA coleção está estruturada à maneira da «lectio divina», acompanhando progressivamente todo o ano litúrgico nos seus tempos fortes, nas suas festas mas também nos dias feriais, todas as vezes que a comunidade cristã é convocada para celebrar a Cristo presente na Palavra e no Pão eucarístico.

    Dentro do Tempo Comum estão colocadas algumas solenidades do Senhor: Santíssima Trindade; Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo; Sagrado Coração de Jesus; Cristo Rei do Universo; e quatro solenidades da Virgem Maria e dos santos: Assunção da Virgem Santa Maria; Nascimento de São João Batista; São Pedro e São Paulo; Todos os Santos. A elas devem acrescentar-se as festas do Senhor que, se ocorrerem num domingo, têm a primazia sobre os domingos do Tempo Comum. São elas: a Apresentação do Senhor; a Exaltação da Santa Cruz; a Dedicação da Basílica de Latrão.
    Deve ainda realçar-se, como ponto negativo, que com as celebrações dessas solenidades e festas em dia de domingo, é interrompida a leitura continuada do Evangelho, para extrair dele um texto que serve para evidenciar o mistério (no melhor dos casos) ou o tema celebrado.
    A propósito da celebração de solenidades e festas, que não pertencem aos grandes ciclos do Ano Litúrgico, deve ainda ter-se presente aquilo que é o objeto próprio da celebração litúrgica. A liturgia não celebra ideias, verdades dogmáticas, temas teológi­cos, devoções particulares, mas celebra acontecimentos salvíficos verificados na História. Recorda algo que aconteceu na História da Salvação, de modo que a salvação presente no acontecimento celebrado possa marcar a assembleia celebrante. Compreende-se assim que certas festas que apareceram na Idade Média, tempo em que não se tinha uma consciência do domingo enquanto dia do Senhor, correm o risco de não estar em uníssono com uma ce­lebração litúrgica correta, de serem vividas não como celebração de um acontecimento salvífico, mas antes de uma ideia, de uma verdade de fé ou de uma devoção.
    Como exemplo típico pode citar-se a Festa do «Corpus Domini» [Corpo de Deus] que se desenvolveu no século XIII, a partir da devoção à Sagrada Eucaristia independentemente da celebração. Quer celebrar-se uma verdade: a presença do Senhor Jesus Cristo na Hóstia consa­grada. No entanto, estamos bem longe daquilo que é celebrado na Quinta-Feira Santa, onde a atenção não é colocada numa verdade, mas naquilo que Jesus fez na Última Ceia. Ora, é preciso colocar a atenção não apenas na «presença real»; os textos do Lecionário podem ajudar muito neste ponto.
    Sabendo que o Ano Litúrgico é antes de mais a celebração do mistério de Cristo, assinalado pelo domingo, no interior dele po­dem encontrar lugar também as festas dos santos, enquanto eles realizaram nas suas vidas o mistério pascal. São aqueles que so­freram com Cristo e com Ele são glorificados. Porém, é preciso recordar também que as festas dos santos não devem «prevalecer sobre as festas que recordam os mistérios da Salvação» (SC [Constituição Dogmática sobre a Sagrada Liturgia — «Sacrosanctum Concilium»] 111). Isto vale, de igual forma, para outras festas.
    De entre os muitos tem um lugar preeminente a Virgem Maria, Mãe de Jesus, como afirma SC 103: «Na celebração deste ciclo anual dos mistérios de Cristo, a santa Igreja venera com especial amor a bem-aventurada Virgem Maria, Mãe de Deus, em quem vê e exalta o mais excelso fruto da Redenção». Se a celebração litúrgica é celebração da obra salvífica de Cristo, Aquela que esteve indissoluvelmente unida a essa obra não poderá deixar de ser objeto da sua celebração.

    © Mario Chesi | Editora Paulus
    © Adaptação de Laboratório da fé, 2014
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    Laboratório da fé celebrada, 2014
    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 9.6.14 | Sem comentários

    Palavra para hoje: oitavo domingo de páscoa – pentecostes


    Jesus Cristo torna-nos participantes na sua experiência de comunhão com o Pai. Por entre as suas mãos, oferece o seu sopro. Comunica-o aos Apóstolos, para os fazer participantes da sua missão: não para reconduzir a humanidade à integridade das «origens», mas para fazer ecoar em cada filho a voz do Espírito que diz: «Pai»! Assim, no Pentecostes, a Igreja nasce pelo sopro do Espírito Santo. Ela congrega os seres humanos de todas as línguas! Que a Igreja nunca deixe de ir pelo mundo a anunciar as maravilhas de Deus. Que seja humilde, fraterna, próxima de todas, testemunha do amor. Que esteja atenta às aspirações de todos os homens e mulheres, com o desejo ardente de lhes comunicar a alegria que recebeu de Jesus Cristo.

    Pergunta da semana: 

    Como posso sentir a presença do Espírito Santo?

    Palavra de Deus - Lectio divina - imagem de fano
    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 8.6.14 | Sem comentários

    PREPARAR O DOMINGO OITAVO DE PÁSCOA — PENTECOSTES


    Tanto o livro dos Atos dos Apóstolos (primeira leitura) como o evangelho do oitavo domingo de Páscoa (Ano A) mostram-nos a primeira comunidade de seguidores de Jesus como um grupo e gente com medo: fechados e temerosos. Um acontecimento novo vai mudar essencialmente a situação. A vinda do Espírito Santo converterá o medo em paz, em alegria, em generosidade no perdão, em ousadia na pregação, na utilização de uma linguagem compreendida por todos... É a resposta de Jesus à sua promessa de nunca nos deixar sozinhos.
    Pentecostes é um grito de esperança, de unidade, de audácia sadia. O Espírito reparte os seus dons — também hoje — para o bem comum: da comunidade eclesial e da sociedade em geral (segunda leitura). Todos e cada um/a somos chamados a participar deste festival do Espírito.
    Não podemos ignorar este chamamento pessoal e, sobretudo, eclesial de colocar todos os nossos dons — pelo facto de ser dons, recebidos — a trabalhar, abandonando medos que já não fazem sentido. O Evangelho de Jesus é «Boa Nova» para a Humanidade, para todos. A sua mensagem, a sua maneira de entender as relações humanas e a relação com Deus é o melhor que o mundo pode imaginar. E não estamos sozinhos nesta tarefa.

    © Javier Velasco-Arias

    © La Biblia compartida — blogue de Javier Velasco-Arias y Quique Fernández
    © tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
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    Preparar o domingo oitavo de Páscoa - Pentecostes (Ano A), no Laboratório da fé, 2014



    La biblia compartida — www.laboratoriodafe.net


    Javier Velasco-Arias, nasceu no ano de 1956, em Medina del Campo (Espanha); atualmente, vive em Barcelona (desde os onze anos de idade). É biblista, professor de Sagrada Escritura no «Instituto Superior de Ciências Religiosas de Barcelona» e no «Centro de Estudos Pastorais» das dioceses da Catalunha. É responsável e membro de várias associações bíblicas, em Espanha. Na área bíblica, é autor de diversas publicações, além de artigos de temas bíblicos em revistas especializadas e na internet.
    Outros artigos publicados no Laboratório da fé


    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 7.6.14 | Sem comentários

    PREPARAR O DOMINGO OITAVO DE PÁSCOA — PENTECOSTES

    8 DE JUNHO DE 2014


    Atos dos Apóstolos 2, 1-11

    Quando chegou o dia de Pentecostes, os Apóstolos estavam todos reunidos no mesmo lugar. Subitamente, fez-se ouvir, vindo do Céu, um rumor semelhante a forte rajada de vento, que encheu toda a casa onde se encontravam. Viram então aparecer uma espécie de línguas de fogo, que se iam dividindo, e poisou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que se exprimissem. Residiam em Jerusalém judeus piedosos, procedentes de todas as nações que há debaixo do céu. Ao ouvir aquele ruído, a multidão reuniu-se e ficou muito admirada, pois cada qual os ouvia falar na sua própria língua. Atónitos e maravilhados, diziam: «Não são todos galileus os que estão a falar? Então, como é que os ouve cada um de nós falar na sua própria língua? Partos, medos, elamitas, habitantes da Mesopotâmia, da Judeia e da Capadócia, do Ponto e da Ásia, da Frígia e da Panfília, do Egipto e das regiões da Líbia, vizinha de Cirene, colonos de Roma, tanto judeus como prosélitos, cretenses e árabes, ouvimo-los proclamar nas nossas línguas as maravilhas de Deus».



    Pentecostes é comunhão


    O texto no seu contexto
    . Do ponto de vista fenomenológico (História das Religiões), Pentecostes é uma festa judaica e cristã. Em ambos os casos te que ver com «cinquenta dias» (é o que significa Pentecostes em grego). Para os judeus, é a festa das colheitas no início do verão; para os cristãos, marca o dom do Espírito Santo culminando a presença de Jesus entre nós depois das suas aparições pascais. Do ponto de vista da expansão da Igreja, Pentecostes é o início da missão do cristianismo por toda a costa mediterrânea. Os judeus que tinham ido a Jerusalém por causa de uma das três festas de peregrinação (Páscoa, Pentecostes e Tendas) voltam aos seus lugares de origem (multidão de povos e regiões); muitos deles comunicam as novidades de Jerusalém: o acontecimento cristão, a Páscoa e o dom do Espírito.

    O texto na história da salvação. Do ponto de vista da Bíblia, tomada a Escritura como uma só Aliança, a única que Deus faz com o ser humano, Pentecostes supõe a oposição a Babel. Em Babel, o pecado provoca a dispersão dos povos (diversidade de línguas); no Pentecostes, o Espírito convoca, congrega, une (apesar de serem de povos distintos, todos se entendem). Pentecostes é comunhão; Babel é desunião. Pentecostes é falar a língua do amor; Babel é falar a língua da oposição. Pentecostes é a unidade na diversidade; Babel é a oposição que leva à rutura. A Igreja só pode buscar um novo Pentecostes; nunca uma nova Babel.

    Palavra de Deus para nós: sentido e celebração litúrgica. Pentecostes é final de uma etapa e início de outra. Jesus prometeu o seu Espírito; a Igreja acolhe-o e celebra-o. A Igreja começa um novo caminho de evangelização e de presença no meio das pessoas, movida não pelo espírito da concorrência, da oposição e da subjugação, mas sob o espírito do diálogo, da comunhão e e da escuta do Espírito Santo.

    © Pedro Fraile Yécora, Homiletica
    © tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
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    Preparar o domingo oitavo de Páscoa - Pentecostes (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 7.6.14 | Sem comentários

    PREPARAR O DOMINGO OITAVO DE PÁSCOA — PENTECOSTES

    8 DE JUNHO DE 2014


    Evangelho segundo João 20, 19-23

    Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, apresentou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco». Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor. Jesus disse-lhes de novo: «A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós». Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos».



    Por todo o mundo


    O Senhor Ressuscitado faz com que não tenhamos medo e que vivamos com alegria o nosso ser cristãos, suas testemunhas por todo o mundo. «Recebei o Espírito Santo». Recebei o Espírito para voar, para sonhar, para transformar, para colorir a vida e ensinar a olhar com os olhos do Ressuscitado.
    Uma Igreja alegre, animada pelo ar do Espírito, que nos empurra, que nos leva daqui para ali, não nos deixa estáticos, mas num contínuo dinamismo. Uma Igreja que é a família dos que partilham a fé no Ressuscitado.
    Uma Igreja que não se fixa nos critérios do mundo, da terra, mas que é Igreja que se «eleva» sobre os interesses e as limitações humanas. Ao mesmo tempo, é uma Igreja incarnada e solidária com os que mais sofrem, mas levada pelas asas do Espírito. Uma Igreja no Norte e no Sul, no campo e na cidade, que não fica parada perante os que pedem auxílio afogados pelas diferenças e pelas injustiças, seguindo o exemplo daquele que foi trespassado pelo amor e nos continua a enviar a tantos trespassados da nossa terra.
    Envia-nos o teu Espírito, para não nos esquecermos dos pobres e dos humildes, daqueles que levam no seu coração o selo do teu amor.

    © Kamiano
    © desenho de Patxi Velasco Fano — texto de Fernando Cordero
    © tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
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    Preparar o domingo oitavo de Páscoa - Pentecostes (Ano A), no Laboratório da fé, 2014


    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 7.6.14 | Sem comentários

    PREPARAR O DOMINGO OITAVO DE PÁSCOA — PENTECOSTES

    8 DE JUNHO DE 2014


    Atos dos Apóstolos 2, 1-11

    Quando chegou o dia de Pentecostes, os Apóstolos estavam todos reunidos no mesmo lugar. Subitamente, fez-se ouvir, vindo do Céu, um rumor semelhante a forte rajada de vento, que encheu toda a casa onde se encontravam. Viram então aparecer uma espécie de línguas de fogo, que se iam dividindo, e poisou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que se exprimissem. Residiam em Jerusalém judeus piedosos, procedentes de todas as nações que há debaixo do céu. Ao ouvir aquele ruído, a multidão reuniu-se e ficou muito admirada, pois cada qual os ouvia falar na sua própria língua. Atónitos e maravilhados, diziam: «Não são todos galileus os que estão a falar? Então, como é que os ouve cada um de nós falar na sua própria língua? Partos, medos, elamitas, habitantes da Mesopotâmia, da Judeia e da Capadócia, do Ponto e da Ásia, da Frígia e da Panfília, do Egipto e das regiões da Líbia, vizinha de Cirene, colonos de Roma, tanto judeus como prosélitos, cretenses e árabes, ouvimo-los proclamar nas nossas línguas as maravilhas de Deus».



    Ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar outras línguas


    Estamos perante a narração de uma vida nova: imprevista, surpreendente e irresistível. A história explica-a destacando que se trata de uma realidade prodigiosa: um ruído do céu como um vento impetuoso, um fogo que desce do céu, uma linguagem transformada...
    Não é acidental que o nascimento da Igreja, essa grande colheita de pessoas, aconteça nesta data. No Antigo Testamento, Pentecostes assinalava o final das colheitas da primavera. Os israelitas fiéis louvavam a Deus e pediam-lhe a sua graça e generosidade.
    Na ascensão de Jesus promete-se por duas vezes a vinda do Espírito. Aqui esta promessa chega ao cumprimento de uma maneira que supera as expectativas dos discípulos mais fiéis. Pentecostes é vida nova para a Igreja e para as pessoas que a formam, através do Espírito de Deus.
    Ninguém é excluído desta mostra da graça de Deus. Na Transfiguração, por exemplo, só um pequeno grupo tinha sido testemunha da manifestação de Deus, mas aqui ninguém fica à margem. E um momento mais tarde, a multidão «ficou muito admirada, pois cada qual os ouvia falar na sua própria língua»; eram pessoas provenientes de todo o mundo da diáspora greco-romana. O que acontece durante o Pentecostes não é uma experiência mística interior, mas uma manifestação do poder de Deus que toca cada pessoa que está presente.

    © Joan Ferrer, Misa dominical
    © tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
    A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor

    Preparar o domingo oitavo de Páscoa - Pentecostes (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 7.6.14 | Sem comentários

    NÃO PODEMOS VIVER SEM O DOMINGO!


    «Valorizar o domingo como centro de todo o ano litúrgico» — é o primeiro objetivo apresentado no programa pastoral (2013+14) da Arquidiocese de Braga. Com o intuito de «valorizar» o domingo, acompanhando os tempos litúrgicos, propomos um tema a partir da releitura da Carta Apostólica sobre a santificação do domingo — «O dia do Senhor» («Dies Domini»). Este itinerário tem como tema geral: «Não podemos viver sem o domingo!».

    Domingo, DIA DA RESSURREIÇÃO

    Texto de reflexão para o oitavo domingo de páscoa – pentecostes

      28. O domingo poderia chamar-se também, com referência ao Espírito Santo, dia do «fogo». A luz de Cristo, de facto, liga-se intimamente com o «fogo» do Espírito, e ambas as imagens indicam o sentido do domingo cristão. Mostrando-Se aos Apóstolos no entardecer do dia de Páscoa, Jesus soprou sobre eles e disse: «Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhe-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos». A efusão do Espírito foi o grande dom do Ressuscitado aos seus discípulos no domingo de Páscoa. Era também domingo, quando, cinquenta dias após a ressurreição, o Espírito desceu como «vento impetuoso» e «fogo» sobre os Apóstolos reunidos com Maria. O Pentecostes não é só um acontecimento das origens, mas um mistério que anima perenemente a Igreja. Se tal acontecimento tem o seu tempo litúrgico forte na celebração anual com que se encerra o «grande domingo», ele permanece também inscrito, precisamente pela sua íntima ligação com o mistério pascal, no sentido profundo de cada domingo. A «Páscoa da semana» torna-se assim, de certa forma, «Pentecostes da semana», no qual os cristãos revivem a experiência feliz do encontro dos Apóstolos com o Ressuscitado, deixando-se vivificar pelo sopro do seu Espírito.



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      Laboratório da fé celebrada, 2014
      Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 6.6.14 | Sem comentários

      Mistério da fé! [34]


      «Desde as origens, o ministério ordenado fui conferido e exercido em três graus: o dos bispos, o dos presbíteros e o dos diáconos» (Catecismo da Igreja Católica [CIC], 1593). Neste tema, vamos explicitar cada um dos «graus» do Sacramento da Ordem: bispo (episcopado), presbítero (presbiterado) e diácono (diaconado). [Para ajudar a compreender melhor, ler: Tito 1, 5-9; Catecismo da Igreja Católica, números 1554 a 1571]

      «Colocares presbíteros em cada cidade»

      — escreve Paulo na Carta a Tito, ao referir a necessidade de organizar as comunidades. Nos primeiros anos, «parece não existir ainda uma distinção clara entre as ordens de ministério» (Bíblia Sagrada, Nota ao versículo 5 da Carta a Tito, Difusora Bíblica, 1966). Mas as referências que surgem em vários textos do Novo Testamento permitem delinear as bases do que serão os três «graus» do Sacramento da Ordem.

      Bispos

      «A palavra ‘bispo’ vem do grego, ‘epi’ (sobre), e ‘skopos’, ‘skopein’ (vigiar, inspecionar): significaria, portanto, etimologicamente, guardião, inspetor. Nas primeiras comunidades paulinas, são assim denominados, quer Timóteo quer Tito (cf. 1Timóteo 3, 1-7; Tito 1, 7-9). Os bispos, sucessores dos Apóstolos, foram constituídos como princípios de fé e unidade na comunidade diocesana, como sacramentos visíveis da presença de Jesus Cristo no meio do seu povo» (José Aldazábal, «Dicionário Elementar de Liturgia» [DEL], ed. Paulinas, Prior Velho, 2007, 54). A Constituição Dogmática sobre a Igreja («Lumen Gentium» [LG]), dedica o terceiro capítulo ao Sacramento da Ordem, tendo por base a figura do bispo. Este é apresentado como «sucessor dos Apóstolos» (LG 20) para ensinar (LG 25), santificar (LG 26) e governar (LG 27). A ordenação episcopal é a «plenitude do Sacramento da Ordem» (LG 21).

      Presbíteros

      «‘Presbítero’ vem do grego, ‘presbyter’, que significa ‘ancião’, e se relaciona com o nome dado, pelos primeiros cristãos, aos encarregados da comunidade. Os presbíteros são ordenados como colaboradores dos bispos» (DEL 237-238). As comunidades cristãs («Igrejas») eram constituídas por pequenos grupos, núcleos familiares, que se reuniam nas próprias casas para celebrar a «fração do pão» (eucaristia). «No século II, surgiu uma estrutura ministerial em que um ‘episkopos’ ou supervisor era ordenado para servir como líder de cada comunidade e para presidir à sua vida de oração. Era assistido por presbíteros ou anciãos, e por diáconos. Quando o Cristianismo passou a ser a religião oficial do Império Romano, tudo isto mudou, necessariamente. As comunidades cristãs passaram a ser maiores, sendo organizadas à escala dos territórios do império: em dioceses, regiões metropolitanas e províncias. Já não era possível ao ‘episkopos’, ou bispo, reunir todos os cristãos da Igreja local debaixo do mesmo teto para uma única celebração, nem sequer na basílica local, o maior edifício público disponível. Em breve tampouco lhe era possível visitar todas as comunidades da sua diocese. Em vez disso, delegava presbíteros para celebrar os sacramentos, como seus representantes, nas paróquias recém-organizadas» (Catherine E. Clifford e Richard R. Gaillardetz, «As ‘chaves’ do Concílio», Paulinas Editora, Prior Velho, 2012, 179-180).

      Diáconos

      «Em grego, significa ‘servidor’. [...] Nos textos do Novo Testamento e dos primeiros séculos já são mencionados os diáconos, entre os pastores da comunidade cristã, colaborando com os bispos e presbíteros. [...] O II Concílio do Vaticano restabeleceu o diaconado ‘como grau próprio ou permanente’, no ministério eclesial, distinto do que se recebe como primeiro degrau para o sacerdócio. O diaconado permanente, que se tinha perdido por volta do século IX, e que agora se restabeleceu, podem-no receber também os casados. [...] Os campos do serviço diaconal, na comunidade cristã: a) a liturgia, na qual assistem ao presbítero ou ao bispo na proclamação do Evangelho, na distribuição da Eucaristia e na direção da oração comunitária; podem presidir ao sacramento do Batismo e assistir e abençoar o Matrimónio; b) a Palavra, que proclamam e às vezes comentam na homilia, sendo também os coordenadores da catequese e da evangelização; c) a caridade, cuidando da beneficência e da administração comunitária» (DEL 97-98).

      «O bispo, o presbítero e o diácono devem apascentar a grei do Senhor com amor. Se não o fizerem com amor é inútil. E neste sentido, os ministros que são escolhidos e consagrados para este serviço prolongam no tempo a presença de Jesus, se o fizerem com o poder do Espírito Santo, em nome de Deus e com amor» (Francisco, Audiência Geral de 26 de março de 2014).






      Reflexões semanais sobre a «fé celebrada» (liturgia e Sacramentos) — Laboratório da fé, 2014
      Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 5.6.14 | Sem comentários

      REZAR O DOMINGO OITAVO DE PÁSCOA – PENTECOSTES

      8 DE JUNHO DE 2014


      Evangelho segundo João 20, 19-23

      Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, apresentou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco». Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor. Jesus disse-lhes de novo: «A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós». Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos».



      Segunda, 2: MEDOS A OFERECER

      ...



      Terça, 3: PAZ OFERECIDA

      ....



      Quarta, 4: VIDA OFERECIDA

      ....



      Quinta, 5: PAZ OFERECIDA (BIS)

      «Jesus disse-lhes de novo: 'A paz esteja convosco'». Eu também preciso de escutar de novo esta saudação; e preciso de escutá-la diariamente. Diante dos perigos da vida, dos conflitos que surgem ou por causa da fadiga, perde-se facilmente a paz do coração. Mas esta segunda vez, a paz oferecida está unida a um envio em missão. E Jesus recorda que os envia porque também foi enviado pelo Pai. Ora, a paz vem do Pai. Por isso, hoje peço ao Pai para receber a sua paz e para a partilhar com as pessoas que vou encontrar ao longo deste dia.



      Sexta, 6: ESPÍRITO SANTO OFERECIDO

      No dia da Ressurreição, os discípulos fazem uma experiência plenamente trinitária: o próprio Jesus vem ao encontro deles, envia-os em nome do Pai e dá-lhes o Espírito Santo. Jesus nunca age sozinho: introduz os discípulos na sua própria experiência no coração da Trindade. Como é que eu acolho esta realidade trinitária na minha vida? Peço ao Espírito que me conduza nos encontros e nas atividades deste dia.



      Sábado, 7: PERDÃO OFERECIDO

      Jesus entrega uma grande responsabilidade aos discípulos: «àqueles a quem perdoardes os pecados...; e àqueles a quem os retiverdes...». Como se pode reter os pecados? A misericórdia de Deus não está antes de tudo e para todos? Sim, evidentemente. Mas os apóstolos não são cegos «distribuidores» do perdão: um discernimento, um diálogo, impõe-se de cada vez, para reconhecer se o perdão que Deus sempre oferece é acolhido com verdade e com um arrependimento sincero. Hoje, preparo-me para receber o perdão.



      Domingo, 8: IDE EM PAZ

      Na missa, o padre diz várias vezes: «O Senhor esteja convosco!». Esta fórmula não é indiferente. Recorda-nos a iniciativa do Senhor que vem ao nosso encontro como no primeiro dia. Esta fórmula é, ao mesmo tempo, uma tomada de consciência («Ele está no meio de nós») e um pedido («Vem, Senhor»). E, depois, antes da comunhão e no momento do envio, a fórmula muda. É-nos dito: «A paz esteja convosco» e «Ide em paz e o Senhor vos acompanhe». Estas fórmulas exprimem a mesma coisa: a presença do Senhor é sempre acompanhada pela paz que é sinal da presença do Espírito. Esta semana, procuremos descobrir a presença do Senhor e a vida espiritual. Sejamos artífices da sua paz à nossa volta.



      © www.versdimanche.com
      © tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014

      Rezar o domingo oitavo de Páscoa - Pentecostes (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

      Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 2.6.14 | Sem comentários

      Palavra para hoje: sétimo domingo de páscoa – ascensão


      Deus ergueu o seu Filho de entre os mortos e elevou-o «acima de todo o nome». Jesus Cristo é para sempre o dom de Deus. O Crucificado - Ressuscitado vai à nossa frente, no caminho para Deus. Ele parte; e deixa aos seus Apóstolos uma última mensagem, uma página clara e breve, para colocar em ordem o sentido da missão: ser suas testemunhas «em Jerusalém e em toda a Judeia e na Samaria e até aos confins da terra». Missão impossível? Não. Jesus Cristo estará com os seus «até ao fim dos tempos», como já está totalmente connosco, hoje. Não precisamos de ir à procura do Vivente entre os mortos. Não precisamos de ficar a olhar para o céu. Temos simplesmente de amar, de amar-nos uns aos outros.

      Pergunta da semana: 

      De que forma é que a Ascensão de Jesus Cristo compromete a minha vida?

      Palavra de Deus - Lectio divina - imagem de fano
      Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 1.6.14 | Sem comentários
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