REZAR O DOMINGO SEGUNDO DE PÁSCOA

27 DE ABRIL DE 2014


Evangelho segundo João 20, 19-31

Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, apresentou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco». Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor. Jesus disse-lhes de novo: «A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós». Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos». Tomé, um dos Doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus. Disseram-lhe os outros discípulos: «Vimos o Senhor». Mas ele respondeu-lhes: «Se não vir nas suas mãos o sinal dos cravos, se não meter o dedo no lugar dos cravos e a mão no seu lado, não acreditarei». Oito dias depois, estavam os discípulos outra vez em casa e Tomé com eles. Veio Jesus, estando as portas fechadas, apresentou-Se no meio deles e disse: «A paz esteja convosco». Depois disse a Tomé: «Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; aproxima a tua mão e mete-a no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente». Tomé respondeu-Lhe: «Meu Senhor e meu Deus!». Disse-lhe Jesus: «Porque Me viste acreditaste: felizes os que acreditam sem terem visto». Muitos outros milagres fez Jesus na presença dos seus discípulos, que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos para acreditardes que Jesus é o Messias, o Filho de Deus, e para que, acreditando, tenhais a vida em seu nome.



Segunda, 21: MEDO

Os discípulos trancam as portas, porque estão com medo. Nós somos parecidos com eles! Atrevo-me a enfrentar as minhas portas fechadas com duas voltas por medo de qualquer coisa. Tento abri-las, porque encerram a vida de Deus que vem renovar todas as coisas. E dou graças àquele que me livra de qualquer tipo de medo.



Terça, 22: PAZ

Sabe bem ouvir: «A paz esteja convosco!»; e saber que Jesus «está no meio de nós». Começo este dia, identificando aquilo que me perturba e me isola, procurando a forma de me libertar. Vencida esta primeira etapa, procuro acolher, na intimidade deste instante, a paz que Deus me dá para partilhar.



Quarta, 23: ENVIO

Cristo envia os seus discípulos e todos os que estão com eles. Diz-lhes: «Eu vos envio»... Este dia foi-me dado para ser enviado como mensageiro da paz, num mundo dividido, onde cada palavra, cada olhar transfigura o universo, como Cristo ressuscitado transfigura a minha vida. Escuto o Ressuscitado dizer-me: vai, eu te envio!



Quinta, 24: DOM

Sabemos distinguir, facilmente, entre um presente recebido (objeto, dinheiro, flores...) e o dom da vida, o dom da fé, um dom artístico, o dom de falar... Os dons são variados, mas há um só Espírito. Cristo dá o Espírito aos seus discípulos! Uau... que tarefa! Rezo para saber acolher este dom recebido a cada momento.



Sexta, 25: NOME

Meu amigo, meu amado, meu amor, meu incansável sedutor... «Meu Senhor e meu Deus!». Tomé conduz-nos a uma maravilhosa declaração de amor. Como ele, invoco Deus, Pai, Filho e Espírito Santo. Rezo também pela Humanidade, que, em Cristo, é o seu Corpo e com quem posso humildemente dizer a Deus: Pai nosso...



Sábado, 26: 

É com prazer que encontramos, neste evangelho, o amigo Tomé. Ele que só acredita no que vê e que ama aqueles e aquelas que também o amam. Escutamos Jesus dizer-lhe sem rodeias: Tomé, deixa de ser incrédulo, sê crente! Peço a Deus que me dê a graça de abandonar a minha incredulidade para entrar em comunhão com o Ressuscitado.



Domingo, 27: FELICIDADE PARA TODOS

Como ser feliz? Aprendemo-lo da boca do próprio Cristo: «Felizes os que acreditam sem terem visto». Por outras palavras, felizes aqueles e aquelas que ousam acreditar que Jesus ressuscitou de entre os mortos... Já todos encontramos pessoas que nos falam da sua tristeza por não terem fé; ao mesmo tempo que, ao estarem com cristãos ou crentes de outras religiões, os olham com inveja por terem qualquer coisa ou alguém que ilumina as suas vidas, acalma-os, dá-lhes força na fraqueza, abre-lhes um horizonte, ensina-os a acolher o imprevisto da existência como um dom... Então, sejamos felizes à maneira de Tomé, para que a luz da fé contagie os outros. A fé não é um dom apenas para alguns. É para todos.



© www.versdimanche.com
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014

Rezar o domingo segundo de Páscoa (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 22.4.14 | Sem comentários
Nihil Obstat — blogue de Martín Gelabert Ballester

Durante a oitava da Páscoa (primeira semana), a primeira leitura repete como um refrão: «vós mataste-o (Jesus), mas Deus ressuscitou-o». Não foi Deus quem entregou Jesus à morte, mas uns homens malvados que não puderam suportar a sua vida e a sua palavra. Porque, quando alguém se encontra com um profeta tão incisivo e coerente como Jesus de Nazaré, não há neutralidade possível. Só existem duas posturas: converter-se ou recusá-lo. Precisamente, a crítica que Jesus lança contra alguns judeus é «não acreditaram em mim». Ora, ao não acreditar em Jesus, não acreditaram naquele que o tinha enviado. É significativo este texto do evangelho segundo João: «Se, diante deles, Eu não tivesse realizado obras que ninguém mais realizou, não teriam culpa; mas agora, apesar de as verem, continuam a odiar-me a mim e ao meu Pai» (João 15, 24). É possível odiar o Pai, o Filho e o Espírito, tendo visto obras espantosas.
Deus foi quem tirou Jesus da morte. Aí está, para os que acreditam, a grande prova de que Jesus tinha razão e de que o seu caminho era bom. Com a ressurreição, Deus dá razão a Jesus e retira-a aos assassinos. Por este motivo, proclamar a vitória de Cristo sobre a morte é um discurso perigoso. É sugestivo o argumento que usam os sumo sacerdotes e os fariseus, quando vão a Pilatos pedir guardas para custodiar o cadáver de Jesus, com medo de que os apóstolos roubem o corpo e comecem a dizer que ressuscitou: «seria a última impostura pior do que a primeira» (Mateus 27, 64). Tinham mais medo da sua ressurreição do que da sua vida. Porque, com a ressurreição, a sua vida é reafirmada até limites insuspeitos.
O que, para os fariseus, é a última impostura, para os crentes, é a última verdade. Mas proclamar esta verdade implica que as autoridades não tenham razão; e que o que elas defendiam — uma religião baseada mais no culto do que no amor a Deus e ao próximo — não tem qualquer futuro. O futuro, apesar de tantas aparências contrárias, encontra-se na verdade, na vida, na beleza, na justiça e no amor. Por isso, digo que a fé na ressurreição é um discurso e uma recordação perigosas.
Com a ressurreição tudo começa de novo. Daí nasce a Igreja, o testemunho, a pregação. A partir daí, reinterpreta-se a vida de Jesus e compreende-se a verdade mais profunda da história da salvação. A última palavra não é dos homens e, muito menos, dos poderosos deste mundo. A última palavra é de Deus. Esta Palavra é Jesus de Nazaré, morto e ressuscitado. Por isso, a ressurreição remete-nos para o seguimento de Cristo. Seguindo-o, vivendo como ele, pensando como ele, também nós participaremos do futuro que Deus tem preparado para todos os que o amam.

© Martín Gelabert Ballester, OP

© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor





Nihil obstat - www.laboratoriodafe.net
Martín Gelabert Ballester, frade dominicano, nasceu em Manacor (Ilhas Baleares) e reside em Valencia (Espanha). É autor do blogue «Nihil Obstat» (em espanhol), que trata de questões religiosas, teológicas e eclesiais. Pretende ser um espaço de reflexão e diálogo. O autor dedica o seu tempo à pregação e ao ensino da teologia, especialmente antropologia teológica e teologia fundamental. 
Outros artigos publicados no Laboratório da fé


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 21.4.14 | Sem comentários

Palavra para hoje: primeiro domingo de páscoa


Primeiro dia do mundo novo! O totalmente Outro entrou na História e conduziu-a para a luz. Não o vemos, mas acreditamos: Deus irradia de alegria ao ressuscitar o seu Filho; Deus irradia de alegria ao fazer-nos despertar com o seu Filho. Na manhã de Páscoa ressoa uma voz: «Desperta, tu que dormes!». Pouco a pouco, Deus ilumina o universo, ilumina-nos com Jesus Cristo. Agora, o ser humano é «envolvido numa luz intensa». Pedro e João não veem Jesus Cristo; mas os seus olhos recebem uma nova visão: o sepulcro vazio, as ligaduras, o sudário, são os sinais do Ausente, do Vivente. É ele que projeta o olhar do coração para a sua presença. Esta é a visão das testemunhas que anunciam: Jesus Cristo ressuscitou! Aleluia!

Pergunta da semana: 

Acredito que estou envolvido numa luz intensa?

Palavra de Deus - Lectio divina - imagem de fano
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 20.4.14 | Sem comentários

NÃO PODEMOS VIVER SEM O DOMINGO!


«Valorizar o domingo como centro de todo o ano litúrgico» — é o primeiro objetivo apresentado no programa pastoral (2013+14) da Arquidiocese de Braga. Com o intuito de «valorizar» o domingo, acompanhando os tempos litúrgicos, propomos um tema a partir da releitura da Carta Apostólica sobre a santificação do domingo — «O dia do Senhor» («Dies Domini»). Este itinerário tem como tema geral: «Não podemos viver sem o domingo!».

Domingo, DIA DA RESSURREIÇÃO

Texto de reflexão para o primeiro domingo de páscoa

    19. «Nós celebramos o domingo, devido à venerável ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo, não só na Páscoa, mas inclusive em cada ciclo semanal»: escrevia o Papa Inocêncio I, nos começos do século V, testemunhando um costume já consolidado, [...] desde os primeiros anos após a ressurreição do Senhor. S. Basílio fala do «santo domingo, honrado pela ressurreição do Senhor, primícia de todos os outros dias». S. Agostinho chama o domingo «sacramento da Páscoa». Esta ligação íntima do domingo com a ressurreição do Senhor é fortemente sublinhada por todas as Igrejas, tanto do Ocidente como do Oriente. De modo particular na tradição das Igrejas Orientais, cada domingo é o dia da ressurreição, e precisamente por esta sua característica, é o centro de todo o culto. À luz desta tradição ininterrupta e universal, vê-se com toda a clareza que, embora o «dia do Senhor» tenha as suas raízes, como se disse, na mesma obra da criação, e mais diretamente no mistério do «repouso» bíblico de Deus, contudo é preciso fazer referência especificamente à ressurreição de Cristo para se alcançar o pleno sentido daquele. É o que faz o domingo cristão, ao repropor cada semana à consideração e à vida dos crentes o evento pascal, donde mana a salvação do mundo.



    • Não podemos viver sem o domingo! — textos publicados no Laboratório da fé > > >



    Laboratório da fé celebrada, 2014
    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 20.4.14 | Sem comentários

    PREPARAR O DOMINGO PRIMEIRO DE PÁSCOA

    20 DE ABRIL DE 2014


    Atos dos Apóstolos 10, 34a.37-43

    Naqueles dias, Pedro tomou a palavra e disse: «Vós sabeis o que aconteceu em toda a Judeia, a começar pela Galileia, depois do baptismo que João pregou: Deus ungiu com a força do Espírito Santo a Jesus de Nazaré, que passou fazendo o bem e curando a todos os que eram oprimidos pelo Demónio, porque Deus estava com Ele. Nós somos testemunhas de tudo o que Ele fez no país dos judeus e em Jerusalém; e eles mataram-n'O, suspendendo-O na cruz. Deus ressuscitou-O ao terceiro dia e permitiu-Lhe manifestar-Se, não a todo o povo, mas às testemunhas de antemão designadas por Deus, a nós que comemos e bebemos com Ele, depois de ter ressuscitado dos mortos. Jesus mandou-nos pregar ao povo e testemunhar que Ele foi constituído por Deus juiz dos vivos e dos mortos. É d'Ele que todos os profetas dão o seguinte testemunho: quem acredita n’Ele recebe pelo seu nome a remissão dos pecados».



    Nós somos testemunhas


    O texto no seu contexto
    . O discurso de Pedro recolhe o «kerygma» (primeiro anúncio) cristão que se repetia de boca em boca: «Deus ungiu [ungido = Cristo] com a força do Espírito Santo a Jesus de Nazaré, que passou fazendo o bem e curando a todos os que eram oprimidos pelo Demónio, porque Deus estava com Ele. Nós somos testemunhas de tudo o que Ele fez». O encargo recebido é dar testemunho de que Jesus está vivo, das suas obras salvadoras e da sua mensagem, de que foi constituído por Deus «juiz» de toda a humanidade, de vivos e de mortos. O crente que se incorpora à salvação oferecida na pessoa de Cristo obtém o perdão dos pecados.

    O texto na história da salvação. Não se trata de uma nova ideologia, nem de referências biográficas de um personagem mítico, ahistórico: Jesus é contemporâneo de João; é recordado «que passou fazendo o bem»; não era um personagem estranho, mas era um judeu «de Nazaré». Tampouco se trata de um simples humano: «Deus ungiu com a força do Espírito Santo». O discurso dá resposta às duas tentações permanentes à volta da figura de Jesus em toda a história: apresentá-lo sem raízes na história humana ou sem raízes em Deus. Este kerygma que se proclama dá início à Igreja.

    Palavra de Deus para nós: sentido e celebração litúrgica. A Igreja não nasce de um triunfo, mas de uma experiência: nós «comemos e bebemos» com o ressuscitado; e de uma missão: encarregou-nos de pregar ao povo, «nós somos testemunhas». O texto culmina numa confissão de salvação: os que acreditam recebem o perdão. Em poucas palavras é difícil fazer um resumo tão completo do anúncio cristão.

    © Pedro Fraile Yécora, Homiletica
    © tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
    A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor

    Preparar o domingo primeiro de Páscoa (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 20.4.14 | Sem comentários

    ENVOLVIDO NUMA LUZ INTENSA


    Quando o lume novo ilumina a escuridão da noite, o cristão é convidado a deixar-se penetrar pela intensidade dessa luz que anuncia a vitória da vida. A luz vence as trevas! Nunca mais haverá noite! A luz que brilha na noite de Páscoa é demasiado grande para se encerrar nas vinte e quatro horas de um dia. Por isso, a festa da Páscoa perdura ao longo de cinquenta dias vividos como «o grande domingo», preenchido por uma luminosidade sem fim. «Cinquenta dias são sete semanas mais um dia: sete vezes sete na Bíblia é um número simbólico que indica a plenitude absoluta, a perfeição, e um dia a mais indica um excesso, encaminha para um amanhã, para alguma coisa que não se cumpre neste mundo, mas que evoca a eternidade» (Alberto Vela).

    Páscoa: envolvido numa luz intensa!

    Celebrar e viver a Páscoa é atualizar a alegria da Ressurreição, a festa da Luz e da Vida. O mistério pascal de Jesus Cristo é o coração do ano litúrgico, o coração da fé cristã. Jesus Cristo está no centro da vida para sempre. Ele é a estrela da manhã que não tem ocaso. «A escuridão dos dias anteriores dissipou-se no momento em que Jesus ressuscita do sepulcro e Se torna, Ele mesmo, pura luz de Deus. Isto, porém, não se refere somente a Ele, nem se refere apenas à escuridão daqueles dias. Com a ressurreição de Jesus, a própria luz é novamente criada. Ele atrai-nos a todos, levando-nos atrás de Si para a nova vida da ressurreição e vence toda a forma de escuridão. Ele é o novo dia de Deus, que vale para todos nós» (Bento XVI). A partir da Ressurreição, o ser humano é «envolvido numa luz intensa», a começar pelas mulheres, as primeiras discípulas, passando por Pedro, João e todos os outros; por Paulo e pelas primeiras comunidades cristãs, de geração em geração, até ao nosso tempo, até ao fim dos tempos. Assim se constitui a Igreja, reunida em nome e à volta de Jesus Cristo («Onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles»: Mateus 18, 20).
    O livro dos Atos dos Apóstolos — os seus textos constituem a primeira leitura dos domingos de Páscoa — oferece uma leitura teológica dos primeiros passos cristãos: as dificuldades, o dom do Espírito Santo, o anúncio do Evangelho, as primeiras comunidades cristãs, o «nascimento» da Igreja. Hoje, como naquele primeiro dia da semana, Jesus Cristo, pelo dom do Espírito Santo, torna-se «presente», para transformar a tristeza em alegria, para transformar a intranquilidade em paz, para transformar as portas fechadas em espaços abertos a todos, para transformar o medo em ousadia de testemunho.
    Os discípulos têm de ser testemunhas. «Quem se abriu ao amor de Deus, acolheu a sua voz e recebeu a sua luz, não pode guardar este dom para si mesmo. […] A luz de Jesus brilha no rosto dos cristãos como num espelho, e assim se difunde chegando até nós, para que também nós possamos participar desta visão e refletir para outros a sua luz, da mesma forma que a luz do círio, na liturgia de Páscoa, acende muitas outras velas. A fé transmite-se por assim dizer sob a forma de contacto, de pessoa a pessoa, como uma chama se acende noutra chama» (Francisco, Carta Encíclica sobre a fé — «A luz da fé» — LF], 37). Ao longo deste tempo de Páscoa, o terceiro capítulo da Carta Encíclica sobre a fé (números 37 a 49) dar-nos-á as coordenadas necessárias para que cada um se sinta sempre «envolvido numa luz intensa».

    Laboratório da Fé celebrada

    A Páscoa é, por excelência, o tempo mistagógico, isto é, o tempo que aprofunda a união com Jesus Cristo presente, pelo Espírito Santo, na sua Igreja. «É o Espírito que torna possível a presença atual de Cristo na sua Igreja e a continuidade da sua ação salvadora entre nós. A Igreja é fruto do Espírito. Sem Espírito, a Igreja é impossível. O Espírito é a alma da Igreja, a fonte de toda a sua vida. É o Espírito que envia os crentes pelo mundo e os impulsiona para dar testemunho da vida cristã e para evangelizar. […] Sem Espírito, não é possível a liturgia. Sem Espírito ninguém pode dizer ‘Jesus é o Senhor’, nem celebrar o Seu mistério. Todo o nosso culto é espiritual e celebra-se na força vivificadora do Espírito. Os gestos litúrgicos não são ritos que se cumprem para conservar uns costumes religiosos ou para ser fiéis a uma disciplina eclesial, mas são realidades cheias do Espírito» (Programa Pastoral). O fruto «será uma liturgia simples e bela, sinal da comunhão entre Deus e os seres humanos».

    © Laboratório da fé, 2014

    Envolvido numa luz intensa
    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 20.4.14 | Sem comentários

    PREPARAR O DOMINGO PRIMEIRO DE PÁSCOA

    20 DE ABRIL DE 2014


    Atos dos Apóstolos 10, 34a.37-43

    Naqueles dias, Pedro tomou a palavra e disse: «Vós sabeis o que aconteceu em toda a Judeia, a começar pela Galileia, depois do batismo que João pregou: Deus ungiu com a força do Espírito Santo a Jesus de Nazaré, que passou fazendo o bem e curando a todos os que eram oprimidos pelo Demónio, porque Deus estava com Ele. Nós somos testemunhas de tudo o que Ele fez no país dos judeus e em Jerusalém; e eles mataram-n'O, suspendendo-O na cruz. Deus ressuscitou-O ao terceiro dia e permitiu-Lhe manifestar-Se, não a todo o povo, mas às testemunhas de antemão designadas por Deus, a nós que comemos e bebemos com Ele, depois de ter ressuscitado dos mortos. Jesus mandou-nos pregar ao povo e testemunhar que Ele foi constituído por Deus juiz dos vivos e dos mortos. É d'Ele que todos os profetas dão o seguinte testemunho: quem acredita n’Ele recebe pelo seu nome a remissão dos pecados».



    Comemos e bebemos com Ele, depois de ter ressuscitado


    A celebração da Páscoa é o centro do ano cristão. Os textos que vamos ler de agora até ao Pentecostes, como primeira leitura, pertencem ao livro dos Atos dos Apóstolos. São expressão da proclamação na Igreja das origens do núcleo do Evangelho e da obra do Espírito Santo, que atua na vida das mulheres e dos homens que respondem a esta proclamação.
    A morte e a ressurreição de Jesus Cristo são apresentadas como ações da graças de Deus, através dos quais os homens e as mulheres são salvos e reconciliados com Deus e uns com os outros. Estes textos são como microevangelhos: contêm o núcleo da programação da boa nova de Deus centrada no anúncio do Reino, da paixão, da morte e da ressurreição de Jesus.
    O fragmento proclamado na primeira leitura do primeiro domingo de Páscoa (Ano A) pertence ao sermão de Pedro dirigido ao centurião romano Cornélio. O facto do destinatário ser um romano não é marginal, considerando o interesse do livro dos Atos em acentuar a universalidade do Evangelho. A síntese da mensagem que apresenta é a seguinte: Jesus, que tinha recebido o poder de Deus, viveu fazendo muitas boas obras, para destruir o poder do Diabo. O final desta vida boa foi a execução de Jesus, mas Deus não permitiu que o mal triunfasse, por isso ressuscitou Jesus de entre os mortos e mostrou a ressurreição aos que ele tinha escolhido como testemunhas. Estes comeram e beberam com ele — notar as referências à Eucaristia — e receberam a responsabilidade de espalhar a mensagem sobre a ressurreição de Jesus.

    © Joan Ferrer, Misa dominical
    © tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
    A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor


    Preparar o domingo primeiro de Páscoa (Ano A), no Laboratório da fé, 2014
    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 20.4.14 | Sem comentários
    Rezar na Quaresma - Ano A, Edições Salesianas, 2014

    Hoje não há missa.
    Tudo está vazio e em silêncio.
    As palavras sobram.
    Jesus morreu.
    Mas a história não acabou.
    Tal como a semente lançada à terra,
    já germina a vida nova.

    É nestes momentos,
    em que pareces tão ausente, Senhor,
    que eu percebo a falta que me fazes.
    Sem Ti, nada vale a pena, 
    nada tem sabor.
    Estou aqui, 
    de coração aberto,
    para acolher a tua luz poderosa,
    que vence para sempre 
    as trevas do meu coração.

    «Rezar na Quaresma - Ano A»
    © 2014 Rui Alberto
    © 2014 Edições Salesianas

    Este texto faz parte do livro «Rezar na Quaresma - Ano A» das Edições Salesianas;
    qualquer forma de reprodução ou distribuição deste texto precisa de autorização.

    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 19.4.14 | Sem comentários

    ANO CRISTÃO


    Bento XVI, em duas Audiências Gerais (8 de abril de 2009 e 31 de março de 2010), explicou o sentido da manhã e tarde do Sábado Santo, incluído no contexto do Tríduo Pascal, «coração da Semana Santa» e «alicerce de todo o ano litúrgico». Caracterizou o Sábado Santo como «um grande silêncio», que convida «à oração, à reflexão e à conversão».

    A esperança alimenta-se no grande silêncio do Sábado Santo, na expetativa da ressurreição de Jesus. Neste dia as Igrejas não estão ornamentadas e não são previstos particulares ritos litúrgicos. A Igreja vigia em oração como Maria e juntamente com Maria, compartilha os mesmos sentimentos de dor e de confiança em Deus. Justamente se recomenda que se conserve durante todo o dia um clima orante, favorável à meditação e à reconciliação; encorajam-se os fiéis a aproximar-se do sacramento da Penitência, para poder participar realmente renovados nas festas pascais.



    O Sábado Santo é caracterizado por um grande silêncio. As Igrejas estão despojadas e não são previstas particulares liturgias. Neste tempo de expetativa e de esperança, os crentes são convidados à oração, à reflexão e à conversão, também através do sacramento da reconciliação, para poder participar, intimamente renovados, na celebração da Páscoa.

    © Libreria Editrice Vaticana
    © Adaptação de Laboratório da fé, 2014



    • Ano Litúrgico: ano cristão — textos publicados no Laboratório da fé > > >



    Laboratório da fé celebrada, 2014
    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 19.4.14 | Sem comentários

    Palavra para hoje: sexta-feira santa


    «Deus de infinita misericórdia, que pela paixão de Cristo Nosso Senhor destruíste a morte»... A escuta das leituras bíblicas, o acolhimento do relato da Paixão segundo João, a grande prece de Oração Universal, a adoração da Cruz, toda a liturgia de Sexta-feira Santa faz-nos participar no mistério de Deus que recria, com grande preço, a humanidade inteira. A Igreja volta o seu olhar para o Cordeiro imolado; e através deste olhar de fé, a Igreja descobre o que é: o lugar onde os valores humanos se invertem, onde o escândalo de um Deus oferecido se torna força de vida; um lugar de reconciliação, onde ninguém é estrangeiro e onde cada cristão é chamado a viver hoje a morte de Jesus Cristo, o Vivente!

    Pergunta da semana: 

    Estou disposto a seguir o caminho do Servo?

    Palavra de Deus - Lectio divina - imagem de fano
    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 18.4.14 | Sem comentários

    PREPARAR A SEXTA-FEIRA SANTA


    A Sexta-feira Santa constitui o centro dos acontecimentos de que fazemos memória nestes intensos dias litúrgicos. A vida e a pregação de Jesus culminam numa morte ignominiosa, padecendo — como nos recorda a carta aos Hebreus (segunda leitura) — angústia, sofrimento, solidão... Até Pedro, o primeiro no grupo dos «Doze», nega conhecê-lo; todos os seus amigos e seguidores desaparecem de cena. A morte na cruz é o desenlace previsível para uma vida que põe em causa muitas atitudes aparentemente religiosas. Jesus era incómodo.
    Jesus entrega, desde a cruz, o seu espírito ao Pai, confiante de que só Deus pode tirar uma vitória de um dramático fracasso. E, desde a cruz, confia-nos, a todos os discípulos, a todos os seres humanos — na figura do discípulo amado — a sua mãe, Maria.
    Esperamos serenos a ressurreição do Senhor. Queremos aceitar tudo o que significa a mensagem de Jesus, também tudo o que tem de dificuldade, de sofrimento, de exigência... Confiamos que a vontade de Deus, que Ele viveu e pregou, é o melhor para a Humanidade, para a comunidade eclesial, para mim. E estou disposto a empenhar toda a minha existência, mesmo com o risco de incompreensões e... em viver os valores do Reino, em converter o seguimento de Jesus e a sua mensagem no meu «horizonte de compreensão».

    © Javier Velasco-Arias

    © La Biblia compartida — blogue de Javier Velasco-Arias y Quique Fernández
    © tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
    A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor

    Preparar a Sexta-feira Santa, Laboratório da fé, 2014


    La biblia compartida — www.laboratoriodafe.net


    Javier Velasco-Arias, nasceu no ano de 1956, em Medina del Campo (Espanha); atualmente, vive em Barcelona (desde os onze anos de idade). É biblista, professor de Sagrada Escritura no «Instituto Superior de Ciências Religiosas de Barcelona» e no «Centro de Estudos Pastorais» das dioceses da Catalunha. É responsável e membro de várias associações bíblicas, em Espanha. Na área bíblica, é autor de diversas publicações, além de artigos de temas bíblicos em revistas especializadas e na internet.
    Outros artigos publicados no Laboratório da fé


    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 18.4.14 | Sem comentários
    Rezar na Quaresma - Ano A, Edições Salesianas, 2014

    Ali, abandonado por todos, tudo parece acabar.
    Ao lado de dois criminosos.
    Este é o estilo de Deus: fazer-Se presente.
    Sentir como suas as dores de toda a humanidade.
    Nesta cruz morre Jesus e com Ele estão todas as vítimas,
    todos os que sofrem injustiça.
    Mas nesta morte atroz não há desespero.
    Ainda resta espaço para confiar
    no coração de um Deus cheio de misericórdia.

    Senhor Jesus, Tu conheces-me. 
    Tu ofereceste-me o Evangelho, uma vida nova. 
    E eu fiquei com um pé dentro e outro fora.
    Tu conheces-me: 
    estava ocupado com outras coisas quando Te prenderam. 
    Estive a ser sensato 
    e calei-me quando todos Te insultavam.
    Fui prudente quando tantos Te torturaram.
    Não era problema meu 

    quando Te condenaram num processo corrupto.
    Tu conheces-me. Eu conheço-Te.

    Eu sei que, apesar de tudo, 
    ainda há amor para mim no Teu coração.

    «Rezar na Quaresma - Ano A»
    © 2014 Rui Alberto
    © 2014 Edições Salesianas

    Este texto faz parte do livro «Rezar na Quaresma - Ano A» das Edições Salesianas;
    qualquer forma de reprodução ou distribuição deste texto precisa de autorização.

    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 18.4.14 | Sem comentários
    • Recentes
    • Arquivo
    • Comentários