PREPARAR O DOMINGO DE RAMOS [SEXTO DA QUARESMA]

13 DE ABRIL DE 2014


Isaías 50, 4-7

O Senhor deu-me a graça de falar como um discípulo, para que eu saiba dizer uma palavra de alento aos que andam abatidos. Todas as manhãs Ele desperta os meus ouvidos, para eu escutar, como escutam os discípulos. O Senhor Deus abriu-me os ouvidos e eu não resisti nem recuei um passo. Apresentei as costas àqueles que me batiam e a face aos que me arrancavam a barba; não desviei o meu rosto dos que me insultavam e cuspiam. Mas o Senhor Deus veio em meu auxílio, e, por isso, não fiquei envergonhado; tornei o meu rosto duro como pedra, e sei que não ficarei desiludido.



Sei que não ficarei desiludido


Escutamos a voz do Servo que fala de uma grande comoção e expressa uma profunda confiança. Não se diz quem é nem a razão da sua angústia. Os servos de Deus só podem ter a vida em perigo porque a verdade de Deus não costuma ser conforme a forma como os humanos entendem a realidade. A Igreja viu sempre, neste Servo, a figura de Jesus: o seu conflito acabará por conduzi-lo ao sofrimento e à morte; mas, mesmo nestas circunstâncias, continua a ser o Servo confiante, fiel e obediente.
Tudo o que se diz no fragmento profético sobre o Servo está centrado em Deus: o seu ministério particular foi-lhe confiado por Deus e, por mais estranha que possa ser, há de ter o ouvido atento a qualquer mensagem de Deus. E a língua há de estar pronta para falar dessas mesmas coisas estranhas.
A missão é «dizer uma palavra de alento aos que andam abatidos». O abatido é o judeu exilado, cuja vida ficou devastada pelo império opressor. É preciso, com a força poderosa da palavra, criar uma realidade alternativa que produza espaço, liberdade e energia: novas possibilidades para além as realidades cansativas de cada dia. Por isso, o Servo sofrerá hostilidade, mas a sua resposta será sempre pacífica, porque confia no Senhor e nele encontra consolação.

© Joan Ferrer, Misa dominical
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
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Preparar o domingo de Ramos, sexto da Quaresma (Ano A), no Laboratório da fé, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 11.4.14 | Sem comentários

Palavra para hoje: quinto domingo da quaresma


Eis o anúncio da vitória da vida: «Vou abrir os vossos túmulos e deles vos farei ressuscitar». O que estava prometido, Deus realiza-o em seu Filho, que proclama: «Eu sou a ressurreição e a vida». Hoje, apresenta-se como um ser humano consternado pela morte de um amigo. Entretanto, a ressurreição de Lázaro foi o último e decisivo «sinal» realizado por Jesus Cristo. Tudo se passa como se colocasse toda a sua força na fé de Marta e de Maria. À sua palavra, Lázaro ressuscita. Vitoriosa na força do Espírito, a Igreja proclama: «O Espírito habita em vós»! O Espírito far-nos-á atravessar das trevas para a luz ao escutar uma voz forte que nos dirá: «Sai»! Este processo de passagem para a vida está unido ao Batismo que nos fez nascer para a fé.

Pergunta da semana: 

Acredito que o Espírito Santo habita e vive em mim?

Palavra de Deus - Lectio divina - imagem de fano
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 6.4.14 | Sem comentários

CELEBRAR O DOMINGO QUINTO DA QUARESMA

6 DE ABRIL DE 2014


Evangelho segundo João 11, 1-45

Naquele tempo, estava doente certo homem, Lázaro de Betânia, aldeia de Marta e de Maria, sua irmã. Maria era aquela que tinha ungido o Senhor com perfume e Lhe tinha enxugado os pés com os cabelos. Era seu irmão Lázaro que estava doente. As irmãs mandaram então dizer a Jesus: «Senhor, o teu amigo está doente». Ouvindo isto, Jesus disse: «Essa doença não é mortal, mas é para a glória de Deus, para que por ela seja glorificado o Filho do homem». Jesus era amigo de Marta, de sua irmã e de Lázaro. Entretanto, depois de ouvir dizer que ele estava doente, ficou ainda dois dias no local onde Se encontrava. Depois disse aos discípulos: «Vamos de novo para a Judeia». Os discípulos disseram-Lhe: «Mestre, ainda há pouco os judeus procuravam apedrejar-Te e voltas para lá?». Jesus respondeu: «Não são doze as horas do dia? Se alguém andar de dia, não tropeça, porque vê a luz deste mundo. Mas, se andar de noite, tropeça, porque não tem luz consigo». Dito isto, acrescentou: «O nosso amigo Lázaro dorme, mas Eu vou despertá-lo». Disseram então os discípulos: «Senhor, se dorme, estará salvo». Jesus referia-se à morte de Lázaro, mas eles entenderam que falava do sono natural. Disse-lhes então Jesus abertamente: «Lázaro morreu; por vossa causa, alegro-Me de não ter estado lá, para que acrediteis. Mas, vamos ter com ele». Tomé, chamado Dídimo, disse aos companheiros: «Vamos nós também, para morrermos com Ele». Ao chegar, Jesus encontrou o amigo sepultado havia quatro dias. Betânia distava de Jerusalém cerca de três quilómetros. Muitos judeus tinham ido visitar Marta e Maria, para lhes apresentar condolências pela morte do irmão. Quando ouviu dizer que Jesus estava a chegar, Marta saiu ao seu encontro, enquanto Maria ficou sentada em casa. Marta disse a Jesus: «Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido. Mas sei que, mesmo agora, tudo o que pedires a Deus, Deus To concederá». Disse-lhe Jesus: «Teu irmão ressuscitará». Marta respondeu: «Eu sei que há-de ressuscitar na ressurreição do último dia». Disse-lhe Jesus: «Eu sou a ressurreição e a vida. Quem acredita em Mim, ainda que tenha morrido, viverá; e todo aquele que vive e acredita em Mim, nunca morrerá. Acreditas nisto?». Disse-Lhe Marta: «Acredito, Senhor, que Tu és o Messias, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo». Dito isto, retirou-se e foi chamar Maria, a quem disse em segredo: «O Mestre está ali e manda-te chamar». Logo que ouviu isto, Maria levantou-se e foi ter com Jesus. Jesus ainda não tinha chegado à aldeia, mas estava no lugar em que Marta viera ao seu encontro. Então os judeus que estavam com Maria em casa para lhe apresentar condolências, ao verem-na levantar-se e sair rapidamente, seguiram-na, pensando que se dirigia ao túmulo para chorar. Quando chegou aonde estava Jesus, Maria, logo que O viu, caiu-Lhe aos pés e disse-Lhe: «Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido». Jesus, ao vê-la chorar, e vendo chorar também os judeus que vinham com ela, comoveu-Se profundamente e perturbou-Se. Depois perguntou: «Onde o pusestes?». Responderam-Lhe: «Vem ver, Senhor». E Jesus chorou. Diziam então os judeus: «Vede como era seu amigo». Mas alguns deles observaram: «Então Ele, que abriu os olhos ao cego, não podia também ter feito que este homem não morresse?». Entretanto, Jesus, intimamente comovido, chegou ao túmulo. Era uma gruta, com uma pedra posta à entrada. Disse Jesus: «Tirai a pedra». Respondeu Marta, irmã do morto: «Já cheira mal, Senhor, pois morreu há quatro dias». Disse Jesus: «Eu não te disse que, se acreditasses, verias a glória de Deus?». Tiraram então a pedra. Jesus, levantando os olhos ao Céu, disse: «Pai, dou-Te graças por Me teres ouvido. Eu bem sei que sempre Me ouves, mas falei assim por causa da multidão que nos cerca, para acreditarem que Tu Me enviaste». Dito isto, bradou com voz forte: «Lázaro, sai para fora». O morto saiu, de mãos e pés enfaixados com ligaduras e o rosto envolvido num sudário. Disse-lhes Jesus: «Desligai-o e deixai-o ir». Então muitos judeus, que tinham ido visitar Maria, ao verem o que Jesus fizera, acreditaram n’Ele.



O que é o Evangelho?

... simples: começar por dar a vida aos amigos e terminar a dar a vida pelos amigos.



© Julian Garcia Mejia
© Laboratório da fé, 2014
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Celebrar o domingo quinto da Quaresma (Ano A), no Laboratório da fé, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 5.4.14 | comentários

PREPARAR O DOMINGO QUINTO DA QUARESMA


Jesus é a «ressurreição e a vida»: esta é a ideia que sobressai do evangelho do quinto domingo da Quaresma (Ano A). O Deus de Jesus Cristo é o Deus da vida. Uma vida que se manifesta em Jesus através do seus gestos e das suas palavras. Jesus amava Marta, Maria, Lázaro...; ama-nos a cada um de nós pessoalmente. É capaz de se emocionar e de chorar perante a desgraça humana: mostra-nos o rosto humano do Deus da vida. E é capaz de transformar, como enviado do Pai, o mal em bem, o pecado em bondade, a morte em vida.
Mas a ação gratuita de Deus, manifestada em Jesus, reclama uma resposta generosa do ser humano. Marta, a irmã de Lázaro, responde a partir da fé, da esperança, do amor: confia em Jesus. Mas estas atitudes são vividas de uma forma ativa: sai ao encontro de Jesus, tem um diálogo sincero e confiante com Ele, comunica-o à sua irmã. Maria, a outra irmã, quando se inteira da presença de Jesus que a chama, sai a correr ao seu encontro e lança-se aos pés do Mestre, partilhando com Ele a sua dor e a sua confiança.
Jesus liberta Lázaro das garras da morte; liberta-nos de toda a escravidão que nos oprime, nos ameaça, não nos deixa viver. Nele temos a esperança de que o mal, o pecado, a morte, não têm a última palavra.

© Javier Velasco-Arias

© La Biblia compartida — blogue de Javier Velasco-Arias y Quique Fernández
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
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Preparar o domingo quinto da Quaresma (Ano A), Laboratório da fé, 2014


La biblia compartida — www.laboratoriodafe.net


Javier Velasco-Arias, nasceu no ano de 1956, em Medina del Campo (Espanha); atualmente, vive em Barcelona (desde os onze anos de idade). É biblista, professor de Sagrada Escritura no «Instituto Superior de Ciências Religiosas de Barcelona» e no «Centro de Estudos Pastorais» das dioceses da Catalunha. É responsável e membro de várias associações bíblicas, em Espanha. Na área bíblica, é autor de diversas publicações, além de artigos de temas bíblicos em revistas especializadas e na internet.
Outros artigos publicados no Laboratório da fé


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 4.4.14 | Sem comentários

NÃO PODEMOS VIVER SEM O DOMINGO!


«Valorizar o domingo como centro de todo o ano litúrgico» — é o primeiro objetivo apresentado no programa pastoral (2013+14) da Arquidiocese de Braga. Com o intuito de «valorizar» o domingo, acompanhando os tempos litúrgicos, propomos um tema a partir da releitura da Carta Apostólica sobre a santificação do domingo — «O dia do Senhor» («Dies Domini»). Este itinerário tem como tema geral: «Não podemos viver sem o domingo!».

Domingo, DIA DE ORAÇÃO

Texto de reflexão para o quinto domingo da quaresma

    52. Se a participação na Eucaristia é o coração do domingo, seria contudo restritivo reduzir apenas a isso o dever de «santificá-lo». Na verdade, o dia do Senhor é bem vivido se todo ele estiver marcado pela lembrança agradecida e efetiva das obras de Deus. Ora, isto obriga cada um dos discípulos de Jesus Cristo a conferir, também aos outros momentos do dia passados fora do contexto litúrgico — vida de família, relações sociais, horas de diversão —, um estilo tal que ajude a fazer transparecer a paz e a alegria de Cristo Ressuscitado no tecido ordinário da vida. Por exemplo, o encontro mais tranquilo dos pais e dos filhos pode dar ocasião não só para se abrirem à escuta recíproca, mas também para viverem juntos algum momento de formação e de maior recolhimento. Porque não programar, inclusive na vida laical, quando for possível, especiais iniciativas de oração — de modo particular a celebração solene das Vésperas — ou então eventuais momentos de catequese, que, na vigília do domingo ou durante a tarde deste, preparem ou completem na alma do cristão o dom próprio da Eucaristia? [...] Não faltam sinais positivos e encorajadores. Graças ao dom do Espírito Santo, nota-se, em muitos ambientes eclesiais, uma nova exigência de oração na múltipla variedade das suas formas.



    • Não podemos viver sem o domingo! — textos publicados no Laboratório da fé > > >



    Laboratório da fé celebrada, 2014
    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 4.4.14 | Sem comentários

    PREPARAR O DOMINGO QUINTO DA QUARESMA

    6 DE ABRIL DE 2014


    Ezequiel 37, 12-14

    Assim fala o Senhor Deus: «Vou abrir os vossos túmulos e deles vos farei ressuscitar, ó meu povo, para vos reconduzir à terra de Israel. Haveis de reconhecer que Eu sou o Senhor, quando abrir os vossos túmulos e deles vos fizer ressuscitar, ó meu povo. Infundirei em vós o meu espírito e revivereis. Hei-de fixar-vos na vossa terra e reconhecereis que Eu, o Senhor, digo e faço».



    Infundirei em vós o meu espírito e revivereis


    O texto no seu contexto
    . O texto litúrgico da primeira leitura do quinto domingo da Quaresma (Ano A) é a conclusão da conhecida visão dos ossos ressequidos (Ezequiel 37, 1-14). O contexto histórico situa-nos na Babilónia, em meados do século VI antes de Cristo, quando a palavra de Deus se dirige à comunidade judaica, ali desterrada, sem esperanças de um dia voltar a Judá. O povo queixa-se: os nossos ossos estão calcinados, somos uns mortos vivos. Estão convencidos de que Deus os abandonou à sua sorte e não há qualquer possibilidade de voltar à cidade santa de Jerusalém. O profeta apresenta uma revitalização das forças exaustas, uma recapitulação dos créditos inexistentes, uma refundação dos alicerces. Quando o povo vive em sepulcros (morte, fedor, pranto, luto), ele anuncia a vida: espírito, terra, esperança, futuro... que provém de Deus. As palavras que lhes dirige falam de promessas sucessivas: abrirei sepulcros, reconduzir-vos-ei a Israel. É o próprio Deus que vai agir (reparemos que fala na primeira pessoa). A ação de Deus, tal como no passado, levá-los-á ao verdadeiro conhecimento, «haveis de reconhecer que Eu sou o Senhor» (versículo 13). O Espírito de Deus sopra de novo, como na criação, recria, faz que do seco, da morte, surja a vida.

    O texto na história da salvação. O desterro na Babilónia é um dos marcos fundamentais para compreender a Bíblia como texto e como teologia. O povo judeu foi capaz de renascer das cinzas e de colocar por escrito o seu renascimento e a sua esperança, reduzida somente à ação de Deus. O povo de Israel viu no exílio, não só o justo castigo pelo pecado (abandonou o Deus da Aliança), mas também um lugar de graça a partir do qual recomeça de novo a história com Deus.

    Palavra de Deus para nós: sentido e celebração litúrgica. O desterro na Babilónia é marco histórico e, ao mesmo tempo, paradigma de muitas instituições religiosas e de muitas histórias pessoais. Tanto as instituições como as pessoas sentem-se sem forças e não veem saída para a sua situação; parece que não há alternativa: têm os ossos ressequidos e estão convencidos de que não podem fazer mais nada. Esta situação denuncia uma real falta de fé em Deus, de fé na ação sempre surpreendente de Deus, na ação de Deus que continua a fazer maravilhas e que tudo recria, mesmo o que está aparentemente morto.

    © Pedro Fraile Yécora, Homiletica
    © tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
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    Preparar o domingo quinto da Quaresma (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 4.4.14 | Sem comentários
    Rezar na Quaresma - Ano A, Edições Salesianas, 2014

    Há dias em acordamos tristes.
    Outros passam anos e anos abatidos, deprimidos.
    Há gente para quem a vida perdeu todo o valor.
    Sabe bem ouvir de um Deus que se dispõe a levantar quem está em baixo.
    Um Deus que desce ao fundo do buraco onde estamos...
    e nos toca...
    e nos devolve a alegria de viver.

    Quando tudo me sabe a tristeza...
    quando não consigo acreditar na sinceridade de quem me ama...
    quando levantar-e cada manhã é um esforço penoso...
    só me resta esperar que Tu venhas ao meu encontro...
    me digas palavras de coragem ao ouvido...
    me pegues ao colo e me faças ressuscitar!


    «Rezar na Quaresma - Ano A»
    © 2014 Rui Alberto
    © 2014 Edições Salesianas

    Este texto faz parte do livro «Rezar na Quaresma - Ano A» das Edições Salesianas;
    qualquer forma de reprodução ou distribuição deste texto precisa de autorização.

    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 4.4.14 | Sem comentários

    Mistério da fé! [26]


    O Sacramento da Reconciliação associa a si aspetos que devem ser tidos em conta, na preparação, na celebração e até depois da celebração. Quem, como, quando e onde — são questões que sintetizam alguns desses pontos. [Para ajudar a compreender melhor, ler: João 20, 21-23); Catecismo da Igreja Católica (CIC), números 1461 a 1470 e 1480 a 1484]

    «Àqueles a quem perdoardes os pecados, ficarão perdoados»

    — é uma parte da missão confiada aos Apóstolos, no evangelho segundo João. «A Igreja viu nestas palavras a instituição do sacramento da reconciliação, que é fonte de paz e alegria, e definiu o seu sentido literal; de facto, Jesus diz: A quem perdoardes os pecados, e não simplesmente: ‘A quem pregardes o perdão dos pecados’. Pois dizer ficarão perdoados corresponde a ‘Deus perdoará’» (Bíblia Sagrada, Nota ao texto de João, Difusora Bíblica, 1770).

    Reconciliação

    O Sacramento da Penitência e da Reconciliação também «é chamado sacramento da confissão, porque o reconhecimento, a confissão dos pecados perante o sacerdote é um elemento essencial deste sacramento. Num sentido profundo, este sacramento é também uma ‘confissão’, reconhecimento e louvor da santidade de Deus e da sua misericórdia para com o ser humano pecador» (CIC 1424).

    Quem deve reconciliar-se?

    A «primeira confissão» está associada à preparação para a Primeira Comunhão (Festa da Eucaristia). Daí em diante, deve-se confessar antes de comungar, se tiver cometido algum pecado grave. «A Confissão é também o maior dom da cura e de uma crescente união com o Senhor [...]. Os cristãos que levam a sério o seguimento de Jesus procuram a alegria que provém de um radical reinício com Deus» (Catecismo Jovem da Igreja Católica [YOUCAT], 235).

    Quem pode perdoar os pecados?

    «Só Deus pode perdoar os pecados. ‘Os teus pecados estão perdoados!’ (Marcos 2, 5) disse Jesus, porque é o Filho de Deus. E apenas porque Jesus lhes deu poder, os sacerdotes podem perdoar no lugar de Jesus [...]. Ninguém pode perdoar os pecados se não tiver a missão de Deus para isso e a força proveniente d’Ele para que realmente ocorra o perdão concedido ao penitente. Para isso são designados os bispos e os presbíteros» (YOUCAT, 228 e 236).

    Como é celebrada a reconciliação?

    «Os elementos da celebração são os seguintes: saudação e bênção do sacerdote, leitura da Palavra de Deus para iluminar a consciência e suscitar a contrição e exortação ao arrependimento; a confissão que reconhece os pecados e os manifesta ao sacerdote; a imposição e aceitação da penitência; a absolvição do sacerdote; o louvor de ação de graças e a despedida com a bênção do sacerdote. [...] O sacramento da Penitência pode também ter lugar no âmbito duma celebração comunitária, na qual se faz uma preparação conjunta para a confissão e conjuntamente se dão graças pelo perdão recebido. [...] Esta celebração comunitária exprime mais claramente o carácter eclesial da penitência» (CIC 1480 e 1482). O Ritual prevê três modalidades: para a celebração da reconciliação: um só penitente; vários penitentes com confissão e absolvição individual; vários penitentes com confissão e absolvição geral.

    Quando se pode reconciliar?

    «A reconciliação dos penitentes pode celebrar-se em qualquer tempo e dia. [...] O tempo da Quaresma é o mais próprio» (Ritual Romano da Celebração da Penitência, 13). Além do que já se disse na primeira questão, a Igreja recomenda que se celebre este Sacramento, pelo menos, uma vez por ano. «A pessoa deve confessar-se quando sente necessidade do perdão e da reconciliação com Deus e com os irmãos. Alguém poderá dizer: ‘Se for assim, há gente que nunca se confessará’. É possível [...]. Agora, eu pergunto: ‘É cristão o gesto de passar a vida toda sem sentir necessidade da reconciliação?» (José Bortolini, «Os Sacramentos na tua vida», São Paulo, Lisboa 1995, 83-84).

    Onde se pode reconciliar?

    «O sacramento da Penitência celebra-se ordinariamente na igreja ou capela. O local próprio para o ato sacramental deve assegurar, por um lado, a discrição e prudência requeridas no diálogo entre o penitente e o sacerdote, e responder, por outro lado, às exigências de uma ação litúrgica [...]. Os confessionários devem manter-se [...]. São de prever, além disso, espaços ou dispositivos que permitam o diálogo face a face para quem o prefira» (Ritual Romano da Celebração da Penitência, 12 bis).

    «Quando foi a última vez que te confessaste? Cada um pense nisto... [...] Sê corajoso e vai confessar-te!» (Francisco, Audiência Geral de 19 de fevereiro de 2014).






    Reflexões semanais sobre a «fé celebrada» (liturgia e Sacramentos) — Laboratório da fé, 2014
    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 3.4.14 | Sem comentários
    Rezar na Quaresma - Ano A, Edições Salesianas, 2014

    No tempo de Jesus, João foi uma luz,
     um farol a apontar para o verdadeiro Messias. 
    Em cada tempo, Deus põe à tua disposição sinais que te apontam para Jesus.
    Pode ser a Palavra que lês quando pegas na Bíblia.
    Pode ser o Sacramento da Confissão.
    Pode ser o testemunho discreto mas luminoso desta ou daquela pessoa 
    que te faz acreditar com mais entusiasmo.
    Quando tens coragem de abrir os olhos 
    não faltam estrelas a contrariar a noite.

    Obrigado, Deus da Luz,
    pelos tantos sinais que pões à minha disposição.
    Obrigado pela coragem que encontro ao longo desta estrada.
    Obrigado pela esperança que não caduca.
    Obrigado por me mostrares um amor que não hesita.


    «Rezar na Quaresma - Ano A»
    © 2014 Rui Alberto
    © 2014 Edições Salesianas

    Este texto faz parte do livro «Rezar na Quaresma - Ano A» das Edições Salesianas;
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    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 3.4.14 | Sem comentários

    REZAR O DOMINGO QUINTO DA QUARESMA

    6 DE ABRIL DE 2014


    Evangelho segundo João 11, 1-45

    Naquele tempo, estava doente certo homem, Lázaro de Betânia, aldeia de Marta e de Maria, sua irmã. Maria era aquela que tinha ungido o Senhor com perfume e Lhe tinha enxugado os pés com os cabelos. Era seu irmão Lázaro que estava doente. As irmãs mandaram então dizer a Jesus: «Senhor, o teu amigo está doente». Ouvindo isto, Jesus disse: «Essa doença não é mortal, mas é para a glória de Deus, para que por ela seja glorificado o Filho do homem». Jesus era amigo de Marta, de sua irmã e de Lázaro. Entretanto, depois de ouvir dizer que ele estava doente, ficou ainda dois dias no local onde Se encontrava. Depois disse aos discípulos: «Vamos de novo para a Judeia». Os discípulos disseram-Lhe: «Mestre, ainda há pouco os judeus procuravam apedrejar-Te e voltas para lá?». Jesus respondeu: «Não são doze as horas do dia? Se alguém andar de dia, não tropeça, porque vê a luz deste mundo. Mas, se andar de noite, tropeça, porque não tem luz consigo». Dito isto, acrescentou: «O nosso amigo Lázaro dorme, mas Eu vou despertá-lo». Disseram então os discípulos: «Senhor, se dorme, estará salvo». Jesus referia-se à morte de Lázaro, mas eles entenderam que falava do sono natural. Disse-lhes então Jesus abertamente: «Lázaro morreu; por vossa causa, alegro-Me de não ter estado lá, para que acrediteis. Mas, vamos ter com ele». Tomé, chamado Dídimo, disse aos companheiros: «Vamos nós também, para morrermos com Ele». Ao chegar, Jesus encontrou o amigo sepultado havia quatro dias. Betânia distava de Jerusalém cerca de três quilómetros. Muitos judeus tinham ido visitar Marta e Maria, para lhes apresentar condolências pela morte do irmão. Quando ouviu dizer que Jesus estava a chegar, Marta saiu ao seu encontro, enquanto Maria ficou sentada em casa. Marta disse a Jesus: «Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido. Mas sei que, mesmo agora, tudo o que pedires a Deus, Deus To concederá». Disse-lhe Jesus: «Teu irmão ressuscitará». Marta respondeu: «Eu sei que há-de ressuscitar na ressurreição do último dia». Disse-lhe Jesus: «Eu sou a ressurreição e a vida. Quem acredita em Mim, ainda que tenha morrido, viverá; e todo aquele que vive e acredita em Mim, nunca morrerá. Acreditas nisto?». Disse-Lhe Marta: «Acredito, Senhor, que Tu és o Messias, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo». Dito isto, retirou-se e foi chamar Maria, a quem disse em segredo: «O Mestre está ali e manda-te chamar». Logo que ouviu isto, Maria levantou-se e foi ter com Jesus. Jesus ainda não tinha chegado à aldeia, mas estava no lugar em que Marta viera ao seu encontro. Então os judeus que estavam com Maria em casa para lhe apresentar condolências, ao verem-na levantar-se e sair rapidamente, seguiram-na, pensando que se dirigia ao túmulo para chorar. Quando chegou aonde estava Jesus, Maria, logo que O viu, caiu-Lhe aos pés e disse-Lhe: «Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido». Jesus, ao vê-la chorar, e vendo chorar também os judeus que vinham com ela, comoveu-Se profundamente e perturbou-Se. Depois perguntou: «Onde o pusestes?». Responderam-Lhe: «Vem ver, Senhor». E Jesus chorou. Diziam então os judeus: «Vede como era seu amigo». Mas alguns deles observaram: «Então Ele, que abriu os olhos ao cego, não podia também ter feito que este homem não morresse?». Entretanto, Jesus, intimamente comovido, chegou ao túmulo. Era uma gruta, com uma pedra posta à entrada. Disse Jesus: «Tirai a pedra». Respondeu Marta, irmã do morto: «Já cheira mal, Senhor, pois morreu há quatro dias». Disse Jesus: «Eu não te disse que, se acreditasses, verias a glória de Deus?». Tiraram então a pedra. Jesus, levantando os olhos ao Céu, disse: «Pai, dou-Te graças por Me teres ouvido. Eu bem sei que sempre Me ouves, mas falei assim por causa da multidão que nos cerca, para acreditarem que Tu Me enviaste». Dito isto, bradou com voz forte: «Lázaro, sai para fora». O morto saiu, de mãos e pés enfaixados com ligaduras e o rosto envolvido num sudário. Disse-lhes Jesus: «Desligai-o e deixai-o ir». Então muitos judeus, que tinham ido visitar Maria, ao verem o que Jesus fizera, acreditaram n’Ele.



    Quinta, 3: SINAIS DE RESSURREIÇÃO

    No coração das incredulidades do mundo, preparo-me para contemplar, com a multidão diante do túmulo fechado, o esplendor da ressurreição. Quais são os sinais de ressurreição que acompanham as pequenas mortes que eu já pude «viver»? Assina-lo uns e outros.



    Sexta, 4: O CHAMAMENTO DE JESUS

    «Lázaro, sai para fora»! A luz de Cristo abre um caminho para os outros; e obriga a ir ainda mais longe para prolongar a sua maneira de ser junto de todos aqueles que sofrem. Obrigado, Senhor, por me falares, com uma palavra que me faz sair para longe dos meus próprios sofrimentos.



    Sábado, 5: A VIDA ETERNA

    A vida recuperada de Lázaro surpreende os que lá se encontravam. As lágrimas e a tristeza desaparece, mas quantos deles seguem o caminho da fé? Ninguém sabe. Deis trabalho no segredo dos corações. Senhor, permite que, a partir de hoje, eu viva da eternidade que me habita.



    Domingo, 6: COM JESUS, DO SOFRIMENTO À ALEGRIA

    Entramos numa história de amor. Face a um anúncio triste, Jesus não se precipitou. Esperou dois dias. É também com paragens que somos convidados a preparar as festas pascais que se aproximam. Como Marta, a emoção de ir ao encontro de Cristo, a certeza duma fé renovada, podem hoje mesmo invadir-nos se escutarmos os gritos contra a injustiça, os sofrimentos das nossas irmãs e irmãos dos países desfigurados. Os doentes, os mortos estão aí, na Síria, na República Centro Africana, nas Filipinas. Jesus fica consternado, mas o seu amor é mais forte. Contemplemos o ser humano que ele coloca de pé. Que a alegria da ressurreição já se veja nos nossos rostos.



    © www.versdimanche.com
    © tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014

    Rezar o domingo quinto da Quaresma (Ano A), no Laboratório da fé, 2014
    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 3.4.14 | Sem comentários

    PREPARAR O DOMINGO QUINTO DA QUARESMA

    6 DE ABRIL DE 2014


    Ezequiel 37, 12-14

    Assim fala o Senhor Deus: «Vou abrir os vossos túmulos e deles vos farei ressuscitar, ó meu povo, para vos reconduzir à terra de Israel. Haveis de reconhecer que Eu sou o Senhor, quando abrir os vossos túmulos e deles vos fizer ressuscitar, ó meu povo. Infundirei em vós o meu espírito e revivereis. Hei-de fixar-vos na vossa terra e reconhecereis que Eu, o Senhor, digo e faço».



    Infundirei em vós o meu espírito e revivereis


    O profeta é conduzido a um vale pelo Espírito de Deus. Aí, experimenta a visão da nova vida criada pela soberania de Deus. O vale está cheio de ossos ressequidos. Os ossos não têm em si mesmos nenhum poder de vida. A pergunta é: Estes ossos poderão viver? Esta é sempre a grande questão de Israel! Os exilados podem ser resgatados? Os cegos podem ver? Os pobres podem alegrar-se? A vida pode vencer a realidade da morte? Há alguma possiblidade de futuro para os que estão no poder da morte?
    Só Deus tem a resposta para estas questões, porque só Deus tem o poder de dar a vida.
    Então, o profeta é convidado a convocar o vento para que sopre vida, novidade e possibilidades.
    A profecia deixa bem claro que só Deus cria vida nova; pela palavra do profeta chega a novidade de Deus e esta palavraé uma palavra humana concreta; o mandato de Deus e a palavra do profeta evocam uma ressurreição para uma nova vida.
    Em seguida, relaciona a profecia com a realidade da vida de Israel: os ossos são Israel; o vale é o exílio; o poder soberano de Deus pode fazer com que os deportados de Israel regressem a casa. A ressurreição é, aqui, a capacidade de Deus trazer uma novidade absoluta e inesperada ao coração da história.

    © Joan Ferrer, Misa dominical
    © tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
    A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor

    Preparar o domingo quinto da Quaresma (Ano A), no Laboratório da fé, 2014
    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 3.4.14 | Sem comentários
    Rezar na Quaresma - Ano A, Edições Salesianas, 2014

    O Senhor está perto de quantos O invocam.

    Mesmo com telemóveis,
    internet e redes sociais,
    custa-nos muito comunicar.
    Claro que dizemos o óbvio mas estamos demasiado isolados,
    demasiado divididos por muros, medos e desconfianças.
    Se calhar é por isso que nos custa acreditar
    num Deus que está ao alcance da mão.
    Num Deus que Se deixa encontrar perto da vida.
    Num Deus que anula todas as barreiras para estar connosco.

    Estás perto, Senhor.
    Tentei fugir de Ti.
    Virei-Te as costas.
    Fechei os ouvidos à Tua Palavra.
    E mesmo assim Tu não desiste.
    Contra toda a lógica da razão,
    contra as expectativas, ficaste por perto.
    Sempre disponível
    .

    «Rezar na Quaresma - Ano A»
    © 2014 Rui Alberto
    © 2014 Edições Salesianas

    Este texto faz parte do livro «Rezar na Quaresma - Ano A» das Edições Salesianas;
    qualquer forma de reprodução ou distribuição deste texto precisa de autorização.

    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 2.4.14 | Sem comentários
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