PREPARAR O DOMINGO TERCEIRO DA QUARESMA

23 DE MARÇO DE 2014


Êxodo 17, 3-7

Naqueles dias, o povo israelita, atormentado pela sede, começou a altercar com Moisés, dizendo: «Porque nos tiraste do Egipto? Para nos deixares morrer à sede, a nós, aos nossos filhos e aos nossos rebanhos?». Então Moisés clamou ao Senhor, dizendo: «Que hei-de fazer a este povo? Pouco falta para me apedrejarem». O Senhor respondeu a Moisés: «Passa para a frente do povo e leva contigo alguns anciãos de Israel. Toma na mão a vara com que fustigaste o Rio e põe-te a caminho. Eu estarei diante de ti, sobre o rochedo, no monte Horeb. Baterás no rochedo e dele sairá água; então o povo poderá beber». Moisés assim fez à vista dos anciãos de Israel. E chamou àquele lugar Massa e Meriba, por causa da altercação dos filhos de Israel e por terem tentado o Senhor, ao dizerem: «O Senhor está ou não no meio de nós?».



Dar de beber


O Êxodo é o dom da liberdade que Deus concedeu aos escravos hebreus no Egito. A libertação levou o povo ao deserto, que não é um lugar de bem-estar. Não há água. As garantias mínimas de vida — comida e água a troco de servidão — que eram oferecidas pelo sistema imperial e escravista dos egípcios já não existem. Esta crise provoca protestos e insatisfação.
Parece que nos encontramos perante uma crise de liderança por parte de Moisés; mas Moisés é apenas um agente do Senhor, que é o verdadeiro líder.
Moisés sente-se em perigo e pede a Deus que faça qualquer coisa. Moisés e Israel começam a dar conta de que o Deus do Êxodo não é um recurso para satisfazer todos os desejos de Israel.
A resposta de Deus é abrupta e decisiva: uma ordem e uma promessa. Moisés há de agir de uma maneira bastante surpreendente: dar com a vara no rochedo. Há de encontrar água no lugar mais inesperado. Deus não dá qualquer explicação nem argumento.
A promessa faz referência à presença de Deus: «Eu estarei diante de ti».
A história é muito seca, embora a água, perante a ordem do Senhor e a ação de Moisés, jorre e mate a sede ao povo. O Senhor sustenta a vida, apesar do povo o ter posto à prova: o Senhor foi tratado como um meio e não como um fim; o centro de gravidade da existência foi alterado, de Deus para a própria vida; ora, isto é um ato de idolatria.

© Joan Ferrer, Misa dominical
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor

Preparar o domingo terceiro da Quaresma (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 21.3.14 | Sem comentários
VIVER A QUARESMA

Quaresma de fé

Vamos matá-lo e atirá-lo a uma cisterna

O texto fala-nos de José como filho preferido de Jacob; da reação dos irmãos: começaram a odiá-lo; da missão que Jacob confia a José: visitar os seus irmãos; da prontidão de José. Depois, desenvolve a vingança por parte dos irmãos. > > >

A pedra rejeitada pelos construtores tornou-se a pedra angular

A parábola faz um sumário da sorte que tiveram os enviados na história do Povo de Israel. A vinha é a imagem bíblica frequente para designar o povo. Os cuidados com a vinha são expressão dos cuidados de Deus com Israel. > > >

Seguir Jesus Cristo

Ser-vos-á tirado o reino de Deus e dado a um povo que produza os seus frutos

O proprietário da vinha retirou-a aos vinhateiros homicidas. E a advertência de Jesus é clara: se o povo não cuida da vinha do Pai, então haverá outro povo. E este novo povo, a Igreja de Jesus Cristo, é um povo a caminho. > > >

Rezar na Quaresma

Venderam José por vinte moedas de prata

Ao ler esta história trágica de gente que vende o seu irmão como uma mercadoria, podemos ficar comovidos. Mas logo nos tranquilizamos: «Só são coisas de tempos antigos!». José vendido pelos irmãos, Jesus vendido por Judas, milhões de homens e mulheres escravizados ao longo da história... homens e mulheres de hoje tratados como mercadoria pelas indústrias da droga, da prostituição, da pornografia... > > >

A pedra rejeitada pelos construtores tornou-se a pedra angular

Tu, Jesus, és a minha pedra angular, Aquele que dá ordem e sentido a toda a minha vida. Em Ti e só em Ti eu encontro liberdade e paz, vitória contra a morte e esperança contra o desânimo. > > >

Quaresma, Ano A, Laboratório da fé, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 21.3.14 | Sem comentários

QUARESMA DE FÉ — SEXTA-FEIRA DA SEGUNDA SEMANA


Génesis 37, 3-4.12-13a.17b-28

Jacob gostava mais de José que dos seus outros filhos, porque ele era o filho da sua velhice; e mandou fazer-lhe uma túnica de mangas compridas. Os irmãos, vendo que o pai o preferia a todos eles, começaram a odiá-lo e não eram capazes de lhe falar com bons modos. Um dia foram para Siquém apascentar os rebanhos do pai. Jacob disse a José: «Os teus irmãos apascentam os rebanhos em Siquém. vem cá, pois quero mandar-te ir ter com eles». José partiu à procura dos irmãos e encontrou-os em Dotain. Eles viram-no de longe e, antes que chegasse perto, combinaram entre si a sua morte. Disseram uns aos outros: «Aí vem o homem dos sonhos. Vamos matá-lo e atirá-lo a uma cisterna e depois diremos que um animal feroz o devorou. Veremos então em que vão dar os seus sonhos». Mas Rúben ouviu isto e, querendo livrá-lo das suas mãos, disse: «Não lhe tiremos a vida». Para o livrar das suas mãos e entregá-lo ao pai, Rúben disse aos irmãos: «Não derrameis sangue. Lançai-o nesta cisterna do deserto, mas não levanteis as mãos contra ele». Quando José chegou junto dos irmãos, eles tiraram-lhe a túnica de mangas compridas que trazia, pegaram nele e lançaram-no dentro da cisterna, uma cisterna vazia, sem água. Depois sentaram-se para comer. Mas, erguendo os olhos, viram uma caravana de ismaelitas que vinha de Galaad. Traziam camelos carregados de goma de tragacanto, resina aromática e láudano, que levavam para o Egipto. Então Judá disse aos irmãos: «Que interesse haveria em matar o nosso irmão e esconder-lhe o sangue? Vamos vendê-lo aos ismaelitas, mas não lhe ponhamos as mãos, porque é nosso irmão, da mesma carne que nós». Os irmãos concordaram. Passando por ali uns negociantes de Madiã, tiraram José da cisterna e venderam-no por vinte moedas de prata aos ismaelitas, que o levaram para o Egipto.



Vamos matá-lo e atirá-lo a uma cisterna 

e depois diremos que um animal feroz o devorou


A leitura deste dia é retirada do ciclo patriarcal, com referência a José. É uma mistura de ternura (por parte de Jacob) e de inveja fratricida (por parte dos irmãos).
Tal como se apresenta neste texto é como uma espécie de vislumbre da situação histórica de Jesus: amado e enviado pelo Pai: «veio aos seus e os seus não o receberam»; e sacrificado na cruz pelos seus irmãos.
O texto fala-nos de José como filho preferido de Jacob; da reação dos irmãos: começaram a odiá-lo; da missão que Jacob confia a José: visitar os seus irmãos; da prontidão de José.
Depois, desenvolve a reação de vingança por parte dos irmãos: «Aí vem o homem dos sonhos. Vamos matá-lo e atirá-lo a uma cisterna»... José acaba por ser vendido e levado para o Egito, onde chega a ocupar um lugar importante. Lido à luz do Novo Testamento, é um esboço do itinerário de Jesus.


Sinais para o caminho de fé


  • Fixamo-nos em Jacob (patriarca/pai) que envia o seu filho predileto, José, para visitar os seus irmãos. Aponta para outro Pai, outro envio, outros irmãos...

  • A nossa fé em Deus é essencialmente cristológica: para por Cristo — «Que te conheçam a Ti e Aquele que Tu enviaste» (João 17, 3).

  • «A Deus jamais alguém o viu. O Filho Unigénito, que Deus e está no seio do Pai, foi Ele quem o deu a conhecer» (João 1, 18).

  • «Mostra-nos o Pai e isso nos basta. — Filipe, quem me vê, vê o Pai» (João 14, 9). A imagem de Deus passa necessariamente pelo homem-Jesus.

  • Tirar Jesus da nossa profissão de fé em Deus é eliminar toda a proximidade que nos é oferecida pela Incarnação. Como crentes, precisamos de nos aproximarmos da história de Jesus, para aprender quem e como é o Deus em quem acreditamos.

  • Quando à falta lhe falta a «carne do Enviado» podemos cair em puras fantasias.

  • O conteúdo da nossa fé cristológica é: «foi crucificado sob Pôncio Pilatos; padeceu e foi sepultado. Ressuscitou ao terceiro dia, conforme as Escrituras».
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
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  • QUARESMA DE FÉ: Mateus 21, 33-43.45-46 > > >



Pedro Jaramillo – Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 21.3.14 | Sem comentários
Rezar na Quaresma - Ano A, Edições Salesianas, 2014

Ao ler esta história trágica de gente
que vende o seu irmão como uma mercadoria,
podemos ficar comovidos.
Mas logo nos tranquilizamos:
«Só são coisas de tempos antigos!».
José vendido pelos irmãos,
Jesus vendido por Judas,
milhões de homens e mulheres escravizados ao longo da história...
homens e mulheres de hoje tratados como mercadoria
pelas indústrias da droga, da prostituição, da pornografia...
No caminho desta Quaresma
tens de pensar a sério sobre a dignidade de cada ser humano.

Abre os meus olhos, Senhor.
Tira o meu coração da indiferença.
Faz-me sentir o que Tu sentes pelos teus filhos.
Liberta-me da tentação da impotência,
da mentira que não posso fazer nada.
Ensina-me a ficar indignado 
com a opressão, a violência, a exploração.
Faz-me ficar ao teu lado,
do lado dos que sofrem.

«Rezar na Quaresma - Ano A»
© 2014 Rui Alberto
© 2014 Edições Salesianas

Este texto faz parte do livro «Rezar na Quaresma - Ano A» das Edições Salesianas;
qualquer forma de reprodução ou distribuição deste texto precisa de autorização.

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 21.3.14 | Sem comentários
VIVER A QUARESMA

Quaresma de fé

Bendito o homem que confia no Senhor

A imagem da natureza é sugestiva: um apoio puramente humano é fazê-lo «como o cardo na estepe». Mas quem «confia no Senhor e põe no Senhor a sua esperança» é como uma árvore frondosa plantada à beira mar; não se preocupa com a seca nem deixa de dar fruto. > > >

Lembra-te que recebeste os teus bens em vida e Lázaro apenas os males

A parábola de Lázaro e do rico avarento é um novo ensinamento de Jesus sobre os verdadeiros valores do Reino. É uma «dramatização» (narração em forma de parábola) do que não pode ser o estilo dos seguidores de Jesus. > > >

Seguir Jesus Cristo

Um pobre chamado Lázaro

É ao coração da pessoa que Deus fala. É Deus que nos indica o caminho a seguir para cumprir toda a Lei e todas as profecias que se resumem nos grandes mandamentos do amor a Ele e ao próximo. Escutemo-lo. Será Ele próprio a indicar-nos como lhe exprimir o nosso amor. > > >

Rezar na Quaresma

O caminho dos pecadores leva à perdição

A sério? O caminho dos maus leva à perdição?! Olha, que não parece. Parecem tão elegantes, tão sorridentes, tão... felizes. A violência, a mentira, a indiferença parecem muito mais fortes do que o bem. Mais um caso em que as aparências iludem. > > >

Bendito o homem que confia no Senhor e põe n'Ele a sua confiança

Confiando em Ti, Deus de um amor fiel, avanço sereno, resistindo e esperando, vivendo como teu filho amado. Não conheço todos os detalhes do caminho nem tenho certezas sobre o que sucederá em cada dia. Basta-me saber que posso confiar em Ti. Sempre! > > >

Quaresma, Ano A, Laboratório da fé, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 20.3.14 | Sem comentários

QUARESMA DE FÉ — QUINTA-FEIRA DA SEGUNDA SEMANA


Jeremias 17, 5-10

Assim fala o Senhor: «Maldito o homem que confia no homem e põe na carne a sua esperança, afastando o seu coração do Senhor. Será como o cardo na estepe, que nem percebe quando chega a felicidade; habitará na aridez do deserto, terra salobre e inóspita. Bendito o homem que confia no Senhor e põe no Senhor a sua esperança. É como a árvore plantada à beira da água, que estende as raízes para a corrente: nada tem a temer quando vem o calor e a sua folhagem mantém-se sempre verde; em ano de estiagem não se inquieta e não deixa de produzir os seus frutos. O coração é o que há de mais astucioso e incorrigível. Quem o pode entender? Posso Eu, que sou o Senhor: penetro os corações, sondo os mais íntimos sentimentos, para retribuir a cada um segundo o seu caminho, conforme o fruto das suas obras».



Bendito o homem que confia no Senhor


A bênção/ maldição é um género literário muito próprio da profecia. Ajuda o profeta a estabelecer os contrastes. A maldição é mal-dizer de alguém; a bênção, ao contrário, é bem-dizer.
O tema da leitura proposta para hoje é a confiança, o apoio definitivo que se procura para a vida. Jeremias «diz mal» (amaldiçoa) o ser humano que põe a sua confiança noutro humano. Quem «apoia» a sua vida, procurando o fundamento «na carne» (a carne refere-se ao humano enquanto débil). Não se trata de um anti-humanismo do profeta. Pelo contrário, o que Jeremias procura é que o ser humano não se perca por falta de um apoio seguro.
Daí a bênção: o profeta «fala bem» de quem pôs a confiança, de quem procurou o apoio em Deus. Deus não é de «carne». Não é, portanto, um apoio débil. É fundamento para o ser humano.
A imagem da natureza é sugestiva: um apoio puramente humano é fazê-lo «como o cardo na estepe». Mas quem «confia no Senhor e põe no Senhor a sua esperança» é como uma árvore frondosa plantada à beira mar; não se preocupa com a seca nem deixa de dar fruto.
Neste contraste (e só nele), entende-se bem o «maldito o homem que confia no homem». Não se trata da necessária confiança no próximo; ou da desconfiança no desenvolvimento do ser humanos e das suas capacidades. Estamos num nível distinto: o nível do apoio «último».


Sinais para o caminho de fé


  • A fé tem uma dimensão essencial de confiança. Mais ainda: naquilo a que se chama o «ato de fé», a confiança é predominante. É claro que se trata, não da confiança «ligth», mas de uma confiança fundante. Da confiança que determina em quem apoio a totalidade do meu ser e do meu viver.

  • No ato de fé, esse tipo de confiança está primeiro e é fundamental. Só depois surgem os «conteúdos da fé». Uma fé reduzida aos conteúdos perde a água que a alimenta; e seca.

  • A fé pela qual o ser humano põe o seu apoio total e último em Deus é uma aposta no humanismo de primeira. As imagens de Jeremias são expressivas: o contraste é entre um ser humano seco e sem frutos e um ser humano «plantado à beira da água, que estende as raízes para a corrente: nada tem a temer quando vem o calor e a sua folhagem mantém-se sempre verde; em ano de estiagem não se inquieta e não deixa de produzir os seus frutos».
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor



  • QUARESMA DE FÉ: Lucas 16, 19-31 > > >



Pedro Jaramillo – Laboratório da fé, 2014


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 20.3.14 | Sem comentários
Rezar na Quaresma - Ano A, Edições Salesianas, 2014

A sério?
O caminho dos maus leva à perdição?!
Olha, que não parece.
Parecem tão elegantes, tão sorridentes, tão... felizes.
A violência, a mentira, a indiferença
parecem muito mais fortes do que o bem.
Mais um caso em que as aparências iludem.
Respira fundo.
Vê as coisas com calma.
E vais perceber que Deus tem razão.
Mais cedo ou mais tarde,
o pecado só colhe o seu próprio vazio e sem sentido.

Ajuda-me a ir, Senhor, 
contra a corrente.
Faz-me ver para lá das aparências.
Ensina-me a distinguir o certo do errado, 
o que faz crescer do que esvazia.
Agora sei que conTigo 
é possível escolher o caminho que leva à vida.
Em Ti, essa estrada pode ser andada.

«Rezar na Quaresma - Ano A»
© 2014 Rui Alberto
© 2014 Edições Salesianas

Este texto faz parte do livro «Rezar na Quaresma - Ano A» das Edições Salesianas;
qualquer forma de reprodução ou distribuição deste texto precisa de autorização.

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 20.3.14 | Sem comentários

Mistério da fé! [24]


«A vida nova recebida na iniciação cristã não suprimiu a fragilidade e a fraqueza da natureza humana, nem a inclinação para o pecado, a que a tradição chama concupiscência, a qual persiste nos batizados, a fim de que prestem as suas provas no combate da vida cristã, ajudados pela graça de Cristo. Este combate é o da conversão, em vista da santidade e da vida eterna» (Catecismo da Igreja Católica [CIC], 1426). [Para ajudar a compreender melhor, ler: Mateus 4, 12-17; Catecismo da Igreja Católica, números 1422 a 1439]

«Convertei-vos, porque está próximo o Reino do Céu»

— é o primeiro apelo de Jesus Cristo ao iniciar a sua missão, a chamada «vida pública». A mensagem de Jesus Cristo pede conversão. Isto significa deixar as seguranças e as rotinas para assumir uma vida nova, ou melhor, deixar-se surpreender pela novidade que é o próprio Jesus Cristo. Por isso, é Evangelho, isto é, Boa Nova.

Reconciliação

«Reconciliar é voltar a conciliar, fazer a união do que estava separado. A mensagem fundamental de Cristo foi a reconciliação com Deus, a conversão e o perdão. E também foi este o conteúdo básico, desde o princípio, da evangelização por parte da Igreja» (José Aldazábal, «Dicionário Elementar de Liturgia» [DEL], ed. Paulinas, Prior Velho 2007, 252). Este Sacramento de Cura toma, entre outros, o nome de Sacramento da Reconciliação «porque dá ao pecador o amor de Deus que reconcilia: ‘Deixai-vos reconciliar com Deus’ (2Coríntios 5, 20). Aquele que vive do amor misericordioso de Deus está pronto para responder ao apelo do Senhor: ‘Vai primeiro reconciliar-te com teu irmão’ (Mateus 5, 24)» (CIC 1424). Neste sacramento, desde sempre, estão presentes duas dimensões que nunca se podem separar: a reconciliação com Deus e a reconciliação com a comunidade cristã.

Conversão

«É chamado sacramento da conversão, porque realiza sacramentalmente o apelo de Jesus à conversão e o esforço de regressar à casa do Pai da qual o pecador se afastou pelo pecado» (CIC 1423). Este apelo de Jesus Cristo não se circunscreve a um abandono dos pecados anteriores ou à confissão desses pecados. O que está em causa é uma mudança de direção, a situar-se num novo conjunto de valores, a mudar de critérios, a deixar-se conduzir pelo Evangelho. Este é o núcleo da pregação de Jesus Cristo e há de ser também o núcleo da pregação dos seus discípulos e da Igreja. «Este convite à conversão constitui a conclusão vital do anúncio feito pelos Apóstolos depois do Pentecostes. [...] Já não é genericamente o ‘reino’, mas a própria obra de Jesus, inscrita no plano divino prenunciado pelos profetas. Ao anúncio de quanto ocorreu com Jesus Cristo, morto, ressuscitado e vivo na glória do Pai, segue o premente convite à ‘conversão’» (João Paulo II, Audiência Geral de 15 de setembro de 1999). Por isso, a Igreja, ao anunciar a Palavra de Deus, «visa a conversão cristã, isto é, a adesão plena e sincera a Cristo e ao seu Evangelho» (João Paulo II, Carta Encíclica sobre a validade permanente do mandato missionário — «Redemptoris Missio» [RM], 46). Historicamente, «este apelo dirige-se, em primeiro lugar, àqueles que ainda não conhecem Cristo e o seu Evangelho. Por isso, o Batismo é o momento principal da primeira e fundamental conversão. É pela fé na boa-nova e pelo Batismo que se renuncia ao mal e se adquire a salvação, isto é, a remissão de todos os pecados e o dom da vida nova. Ora, o apelo de Cristo à conversão continua a fazer-se ouvir na vida dos cristãos. Esta ‘segunda conversão’ é uma tarefa ininterrupta para toda a Igreja, que ‘contém pecadores no seu seio’ e que é, ‘ao mesmo tempo, santa e necessitada de purificação, prosseguindo constantemente no seu esforço de penitência e de renovação’. Este esforço de conversão não é somente obra humana. É o movimento do ‘coração contrito’ atraído e movido pela graça para responder ao amor misericordioso de Deus, que nos amou primeiro» (CIC 1427-1428). Neste sentido, «a consciência das grandes obras que o Senhor realizou para a nossa salvação dispõe a nossa mente e o nosso coração para uma atitude de ação de graças a Deus, pelo que Ele nos concedeu, por tudo aquilo que leva a cabo em benefício do seu Povo e da humanidade inteira. É aqui que tem início a nossa conversão: ela é a resposta reconhecida ao mistério maravilhoso do amor de Deus. Quando nos damos conta deste amor que Deus tem por nós, sentimos a vontade de nos aproximarmos dele: é nisto que consiste a conversão» (Francisco, Audiência Geral de 5 de março de 2014).

«Não podemos pregar a conversão, se nós mesmos não nos convertermos todos os dias» (RM 47).






Reflexões semanais sobre a «fé celebrada» (liturgia e Sacramentos) — Laboratório da fé, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 20.3.14 | Sem comentários
VIVER A QUARESMA

Seguir Jesus Cristo

Maria, noiva de José, antes de terem vivido em comum, encontrara-se grávida

José, o justo! Ajusta-se ao projeto de Deus que tinha escolhido Maria para ser mãe do seu Filho. Ora se o Pai é Deus, Jesus seu Filho é também Deus. Ora se Maria é humana, Jesus seu filho é também humano. E o carpinteiro José, fiel a Deus, também é fiel a Maria. Não a denuncia, evitando assim o apedrejamento destinado a qualquer mulher grávida fruto de uma relação exterior ao casamento. Toma-a por esposa. E toda a sua vida, José se ajustará à vontade de Deus: desde o nascimento de Jesus, na fuga para o Egito, até ao regresso a Nazaré. Tudo isto para realizar o projeto de Deus. > > >

Rezar na Quaresma

José fez como lhe ordenada o anjo do Senhor

Consegues confiar em Deus? Consegues meter em pausa o bom senso, o desejo de segurança, os esquemas que sempre orientam a tua vida? Tudo, em nome de um Deus que quer contar contigo? > > >

Tu por-lhe-ás o nome de Jesus porque ele salvará o povo dos seus pecados

Senhor Deus, protege e abençoa todos os pais deste mundo. Ajuda-os a serem transparência da tua paternidade amorosa. Condu-los no esforço de serem ternura e firmeza, amparo e estímulo para os seus filhos. > > >

Quaresma, Ano A, Laboratório da fé, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 19.3.14 | Sem comentários
Rezar na Quaresma - Ano A, Edições Salesianas, 2014

Consegues confiar em Deus?
Consegues meter em pausa o bom senso,
o desejo de segurança,
os esquemas que sempre orientam a tua vida?
Tudo, em nome de um Deus que quer contar contigo?

Tu falas comigo, Senhor, 
com muitos «anjos».
São tantos os mensageiros 
que me trazem a tua mensagem de vida e amor.
Ajuda-me a reconhecê-los.
Ajuda-me a acolher as tuas propostas para a minha vida.

«Rezar na Quaresma - Ano A»
© 2014 Rui Alberto
© 2014 Edições Salesianas

Este texto faz parte do livro «Rezar na Quaresma - Ano A» das Edições Salesianas;
qualquer forma de reprodução ou distribuição deste texto precisa de autorização.

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 19.3.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO TERCEIRO DA QUARESMA


A narração do evangelho proposto para o terceiro domingo da Quaresma (Ano A) acontece num cenário não habitual: numa cidade da Samaria. Além de Jesus, a personagem principal na cena não são os discípulos, mas uma mulher. Jesus Cristo, ultrapassando os convencionalismos da época, conversa longamente com ela. É uma mulher, ainda por cima estrangeira (samaritana) e com uma história moral não apreciada, o que faz dela uma interlocutora inadequada para qualquer judeu. Mas a «Boa Nova» de Jesus não percebe nada de convencionalismos nem se detém perante os limites sociais discriminatórios. A partir de uma situação ordinária, quotidiana, fala-lhe do «dom de Deus», um dom que não conhece as fronteiras que os seres humanos inventaram, mas acolhe todas e todos sem distinção de sexo, raça, cultura ou forma de vida.
Jesus Cristo é a «água viva», capaz de saciar, para sempre, a sede do ser humano; não como as outras águas, que só tiram a sede momentaneamente (diversões, prazer, poder, dinheiro, êxito, etc.). Nós que experimentamos esta realidade (?!) somos convidados a partilhar esta «água» com os outros, como fez a mulher samaritana com os seus compatriotas: «Muitos samaritanos daquela cidade acreditaram em Jesus, por causa da palavra da mulher», porque o dom é imenso, grandioso, não tem limites.

© Javier Velasco-Arias

© La Biblia compartida — blogue de Javier Velasco-Arias y Quique Fernández
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor

Preparar o domingo terceiro da Quaresma (Ano A), no Laboratório da fé, 2014




La biblia compartida — www.laboratoriodafe.net


Javier Velasco-Arias, nasceu no ano de 1956, em Medina del Campo (Espanha); atualmente, vive em Barcelona (desde os onze anos de idade). É biblista, professor de Sagrada Escritura no «Instituto Superior de Ciências Religiosas de Barcelona» e no «Centro de Estudos Pastorais» das dioceses da Catalunha. É responsável e membro de várias associações bíblicas, em Espanha. Na área bíblica, é autor de diversas publicações, além de artigos de temas bíblicos em revistas especializadas e na internet.
Outros artigos publicados no Laboratório da fé


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 18.3.14 | Sem comentários
VIVER A QUARESMA

Quaresma de fé

Respeitai o direito, protegei o oprimido, 

fazei justiça ao órfão, defendei a causa da viúva

A fé bíblica, sobretudo nos profetas, tem uma forte componente de compromisso social. A ofensa à dignidade dos homens e mulheres, sobretudo pobres, é considerada como uma ofensa feita diretamente a Deus. > > >

O maior entre vós será o vosso servo

Jesus fala de «escribas e fariseus», mas refere-se a um tipo de religiosidade que pode acontecer em qualquer âmbito religioso, também nas comunidades cristãs. As acusações são fortes e denunciam com dureza a hipocrisia. A hipocrisia acontece quando a manifestação exterior não coincide com o que se passa no coração. > > >

Seguir Jesus Cristo

Vós sois todos irmãos

Os cristãos não têm outro Pai, senão o Deus do céu; não têm outro chefe, senão a cabeça, Cristo, de quem são o Corpo. Toda a Igreja tem de se lembrar: é Corpo unida a esta cabeça. Os membros deste corpo são todos importantes e informados, guiados por aquele que é o chefe, o mestre. É afirmar a igualdade entre os humanos, quaisquer que sejam as suas funções. É reconhecer que não se é cristão sozinho, mas em conjunto. > > >

Rezar na Quaresma

O maior entre vós seja o vosso servo

Estamos aqui para amar e servir. Sem dar nas vistas. Sem precisar de aprovação. Sem esperar recompensa. Estamos aqui para mudar as coisas. Para que a vida, as relações entre as pessoas, sem mais de acordo com o sonho de Deus. > > >

Ainda que os vossos pecados sejam como o escarlate, ficarão brancos como a neve

Dizemos a nós mesmos que não temos pecados. Preferimos falar de falhas, de erros, de disfuncionalidades, de imperfeições… Custa-nos muito falar de pecado. Porque falar de pecado é aceitar que a nossa vida deve ser vivida como uma história de amor para com os outros e com Deus e que muitas (demasiadas?) vezes optamos pelo egoísmo. > > >

Quaresma, Ano A, Laboratório da fé, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 18.3.14 | Sem comentários
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