Palavra para hoje: domingo da Apresentação de Jesus


A festa da Apresentação de Jesus situa-se no prolongamento do Natal; mas tem também uma clara relação com a Páscoa, demonstrada na aclamação a Cristo, Luz do mundo, antecipação da aclamação que preside ao início da Vigília Pascal. É também a festa dos encontros. Maria e José vão ao Templo para oferecer a Deus o seu primeiro filho. O gesto apoia-se na fidelidade ao Deus da Aliança. Encontram Simeão que, iluminado pelo Espírito Santo, reconhece no Menino a Luz do mundo, o Salvador. Ana, também guiada pelo Espírito, une o seu louvor ao de Simeão. E o Espírito Santo prepara o coração de Maria para a Paixão. Hoje, faz-nos reconhecer em Jesus Cristo o Primogénito do Pai, que nos salva pela sua Páscoa.

Pergunta da semana: 

Reconheço em Jesus Cristo a Luz do mundo?

Palavra de Deus - Lectio divina - imagem de fano
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 2.2.14 | Sem comentários

NÃO PODEMOS VIVER SEM O DOMINGO!


«Valorizar o domingo como centro de todo o ano litúrgico» — é o primeiro objetivo apresentado no programa pastoral (2013+14) da Arquidiocese de Braga. Com o intuito de «valorizar» o domingo, acompanhando os tempos litúrgicos, propomos um tema a partir da releitura da Carta Apostólica sobre a santificação do domingo — «O dia do Senhor» («Dies Domini»). Este itinerário tem como tema geral: «Não podemos viver sem o domingo!».

Domingo, DIA DA PALAVRA

Texto de reflexão para o domingo da Apresentação de Jesus 

    39. Na assembleia dominical, como, aliás, em toda a Celebração Eucarística, o encontro com o Ressuscitado dá-se através da participação na dupla mesa da Palavra e do Pão da vida. A primeira continua a dar aquela compreensão da história da salvação e, especialmente, do mistério pascal que o próprio Jesus Cristo ressuscitado proporcionou aos discípulos: é Ele que fala, presente como está na sua palavra, «ao ser lida na Igreja a Sagrada Escritura». Na segunda mesa atualiza-se a presença real, substancial e constante do Senhor Jesus Cristo ressuscitado, através do memorial da sua paixão e ressurreição, e oferece-se aquele pão da vida que é penhor da glória futura. O II Concílio do Vaticano lembrou que «estão tão intimamente ligadas entre si as duas partes de que se compõe, de algum modo, a missa — a liturgia da Palavra e a liturgia eucarística — que formam um só ato de culto». O mesmo Concílio estabeleceu também que «se prepare para os fiéis, com maior abundância, a mesa da Palavra de Deus: abram-se mais largamente os tesouros da Bíblia». Depois, ordenou que, nas missas do domingo e das festas de preceito, a homilia não seja omitida, a não ser por motivo grave. Estas felizes disposições tiveram fiel expressão na reforma litúrgica.



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    Laboratório da fé celebrada, 2013
    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 31.1.14 | Sem comentários

    ANO CRISTÃO


    O Secretariado de Liturgia da diocese do Porto, num artigo do jornal «Voz Portucalense» (15 de janeiro de 2014) destaca a importância do «Tempo Comum»: «começa na segunda-feira a seguir ao domingo que ocorre depois do dia 6 de janeiro e prolonga-se até à terça-feira antes da Quaresma inclusive; retoma-se na segunda-feira a seguir ao domingo do Pentecostes e termina antes das Vésperas I do domingo I do Advento». Em latim a designação é «per annum»; algumas línguas traduziram por «ordinário»; em português preferiu-se o vocábulo «comum». Sobre este tempo afirma que «não se trata – longe disso – de um tempo débil ou pouco importante, dado que nele se celebra todo o mistério de Cristo na sua globalidade. Em vez de se debruçar sobre um momento particular ou aspeto específico, procura favorecer a vivência comum e comunitária do 'todo', do global, do impreterível mistério de Cristo. Se virmos bem, este não é o 'último' dos tempos litúrgicos, mas o primeiro».

    Com a celebração da festa do Batismo do Senhor, encerrou-se o tempo festivo «especial» do Natal/Epifania e entramos no Tempo Comum. Cumpre-se, assim, o número 44 das Normas Gerais que regem o Ano Litúrgico e o Calendário: «O Tempo Comum começa na segunda-feira a seguir ao domingo que ocorre depois do dia 6 de janeiro e prolonga-se até à terça-feira antes da Quaresma inclusive; retoma-se na segunda-feira a seguir ao domingo do Pentecostes e termina antes das Vésperas I do domingo I do Advento».
    Comecemos por anotar a designação: em latim é o tempo «per annum» e, efetivamente, preenche a maior parte do ano começando em janeiro, sendo interrompido durante 14 domingos pelo ciclo Quaresma-Páscoa-Tempo Pascal, para prosseguir depois, durante 6 meses até ao advento do ano seguinte. São 33 ou 34 semanas em 52 que tem o ano: quantitativamente, predomina. Concretamente, em 2014 decorre de 13 de janeiro a 4 de março (terça-feira da oitava semana), recomeça em 9 de junho (segunda-feira da décima semana) e termina em 29 de novembro (sábado da 34.ª semana). Tendo apenas 33 semanas, omite-se a semana seguinte àquela em que se interrompe antes da quaresma (em 2014 omite-se a 9.ª semana).
    Na maior parte das línguas modernas (inglês, francês, castelhano, italiano…) «per annum» foi traduzido por «ordinário». Estas versões valorizam o contraste entre o «tempo extraordinário» – assim se consideram os tempos litúrgicos «especiais» (Advento, Natal/Epifania, Quaresma, Páscoa e Tempo Pascal) e o tempo «ordinário», quer dizer, «não especial». Por vezes os autores chamam «tempos fortes» aos tempos litúrgicos «especiais» quase insinuando que as 33/34 semanas do tempo «per annum» seriam um tempo «débil», o que não é de modo algum verdade.
    Em Portugal, nos primeiros tempos da aplicação da reforma litúrgica esta designação – «Tempo Ordinário» – chegou a ser aceite e teve os seus defensores. Mas não prevaleceu por várias razões: porque é uma terminologia mais jurídica que litúrgica; e porque o adjetivo tem em português uma conotação semântica pejorativa que desaconselhou o seu uso fora do contexto jurídico-canónico. Encontrou-se então a designação «Tempo Comum» que parece traduzir de forma aceitável a caracterização que dele se dá no número 43 das Normas Gerais acima referidas: «Além dos tempos referidos [os tempos «especiais» descritos nos números18-42: Tríduo Pascal, Tempo Pascal, Tempo da Quaresma, Tempo do Natal e Tempo do Advento], que têm características próprias, há ainda trinta e três ou trinta e quatro semanas no ciclo do ano, que são destinadas não a celebrar um aspeto particular do mistério de Cristo, mas o próprio mistério de Cristo na sua globalidade, especialmente nos domingos. Este período é denominado Tempo Comum».
    Não se trata – longe disso – de um tempo débil ou pouco importante, dado que nele se celebra todo o mistério de Cristo na sua globalidade. Em vez de se debruçar sobre um momento particular ou aspeto específico, procura favorecer a vivência comum e comunitária do «todo», do global, do impreterível mistério de Cristo. Se virmos bem, este não é o «último» dos tempos litúrgicos, mas o primeiro.
    O Ano litúrgico nasceu com o domingo, a festa primordial dos cristãos. No domingo, a Eucaristia faz a Anamnese/memorial da morte e ressurreição do Senhor, Páscoa celebrada no ritmo de cada semana. A princípio não se sentia a necessidade de nada mais: o ano litúrgico mais não era do que «tempo per annum»: celebração sucessiva e ininterrupta do domingo ao longo de todo o ano e de ano para ano. Posteriormente, alguns domingos ganharam uma coloração especial em virtude de neles se celebrarem momentos ou aspetos particularmente importantes do Mistério de Cristo. E surgiram festas e «tempos especiais»: Tríduo Pascal, Tempo Pascal, Quaresma, Natal/Epifania, Advento… Todos eles se acrescentaram ao «Tempo Comum» que é, assim, tempo principal.

    © SDL | Voz Portucalense
    © Adaptação de Laboratório da fé, 2014



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    Laboratório da fé celebrada, 2014
    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 31.1.14 | Sem comentários

    PREPARAR O DOMINGO DA APRESENTAÇÃO DE JESUS


    Uma das festas mais antigas do cristianismo é a da «Apresentação do Senhor», que, este ano, coincide com o domingo (em vez do quarto domingo). O evangelista e a tradição uniram-na à purificação de Maria. Também é conhecida como a festa da Candelária ou da Luz.
    Ao lado de Jesus menino, Maria e José, o narrador bíblico coloca duas personagens anciãs: Simeão e Ana. Ambos são capazes de perceber a singularidade do menino apresentado pelos seus pais no Templo de Jerusalém. São duas personagens simples, piedosas... Os dois estão atentos à voz do Espírito Santo; os dois expressam-se com a Palavra de Deus nas suas bocas.
    Simeão «profetizará» tanto a salvação que será inaugurada por Jesus, como o seu final trágico, que padecerá com Jesus, de maneira especial, a sua mãe, Maria.
    Uma cena cheia de conteúdo de fé, de humildade, de simplicidade, de Palavra de Deus. Para a maioria passou despercebido. O certo é que a grandeza de Deus se manifesta no pequeno. E só os pequenos a percebem.

    © Javier Velasco-Arias

    © La Biblia compartida — blogue de Javier Velasco-Arias y Quique Fernández
    © tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
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    • Rezar o domingo a partir da evangelho: Lucas 2, 22-40 > > >



    Preparar o domingo da Apresentação de Jesus (Ano A), no Laboratório da fé, 2014




    La biblia compartida — www.laboratoriodafe.net


    Javier Velasco-Arias, nasceu no ano de 1956, em Medina del Campo (Espanha); atualmente, vive em Barcelona (desde os onze anos de idade). É biblista, professor de Sagrada Escritura no «Instituto Superior de Ciências Religiosas de Barcelona» e no «Centro de Estudos Pastorais» das dioceses da Catalunha. É responsável e membro de várias associações bíblicas, em Espanha. Na área bíblica, é autor de diversas publicações, além de artigos de temas bíblicos em revistas especializadas e na internet.
    Outros artigos publicados no Laboratório da fé


    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 30.1.14 | Sem comentários

    Mistério da fé! [17]


    «A Eucaristia é o memorial da Páscoa de Cristo, isto é, da obra do salvação realizada pela vida, morte e ressurreição de Cristo, obra tornada presente pela ação litúrgica» (Catecismo da Igreja Católica [CIC], 1409). [Para ajudar a compreender melhor, ler: 1Coríntios 11, 23-27; Catecismo da Igreja Católica, números 1337 a 1344 e 1362 a 1372]

    «Fazei isto em memória de Mim»

    — disse Jesus Cristo, no contexto da ceia pascal, de acordo com o relato paulino da Primeira Carta aos Coríntios. Trata-se do testemunho literário mais antigo sobre Eucaristia (por volta do ano 52), anterior aos textos dos evangelhos. «‘Em memória de mim’ é o coração da revelação, a realização da história da salvação para cada um de nós, o mistério escondido há séculos e agora revelado» (Francesco Peyron - Paolo Angheben, «Eucaristia, coração da vida», Edições Salesianas, Porto 2004, 77).

    Eucaristia

    São vários os termos usados para designar a Eucaristia (cf. tema 16). Um deles é «Ceia do Senhor»: «porque se trata da ceia que o Senhor comeu com os discípulos na véspera da sua paixão e da antecipação do banquete nupcial do Cordeiro na Jerusalém celeste» (CIC 1329). Outro deles, «o primeiro adotado pelas comunidades cristãs para definir a Eucaristia» (José Aldazábal, «Dicionário Elementar de Liturgia» [DEL], ed. Paulinas, Prior Velho, 2007, 179), é o de «memorial» (em hebraico, ‘zikkaron’; em grego, ‘anamnesis’).

    Memorial

    «O mandato de Jesus foi: ‘Fazei isto em memória de mim’. O memorial não é entendido pela Igreja como uma mera recordação subjetiva ou um aniversário. Ele é uma recordação eficaz, uma celebração que atualiza o que recorda: ou seja, é um ‘sacramento’ do acontecimento passado» (DEL 179). «Um exemplo pode ajudar-nos: suponhamos que um pai de família, para salvar o filho dum incêndio, se lança às chamas e sofre queimaduras para poder tirá-lo de lá. Passados anos, permanecem nos braços e no peito do pai todos os sinais das queimaduras. O filho, olhando para ele, recorda aquele gesto de amor» (Francesco Peyron - Paolo Angheben..., 79). «Para os Judeus, o memorial da sua Páscoa não é só o aniversário da sua saída do Egito, mas a renovação atualizada da aliança que Deus lhes ofereceu então e lhes continua a oferecer agora. Para os cristãos, o memorial da Morte de Cristo, agora Ressuscitado, atualiza e comunica, em cada celebração, a força salvadora do acontecimento da cruz. Além disso, o memorial visa também o futuro: em certo sentido, adianta-o e garante-o. Em cada Missa, ao comer o Pão e o Vinho, que são o Corpo de Cristo (presente), proclama-se a morte do Senhor (passado) ‘até que Ele venha’ (futuro). É assim que S. Paulo descreve a Eucaristia (cf. 1Coríntios 11, 26). É desta forma também que o Concílio define a Eucaristia: como memorial da Morte e Ressurreição de Cristo (cf. Constituição Conciliar sobre a Sagrada Liturgia — «Sacrosanctum Concilium», 47). [...] O Catecismo explica a Eucaristia a partir desta chave (cf. CIC 1362-1372). Os próprios textos do Missal são os que exprimem, sobretudo, a identidade da Eucaristia como memorial da Páscoa de Cristo: ‘ao celebrar agora o memorial da morte e ressurreição do vosso Filho…’ (Oração Eucarística II)» (DEL 179).

    Páscoa

    «A palavra ‘Páscoa’ vem do hebraico ‘pesah’, que parece significar ‘coxear, saltar, passar por cima’, talvez aludindo a algum ‘salto’ ritual e festivo. Mas bem rápido passou a referir-se ao facto de que Javé ‘passou ao largo’ pelas portas dos israelitas, no último castigo infligido aos egípcios, e, mais tarde, à passagem do Mar Vermelho, no trânsito da escravidão para a liberdade. [...] A Páscoa, no Novo Testamento, é uma categoria fundamental para entender a obra salvadora de Cristo e da Eucaristia. [...] Agora é o êxodo, o salto, a passagem de Cristo para o Pai na sua hora crucial de morte e ressurreição, o que dá sentido novo e pleno à Páscoa judaica. Na morte e ressurreição, em que Cristo é o verdadeiro Cordeiro pascal, Ele ofereceu o sacrifício definitivo e conseguiu a Nova Aliança, a reconciliação de Deus com a humanidade, e deu origem ao novo povo da Igreja. [...] E assim como os Judeus, em cada ano, fazem o memorial da sua Páscoa-Êxodo, sobretudo na ceia pascal, também os cristãos recebem o encargo de celebrar – com um ritmo mais frequente – o memorial da Páscoa de Cristo, a Eucaristia» (DEL 226).

    «Portanto, ‘recordar’ é ‘trazer de novo ao coração’ com a memória e o afeto, mas também celebrar uma presença. A Eucaristia, verdadeiro memorial do mistério pascal de Cristo, é capaz de manter viva em nós a memória do seu amor» (João Paulo II, Audiência Geral de 4 de outubro de 2000).






    Reflexões semanais sobre a «fé celebrada» (liturgia e Sacramentos) — Laboratório da fé, 2013
    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 30.1.14 | Sem comentários

    PREPARAR O DOMINGO DA APRESENTAÇÃO DE JESUS

    2 DE FEVEREIRO DE 2014


    Malaquias 3, 1-4

    Assim fala o Senhor Deus: «Vou enviar o meu mensageiro, para preparar o caminho diante de Mim. Imediatamente entrará no seu templo o Senhor a quem buscais, o Anjo da Aliança por quem suspirais. Ele aí vem – diz o Senhor do Universo –. Mas quem poderá suportar o dia da sua vinda, quem resistirá quando Ele aparecer? Ele é como o fogo do fundidor e como a lixívia dos lavandeiros. Sentar-Se-á para fundir e purificar: purificará os filhos de Levi, como se purifica o ouro e a prata, e eles serão para o Senhor  os que apresentam a oblação segundo a justiça. Então a oblação de Judá e de Jerusalém será agradável ao Senhor, como nos dias antigos, como nos anos de outrora.



    Entrará no seu templo o Senhor a quem buscais


    Malaquias significa «o meu mensageiro». O seu livro é o último do conjunto dos doze profetas menores. A sua mensagem situa-se numa época difícil para o povo de Israel: depois do regresso do exílio na Babilónia e da reconstrução do templo de Jerusalém. O povo vive numa situação de desânimo muito grande. Neste contexto, Malaquias é uma voz poderosa: anuncia que, precedido por um mensageiro, o Senhor chegará e porá em causa todas as rotinas a que o povo e os responsáveis em oferecer o culto ao Senhor se tinham acostumado.
    A chegada do Senhor será purificadora: como o fogo que funde o metal nobre para o separar da escória ou como a lixívia que elimina as impurezas agarradas à roupa. A partir de então, as oferendas que se oferecerão ao Senhor, no seu templo de Jerusalém, voltarão a ser agradáveis. É necessário oferecer ao Senhor o que tem origem num coração puro, purificado pelo próprio Senhor.
    O profeta fala da vinda do Senhor. Está e uma característica fundamental da maneira de ser de Deus como como nos é revelada nas Sagradas Escrituras: «Disse Deus: Eu sou o Alfa e o Omega, o que é, o que era e o que há de vir, o Todo-poderoso» (Apocalipse 1, 8). Deus vem e, quando aparecer, nada ficará igual, porque a presença do Senhor transforma a realidade inteira.

    © Joan Ferrer, Misa dominical
    © tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
    A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor

    Preparar o domingo da Apresentação de Jesus (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 29.1.14 | comentários

    REZAR O DOMINGO DA APRESENTAÇÃO DE JESUS

    2 DE FEVEREIRO DE 2014


    Evangelho segundo Lucas 2, 22-40


    Ao chegarem os dias da purificação, segundo a Lei de Moisés, Maria e José levaram Jesus a Jerusalém, para O apresentarem ao Senhor, como está escrito na Lei do Senhor: «Todo o filho primogénito varão será consagrado ao Senhor», e para oferecerem em sacrifício um par de rolas ou duas pombinhas, como se diz na Lei do Senhor. Vivia em Jerusalém um homem chamado Simeão, homem justo e piedoso, que esperava a consolação de Israel; e o Espírito Santo estava nele. O Espírito Santo revelara-lhe que não morreria antes de ver o Messias do Senhor; e veio ao templo, movido pelo Espírito. Quando os pais de Jesus trouxeram o Menino para cumprirem as prescrições da Lei no que lhes dizia respeito, Simeão recebeu-O em seus braços e bendisse a Deus, exclamando: «Agora, Senhor, segundo a vossa palavra, deixareis ir em paz o vosso servo, porque os meus olhos viram a vossa salvação, que pusestes ao alcance de todos os povos: luz para se revelar às nações e glória de Israel, vosso povo». O pai e a mãe do Menino Jesus estavam admirados com o que d’Ele se dizia. Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua Mãe: «Este Menino foi estabelecido para que muitos caiam ou se levantem em Israel e para ser sinal de contradição; – e uma espada trespassará a tua alma – assim se revelarão os pensamentos de todos os corações». Havia também uma profetiza, Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Era de idade muito avançada e tinha vivido casada sete anos após o tempo de donzela e viúva até aos oitenta e quatro. Não se afastava do templo, servindo a Deus noite e dia, com jejuns e orações. Estando presente na mesma ocasião, começou também a louvar a Deus e a falar acerca do Menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém. Cumpridas todas as prescrições da Lei do Senhor, voltaram para a Galileia, para a sua cidade de Nazaré. Entretanto, o Menino crescia e tornava-Se robusto, enchendo-Se de sabedoria. E a graça de Deus estava com Ele.



    Segunda, 27: AGRADECER SEMPRE

    Que maior alegria pode haver do que acolher uma criança! o rito um pouco formal da purificação é uma ocasião para José e Maria agradecer ao Senhor pelo dom do seu filho. Assim, mais do que uma lei a cumprir, trata-se de entrar numa atitude de gratidão. Disponho de tempo para dar graças a Deus pelos pequenos e pelos grandes presentes da minha vida? Que gestos posso inventar para lhe dizer obrigado?



    Terça, 28: RECONHECER DEUS

    Há muita gente em Jerusalém: seguramente, outros casais que vêm apresentar o filho, muitos peregrinos e habitantes, e depois um certo Simeão. É no coração da multidão que vai reconhecer quem ele espera. Pela intercessão de São Tomás de Aquino, que hoje celebramos, peço a graça de reconhecer os traços de Deus nos encontros e nos acontecimentos.



    Quarta, 29: DEIXAR-SE INSPIRAR

    Por três vezes, o Espírito Santo é nomeado em relação a Simeão. O Espírito «estava nele», expressão do livro de Isaías (61, 1), que Jesus vai aplicar a si mesmo no início do seu ministério, em Nazaré. Posso-me interrogar sobre como deixar que o Espírito Santo inspire as minhas palavras e as minhas ações. Peço-lhe a sua força, em especial para as situações mais difíceis que estou a viver.



    Quinta, 30: CANTAR COM O CORAÇÃO

    Lucas, narrador da cena, é frequentemente chamado de evangelista da alegria. Isto porque, nos textos iniciais, a vinda do Senhor suscita o canto jubiloso de numerosos protagonistas: Maria na visita a Isabel, Zacarias aquando do nascimento de João, os anjos, os pastores e, claro, Simeão. Faço minhas estas palavras e canto-as à minha maneira.



    Sexta, 31: ACEITAR O COMBATE

    A alegria não impede o combate; e as palavras que Simeão dirige a Maria são ásperas: o caminho da cruz começa por ela. Posso pensar em todos os parentes que sofrem e que se sentem incapazes perante o que atravessam os seus filhos. Que a força tranquila de Maria seja o seu apoio.



    Sábado, 1: LOUVAR E TESTEMUNHAR

    Simeão não é o único a reconhecer o Senhor. Há também Ana. Da mesma forma, começa a falar dele aos que estão ao seu redor. Como no sepulcro, é uma mulher que convida os outros a entrar na alegria. Confio a Deus todas as mulheres — e, claro, também todos os homens — que me ajudaram a melhor conhecer e amar o Senhor.



    Domingo, 2: SERVIR A DEUS COM PAIXÃO

    A festa da Apresentação de Jesus no Templo foi escolhida para agradecer ao Senhor por todos aqueles e aquelas (monges, religiosos, eremitas, consagrados...) que, como Ana, passam o tempo a rezar e, de uma maneira especial, a servir a Deus e aos seus irmãos. Nem sempre estamos familiarizados nem confortáveis com esse estilo de vida. Porque fizeram essa opção? Como é que vivem? Quais são os consagrados e as comunidades que conheço? Somos convidados a rezar por essas comunidades e a ter coragem para ir ao seu encontro. A sua opção de vida coloca-me diante das minhas próprias opções. Peço ao Senhor que ilumine o meu caminho e me ajude a crescer em sabedoria e graça como o Menino Jesus.



    © www.versdimanche.com
    © tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014


    Rezar o domingo da Apresentação de Jesus (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 27.1.14 | Sem comentários

    VIVER O DOMINGO TERCEIRO


    SEMANA 26 DE JANEIRO A 1 DE FEVEREIRO DE 2014 — AO RITMO DA LITURGIA



    Domingo, 26 — Isaías 8, 23b – 9, 3 (9, 1-4)UMA LUZ SE LEVANTOU

    Há um contraste entre a escuridão e a luz. Na tradição bíblica, a passagem das trevas para a luz é fruto da ação de Deus (DOMINGO: «Uma luz se levantou»). A luz é um símbolo usado para expressar a presença de Deus (SEGUNDA: «O Senhor, Deus do Universo, estava com ele») no mundo. Esta luz está sempre em contraste com a escuridão, com as trevas, que simbolicamente expressam o poder da morte. Então, aqueles que andavam nas trevas descobrem «uma grande luz». O resultado é a «alegria» (TERÇA: «Manifestações de alegria»), o «contentamento».
    A vinda de Deus (QUARTA: «O Senhor anuncia que te vai fazer uma casa») dissipa as trevas. A luz de Deus ilumina a nossa maneira de viver (QUINTA: «Fazei segundo a vossa palavra»). Ao contrário, um mundo sem Deus deixar-nos-ia permanentemente ameaçados. Às escuras não vejo nada, repito apenas a escuridão (SEXTA: «Seja atingido e morra») que tende a ampliar-se e a confundir-nos. A luz revela a verdade. A luz esclarece as situações e é atrevida. A luz atreve-se a iluminar e a revelar a verdade (SÁBADO: «Pequei contra o Senhor»). Preciso, por isso, da luz de Deus para me olhar!
    Onde o profeta Isaías viu levantar-se uma grande luz, Mateus revela-a em Jesus Cristo. Ele é a «grande luz» que desponta, que se levanta como sinal de salvação. Jesus Cristo é a luz que indica o caminho do Reino. Ele revela-nos a presença de Deus. Não o podemos apresentar como uma mera doutrina, uma «teologia fria». Ao fazê-lo estamos a dar razão aos que recusam a «luz da fé». Se a luz da fé se apaga, nós, os cristãos, tornamo-nos no que Jesus Cristo tanto temia: cegos a guiar outros cegos. Acreditar em Jesus Cristo, ser cristão, é deixar-se conduzir pela luz da fé. Quais são as «trevas» da minha vida que (mais) precisam da luz da fé?



    Segunda, 27 – 2Samuel 5, 1-7.10: DEUS CONNOSCO

    O rei David procurou a (re)unificação do povo judeu. As tribos do norte, juntamente com as do sul, reconhecem a realeza de David. A conquista de Jerusalém torna-se um ponto alto da instauração do reinado de David. O povo reconhece a eleição divina de David. A consolidação do seu reinado é fruto da bênção de Deus: «O Senhor, Deus do Universo, estava com ele». A história bíblica associa (sempre) as capacidades humanas à eleição e proteção divinas. A histórica bíblica ensina-nos a reconhecer que somos eleitos e protegidos por Deus. O crente sabe que não está sozinho; Deus acompanha-o no caminho da vida. O nosso Deus é o Deus connosco.



    Terça, 28 – 2Samuel 6, 12b-15.17-19ALEGRIA

    A Arca da Aliança («arca de Deus») continha as tábuas da Lei (Dez Mandamentos). Era sinal da presença de Deus no meio do povo. Com a conquista de Jerusalém e da sua escolha para capital do reinado de David, este decide trasladar a arca para a «Cidade de David». A presença da Arca em Jerusalém vai assumir um grande valor teológico. O acontecimento foi um grande motivo de festa, para David e para todo o povo. Daí, as «manifestações de alegria». Hoje, Deus está connosco, somos habitados pelo seu Espírito. Na verdade, somos templos de Deus. É motivo de festa? Como manifestamos a alegria pela presença de Deus em nós?



    Quarta, 29 – 2Samuel 7, 4-17CASA

    David quer construir uma «casa» para Deus. Mas será Deus a construir uma «casa» (uma descendência) para David: «O Senhor anuncia que te vai fazer uma casa». A profecia situa-se no presente, recorda o passado e remete para o futuro. Todas as dimensões do tempo estão envolvidas pela presença de Deus. Todas as circunstâncias da vida estão envolvidas pela presença de Deus. Não há nada que esteja fora da «casa» de Deus. A presença de Deus dissipa as trevas e ilumina a nossa maneira de viver. Deus precede sempre os nossos gestos. Ninguém pode determinar o dom de Deus. Compete-nos (apenas) ter a nossa «casa» preparada para o acolher com gratidão. 



    Quinta, 30 – 2Samuel 7, 18-19.24.29PALAVRA

    O anúncio do profeta Natã desperta no coração de David uma oração de agradecimento. Ao dom gratuito de Deus, David responde com o reconhecimento da sua simplicidade e pequenez: «Fazei segundo a vossa palavra». Neste texto estão presentes alguns aspetos essenciais da oração: colocar-se diante de Deus; acolher o dom de Deus; reconhecer a própria pequenez; dar graças pelo dom recebido; deixar que se cumpra a vontade de Deus. A oração confiante é uma bela chave de leitura da história bíblica. Ao longo dos tempos, há de se repetir a mesma confiança de David: «Fazei segundo a vossa palavra». Hoje, deixo que esta confiança brote do meu coração e da minha boca!



    Sexta, 31 – 2Samuel 11, 1-4a.5-10a.13-17PECADO

    Em elaboração...



    Sábado, 1 – 2Samuel 12, 1-7a.10-17ARREPENDIMENTO

    Em elaboração...



    © Laboratório da fé, 2014


    Viver o domingo terceiro (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 26.1.14 | Sem comentários

    Palavra para hoje: domingo terceiro


    «Uma luz se levantou», na «Galileia dos gentios», lugar de encontros e de desafios, terra de «fronteira». É para lá que Jesus Cristo se retira, tocado pela assassinato de João Batista. Entretanto, a sua hora, como a do Batista, virá rapidamente; é tempo de anunciar a «Boa Nova». Será uma pregação corajosa, conduzida pelo sopro do Espírito. Jesus Cristo é um Mestre cheio de autoridade que «vê» Simão, André, Tiago, João e chama-os a segui-lo... Vira-se a página, mas a palavra permanece sempre nova. A fidelidade, para a Igreja, é aceitar o desafio desta novidade, permanecer aberta ao sopro do Espírito. Então, a sua mensagem será sem rodeios, como a fez ressoar Jesus Cristo, na Galileia. E continuará a tocar os simples de coração.

    Pergunta da semana: 

    Quais são as «trevas» da minha vida que (mais) precisam da luz da fé?

    Palavra de Deus - Lectio divina - imagem de fano
    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 26.1.14 | Sem comentários

    CELEBRAR O DOMINGO TERCEIRO

    UMA LITURGIA SIMPLES E BELA

    Apresentamos algumas sugestões para concretizar o fruto esperado deste ano pastoral: «uma liturgia simples e bela, sinal da comunhão entre Deus e os seres humanos».



    A Boa Nova (Evangelho) do Reino

    João Batista, o precursor, foi preso: a sua missão chegou ao fim. Começa a missão de Jesus Cristo: aquando do Batismo, foi investido pelo Pai e pelo Espírito para esta missão, que começa, agora, na Galileia. Jesus Cristo vai realizar o que tinha sido anunciado pelo profeta Isaías: a Boa Nova do Reino tem como primeiro destinatários os habitantes da Galileia, «terra de gentios». Entretanto, Jesus Cristo chama os (quatro) primeiros discípulos, para trabalhar com Ele no anúncio do Reino. Mais tarde, o apóstolo Paulo há de exortar os cristãos a não andarem divididos, pois é um péssimo testemunho do Evangelho.



    Arte de celebrar

    AMOR FRATERNO. «Não haja divisões entre vós» — exorta Paulo. Invejas e rivalidades podem aparecer nas nossas comunidades. As celebrações litúrgicas podem-se tornar num «lugar» de querelas entre uns e outros, na escolha de um cântico, na colocação de um arranjo floral! Estas tensões quase sempre são percebidas pelos membros da assembleia. Os atores da celebração precisam de refletir sobre as palavras do apóstolo Paulo e estar ao serviço da caridade que acompanha qualquer ação litúrgica. Um tempo de oração comum e de partilha da Palavra de Deus, vivido em equipa, contribuirá profundamente a fazer aumentar a mútua confiança e a tomada de consciência da importância de testemunhar o amor fraterno



    Fé celebrada com a comunidade

    «Uma luz se levantou». A temática da luz continua a preencher os textos bíblicos (cf. Tempo Comum: «vou fazer de ti a luz das nações»). No início da celebração, o espaço litúrgico pode ter o mínimo de luz necessário; à medida que a procissão de entrada progride por entre a assembleia, vão-se acendendo progressivamente as luzes. Seria também útil que o cântico de entrada acompanhasse esta temática (por exemplo: «Levanta-te Jerusalém» de F. Santos).




    Fé celebrada com a catequese

    O texto da primeira leitura (Isaías 8, 23b – 9, 3) e o texto do evangelho (Mateus 4, 12-23) fazem referência a cidades da Palestina e à região da Galileia. A maioria das edições da Bíblia possui, no final, um conjunto de mapas que podem ser úteis para a descoberta e localização dos lugares referenciados nos textos. Depois, pode-se preparar um «grande» mapa sem a indicação dos lugares e pedir às crianças para assinalarem esses lugares, bem como outros pontos: Jerusalém, Belém, Mar Mediterrâneo... O objetivo é ajudar as crianças a perceber que se tratam de lugares reais (como nas nossas freguesias e cidades). Esta proposta pode ser repetida ou realizada durante a Liturgia da Palavra (as crianças aproximam-se e «colam» no mapa os locais referenciados, na proclamação das leituras e/ou na homilia).

    © Laboratório da fé, 2014

    Celebrar o domingo terceiro (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 25.1.14 | Sem comentários

    NÃO PODEMOS VIVER SEM O DOMINGO!


    «Valorizar o domingo como centro de todo o ano litúrgico» — é o primeiro objetivo apresentado no programa pastoral (2013+14) da Arquidiocese de Braga. Com o intuito de «valorizar» o domingo, acompanhando os tempos litúrgicos, propomos um tema a partir da releitura da Carta Apostólica sobre a santificação do domingo — «O dia do Senhor» («Dies Domini»). Este itinerário tem como tema geral: «Não podemos viver sem o domingo!».

    Domingo, DIA DO BATISMO

    Texto de reflexão para o terceiro domingo 

      31. [...] Se o domingo é o dia da ressurreição, ele não se reduz à recordação de um acontecimento passado: é a celebração da presença viva do Ressuscitado no meio de nós.
      51. É necessário fazer o máximo esforço para que todos os presentes — jovens e adultos — se sintam interessados, promovendo o seu envolvimento nas diversas formas de participação que a liturgia sugere e recomenda. Compete, sem dúvida, apenas àqueles que exercem o sacerdócio ministerial ao serviço dos seus irmãos realizar o sacrifício eucarístico e oferecê-lo a Deus em nome do povo inteiro. Aqui se encontra o fundamento da distinção, de ordem bem mais que disciplinar, existente entre a tarefa própria do celebrante e a que é atribuída aos diáconos e aos fiéis não ordenados. No entanto, os fiéis devem estar conscientes de que, pelo sacerdócio comum recebido no batismo, «concorrem para a oblação da Eucaristia». Eles, embora na distinção de funções, «oferecem a Deus a vítima divina e a si mesmos juntamente com ela; assim quer pela oblação quer pela sagrada comunhão, não indiscriminadamente mas cada um a seu modo, todos tomam parte na ação litúrgica», dela recebendo luz e força para viverem o seu sacerdócio batismal através da oração e do testemunho duma vida santa.



      • Não podemos viver sem o domingo! — textos publicados no Laboratório da fé > > >



      Laboratório da fé celebrada, 2013
      Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 24.1.14 | Sem comentários

      PREPARAR O DOMINGO TERCEIRO

      26 DE JANEIRO DE 2014


      Isaías 8, 23b – 9, 3 (9, 1-4)

      Assim como no tempo passado foi humilhada a terra de Zabulão e de Neftali, também no futuro será coberto de glória o caminho do mar, o Além do Jordão, a Galileia dos gentios. O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; para aqueles que habitavam nas sombras da morte uma luz se levantou. Multiplicastes a sua alegria, aumentastes o seu contentamento. Rejubilam na vossa presença, como os que se alegram no tempo da colheita, como exultam os que repartem despojos. Vós quebrastes, como no dia de Madiã, o jugo que pesava sobre o povo, o madeiro que ele tinha sobre os ombros e o bastão do opressor.



      O povo que andava nas trevas viu uma grande luz


      O texto no seu contexto
      . Isaías apresenta, neste texto, um oráculo de salvação com sabor messiânico. O autor dirige-se a uma terra que sofreu contínuas violências e humilhações; a última tinha sido a conquista do país pelo rei assírio Tiglatfalasar III, no ano 733. Esta terra, devastada e sempre posta em causa, recebe um anúncio de esperança. O povo de Israel era formado por dois grupos de tribos de «primeira categoria»: as do Norte, à volta de Siquém, que englobava as de Efraim, Manassés e Benjamim (o que se conhece como «Casa de José»); as tribos do Sul, à volta de Jerusalém e do Templo, que englobava as tribos de Judá, Simeão, Rúben e Levi (conhecida como «Casa de Judá»). As outras tribos também faziam parte de Israel, mas o seu protagonismo na história é escasso. Zabulão e Neftali são duas tribos que tinham ocupado a baixa Galileia, que na tradição bíblica é uma «terra de gentios». As próprias sabem que não são bem vistas pelas outras; são como «um povo que caminha nas trevas», pois não possuem grandes gestas, nem grandes profetas, nem grandes santuários. Contudo, Isaías pronuncia um oráculo que rompe com esta espécie de maldição: este povo recebe o anúncio de uma grande luz. Deixará de amaldiçoar a sua sorte, porque será protagonista da história da salvação de Deus.

      O texto na história da salvação. A Igreja sempre leu de forma unitária a Sagrada Escritura, de tal maneira que não há contradição entre o Antigo e o Novo Testamento. A profecia que parece obscura em Isaías obtém a sua luz no evangelho. São Mateus escreve o evangelho a pensar nos judeus que olham com simpatia para Jesus, mas que fazem esta pergunta: a vida de Jesus foi anunciada nas Escrituras? O Deus dos seus pais não faz nada ao acaso: comunica-se na história; antecipa, através dos profetas, a sua vontade; anuncia as suas intervenções. O próprio Deus já tinha anunciado, através de Isaías, profeta de total garantia para um bom judeu, que a salvação viria da Galileia.

      Palavra de Deus para nós: sentido e celebração litúrgica. O chamamento dos discípulos, que se lê no evangelho proposto para o terceiro domingo (Ano A), soa de outra maneira. Se no Antigo Testamento os chamamento era para o Reino do Norte e para o Reino do Sul, as casas de José e de Judá, agora Jesus irrompe na história para chamar uns galileus. Pode-se imaginar maior provocação? Jesus tem uma missão que supera os «clichés» para inaugurar uma nova forma de entender a relação com Deus. A salvação chega às terras que oficialmente não eram dignas de ser tidas em conta pelas pessoas religiosas. Os limites colocados pelos humanos não são os limites de Deus.

      © Pedro Fraile Yécora, Homiletica
      © tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
      A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor

      Preparar o domingo terceiro (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

      Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 24.1.14 | Sem comentários
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