NÃO PODEMOS VIVER SEM O DOMINGO!


«Valorizar o domingo como centro de todo o ano litúrgico» — é o primeiro objetivo apresentado no programa pastoral (2013+14) da Arquidiocese de Braga. Com o intuito de «valorizar» o domingo, acompanhando os tempos litúrgicos, propomos um tema a partir da releitura da Carta Apostólica sobre a santificação do domingo — «O dia do Senhor» («Dies Domini»). Este itinerário tem como tema geral: «Não podemos viver sem o domingo!».

Domingo, DIA DO BATISMO

Texto de reflexão para o segundo domingo 

    31. [...] Não é suficiente que os discípulos de Cristo rezem individualmente e recordem interiormente, no segredo do coração, a morte e a ressurreição de Cristo. Com efeito, todos os que receberam a graça do batismo, não foram salvos somente a título individual, mas enquanto membros do Corpo místico, que entraram a fazer parte do Povo de Deus. Por isso, é importante que se reúnam, para exprimir em plenitude a própria identidade da Igreja, a «ekklesía», assembleia convocada pelo Senhor ressuscitado, que ofereceu a sua vida «para trazer à unidade os filhos de Deus que andavam dispersos» (João 11, 52). Estes tornaram-se «um só» em Cristo (cf. Gálatas 3, 28), pelo dom do Espírito. Esta unidade manifesta-se exteriormente, quando os cristãos se reúnem: é então que adquirem consciência viva e dão ao mundo testemunho de serem o povo dos redimidos, formado por «homens de toda a tribo, língua, povo e nação» (Apocalipse 5, 9). Através da assembleia dos discípulos de Jesus Cristo, perpetua-se no tempo a imagem da primeira comunidade cristã, descrita como modelo por São Lucas nos Atos dos Apóstolos, quando diz que os primeiros batizados «eram assíduos ao ensino dos Apóstolos, à união fraterna, à fração do pão, e às orações» (2, 42).



    • Não podemos viver sem o domingo! — textos publicados no Laboratório da fé > > >



    Laboratório da fé celebrada, 2013
    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 17.1.14 | Sem comentários

    PREPARAR O DOMINGO SEGUNDO


    Uma antiga história fala de uma vendedora de maçãs. A boa mulher dirigia-se todas as manhãs ao mercado para vender a sua mercadoria. Apesar de lá estar muitas horas, era pouco o que vendia. O passar do tempo e o pouco êxito das suas vendas provocaram nele um forte desânimo. Uma manhã aproximou-se dela um jovem. Ao vê-la triste e desanimada, perguntou-lhe o que se passava. «Não vês — respondeu a mulher —, todas as manhãs venho a este mercado para vender as minhas maçãs, mas quando cai a tarde apenas vendo uma pequena parte das maçãs. As minhas maçãs não devem ser boas».
    De repente, e sem que lhe pedisse, o jovem começou a gritar: «Comprem, comprem as melhores maçãs do pomar. Recém-colhidas para irem direitas para a sua mesa... comprem». Ao som dos gritos foram-se juntando muitas pessoas ao redor da vendedora e muitas foram as que pediram ansiosamente alguns quilos das maçãs. Ao fim de poucas horas a mulher tinha vendido tudo. «Como foi que fizeste? — perguntou a mulher. Durante muitas semanas vim a este mercado e nunca consegui vender a mercadoria. E tu, num par de horas, conseguiste vender mais do que eu vendi em todo este tempo». «Foi fácil — respondeu o jovem. As tuas maçãs eram muito boas, mas nem tu nem eles sabiam. Alguém tinhas de o dizer». 
    Quando João Batista viu Jesus que se aproximava, disse: «Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. É d’Ele que eu dizia: ‘Depois de mim vem um homem, que passou à minha frente, porque era antes de mim’. Eu não O conhecia, mas foi para Ele Se manifestar a Israel que eu vim baptizar na água». João deu mais este testemunho: «Eu vi o Espírito Santo descer do Céu como uma pomba e permanecer sobre Ele. Eu não O conhecia, mas quem me enviou a batizar na água é que me disse: ‘Aquele sobre quem vires o Espírito Santo descer e permanecer é que baptiza no Espírito Santo’. Ora, eu vi e dou testemunho de que Ele é o Filho de Deus».
    Quando experimentamos a salvação que nos é oferecida pelo encontro com Jesus, sentimos a imperiosa necessidade de o anunciar aos outros. Temos a obrigação de contar a outros o que experimentamos na nossa própria vida. Evidentemente, temos de o fazer com o testemunho da nossa vida e também com as nossas palavras. Ficarmos calados e não partilharmos esta riqueza com as pessoas que nos rodeiam é uma contradição. Muitas pessoas esperam de nós um anúncio explícito, além de uma presença testemunhal. Como as maçãs, a notícia que temos é boa, mas alguém tem de o dizer. Em frente! Há muitas pessoas à espera!

    © Hermann Rodríguez Osorio, SJ
    © Encuentros com la Palabra — blogue de Hermann Rodríguez Osorio
    © tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
    A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor



    • Rezar o domingo a partir da evangelho: João 1, 29-34 > > >



    Preparar o domingo segundo (Ano A), no Laboratório da fé, 2014
    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 17.1.14 | Sem comentários

    PREPARAR O DOMINGO SEGUNDO


    João Batista dá testemunho de Jesus: o importante é Jesus, o Filho de Deus. Não teme perder «clientes» em favor de Jesus. João não se prega a si mesmo, com aparências de piedade.
    O primordial é a vontade de Deus, mesmo que se esqueçam de mim. Custa-nos entender isto: gostamos de ser reconhecidos, da «palmadinha nas costas», que falem bem de nós... Quando não o fazem ficamos doridos e caímos na crítica fácil. No fundo, estamos mais interessados em nós do que em fazer desinteressadamente o bem ou evangelizar sem recompensa imediata. A atitude do Batista é bem diferente.
    Jesus é quem traz a libertação definitiva, também dos nossos egoísmos e egocentrismos. Ele é a resposta definitiva à busca de sentido do ser humano. Somos desafiados a dar testemunho desta realidade e a proclamá-la explicitamente (salmo responsorial): «Proclamei a justiça na grande assembleia, não fechei os meus lábios, Senhor, bem o sabeis».
    O mal do mundo é derrotado pela ação libertadora de Jesus — isto é o que proclama João Batista. Esta tem de ser a nossa convicção, o nosso anúncio, o testemunho da nossa vida.

    © Javier Velasco-Arias

    © La Biblia compartida — blogue de Javier Velasco-Arias y Quique Fernández
    © tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
    A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor



    • Rezar o domingo a partir da evangelho: João 1, 29-34 > > >



    Preparar o domingo segundo (Ano A), no Laboratório da fé, 2014
    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 16.1.14 | Sem comentários

    Ambiente Virtual de Formação


    Sacrosanctum Concilium — Constituição Conciliar sobre a Liturgia


    Este texto sobre a Formação Litúrgica completa o estudo da ficha anterior, referente ao primeiro capítulo da Constituição «Sacrosanctum Concilium» («Sagrado Concílio» [SC]), sobre a Sagrada Liturgia: Princípios gerais em ordem à reforma e incremento da Liturgia. Neste texto, são abordados os pontos II e V, nos quais podemos perceber a nova mentalidade que surgia graças ao II Concílio do Vaticano. Estes textos lembram que além da Missão de Santificar, a Igreja também tem a Missão de Ensinar o Povo de Deus, daí a importância da formação litúrgica dos cristãos e a criação de um estrutura pastoral dedicada à Pastoral Litúrgica nas dioceses e paróquias.
    O ponto II — Educação e participação ativa (parágrafos 14-20) — indica que a participação ativa na celebração é um direito e um dever de todos os fiéis. Todavia, para que isso aconteça, é fundamental que haja formação litúrgica, a começar pelo clero que, por sua vez, deve multiplicar a formação aos agentes de pastoral e ao povo. Esta ação insere-se na grande preocupação do Concílio em renovar a Igreja e fazer com que a sua prática e o seu discurso sejam significativos ao ser humano dos tempos modernos.
    O ponto V — Incremento da ação pastoral litúrgica (parágrafos 43-44) — apresentada as condições para que a Pastoral Litúrgica se possa desenvolver e atingir o seu objetivo: o cuidado espiritual do Povo de Deus, a quem os Ministros Ordenados devem servir. O Concílio determinou que em todos os países fossem criados uma Comissão Litúrgica – com especialistas em Liturgia, Música Sacra e Pastoral – e um Instituto de Liturgia Pastoral; e estas duas estruturas deveriam ser reproduzidas nas dioceses e nas paróquias.
    Atualmente, é impensável que numa comunidade e/ou paróquia não exista uma «equipa» de liturgia, ou que não haja a preocupação com a formação litúrgica dos agentes de pastoral, mas esta é uma realidade do nosso tempo. Na época do Concílio não era assim! A própria noção de «equipa pastoral» só nasceu depois deste importante evento que, bem diferente dos outros,se preocupou muito com a «pastoral». Esta foi a grande mudança em relação aos outros concílios. Nesta nova forma de organizar a ação eclesial, a Pastoral Litúrgica foi uma das primeiras equipas a serem criadas nas dioceses e paróquias. Com isso, pode-se dizer que as mudanças litúrgicas, sugeridas e implantadas ao longo desses cinquenta anos, contribuíram para fortalecer a nova conceção de Igreja como «Povo de Deus». Se hoje existem equipas, nas paróquias e comunidades, é porque o Concílio as incentivou e indicou orientações para isso. Também, foi em função da organização pastoral que a Igreja determinou que os Livros Litúrgicos: Missal, Lecionários, Rituais Sacramentais, fossem traduzidos para as línguas locais. Outra importante orientação do Concílio foi que os bispos considerassem a possibilidade de fazer adaptações das culturas locais na Liturgia.
    As Celebrações Litúrgicas oferecem um profundo ensinamento espiritual numa dimensão formativa que não se dá através das práticas pedagógicas, mas da mistagogia, isto é, o cristão é inserido no mistério de Cristo e, por conseguinte, da Igreja, Povo de Deus, através da participação ativa nas celebrações. É através dos sinais litúrgicos e, especialmente, através dos sinais sensíveis e visíveis da fé, os Sacramentos, que a comunidade e cada singular cristão experimenta o divino na sua vida. Por isso, a participação nas celebrações não deve ser vista como uma obrigação, mas como fonte e ápice da vida cristã. Na Liturgia, os fiéis celebram a fé e são impelidos a viver a prática cristã no quotidiano, dando testemunho por atos e palavras daquilo que dizem crer!

    © Ambiente Virtual de Formação — www.ambientevirtual.org.br —
    © Arquidiocese de Campinas, Brasil
    © Adaptado por Laboratório da fé, 2014



    Questões para reflexão

    • Por que se considera que a Celebração da Liturgia é uma escola de Santidade?
    • As equipas de liturgia que conheces preocupam-se em ajudar o povo a rezar?
    • Quais os pontos que julgas fundamentais na formação dos agentes da Pastoral Litúrgica?

    Partilha connosco a tua reflexão!


    II Concílio do Vaticano, no Laboratório da fé, 2014

    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 16.1.14 | Sem comentários

    Mistério da fé! [15]


    Os sinais e símbolos (cf. tema 3) ocupam um lugar importante no contexto da vida humana; o mesmo acontece no contexto litúrgico. Por isso, dedicamos este tema à explicação dos sinais e símbolos associados ao Sacramento da Confirmação. [Para ajudar a compreender melhor, ler: 2Coríntios 1, 18-22; Catecismo da Igreja Católica (CIC), números 1293 a 1301]

    «Aquele que nos confirma juntamente convosco em Cristo

    e nos dá a unção é Deus, Ele que nos marcou com um selo

    e colocou em nossos corações o penhor do Espírito»

    — escreve Paulo na Segunda Carta aos Coríntios. Numa situação de crise na comunidade, Paulo invoca o testemunho do próprio Deus; e apresenta a garantia do caminho a seguir: Deus que «dá a unção», marca «com um selo» e oferece o «penhor do Espírito». São três expressões que se podem associar aos Sacramentos, em especial ao Batismo e à Confirmação.

    Profissão de fé

    «Os confirmandos exprimem a sua adesão a Deus Pai, que se revela e nos salva em Jesus seu Filho e nos faz viver pelo sopro do seu Espírito Santo. Ao mesmo tempo, proclama-se a fé dos confirmandos e a fé da Igreja. Não podem estar separadas uma da outra; a palavra pessoal ecoa na palavra da Igreja» (AA. VV., «Preparar, celebrar e viver a Confirmação», Difusora Bíblica, Fátima 1997, 52). [cf. tema 13]

    Imposição das mãos

    «A imposição das mãos não é um gesto mágico, um abracadabra. É um gesto simbólico, mediante o qual se quer comunicar o Espírito Santo ao confirmando. A Igreja usa este gesto porque tem um significado muito belo ao longo da história do povo de Israel, nas ações de Jesus e na vida da Igreja» (José Bortolini, «Os Sacramentos na tua vida», São Paulo, Lisboa 1995, 47). É, na verdade, um gesto bíblico associado a uma bênção ou consagração. «A Bíblia regista, abundantemente, o uso do gesto simbólico de impor as mãos – sobretudo a direita – sobre a cabeça de alguém ou sobre um objeto e com sentidos variados: para significar a transmissão de poderes, a bênção, o perdão, ou a identificação. Jacob impõe as mãos sobre os seus netos para lhes desejar a bênção de Deus (cf. Génesis 48,9-20), Aarão, sobre o povo (cf. Levítico 9, 22), e Moisés, sobre o seu sucessor Josué, para lhe transmitir a autoridade e a sabedoria divinas (cf. Deuteronómio 34, 9), ou o sumo-sacerdote sobre o bode, na festa da expiação, para carregar sobre ele os pecados do povo e expulsá-lo para o deserto. Também Jesus abençoa, cura e perdoa com o gesto expressivo da imposição das mãos. E a comunidade cristã utiliza este mesmo gesto para transmitir o Espírito Santo aos batizados (cf. Atos 8, 17 e 19, 6), ou para confiar oficialmente uma missão, como aos diáconos ou a Paulo e Barnabé (cf. Atos 6, 6; 13, 3). [...] Na liturgia, portanto, é muito frequente o gesto, que exprime visualmente os dons de Deus e a mediação eclesial» (José Aldazábal, «Dicionário Elementar de Liturgia», ed. Paulinas, Prior Velho, 2007, 140-141).

    Crismação

    É o «rito essencial da Confirmação» (CIC 1320). O bispo faz o sinal da cruz na fronte do crismando com o óleo do Crisma. Trata-se de um óleo perfumado benzido pela bispo, na manhã de Quinta-feira Santa, tal como o óleo dos Catecúmenos e da Unção dos Enfermos (cf. tema 11). É «o mais nobre dos óleos eclesiais: o crisma, uma mistura de azeite de oliveira e com perfumes vegetais. É o óleo da unção sacerdotal e da unção real, unções estas que estão ligadas com as grandes tradições de unção da Antiga Aliança. Na Igreja, este óleo serve sobretudo para a unção na Confirmação e nas Ordens sacras» (Bento XVI, Homilia a 21 de abril de 2011). O óleo e o perfume evocam o duplo sentido da Confirmação: «ao ser marcado pela mão do bispo com óleo perfumado, o batizado recebe um carácter indelével, marca do Senhor, juntamente com o dom do Espírito que o configura mais perfeitamente com Cristo e lhe confere a graça de difundir entre os homens o ‘bom odor’» (Ritual da Confirmação. Preliminares, 9). De facto, «tal como o perfume penetra o corpo e em seguida expande a sua fragrância, assim também o Espírito enche o coração do confirmando e em seguida se expande através dos seus dons [...], sempre com uma condição: que o confirmando viva do seu sopro!» («Preparar, celebrar e viver a Confirmação»..., 58).

    Ósculo da paz

    «Significa e manifesta a comunhão eclesial com o bispo e com todos os fiéis» (CIC 1301).

    «Abramos a porta ao Espírito, façamo-nos guiar por Ele, deixemos que a ação contínua de Deus nos torne homens e mulheres novos, animados pelo amor de Deus, que o Espírito Santo nos dá» (Francisco, Homilia de 28 de abril de 2013).






    Reflexões semanais sobre a «fé celebrada» (liturgia e Sacramentos) — Laboratório da fé, 2013
    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 16.1.14 | Sem comentários

    Ambiente Virtual de Formação


    Sacrosanctum Concilium — Constituição Conciliar sobre a Liturgia


    A Constituição «Sacrosanctum Concilium» («Sagrado Concílio» [SC]), sobre a Sagrada Liturgia, foi o primeiro documento aprovado pela maioria dos bispos conciliares em 4 de dezembro de 1963.
    Esta Constituição insere-se no espírito de renovação suscitado pelo Espírito Santo e, especialmente, na compreensão da Igreja como Povo de Deus, definida na Constituição Dogmática sobre a Igreja («Lumen Gentium»). O objetivo central da SC é reformar e incrementar a Liturgia para promover a participação e a santificação do povo tendo em vista a edificação do Corpo de Cristo (1-4).
    Desde o início do século XX que uma reforma litúrgica estava a ser gerada na Igreja, especialmente na Bélgica e na França. Ficou conhecida como Movimento Litúrgico. Este Movimento cresceu a partir dos estudos bíblicos e patrísticos que possibilitaram aos teólogos refletirem sobre o caráter cristológico da Liturgia e sobre a necessidade da participação dos fiéis nas celebrações. O papa Pio XII, através da Encíclica «Mediator Dei» (20 de novembro de 1947), confirmou os passos dados pelo Movimento Litúrgico e, nesse mesmo ano, criou uma comissão para a reforma da Liturgia. Em 1951, foram introduzidas uma série de reformas que antecederam o Concílio, sendo que a principal delas, foi a Reforma da Vigília Pascal. O Concílio, então, propagou estas reformas e sugeriu que elas fossem implantadas em todas as dioceses.
    A SC está dividida em sete capítulos: 
    I – Os princípios Gerais da Reforma e do Incremento da Liturgia; 
    II – O Sacrossanto Mistério da Eucaristia; 
    III – Os outros Sacramentos e sacramentais; 
    IV – O Ofício Divino; 
    V – O Ano Litúrgico; 
    VI – A Música Sacra; 
    VII – A Arte Sacra e as Alfaias Litúrgicas. 

    A Sagrada Liturgia

    Este texto sobre «A Sagrada Liturgia» é fruto do estudo sobre os pontos I, III e IV do primeiro capítulo da SC: Princípios gerais em ordem à reforma e incremento da Liturgia.
    O ponto I — Natureza da Sagrada Liturgia e sua importância na vida da Igreja (parágrafos 5-13) — indica que é através da celebração quotidiana dos Sagrados Mistérios da Vida, Morte e Ressurreição do Senhor que a Igreja atualiza a presença salvífica de Jesus Cristo e se revela, apesar das suas falhas, como um canal da Graça Santificadora aos que a procuram, ou seja, o favor de Deus que santifica o ser humano, a Sua presença na vida humana (5-6). Através da Liturgia, é o próprio Cristo que age e comunica os sinais sensíveis de Sua Graça. E é, mediante a proclamação da Palavra de Deus e do diálogo com a assembleia, através da participação na salmodia, nas orações, nos cânticos e por meio dos sacramentos, que os fiéis se unem a Cristo e antecipam a festa, que no céu nunca acaba (7-8). Além disso, através da Liturgia enfatiza-se a noção eclesiológica, ou seja, o vínculo com a Igreja, pois o Povo de Deus reunido em assembleia litúrgica é a própria Igreja, Corpo de Cristo! Eis porque se afirma que a Liturgia é o cume e a fonte de toda a ação pastoral.
    O ponto III — Reforma da Sagrada Liturgia (parágrafos 21-40) — indica a necessidade de promover mudanças nas celebrações litúrgicas em função de uma preocupação pastoral e espiritual, pois deseja-se que os fiéis obtenham maiores benefícios das celebrações em que participam. O documento lembra que em todas as Celebrações Litúrgicas há partes fixas e partes que podem ser mudadas ou adaptadas, a fim de que os fiéis sejam beneficiados e aproveitem melhor o que se celebra. Além disso, algumas orientações foram elencadas para serem seguidas por todas as dioceses, a fim de garantir a unidade e a fidelidade ao Magistério Eclesial. Duas delas são consideradas mais importantes porque contribuíram de forma decisiva para a catequese biblico-litúrgica do povo:
    1) Que a Bíblia tenha um lugar de destaque na Liturgia, e que a pregação (homilia) seja catequética e centrada no mistério de Cristo. Para isso o documento permitiu o uso da língua materna com o objetivo de facilitar a compreensão e participação nas Liturgias Dominical e Ferial, e incentivou à realização da Celebração da Palavra, sobretudo nas comunidades onde há carência de padres (35, 4).
    2) Que o povo seja estimulado a participar ativamente da Liturgia através de sua voz e expressão corporal, bem como a guardar silêncio nos momentos em que seja necessário.
    O ponto IV — Promoção da vida litúrgica na diocese e na paróquia (parágrafos 41-42) — indica que as dioceses devem promover a Pastoral Litúrgica nas paróquias e comunidades para que os Sagrados Mistérios sejam celebrados numa participação perfeita e ativa de todo o Povo santo de Deus, representando a Igreja visível, estabelecida em todo o mundo, especialmente aos domingos, no Dia do Senhor. O documento aprovou também a introdução de alguns elementos culturais nas Liturgias, a fim de torná-las mais expressivas para os diversos grupos que a celebram.
    As reformas propostas pela SC vieram em boa hora, pois contribuíram para resgatar o senso de uma liturgia centrada na fé em Jesus Cristo, o Senhor da História. A centralidade bíblica e a liturgia catequética configuraram-se como o grande desafio à formação dos fiéis. Na perspetiva da Pastoral Litúrgica, houve um grande esforço para que a reforma proposta fosse levada por diante.
    É certo que a Reforma Litúrgica fez um grande bem à Igreja, pois reconduziu à centralidade cristólogica e contribuiu para uma maior participação dos fiéis, inclusive na questão da inculturação. Esta inculturação tornou a Liturgia mais popular, especialmente na música, com a diversidade dos instrumentos e dos cânticos.

    © Ambiente Virtual de Formação — www.ambientevirtual.org.br —
    © Arquidiocese de Campinas, Brasil
    © Adaptado por Laboratório da fé, 2014



    Questões para reflexão

    • O que aprendeste sobre a natureza da Liturgia?
    • Por que a Liturgia é importante na vida da Igreja?
    • Das reformas sugeridas pela SC, na tua opinião, qual foi a mais importante?
    • Existe alguma alteração na vida da Igreja, conhecida através desta ficha, que a tua paróquia ainda não aplicou na totalidade? Se sim, como é que podes colaborar para que isso aconteça?

    Partilha connosco a tua reflexão!


    II Concílio do Vaticano, no Laboratório da fé, 2014


    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 15.1.14 | Sem comentários

    PREPARAR O DOMINGO SEGUNDO

    19 DE JANEIRO DE 2014


    Isaías 49, 3.5-6

    Disse-me o Senhor: «Tu és o meu servo, Israel, por quem manifestarei a minha glória». E agora o Senhor falou-me, Ele que me formou desde o seio materno, para fazer de mim o seu servo, a fim de Lhe reconduzir Jacob e reunir Israel junto d’Ele. Eu tenho merecimento aos olhos do Senhor e Deus é a minha força. Ele disse-me então: «Não basta que sejas meu servo, para restaurares as tribos de Jacob e reconduzires os sobreviventes de Israel. Vou fazer de ti a luz das nações, para que a minha salvação chegue até aos confins da terra».




    A salvação de Deus é universal


    O texto no seu contexto
    . Neste domingo, lê-se uma parte do segundo poema do Servo de Yahveh. O «Servo» foi «formado» pelo próprio Deus «desde o seio materno» (versículo 5), tal como o profeta Jeremias e, mais tarde, Paulo de Tarso. Em seguida, Isaías explica a sua missão com as expressões «reconduzir Jacob» e «reunir Israel», num claro paralelismo sinonímico. Os verbos «reconduzir», «reunir», e o substantivo «sobreviventes» evocam o regresso do desterro da Babilónia (587-538 antes de Cristo); contudo, continuamos sem saber de quem se trata. A identificação deste personagem continua a ser um enigma: é uma figura individual ou coletiva? No final dos versos propostos na primeira leitura do segundo domingo (Ano A), o «etnocentrismo» e o particularismo de Israel desfaz-se em favor da universalidade: o servo tem como missão ser «luz das nações» para que a salvação «chegue até aos confins da terra».

    O texto na história da salvação. Embora esteja por determinar o papel que têm os Cânticos do Servo dentro da teologia do Segundo Isaías, o contexto histórico em que nasce este livro faz referência ao perdão de Deus ao seu povo que já cumpriu o castigo (regresso do desterro), ao mesmo tempo que se adivinha um convite a voltar a Judá para começar uma nova relação de amor. O autor propõe o início da travessia de um novo êxodo que, ao contrário do primeiro, será através de caminhos amplos e por entre uma grande alegria que conduz até Jerusalém. Mais ainda: a missão salvífica do Servo rompe as barreiras da nação israelita para envolver a humanidade inteira.

    Palavra de Deus para nós: sentido e celebração litúrgica. As religiões, em geral, pecam pelo «etnocentrismo» e pelo «particularismo». Alguns, poucos, são os chamados; alguns, poucos, são os que alcançam a salvação. A missão do Servo de Yahveh, ao contrário, tem uma dimensão universal. Deus é para todos, ou não é Deus.

    © Pedro Fraile Yécora, Homiletica
    © tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
    A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor

    Preparar o domingo segundo (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 15.1.14 | Sem comentários

    PREPARAR O DOMINGO SEGUNDO

    19 DE JANEIRO DE 2014


    Isaías 49, 3.5-6

    Disse-me o Senhor: «Tu és o meu servo, Israel, por quem manifestarei a minha glória». E agora o Senhor falou-me, Ele que me formou desde o seio materno, para fazer de mim o seu servo, a fim de Lhe reconduzir Jacob e reunir Israel junto d’Ele. Eu tenho merecimento aos olhos do Senhor e Deus é a minha força. Ele disse-me então: «Não basta que sejas meu servo, para restaurares as tribos de Jacob e reconduzires os sobreviventes de Israel. Vou fazer de ti a luz das nações, para que a minha salvação chegue até aos confins da terra».



    Vou fazer de ti a luz das nações,

    para que a minha salvação chegue até aos confins da terra

    Em pleno exílio do povo de Israel na Babilónia, quando parecia que não era possível qualquer futuro, o poeta-profeta ousa falar de um servo que recebeu o encargo do próprio Deus. O texto é surpreendente. No início o servo parece ser Israel, embora mais adiante o servo tem uma missão em relação a Israel. O poema, de forma deliberada, evita apresentar uma identidade específica. A Igreja, ao longo do tempo, tem usado esta liberdade que o texto permite aos seus leitores para ver no poema a imagem do servo Jesus.
    No primeiro verso da nossa leitura, o Servo explica como foi escolhido para a missão de Servo. A iniciativa não é sua, mas tem origem em Deus. O próprio Deus está orgulhoso por lhe ter confiado esta missão.
    Em seguida, o Servo explica o conteúdo da sua missão. Em primeiro lugar, Deus quer que o Servo faça regressar à sua terra os exilados de Israel. A imagem é altamente atrevida: trata-se de conseguir que um império poderosíssimo liberte os exilados de um povo insignificante. O Deus que ordena esta missão é um Deus que reúne as pessoas «como a galinha reúne os pintainhos debaixo das suas asas» (Lucas 13, 34).
    A segunda parte da missão é ainda mais surpreendente: o objetivo de Deus não é apenas «o povo de Jacob», mas quer que o Servo seja «luz» para todas as nações e faça chegar a salvação até aos confins da terra. O plano de Deus parece inacreditável: até os não crentes serão resgatados por este Servo.
    Tudo isto foi confiado ao Servo simplesmente porque Deus o escolheu para esta tarefa. Estamos no coração do mistério da liberdade e da vontade salvífica de Deus.

    © Joan Ferrer, Misa dominical
    © tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
    A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor

    Preparar o domingo segundo (Ano A), no Laboratório da fé, 2014


    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 15.1.14 | Sem comentários

    ANO CRISTÃO


    A Editora Paulus traduziu e publicou (em 2010) uma obra italiana com comentários aos textos bíblicos proclamados nas celebrações eucarísticas. No volume dedicado às primeiras semanas do Tempo Comum («Leccionário Comentado. Regenerados pela Palavra de Deus. Volume 1: Tempo Comum. Semanas I-XVII» — organização de Giuseppe Casarin) faz uma breve apresentação das primeiras semanas do «Tempo Comum» e dos textos bíblicos propostos na Liturgia. A coleção está estruturada à maneira da «lectio divina», acompanhando progressivamente todo o ano litúrgico nos seus tempos fortes, nas suas festas mas também nos dias feriais, todas as vezes que a comunidade cristã é convocada para celebrar a Cristo presente na Palavra e no Pão eucarístico.

    Nas primeiras quatro semanas do Tempo Comum («anos pares»), a liturgia propõe a escuta dos dois Livros de Samuel (primeira leitura). A narração refere-se a cerca de oitenta anos da história hebraica, de 1050 a 970 antes de Cristo, aproximadamente. Nela são referidas três grandes figuras: Samuel, Saul e David.
    No Primeiro Livro de Samuel, a narração é inteiramente do­minada pela figura de Samuel, chamado ainda jovem por Deus a ser juiz de Israel em tempos de crise (1, 1 — 3, 21). Segue-se uma longa narração acerca da Arca da Aliança (4, 1 — 7, 1): a Arca é cap­turada pelos filisteus, transportada para o campo adversário e, finalmente, regressa para junto dos filhos de Israel. Durante a luta contra os filisteus, o povo pede a Samuel um rei. O profeta opõe-se, mas no fim deve ceder e dar um soberano ao povo. É este o segundo grande momento do livro (7, 2 — 8, 22). Saul é escolhido e ungido como rei (9, 11 — 11, 15) e, no entanto, entre o rei e o profeta não há boas relações: o contraste é tal que Samuel anuncia a sua demissão (12, 1-25) e continua a exprimir ao rei a sua insatisfa­ção (13, 1 — 15, 35). É nessa altura que começa a emergir a figura de David, primeiro na corte de Saul (16, 1 — 18, 5), depois como seu adversário e inimigo (18, 6 — 26, 25). Por fim, Saul morre no campo de batalha (27, 1 — 31, 13) e David torna-se rei (2Samuel 1, 1-5 — 5, 16).
    Todo o Segundo Livro de Samuel é dominado pelas peripécias de David. Esta história coloca ao leitor uma pergunta: quem é o verdadeiro rei de Israel? A resposta não deixa dúvidas: o único e verdadeiro soberano é o Senhor; o monarca é simplesmente um plenipotenciário de Deus, um ministro Seu. Surge também a crí­tica à monarquia, quando esta, em vez de se submeter à Palavra de Deus, se distancia dela. Finalmente aparece o tema do mes­sianismo ligado a David e à promessa que lhe é feita, tema esse que voltará e será sem dúvida interpretado no Novo Testamento, enquanto referido a Jesus.

    © Matteo Crimella | Editora Paulus
    © Adaptação de Laboratório da fé, 2014
    A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do editor



    • Ano Litúrgico: ano cristão — textos publicados no Laboratório da fé > > >



    Laboratório da fé celebrada, 2014
    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 13.1.14 | Sem comentários

    ANO CRISTÃO


    A Editora Paulus traduziu e publicou (em 2010) uma obra italiana com comentários aos textos bíblicos proclamados nas celebrações eucarísticas. No volume dedicado às primeiras semanas do Tempo Comum («Leccionário Comentado. Regenerados pela Palavra de Deus. Volume 1: Tempo Comum. Semanas I-XVII» — organização de Giuseppe Casarin) faz uma breve apresentação das primeiras semanas do «Tempo Comum» e dos textos bíblicos propostos na LiturgiaA coleção está estruturada à maneira da «lectio divina», acompanhando progressivamente todo o ano litúrgico nos seus tempos fortes, nas suas festas mas também nos dias feriais, todas as vezes que a comunidade cristã é convocada para celebrar a Cristo presente na Palavra e no Pão eucarístico.

    Terminado o Tempo de Natal […], o ritmo do Ano Litúrgico prossegue com a primeira parte do Tempo Comum, ou seja, os dias que decorrem entre o final do Tempo de Natal e o início do Tempo da Quaresma.
    As primeiras oito semanas são caracterizadas por uma proposta deveras interessante da Palavra de Deus, que é contemplada na perspetiva de todo o percurso ferial que caracteriza as trinta e quatro semanas do Tempo Comum. E isto unido à palavra evangélica que a cada ano é proposta, segundo o mesmo ritmo temático. […]
    Nos «anos pares» [nos dias feriais (segunda a sábado), a Liturgia organiza-se em dois ciclos: anos pares e anos ímpares, de acordo com a terminação de cada ano; por exemplo: 2014 termina em quatro logo trata-se de um «ano par»], a leitura começa pelos Livros de Samuel até chegar, sempre através de um percurso do Antigo e do Novo Testamento, até ao Apocalipse.
    Nesta panorâmica geral, as primeiras oito semanas podem ser consideradas como uma introdução ao grande panorama da História da Salvação. 
    […]
    Nos «anos pares», a leitura é caracterizada pelos dois livros de Samuel durante quatro semanas, juntamente com uma parte do Primeiro Livro dos Reis, o qual continua na semana seguinte. E enquanto a sexta e sétima semana contêm a Carta de Tiago, a oitava encerra parte da Primeira Carta de Pedro e a Carta de Judas. Temos portanto a proposta de vários livros. Se a História contida nos livros de Samuel e dos Reis apresenta as páginas mais características de uma caminhada em que se cruzam os mais variados acontecimentos, sempre narrados como «advertências»; as páginas do Novo Testamento permitem entrar em contacto, através das palavras de Tiago, Pedro e Judas, com os conselhos para a vida em Cristo (não esqueçamos que quer a Carta de Tiago, quer a Primeira Carta de Pedro são verdadeiras e autênticas homilias).

    © Manlio Sodi | Editora Paulus
    © Adaptação de Laboratório da fé, 2014
    A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do editor



    • Ano Litúrgico: ano cristão — textos publicados no Laboratório da fé > > >



    Laboratório da fé celebrada, 2014
    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 13.1.14 | Sem comentários

    ANO CRISTÃO


    A Editora Paulus traduziu e publicou (em 2010) uma obra italiana com comentários aos textos bíblicos proclamados nas celebrações eucarísticas. No volume dedicado às primeiras semanas do Tempo Comum («Leccionário Comentado. Regenerados pela Palavra de Deus. Volume 1: Tempo Comum. Semanas I-XVII» — organização de Giuseppe Casarin) faz uma breve apresentação das primeiras semanas do «Tempo Comum» e dos textos bíblicos propostos na LiturgiaA coleção está estruturada à maneira da «lectio divina», acompanhando progressivamente todo o ano litúrgico nos seus tempos fortes, nas suas festas mas também nos dias feriais, todas as vezes que a comunidade cristã é convocada para celebrar a Cristo presente na Palavra e no Pão eucarístico.

    O período do ano litúrgico fora dos tempos característicos chamados «fortes» (Advento, Natal, Quaresma e Páscoa), que são destinados a celebrar um aspeto particular do mistério de Cristo, é chamado «Tempo per annum», isto é, «durante o ano», ou «Tempo Comum». Não deve ser considerado um tempo «fraco», por oposição aos tempos «fortes» do Ano Litúrgico. Denomina-se «Tempo Comum» ou «ordinário» porque deriva de «ordo», que indica uma estrutura fundamental. É sobre ela que se apoiam os «tempos fortes», que têm origem na necessidade de distribuir aquilo que estava concentrado, isto é, passar do mistério pascal considerado como um «todo» para a explicitação de cada um dos seus componentes, mesmo arriscando perder a visão global do mistério. Não se trata, por isso, de um Tempo «fraco»; pelo contrário, é um Tempo «fortíssimo». O Tempo Comum é guiado pela celebração do domingo. Os domingos do Tempo Comum, precisamente porque «destinados não a celebrar um aspeto particular do mistério de Cristo, mas nos quais esse mistério é celebrado na sua globalidade» (Ordenamento do ano litúrgico e do calendário, 43), apresentam-se como o dia do Senhor em toda a sua plenitude pascal, verdadeira Páscoa semanal. São domingos em estado puro pela sua caracterização pascal.
    O II Concílio do Vaticano reconhece no domingo «o fundamento e o núcleo de todo o ano litúrgico» (Constituição Conciliar sobre a Sagrada Liturgia [SC], 106). Este de facto não é mais do que a celebração do mistério pascal, objeto central da fé do cristão. Este mistério, para além da festa anual da Páscoa, é celebrado todas as semanas, domingo após domingo, de modo que toda a existência do cristão seja invadida pela presença salvífica do Senhor ressuscitado. Por isso, o Concílio (SC 106) pôde afirmar que «por tradição apostólica, que teve a sua origem no próprio dia da ressurreição de Cristo, a Igreja celebra o mistério pascal todos os oito dias, no dia que bem se denomina 'dia do Senhor' ou 'domingo'». É por isso que os «dies dominicus» se revelam como a estrutura fundamental, o núcleo originário e originante do Ano Litúrgico.
    [...]
    O domingo, tal como a Eucaristia que nele é celebrada, remete para a vida: o que foi celebrado deve ser levado para a vida como testemunho e como caridade. Cristo foi recordado e celebrado no seu mistério pascal, ou seja, no dom que fez da Sua vida: «Isto é o meu corpo, ou seja, a minha vida, que será entregue por vós. Fazei isto em memória de Mim». A memória que se deve fazer não é apenas a do rito, é também a da vida. «Fazei isto» quer dizer: fazei o que Eu fiz, fazei também vós da vossa vida uma dádiva. Este é o ensinamento do mistério pascal de Cristo, de que o domingo e a Eucaristia são memorial. «Quando a assembleia se dispersa e somos enviados para a vida, é toda a vida que deve tornar-se dom de si». Por isso o domingo é o dia da caridade: o viver do cristão, de facto, é um «viver segundo o domingo» (Santo Inácio de Antioquia), ou seja, segundo o mistério pascal de Cristo, que no sinal do pão partido doa a Sua vida para benefício dos homens. Então o domingo e a Eucaristia são o «culmen» da vida do crente, mas ao mesmo tempo são também a «fons», a origem dela. Ambos enviam o fiel ao mundo: de segunda-feira até sábado é o tempo do testemunho, é o tempo de um dia-a-dia melhor, porque na ce­lebração dominical o crente é inspirado e penetrado pela graça da memória do Senhor Ressuscitado. É o tempo de dar um sentido novo a tudo o que se vive.

    © Mario Chesi | Editora Paulus
    © Adaptação de Laboratório da fé, 2014
    A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do editor



    • Ano Litúrgico: ano cristão — textos publicados no Laboratório da fé > > >



    Laboratório da fé celebrada, 2014
    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 13.1.14 | Sem comentários

    REZAR O DOMINGO SEGUNDO

    19 DE JANEIRO DE 2014


    Evangelho segundo João 1, 29-34

    Naquele tempo, João Baptista viu Jesus, que vinha ao seu encontro, e exclamou: «Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. É d’Ele que eu dizia: ‘Depois de mim vem um homem, que passou à minha frente, porque era antes de mim’. Eu não O conhecia, mas foi para Ele Se manifestar a Israel que eu vim baptizar na água». João deu mais este testemunho: «Eu vi o Espírito Santo descer do Céu como uma pomba e permanecer sobre Ele. Eu não O conhecia, mas quem me enviou a batizar na água é que me disse: ‘Aquele sobre quem vires o Espírito Santo descer e permanecer é que baptiza no Espírito Santo’. Ora, eu vi e dou testemunho de que Ele é o Filho de Deus».



    Segunda, 13: JOÃO E JESUS

    Poderemos meditar nesta passagem sem a situar no contexto do início do evangelho segundo João? Se tenho tempo, leio a parte do primeiro capítulo (João 1, 1-34) que se refere a Jesus e a João Batista. No texto que nos é proposto, assistimos a um encontro entre os dois, João admite que não conhecia Jesus. Não é seu primo? Sem dúvida, mas tem de o conhecer de outra maneira, com o coração; é também assim que nós temos de conhecer Jesus. Para me deixar guiar nesta descoberta, posso rezar com as palavras usadas pelo evangelista: Senhor, tu és o Verbo, a vida, a luz, o Cordeiro de Deus... ensina-me a conhecer-te com o coração.



    Terça, 14: JOÃO, O PROFETA

    Diz-se que João Batista é o último dos profetas. O profeta é aquele que «vê» antes dos outros (verbo utilizado 4 vezes) e compreende o sentido das coisas. O que vê João Batista? Vê Jesus que vem ao seu encontro, vê o Espírito descer e permanecer sobre Jesus enquanto o batiza. Inspirado pelo Espírito, compreende que Jesus vem de Deus. Pelo Batismo, cada cristão recebe o Espírito Santo e torna-se, à sua maneira, um profeta. Ensina-me, Senhor, a «ver» os sinais da tua presença em mim e à minha volta.



    Quarta, 15: JESUS, O CORDEIRO DE DEUS

    «Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo». À custa de tanto a escutar na liturgia, esta frase já não nos interpela. Mas será que percebemos verdadeiramente o peso destas palavras? Jesus é o homem das dores que transportou os nossos sofrimentos, a ovelha muda de que fala o profeta Isaías (53, 3-7) e o cordeiro pascal (Êxodo 12, 1-28). Iluminado pelo Espírito, João entrevê que Jesus é aquele de quem fala a Escritura. Ao pronunciar estas palavras na Eucaristia, pedirei ao Senhor a graça de penetrar melhor no mistério do Cordeiro que carrega o mal para nos resgatar.



    Quinta, 16: JOÃO, O ENVIADO

    Unimo-nos à forma como João Batista descobriu quem era Jesus. Com efeito, ele próprio faz-nos participantes ao dizer: «Quem me enviou a batizar na água é que me disse»... João sente-se enviado por Deus e escuta a sua palavra. Existe uma ligação profunda entre a escuta de Deus e o conhecimento interior que ele tem sobre Jesus. Não será também assim connosco, batizados? Senhor, tu envias-me a anunciar a boa nova; ensina-me a colocar-me sempre mais à escuta da tua Palavra.



    Sexta, 17: JOÃO, O TESTEMUNHA

    Se João Batista é um enviado, é também um testemunha. Isto está dito ao longo de todo o primeiro capítulo do evangelho segundo João. Ele veio para dar testemunho de um outro. E sabemos aonde é que esse testemunho o vai conduzir, pois morrerá mártir — que é a tradução grega da palavra «testemunha». Jesus também nos pede para sermos testemunhas, nas nossas relações familiares, de vizinhança, de amizade. e isso leva-nos, às vezes, a assumir riscos. Senhor, dá-me o teu Espírito de fortaleza para que eu seja uma testemunha corajosa.



    Sábado, 18: JESUS, O FILHO DE DEUS

    Ao ver Jesus e ao deixar-se iluminar pelo Espírito, João Batista penetra no mistério de Deus. Ousa dizer de Jesus: «Ele é o Filho de Deus». A sua profunda convicção é ditada pela proximidade com Aquele que o enviou a batizar. Fixo-me em mim e pergunto-me sobre quem é Jesus para mim e quais são as palavras que uso para falar dele aos outros. Espírito de Jesus, dá-me as palavras que toquem os corações deste nosso tempo.



    Domingo, 19: ENVIADO EM MISSÃO

    Hoje, é domingo! É o dia em que somos convidados para a mesa do Senhor, a fim de partilhar a sua Palavra e o seu Pão. Não é um lugar privilegiado para aprofundar, em Igreja, o nosso conhecimento de Jesus e a nossa intimidade com ele? Tal como João Batista, estamos situados entre Jesus que aprendemos a conhecer e os nossos irmãos aos quais somos enviados. Na primeira leitura deste dia (Isaias 49, 5-6) é-nos oferecida uma palavra luminosa para este envio missionário: «Vou fazer de ti a luz das nações, para que a minha salvação chegue até aos confins da terra». Deixemo-la ecoar dentro de nós e não hesitemos em «mastigá-la» ao longo do dia para a saborear e para nos deixarmos alimentar por ela.



    © www.versdimanche.com
    © tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014

    Rezar o domingo segundo (Ano A), Laboratório da fé, 2014
    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 13.1.14 | Sem comentários
    • Recentes
    • Arquivo
    • Comentários