MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO PARA O DIA MUNDIAL DA PAZ


Resumo do número 5
Bento XVI afirmou que a ausência de fraternidade é causa da pobreza. Então, a fraternidade é «premissa para vencer a pobreza». Esta constatação serve de referência para apresentar dois tipos de pobreza: «pobreza relacional, devido à carência de sólidas relações familiares e comunitárias»; «pobreza relativa», «desigualdades entre pessoas e grupos» da mesma sociedade. A pobreza relacional pode ser ultrapassada com a «redescoberta e valorização de relações fraternas no seio das famílias e das comunidades, através da partilha das alegrias e tristezas, das dificuldades e sucessos». A pobreza relativa desaparece com o recurso a «políticas eficazes que promovam o princípio da fraternidade, garantindo às pessoas – iguais na sua dignidade e nos seus direitos fundamentais – acesso aos ‘capitais’, aos serviços, aos recursos educativos, sanitários e tecnológicos, para que cada uma delas tenha oportunidade de exprimir e realizar o seu projeto de vida». Na mesma linha, não se pode «esquecer o ensinamento da Igreja sobre a chamada hipoteca social»: as «coisas exteriores» que cada um possui legitimamente não se podem considerar «só como próprias, mas também como comuns, no sentido de que possam beneficiar não só a si mas também aos outros». Tudo isto ganha ainda mais sentido a partir da vivência do «desapego»: assumir «estilos de vida sóbrios e essenciais»; partilhar os bens como expressão de «comunhão fraterna». «Isto é fundamental, para seguir Jesus Cristo e ser verdadeiramente cristão».

© Laboratório da fé, 2014



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Fraternidade, fundamento e caminho para a paz, Laboratório da fé, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 5.1.14 | Sem comentários

Palavra para hoje: domingo da epifania


Eis que chegam os Magos, guiados pela estrela e enganados por Herodes. Chegaram a Belém e «viram o Menino com Maria, sua Mãe». A glória de Deus é-lhes revelada através deste Menino. Ele é a glória de Deus. «Chegou a tua luz e brilha sobre ti a glória do Senhor». Nunca mais será destruído o peso desta glória; ela incarnará nas suas próprias obras: «Socorrerá o pobre que pede auxílio e o miserável que não tem amparo. Terá compaixão dos fracos e dos pobres e defenderá a vida dos oprimidos». Salvá-los-á até dar a vida. É deste «Rei dos Judeus» que Herodes e os poderosos têm medo! Quanto à Igreja, ela negará o seu Senhor se deixar de anunciar o Evangelho de Jesus Cristo. Ele veio para reunir gentios e judeus num só povo.

Pergunta da semana: 

Onde é que vemos brilhar a luz e a glória de Deus?

Palavra de Deus - Lectio divina - imagem de fano
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 5.1.14 | Sem comentários

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO PARA O DIA MUNDIAL DA PAZ


Resumo do número 4
Sugerindo a leitura das Encíclicas de Paulo VI (sobre o desenvolvimento dos povos) e João Paulo II (sobre a solicitude social da Igreja), o papa Francisco reitera que «a fraternidade é fundamento e caminho para a paz». No pensamento de Paulo VI, os «mais favorecidos» são os primeiros a sentir o dever de «trabalhar juntos para construir o futuro comum da humanidade», em três dimensões: «o dever de solidariedade, que exige que as nações ricas ajudem as menos avançadas; o dever de justiça social, que requer a reformulação em termos mais corretos das relações defeituosas entre povos fortes e povos fracos; o dever de caridade universal, que implica a promoção de um mundo mais humano para todos, um mundo onde todos tenham qualquer coisa a dar e a receber, sem que o progresso de uns seja obstáculo ao desenvolvimento dos outros». No pensamento de João Paulo II, a paz apresenta-se como «um bem indivisível: ou é bem de todos, ou não o é de ninguém». Neste sentido, há alguns critérios de ação que são fundamentais: vencer a «avidez do lucro» e a «sede de poder» com a disponibilidade para «estar pronto a ‘perder-se’ em benefício do próximo». Este não pode ser visto como «instrumento», mas como «semelhante». Sem esquecer que o próximo é um «irmão», uma «imagem viva de Deus Pai, resgatada pelo sangue de Jesus Cristo e tornada objeto da ação permanente do Espírito Santo». Esta consciência «conferirá ao nosso olhar sobre o mundo como que um novo critério» para o interpretar e transformar.

© Laboratório da fé, 2014



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Fraternidade, fundamento e caminho para a paz, Laboratório da fé, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 4.1.14 | Sem comentários

Dos «Capítulos» de São Máximo Confessor, abade


O Verbo de Deus nasceu segundo a carne uma vez por todas. Mas pela sua bondade e condescendência para com os homens, deseja nascer sempre segundo o espírito para aqueles que O procuram, e faz-Se menino que se vai formando neles à medida que crescem as suas virtudes. Ele manifestou-Se em proporção com a capacidade de cada um, capacidade que Ele conhece perfeitamente. E se não Se comunica com toda a sua dignidade e grandeza, não é porque não o deseje, mas porque conhece as limitações das faculdades receptivas de cada um. Assim, o Verbo de Deus revela-Se sempre a nós do modo que nos convém, e contudo ninguém pode conhecê-lo perfeitamente, por causa da grandeza do mistério.
Por isso, o Apóstolo de Deus, considerando a força do mistério, exclama sabiamente: Jesus Cristo ontem e hoje e para sempre, entendendo que se trata de um mistério sempre novo, que nunca envelhece para a compreensão da inteligência humana.
Cristo, que é Deus, nasce e faz-Se homem, assumindo um corpo e uma alma racional, Ele por quem tudo o que existe saiu do nada. No Oriente, uma estrela brilha em pleno dia e conduz os Magos ao local onde jaz o Verbo Encarnado, para demonstrar misticamente que o Verbo, contido na Lei e nos Profetas, supera o conhecimento sensível e conduz os gentios à luz de um conhecimento superior.
Com efeito, a palavra da Lei e dos Profetas, religiosamente entendida, é como a estrela que conduz ao conhecimento do Verbo Encarnado todos aqueles que são chamados pela graça, segundo o desígnio de Deus.
Deus faz-Se homem perfeito, sem que Lhe falte nada do que é próprio da natureza humana, à excepção do pecado (o qual, aliás, não era inerente à natureza humana). Faz-Se homem perfeito, a fim de provocar a voracidade insaciável do dragão infernal, ávido e impaciente por devorar a sua presa, isto é, a humanidade de Cristo. Mas ao devorar esta carne, ela havia de converter-se em veneno mortal e causa da sua ruína total, por força da divindade que em seu interior levava oculta. Ao contrário, esta mesma força divina serviria de remédio para a natureza humana, restituindo-lhe a graça original.
Assim como o dragão infernal, tendo inoculado o seu veneno na árvore da ciência, havia corrompido a natureza do homem que saboreara o seu fruto, também agora, tentando devorar a carne do Senhor, ficou arruinado e destruído pela virtude da divindade que nela habitava.
A Encarnação divina é um grande mistério e nunca deixará de ser mistério. Como pode o Verbo, que está em pessoa e essencialmente na carne, existir ao mesmo tempo em pessoa e essencialmente no Pai? Como pode o Verbo, totalmente Deus por natureza, fazer-Se totalmente homem por natureza, sem detrimento algum da natureza divina, segundo a qual é Deus, nem da nossa, segundo a qual Se fez homem?
Só a fé pode apreender estes mistérios, a fé que é precisamente a substância e o fundamento das realidades que ultrapassam toda a percepção e raciocínio da mente humana.

© Conferência Episcopal Portuguesa – Liturgia das Horas
Centuria 1, 8-13: PG 90, 1182-1186


Rezar o Natal e a Epifania, no Laboratório da fé, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 4.1.14 | Sem comentários

NÃO PODEMOS VIVER SEM O DOMINGO!


«Valorizar o domingo como centro de todo o ano litúrgico» — é o primeiro objetivo apresentado no programa pastoral (2013+14) da Arquidiocese de Braga. Com o intuito de «valorizar» o domingo, acompanhando os tempos litúrgicos, propomos um tema a partir da releitura da Carta Apostólica sobre a santificação do domingo — «O dia do Senhor» («Dies Domini»). Este itinerário tem como tema geral: «Não podemos viver sem o domingo!».

Domingo, DIA DA LUZ

Texto de reflexão para o domingo da Epifania

    79. O domingo constitui o modelo natural para se compreender e celebrar aquelas solenidades do ano litúrgico, cujo valor espiritual para a existência cristã é tão grande que a Igreja decidiu sublinhar a sua importância, impondo aos fiéis a obrigação de participar na Missa e observar o descanso, mesmo quando coincidem em dia de semana. O número destas festas foi variando ao longo das diferentes épocas, tendo em conta as condições sociais e económicas, o arraigamento delas na tradição, e ainda o apoio da legislação civil. O ordenamento canónico-litúrgico atual prevê a possibilidade de cada Conferência Episcopal, em virtude de circunstâncias próprias do seu país, reduzir a lista dos dias de preceito. Uma eventual decisão nesse sentido, porém, precisa de ser confirmada por uma aprovação especial da Sé Apostólica, e, se fosse o caso da celebração dum mistério do Senhor, como a Epifania, a Ascensão ou a solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, tal celebração deve passar para o domingo seguinte, segundo as normas litúrgicas, para que os fiéis não sejam privados da meditação do mistério. Os Pastores procurarão diligentemente encorajar os fiéis a participarem na Missa também nas festas de certa importância que calham durante a semana.



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    Laboratório da fé celebrada, 2013
    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 3.1.14 | Sem comentários

    CELEBRAR O DOMINGO DA EPIFANIA 

    UMA LITURGIA SIMPLES E BELA

    Apresentamos algumas sugestões para concretizar o fruto esperado deste ano pastoral: «uma liturgia simples e bela, sinal da comunhão entre Deus e os seres humanos».



    Chegou a tua luz e brilha sobre ti a glória do Senhor

    Eis a grande solenidade da Epifania: celebração em que a alegria do Natal alcança todas as suas dimensões. A sua luz irradia o Universo: é a festa da manifestação e Deus a todos os seres humanos. Um Salvador nasceu para nós. É preciso que todos escutem esta notícia! É preciso dá-la a conhecer! Isaías já tinha anunciado a chegada desta luz a Jerusalém, a glória do Senhor: «chegou a tua luz e brilha sobre ti a glória do Senhor». E São Paulo dá ao mistério do Natal toda a amplitude: para ele, a salvação trazida por Jesus Cristo não está reservada a um único povo, mas é destinada a todos os povos. Assim, a visita dos Magos, em Belém, não tem nada de anedótico: eles representam todas as nações.



    Arte de celebrar

    INCENSO. Os Magos oferecem ouro, incenso e mirra. Hoje, o uso do incenso não se pode considerar acessório! Utilize-se de acordo com o que está previsto na liturgia. E não esquecer de incensar o Menino do presépio, quer no início da celebração, quer após a proclamação do evangelho. Também se pode queimar o incenso de uma forma extraordinária: através de um recipiente (resistente ao calor) colocado junto ao presépio. Antes da celebração coloca-se o carvão (ou outro material próprio) em brasa. No final da proclamação do evangelho, coloca-se os grãos de incenso. Esta maneira de fazer também se pode repetir durante a Liturgia Eucarística, colocando o incenso aquando da apresentação dos dons.



    Fé celebrada com a comunidade

    • «Uma grande luz»! — é a temática proposta para acompanhar a celebração e vivência do tempo de Natal, apoiada nos textos bíblicos da primeira leitura (Isaías). Somos convidados a celebrar «uma grande luz» que nos visita, depois de termos caminhado «à luz do Senhor» (Advento). Para o início da celebração (procissão de entrada), seguimos a mesma proposta dos domingos de Advento: entrada em silêncio; breve paragem no meio da assembleia; proclamação da frase-chave («Chegou a tua luz»); cântico de entrada. 
    • Epifania: é Natal! O domingo da Epifania assinala o cume do Natal, manifesta o cumprimento do mistério da Incarnação: No Menino que nasce, Deus revela-se a todos os povos. Este acontecimento pode ser assinalado com uma estrela bem iluminada junto do presépio; e ainda nos seguintes momentos: na procissão de entrada com a presença de representantes das várias comunidades existentes; no entusiasmo dos cânticos; nas introduções à Liturgia da Palavra e à Liturgia Eucarística; no uso do incenso na reverência ao altar, ao evangeliário, à assembleia; na encenação do evangelho ou na colocação das imagens dos Magos no presépio.
    • Festas ao longo do ano. Depois do evangelho, anunciam-se as festas móveis (cf. Missal Romano, ágina. 1382: «No dia da Epifania, depois da leitura do evangelho ou após a oração depois da comunhão, o diácono ou o sacerdote ou mesmo um cantor, pode fazer o anúncio
      do dia da Páscoa»).
    • Oferenda. Adoração. A celebração da eucaristia seja marcada pela atitude dos Magos que se deixaram interpelar por um «sinal» e foram ao encontro do Salvador. Prepara-se uma bela procissão dos dons, concretizada no gesto da apresentação (participação das crianças, de pessoas de várias culturas), do uso do incenso, da oração silenciosa, da ação de graças.



    Fé celebrada com a catequese

    Infância Missionária. A Epifania foi associada ao Dia da Infância Missionária, promovido pelas Obras Missionárias Pontifícias. O tema deste ano é «encontrar Jesus com as crianças de África». Uma oportunidade para dar a conhecer os objetivos e as atividades da «Infância Misisonária». Podem ser úteis os recursos disponibilizados na internet em www.opf.pt/infancia. A revista «Audácia» referende a janeiro (número 514), nas páginas 21 a 23, põe em destaque um grupo paroquial da Infância Missionária, na paróquia de Pinheiro de Bemposta (diocese do Porto).

    © Laboratório da fé, 2014

    Celebrar o domingo da Epifania (Ano A), no Laboratório da fé, 2014
    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 3.1.14 | Sem comentários

    MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO PARA O DIA MUNDIAL DA PAZ


    Resumo do número 3
    Duas perguntas — «Poderão um dia os homens e as mulheres deste mundo corresponder plenamente ao anseio de fraternidade, gravado neles por Deus Pai? Conseguirão, meramente com as suas forças, vencer a indiferença, o egoísmo e o ódio, aceitar as legítimas diferenças que caracterizam os irmãos e as irmãs?» — dão o mote à reflexão do Papa sobre a «raiz da fraternidade»: a «paternidade de Deus», cuja origem é o «amor pessoal, solícito e extraordinariamente concreto de Deus por cada um». Este amor de Deus «quando é acolhido, torna-se no mais admirável agente de transformação da vida e das relações com o outro, abrindo os seres humanos à solidariedade e à partilha ativa». Face a esta constatação, podemos parafrasear Jesus Cristo: «Vós sois todos irmãos» (Mateus 23, 8). Entretanto, «a fraternidade humana foi regenerada em e por Jesus Cristo, com a sua morte e ressurreição. A cruz é o ‘lugar’ definitivo de fundação da fraternidade». Assim, retomando o «projeto inicial», Jesus Cristo surge como «princípio novo e definitivo» da fraternidade universal. Pela sua morte e ressurreição, foram superadas as barreiras entre os povos, «constituindo-nos como humanidade nova». Por conseguinte, na família de Deus («filhos dum mesmo Pai» e «filhos no Filho»), todos possuem a mesma dignidade, «todos são amados por Deus, todos foram resgatados pelo sangue de Cristo […]. Esta é a razão pela qual não se pode ficar indiferente perante a sorte dos irmãos».

    © Laboratório da fé, 2014



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    Fraternidade, fundamento e caminho para a paz, Laboratório da fé, 2014
    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 3.1.14 | Sem comentários

    PREPARAR O DOMINGO DA EPIFANIA

    5 DE JANEIRO DE 2014


    Isaías 60, 1-6

    Levanta-te e resplandece, Jerusalém, porque chegou a tua luz e brilha sobre ti a glória do Senhor. Vê como a noite cobre a terra e a escuridão os povos. Mas, sobre ti levanta-Se o Senhor e a sua glória te ilumina. As nações caminharão à tua luz e os reis ao esplendor da tua aurora. Olha ao redor e vê: todos se reúnem e vêm ao teu encontro; os teus filhos vão chegar de longe e as tuas filhas são trazidas nos braços. Quando o vires ficarás radiante, palpitará e dilatar-se-á o teu coração, pois a ti afluirão os tesouros do mar, a ti virão ter as riquezas das nações. Invadir-te-á uma multidão de camelos, de dromedários de Madiã e Efá. Virão todos os de Sabá, trazendo ouro e incenso e proclamando as glórias do Senhor.



    Brilha sobre ti a glória do Senhor


    Israel, ao longo da história, passou por profundos períodos de escuridão (o exílio na Babilónia, por exemplo). Agora chega a época da luz. Esta luz não provém de si mesmo, mas é dom de Deus.
    O profeta apresenta a vinda poderosa do Senhor como a vinda da luz. Esta luz é glória — a sua presença forte e densa — que brilha no meio do mundo. O próprio Israel torna-se sinal da presença de Deus. A profecia que se lê no domingo da Epifania converte-nos em testemunhas do movimento de Israel da escuridão para a luz; do desespero para a esperança; da consternação para o bem-estar.
    Israel recebe um imperativo. «Levanta-te», que, de facto, é um convite. Não é um novo fardo, mas uma boa nova: convida-o a voltar à terra de onde tinha saído. A partir de agora, por causa do dom da presença do Senhor, Jerusalém exercerá uma espécie de magnetismo sobre as nações. Está a acontecer algo que Israel não podia esperar nem acreditar: uma procissão interminável de povos de todo o mundo que se dirigem para Jerusalém.
    A luz do Senhor põe fim ao exílio. O poeta-profeta imagina um mundo em que os esquecidos — os filhos e as filhas de Jerusalém —, agora, voltam a casa, ao seu povo. Israel, ao longo da sua história, tinha sido sempre um povo de segunda categoria entre vizinhos poderosos e ricos. Agora, as coisas mudaram: as riquezas exóticas das nações, que antes nem sequer podiam sonhar, são agora oferecidas ao povo de Deus, porque é o lugar da luz que brilha sobre o mundo. Há que notar, contudo, que a riqueza das nações é levada a Jerusalém para adorar o Senhor, para proclamar «as glórias do Senhor».

    © Joan Ferrer, Misa dominical
    © tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
    A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor


    Preparar o domingo da Epifania (Ano A), no Laboratório da fé, 2014


    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 2.1.14 | Sem comentários

    MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO PARA O DIA MUNDIAL DA PAZ


    Resumo do número 2
    «Onde está o teu irmão?» (Génesis 4, 9). A partir desta pergunta feita por Deus a Caim, o Papa propõe uma reflexão sobre «o difícil dever, a que todos os seres humanos são chamados, de viver juntos, cuidando uns dos outros», apesar das diferenças. A morte do irmão por inveja «atesta, tragicamente, a rejeição radical da vocação a ser irmãos». Caim «recusa reconhecer-se irmão, relacionar-se positivamente com ele, viver diante de Deus, assumindo as suas responsabilidades de cuidar e proteger o outro». Esta atitude manifesta desprezo pelo projeto de Deus, «frustra a sua vocação original para ser filho de Deus e viver a fraternidade». Quais foram os motivos profundos que levaram Caim «a ignorar o vínculo de fraternidade e, simultaneamente, o vínculo de reciprocidade e comunhão que o ligavam ao seu irmão Abel»? A presença deste episódio no relato bíblico das origens (Génesis 4, 1-16), onde se pretende sugerir a mesma proveniência (sem pretensão histórica, mas teológica) — Adão e Eva são criados por Deus à sua imagem e semelhança — «ensina que a humanidade traz inscrita em si mesma uma vocação à fraternidade, mas também a possibilidade dramática da sua traição. Disso mesmo dá testemunho o egoísmo diário, que está na base de muitas guerras e injustiças: na realidade, muitos homens e mulheres morrem pela mão de irmãos e irmãs que não sabem reconhecer-se como tais, isto é, como seres feitos para a reciprocidade, a comunhão e a doação».

    © Laboratório da fé, 2014



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    Fraternidade, fundamento e caminho para a paz, Laboratório da fé, 2014
    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 2.1.14 | Sem comentários

    Mistério da fé! [13]


    «O candidato à Confirmação, que atingiu a idade da razão, deve professar a fé [...] e estar preparado para assumir o seu papel de discípulo e testemunha de Cristo» — diz o Catecismo da Igreja Católica (CIC), no número 1319. O sacramento da Confirmação tem entre os seus «efeitos» a proclamação pública da fé cristã, o compromisso de professar a fé em todos os âmbitos da vida. [Para ajudar a compreender melhor, ler: Isaías 61, 1-3; Catecismo da Igreja Católica, números 1302 a 1305]

    «Enviou-me para levar a boa nova»

    — relata o livro de Isaías, depois de afirmar a presença do Espírito. A missão do profeta é anunciar ao povo a alegria da restauração de Israel e o regresso do exílio. Os destinatários são os que sofrem, os desesperados, os exilados, os prisioneiros, os tristes, os aflitos. A mensagem é uma «Boa Nova», um «Evangelho»: o profeta anuncia um ano da graça, um tempo de alegria e de liberdade. Mais tarde, o próprio Jesus Cristo revê-se neste texto, de acordo com o relato do evangelho segundo Lucas (4, 14-21). Jesus Cristo confirma a palavra do profeta tornando atual a sua mensagem: «Cumpriu-se hoje mesmo esta passagem da Escritura». A afirmação fixa-se no hoje: a finalidade é que os ouvintes deem conta de que estão a viver um tempo de graça. O hoje inaugura o tempo da salvação. Neste sentido, também podemos aplicar este texto aos cristãos confirmados na fé. O confirmado recebe o dom do Espírito Santo, é ungido, é enviado para viver e testemunhar a fé em Jesus Cristo. «Como os profetas do Antigo Testamento recebiam a força do Espírito de Deus para cumprir a missão (cf. Isaías 40 e 61); como Cristo, no Jordão, ao sair da água batismal, ouviu a voz do Pai e recebeu a força do Espírito para começar a sua missão; como a comunidade apostólica, nascida da Páscoa de Cristo, ouviu a voz do Pai e recebeu a força do Espírito para começar a sua missão, assim o cristão, na Confirmação, vê completada e levada à plenitude a graça batismal com este novo dom do Espírito para a vivência da sua fé e para a sua missão dentro da Igreja e do mundo» (José Aldazábal, «Dicionário Elementar de Liturgia» [DEL], ed. Paulinas, Prior Velho, 2007, 80).

    Confirmação

    O nome de «Confirmação» atribuído a este sacramento aparece no século V. Fausto de Riez, bispo galês, que viveu entre 405 e 490, terá sido um dos primeiros a utilizar esta terminologia. Durante os primeiros séculos da Igreja, o Batismo e a Confirmação fazem parte do mesmo «ritual» sacramental da Iniciação Cristã que ocorria durante a Vigília Pascal. A partir do século IV, o cristianismo alarga geograficamente os seus horizontes (constituição de pároquias nos ambientes rurais) e estabelece-se o costume de batizar os recém-nascidos. «Duas evoluções que impedem o bispo de presidir a todos os batismos na Vigília Pascal e que levam à nomeação de padres para presidirem aos destinos das novas comunidades locais» (AA. VV., «Preparar, celebrar e viver a Confirmação», Difusora Bíblica, Fátima 1997, 22). No Oriente, manteve-se a prática dos Sacramentos da Iniciação Cristã numa única celebração. «No Ocidente, porque se desejava reservar ao bispo completar o Batismo, instaurou-se a separação no tempo, dos dois sacramentos» (CIC 1290).

    Profissão de fé

    Os cristãos, «pelo sacramento da Confirmação, [...] ficam obrigados a difundir e defender a fé por palavras e obras como verdadeiras testemunhas de Cristo» (Constituição Dogmática sobre a Igreja — «Lumen Gentium», 11). Esta afirmação do II Concílio do Vaticano resume o essencial do compromisso cristão que o Catecismo da Igreja Católica apresenta como «efeitos» da Confirmação. «Ser confirmado significa fazer um acordo com Deus. O confirmando diz: sim, eu creio em Ti, meu Deus; dá-me o Teu Espírito Santo, para que eu Te pertença totalmente, nunca me separe de Ti e Te testemunhe com o corpo e com a alma, durante toda a minha vida, em obras e palavras, em bons e maus dias! E Deus diz: sim, Eu também creio em ti, Meu filho, e te darei o Meu Espírito e até a Mim mesmo; pertencer-te-ei totalmente; nunca Me separarei de ti, nesta e na vida eterna; estarei no teu corpo e na tua alma, nas tuas obras e nas tuas palavras; mesmo que Me esqueças, estarei sempre aqui, em bons e maus dias» (Catecismo Jovem da Igreja Católica [YOUCAT], 205).

    Na sequência do Ano da Fé proclamado pelo papa Bento XVI (outubro de 2012 a novembro de 2013), no contexto da chamada «nova evangelização», a reflexão sobre o sacramento da Confirmação deve questionar-nos, consciencializar-nos e comprometer-nos com o anúncio e o testemunho do Evangelho: enviados para levar a boa nova.






    Reflexões semanais sobre a «fé celebrada» (liturgia e Sacramentos) — Laboratório da fé, 2013
    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 2.1.14 | Sem comentários

    ANO CRISTÃO


    O Secretariado de Liturgia da diocese do Porto, num artigo do jornal «Voz Portucalense» (2 de janeiro de 2013) evoca o tema da luz, relacionando o tempo de Natal com a celebração da Páscoa: a luz natalícia, característica do Natal e da Epifania, aponta para a «apoteose que acontece na Páscoa, na noite santa, em que Cristo, a luz do mundo, sem ocaso, ilumina e se reflete sobre todas as coisas». Entretanto, entre um e outro acontecimento situa-se a festa da Apresentação de Jesus no Templo (2 de fevereiro), onde de novo se destaca o tema da luz. «A celebração litúrgica, na sua rica gramática simbólica, dá um lugar de relevo à luz, de modo muito especial, na Páscoa e no Natal. O símbolo da luz introduz-nos na participação do mistério de Cristo. Neste sentido, se compreendem as velas que colocamos no altar, o Círio pascal que preside às celebrações principais, a lâmpada que arde diante do Santíssimo Sacramento, as velas que levamos nas procissões, a vela que se acende no batismo, na profissão de fé, o círio que se coloca diante do féretro, etc. A nossa existência, ritmada pela luz, manifesta-se, marcada por Cristo que diz: 'Eu sou a luz do mundo… Vós sois a luz do mundo!'».

    A liturgia também se compreende como um jogo de luz. Desde a orientação das igrejas, os estilos arquitetónicos, a própria ação litúrgica, os ritos, os tempos litúrgicos e os lugares, etc., não são alheios aos fenómenos cósmicos, mas inserem-se, neles, num realismo impressionante, repleto de sentido. Por isso, podemos dizer que estão marcados por este jogo da luz. Neste sentido, o Natal volta-se para a Páscoa: a luz que surge, estabelece um ritmo que aponta para a sua apoteose que acontece na Páscoa, na noite santa, em que Cristo, a luz do mundo, sem ocaso, ilumina e se reflete sobre todas as coisas, ao longo de todo o ano (ano litúrgico) e celebrações (celebrações litúrgicas).
    «Santo é o dia que nos trouxe a luz. Vinde, adorai o Senhor. Hoje, uma grande luz desceu sobre a terra». Assim cantámos no Natal, evocando a luz que veio para «o povo que andava nas trevas» (Isaías 9, 2), o esplendor da glória do Senhor que envolveu os pastores (Lucas 2, 9), Cristo, esplendor da glória do Pai (Hebreus 1, 3), Vida, luz dos homens (João 1, 4), Luz que resplandece em Jerusalém, que conduz as nações e os reis (Isaías 60, 1.3), estrela que guia os Magos (Mateus 2, 2), etc.
    O Natal e a Epifania são, com efeito, festas da Luz. Quarenta dias, após as festas natalícias, lembrando o acontecimento luminoso, se evoca Cristo luz «para iluminar as nações» que, vindo ao encontro do seu povo fiel, é a luz verdadeira que não tem ocaso. Nesse dia (2 de fevereiro), o povo reúne-se, acende as velas e o sacerdote abençoa a luz. O povo encaminha-se para a igreja com as velas acesas.
    «Aqui temos um símbolo, belo e expressivo, entre muitos: a vela. Não te digo nada de novo, aliás; com certeza já o sentiste muitas vezes. Repara como ela se ergue no candelabro. Assenta o pé largo e pesado. O fuste ergue-se seguro. A vela levanta-se bem apertada e circundada pela arandela (aparador) bem espalmada. A sua figura vai-se adelgaçando ligeiramente; firmemente modelada por mais que suba. Assim está no espaço, esbelta, em pureza imaculada e cor levemente acentuada, distinta, por uma forma clara, de toda a mistura. Suspensa ao alto, está a chama e nela transforma a vela, o seu corpo puro em radiante luz. Diante dela não sentes acordar qualquer coisa de nobre?! Vê como está ali, imperturbável no seu posto, atirada ao alto, pura e honrosa. Nota como tudo nela se proclama: 'Estou pronta!'. Como ela está onde deve, diante de Deus. Nada nela foge e nada se subtrai. Tudo, límpida prontidão. E, em seu determinismo, consome-se incessantemente em luz e ardor. Talvez digas: 'que sabe disso a vela? Se ela não tem alma!'. Pois dá-lhe tudo! Deixa que se torne expressão tua. Faz com que, diante dela, desperte toda a disposição nobre: 'Senhor, aqui me tens!'. Sentirás, então, a sua atitude esbelta e pura, como expressão do teu próprio sentimento. Faz com que toda a tua disposição se robusteça de modo a atingir a felicidade indefectível. Então sentirás: 'Senhor, naquela vela, estou eu diante de Ti'. Não fujas ao teu destino. Persevera. Deixa-te de querer saber continuamente o porquê e o para quê. O sentido mais profundo da vida está em comunicarmo-nos em verdade e amor de Deus, tal como a vela se consome em luz e ardor» (R. Guardini, Sinais Sagrados).
    A Bíblia aplica, este simbolismo da luz, a Deus que «habita numa luz inacessível» (1Timóteo 6, 16). «Deus é luz e n’Ele não há treva» (1João 1,5). E o salmista: «Meu Deus, como sois grande, vestido de esplendor e majestade, envolvido de luz, como de um manto» (Salmo 104, 2). E a Liturgia: «único Deus vivo e verdadeiro… permaneceis, eternamente, na luz inacessível… criastes o universo para encher de bênçãos todas as criaturas e a muitas alegrar na claridade da vossa luz» (Anáfora IV).
    Mas este simbolismo litúrgico refere-se, sobretudo, a Cristo: «o Verbo era a luz verdadeira que ilumina todo o homem» (João 1,9); «Eu sou a luz do mundo: quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida» (João 8, 12): palavras proclamadas por Jesus na festa das Tendas, a festa das luzes, no Templo de Jerusalém. Este simbolismo atravessa toda a Bíblia, desde a primeira (faça-se a luz: Génesis 1, 3) até à última (a nova Jerusalém iluminada pela glória de Deus e a sua lâmpada é o Cordeiro… aí não haverá noite: Apocalipse 21, 23ss).
    Naturalmente, a celebração litúrgica, na sua rica gramática simbólica, dá um lugar de relevo à luz, de modo muito especial, na Páscoa e no Natal. O símbolo da luz introduz-nos na participação do mistério de Cristo. Neste sentido, se compreendem as velas que colocamos no altar, o Círio pascal que preside às celebrações principais, a lâmpada que arde diante do Santíssimo Sacramento, as velas que levamos nas procissões, a vela que se acende no batismo, na profissão de fé, o círio que se coloca diante do féretro, etc. A nossa existência, ritmada pela luz, manifesta-se, marcada por Cristo que diz: «Eu sou a luz do mundo… Vós sois a luz do mundo!».

    © SDL | Voz Portucalense
    © Adaptação de Laboratório da fé, 2014



    • Ano Litúrgico: ano cristão — textos publicados no Laboratório da fé > > >



    Laboratório da fé celebrada, 2013
    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 2.1.14 | Sem comentários

    MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO PARA O DIA MUNDIAL DA PAZ


    Resumo do número 1
    A temática da fraternidade — «fundamento e caminho para a paz» — preenche a (primeira) Mensagem do papa Francisco para o Dia Mundial da Paz. A fraternidade, «dimensão essencial» de qualquer ser humano, habita o coração de quem percebe na comunhão o único caminho possível para a «construção duma sociedade justa, duma paz firme e duradoura». A educação para a fraternidade, que tem de começar na família («fonte de toda a fraternidade»), ensina a ver no outro um irmão que «devemos acolher e abraçar», nunca um inimigo ou corrente. No contexto atual, embora pareça haver uma maior «proximidade» entre todos, o que se constata é uma «’globalização da indiferença’ que lentamente nos faz ‘habituar’ ao sofrimento alheio, fechando-nos em nós mesmos». Recordando palavras de Bento XVI, confirma-se que a globalização «torna-nos vizinhos, mas não nos faz irmãos». Por isso, continuam a verificar-se constantes atropelos aos direitos humanos fundamentais (vida, religião). «Às guerras feitas de confrontos armados juntam-se guerras menos visíveis, mas não menos cruéis, que se combatem nos campos económico e financeiro com meios igualmente demolidores de vidas, de famílias, de empresas». Estamos num tempo em que parece predominar um conceito «pragmático e egoísta» de convivência humana, uma «mentalidade do ‘descartável’». Então, para alcançar uma verdadeira fraternidade entre todos é preciso aceitar a existência de uma «paternidade transcendente».

    © Laboratório da fé, 2014



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    Fraternidade, fundamento e caminho para a paz, Laboratório da fé, 2014
    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 1.1.14 | Sem comentários
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