NÃO PODEMOS VIVER SEM O DOMINGO!


«Valorizar o domingo como centro de todo o ano litúrgico» — é o primeiro objetivo apresentado no programa pastoral (2013+14) da Arquidiocese de Braga. Com o intuito de «valorizar» o domingo, acompanhando os tempos litúrgicos, propomos um tema a partir da releitura da Carta Apostólica sobre a santificação do domingo — «O dia do Senhor» («Dies Domini»). Este itinerário tem como tema geral: «Não podemos viver sem o domingo!».

Domingo, DIA DA LUZ

Texto de reflexão para o quarto domingo de Advento

    27. [...] Uma perspicaz intuição pastoral sugeriu à Igreja de cristianizar, aplicando-a ao domingo, a conotação de «dia do sol», expressão esta com que os romanos denominavam este dia e que ainda aparece em algumas línguas contemporâneas, subtraindo os fiéis às seduções de cultos que divinizavam o sol e orientando a celebração deste dia para Cristo, verdadeiro «sol» da humanidade. S. Justino [...] [escreve] que os cristãos faziam a sua reunião «no chamado dia do sol» [...]. Cristo é realmente a luz do mundo, e o dia comemorativo da sua ressurreição é o reflexo perene, no ritmo semanal do tempo, desta epifania da sua glória. O tema do domingo, como dia iluminado pelo triunfo de Cristo ressuscitado, está presente na Liturgia das Horas, e possui uma ênfase especial na vigília noturna que, nas liturgias orientais, prepara e introduz o domingo. Reunindo-se neste dia, a Igreja, de geração em geração, torna própria a admiração de Zacarias, quando dirige o olhar para Cristo anunciando-O como «o sol nascente para iluminar os que se jazem nas trevas e na sombra da morte» (Lucas 1, 78-79), e vibra em sintonia com a alegria experimentada por Simeão quando tomou em seus braços o Deus Menino enviado como «luz para iluminar as nações» (Lucas 2, 32).



    • Não podemos viver sem o domingo! — textos publicados no Laboratório da fé > > >



    Laboratório da fé celebrada, 2013
    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 20.12.13 | Sem comentários

    20 de dezembro, sexta-feira da terceira semana de advento


    Isaías 7, 10-14

    Naqueles dias, o Senhor mandou ao rei Acaz a seguinte mensagem: «Pede um sinal ao Senhor teu Deus, quer nas profundezas do abismo, quer lá em cima nas alturas». Acaz respondeu: «Não pedirei, não porei o Senhor à prova». Então Isaías disse: «Escutai, casa de David: Não vos basta que andeis a molestar os homens para quererdes também molestar o meu Deus? Por isso, o próprio Senhor vos dará um sinal: a virgem conceberá e dará à luz um filho e o seu nome será Emanuel».

    O próprio Senhor vos dará um sinal

    O rei de Jerusalém, Acaz, por volta do ano 735 antes de Cristo, é desafiado a pedir a Deus um sinal. Acaz não tem filhos; sente-se ameaçado pelos vizinhos de Judá (Síria e Israel). Nessa situação, procura uma aliança com o império assírio. Isaías intervém para demover o rei dessa intenção e para lhe propor uma confiança plena em Deus. Por isso, o profeta convida o rei a pedir um «sinal» que confirme a proteção divina. 
    Apesar da recusa do rei, representada por uma falsa religiosidade, Isaías transmite o sinal dado por Deus: «O próprio Senhor vos dará um sinal». Este sinal consiste no nascimento de um descendente. As palavras do profeta referem-se a Ezequias, filho de Acaz, cujo nascimento será entendido como um sinal da presença salvadora de Deus em favor do seu povo. 
    A liturgia dos últimos dias de Advento destaca uma relação entre os textos bíblicos do Antigo com os do Novo Testamento. Jesus Cristo faz a ligação entre o Antigo e o Novo Testamento, entre o antigo e o novo povo de Deus. Por isso, a profecia de Isaías é colocada em íntima relação com o sucedido na vida de Maria de Nazaré. Uma criança vai nascer de uma virgem. Será o artífice da salvação. É a confirmação do sinal dado por Deus ao seu povo. 
    Não admira, por isso, que os «tradutores» para grego do texto hebraico tenham traduzido a palavra «jovem» por «virgem»; e, desta forma, tornou-se ainda mais forte a relação entre a profecia de Isaías e a conceção de Jesus Cristo no seio de Maria. 
    É impossível situarmo-nos como cristãos, sem termos em conta o que se passou antes de Jesus Cristo. Isto significa conhecermos a história bíblica, o caminho percorrido ao longo de séculos. Na verdade, o projeto de Deus prepara-se de diversas formas ao longo dos tempos. Hoje, continuamos a ser testemunhas desse projeto, mas vemos apenas uma pequena parte do percurso: a nossa situação histórica concreta.
    Em todo o caso, sabemos que o essencial está cumprido. Compete a cada um de nós «abrir uma porta, um caminho, um corredor para a passagem do espírito». Compete a cada um de nós deixar-se surpreender pelos sinais que hoje Deus continua a colocar na nossa vida, na nossa história. 

    © Laboratório da fé, 2013



    • Reflexão proposta em 2012 a partir do evangelho (Lucas 1, 26-38) > > >



    Advento: 20 de dezembro, Laboratório da fé, 2013
    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 20.12.13 | Sem comentários

    PREPARAR O DOMINGO QUARTO DE ADVENTO

    22 DE DEZEMBRO DE 2013


    Isaías 7, 10-14

    Naqueles dias, o Senhor mandou ao rei Acaz a seguinte mensagem: «Pede um sinal ao Senhor teu Deus, quer nas profundezas do abismo, quer lá em cima nas alturas». Acaz respondeu: «Não pedirei, não porei o Senhor à prova». Então Isaías disse: «Escutai, casa de David: Não vos basta que andeis a molestar os homens para quererdes também molestar o meu Deus? Por isso, o próprio Senhor vos dará um sinal: a virgem conceberá e dará à luz um filho e o seu nome será Emanuel».



    A virgem conceberá


    O rei de Judá, Acaz, teme os dois réis vizinhos do norte (Síria e Israel). O profeta advertiu-o que só a fé o poderá salvar da aparente ameaça. Isaías está convencido de que só a fé no Senhor pode salvar, até numa grave crise política. Aqui, o profeta desafia o rei e convida-o a pedir um sinal que sirva para provar que diz a verdade de Deus. O rei recusa fazer qualquer petição. Aparentemente, trata-se de um ato de piedade: «Não coloqueis o Senhor vosso Deus à prova» (Deuteronómio 6, 16). Contudo, a verdade é que o rei recusa entrar num diálogo no qual a fé é uma possibilidade profundamente séria, que o obrigaria a mudar a sua política na crise em que está mergulhado. O rei não quer submeter a sua política à exigência da fé que lhe é apresentada pelo profeta Isaías.
    O profeta, apesar da recusa do rei, anuncia um sinal. Trata-se de uma coisa tão humana: uma virgem terá um filho e lhe porá o nome de Emanuel, que significa «Deus connosco». Deus não abandona a gente fiel do seu povo, embora os dia que se seguirão na cena política da história sejam muito maus. Os dois reizinhos que agora preocupam o rei da casa de David, em Jerusalém, desaparecerão, porque o poder passará para as mãos do império assírio, que não terá piedade com ninguém.
    A lição é poderosíssima: Deus atua simultaneamente em diferentes âmbitos. Uma criança é o sinal que permite ver que, para além da aparatosa presença dos grandes poderes na cena pública, o plano de Deus e a sua presença na história continuam a manifestar-se, porque quando «Deus está connosco» tudo ganha um sentido novo e a realidade transfigura-se.

    © Joan Ferrer, Misa dominical
    © tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
    A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor



    • Rezar o domingo a partir da primeira leitura: Isaías 7, 10-14 > > >



    Preparar o domingo quarto de Advento (Ano A), no Laboratório da fé, 2013
    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 20.12.13 | Sem comentários

    Mistério da fé! [11]


    Os sinais e símbolos (cf. tema 3) ocupam um lugar importante no contexto da vida humana; o mesmo acontece no contexto litúrgico. Por isso, dedicamos este tema à explicação dos sinais e símbolos associados ao Sacramento do Batismo. [Para ajudar a compreender melhor, ler: Romanos 13, 11-14; Catecismo da Igreja Católica (CIC), números 1234 a 1245 e 1262 a 1284]

    «Revesti-vos do Senhor Jesus Cristo»

    — diz Paulo aos cristãos de Roma. O batizado situa-se na aurora de um tempo novo assinalado pela passagem das trevas para a luz e pelo uso de uma nova «veste». Estas comparações exprimem a intensidade da relação que, pelo Batismo, se realiza entre Jesus Cristo o os cristãos (batizados): somos iluminados interiormente pela sua presença, para o tornarmos visível nas ações que realizamos, isto é, para sermos consequentes com a nossa situação de batizados.

    Sinal da cruz

    Há quem coloque uma marca nos bens pessoais. Há também quem use o emblema do clube, da associação, da instituição... É um sinal de pertença e de identificação. O sinal do cristão é a cruz. Ser marcado com o sinal da cruz ou traçar sobre si o sinal da cruz é manifestar a pertença a Jesus Cristo (e à Igreja). «O sinal da cruz, no princípio da celebração, manifesta a marca de Cristo impressa naquele que vai passar a pertencer-Lhe, e significa a graça da redenção que Cristo nos adquiriu pela sua cruz» (CIC 1235).

    Unção com óleo

    Na língua portuguesa distingue-se «óleo» de «azeite». No uso litúrgico, embora se trate de azeite, a terminologia comum é a primeira («óleo»), embora se referia ao produto retirado das azeitonas («azeite»). Na história bíblica, a escolha do rei, do sacerdote, do profeta, era assinalada com uma unção: óleo derramado sobre a cabeça do escolhido (eleito). Além disso, o óleo também servia como tonificador. Recordemos, por exemplo, o uso do óleo como protetor solar ou para fazer massagens... Na celebração do batismo fazem-se duas unções: no peito e na testa. Estas são feitas com a forma do sinal da cruz. «O óleo é sinal de resistência ao pecado. Não se trata de pensar que o óleo seja algo de mágico que ‘imuniza o corpo’ contra o mal. O óleo não é feitiço. É um símbolo, e quer transmitir a força divina. Sem esforço, ninguém, por mais ungido que tenha sido, consegue vencer o mal e o pecado» (José Bortolini, «Os Sacramentos na tua vida», São Paulo, Lisboa 1995, 27-28). Este é o sentido da primeira unção feita com o óleo dos catecúmenos (nome para designar os que se preparam para o batismo): «O poder de Cristo te fortaleça». A segunda unção, feita com o óleo do crisma, está associada à prática bíblica (unção do rei, do sacerdote, do profeta): «permaneças, eternamente, membro de Cristo sacerdote, profeta e rei». Sobre este óleo daremos mais pormenores ao abordarmos o Sacramento da Confirmação (ou Crisma).

    Água

    «Elemento da Natureza essencial à vida, é tomado, correntemente, com muitos valores e sentidos: sacia a sede, limpa, é fonte de vida, origina a força hidráulica… Em registo religioso, também serve para simbolizar realidades profundas: a pureza interior, sobretudo. Por isso, se encontram abluções ou banhos sagrados, em todas as culturas e religiões, nas margens do Ganges para os Hindus, do Nilo para os Egípcios, do Jordão para os Judeus. Para os Cristãos, a água serve para simbolizar expressivamente o que Cristo e a sua salvação são para nós» (José Aldazábal, «Dicionário Elementar de Liturgia», ed. Paulinas, Prior Velho, 2007, 23). No Batismo, está associada à «vida nova em Cristo» (cf. tema 9).

    Veste branca

    «A veste branca simboliza que o batizado ‘se revestiu de Cristo’» (CIC 1243). Na prática habitual dos primeiros séculos, o Batismo era celebrado na Vigília Pascal. «Os batizados, ao saírem da piscina, do ‘mergulho’ do Batismo, vestiam uma veste branca e conservavam-na toda a semana, até ao domingo seguinte. [...] Era uma semana de comemoração do Batismo» (José Ribólla, «Os Sacramentos trocados em miúdo», Editora Santuário, Aparecida 1990, 53).

    Vela (luz)

    «A vela, acesa no círio pascal, significa que Cristo iluminou o neófito. Em Cristo, os batizados são ‘a luz do mundo’» (CIC 1243). O Círio Pascal simboliza Jesus Cristo ressuscitado, vivo no meio de nós. Por isso, a vela não se acende a partir de uma outra vela qualquer! «A vela do Batismo quer dizer a quem é batizado: Jesus é a luz da tua vida! Procura andar nessa luz e serás feliz!» (José Bortolini..., 23).

    «Seguindo, com participação atenta, os gestos e as palavras desta celebração, os fiéis são iniciados nas riquezas que este sacramento significa e realiza em cada novo batizado» (CIC 1234).



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    Reflexões semanais sobre a «fé celebrada» (liturgia e Sacramentos) — Laboratório da fé, 2013
    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 19.12.13 | Sem comentários

    REZAR O DOMINGO QUARTO DE ADVENTO

    22 DE DEZEMBRO DE 2013


    Isaías 7, 10-14

    Naqueles dias, o Senhor mandou ao rei Acaz a seguinte mensagem: «Pede um sinal ao Senhor teu Deus, quer nas profundezas do abismo, quer lá em cima nas alturas». Acaz respondeu: «Não pedirei, não porei o Senhor à prova». Então Isaías disse: «Escutai, casa de David: Não vos basta que andeis a molestar os homens para quererdes também molestar o meu Deus? Por isso, o próprio Senhor vos dará um sinal: a virgem conceberá e dará à luz um filho e o seu nome será Emanuel».



    Ambientação

    Dispomo-nos para escutar.
    Queremos que a Palavra de Deus ecoe no nosso coração
    e seja fonte de esperança no nosso caminhar.
    Pedimos a luz e a força do Espírito Santo.



    Leitura

    Síria e Israel ameaçam o rei de Jerusalém, Acaz.
    O profeta Isaías fala claro: não há nada a temer,
    porque Deus prometeu dar continuidade à dinastia de David.

    Proclamação de Isaías 7, 10-14
    Naqueles dias, o Senhor mandou ao rei Acaz a seguinte mensagem: «Pede um sinal ao Senhor teu Deus, quer nas profundezas do abismo, quer lá em cima nas alturas». Acaz respondeu: «Não pedirei, não porei o Senhor à prova». Então Isaías disse: «Escutai, casa de David: Não vos basta que andeis a molestar os homens para quererdes também molestar o meu Deus? Por isso, o próprio Senhor vos dará um sinal: a virgem conceberá e dará à luz um filho e o seu nome será Emanuel».

    Para compreender melhor este texto, volta a lê-lo pausadamente.
    Podem ajudar-te estas considerações:
    • Estamos por volta do ano 735 antes de Cristo.
      O rei de Jerusalém, jovem e sem filhos, sente o seu trono em perigo
      e vai pedir ajuda ao rei da Assíria,
      sem se aperceber que, assim, está a abrir as portas ao domínio assírio.
    • O profeta Isaías anima-o a confiar em Deus.
      O próprio Deus está disposto a oferecer um sinal a Acaz.
      O rei recusa e desculpa-se com um motivo religioso («Não porei o Senhor à prova»).
      Mas, na realidade, recusa assumir depender de Deus, neste assunto.
    • Deus responde com um sinal: o nascimento de uma criança.
      De pouco serve um frágil menino perante os exércitos que avançam!
      Contudo, é um sinal forte: Deus cuida do seu povo e assegura-lhe um futuro.
    • Agora, procura responder a estas perguntas:
      Qual é o significado das palavras de Isaías (7, 14), no contexto do Antigo Testamento?
      Como se leram a partir do Novo Testamento?
    • Procura resumir em poucas palavras:
      Qual é a mensagem de fé que este texto transmite?



    Meditação

    Sabemos que Deus está presente na história e caminha ao nosso lado,
    mas há ocasiões em que duvidamos, como aconteceu com o rei Acaz.
    Então, precisamos de profetas como Isaías, que nos ajudem a ver os sinais de Deus na vida.
    • Até que ponto colocamos a nossa confiança no Senhor?
    • Hoje, quais são os sinais que Deus me dá?
      Como é que estes sinais nos desafiam ao compromisso social?



    Oração

    Reconhecemos que, às vezes, sentimo-nos cheios de medo, sem recursos.
    Custa-nos descobrir os sinais de Deus na história.
    Outras vezes, temos a força do profeta para ajudar os outros.
    Falemos com Deus sobre tudo o que nos foi sugerido pela meditação desta passagem.

    Proclamamos de novo o texto de Isaías 7, 10-14

    Depois de um tempo de silêncio,
    partilhamos a nossa oração com os outros membros do grupo.
    Depois de cada intervenção, dizemos: «Vem, Senhor Jesus!».

    Podemos terminar recitando juntos o salmo responsorial (Salmo 23 [24]):

    O Senhor virá: Ele é o rei da glória.

    Do Senhor é a terra e o que nela existe,
    o mundo e quantos nele habitam.
    Ele a fundou sobre os mares
    e a consolidou sobre as águas.

    Quem poderá subir à montanha do Senhor?
    Quem habitará no seu santuário?
    O que tem as mãos inocentes e o coração puro,
    que não invocou o seu nome em vão nem jurou falso.

    Este será abençoado pelo Senhor
    e recompensado por Deus, seu Salvador.
    Esta é a geração dos que O procuram,
    que procuram a face do Deus de Jacob.



    Neste Natal, Senhor Jesus, vens à minha humilde casa:
    para que sinta a alegria da tua incomparável presença;
    para que ocupes o centro da minha vida e animes todo o meu ser;
    para que afugentes as sombras da tristeza que se abatem sobre a minha vida;
    para que cresça em esperança e possa caminhar com força renovada;
    para que o meu coração palpite de amor por ti;
    para que também eu incarne na realidade;
    para que, como Maria, entoe mil «magnificats» de ação de graças;
    para que salte de puro contentamento e te entoe um cântico novo a ti, meu salvador.



    © www.verbodivino.es
    © tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013

    Rezar o domingo quarto de Advento (Ano A), no Laboratório da fé, 2013
    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 19.12.13 | Sem comentários

    18 de dezembro, quarta-feira da terceira semana de advento


    Jeremias 23, 5-8

    «Dias virão – diz o Senhor – em que farei surgir para David um rebento justo. Será um verdadeiro rei e governará com sabedoria: há-de exercer no país o direito e a justiça. Nos seus dias, Judá será salvo e Israel viverá em segurança. Este será o seu nome: ‘O Senhor é a nossa justiça’. Por isso, dias virão – oráculo do Senhor – em que já não se dirá: ‘Vive o Senhor, que fez sair os filhos de Israel da terra do Egipto’; mas sim ‘Vive o Senhor, que fez sair e regressar os descendentes da casa de Israel da região do norte e de todos os países em que os tinha dispersado, para poderem habitar na sua própria terra’».

    Vive o Senhor

    O livro de Jeremias é um dos textos bíblicos mais dramáticos, porque se trata de um período trágico na história de Israel. Tudo parece perdido. Contudo, Jeremias profetiza que Deus cumprirá a sua palavra.
    A primeira promessa é o aparecimento de um descendente de David. Com ele, «Israel viverá em segurança». A segunda é a declaração do fim do exílio e o regresso a casa, à própria terra.
    O povo de Israel já está habituado a não compreender tudo. Porque é que saíram do Egito? Como foi possível escapar ao faraó? Porque é que tiveram de permanecer 40 anos no deserto? Como é que foi escolhida a terra prometida? A única resposta que conhecem é esta: nós não compreendemos, mas o nosso Deus sabe para onde nos conduz. Ele fez-nos sair do Egito e, um dia, nos reunirá para vivermos em segurança para sempre na terra que escolheu para nós. 
    Quando analisamos a nossa vida, também percebemos que existem muitas coisas que não compreendemos: porque é que nascemos nesta família? Porque é que nos aproximamos desta pessoa? Porque é que fomos tocamos por esta doença,por este sofrimento, por este sucesso, por este presente? Pode-se dizer que é fruto do acaso, do destino; mas também se pode dizer que é fruto do plano que Deus tem para cada um de nós. Não será descabido seguir o exemplo do povo de Israel: aceitar que não somos capazes de compreender tudo. Talvez, um dia verei que este caminho, que até pode parecer estranho, me conduz a Deus. «O milagre é reconhecer que o Pai está na origem do enigma que somos e que isso se traduz pelo louvor, pelo canto»: «Vive o Senhor».
    Com esta atitude de humildade e de louvor será certo que Deus virá até nós. Ele nos iluminará o caminho. Encher-nos-á de uma alegria transbordante.

    © Laboratório da fé, 2013



    • Reflexão proposta em 2012 a partir do evangelho (Mateus 1, 18-25) > > >



    Advento: 18 de dezembro, Laboratório da fé, 2013
    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 18.12.13 | Sem comentários

    VIVER O DOMINGO: ao ritmo da liturgia


    Terceira semana de Advento


    Que fizemos nós do Evangelho da Alegria?

    No itinerário de Advento, caminhando à luz do Senhor, somos convidados a exultar de alegria. A fonte desta alegria é a vinda de Deus que traz a salvação. A tristeza converter-se-á em alegria e a maldição em bem-aventurança. Todos gritarão de alegria, porque Deus vem salvar o seu povo, com uma salvação verificada em atos concretos na vida de todas as pessoas que sentem falta de coragem e de capacidade para viver uma vida plena e jubilosa.
    «Contudo, no espaço teológico e eclesial, a alegria tornou-se um motivo tratado com alguma parcimónia. Falamos pouco do Evangelho da Alegria e, entre tudo aquilo que assumimos como dever, tarefa, raramente ele está. O dever da alegria, estarmos quotidianamente hipotecados à alegria, enviados em nome da alegria, não nos é tantas vezes recordado quanto devia. As nossas liturgias, pregações, catequeses e pastorais abordam a alegria quase com pudor. […] A imagem pública do Cristianismo aparece mais enfocada na exigência, na severidade, às vezes até na intransigência dos aspetos morais do que na simplicidade do Evangelho da Alegria» (José Tolentino Mendonça, «Nenhum caminho será longo. Para uma teologia da amizade, ed. Paulinas, Prior Velho, 2012, 143). 
    Celebramos a alegria. É certo que a celebração da fé tem de ser sempre um encontro festivo, alegre. Mas, às vezes, esquecemo-nos desta realidade fundamental da nossa fé. Há de facto uma estreita relação entre a celebração e a ação evangelizadora?
    A alegria, «por um lado, tem uma expressão física (DOMINGO: «Eterna felicidade a iluminar-lhes o rosto»), mas por outro, conserva uma natureza evidentemente espiritual. A alegria, se quisermos, é uma provocação do espírito (SEGUNDA: «O Espírito de Deus desceu sobre ele») que nos abeira do milagre. […] O milagre é reconhecer que o Pai está na origem do enigma que somos e que isso se traduz pelo louvor (TERÇA: «Inclinar-se diante de ti»), pelo canto (QUARTA: «Vive o Senhor»), pela bem-aventurança (QUINTA: «Abençoou-o»), pelo riso, pelo entusiasmo partilhado. A alegria é uma revelação da vida profunda. É abrir uma porta, um caminho, um corredor para a passagem do espírito (SEXTA: «O próprio Senhor vos dará um sinal»). Nesse sentido, a alegria, que é a íntima condição dos amigos, é também um estilo a assumir (SÁBADO: «O teu rosto é encantador»). Somos chamados a viver na alegria» (José Tolentino Mendonça…, 142-143).

    Como posso transformar as minhas dificuldades em algo positivo (alegria)? «A nossa alegria não nasce do facto de possuirmos muitas coisas, mas de termos encontrado uma Pessoa: Jesus, que está no meio de nós; nasce do facto de sabermos que, com Ele, nunca estamos sozinhos, mesmo nos momentos difíceis, mesmo quando o caminho da vida é confrontado com problemas e obstáculos que parecem insuperáveis… e há tantos! [...]» (Homilia no Dia Mundial da Juventude, Domingo de Ramos, 24 de março de 2013). Nesta semana, deixemos que uma eterna felicidade ilumine o nosso rosto!

    © Laboratório da fé, 2013

    Terceira semana de Advento, no Laboratório da fé, 2013

    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 15.12.13 | Sem comentários

    Palavra para hoje: terceiro domingo de advento


    Coragem! Não temais! Alegrai-vos! É a alegria pelo nascimento do Salvador, que converte os corações endurecidos em corações abertos à esperança. Esta é a contínua ação de Deus no mundo, também neste tempo. Por isso, nós, cristãos, não podemos ignorar as dificuldades do tempo, os sofrimentos da vida, estejam mais ou menos perto de nós. A Igreja tem a missão de anunciar os projetos de Deus: a justiça aos oprimidos, o pão aos famintos, a liberdade aos cativos! Assim, a vinda do Senhor estará próxima, a alegria de Deus manifestar-se-á no mundo. É essa a missão da Igreja? Sim, mas duma Igreja que não teme a diversidade, duma Igreja que celebra, não o moralismo, mas a conversão pessoal ao Deus vivo.

    Pergunta da semana: 

    Como posso transformar as minhas dificuldades em algo positivo (alegria)?

    Palavra de Deus - Lectio divina - imagem de fano
    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 15.12.13 | Sem comentários

    PREPARAR O DOMINGO TERCEIRO DE ADVENTO

    15 DE DEZEMBRO DE 2013


    Isaías 35, 1-6a.10

    Alegrem-se o deserto e o descampado, rejubile e floresça a terra árida, cubra-se de flores como o narciso, exulte com brados de alegria. Ser-lhe-á dada a glória do Líbano, o esplendor do Carmelo e do Saron. Verão a glória do Senhor, o esplendor do nosso Deus. Fortalecei as mãos fatigadas e robustecei os joelhos vacilantes. Dizei aos corações perturbados: «Tende coragem, não temais: Aí está o vosso Deus, vem para fazer justiça e dar a recompensa. Ele próprio vem salvar-vos». Então se abrirão os olhos dos cegos e se desimpedirão os ouvidos dos surdos. Então o coxo saltará como um veado e a língua do mudo cantará de alegria. Voltarão os que o Senhor libertar, hão-de chegar a Sião com brados de alegria, com eterna felicidade a iluminar-lhes o rosto. Reinarão o prazer e o contentamento e acabarão a dor e os gemidos.



    Deus vem salvar-nos


    Isaías expressa, com a força incomparável da sua poesia, a transformação da natureza e da história que se produz pela vinda de Deus à vida das pessoas
    . O profeta fala-nos da transformação da Criação: «alegrem-se o deserto e o descampado»; e da transformação da Humanidade enfraquecida: «robustecei os joelhos vacilantes»; tudo acontece por causa da vinda de Deus, que vem trazer a salvação.
    Sem a palavra poderosa de Deus e sem a sua presença, tudo está perdido e condenado à morte; mas o profeta sabe que a intenção de Deus é dar a vida. A promessa é o próprio Deus: «Ele próprio vem salvar-vos». A vinda de Deus transforma também os «corações perturbados»: todas as pessoas que sentem falta de coragem e de capacidade para viver uma vida plena e jubilosa.
    Quando se sente a boa nova da vinda de Deus, o impacto nas pessoas incapacitadas é imediato: cegos, surdos, coxos e mudos experimentarão a transformação.
    Tanto a Humanidade como a Criação estão necessitadas de resgate; são incapazes de se salvar a si mesmas.
    O fragmento do profeta acaba com a descrição de uma grande e alegre procissão em Jerusalém.
    Quando tão frequentemente na Igreja nos sentimos desanimados, o poema de Isaías, que a liturgia oferece no terceiro domingo de Advento (Ano A), tem um sentido muito vivo: uma novidade real é possível. O profeta convida a deixar a nossa racionalidade habitual e a acreditar que Deus faz o que o mundo pensa que não é possível. O Advento é isto: caminho de «prazer e contentamento», porque «acabarão a dor e os gemidos».

    © Joan Ferrer, Misa dominical
    © tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
    A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor



    • Rezar o domingo a partir da primeira leitura: Isaías 35, 1-6a.10 > > >



    Preparar o domingo terceiro de Advento (Ano A), no Laboratório da fé, 2013
    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 13.12.13 | Sem comentários

    NÃO PODEMOS VIVER SEM O DOMINGO!


    «Valorizar o domingo como centro de todo o ano litúrgico» — é o primeiro objetivo apresentado no programa pastoral (2013+14) da Arquidiocese de Braga. Com o intuito de «valorizar» o domingo, acompanhando os tempos litúrgicos, propomos um tema a partir da releitura da Carta Apostólica sobre a santificação do domingo — «O dia do Senhor» («Dies Domini»). Este itinerário tem como tema geral: «Não podemos viver sem o domingo!».

    Domingo, DIA DA LUZ

    Texto de reflexão para o terceiro domingo de Advento

      75. [...] [O domingo] sulca os tempos do ser humano, os meses, os anos, os séculos como uma seta lançada que os atravessa, orientando-os para a meta da segunda vinda de Cristo. O domingo prefigura o dia final, o da «Parusia», já antecipada de algum modo pela glória de Cristo no acontecimento da Ressurreição. De facto, tudo aquilo que suceder até ao fim do mundo será apenas uma expansão e explicitação do que aconteceu no dia em que o corpo do Crucificado ressuscitou pela força do Espírito e se tornou, por sua vez, a fonte do Espírito para a humanidade. Por isso, o cristão sabe que não deve esperar outro tempo de salvação, visto que o mundo, qualquer que seja a sua duração cronológica, já vive no «último tempo». Não só a Igreja, mas o próprio universo e a história são continuamente dominados e guiados por Cristo glorificado. É esta energia de vida que impele a criação — está «em gemido e sofrido as dores do parto, até ao presente» (Romanos 8, 22) — para a meta do seu pleno resgate. Deste caminho, [...] os cristãos possuem a chave de interpretação e a certeza dele, constituindo a santificação do domingo um testemunho significativo que eles são chamados a dar, para que os tempos do ser humano sejam sempre sustentados pela esperança.



      • Não podemos viver sem o domingo! — textos publicados no Laboratório da fé > > >



      Laboratório da fé celebrada, 2013
      Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 13.12.13 | Sem comentários

      CELEBRAR O DOMINGO TERCEIRO DE ADVENTO

      UMA LITURGIA SIMPLES E BELA

      Apresentamos algumas sugestões para concretizar o fruto esperado deste ano pastoral: «uma liturgia simples e bela, sinal da comunhão entre Deus e os seres humanos».



      Alegrai-vos sempre no Senhor

      • Continuamos o nosso caminho de Advento, caminhando à luz do Senhor. E somos convidados a exultar de alegria. Este é o domingo «Gaudete» («Alegra-te»), cuja designação é retirada da primeira palavra da antífona de entrada da eucaristia: «Alegrai-vos sempre no Senhor. Exultai de alegria: o Senhor está perto». Sim, Deus intervém em favor do seu povo. Ele reconduzirá os exilados ao seu país. E haverá uma «eterna felicidade a iluminar-lhes o rosto». Deus «faz justiça aos oprimidos, dá pão aos que têm fome e a liberdade aos cativos»... Ao mesmo tempo, somos convidados a ser pacientes: «esperai com paciência a vinda do Senhor». Assim, seremos cumulados da verdadeira felicidade, ao acolher Jesus Cristo como uma Boa Nova e ao testemunhá-la aos nossos irmãos.
      • Alegria. Evangelho da Alegria. São muitas as vezes em que o papa Francisco repete a importância essencial de sermos cristãos alegres. De onde nos vem a alegria? «A nossa alegria não nasce do facto de possuirmos muitas coisas, mas de termos encontrado uma Pessoa: Jesus, que está no meio de nós; nasce do facto de sabermos que, com Ele, nunca estamos sozinhos, mesmo nos momentos difíceis, mesmo quando o caminho da vida é confrontado com problemas e obstáculos que parecem insuperáveis… e há tantos! [...] Nós acompanhamos, seguimos Jesus, mas sobretudo sabemos que Ele nos acompanha e nos carrega aos seus ombros: aqui está a nossa alegria, a esperança que devemos levar a este nosso mundo. E, por favor, não deixeis que vos roubem a esperança! Não deixeis roubar a esperança… aquela que nos dá Jesus!» (Homilia no Dia Mundial da Juventude, Domingo de Ramos, 24 de março de 2013).



      Arte de celebrar

      FAZER AVISOS. Em todas as comunidades, há necessidade de fazer avisos no final da celebração. Constituem uma forma privilegiada para todos serem envolvidos na vida da comunidade. Então, é fundamental que essas indicações cumpram o seu fim, que é informar aqueles e aquelas que as escutam! Não é útil repetir todos os horários e acontecimentos assinalados no boletim paroquial. Trata-se de destacar um ou dois momentos. Não será uma bela oportunidade para dar a palavra aos leigos? Serão eles, os responsáveis pelos grupos e movimentos, a fazerem eco, com vivacidade, daquilo que é sinal de vida da comunidade. A forma como se transmite a mensagem é fundamental: um convite breve, apelativo, feito com alegria, é meio caminho andado para obter uma resposta positiva!



      Fé celebrada com a comunidade

      • «Caminhemos à luz do Senhor»! — é a temática proposta para acompanhar a celebração e vivência deste novo tempo de Advento, apoiada nos textos bíblicos da primeira leitura (Isaías). Com o terceiro domingo de Advento somos convidados a caminhar com alegriaA procissão de entrada pode ajudar a interiorizar esta caminhada. Um mesmo rito pode acompanhar os quatro domingos: entrada em silêncio; breve paragem no meio da assembleia; proclamação da frase-chave de cada domingo («Eterna felicidade a iluminar-lhes o rosto»); cântico de entrada. 
      • Alegria. É um domingo «especial».
        — Uma flor junto do ambão, um sorriso no rosto, uma alegre palavra de acolhimento, as mãos abertas na orações, são pequenos «sinais» que podem expressar uma «liturgia simples e bela», em favor daquele que nos reúne e é a fonte da verdadeira alegria.
        — «O Deus da esperança vos encha de toda a alegria e paz na fé, para que transbordeis de esperança, pela força do Espírito Santo» — estas palavras da Carta aos Romanos (15, 13) podem ser usadas na saudação inicial.
      • Terceira vela de Advento. Após a primeira leitura, acende-se a terceira vela, acompanhada por um breve comentário: «Após quarenta anos no exílio, o povo regressará à sua terra: esta boa notícia faz renascer a esperança e a alegria. Haverá uma 'eterna felicidade a iluminar-lhes o rosto'. Caminhemos à luz do Senhor!».



      Fé celebrada com a catequese

      • O que é que nos faz sentir bem? Quais são as nossas alegrias? A partir do texto da primeira leitura (Isaías 35, 1-6a.10), propor às crianças para expressarem o seu louvor e agradecimento pelas alegrias da vida. Depois, podem-se preparar pequenas «flores» ou velas onde cada um escreve um motivo de alegria: uma visita, um presente, uma festa, um bom resultado num teste escolar, uma vitória numa prova desportiva, uma mensagem recebida, etc... Estas «alegrias» serão levadas em procissão no momento da apresentação dos dons, na eucaristia.

      © Laboratório da fé, 2013


      Celebrar o domingo terceiro de Advento (Ano A), no Laboratório da fé, 2013

      Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 13.12.13 | Sem comentários

      REZAR O DOMINGO TERCEIRO DE ADVENTO

      15 DE DEZEMBRO DE 2013


      Isaías 35, 1-6a.10

      Alegrem-se o deserto e o descampado, rejubile e floresça a terra árida, cubra-se de flores como o narciso, exulte com brados de alegria. Ser-lhe-á dada a glória do Líbano, o esplendor do Carmelo e do Saron. Verão a glória do Senhor, o esplendor do nosso Deus. Fortalecei as mãos fatigadas e robustecei os joelhos vacilantes. Dizei aos corações perturbados: «Tende coragem, não temais: Aí está o vosso Deus, vem para fazer justiça e dar a recompensa. Ele próprio vem salvar-vos». Então se abrirão os olhos dos cegos e se desimpedirão os ouvidos dos surdos. Então o coxo saltará como um veado e a língua do mudo cantará de alegria. Voltarão os que o Senhor libertar, hão-de chegar a Sião com brados de alegria, com eterna felicidade a iluminar-lhes o rosto. Reinarão o prazer e o contentamento e acabarão a dor e os gemidos.



      Ambientação

      O terceiro domingo de Advento denomina-se «Gaudete»,
      porque é a primeira palavra da antífona de entrada da eucaristia: «Alegra-te».
      Peçamos ao Espírito Santo que o encontro com o Senhor, que se aproxima-se,
      seja sempre a causa da nossa alegria.



      Leitura

      Há mais de 2500 anos,
      o profeta Isaías dirigiu aos israelitas deportados na Babilónia um convite à esperança.
      Perante destinatários desanimados,
      o profeta apresenta um horizonte cheio de esperança
      que tem as suas raízes na presença de Deus no meio do seu povo.

      Proclamação de Isaías 35, 1-6a.10
      Alegrem-se o deserto e o descampado, rejubile e floresça a terra árida, cubra-se de flores como o narciso, exulte com brados de alegria. Ser-lhe-á dada a glória do Líbano, o esplendor do Carmelo e do Saron. Verão a glória do Senhor, o esplendor do nosso Deus. Fortalecei as mãos fatigadas e robustecei os joelhos vacilantes. Dizei aos corações perturbados: «Tende coragem, não temais: Aí está o vosso Deus, vem para fazer justiça e dar a recompensa. Ele próprio vem salvar-vos». Então se abrirão os olhos dos cegos e se desimpedirão os ouvidos dos surdos. Então o coxo saltará como um veado e a língua do mudo cantará de alegria. Voltarão os que o Senhor libertar, hão-de chegar a Sião com brados de alegria, com eterna felicidade a iluminar-lhes o rosto. Reinarão o prazer e o contentamento e acabarão a dor e os gemidos.

      Para compreender melhor este texto,
      atende a cada um destes elementos que compõem a passagem bíblica:
      • A situação dolorosa do desterro vai ser transfigurada.
        A alegria brota, não do que agora se vive, mas na virtude do que está para vir.
      • Saboreia as imagens de natureza renovada e de humanidade transfigurada oferecidas pelo texto.
      • O núcleo de onde tudo nasce é a intervenção salvífica de Deus em favor do povo.
      • Procura resumir em poucas palavras:
        Qual é a mensagem de fé que este texto transmite?
        Como é que esta mensagem se realiza em Jesus Cristo?



      Meditação

      A palavra de Deus que escutamos é profundamente atual.
      Reflitamos e partilhemos o que esta passagem suscitou em cada um de nós.
      Podem ajudar estas perguntas:
      • Como está a ser a nossa espera neste Advento?
      • São elementos fundamentais a alegria e a proximidade aos grupos humanos referidos no texto?
      • Deus também vem a nós quando somos tocados pelo desencanto e pelas desilusões.
        Como descobres, nessas circunstâncias, a sua presença? A que te convida?
        Como posso transformar as minhas dificuldades em algo positivo (alegria)?



      Oração

      Às vezes, a tristeza pode minar os nossos sonhos e ameaçar a estabilidade do nosso caminhar.
      Peçamos ao Senhor que, nesses momentos, sintamos a sua presença
      e que nos ajude a viver o nosso compromisso cristão.

      Proclamamos de novo o texto de Isaías 35, 1-6a.10

      Depois de um tempo de silêncio,
      partilhamos a nossa oração com os outros membros do grupo.
      Depois de cada intervenção, dizemos: «Vem, Senhor Jesus!».

      Podemos terminar recitando juntos o salmo responsorial (Salmo 145 [146]):

      Vinde, Senhor, e salvai-nos.

      O Senhor faz justiça aos oprimidos,
      dá pão aos que têm fome
      e a liberdade aos cativos.

      O Senhor ilumina os olhos dos cegos,
      o Senhor levanta os abatidos,
      o Senhor ama os justos.

      O Senhor protege os peregrinos,
      ampara o órfão e a viúva
      e entrava o caminho aos pecadores.

      O Senhor reina eternamente.
      o teu Deus, ó Sião,
      é rei por todas as gerações.



      «Algumas vezes estes cristãos melancólicos têm a cara de 'pimenta com vinagre' daqueles que não tem a vida bonita. [...] A alegria, se queremos vivê-la em todo momento, acaba por se transformar em superficialidade e faz-nos sentir um pouco ingénuos, tolos, sem a sabedoria cristã [...]. A alegria é outra coisa. A alegria é um dom do Senhor, é como uma unção do Espírito; é a certeza de que Jesus está connosco e com o Pai» (Papa Francisco, Homilia a 10 de maio de 2013).



      © www.verbodivino.es
      © tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013


      Rezar o domingo terceiro de Advento (Ano A), no Laboratório da fé, 2013
      Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 13.12.13 | Sem comentários
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