Sacrosanctum Concilium — Constituição sobre a Liturgia


No dia 4 de dezembro de 1963, faz agora cinquenta anos, foi aprovado o primeiro documento do II Concílio do Vaticano, a Constituição sobre a Sagrada Liturgia, «Sacrosanctum Concilium».
A reforma litúrgica teve o seu fundamento e guia neste documento conciliar. É um dos frutos mais claros do Vaticano II: a revisão e atualização da liturgia da Igreja, graças à «Sacrosanctum Concilium». Juntamente com o uso das línguas vernáculas na liturgia latina, o ponto mais importante consistiu na tradução das leituras bíblicas que se fazem na Eucaristia, assim como no resto dos sacramentos e atos litúrgicos.
Não só significou que o Povo de Deus podia escutar a Palavra de Deus na sua língua materna (que é uma conquista importantíssima e irrenunciável), mas, ao mesmo tempo, que nas eucaristias se fizesse uma leitura semicontínua dos evangelhos e de outros textos bíblicos.
«Seja mais abundante, variada e bem adaptada a leitura da Sagrada Escritura nas celebrações litúrgicas» (número 35, 1) — exorta o documento conciliar. Isto traduziu-se num maior conhecimento da Bíblia por parte dos fiéis, que podem desfrutar dos textos evangélicos, das cartas apostólicas e de muitos textos do Antigo Testamento, na Liturgia.
«Prepare-se para os fiéis, com maior abundância, a mesa da Palavra de Deus: abram-se mais largamente os tesouros da Bíblia, de modo que, dentro de um período de tempo estabelecido, sejam lidas ao povo as partes mais importantes da Sagrada Escritura» (número 51). Há uma exortação a que, na reforma litúrgica, se tenha em conta a necessidade de conhecer e meditar, por parte de todos, o grande tesouro da Palavra de Deus, contido na Bíblia, no Antigo e no Novo Testamento.
Na mesma linha, pede-se aos pregadores que usem os textos sagrados da Escritura para ilustrar a homilia, nos diversos atos litúrgicos, incluída a Eucaristia: «A homilia, que é a exposição dos mistérios da fé e das normas da vida cristã no decurso do ano litúrgico e a partir do texto sagrado, é muito para recomendar, como parte da própria Liturgia» (número 52).
Assim, a Palavra de Deus há de ser familiar a todo o Povo de Deus: «Ordenem-se as leituras da Sagrada Escritura de modo que se permita mais fácil e amplo acesso aos tesouros da palavra de Deus» (número 92a). A liturgia há de se converter no «trampolim» através do qual os fiéis hão de «mergulhar» plenamente na Palavra de Deus.
Foi a «Sacrosanctum Concilium» a primeira que declarou a «sacramentalidade» da Palavra de Deus: Cristo «está presente na sua palavra, pois é Ele que fala ao ser lida na Igreja a Sagrada Escritura» (número 7). A Palavra de Deus proclamada diante da assembleia crente converte-se na presença do próprio Jesus Cristo. Por esta razão, na celebração eucarística não se pode separar ou dar prioridade a uma das partes principais: «Estão tão intimamente ligadas entre si as duas partes de que se compõe, de algum modo, a missa — a liturgia da Palavra e a liturgia eucarística — que formam um só ato de culto. Por isso, o sagrado Concilio exorta com veemência os pastores de almas a instruirem bem os fiéis, na catequese, sobre o dever de ouvir a missa inteira, especialmente nos domingos e festas de preceito» (número 56).
O caminho a percorrer ainda é muito longo, para que o povo fiel conheça, se enamore, medite, ore, estude... a Palavra de Deus; o passo dado pelo documento conciliar «Sacrosanctum Concilium», do qual agora celebramos o quinquagésimo aniversário, foi gigante. Nada mais nos resta senão caminhar na mesma direção.

© Javier Velasco-Arias

© Biblia y Pastoral 
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
A publicação ou utilização deste texto precisa da autorização expressa do editor


Há atualidade na Sacrosanctum Concilium?

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 5.12.13 | Sem comentários

REZAR O DOMINGO SEGUNDO DE ADVENTO

8 DE DEZEMBRO DE 2013


Isaías 11, 1-10

Naquele dia, sairá um ramo do tronco de Jessé e um rebento brotará das suas raízes. Sobre ele repousará o espírito do Senhor: espírito de sabedoria e de inteligência, espírito de conselho e de fortaleza, espírito de conhecimento e de temor de Deus. Animado assim do temor de Deus, não julgará segundo as aparências, nem decidirá pelo que ouvir dizer. Julgará os infelizes com justiça e com sentenças rectas os humildes do povo. Com o chicote da sua palavra atingirá o violento e com o sopro dos seus lábios exterminará o ímpio. A justiça será a faixa dos seus rins e a lealdade a cintura dos seus flancos. O lobo viverá com o cordeiro e a pantera dormirá com o cabrito; o bezerro e o leãozinho andarão juntos e um menino os poderá conduzir. A vitela e a ursa pastarão juntamente, suas crias dormirão lado a lado; e o leão comerá feno como o boi. A criança de leite brincará junto ao ninho da cobra e o menino meterá a mão na toca da víbora. Não mais praticarão o mal nem a destruição em todo o meu santo monte: o conhecimento do Senhor encherá o país, como as águas enchem o leito do mar. Nesse dia, a raiz de Jessé surgirá como bandeira dos povos; as nações virão procurá-la e a sua morada será gloriosa.



Ambientação

Invoquemos a luz e a força do Espírito Santo.
Os seus dons nos capacitem para compreender a Palavra e acolher a sua ação na nossa vida.



Leitura

A leitura do primeiro domingo de Advento
pedia-nos para subir ao monte Sião, o lugar da presença de Deus.
A partir daí, no segundo domingo,
somos convidados a contemplar o nosso mundo com a paz desejada por Deus.

Proclamação de Isaías 11, 1-10
Naquele dia, sairá um ramo do tronco de Jessé e um rebento brotará das suas raízes. Sobre ele repousará o espírito do Senhor: espírito de sabedoria e de inteligência, espírito de conselho e de fortaleza, espírito de conhecimento e de temor de Deus. Animado assim do temor de Deus, não julgará segundo as aparências, nem decidirá pelo que ouvir dizer. Julgará os infelizes com justiça e com sentenças rectas os humildes do povo. Com o chicote da sua palavra atingirá o violento e com o sopro dos seus lábios exterminará o ímpio. A justiça será a faixa dos seus rins e a lealdade a cintura dos seus flancos. O lobo viverá com o cordeiro e a pantera dormirá com o cabrito; o bezerro e o leãozinho andarão juntos e um menino os poderá conduzir. A vitela e a ursa pastarão juntamente, suas crias dormirão lado a lado; e o leão comerá feno como o boi. A criança de leite brincará junto ao ninho da cobra e o menino meterá a mão na toca da víbora. Não mais praticarão o mal nem a destruição em todo o meu santo monte: o conhecimento do Senhor encherá o país, como as águas enchem o leito do mar. Nesse dia, a raiz de Jessé surgirá como bandeira dos povos; as nações virão procurá-la e a sua morada será gloriosa.

Para compreender melhor este texto,
atende a cada um destes elementos que compõem a passagem bíblica:
  • Sobe, juntamente com o profeta Isaías, ao monte santo, o lugar da comunhão com Deus.
    Observa a partir daí:
    — Na história da salvação surge o Messias.
    A seiva da velha árvore é perene, porque é alimentada pelo próprio Deus;
    — O Espírito, que tornou possível a Criação e acompanhou a história de Israel,
    repousa em plenitude sobre o Messias;
    — O Messias estará do lado do desprotegido;
    — Sob a sua liderança amorosa, a vida será protegida. Isto atingirá todo o Universo.
  • Procura resumir em poucas palavras:
    Qual é a mensagem de fé que este texto transmite?
    Como é que esta mensagem se realiza em Jesus Cristo?



Meditação

O texto convida-nos a sonhar com um mundo novo, 
onde se viva os ensinamentos de Jesus Cristo e a comunhão com Deus.
Reflitamos e partilhemos o que esta passagem suscitou em cada um de nós.
Podem ajudar estas perguntas:
  • Que diz esta passagem sobre a realidade que estamos a viver a nível nacional e internacional?
  • Qual é o ponto de partida do sonho de Isaías?
  • O que é que nós podemos fazer, como grupo?
  • Olha para dentro de ti.
    Quais são as tuas esperanças enfraquecidas, as tuas relações desgastadas?
    Qual é o desafio que esta passagem te coloca?


Oração

O contacto com a Palavra e a sua atualização
põe a descoberto a nossa incapacidade para responder
e, ao mesmo tempo, a urgência de a tornar viva em nós.
Apresentemos tudo isso ao Senhor.

Proclamamos de novo o texto de Isaías 11, 1-10

Depois de um tempo de silêncio,
partilhamos a nossa oração com os outros membros do grupo.
Depois de cada intervenção, dizemos: «Vem, Senhor Jesus!».

Podemos terminar recitando juntos o salmo responsorial (Salmo 71 [72]):

Nos dias do Senhor nascerá a justiça e a paz para sempre.

Ó Deus, dai ao rei o poder de julgar
e a vossa justiça ao filho do rei.
Ele governará o vosso povo com justiça
e os vossos pobres com equidade.

Florescerá a justiça nos seus dias
e uma grande paz até ao fim dos tempos.
Ele dominará de um ao outro mar,
do grande rio até aos confins da terra.

Socorrerá o pobre que pede auxílio
e o miserável que não tem amparo.
Terá compaixão dos fracos e dos pobres
e defenderá a vida dos oprimidos.

O seu nome será eternamente bendito
e durará tanto como a luz do sol;
nele serão abençoadas todas as nações,
todos os povos da terra o hão de bendizer.



«Sai dos teus interesses que atrofiam o teu coração, supera a indiferença para com o outro que torna o teu coração insensível, vence as tuas razões de morte e abre-te ao diálogo, à reconciliação: olha a dor do teu irmão, olha a dor do teu irmão, e não acrescentes mais dor, segura a tua mão, reconstrói a harmonia perdida; e isso não com o confronto, mas com o encontro!» (Papa Francisco, Homilia a 7 de setembro de 2013).



© www.verbodivino.es
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013


Rezar o domingo segundo de Advento (Ano A), no Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 4.12.13 | Sem comentários

ANO CRISTÃO


O Secretariado de Liturgia da diocese do Porto, num artigo do jornal «Voz Portucalense» (27 de novembro de 2013) apresenta uma reflexão sobre a representação do Ano Litúrgico através de um círculo. E concluiu que não nos podemos fixar no «círculo», mas ser capazes de ver no Ano Litúrgico a representação do «tempo bíblico: história da salvação constelada de intervenções divinas que fazem do 'hoje' dos celebrantes o 'momento favorável'» para fazer acontecer a novidade da graça. A representação do círculo «tem algum interesse didático», mas é necessário transformá-lo numa «espiral ascendente, de tal forma que no início de um novo ano não pareça que se voltou ao ponto de partida do ano anterior».

[...] Certas representações esquemáticas do ano litúrgico assumem, por razões de clareza e pedagogia, a configuração de um círculo em que o fim de um ciclo coincide com o início de outro, num incessante retorno do mesmo mistério, das mesmas festas, em circuito fechado. É o «círculo do ano», como se lê na designação de antigos livros litúrgicos. Mas, então, voltamos ao mito grego do «eterno retorno» perdendo a conceção bíblica do tempo com um «princípio» e uma meta «escatológica»? Regressa «Cronos», a divindade pagã que devorava os próprios filhos e o tempo deixa de ser o âmbito das manifestações e intervenções de um Deus transcendente que acompanha o povo em êxodo, num processo dinâmico de libertação sempre aberto, do Nilo ao Jordão, de Páscoa em Páscoa, numa história de salvação que chega à sua plenitude no Dia do Senhor em que o tempo desagua na eternidade ou, melhor, no Eterno? De modo algum! O tempo litúrgico continua a ser o tempo bíblico: história da salvação constelada de intervenções divinas que fazem do «hoje» dos celebrantes o «momento favorável» («kairós) da graça sempre inédita e indedutível. Veja-se, como ilustrativo desta visão, o rito da preparação do círio na Vigília Pascal.
A imagem do círculo com que representamos o ano litúrgico vale o que vale. Tem algum interesse didático na apresentação esquemática dos dias e tempos celebrativos no seu suceder-se: nas camadas interiores do círculo articula-se a celebração do mistério de Cristo ao longo do ano com o Ciclo da Encarnação (Advento, Natal/Epifania), Ciclo da Redenção (Quaresma, Tríduo Pascal, Tempo Pascal), intercalados por períodos mais ou menos longos de «Tempo Comum» em função da data móvel da Páscoa (domingo subsequente à lua cheia do equinócio da Primavera); e, na camada exterior do círculo, a sucessão dos dias e dos meses, segundo o calendário solar, com uma teia mais ou menos densa de memórias, festas e solenidades do «Santoral» a articular com o «próprio do tempo» segundo regras claras de precedência em que a primazia pertence a este. Para recuperar a compreensão bíblica do tempo temos, porém, de sair do espaço bidimensional e transformar o círculo numa linha helicoidal ou espiral ascendente de tal forma que no início de um novo ano não pareça que se voltou ao ponto de partida do ano anterior, qual «pescadinha de rabo na boca», como se o ano findo tivesse decorrido em vão ou tivesse havido uma falsa partida e tivéssemos todos de voltar sempre à mesma linha de partida.
Vista deste modo, a nossa vida é antes uma escalada ao monte de Sião em que a estrada, para subir de forma mais viável a íngreme encosta, vai contornando a montanha, perímetro após perímetro, mas a uma cota progressivamente mais elevada, cada vez mais perto do cume. Em cada ano voltamos a contornar os mesmos lados da encosta, mas a paisagem, aparentemente igual, vai ganhando horizonte, amplitude. Ouvimos as mesmas leituras, rezamos as mesmas preces que são como que as torrentes que desse lado da colina jorram em direção ao vale ou ao oceano. Mas se o arroio é o mesmo, a água é sempre outra: nova, fresca e vivificante. Assim devíamos compreender cada Ano Litúrgico, concretização do Ano da Graça. Assim o deveríamos viver. [...]

© SDL | Voz Portucalense
© Adaptação de Laboratório da fé, 2013



  • Ano Litúrgico: ano cristão — textos publicados no Laboratório da fé > > >



Laboratório da fé celebrada, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 4.12.13 | Sem comentários

CELEBRAR O DOMINGO SEGUNDO DE ADVENTO

UMA LITURGIA SIMPLES E BELA

Apresentamos algumas sugestões para concretizar o fruto esperado deste ano pastoral: «uma liturgia simples e bela, sinal da comunhão entre Deus e os seres humanos».



Imaculada Conceição ou segundo domingo de Advento?


  • Os domingos de Advento têm precedência sobre todas as solenidades (segundo a ordem de precedência indicada na tabela dos dias litúrgicos). As solenidades que ocorrem nos domingos de Advento são transferidas para a segunda-feira seguinte. É o que deveria acontecer este ano com a solenidade da Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria.
  • No entanto, há uma autorização para que, em Portugal, se possa celebrar a solenidade da Imaculada Conceição, no seu próprio dia, 8 de dezembro (mesmo que coincida com o domingo). Com as seguintes condições: 1) «que, na Missa, a II Leitura seja a do domingo II do Advento; 2) que se faça menção deste domingo na homilia; 3) que a oração conclusiva da oração dos fiéis seja a oração coleta do mesmo domingo».
  • Tendo em conta o espírito destas «condições», porque queremos valorizar os textos de Isaías, ao longo deste Advento, sugerimos: que seja mantida a primeira leitura do segundo domingo de Advento (Isaías 11, 1-10) e o respetivo salmo responsorial (Salmo 71 [72]); que a segunda leitura (Efésios 1, 3-6.11-12) e o evangelho (Lucas 1, 26-38) sejam os correspondentes à solenidade da Imaculada Conceição.



Arte de celebrar

PROCISSÃO DE ENTRADA. A procissão é o início (solene) da celebração. Não se trata de uma honra destinada ao presidente (presbítero ou bispo) da celebração. É sinal da abertura de toda a assembleia a um Outro, Aquele que é verdadeiramente o Presidente da celebração. Por isso, é aconselhável que todos se voltem para acompanhar a procissão que caminha pelo meio da assembleia. Se não há acólitos ou «servos» do altar, os membros da equipa de liturgia, os leitores, as crianças e os jovens precedem o presidente. À frente de todos surgem, normalmente, a cruz e os círios (velas). Em tempo de Advento, pode também fazer parte da procissão de entrada a vela ou as velas dos domingos anteriores (neste caso concreto, a vela do primeiro domingo; a vela do segundo domingo, porque ainda apagada, não acompanha a procissão de entrada). Quando a procissão chega ao altar, se possível, todos se desviam para que o presidente se coloque ao centro. E todos se inclinam (ou ajoelham) diante do altar. Depois, o presidente venera o altar (beijo, incenso) e ocupa o lugar na cadeira do presidente.



Fé celebrada com a comunidade


  • «Caminhemos à luz do Senhor»! — é a temática proposta para acompanhar a celebração e vivência deste novo tempo de Advento, apoiada nos textos bíblicos da primeira leitura (Isaías). Com o segundo domingo de Advento somos convidados a caminhar com Jesus Cristo, luz do mundo. A procissão de entrada pode ajudar a interiorizar esta caminhada. Um mesmo rito pode acompanhar os quatro domingos: entrada em silêncio; breve paragem no meio da assembleia; proclamação da frase-chave de cada domingo («A justiça será a faixa dos seus rins»); cântico de entrada. 
  • A solenidade da Imaculada Conceição pode ser destacada com um arranjo floral colocado junto da imagem de Maria e/ou, se for oportuno, colocando a imagem em lugar de destaque, no presbitério.
  • Segunda vela de Advento. Após a primeira leitura, acende-se a segunda vela, acompanhada por um breve comentário: «O profeta Isaías, numa situação difícil, encoraja a acreditar na vinda de um salvador. Ele estará cheio do 'espírito do Senhor' e 'a justiça será a faixa dos seus rins'. Caminhemos à luz do Senhor!».
  • A profecia de Isaías (primeira leitura) destaca o desejo de paz universal. Aquele que Maria acolhe no seu seio é o «Príncipe da Paz». A proximidade do Natal é uma ocasião propícia para relembrar os nossos desejos mais profundos. Mas não entenderemos nada, se a festa do Natal não despertar em nós o desejo de paz absoluta, uma paz universal. Esta realidade pode ser recordada no momento da paz: «Antes de partilhar o mesmo Pão, saudemo-nos, uns aos outros, com um gesto de paz, dado em nome do Príncipe da Paz».



Fé celebrada com a catequese


  • O Advento prepara o nascimento do Príncipe da Paz (Jesus Cristo). O profeta Isaías (na primeira leitura) imagina esse reino de paz universal, a verdadeira felicidade que Deus quer instaurar em toda a Criação. As crianças podem preparar umas «cartas» com as imagens dos animais enunciados no texto bíblico (Isaías 11, 1-10: lobo, cordeiro, pantera, cabrito, bezerro, leãozinho, menino, vitela, ursa, leão, boi, bebé, cobra, víbora). Depois, joga-se com as «cartas» para ajudar a entender este «sonho» de Deus: a paz universal. Quando o lobo se junta com um cordeiro, o que é que acontece? O que propõe o profeta Isaías? O jogo pode terminar com um diálogo idêntico a este: O que o profeta Isaías anuncia sobre os animais, também se pode realizar entre as pessoas. Hoje, como podemos viver o texto de Isaías (harmonia, perdão, reconciliação, paz)? 
  • O texto da primeira leitura (Isaías 11, 1-10) anuncia que sobre o «rebento» de Jessé «repousará o espírito do Senhor». E enumera os «dons» do Espírito Santo: sabedoria, inteligência, conselho, fortaleza, conhecimento, (piedade), temor de Deus. Depois de aprofundar o sentido de cada um (YOUCAT 310), podem ser preparados sete cartazes, um para cada dom.

© Laboratório da fé, 2013

Celebrar o domingo segundo de Advento (Ano A), no Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 4.12.13 | Sem comentários

Quarta-feira da primeira semana de advento


Isaías 25, 6-10a

Sobre este monte, o Senhor do Universo há-de preparar para todos os povos um banquete de manjares suculentos, um banquete de vinhos deliciosos: comida de boa gordura, vinhos puríssimos. Sobre este monte, há-de tirar o véu que cobria todos os povos, o pano que envolvia todas as nações; Ele destruirá a morte para sempre. O Senhor Deus enxugará as lágrimas de todas as faces e fará desaparecer da terra inteira o opróbrio que pesa sobre o seu povo. Porque o Senhor falou. Dir-se-á naquele dia: «Eis o nosso Deus, de quem esperávamos a salvação; é o Senhor, em quem pusemos a nossa confiança. Alegremo-nos e rejubilemos, porque nos salvou. A mão do Senhor pousará sobre este monte».

Alegremo-nos e rejubilemos

A intervenção de Deus tem um efeito positivo, não só em favor do seu povo, mas também de todas as nações. Há um anúncio de restauração descrito como um banquete «para todos os povos». Esboça-se a universalidade da salvação. Não é de estranhar que a maior das alegrias acompanhe este momento: «Alegremo-nos e rejubilemos».
Quando preparamos um banquete, convidamos os nossos amigos, procuramos preparar e oferecer o melhor que temos, o melhor espaço, a melhor decoração, os melhores utensílios, a melhor refeição, o melhor ambiente... Pretendemos proporcionar aos nossos convidados um ambiente de festa que os faça sentir bem, saborear com intensidade o momento, sentir a alegria de todos.
Deus vai ainda mais longe do que nós. Ele prepara um banquete para toda a gente. Ninguém fica de fora. Qual é a finalidade deste banquete? Celebrar a salvação (oferecida a todos os povos). Não há maior motivo de alegria! «Alegremo-nos e rejubilemos»!
Será que esta forma de ser e de agir de Deus nos pode contagiar?! O Advento é tempo de gestação e de alegria. Desafia-nos a gerar novos tipos de relações: Não será possível ir ao encontro de alguém que está só, convidá-lo para jantar, preparar tudo o que tenho de melhor como se fosse o meu melhor amigo? Não será possível oferecer um gesto de perdão a alguém com quem tive graves desentendimentos ao longo deste ano? 
Não pensemos que são utópicas as palavras do profeta. Um outro mundo é possível. Com estas e outras atitudes semelhantes, poderemos antecipar e tornar realidade o grande banquete que Deus prepara para todos: a salvação.

© Laboratório da fé, 2013




  • Reflexão proposta em 2012 a partir do evangelho (Mateus 15, 29-37) > > >



Quarta-feira da primeira semana de Advento, Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 4.12.13 | Sem comentários

Dos Sermões de São Bernardo


Conhecemos uma tríplice vinda do Senhor
. Entre a primeira e a última, há uma vinda intermédia. Aquelas duas são visíveis; mas esta, não. Na primeira, o Senhor apareceu na terra e conviveu com os homens; como Ele mesmo afirma, viram-n’O e não O quiseram receber. Na última, todo o homem verá a salvação do nosso Deus e contemplarão Aquele que trespassaram. A intermédia é oculta e só os eleitos a vêem em si mesmos, e por ela se salvam as suas almas. Na primeira, o Senhor veio revestido da nossa fraqueza humana; na intermédia, vem espiritualmente, manifestando o poder da sua graça; na última, virá com todo o esplendor da sua glória.
A vinda intermédia é, portanto, como que uma estrada que nos leva da primeira à última: na primeira, Cristo foi a nossa redenção; na última, aparecerá como nossa vida; na intermédia, é nosso descanso e consolação. E, para que ninguém pense que é pura fantasia o que dizemos acerca desta vinda intermédia, ouvi o mesmo Senhor: Se alguém Me ama, guardará as minhas palavras, meu Pai o amará e Nós viremos a ele. Lê-se também noutro lugar: O que teme a Deus praticará o bem. Penso que daquele que ama se diz mais: guardará a palavra de Deus. E onde se deve guardar? Sem dúvida alguma no coração, como diz o Profeta: Guardei a vossa palavra em meu coração, para não pecar contra Vós.
Guarda, também tu, a palavra de Deus, porque são bem-aventurados os que a guardam; guarda-a de tal modo que ela entre no mais íntimo da tua alma e penetre em todos os teus sentimentos e costumes. Alimenta-te deste bem e tua alma deleitar-se-á na abundância. Não te esqueças de comer o teu pão, não suceda que desfaleça o teu coração; pelo contrário, sacia a tua alma com este manjar delicioso.
Se assim guardares a palavra de Deus, certamente ela te guardará a ti. Virá a ti o Filho em companhia do Pai, virá o grande Profeta que reedificará Jerusalém e renovará todas as coisas. Tal será a eficácia desta vinda: Assim como trazemos em nós a imagem do homem terreno, procuremos também trazer em nós a imagem do homem celeste; e, assim como o velho Adão se propagou por toda a humanidade e atingiu o homem todo, assim agora é preciso que Cristo seja o Senhor do homem todo, porque Ele o criou, o redimiu e o glorificará.

© Conferência Episcopal Portuguesa – Liturgia das Horas
Sermo 5 in Adventu Domini, 1-3: Opera omnia, Ed. cisterc. 4 (1966), 188-190 (Sec. XII)

Rezar o domingo primeiro de Advento (Ano A), no Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 4.12.13 | Sem comentários

Sacrosanctum Concilium — Constituição sobre a Liturgia


A 11 de outubro de 1962, há exatamente cinquenta anos, o Papa João XXIII dava início ao Concílio Ecuménico Vaticano II, o 21.° da História da Igreja — o anterior, Vaticano I, tinha ocorrido em 1870, mas sem grande repercussão. Na convocatória do Concílio Vatica­no II, publicada a 25 de dezembro de 1961, o Papa especificou as razões do encontro: «A Igreja assiste a uma crise que aflige a sociedade humana.» João XXIII fazia assim um convite à Igreja para distinguir «os sinais dos tempos» (Mateus 16, 3) e manter-se vigilante e responsável, confiante em Cristo. O Concílio seria a resposta da Igreja ao desejo de colaborar mais eficazmente na solução dos problemas da época. Assim foi verdadeiramente.
O primeiro documento aprovado pelos bispos conciliares, cerca de dois mil e duzentos, foi a Constituição «Sacrosanctum Concilium» (O Sagrado Concílio) (SC), sobre a Liturgia. A renovação da Liturgia era uma exigência unânime, fruto das transformações trazidas pelo movimento litúrgico iniciado no final do século XX. O movimento resgatou elementos da Escritura, da origem do Cristianismo e da Tradição da Igreja, dando à Liturgia um estatuto teológico e revelando toda a sua riqueza. Os documentos de Pio X, «Tra le sollecitudini» (1903), e de Pio XII, «Mediator Dei» (1947), já apontavam a necessidade de renovação da Liturgia, justificada teológica, histórica e pastoralmente. Durante a apresentação do texto da «Sacrosanctum Concilium» houve 328 intervenções orais e 625 escritas, mas o documento foi aprovado sem controvérsias a 4 de dezembro de 1963: 2147 votos a favor e apenas 4 contra.
A promulgação deste documento foi um marco na vida da Igreja, fundamental para a promoção e o desenvolvimento da Liturgia. Devolveu-se-lhe a verdadeira importância e cen­tralidade na vida cristã, pois é a mais perfeita expressão do mistério de Cristo e da nossa união com Deus: «A liturgia contribui em sumo grau para que os fiéis exprimam na vida e manifestem aos outros o mistério de Cristo e a autêntica natureza da verdadeira Igreja, que é simultaneamente humana e divina, visível e dotada de elementos invisíveis, empenhada na ação e dada à contemplação» (SC 2).
A «Sacrosanctum Concilium» é dividida em sete capítulos. Logo no primeiro encontramos a sua fundamentação teológi­ca, a parte mais importante e profunda do documento. A Liturgia é apresentada no horizonte da História da Salvação, cujo fim é a redenção humana e a perfeita glorificação de Deus. Ela é sacrifício, memorial do mistério pascal, renovação da alian­ça. Ela é «simultaneamente a meta para a qual se encaminha a ação da Igreja e a fonte de onde promana toda a sua força» (SC 10). Sobre a presença de Cristo, o número 7 esclarece-nos: «Para realizar tão grande obra, Cristo está sempre presente na Sua Igreja, especialmente nas ações litúrgicas. Está presente no sacrifício da Missa, quer na pessoa do ministro, quer e sobretudo sob as espécies eucarísticas. Está presente com o seu dinamismo nos sacramentos, de modo que, quando alguém batiza, é o próprio Cristo que batiza. Está presente na sua palavra, pois é Ele que fala ao ser lida na Igreja a Sagrada Escritura. Está presente, enfim, quando a Igreja reza e canta (Mateus 18, 20)» (SC 7).
O capítulo II retoma este tema, mas trata especificamente do mistério eucarístico como memorial da morte e ressurreição de Cristo. Uma das maiores preocupações do Concílio, em sintoma com o movimento litúrgico, foi rever os ritos, tornando-os mais simples e significativos. O ritual da Missa foi simplificado e a liturgia da palavra ampliada. A homilia passou a ser muito valorizada, pois é «a exposição dos mistérios da fé e das normas da vida cristã» (SC 52). As renovações apontadas para os outros sacramentos são enfatizadas no capítulo III e referem-se principalmente à revisão dos rituais, realizada com primor nos anos seguintes.
O capítulo IV ocupa-se do Ofício Divino, cuja recitação é incentivada e a maior mudança é o uso da língua vernácula. O uso da língua própria de cada país foi uma das principais transformações trazidas pelo Concílio e aplicada a toda a Liturgia. Este tema é tratado nos números 36 e 54 do documento, ainda no primeiro capítulo. Ali também se diz que a celebração comunitária é preferida à individual (SC 27), incentivando-se a presença e participação ativa dos fiéis.
A participação sempre maior e mais ativa dos fiéis na liturgia foi o pano de fundo que incentivou as principais renovações do Concílio. Hoje, analisando o número sempre decrescente de fiéis que vão à igreja regularmente, a preocupação volta à tona. Segundo o último recenseamento realizado pela Igreja de Portugal, apenas 18,7% da população é praticante, apesar de 84,5% se declarar católica. Isso representa uma queda na participação dos fiéis em torno de 1,5% ao ano desde a pesquisa anterior, ou seja, cerca de 31 mil fiéis por ano deixam de ir à Missa.
Esta situação deve fazer a Igreja, que no fundo somos todos nós cristãos, repensar a sua constituição e renovar-se, resgatando e atualizando as indicações do Concílio. Ao longo destes cinquenta anos muitas coisas foram feitas, mas a necessidade de renovação é sempre atual. Uma vez aprovada, a «Sacrosanctum Concilium» influenciou decisivamente toda a Igreja, no modo de pensar, de ensinar, de olhar para as suas instituições e para o mundo. Imprimiu-lhe uma nova dinâmica que continua viva e a convocar a Igreja a estar atenta à linguagem do seu tempo e lugar. Mantém-se sempre atual a necessidade de formar o clero e o povo, conforme indicam os números 14 a 20. Para isto foram criados os diversos centros de liturgia, as comissões regionais, nacionais e internacionais, os cursos de liturgia, as semanas de formação e diversas outras iniciativas.
Temos ainda os capítulos V, VI e VII, que tratam respetivamente do Ano Litúrgico (caminho através do qual a Igreja recorda e revive o mistério pascal de Cristo), a Música e a Arte Sacra, que devem contribuir para a beleza e dignidade do culto.
O Concílio mostrou-nos que a liturgia é o momento privilegiado de encontro com Deus, ensinou a valorizar e redescobrir o valor da Palavra e da Eucaristia e a importância da oração e do silêncio, da reflexão bíblica, da força que vem da Eucaristia.



Para refletir
  • Qual é o espaço que a Liturgia ocupa hoje na Igreja e na minha vida pessoal? Ela é vivida como fonte e cume da vida eclesial?
  • Como é a formação litúrgica na minha comunidade? Há necessidade de uma formação mais direcionada?
  • A decoração, a arte, as alfaias e o coro na minha paróquia favorecem o encontro com Deus? Revelam a beleza e dignidade de Deus?
  • Os leitores, cantores e acólitos da minha paróquia têm consciência do ministério que exercem?
Partilha connosco a tua reflexão!



Para aprofundar
  • Documentos do Concílio Vaticano II.
  • Bento XVI, Exortação Apostólica «Sacramentum Caritatis», 2007. 
  • Guido Marini, «Liturgia: Mysterium salutis», Paulus Editora, 2011. 
  • João Paulo II, Carta Apostólica «Spirítus et sponsa», 2003. 
  • João Paulo II, Carta Encíclia «Ecclesia de Eucharistia», 2003. 
  • David Cranmer, «Cantate Domino», Paulus Editora, 2007.



Para agir
  • Converse com as pessoas da sua comunidade e com o seu pároco e organizem uma jornada de Liturgia. Escolham o tema e conferencista, organizem o trabalho de grupo e finalizem com uma celebração preparada com esmero.



© Darlei Zanon, ssp 
— «Para ler o Concílio Vaticano II», páginas 9 a 13 —
© Paulus Editora, 2012
© Laboratório da fé, 2013
A publicação ou utilização deste texto precisa da autorização expressa do editor


Há atualidade na Sacrosanctum Concilium?


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 4.12.13 | Sem comentários

Terça-feira da primeira semana de advento


Isaías 11, 1-10

Naquele dia, sairá um ramo do tronco de Jessé e um rebento brotará das suas raízes. Sobre ele repousará o espírito do Senhor: espírito de sabedoria e de inteligência, espírito de conselho e de fortaleza, espírito de conhecimento e de temor de Deus. Animado assim do temor de Deus, não julgará segundo as aparências, nem decidirá pelo que ouvir dizer. Julgará os infelizes com justiça e com sentenças retas os humildes do povo. Com o chicote da sua palavra atingirá o violento e com o sopro dos seus lábios exterminará o ímpio. A justiça será a faixa dos seus rins e a lealdade a cintura dos seus flancos. O lobo viverá com o cordeiro e a pantera dormirá com o cabrito; o bezerro e o leãozinho andarão juntos e um menino os poderá conduzir. A vitela e a ursa pastarão juntamente, suas crias dormirão lado a lado; e o leão comerá feno como o boi. A criança de leite brincará junto ao ninho da cobra e o menino meterá a mão na toca da víbora. Não mais praticarão o mal nem a destruição em todo o meu santo monte: o conhecimento do Senhor encherá o país, como as águas enchem o leito do mar. Nesse dia, a raiz de Jessé surgirá como bandeira dos povos; as nações virão procurá-la e a sua morada será gloriosa.

Como bandeira dos povos

A bandeira é sinal de identidade: a bandeira nacional, a bandeira de um clube ou associação... A sua exibição é sinal de convicção forte ou de vitória. Assim será também com a realidade instaurada pelo novo «rebento» de Jessé. Um grito de esperança! O anúncio de uma paz universal!
A sua maneira de proceder será de tal ordem justa e leal que proporcionará um «regresso ao paraíso» (expressão relacionada com o relato das origens presente no livro do Génesis), um tempo de paz universal. As realidades que expressam o contrário da convivência (lobo e cordeiro; pantera e cabrito; bezerro e leãozinho; vitela e ursa; leão e boi; criança e cobra; menino e víbora) tornar-se-ão no sinal evidente da paz universal. Definitivamente, o mal e a destruição serão banidos. 
O texto expressa a profunda convicção de que a violência não condiz com a vontade do Criador. Por certo, também não condiz com a aspiração mais profunda do ser humano. Há, por isso, uma nova esperança que brota da correspondência entre a vontade do Criador e o desejo profundo da criatura: a paz universal. Mais tarde, hão de ser anunciados «um novo céu e uma nova terra».
Em que mundo é que tudo isto será possível? Talvez não seja a pergunta mais correta, mas antes: como é que será possível instaurar esta paz universal? «Não mais praticarão o mal nem a destruição». A mudança fundamental tem de acontecer no coração do ser humano. 
Eis um dos grande oráculos messiânicos (anúncio do Messias) do livro de Isaías! A beleza (e em certo sentido a utopia) desta profecia começa a realizar-se em Jesus Cristo. O «homem novo» que vem reconciliar todas as coisas. Com Isaías, podemos acreditar que Jesus Cristo vem trazer a paz.

© Laboratório da fé, 2013




  • Reflexão proposta em 2012 a partir do evangelho (Lucas 10, 21-24) > > >



Terça-feira da primeira semana de Advento, Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 3.12.13 | Sem comentários

Segunda-feira da primeira semana de advento


Isaías 4, 2-6

Naquele dia, o gérmen do Senhor será o ornamento e a glória dos sobreviventes de Israel, o fruto da terra será o seu esplendor e alegria. Os que restarem em Sião e os sobreviventes de Jerusalém serão chamados santos, serão todos inscritos para a vida em Jerusalém. Quando o Senhor tiver lavado as impurezas das filhas de Sião e limpado o sangue do meio de Jerusalém, com o sopro da sua justiça, um sopro abrasador, Ele criará sobre todo o espaço do monte Sião e sobre as suas assembleias uma nuvem de fumo durante o dia e um esplendor de fogo ardente durante a noite. Por cima de tudo, a glória do Senhor será uma cobertura e uma tenda, para fazer sombra contra o calor do dia e servir de refúgio e abrigo contra a chuva e a tempestade.

Serão todos inscritos para a vida

O profeta anuncia uma promessa: a restauração (futura) do povo de Deus. Este acontecimento está associado a um «gérmen do Senhor». O «gérmen» é a semente que proporciona o (novo) crescimento. Algo novo vai acontecer a partir de um «resto» do povo («os que restarem... e os sobreviventes»). 
Costuma-se designar Isaías como o primeiro a desenvolver a teologia do «resto de Israel». Esta assumirá um papel fundamental na história do povo bíblico. 
Afirmar a existência de um «resto» é abrir a possibilidade de recuperação, de ressurgimento. Por isso, apesar de todas as contrariedades, o povo não será reduzido a nada, ao desaparecimento. «Os que restarem... os sobreviventes» estarão no início de uma restauração gloriosa. «Serão todos inscritos para a vida», sempre sob a proteção de DeusEste «resto» é uma prova de que Deus não abandona o seu povo.
No entanto, para que a restauração se realize haverá necessidade de uma ação purificadora levada a cabo por Deus: lavar «as impurezas das filhas» e toda a espécie de injustiças («sangue»). A purificação far-se-á através de um «sopro abrasador», ar e fogo. A renovação do ar produz um efeito saudável, renova a vida; assim como o fogo, cujo efeito purificador está muito presente em toda a Escritura. Ar e fogo serão dois símbolos usados para designar o Espírito Santo. A ação de Deus através de um «sopro abrasador» é a presença do Espírito Santo, o «sopro abrasador» de Deus que continua a renovar todas as coisas.
Os últimos versículos fazem referência ao simbolismo da «nuvem», sinal da presença de Deus, que surge no contexto da libertação do Egito e da travessia do deserto (Êxodo).
Neste Advento, dispostos a caminhar à luz do Senhor, deixemos que Deus tome a nossa vida, ainda que seja apenas um «resto»; mas Deus pode purificá-la através do Espírito Santo. À imagem de Isaías coloquemos um olhar de esperança em relação ao futuro; também nós temos a garantia de que Deus não nos abandona, mas está sempre connosco, iluminando-nos com a sua luz.

© Laboratório da fé, 2013



  • Reflexão proposta em 2012 a partir do evangelho (Mateus 8, 5-11) > > >



Segunda-feira da primeira semana de Advento, Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 2.12.13 | Sem comentários

Das Cartas Pastorais de São Carlos Borromeu


Eis chegado, irmãos caríssimos, o tempo tão celebrado e solene, o tempo favorável, como diz o Espírito Santo, os dias da salvação, da paz e da reconciliação. É o tempo que outrora os Patriarcas e Profetas tão ardentemente desejaram com seus votos e suspiros; o tempo que o justo Simeão finalmente pôde ver cheio de alegria, que a Igreja sempre tem celebrado solenemente, e que também nós devemos santificar em todo o momento com fervor, dando graças e louvores ao Pai eterno pela infinita misericórdia que nos revelou neste mistério: Ele enviou-nos seu Filho Unigénito, pelo imenso amor que tem aos homens, pecadores, para nos livrar da tirania e do império do demónio, convidar-nos para o Céu, revelar-nos os mistérios do seu reino celeste, mostrar-nos a luz da verdade, ensinar-nos o caminho da perfeição, comunicar-nos o gérmen das virtudes, enriquecer-nos com os tesouros da sua graça e, enfim, adoptar-nos como filhos seus e herdeiros da vida eterna.
Ao celebrar todos os anos este mistério, a Igreja convida-nos a renovar perpetuamente a memória do amor infinito que Deus mostrou para connosco; e ao mesmo tempo nos ensina que o advento de Cristo não foi apenas para os seus contemporâneos, mas que a sua eficácia nos é comunicada a todos nós, se quisermos receber, mediante a fé e os sacramentos, a graça que nos mereceu, e orientar de acordo com ela os costumes da nossa vida segundo os seus mandamentos.
Além disso, a Igreja espera fazer-nos compreender que assim como Ele veio uma vez, revestido da nossa carne, a este mundo, também está disposto, se não oferecermos resistência, a vir de novo, em qualquer hora e momento, para habitar espiritualmente em nossas almas com abundantes graças.
Por isso, a Igreja, como Mãe piedosa e solícita pela nossa salvação, ensina-nos durante este tempo, com diversas celebrações, com hinos, cânticos e outras vozes do Espírito Santo, a receber convenientemente e de coração agradecido este benefício tão grande e a enriquecer-nos com seu fruto, de modo que o nosso espírito se disponha para a vinda de Cristo nosso Senhor, com tanta solicitude como se Ele estivesse para vir novamente ao mundo e com a mesma diligência e esperança com que os Patriarcas do Antigo Testamento nos ensinaram, tanto em palavras como em exemplos, a preparar a sua vinda.

© Conferência Episcopal Portuguesa – Liturgia das Horas
Acta Ecclesiae Mediolanensis, t. 2, Lugduni, 1683, 916-917 (Sec. XVI)

Rezar o domingo primeiro de Advento (Ano A), no Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 2.12.13 | Sem comentários

VIVER O DOMINGO: ao ritmo da liturgia


Primeira semana de Advento


Uma luz que ilumina a vida

Eis o tempo de Advento: para salvar o seu povo, Deus há de vir, a sua chegada está próxima. Em Jesus Cristo realiza-se a promessa da salvação. E a palavra de Deus faz-nos viver todas as etapas, desde o profeta Isaías, que revela a esperança do seu povo e anuncia a paz, até à vinda do próprio Senhor Jesus Cristo, no final dos tempos, quando tudo atingirá a plenitude.
Já compreendemos o significado profundo deste tempo do Ano Litúrgico? 
O Advento é uma oportunidade para nos deixarmos iluminar (DOMINGO: «Caminhemos à luz do Senhor») pela «luz da fé». É um apelo a voltarmo-nos resolutamente para a realização do Reino (SEGUNDA: «Serão todos inscritos para a vida»), acolhendo a Luz que se levanta (TERÇA: «Como bandeira dos povos») e cantando a alegria (QUARTA: «Alegremo-nos e rejubilemos») da nossa fé.
O Advento é um tempo para nos confrontarmos com a «qualidade» da nossa confiança em Deus (QUINTA: «Confiai sempre no Senhor»). A confiança (fé) tem de ser sempre acompanhada pela alegria (SEXTA: «Os humildes alegrar-se-ão cada vez mais no Senhor») da vida, alicerçada na certeza de que Deus não nos abandona (SÁBADO: «O Senhor terá compaixão de ti»). Deus permanece ativo para nos fazer passar das trevas à luz.

A primeira semana de Advento é dedicada à análise das nossas rotinas: na fé, nos costumes, na moral, nas devoções… Iniciamos o Advento apoiados na luz do Senhor. Uma luz que ilumina a vida familiar, a educação dos filhos, a relação com os companheiros de trabalho, as tarefas domésticas, as responsabilidades sociais, o serviço aos outros… Neste Advento, o que vou fazer para caminhar «à luz do Senhor»?

© Laboratório da fé, 2013

Primeira semana de Advento, no Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 1.12.13 | Sem comentários

Palavra para hoje: primeiro domingo de advento


A liturgia de Advento prepara-nos para celebrar o mistério da Incarnação «em toda a pureza da fé»… Esta pureza da fé remete para aquele que há de vir e que vem já ao coração da nossa assembleia. Esta vinda não é uma espécie de simulação ou algo semelhante. A sua vinda é o elemento capital das nossas vidas. Ela faz-nos mergulhar no mistério da sua presença atual, no mundo, nas nossas vidas. Jesus Cristo coloca toda a sua energia em persuadir-nos da sua presença atual e da sua vinda futura. Os sinais dessa vinda podem parecer assustadores; mas são também uma exortação a «estar preparados». Preparados para amar, para ser amados, para nos amarmos uns aos outros, caminhando iluminados pela sua luz.

Pergunta da semana: 

Neste Advento, o que vou fazer para caminhar «à luz do Senhor»?

Palavra de Deus - Lectio divina - imagem de fano
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 1.12.13 | Sem comentários
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