REZAR O DOMINGO VIGÉSIMO OITAVO

13 DE OUTUBRO DE 2013

Evangelho segundo Lucas 17, 11-19

Naquele tempo, indo Jesus a caminho de Jerusalém, passava entre a Samaria e a Galileia. Ao entrar numa povoação, vieram ao seu encontro dez leprosos. Conservando-se a distância, disseram em alta voz: «Jesus, Mestre, tem compaixão de nós». Ao vê-los, Jesus disse-lhes: «Ide mostrar-vos aos sacerdotes». E sucedeu que no caminho ficaram limpos da lepra. Um deles, ao ver-se curado, voltou atrás, glorificando a Deus em alta voz, e prostrou-se de rosto em terra aos pés de Jesus, para Lhe agradecer. Era um samaritano. Jesus, tomando a palavra, disse: «Não foram dez os que ficaram curados? Onde estão os outros nove? Não se encontrou quem voltasse para dar glória a Deus senão este estrangeiro?». E disse ao homem: «Levanta-te e segue o teu caminho; a tua fé te salvou».



Segunda, 7: IMAGINAR O LUGAR

Para rezar com este episódio do evangelho, posso começar por imaginar o lugar onde tudo se passa. Jesus caminha para Jerusalém. Atravessa a Samaria e a Galileia para chegar a Jerusalém, ou seja, atravessa a Palestina em toda a sua extensão. Deixo-me guiar pelas imagens desse país, tal como o imagino ou conheço. Eis que Jesus entra numa aldeia: vejo as casas e as ruas. Procuro colocar-me dentro da cena, como se estivesse lá, talvez longe ou até mais perto, ao lado de Jesus ou no exterior ao lado dos leprosos. Permaneço aí em silêncio. Senhor, contemplo-te neste encontro com os dez homens.



Terça, 8: PEDIR

Hoje, estarei atento ao meu desejo profundo: o que me apetece pedir ao Senhor, relacionado com esta Palavra de Deus? Pode ser a graça de ser curado, como os dez leprosos, ou simplesmente a graça de saber dar glória a Deus por todos os dons que tenho recebido, como o leproso que volta para trás. Senhor, cava o meu desejo e abre o meu coração para acolher o que tu me desejas dar.



Quarta, 9: VER

Vejo as personagens: dez leprosos vêm até Jesus e permanecem à distância como impõe a lei. Posso reparar nos rostos e os membros feridos, as roupas, mas também a determinação e coragem, dispostos a tudo para serem curados. Vejo Jesus: não desvia os olhos e responde ao pedido dos leprosos. Curiosamente, não os toca, como noutros relatos, mas envia-os aos sacerdotes... como que remetendo a cura para o próprio Deus. Senhor, ensina-me a reconhecer a minha «lepra» e pedir-te em alta voz com a coragem destes enfermos.



Quinta, 10: ESCUTAR

Há muito para escutar nesta cena: as palavras trocadas, até os gritos, as súplicas, as críticas, uma ação de graças. Releio, lentamente, o relato e dou tempo à escuta. Ouço o desejo de Jesus em ver aqueles homens voltar para dar glória ao próprio Pai: «Onde estão os outros nove?». Senhor, abre os meus ouvidos para escutar a palavra que me diriges pessoalmente.



Sexta, 11: ENTENDER

Qual é o verdadeiro sentido deste evangelho? É o do encontro com Cristo. Os leprosos, excluídos pela sociedade, não hesitam em enfrentar a interdição para se aproximarem dele. Todos são «purificados» e curados, mas apenas um é realmente «salvo». Só aquele que faz um verdadeiro encontro com Jesus, prostrando-se de rosto por terra aos seus pés, se pode abrir a uma vida nova. Tudo o que o desligava do resto da humanidade foi abolido e é o próprio Jesus que o envia, dizendo-lhe: «Levanta-te e segue o teu caminho». Senhor, cura-me de tudo o que me fecha em mim mesmo para que a minha relação contigo e com os meus irmãos seja sempre viva.



Sábado, 12: FALAR AO SENHOR

O encontro narrado no evangelho ressoa na minha própria existência; torna-se Palavra viva para mim, hoje. Posso falar com o Senhor «como um amigo fala ao seu amigo». Digo-lhe o que me tocou e ensinou; ou, ao contrário, o que permanece interrogado ou até uma resistência a me deixar ser curado para continuar a segui-lo. Como fez com os leprosos, Jesus convida-me a dar glória a Deus, seu Pai. Posso rezar-lhe com a oração que nos ensinou, o Pai nosso. Senhor, abre os meus lábios e a minha boca anunciará o teu louvor.



Domingo, 13: A SALVAÇÃO PARA TODA A TERRA

As leituras deste domingo estão em perfeita sintonia, em particular a história de Naamã, o sírio (2Reis 5), e o evangelho. Trata-se de duas histórias sobre leprosos e respetivas curas. Os dois homens que reconhecem a cura, Naamã e o samaritano do evangelho, são estrangeiros: não pertencem ao povo eleito. Mas são eles que beneficiam da salvação, graças à confiança que depositam no profeta a quem se dirigem. A salvação não está reservada a alguns, mas é oferecida a todos. Que a eucaristia, na qual sou convidado a participar neste dia, faça crescer em mim a fé. Que eu saiba despojar-me de mim mesmo para me voltar para Aquele que me salva.



© www.versdimanche.com
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013

Rezar o domingo vigésimo oitavo, Ano C, no Laboratório da fé
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 7.10.13 | Sem comentários

VIVER O DOMINGO: ao ritmo da liturgia


Vigésima sétima semana


A fé é uma (nova) forma de estar no mundo

O tema da fé é centralíssimo. E, provavelmente, temos de lhe dedicar uma profunda reflexão. Fizeram-nos crer que a fé é constituída por «conteúdos», principalmente de dogmas e tradições. Se acreditamos nessas «coisas» temos fé... se não, não.
A fé não é um conjunto de proposições em que temos de acreditar tenham ou não importância para a nossa maneira de viver. Se fosse apenas assim, seria fácil: que dificuldade haveria em acreditar em certas coisas que «não nos aquecem nem arrefecem»? Interferem alguma coisa na nossa maneira de viver?
Esta não é a fé referida por Jesus Cristo como capaz de mover montanhas! Acreditar (também o sabemos, embora sem lhe darmos a devida importância) é organizar a nossa vida (os dias, o trabalho, os descanso, as prioridades, os valores) segundo princípios — estes sim — fundamentais. A fé cristã é uma forma concreta de pensar, sentir, agir, viver. Como Jesus Cristo. Porque acreditamos (essa é a nossa fé) que é a forma mais divina que temos para ser humanos. O Evangelho não revela uma teologia, mas uma Pessoa e a sua forma de ser. A fé não são conceitos, mas um estilo de vida (à maneira de Jesus Cristo).
É certo que não se pretende excluir os conteúdos. Todos precisamos de convicções profundas que orientem os nossos comportamentos. Quem tem fé, por exemplo, não tratará os seus subalternos como se não a tivesse; o homem e a mulher de fé encaram de outra maneira o casamento e a família; o «crente» (cristão) termina cada um dos seus dias com uma avaliação da jornada segundo critérios diferentes dos «do mundo».
A fé é uma forma de vida, um modo existencial de estar no mundo. Tudo o resto pode fazer parte do património cultural da Igreja; mas não lhe podemos chamar «fé»...
Em Ano da Fé, o pedido dos apóstolos (DOMINGO: «Aumenta a nossa fé») vem mesmo a calhar! Querer que a fé «aumente» (cresça) implica confiar em Deus até às últimas consequências (SEGUNDA: Faz isso e viverás).
Sem a confiança, sem a sua renovação e recordação constantes, a fé pode debilitar-se sem que nunca nos tenha assaltado uma dúvida. Se não a cuidarmos, pode diluir-se pouco a pouco no nosso interior para ficar reduzida simplesmente a um hábito que não nos atrevemos a abandonar, pelo sim pelo não. Que podemos fazer? O melhor é fechar os olhos, fazer silêncio para acolher Deus e escutar (TERÇA: Uma só é necessária) o que tem para nos dizer; e, depois, responder-lhe (QUARTA: Ensina-nos a orar), livre e confiadamente.
Convém recordar que a fé não é uma coisa que se possui uma vez para sempre. É preciso pedi-la (QUINTA: Pedi e dar-se-vos-á ) todas os dias! A fé é um desejo, uma força (SEXTA: O reino de Deus chegou até vós) que nos ajuda a crescer em humanidade, a ir em frente na vida (SÁBADO: Felizes são os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática) tomando Jesus Cristo como mestre e companheiro.

Com que adjetivos posso definir a minha fé? Nesta semana, não esqueçamos de (continuar a) rezar como os apóstolos: «Aumenta a nossa fé». É bom repeti-lo com um coração simples. Reconhecer que estamos sempre a recomeçar, sempre desejosos de ver crescer em nós, e no outro, o que há de melhor. Deus entende-nos. Ele fará crescer a nossa fé!

A elaboração deste texto foi inspirada na obra de José Luis Cortés, El ciclo C, Herder Editorial e nos textos publicados neste «Laboratório da fé» a propósito do vigésimo sétimo domingo.

© Laboratório da fé, 2013

Vigésima sétima semana, no Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 6.10.13 | Sem comentários

O DIA DO SENHOR


«Valorizar o domingo como centro de todo o ano litúrgico» — é o primeiro objetivo apresentado no programa pastoral (2013+14) da Arquidiocese de Braga. Com o intuito de «valorizar» o domingo, acompanhando os tempos litúrgicos, propomos um tema a partir da releitura da Carta Apostólica sobre a santificação do domingo — «O dia do Senhor» («Dies Domini»). Este itinerário tem como tema geral: «Não podemos viver sem o domingo!».

  • Domingo, dia da — até ao fim do Ano Litúrgico C > > >
  • Domingo, dia da Luz — Advento e Natal > > >
  • Domingo, dia do Batismo> > >
  • Domingo, dia da Palavra — do Batismo de Jesus até ao início da Quaresma > > >
  • Domingo, dia de Oração — Quaresma > > >
  • Domingo, dia da Ressurreição — Páscoa > > >
  • Domingo, dia da Igreja > > >
  • Domingo, dia de Descanso > > >
  • Domingo, dia de Solidariedade > > >



  • Não podemos viver sem o domingo! — textos publicados no Laboratório da fé > > >



O ponto de partida deste itinerário é retirado da mensagem de Dom Jorge Ortiga, Arcebispo, para este ano pastoral.: «[...] Porque acreditamos, desejamos celebrar a nossa fé neste Ano Litúrgico, uma vez que 'onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles!' (Mateus 18, 20). A liturgia não é outra coisa senão o celebrar a mesma fé em comunidade, na qual atualizamos a eficácia salvífica do mistério pascal de Cristo. Aliás, as ações litúrgicas não são meras ações privadas dos fiéis, mas celebrações reguladas pela Igreja, que é 'sacramento da unidade'. E de entre as diversas ações litúrgicas, há uma que, sem dúvida, se sobressai: a Eucaristia, pois nela se enaltece de um modo mais evidente a presença de Cristo, autêntico dom eucarístico, o qual nos 'comunica a própria vida divina'. Daí que, gostaria de recordar, toda a ação litúrgica, para ser bem celebrada, requer uma boa preparação a fim de ser verdadeiramente simples e bela. [...] A propósito, gostaria de recuperar uma música de um dos nossos compositores (M. Faria), na qual se diz na estrofe: 'Ir da missa para casa sem a Jesus receber, é como ter a mesa posta e recusar-se a comer!'. Sem o alimento eucarístico que sustenta a vida cristã, não teremos forças para exercer a caridade junto dos mais necessitados (Ano Social 2014-15). [...] Não se esqueçam: não podemos viver sem o Domingo!».

Laboratório da fé celebrada, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 6.10.13 | Sem comentários

Palavra para hoje: vigésimo sétimo domingo


«Até quando, Senhor, chamarei por Vós e não me ouvis?». O profeta Habacuc fala em nome dos seus irmãos com a liberdade de um verdadeiro crente. Sim, para que Deus esteja atento às tragédias do mundo. Como Habacuc, podemos elaborar uma longa lista. Quanto tempo é que isto vai durar? Deus escuta e responde: «Há de vir e não tardará». Mas não dá pormenores sobre a data. Assim, a nossa fé é colocada à prova, permanece um dom a «reanimar», como escreve Paulo a Timóteo. Acredita. E, às vezes, ousar pedir contas a Deus pela sua demora, não será esse o nosso primeiro serviço, nós que somos «inúteis servos»? Somos servos. E cada um é indispensável para a vinda do Reino: «O justo viverá pela sua fidelidade».

Pergunta da semana: 

Com que adjetivos posso definir a minha fé?

Palavra de Deus - Lectio divina - imagem de fano
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 6.10.13 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGOvigésimo sétimo domingo


No início de um (novo) ano pastoral dedicado à temática da fé celebrada, destacamos três aspetos que todo o cristão tem de integrar na sua vida: oração, fortaleza, fé.

Oração escutada

O profeta Habacuc levanta a voz para se queixar diante de Deus. Há muito tempo que lhe pediu auxílio e não teve resposta. A situação real está marcada pela violência e Deus não o salva. Abatem-se sobre ele um conjunto de calamidades que o fazem mergulhar numa profunda tristeza. Não acabam as discussões e as discórdias. E Deus continua em silêncio. Tudo isto pode facilmente traduzir-se nas situações que vivemos hoje a nível mundial ou local, eclesial ou pessoal.
Contudo, Deus responde. Não nos prazos fixados pelos humanos. Deus escuta sempre. Esta é a segurança que invade o crente. E Deus também responde sempre segundo a sua vontade. E esta há de ser também uma certeza para o crente. Deus conhece melhor o tempo oportuno para responder. O crente cede-lhe esse direito. Saber esperar, na confiança de ter sido escutado, é a atitude própria de quem reza. Quem pretende romper esta dinâmica transforma-se numa pessoa altiva, orgulhosa, dececionada. Pretende mudar ou ignorar os tempos de Deus. Então — diz o texto — converte-se numa pessoa insegura. Quem se confia aos tempos de Deus tem a atitude mais correta. O texto qualifica-o como justo. Nessa atitude de confiança e de fé encontra a voz de Deus e vai descobrindo a sua própria responsabilidade na petição que fez. É assim que Deus muda a realidade.

Convite a dar testemunho: 

fortaleza, caridade e moderação

O Espírito dado por Deus a Timóteo — e também dado a todos os cristãos — não é um Espírito de timidez ou de cobardia. É proveitoso recordar que essa força interior não é fruto dos nossos esforços. Pertence à nossa identidade cristã (que queremos redescobrir ao longo do plano pastoral). É uma oferta. A partir dela constrói-se o autêntico testemunho. Vale a pena sublinhá-lo para não errar o caminho. Ás vezes, confunde-se a fortaleza com a hostilidade. E embarcamos em aventuras alheias ao Evangelho. A fortaleza, unida à caridade e à moderação, deve-se manifestar na nossa vida, sem nos «envergonharmos» de Jesus Cristo, nem daqueles que trabalham pelo Evangelho. O texto sugere que vão aparecer contrariedades e sofrimentos na vida de quem se compromete com Jesus e com a sua mensagem. Mas a fortaleza de Deus é a melhor defesa e salvaguarda.

A fé

É curioso observar que as três leituras tocam o tema da fé. A primeira, no final do texto quando afirma que o justo, aquele que espera ativamente a resposta de Deus, viverá porque acreditou. Paulo pede a Timóteo que viva na fé e na caridade para guardar a sã doutrina que recebeu dele pela força do Espírito Santo. E, no evangelho, são os próprios discípulos que pedem a Jesus para lhes aumentar a fé.
Podemos sempre valorizar a autenticidade da nossa fé através das obras que realizamos. A fé aponta diretamente para as obras. Pois bem, só uma fé genuína faz emergir obras constantes e eficazes.
Em qualquer comunidade de fé pode-se cair no erro de valorizar as pessoas a partir de outros pontos de vista, talvez mais práticos e eficazes. E não seria justo deixar de agradecer as obras realizadas pelas pessoas que se comprometem em cada comunidade. Mas, no nosso contexto, é ainda mais justo destacar e valorizar a fé celebrada (e depois vivida), esse traço invisível do cristão que também a comunidade há de transformar em petição: «Aumenta a nossa fé». Estaremos assim alerta para agir em nome do Evangelho, com a simplicidade de quem sabe que fez o que devia. Eis as obras mais autênticas.

© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor



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  • Os Apóstolos disseram ao Senhor: «Aumenta a nossa fé» > > >



Preparar o vigésimo sétimo domingo, ano C, no Laboratório da fé
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 5.10.13 | Sem comentários

CELEBRAR O DOMINGO: vigésimo sétimo domingo

UMA LITURGIA SIMPLES E BELA

No início de um (novo) ano pastoral dedicado à temática da fé celebrada, iniciamos a publicação desta rubrica «CELEBRAR O DOMINGO». Nesta secção, que completa as propostas para «PREPARAR O DOMINGO», apresentamos algumas sugestões para concretizar o fruto esperado deste ano pastoral: «uma liturgia simples e bela, sinal da comunhão entre Deus e os seres humanos».

A fé, por mais pequena que seja, é capaz de grandes coisas. Nas dificuldades, o discípulo de Jesus Cristo permanece firme graças à sua fé e fidelidade, servindo a Deus com humildade.



Ano da Fé

  • Estamos ainda no Ano da Fé, definido por Bento XVI até ao final deste ano litúrgico. O evangelho deste domingo interpela-nos sobre a vitalidade da nossa fé. E o conjunto dos textos bíblicos afirmam também que a fé não existe sem caridade: relação entre o dom recebido do Senhor e o serviço aos irmãos. Por isso, quando vivemos na fé e na caridade «ajustamo-nos» à vontade de Deus, tornamo-nos «justos». E, como diz o profeta, «o justo viverá pela sua fidelidade».
  • O pedido dos apóstolos referido no evangelho está presente no hino do Ano da Fé. Uma boa oportunidade para fazer dele o cântico de entrada da eucaristia: «Aumenta. Aumenta a nossa fé! Credo, Domine. Aumenta a nossa fé!».



Arte de celebrar

«Somos inúteis servos: fizemos o que devíamos fazer». Eis o que se tem de aplicar a todo e qualquer serviço litúrgico! Há pessoas que se apropriam do serviço que prestam à comunidade, a ponto de se sentirem mal quando alguém ocupa o seu lugar. Servir é permitir que o outro exista e cresça. Cada ator litúrgico — padre, leitor, acólito, coralista, servo ou florista — tem de ter um coração capaz de acolher os outros, aqueles que apenas esperam ser chamados para participar na liturgia. Se ficamos a pensar que não serão capazes de fazer tão bem como nós, em espírito de serviço até podemos acompanhar os seus primeiros passos e contribuir para a sua formação.



Fé celebrada com a comunidade

O início do (novo) ano pastoral sobre a temática da fé celebrada pode ser reforçado ao longo da eucaristia com uma frase acompanhada por um símbolo: (na entrada com o Círio Pascal) «Deus acolhe-nos com alegria para celebrar a fé celebrada no Batismo»; (na Liturgia da Palavra com o Lecionário) «A Palavra de Deus alimenta a nossa fé; abramos os nossos corações» (na apresentação dos dons com o pão e o vinho); «Dêmos graças a Deus pela fé que nos faz viver»; (no envio) «Deus envia-nos para viver a fé no serviço aos irmãos».



Fé celebrada com a catequese

«Aumenta a nossa fé». O pedido feito pelos apóstolos a Jesus Cristo é uma ocasião propícia para propor às crianças e adolescentes para dar o seu testemunho. No momento da homilia, fazendo eco da Palavra de Deus, partilham o percurso de catequese que estão a iniciar, apresentam um propósito para, ao longo do ano, conhecer mais Jesus Cristo e celebrar melhor a fé. No final, este desafio pode ser lançado a todos os membros da assembleia: em casa ou em grupo, individualmente ou em família, elaborar um propósito para celebrar melhor a fé ao longo do ano pastoral.

© Laboratório da fé, 2013



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Preparar o vigésimo sétimo domingo, ano C, no Laboratório da fé
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 5.10.13 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGOvigésimo sétimo domingo

6 DE OUTUBRO DE 2013

Evangelho segundo Lucas 17, 5-10

Naquele tempo, os Apóstolos disseram ao Senhor: «Aumenta a nossa fé». O Senhor respondeu: «Se tivésseis fé como um grão de mostarda, diríeis a esta amoreira: ‘Arranca-te daí e vai plantar-te no mar’, e ela obedecer-vos-ia. Quem de vós, tendo um servo a lavrar ou a guardar gado, lhe dirá quando ele voltar do campo: ‘Vem depressa sentar-te à mesa’? Não lhe dirá antes: ‘Prepara-me o jantar e cinge-te para me servires, até que eu tenha comido e bebido. Depois comerás e beberás tu’?. Terá de agradecer ao servo por lhe ter feito o que mandou? Assim também vós, quando tiverdes feito tudo o que vos foi ordenado, dizei: ‘Somos inúteis servos: fizemos o que devíamos fazer’.



Se tivésseis fé...

Situada na parte central do evangelho, o «caminho para Jerusalém», a página lucana do vigésimo sétimo domingo (Ano C) pertence à secção (17, 1-10) que reúne quatro instruções de Jesus aos discípulos sobre diversos aspetos da vida comunitária. Omitindo as dias primeiras («evitar o escândalo» nos versículos 1-3a e «perdoar sem limites» nos versículos 3b-4), o lecionário concentra-se nas outras duas: «ter fé» e «atitude de serviço». São duas lições independentes expressas em forma de «logion» (versículos 5-6) e de parábola (versículos 7-10).
A frase de Jesus nasce de uma petição sincera e espontânea por parte dos apóstolos: «Aumenta a nossa fé». Perante o compromisso que acarreta seguir o Mestre, perante as dificuldades do caminho, esta invocação torna-se natural e compreensível. No entanto, a resposta de Jesus passa por cima da petição. Em lugar de conceder o que é pedido, partilha uma lição sobre a omnipotência da fé. E fá-lo com uma linguagem imagética que todos conheciam. Fala-lhes de um grão de mostarda (símbolo de algo insignificante ao olhar, mas cheio de vida e muito fecundo) e de arrancar uma amoreira ou sicómoro (frase feita para expressar uma façanha sobre-humana).
Jesus ilustra o comportamento do autêntico discípulo com uma parábola muito fastidiosa pela sua orientação «capitalista». Mas é preciso ir ao fundo para descobrir a mensagem. Jesus admoesta os que estão sempre prontos para apresentar a Deus a fatura pelos serviços realizados, pois tornar-se discípulo ou apóstolo exige uma dedicação plena à missão, uma entrega sem reservas e a tempo inteiro, sem regatear o horário, esforço e sacrifício. No contexto, a expressão «inúteis servos» não significa «servos inaptos», mas «apenas servos» (e não senhores); por conseguinte, a sua missão é servir. Talvez melhor dizer «autênticos servos» que se sentem bem a fazer o que lhes compete fazer.

© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
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Preparar o vigésimo sétimo domingo, ano C, no Laboratório da fé
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 5.10.13 | Sem comentários
La Biblia compartida — blogue de Javier Velasco-Arias y Quique Fernández

A fé e o serviço são as duas colunas onde se apoia o ensinamento do evangelho do vigésimo sétimo domingo (Ano C). Ambas são apresentadas por Jesus de forma paradoxal.
A confiança em Deus, à qual Jesus nos convida, está acima de qualquer cálculo humano; não tem nada a ver com uma fé «racionalista». Implica confiar no Senhor até às últimas consequências. Ele pode mudar as coisas, mesmo as que, à primeira vista, nos parecem impossíveis. Nunca podemos perder a esperança. As situações difíceis na vida são muitas, mas Deus está do nosso lado. Não o podemos esquecer.
No entanto, ao mesmo tempo, exige de nós uma atitude de serviço, de disponibilidade: Deus conta com cada um e cada uma de nós, para mudar as coisas, para «criar» um mundo melhor. A tarefa a realizar é enorme: situações de flagrante injustiça; homens e mulheres a quem não se reconhece a sua dignidade de pessoas; seres humanos «sedentos» de uma palavra de apoio, de reconhecimento social, com necessidades de vária ordem; realizar um trabalho evangelizador titânico...
E, curiosamente, a lógica evangélica pouco tem que ver com a lógica habitual do mundo: «Somos inúteis servos: fizemos o que devíamos fazer». Não podemos procurar o aplauso dos outros por ter feito um serviço inevitável, ao qual não temos direito a renunciar.

© Javier Velasco-Arias

© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
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Preparar o vigésimo sétimo domingo, ano C, no Laboratório da fé
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 3.10.13 | Sem comentários

A porta da fé [8]


Estamos a oito semanas de concluir o Ano da Fé, que se iniciou em outubro de 2012 e terminará em novembro de 2013. Semanalmente, apresentamos um número da Carta Apostólica do papa Bento XVI com a qual proclamou o Ano da Fé — «A porta da fé» («Porta Fidei»). E juntamos uma proposta de reflexão elaborada por Pedro Jaramillo. O objetivo é dar um contributo para uma avaliação mais cuidada sobre a forma como estamos a viver o Ano da Fé. Bom proveito!

Nesta feliz ocorrência, pretendo convidar os Irmãos Bispos de todo o mundo para que se unam ao Sucessor de Pedro, no tempo de graça espiritual que o Senhor nos oferece, a fim de comemorar o dom precioso da fé. Queremos celebrar este Ano de forma digna e fecunda. Deverá intensificar-se a reflexão sobre a fé, para ajudar todos os crentes em Cristo a tornarem mais consciente e revigorarem a sua adesão ao Evangelho, sobretudo num momento de profunda mudança como este que a humanidade está a viver. Teremos oportunidade de confessar a fé no Senhor Ressuscitado nas nossas catedrais e nas igrejas do mundo inteiro, nas nossas casas e no meio das nossas famílias, para que cada um sinta fortemente a exigência de conhecer melhor e de transmitir às gerações futuras a fé de sempre. Neste Ano, tanto as comunidades religiosas como as comunidades paroquiais e todas as realidades eclesiais, antigas e novas, encontrarão forma de fazer publicamente profissão do «Credo».

A porta da fé [Carta Apostólica para o Ano da Fé - «Porta Fidei»]

  • A porta da fé — números publicados no Laboratório da fé > > >



Aspetos que se podem sublinhar

  • A celebração do Ano da Fé há de fazer-se de «forma digna e fecunda». Não se trata simplesmente de um evento externo. A dignidade e a fecundidade de celebrar o Ano da Fé acontece com atitudes que tornem a fé mais pessoal, mais responsável, mais comprometida.
  • Temos de refletir mais profundamente sobre a nossa fé. A finalidade é fazer com que a nossa adesão a Cristo seja mais consciente e vigorosa. Não podemos acreditar só por tradição (porque foi sempre assim, porque assim acreditavam os nossos avós...). Precisamos de personalizar a fé, para responder aos desafios da sociedade moderna.
  • É preciso também «confessar» a fé. A unidade de confissão manifesta a nossa «comunhão eclesial». Por isso, somos chamados a realizar essa confissão (o nosso «Credo») em todos os níveis de realização eclesial.

Interiorizando

  • A dignidade e a fecundidade da nossa celebração do Ano da Fé pede-nos que nos coloquemos em «processo de crescimento crente» e não em mero eventos... Estou disposto? Vou participar só em celebrações externas ou vou «rever» a minha fé com um coração convertido e aberto?

  • A reflexão sobre a nossa fé (que contém aspetos doutrinais) propõe algo que envolve muito mais: uma adesão a Cristo mais consciente e vigorosa... Hoje, mais do que nunca, precisamos de uma fé pessoal, convicta, longe da rotina ou mero costume... Como se pode progredir tendo em vista uma fé pessoal e menos sociológica? A fé não é uma mera aparência; é uma nova construção da minha vida. Até que ponto as dimensões mais importantes do meu ser e do meu comportamento estão fecundadas pela fé?

  • A confissão do nosso «Credo» é uma grande oportunidade de «comunhão» de toda a Igreja. Ao fazê-la muitas vezes ao longo deste Ano, como tirá-la da rotina? Que a boca fale da abundância do coração. Como aumentar essa abundância do coração? Como é que a «comunhão na mesma fé» nos pode ajudar a reforçar a comunhão interior da nossa Igreja? Os que confessamos o mesmo Credo, podemos estar tão afastados religiosamente?

© Pedro Jaramillo
© Tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013

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Bento XVI, Carta Apostólica «A porta da fé»
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 3.10.13 | Sem comentários
Encuentros con la Palabra — blogue de Hermann Rodríguez Osorio

Li uma vez que, há muito tempo, viveu na China um menino chamado Ping que gostava muito de flores. Tudo o que semeava crescia como que por encanto. Um dia, o Imperador, que era muito velho, decidiu escolher o seu sucessor. Quem poderia ser? Como o escolheria? Decidiu que seriam as flores a escolher. No dia seguinte, saiu um edital: todas as crianças tinham de ir à grande praça para receber das mãos do Imperador sementes de flores. «Quem, no prazo de um ano, me mostrar o melhor resultado» — disse — «será o meu sucessor». Esta notícia causou um grande reboliço. Crianças de todos os lados compareceram para receber as respetivas sementes. Os pais queriam que o filho fosse escolhido como Imperador e as crianças sonhavam com essa possibilidade. Quando Ping recebeu as suas sementes sentiu-se a mais feliz de todas as crianças. Tinha a certeza de que seria capaz de cultivar as flores mais formosas. 
Ping tomou um vaso com terra e plantou a semente. Regava-o todos os dias. Passaram os dias mas não germinava nada no vaso. Ping estava muito triste. Então tomou um vaso ainda maior e colocou nele a melhor terra e plantou a semente. Esperou mais dois meses e nada se passou. Pouco a pouco passou-se o ano inteiro. Chegou a primavera e as crianças vestiram os mais belos trajes para agradar ao Imperador. Dirigiram-se à praça com as suas formosíssimas flores; cada criança esperava ser a escolhida. Ping sentiu-se envergonhado com o seu vaso vazio. Pensou que as outras crianças iriam fazer troça dele. Contudo, foi à praça. O Imperador observava detalhadamente todas as flores. Que flores tão belas! Mas o Imperador não dizia um palavra. Finalmente, aproximou-se de Ping, que baixou a cabeça cheio de vergonha pensando que iria ser castigado. O Imperador perguntou-lhe: «Porque trouxeste um vaso sem nada?». Ping começou a chorar e respondeu: «Plantei a semente que me deu, reguei-a todos os dias, mas não germinou. Depois, coloquei-a num vaso maior, pus-lhe a melhor terra e nem assim germinou. Esperei um ano inteiro mas não cresceu nada. Por isso, hoje vim aqui à sua presença com um recipiente vazio. Fiz o melhor que pude». 
Ao escutar estas palavras, o Imperador esboçou um sorriso e colocou a mão sobre o ombro de Ping. Depois, exclamou: «Encontrei-o! Encontrei a única pessoa digna de ser Imperador! Não sei onde foram buscar as sementes que vocês cultivaram. Porque as sementes que vos dei tinham sido queimadas. Era impossível, portanto, que pudessem germinar. Admiro Ping pela coragem em vir à minha presença com a sua vazia verdade. Assim, agora será premiado com o reino e nomeio-o meu sucessor.
Se formos sinceros reconhecemos que mais de noventa por cento das coisas que fazemos na nossa vida não tem outra finalidade senão o nosso próprio proveito. O egoísmo é tão subtil, que nos engana até nas nossas boas ações. Reclamamos, exigimos, solicitamos que nos tenham em conta de mil maneiras em cada dia... Passamos fatura pelas nossas boas obras. Queremos que reconheçam a nossa bondade. Fazemos tudo o que nos compete fazer e, isso, automaticamente, faz-nos merecedores de uma recompensa por parte de Deus. Poucas experiências são tão importantes para aprender o valor da gratuidade como a sementeira e a colheita. O agricultor que semeia a semente e recolhe a colheita sabe que foi responsável por certas condições externas que facilitam as coisas, mas também tem consciência de que o crescimento e o fruto é apenas obra e graça de Deus. Esta bela história recorda-nos que nós não somos donos do crescimento nem dos frutos e ter fé é fazer as coisas o melhor possível, para que Deus realize a sua obra de salvação através de nós.

© Hermann Rodríguez Osorio, SJ

© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor



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Preparar o vigésimo sétimo domingo, ano C, no Laboratório da fé
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 2.10.13 | Sem comentários

Outubro Missionário 2013


As Obras Missionárias Pontifícias da Comissão Episcopal das Missões publicaram, como já é habitual, um guião para ajudar os cristãos, individualmente e em grupo, a crescer no compromisso missionário. «Que este Guião ajude a viver melhor o mês de Outubro, dedicado ao Rosário e à Missão» — pode ler-se no texto de apresentação. 



Oração diária

31. Por todos os missionários, padres, religiosos ou leigos, que amaram e serviram a Igreja missionária e já partiram deste mundo para a casa do Pai. Que recebam a recompensa eterna e possam celebrar com aqueles a quem anunciaram o Evangelho, a alegrias reservada a quantos viveram com o coração em Deus e nos irmãos.

30. Pelas pessoas e organizações nacionais e internacionais que criam e desenvolvem projetos destinados a promover a paz e a reconciliação entre os povos, a prosperidade e o bem estar, a defesa da dignidade humana onde ela surge mais ameaçada. Para que não desanimem diante dos obstáculos nem se cansem de denunciar e propor, com ousadia e determinação, caminhos novos para a humanidade.

29. Pelas famílias desfeitas pelo drama do divórcio, pelos casais que vivem em permanente conflito, pelos homens e mulheres traídos e abandonados pelos seus cônjuges. Para que não deixem de confiar no Senhor e procurar na oração e na comunhão da Igreja a força de que necessitam para suportarem as provações e encetarem caminhos de verdadeira conversão.

28. Dai, Senhor, à Vossa Igreja, o zelo missionário dos apóstolos que a leve a sair de si mesma a empenhar-se no anúncio da boa nova do Evangelho junto daqueles que ainda não Vos conhecem.

27. Pela velha Europa, tão carente de horizontes de esperança e de eternidade. Para que, por intercessão dos seus santos padroeiros e padroeiras, deixe reavivar em si a luz do Evangelho que dá verdadeiro sentido à vida e arranca os homens e as nações ao domínio do egoísmo e do pecado.

26. Pelas jovens e pelos jovens que, nos noviciados e seminários se preparam para uma vida de entrega total ao Senhor e à Igreja na vida missionária, sacerdotal e religiosa. Que se deixem conduzir pelo Espírito Santo aprendendo sempre a seguir o Senhor no dom de si mesmos.

25. Pelos profissionais da saúde: médicos, enfermeiros e auxiliares. Que tenham sempre no cuidado dos doentes e da sua dignidade o fim último da sua missão e não desanimem diante das situações que os limitam no exercício humanizado da sua profissão.

24. Pelos meios de comunicação social e pelos profissionais que neles trabalham. Que não aceitam colocar-se ao serviço das forças obscuras do mal e de manipulações interesseiras, mas se empenhem fortemente pela promoção da verdade e do bem.

23. Guardai, Senhor, no vosso amor, todas as famílias. Que as famílias cristãs tomem consciência da grandeza da sua vocação e da urgência em serem, junto das outras famílias, testemunhas do Evangelho da Vida e do Amor.

22. Iluminai Senhor, com o Vosso Espírito, o grande continente asiático. Que possa enriquecer a Humanidade com a sua sabedoria milenar e a Igreja presente nestes países se revista de um novo ardor missionário, para que muitos possam acolher a salvação que nos vem da fé.

21. Não deixeis faltar, Senhor, à vossa Igreja, homens e mulheres que se consagrem à vocação missionária e se disponham a partir para aqueles lugares e contextos onde os quiseres enviar. 

20. Pelos doentes e idosos. Ajuda-os, Senhor, a sentirem a grandeza e a fecundidade da sua missão na Igreja e no mundo e confortai-os com a doçura da Vossa presença.

19. Nós vos suplicamos pelos cristãos que, em tantas partes do mundo, são perseguidos e mortos por causa da sua fé. Enviai-lhes, Senhor, a abundância do Vosso Espírito para que não desfaleçam nas provações e encontrem na oração e na caridade de toda a Igreja o ânimo de que tanto necessitam.

18. Por intercessão de São Lucas, que se empenhou em legar à Igreja o Evangelho e os Atos dos Apóstolos para sua edificação fazei, Senhor, que a Vossa Palavra habite em nós como a semente habita na terra, nela germinando e produzindo abundantes frutos de boas obras.

17. Nós te pedimos, Senhor, pelos milhões de homens e mulheres que vivem o drama da pobreza, abaixo do limiar da dignidade humana, enquanto que tantos outros sofrem as doenças próprias dos excessos das sociedades abastadas. Que todos nos empenhemos na erradicação da pobreza através de gestos concretos de solidariedade e de renúncia.

16. Que a intercessão de Santa Margarida Maria Alacoque torne o nosso coração cada vez mais semelhante ao Coração de Jesus, permanentemente aberto aos irmãos e sempre capaz de se compadecer e perdoar.

15. Neste dia de Santa Teresa de Ávila nós te pedimos, Senhor, pelas mulheres a quem chamaste a serem, na vida consagrada, um sinal muito especial da Vossa Aliança. Que elas sejam neste mundo, com a sua oração, caridade e entrega missionária, luzeiros brilhando no meio das trevas.

14. Pelos noivos cristãos que se preparam para se consagrarem no sacramento do matrimónio. Concedei-lhes, Senhor, o dom da fidelidade e de uma vida longa no amor e na ternura, sendo um para o outro e ambos para os filhos, um seguro caminho para Vós.

13. Trazei, Senhor, a paz aos povos e regiões marcados pelos horrores da violência e do ódio. E não permitais que o nosso coração se endureça pela indiferença e banalização de tantas manifestações de sofrimento humano.

12. Concedei, Senhor, aos povos de África a prosperidade e a paz. Que a Igreja presente neste continente seja verdadeiramente profética não só através do anúncio da Palavra de Deus mas, também, pela ousadia de gestos eficazes de solidariedade e de promoção humana e social.

11. Concedei-nos, Senhor, um olhar semelhante ao Vosso, capaz de se compadecer das misérias e fraquezas dos homens, nossos irmãos, antes de os julgarmos e condenarmos.

10. Fortalecei, Senhor, a fé dos nossos jovens. Que eles Vos procurem sempre na oração, afim de serem testemunhas corajosas e felizes do vosso Amor junto dos outros jovens, na família, na sua escola e nos ambientes juvenis que frequentam.

9. Nós vos pedimos, Senhor, por todos os homens e mulheres que consagram a sua vida ao serviço dos irmãos nas diversas instituições de cariz social. Que, cuidando dos mais frágeis e abandonados, acreditem que é o próprio Senhor a quem servem.

8. Dai, Senhor, aos nossos catequistas, o ânimo espiritual e a força do testemunho necessários para incendiar nos corações das crianças e dos adolescentes aquele amor a Jesus que encha de sentido as suas vidas.

7. Que a Vossa e nossa Mãe, Maria Santíssima, nos ensine os caminhos da humildade e do serviço, a partir da escuta e da obediência à Vontade do Pai, e nos encha da caridade com que prontamente se pôs a caminho para estar com santa Isabel.

6. Trazei, Senhor, ao coração dos nossos governantes desejos sinceros em ordem ao bem comum, para que seja promovida uma sociedade mais justa e humana, respeitadora da dignidade de cada ser humano.

5. Nós te pedimos, Senhor, pelas vítimas do desemprego e da precariedade laboral. Abri para eles horizontes de dignidade que passem pelo trabalho tão necessário à realização pessoal e ao sustento das famílias.

4. Nós Vos pedimos, Senhor, pelo Papa Francisco, dádiva da Vossa ternura à Igreja e ao Mundo, para que encontre sempre em Vós a sua força e o seu amparo de modo a que possa conduzir a barca da Igreja pelas águas conturbadas destes novos tempos.

3. Senhor Jesus, enviai o Espírito de Sabedoria a quantos se dedicam à nobre missão do ensino e da educação das novas gerações. Que sejam verdadeiros mestres na escola da vida e não meros transmissores de matérias escolares, e se empenhem totalmente na edificação do Bem e da Verdade. 

2. Nós vos pedimos, Senhor, pelos mais indefesos da nossa sociedade: as crianças ainda não nascidas e os doentes em fase terminal, os excluídos da sociedade, os sem abrigo, os exilados. Que os anjos da sua guarda sejam portadores do Vosso conforto e os da nossa guarda nos despertem para a prática das boas obras.

1. Concedei, Senhor, à vossa Igreja a graça de viver este mês de Outubro em verdadeiro espírito missionário, na oração, na reflexão e na ação, de modo que, à imagem de santa Teresa do Menino Jesus, padroeira das missões, tenhamos o nosso coração sempre em Deus e neste mundo que Ele tanto ama e ao qual nos envia.



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Outubro Missionário 2013 — Dia Mundial das Missões
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 1.10.13 | 2 comentários

Outubro Missionário 2013


As obras missionárias pontifícias da Comissão Episcopal das Missões publicaram, como já é habitual, um guião para ajudar os cristãos, individualmente e em grupo, a crescer no compromisso missionário. «Que este Guião ajude a viver melhor o mês de Outubro, dedicado ao Rosário e à Missão» — pode ler-se no texto de apresentação. 

Neste contexto, a propósito do Dia Mundial das Missões, a celebrar no dia 20 de outubro, o papa Francisco escreveu uma mensagem alicerçada na temática da fé
Na Mensagem, o Papa começa por propor a fé como «um dom precioso de Deus, que abre a nossa mente para O podermos conhecer e amar». Este dom não é só para alguns, mas «oferecido a todos com generosidade»; também não é para ficar com cada um, mas para ser partilhado: «se o quisermos conversar apenas para nós mesmos, tornamo-nos cristãos isolados, estéreis e combalidos». E concluiu este ponto, dizendo: «Toda a comunidade é 'adulta', quando professa a fé, celebra-a com alegria na liturgia, vive a caridade e anuncia sem cessar a Palavra de Deus, saindo do próprio recinto para levá-la até às 'periferias', sobretudo a quem ainda não teve a oportunidade de conhecer Cristo».
A partir do contexto do aniversário dos cinquenta anos do Concílio, o Papa recorda que o dever missionário é próprio de cada um e de todos os batizados: «todos somos enviados pelas estradas do mundo para caminhar com os irmãos, professando e testemunhando a nossa fé em Cristo e fazendo-nos arautos do seu Evangelho». E também não se trata de uma questão geográfica, porque o lugar da missionariedade é o «coração de cada homem e mulher».
Os obstáculos colocados à evangelização — diz o Papa — não estão apenas no exterior, mas também dentro da própria Igreja. Destes obstáculos destaca o (nosso) relaxe no fervor, na alegria, na coração, na esperança de anunciar e na ajuda ao ser humano contemporâneo para encontrar Jesus Cristo. «Devemos sempre ter a coragem e a alegria de propor, com respeito, o encontro com Cristo e de nos fazermos portadores do seu Evangelho; Jesus veio ao nosso meio para nos indicar o caminho da salvação e confiou, também a nós, a missão de a fazer conhecer a todos, até aos confins do mundo». Sem esquecer que «evangelizar nunca é um acto isolado, individual, privado, mas sempre eclesial».
O tempo presente — marcado pela deslocação constante de pessoas e famílias inteiras, marcado pelo aumento do número «daqueles que vivem alheios à fé, indiferentes à dimensão religiosa ou animados por outras crenças», marcado pela crise que «atinge vários setores da existência» — reclama uma «nova evangelização», precisa de «uma luz segura». Neste contexto, «torna-se ainda mais urgente levar corajosamente a todas as realidades o Evangelho de Cristo, que é anúncio de esperança, de reconciliação, de comunhão, anúncio da proximidade de Deus, da sua misericórdia, da sua salvação, anúncio de que a força de amor de Deus é capaz de vencer as trevas do mal e guiar pelo caminho do bem».



Oração missionária

Espírito Santo,
que desceste sobre os Apóstolos 
e os fizeste anunciadores do Evangelho:
derrama os teus dons sobre cada um de nós
e torna-nos sensíveis aos apelos e às necessidades dos nossos irmãos;
desperta em muitos corações (crianças, jovens e adultos...) o ideal missionário;
dá força e coragem a todos quantos se entregam totalmente ao serviço da missão.
Amen.



Intenção missionária do Apostolado da Oração

Para que a Jornada Missionária Mundial 
nos anime a ser destinatários 
e anunciadores da Palavra de Deus.

Como todos os anos, celebramos no penúltimo domingo de Outubro, que este ano ocorre no dia 20, o Dia Mundial Missionário. A finalidade desta celebração é a de nos recordar aquilo que nunca deveríamos esquecer: todos, pelo batismo, somos evangelizadores, missionários. Este dia não deve ser, portanto, um momento esporádico na nossa vida cristã, mas só mais uma ocasião para refletirmos na nossa vocação missionária.
E somos todos missionários porque a Igreja é missionária na sua mesma essência, como têm declarado os Papas, em variadas ocasiões, e esta dimensão missionária da Igreja tem que estar sempre presente na mente de todos os cristãos. A Igreja existe para evangelizar. Afirmou, por exemplo, o Papa Paulo VI, na Exortação apostólica «Evangelii nuntiandi»: «[A proclamação do Evangelho] é para a Igreja um dever que lhe incumbe, por mandato do Senhor Jesus, a fim de que os homens possam acreditar e ser salvos». Este mandato missionário que Cristo confiou aos seus discípulos tem que concretizar-se no empenho de todo o povo de Deus; deve envolver todas as atividades das Igrejas particulares, todos os seus setores, todo o seu ser e agir.
Todos aqueles que se encontraram com Cristo ressuscitado sentiram a necessidade de anunciá-Lo aos outros, como aconteceu com os discípulos de Emaús, com Maria Madalena e tantos outros. O mesmo deve acontecer connosco. Se vivemos a ressurreição, se a fé que ela desperta é uma verdadeira realidade na nossa vida, havemos de sentir a necessidade imperiosa de a partilhar. Com efeito, a fé não é um dom (o maior da nossa vida), para guardar para si, mas para comunicar aos outros, para que também eles a possam experimentar.
Como diz a Intenção Missionária deste mês, somos, ao mesmo tempo, destinatários e anunciadores da Palavra que desperta a fé. Mas só quando esta Palavra Se faz carne dentro de cada um é que pode ser anunciada com verdade. Doutro modo, o anúncio soará a oco.
Sobretudo ao longo deste mês, deixemo-nos possuir pela Palavra de Deus, porque só assim é que seremos levados a uma comunicação mais ativa, persuadidos de que a fé se fortalece quando é comunicada.




Mensagem do Papa 
para o Dia Mundial das Missões

Queridos irmãos e irmãs,
Este ano, a celebração do Dia Mundial das Missões tem lugar próximo da conclusão do Ano da Fé, ocasião importante para revigorarmos a nossa amizade com o Senhor e o nosso caminho como Igreja que anuncia, com coragem, o Evangelho. Nesta perspectiva, gostaria de propor algumas reflexões.
1. A fé é um dom precioso de Deus, que abre a nossa mente para O podermos conhecer e amar. Ele quer entrar em relação connosco, para nos fazer participantes da sua própria vida e encher plenamente a nossa vida de significado, tornando-a melhor e mais bela. Deus ama-nos! Mas a fé pede para ser acolhida, ou seja, pede a nossa resposta pessoal, a coragem de nos confiarmos a Deus e vivermos o seu amor, agradecidos pela sua infinita misericórdia. Trata-se de um dom que não está reservado a poucos, mas é oferecido a todos com generosidade: todos deveriam poder experimentar a alegria de se sentirem amados por Deus, a alegria da salvação. E é um dom que não se pode conservar exclusivamente para si mesmo, mas deve ser partilhado; se o quisermos conservar apenas para nós mesmos, tornamo-nos cristãos isolados, estéreis e combalidos. O anúncio do Evangelho é um dever que brota do próprio ser discípulo de Cristo e um compromisso constante que anima toda a vida da Igreja. «O ardor missionário é um sinal claro da maturidade de uma comunidade eclesial» (Bento XVI, Exort. ap. Verbum Domini, 95). Toda a comunidade é «adulta», quando professa a fé, celebra-a com alegria na liturgia, vive a caridade e anuncia sem cessar a Palavra de Deus, saindo do próprio recinto para levá-la até às «periferias», sobretudo a quem ainda não teve a oportunidade de conhecer Cristo. A solidez da nossa fé, a nível pessoal e comunitário, mede-se também pela capacidade de a comunicarmos a outros, de a espalharmos, de a vivermos na caridade, de a testemunharmos a quantos nos encontram e partilham connosco o caminho da vida.
2. Celebrado cinquenta anos depois do início do II Concílio do Vaticano, este Ano da Fé serve de estímulo para a Igreja inteira adquirir uma renovada consciência da sua presença no mundo contemporâneo, da sua missão entre os povos e as nações. A missionariedade não é questão apenas de territórios geográficos, mas de povos, culturas e indivíduos, precisamente porque os «confins» da fé não atravessam apenas lugares e tradições humanas, mas o coração de cada homem e mulher. O II Concílio do Vaticano pôs em evidência de modo especial como seja próprio de cada batizado e de todas as comunidades cristãs o dever missionário, o dever de alargar os confins da fé: «Como o Povo de Deus vive em comunidades, sobretudo diocesanas e paroquiais, e é nelas que, de certo modo, se torna visível, pertence a estas dar também testemunho de Cristo perante as nações» (Decr. Ad gentes, 37). Por isso, cada comunidade é interpelada e convidada a assumir o mandato, confiado por Jesus aos Apóstolos, de ser suas «testemunhas em Jerusalém, por toda a Judeia e Samaria e até aos confins do mundo» (Act 1, 8); e isso, não como um aspeto secundário da vida cristã, mas um aspeto essencial: todos somos enviados pelas estradas do mundo para caminhar com os irmãos, professando e testemunhando a nossa fé em Cristo e fazendo-nos arautos do seu Evangelho. Convido os bispos, os presbíteros, os conselhos presbiterais e pastorais, cada pessoa e grupo responsável na Igreja a porem em relevo a dimensão missionária nos programas pastorais e formativos, sentindo que o próprio compromisso apostólico não é completo, se não incluir o propósito de «dar também testemunho perante as nações», perante todos os povos. Mas a missionariedade não é apenas uma dimensão programática na vida cristã; é também uma dimensão paradigmática, que diz respeito a todos os aspetos da vida cristã.
3. Com frequência, os obstáculos à obra de evangelização encontram-se, não no exterior, mas dentro da própria comunidade eclesial. Às vezes, estão relaxados o fervor, a alegria, a coragem, a esperança de anunciar a todos a Mensagem de Cristo e ajudar os homens do nosso tempo a encontrá-Lo. Por vezes há ainda quem pense que levar a verdade do Evangelho seja uma violência à liberdade. A propósito, são iluminantes estas palavras de Paulo VI: «Seria certamente um erro impor qualquer coisa à consciência dos nossos irmãos. Mas propor a essa consciência a verdade evangélica e a salvação em Jesus Cristo, com absoluta clareza e com todo o respeito pelas opções livres que essa consciência fará (...), é uma homenagem a essa liberdade» (Exort. ap. Evangelii nuntiandi, 80). Devemos sempre ter a coragem e a alegria de propor, com respeito, o encontro com Cristo e de nos fazermos portadores do seu Evangelho; Jesus veio ao nosso meio para nos indicar o caminho da salvação e confiou, também a nós, a missão de a fazer conhecer a todos, até aos confins do mundo. Com frequência, vemos que a violência, a mentira, o erro é que são colocados em evidência e propostos. É urgente fazer resplandecer, no nosso tempo, a vida boa do Evangelho pelo anúncio e o testemunho, e isso dentro da Igreja. Porque, nesta perspetiva, é importante não esquecer jamais um princípio fundamental para todo o evangelizador: não se pode anunciar Cristo sem a Igreja. Evangelizar nunca é um acto isolado, individual, privado, mas sempre eclesial. Paulo VI escrevia que, «quando o mais obscuro dos pregadores, dos catequistas ou dos pastores, no rincão mais remoto, prega o Evangelho, reúne a sua pequena comunidade, ou administra um sacramento, mesmo sozinho, ele perfaz um acto de Igreja». Ele não age «por uma missão pessoal que se atribuísse a si próprio, ou por uma inspiração pessoal, mas em união com a missão da Igreja e em nome da mesma» (ibid., 60). E isto dá força à missão e faz sentir a cada missionário e evangelizador que nunca está sozinho, mas é parte de um único Corpo animado pelo Espírito Santo.
4. Na nossa época, a difusa mobilidade e a facilidade de comunicação através dos novos meios de comunicação social misturaram entre si os povos, os conhecimentos e as experiências. Por motivos de trabalho, há famílias inteiras que se deslocam de um continente para outro; os intercâmbios profissionais e culturais, assim como o turismo e fenómenos análogos impelem a um amplo movimento de pessoas. Às vezes, resulta difícil até mesmo para as comunidades paroquiais conhecer, de modo seguro e profundo, quem está de passagem ou quem vive estavelmente no território. Além disso, em áreas sempre mais amplas das regiões tradicionalmente cristãs, cresce o número daqueles que vivem alheios à fé, indiferentes à dimensão religiosa ou animados por outras crenças. Não raro, alguns batizados fazem opções de vida que os afastam da fé, tornando-os assim carecidos de uma «nova evangelização». A tudo isso se junta o facto de que larga parte da humanidade ainda não foi atingida pela Boa Nova de Jesus Cristo. Ademais vivemos num momento de crise que atinge vários setores da existência, e não apenas os da economia, das finanças, da segurança alimentar, do meio ambiente, mas também os do sentido profundo da vida e dos valores fundamentais que a animam. A própria convivência humana está marcada por tensões e conflitos, que provocam insegurança e dificultam o caminho para uma paz estável. Nesta complexa situação, onde o horizonte do presente e do futuro parecem atravessados por nuvens ameaçadoras, torna-se ainda mais urgente levar corajosamente a todas as realidades o Evangelho de Cristo, que é anúncio de esperança, de reconciliação, de comunhão, anúncio da proximidade de Deus, da sua misericórdia, da sua salvação, anúncio de que a força de amor de Deus é capaz de vencer as trevas do mal e guiar pelo caminho do bem. O homem do nosso tempo necessita de uma luz segura que ilumine a sua estrada e que só o encontro com Cristo lhe pode dar. Com o nosso testemunho de amor, levemos a este mundo a esperança que nos dá a fé! A missionariedade da Igreja não é proselitismo, mas testemunho de vida que ilumina o caminho, que traz esperança e amor. A Igreja – repito mais uma vez – não é uma organização assistencial, uma empresa, uma ONG, mas uma comunidade de pessoas, animadas pela ação do Espírito Santo, que viveram e vivem a maravilha do encontro com Jesus Cristo e desejam partilhar esta experiência de profunda alegria, partilhar a Mensagem de salvação que o Senhor nos trouxe. É justamente o Espírito Santo que guia a Igreja neste caminho.
5. Gostaria de encorajar a todos para que se façam portadores da Boa Nova de Cristo e agradeço, de modo especial, aos missionários e às missionárias, aos presbíteros «fidei donum», aos religiosos e às religiosas, aos fiéis leigos – cada vez mais numerosos – que, acolhendo a chamada do Senhor, deixaram a própria pátria para servir o Evangelho em terras e culturas diferentes. Mas queria também sublinhar como as próprias Igrejas jovens se estão empenhando generosamente no envio de missionários às Igrejas que se encontram em dificuldade – não raro Igrejas de antiga cristandade – levando assim o vigor e o entusiasmo com que elas mesmas vivem a fé que renova a vida e dá esperança. Viver com este fôlego universal, respondendo ao mandato de Jesus «ide, pois, fazei discípulos de todos os povos» (Mt 28, 19), é uma riqueza para cada Igreja particular, para cada comunidade; e dar missionários nunca é uma perda, mas um ganho. Faço apelo, a todos aqueles que sentem esta chamada, para que correspondam generosamente à voz do Espírito, segundo o próprio estado de vida, e não tenham medo de ser generosos com o Senhor. Convido também os bispos, as famílias religiosas, as comunidades e todas as agregações cristãs a apoiarem, com perspicácia e cuidadoso discernimento, a vocação missionária «ad gentes» e a ajudarem as Igrejas que precisam de sacerdotes, de religiosos e religiosas e de leigos para revigorar a comunidade cristã. E a mesma atenção deveria estar presente entre as Igrejas que fazem parte de uma Conferência Episcopal ou de uma Região: é importante que as Igrejas mais ricas de vocações ajudem, com generosidade, aquelas que padecem a sua escassez.
Ao mesmo tempo exorto os missionários e as missionárias, especialmente os presbíteros «fidei donum» e os leigos, a viverem com alegria o seu precioso serviço nas Igrejas aonde foram enviados e a levarem a sua alegria e esperança às Igrejas donde provêm, recordando como Paulo e Barnabé, no final da sua primeira viagem missionária, «contaram tudo o que Deus fizera com eles e como abrira aos pagãos a porta da fé» (Act 14, 27). Eles podem assim tornar-se caminho para uma espécie de «restituição» da fé, levando o vigor das Igrejas jovens às Igrejas de antiga cristandade a fim de que estas reencontrem o entusiasmo e a alegria de partilhar a fé, numa permuta que é enriquecimento recíproco no caminho de seguimento do Senhor.
A solicitude por todas as Igrejas, que o Bispo de Roma partilha com os irmãos Bispos, encontra uma importante aplicação no empenho das Obras Missionárias Pontifícias, cuja finalidade é animar e aprofundar a consciência missionária de cada batizado e de cada comunidade, seja apelando à necessidade de uma formação missionária mais profunda de todo o Povo de Deus, seja alimentando a sensibilidade das comunidades cristãs para darem a sua ajuda a favor da difusão do Evangelho no mundo.
Por fim, o meu pensamento vai para os cristãos que, em várias partes do mundo, encontram dificuldade em professar abertamente a própria fé e ver reconhecido o direito a vivê-la dignamente. São nossos irmãos e irmãs, testemunhas corajosas – ainda mais numerosas do que os mártires nos primeiros séculos – que suportam com perseverança apostólica as várias formas actuais de perseguição. Não poucos arriscam a própria vida para permanecer fiéis ao Evangelho de Cristo. Desejo assegurar que estou unido, pela oração, às pessoas, às famílias e às comunidades que sofrem violência e intolerância, e repito-lhes as palavras consoladoras de Jesus: «Tende confiança, Eu já venci o mundo» (Jo 16, 33).
Bento XVI exortava: «Que “a Palavra do Senhor avance e seja glorificada” (2 Ts 3, 1)! Possa este Ano da Fé tornar cada vez mais firme a relação com Cristo Senhor, dado que só n’Ele temos a certeza para olhar o futuro e a garantia dum amor autêntico e duradouro» (Carta ap. Porta fidei, 15). Tais são os meus votos para o Dia Mundial das Missões deste ano. Abençoo de todo o coração os missionários e as missionárias e todos aqueles que acompanham e apoiam este compromisso fundamental da Igreja para que o anúncio do Evangelho possa ressoar em todos os cantos da terra e nós, ministros do Evangelho e missionários, possamos experimentar «a suave e reconfortante alegria de evangelizar» (Paulo VI, Exort. ap. Evangelii nuntiandi, 80).

Vaticano, 19 de maio de 2013 — Solenidade de Pentecostes

Outubro Missionário 2013 — Dia Mundial das Missões
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 1.10.13 | Sem comentários
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