Carta encíclica sobre a fé [41]


A transmissão da fé verifica-se, em primeiro lugar, através do Batismo. Poderia parecer que este sacramento fosse apenas um modo para simbolizar a confissão de fé, um ato pedagógico para quem precise de imagens e gestos, e do qual seria possível fundamentalmente prescindir. Mas não é assim, como no-lo recorda uma palavra de São Paulo: «Pelo Batismo fomos sepultados com Cristo na morte, para que, tal como Cristo foi ressuscitado de entre os mortos pela glória do Pai, também nós caminhemos numa vida nova» (Romanos 6, 4); nele, tornamo-nos nova criatura e filhos adotivos de Deus. E mais adiante o Apóstolo diz que o cristão foi confiado a uma «forma de ensino» («typos didachés»), a que obedece de coração (cf. Romanos 6, 17): no Batismo, o ser humano recebe também uma doutrina que deve professar e uma forma concreta de vida que requer o envolvimento de toda a sua pessoa, encaminhando-a para o bem; é transferido para um novo âmbito, confiado a um novo ambiente, a uma nova maneira comum de agir, na Igreja. Deste modo, o Batismo recorda-nos que a fé não é obra do indivíduo isolado, não é um ato que o ser humano possa realizar contando apenas com as próprias forças, mas tem de ser recebida, entrando na comunhão eclesial que transmite o dom de Deus: ninguém se batiza a si mesmo, tal como ninguém vem sozinho à existência. Fomos batizados.

A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»]
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Refletir... saborear

  • O Batismo é um meio de transmissão da fé
  • O Batismo não é apenas um modo de simbolizar a confissão da fé
  • O Batismo não é apenas um ato pedagógico
  • Pelo Batismo, tornamo-nos novas criaturas
  • Pelo Batismo, tornamo-nos filhos adotivos de Deus
  • No Batismo, recebemos uma doutrina 
  • No Batismo, recebemos uma forma concreta de vida
  • No Batismo, está envolvida a totalidade da pessoa
  • Pelo Batismo, somos introduzidos num novo ambiente
  • Pelo Batismo, somos introduzidos numa nova maneira comum de agir
  • Pelo Batismo, tornamo-nos membros da Igreja
  • O Batismo recorda que a fé não é um ato isolado
  • O Batismo recorda que a fé  é recebida na comunhão eclesial
  • Ninguém se batiza a si mesmo
  • Que importância tem a celebração do Batismo?
  • O que acontece, no indivíduo, pelo Batismo?
  • O Batismo interfere na vida, na maneira de viver?
  • Que relação existe entre o Batismo e a Igreja?
  • É possível dizer que a fé como um ato isolado, apenas pessoal?
© Laboratório da fé, 2013

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Papa Francisco, Carta Encíclica sobre a fé (Lumen Fidei — A luz da fé)
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 21.9.13 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGOvigésimo quinto domingo

22 DE SETEMBRO DE 2013

Evangelho segundo Lucas 16, 1-13

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Um homem rico tinha um administrador, que foi denunciado por andar a desperdiçar os seus bens. Mandou chamá-lo e disse-lhe: ‘Que é isto que ouço dizer de ti? Presta contas da tua administração, porque já não podes continuar a administrar’. O administrador disse consigo: ‘Que hei-de fazer, agora que o meu senhor me vai tirar a administração? Para cavar não tenho força, de mendigar tenho vergonha. Já sei o que hei-de fazer, para que, ao ser despedido da administração, alguém me receba em sua casa’. Mandou chamar um por um os devedores do seu senhor e disse ao primeiro: ‘Quanto deves ao meu senhor?’. Ele respondeu: ‘Cem talhas de azeite’. O administrador disse-lhe: ‘Toma a tua conta: senta-te depressa e escreve cinquenta’. A seguir disse a outro: ‘E tu quanto deves?’. Ele respondeu: ‘Cem medidas de trigo’. Disse-lhe o administrador: ‘Toma a tua conta e escreve oitenta’. E o senhor elogiou o administrador desonesto, por ter procedido com esperteza. De facto, os filhos deste mundo são mais espertos do que os filhos da luz, no trato com os seus semelhantes. Ora Eu digo-vos: Arranjai amigos com o vil dinheiro, para que, quando este vier a faltar, eles vos recebam nas moradas eternas. Quem é fiel nas coisas pequenas também é fiel nas grandes; e quem é injusto nas coisas pequenas também é injusto nas grandes. Se não fostes fiéis no que se refere ao vil dinheiro, quem vos confiará o verdadeiro bem? E se não fostes fiéis no bem alheio, quem vos entregará o que é vosso? Nenhum servo pode servir a dois senhores, porque, ou não gosta de um deles e estima o outro, ou se dedica a um e despreza o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro».



Não podeis servir a Deus e ao dinheiro

Continua o caminho para Jerusalém. Jesus, próximo da paixão, continua a educar os seus discípulos. Lucas dedica o capítulo 16, cuja primeira parte corresponde ao evangelho do vigésimo quinto domingo (Ano C), a um dos seus temas prediletos: a atitude cristã perante a riqueza. Os bens de que dispomos neste mundo pertencem a Deus. Ele coloca-os nas nossas mãos para os administrarmos, não só em proveito próprio, mas também em favor dos pobres e necessitados.
O fragmento de Lucas (16, 1-13) é composto por três unidades: a parábola do administrador desonesto (versículo 1-9); uma exortação a administrar fielmente os bens recebidos (versículos 10-12); um aviso sobre a incompatibilidade entre servir ao único Deus e servir ao deus dinheiro (versículo 13).
Um administrador socialmente destruído tenta um último recurso: procurar devedores de gratidão tornando-os solidários na fraude. O seu gesto é típico dos «filhos deste mundo». Resultado: foi despedido como infiel, mas louvado pela sua «astúcia». Lição: assim também os crentes devem ser amigos dos bens deste mundo, pondo-os ao serviço dos outros (versículo 9).
Três sentenças paralelas (versículos 10-12) afirmam que a fidelidade ao grande mostra-se na fidelidade ao pequeno. Isto é, quem é fiel no simples, também o será no importante. Jesus aplica este princípio à fidelidade em administrar os bens temporais (o simples) em favor dos necessitados tal como o exige o Evangelho (o importante).
Ninguém pode servir a Deus e ao dinheiro (versículo 13), pois os dois serviços regem-se por uma lógica diferente e oposta. Por um lado, está a lógica do amor, da fraternidade e da generosidade; por outro, está a lógica do proveito, da competição e do possuir.

© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor



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Preparar o vigésimo quinto domingo, ano C, no Laboratório da fé
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 20.9.13 | Sem comentários

Carta encíclica sobre a fé [40]


Como sucede em cada família, a Igreja transmite aos seus filhos o conteúdo da sua memória. Como se deve fazer esta transmissão de modo que nada se perca, mas antes que tudo se aprofunde cada vez mais na herança da fé? É através da Tradição Apostólica, conservada na Igreja com a assistência do Espírito Santo, que temos contacto vivo com a memória fundadora. E aquilo que foi transmitido pelos Apóstolos, como afirma o II Concílio Ecuménico do Vaticano, «abrange tudo quanto contribui para a vida santa do Povo de Deus e para o aumento da sua fé; e assim a Igreja, na sua doutrina, vida e culto, perpetua e transmite a todas as gerações tudo aquilo que ela é e tudo quanto acredita» [35].
De facto, a fé tem necessidade de um âmbito onde se possa testemunhar e comunicar, e que o mesmo seja adequado e proporcionado ao que se comunica. Para transmitir um conteúdo meramente doutrinal, uma ideia, talvez bastasse um livro ou a repetição de uma mensagem oral; mas aquilo que se comunica na Igreja, o que se transmite na sua Tradição viva é a luz nova que nasce do encontro com o Deus vivo, uma luz que toca a pessoa no seu íntimo, no coração, envolvendo a sua mente, vontade e afetividade, abrindo-a a relações vivas na comunhão com Deus e com os outros. Para se transmitir tal plenitude, existe um meio especial que põe em jogo a pessoa inteira: corpo e espírito, interioridade e relações. Este meio são os sacramentos celebrados na liturgia da Igreja: neles, comunica-se uma memória encarnada, ligada aos lugares e épocas da vida, associada com todos os sentidos; neles, a pessoa é envolvida, como membro de um sujeito vivo, num tecido de relações comunitárias. Por isso, se é verdade que os sacramentos são os sacramentos da fé [36], há que afirmar também que a fé tem uma estrutura sacramental; o despertar da fé passa pelo despertar de um novo sentido sacramental na vida do ser humano e na existência cristã, mostrando como o visível e o material se abrem para o mistério do eterno.

[35] Const. dogm. sobre a divina Revelação Dei Verbum, 8
[36] Cf. Conc. Ecum. Vat. II, Const. sobre a sagrada Liturgia Sacrosanctum Concilium, 59

A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»]
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Refletir... saborear

  • A Igreja transmite aos seus filhos o conteúdo da sua memória
  • A transmissão na Igreja é feita através da Tradição Apostólica
  • A Tradição Apostólica faz-nos entrar em contacto vivo com a memória fundadora
  • A Igreja transmite tudo o que é e tudo em que acredita
  • A fé tem necessidade de um âmbito onde se possa testemunhar
  • A fé tem necessidade de um âmbito onde se possa comunicar
  • A Igreja transmite a luz nova que nasce do encontro com o Deus vivo
  • A Igreja transmite uma luz que toca a pessoa no seu íntimo, no seu coração
  • A Igreja transmite uma luz que envolve a mente
  • A Igreja transmite uma luz que envolve a vontade
  • A Igreja transmite uma luz que envolve a afetividade
  • A Igreja transmite uma luz que abre a relações vivas na comunhão com Deus e com os outros
  • Os sacramentos são o meio especial de transmissão que põe em jogo a totalidade da pessoa
  • Os sacramentos comunicam uma memória encarnada
  • Os sacramentos estão associados a todos os sentidos
  • Os sacramentos envolvem o indivíduo num tecido de relações comunitárias
  • Os sacramentos são «sacramentos da fé»
  • A fé tem uma estrutura sacramental
  • Como é que a Igreja transmite o conteúdo da sua memória?
  • O que é que a Igreja transmite aos seus filhos?
  • A fé precisa de ser testemunhada e comunicada?
  • O que são os sacramentos?
  • Há relação entre sacramentos e fé?
© Laboratório da fé, 2013

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Papa Francisco, Carta Encíclica sobre a fé (Lumen Fidei — A luz da fé)
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 20.9.13 | Sem comentários
La Biblia compartida — blogue de Javier Velasco-Arias y Quique Fernández

Tudo o que temos recebido é para usufruto, isto é, não me pertence. Administrá-lo em benefício próprio, mas, sobretudo, para o bem comum, é a tarefa que nos está confiada. «Não podeis servir a Deus e ao dinheiro» — é a máxima do evangelho do vigésimo quinto domingo (Ano C). Não se está a pedir para renunciarmos a tudo o que temos; somos convidados a não ser escravos do dinheiro. O dinheiro, queiramos ou não, é necessário para viver. Isto é uma realidade inevitável, mas não é preciso que o dinheiro seja uma prioridade na nossa vida: isso não! 
Não é lógico, nem humano, que uma quarta parte da população mundial possua três quartas partes da riqueza do mundo. Não é lógico, nem humano, que, nas nossas cidades, ao lado de uma luxo desmesurado, de um gasto sem medida, de uma vida de diversão, de viagens contínuas de prazer, etc., encontremos — quando não passamos ao lado ou «fechamos os olhos» — pessoas que dormem numa caixa de papelão na rua; indivíduos que se alimentam do que encontram nos contentores de lixo; próximos que não encontram trabalho, por muito que o procurem, porque são «ilegais» ou não nos agrada o seu aspeto; semelhantes de quem ninguém se ocupa nem preocupa. Não é lógico, nem humano, nem cristão, que todas estas coisas aconteçam e nós «passemos ao lado»: não é problema meu; são uns preguiçosos; gastam tudo em vinho e drogas; que voltem para a sua terra...

© Javier Velasco-Arias

© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
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Preparar o vigésimo quinto domingo, ano C, no Laboratório da fé
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 20.9.13 | Sem comentários

A porta da fé [6]


Estamos a dez semanas de concluir o Ano da Fé, que se iniciou em outubro de 2012 e terminará em novembro de 2013. Semanalmente, apresentamos um número da Carta Apostólica do papa Bento XVI com a qual proclamou o Ano da Fé — «A porta da fé» («Porta Fidei»). E juntamos uma proposta de reflexão elaborada por Pedro Jaramillo. O objetivo é dar um contributo para uma avaliação mais cuidada sobre a forma como estamos a viver o Ano da Fé. Bom proveito!

A renovação da Igreja realiza-se também através do testemunho prestado pela vida dos crentes: de facto, os cristãos são chamados a fazer brilhar, com a sua própria vida no mundo, a Palavra de verdade que o Senhor Jesus nos deixou. O próprio Concílio, na Constituição dogmática sobre a Igreja — «Lumen Gentium», afirma: «Enquanto Cristo 'santo, inocente, imaculado' (Hebreus 7, 26), não conheceu o pecado (cf. 2Coríntios 5, 21), mas veio apenas expiar os pecados do povo (cf. Hebreus 2, 17), a Igreja, contendo pecadores no seu próprio seio, simultaneamente santa e sempre necessitada de purificação, exercita continuamente a penitência e a renovação. A Igreja 'prossegue a sua peregrinação no meio das perseguições do mundo e das consolações de Deus', anunciando a cruz e a morte do Senhor até que Ele venha (cf. 1Coríntios 11, 26). Mas é robustecida pela força do Senhor ressuscitado, de modo a vencer, pela paciência e pela caridade, as suas aflições e dificuldades tanto internas como externas, e a revelar, velada mas fielmente, o seu mistério, até que por fim se manifeste em plena luz» [11].
Nesta perspetiva, o Ano da Fé é convite para uma autêntica e renovada conversão ao Senhor, único Salvador do mundo. No mistério da sua morte e ressurreição, Deus revelou plenamente o Amor que salva e chama os humanos à conversão de vida por meio da remissão dos pecados (cf. Atos dos Apóstolos 5, 31). Para o apóstolo Paulo, este amor introduz o homem numa vida nova: «Pelo Batismo fomos sepultados com Ele na morte, para que, tal como Cristo foi ressuscitado de entre os mortos pela glória do Pai, também nós caminhemos numa vida nova» (Romanos 6, 4). Em virtude da fé, esta vida nova plasma toda a existência humana segundo a novidade radical da ressurreição. Na medida da sua livre disponibilidade, os pensamentos e os afetos, a mentalidade e o comportamento do ser humano vão sendo pouco a pouco purificados e transformados, ao longo de um itinerário jamais completamente terminado nesta vida. A «fé, que atua pelo amor» (Gálatas 5, 6), torna-se um novo critério de entendimento e de ação, que muda toda a vida do ser humano (cf. Romanos 12, 2; Colossenses 3, 9-10; Efésios 4, 20-29; 2Coríntios 5, 17).

[11] Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. sobre a Igreja Lumen gentium, 8

A porta da fé [Carta Apostólica para o Ano da Fé - «Porta Fidei»]

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Aspetos que se podem sublinhar

  • Este número orienta-se muito claramente para a «conversão pastoral», a renovação da Igreja, que se fundamenta no testemunho oferecido pela vida dos crentes (conversão pessoal).
  • A Igreja é santa, mas também sempre necessitada de purificação, pelo que procura sempre a sua conversão e renovação...
  • A Igreja, enquanto peregrina, dá a conhecer Jesus, às vezes, entre sombras, mas com a fidelidade que conduz à plena manifestação da luz.
  • O Ano da Fé converte-se, assim, num «convite para uma autêntica e renovada conversão ao Senhor, único Salvador do mundo».
  • O amor salvador que recebemos conduz-nos a uma vida nova, plasmada na ressurreição. Mas, até chegar à ressurreição, vai progressivamente transformando e renovando os pensamentos, os afetos, a mentalidade e os comportamentos do ser humano.
  • A «fé, que atua pelo amor» converte-se num novo critério de pensamento e de ação, que muda toda a vida do ser humano.

Interiorizando

  • Examino a minha disponibilidade concreta para a conversão, tanto pessoal como pastoral. Com a graça de Cristo, opto pela mudança de tudo aquilo que, pessoalmente, me afasta dele e dos irmãos; e pela mudança dos «modelos pastorais» que não provocam a adesão à fé em Jesus. Todos precisamos de uma conversão pessoal e pastoral, que implica uma escuta atenta e o discernimento daquilo que o Espírito diz às Igrejas, através dos sinais dos tempos. Se a Igreja, que é santa, necessita de purificação constante, quando mais a minha paróquia ou movimento! Pertencemos a uma Igreja peregrina e, com ela, fazemos caminho; ainda não chegamos à meta.

  • Examino se estou a viver o Ano da Fé apenas a pensar nas «verdades a estudar» ou também na conversão da vida pessoal e pastoral. A mudança desafiada pela fé é profunda: um novo critério de pensamento e de ação. É aí que se encontra a coerência entre a fé e a vida. Acreditar é um «ato unitário»: não posso acreditar por um lado e viver ao contrário. Não podemos ter dois níveis na construção da nossa vida: um nível para viver (como todos os outros) e outro nível para acreditar.

© Pedro Jaramillo
© Tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013

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Bento XVI, Carta Apostólica «A porta da fé»
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 19.9.13 | Sem comentários

Carta encíclica sobre a fé [39]


É impossível acreditar sozinhos. A fé não é só uma opção individual que se realiza na interioridade do crente, não é uma relação isolada entre o «eu» do fiel e o «Tu» divino, entre o sujeito autónomo e Deus; mas, por sua natureza, abre-se ao «nós», verifica-se sempre dentro da comunhão da Igreja. Assim no-lo recorda a forma dialogada do Credo, que se usa na liturgia batismal. O crer exprime-se como resposta a um convite, a uma palavra que não provém de mim, mas deve ser escutada; por isso, insere-se no interior de um diálogo, não pode ser uma mera confissão que nasce do indivíduo: só é possível responder «creio» em primeira pessoa, porque se pertence a uma comunhão grande, dizendo também «cremos». Esta abertura ao «nós» eclesial realiza-se de acordo com a abertura própria do amor de Deus, que não é apenas relação entre o Pai e o Filho, entre «eu» e «tu», mas, no Espírito, é também um «nós», uma comunhão de pessoas. Por isso mesmo, quem crê nunca está sozinho; e, pela mesma razão, a fé tende a difundir-se, a convidar outros para a sua alegria. Quem recebe a fé, descobre que os espaços do próprio «eu» se alargam, gerando-se nele novas relações que enriquecem a vida. Assim o exprimiu vigorosamente Tertuliano ao dizer do catecúmeno que, tendo sido recebido numa nova família «depois do banho do novo nascimento», é acolhido na casa da Mãe para erguer as mãos e rezar, juntamente com os irmãos, o Pai Nosso [34].

[34] Cf. De Baptismo, 20, 5: CCL 1, 295

A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»]
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  • É impossível acreditar sozinhos
  • A fé não é só uma opção individual
  • A fé não é uma relação isolada entre o «eu» e o «Tu»
  • A fé abre-se ao «nós», na comunhão da Igreja
  • O crer exprime-se como resposta a um convite
  • O crer não pode ser uma mera confissão que nasce do indivíduo
  • O crer insere-se no interior de um diálogo
  • Só é possível dizer «creio» inserido num «cremos»
  • Deus é relação pessoal, um «nós»
  • A fé tende a difundir-se
  • A fé tende a convidar outros para a sua alegria
  • A fé alarga os horizontes individuais
  • A fé gera novas relações que enriquecem a vida
  • É impossível acreditar sozinhos?
  • Que sentido tem dizer: «eu tenho a minha fé»?
  • Pode-se viver a fé apenas numa relação individual com Deus?
  • É possível dizer «creio» (individual) sem estar inserido num «cremos» (comum)?
  • A fé isola o indivíduo ou abre horizontes?
© Laboratório da fé, 2013

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Papa Francisco, Carta Encíclica sobre a fé (Lumen Fidei — A luz da fé)
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 19.9.13 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGOvigésimo quinto domingo


FOGO: acende o lume (isqueiro, lareira, fogão...) e contempla a chama que, ao mesmo tempo, inunda a casa e tudo aquece ou é extinto pelo sopro, queima a pele ou aquece o corpo... Jesus veio trazer um fogo à terra e deseja que tudo seja envolvido por esse fogo. Depois, mantém as mãos abertas para pedir o fogo.

Em casa
Toma uma bela caixa ou outra coisa que possa servir de mealheiro ao longo da semana. Pensemos em tudo o que pode ser uma má tentação para servir o mestre dinheiro. Por exemplo, para aqueles que estão sempre atentos ao curso das ações na bolsa: tréguas, nesta semana. Para aqueles que são tentados a jogar a qualquer aposta em dinheiro: tréguas, igualmente. Para aqueles que compram revistas de divertimento, sempre tréguas... Cada um sabe o supérfluo de que pode abdicar. Coloquemos, diariamente, uma moeda no nosso mealheiro e, no final da semana, podemos, por exemplo, oferecer a pessoas que não podem ter uma revista de oração ou então fazer uma doação... Que a criatividade esteja em ação!
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013



imagem de satélite do planeta terra, globo terrestre
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 18.9.13 | Sem comentários

Carta encíclica sobre a fé [38]


A transmissão da fé, que brilha para as pessoas de todos os lugares, passa também através do eixo do tempo, de geração em geração. Dado que a fé nasce de um encontro que acontece na história e ilumina o nosso caminho no tempo, a mesma deve ser transmitida ao longo dos séculos. É através de uma cadeia ininterrupta de testemunhos que nos chega o rosto de Jesus. Como é possível isto? Como se pode estar seguro de beber no «verdadeiro Jesus» através dos séculos? Se o ser humano fosse um indivíduo isolado, se quiséssemos partir apenas do «eu» individual, que pretende encontrar em si mesmo a firmeza do seu conhecimento, tal certeza seria impossível; não posso, por mim mesmo, ver aquilo que aconteceu numa época tão distante de mim. Mas, esta não é a única maneira de o ser humano conhecer; a pessoa vive sempre em relação: provém de outros, pertence a outros, a sua vida torna-se maior no encontro com os outros; o próprio conhecimento e consciência de nós mesmos são de tipo relacional e estão ligados a outros que nos precederam, a começar pelos nossos pais que nos deram a vida e o nome. A própria linguagem, as palavras com que interpretamos a nossa vida e a realidade inteira chegam-nos através dos outros, conservadas na memória viva de outros; o conhecimento de nós mesmos só é possível quando participamos duma memória mais ampla. O mesmo acontece com a fé, que leva à plenitude o modo humano de entender: o passado da fé, aquele ato de amor de Jesus que gerou no mundo uma vida nova, chega até nós na memória de outros, das testemunhas, guardado vivo naquele sujeito único de memória que é a Igreja; esta é uma Mãe que nos ensina a falar a linguagem da fé. São João insistiu sobre este aspecto no seu Evangelho, unindo conjuntamente fé e memória e associando as duas à ação do Espírito Santo que, como diz Jesus, «há de recordar-vos tudo» (João 14, 26). O Amor, que é o Espírito e que habita na Igreja, mantém unidos entre si todos os tempos e faz-nos contemporâneos de Jesus, tornando-Se assim o guia do nosso caminho na fé.

A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»]
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Refletir... saborear

  • A transmissão da fé brilha para as pessoas de todos os lugares
  • A transmissão da fé passa de geração em geração
  • O rosto de Jesus Cristo chega até nós através de uma cadeia ininterrupta de testemunhos
  • A pessoa vive sempre em relação
  • A vida torna-se maior no encontro com os outros
  • O conhecimento tem uma dimensão relacional
  • A linguagem chega-nos através dos outros
  • O conhecimento de nós mesmos só é possível numa memória mais ampla
  • O passado da fé chega até nós na memória dos outros, das testemunhas
  • O passado da fé é guardado na memória da Igreja
  • A Igreja é uma Mãe que nos ensina a falar a linguagem da fé
  • A fé e a memória estão associadas à ação do Espírito Santo
  • O Espírito Santo faz-nos contemporâneos de Jesus Cristo
  • Como se dá a transmissão da fé?
  • Qual a importância da relação na transmissão da fé?
  • Que missão tem a Igreja na transmissão da fé?
  • Que ligação existe entre fé, memória e Espírito Santo?
© Laboratório da fé, 2013

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Papa Francisco, Carta Encíclica sobre a fé (Lumen Fidei — A luz da fé)
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 18.9.13 | Sem comentários
Encuentros con la Palabra — blogue de Hermann Rodríguez Osorio

Quando o João, no primeiro dia de cada mês, recebeu o seu salário, em dinheiro, como sempre fez, contou cuidadosamente as notas, uma a uma, arregalando os olhos e molhando o dedo com saliva para separar as notas. Ficou surpreendido ao perceber que lhe tinham dado mais 50 euros do que o habitual. Olhou à sua volta para ver se alguém tinha reparado, assinou rapidamente o recibo, guardou o dinheiro no bolso e saiu dali com a maior rapidez e discrição possíveis, controlando, com esforço, o seu desejo de saltar de alegria. Tudo ficou assim. No primeiro dia do mês seguinte, foi para a fila e estendeu a mão para receber o pagamento. Repetiu-se a rotina; e, ao contar as notas, notou que faltavam 50 euros. Levantou a cabeça e cravou o olhar no administrador; muito sério, disse-lhe: — «Senhor, desculpe, mas faltam 50 euros». O administrador respondeu-lhe: — «Não se lembra que, no mês passado, lhe demos 50 euros a mais e você não disse nada?». — «Sim, claro — contestou João com segurança —, é que um erro pode-se perdoar, mas dois é demais».
Esta cena, pouco comum, veio-me à memória ao ler o texto evangélico do vigésimo quinto domingo (Ano C): «Os filhos deste mundo são mais espertos do que os filhos da luz, no trato com os seus semelhantes». Esta é a conclusão tirada por Jesus Cristo, depois de ter contado a história do administrador que estava a desbaratar os bens do seu senhor. E mais adiante dirá: «Quem é fiel nas coisas pequenas também é fiel nas grandes; e quem é injusto nas coisas pequenas também é injusto nas grandes». A honestidade é uma virtude que apreciamos muito nos outros, mas nem sempre sabemos praticar nas nossas próprias vidas. Apercebemo-nos facilmente quando os outros não se comportam como deviam, mas não somos capazes de reconhecer as nossas próprias incoerências. Já dizia o Senhor que temos uma capacidade infinita de reconhecer o argueiro que está no olho do nosso vizinho, mas não somos capazes de ver a trave que temos no nosso (cf. Mateus 7, 3-5; Lucas 6, 41-42). Somos assim, embora nos custe reconhecê-lo.
Mas a coisa não fica por aqui. O que o Senhor quer ensinar-nos com esta história é que temos que utilizar adequadamente os bens deste mundo, para alcançar uma vida plena: «Se não fostes fiéis no que se refere ao vil dinheiro, quem vos confiará o verdadeiro bem? E se não fostes fiéis no bem alheio, quem vos entregará o que é vosso?». Neste sentido, não podemos esquecer que os bens deste mundo são apenas um meio para alcançar a vida verdadeira que nos aponta o sumo e verdadeiro capitão, de que fala Santo Inácio numa das meditações mais conhecidas dos «Exercícios Espirituais» (cf. EE 139).
«Nenhum servo pode servir a dois senhores, porque, ou não gosta de um deles e estima o outro, ou se dedica a um e despreza o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro» — dirá o Senhor mais adiante. Valeria a pena perguntar-nos se temos o nosso coração dividido entre o serviço a Deus e o serviço que prestamos aos bens. Se nos servimos das riquezas para construir essa vida verdadeira à qual somos chamados por Deus ou se somos como o homem da história, que cala ou reclama, conforme o que mais lhe convém...

© Hermann Rodríguez Osorio, SJ

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Preparar o vigésimo quinto domingo, ano C, no Laboratório da fé
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 18.9.13 | Sem comentários

Carta encíclica sobre a fé [37]


Quem se abriu ao amor de Deus, acolheu a sua voz e recebeu a sua luz, não pode guardar este dom para si mesmo. Uma vez que é escuta e visão, a fé transmite-se também como palavra e como luz; dirigindo-se aos Coríntios, o apóstolo Paulo utiliza precisamente estas duas imagens. Por um lado, diz: «Animados do mesmo espírito de fé, conforme o que está escrito: Acreditei e por isso falei, também nós acreditamos e por isso falamos» (2Coríntios 4, 13); a palavra recebida faz-se resposta, confissão, e assim ecoa para os outros, convidando-os a crer. Por outro, São Paulo refere-se também à luz: «E nós todos que, com o rosto descoberto, reflectimos a glória do Senhor, somos transfigurados na sua própria imagem» (2Coríntios 3, 18); é uma luz que se reflete de rosto em rosto, como sucedeu com Moisés cujo rosto refletia a glória de Deus depois de ter falado com Ele: «[Deus] brilhou nos nossos corações, para irradiar o conhecimento da glória de Deus, que resplandece na face de Cristo» (2Coríntios 4, 6). A luz de Jesus brilha no rosto dos cristãos como num espelho, e assim se difunde chegando até nós, para que também nós possamos participar desta visão e refletir para outros a sua luz, da mesma forma que a luz do círio, na liturgia de Páscoa, acende muitas outras velas. A fé transmite-se por assim dizer sob a forma de contacto, de pessoa a pessoa, como uma chama se acende noutra chama. Os cristãos, na sua pobreza, lançam uma semente tão fecunda que se torna uma grande árvore, capaz de encher o mundo de frutos.

A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»]
A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»] — pdf

  • A luz da fé — números publicados no Laboratório da fé > > >



Refletir... saborear

  • O dom de Deus (fé) precisa de ser partilhado
  • A fé transmite-se como palavra: faz-se resposta que ecoa para os outros
  • A fé transmite-se como luz: reflete-se de rosto em rosto
  • A luz de Jesus Cristo brilha no rosto dos cristãos como num espelho
  • A luz de Jesus Cristo reflete-se de geração em geração
  • A fé transmite-se sob a forma de contacto (pessoa a pessoa)
  • A fé transmite-se como a luz do Círio Pascal que acende outras velas
  • Porque é que a fé, dom de Deus, precisa de ser partilhado?
  • Quais são as imagens que ilustram a transmissão da fé?
  • Como é que chega até nós a luz de Jesus Cristo?
© Laboratório da fé, 2013

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Papa Francisco, Carta Encíclica sobre a fé (Lumen Fidei — A luz da fé)
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 17.9.13 | Sem comentários
Ao ritmo da liturgia


Vigésima quarta semana


Há que sair, ir à procura; embora a «perdição» nos repugne

Há muitos «perdidos» (drogados, mendigos, violentos) que ficam para trás. Então, é melhor ficar em casa, com os mesmos de sempre, com os do costume, com os «cumpridores» que não nos causam problemas? Não. O pai misericordioso não pensa assim. Nem o pastor que perde a ovelha. Nem a mulher que perde a moeda de prata. Há que sair, ir há procura; embora a «perdição» nos repugne.
Mas a necessidade de sair não é, à partida, para fazer prosélitos; nem para sermos muitos. Saímos, porque acreditamos que o bom contagia por si mesmo; e porque a condição essencial para respirar em nossa casa um ambiente cristão é partilhar a vida com os outros. A nossa felicidade é contagiante.
De facto, para anunciar o Evangelho é preciso conviver com os «pecadores». Não basta fazer-lhes uma visita rápida ou ficar do lado de fora. Jesus Cristo comia com eles, sentava-se com eles à mesa. O gesto mais provocador e escandaloso de Jesus Cristo foi, sem dúvida, a sua forma de ir ao encontro, de acolher com simpatia especial os «pecadores». E, nós, o que temos para oferecer aos «perdidos» da nossa comunidade?
«Converter» não é tarefa fácil. E mais difícil ainda é conseguir que os «convertidos» perseverem, não abandonem a «casa». Mas o argumento é sempre o mesmo: preocupamo-nos com a felicidade dos outros e não podemos tolerar um ambiente de morte à nossa volta. Por isso, continuamos a sair e a ir à procura...
Não estamos obcecados com o pecado! Estamos, sim, obcecados com a felicidade de todos os seres humanos. A nossa tarefa é anunciar a redenção, é testemunhar um amor que salva e dá vida. Por isso, continuamos a sair e a ir à procura...
Bem, e nunca esqueçamos que nós, «pródigos», perdidos, também somos acolhidos e perdoados diariamente. Os «perdidos» não são sempre os outros! Reconhecer as nossas misérias faz de nós ainda mais misericordiosos.
Em lugar de um Deus justiceiro e castigador, Jesus Cristo apresenta um Deus que se alegra (DOMINGO: «Alegrai-vos comigo, porque encontrei...») mais pela conversão de um só pecador, do que por noventa e nove justos que não precisam de mudar nada na sua vida.
Deus é um Pai amoroso que acolhe todas as pessoas, a começar por aqueles que pensam que são «indignos» (SEGUNDA: «Não mereço que entres em minha casa»). Deus é um pai «louco de amor» (TERÇA: «Compadeceu-Se») por cada um de nós; mesmo que sejamos maus filhos, mesmo que nos custe aceitar o outro como irmão, porque é diferente, porque não é dos nossos, porque não é dos «bons»...
Deus é um Pai que nos devolve a dignidade de «filhos de Deus», por muito que a tenhamos desbaratado (QUARTA: «A quem hei-de comparar os homens desta geração?»); que está sempre à nossa espera com os braços abertos, que faz uma festa esplêndida quando voltamos, sem ter em conta o que fizemos (QUINTA: «Uma pecadora que vivia na cidade»), por mais grave que seja, por muito que se tenha sentido — com motivo — desprezado por mim e pela minha conduta. O que conta é o regresso (SEXTA: «Anunciar a boa nova»). A alegria imensa é voltar a encontrar o filho, a filha, que se tinham perdido (SÁBADO: «Não são os que têm saúde que precisam do médico, mas sim os doentes»).

Nesta semana, há uma pergunta que não posso ignorar: Em que momentos da minha vida sinto que o encontro com Deus é motivo de alegria? Deus vem ao meu encontro, para vencer a minha tristeza e me abrir a um horizonte de alegria e de amor. Sem esquecer que a eucaristia dominical é a grande festa dos cristãos!

A elaboração deste texto foi inspirada na obra de José Luis Cortés, El ciclo C, Herder Editorial e nos textos publicados neste «Laboratório da fé» a propósito do vigésimo quarto domingo

© Laboratório da fé, 2013

Vigésima quarta semana, no Laboratório da fé, 2013

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 16.9.13 | Sem comentários

Carta encíclica sobre a fé [36]


Como luz que é, a fé convida-nos a penetrar nela, a explorar sempre mais o horizonte que ilumina, para conhecer melhor o que amamos. Deste desejo nasce a teologia cristã; assim, é claro que a teologia é impossível sem a fé e pertence ao próprio movimento da fé, que procura a compreensão mais profunda da auto-revelação de Deus, culminada no Mistério de Cristo. A primeira consequência é que, na teologia, não se verifica apenas um esforço da razão para perscrutar e conhecer, como nas ciências experimentais. Deus não pode ser reduzido a objeto; Ele é Sujeito que Se dá a conhecer e manifesta na relação pessoa a pessoa. A fé reta orienta a razão para se abrir à luz que vem de Deus, a fim de que ela, guiada pelo amor à verdade, possa conhecer Deus de forma mais profunda. Os grandes doutores e teólogos medievais declararam que a teologia, enquanto ciência da fé, é uma participação no conhecimento que Deus tem de Si mesmo. Por isso, a teologia não é apenas palavra sobre Deus, mas, antes de tudo, acolhimento e busca de uma compreensão mais profunda da palavra que Deus nos dirige: palavra que Deus pronuncia sobre Si mesmo, porque é um diálogo eterno de comunhão, no âmbito do qual é admitido o ser humano [33]. Assim, é própria da teologia a humildade, que se deixa «tocar» por Deus, reconhece os seus limites face ao Mistério e se encoraja a explorar, com a disciplina própria da razão, as riquezas insondáveis deste Mistério.
Além disso, a teologia partilha a forma eclesial da fé; a sua luz é a luz do sujeito crente que é a Igreja. Isto implica, por um lado, que a teologia esteja ao serviço da fé dos cristãos, vise humildemente preservar e aprofundar o crer de todos, sobretudo dos mais simples; e por outro, dado que vive da fé, a teologia não considera o magistério do Papa e dos Bispos em comunhão com ele como algo de extrínseco, um limite à sua liberdade, mas, pelo contrário, como um dos seus momentos internos constitutivos, enquanto o magistério assegura o contacto com a fonte originária, oferecendo assim a certeza de beber na Palavra de Cristo em toda a sua integridade.

[33] Cf. Boaventura, Breviloquium, Prol.: Opera Omnia, V (Quaracchi 1891), 201; In I librum sententiarum, Proem., q. 1, resp.: Opera Omnia, I (Quaracchi 1891), 7; Tomásde Aquino, Summa theologiae, I, q. 1

A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»]
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Refletir... saborear

  • A luz da fé convida-nos a penetrar nela
  • A luz da fé convida-nos a explorar sempre mais o horizonte que ilumina
  • A luz da fé ajuda-nos a conhecer melhor o que amamos
  • A teologia cristã nasce do desejo de penetrar, explorar e conhecer melhor a luz da fé
  • A teologia é impossível sem a fé
  • Deus não pode ser reduzia a objeto
  • Deus é Sujeito que se dá a conhecer
  • A fé reta orienta a razão para se abrir à luz que vem de Deus
  • A teologia é humilde
  • A teologia deixa-se «tocar» por Deus
  • A teologia reconhece os seus limites
  • A teologia partilha a forma eclesial da fé
  • A luz da teologia é a luz da Igreja
  • A teologia está ao serviço da fé
  • A teologia visa preservar a fé 
  • A teologia visa aprofundar a fé
  • A teologia vive da fé
  • A teologia reconhece a autoridade do Magistério
  • Quais são os desafios colocados pela luz da fé?
  • O que é a teologia?
  • Que relação existe entre a teologia e a fé?
  • Qual o lugar de Deus na teologia: objeto ou sujeito?
  • Quais são as caraterísticas da teologia?
  • Quais são as finalidades da teologia?
  • Que relação existe entre teologia e Magistério da Igreja?
© Laboratório da fé, 2013

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Papa Francisco, Carta Encíclica sobre a fé (Lumen Fidei — A luz da fé)
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 16.9.13 | Sem comentários
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