PREPARAR O DOMINGOvigésimo terceiro domingo


ÁGUA: deita um pouco de água fria num vidro; contempla a sua claridade; sente o seu efeito sobre a pele; saboreia a sua frescura na boca; admira o seu efeito nas flores... Nesta situação, lembro-me dos desertos, das águas insalubres, dos povos sedentos, da vida possível a quem só tem uma simples gota de água. Depois, mantém as mãos abertas para suplicar àquele que é a fonte da vida.

Em casa
É o início do ano pastoral e estamos repletos de boas resoluções. Algumas questões sobre o uso do tempo: agendamos momentos de pausa?; estaremos todo o ano em modo ativo, até mesmo superativo, a ponto de sucumbirmos? Ajudamo-nos uns aos outros a programar tempos de «retiro», tempos para parar e acalmar as nossas vidas. Tempos em que refletimos sobre a forma como seguimos Jesus. Pode ser uma semana por ano, um dia por mês, duas horas por semana. Sozinho, em comunidade, em família. Cada um escolherá o seu ritmo e sua forma de o viver, mas é bom saber que nos preocupamos mutuamente em marcar como ocupados esses momentos, desde o início do ano. E, depois, podemos escrever o que vamos decidindo para ter presente nos momentos em que andamos demasiado depressa.
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013



imagem de satélite do planeta terra, globo terrestre

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 5.9.13 | Sem comentários
Encuentros con la Palabra — blogue de Hermann Rodríguez Osorio

Uma amiga religiosa escreve, de vez em quando, as suas experiências espirituais em forma de poema. Há alguns meses enviou-me estes versos, que, pelo que me parece, podem-nos ajudar a entender o que se apresenta no evangelho do vigésimo terceiro domingo (Ano C):

Quero descer de novo à tua adega,
para te dar o meu amor, ser toda entrega
e embriagar-me de tu, pois são melhores
e mais suaves que o vinho os teus amores.

Não aproximarei os lábios de outra fonte
para saciar a minha sede, minha sede ardente
nem voltarei a beber outros licores
senão o vinho embriagante dos teus amores.

Vê que venho como corsa ferida
vê que me entrego a Ti, que estou rendida
e sacia a minha sede, pois são melhores
que o mais saboroso vinho os teus amores.

«Seguia Jesus uma grande multidão. Jesus voltou-Se e disse-lhes: 'Se alguém vem ter comigo, e não Me preferir ao pai, à mãe, à esposa, aos filhos, aos irmãos, às irmãs e até à própria vida, não pode ser meu discípulo. Quem não toma a sua cruz para Me seguir, não pode ser meu discípulo'». Jesus dirige estas palavras à gente que o seguia. Não se trata de uma alternativa incompatível. Não nos pede que deixemos de amar as pessoas que estão mais próximas do nosso coração. Essas pessoas podem e devem permanecer no centro das nossas vidas. O que nos pede o Senhor é que o nosso amor para com elas não esteja acima do amor que sentimos por Ele e pelo seu reino. Não pode haver nada nem ninguém que distraia o caminho do seguimento.
As duas comparações apresentadas a seguir mostram situações humanas muito concretas. Não podemos começar a construir uma torre se não temos clara a possibilidade de a terminar. Por outro lado, nenhum líder militar se envolve numa guerra se não pensa que pode chegar a vencer o seu inimigo com as forças que tem. Se não lhe pode fazer frente, tratará de estabelecer as condições de paz quando o outro grupo está ainda longe e nem se deu início à batalha. «Assim, quem de entre vós não renunciar a todos os seus bens, não pode ser meu discípulo» — é o que conclui o Senhor, depois de apresentar estes dois exemplos.
Poderíamos acrescentar que a pessoa que provou o bom vinho já não se poderá contentar com outra bebida. Assim é o seguimento do Senhor. Quando nos encontramos autenticamente com ele, reconhecemos que já não podemos saciar a nossa sede noutras fontes, nem haverá outros licores que substituam o vinho embriagante dos seus amores.

© Hermann Rodríguez Osorio, SJ

© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor



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  • Lucas 14, 25 -33 — notas exegéticas > > >
  • A exigência do seguimento > > >
  • Quem... não renunciar a todos..., não pode ser meu discípulo > > >
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Preparar o vigésimo terceiro domingo, ano C, no Laboratório da fé
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 5.9.13 | Sem comentários

A porta da fé [4]


Estamos a doze semanas de concluir o Ano da Fé, que se iniciou em outubro de 2012 e terminará em novembro de 2013. Semanalmente, apresentamos um número da Carta Apostólica do papa Bento XVI com a qual proclamou o Ano da Fé — «A porta da fé» («Porta Fidei»). E juntamos uma proposta de reflexão elaborada por Pedro Jaramillo. O objetivo é dar um contributo para uma avaliação mais cuidada sobre a forma como estamos a viver o Ano da Fé. Bom proveito!

À luz de tudo isto, decidi proclamar um Ano da Fé. Este terá início a 11 de Outubro de 2012, no cinquentenário da abertura do II Concílio do Vaticano, e terminará na Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo, a 24 de Novembro de 2013. Na referida data de 11 de Outubro de 2012, completar-se-ão também vinte anos da publicação do Catecismo da Igreja Católica, texto promulgado pelo meu Predecessor, o Beato Papa João Paulo II [3], com o objectivo de ilustrar a todos os fiéis a força e a beleza da fé. Esta obra, verdadeiro fruto do Concílio Vaticano II, foi desejada pelo Sínodo Extraordinário dos Bispos de 1985 como instrumento ao serviço da catequese [4] e foi realizado com a colaboração de todo o episcopado da Igreja Católica. E uma Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos foi convocada por mim, precisamente para o mês de Outubro de 2012, tendo por tema «A nova evangelização para a transmissão da fé cristã». Será uma ocasião propícia para introduzir o complexo eclesial inteiro num tempo de particular reflexão e redescoberta da fé. Não é a primeira vez que a Igreja é chamada a celebrar um Ano da Fé. O meu venerado Predecessor, o Servo de Deus Paulo VI, proclamou um ano semelhante, em 1967, para comemorar o martírio dos apóstolos Pedro e Paulo no décimo nono centenário do seu supremo testemunho. Idealizou-o como um momento solene, para que houvesse, em toda a Igreja, «uma autêntica e sincera profissão da mesma fé»; quis ainda que esta fosse confirmada de maneira «individual e coletiva, livre e consciente, interior e exterior, humilde e franca» [5]. Pensava que a Igreja poderia assim retomar «exata consciência da sua fé para a reavivar, purificar, confirmar, confessar» [6]. As grandes convulsões, que se verificaram naquele Ano, tornaram ainda mais evidente a necessidade duma tal celebração. Esta terminou com a Profissão de Fé do Povo de Deus [7], para atestar como os conteúdos essenciais, que há séculos constituem o património de todos os crentes, necessitam de ser confirmados, compreendidos e aprofundados de maneira sempre nova para se dar testemunho coerente deles em condições históricas diversas das do passado.

[3] Cf. João Paulo II, Const. ap. Fidei depositum (11 de Outubro de 1992): AAS 86 (1994), 113-118
[4] Cf. Relação final do Sínodo Extraordinário dos Bispos (7 de Dezembro de 1985), II, B, a, 4: L’Osservatore Romano (ed. port. de 22/XII/1985), 650
[5] Paulo VI, Exort. ap. Petrum et Paulum Apostolos, no XIX centenário do martírio dos Apóstolos São Pedro e São Paulo (22 de Fevereiro de 1967): AAS 59 (1967), 196
[6] Ibid.: o.c., 198
[7] Paulo VI, Profissão Solene de Fé, Homilia durante a Concelebração por ocasião do XIX centenário do martírio dos Apóstolos São Pedro e São Paulo, no encerramento do «Ano da Fé» (30 de Junho de 1968): AAS 60 (1968), 433-445

A porta da fé [Carta Apostólica para o Ano da Fé - «Porta Fidei»]

  • A porta da fé — números publicados no Laboratório da fé > > >



Aspetos que se podem sublinhar

  • Os dois acontecimentos que influenciaram Bento XVI a declarar este Ano da Fé foram os 50 anos da inauguração do II Concílio do Vaticano e os 20 anos do Catecismo da Igreja Católica. No mesmo contexto, surgiu a convocação do Sínodo dos Bispos sobre «a nova evangelização para a transmissão da fé cristã». A recordação de acontecimentos passados não é só para «que não sejam esquecidos», mas para voltar a retomá-los com o mesmo espírito e convicção com que nasceram.
  • A finalidade é introduzir toda a Igreja num tempo especial de reflexão e redescoberta da fé. Uma fé não refletida torna-se numa fé infantilizada; uma fé não redescoberta torna-se numa fé não atualizada. 
  • Não é o primeiro Ano da Fé convocado na Igreja: Paulo VI já tinha convocado um, no ano de 1967.
  • Esse Ano da Fé foi concluído com uma profissão de fé do Povo de Deus, para testemunhar que os conteúdos essenciais da fé têm necessidade de: ser reafirmados; ser compreendidos; ser aprofundados de maneira sempre nova; com a finalidade de dar um testemunho coerente em condições históricas distintas do passado. Necessidade de uma «fidelidade criativa».
  • Recordamos, também, a reflexão de Paulo VI: «Na mensagem que a Igreja anuncia, há certamente muitos elementos secundários. A sua apresentação depende, em larga escala, das circunstâncias mutáveis. Também eles mudam. Entretanto, permanece sempre o conteúdo essencial, a substância viva, que não se poderia modificar nem deixar em silêncio sem desnaturar gravemente a própria evangelização» (Exortação Apostólica sobre a evangelização no mundo contemporâneo — «Evangelli Nuntiandi», 25).

Interiorizando

  • A minha fé tem necessidade de ser refletida (tenho que saber dar «razões da minha esperança») e ser descoberta de novo (pode estar adormecida ou infantilizada ou ser uma nostalgia do passado...). Não me posso ficar pelo que aprendi na primeira comunhão, não posso ter a minha fé «armazenada», como «em conserva»: preciso de uma fé ativa e viva.

  • Para ter uma «fidelidade criativa», preciso de: ter uma visão clara d'Aquele a quem tenho de ser fiel e daquilo a que tenho de ser fiel (a formação na fé é uma das grandes carências da nossa situação religiosa); ter a criatividade suficiente não para «inventar» novas verdades, mas para apresentar as verdades de sempre de uma maneira diferente (as novas linguagens, o «novo ardor, novo fervor, novos modos de expressão» de que falava João Paulo II para nos dizer o que é a «nova evangelização»: não é um «novo evangelho»; é uma «nova forma» de apresentá-lo ao nosso mundo de hoje). 

© Pedro Jaramillo
© Tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013

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Bento XVI, Carta Apostólica «A porta da fé»
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 5.9.13 | Sem comentários

Carta encíclica sobre a fé [25]


Lembrar esta ligação da fé com a verdade é hoje mais necessário do que nunca, precisamente por causa da crise de verdade em que vivemos. Na cultura contemporânea, tende-se frequentemente a aceitar como verdade apenas a da tecnologia: é verdadeiro aquilo que o ser humano consegue construir e medir com a sua ciência; é verdadeiro porque funciona, e assim torna a vida mais cómoda e aprazível. Esta verdade parece ser, hoje, a única certa, a única partilhável com os outros, a única sobre a qual se pode conjuntamente discutir e comprometer-se; depois haveria as verdades do indivíduo, como ser autêntico face àquilo que cada um sente no seu íntimo, válidas apenas para o sujeito mas que não podem ser propostas aos outros com a pretensão de servir o bem comum. A verdade grande, aquela que explica o conjunto da vida pessoal e social, é vista com suspeita. Porventura não foi esta — perguntam-se — a verdade pretendida pelos grandes totalitarismos do século passado, uma verdade que impunha a própria conceção global para esmagar a história concreta do indivíduo? No fim, resta apenas um relativismo, no qual a questão sobre a verdade de tudo — que, no fundo, é também a questão de Deus — já não interessa. Nesta perspetiva, é lógico que se pretenda eliminar a ligação da religião com a verdade, porque esta associação estaria na raiz do fanatismo, que quer emudecer quem não partilha da crença própria. A este respeito, pode-se falar de uma grande obnubilação da memória no nosso mundo contemporâneo; de facto, a busca da verdade é uma questão de memória, de memória profunda, porque visa algo que nos precede e, desta forma, pode conseguir unir-nos para além do nosso «eu» pequeno e limitado; é uma questão relativa à origem de tudo, a cuja luz se pode ver a meta e também o sentido da estrada comum.

A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»]
A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»] — pdf

  • A luz da fé — números publicados no Laboratório da fé > > >



Refletir... saborear

  • É fundamental recordar a relação da fé com a verdade
  • Há uma crise de verdade, na cultura contemporânea
  • Hoje, parece que só é aceite a verdade tecnológica:
    — é verdade aquilo que o ser humano constrói com a sua ciência
    — é verdade aquilo que funciona
  • A verdade tecnológica parece ser a única que se pode partilhar
  • A verdade do indivíduo é válida apenas para si mesmo
  • A «verdade grande» é vista com suspeita
  • Predomina o relativismo
  • A busca da verdade é uma questão de memória 
  • A busca da verdade é uma questão relativa à origem de tudo
  • Qual é a razão da crise da verdade, na cultura contemporânea?
  • Qual é o efeito da crise da verdade, na vida pessoal?
  • Porque é que só se aceita a verdade tecnológica?
  • O relativismo resolve a questão da verdade profunda?
  • O que entendo por «busca da verdade»?
© Laboratório da fé, 2013

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Papa Francisco, Carta Encíclica sobre a fé (Lumen Fidei — A luz da fé)
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 5.9.13 | Sem comentários
La Biblia compartida — blogue de Javier Velasco-Arias e Quique Fernández

Lemos em 1Coríntios 7, 3-4: «O marido cumpra o dever conjugal para com a sua esposa, e a esposa faça o mesmo para com o seu marido. A esposa não pode dispor do próprio corpo, mas sim o marido; e, do mesmo modo, o marido não pode dispor do próprio corpo, mas sim a esposa».
Paulo escreve uma das páginas mais belas da Bíblia sobre o matrimónio. Os versículos 3-4 são de uma grande beleza: proclamam a relação de igualdade entre o homem e a mulher, no matrimónio. Nos dois versículos utiliza-se o advérbio grego «omoios» (o mesmo, de igual maneira, igualmente) para comentar como hão de ser as relações entre os cônjuges: relações baseadas na igualdade. Cada corpo faz-se dom para o outro e cada um converte-se na possessão do outro através desse dom, criando uma «dívida» de um para o outro.
Nem o homem nem a mulher podem considerar seu o corpo, é do outro. Mais ainda, a expressão grega «soma» (corpo), de acordo com a tradição do Antigo Testamento, indica a pessoa inteira; é a pessoa inteira que está à disposição do outro. Que longe se encontra esta declaração sobre a mútua entrega no matrimónio da mentalidade rabínica ou essênia sobre a procriação como razão exclusiva para o matrimónio! Recorda, no texto javista do Génesis sobre o matrimónio, a exclamação de Adão ao ver Eva pela primeira vez: «'Esta é, realmente, osso dos meus ossos e carne da minha carne. Chamar-se-á mulher, visto ter sido tirada do homem!'. Por esse motivo, o homem deixará o pai e a mãe, para se unir à sua mulher, e os dois serão uma só carne» (Génesis 2, 23-24). Neste texto, há uma afirmação de igualdade entre homem e mulher. Mas Paulo, na mesma linha, vai mais além: sublinha a igualdade radical do homem e da mulher face ao matrimónio, face às relações sexuais, face ao direito ao corpo, à pessoa integra, ao outro. A sexualidade no matrimónio é plena e recíproca disponibilidade de um cônjuge para o outro.

© Javier Velasco-Arias

© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor



La biblia compartida — www.laboratoriodafe.net

Javier Velasco-Arias, nasceu no ano de 1956, em Medina del Campo (Espanha); atualmente, vive em Barcelona (desde os onze anos de idade). É biblista, professor de Sagrada Escritura no «Instituto Superior de Ciências Religiosas de Barcelona» e no «Centro de Estudos Pastorais» das dioceses da Catalunha. É responsável e membro de várias associações bíblicas, em Espanha. Na área bíblica, é autor de diversas publicações, além de artigos de temas bíblicos em revistas especializadas e na internet.
Outros artigos publicados no Laboratório da fé


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 5.9.13 | Sem comentários

Carta encíclica sobre a fé [24]


Lido a esta luz, o texto de Isaías faz-nos concluir: o ser humano precisa de conhecimento, precisa de verdade, porque sem ela não se mantém de pé, não caminha. Sem verdade, a fé não salva, não torna seguros os nossos passos. Seria uma linda fábula, a projeção dos nossos desejos de felicidade, algo que nos satisfaz só na medida em que nos quisermos iludir; ou então reduzir-se-ia a um sentimento bom que consola e afaga, mas permanece sujeito às nossas mudanças de ânimo, à variação dos tempos, incapaz de sustentar um caminho constante na vida. Se a fé fosse isso, então o rei Acaz teria razão para não jogar a sua vida e a segurança do seu reino sobre uma emoção. Mas não é! Precisamente pela sua ligação intrínseca com a verdade, a fé é capaz de oferecer uma luz nova, superior aos cálculos do rei, porque vê mais longe, compreende o agir de Deus, que é fiel à sua aliança e às suas promessas.

A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»]
A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»] — pdf

  • A luz da fé — números publicados no Laboratório da fé > > >



Refletir... saborear

  • O conhecimento é fonte de segurança
  • A verdade é fonte de segurança
  • Sem verdade, a fé não salva
  • Sem verdade, a fé não dá segurança
  • Sem verdade, a fé torna-se uma fábula
  • Sem verdade, a fé reduz-se a um bom sentimento
  • Sem verdade, a fé é incapaz de sustentar o caminho da vida
  • Aliada à verdade, a fé oferece uma luz nova
  • Aliada à verdade, a fé vê mais longe
  • Aliada à verdade, a fé compreende o agir de Deus
  • A verdade é fonte de segurança?
  • Que relação existe entre verdade e fé?
  • O que é a fé sem a verdade?
  • Que luz nova a fé (me) pode oferecer?
© Laboratório da fé, 2013

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Papa Francisco, Carta Encíclica sobre a fé (Lumen Fidei — A luz da fé)
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 4.9.13 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGOvigésimo terceiro domingo

8 DE SETEMBRO DE 2013

Evangelho segundo Lucas 14, 25-33

Naquele tempo, seguia Jesus uma grande multidão. Jesus voltou-Se e disse-lhes: «Se alguém vem ter comigo, e não Me preferir ao pai, à mãe, à esposa, aos filhos, aos irmãos, às irmãs e até à própria vida, não pode ser meu discípulo. Quem não toma a sua cruz para Me seguir, não pode ser meu discípulo. Quem de vós, desejando construir uma torre, não se senta primeiro a calcular a despesa, para ver se tem com que terminá-la? Não suceda que, depois de assentar os alicerces, se mostre incapaz de a concluir e todos os que olharem comecem a fazer troça, dizendo: ‘Esse homem começou a edificar, mas não foi capaz de concluir’. E qual é o rei que parte para a guerra contra outro rei e não se senta primeiro a considerar se é capaz de se opor, com dez mil soldados, àquele que vem contra ele com vinte mil? Aliás, enquanto o outro ainda está longe, manda-lhe uma delegação a pedir as condições de paz. Assim, quem de entre vós não renunciar a todos os seus bens, não pode ser meu discípulo».



Segunda, 2: CAMINHAR COM ELE

Jesus dá-se a conhecer ao longo do caminho. Vai de aldeia em aldeia, para anunciar a boa nova: «o Reino de Deus está próximo», isto é, Deus vem salvar-nos. Não é uma missão solitária; desde o início, escolhe companheiros de viagem. Com o tempo, são numerosos os que seguem atrás dele. Hoje, penso no que faz mover as multidões (eventos desportivos, artísticos ou religiosos); e questiono-me sobre os motivos. E a mim, o que me move? É Jesus Cristo?



Terça, 3: PREFERI-LO A TUDO

O discurso de Jesus é parecido com o discurso de um guru. Há qualquer coisa de excesso no facto de o preferir em relação à família. Mas também está carregado de realismo. Segui-lo não é um ato inofensivo, porque implica atitudes radicais. Durante o dia, encontro tempo para repetir estas palavras: preferir Jesus aos que me são próximos e à minha própria vida. Como a Pedro, em João 21, Jesus diz-me: «amas-me mais do que estes?». Peço-lhe que faça crescer em mim o desejo de amar cada vez mais.



Quarta, 4: SER DISCÍPULO

Ser discípulo não equivale de modo algum a repetir verdades abstratas sobre Deus ou a respeitar as regras religiosas por muito santas que sejam. Ser discípulo implica ter uma relação pessoal com Cristo. É visitando os evangelhos que aprendemos a conhecê-lo melhor. Que palavra ou gesto de Jesus me entusiasma para ser seu discípulo? Que meios uso, ou quero usar, para dar mais tempo ao Senhor na minha existência?



Quinta, 5: TOMAR A PRÓPRIA CRUZ

«Ir até ao fim», com Cristo, é necessariamente fazer a experiência da cruz. Porque o discípulo não é mais do que o seu mestre, a cruz não é evitável. Ora, a cruz de Jesus, como a nossa, coloca-nos em dificuldade e questiona-nos. Tomar a própria cruz, como Jesus faz em primeiro lugar, é uma graça a pedir sem desanimar nem esmorecer. Peço essa graça para mim, mas também para todos aqueles que vivem os caminhos da cruz em nome da sua fé.



Sexta, 6: SENTAR-SE... UMA VEZ

A primeira imagem utilizada por Jesus para ilustrar a exigência do seu apelo é a imagem da construção. Não se trata apenas de edificar sobre a rocha (Mateus 6) mas de ir até ao fim. Em certos países, mais duramente fustigados pela crise, pode-se fazer uma lista de prédios inacabados. Que desperdício! Em vez de criticar, Jesus convida cada um a dar provas de sabedoria. Trata-se de reconhecer os seus reais meios e de levar a sério o desafio proposto. Hoje, escolho sentar-me para lhe apresentar os meus projetos e a minha vontade em realizá-los com ele.



Sábado, 7: SENTAR-SE... SEGUNDA VEZ

A segunda imagem proposta é a da guerra. Na verdade, há qualquer coisa de «violento» no facto de ser discípulo de Jesus. Nesta aventura, aprendo a viver os combates e as renúncias. De novo, é com uma imagem que Jesus convida cada um a fazer um discernimento e a reconhecer os seus limites. Hoje, escolho sentar-me de novo, para confiar ao Senhor os meus medos e as minhas dúvidas sobre o caminho com ele.



Domingo, 8: UM DEUS DE AMOR E DE LIBERDADE

O discurso de Jesus não teria êxito na televisão, onde nos fazem acreditar numa vida sem compromisso e numa felicidade fácil. Ele, ao contrário, não hesita em recordar que «quem de entre vós não renunciar a todos os seus bens, não pode ser meu discípulo». Mas há um perigo: Deus será o único do lado do esforço e da renúncia como certos discursos religiosos propõem? Na verdade, mais dos que as suas palavras, Jesus faz-nos olhar para a sua maneira de agir com os seus discípulos de ontem e com os de hoje. Nunca me tenta seduzir, no sentido de «conduzir até si para seu proveito». Ele convida cada um a um amor escolhido livremente para estabelecer uma aliança. Qual será a minha resposta, neste domingo e nos próximos dias?



© www.versdimanche.com
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013

Preparar o vigésimo terceiro domingo, ano C, no Laboratório da fé
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 4.9.13 | Sem comentários

Carta encíclica sobre a fé [23]


Se não acreditardes, não compreendereis (cf. Isaías 7, 9): foi assim que a versão grega da Bíblia hebraica — a tradução dos Setenta, feita em Alexandria do Egipto — traduziu as palavras do profeta Isaías ao rei Acaz, fazendo aparecer como central, na fé, a questão do conhecimento da verdade. Entretanto, no texto hebraico, há uma leitura diferente; aqui o profeta diz ao rei: «Se não o acreditardes, não subsistireis». Existe aqui um jogo de palavras com duas formas do verbo ‘amàn: «acreditardes» (ta’aminu) e «subsistireis» (te’amenu). Apavorado com a força dos seus inimigos, o rei busca a segurança que lhe pode vir de uma aliança com o grande império da Assíria; mas o profeta convida-o a confiar apenas na verdadeira rocha que não vacila: o Deus de Israel. Uma vez que Deus é fiável, é razoável ter fé n’Ele, construir a própria segurança sobre a sua Palavra. Este é o Deus que Isaías chamará mais adiante, por duas vezes, o Deus-Amen, o «Deus fiel» (cf. Isaías 65, 16), fundamento inabalável de fidelidade à aliança. Poder-se-ia pensar que a versão grega da Bíblia, traduzindo «subsistir» por «compreender», tivesse realizado uma mudança profunda do texto, passando da noção bíblica de entrega a Deus à noção grega de compreensão. E no entanto esta tradução, que aceitava certamente o diálogo com a cultura helenista, não é alheia à dinâmica profunda do texto hebraico; a firmeza que Isaías promete ao rei passa, realmente, pela compreensão do agir de Deus e da unidade que Ele dá à vida do ser humano e à história do povo. O profeta exorta a compreender os caminhos do Senhor, encontrando na fidelidade de Deus o plano de sabedoria que governa os séculos. Esta síntese entre o «compreender» e o «subsistir» é expressa por Santo Agostinho, nas suas Confissões, quando fala da verdade em que se pode confiar para conseguirmos ficar de pé: «Estarei firme e consolidar-me-ei em Ti, (…) na tua verdade» [17]. Vendo o contexto, sabemos que este Padre da Igreja quer mostrar que esta verdade fidedigna de Deus é, como resulta da Bíblia, a sua presença fiel ao longo da história, a sua capacidade de manter unidos os tempos, recolhendo a dispersão dos dias do ser humano [18].

[17] Confessiones, XI, 30, 40: PL 32, 825
[18] Cf. ibid.: o. c., 825-826
A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»]
A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»] — pdf

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Refletir... saborear

  • A fé relaciona-se com o conhecimento da verdade
  • Há uma relação entre acreditar e compreender
  • Há uma relação entre acreditar e subsistir
  • A fidelidade de Deus fundamenta a fidelidade (fé) do ser humano
  • A fidelidade de Deus dá consistência à fidelidade (fé) do ser humano
  • A verdade de Deus é a sua presença na história humana
  • Que relação existe entre a fé e a verdade?
  • Qual é o fundamento da fidelidade à Aliança?
  • O que significa dizer que Deus é fiel?
© Laboratório da fé, 2013

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Papa Francisco, Carta Encíclica sobre a fé (Lumen Fidei — A luz da fé)
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 3.9.13 | Sem comentários
Ao ritmo da liturgia


Vigésima segunda semana


A humildade exige treino, exercícios práticos

As nossas apetências, mesmo as religiosas, são muito encaminhadas para destacar o importante, o maior. Assim somos educados. Então, o mais «natural» é procurar o primeiro lugar, ser reconhecido, a palmadinha nas costas, a fama fácil, que me considerem mais importante do que os outros... Mas o Evangelho está carregado de sugestões para o «pequeno», o menor.
Não se trata de mistificar a escassez, a carência, a sujidade ou a má educação. Trata-se de aceitar que o «pequeno», provavelmente, está menos contaminado, que pode ser mais autêntico, que os seus méritos procedem de si mesmo e não de uma imposição pela força. Antes de mais, porque é sempre mais alternativo do que a ordem estabelecida.
Porque é que Jesus Cristo está sempre do lado dos pobres, põe os pobres como exemplo? Seguramente, porque os pobres, não tendo nada, estão mais próximos da vida em carne viva... A pobreza, a austeridade, obriga a outro tipo de relações: gratuitas, sem interesse. «Amo-te por aquilo que és e não pelo que me possas dar».
Acontece que temos dificuldade em perceber a beleza do «pequeno». Somos educados a dedicar a nossa vida à conquista de bens, ser ricos, ser importantes, ocupar os primeiros lugares (da sociedade, da Igreja). Sem cair na conta de que quanto mais temos, mais queremos ter! O desejo nunca se dá por satisfeito!
A missão de Jesus Cristo — portanto, a missão do cristão — é ajudar o ser humano a perceber a riqueza do «pequeno». Por isso, ser cristão vale a pena nem que seja porque ajuda a dar a volta às coisas (DOMINGO: «Não tomes o primeiro lugar»): a devolver o apreço aos que o mundo considera desprezados (SEGUNDA: «Restituir a liberdade aos oprimidos»); a enfrentar as grandes coisas, os grandes mitos, para comprovar que, por dentro, estão vazias (TERÇA: «Vieste para nos destruir?»); a não ficar de braços cruzados (QUARTA: «Pediram a Jesus que fizesse alguma coisa») perante um estilo de vida contrário ao Evangelho. A maturidade humana encontra-se muito relacionada com esta capacidade crítica e relativizadora daquilo que é apresentado como grande, importante.
Na verdade, é a descoberta da beleza do «pequeno» que nos torna mais humanos; e também nos torna mais divinos. O Reino de Deus é sempre dos «pequenos». Para entrar nele, é preciso abandonar as falsas seguranças (QUINTA: «Já que o dizes, lançarei as redes»), libertar-se do desejo de querer ser importante, assumir a rutura (SEXTA: «Ninguém corta um remendo de um vestido novo, para o deitar num vestido velho») com as soluções fáceis, assumir um corte radical com a ordem estabelecida (SÁBADO: «Porque fazeis o que não é permitido?»). Um apostolado sem grandes pretensões é o único capaz de chegar à meta!

Nesta semana, pensemos em formas concretas de viver a beleza do «pequeno», nas mais diversas situações da vida: como pais, como esposos, como filhos, como profissionais, como catequistas, como presbíteros... Ser «pequeno», ser humilde exige treino, exercícios práticos. Mas, antes de mais, temos de colocar a seguinte pergunta: Acredito sinceramente no valor da humildade?

A elaboração deste texto foi inspirada na obra de José Luis Cortés, El ciclo C, Herder Editorial e nos textos publicados neste «Laboratório da fé» a propósito do vigésimo segundo domingo
© Laboratório da fé, 2013

Vigésima segunda semana, no Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 2.9.13 | Sem comentários

Carta encíclica sobre a fé [22]


Deste modo, a vida do fiel torna-se existência eclesial. Quando São Paulo fala aos cristãos de Roma do único corpo que todos os crentes formam em Cristo, exorta-os a não se vangloriarem, mas a avaliarem-se «de acordo com a medida de fé que Deus distribuiu a cada um» (Romanos 12, 3). O crente aprende a ver-se a si mesmo a partir da fé que professa. A figura de Cristo é o espelho em que descobre realizada a sua própria imagem. E dado que Cristo abraça em Si mesmo todos os crentes que formam o seu corpo, o cristão compreende-se a si mesmo neste corpo, em relação primordial com Cristo e os irmãos na fé. A imagem do corpo não pretende reduzir o crente a simples parte de um todo anónimo, a mero elemento de uma grande engrenagem; antes, sublinha a união vital de Cristo com os crentes e de todos os crentes entre si (cf. Romanos 12, 4-5). Os cristãos sejam «todos um só» (cf. Gálatas 3, 28), sem perder a sua individualidade, e, no serviço aos outros, cada um ganha profundamente o próprio ser. Compreende-se assim por que motivo, fora deste corpo, desta unidade da Igreja em Cristo — desta Igreja que, segundo as palavras de Romano Guardini, «é a portadora histórica do olhar global de Cristo sobre o mundo»,[16] —, a fé perca a sua «medida», já não encontre o seu equilíbrio, nem o espaço necessário para se manter de pé. A fé tem uma forma necessariamente eclesial, é professada partindo do corpo de Cristo, como comunhão concreta dos crentes. A partir deste lugar eclesial, ela abre o indivíduo cristão a todos os humanos. Uma vez escutada, a palavra de Cristo, pelo seu próprio dinamismo, transforma-se em resposta no cristão, tornando-se ela mesma palavra pronunciada, confissão de fé. São Paulo afirma: «Realmente com o coração se crê (…) e com a boca se faz a profissão de fé» (Romanos 10, 10). A fé não é um facto privado, uma conceção individualista, uma opinião subjetiva, mas nasce de uma escuta e destina-se a ser pronunciada e a tornar-se anúncio. Com efeito, «como hão-de acreditar n’Aquele de quem não ouviram falar? E como hão-de ouvir falar, sem alguém que O anuncie?» (Romanos 10, 14). Concluindo, a fé torna-se operativa no cristão a partir do dom recebido, a partir do Amor que o atrai para Cristo (cf. Gálatas 5, 6) e torna participante do caminho da Igreja, peregrina na história rumo à perfeição. Para quem foi assim transformado, abre-se um novo modo de ver, a fé torna-se luz para os seus olhos.

[16] «Vom Wesen katholischer Weltanschauung (1923)», in: Unterscheidung des Christlichen. Gesammelte Studien 1923-1963 (Mainz 1963), 24

A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»]
A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»] — pdf

  • A luz da fé — números publicados no Laboratório da fé > > >



Refletir... saborear

  • A fé possui uma dimensão eclesial
  • O crente vê-se a partir da fé que professa
  • O cristão compreende-se como membro do Corpo de Cristo
  • A Igreja é o Corpo de Cristo
  • A imagem do corpo estabelece ligação com Jesus Cristo e com os outros
  • Há uma união vital de Jesus Cristo com os cristãos e destes entre si
  • Fora do Corpo de Cristo (Igreja), a fé perde o seu equilíbrio
  • A fé não é um facto privado
  • A fé não é uma conceção individualista
  • A fé não é uma opinião subjetiva
  • A fé nasce da escuta da Palavra de Deus
  • A fé destina-se a ser pronunciada
  • A fé destina-se a tornar-se anúncio
  • Acolhida como dom, a fé torna-se luz para os olhos do cristão
  • Porque é que a fé possui uma dimensão eclesial?
  • Sinto-me membro do Corpo de Cristo?
  • Que relação existe entre mim e Jesus Cristo?
  • Que relação existe entre mim e os outros cristãos?
  • Não é possível uma fé «privada», «individualista», «subjetiva»?
  • A fé, em mim, torna-se anúncio? Como?
© Laboratório da fé, 2013

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Papa Francisco, Carta Encíclica sobre a fé (Lumen Fidei — A luz da fé)
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 2.9.13 | Sem comentários

Palavra para hoje: vigésimo segundo domingo


«Filho, em todas as tuas obras procede com humildade [...] e encontrarás graça diante do Senhor». O humilde ocupa o seu devido lugar diante de Deus. Glorifica-o, reconhece a sua presença, mesmo sem o ver fisicamente. Entretanto, Jesus Cristo observa o comportamento de cada um! Os seus ensinamentos sobre o lugar à mesa são uma lição que ele mesmo põe em prática: humilhou-se a si mesmo, até à morte de cruz. Por isso, Deus o exaltou; e o colocou acima de todas as coisas (cf. Filipenses 2, 8-9). Assim, releva-nos o mistério da Igreja, chamada a seguir os seus passos. A sua missão é ser pobre e serva, aceitar perder uma aparente influência, para estar mais disponível para convidar os pobres para a mesa de Deus.


Pergunta da semana: 

Acredito sinceramente no valor da humildade?

Palavra de Deus - Lectio divina - imagem de fano
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 1.9.13 | Sem comentários

Carta encíclica sobre a fé [21]


Podemos assim compreender a novidade, a que a fé nos conduz. O crente é transformado pelo Amor, ao qual se abriu na fé; e, na sua abertura a este Amor que lhe é oferecido, a sua existência dilata-se para além dele próprio. São Paulo pode afirmar: «Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim» (Gálatas 2, 20), e exortar: «Que Cristo, pela fé, habite nos vossos corações» (Efésios 3, 17). Na fé, o «eu» do crente dilata-se para ser habitado por um Outro, para viver num Outro, e assim a sua vida amplia-se no Amor. É aqui que se situa a acção própria do Espírito Santo: o cristão pode ter os olhos de Jesus, os seus sentimentos, a sua predisposição filial, porque é feito participante do seu Amor, que é o Espírito; é neste Amor que se recebe, de algum modo, a visão própria de Jesus. Fora desta conformação no Amor, fora da presença do Espírito que o infunde nos nossos corações (cf. Romanos 5, 5), é impossível confessar Jesus como Senhor (cf. 1Coríntios 12, 3).

A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»]
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Refletir... saborear

  • A fé conduz-nos a uma novidade
  • Na fé, o crente é habitado por Jesus Cristo
  • Na fé, o crente vive em Jesus Cristo
  • Na fé, a vida do crente amplia-se no Amor: o Espírito Santo
  • O Espírito Santo atua em cada pessoa para que:
    — tenha os olhos de Jesus Cristo
    — tenha os sentimentos de Jesus Cristo
    — tenha a predisposição filial de Jesus Cristo
  • Sem Espírito Santo, sem o Amor, não é possível confessar a fé em Jesus Cristo
  • A fé conduz-se a que novidade?
  • Sou habitado por Jesus Cristo?
  • Posso dizer como Paulo: «é Cristo que vive em mim»?
  • Tenho consciência da presença do Espírito Santo?
© Laboratório da fé, 2013

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Papa Francisco, Carta Encíclica sobre a fé (Lumen Fidei — A luz da fé)
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 1.9.13 | Sem comentários
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