Carta encíclica sobre a fé [16]


A maior prova da fiabilidade do amor de Cristo encontra-se na sua morte pelo ser humano. Se dar a vida pelos amigos é a maior prova de amor (cf. João 15, 13), Jesus ofereceu a sua vida por todos, mesmo por aqueles que eram inimigos, para transformar o coração. É por isso que os evangelistas situam, na hora da Cruz, o momento culminante do olhar de fé: naquela hora resplandece o amor divino em toda a sua sublimidade e amplitude. São João colocará aqui o seu testemunho solene, quando, juntamente com a Mãe de Jesus, contemplou Aquele que trespassaram (cf. João 19, 37): «Aquele que viu estas coisas é que dá testemunho delas e o seu testemunho é verdadeiro. E ele bem sabe que diz a verdade, para vós crerdes também» (João 19, 35). Na sua obra «O Idiota», Fiódor Mikhailovich Dostoiévski faz o protagonista — o príncipe Myskin — dizer, à vista do quadro de Cristo morto no sepulcro, pintado por Hans Holbein o Jovem: «Aquele quadro poderia mesmo fazer perder a fé a alguém» [14]; de facto, o quadro representa, de forma muito crua, os efeitos destruidores da morte no corpo de Cristo. E todavia é precisamente na contemplação da morte de Jesus que a fé se reforça e recebe uma luz fulgurante, é quando ela se revela como fé no seu amor inabalável por nós, que é capaz de penetrar na morte para nos salvar. Neste amor que não se subtraiu à morte para manifestar quanto me ama, é possível crer; a sua totalidade vence toda e qualquer suspeita e permite confiar-nos plenamente a Cristo.

[14] Parte II, IV

A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»]
A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»] — pdf

  • A luz da fé — números publicados no Laboratório da fé > > >



Refletir... saborear

  • A morte de Jesus Cristo é uma prova de amor
  • Jesus Cristo ofereceu a vida por todos, para transformar o coração
  • Na Cruz, resplandece toda a força do amor, toda a sua amplitude
  • Na Cruz, situa-se o momento culminante do olhar de fé
  • Na morte de Jesus Cristo, a fé é reforçada 
  • Na morte de Jesus Cristo, a fé recebe uma luz fulgurante
  • É possível acreditar no amor que dá a vida
  • Qual é o significado da morte de Jesus Cristo?
  • O que vejo quando olho para a Cruz?
  • A morte de Jesus Cristo, reforça e ilumina a (minha) fé?
  • Acredito na força do amor que dá a vida?
© Laboratório da fé, 2013

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Papa Francisco, Carta Encíclica sobre a fé (Lumen Fidei — A luz da fé)
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 27.8.13 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGOvigésimo segundo domingo

1 DE SETEMBRO DE 2013

Evangelho segundo Lucas 14, 1.7-14

Naquele tempo, Jesus entrou, num sábado, em casa de um dos principais fariseus para tomar uma refeição. Todos O observavam. Ao notar como os convidados escolhiam os primeiros lugares, Jesus disse-lhes esta parábola: «Quando fores convidado para um banquete nupcial, não tomes o primeiro lugar. Pode acontecer que tenha sido convidado alguém mais importante do que tu; então, aquele que vos convidou a ambos, terá que te dizer: ‘Dá o lugar a este’; e ficarás depois envergonhado, se tiveres de ocupar o último lugar. Por isso, quando fores convidado, vai sentar-te no último lugar; e quando vier aquele que te convidou, dirá: ‘Amigo, sobe mais para cima’; ficarás então honrado aos olhos dos outros convidados. Quem se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado». Jesus disse ainda a quem O tinha convidado: «Quando ofereceres um almoço ou um jantar, não convides os teus amigos nem os teus irmãos, nem os teus parentes nem os teus vizinhos ricos, não seja que eles por sua vez te convidem e assim serás retribuído. Mas quando ofereceres um banquete, convida os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos; e serás feliz por eles não terem com que retribuir-te: ser-te-á retribuído na ressurreição dos justos.



Segunda, 26: ESCOLHER UM LUGAR

Jesus é observador: usa, muitas vezes, o quotidiano para nos fazer compreender as coisas. Observemos a cena com ele: estamos na casa de um fariseu; os convidados podem escolher o lugar; tomam, espontaneamente, o primeiro lugar. Hoje, posso estar atento ao lugar que escolho, na família e no trabalho, numa reunião, numa pausa com os companheiros, nos transportes... Interrogo-me sobre os motivos da minha escolha: amizade, desejo de reconhecimento ou de autoridade, ou outro.



Terça, 27: BANQUETE NUPCIAL

A partir desta cena, Jesus tem qualquer coisa de mais profunda para nos revelar ao fazer alusão ao banquete nupcial. Esta expressão bíblica está carregada de significado: trata-se da história da Aliança, pois o próprio dá ao Reino a imagem de um banquete nupcial, para o qual somos todos convidados. Nesse Reino, tudo é alterado e os lugares são inversos: «Os primeiros serão os últimos», diz Jesus em Mateus 19, 30. Estou pronto para participar no banquete nupcial do Reino para o qual Jesus me convida? Posso manifestar-lhe a minha alegria ou, ao contrário, exprimir-lhe a minha dificuldade, a minha incompreensão ou as minhas reticências.



Quarta, 28: COM JESUS

Hoje, vou contemplar Jesus e o lugar que ele escolheu para si mesmo no meio dos humanos, desde o seu nascimento num estábulo, até à sua morte numa cruz. Charles de Foucauld dizia que Jesus tinha de tal forma escolhido o último lugar que ninguém o poderia tirar. Coloco-me diante da Cruz e, como Santo Inácio nos convida a fazer nos exercícios espirituais, falo com Jesus e pergunto-lhe porque é que ele veio ocupar o último lugar.



Quinta, 29: COMO JOÃO BATISTA

Hoje, celebramos o martírio de João Batista, «amigo do Esposo», tal como ele se apresenta. Na linha daquilo que o evangelho nos convida a viver, posso lembrar as palavras do Batista sobre Jesus: «É preciso que ele cresça e que eu diminua» (João 3, 30). Hoje, de que forma posso agir para que Cristo cresça em mim e eu diminua?



Sexta, 30: HUMILHAR-SE

«Quem se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado». Como entender esta frase enigmática de Jesus? Será que nos convida a destruir e a negar tudo o que somos? Certamente que não; mas remete-nos para as exigências do Reino: quando me exalto, torno-me no mais importante; quando aceito humilhar-me, deixo que o amor cresça no meu coração. Senhor, dá-me o desejo de me humilhar para ser elevado no amor!



Sábado, 31: GRATUITAMENTE

Jesus vai ainda mais longe para nos falar dos valores do Reino: convidar os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos... Por outras palavras, diz para agir gratuitamente nas nossas relações, sem esperar nada em troca. É difícil, porque na maior parte das vezes fico à espera de um benefício na base das minhas ações. Posso, durante este dia, escolher realizar um ato totalmente gratuito em favor de uma pessoa à minha volta ou, talvez, do próprio Senhor, sem esperar nada em troca.



Domingo, 1: VIVER HUMILDEMENTE COMO IRMÃOS

As leituras deste domingo são um convite a escolher uma vida humilde. É o caso, em particular, da primeira leitura que diz: «Filho, em todas as tuas obras procede com humildade e serás mais estimado do que o homem generoso» (Ben-Sirá 4, 19). Viver humildemente é respeitar o outro e deixar que tome o seu lugar para que possa ser verdadeiramente ele mesmo. A eucaristia dominical, à quanto somos convidados, dá-nos a oportunidade de nos situar em igualdade com cada um dos participantes, como filhos do mesmo Pai e, portanto, irmãos. Juntos, em igualdade, podemos escutar a palavra do nosso Deus e, numa só voz, louvá-lo, porque «aos abandonados Deus prepara uma casa, conduz os cativos à liberdade» (Salmo 67).



© www.versdimanche.com
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013

Preparar o vigésimo segundo domingo, ano C, no Laboratório da fé
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 26.8.13 | Sem comentários

Carta encíclica sobre a fé [15]


«Abraão [...] exultou pensando em ver o meu dia; viu-o e ficou feliz» (João 8, 56). De acordo com estas palavras de Jesus, a fé de Abraão estava orientada para Ele, de certo modo era visão antecipada do seu mistério. Assim o entende Santo Agostinho, quando afirma que os Patriarcas se salvaram pela fé; não fé em Cristo já chegado, mas fé em Cristo que havia de vir, fé proclive para o evento futuro de Jesus [13]. A fé cristã está centrada em Cristo; é confissão de que Jesus é o Senhor e que Deus O ressuscitou de entre os mortos (cf. Romanos 10, 9). Todas as linhas do Antigo Testamento se concentram em Cristo: Ele torna-Se o «sim» definitivo a todas as promessas, fundamento último do nosso «Amen» a Deus (cf. 2Coríntios 1, 20). A história de Jesus é a manifestação plena da fiabilidade de Deus. Se Israel recordava os grandes actos de amor de Deus, que formavam o centro da sua confissão e abriam o horizonte da sua fé, agora a vida de Jesus aparece como o lugar da intervenção definitiva de Deus, a suprema manifestação do seu amor por nós. A palavra que Deus nos dirige em Jesus já não é uma entre muitas outras, mas a sua Palavra eterna (cf. Hebreus 1, 1-2). Não há nenhuma garantia maior que Deus possa dar para nos certificar do seu amor, como nos lembra São Paulo (cf. Romanos 8, 31-39). Portanto, a fé cristã é fé no Amor pleno, no seu poder eficaz, na sua capacidade de transformar o mundo e iluminar o tempo. «Nós conhecemos o amor que Deus nos tem, pois cremos nele» (1João 4, 16). A fé identifica, no amor de Deus manifestado em Jesus, o fundamento sobre o qual assenta a realidade e o seu destino último.

[13] Cf. In evangelium Johannis tractatus, 45, 9: PL 35, 1722- 1723

A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»]
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Refletir... saborear

  • A fé cristã tem o seu centro em Jesus Cristo
  • Jesus Cristo é a plenitude da Revelação e da fé
  • O Antigo Testamento orienta-se para Jesus Cristo
  • A salvação antes de Jesus Cristo acontece pela «fé em Cristo que havia de vir»
  • Jesus Cristo é a garantia de que Deus é fiel às suas promessas
  • Jesus Cristo é «o lugar da intervenção definitiva de Deus» 
  • Jesus Cristo é a «Palavra eterna» de Deus
  • Jesus Cristo é a presença do Amor pleno, capaz de transformar e iluminar o mundo
  • A (minha) fé tem como centro Jesus Cristo?
  • Qual é a importância do Antigo Testamento para os cristãos?
  • O que significa a entrada de Jesus Cristo na nossa história?
  • Porque é que Jesus Cristo é a «Palavra eterna» de Deus?
© Laboratório da fé, 2013

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Papa Francisco, Carta Encíclica sobre a fé (Lumen Fidei — A luz da fé)
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 26.8.13 | Sem comentários
Ao ritmo da liturgia


Vigésima primeira semana


A salvação é uma questão de responsabilidade pessoal 

Jesus Cristo fala de uma sala, com uma única porta de entrada (sempre aberta), onde se celebra o banquete do Reino de Deus. À pergunta lançada por alguém do meio do público, que quer saber quantos entrarão na sala, Jesus Cristo parece não responder, embora possamos vislumbrar uma perspetiva: são muitos, ou melhor, todos são convidados para o banquete do Reino de Deus.
«Esforçai-vos por entrar pela porta estreita». Os alertas de Jesus Cristo não são apenas para os judeus do seu tempo ou para os primeiros cristãos. As exortações de Jesus Cristo também se aplicam à Igreja, aos cristãos dos tempos atuais. Ou será que já desapareceram as ânsias de poder, a procura das honras, dos títulos ou dos primeiros lugares?!
«Não sei donde sois». Simples e direto, para aqueles que se afastam da «lógica» proposta pelo Evangelho, mesmo que vivam mergulhados no ambiente eclesial! Não é difícil perceber que as palavras de Jesus Cristo se dirigem a muitos que participaram na mesa do pão da vida e na mesa da palavra de Deus — hoje, diríamos, na Eucaristia — mas não serão reconhecidos como dignos do Reino de Deus. Não é suficiente uma vida de oração e de sacramentos, se em nós não há uma mudança definitiva, radical...
Há critérios que se podem discutir. Há denúncias que podem ser injustas. Há críticas que podem falhar o alvo. Há conspirações que apenas pretendem destruir a vida das pessoas e das instituições. Mas, há o Evangelho. Há a palavra de Jesus Cristo. Não podemos deixar que passe ao nosso lado, como se fosse (sempre ou apenas) dirigida aos outros!
«Comemos e bebemos contigo». [Comigo, não]. Comeste e bebeste com os poderosos da terra, com os chefes dos governos das nações, com os políticos que defendiam os vossos interesses pessoais, com os falsos patrocinadores de supostas iniciativas de caridade, com os meios de comunicação que encobriam a vossa falta de transparência, com os que vos reverenciavam com títulos honrosos...
«Ensinaste nas nossas praças». [Eu não ensinei nada disso]. Vós é que ensinastes coisas que em nada têm a ver com o Evangelho: uma teologia abstrata sem qualquer ligação com a vida; uma moral obcecada com o pecado e sem lugar para a misericórdia; uma instituição que copia o pior das outras, principalmente no que diz respeito ao poder. Entretanto, ficastes calados perante as injustiças, a corrupção, a escravidão, a violência, a recusa dos marginalizados, o fanatismo, a xenofobia...
«Há últimos que serão dos primeiros». Os pobres, os jovens, os sinceros (mesmo que sejam ateus), os excomungados pela justiça, os excluídos do Oriente e do Ocidente, do Norte e do Sul, e muitos outros considerados últimos serão os primeiros a sentar-se à mesa no Reino de Deus.
A salvação não é um privilégio, um direito adquirido (DOMINGO: «São poucos os que se salvam?»). A salvação é uma questão de responsabilidade pessoal (SEGUNDA: «Vós não entrais nem deixais entrar os que o desejam»). A «porta estreita» significa exigência (TERÇA: «Omitis [...] a justiça, a misericórdia e a fidelidade»). Ser discípulo de Jesus Cristo não é compatível com uma vida egoísta e preguiçosa. Não basta ter sido batizado (QUARTA: «Por dentro estais cheios de hipocrisia e maldade»), conhecer a «doutrina» da Igreja (QUINTA: «Quando o ouvia, ficava perturbado»)... O convite é dirigido a todos («SEXTA: «Ide ao seu encontro»). Mas precisa de ser acolhido. Portanto, não precisamos de ter medo. Confiança em Deus, sim. Despreocupação e falsas seguranças (SÁBADO: «Servo mau e preguiçoso»), não.

Nesta semana, recorda que Jesus Cristo convida à confiança. A porta está sempre aberta! Mas fala de esforço: a salvação é um dom gratuito que exige de nós uma resposta, uma resposta de amor. O que significa, para mim, esforçar-se por entrar pela porta estreita? Não nos pede para ser «super-homem» ou «super-mulher», mas algo mais simples, embora mais essencial: que toda a nossa vida e todos os nossos atos estejam fecundados pelo amor.

A elaboração deste texto foi inspirada na obra de José Luis Cortés, El ciclo C, Herder Editorial e nos textos publicados neste «Laboratório da fé» a propósito do vigésimo primeiro domingo
© Laboratório da fé, 2013

Vigésima primeira semana, no Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 25.8.13 | 2 comentários

Carta encíclica sobre a fé [14]


Na fé de Israel, sobressai também a figura de Moisés, o mediador. O povo não pode ver o rosto de Deus; é Moisés que fala com Jahvé na montanha e comunica a todos a vontade do Senhor. Com esta presença do mediador, Israel aprendeu a caminhar unido. O ato de fé do indivíduo insere-se numa comunidade, no «nós» comum do povo, que, na fé, é como um só homem: «o meu filho primogénito», assim Deus designará todo o Israel (cf. Êxodo 4, 22). Aqui a mediação não se torna um obstáculo, mas uma abertura: no encontro com os outros, o olhar abre-se para uma verdade maior que nós mesmos. Jean Jacques Rousseau lamentava-se por não poder ver Deus pessoalmente: «Quantos homens entre mim e Deus!» [11]. «Será assim tão simples e natural que Deus tenha ido ter com Moisés para falar a Jean Jacques Rousseau?» [12]. A partir de uma conceção individualista e limitada do conhecimento é impossível compreender o sentido da mediação: esta capacidade de participar na visão do outro, saber compartilhado que é o conhecimento próprio do amor. A fé é um dom gratuito de Deus, que exige a humildade e a coragem de fiar-se e entregar-se para ver o caminho luminoso do encontro entre Deus e os homens, a história da salvação.

[11] Émile (Paris 1966), 387
[12] Lettrè à Christophe de Beaumont (Lausanne 1993), 110


A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»]
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Refletir... saborear

  • Moisés é o mediador entre Deus e o povo de Israel
  • O ato de fé individual insere-se na comunidade, o eu dá lugar ao nós
  • A mediação não é obstáculo, mas abertura para a fé
  • A fé é um dom gratuito de Deus inserido na história da salvação
  • Hoje, o que significa ser «mediador» da fé?
  • O ato de fé individual precisa da comunidade?
  • O que permite uma maior abertura para a fé?
  • A (minha) fé é um dom gratuito de Deus inserido na história da salvação?
© Laboratório da fé, 2013

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Papa Francisco, Carta Encíclica sobre a fé (Lumen Fidei — A luz da fé)
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 25.8.13 | Sem comentários

Palavra para hoje: vigésimo primeiro domingo


Deus promete reunir, na sua glória, todos os povos da terra. «Eu virei reunir todas as nações e todas as línguas, para que venham contemplar a minha glória» — anuncia-o pela boca do profeta Isaías. O verdadeiro Deus não pode ser senão Deus para todos. Ele vem reunir todos os povos para lhes dar a felicidade, para os fazer felizes. Jesus Cristo não nos embala em ilusões: «Esforçai-vos por entrar pela porta estreita». Para ele, estreita é a porta que ele abriu àqueles que o seguem «do oriente e do ocidente, do norte e do sul», para os conduzir até ao Pai. Todos formam a Igreja a caminho, em peregrinação, a Igreja da Páscoa, que não se preocupa em aumentar o catálogo dos pecados, mas em anunciar o mistério da salvação.


Pergunta da semana: 

O que significa, para mim, esforçar-se por entrar pela porta estreita?

Palavra de Deus - Lectio divina - imagem de fano
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 25.8.13 | Sem comentários
La Biblia compartida — blogue de Javier Velasco-Arias y Quique Fernández

No evangelho do vigésimo primeiro domingo, à pergunta: «Senhor, são poucos os que se salvam?», Jesus não responde sim nem não; ao menos é o que parece à primeira vista. Numa leitura mais repousada, damos conta que são muitos — melhor, todos — os que estamos convidados para o banquete do Reino: «Hão de vir do Oriente e do Ocidente, do Norte e do Sul, e sentar-se-ão à mesa no reino de Deus».
Mas, há mais matizes na resposta de Jesus. Jesus fala de esforço: a salvação é um dom gratuito, mas exige de nós uma resposta, uma resposta de amor, de amor de doação, de amor desinteressado... Na minha terra diz-se com frequência: «obras são amores e não boas razões».
E Jesus continua, num discurso que tem muito a ver com o juízo final: «Então começareis a dizer: ‘Comemos e bebemos contigo e tu ensinaste nas nossas praças’. Mas ele responderá: ‘Repito que não sei donde sois. Afastai-vos de mim, todos os que praticais a iniquidade’». Não é difícil descobrir que fala de muitos que participaram na mesa do pão da vida e na mesa da palavra de Deus — hoje, diríamos, na Eucaristia — mas não são reconhecidos como dignos do Reino de Deus. Não é suficiente uma vida de oração e de sacramentos, se em nós não há uma mudança definitiva, radical... Não nos pede para ser «super-homem» ou «super-mulher», mas algo mais simples, embora mais essencial: que toda a nossa vida e todos os nossos atos estejam fecundados pelo amor.

© Javier Velasco-Arias

© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
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Preparar o vigésimo primeiro domingo, ano C, no Laboratório da fé
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 24.8.13 | Sem comentários

Carta encíclica sobre a fé [13]


A história de Israel mostra-nos ainda a tentação da incredulidade, em que o povo caiu várias vezes. Aparece aqui o contrário da fé: a idolatria. Enquanto Moisés fala com Deus no Sinai, o povo não suporta o mistério do rosto divino escondido, não suporta o tempo de espera. Por sua natureza, a fé pede para se renunciar à posse imediata que a visão parece oferecer; é um convite para se abrir à fonte da luz, respeitando o mistério próprio de um Rosto que pretende revelar-se de forma pessoal e no momento oportuno. Martin Buber citava esta definição da idolatria, dada pelo rabino de Kock: há idolatria, «quando um rosto se dirige reverente a um rosto que não é rosto» [10]Em vez da fé em Deus, prefere-se adorar o ídolo, cujo rosto se pode fixar e cuja origem é conhecida, porque foi feito por nós. Diante do ídolo, não se corre o risco de uma possível chamada que nos faça sair das próprias seguranças, porque os ídolos «têm boca, mas não falam» (Salmo 115, 5). Compreende-se assim que o ídolo é um pretexto para se colocar a si mesmo no centro da realidade, na adoração da obra das próprias mãos. Perdida a orientação fundamental que dá unidade à sua existência, o ser humano dispersa-se na multiplicidade dos seus desejos; negando-se a esperar o tempo da promessa, desintegra-se nos mil instantes da sua história. Por isso, a idolatria é sempre politeísmo, movimento sem meta de um senhor para outro. A idolatria não oferece um caminho, mas uma multiplicidade de veredas que não conduzem a uma meta certa, antes se configuram como um labirinto. Quem não quer confiar-se a Deus, deve ouvir as vozes dos muitos ídolos que lhe gritam: «Confia-te a mim!». A fé, enquanto ligada à conversão, é o contrário da idolatria: é separação dos ídolos para voltar ao Deus vivo, através de um encontro pessoal. Acreditar significa confiar-se a um amor misericordioso que sempre acolhe e perdoa, que sustenta e guia a existência, que se mostra poderoso na sua capacidade de endireitar os desvios da nossa história. A fé consiste na disponibilidade a deixar-se incessantemente transformar pelo chamamento de Deus. Paradoxalmente, neste voltar-se continuamente para o Senhor, o ser humano encontra uma estrada segura que o liberta do movimento dispersivo a que o sujeitam os ídolos.

[10] Martin Buber, Die Erzählungen der Chassidim (Zurique 1949), 793

A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»]
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Refletir... saborear

  • A tentação da incredulidade atravessa a história do povo de Israel
  • A idolatria é o contrário da fé
  • A adoração do ídolo parece ser mais atrativa do que a fé
  • O ídolo é um pretexto para se colocar a si mesmo no centro da vida
  • A idolatria conduz a um labirinto
  • A fé convida ao encontro pessoal com o Deus vivo
  • A fé consiste em deixar-se transformar pelo chamamento divino
  • Quais são as minhas tentações de incredulidade?
  • Porque é que a adoração do ídolo é mais atrativa do que a fé?
  • Quando é que me sinto mais vulnerável às tentações da idolatria?
  • A (minha) fé é um encontro com o Deus vivo?
  • Deixo-me transformar pelo amor misericordioso de Deus?
© Laboratório da fé, 2013

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Papa Francisco, Carta Encíclica sobre a fé (Lumen Fidei — A luz da fé)
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 24.8.13 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGOvigésimo primeiro domingo

25 DE AGOSTO DE 2013

Evangelho segundo Lucas 13, 22-30

Naquele tempo, Jesus dirigia-Se para Jerusalém e ensinava nas cidades e aldeias por onde passava. Alguém Lhe perguntou: «Senhor, são poucos os que se salvam?». Ele respondeu: «Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, porque Eu vos digo que muitos tentarão entrar sem o conseguir. Uma vez que o dono da casa se levante e feche a porta, vós ficareis fora e batereis à porta, dizendo: ‘Abre-nos, senhor’; mas ele responder-vos-á: ‘Não sei donde sois’. Então começareis a dizer: ‘Comemos e bebemos contigo e tu ensinaste nas nossas praças’. Mas ele responderá: ‘Repito que não sei donde sois. Afastai-vos de mim, todos os que praticais a iniquidade’. Aí haverá choro e ranger de dentes, quando virdes no reino de Deus Abraão, Isaac e Jacob e todos os Profetas, e vós a serdes postos fora. Hão de vir do Oriente e do Ocidente, do Norte e do Sul, e sentar-se-ão à mesa no reino de Deus. Há últimos que serão dos primeiros e primeiros que serão dos últimos».



Hão de vir do Oriente e do Ocidente, do Norte e do Sul,
e sentar-se-ão à mesa do reino de Deus

No início da segunda etapa da viagem para Jerusalém, Jesus fala-nos de um dos seus temas prediletos: o Reino de Deus. E, para que os simples o entendam, utiliza uma linguagem metafórica. Fala de uma sala, com uma única porta de entrada, onde se celebra o banquete escatológico.
À pergunta lançada por alguém do meio do público (que quer saber quantos entrarão na sala), Jesus responde frontalmente ao preconceito do interlocutor: salvar-se ou condenar-se não é um privilégio; é uma questão de responsabilidade pessoal. Ao contrário da «porta larga», sinal de permissividade, a «porta estreita» significa exigência. Ser discípulo de Jesus não é compatível com uma vida fácil, egoísta e preguiçosa (versículos 23-24).
O episódio da «porta estreita» evoca o juízo final (cf. Mateus 25, 10-12; 7, 21-23). É inútil insistir, alegando todo o tipo de argumentos (por exemplo: ter sido amigo do Senhor, conterrâneo ou comensal), se alguém passou pela vida sem fazer o bem ou deixou a conversão para o momento definitivo (versículos 25-27).
No final, celebra-se o banquete escatológico, com os patriarcas e os profetas de Israel sentados à mesa com uma multidão imensa de peregrinos vindos de todas as partes do mundo. Os que, pensando ser os primeiros por pertencer ao povo de Deus, se negaram a passar pela porta estreita, ficarão de fora do convite para sempre. Ao contrário, entrarão os que se mantiveram fiéis ao Senhor (versículos 28-30).

© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
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Preparar o vigésimo primeiro domingo, ano C, no Laboratório da fé
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 23.8.13 | Sem comentários

Carta encíclica sobre a fé [12]


A história do povo de Israel, no livro do Êxodo, continua na esteira da fé de Abraão. De novo, a fé nasce de um dom originador: Israel abre-se à ação de Deus, que quer libertá-lo da sua miséria. A fé é chamada a um longo caminho, para poder adorar o Senhor no Sinai e herdar uma terra prometida. O amor divino possui os traços de um pai que conduz o seu filho pelo caminho (cf. Deuteronómio 1, 31). A confissão de fé de Israel desenrola-se como uma narração dos benefícios de Deus, da sua ação para libertar e conduzir o povo (cf. Deuteronómio 26, 5-11); narração esta, que o povo transmite de geração em geração. A luz de Deus brilha para Israel, através da comemoração dos factos realizados pelo Senhor, recordados e confessados no culto, transmitidos pelos pais aos filhos. Deste modo aprendemos que a luz trazida pela fé está ligada com a narração concreta da vida, com a grata lembrança dos benefícios de Deus e com o progressivo cumprimento das suas promessas. A arquitetura gótica exprimiu-o muito bem: nas grandes catedrais, a luz chega do céu através dos vitrais onde está representada a história sagrada. A luz de Deus vem-nos através da narração da sua revelação e, assim, é capaz de iluminar o nosso caminho no tempo, recordando os benefícios divinos e mostrando como se cumprem as suas promessas.

A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»]
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Refletir... saborear

  • A fé do povo de Israel segue o exemplo de Abraão
  • A fé nasce de um dom originador: Deus
  • A fé é chamada a fazer caminho
  • A luz da fé dá-se na narração da vida
  • A confissão de fé de Israel faz-se na narração da ação de Deus em seu favor
  • A luz da de Israel transmite-se de geração em geração na:
    — comemoração dos factos realizados por Deus
    — recordação dessa ação de Deus
    — celebração cultual desses acontecimentos
    — transmissão familiar
  • Os vitrais das catedrais góticas ilustram bem esta realidade
  • A fé, para mim, é um caminho a percorrer?
  • A confissão da (minha) fé faz-se em «doutrinas» ou na narração da vida?
  • O que tenho para dizer sobre a ação de Deus na minha vida?
  • Comemoro os factos realizados por Deus?
  • Recordo a ação de Deus?
  • Celebro cultualmente a presença de Deus?
  • Transmito aos meus familiares a ação de Deus na minha vida?
© Laboratório da fé, 2013

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Papa Francisco, Carta Encíclica sobre a fé (Lumen Fidei — A luz da fé)
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 23.8.13 | Sem comentários

A porta da fé [2]


Estamos a catorze semanas de concluir o Ano da Fé, que se iniciou em outubro de 2012 e terminará em novembro de 2013. Semanalmente, apresentamos um número da Carta Apostólica do papa Bento XVI com a qual proclamou o Ano da Fé — «A porta da fé» («Porta Fidei»). E juntamos uma proposta de reflexão elaborada por Pedro Jaramillo. O objetivo é dar um contributo para uma avaliação mais cuidada sobre a forma como estamos a viver o Ano da Fé. Bom proveito!

Desde o princípio do meu ministério como Sucessor de Pedro, lembrei a necessidade de redescobrir o caminho da fé para fazer brilhar, com evidência sempre maior, a alegria e o renovado entusiasmo do encontro com Cristo. Durante a homilia da Santa Missa no início do pontificado, disse: «A Igreja no seu conjunto, e os Pastores nela, como Cristo devem pôr-se a caminho para conduzir os homens fora do deserto, para lugares da vida, da amizade com o Filho de Deus, para Aquele que dá a vida, a vida em plenitude» [1]. Sucede não poucas vezes que os cristãos sintam maior preocupação com as consequências sociais, culturais e políticas da fé do que com a própria fé, considerando esta como um pressuposto óbvio da sua vida diária. Ora um tal pressuposto não só deixou de existir, mas frequentemente acaba até negado [2]. Enquanto, no passado, era possível reconhecer um tecido cultural unitário, amplamente compartilhado no seu apelo aos conteúdos da fé e aos valores por ela inspirados, hoje parece que já não é assim em grandes sectores da sociedade devido a uma profunda crise de fé que atingiu muitas pessoas.

[1] Homilia no início do ministério petrino do Bispo de Roma (24 de Abril de 2005): AAS97 (2005), 710
[2] Cf. Bento XVI, Homilia da Santa Missa no Terreiro do Paço (Lisboa – 11 de Maio de 2010): L’Osservatore Romano (ed. port. de 15/V/2010), 3


A porta da fé [Carta Apostólica para o Ano da Fé - «Porta Fidei»]

  • A porta da fé — números publicados no Laboratório da fé > > >



Aspetos que se podem sublinhar

  • Caminho da fé e encontro vivo com Cristo. A meta do ato de fé é o nosso encontro pessoal com Jesus Cristo. Sem este encontro, não passamos de batizados a discípulos.
  • Um caminho salvador: «conduzir os homens [para] fora do deserto, para lugares da vida». Bento XVI gosta muito de falar dos «desertos» pessoais. São aquelas zonas da nossa vida que ainda não foram «fecundadas pela graça». Examino os meus «desertos pessoais».
  • Não dar como suposto, sem o explicitar, que a fé é a fonte de todos os compromissos crentes. Temos de nos comprometer com a vida? SIM. E o mais maravilhoso é que a raiz desse compromisso é a nossa própria fé. Não temos que pedir emprestadas outras motivações. É a mesma fé que temos que nos leva ao compromisso.
  • A crise de fé manifesta-se, especialmente, na falta de evangelização da cultura e das culturas. Quando conseguimos evangelizar as culturas (fazer que sejam mais conformes ao Evangelho) é muito mais fácil «respirar» a fé. Quando as culturas perdem a inspiração evangélica, muitas vezes temos de «nadar contra a corrente».

Interiorizando

  • Examinamos se a fé já desceu da cabeça ao coração e é «geradora de vida». Não é suficiente «saber» os conteúdos da fé. A fé tem de descer ao coração para, a partir dele, influenciar os meus comportamentos.

  • Examinamos se a fé nos converte em «espaço de vida», para onde podemos convidar aqueles que andam pelos «desertos da morte». A fé faz-nos crescer, amadurecer e viver em plenitude. É como a semente: nasce, cresce, faz dos nossos campos «espaços de vida». Que diferença quando há seca! Tudo parece um deserto.

  • Examinamos se a fé está na fonte dos nossos compromissos de vida. Temos que nos dedicar aos compromissos familiares e sociais. Mas, para um crente, a raiz desse compromisso é a fé. Com mais fé, mais compromisso.

  • Examinamos se a nossa ação evangelizadora é individualista (interessa-nos apenas «salvar almas») ou procura chegar à evangelização das culturas. O que temos de mudar pessoal e pastoralmente, para que seja assim? Para poder «salvar pessoas» temos que «salvar» as situações em que essas pessoas vivem. Já dizia São Tomás: «não se podem evangelizar estômagos vazios».

© Pedro Jaramillo
© Tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013

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Bento XVI, Carta Apostólica «A porta da fé»
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 22.8.13 | Sem comentários
Encuentros con la Palabra — blogue de Hermann Rodríguez Osorio

«Larga é a porta
  • dos centros comerciais para dependentes refinados;
  • dos hotéis de luxo para a «elite» do negócio e do poder;
  • dos que correm para lavar os dólares do narcotráfico;
  • dos sepulcros vazios que cultivam fachadas e aparências.

Estreita é a porta
  • dos que servem nas residências milionárias;
  • dos calabouços que reprimem os justos;
  • das refeições confecionadas com as sobras;
  • das decisões solidárias com os oprimidos.

Largo é o caminho
  • dos latifúndios que se perdem no horizonte baldio;
  • das autoestradas para as praias exclusivas;
  • da corrupção que se passeiam em carros de luxo;
  • das multidões domesticadas pelo hábito.

Estreito é o caminho
  • dos que enterram a pá no cimento dos grandes edifícios;
  • dos becos nos bairros marginalizados;
  • da nova justiça aberta no meio da selva legal;
  • do futuro do Reino que não é notícia em nenhum jornal.

Largo é o caminho
  • que leva os sumo sacerdotes ao templo de Jerusalém;
  • da casa de Herodes construída com impostos populares;
  • do palácio imperial de Pilatos;
  • das aclamações das multidões fartas de pão.

Estreito é o caminho
  • que vai de Belém à gruta dos pastores;
  • que Jesus percorre até às aldeias perdidas da Galileia;
  • que sobe até ao monte da Transfiguração;
  • da viela que atravessa Jerusalém e vai até ao Calvário;
  • da decisão que conduz até ao Getsemani no meio da noite.

Ampla é a rua que leva à perdição.
Estreita é a viela que conduz à vida».

É bem propositada a recordação desta poesia de Benjamín González Buelta, sj, quando a liturgia propõe o texto evangélico de Lucas, no qual Jesus recomenda aos discípulos: «Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, porque Eu vos digo que muitos tentarão entrar sem o conseguir». É muito fácil que nos sintamos atraídos pelas portas e pelos caminhos largos que nos são oferecidos pela sociedade do consumo. É muito fácil esquecermo-nos que a viela que conduz à vida é estreita e supõe sacrifícios. Cada um tem que rever a sua vida e perceber por onde passam estes caminhos estreitos do seguimento do Senhor, na nossa própria história.

© Hermann Rodríguez Osorio, SJ

© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor



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  • Lucas 13, 22-30 — notas exegéticas > > >



Preparar o vigésimo primeiro domingo, ano C, no Laboratório da fé
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 22.8.13 | Sem comentários
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