Maria, ícone da fé obediente


Maria, ícone da fé obediente — Maria vive inteiramente da e na relação com o Senhor; põe-se em atitude de escuta, atenta a captar os sinais de Deus no caminho do seu povo; está inserida numa história de fé e de esperança nas promessas de Deus, que constitui o tecido da sua existência. E submete-se de maneira livre à palavra recebida, na obediência da fé. Esta abertura a Deus na fé inclui também o elemento da obscuridade. Maria vive a sua fé na alegria da Anunciação, mas passa inclusive através da obscuridade da crucifixão do seu Filho, para poder chegar até à luz da Ressurreição. Não é diferente inclusive para o caminho de fé de cada um de nós: encontramos momentos de luz, mas vivemos também outros nos quais Deus parece ausente; o seu silêncio pesa no nosso coração e a sua vontade não corresponde à nossa, àquilo que nós gostaríamos. Mas quanto mais nos abrirmos a Deus, acolhermos o dom da fé, depositarmos totalmente nele a nossa confiança — como Abraão e como Maria — tanto mais Ele nos torna capazes, mediante a sua presença de viver cada situação da vida na paz e na certeza da sua fidelidade e do seu amor. No entanto, isto significa sair de nós mesmos e dos nossos projetos, a fim de que a Palavra de Deus seja a lâmpada orientadora dos nossos pensamentos e das nossas acções.

Mistérios a partir da reflexão do papa Bento XVI


  • PRIMEIRO MISTÉRIO: AVE
«Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo!». São estas as palavras — citadas pelo evangelista Lucas — com as quais o arcanjo Gabriel se dirige a Maria. A saudação do anjo a Maria constitui um convite à alegria, a um júbilo profundo, anuncia o fim da tristeza que existe no mundo, diante do limite da vida, do sofrimento, da morte, da maldade e da obscuridade do mal que parece ofuscar a luz da bondade divina. Trata-se de uma saudação que marca o início do Evangelho, da Boa Nova.

  • SEGUNDO MISTÉRIO: CHEIA DE GRAÇA
Na saudação do anjo, Maria é chamada «cheia de graça»; em grego o termo «graça» tem a mesma raiz linguística da palavra «alegria». O júbilo provém da graça, ou seja, deriva da comunhão com Deus, do facto de manter um vínculo tão vital com Ele, a ponto de ser morada do Espírito Santo, totalmente plasmada pela obra de Deus. Maria é a criatura que de modo singular abriu totalmente a porta ao seu Criador, colocando-se nas suas mãos sem quaisquer limites.

  • TERCEIRO MISTÉRIO: O SENHOR ESTÁ CONTIGO
«O Senhor está contigo». No diálogo entre o anjo e Maria realiza-se exactamente a promessa feita a Israel conforme o livro do Sofonias: «Alegra-te, filha de Sião... O Senhor teu Deus está no meio de ti». Deus virá como Salvador e fará a sua morada precisamente no meio do seu povo, no ventre da filha de Sião. Maria é identificada com o povo desposado por Deus, é verdadeiramente a Filha de Sião em pessoa; é nela que se cumpre a expetativa da vinda definitiva de Deus, é nela que o Deus vivo faz a sua morada.

  • QUARTO MISTÉRIO: CONSERVAVA TODAS AS COISAS NO CORAÇÃO
No Evangelho de Lucas, afirma-se que Maria «conservava todas estas coisas, ponderando-as no seu coração». Maria não se limita a uma compreensão superficial, mas sabe olhar em profundidade, deixa-se interpelar pelos acontecimentos, elabora-os, discerne-os e alcança aquele entendimento que só a fé pode garantir. É a humildade profunda da fé obediente de Maria, que acolhe em si mesma também aquilo que não compreende no agir de Deus, deixando que seja Deus quem abre a sua mente e o seu coração.

  • QUINTO MISTÉRIO: A FIGURA DE ABRAÃO
O evangelista Lucas narra a vicissitude de Maria através de um paralelismo requintado com a vicissitude de Abraão. Do mesmo modo como o grande Patriarca é o pai dos crentes, que respondeu à chamada de Deus para sair da terra em que vivia, das suas seguranças, para começar a percorrer o caminho rumo a uma terra desconhecida e possuída só na promessa divina, assim Maria entrega-se com plena confiança à palavra que lhe anuncia o mensageiro de Deus, tornando-se modelo e mãe de todos os crentes.

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Maio, mês de Maria, 2013 — Laboratório da fé

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 3.5.13 | Sem comentários

Santos Filipe e Tiago, 3 de maio


Evangelho segundo João 14, 6-14

Naquele tempo,disse Jesus aos seus discípulos: «Eu sou o caminho, a verdade e a vida: ninguém vai ao Pai senão por Mim. Se Me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai. Mas desde agora já O conheceis e já O vistes». Disse-Lhe Filipe: «Senhor, mostra-nos o Pai e isto nos basta». Respondeu-lhe Jesus: «Há tanto tempo estou convosco e não Me conheces, Filipe? Quem Me vê, vê o Pai. Como podes tu dizer: ‘Mostra-nos o Pai’? Não acreditas que Eu estou no Pai e o Pai está em Mim? As palavras que vos digo, não as digo por Mim próprio, mas é o Pai, permanecendo em Mim, que faz as obras. Acreditai-Me: Eu estou no Pai e o Pai está em Mim. Acreditai ao menos pelas minhas obras. Em verdade, em verdade vos digo: Quem acredita em Mim fará também as obras que Eu faço e fará obras ainda maiores, porque Eu vou para o Pai. E tudo quanto pedirdes em meu nome, Eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho. Se pedirdes alguma coisa em meu nome, Eu a farei».


Quem acredita em Mim fará também as obras que Eu faço

Filipe e Tiago são dois apóstolos, cuja festa a Igreja celebra no mesmo dia: 3 de maio. Sobre cada um destes apóstolos o papa Bento XVI fez uma descrição em duas Audiências Gerais: Filipe e Tiago.
Filipe foi um dos primeiros a seguir Jesus Cristo. Tinha sido discípulo de João Batista; era de Betsaida. A tradição diz que desenvolveu a sua pregação na Ásia Menor e que morreu na atual Turquia. Os restos mortais, juntamente com os de Tiago, foram depositados, no século VI, na basílica dos Doze Apóstolos, em Roma.
Tiago, o Menor, era filho de Alfeu. Existem dúvidas quando ao facto de se tratar de um primo de Jesus Cristo. Este é o que aparece como primeiro bispo da comunidade de Jerusalém e é também o autor da carta do Novo Testamento com o mesmo nome (Carta de S. Tiago). Foi decisivo no Concílio de Jerusalém. 
O evangelho proposto para este dia apresenta-nos Jesus como imagem de Deus, imagem do Pai. O conhecimento de Deus passa pelo (re)conhecimento de Jesus Cristo. O Filho é o caminho para o Pai. Ora, Filipe, representando todos os apóstolos, via Jesus Cristo apenas como um homem, um ser humano. Mas Jesus Cristo mostra-lhe que é preciso aprender a ver Deus presente na sua pessoa. Deus humaniza-se em Jesus Cristo. É nisto que Filipe — e todos os cristãos — têm de acreditar.
Em seguida, Jesus Cristo apresenta a consequência de quem acredita que ele é a presença de Deus no mundo, na nossa vida. «Quem acredita em Mim fará também as obras que Eu faço». Uma vez mais constatamos que acreditar em Jesus Cristo não é apenas uma adesão doutrinal e intelectual. 
Acreditar em Jesus Cristo é uma questão vital, envolve toda a vida. Aqueles e aquelas que querem seguir Jesus Cristo têm de agir como ele, fazer as mesmas obras. O amor, complemento energético fundamental para uma vida ressuscitada, torna-se fecundo na vida dos que imitam Jesus Cristo. Quando procuramos imitar Jesus Cristo, as nossas obras produzem efeitos parecidos com os que ele fazia acontecer na vida das pessoas.

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João 20, 20 - www.laboratoriodafe.net
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 3.5.13 | Sem comentários

Mês de maio, Mês de Maria


No contexto do Ano da Fé, o papa Bento XVI dedicou as Audiências Gerais das quartas-feiras ao tema da fé. Em tempo de Advento (19 de dezembro de 2012) refletiu sobre Maria como «ícone da fé obediente». 

Queridos irmãos e irmãs!
No caminho do Advento, a Virgem Maria ocupa um lugar especial, como Aquela que de maneira singular esperou a realização das promessas de Deus, acolhendo na fé e na carne Jesus, o Filho de Deus, em plena obediência à vontade divina. Hoje, gostaria de meditar brevemente convosco a propósito da fé de Maria, a partir do grande mistério da Anunciação.
«Chaîre kecharitomene, ho Kyrios meta sou», «Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo!» (Lucas 1, 28). São estas as palavras — citadas pelo evangelista Lucas — com as quais o arcanjo Gabriel se dirige a Maria. À primeira vista, o termo «chaîre» («ave»), parece uma saudação normal, usual no âmbito grego, mas estas palavras, se forem lidas no contexto da tradição bíblica, adquirem um significado muito mais profundo. Este mesmo termo aparece quatro vezes na versão grega do Antigo Testamento e sempre como anúncio de alegria pela vinda do Messias (cf. Sofonias 3, 14; Joel 2, 21; Zacarias 9, 9; Lamentações 4, 21). Portanto, a saudação do anjo a Maria constitui um convite à alegria, a um júbilo profundo, anuncia o fim da tristeza que existe no mundo, diante do limite da vida, do sofrimento, da morte, da maldade e da obscuridade do mal que parece ofuscar a luz da bondade divina. Trata-se de uma saudação que marca o início do Evangelho, da Boa Nova.
Mas por que Maria é convidada a alegrar-se deste modo? A resposta encontra-se na segunda parte da saudação: «o Senhor está contigo». Também aqui, para compreender bem o sentido desta expressão, devemos consultar o Antigo Testamento. No Livro de Sofonias, encontramos esta expressão: «Alegra-te, filha de Sião... O rei de Israel, que é o Senhor, está no meio de ti... O Senhor teu Deus está no meio de ti como Salvador poderoso» (3, 14-17). Nestas palavras existe uma promessa dupla feita a Israel, à filha de Sião: Deus virá como Salvador e fará a sua morada precisamente no meio do seu povo, no ventre da filha de Sião. No diálogo entre o anjo e Maria realiza-se exactamente esta promessa: Maria é identificada com o povo desposado por Deus, é verdadeiramente a Filha de Sião em pessoa; é nela que se cumpre a expetativa da vinda definitiva de Deus, é nela que o Deus vivo faz a sua morada.
Na saudação do anjo, Maria é chamada «cheia de graça»; em grego o termo «graça» («charis») tem a mesma raiz linguística da palavra «alegria». Também nesta expressão é ulteriormente esclarecida a nascente do alegrar-se de Maria: o júbilo provém da graça, ou seja, deriva da comunhão com Deus, do facto de manter um vínculo tão vital com Ele, a ponto de ser morada do Espírito Santo, totalmente plasmada pela obra de Deus. Maria é a criatura que de modo singular abriu totalmente a porta ao seu Criador, colocando-se nas suas mãos sem quaisquer limites. Ela vive inteiramente da e na relação com o Senhor; põe-se em atitude de escuta, atenta a captar os sinais de Deus no caminho do seu povo; está inserida numa história de fé e de esperança nas promessas de Deus, que constitui o tecido da sua existência. E submete-se de maneira livre à palavra recebida, à vontade divina na obediência da fé.
O evangelista Lucas narra a vicissitude de Maria através de um paralelismo requintado com a vicissitude de Abraão. Do mesmo modo como o grande Patriarca é o pai dos crentes, que respondeu à chamada de Deus para sair da terra em que vivia, das suas seguranças, para começar a percorrer o caminho rumo a uma terra desconhecida e possuída só na promessa divina, assim Maria entrega-se com plena confiança à palavra que lhe anuncia o mensageiro de Deus, tornando-se modelo e mãe de todos os crentes.
Gostaria de sublinhar mais um aspecto importante: a abertura da alma a Deus e à sua obra na fé inclui também o elemento da obscuridade. A relação do ser humano com Deus não cancela a distância entre Criador e criatura, não elimina aquilo que o apóstolo Paulo afirma perante as profundezas da sabedoria de Deus: «Quão impenetráveis são os seus juízos e inexploráveis os seus caminhos!» (Romanos 11, 33). Mas precisamente aquele que — como Maria — está aberto de modo total a Deus, consegue aceitar a vontade divina, ainda que seja misteriosa, embora muitas vezes não corresponda à propria vontade e seja uma espada que trespassa a alma, como profeticamente o velho Simeão dirá a Maria no momento em que Jesus é apresentado no Templo (cf. Lucas 2, 35). O caminho de fé de Abraão abrange o momento de alegria pelo dom do filho Isaac, mas inclusive o momento da obscuridade, quando deve subir ao monte Moriá para cumprir um gesto paradoxal: Deus pede-lhe que sacrifique o filho que lhe tinha acabado de doar. No monte, o anjo ordena-lhe: «Não estendas a tua mão sobre o menino, e não lhe faças nada; agora sei que temes a Deus, e não me negaste o teu filho, o teu único filho» (Génesis 22, 12); a confiança plena de Abraão no Deus fiel às promessas não esmorece nem sequer quando a sua palavra é misteriosa e difícil, quase impossível, de aceitar. É assim que acontece para Maria, pois a sua fé vive a alegria da Anunciação, mas passa inclusive através da obscuridade da crucifixão do seu Filho, para poder chegar até à luz da Ressurreição.
Não é diferente inclusive para o caminho de fé de cada um de nós: encontramos momentos de luz, mas vivemos também outros nos quais Deus parece ausente; o seu silêncio pesa no nosso coração e a sua vontade não corresponde à nossa, àquilo que nós gostaríamos. Mas quanto mais nos abrirmos a Deus, acolhermos o dom da fé, depositarmos totalmente nele a nossa confiança — como Abraão e como Maria — tanto mais Ele nos torna capazes, mediante a sua presença de viver cada situação da vida na paz e na certeza da sua fidelidade e do seu amor. No entanto, isto significa sair de nós mesmos e dos nossos projetos, a fim de que a Palavra de Deus seja a lâmpada orientadora dos nossos pensamentos e das nossas acções.
Gostaria de refletir ainda sobre um aspecto que sobressai das narrações sobre a Infância de Jesus, escritas por são Lucas. Maria e José levam o Filho a Jerusalém, ao Templo, para o apresentar e consagrar ao Senhor, como prescreve a lei de Moisés: «Todo o primogénito varão será consagrado ao Senhor» (cf. Lucas 2, 22-24). Este gesto da Sagrada Família adquire um sentido ainda mais profundo, se o interpretarmos à luz da ciência evangélica de Jesus com doze anos que, depois de três dias de procura, é encontrado no Templo a dialogar com os doutores. Às palavras cheias de preocupação de Maria e José: «Filho, porque nos fizeste isto? Olha que teu pai e eu andávamos aflitos à tua procura», corresponde a resposta misteriosa de Jesus: «Por que me procuráveis? Não sabíeis que devia estar em casa de meu Pai?» (Lucas 2, 48-49). Ou seja, na propriedade do Pai, na casa do Pai, como o é um filho. Maria deve renovar a fé profunda com que disse «sim» na Anunciação; deve aceitar que a precedência seja do verdadeiro Pai de Jesus; deve saber deixar livre aquele Filho que gerou, a fim de que siga a sua missão. E o «sim» de Maria à vontade de Deus, na obediência da fé, repete-se ao longo de toda a sua vida, até ao momento mais difícil da Cruz.
Diante de tudo isto, podemos interrogar-nos: como foi que Maria conseguiu viver este caminho ao lado do Filho, com uma fé tão sólida, também nas obscuridades, sem perder a confiança completa na obra de Deus? Existe uma atitude de fundo que Maria assume perante aquilo que se verifica na sua vida. Na Anunciação, Ela sente-se perturbada ao ouvir as palavras do anjo — trata-se do temor que o homem sente quando é tocado pela proximidade de Deus — mas não é a atitude de quantos têm medo diante daquilo que Deus pode pedir. Maria medita, interroga-se a respeito do significado de tal saudação (cf. Lucas 1, 29). O termo grego utilizado no Evangelho para definir este «meditar» («dielogizeto») evoca a raiz da palavra «diálogo». Isto significa que Maria entra em diálogo íntimo com a Palavra de Deus que lhe foi anunciada, não a considera superficialmente, mas detém-se, deixa-a penetrar na sua mente e no seu coração para compreender aquilo que o Senhor deseja dela, o sentido do anúncio. Outra referência à atitude interior de Maria diante da obra de Deus encontramo-la, ainda no Evangelho de são Lucas, no momento da Natividade de Jesus, depois da adoração dos pastores. Afirma-se que Maria «conservava todas estas coisas, ponderando-as no seu coração» (Lucas 2, 19); em grego, o termo é «symballon»; poderíamos dizer que Ela «mantinha unidos», «reunia» no seu coração todos os eventos que lhe estavam a acontecer; colocava cada um dos elementos, cada palavra, cada acontecimento no interior do tudo confrontando-o, conservando-o e reconhecendo que tudo deriva da vontade de Deus. Maria não se limita a uma primeira compreensão superficial daquilo que acontece na sua vida, mas sabe olhar em profundidade, deixa-se interpelar pelos eventos, elabora-os, discerne-os e alcança aquele entendimento que só a fé pode garantir. É a humildade profunda da fé obediente de Maria, que acolhe em si mesma também aquilo que não compreende no agir de Deus, deixando que seja Deus quem abre a sua mente e o seu coração. «Feliz daquela que acreditou que teria cumprimento as coisas que lhe foram ditas da parte do Senhor» (Lucas 1, 45), exclama a sua prima Isabel. É precisamente pela sua fé, que todas as gerações lhe chamarão ditosa.
Caros amigos, a solenidade do Natal do Senhor, que daqui a pouco celebraremos, convida-nos a viver esta mesma humildade e obediência de fé. A glória de Deus não se manifesta no triunfo e no poder de um rei, não resplandece numa cidade famosa, num palácio luxuoso, mas faz a sua morada no ventre de uma virgem, revela-se na pobreza de um menino. A omnipotência de Deus, também na nossa vida, age com a força, muitas vezes silenciosa, da verdade e do amor. Então, a fé diz-nos que no final o poder indefeso daquele Menino vence o ruído das potências do mundo.

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Papa Bento XVI















Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 3.5.13 | Sem comentários

Esta é a nossa fé [27]


Reflexão semanal 
sobre o Credo Niceno-constantinopolitano

Há uma mudança nos tempos verbais! Até agora o conteúdo do «Credo» situou-se no passado e no presente da História da Salvação. Agora, aponta para o tempo futuro: uma realidade marcada pela vinda gloriosa de Jesus Cristo. [Para ajudar a compreender melhor, ler: João 14, 1-6; Catecismo da Igreja Católica, números 668-677]

«Virei novamente e hei de levar-vos para junto de mim» — diz Jesus Cristo aos discípulos, no contexto do (longo) discurso de despedida relatado no evangelho segundo João. À proximidade com os seus discípulos, lavando-lhes os pés e insistindo no mandamento do amor, mistura-se a tensão do anúncio das negações de Pedro e da traição de Judas (cf. João 13). Agora, Jesus Cristo percebe que o rosto e o coração dos discípulos estão perturbados. Por isso, anima-os a ter fé, a ter confiança nele e no Pai. Tranquiliza os seus amigos. Apesar de todas as contrariedades e situações difíceis, explica-lhes que a esperança humana será levada à plenitude. Porque, no coração de Deus, há lugar para todos os seus filhos. A exortação à confiança está também associada à «partida» de Jesus Cristo para a «casa» do Pai onde preparará um «lugar» para os seus amigos. Mas não devem ficar tristes, pois não se trata de um abandono definitivo; ele voltará: «virei novamente e hei de levar-vos para junto de mim». Os discípulos não compreendem. Em nome de todos, Tomé assume essa incompreensão. Ainda não perceberam qual é a meta nem o caminho para lá chegar: «Não sabemos para onde vais, como podemos nós saber o caminho?». A resposta está no próprio Jesus Cristo. Ele é o caminho. «Jesus esclarece os discípulos de que a sua partida é abrir caminho para a casa do Pai, a meta final para todos» (Bíblia Sagrada, Nota ao texto de João 14, 2-3, Difusora Bíblica, 1758).

De novo há de vir em sua glória. «A fé no regresso de Cristo é o segundo pilar da profissão de fé cristã. Ele, que se fez carne e agora permanece Homem para sempre, que para sempre inaugurou em Deus a esfera do ser humano, chama todo o mundo a entrar nos braços abertos de Deus» (Bento XVI, «Jesus de Nazaré. Parte II — Da Entrada em Jerusalém até à Ressurreição, Princípia Editora, Cascais 2011, 232). As primeiras comunidades cristãs sempre assumiram esta esperança pela vinda gloriosa de Jesus Cristo, como o comprova, entre outros, o final do livro do Apocalipse (que também encerra a Bíblia): «‘Eis que Eu venho em breve. Feliz o que puser em prática as palavras da profecia deste livro. [...] Sim. Virei brevemente’. — Ámen! Vem, Senhor Jesus!» (Apocalipse 22, 7.20). Este texto reflete a expressão aramaica «Marana thá» («Vinde, Senhor») — ou «Maran atha» («O Senhor veio») — usada pelos (primeiros) cristãos. Conforme escreve Bento XVI, «sabemos, pela ‘Didaché’ (cerca do ano 100), que este brado fazia parte das orações litúrgicas da Celebração Eucarística dos primeiros cristãos, aparecendo aqui concretamente também a unidade dos dois modos de leitura: os cristãos invocam a vinda definitiva de Jesus e ao mesmo tempo veem, com alegria e gratidão, que Ele antecipa já agora a sua vinda, dá entrada já agora no nosso meio» (Bento XVI, «Jesus de Nazaré. Parte II...», 233). Na verdade, esta esperança pela vinda de Jesus Cristo ainda hoje se mantém no ritual da Eucaristia, quando após o Pai nosso o presidente reza: «enquanto esperamos a vinda gloriosa de Jesus Cristo nosso Salvador». E, antes, há uma aclamação em que a assembleia proclama: «Vinde, Senhor Jesus!» ou «esperando a vossa vinda gloriosa». Ao professarmos a nossa fé na vinda de Jesus Cristo manifestamos a nossa convicção de que a história tem uma meta, um sentido que se revelará pleno, no final dos tempos. Esta dimensão da esperança cristã está bem patente no tempo litúrgico do Advento (período que antecede o Natal). Nele, celebramos a preparação para a vinda histórica de Jesus Cristo e a esperança na vinda no final dos tempos, quando entrarmos definitivamente na vida em Deus. Mas não só: há uma outra vinda. «O tempo do Advento é celebrar e abrir-se à vinda constante de Deus, de Jesus, às nossas vidas e à vida da humanidade. Porque Deus vem agora» (Josep Ligadas, «Advento: o Senhor vem», Paulinas, Prior Velho 2003, 10). Na verdade, é preciso ter claro que o facto de nos referirmos a uma nova vinda não significa que Jesus Cristo se encontra ausente do tempo presente. O próprio Jesus Cristo prometeu estar sempre connosco (cf. Mateus 28, 20).

A esperança pela vinda gloriosa de Cristo provoca a alegria de um dia entrarmos na plenitude da vida em Deus. Mas é também um apelo à nossa responsabilidade: Jesus virá «para julgar».

© Laboratório da fé, 2013


  

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 2.5.13 | Sem comentários

Maria no Ano da Fé


«Será decisivo repassar, durante este Ano da Fé, a história da nossa fé [...]. Ao longo deste tempo, manteremos o olhar fixo sobre Jesus Cristo [...]. Pela fé, Maria acolheu a palavra do Anjo e acreditou no anúncio de que seria Mãe de Deus na obediência da sua dedicação (cf. Lucas 1, 38). Ao visitar Isabel, elevou o seu cântico de louvor ao Altíssimo pelas maravilhas que realizava em quantos a Ele se confiavam (cf. Lucas 1, 46-55). Com alegria e trepidação, deu à luz o seu Filho unigénito, mantendo intacta a sua virgindade (cf. Lucas 2, 6-7). Confiando em José, seu Esposo, levou Jesus para o Egipto a fim de O salvar da perseguição de Herodes (cf. Mateus 2, 13-15). Com a mesma fé, seguiu o Senhor na sua pregação e permaneceu a seu lado mesmo no Gólgota (cf. João 19, 25-27). Com fé, Maria saboreou os frutos da ressurreição de Jesus e, conservando no coração a memória de tudo (cf. Lucas 2, 19.51), transmitiu-a aos Doze reunidos com Ela no Cenáculo para receberem o Espírito Santo (cf. Atos dos Apóstolos 1, 14; 2, 1-4)» (Bento XVI, «A Porta da Fé», 13).


Mistérios a partir do texto evangélico das Bodas de Caná


  • PRIMEIRO MISTÉRIO: O TERCEIRO DIA
«Ao terceiro dia, realizou-se um casamento em Caná da Galileia e estava lá a Mãe de Jesus». A narração deste episódio começa com uma indicação cronológica — «ao terceiro dia» — que nos faz lembrar o acontecimento central da nossa fé: a ressurreição de Jesus Cristo. Na Bíblia, o terceiro dia expressa a novidade da ação de Deus. Por isso, segundo o evangelista João, Jesus Cristo começa a sua missão, ao terceiro dia. Eis que se inicia um tempo novo, uma nova ação de Deus no mundo!

  • SEGUNDO MISTÉRIO: O CASAMENTO
«Jesus e os seus discípulos foram também convidados para o casamento». «Porque será que o quarto evangelho começa a descrever a atividade de Jesus com um facto aparentemente tão profano como uma boda? [...] A ocasião desta revelação do mistério de Jesus é dada por uma realidade muito humana, ou seja, por um banquete de casamento, em que Jesus se integra com naturalidade. Esta festa recorda-nos a alegria da festa prometida aos discípulos de Jesus» (Carlo Maria Martini, «Tomados de Assombro: Um grande testamento espiritual», Paulinas, Prior Velho 2013).

  • TERCEIRO MISTÉRIO: O VINHO
«A certa altura faltou o vinho. Então a Mãe de Jesus disse-Lhe: ‘Não têm vinho’». Maria não pede nada. Apenas apresenta a Jesus a dificuldade em que se encontram aqueles amigos. Maria confia plenamente na ação de Jesus Cristo. Na Bíblia, o vinho é símbolo de alegria, de amizade, de amor, de festa. «A falta de vinho é tudo aquilo que fecha, endurece, cria suspeita, tristeza, melindre, suscetibilidade, litigiosidade, mau humor, pessimismo, crítica corrosiva, acidez» (Carlo Maria Martini, «A alegria do Evangelho», Edições Paulistas, Lisboa 1992).

  • QUARTO MISTÉRIO: A HORA
«Jesus respondeu-Lhe: ‘Mulher, que temos nós com isso? Ainda não chegou a minha hora’». A resposta de Jesus Cristo anuncia uma novidade. O evangelista está constantemente a fazer referência à «hora» de Jesus Cristo. É o acontecimento da Cruz e da Ressurreição. Neste momento, Jesus Cristo ensina que a realização plena não vai ser imediata. Mas está próxima. O verdadeiro vinho de que precisam os seus amigos depende dessa «hora»: a Morte e Ressurreição.

  • QUINTO MISTÉRIO: O AGIR
«Sua Mãe disse aos serventes: ‘Fazei tudo o que Ele vos disser’». «Esta breve frase contém o programa de vida que Maria realizou como primeira discípula do Senhor. É um programa de vida que se apoia num fundamento sólido que tem um nome: Jesus. [...] Construí a vossa vida sobre o fundamento que é Jesus. Desejo que a vossa meditação sobre o mistério de Maria vos leve a imitar a sua maneira de viver. Aprendei com ela a escutar e a pôr em prática a Palavra de Deus» (João Paulo II, Mensagem para o Dia Mundial da Juventude de 1988).

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Maio, mês de Maria, 2013 — Laboratório da fé


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 2.5.13 | Sem comentários

Mês de maio, Mês de Maria


«Será decisivo repassar, durante este Ano da Fé, a história da nossa fé [...].
Ao longo deste tempo, manteremos o olhar fixo sobre Jesus Cristo [...].
Pela fé, Maria acolheu a palavra do Anjo e acreditou no anúncio de que seria Mãe de Deus na obediência da sua dedicação (cf. Lucas 1, 38). Ao visitar Isabel, elevou o seu cântico de louvor ao Altíssimo pelas maravilhas que realizava em quantos a Ele se confiavam (cf. Lucas 1, 46-55). Com alegria e trepidação, deu à luz o seu Filho unigénito, mantendo intacta a sua virgindade (cf. Lucas 2, 6-7). Confiando em José, seu Esposo, levou Jesus para o Egipto a fim de O salvar da perseguição de Herodes (cf. Mateus 2, 13-15). Com a mesma fé, seguiu o Senhor na sua pregação e permaneceu a seu lado mesmo no Gólgota (cf. João 19, 25-27). Com fé, Maria saboreou os frutos da ressurreição de Jesus e, conservando no coração a memória de tudo (cf. Lucas 2, 19.51), transmitiu-a aos Doze reunidos com Ela no Cenáculo para receberem o Espírito Santo (cf. Atos dos Apóstolos 1, 14; 2, 1-4)» (Bento XVI, «A Porta da Fé», 13).

Maio, mês de Maria, 2013 — Laboratório da fé

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 2.5.13 | Sem comentários

Histórias, contos e reflexões... fusão entre Ana Caridade e Julinha




Ando-me a questionar o que é isto de espiritualidade!
Desde muito novinha me questionei sobre a existência de Deus, do Sagrado, da Deusa, do que cada um, na sua crença, chamar. E procurei-O em livros e mais livros e mais livros... desde o ocidente ao oriente. Muitas coisas li, histórias bonitas, histórias de dor, histórias das coisas que as pessoas fazem, algumas que magoam e outras que fazem feliz. A dor e a felicidade são necessárias para valorizarmos a vida... é preciso permitir sentir com essa verdade do que é, só assim nos conhecemos e crescemos.
Sabes aonde O encontrei? No meu sentir... bem dentro de mim... num local que eu chamo de coração... e também encontrei em cada olhar que me cruzo, encontrei na respiração, nos alimentos, nos seres vivos.... na terra!
Penso que isto da espiritualidade é viver tudo isto com amor, permitindo todos os sentimentos que estes cruzamentos nos causam com aceitação e transformando aqueles que nos fazem mal e ao outro, exprimir com a clareza do que se sente, ter este contato com respeito com tudo... mergulhar as mãos na terra e massaja-la!
Espiritualidade, penso ser, Julinha, viver a vida no presente, no aqui e agora, dando o melhor que sabemos e sendo a verdade do que podemos ser nesta simplicidade e naturalidade (se seguirmos o ser da Alma e virmos a Alma do outros no Mundo). Nunca esquecendo que não somos perfeitos, ou melhor, somos perfeitos na nossa imperfeição e belos por assim sermos... e todos somos falíveis e estamos cá para aprender.

© Ana Teresa Caridade



psicoterapeuta, criativa, narradora oral, professora

Ana Teresa Caridade, natural de Aveiro, vive em Braga, é professora de Educação Moral e Religiosa Católica, psicoterapeuta, criativa, narradora oral e professora de Hatha Yoga. Acredita que pode compilar e cruzar várias áreas: crescimento pessoal e espiritual, arte e comunidade. Explora a dança, o teatro, a música e a narração oral. Sente necessidade de explorar várias técnicas de psicoterapia.
Outros artigos publicados no Laboratório da fé


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 2.5.13 | Sem comentários

Oração para o mês de maio, Mês de Maria


Maria,
peregrina como nós no caminho da fé: 
«Feliz és tu, porque acreditaste»! 

Pela fé, 
com alegria e trepidação, 
geraste no teu seio 
e deste à luz o Filho de Deus, 
que primeiro concebeste pela fé. 
Na fé, adoraste o Menino Deus, 
que saiu do teu ventre, como fruto bendito. 

Pela fé, 
guardaste no coração todas aquelas coisas, 
que no momento não compreendias, 
nas palavras e gestos do teu Filho. 

Com a mesma fé, 
aceitaste seguir Jesus Cristo, 
em todos os passos da sua missão. 
Foste a primeira e fiel discípula, 
na escuta e no acolhimento da Palavra. 

Com a mesma fé, 
permaneceste sempre ao lado de Jesus Cristo. 
Mesmo no Gólgota, 
acompanhaste o teu Filho 
no sofrimento e na morte. 

Com a mesma fé 
— e contra toda a esperança —, 
viveste a espera da sua ressurreição. 
Entre a Páscoa e o Pentecostes, 
saboreando os frutos da ressurreição, 
transmitiste a memória fiel de Jesus Cristo 
a todo o Corpo da Igreja, que estava a nascer.

Pela fé, 
acreditamos que foste elevada aos Céus, 
onde agora és a Estrela 
que nos aponta o caminho, 
mesmo nos momentos de dúvida, de crise, 
de silêncio e de sofrimento. 

Por isso, 
neste mês de Maio, 
voltamo-nos para ti e te pedimos: 
ajuda-nos a ver o que não se vê, 
a acolher e a descobrir o Deus vivo, 
que vive e cresce dentro de nós. 

Santa Maria, 
Mãe de Deus e Mãe da Igreja, 
dá-nos, como outrora, nas bodas de Caná, 
indicações a seguir, 
que suscitem e amparem a nossa fé, 
sobretudo quando Deus nos parece ausente 
e nos falta a alegria da fé. 

«Fazei tudo o que Ele vos disser» 
— disseste ao serventes. 
Tu bem sabes que são «felizes 
os que escutam a Palavra de Deus 
e a põem em prática». 
Mostra-nos a alegria da fé, 
para nos alimentarmos da Palavra. 
E para levarmos esta Boa Nova a toda a gente, 
sobretudo aos que esperam de nós 
o testemunho audaz e feliz da fé. 

A ti, feliz porque acreditaste, 
confiamos o nosso coração e a nossa vida, 
para que tornes mais bela e forte a nossa fé!

Esta oração foi elaborada a partir de uma oração do padre Amaro Gonçalo, 
da paróquia de Nossa Senhora da Hora, Matosinhos, Porto.
© Laboratório da fé, 2013

Maio, mês de Maria, 2013 — Laboratório da fé


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 2.5.13 | Sem comentários

Quinta-feira da quinta semana de Páscoa


Evangelho segundo João 15, 9-11

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Assim como o Pai Me amou, também Eu vos amei. Permanecei no meu amor. Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como Eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai e permaneço no seu amor. Disse-vos estas coisas, para que a minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja completa».

A vossa alegria seja completa

A alegria faz bem à saúde. A alegria é um desejo de todos os humanos: ser felizes, isto é, viver com alegria. Apesar disso, há sempre alguns que até parece preferirem a tristeza. Para esses, a alegria e o bom humor são incompatíveis com a seriedade na vida. E, dessa forma, estar de cara séria tornou-se o contrário de estar a sorrir, estar alegre. Este «vírus» também entrou na religião!
Jesus Cristo entrega aos seus discípulos a plenitude da alegria. «A vossa alegria seja completa». A alegria completa que Jesus Cristo transmite aos seus amigos é a felicidade desejada por todos os seres humanos. É preciso medir os níveis de alegria que estão no nosso sangue, que nos habitam, para compreender qual é o estado da nossa vida cristã ressuscitada. «A alegria constitui um sinal de fé» (James Martin, «Deus Ri. Alegria, humor e riso na vida espiritual», Sinais de Fogo, Lisboa 2012, 112). Não podemos esquecer as indicações dadas pelo nosso médico de família: Jesus Cristo.
Ora, ao falar de alegria, Jesus fala também do amor. São duas atitudes de vida fundamentais. Um amor praticado segundo o Evangelho traduz-se em alegria completa. Os ensinamentos de Jesus sobre o amor têm como finalidade conduzir os seus discípulos para a alegria completa, plena. 
As atitudes de vida não se podem impor. Elas transmitem-se por contágio! Jesus Cristo quer que os seus discípulos vivam no amor e na alegria. E dessa forma sejam capazes de contagiar os outros. A missão dos cristãos é evangelizar com alegria!

© Laboratório da fé, 2013

João 20, 20 - www.laboratoriodafe.net
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 2.5.13 | Sem comentários

Histórias, contos e reflexões... fusão entre Ana Caridade e Julinha


Hoje conto-te uma história...

é muito especial para mim e por isso partilho contigo.


Era uma vez uma menina. Ela era uma princesa e vivia num castelo.
A Mamã Rainha e o Papá Rei não deixavam a menina ir para o sótão pois queriam preserva-la de toda e qualquer dor. A menina estava muito curiosa para saber o que tinha no sótão para os papás não deixarem ir lá.
Certo dia a menina conseguiu escapar, primeiro dos papás, depois das amas, depois dos guardas... e depois de tanto fugir, lá chegou.
Quando entrou no sótão, que ficava bem do outro lado do castelo, ficou tão encantada! Tinha vestidos de todas as cores! Brinquedos de todas as espécies! Baús cheios de surpresas! Plasticina, barro, lápis de cor, telas, tintas! Tinha uma caixa de musica! Fantasias de carnaval!
A princesa brincou... criou... explorou... foi pirata, bailarina, soldadinho de chumbo, Branca de Neve, Mini, Bela e Monstro, Capuchinho Vermelho... até que, no meio dessa brincadeira, encontrou um espelho... um espelho lindo mas partido! Quando o tocou cortou o seu pequeno dedo e ficou a sangrar! Começou a chorar e correu à procura da sua Mamã.

fusão entre Ana Caridade e Julinha

Quando a encontrou, explicou-lhe o que estava a sentir e a Mamã deu dois beijinhos no dedo, mais dois beijinhos, mais dois beijinhos... e dor da menina começou a ficar cada vez mais leve. Até que restou uma pequena marca no seu dedito. Assim, a pequena princesa percebeu o que é sentir dor e percebeu o quanto sempre tinha sido feliz! Não tinha percebido a felicidade sem essa dor. Agradeceu.
A partir desse dia, a menina princesa, fugia para o seu sótão cheio de surpresas e sempre que se magoava chorava e dava dois beijinhos, mais dois beijinhos, mais dois beijinhos, tal como Mamã lhe ensinara e depois, brincava e brincava, dançava e cantava, pintava e vestia vestidos de tantas cores!

© Ana Teresa Caridade



psicoterapeuta, criativa, narradora oral, professora

Ana Teresa Caridade, natural de Aveiro, vive em Braga, é professora de Educação Moral e Religiosa Católica, psicoterapeuta, criativa, narradora oral e professora de Hatha Yoga. Acredita que pode compilar e cruzar várias áreas: crescimento pessoal e espiritual, arte e comunidade. Explora a dança, o teatro, a música e a narração oral. Sente necessidade de explorar várias técnicas de psicoterapia.
Outros artigos publicados no Laboratório da fé


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 1.5.13 | Sem comentários

Maio, Mês de Maria


«Maria expressa sobretudo o segredo mais profundo da sua vida. Nestas palavras, ela está por inteiro. A sua vida, de facto, foi um ‘sim’ profundo ao Senhor. Um ‘sim’ cheio de alegria e de confiança. Maria, cheia de graça, viveu toda a sua existência completamente disponível a Deus, em perfeita sintonia com a vontade divina. [...] ‘Fazei tudo o que Ele vos disser’. Esta breve frase contém o programa de vida que Maria realizou como primeira discípula do Senhor. É um programa de vida que se apoia num fundamento sólido que tem um nome: Jesus. [...] Construí a vossa vida sobre o fundamento que é Jesus. Desejo que a vossa meditação sobre o mistério de Maria vos leve a imitar a sua maneira de viver. Aprendei com ela a escutar e a pôr em prática a Palavra de Deus» (João Paulo II, Mensagem para o Dia Mundial da Juventude de 1988). 

Ano da Fé

Em pleno Ano da Fé para celebrar o cinquentenário do II Concílio do Vaticano, somos convidados a repassar a história da nossa fé, mantendo o olhar fixo sobre Jesus Cristo: nele encontra plena realização o desejo mais profundo do coração humano. «Pela fé, Maria acolheu a palavra do Anjo e acreditou no anúncio de que seria Mãe de Deus na obediência da sua dedicação. Ao visitar Isabel, elevou o seu cântico de louvor ao Altíssimo pelas maravilhas que realizava em quantos a Ele se confiavam. Com alegria e trepidação, deu à luz o seu Filho unigénito, mantendo intacta a sua virgindade. Confiando em José, seu Esposo, levou Jesus para o Egito a fim de O salvar da perseguição de Herodes. Com a mesma fé, seguiu o Senhor na sua pregação e permaneceu a seu lado mesmo no Gólgota. Com fé, Maria saboreou os frutos da ressurreição de Jesus e, conservando no coração a memória de tudo, transmitiu-a aos Doze reunidos com Ela no Cenáculo para receberem o Espírito Santo» (Bento XVI, «A Porta da Fé» 13). 

Mãe da Igreja

Neste caminho celebrativo, preparamos os 50 anos da proclamação de Maria como «Mãe da Igreja», pelo Papa Paulo VI (1964) e os 40 anos da Carta Encíclica sobre o culto mariano — «Marialis Cultus» (1974). Este documento dá continuidade ao oitavo capítulo da Constituição sobre a Igreja («Lumen Gentium» — LG) dedicado a Maria no mistério de Cristo e da Igreja. «A Mãe de Deus é o tipo e a figura da Igreja, na ordem da fé, da caridade e da perfeita união com Cristo, como já ensinava S. Ambrósio» (LG 63). «A Virgem é invocada na Igreja com os títulos de advogada, auxiliadora, socorro, medianeira. Mas isto entende-se de maneira que nada tire nem acrescente à dignidade e eficácia do único mediador, que é Cristo» (LG 62). «Na verdade, as várias formas de piedade para com a Mãe de Deus, aprovadas pela Igreja, dentro dos limites de sã e recta doutrina, segundo os diversos tempos e lugares e de acordo com a índole e modo de ser dos fiéis, têm a virtude de fazer com que, honrando a mãe, melhor se conheça, ame e gloria fique o Filho, por quem tudo existe e no qual ‘aprouve a Deus que residisse toda a plenitude’, e também melhor se cumpram os seus mandamentos» (LG 66). «Os fiéis lembrem-se de que a verdadeira devoção não consiste numa emoção estéril e passageira, mas nasce da fé, que nos faz reconhecer a grandeza da Mãe de Deus e nos incita a amar filialmente a nossa mãe e a imitar as suas virtudes» (LG 67). 

Fazei tudo o que ele vos disser

«Esta passagem diz-nos, na sua simplicidade, duas coisas muito importantes. A primeira é que Deus se interessa sempre por nós, até mesmo nas festas e durante os banquetes. A segunda é que também Maria se interessa por essas nossas ocupações e as olha com um olhar vigilante e maternal» (Carlo Maria Martini, «Tomados de assombro», ed. Paulinas).

© Laboratório da fé, 2013

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Maio, mês de Maria, 2013 — Laboratório da fé

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 1.5.13 | Sem comentários

Pequeninos do Senhor


Uma das exigências da formação cristã é a prática das virtudes (Exortação Apostólica sobre a Catequese –«Catechesi Tradendae», do Papa João Paulo II, publicada em 1979); e uma delas é a oração. Podemos ler isso na Carta de São Paulo aos Romanos (12, 12), na qual convida para que sejamos alegres na esperança e perseverantes na oração. Assim também devem ser as crianças, desde bem pequeninas!
As crianças precisam de crescer num ambiente onde a oração faz parte dos hábitos da família; e aprender a ter um compromisso com Deus, todos os domingos, na Eucaristia.
Segundo o Catecismo da Igreja Católica (CIC), a educação da consciência é uma tarefa para toda a vida; e as crianças, desde os primeiros anos, precisam de ser alertadas para uma educação prudente que ensina as virtudes... (cf. CIC 1784).
Quando os pais participam com os seus filhos na Eucaristia dominical, estão a cumprir a sua responsabilidade de cristãos; e as crianças vão formando, no inconsciente, os conceitos de perseverança na oração, de louvor a Deus, e de respeito aos Mandamentos, em especial ao terceiro: guardar os domingos e os dias de festas para dar graças a Deus.
A Igreja é o lugar onde se realiza a educação da fé das crianças pela catequese. Portanto, precisa de estar preparada para as receber e acolher, também nas Eucaristias, desde muito pequeninas, para que sejam inseridas na vida cristã a partir dos hábitos cristãos, inicialmente acompanhando os pais, onde aprendem a rezar, em comunidade, e a ouvir os ensinamentos de Jesus.
Conforme a Exortação Apostólica do Papa Paulo VI sobre a Evangelização – «Evangelii Nuntiandi» (número 44), a catequese deve ser adaptada à idade, à cultura e à capacidade do catequizando, procurando fazer sempre com que o próprio grave na memória, na inteligência e no coração, as verdades essenciais que vão permanecer durante toda a sua vida. E os catequistas devem estar bem preparados e demonstrar-se cuidadosos, procurando conhecer cada vez mais esta arte superior, indispensável e exigente da catequese.
Esta proposta de uma catequese litúrgica para os mais pequenos, que se acontece no momento da Eucaristia, requer também uma linguagem e um espaço adequados para que possam acontecer: a vivência de uma comum união com os amiguinhos, «onde a Palavra de Deus seja meditada na oração pessoal, atualizada na oração litúrgica e interiorizada em todo o tempo» (cf. CIC 2688); a partilha do que aprendem e do que descobrem durante a semana; o crescimento na fé ouvindo as histórias da vida de Jesus; e o conhecimento do Amor sentindo-se filhos e filhas de Deus que também é Pai. E tudo isto de modo lúdico, apropriado e com a sua linguagem, ou seja, brincando, caminhando passo a passo com Jesus, pelos evangelhos dominicais, enquanto são acolhidas nas eucaristias.
A formação cristã das crianças está, primeiramente, nas mãos dos pais que devem perseverar com elas na oração, nos hábitos e nas virtudes cristãs; mas também sob os cuidados da Igreja que precisa de apontar o Caminho que elas podem seguir, acolhendo-as como Jesus acolheu os mais pequeninos, que eram os seus preferidos.

© Rachel Abdalla — www.pequeninosdosenhor.org —
© Adaptado por Laboratório da fé, 2013

www.pequeninosdosenhor.org


www.pequeninosdosenhor.org


Rachel Abdalla é fundadora e presidente da Associação Católica Pequeninos do Senhor (desde 1997); membro da 'Equipa de Trabalho' do 'Ambiente Virtual de Formação' da Arquidiocese de Campinas, São Paulo (desde 2011); coordenadora da Catequese da Família da paróquia de Nossa Senhora das Dores, em Campinas, São Paulo (desde 2012); colaboradora da Agência ZENIT – O mundo visto de Roma, na coluna quinzenal de orientação catequética Pequeninos do Senhor (desde 2012). 

Outros artigos publicados no Laboratório da fé




Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 1.5.13 | Sem comentários
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