As câmeras de televisão do mundo inteiro, a imprensa que lotava o braço de Carlos Magno na colunata da Praça de São Pedro e os milhões de habitantes do «continente digital» ficaram surpreendidos quando o Papa Francisco apareceu na sacada vaticana. Nada de um novo Rambo ou uma estrela de rock; tampouco um rude cowboy pragmático, nem um sofisticado italiano da cúria. Era um latino-americano, um pouco tímido e com uma cruz prateada no peito, que olhava com espanto a multidão que o aguardava.
Nessa figura de branco que mendigava orações, tinha-se produzido a maior transferência de poder espiritual que a humanidade conhece. De simples arcebispo emérito e cardeal eleitor havia passado a ser de repente Vigário de Cristo na terra, Bispo de Roma, Sumo Pontífice, cabeça do colégio episcopal, chefe de Estado da Cidade do Vaticano, concentrando em sua pessoa a mais alta potestade de jurisdição da Igreja. Um furacão de responsabilidades precipitava-se sobre os seus ombros e, de repente, como a Moisés no Sinai, um novo decálogo era-lhe sugerido. São os desafios que o Papa Bergoglio já está a enfrentar. 

Do meu modesto lugar de observador, eu resumiria-os assim: 

1. Aumentar a temperatura espiritual dos 195.671.000 (dados de 2010) católicos do mundo inteiro. 
A Igreja, se me permitem a comparação, é uma empresa de caráter espiritual, com um ativo formado pela fé e pela santidade dos seus membros, e um passivo conformado pelas suas fraquezas. Daí que o primeiro desafio do novo Papa seja conseguir elevar a temperatura espiritual desses milhões de católicos espalhados pelo mundo. Ou seja, aumentar os ativos espirituais da Igreja Católica. O Papa Francisco já começou a trabalhar nisso desde a sua eleição. Na sacada vaticana, marcou o caminho da oração. Na Capela Sistina, confirmou-o, e na Missa de inauguração do ministério petrino, reiterou: "Rezem por mim". 

2. Abrir o mercado das ideias aos valores do espírito. 
Por outras palavras, tirar o cristianismo da periferia da história e situá-lo do centro da atividade humana. Despertá-lo dessa posição voltada para si mesmo, que se chama "doença do absentismo", alheio e indiferente às ambições, incertezas e perplexidades dos seus contemporâneos, enquanto a grande sociedade segue seu curso. Existe certa banalização do mal, que costuma derivar em uma sutil ditadura do relativismo. 

3. Ser mais mundocêntrico que eurocêntrico. 
Misturando o bom humor com a profecia, em sua primeira saudação, ele mesmo se definiu como o Papa "do fim do mundo". Claro está, não se referindo à profecia de Malaquias, mas dando a entender que sua origem não era a Europa, e sim as vastas planícies do Pampa argentino. O primeiro milênio foi o da cristianização da Europa; o segundo implantou o cristianismo na América. O terceiro – e aqui o Papa Francisco terá um protagonismo especial – aponta como uma flecha para a Ásia e a África. Não é por acaso que os dois últimos pontífices viajaram um total de 15 vezes à África, e João Paulo II esteve 13 vezes na Ásia. Em 1910, 6 de cada 10 católicos viviam na Europa; hoje, apenas 2 de cada 10. Certamente, este Papa levará em consideração o potencial das raízes cristãs na Europa, mas sem esquecer que o futuro do cristianismo está em outros continentes. 

4. Iniciar uma nova "Reforma". 
Tal reforma destacará a capacidade de organização do novo Pontífice. Não me refiro tanto à manuseada reforma da cúria, e sim à preparação intelectual, humana e espiritual de 721.935 religiosos e 412.236 sacerdotes espalhados pelo mundo. Uma tarefa diretamente conectada à eficácia dos maiores responsáveis da Igreja na difusão da mensagem cristã. Como efeito colateral, esta reforma ajudará a acabar com a cauda – o centro do furacão foi a influência da revolução sexual dos anos 60-70 – de algumas pessoas conectadas a desvios sexuais. 

5. Injetar na humanidade a ideia de que a luta contra os bolsões de pobreza não é somente um problema de filantropia, mas um verdadeiro impulso divino. 
Para esta cirurgia, o Papa está especialmente preparado. Não tanto pelos seus sinais externos (viagens em transporte público, origem humilde etc.), mas pela sua visão teológica do mundo. Ele entende a atenção da Igreja ao mais necessitado não como problema de "ONG filantrópica" – usando suas palavras –, mas como uma questão de verdadeira justiça social. Na Missa de inauguração, ele explicou a necessidade de proteger a criação como " guardar as pessoas, cuidar carinhosamente de todas elas e cada uma, especialmente das crianças, dos idosos, daqueles que são mais frágeis e que muitas vezes estão na periferia do nosso coração. É cuidar uns dos outros na família: os esposos guardam-se reciprocamente, depois, como pais, cuidam dos filhos, e, com o passar do tempo, os próprios filhos tornam-se guardiões dos pais". 

6. Iniciar uma nova evangelização, na qual o núcleo da ação resida mais nas bases que na cúpula.
Este é o papel dos leigos na Igreja. A atuação em praça pública, na vida política, econômica e social dos povos é a grande tarefa dos cristãos. O novo Papa não está sozinho. Ele é a cabeça de um corpo espiritual muito amplo. O importante agora não é tanto a artilharia pesada ou as grandes frotas oceânicas. Pelo contrário, trata-se de incentivar e impulsionar essa infantaria leve (se me permitem a comparação), composta por 1.200 milhões de católicos espalhados pelo mundo. 

7. Aumentar a unidade na Igreja.
Mantendo a riqueza das diversas perspectivas, logicamente. Na história da Igreja, a unidade foi um tema prioritário na agenda dos 265 pontífices que precederam o Papa Francisco. Não é um tema novo nem algo simplesmente conectado a possíveis conflitos na cúria. É algo mais profundo, unido à inevitável fraqueza humana. As dissensões começaram ainda com a figura de Cristo fresca entre seus discípulos. As chamadas de atenção de Pedro e Paulo eram frequentes. Os cismas, heresias e choques de personalidade deixaram sombras fortes no quadro. É preciso superar esses perigos por elevação, ou seja, alinhando as diversas sensibilidades rumo ao objetivo comum da nova evangelização. 

8. Promover o diálogo inter-religioso.
Ele provavelmente terá de conseguir, como primeiro objetivo, a viagem a Moscou, tantas vezes frustrada por resistências externas da Igreja Ortodoxa. Depois, continuar o caminho do diálogo com os anglicanos, evangélicos e luteranos. Sem esquecer dos judeus e do imenso mundo do islã. De fato, o Papa Francisco parece ter os hebreus bem perto do seu coração. Assim que foi eleito, expressou seu desejo de contribuir para o progresso das relações entre judeus e católicos, em uma carta dirigida ao chefe da comunidade hebraica de Roma. O ecumenismo não é simplesmente uma questão de coexistência pacífica, mas, em palavras do então cardeal Bergoglio: "Não só a cidade moderna é um desafio, mas sempre foi, é e será toda cidade, toda cultura, toda mentalidade e todo coração humano" (25 de agosto de 2011). 

9. Nomear bons colaboradores. 
Naturalmente, o primeiro conselheiro do Pontífice é Deus – o que nos dá bastante tranquilidade. Mas os bons colaboradores humanos são importantes também. Francisco não poderá se esquecer da ampla descentralização do governo eclesiástico, apesar da sua coordenação com o governo central. Todo o mundo da comunicação e transparência vaticanas exigirá também uma especial atenção do Papa. Hoje, dominar a técnica mediática é necessário para recuperar, por exemplo, a imagem deteriorada de uma Igreja manchada por escândalos – reais ou aparentes – que se retransmitem na velocidade da luz por canais que formam uma opinião pública. Neste momento, os 4 milhões de seguidores do Papa no Twitter, por exemplo, supõem um interesse mediático inusitado. 

10. Promover a causa da paz e da justiça no mundo inteiro. 
É preciso começar com a primeira das liberdades, que é a religiosa. Não se trata somente de deter essa espécie de cristofobia que está produzindo em diversos lugares do mundo uma hostil perseguição anticristã. É preciso despertar nas religiões a potencialidade que possuem para ajudar a paz no mundo. Nas diversas tradições religiosas, há recursos importantes, nem sempre aproveitados, para resolver os conflitos mundiais. 

Naturalmente, existem outros muitos desafios, por exemplo, a família, a proteção da vida e a coordenação entre as funções dos dicastérios da Igreja. Mas estabelecer prioridades é básico em um trabalho de governo. O Papa Francisco deverá abordá-las, sabendo que a primeira regra é lembrar que: buscar não incomodar ninguém leva invariavelmente a incomodar todo mundo.

Rafael Navarro-Valls



Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 22.3.13 | Sem comentários
— rezar diariamente com o evangelho do próximo domingo  — 

— Evangelho segundo Lucas 19, 28-40

Naquele tempo, Jesus seguia à frente dos seus discípulos, subindo para Jerusalém. Quando Se aproximou de Betfagé e de Betânia, perto do monte das Oliveiras, enviou dois discípulos e disse-lhes: «Ide à povoação que está em frente e, ao entrardes nela, encontrareis um jumentinho preso, que ainda ninguém montou. Soltai-o e trazei-o. Se alguém perguntar porque o soltais, respondereis: ‘O Senhor precisa dele’». Os enviados partiram e encontraram tudo como Jesus lhes tinha dito. Quando estavam a soltar o jumentinho, os donos perguntaram: «Porque soltais o jumentinho?». Eles responderam: «O Senhor precisa dele». Então levaram-no a Jesus e, lançando as capas sobre o jumentinho, fizeram montar Jesus. Enquanto Jesus caminhava, o povo estendia as suas capas no caminho. Estando já próximo da descida do monte das Oliveiras, toda a multidão dos discípulos começou a louvar alegremente a Deus em alta voz por todos os milagres que tinham visto, dizendo: «Bendito o Rei que vem em nome do Senhor. Paz no Céu e glória nas alturas!». Alguns fariseus disseram a Jesus, do meio da multidão: «Mestre, repreende os teus discípulos». Mas Jesus respondeu: «Eu vos digo: se eles se calarem, clamarão as pedras».

— Recusar a alegria

Ao entrar em Jerusalém, os fariseus intervêm para tentar, através da mediação de Jesus, calar os discípulos. Este pedido representa a parte da descrença que «resiste». Porque é que não se deixam contagiar pela alegria dos discípulos? Reconhecendo a parte de «fariseismo» que me habita, peço com o salmista que essa parte não saia vencedora: «Dá-me de novo a alegria da tua salvação e sustenta-me com um espírito generoso» (Salmo 50 [51], 14).

© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
— a utilização e publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor —


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 22.3.13 | Sem comentários


Tanta hostilidade das elites face a Jesus…
Naquele tempo tinham medo que o povo acreditasse em Jesus
e deixasse de suportar os esquemas opressivos e tirânicos. 
Hoje têm medo que as pessoas encontrem em Jesus uma esperança sólida. 
Que as pessoas percebam, de uma vez por todas, 
que o Evangelho oferece uma alternativa que enche a vida de beleza e sentido.

Louvado sejas, irmão Jesus.
Por enfrentares o ódio e o rancor
sem desanimares.
Por continuares a amar-nos
incansavelmente.
Por não desistires diante
da ingratidão e da falsidade.

«Rezar na Quaresma - Ano C»
© 2013 Rui Alberto
© 2013 Edições Salesianas

— Este texto faz parte do livro «Rezar na Quaresma - Ano C» das Edições Salesianas,
a quem agradecemos a autorização para publicar no «Laboratório da fé»;
qualquer forma de reprodução ou distribuição deste texto precisa de autorização —

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 22.3.13 | Sem comentários
— Todo tiene su momento - blog de Pedro Jaramillo —

Sexta-feira da quinta semana


— Evangelho segundo João 10, 31-42

Naquele tempo, os judeus agarraram em pedras para apedrejarem Jesus, Então Jesus disre-lhes: «Apresentei-vos muitas boas obras, da parte de meu Pai. Por qual dessas obras Me quereis apedrejar?» Responderam os judeus: «Não é por qualquer boa obra que Te queremos apedrejar: é por blasfémia, porque Tu, sendo homem, Te fazes Deus». Disse-lhes Jesus: «Não está escrito na vossa Lei: ‘Eu disse: vós sois deuses’? Se a Lei chama ‘deuses’ a quem a palavra de Deus se dirigia – e a Escritura não pode abolir-se –, de Mim, que o Pai consagrou e enviou ao mundo, vós dizeis: ‘Estás a blasfemar’, por Eu ter dito: ‘Sou Filho de Deus’!» Se não faço as obras de meu Pai, não acrediteis. Mas se as faço, embora não acrediteis em Mim, acreditai nas minhas obras, para reconhecerdes e saberdes que o Pai está em Mim e Eu estou no Pai». De novo procuraram prendê-l’O, mas Ele escapou-Se das suas mãos. Jesus retirou-Se novamente para além do Jordão, para o local onde anteriormente João tinha estado a baptizar e lá permaneceu. Muitos foram ter com Ele e diziam: «É certo que João não fez nenhum milagre, mas tudo o que disse deste homem era verdade». E muitos ali acreditaram em Jesus.

— «Não é por qualquer boa obra que Te queremos apedrejar: 

      é por blasfémia, porque Tu, sendo homem, Te fazes Deus»

O IV Evangelho estabelece já a razão da morte violenta de Jesus. É a que será apresentada no tribunal religioso, prévio à paixão: a blasfémia: «sendo homem, Te fazes Deus». Compreende-se que, a partir da posição judaica, não lhes vale de nada a razoabilidade que Jesus faz das «obras de o Pai que mandou realizar».
Percebe-se claramente a tensão: por duas vezes, os judeus procuram a violência contra Jesus: querem apedrejá-lo e procuram prendê-lo. Os argumentos de Jesus não servem para nada. Eles estão fixos no argumento da «lógica judaica»: «um homem não pode ser Deus». Tinham percebido bem a pretensão de Jesus. Era isso mesmo que Jesus lhes queria dizer: que era Deus. Tinham entendido bem, mas reagiram muito mal. Nem sequer as obras, que reconhecem, valem para avalizar semelhante pretensão. Definitivamente, Jesus — pensam — é um blasfemo.
O ambiente de Jerusalém, da religião estabelecida, aparece sempre duro para Jesus. Por isso, caminha de novo para a margem do Jordão. Os discípulos de João têm argumentos positivos: tudo o que João disse sobre ele era verdade. E acabam por acreditar: «E muitos ali acreditaram em Jesus».

— Sinais para o caminho de fé

  • A Jesus não podemos aproximar-nos com «pré-juízos» religiosos. Ele próprio é o iniciador o que leva à plenitude a nossa fé. E «ninguém acreditaria nele se não for atraído pelo Pai».
  • A confissão de fé cristológica é especialmente «desconcertante». A Encarnação não entra nos esquemas religiosos espiritualistas. Mas, contudo, é um ponto central do Deus de Jesus. É a condição indispensável para que a humanidade do Verbo não se dilua
  • Amamos tanto a Jesus que, sem nos darmos conta, até divinizamos a sua humanidade. Temos que recordar constantemente: «O Verbo fez-se carne e habitou entre nós». 
  • Se Jesus não se tivesse apresentado com este realismo, não teria dado a ocasião aos judeus para o acusarem de blasfemo. Entre os judeus, havia formas de alguém se designar «filho de Deus» sem escandalizar. Eram próprias dos justos e piedosos. A de Jesus escandalizou, porque era «filho» de outra maneira: a encarnação. Deus faz-se homem!!!
© Pedro Jaramillo
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
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Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 22.3.13 | Sem comentários
— Sexta-feira da quinta semana da Quaresma —

— Evangelho segundo João 10, 31-42

Naquele tempo, os judeus agarraram em pedras para apedrejarem Jesus, Então Jesus disre-lhes: «Apresentei-vos muitas boas obras, da parte de meu Pai. Por qual dessas obras Me quereis apedrejar?» Responderam os judeus: «Não é por qualquer boa obra que Te queremos apedrejar: é por blasfémia, porque Tu, sendo homem, Te fazes Deus». Disse-lhes Jesus: «Não está escrito na vossa Lei: ‘Eu disse: vós sois deuses’? Se a Lei chama ‘deuses’ a quem a palavra de Deus se dirigia – e a Escritura não pode abolir-se –, de Mim, que o Pai consagrou e enviou ao mundo, vós dizeis: ‘Estás a blasfemar’, por Eu ter dito: ‘Sou Filho de Deus’!» Se não faço as obras de meu Pai, não acrediteis. Mas se as faço, embora não acrediteis em Mim, acreditai nas minhas obras, para reconhecerdes e saberdes que o Pai está em Mim e Eu estou no Pai». De novo procuraram prendê-l’O, mas Ele escapou-Se das suas mãos. Jesus retirou-Se novamente para além do Jordão, para o local onde anteriormente João tinha estado a baptizar e lá permaneceu. Muitos foram ter com Ele e diziam: «É certo que João não fez nenhum milagre, mas tudo o que disse deste homem era verdade». E muitos ali acreditaram em Jesus.

— Agarraram em pedras para apedrejarem Jesus

Não é fácil ser rejeitado! Sobretudo quando se faz todos os possíveis para tornar os outros felizes. Fala-se as vítimas da intimidação e compreendemos o drama que vivem. Ser excluídos, ridicularizados, ameaçados, é uma verdadeiro suplício e muitos nunca mais recuperam.
É o que vive Jesus no meios dos seus. Querem apedrejá-lo porque diz: «O Pai e eu somos um» (João 10, 30). Explica-lhes que realiza as obras pelo poder do Pai e que são boas obras. Não adianta. Com toda a dignidade, pergunta-lhes por qual das obras o querem apedrejar. Mas os judeus defendem-se bem dos seus erros. Replicam-lhe que é por causa do que diz sobre si mesmo; é porque se apresenta como Deus que merece ser apedrejado. 
Mesmo quando Jesus cita a Escritura: «Vós sois deuses» (Salmo 82, 6), os judeus não reconhecem que esse título é dado àqueles a quem se dirige a palavra de Deus. Apesar da insistência de Jesus que afirma ter sido escolhido e enviado por Deus ao mundo e que faz as obras do Pai, não consegue vencer o muro da descrença. O facto de se ter declarado como Filho de Deus é, para estes cismáticos, uma blasfémia. E o blasfemo merece a morte. A partir de agora, colocam sobre Jesus um olhar e um julgamento assassino. Mais uma vez, Jesus consegue fugir do meio deles.

Senhor Jesus, eu quero seguir-te,
mesmo quando muitos não acreditam em ti.
Eu acredito na tua palavra e nas tuas obras.

© Denise Lamarche, «Vie Liturgique», Novalis - Bayard Presse Canada inc
© Tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
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Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 22.3.13 | Sem comentários
— reflexão semanal sobre o credo niceno-constantinopolitano —

A temática que estamos a refletir — crucificação e morte de Jesus Cristo — termina com uma expressão forte: «e foi sepultado». Com esta afirmação fica de lado qualquer suspeita sobre a morte de Jesus Cristo. Além disso, «a permanência do corpo de Cristo no túmulo constitui o laço real entre o estado passível de Cristo antes da Páscoa e o seu estado glorioso atual de ressuscitado» (Catecismo da Igreja Católica, 625). [Para ajudar a compreender melhor, ler: Lucas 23, 50-56; Catecismo da Igreja Católica, números 624 a 630]

«Descendo-o da cruz, envolveu-o num lençol e depositou-o num sepulcro» — é assim que o evangelho segundo Lucas descreve a ação de José de Arimateia, um «homem reto e justo [...] que esperava o Reino de Deus». De acordo com os procedimentos romanos (cf. tema 20), o crucificado ficava abandonado na cruz sem ter direito a sepultura. «Enquanto os romanos abandonavam os corpos dos justiçados na cruz aos abutres, os judeus faziam questão de que eles fossem sepultados; havia lugares atribuídos pela autoridade judiciária para isso mesmo. Neste sentido, o pedido de José enquadra-se nos costumes judiciários judaicos. [...] Sobre a própria deposição, os evangelistas transmitem-nos uma série de informações importantes. Antes de mais sublinha-se que José foi depositar o corpo do Senhor num sepulcro novo, de sua propriedade, no qual ainda ninguém fora sepultado (cf. Mateus 27, 60; Lucas 23, 53; João 19, 41). Nisto se dá prova de um respeito profundo por este defunto. Assim como no ‘Domingo de Ramos’ Ele se serviu de um jumentinho que ainda ninguém montara (cf. Marcos 11, 2), assim também agora é depositado num sepulcro novo» (Bento XVI, «Jesus de Nazaré. Parte II — Da Entrada em Jerusalém até à Ressurreição, Princípia Editora, Cascais 2011, 186)

E foi sepultado. A sepultura de Jesus Cristo, narrada por todos os evangelistas, remete-nos, em primeiro lugar, para o mistério da Encarnação. Jesus Cristo assumiu totalmente a nossa condição humana (exceto no pecado). Por isso, fez também a experiência da morte. «A morte de Cristo foi uma verdadeira morte, na medida em que pôs fim à sua existência humana terrena» (Catecismo da Igreja Católica, 627). A profissão da nossa fé atesta-o, no «Credo niceno-constantinopolitano», ao sublinhar que depois de ter sido crucificado e ter padecido, Jesus Cristo «foi sepultado». Esta afirmação, como recorda João Paulo II, é a «confirmação de que a sua morte foi real e não aparente. [...] Jazia no sepulcro em estado de cadáver [...], no estado e condição de todos os seres humanos» (Audiência Geral de 11 de janeiro de 1989). Por outro lado, a sepultura de Jesus Cristo também nos remete para o mistério da Redenção ou Salvação. Só assumindo a totalidade da nossa natureza humana é que Jesus Cristo poderia redimir e salvar o ser humano. De facto, esta expressão — «e foi sepultado» — que à primeira vista pode parecer uma simples anotação cronológica é um dado «cujo significado se insere no horizonte mais amplo de toda a Cristologia. Jesus Cristo é o Verbo que se fez carne para assumir a condição humana e tornar-se semelhante a nós em tudo, exceto no pecado (cf. Hebreus 4, 15). Tornou-se verdadeiramente ‘um de nós’ (cf. Constituição Dogmática sobre a Igreja no mundo atual — «Gaudium et Spes» — 22), para poder realizar a nossa redenção, graças à profunda solidariedade estabelecida com cada membro da família humana. Nessa condição de homem verdadeiro, sofreu inteiramente a condição do ser humano, até à morte, à qual se segue, habitualmente, a sepultura, pelo menos no mundo cultural e religioso em que esteve inserido e viveu. A sepultura de Cristo é, pois, objeto da nossa fé enquanto nos propõe de novo o mistério do Filho de Deus que se fez homem e foi até ao extremo da existência humana» (João Paulo II, Audiência Geral de 11 de janeiro de 1989). Jesus Cristo estabeleceu uma articulação perfeita entre a salvação, a vontade de Deus e o bem do ser humano. Nisto consiste a nossa salvação. Ao introduzir a sepultura de Jesus Cristo no contexto da História da Salvação estamos a proclamar que a morte não teve nem tem a última palavra. De facto, o silêncio de Deus aquando da morte de Jesus Cristo é unicamente uma parte do mistério de Sábado Santo.

Agora, abre-se a porta para a «última» palavra de Deus: Jesus Cristo, que «foi crucificado sob Pôncio Pilatos; padeceu e foi sepultado», é o mesmo que «ressuscitou ao terceiro dia, conforme as Escrituras». Ele «é a mesma pessoa do ‘Vivente’ que pode dizer: ‘Estive morto e eis-Me vivo pelos séculos dos séculos’ (Apocalipse 1, 18)» (Catecismo da Igreja Católica, 625).
  

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 21.3.13 | Sem comentários
Cantar: nesta quinta semana, cantemos. Através do canto, exprimimos diversos sentimentos: a tristeza e a alegria, a dor e a felicidade.
Comecemos e terminemos cada um dos dias escutando um pouco de música à nossa escolha, uma música ou cânticos que nos voltem para Deus e que possam ajudar-nos a rezar. Não os escutemos com as orelhas distraídas, mas dando atenção à melodia, às palavras, numa verdadeira escuta.
Hoje, é fácil transmitir música pela Internet. Uma forma de viver a Quaresma com os outros, em comunhão com eles. Porque não divulgar estes textos [juntamente com «Preparar o domingo»] e juntar uma música que escolhemos para escutar e até explicar a razão da nossa escolha?
Enfim, temos à nossa disposição um tesouro presente nos Salmos. Os monges cantam-nos ao longo do dia. Existem CD's que nos permitem acompanhar os Salmos, mesmo que não sejamos músicos.

© www.versdimanche.com
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
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Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 21.3.13 | Sem comentários
— rezar diariamente com o evangelho do próximo domingo  — 

— Evangelho segundo Lucas 19, 28-40

Naquele tempo, Jesus seguia à frente dos seus discípulos, subindo para Jerusalém. Quando Se aproximou de Betfagé e de Betânia, perto do monte das Oliveiras, enviou dois discípulos e disse-lhes: «Ide à povoação que está em frente e, ao entrardes nela, encontrareis um jumentinho preso, que ainda ninguém montou. Soltai-o e trazei-o. Se alguém perguntar porque o soltais, respondereis: ‘O Senhor precisa dele’». Os enviados partiram e encontraram tudo como Jesus lhes tinha dito. Quando estavam a soltar o jumentinho, os donos perguntaram: «Porque soltais o jumentinho?». Eles responderam: «O Senhor precisa dele». Então levaram-no a Jesus e, lançando as capas sobre o jumentinho, fizeram montar Jesus. Enquanto Jesus caminhava, o povo estendia as suas capas no caminho. Estando já próximo da descida do monte das Oliveiras, toda a multidão dos discípulos começou a louvar alegremente a Deus em alta voz por todos os milagres que tinham visto, dizendo: «Bendito o Rei que vem em nome do Senhor. Paz no Céu e glória nas alturas!». Alguns fariseus disseram a Jesus, do meio da multidão: «Mestre, repreende os teus discípulos». Mas Jesus respondeu: «Eu vos digo: se eles se calarem, clamarão as pedras».

— Todos em coro!

A multidão lembra-se dos milagres e canta com alegria, «em alta voz». «Bendito o Rei que vem», «Glória nas alturas»: canto isto regularmente na eucaristia, durante o «Sanctus» ou o «Glória». Ora, estou demasiado «habituado»... Já pensei na força destas palavras? Que significado têm para mim? Hoje, enquanto ando de um lado para o outro, vou repeti-las, fazer minhas estas palavras, deixar que habitem em mim e me transformem.

© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
— a utilização e publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor —



Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 21.3.13 | Sem comentários

Procurai o Senhor e o seu poder,
buscai sempre a sua face.


Gastamos muito tempo e energia
à procura da felicidade.
Os mais ingénuos limitam-se a pagar
pelas promessas fáceis e superficiais.
Os mais exigentes sentem a tentação de desistir,
tanta é a dificuldade.
Teremos ainda a coragem de procurar a felicidade
junto do nosso Deus?
De O olhar face a face?
De sermos tocados pela sua ternura?

A tua Palavra, Jesus, 
levanta-me acima de mim mesmo
e das minhas contradições.
A tua Palavra faz-me amar
até ao perdão.

«Rezar na Quaresma - Ano C»
© 2013 Rui Alberto
© 2013 Edições Salesianas

— Este texto faz parte do livro «Rezar na Quaresma - Ano C» das Edições Salesianas,
a quem agradecemos a autorização para publicar no «Laboratório da fé»;
qualquer forma de reprodução ou distribuição deste texto precisa de autorização —

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 21.3.13 | Sem comentários
— Todo tiene su momento - blog de Pedro Jaramillo —

Quinta-feira da quinta semana


— Evangelho segundo João 8, 51-59

Naquele tempo, disse Jesus aos judeus: «Em verdade, em verdade vos digo: Se alguém guardar a minha palavra, nunca verá a morte». Responderam-Lhe os judeus: «Agora sabemos que tens o demónio. Abraão morreu, os profetas também, mas Tu dizes: ‘Se alguém guardar a minha palavra, nunca sofrerá a morte’. Serás Tu maior do que o nosso pai Abraão, que morreu? E os profetas também morreram. Quem pretendes ser?» Disse-lhes Jesus: «Se Eu Me glorificar a Mim próprio, a minha glória não vale nada. Quem Me glorifica é meu Pai, Aquele de quem dizeis: ‘É o nosso Deus’. Vós não O conheceis, mas Eu conheço-O; e se dissesse que não O conhecia, seria mentiroso como vós. Mas Eu conheço-O e guardo a sua palavra. Abraão, vosso pai, exultou por ver o meu dia; ele viu-o e exultou de alegria». Disseram-Lhe então os judeus: «Ainda não tens cinquenta anos e viste Abraão?!» Jesus respondeu-lhes: «Em verdade, em verdade vos digo: Antes de Abraão existir, ‘Eu sou’». Então agarraram em pedras para apedrejarem Jesus, mas Ele ocultou-Se e saiu do templo.

— «Abraão, vosso pai, exultou por ver o meu dia; 

      ele viu-o e exultou de alegria»

Continua o debate entre Jesus e os judeus sobre a sua identidade. A pergunta torna-se explícita no texto de hoje: «Quem pretendes ser?». Esta está precedida por uma forte afirmação de Jesus: dá a vida eterna a quem acredita nele: «nunca verá a morte». A reação dos judeus é violenta: «Agora sabemos que tens o demónio». Abraão e os profetas representam todos os grandes personagens do Antigo Testamento. Todos morreram. Como se pode entender a pretensão de Jesus?
Somente a partir da sua relação com o Pai. Ele é que é o Deus dos judeus. Jesus conhece-o. Conhece e cumpre o que o Pai quer. Tinham-lhe citado Abraão. Jesus aproveita a referência para lhes recordar: «Abraão, vosso pai, exultou por ver o meu dia; ele viu-o e exultou de alegria». Perante a estranheza dos judeus, Jesus dá-lhes a chave de compreensão: «Antes de Abraão existir, 'Eu sou'». Com razão, ao falar de Abraão, Jesus, judeu com eles, não disse «nosso pai» mas «vosso pai». Jesus tem um único pai: Deus.

— Sinais para o caminho de fé

  • Fé e vida: só quem é a Vida pode ser fonte de vida. Desejamo-la, mas ela foge-nos. Parece que a vida brinca connosco. «Se alguém guardar a minha palavra, nunca verá a morte».
  • Esta é a razão pela qual São Paulo destaca a ressurreição de Jesus e a ressurreição dos que acreditam em Jesus como um ponto fundamental da fé. Sem a fé na ressurreição,a fé desarticula-se e desfaz-se em pedaços. 
  • A leitura de hoje dá um forte «empurrão escatológico» (empurrão para o mais além) à totalidade da nossa fé e à totalidade da nossa vida cristã. Sem esta perspetiva, a fé cristã entraria, segundo São Paulo, no âmbito do absurdo.
© Pedro Jaramillo
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
— a utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor —



Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 21.3.13 | Sem comentários
— Quinta-feira da quinta semana da Quaresma —

— Evangelho segundo João 8, 51-59

Naquele tempo, disse Jesus aos judeus: «Em verdade, em verdade vos digo: Se alguém guardar a minha palavra, nunca verá a morte». Responderam-Lhe os judeus: «Agora sabemos que tens o demónio. Abraão morreu, os profetas também, mas Tu dizes: ‘Se alguém guardar a minha palavra, nunca sofrerá a morte’. Serás Tu maior do que o nosso pai Abraão, que morreu? E os profetas também morreram. Quem pretendes ser?» Disse-lhes Jesus: «Se Eu Me glorificar a Mim próprio, a minha glória não vale nada. Quem Me glorifica é meu Pai, Aquele de quem dizeis: ‘É o nosso Deus’. Vós não O conheceis, mas Eu conheço-O; e se dissesse que não O conhecia, seria mentiroso como vós. Mas Eu conheço-O e guardo a sua palavra. Abraão, vosso pai, exultou por ver o meu dia; ele viu-o e exultou de alegria». Disseram-Lhe então os judeus: «Ainda não tens cinquenta anos e viste Abraão?!» Jesus respondeu-lhes: «Em verdade, em verdade vos digo: Antes de Abraão existir, ‘Eu sou’». Então agarraram em pedras para apedrejarem Jesus, mas Ele ocultou-Se e saiu do templo.

— «Em verdade, em verdade vos digo: 

      Se alguém guardar a minha palavra, nunca verá a morte»

Qual alguém diz «é verdade» — ou «em verdade, em verdade vos digo» —, é porque fala com força e convicção. É o que Jesus faz: promete a vida eterna a quem obedece às suas palavras.
Evidentemente, ele sabe que tudo o que vive tem de passar pela morte. Estará ele de acordo com o Principezinho de Saint-Exupéry que diz: «Tinha o ar de estar morto, mas isso será verdade?».  Provavelmente. Os interlocutores de Jesus não parecem compreender o sentido profundo destas palavras. Nomeiam pessoas que os precederam na existência e que Jesus sabe bem que estão mortas. Ente essas pessoas, Abraão e os profetas. Pessoas boas que Jesus considera certamente entre os defuntos — cuja palavra latina significa «aqueles que terminaram as suas funções» — em vez de considerar apenas o número dos mortos depositados nos túmulos. 
O que Jesus anuncia é a vida eterna, a vida para além da morte. Uma outra vida que não nos é possível definir, mas que está cheia de beleza, de bondade, de uma felicidade impossível de definir e sem fim. É esta vida que está prometida para àqueles e àquelas que acreditam em Jesus e obedecem às suas palavras.
Já presenciei muitas mortes. Em todas, vi as pessoas adormecerem em paz. Concluíram a sua última passagem na Páscoa de Jesus. Será por isso que Tiago, um jovem adulto morto nos braços da mãe depois de um longo tempo de sofrimento, pronunciou estas últimas palavras: «Mamã, é belo. É belo!»?

Senhor Jesus, eu quero seguir-te até à morte,
escutando as tuas palavras e vivendo como tu.

© Denise Lamarche, «Vie Liturgique», Novalis - Bayard Presse Canada inc
© Tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
— a utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização —

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 21.3.13 | Sem comentários
Histórias, contos e reflexões... fusão entre Ana Caridade e Julinha



O prazer de viver é natural… permitir a vida passar pelas mãos e criar! Rir com vontade…
A sociedade perdeu esta espontaneidade de viver com prazer e naturalidade… tantas capas se colocaram pelos medos, pelas perdas, pelas inseguranças, pelas castrações, pela busca do poder, pelo querer mais e mais… e esta simplicidade e verdade perderam-se…
A pressão social é demasiada… se sorris enquanto trabalhas, não deves ser lá muito competente… se sorris de felicidade a ver uma mensagem ou um pássaro a voar ou o olhar do transeunte, já és um louco… se vives feliz não o podes ser porque não vives com os pés no chão e estás fora da realidade… todos têm uma opinião e julgamento… o que incomodará afinal?

© Ana Teresa Caridade

Ana Teresa Caridade, natural de Aveiro, vive em Braga, é professora de Educação Moral e Religiosa Católica, psicoterapeuta, criativa, narradora oral e professora de Hatha Yoga. Acredita que pode compilar e cruzar várias áreas: crescimento pessoal e espiritual, arte e comunidade. Explora a dança, o teatro, a música e a narração oral. Sente necessidade de explorar várias técnicas de psicoterapia.

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Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 20.3.13 | Sem comentários
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