— Domingo da terceira semana da Quaresma —

— Evangelho segundo Lucas 13, 1-9

Naquele tempo, vieram contar a Jesus que Pilatos mandara derramar o sangue de certos galileus, juntamente com o das vítimas que imolavam. Jesus respondeu-lhes: «Julgais que, por terem sofrido tal castigo, esses galileus eram mais pecadores do que todos os outros galileus? Eu digo-vos que não. E se não vos arrependerdes, morrereis todos do mesmo modo. E aqueles dezoito homens, que a torre de Siloé, ao cair, atingiu e matou? Julgais que eram mais culpados do que todos os outros habitantes de Jerusalém? Eu digo-vos que não. E se não vos arrependerdes, morrereis todos de modo semelhante. Jesus disse então a seguinte parábola: «Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha. Foi procurar os frutos que nela houvesse, mas não os encontrou. Disse então ao vinhateiro: ‘Há três anos que venho procurar frutos nesta figueira e não os encontro. Deves cortá-la. Porque há-de estar ela a ocupar inutilmente a terra?’. Mas o vinhateiro respondeu-lhe: ‘Senhor, deixa-a ficar ainda este ano, que eu, entretanto, vou cavar-lhe em volta e deitar-lhe adubo. Talvez venha a dar frutos. Se não der, mandá-la-ás cortar no próximo ano».

— Talvez venha a dar frutos

Perante um doente que não ficava curado, um médico constata: «Vamos terminar este tratamento, não tem qualquer efeito em si». Depois, após uma aprofundada investigação, sugere: «Talvez este novo medicamento possa ter êxito na erradicação do mal». 
É um pouco, num outro âmbito diferente da medicina, o que conta a parábola da figueira que não dá mais frutos. É preciso dar~lhe ainda uma hipótese. Talvez a última, uma vez que é estéril há três anos. O vinhateiro vai tentar tudo para que esta árvore produza os frutos que devia produzir.
É a nossa história. Lembra-nos a parte que nos é confiada na missão da Igreja. Lembra-nos de não estar a conciliar o sentido da nossa vida com a luz do Evangelho; de não viver uma vida fraterna segundo os apelos do Evangelho; de não nos envolvermos no nosso meio para praticar obras de justiça e de paz na fidelidade ao Evangelho; de não celebrar o nosso Deus como nos pede também o Evangelho. Então, não estamos a dar os frutos associados ao nosso batismo. Não realizamos as obras que todo o discípulo de Cristo é chamado a realizar.
Esta Quaresma é uma ocasião de lançar sobre a nossa vida a luz do Evangelho. O que é que nos propõe para darmos frutos e frutos que permanecem? Que precisamos de fazer para viver como verdadeiros discípulos daquele que nos convida a segui-lo? Como colocar os nossos passos nos dele, as nossas mãos nas dele, o nosso coração no seu coração?

Senhor Jesus, eu quero seguir-te.
Eu quero, em Igreja, continuar a tua missão.
Mostra-me como...

© Denise Lamarche, «Vie Liturgique», Novalis - Bayard Presse Canada inc
© Tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
— a utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização —

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 3.3.13 | Sem comentários
— rezar com o evangelho deste domingo  — 

— Evangelho segundo Lucas 13, 1-9

Naquele tempo, vieram contar a Jesus que Pilatos mandara derramar o sangue de certos galileus, juntamente com o das vítimas que imolavam. Jesus respondeu-lhes: «Julgais que, por terem sofrido tal castigo, esses galileus eram mais pecadores do que todos os outros galileus? Eu digo-vos que não. E se não vos arrependerdes, morrereis todos do mesmo modo. E aqueles dezoito homens, que a torre de Siloé, ao cair, atingiu e matou? Julgais que eram mais culpados do que todos os outros habitantes de Jerusalém? Eu digo-vos que não. E se não vos arrependerdes, morrereis todos de modo semelhante. Jesus disse então a seguinte parábola: «Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha. Foi procurar os frutos que nela houvesse, mas não os encontrou. Disse então ao vinhateiro: ‘Há três anos que venho procurar frutos nesta figueira e não os encontro. Deves cortá-la. Porque há-de estar ela a ocupar inutilmente a terra?’. Mas o vinhateiro respondeu-lhe: ‘Senhor, deixa-a ficar ainda este ano, que eu, entretanto, vou cavar-lhe em volta e deitar-lhe adubo. Talvez venha a dar frutos. Se não der, mandá-la-ás cortar no próximo ano».

— Faz aparecer o teu Dia

A Eucaristia é um momento privilegiado para colocar sobre o altar as nossas preocupações. No momento da Oração Universal, estarei ainda mais em comunhão com aqueles que não podem bradar mas são escutados por Deus (ver Êxodo 3, 1-15). Posso tomar para mim o cântico «Faz aparecer o teu Dia» onde Didier Rimaud exprime como Cristo continua a sua paixão através dos sofrimentos atuais: «Pelo corpo de Jesus Cristo nas prisões, inocente e torturado, sobre as terras desertas, terras de exílio, sem primavera, nem amendoeira...». Que neste tempo de Quaresma, vivamos uma conversão que dê fruto e nos aproxime dos mais pequenos que são os seus irmãos. Sim, Senhor, «faz aparecer o teu Dia e o tempo da tua graça».

© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
— a utilização e publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor —


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 3.3.13 | Sem comentários
— Lucas 15, 1-3.11-32 —

«Estava perdido e foi reencontrado»


Esquecemos o essencial e pusemos o nosso desejo
na posse das coisas e no domínio sobre os outros.
Reduzimos a ternura à medida do nosso egoísmo.
Deixamos de lado a fraternidade
e ficámos prisioneiros da mesquinhez.
Estamos perdidos, sem rumo, desnorteados.
Estaremos ainda dispostos a acolher um Deus
que vem ao nosso encontro com vontade de nos abraçar?

Obrigado pela ternura
que sempre tens para mim.
Obrigado pela tua misericórdia
que sempre me acolhe.
Obrigado pela tua bondade
que me faz renascer.
Obrigado pelo teu abraço
que me faz viver de novo.

«Rezar na Quaresma - Ano C»
© 2013 Rui Alberto
© 2013 Edições Salesianas

— Este texto faz parte do livro «Rezar na Quaresma - Ano C» das Edições Salesianas,
a quem agradecemos a autorização para publicar no «Laboratório da fé»;
qualquer forma de reprodução ou distribuição deste texto precisa de autorização —

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 2.3.13 | Sem comentários
— Ano C — Quaresma — Terceiro domingo —

— Evangelho segundo Lucas 13, 1-9

Naquele tempo, vieram contar a Jesus que Pilatos mandara derramar o sangue de certos galileus, juntamente com o das vítimas que imolavam. Jesus respondeu-lhes: «Julgais que, por terem sofrido tal castigo, esses galileus eram mais pecadores do que todos os outros galileus? Eu digo-vos que não. E se não vos arrependerdes, morrereis todos do mesmo modo. E aqueles dezoito homens, que a torre de Siloé, ao cair, atingiu e matou? Julgais que eram mais culpados do que todos os outros habitantes de Jerusalém? Eu digo-vos que não. E se não vos arrependerdes, morrereis todos de modo semelhante. Jesus disse então a seguinte parábola: «Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha. Foi procurar os frutos que nela houvesse, mas não os encontrou. Disse então ao vinhateiro: ‘Há três anos que venho procurar frutos nesta figueira e não os encontro. Deves cortá-la. Porque há-de estar ela a ocupar inutilmente a terra?’. Mas o vinhateiro respondeu-lhe: ‘Senhor, deixa-a ficar ainda este ano, que eu, entretanto, vou cavar-lhe em volta e deitar-lhe adubo. Talvez venha a dar frutos. Se não der, mandá-la-ás cortar no próximo ano».

— Converter-se: outro modo de ver

Parece que é o «apelo à conversão» que serve de ligação às duas partes do presente relato.
Na primeira, Jesus desmonta a ideia (tradicional) segundo a qual as desgraças e, em geral, a dor, seriam consequência do pecado. Essa crença não fazia senão acrescentar culpabilidade e angústia às situações dolorosas. 
Contudo, e embora pareça paradoxal, na linha seguinte faz ver que os nossos atos inevitavelmente têm consequências: «Se não vos arrependerdes, morrereis todos do mesmo modo». 
E esta seria a forma adequada de entender o que, noutras tradições, se conhece como karma ou lei kármica, cuja formulação pode expressar-se deste modo: no mundo das formas, toda a ação provoca um resultado («quem semeia ventos, colhe tempestades»). 
Mas, ao tratar-se de um tema delicado, devido a leituras apressadas ou erróneas, torna-se necessário fazer alguma contextualização. As ações que produzem karma são aquelas em que há alguma forma de apropriação, porque vamos à procura de algum fruto. 
Pelo contrário, quando vivemos a desapropriação, a ação adequada passa através de nós, como se fosse através de um canal, limpidamente. A desapropriação em relação ao fruto da ação elimina os efeitos negativos. 
Uma tal desapropriação implica que a pessoa não se identifique com o eu; não tem consciência de ser o fazedor. Do mesmo modo que uma onda emerge do oceano para em seguida voltar para ele, assim também a ação surge na pessoa para desaparecer do mesmo modo. 
À mudança que vai de uma atitude egoísta a outra desapropriada, Jesus chama «conversão» (meta-noia). 
Numa leitura moralizadora dos textos evangélicos, as palavras de Jesus soavam a ameaça grave: «Se não vos arrependerdes, morrereis todos do mesmo modo». Não se sabia muito bem o que significava isso da «conversão», mas certamente soava a mortificação, culpabilidade e confissão. E se percebia como uma «espada de Dâmocles» pendendo sob as nossas cabeças, com a imagem de um Deus ameaçador ao fundo. Isso não existe. A palavra «conversão» não remete para nenhuma ameaça — no sentido habitual do termo —, mas é promessa de vida. Para não «morrer» — «de que serve ao homem ganhar o mundo inteiro se perder a sua vida?, dirá o próprio Jesus (Marcos 8, 36) —, é necessário «converter-se», isto é, aprender a ver as coisas «de outra maneira», para além (meta) da mente (nous), que produz uma transformação na pessoa. 
A transformação, segundo Jesus, não é outra coisa senão o abandono do ego: «quem quiser salvar o seu eu, perderá a vida, mas quem o perder por mim e pela boa notícia, salvá-la-á» (Marcos 8, 35). 
É tudo uma questão de compreensão, de ver que a nossa verdadeira identidade não é o eu. E que, quando esquecemos isto, estamos a viver para ele, sem ter consciência de que, assim, estamos a perder a vida. 
A identificação com o eu faz-nos viver em chave de apego (ao que nos parece agradável) e de recusa (para com aquilo que etiquetamos como negativo), girando em torna de nós mesmos e à mercê dos inevitáveis vai-e-vens da impermanência no mundo das formas. 
Ao deixar de nos identificarmos com ele, abrimo-nos à totalidade, de uma maneira respeitosa e admirada. Aceitamos os «altos» e os «baixos» da existência, reduzimo-nos ao que é (que adota a forma do «isso passa») e descansamos na confiança que emerge permanentemente da totalidade do Real, quando sabemos estar à escuta. 
Deixamos a arrogância de quem pensa saber o que é «bom» em cada momento e vivemos a aceitação humilde e a docilidade desapropriada para que «passe» através de nós o que a Vida oferece. 
Conta-se do rei Afonso X, o Sábio, que, enquanto lhe liam o relato do livro do Génesis, comentou: «Se eu tivesse estado com Deus no dia da criação do mundo, tinha-lhe dado uns quantos conselhos». Esse é exatamente o modo como se expressa o ego. Só quando deixamos essa arrogância, podemos abrir-nos à sabedoria: esse passo chama-se metanoia.

© Enrique Lozano — www.feadulta.com — 
© Tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
— a utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor —
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 2.3.13 | Sem comentários
— Ano C — Quaresma — Terceiro domingo —

— Evangelho segundo Lucas 13, 1-9

Naquele tempo, vieram contar a Jesus que Pilatos mandara derramar o sangue de certos galileus, juntamente com o das vítimas que imolavam. Jesus respondeu-lhes: «Julgais que, por terem sofrido tal castigo, esses galileus eram mais pecadores do que todos os outros galileus? Eu digo-vos que não. E se não vos arrependerdes, morrereis todos do mesmo modo. E aqueles dezoito homens, que a torre de Siloé, ao cair, atingiu e matou? Julgais que eram mais culpados do que todos os outros habitantes de Jerusalém? Eu digo-vos que não. E se não vos arrependerdes, morrereis todos de modo semelhante. Jesus disse então a seguinte parábola: «Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha. Foi procurar os frutos que nela houvesse, mas não os encontrou. Disse então ao vinhateiro: ‘Há três anos que venho procurar frutos nesta figueira e não os encontro. Deves cortá-la. Porque há-de estar ela a ocupar inutilmente a terra?’. Mas o vinhateiro respondeu-lhe: ‘Senhor, deixa-a ficar ainda este ano, que eu, entretanto, vou cavar-lhe em volta e deitar-lhe adubo. Talvez venha a dar frutos. Se não der, mandá-la-ás cortar no próximo ano».

— O nosso conhecimento imperfeito faz-nos falhar

A mensagem de hoje é muito simples de formular, mas muito difícil de assimilar. Com demasiada frequência ouvimos a expressão fatídica: Castigo de Deus! No domingo passado dizíamos que não tínhamos de esperar nenhum prémio de Deus. Hoje, esclarece-se que não temos de temer nenhum castigo. Prémio e castigo são duas realidades correlativas: quando acontece uma, acontece a outra. Se Deus é quem manda a chuva, a seca é necessariamente um castigo. É difícil superar a ideia de um «Deus que premia os bons e castiga os maus». A dinâmica em que inserimos Deus é um beco sem saída, para Ele e para nós.
A grande teofania de Yahvé a Moisés indica o princípio da libertação (Êxodo 3, 1-15). Temos de ter muito cuidado ao ler estes textos. Não são relatos históricos tal como entendemos hoje a história. Os acontecimentos referenciados sucederam no século XIII antes de Cristo. Não foram escritos de uma só vez, mas foram sendo elaborados durante mais de sete séculos. Os primeiros relatos foram orais. No reinado de David (século X), apareceram os primeiros escritos. A última elaboração da Bíblia foi produzida no século V, no tempo de Esdras e Neemias. Tratam-se de vivências organizadas sete séculos depois de terem ocorrido. Não podemos esperar que correspondam tal como sucederam os acontecimentos.
O êxodo é a experiência central de todo o Antigo Testamento. Deus salva o seu povo e nessa salvação o povo reconhece-se como eleito por Deus. Fixa bem, Deus responde às queixas do povo. Não é um Deus impassível, transcendente, que não se importa nada com a sorte dos seres humanos. É um Deus que intervém na história em favor do povo oprimido. Assim eles acreditavam.
Outra coisa é como temos de interpretar essa atuação de Deus. Serve-se dos seres humanos para levar a cabo a obra da salvação. Embora Moisés se declare incapacitado, é enviado. Esto é muito importante na hora de atribuir a Deus a libertação. Somos nós os responsáveis de que a humanidade caminhe para uma libertação ou que a maioria dos seres humanos continue a afundar-se na miséria.
«Eu sou aquele que sou». Estamos diante da intuição mais sublime de toda a Bíblia, e seguramente de todo o pensamento religioso: Deus não tem nome, simplesmente, É. O nome de Deus é uma expressão verbal: «O que é e será».
Naquela cultura, conhecer o nome de alguém era dominá-lo. O ensinamento é que Deus é inabarcável e ninguém pode conhecê-lo ou manipulá-lo. É uma pena que, sem ter isto em conta, tenhamos tentado durante dois mil anos metê-lo em conceitos para manipulá-lo. As pretensões da «teologia» foram e continuam a ser despropositadas. Todos sabemos que o discurso sobre Deus é sempre analógico, isto é: simplesmente inadequado, e só «sequndum quid» acertado. Mas, na hora da verdade, esquecemos isto e defendemos os nossos conceitos ridículos sobre Deus como se se tratassem da mesmíssima realidade divina.
Partindo da experiência de Israel, Paulo adverte os cristãos de Corinto que não basta pertencer a uma comunidade para estar seguro (1Coríntios 10, 1-12). Nada poderá substituir a resposta pessoal às exigências do teu ser. Agarrar-se a seguranças de grupo, pode ser uma falácia. Esta recomendação de Paulo está totalmente de acordo com o evangelho. Paulo diz: «Quem julga estar de pé tome cuidado para não cair». E Jesus diz por duas vezes: «se não vos arrependerdes, morrereis». A vida humana é caminho para a plenitude, que precisa de constantes «retificações»: se não corrigimos o rumo equivocado, precipitar-nos-emos no abismo.
O evangelho de hoje coloca-nos o eterno problema: o mal é consequência do pecado? Assim acreditavam os judeus do tempo de Jesus; e assim continuam a acreditar a maioria dos cristãos de hoje. A partir de uma visão mágica de Deus, acreditava-se que tudo o que sucedia era fruto da sua vontade. Os males eram considerados castigos e os bens eram prémios. Aliás, a leitura de Paulo que acabamos de escutar pode ser interpretada nesse sentido. Jesus declara-se completamente contra essa maneira de pensar. Expressa-o claramente no evangelho de hoje, mas também o encontramos em muitas outras passagens; o mais claro é o episódio do cego de nascença, no evangelho de João, quando os discípulos perguntam a Jesus: Quem pecou foi ele ou os pais? Para Jesus, a relação de Deus connosco está num âmbito mais profundo.
Temos de deixar de interpretar como atuação de Deus o que não são mais do que forças da natureza ou consequência de atropelos humanos. Nenhuma desgraça que nos possa atingir deve ser atribuída a um castigo de Deus; da mesma maneira que não podemos pensar que somos bons porque tudo nos corre bem. O evangelho de hoje não pode ser mais claro, mas como dizíamos no domingo passado, estamos incapacitados para ouvir o que nos diz. Só ouvimos o que os nossos preconceitos nos deixam escutar.
Insisto: temos de deixar a ideia de um Deus Senhor ou patrão soberano que a partir de fora nos vigia e exige o seu tributo. De nada serve camuflá-la com subtilezas. Por exemplo: Deus, até pode ser que não castigue aqui em baixo, mas castiga na outra vida... Ou: Deus castiga-nos, mas é por amor, para nos salvar... Ou: Deus castiga só os maus... Ou: merecemos castigo, mas Cristo, com a sua morte, livrou-nos do castigo. Pensar que Deus nos trata como nós tratamos o asno, que só funciona à base de pau e cenoura, é ridicularizar Deus e o ser humano.
Claro que estamos constantemente nas mãos de Deus, mas a sua ação não tem nada que ver com as causas segundas. A ação de Deus é de natureza diferente da ação do ser humano, por isso a ação de Deus nem se soma nem se subtrai, nem interfere com a ação das causas físicas.
A partir do Paleolítico, pensava-se que todos os acontecimentos eram queridos e, portanto, realizados pontualmente por um «deus» todo-poderoso. Mas acontece que Deus, por ser «ato puro», por estar a fazer tudo em cada instante, não pode fazer nada em concreto. Não pode começar a fazer algo, porque uma ação é enriquecimento do ser que atua e, se Deus pudesse ser mais, antes não era Deus. Tampouco pode deixar de fazer o que está a fazer, porque perderia algo e deixaria de ser Deus.
Se não vos arrependerdes, morrereis. A expressão não traduz adequadamente o grego (metanoete), que significa «mudar de mentalidade, ver a realidade a partir de outra perspetiva». Jesus não diz que os que morreram eram pecadores, mas que todos somos igualmente pecadores e temos de mudar de rumo.
Sem uma tomada de consciência de que o caminho que levamos nos conduz ao abismo, nunca estaremos motivados para evitar o desastre. Se sou eu que estou a caminhar para o abismo, só eu posso mudar de rumo. Cada um tem a responsabilidade das suas ações. Não somos marionetas nas mãos de Deus, mas pessoas, ou seja, seres autónomos que temos de aguentar com as nossas responsabilidades. A melhor tradução seria: se não aprendes, até com os erros, morrerás.
A parábola da figueira é esclarecedora. A figueira era símbolo do povo de Israel. O número três é símbolo de plenitude. E como se dissesse: Deus dá-me todo o tempo do mundo e mais um ano. Mas o tempo para dar fruto é limitado. Deus é dom incondicional, mas não pode substituir o que tenho de ser eu a fazer. Sou único, irrepetível. Tenho uma tarega designada; se não a realizo, essa tarefa ficará por fazer e a culpa será só minha. Não tem de vir ninguém para me premiar ou castigar. Cumprir a tarefa será o prémio, não cumpri-la será o castigo. A tarefa do ser humano não é fazer coisas, mas fazer-se, isto é, tomar consciência do seu verdadeiro ser e viver essa realidade ao máximo. Claro que se esse processo de consciencialização não se traduz em frutos, é a prova de que ainda não aconteceu.
Que significa dar fruto? Em que consiste a salvação para nós aqui e agora? Talvez seja esta a questão mais importante que temos de colocar. Não se trata de fazer ou deixar de fazer isto ou aquilo para alcançar a salvação. Trata-se de atingir uma libertação interior que me leve a fazer isto ou a deixar de fazer aquilo porque me é pedido pelo meu ser autêntico. A salvação não é alcançar nada nem conseguir nada. É o teu verdadeiro ser, estar identificado com Deus. Descobrir e viver essa realidade é a tua verdadeira salvação.

Meditação-contemplação
Não tens de esperar nada de fora.
Deus já te deu tudo, tu tens de fazer o que falta.
A tarefa fundamental está dentro de ti mesmo.
É um processo de iluminação, de tomar consciência do que és.
.........................

Converter-se é centrar-se.
Pressupõe a consciência de estar descentrado.
Se não descobres que o teu caminho te leva para fora, para as coisas terrenas,
não estarás motivado para nenhuma retificação.
.........................

Não procures mudar de objetivos fora de ti. É perder tempo.
A única meta que te pode saciar está dentro de ti.
Centra-te, concentra-te.
Esse é o único caminho de conversão.

..................................

© Fray Marcos — www.feadulta.com — 
© Tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
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Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 2.3.13 | Sem comentários
— rezar diariamente com o evangelho do próximo domingo  — 

— Evangelho segundo Lucas 13, 1-9

Naquele tempo, vieram contar a Jesus que Pilatos mandara derramar o sangue de certos galileus, juntamente com o das vítimas que imolavam. Jesus respondeu-lhes: «Julgais que, por terem sofrido tal castigo, esses galileus eram mais pecadores do que todos os outros galileus? Eu digo-vos que não. E se não vos arrependerdes, morrereis todos do mesmo modo. E aqueles dezoito homens, que a torre de Siloé, ao cair, atingiu e matou? Julgais que eram mais culpados do que todos os outros habitantes de Jerusalém? Eu digo-vos que não. E se não vos arrependerdes, morrereis todos de modo semelhante. Jesus disse então a seguinte parábola: «Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha. Foi procurar os frutos que nela houvesse, mas não os encontrou. Disse então ao vinhateiro: ‘Há três anos que venho procurar frutos nesta figueira e não os encontro. Deves cortá-la. Porque há-de estar ela a ocupar inutilmente a terra?’. Mas o vinhateiro respondeu-lhe: ‘Senhor, deixa-a ficar ainda este ano, que eu, entretanto, vou cavar-lhe em volta e deitar-lhe adubo. Talvez venha a dar frutos. Se não der, mandá-la-ás cortar no próximo ano».

— O futuro do nosso coração

Há muito amor na atitude do «vinhateiro». Esta benevolência radical é a do olhar de Deus sobre cada um de nós. Sim, do amor com que sou amado(a)! Muitas vezes estamos mais atentos ao que falta, ao que não acontece, do que aos dons que ele nos dá diariamente. Peço-lhe a graça de ver tudo o que ele põe a germinar em mim.

© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
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Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 2.3.13 | Sem comentários
— Todo tiene su momento - blog de Pedro Jaramillo —

Sábado da segunda semana


— Evangelho segundo Lucas 15, 1-3.11-32

Naquele tempo, os publicanos e os pecadores aproximavam-se todos de Jesus, para O ouvirem. Mas os fariseus e os escribas murmuravam entre si, dizendo: «Este homem acolhe os pecadores e come com eles». Jesus disse-lhes então a seguinte parábola: «Certo homem tinha dois filhos. O mais novo disse ao pai: ‘Pai, dá-me a parte da herança que me toca’. O pai repartiu os bens pelos filhos. Alguns dias depois, o filho mais novo, juntando todos os seus haveres, partiu para um país distante e por lá esbanjou quanto possuía, numa vida dissoluta. Tendo gasto tudo, houve uma grande fome naquela região e ele começou a passar privações. Entrou então ao serviço de um dos habitantes daquela terra, que o mandou para os seus campos guardar porcos. Bem desejava ele matar a fome com as alfarrobas que os porcos comiam, mas ninguém lhas dava. Então, caindo em si, disse: ‘Quantos trabalhadores de meu pai têm pão em abundância, e eu aqui a morrer de fome! Vou-me embora, vou ter com meu pai e dizer-lhe: Pai, pequei contra o Céu e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho, mas trata-me como um dos teus trabalhadores’. Pôs-se a caminho e foi ter com o pai. Ainda ele estava longe, quando o pai o viu: encheu-se de compaixão e correu a lançar-se-lhe ao pescoço, cobrindo-o de beijos. Disse-lhe o filho: ‘Pai, pequei contra o Céu e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho’. Mas o pai disse aos servos: ‘Trazei depressa a túnica mais bela e vesti-lha. Ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés. Trazei o vitelo gordo e matai-o. Comamos e festejemos, porque este meu filho estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi reencontrado’. E começou a festa. Ora o filho mais velho estava no campo. Quando regressou, ao aproximar-se da casa, ouviu a música e as danças. Chamou um dos servos e perguntou-lhe o que era aquilo. O servo respondeu-lhe: ‘O teu irmão voltou e teu pai mandou matar o vitelo gordo, porque chegou são e salvo’. Ele ficou ressentido e não queria entrar. Então o pai veio cá fora instar com ele. Mas ele respondeu ao pai: ‘Há tantos anos que te sirvo, sem nunca transgredir uma ordem tua, e nunca me deste um cabrito para fazer uma festa com os meus amigos. E agora, quando chegou esse teu filho, que consumiu os teus bens com mulheres de má vida, mataste-lhe o vitelo gordo’. Disse-lhe o pai: ‘Filho, tu estás sempre comigo e tudo o que é meu é teu. Mas tínhamos de fazer uma festa e alegrar-nos, porque o teu irmão estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi reencontrado’».

— «Quando o pai o viu: encheu-se de compaixão 

      e correu a lançar-se-lhe ao pescoço, cobrindo-o de beijos»

Talvez agora compreendamos melhor o porquê de muitos entendidos no evangelho de Lucas nos peçam que, ao texto de hoje, não chamemos «parábola do filho pródigo», mas «parábola do pai misericordioso». Assim é, com efeito. O centro da parábola não é o filho que se perdeu, mas o amor do Pai que o abraça.
Interessante o contexto em que Lucas situa a parábola: o acolhimento de Jesus aos publicanos e aos pecadores: «Este homem acolhe os pecadores e come com eles». Uma prova excelente de acolhimento é a mesa partilhada. Com a parábola do pai misericordioso, Jesus está a dar-lhes a resposta: acolhe os pecadores, porque o Pai também os acolhe. E Ele veio para fazer a vontade do Pai.
A parábola é tão bem conhecida que não é preciso comentar muito. Somente alguns pontos: os filhos daquele pai são dois: «Um homem tinha dois filhos». A situação de cada um é diferente: o mais velho foi sempre cumpridor; o mais novo é o que se afasta e se perde. Através da narração, o mais velho revela-se como filho cumpridor, mas não vive como filho; o mais novo, como aquele que renunciou à condição de filho, mas recuperou-a nos braços do pai.
A deterioração do filho mais novo é grave. O afastamento começa a doer. E assim dá-se a decisão: «Vou ter com meu pai». Misturada com motivações, talvez demasiado utilitaristas, mas no fundo, com uma convicção: «estava melhor junto do pai».

— Sinais para o caminho de fé

  • O perdão envolve a fé com a atmosfera que lhe é própria: a gratuitidade. A fé é um dom de Deus; é uma graça. É como dom e como graça que a temos de viver. Não é uma conquista que conseguimos à nossa custa. 
  • Quanto mais perdão recebido, mais consciência da gratuidade; e quanto mais consciência de gratuitidade mais abertura à fé.
  • Que grande verdade a afirmação de João Paulo II: «a fé não se impõe; propõe-se».
  • No âmbito da gratuitidade do perdão, a fé converte-se numa proposta permanente. Daí outra bela frase de Bento XVI: «convertemo-nos por atração e não por imposição». Quem nos atrai é o Pai. O seu amor incondicional. 
  • Purificar a imagem de Deus a partir destas indicações bíblicas é absolutamente necessário para ter uma fé simples, mas madura.
© Pedro Jaramillo
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
— a utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor —




Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 2.3.13 | Sem comentários
— Sábado da segunda semana da Quaresma —

— Evangelho segundo Lucas 15, 1-3.11-32

Naquele tempo, os publicanos e os pecadores aproximavam-se todos de Jesus, para O ouvirem. Mas os fariseus e os escribas murmuravam entre si, dizendo: «Este homem acolhe os pecadores e come com eles». Jesus disse-lhes então a seguinte parábola: «Certo homem tinha dois filhos. O mais novo disse ao pai: ‘Pai, dá-me a parte da herança que me toca’. O pai repartiu os bens pelos filhos. Alguns dias depois, o filho mais novo, juntando todos os seus haveres, partiu para um país distante e por lá esbanjou quanto possuía, numa vida dissoluta. Tendo gasto tudo, houve uma grande fome naquela região e ele começou a passar privações. Entrou então ao serviço de um dos habitantes daquela terra, que o mandou para os seus campos guardar porcos. Bem desejava ele matar a fome com as alfarrobas que os porcos comiam, mas ninguém lhas dava. Então, caindo em si, disse: ‘Quantos trabalhadores de meu pai têm pão em abundância, e eu aqui a morrer de fome! Vou-me embora, vou ter com meu pai e dizer-lhe: Pai, pequei contra o Céu e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho, mas trata-me como um dos teus trabalhadores’. Pôs-se a caminho e foi ter com o pai. Ainda ele estava longe, quando o pai o viu: encheu-se de compaixão e correu a lançar- se-lhe ao pescoço, cobrindo-o de beijos. Disse-lhe o filho: ‘Pai, pequei contra o Céu e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho’. Mas o pai disse aos servos: ‘Trazei depressa a túnica mais bela e vesti-lha. Ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés. Trazei o vitelo gordo e matai-o. Comamos e festejemos, porque este meu filho estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi reencontrado’. E começou a festa. Ora o filho mais velho estava no campo. Quando regressou, ao aproximar-se da casa, ouviu a música e as danças. Chamou um dos servos e perguntou-lhe o que era aquilo. O servo respondeu-lhe: ‘O teu irmão voltou e teu pai mandou matar o vitelo gordo, porque chegou são e salvo’. Ele ficou ressentido e não queria entrar. Então o pai veio cá fora instar com ele. Mas ele respondeu ao pai: ‘Há tantos anos que te sirvo, sem nunca transgredir uma ordem tua, e nunca me deste um cabrito para fazer uma festa com os meus amigos. E agora, quando chegou esse teu filho, que consumiu os teus bens com mulheres de má vida, mataste-lhe o vitelo gordo’. Disse-lhe o pai: ‘Filho, tu estás sempre comigo e tudo o que é meu é teu. Mas tínhamos de fazer uma festa e alegrar-nos, porque o teu irmão estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi reencontrado’».

— Certo homem tinha dois filhos

Num dia de Natal, uma vizinha convidou uma prostituta para jantar. Na vizinhança, comentava-se em voz baixa: «Estar com uma mulher daquelas, não é possível!». E o meu pai reagiu: «Todavia, o próprio Jesus comeu com os pecadores».
Sim, Jesus fazia bom acolhimento às pessoas de má reputação: os cobradores de impostos que fixavam num valor mais elevado o montante das taxas; a mulher adúltera; outra mulher de quem dirá que «muito lhe foi perdoado porque muito amou»... Agindo assim, ele podia falar do perdão de Deus sem limites.
Quanto Jesus conta a parábola do filho regresado a casa, mostra como um pai pode ser pródigo de perdão. E, neste pai da parábola, reconhece-se Deus. Nenhuma falta pode afastar o perdão do Pai. Podemos substituir-nos a este filho que delapidou a herança e levou uma vida desordenada. Paciente, generoso com o seu perdão, o pai espera que ele regresse. Aliás, corre ao encontro dele, abre-lhe os braços, aperta-o contra si e abraça-o. Mais: organiza uma grande festa para celebrar o regresso deste filho que ele pensava perdido. 
Também nos reconhecemos no filho mais velho da parábola. Também é pecador. Tem inveja do seu irmão que nem sequer o nomeia como tal. Fala dele ao pai dizendo «esse teu filho». Convidando ao mais velho para entrar na festa, o pai diz: «Tínhamos de fazer uma festa e alegrar-nos, porque o teu irmão [...] estava perdido e foi reencontrado».
Será que entendemos o convite que nos é feito para reconhecer que todos somos irmãs e irmãos, membros de um povo de pecadores perdoados?

Senhor Jesus, eu quero seguir-te.
Ensina-me a considerar todas as pessoas 
como minhas irmãs, meus irmãos.

© Denise Lamarche, «Vie Liturgique», Novalis - Bayard Presse Canada inc
© Tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
— a utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização —

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 2.3.13 | Sem comentários


Não se fazem omeletas sem ovos.
Nada se contrói sem «materiais» de qualidade.
Mas onde encontrá-los?
Se queres construir uma vida com respeito,
com simpatia, com capacidade de escutar,
com paciência, com tempo para estar junto dos que amas... onde procurar?
Talvez valha a pena voltar a procurar junto de Jesus Cristo.
Mesmo que O tenhas rejeitado no passado.
Ele está sempre disponível para se tornar a pedra angular da tua vida.

Tu, Jesus,
és a minha pedra angular,
Aquele que dá ordem e sentido
a toda a minha vida.
Em Ti e só em Ti
eu encontro liberdade e paz,
vitória contra a morte
e esperança contra o desânimo.

«Rezar na Quaresma - Ano C»
© 2013 Rui Alberto
© 2013 Edições Salesianas

— Este texto faz parte do livro «Rezar na Quaresma - Ano C» das Edições Salesianas,
a quem agradecemos a autorização para publicar no «Laboratório da fé»;
qualquer forma de reprodução ou distribuição deste texto precisa de autorização —

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 1.3.13 | Sem comentários
— rezar diariamente com o evangelho do próximo domingo  — 

— Evangelho segundo Lucas 13, 1-9

Naquele tempo, vieram contar a Jesus que Pilatos mandara derramar o sangue de certos galileus, juntamente com o das vítimas que imolavam. Jesus respondeu-lhes: «Julgais que, por terem sofrido tal castigo, esses galileus eram mais pecadores do que todos os outros galileus? Eu digo-vos que não. E se não vos arrependerdes, morrereis todos do mesmo modo. E aqueles dezoito homens, que a torre de Siloé, ao cair, atingiu e matou? Julgais que eram mais culpados do que todos os outros habitantes de Jerusalém? Eu digo-vos que não. E se não vos arrependerdes, morrereis todos de modo semelhante. Jesus disse então a seguinte parábola: «Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha. Foi procurar os frutos que nela houvesse, mas não os encontrou. Disse então ao vinhateiro: ‘Há três anos que venho procurar frutos nesta figueira e não os encontro. Deves cortá-la. Porque há-de estar ela a ocupar inutilmente a terra?’. Mas o vinhateiro respondeu-lhe: ‘Senhor, deixa-a ficar ainda este ano, que eu, entretanto, vou cavar-lhe em volta e deitar-lhe adubo. Talvez venha a dar frutos. Se não der, mandá-la-ás cortar no próximo ano».

— Dar fruto (bis)

É importante sublinhar a rapidez com que o mestre se deixa convencer em esperar mais um ano. Deus tem prazer em ver-nos dar fruto e está disposto a ajudar-nos. Não regateia os seus esforços. É, por isso, que nos ampara; e o crescimento não acontecerá sem ele. Mas isso também não acontecerá sem nós, sem o nosso consentimento. Que a árvore do meu coração se torna ainda mais fértil nos próximos tempos.

© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
— a utilização e publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor —



Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 1.3.13 | Sem comentários
— Todo tiene su momento - blog de Pedro Jaramillo —

Sexta-feira da segunda semana


— Evangelho segundo Mateus 21, 33-43.45-46

Naquele tempo, disse Jesus aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos do povo: «Ouvi outra parábola: Havia um proprietário que plantou uma vinha, cercou-a com uma sebe, cavou nela um lagar e levantou uma torre; depois arrendou-a a uns vinhateiros e partiu para longe. Quando chegou a época das colheitas, mandou os seus servos aos vinhateiros para receber os frutos. Os vinhateiros, porém, lançando mão dos servos, espancaram um, mataram outro e a outro apedrejaram-no. Tornou ele a mandar outros servos, em maior número que os primeiros, e eles trataram-nos do mesmo modo. Por fim mandou-lhes o seu próprio filho, pensando: ‘Irão respeitar o meu filho’. Mas os vinhateiros, ao verem o filho, disseram entre si: ‘Este é o herdeiro; vamos matá-lo e ficaremos com a sua herança’. Agarraram-no, levaram-no para fora da vinha e mataram-no. Quando vier o dono da vinha, que fará àqueles vinhateiros?» Os príncipes dos sacerdotes e os anciãos do povo responderam-Lhe: «Mandará matar sem piedade esses malvados e arrendará a vinha a outros vinhateiros que lhe entreguem os frutos a seu tempo». Disse-lhes Jesus: «Nunca lestes na Escritura: ‘A pedra rejeitada pelos construtores tornou-se a pedra angular; tudo isto veio do Senhor e é admirável aos nossos olhos’? Por isso vos digo: Ser-vos-á tirado o reino de Deus e dado a um povo que produza os seus frutos». Ao ouvirem as parábolas de Jesus, os príncipes dos sacerdotes e os fariseus compreenderam que falava deles e queriam prendê-l’O; mas tiveram medo do povo, que O considerava profeta.

— «A pedra rejeitada pelos construtores tornou-se a pedra angular»

A parábola faz um sumário da sorte que tiveram os enviados na história do Povo de Israel. A vinha é a imagem bíblica frequente para designar o povo. Os cuidados com a vinha são expressão dos cuidados de Deus com Israel.
Os «enviados» para recolher os frutos são uma recordação de que a vinha (o povo) não é dos arrendatários (os governantes); é do verdadeiro dono (Deus). Os enviados são empacados e mortos... O dono pensa na estratégia de um «enviado superior»: o seu próprio filho. Era boa a «lógica» do pai: «irão respeitar o meu filho».
Contudo, a reação dos arrendatários é violenta. O motivo é descarado demais: matar o herdeiro, para ficar com a herança. Que fará o dono com aqueles que mataram o seu filho? Reitar-lhes-á a vinha para a arrendar a outros vinhateiros.
Claro como a água! Mas se alguém não entendeu, o próprio Jesus explica: «'A pedra rejeitada pelos construtores tornou-se a pedra angular' [...]. Por isso vos digo: Ser-vos-á tirado o reino de Deus e dado a um povo que produza os seus frutos». A polémica está servida. Jesus anuncia o fim da exclusividade judaica em relação à salvação e declara-se como «filho». 
O resultado reflete-se na reação dos sacerdotes e dos fariseus: entendem que a parábola é para eles e «queriam prendê-l'O». No entanto, Mateus refere que não o fizeram por medo: o povo considerava-O profeta.

— Sinais para o caminho de fé

  • A nossa fé é «cristã», porque aceitamos o Filho como o Enviado do Pai.
  • Como Enviado, Jesus mostra-nos o Pai (o verdadeiro dono da vinha); e, nele que é o Filho, torna-nos filhos com ele. Uma realidade de fé que fará Paulo dizer: «filhos e herdeiros; herdeiros de Deus, co-herdeiros com Cristo» (Romanos 8, 17).
  • Por isso, a nossa fé diz-nos que, em Cristo, Deus deu-nos tudo. Deixamos de ser «arrendatários» da vinha, para nos convertermos em co-herdeiros das promessas salvadoras de Deus.
  • Não temos uma fé de escravos, mas de filhos. A fé não nos introduz no temor, mas na profundidade do amor.
  • Como «filhos no Filho» e «co-herdeiros com Ele», também nós somos enviados. E dispostos a tudo. Alguns poderão dizer: «aí vem o sonhador»... Seria sinal de que «não estamos longe do Reino de Deus». Um «sonho» que se pode tornar realidade.
© Pedro Jaramillo
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
— a utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor —



Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 1.3.13 | Sem comentários
— Sexta-feira da segunda semana da Quaresma —

— Evangelho segundo Mateus 21, 33-43.45-46

Naquele tempo, disse Jesus aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos do povo: «Ouvi outra parábola: Havia um proprietário que plantou uma vinha, cercou-a com uma sebe, cavou nela um lagar e levantou uma torre; depois arrendou-a a uns vinhateiros e partiu para longe. Quando chegou a época das colheitas, mandou os seus servos aos vinhateiros para receber os frutos. Os vinhateiros, porém, lançando mão dos servos, espancaram um, mataram outro e a outro apedrejaram-no. Tornou ele a mandar outros servos, em maior número que os primeiros, e eles trataram-nos do mesmo modo. Por fim mandou-lhes o seu próprio filho, pensando: ‘Irão respeitar o meu filho’. Mas os vinhateiros, ao verem o filho, disseram entre si: ‘Este é o herdeiro; vamos matá-lo e ficaremos com a sua herança’. Agarraram-no, levaram-no para fora da vinha e mataram-no. Quando vier o dono da vinha, que fará àqueles vinhateiros?» Os príncipes dos sacerdotes e os anciãos do povo responderam-Lhe: «Mandará matar sem piedade esses malvados e arrendará a vinha a outros vinhateiros que lhe entreguem os frutos a seu tempo». Disse-lhes Jesus: «Nunca lestes na Escritura: ‘A pedra rejeitada pelos construtores tornou-se a pedra angular; tudo isto veio do Senhor e é admirável aos nossos olhos’? Por isso vos digo: Ser-vos-á tirado o reino de Deus e dado a um povo que produza os seus frutos». Ao ouvirem as parábolas de Jesus, os príncipes dos sacerdotes e os fariseus compreenderam que falava deles e queriam prendê-l’O; mas tiveram medo do povo, que O considerava profeta.

— «Ser-vos-á tirado o reino de Deus 

      e dado a um povo que produza os seus frutos»

Um homem alugou a sua casa a um preço muito baixo a uma pessoa que vivia do fundo de desemprego. Este desempregado atraiu a compaixão do proprietário que confiou nele. Ao fim de alguns anos, querendo vender a casa, o proprietário vai ver como ela está. Apercebe-se de que o arrendatário a tinha danificado. Imediatamente, retirou-lhe a renda, para poder reparar a habitação, afim de poder vender a casa em bom estado.
A parábola evangélica de hoje apresenta-nos o proprietário de uma vinha que vive uma experiência ainda mais dolorosa. Os vinhateiros a quem tinha arrendado a vinha não só não lhe entregam a parte a que tem direito como também matam os servos, e até o próprio filho. Esta parábola evoca a história dos profetas a quem tiraram a vida, matando-os. Evoca também a história de Jesus, Filho de Deus, a quem roubaram não só a vida mas também a morte, visto que não foi assassinado atirando-lhe pedras como a um profeta, mas crucificando-o como um criminoso.
Ora bem, o proprietário da vinha retirou-a aos vinhateiros homicidas. E a advertência de Jesus é clara: se o povo não cuida da vinha do Pai, então haverá outro povo. E este novo povo, a Igreja de Jesus Cristo, é um povo a caminho. A caminho, como povo de batizados ao encontro do Pai e progredindo na aprendizagem das bem-aventuranças a proclamar e a viver durante o percurso. Caminhemos para o Reino onde as bem-aventuranças se cumprirão.

Senhor Jesus, eu quero seguir-te.
Faz de mim um membro ativo 
do povo caminhante que conduzes até ao Pai.

© Denise Lamarche, «Vie Liturgique», Novalis - Bayard Presse Canada inc
© Tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
— a utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização —

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 1.3.13 | Sem comentários
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