Quarta Semana [no Ciclo C de Cortés (RD-Herder)] —

O que podemos esperar se seguimos Jesus


É necessário passar longos momentos, a sós, com Jesus


Durante o mês de janeiro, meditamos nos princípios da nossa atuação como cristãos; agora, perguntamos: o que pode esperar alguém que quer dar continuidade à mensagem de Jesus no mundo atual?
Muita incompreensão e, inclusive, perseguição: por parte daqueles que hoje continuam a afirmar-se como os eleitos (DOMINGO: «Todos ficaram furiosos na sinagoga»); das pessoas cujos interesses são puramente materialistas (SEGUNDA: «Pediram a Jesus que Se retirasse do seu território»); da gente indiferente e rotineira (TERÇA: «Riram-se d’Ele»); e, inclusive, dos próprios parentes e vizinhos (QUARTA: «Um profeta só é desprezado na sua terra, entre os seus parentes e em sua casa») e da humanidade por quem Jesus dá a própria vida (QUINTA: «E, inclinando a cabeça, expirou»). Para não mencionar, claro está, aqueles poderosos com nomes e apelidos, cujos interesses questionaremos diretamente (SEXTA: «Herodes ouviu falar de Jesus»).
Por isso, para compensar estes desencontros, torna-se necessário passar longos momentos, a sós, com Jesus, num sítio tranquilo (SÁBADO: «Vinde comigo para um lugar isolado e descansai um pouco»). Coisas que poderemos fazer já e na próxima Quaresma.

Nesta semana, a última antes da Quaresma, somos convidados a tomar consciência, de forma realista, das complicações que comporta hoje em dia ser portadores da mensagem de Jesus.

© tradução e adaptação de Laboratório da fé


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 3.2.13 | Sem comentários

— oração —


Ó Maria, Mãe da Igreja,
confiamos-Te a nossa vida consagrada,
derrama sobre nós a plenitude da luz divina:
ensina-nos a viver
na escuta da Palavra de Deus,
na humildade do seguimento de Jesus,
teu Filho e Senhor nosso,
no acolhimento da visita do Espírito Santo,
na alegria diária do magnificat,
no labor do Evangelho,
na edificação da Igreja pela santidade de vida.
Ámen!
 

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 2.2.13 | Sem comentários
— TREZENTOS DIAS A CAMINHAR COM O EVANGELISTA LUCAS — 

«A minha alma celebra a grandeza do Senhor» (Lucas 1, 46). Maria louva a Deus e expressa a alegria de uma jovem que acaba de ser proclamada bem-aventurada por uma sua parente mais velha. Maria pensa em Ana, a mulher estéril que tinha pedido um filho a Deus; a sua prece foi atendida e ela deu à luz o menino Samuel. Ana cantou o seu reconhecimento pela ação de Deus na sua vida. Maria inspira-se no cântico de Ana (cf. Primeiro Livro de Samuel 1, 1 — 2, 11) e enriquece-o com outras expressões retiradas do livro dos Salmos.



Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 2.2.13 | Sem comentários

— Semana do Consagrado —


— Evangelho segundo Lucas 2, 22-40 

Ao chegarem os dias da purificação, segundo a Lei de Moisés, Maria e José levaram Jesus a Jerusalém, para O apresentarem ao Senhor, como está escrito na Lei do Senhor: «Todo o filho primogénito varão será consagrado ao Senhor», e para oferecerem em sacrifício um par de rolas ou duas pombinhas, como se diz na Lei do Senhor. Vivia em Jerusalém um homem chamado Simeão, homem justo e piedoso, que esperava a consolação de Israel; e o Espírito Santo estava nele. O Espírito Santo revelara-lhe que não morreria antes de ver o Messias do Senhor; e veio ao templo, movido pelo Espírito. Quando os pais de Jesus trouxeram o Menino para cumprirem as prescrições da Lei no que lhes dizia respeito, Simeão recebeu-O em seus braços e bendisse a Deus, exclamando: «Agora, Senhor, segundo a vossa palavra, deixareis ir em paz o vosso servo, porque os meus olhos viram a vossa salvação, que pusestes ao alcance de todos os povos: luz para se revelar às nações e glória de Israel, vosso povo». O pai e a mãe do Menino Jesus estavam admirados com o que d’Ele se dizia. Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua Mãe: «Este Menino foi estabelecido para que muitos caiam ou se levantem em Israel e para ser sinal de contradição; – e uma espada trespassará a tua alma – assim se revelarão os pensamentos de todos os corações». Havia também uma profetiza, Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Era de idade muito avançada e tinha vivido casada sete anos após o tempo de donzela e viúva até aos oitenta e quatro. Não se afastava do templo, servindo a Deus noite e dia, com jejuns e orações. Estando presente na mesma ocasião, começou também a louvar a Deus e a falar acerca do Menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém. Cumpridas todas as prescrições da Lei do Senhor, voltaram para a Galileia, para a sua cidade de Nazaré. Entretanto, o Menino crescia e tornava-Se robusto, enchendo-Se de sabedoria. E a graça de Deus estava com Ele.

— Tema geral

Através das palavras e da catequese do evangelista Lucas, desenha-se aqui o quadro da “Apresentação de Jesus” no Templo de Jerusalém, a fim de ser “consagrado” ao Senhor.
A consagração de Cristo recorda-nos que a nossa vida se deve cumprir num “ecce venio”, numa entrega total nas mãos do Pai, ao serviço do projeto de salvação de Deus para os homens e para o mundo.

— Os Evangelhos da Infância de Jesus

Não foi logo desde o início que os primeiros cristãos se interessaram por aquilo que, hoje, nós conhecemos como “Evangelhos da Infância” e de que faz parte este texto de Lucas. O interesse dos primeiros cristãos era, sobretudo, pela mensagem e proposta que Jesus fez; daí que os Evangelhos se centrem especialmente nas recordações sobre a vida pública e a paixão do Senhor.
Só num estádio posterior houve uma certa curiosidade acerca dos primeiros anos da vida de Jesus. Coligiram-se, então, escassas informações históricas sobre a infância de Jesus e amassou-se esse material com reflexões que a comunidade fazia acerca do Senhor. Partindo de algumas indicações históricas e desenvolvendo uma reflexão teológica para explicar quem é Jesus, Lucas apresenta a história da Infância de Jesus.
O objetivo de Lucas é responder à pergunta fundamental: quem é este Jesus?

— O interesse do Evangelho pela apresentação de Jesus ao Templo

Lucas propõe-nos o quadro da apresentação de Jesus no Templo. Segundo a Lei de Moisés, todos os primogénitos, tanto dos homens como dos animais, pertenciam a Jahwéh e deviam ser oferecidos a Jahwéh (cf. Ex 13,1-2. 11-16). O costume de oferecer os primogénitos aos deuses é um costume cananeu. No entanto, Israel transformou-o no que dizia respeito aos primogénitos dos homens… Estes não deviam ser oferecidos em sacrifício, mas resgatados por um animal, imolado ao Senhor (vers. 23-24).
De acordo com Lv 12,2-8, quarenta dias após o nascimento de uma criança, esta devia ser apresentada no Templo, onde a mãe oferecia um ritual de purificação. Nessa cerimónia, devia ser oferecido um cordeiro de um ano (para as famílias mais abastadas) ou então duas pombas ou duas rolas (para as famílias de menores recursos), tradição a que o nosso texto faz referência (vers. 24). É neste contexto que este passo do Evangelho nos situa.
Na linha da apresentação de todas as histórias da infância de Jesus, também com esta Lucas pretende mostrar quem é Jesus e qual a sua missão no mundo. Ao sublinhar repetidamente a fidelidade da família de Jesus à Lei do Senhor (vers. 22. 23. 24), Lucas quer deixar claro que Jesus, desde o início da sua caminhada entre os homens, viveu na escrupulosa fidelidade aos mandamentos e aos projetos do Pai. Desde o início da sua existência terrena, Ele entregou a sua vida nas mãos do Pai, numa adesão absoluta ao plano do Pai. A missão de Jesus no mundo passa por aí, pelo cumprimento rigoroso da vontade e do projeto do Pai.

— Simeão e Ana

As duas personagens que acolhem Jesus no templo, Simeão e Ana, representam o Israel fiel que esperava ansiosamente a sua libertação e a restauração do reinado de Deus sobre o seu Povo.
De Simeão diz-se que era um homem “justo e piedoso, que esperava a consolação de Israel” (vers. 25). As palavras e os gestos de Simeão são particularmente sugestivos… Simeão toma Jesus nos braços e apresenta-O ao mundo, definindo-O como “a salvação” que Deus quer oferecer “a todos os povos”, “luz para se revelar às nações e glória de Israel” (vers. 28-32).
Jesus é, assim, reconhecido pelo Israel fiel como esse Messias libertador e salvador, a quem Deus enviou – não só ao seu povo, mas a todos os povos da terra.
Aqui desponta um tema muito querido a Lucas: o da universalidade da salvação de Deus… Deus não tem já um Povo eleito, mas a sua salvação é para todos os povos, independentemente da sua raça, da sua cultura, das suas fronteiras, dos seus esquemas religiosos.
As palavras que Simeão dirige a Maria (“este menino foi estabelecido para que muitos caiam ou se levantem em Israel e para ser sinal de contradição; e uma espada trespassará a tua alma” – vers. 34-35) aludem, provavelmente, à divisão que a proposta de Jesus provocará em Israel e ao resultado dessa divisão – o drama da cruz.
Ana é também uma figura do Israel pobre e sofredor (“viúva”), que se manteve fiel a Jahwéh (não se voltou a casar, após a morte do marido – vers. 37), que espera a salvação de Deus. Depois de reconhecer em Jesus a salvação anunciada por Deus, ela “falava do menino a todos os que esperavam a redenção de Jerusalém” (vers. 38).
A palavra utilizada por Lucas para falar de libertação é a palavra grega “lustrosis” (“resgate”), utilizada no Êxodo para falar da libertação da escravidão do Egipto (cf. Ex 13,13-15; 34,20; Nm 18,15-16).
Jesus é, assim, apresentado por Lucas como o Messias libertador, que vai conduzir o seu Povo do domínio da escravidão para o domínio da liberdade. A apresentação no Templo de um primogénito celebrava precisamente a libertação do Egipto e a passagem da escravidão para a liberdade (cf. Ex 13, 11-16).
Nas figuras de Ana e Simeão, desse Israel antigo e fiel, esperançoso nas promessas de Deus, vemos um mundo que crê no Deus da Aliança e da Paz e, sobretudo, na fidelidade de Deus às suas promessas.
Mesmo quando não se vê o modo de sair de uma crise, quando Deus parece mais longínquo, talvez esquecido de nós, eis que Ele vem ao Templo, numa figura frágil, de um Menino, “sinal de contradição”, mas também, e sobretudo, sinal de redenção, de libertação para todos os que ainda ousam crer e esperar num mundo segundo a ordem de Deus, em que a “sabedoria” e a “graça” que habitavam a pessoa de Jesus possam ser os fundamentos de uma “civilização do amor”.

— O Menino que crescia: sabedoria e graça estavam com ele

O texto termina com uma referência ao resto da infância de Jesus e ao crescimento do menino em “sabedoria” e “graça”. Trata-se de atributos que lhe vêm do Pai e que atestam, portanto, a sua divindade (vers. 40).
Jesus é o Deus que vem ao encontro dos homens com uma missão que lhe foi confiada pelo Pai. O objetivo de Jesus é cumprir integralmente o projeto do Pai… E esse projeto passa por levar os homens da escravidão para a liberdade e em apresentar a proposta de salvação de Deus a todos os povos da terra, mesmo àqueles que não pertencem tradicionalmente à comunidade do Povo de Deus.

— Interpelações para nós, hoje

A Festa da “Apresentação do Senhor” coincide com a celebração do Dia da Vida Consagrada. Ao olhar para o mistério da consagração aqui expresso, os consagrados são convidados a revisitar os fundamentos da sua consagração, vivida no seguimento de Jesus, por amor do Reino.
Poderíamos dizer que se celebra hoje em toda a Igreja um singular “ofertório”, no qual os homens e as mulheres consagradas renovam espiritualmente o dom de si. Agindo desta forma, ajudam as comunidades eclesiais a crescer na dimensão oblativa que as constitui intimamente, as edifica e as estimula a testemunhar Jesus pelos caminhos do mundo.

A “apresentação do Senhor” no Templo de Jerusalém revela que, desde o início da sua caminhada entre os homens, Jesus escolheu um caminho de total fidelidade aos mandamentos e aos projetos do Pai. Ao oferecer-Se a Deus em oblação, ao ser “consagrado” ao Pai, Jesus manifesta a sua disponibilidade para cumprir fiel e incondicionalmente o plano salvador do Pai até às últimas consequências, até ao dom total da própria vida em favor dos homens.
O “ecce venio” de Jesus é o modelo da doação e da entrega de todos os consagrados, chamados a seguir Jesus mais de perto, numa oblação total a Deus e ao Reino. A vocação de consagrados concretiza-se na entrega de toda a existência nas mãos do Pai, na fidelidade absoluta à sua vontade e aos seus planos.
Que valor e que importância tem na sua vida o projeto de Deus? Procuram identificar a vontade de Deus e com ela conformar a sua vida, em total doação e entrega, ou deixam que sejam os seus projetos e esquemas pessoais a ditar as suas opções e as coordenadas da sua vida?

Jesus é-nos apresentado, neste texto, como “a salvação colocada ao alcance de todos os povos”, a “luz para se revelar às nações e a glória de Israel”, o messias com uma proposta de libertação para todos os homens.
Que eco tem esta “apresentação” de Jesus no coração dos consagrados? Jesus é, de facto, a luz que ilumina as suas vidas e que os conduz pelos caminhos do mundo? Ele é o caminho certo e inquestionável para a salvação, para a vida verdadeira e plena? É n’Ele que colocam a sua ânsia de libertação e de vida nova? Este Jesus aqui apresentado tem real impacto na sua vida, nas suas opções, nos passos que dão no seu caminho de consagração, ou é apenas uma figura decorativa de um certo cristianismo de fachada?

Simeão e Ana são, na cena evangélica que nos é proposta, figuras do Israel fiel, que foi preparado desde sempre para reconhecer e para acolher o messias de Deus. Na verdade, quando Jesus aparece, eles estão suficientemente despertos para reconhecer naquele bebé o messias libertador que todos esperavam e apresentam-n’O formalmente ao mundo.
Hoje, os consagrados – discípulos que acolheram Jesus como a sua luz e que aceitaram segui-l’O – têm a responsabilidade de O apresentar ao mundo e de O tornar uma proposta questionadora, libertadora, iluminadora, salvadora, para os homens nossos irmãos.
É isso que acontece? Através do seu anúncio – feito com palavras, com gestos, com atitudes, com a fidelidade aos votos religiosos – Jesus é apresentado ao mundo e questiona os homens seus irmãos?
Se tantos homens ignoram a “luz” libertadora que Jesus veio acender ou não se sentem interpelados pelo projeto de Jesus, a culpa não será, um pouco, de um certo imobilismo e instalação, de algum “cinzentismo” na vivência da fé, da forma pouco entusiasta como é testemunhada na Vida Consagrada?

A Vida Consagrada é chamada a refletir de maneira particular a luz de Cristo. Olhando as pessoas consagradas, que procuram viver ao estilo das Bem-aventuranças, os homens e mulheres do nosso tempo têm de ver o “fermento” de esperança para a humanidade, o “sal” que dá sabor ao mundo, uma “luz” que se acende na escuridão do mundo e que indica caminhos de verdade e de liberdade, a “porta” entreaberta para o Reino de Deus e para os “novos céus e a nova terra” que Deus quer apresentar à humanidade.
É preciso que os consagrados sejam luz e conforto para cada pessoa, velas acesas que ardem com o próprio amor de Cristo, luz que ilumina as sombras do mundo e que profeticamente anuncia a aurora de uma nova realidade.
É isso que acontece? O seu testemunho interpela positivamente os homens e mulheres que todos os dias com eles se cruzam nos caminhos do mundo e aponta-lhes a realidade do Reino?

Os desafios de Deus, os seus planos, revelam-se, de forma privilegiada, na Palavra de Deus…
Que importância é que a Palavra de Deus assume na vida dos cristãos e dos consagrados e das nossas comunidades cristãs e religiosas? Procuram viver na escuta da Palavra, numa progressiva sensibilidade à Palavra de Deus, a fim de discernir os desafios de Deus? Encontram tempo, individualmente e a nível comunitário, para se reunirem à volta da Palavra de Deus, para partilhar a Palavra de Deus, para se deixarem questionar pela Palavra de Deus?

Pobreza, castidade e obediência são as características distintivas do homem redimido, interiormente resgatado da escravidão do egoísmo.
Livres para amar, livres para servir: assim são os homens e as mulheres que renunciam a si mesmos pelo Reino dos Céus. Seguindo Cristo, crucificado e ressuscitado, os consagrados vivem esta liberdade como solidariedade, assumindo os pesos espirituais e materiais dos seus irmãos.
Os votos são assumidos pelos consagrados como elemento desta entrega total nas mãos de Deus – a exemplo de Cristo – para o serviço do Reino e da humanidade, ou são vistos como uma carga insuportável que os limita e os torna infelizes?


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 2.2.13 | Sem comentários
— Documento de trabalho [2] —

Algumas perguntas

O que há de novo no mundo dos jovens? O que se destaca das análises culturais, das investigações e estudos sociológicos dos últimos anos sobre a condição juvenil? Quais são os principais desafios e as tensões que caracterizam os jovens? De que forma a mudança cultural está a afetar as novas gerações? O que sabemos das lógicas existenciais dos jovens? Como é que comunicam as novas gerações? São realmente, como se diz, «analfabetos emotivos»? Como é a nova socialização dos jovens? Quais são os valores emergentes, em destaque, as tendências na área dos valores, na busca da identidade e nas relações com o mundo adulto? Com que chage hermenêutica podemos interpretar as mudanças culturais que estão a acontecer? Que modelos de vida se impõem aos jovens? Como acontece a relação entre as novas gerações e a fé? Os jovens com o seu protagonismo são um recurso estratégico e uma oportunidade para a sociedade e para a Igreja? Estamos perante uma geração perdida para a Igreja ou perante um futuro de crentes sem qualquer pertença ou não praticantes?
Procurar dar respostas, ao menos sumária e sintética, a estas perguntas será o trabalho da próxima Assembleia Plenária do Dicastério, que nos permitirá oferecer a nossa colaboração para uma integração dos jovens na vida da Igreja.

© Pontíficio Conselho da Cultura
© Tradução de Laboratório da fé, 2013, a partir do texto oficial em espanhol

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 2.2.13 | Sem comentários

— Semana do Consagrado —


— Evangelho segundo Lucas 2, 22-40 

Ao chegarem os dias da purificação, segundo a Lei de Moisés, Maria e José levaram Jesus a Jerusalém, para O apresentarem ao Senhor, como está escrito na Lei do Senhor: «Todo o filho primogénito varão será consagrado ao Senhor», e para oferecerem em sacrifício um par de rolas ou duas pombinhas, como se diz na Lei do Senhor. Vivia em Jerusalém um homem chamado Simeão, homem justo e piedoso, que esperava a consolação de Israel; e o Espírito Santo estava nele. O Espírito Santo revelara-lhe que não morreria antes de ver o Messias do Senhor; e veio ao templo, movido pelo Espírito. Quando os pais de Jesus trouxeram o Menino para cumprirem as prescrições da Lei no que lhes dizia respeito, Simeão recebeu-O em seus braços e bendisse a Deus, exclamando: «Agora, Senhor, segundo a vossa palavra, deixareis ir em paz o vosso servo, porque os meus olhos viram a vossa salvação, que pusestes ao alcance de todos os povos: luz para se revelar às nações e glória de Israel, vosso povo». O pai e a mãe do Menino Jesus estavam admirados com o que d’Ele se dizia. Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua Mãe: «Este Menino foi estabelecido para que muitos caiam ou se levantem em Israel e para ser sinal de contradição; – e uma espada trespassará a tua alma – assim se revelarão os pensamentos de todos os corações». Havia também uma profetiza, Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Era de idade muito avançada e tinha vivido casada sete anos após o tempo de donzela e viúva até aos oitenta e quatro. Não se afastava do templo, servindo a Deus noite e dia, com jejuns e orações. Estando presente na mesma ocasião, começou também a louvar a Deus e a falar acerca do Menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém. Cumpridas todas as prescrições da Lei do Senhor, voltaram para a Galileia, para a sua cidade de Nazaré. Entretanto, o Menino crescia e tornava-Se robusto, enchendo-Se de sabedoria. E a graça de Deus estava com Ele.

— Compreender a Palavra

A festa de hoje convida-nos a prestar atenção às personagens que aparecem na Apresentação do Senhor no templo: o menino, os seus pais, dois anciãos e o Espírito Santo. As suas ações são de pobres; a sua reação é de louvor e salvação. Todos são movidos e iluminados pelo Espírito Santo.
Reparemos bem: duas vidas gastas na esperança proclamam as maravilhas que Deus realiza nos humildes; o Espírito guia pelo caminho da esperança os que buscamos o Senhor e para encontrá-lo necessitamos a sua luz.
Ilumina-me, Senhor, com o teu Espírito!
Depois do seu nascimento, Jesus foi levado por seus pais ao templo, para cumprir o ritual judaico.
A Carta aos Hebreus proclama a Palavra: “ ‘Estou aqui, ó Deus para fazer a tua vontade’.” (Heb 10,9). A Apresentação de Jesus ao Templo revela que ele não veio para fazer coisas, mas ser Deus no meio de nós, ou melhor ainda, “Deus-connosco!”

— Meditar a Palavra

O que me diz, a mim, este texto do Evangelho?
O teólogo Edward Schillebeeckx diz que “Maria é o braço que une a humanidade santa e salvadora de Cristo à nossa humanidade”.
Ela apresentou Jesus no Templo e ali se revelou o Salvador, na voz de Simeão.
O Pe. Cristo Rey Garcia Paredes escreve em “Palavra e Vida, 2012”: “na Igreja recordamos hoje o dia do chamamento à “vida consagrada”… E porque é que celebramos este modo de vida, hoje, dia da Apresentação? Porque é a data em que o Menino Jesus foi “consagrado ao Senhor”. Maria e José ofereceram-n’O no templo. Essa consagração transformou Jesus em sinal de contradição. A vida consagrada tem também uma função profética.”
Os milhares de consagrados, homens e mulheres, exercem a função profética no mundo em que vivem colocando-se ao lado de todo o tipo de marginalizados. Encontrámo-los numa atitude de proximidade com os mais pobres sejam eles idosos ou crianças, doentes com ou sem deficiência, deslocados ou marginalizados. A todos anunciam Jesus Cristo Ressuscitado, junto de cada um deles.
“A caridade de Cristo não me deixa descansar”, dizia Santo António Maria Claret, citando S. Paulo.
É este zelo apostólico que leva tantos consagrados, homens e mulheres, a deixarem tudo, terra e família, e partirem com o único objetivo de difundir o amor de Jesus Cristo em toda a parte.
Falando da vida consagrada, a irmã Tiziana, Franciscana dos Pobres, dizia que «os fundadores não se detiveram nas análises sociológicas» mas «encarnaram a palavra do Senhor, muitos deles transformaram pessoas e territórios, voltando a dar capacidade de viver e luz a zonas e bairros degradados desde todos os pontos de vista».
Nesta reflexão não posso esquecer os consagrados, missionários do sofrimento, que a doença amarra ao leito de um hospital ou prende a uma máquina à custa da qual conseguem viver e, com a serenidade, enfrentando a doença, anunciam o Cristo vivo e presente em cada pessoa.

— Rezar a Palavra

Rezo, espontaneamente, com salmos ou outras orações. Hoje rezo com a Oração de São Patrício:
Cristo está comigo, Cristo à minha frente,
Cristo atrás de mim, Cristo em mim,
Cristo à minha direita, Cristo à minha esquerda,
Cristo ao me deitar, Cristo ao me sentar, Cristo ao me levantar,
Cristo no coração de todos os que pensarem em mim,
Cristo na boca de todos os que falarem em mim,
Cristo em todos os olhos que me virem,
Cristo em todos os ouvidos que me ouvirem.

— Compromisso

Qual o meu novo olhar para a EVANGELIZAÇÃO, como consagrado/consagrada a partir da Palavra?
O meu novo olhar é de reconhecimento da salvação que também nós “vimos com os nossos próprios olhos”.
Ele, Jesus Cristo, é a luz que ilumina o nosso caminho.

— Bênção

Deus nos abençoe e nos guarde. Amém.
Ele nos mostre a sua face e se compadeça de nós. Amém.
Volte para nós o seu olhar e nos dê a sua paz. Amém.
Abençoe-nos Deus misericordioso, Pai e Filho e Espírito Santo. Amém.
 

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 2.2.13 | Sem comentários
— Documento de trabalho [1] —

A Assembleia Plenária do Pontifício Conselho da Cultura, que se realiza entre os dias seis e nove de fevereiro, vai refletir sobre as culturas juvenis emergentes, a partir do «documento de trabalho» que vamos apresentar a partir de hoje no «Laboratório da fé»:

A Assembleia Plenária deseja colocar-se à escuta da «questão dos jovens», que estamos a viver nos diversos continentes, para compreender a situação dos jovens. Sem conhecer a realidade cultural em que os jovens vivem, a ação pastoral corre o risco de oferecer respostas a perguntas que ninguém faz. Hoje, a realidade juvenil está marcada pela complexidade, fragmentada em diferentes tipologias, sem um modelo único e homogéneo, diversificado segundo a influência da família, da economia, do ambiente social, da formação. A nossa reflexão e a nossa ação não se refere à juventude, mas aos jovens.
A análise limita-se às culturas adolescentes e juvenis entre os 15 e os 29 anos. A escolha está determinada pela precocidade, que é a característica das culturas juvenis, devido ao hiperestímulo e às enormes possibilidades comunicativas da cultura visual dominante. Isto tem provocado, no tempo contemporâneo, um adiamento da saída do âmbito parental e, ao mesmo tempo, um atraso em alcançar a verdadeira independência, pela falta de trabalho e, consequentemente, um adiamento da idade do casamento. A marginalização social das novas gerações obriga a prolongar cada mais o período da juventude, presas no síndrome de Peter Pan, isto é, a criança que não quer ou a quem não deixam crescer.
É evidente que existe uma «questão do jovem» na Igreja, devido, entre outras coisas, à evidente dificuldade na transmissão da fé. Antes de começar a propor «boas práticas» de evangelização, precisamos de uma visão de conjunto sobre as transformações culturais e sociais, os conflitos intergeracionais, os problemas da família. Escutar as novas gerações, considerar a sua condição, é uma boa oportunidade, além de ser uma exigência para os adultos e para as comunidades cristãs. Estamos, pois, perante um novo fenómeno que requer uma nova compreensão e uma nova formulação. Os jovens são indicadores sensíveis das contradições sociais em que vivemos. Em certo sentido antecipam a evolução da sociedade. Não se pode fazer qualquer juízo sobre eles sem um esforço prévio de reflexão.

© Pontíficio Conselho da Cultura
© Tradução de Laboratório da fé, 2013, a partir do texto oficial em espanhol

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 2.2.13 | Sem comentários
— palavra para sábado, dia 2 de fevereiro: apresentação de Jesus —



— Evangelho segundo Lucas 2, 22-40 

Ao chegarem os dias da purificação, segundo a Lei de Moisés, Maria e José levaram Jesus a Jerusalém, para O apresentarem ao Senhor, como está escrito na Lei do Senhor: «Todo o filho primogénito varão será consagrado ao Senhor», e para oferecerem em sacrifício um par de rolas ou duas pombinhas, como se diz na Lei do Senhor. Vivia em Jerusalém um homem chamado Simeão, homem justo e piedoso, que esperava a consolação de Israel; e o Espírito Santo estava nele. O Espírito Santo revelara-lhe que não morreria antes de ver o Messias do Senhor; e veio ao templo, movido pelo Espírito. Quando os pais de Jesus trouxeram o Menino para cumprirem as prescrições da Lei no que lhes dizia respeito, Simeão recebeu-O em seus braços e bendisse a Deus, exclamando: «Agora, Senhor, segundo a vossa palavra, deixareis ir em paz o vosso servo, porque os meus olhos viram a vossa salvação, que pusestes ao alcance de todos os povos: luz para se revelar às nações e glória de Israel, vosso povo». O pai e a mãe do Menino Jesus estavam admirados com o que d’Ele se dizia. Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua Mãe: «Este Menino foi estabelecido para que muitos caiam ou se levantem em Israel e para ser sinal de contradição; – e uma espada trespassará a tua alma – assim se revelarão os pensamentos de todos os corações». Havia também uma profetiza, Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Era de idade muito avançada e tinha vivido casada sete anos após o tempo de donzela e viúva até aos oitenta e quatro. Não se afastava do templo, servindo a Deus noite e dia, com jejuns e orações. Estando presente na mesma ocasião, começou também a louvar a Deus e a falar acerca do Menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém. Cumpridas todas as prescrições da Lei do Senhor, voltaram para a Galileia, para a sua cidade de Nazaré. Entretanto, o Menino crescia e tornava-Se robusto, enchendo-Se de sabedoria. E a graça de Deus estava com Ele.

— Simeão, homem justo e piedoso [...]. Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser

Maria e José, certamente com o apoio de toda a família, procuraram dar uma boa educação ao seu filho Jesus, também na dimensão religiosa. Como todo o bom judeu, Jesus aprendeu a integrar na sua vida todos os costumes e rituais da sua religião. 
O texto situa-se no templo de Jerusalém, onde acontece o ritual da apresentação do primeiro filho, conforme determinação da lei judaica. Além disso, a mãe também tinha de se submeter a uma ritual de purificação. Ambos — a purificação de Maria e a apresentação de Jesus — são referenciados no início da narração. Mas o mais importante não é o cumprimento do ritual.
Ao longo desta semana, fomos convidados a descobrir a potencialidade que existe na pequena semente do Evangelho que nos é oferecida em cada dia. Neste texto, vemos que um pequeno Menino também é capaz de despertar toda a força vital de dois anciãos de Israel: Simeão e Ana.
Hoje, quer despertar o mesmo dinamismo, a mesma vitalidade, em cada um de nós. E seremos capazes de louvar a Deus e de falar do Menino aos outros. Ele é a semente, a Palavra de Deus que desce ao nosso coração, à nossa vida. E, tal como propõe a Liturgia da Igreja (Liturgia das Horas) aprendamos a fazer nossa, no final de cada dia, a oração de Simeão: 

Agora, Senhor, segundo a vossa palavra, 
deixareis ir em paz o vosso servo, 
porque meus olhos viram a salvação, 
que oferecestes a todos os povos, 
luz para se revelar às nações 
e glória de Israel vosso povo.

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 2.2.13 | Sem comentários
— Mensagem do Papa para a Quaresma 2013 —

Crer na caridade suscita caridade 

«Nós conhecemos o amor que Deus nos tem, pois cremos nele» (1 Jo 4, 16) 


Queridos irmãos e irmãs!
A celebração da Quaresma, no contexto do Ano da Fé, proporciona-nos uma preciosa ocasião para meditar sobre a relação entre fé e caridade: entre o crer em Deus, no Deus de Jesus Cristo, e o amor, que é fruto da acção do Espírito Santo e nos guia por um caminho de dedicação a Deus e aos outros.

1. A fé como resposta ao amor de Deus 

Na minha primeira Encíclica, deixei já alguns elementos que permitem individuar a estreita ligação entre estas duas virtudes teologais: a fé e a caridade. Partindo duma afirmação fundamental do apóstolo João: «Nós conhecemos o amor que Deus nos tem, pois cremos nele» (1 Jo 4, 16), recordava que, «no início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo. (...) Dado que Deus foi o primeiro a amar-nos (cf. 1 Jo 4, 10), agora o amor já não é apenas um “mandamento”, mas é a resposta ao dom do amor com que Deus vem ao nosso encontro» (Deus caritas est, 1). A fé constitui aquela adesão pessoal - que engloba todas as nossas faculdades - à revelação do amor gratuito e «apaixonado» que Deus tem por nós e que se manifesta plenamente em Jesus Cristo. O encontro com Deus Amor envolve não só o coração, mas também o intelecto: «O reconhecimento do Deus vivo é um caminho para o amor, e o sim da nossa vontade à d’Ele une intelecto, vontade e sentimento no acto globalizante do amor. Mas isto é um processo que permanece continuamente a caminho: o amor nunca está "concluído" e completado» (ibid., 17). Daqui deriva, para todos os cristãos e em particular para os «agentes da caridade», a necessidade da fé, daquele «encontro com Deus em Cristo que suscite neles o amor e abra o seu íntimo ao outro, de tal modo que, para eles, o amor do próximo já não seja um mandamento por assim dizer imposto de fora, mas uma consequência resultante da sua fé que se torna operativa pelo amor» (ibid., 31). O cristão é uma pessoa conquistada pelo amor de Cristo e, movido por este amor - «caritas Christi urget nos» (2 Cor 5, 14) - , está aberto de modo profundo e concreto ao amor do próximo (cf. ibid., 33). Esta atitude nasce, antes de tudo, da consciência de ser amados, perdoados e mesmo servidos pelo Senhor, que Se inclina para lavar os pés dos Apóstolos e Se oferece a Si mesmo na cruz para atrair a humanidade ao amor de Deus.
«A fé mostra-nos o Deus que entregou o seu Filho por nós e assim gera em nós a certeza vitoriosa de que isto é mesmo verdade: Deus é amor! (...) A fé, que toma consciência do amor de Deus revelado no coração trespassado de Jesus na cruz, suscita por sua vez o amor. Aquele amor divino é a luz – fundamentalmente, a única - que ilumina incessantemente um mundo às escuras e nos dá a coragem de viver e agir» (ibid., 39). Tudo isto nos faz compreender como o procedimento principal que distingue os cristãos é precisamente «o amor fundado sobre a fé e por ela plasmado» (ibid., 7).

2. A caridade como vida na fé 

Toda a vida cristã consiste em responder ao amor de Deus. A primeira resposta é precisamente a fé como acolhimento, cheio de admiração e gratidão, de uma iniciativa divina inaudita que nos precede e solicita; e o «sim» da fé assinala o início de uma luminosa história de amizade com o Senhor, que enche e dá sentido pleno a toda a nossa vida. Mas Deus não se contenta com o nosso acolhimento do seu amor gratuito; não Se limita a amar-nos, mas quer atrair-nos a Si, transformar-nos de modo tão profundo que nos leve a dizer, como São Paulo: Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim (cf. Gl 2, 20).
Quando damos espaço ao amor de Deus, tornamo-nos semelhantes a Ele, participantes da sua própria caridade. Abrirmo-nos ao seu amor significa deixar que Ele viva em nós e nos leve a amar com Ele, n'Ele e como Ele; só então a nossa fé se torna verdadeiramente uma «fé que actua pelo amor» (Gl 5, 6) e Ele vem habitar em nós (cf. 1 Jo 4, 12).
A fé é conhecer a verdade e aderir a ela (cf. 1 Tm 2, 4); a caridade é «caminhar» na verdade (cf. Ef 4, 15). Pela fé, entra-se na amizade com o Senhor; pela caridade, vive-se e cultiva-se esta amizade (cf. Jo 15, 14-15). A fé faz-nos acolher o mandamento do nosso Mestre e Senhor; a caridade dá-nos a felicidade de pô-lo em prática (cf. Jo 13, 13-17). Na fé, somos gerados como filhos de Deus (cf. Jo 1, 12-13); a caridade faz-nos perseverar na filiação divina de modo concreto, produzindo o fruto do Espírito Santo (cf. Gl 5, 22). A fé faz-nos reconhecer os dons que o Deus bom e generoso nos confia; a caridade fá-los frutificar (cf. Mt 25, 14-30).

3. O entrelaçamento indissolúvel de fé e caridade 

À luz de quanto foi dito, torna-se claro que nunca podemos separar e menos ainda contrapor fé e caridade. Estas duas virtudes teologais estão intimamente unidas, e seria errado ver entre elas um contraste ou uma «dialéctica». Na realidade, se, por um lado, é redutiva a posição de quem acentua de tal maneira o carácter prioritário e decisivo da fé que acaba por subestimar ou quase desprezar as obras concretas da caridade reduzindo-a a um genérico humanitarismo, por outro é igualmente redutivo defender uma exagerada supremacia da caridade e sua operatividade, pensando que as obras substituem a fé. Para uma vida espiritual sã, é necessário evitar tanto o fideísmo como o activismo moralista.
A existência cristã consiste num contínuo subir ao monte do encontro com Deus e depois voltar a descer, trazendo o amor e a força que daí derivam, para servir os nossos irmãos e irmãs com o próprio amor de Deus. Na Sagrada Escritura, vemos como o zelo dos Apóstolos pelo anúncio do Evangelho, que suscita a fé, está estreitamente ligado com a amorosa solicitude pelo serviço dos pobres (cf. At 6, 1-4). Na Igreja, devem coexistir e integrar-se contemplação e acção, de certa forma simbolizadas nas figuras evangélicas das irmãs Maria e Marta (cf. Lc 10, 38-42). A prioridade cabe sempre à relação com Deus, e a verdadeira partilha evangélica deve radicar-se na fé (cf. Catequese na Audiência geral de 25 de Abril de 2012). De facto, por vezes tende-se a circunscrever a palavra «caridade» à solidariedade ou à mera ajuda humanitária; é importante recordar, ao invés, que a maior obra de caridade é precisamente a evangelização, ou seja, o «serviço da Palavra». Não há acção mais benéfica e, por conseguinte, caritativa com o próximo do que repartir-lhe o pão da Palavra de Deus, fazê-lo participante da Boa Nova do Evangelho, introduzi-lo no relacionamento com Deus: a evangelização é a promoção mais alta e integral da pessoa humana. Como escreveu o Servo de Deus Papa Paulo VI, na Encíclica Populorum progressio, o anúncio de Cristo é o primeiro e principal factor de desenvolvimento (cf. n. 16). A verdade primordial do amor de Deus por nós, vivida e anunciada, é que abre a nossa existência ao acolhimento deste amor e torna possível o desenvolvimento integral da humanidade e de cada homem (cf. Enc. Caritas in veritate, 8).
Essencialmente, tudo parte do Amor e tende para o Amor. O amor gratuito de Deus é-nos dado a conhecer por meio do anúncio do Evangelho. Se o acolhermos com fé, recebemos aquele primeiro e indispensável contacto com o divino que é capaz de nos fazer «enamorar do Amor», para depois habitar e crescer neste Amor e comunicá-lo com alegria aos outros.
A propósito da relação entre fé e obras de caridade, há um texto na Carta de São Paulo aos Efésios que a resume talvez do melhor modo: «É pela graça que estais salvos, por meio da fé. E isto não vem de vós; é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie. Porque nós fomos feitos por Ele, criados em Cristo Jesus, para vivermos na prática das boas acções que Deus de antemão preparou para nelas caminharmos» (2, 8-10). Daqui se deduz que toda a iniciativa salvífica vem de Deus, da sua graça, do seu perdão acolhido na fé; mas tal iniciativa, longe de limitar a nossa liberdade e responsabilidade, torna-as mais autênticas e orienta-as para as obras da caridade. Estas não são fruto principalmente do esforço humano, de que vangloriar-se, mas nascem da própria fé, brotam da graça que Deus oferece em abundância. Uma fé sem obras é como uma árvore sem frutos: estas duas virtudes implicam-se mutuamente. A Quaresma, com as indicações que dá tradicionalmente para a vida cristã, convida-nos precisamente a alimentar a fé com uma escuta mais atenta e prolongada da Palavra de Deus e a participação nos Sacramentos e, ao mesmo tempo, a crescer na caridade, no amor a Deus e ao próximo, nomeadamente através do jejum, da penitência e da esmola.

4. Prioridade da fé, primazia da caridade 

Como todo o dom de Deus, a fé e a caridade remetem para a acção do mesmo e único Espírito Santo (cf. 1 Cor 13), aquele Espírito que em nós clama:«Abbá! – Pai!» (Gl 4, 6), e que nos faz dizer: «Jesus é Senhor!» (1 Cor 12, 3) e «Maranatha! – Vem, Senhor!» (1 Cor 16, 22; Ap 22, 20).
Enquanto dom e resposta, a fé faz-nos conhecer a verdade de Cristo como Amor encarnado e crucificado, adesão plena e perfeita à vontade do Pai e infinita misericórdia divina para com o próximo; a fé radica no coração e na mente a firme convicção de que precisamente este Amor é a única realidade vitoriosa sobre o mal e a morte. A fé convida-nos a olhar o futuro com a virtude da esperança, na expectativa confiante de que a vitória do amor de Cristo chegue à sua plenitude. Por sua vez, a caridade faz-nos entrar no amor de Deus manifestado em Cristo, faz-nos aderir de modo pessoal e existencial à doação total e sem reservas de Jesus ao Pai e aos irmãos. Infundindo em nós a caridade, o Espírito Santo torna-nos participantes da dedicação própria de Jesus: filial em relação a Deus e fraterna em relação a cada ser humano (cf. Rm 5, 5).
A relação entre estas duas virtudes é análoga à que existe entre dois sacramentos fundamentais da Igreja: o Baptismo e a Eucaristia. O Baptismo (sacramentum fidei) precede a Eucaristia (sacramentum caritatis), mas está orientado para ela, que constitui a plenitude do caminho cristão. De maneira análoga, a fé precede a caridade, mas só se revela genuína se for coroada por ela. Tudo inicia do acolhimento humilde da fé («saber-se amado por Deus»), mas deve chegar à verdade da caridade («saber amar a Deus e ao próximo»), que permanece para sempre, como coroamento de todas as virtudes (cf. 1 Cor 13, 13).
Caríssimos irmãos e irmãs, neste tempo de Quaresma, em que nos preparamos para celebrar o evento da Cruz e da Ressurreição, no qual o Amor de Deus redimiu o mundo e iluminou a história, desejo a todos vós que vivais este tempo precioso reavivando a fé em Jesus Cristo, para entrar no seu próprio circuito de amor ao Pai e a cada irmão e irmã que encontramos na nossa vida. Por isto elevo a minha oração a Deus, enquanto invoco sobre cada um e sobre cada comunidade a Bênção do Senhor!

Vaticano, 15 de Outubro de 2012
BENEDICTUS PP. XVI

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Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 1.2.13 | Sem comentários
— TREZENTOS DIAS A CAMINHAR COM O EVANGELISTA LUCAS — 

«Que grande honra para mim ser visitada pela mãe do meu Senhor!» (Lucas 1, 43). A promessa está a realizar-se: Maria transporta um menino fruto da ação de Deus. Ao mesmo tempo, Isabel proclama a sua fé. Refere-se a Maria como a «mãe do meu Senhor», reconhecendo naquele menino o Senhor. Este é o título atribuído a Deus, na Bíblia. Depois, segue-se a primeira bem-aventurança, no evangelho segundo Lucas: «Feliz daquela que acreditou, porque nela se cumprirá o que foi dito da parte do Senhor» (Lucas 1, 45).



Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 1.2.13 | Sem comentários
— A Pastoral da Saúde no laboratório da fé —

Depois da minha experiência com doentes mentais com stress pós-traumático de Guerra percebi que, por muitas estratégias utilizadas, medicamentosas entre outras, a única réstia de esperança que em alguns permanecia designava-se por fé. Era esse o único sentimento que muitos traziam inabalável de uma vida de tormentos depois de uma Guerra sem nome, sem rosto, sem intenção, onde não perderam a vida mas perderam grande parte da sua vida porque deixaram no “mato” das ex-colónias a sua identidade. “Valha-nos Deus”: esta era a expressão que alguns dos Veteranos da Guerra Colonial utilizavam quando se lamentavam da vida que tiveram, das tormentas por que passaram e por que fizeram passar muitos dos seus familiares. Na maior parte das vezes terminam os seus dias sozinhos, abandonados por quem já os amou mas que não os consegue ter por perto. O fantasma do stress pós-traumático não os deixa viver em paz. O sofrimento destes homens e de suas famílias pode tornar-se de tal forma que, enquanto procurava perceber as suas impressionantes histórias de vida no sentido de lhes auxiliar o auto-conhecimento muitas vezes perdido, questionava-os sobre a sua fé. Uma grande maioria afirmava a fé acima de qualquer “complicação” terrena e dizia mesmo que Deus nada tem a ver com isto (isto da Guerra que tanto mal lhes trouxe). A culpa afinal é dos Homens, concluíam por si mesmos, porque a inabalável fé destes seres humanos que tanto sofrem permanece intacta. Exemplo disto mesmo é a peregrinação anual à Nossa Senhora do Sameiro. A maioria dos Veteranos de Guerra partilham da fé cristã. Esta revelação é evidente quando, e depois do que é sabido por mim dos atendimentos, verifico a enorme devoção com que oram a Nossa Senhora do Sameiro que consideram sua padroeira, que dizem tê-los protegido na Guerra do maior dos males, a morte. A homeostasia do indivíduo ou o equilíbrio natural para o qual caminha todo o ser biológico é uma meta incrivelmente difícil de atingir para estes homens e suas famílias, mas conseguem ultrapassar uma boa parte da adversidade porque, acima de tudo, estão cheios de fé.

Ana Gomes


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 1.2.13 | Sem comentários
— palavra para sexta-feira da terceira semana —



— Evangelho segundo Marcos 4, 26-34

Naquele tempo, disse Jesus à multidão: «O reino de Deus é como um homem que lançou a semente à terra. Dorme e levanta-se, noite e dia, enquanto a semente germina e cresce, sem ele saber como. A terra produz por si, primeiro a planta, depois a espiga, por fim o trigo maduro na espiga. E quando o trigo o permite, logo se mete a foice, porque já chegou o tempo da colheita». Jesus dizia ainda: «A que havemos de comparar o reino de Deus? Em que parábola o havemos de apresentar? É como um grão de mostarda, que, ao ser semeado na terra, é a menor de todas as sementes que há sobre a terra; mas, depois de semeado, começa a crescer e torna-se a maior de todas as plantas da horta, estendendo de tal forma os seus ramos que as aves do céu podem abrigar-se à sua sombra». Jesus pregava-lhes a palavra de Deus com muitas parábolas como estas, conforme eram capazes de entender. E não lhes falava senão em parábolas; mas, em particular, tudo explicava aos seus discípulos.

— É a menor de todas as sementes

A linguagem usada por Jesus é (era) fácil de entender. A agricultura e as pescas eram as principais atividades daquele povo. Jesus não faz grandes discursos filosóficos ou teóricos. Constroi as comparações, parábolas, a partir da vivência do dia a dia, realidades conhecidas de todos os ouvintes.
As parábolas deste texto destacam, em conjunto, a força da vida, a vitalidade da natureza. Esta força (natural) é tão dinâmica que germina, cresce, frutifica, amadurece, dá mais vida. Uma pequena semente, como o grão de mostarda — «é a menor de todas as sementes» —, tem em si uma enorme vitalidade.
A vida é mais forte do que todas as crises. Nós, cristãos, recebemos todos os dias uma boa semente, o Evangelho, que representa a base da vida, a nossa força vital. Infelizmente, muitas vezes e muitas pessoas, desconfiam desta potencialidade escondida dentro de tão pequena semente... apesar de Jesus dizer e repetir que o Reino de Deus é assim: «a menor de todas as sementes».
Há quem continue a pensar que a vida de fé ou a vida da Igreja só tem sentido se for poderosa e influente. Em vez de olhar para cima, para o poder e a influência, é preciso aprender a olhar para baixo, para as raízes, onde está a fonte da vida, a força vital. Uma fé enraizada na fonte da vida, no Evangelho, torna-se uma grande planta, onde todas as pessoas «podem abrigar-se à sua sombra». 
Hoje, olha para dentro de ti. Contempla a pequena semente do Evangelho que Jesus lança no teu coração. É o pequeno que produz mudanças. Temos que estar orgulhosos de ser pequenos; e tomar consciência de que a nossa pequenez é a nossa força.
 

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 1.2.13 | Sem comentários
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