— TREZENTOS DIAS A CAMINHAR COM O EVANGELISTA LUCAS —

«Como é que isso pode ser, se nunca tive marido?» (Lucas 1, 34). Ao início, surpreendida, Maria pensa apenas nela própria. Não consegue perceber como é que se podem realizar as palavras de Gabriel. De facto, na longa História da Salvação, nunca uma jovem ainda sem viver com o marido tinha concebido um filho. Ela não possui nenhum ponto de apoio na Escritura para discernir a sua situação. E, ao contrário de Zacarias, não reclama um sinal. Maria apenas coloca em questão o «como»; e, por isso, deixa aberta a possibilidade de uma intervenção de Deus.

 
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 24.1.13 | Sem comentários
— reflexão semanal sobre o credo niceno-constantinopolitano —  

A reduplicação da divindade de Jesus Cristo expressa no «Credo» não acrescenta, apenas reforça a doutrina trinitária acerca de Deus. O que se proclama, de novo, é a natureza divina de Jesus Cristo por inteiro. Jesus Cristo é Deus a partir do próprio Deus: «Deus verdadeiro de Deus verdadeiro». [Para ajudar a compreender melhor, ler: 1João 2, 21-25; Catecismo da Igreja Católica, números — os mesmos do tema anterior — 249-256; 261-262]

«Todo aquele que nega o Filho fica sem o Pai; aquele que confessa o Filho tem também o Pai» — este comentário da Primeira Carta de João revela as linhas essenciais da falsa doutrina defendida pelos «anticristos», como os classifica o autor da Carta. Esta heresia considerava impossível o mistério da Encarnação. Mas, para o autor da Carta, negar a divindade de Jesus significava não estar em comunhão com o Pai (Deus). Negar a identidade de Jesus Cristo (verdadeiro Deus e verdadeiro homem) significava ser «anticristo». Podemos depreender através de toda a Primeira Carta de João que se tratava de uma doutrina bastante difundida e com muita aceitação entre os cristãos.

Deus verdadeiro de Deus verdadeiro. Esta reduplicação do «Credo» sugere de novo uma ligação profunda na Trindade de Deus; aqui, entre o Pai e o Filho (Jesus Cristo). «O essencial não é que Cristo tenha pregado uma verdade divina, mas que ele, real e fisicamente, é a própria verdade divina. Não é unicamente profeta e pregador, mas realidade fisicamente existente sobre a Terra. Ele é o próprio Deus. Com isso, o acesso a Deus não é simplesmente a aceitação de umas verdades pela via da transcendência. É algo mais profundo. É que a via mística da transcendência é ele» (Xavier Zubiri, «El problema filosófico de la historia de las religiones», Alianza Ed., Madrid, 1993, 329-330).
Como já vimos em temas anteriores, foram várias as (falsas) doutrinas que puseram em causa a identidade divina e humana de Jesus Cristo. Agora, apresentamos mais uma falsa doutrina, uma «heresia» (doutrina ou linha de pensamento que é contrária ao ensino oficial).

Gnosticismo. A doutrina gnóstica ultrapassa a dimensão cristã. É uma conceção religiosa muito antiga e que se infiltrou na Igreja gerando uma heresia com a qual já se defrontaram os Apóstolos e os primeiros cristãos, entre os quais podemos assinalar Santo Ireneu (130-200) na obra «Contra os Hereges». Existem diversas correntes de gnosticismo. Em geral, os adeptos desta doutrina (gnósticos) acreditam que existem dois deuses: um deus bom e outro mau. O mundo foi criado pelo deus mau. Por isso, para eles tudo o que é material tem de ser desprezado. O espiritual é o que interessa, porque é obra do deus bom. Para compreender a totalidade desta doutrina é necessário um aprofundamento maior. Aqui, situamo-nos apenas no âmbito da afirmação da divindade de Jesus Cristo. Ora, para os gnósticos, Jesus Cristo não é nem Deus nem humano. O deus bom enviou ao mundo o seu mensageiro, Jesus Cristo. Este seria uma espécie de «avatar» portador da «gnose» (um conhecimento revelado a alguns escolhidos e que leva à salvação, que consiste na libertação da carne, da matéria). Por isso, Jesus não teria tido um corpo de verdade, mas apenas um corpo aparente (docetismo: doceta quer dizer aparente). Esta doutrina põe em causa a identidade de Jesus Cristo, porque nega quer a divindade quer a humanidade. Um conhecimento destas afirmações gnósticas ajuda-nos não só a perceber a dinâmica da elaboração do «Credo niceno-constantinopolitano», mas também a compreender melhor alguns dos escritos do Novo Testamento. A Primeira Carta de João foi escrita para combater esta heresia. «A Carta não foi escrita apenas para reavivar a fé em Cristo e o amor aos irmãos; parece ser, antes de mais, um escrito polémico: perante a ameaça de erros graves, apresenta fórmulas claras e confissões obrigatórias da fé, como garantia da fé genuína e sinal da ortodoxia (4, 1-3). Parece que se enfrenta com os gnósticos, que afirmavam ter um conhecimento direto de Deus e negavam tanto a vinda de Deus ‘em carne mortal’ (4, 2) como a identidade entre o Cristo celeste e o Jesus terreno (2, 22). Para eles, o Jesus não passava de um mero instrumento de que o Cristo celeste se tinha servido para comunicar a sua mensagem, descendo a Ele por ocasião do Batismo e abandonando-o por ocasião da Paixão; e assim negavam a Incarnação e a morte do Filho de Deus, e o seu valor redentor» (Bíblia Sagrada, Introdução às Cartas de João, ed. Difusora Bíblica, Fátima 2008, 2013).

O gnosticismo (cristão) é uma falsa doutrina que tem ganho ascendente nas novas formas de religiosidade.


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 24.1.13 | Sem comentários

— O que Deus exige de nós? —


Dia 7 — Caminhando em solidariedade


  • Números 27,1-11 — O direito de herança das filhas 
  • Salmo 15 — Quem será recebido na tenda de Deus? 
  • Atos 2,43-47 — Os discípulos tinham tudo em comum 
  • Lucas 10,25-37 — O bom samaritano
Caminhar humildemente com Deus significa caminhar em solidariedade com todos os que lutam pela justiça e pela paz. Isso coloca uma questão para aqueles que oram pela unidade dos cristãos nesta Semana: o que é a unidade que buscamos? A Comissão de Fé e Ordem, que inclui membros do Conselho Mundial de Igrejas e da Igreja Católica, compreende a unidade como “unidade visível numa só fé e numa só comunhão eucarística”. O movimento ecumênico se dedica à superação das barreiras históricas e atuais que dividem os cristãos, mas faz isso com uma idéia de unidade visível que liga a natureza e a missão da Igreja a serviço da unidade da humanidade com a superação de tudo que prejudica a dignidade dos seres humanos e nos mantém separados. A Comissão de Fé e Ordem declarou: 
A Igreja é chamada e capacitada para partilhar o sofrimento de todos através da intercessão e do cuidado com os pobres, os necessitados e os marginalizados. Isso inclui análise e exposição crítica das estruturas injustas e o trabalho para a sua transformação... esse testemunho fiel pode envolver os próprios cristãos em sofrimento por causa do Evangelho. A Igreja é chamada e curar e reconciliar relações humanas quebradas e a ser instrumento de Deus na reconciliação, em situações de divisões humanas e de ódio. (Natureza e Missão da Igreja). 
Há muitos exemplos de tais ações de cura e reconciliação por parte das Igrejas indianas. Até muito recentemente, as leis sobre a herança dos cristãos na Índia desconsideravam as filhas. As Igrejas apoiaram a exigência de abolir essa lei arcaica. A história das filhas de Selofhad, na qual Moisés se dirige a Deus em busca de justiça apoiando o direito das filhas, foi usada para exigir justiça para as mulheres. Assim, os cristãos dalits foram movidos por esse testemunho bíblico em suas lutas pela justiça. 
Uma imagem bíblica da Igreja unida em solidariedade com os oprimidos é a parábola de Jesus sobre o bom samaritano. Como os dalits, o bom samaritano pertence a uma comunidade desprezada e excluída; ele é o único na história que se importa com o homem abandonado à beira da estrada e que proclama, através de sua ação solidária, a esperança e o consolo do Evangelho. A caminhada para a unidade cristã é inseparável do ato de caminhar humildemente com Deus em solidariedade com qualquer um e com todos que estejam necessitados de justiça e bondade. 

Oração 

Deus Uno e Trino, 
na tua própria vida ofereceste-nos 
um modelo singular de interdependência, 
relações de amor e solidariedade. 
Dá-nos união para que vivamos nossa vida dessa maneira. 
Ensina-nos a partilhar a esperança 
que encontramos nas pessoas que lutam pela vida no mundo inteiro. 
Que a persistência delas nos inspire na superação de nossas próprias divisões, 
para que possamos viver em santa cooperação uns com os outros, 
caminhando juntos em solidariedade. 
Deus da vida, guia-nos para a justiça e a paz. Amem. 

Questões 
Quem, na sua comunidade, está tendo necessidade da solidariedade da comunidade cristã?
Que Igrejas estão ou já estiveram em solidariedade com suas necessidades?
De que maneiras uma maior unidade cristã visível poria em relevo a solidariedade cristã com aqueles que estão precisando de justiça e bondade no contexto em que vivemos?


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 24.1.13 | Sem comentários

— O que Deus exige de nós? — 


A estrada do discipulado cristão leva a trilhar o caminho da justiça, da misericórdia e da humildade. A metáfora da “caminhada” foi escolhida para ligar os oito dias de oração porque, como um ato eficiente, intencional e progressivo, essa metáfora comunica o dinamismo que caracteriza o discipulado cristão. Os oito subtemas para a semana, referentes a diversos modos de caminhar, permitem que focalizemos várias dimensões de um autêntico discipulado cristão que segue pelo caminho da justiça, onde está a vida. 

Dia 7 Caminhando em solidariedade Caminhar humildemente com Deus significa caminhar em solidariedade com todos os que trabalham pela justiça e pela paz. Caminhar em solidariedade traz conseqüências não apenas para os crentes individualmente, mas para a própria natureza e missão da comunidade cristã inteira. A Igreja é chamada e fortalecida para partilhar os sofrimentos de todos, através da defesa e do cuidado oferecidos aos pobres, aos necessitados e aos marginalizados. Isso está implícito em nossa oração pela unidade dos cristãos nesta Semana.

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 24.1.13 | Sem comentários
— palavra para quinta-feira da segunda semana —



— Evangelho segundo Marcos 3, 7-12

Naquele tempo, Jesus retirou-Se com os seus discípulos a caminho do mar e acompanhou-O uma numerosa multidão que tinha vindo da Galileia. Também da Judeia e de Jerusalém, da Idumeia e da Transjordânia e dos arredores de Tiro e de Sidónia, veio ter com Jesus uma grande multidão, por ouvir contar tudo o que Ele fazia. Disse então aos seus discípulos que Lhe preparassem uma barca, para que a multidão não O apertasse. Como tinha curado muita gente, todos os que sofriam de algum padecimento corriam para Ele, a fim de Lhe tocarem. Os espíritos impuros, quando viam Jesus, caíam a seus pés e gritavam: «Tu és o Filho de Deus». Ele, porém, proibia-lhes severamente que o dessem a conhecer. 

— Todos os que sofriam de algum padecimento corriam para Ele

Jesus vem para trazer a salvação, em todas as dimensões. Uma das que mais se reflete nas passagens dos evangelhos é a recuperação da saúde e do bem estar oferecida por Jesus Cristo. Por causa do que Jesus fazia, diz o relato, uma grande multidão andava atrás dele. Não era uma «doutrina» que atraía as multidões até Jesus. Eram os factos, «por ouvir contar o tudo o que Ele fazia», que causavam a admiração e adesão daquela gente. 
Os evangelhos destacam as ações realizadas por Jesus em favor dos doentes, o acolhimento dos pecadores e dos marginalizados, a promoção de uma fé em Deus como Pai que ama todos as pessoas, a luta contra as normas religiosas inúteis e indignas.
Jesus significa «Deus salva»! Jesus vem para libertar as pessoas, para lhes devolver a dignidade. O «vinho» de Jesus cura as feridas das pessoas. «Todos os que sofriam de algum padecimento corriam para Ele». Ser cristão é oferecer os meus braços, a minha vida, para que a salvação continue a chegar à vida das pessoas. Tenho que estar convencido até ao tutano de que o «vinho» que oferecemos às pessoas é o melhor remédio para curar os seus males e para lhes proporcionar alegria e plenitude de vida!

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 24.1.13 | Sem comentários



O Conselho Pontifício das Comunicações Sociais, organismo do Vaticano, está a desenvolver um projeto online que visa agregar os comunicadores católicos de todo o mundo na mesma plataforma.
A iniciativa coincide com o 50.° aniversário do documento «Inter mirifica», o primeiro e único do II Concílio do Vaticano dedicado à comunicação.
O portal intermirifica.net apresenta-se como «uma plataforma que reúne os contactos das entidades de comunicação filiadas à Igreja Católica e que facilita o intercâmbio e o contacto entre os seus colaboradores».

© OC — Agência Ecclesia

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 24.1.13 | Sem comentários
— catequese do Papa Bento XVI —

Queridos irmãos e irmãs,
Hoje quero começar a reflectir convosco sobre o Credo, a nossa Profissão de Fé, que inicia com estas palavras: «Creio em Deus»; um Deus, que Se revela e fala aos homens, convidando-os a entrar em comunhão com Ele. Assim no-lo mostra a Bíblia na vida de muitas pessoas. Uma delas é Abraão, chamado «o pai de todos os crentes». A fé leva-o a percorrer um caminho paradoxal, pois será abençoado, mas sem os sinais visíveis da bênção. Abraão, na fé, sabe discernir a bênção divina para além das aparências, confiando na presença do Senhor mesmo quando os seus caminhos são misteriosos. Os olhos da fé são capazes de ver o invisível. Também nós, quando dizemos «Creio em Deus», afirmamos como Abraão: «Entrego-Me nas vossas mãos! Entrego-me a Vós, Senhor!», para fundar em Vós a minha vida e deixar que a vossa Palavra a oriente nas opções concretas de cada dia. > > >

 

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 24.1.13 | Sem comentários
— TREZENTOS DIAS A CAMINHAR COM O EVANGELISTA LUCAS —

«A quem vais pôr o nome de Jesus» (Lucas 1, 31). O menino que vai ser concebido no seio de Maria tem inscrito no seu nome o conteúdo da sua missão. Jesus significa «Deus salva». Através dele, Deus oferece a salvação à humanidade. Para completar o anúncio, o mensageiro dá a conhecer mais pormenores: será grande, Filho do Deus altíssimo, tomará o trono do seu antepassado David, governará eternamente (cf. Lucas 1, 32-33). Nunca antes uma criança tinha sido assim apresentada. Nele cumprem-se (todas) as promessas!

 
 
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 23.1.13 | Sem comentários

— O que Deus exige de nós? —


Dia 6 — Caminhando além das barreiras


  • Rute 4,13-18 — Os descendentes de Rute e Boaz 
  • Salmo 113 — Deus, o socorro dos necessitados 
  • Efésios 2,13-16 — Cristo destruiu o muro da separação 
  • Mateus 15,21-28 — Jesus e a mulher cananéia
Caminhar humildemente com Deus significa caminhar além das barreiras que dividem e prejudicam os filhos de Deus. Os cristãos na Índia estão conscientes das divisões entre eles. São Paulo viveu no meio das devastadoras divisões que havia nas primeiras comunidades cristãs entre cristãos judeus e gentios. Diante dessa e de todas as barreiras subseqüentes, Paulo proclama que Cristo “é a nossa paz: do que era dividido fez uma unidade. Em sua carne destruiu o muro de separação”. Em outro texto Paulo escreve: “Vós todos que fostes batizados em Cristo vos revestistes de Cristo. Não há mais nem judeu nem grego; já não há mais escravo nem homem livre, já não há mais o homem e a mulher, pois todos vós são um só em Cristo.” (Gálatas 3, 27-28). Em Cristo, todas as profundas barreiras do mundo antigo – e de seus sucessores modernos – foram removidas porque na cruz Jesus criou em si mesmo uma nova humanidade.
Num mundo em que é difícil cruzar as barreiras religiosas, os cristãos, que estão em minúscula minoria no contexto multi religioso da Índia, nos relembram a importância da cooperação e do diálogo inter religioso. O evangelho de Mateus fala da difícil caminhada de Jesus – e de seus discípulos – para cruzar as barreiras de religião, de cultura e de gênero quando ele é confrontado por uma mulher cananéia que lhe suplica a cura de sua filha. O instinto visceral dos discípulos para mandá-la embora e a própria hesitação de Jesus foram superados pela fé dessa mulher e por sua situação de necessidade. Então, Jesus e seus discípulos foram capazes de ultrapassar as barreiras humanas e as fronteiras impostas pelo mundo antigo. Isso já está presente na bíblia hebraica. O livro de Rute, a mulher moabita de uma diferente cultura e religião, se encerra com uma lista dos descendentes que ela produziu com o israelita Boaz. Obed, o filho deles, foi o pai de Jessé, que foi o pai de Davi. Esses ancestrais do rei herói do antigo Israel refletem o fato de que a vontade de Deus pode ser cumprida quando as pessoas cruzam as barreiras da religião e da cultura. A caminhada com Deus hoje exige que cruzemos as barreiras que separam os cristãos uns dos outros e das pessoas que têm outros tipos de fé. A caminhada para a unidade cristã exige que andemos humildemente com Deus indo além das barreiras que nos separam uns dos outros.

Oração 

Pai, perdoa-nos pelas barreiras de ambição,
preconceito e desprezo que continuamente construímos
e que geram separação dentro das Igrejas e entre as Igrejas,
que nos separam das pessoas de outras crenças
e daquelas que consideramos menos importantes do que nós.
Que o teu Espírito nos dê coragem para cruzar essas fronteiras
e para derrubar os muros que nos desconectam uns dos outros.
Assim, com Cristo, queremos avançar para terreno desconhecido,
levando a mensagem dele,
que é de amorosa aceitação e unidade para o mundo inteiro.
Deus da vida, guia-nos para a justiça e a paz. Amem.

Questões
Quais são as barreiras que separam os cristãos na sua comunidade?
Quais são as barreiras que separam os cristãos de outras tradições religiosas na sua comunidade?
Quais são as diferenças e semelhanças entre a caminhada para além das barreiras que separam os cristãos uns dos outros e a caminhada para além daquelas que estão entre o cristianismo e outras religiões?


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 23.1.13 | Sem comentários

— O que Deus exige de nós? — 


A estrada do discipulado cristão leva a trilhar o caminho da justiça, da misericórdia e da humildade. A metáfora da “caminhada” foi escolhida para ligar os oito dias de oração porque, como um ato eficiente, intencional e progressivo, essa metáfora comunica o dinamismo que caracteriza o discipulado cristão. Os oito subtemas para a semana, referentes a diversos modos de caminhar, permitem que focalizemos várias dimensões de um autêntico discipulado cristão que segue pelo caminho da justiça, onde está a vida. 

Dia 6 Caminhando além das barreiras Caminhar com Deus significa ir além das barreiras que dividem e prejudicam os filhos de Deus. As leituras bíblicas deste dia contemplam várias maneiras pelas quais as barreiras humanas são superadas, culminando no ensinamento de São Paulo: «vós todos que fostes batizados em Cristo vos revestistes de Cristo. Não há mais nem judeu nem grego, já não há mais nem escravo nem homem livre, já não há mais o homem e a mulher; pois todos vós sois um só em Jesus Cristo» (Gálatas 3, 28).

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 23.1.13 | Sem comentários
— palavra para quarta-feira da segunda semana —



— Evangelho segundo Marcos 3, 1-6

Jesus entrou de novo na sinagoga, onde estava um homem com uma das mãos atrofiada. Os fariseus observavam Jesus para verem se Ele ia curá-lo ao sábado e poderem assim acusá-l’O. Jesus disse ao homem que tinha a mão atrofiada: «Levanta-te e vem aqui para o meio». Depois perguntou-lhes: «Será permitido ao sábado fazer bem ou fazer mal, salvar a vida ou tirá-la?». Mas eles ficaram calados. Então, olhando-os com indignação e entristecido com a dureza dos seus corações, disse ao homem: «Estende a mão». Ele estendeu-a e a mão ficou curada. Os fariseus, porém, logo que saíram dali, reuniram-se com os herodianos para deliberarem como haviam de acabar com Ele.

— Entristecido com a dureza dos seus corações

O cumprimento (fanático) das leis sabáticas volta a ser o tema do episódio narrado no evangelho segundo Marcos (cf. ontem, terça-feira da primeira semana). A posição de Jesus já era conhecida. A religião, a observância das leis religiosas só tem sentido se for para dignificar o ser humano. E nunca para marginalizar ou oprimir o ser humano. 
Mas os fundamentalistas não estão dispostos a ceder. Por isso, os fariseus ficam atentos às ações de Jesus para verem se ia curar aquele homem com uma das mãos atrofiadas. Não lhes interessa o bem estar da pessoa ou a sua dignidade. O que está em causa é a denúncia e não a ajuda!
A liberdade de Jesus é soberana, exemplar. Uma liberdade ao serviço da misericórdia, ao serviço do humano. A saúde e a felicidade são valores fundamentais. Acima de qualquer outra coisa. Até da religião! 
Jesus também não fica indiferente à atitude dos fundamentalistas. O relato manifesta a indignação e a tristeza de Jesus perante tais atitudes contrárias ao bem do ser humano. «Entristecido com a dureza dos seus corações». O «vinho» novo, a ótima «bebida» que Jesus tem para oferecer não pode ficar guardada em corações duros, incapazes de se compadecerem dos outros, desculpando-se com as normas religiosas. Este problema continua por resolver... também nas igrejas cristãs e entre os cristãos!

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 23.1.13 | Sem comentários
— texto semanal publicado no «Diário do Minho» —

A segunda parte do (segundo) artigo do «Credo» sobre Jesus Cristo termina com a afirmação: «e se fez homem». Em Jesus Cristo, Deus humaniza-se e vive a condição humana na sua totalidade, exceto no pecado. Jesus Cristo leva à plenitude a nossa humanidade. É modelo para todo o ser humano que deseja alcançar a plena realização pessoal. Nesta simples afirmação — «e se fez homem» — está condensada toda a vida (privada e pública) de Jesus Cristo. [Para ajudar a compreender melhor, ler: Lucas 2, 39-52; Catecismo da Igreja Católica, números 512 a 570]

«Jesus crescia em sabedoria, em estatura e em graça, diante de Deus e dos homens» — assim resume o evangelho segundo Lucas a vida de Jesus entre os doze e os trinta anos de idade. Para perceber o que é relatado pelo evangelista, é preciso ter em conta que, na mesma casa, viviam os avós, os pais, os filhos, os tios, os primos, todos os que constituíam o mesmo núcleo familiar. É este grande clã familiar que se desloca a Jerusalém. Assim, já não é tão estranho que Jesus tenha ficado no Templo, «sem que os pais o soubessem». Seria possível apenas Maria e José perderem Jesus?! Este relato é muito rico em ensinamentos teológicos. Trata-se de um episódio que nos ajuda a perceber que Jesus começa a assumir a sua própria perspetiva de vida. O início da vida adulta acontecia aos doze anos. A maioria dos rapazes e raparigas casavam por volta dessa idade, num tempo em que aos quarenta anos já se era «velho». Ao colocá-lo «no meio dos doutores», o evangelista prepara-nos para o que vai ser a vida de Jesus: a fidelidade à sua missão.


E se fez homem. Jesus esteve com os seus pais, Maria e José, em Nazaré, até ao início da sua pregação, chamada «vida pública». Durante esse tempo, viveu de forma humildade e discreta, de tal modo que não existe qualquer dado bíblico sobre essa etapa da sua vida (privada). Jesus permanece em Nazaré aproximadamente até aos trinta anos de idade. A partir daí, começa a sua intensa pregação e ação. Uma atividade que vai levar à condenação à morte. Após a Páscoa de Jesus Cristo, a Ressurreição, ficaremos a saber que não se trata de um fracasso, mas de uma vitória do amor, consequência da fidelidade à sua missão: dar a conhecer o amor de Deus. No entanto — ao contrário dos relatos dos evangelhos que são extensos e detalhados —, o «Credo» nada diz sobre a forma como Jesus viveu nem sobre o que disse e fez até à crucificação. No «Credo» apenas recordamos os mistérios da Páscoa e do Natal. «Relativamente à vida de Cristo, o Símbolo da Fé apenas fala dos mistérios da Encarnação (conceção e nascimento) e da Páscoa (paixão, crucifixão, morte, sepultura, descida à mansão dos mortos, ressurreição, ascensão). Nada diz explicitamente dos mistérios da vida oculta e pública de Jesus. Mas os artigos que dizem respeito à Encarnação e à Páscoa de Jesus esclarecem toda a vida terrena de Cristo. ‘Tudo o que Jesus fez e ensinou desde o princípio até ao dia em que foi elevado ao céu’ (Atos dos Apóstolos 1, 1-2) deve ser visto à luz dos mistérios do Natal e da Páscoa» (Catecismo da Igreja Católica [CIC], 512). O Catecismo da Igreja Católica resume em quatro aspetos a vida (pública) de Jesus: toda a vida de Cristo é revelação do Pai (CIC 516); toda a vida de Cristo é mistério de redenção (CIC 517); toda a vida de Cristo é mistério de recapitulação (CIC 518); toda a vida de Cristo é modelo de perfeição (CIC 519-521). Talvez uma (próxima) revisão do texto do «Credo» possa incluir uma referência à vida de Jesus!

«Toda a vida de Cristo foi um ensinar contínuo: os seus silêncios, os seus milagres, os seus gestos, a sua oração, o seu amor pelo humano, a sua predileção pelos pequeninos e pelos pobres, a aceitação do sacrifício total na cruz pela redenção do mundo e a sua ressurreição, são a atuação da sua palavra e o cumprimento da sua revelação» (João Paulo II, Exortação Apostólica sobre a catequese, 9).

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 22.1.13 | Sem comentários
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