— Bem-aventurados os construtores da paz — 


De vários lados se reconhece que, hoje, é necessário um novo modelo de desenvolvimento e também uma nova visão da economia. [...] Para sair da crise financeira e económica actual, que provoca um aumento das desigualdades, são necessárias pessoas, grupos, instituições que promovam a vida, favorecendo a criatividade humana para fazer da própria crise uma ocasião de discernimento e de um novo modelo económico. O modelo que prevaleceu nas últimas décadas apostava na busca da maximização do lucro e do consumo, numa óptica individualista e egoísta que pretendia avaliar as pessoas apenas pela sua capacidade de dar resposta às exigências da competitividade. Olhando de outra perspetiva, porém, o sucesso verdadeiro e duradouro pode ser obtido com a dádiva de si mesmo, dos seus dotes intelectuais, da própria capacidade de iniciativa, já que o desenvolvimento económico suportável, isto é, autenticamente humano tem necessidade do princípio da gratuidade como expressão de fraternidade e da lógica do dom. Concretamente na actividade económica, o construtor da paz aparece como aquele que cria relações de lealdade e reciprocidade com os colaboradores e os colegas, com os clientes e os usuários. Ele exerce a atividade económica para o bem comum, vive o seu compromisso como algo que ultrapassa o interesse próprio, beneficiando as gerações presentes e futuras. Deste modo sente-se a trabalhar não só para si mesmo, mas também para dar aos outros um futuro e um trabalho dignos.


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— TREZENTOS DIAS A CAMINHAR COM O EVANGELISTA LUCAS —

O relato da primeira unidade temática começa no Templo de Jerusalém, aquando do ofício sacerdotal de Zacarias. Estrategicamente, termina também no Templo, quando Jesus atinge os doze anos de idade, isto é, a maioridade religiosa. Esta é uma maneira de o redator mostrar que o nascimento e, mais tarde, o ministério de Jesus dão a plenitude à esperança do povo da Aliança. Aliás, todo o texto contém ligações implícitas com a Escritura, a começar pelo situação de Zacarias e Isabel que é idêntica à situação de Abraão e Sara, ambos sem filhos.


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— Bem-aventurados os construtores da paz — 


A paz não é um sonho, nem uma utopia; a paz é possível. Os nossos olhos devem ver em profundidade, sob a superfície das aparências e dos fenómenos, para vislumbrar uma realidade positiva que existe nos corações, pois cada ser humano é criado à imagem de Deus e chamado a crescer contribuindo para a edificação dum mundo novo. Na realidade, através da encarnação do Filho e da redenção por Ele operada, o próprio Deus entrou na história e fez surgir uma nova criação e uma nova aliança entre Deus e o homem, oferecendo-nos a possibilidade de ter «um coração novo e um espírito novo» (cf. Ez 36, 26). Por isso mesmo, a Igreja está convencida de que urge um novo anúncio de Jesus Cristo, primeiro e principal factor do desenvolvimento integral dos povos e também da paz. Na realidade, Jesus é a nossa paz, a nossa justiça, a nossa reconciliação. O construtor da paz, segundo a bem-aventurança de Jesus, é aquele que procura o bem do outro, o bem pleno da alma e do corpo, no tempo presente e na eternidade.


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Que o teu olhar ganhe em profundidade e pormenor
para poderes ver mais claramente
a tua própria viagem com toda a humanidade
como uma viagem de paz, unidade e esperança.

Que tenhas atenção a todos os lugares
por onde caminhas e vais caminhar neste novo ano,
e conheças, por experiência, quão belos são os pés
do mensageiro que anuncia a paz e a boa nova.

Que não tenhas medo das perguntas
que oprimem o teu coração e a tua mente,
as acolhas com serenidade e aprendas a viver com elas,
até ao dia em que tudo se torne claro e conhecido.

Que dês as boas-vindas com um sorriso
a todos os que te apertem a mão:
as mãos estendidas formam redes de solidariedade
que alegram e enriquecem com a sua presença protetora.

Que todas as coisas criadas sejam para ti uma prenda;
que saibas desfrutar delas a todas as horas do dia;
e que assumas, com coragem e entusiasmo,
a responsabilidade de cuidar a terra inteira.

Que o manancial da ternura e da compaixão
jorre sem parar dentro de ti, noite e dia,
até poderes experimentar as alegrias e as lágrimas
dos teus irmãos que caminham contigo.

Que possas acordar cada manhã sereno e com brio,
com a ação de graças nos lábios e no coração,
e que as tuas palavras e os teus actos, pequenos ou grandes,
proclamem que tudo é graça, tudo é dom.

Que o teu espírito esteja aberto e alerta
para descobrir o querer de Deus em cada momento;
e que a tua oração seja encontro de vida, de sabedoria
e de entendimento dos caminhos de Deus para ti.

Que a tu vida, este ano, qual fermento evangélico,
se misture, sem medo, com a massa
e faça levedar a Igreja e o mundo em que vivemos,
para que sejam realmente novos e tenros.

E que a bênção do Deus que vem ao teu encontro,
que é a tua rocha, o teu refúgio, a tua força, o teu consolo
e o teu apoio a cada momento, quer o invoques ou não,
desça sobre ti e te guarde de todo o mal.

© Florentino Ulibarri 
www.feadulta.com
© tradução de Lopes Morgado

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 1.1.13 | Sem comentários

— Bem-aventurados os construtores da paz — 


A paz envolve o ser humano na sua integridade e supõe o empenhamento da pessoa inteira: é paz com Deus, vivendo conforme à sua vontade; é paz interior consigo mesmo, e paz exterior com o próximo e com toda a criação. Como escreveu o Beato João XXIII na Encíclica Pacem in terris – cujo cinquentenário terá lugar dentro de poucos meses –, a paz implica principalmente a construção duma convivência humana baseada na verdade, na liberdade, no amor e na justiça. A negação daquilo que constitui a verdadeira natureza do ser humano, nas suas dimensões essenciais, na sua capacidade intrínseca de conhecer a verdade e o bem e, em última análise, o próprio Deus, põe em perigo a construção da paz. Sem a verdade sobre o ser humano, inscrita pelo Criador no seu coração, a liberdade e o amor depreciam-se, a justiça perde a base para o seu exercício.



Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 1.1.13 | Sem comentários
Dêem glória ao homem sem Deus
— que, neste mundo sem paz,
não podem as criaturas
crer que Ele seja capaz
de a gozar lá nas alturas.

Quando o homem tiver paz,
também Deus terá Sua glória:
sempre algum náufrago traz
o capitão na memória.

© Lopes Morgado,
«Neste Natal» (Lisboa 1989), página 45

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 1.1.13 | Sem comentários

— Bem-aventurados os construtores da paz — 


A bem-aventurança de Jesus diz que a paz é, simultaneamente, dom messiânico e obra humana. Na verdade, a paz pressupõe um humanismo aberto à transcendência; é fruto do dom recíproco, de um mútuo enriquecimento, graças ao dom que provém de Deus e nos permite viver com os outros e para os outros. A ética da paz é uma ética de comunhão e partilha. Por isso, é indispensável que as várias culturas de hoje superem antropologias e éticas fundadas sobre motivos teorico-práticos meramente subjectivistas e pragmáticos, em virtude dos quais as relações da convivência se inspiram em critérios de poder ou de lucro, os meios tornam-se fins, e vice-versa, a cultura e a educação concentram-se apenas nos instrumentos, na técnica e na eficiência. Condição preliminar para a paz é o desmantelamento da ditadura do relativismo e da apologia duma moral totalmente autónoma, que impede o reconhecimento de quão imprescindível seja a lei moral natural inscrita por Deus na consciência de cada homem. A paz é construção em termos racionais e morais da convivência, fundando-a sobre um alicerce cuja medida não é criada pelo homem, mas por Deus. Como lembra o Salmo 29, «o Senhor dá força ao seu povo; o Senhor abençoará o seu povo com a paz».

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 1.1.13 | Sem comentários
Que este novo ano, Senhor,
traga os alforges leves,
mas cheios de estrelas que façam brilhar,
em todos os cantos, a paz e as flores;
nos encha de vida e de ilusão,
que germinem e frutifiquem;
nos ofereça grátis e sem interrogantes
o que sonhamos muitas vezes
quando acordados e sem preocupações.

Que no novo ano, Senhor,
voltemos as costas aos medos
e encaremos de frente as dificuldades;
abramos o coração à ternura
e libertemos a mente de problemas;
saibamos desprender-nos do desnecessário
para não nos cansarmos no caminho de cada dia;
e que, apesar das nossas diferenças,
mantenhamos o respeito e a flexibilidade,
e a leveza no corpo e no espírito.

Que no novo ano, Senhor,
tenhamos vontade e tempo
para escutar e dialogar com os amigos
e, também, com os que vão por outros caminhos;
que ele receba, antes de mais, efusivamente,
os nossos elogios e beijos apaixonados
para não nos aparecer como um estranho;
que tenha cócegas para o podermos acordar,
goste de embalo para adormecer
e não chore muito quando nos enganarmos.

Que no novo ano, Senhor,
procuremos, com passo firme e muito equilíbrio,
o caminho da felicidade e do teu reino,
e a alegria que existe em caminhar;
que a descubramos e guardemos,
e nada nos faça perder tão precioso tesouro.

Que o aceitemos com respeito e humor,
e nos relaxemos um pouco mais que de costume
embora continuando com a perene crise
que se instalou no nosso mundo e no coração.

Que o novo ano, Senhor,
seja, para todos, surpreendente e feliz,
e a melhor prenda do teu coração de Pai.  

© Florentino Ulibarri 
www.feadulta.com
© tradução de Lopes Morgado 
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 1.1.13 | Sem comentários
 — Santa Maria, Mãe de Deus — 1 de janeiro —

Quando se completaram os oito dias... — Hoje, completam-se oito dias após o nascimento de Jesus. O texto do evangelho, que é a continuação do relato proclamado na noite de Natal, refere esta circunstância temporal. É inevitável recordar este mesmo ritmo de oito dias presente no tempo de Páscoa. Aos oito dias da Ressurreição, voltamos a celebrar a Páscoa e o Senhor Jesus Ressuscitado volta a tornar-se presente no meio da comunidade. É o ritmo dominical, é o ritmo da Eucaristia. É o ritmo de Jesus! Quando se completaram os oito dias, no momento da circuncisão, cumpre-se também o que o mensageiro de Deus disse a Maria e a José: deram-lhe o nome de Jesus, que significa Deus salva. Ora, desde o início nos é dito que toda a vida de Jesus será o cumprimento do desígnio salvador do Pai!

© Joan Torra (Misa dominical)
© tradução e adaptação de Laboratório da fé

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 1.1.13 | Sem comentários

— Bem-aventurados os construtores da paz — 


As bem-aventuranças proclamadas por Jesus são promessas. Com efeito, na tradição bíblica, a bem-aventurança é um género literário que traz sempre consigo uma boa nova, ou seja um Evangelho, que culmina numa promessa. Assim, as bem-aventuranças não são meras recomendações morais, cuja observância prevê no tempo devido – um tempo localizado geralmente na outra vida – uma recompensa, ou seja, uma situação de felicidade futura; mas consistem sobretudo no cumprimento duma promessa feita a quantos se deixam guiar pelas exigências da verdade, da justiça e do amor. Frequentemente, aos olhos do mundo, aqueles que confiam em Deus e nas suas promessas aparecem como ingénuos ou fora da realidade; ao passo que Jesus lhes declara que já nesta vida – e não só na outra – se darão conta de serem filhos de Deus e que, desde o início e para sempre, Deus está totalmente solidário com eles. Compreenderão que não se encontram sozinhos, porque Deus está do lado daqueles que se comprometem com a verdade, a justiça e o amor. Jesus, revelação do amor do Pai, não hesita em oferecer-Se a Si mesmo em sacrifício. Quando se acolhe Jesus Cristo, Homem-Deus, vive-se a jubilosa experiência de um dom imenso: a participação na própria vida de Deus, isto é, a vida da graça, penhor duma vida plenamente feliz. De modo particular, Jesus Cristo dá-nos a paz verdadeira, que nasce do encontro confiante do homem com Deus.

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— palavra para o dia um de janeiro — Santa Maria, Mãe de Deus —


— Evangelho segundo Lucas 2, 16-21

Naquele tempo, os pastores dirigiram-se apressadamente para Belém e encontraram Maria, José e o Menino deitado na manjedoura. Quando O viram, começaram a contar o que lhes tinham anunciado sobre aquele Menino. E todos os que ouviam admiravam-se do que os pastores diziam. Maria conservava todos estes acontecimentos, meditando-os em seu coração. Os pastores regressaram, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, como lhes tinha sido anunciado. Quando se completaram os oito dias para o Menino ser circuncidado, deram-Lhe o nome de Jesus, indicado pelo Anjo, antes de ter sido concebido no seio materno. 

— Maria conservava todos estes acontecimentos, meditando-os em seu coração

O evangelho apresenta-nos uma das afirmações mais surpreendentes sobre Maria: «Maria conservava todos estes acontecimentos, meditando-os no seu coração». Uma atitude exemplar para os cristãos! É a constatação de Maria como mulher de vida interior, de silêncio, de reflexão, de contemplação. Neste «Ano da Fé», Maria ensina-nos que a fé tem de ser trabalhada na interioridade da pessoa. Como ela, somos convidados a viver a experiência da salvação na nossa vida, descobrindo dentro de nós a presença salvadora de Deus. 
O verbo «meditar» traduz o grego «symballein», um verbo que significa interpretar, fazer exegese. Assim, Maria continua a tradição dos sábios de Israel que recorriam à história passada para interpretar o presente. E é precisamente deste confronto entre o passado e o presente que emerge o verdadeiro significado dos acontecimentos. Aqui está um bom propósito para este novo ano: aprender a «conservar» os acontecimento e a «meditá-los» com o coração. 
Um dos maiores erros da nossa sociedade é o descuido com a interioridade. E sem este cultivo da interioridade nunca descobriremos a verdadeira felicidade! É no âmbito da interioridade onde se dá a descoberta da presença de Deus e a experiência do encontro transformador com Deus. Infelizmente, grande parte de nós tem medo ou descuida esta importância da interioridade. Por isso, precisamos de estar atentos e aprendermos a aprofundar a nossa interioridade como forma de plena realização pessoal, que para nós é o lugar da presença de Deus.
Nós, cristãs e cristãos, começamos sempre cada ano civil com quatro comemorações: o dia de ano novo, o oitavo dia de Natal, o Dia Mundial da Paz e a solenidade litúrgica em memória de Maria. Esta é a festa mais antiga que conhecemos dedicada a Maria! Mas esteve esquecida durante alguns séculos. Na reforma litúrgica do II Concílio do Vaticano, o Papa Paulo VI recuperou-a do esquecimento. É belo começar o ano olhando para Maria com o título de Mãe de Deus! 

A maternidade de Maria é um dogma, uma doutrina de fé definida em Éfeso, no ano 431. Este dogma foi definido para confirmar que o fruto do parto de Maria foi uma única pessoa: Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem. Um bispo chamado Nestório dizia que existiam duas pessoas distintas em Jesus. Ao contrário, Cirilo proclamava uma só pessoa em Jesus; por isso, Maria é com pleno sentido mãe de Jesus, filho de Deus, é Mãe de Deus. Daqui nasceu a expressão «Theotokos» — que é referida em cânticos marianos — que literalmente quer dizer «aquela que dá à luz Deus». 
Maria torna presente o Deus incarnado, o Emanuel. Santo Agostinho diz que Maria é mãe de Deus, não pela relação biológica, mas por ter aceite o projeto de Deus. Nisto, Maria continua a ser modelo para todos os humanos. Todos temos de gerar Deus e todos temos de dar à luz Deus, como disse o mestre Eckhart. No mesmo sentido, os primeiros teólogos, chamados de «Padres da Igreja», diziam que a Igreja tinha de ser parteira, porque a sua missão era ajudar os seres humanos a dar à luz Deus.
Deus continua a incarnar em nós, a dar-se plenamente a todos e a cada um. Descobrir e experimentar este dom da presença de Deus em nós é a tarefa mais importante que podemos realizar ao longo da vida. Com Maria, podemos aprender a fazer este caminho de fé: descobrir a presença de Deus dentro de nós e em todos os acontecimentos da vida.

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— Bem-aventurados os construtores da paz —

Cada ano novo traz consigo a expectativa de um mundo melhor. Nesta perspectiva, peço a Deus, Pai da humanidade, que nos conceda a concórdia e a paz a fim de que possam tornar-se realidade, para todos, as aspirações duma vida feliz e próspera. [...]
As inúmeras obras de paz, de que é rico o mundo, testemunham a vocação natural da humanidade à paz. Em cada pessoa, o desejo de paz é uma aspiração essencial e coincide, de certo modo, com o desejo por uma vida humana plena, feliz e bem sucedida. Por outras palavras, o desejo de paz corresponde a um princípio moral fundamental, ou seja, ao dever-direito de um desenvolvimento integral, social, comunitário, e isto faz parte dos desígnios que Deus tem para o homem. Na verdade, o homem é feito para a paz, que é dom de Deus.

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